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Sente-se perturbado?A Sentinela — 1979 | 15 de agosto
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Sente-se perturbado?
AS NOTÍCIAS provindas de muitos países são quase iguais. A desonestidade tornou-se uma praga. Muitos praticam furtos em lojas. Os patrões acham que sofrem grandes perdas com os furtos praticados pelos empregados. O suborno tornou-se comum no mundo comercial. Prevalecem fraude, extorsão e desfalques. A grande maioria parece conseguir safar-se com sua desonestidade. Mesmo entre os que são apanhados, poucos são punidos segundo a gravidade dos seus crimes.
Como se sente afetado por este colapso da moral? Muitos estão inclinados a dizer: “Que adianta ser honesto?” Passam a olhar com inveja para a prosperidade dos que violam as leis. Mas, deve ser invejado o sucesso dos desonestos?
Há muitos séculos, deu-se uma resposta inspirada a esta pergunta. E isso devidamente, porque a corrução moral não é algo novo. Ela tem sido a causa de perturbação para os de inclinações justas durante os muitos séculos da existência humana. Há mais de 3.000 anos, o Rei Davi, que temia a Deus, por exemplo, presenciava a violação da lei entre o seu próprio povo, os israelitas. Sob inspiração, apresentou a excelente admoestação sobre como manter o proceder certo quando se vê que os transgressores prosperam.
Davi exortou: “Não te acalores por causa dos malfeitores. Não invejes os que fazem injustiça. Pois murcharão rapidamente como a erva e desvanecer-se-ão como a nova relva verde.” (Sal. 37:1, 2) Sim, o que é que se ganha por ficar indevidamente aflito com o modo em que os violadores da lei parecem escapar impunes? Que adiantaria se invejássemos a riqueza que eles obtém? Realmente nada, mas é bem possível que nos tornássemos infelizes e descontentes. Portanto, o proceder mais sábio é ter em mente que a prosperidade material dos malfeitores é apenas temporária. Mesmo que não sejam apanhados pela justiça, não podem estender indefinidamente a sua vida. Por causa da brevidade da vida humana, os iníquos são como a erva que, quando cortada, murcha rapidamente. São como a vicejante nova relva verde que se desvanece quando seca. Assim como os malfeitores chegam ao seu fim, assim também seu lucro mal adquirido.
Outra coisa que nos impedirá de invejarmos os transgressores é reconhecermos que o Altíssimo pode corrigir e corrigirá a questão no seu devido tempo. O salmista prosseguiu: “Confia em Jeová e faze o bem; reside na terra e age com fidelidade.” (Sal. 37:3) Confiantes em que Jeová endireitará a questão, devemos continuar a fazer o que é bom, não deixando que o aparente bom êxito dos violadores da lei nos desvie do proceder certo. O salmista recomendou também que ‘residamos na terra’ (evidentemente referindo-se à terra que era o lar de Davi, e assim, em nosso caso, referindo-se à terra de nossa residência). Enquanto continuamos a viver entre pessoas que violam a lei, devemos confiar na ajuda divina e mostrar-nos fiéis ou retos em tudo o que fazemos.
Assim manteremos uma relação excelente com o Criador — algo de valor muito maior do que as coisas materiais. O salmista dá o conselho: “Deleita-te também em Jeová, e ele te concederá os pedidos do teu coração. Rola teu caminho sobre Jeová e confia nele, e ele mesmo agirá. E certamente farás sair a tua justiça como a própria luz e o teu juízo como o meio-dia.” — Sal. 37:4-6.
Segundo estas palavras, nosso verdadeiro deleite, prazer e felicidade devem ser em nosso Deus, em servi-lo fielmente. Se formos aprovados por ele, então nos concederá ‘os pedidos de nosso coração’, visto que faremos nossas petições em harmonia com a sua vontade. (1 João 5:14, 15) Podemos rolar sobre ele quaisquer fardos ou cuidados que tenhamos, confiando todos os nossos assuntos às suas mãos e esperando receber a sua ajuda, orientação e direção. Se confiarmos nele, não deixará de agir em nosso favor. Embora outros nos possam difamar e obscurecer nossa conduta reta como que com uma nuvem, Jeová Deus, no seu devido tempo, fará nossa justiça e juízo destacar-se tão nítida e brilhantemente como a luz do sol ao meio-dia.
A NECESSIDADE DE PACIÊNCIA
Antes de haver tal vindicação, porém, o que devemos fazer? O salmista responde: “Fica quieto diante de Jeová e espera ansiosamente por ele. Não te acalores por alguém tornar seu caminho bem sucedido, por causa do homem que executa as suas idéias. Larga a ira e abandona o furor; não te acalores apenas para fazer o mal. Pois os próprios malfeitores serão decepados, mas os que esperam em Jeová são os que possuirão a terra.” — Sal. 37:7-9.
O que nos diz ali o salmista? Ele está salientando que precisamos esperar pacientemente que Jeová Deus aja no seu devido tempo, sem nos queixarmos. Precisamos refrear-nos de ficar tão irados com o bom êxito de homens desonestos, a ponto de agirmos precipitadamente e pormos em perigo nossa posição perante Deus. O que nos ajudará neste respeito é ter em mente que os malfeitores serão decepados. Até mesmo na seqüência natural dos assuntos, qualquer ação ilícita age contrário ao prolongamento da vida. Quem leva uma vida devassa, por exemplo, pode morrer muito mais cedo do que se tivesse permanecido reto. Assim, em sentido geral, os que esperam em Deus ou confiam nele usufruem uma vida mais longa e mais satisfatória.
No caso dos israelitas, aos quais se dirigiram originalmente as palavras do salmista, a permanência deles na Terra da Promessa e seu usufruto duma vida longa dependiam de sua obediência a Deus. A contínua violação da lei, por outro lado, resultava na retirada da bênção e da proteção de Deus. Muitas vezes, isto significava a morte às mãos de nações inimigas, ou por fome e doença. — Lev. 26:3-39; Amós 4:6 a 5:3.
O salmista Davi, por sua própria experiência na vida, chegou a reconhecer que, no fim das contas, sempre é melhor acatar as ordens justas de Deus. Ele declarou: “Eu era moço, também fiquei velho, e, no entanto, não vi nenhum justo completamente abandonado, nem a sua descendência procurando pão. Vigia o inculpe e mantém a vista no homem reto, porque o futuro deste homem será pacífico. Mas os próprios transgressores serão aniquilados juntos; o futuro de gente iníqua será deveras decepado.” — Sal. 37:25, 37, 38.
Nos tempos modernos, os que já ficaram velhos no serviço de Jeová tiveram a mesma experiência. Deus os sustentou em tempos de sofrimento, e muitos deles presenciaram a morte de governantes opressivos que haviam determinado distraí-los. Quando estes servos inculpes de Deus examinam o passado, vêem que sua vida foi bem sucedida.
O fato de ainda estarem vivos prova que Deus forneceu aquilo de que necessitaram. Usufruíram paz, calma e tranqüilidade intimas. Por quê? Porque mantiveram uma consciência limpa e ficaram poupados às ansiedades duma vida que gira exclusivamente em torno de coisas materiais e visa apenas a morte. Outrossim, aguardam com confiança o futuro, quando Jeová Deus usará seu Filho Jesus Cristo e as forças angélicas para erradicar da face da terra toda a corrução e os que são contra a lei, introduzindo uma era de paz duradoura. — 2 Tes. 1:16-10.
Deveras, as palavras do salmista ajudam-nos a encarar a vida de modo realístico. Sim, perturba, de fato, aflige ver florescer aquilo que é contra a lei. Mas, não se ganha nada por se ficar indevidamente perturbado com isso. Se nos entregássemos à transgressão, arruinaríamos nossa relação com o Criador. O proceder sábio, portanto, é perseverar com paciência, confiantes em que Deus agirá e que nosso futuro é seguro quando entregamos nossos assuntos nas mãos dele.
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Tarso, cidade natal de PauloA Sentinela — 1979 | 15 de agosto
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Tarso, cidade natal de Paulo
TARSO era a cidade principal e capital da província romana da Cilícia, e cidade natal do apóstolo Paulo. (Atos 9:11; 22:3) A cidade ficava a uns 16 quilômetros da desembocadura do rio Cidno, que desemboca no Mediterrâneo oriental a menos de 130 quilômetros da ponta oriental de Chipre.
Ninguém sabe quando Tarso foi fundada, nem por quem, porque é uma cidade de grande antiguidade. Primeiro é mencionada na história secular como tendo sido capturada pelos assírios (nunca era uma cidade muito fortificada), sendo que Tarso, depois disso, estava em servidão e pagava tributo na maior parte do tempo às sucessivas potências da Áustria, Pérsia, Grécia, depois aos reis selêucidas e finalmente a Roma.
Tarso estava situada numa fértil região costeira, onde se cultivava o linho, e este, por sua vez, sustentava florescentes industrias, tais como a tecelagem de linho e a fabricação de tendas. Tecidos de pêlos de cabra e chamados cilicium também encontravam uso especial na fabricação de tendas. Um fator mais importante, porém, que contribuía para a riqueza e a fama de Tarso, era seu excelente porto, situado estrategicamente junto a uma das principais rotas comerciais, terrestres, do leste ao oeste. Para o leste, levava à Síria e à Babilônia; para as regiões setentrionais e ocidentais da Ásia Menor, esta rota passava pelas Portas Cilicianas, um desfiladeiro estreito nos montes Tauro, apenas a uns 48 quilômetros ao norte da cidade.
Durante a sua história, Tarso foi visitada por personalidades famosas, incluindo Júlio César, Marco Antônio e Cleópatra, bem como por diversos imperadores. Cícero foi governador da cidade de 51 a 50 A.E.C. Tarso era também famosa como sede de erudição, no primeiro século E. C., e, segundo o geógrafo grego Estrabão, como tal superava até mesmo Atenas e Alexandria.
Portanto, por estes diversos motivos, Paulo podia muito bem descrever Tarso como “cidade nada obscura”. Disse isso quando informou um comandante militar de que era cidadão de Tarso, não egípcio. — Atos 21:37-39.
De vez em quando, durante o seu ministério, Paulo voltava a sua cidade natal de Tarso (Atos 9:29, 30; 11:25, 26), e, sem dúvida, passou por ela em algumas de suas viagens missionárias. — Atos 15:23, 41; 18:22, 23. Tirado de Ajuda ao Entendimento da Bíblia, em inglês, p. 1576.
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