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O que é privacidade?Despertai! — 1988 | 22 de fevereiro
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a partilhar quase tudo com sua família e os amigos. Espera-se que a pessoa sacrifique sua privacidade, em vez de protegê-la.
Problemas a Vencer
Na verdade, há aquilo que alguns consideram problemas, quando as pessoas costumeiramente gozam de pouca privacidade. Se as pessoas que vivem em tal sociedade desejam estudar, ou fazer outras coisas pessoais, elas precisam cultivar alto grau de concentração. Donald Keene comentou em seu livro Living Japan: “A única privacidade real provém de a pessoa se desligar espiritualmente de outras pessoas que podem, com efeito, estar a apenas alguns metros de distância, e este tipo de privacidade é necessário no Japão.”
Viver bem próximo de parentes e de amigos pode gerar outros problemas. Alguns casais japoneses, por exemplo, sentem a necessidade de fugir para “motéis” para usufruir seus momentos de intimidade. Similarmente, no Brasil, a privacidade se torna limitada numa casa em que há apenas cortinas finas penduradas numa porta, ou onde os quartos são apenas cubículos com pequenas divisórias. As conversas e outros ruídos são ouvidos facilmente nos outros aposentos.
Mas tais condições habitacionais não são as únicas coisas que podem gerar o que alguns consideram problemas; o mesmo acontece com a natureza amigável das pessoas. Ela pode irritar as pessoas voltadas para a privacidade. Para exemplificar, se você não tem filhos, talvez seja crivado de perguntas pessoais, tais como:‘O senhor (ou a senhora) não tem nenhum filho? Por que não?’
Um Preço Maior a Ser Pago?
Todavia, ser curioso demais quanto à vida do vizinho é encarado com certo desprezo na Dinamarca. Similarmente, na Grã-Bretanha, muitas pessoas de meia-idade prezam muito manter sua privacidade, até mesmo em relação aos filhos. Numa sociedade cônscia de classes, cada grupo social tenta viver no âmbito protetor de sua privacidade.
No entanto, em países em que se espera alto grau de privacidade, esta tem seu preço. À guisa de exemplo, na Dinamarca, quando a porta da rua se trancou, deixando um senhor de 80 anos do lado de fora, ele não teve coragem de tocar a campainha do vizinho. Ficou perambulando por uma hora e meia no tempo frio, até que um policial o ajudou a ir buscar um chaveiro.
Problemas como este moveram os dinamarqueses a iniciar uma campanha de porta em porta, na década de 70. Qual o objetivo da campanha? Incentivar as pessoas solitárias a visitar mais os vizinhos e a comunicar-se com eles. Transcorridos alguns meses, cerca de 50.000 dinamarqueses participaram da campanha. Tal fenômeno por parte duma sociedade voltada para a privacidade demonstra a necessidade de a pessoa se preocupar com os outros.
Todavia, na Alemanha, 62 por cento dos entrevistados pelo Instituto Allensbacher consideravam sua própria felicidade pessoal como seu principal objetivo na vida. Mas, como este Instituto concluiu: “Se julgarmos que dar aos outros é tolice, e apenas visarmos nossa própria felicidade e a da nossa família, talvez já tenhamos alcançado a era glacial, em sentido social.” Deveras, a falta de interesse nos outros anda de mãos dadas com o egoísmo.
No Japão, observa-se uma tendência para o egoísmo, sendo dada ênfase à privacidade. “Entre as muitas mudanças na sociedade nipônica forjadas pelo rápido crescimento econômico desta nação”, escreve Tetsuya Chikushi, destacado jornalista japonês, “é o fenômeno de os filhos, ao crescerem, terem seu próprio quarto, fenômeno considerado, por muitos, como representando a maior mudança histórica na sociedade nipônica”.
Tal mudança tem aspectos tanto positivos como negativos. A privacidade pode ajudar um filho a desenvolver o senso de responsabilidade, e lhe fornecer um refúgio para o estudo e a meditação. Todavia, pode fazer com que os filhos se tornem reclusos em seu próprio quarto, relegando a comunicação com a família. Apontando tais aspectos negativos, Hiroshi Nakamura, do Instituto Cultural Infantil do Japão, disse: “Quanto mais cedo ocorrer a independência, tanto melhor, quanto mais afluência houver, tanto melhor, quanto mais perfeita for a privacidade, tanto melhor — são estas mesmíssimas idéias que são a causa do conflito psicológico da família.”
A crescente atitude egoísta em sua sociedade está deixando alarmados a muitos japoneses. Esse dilema nos ajuda a ver a necessidade de equilíbrio.
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Um conceito equilibrado sobre a privacidadeDespertai! — 1988 | 22 de fevereiro
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Um conceito equilibrado sobre a privacidade
OS MOTIVOS pelos quais as pessoas desejam privacidade são múltiplos e diversificados. Os jovens talvez queiram privacidade para asseverar sua independência. Algumas pessoas desejam manter o caráter privativo de suas finanças por causa de negócios nebulosos. Pessoas submetidas ao teste do vírus da AIDS muitas vezes ficam preocupadas que os resultados conservem seu caráter privado. E muitos desejam um ambiente sossegado, privativo, para meditar.
Quando se Precisa de Privacidade
As pessoas confrontadas com situações difíceis apreciam muito os momentos de solidão. Tais períodos de privacidade, segundo Yoko, uma jovem senhora de Tóquio, Japão, são vitais para ajudá-la a enfrentar a vida. Um dia, por exemplo, quando o açougueiro veio entregar seu pedido, a sogra dela o recebeu e jogou a galinha inteira na lata de lixo, simplesmente para pôr Yoko em má situação. Enfrentar tais incidentes, dia após dia, diz Yoko, torna inestimáveis os momentos que ela passa a sós, em sua privacidade.
Ao refletir sobre os assuntos, quando está a sós, a pessoa pode ser ajudada a decidir qual o proceder apropriado a seguir. “Ficai agitados, mas não pequeis”, a Bíblia aconselha sabiamente. “Falai no vosso coração, na vossa cama, e ficai quietos.” (Salmo 4:4) “Realmente”, o salmista bíblico diz mais, “durante as noites me corrigiram os meus rins”. (Salmo 16:7) Seus “rins”, ou suas emoções mais profundas, corrigiam-no
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