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“Santificado seja o teu nome” — que nome?O Nome Divino Que Durará Para Sempre
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“Santificado seja o teu nome” — que nome?
É VOCÊ uma pessoa religiosa? Nesse caso, sem dúvida, como muitos outros, crê num Ser Supremo. E provavelmente tem grande respeito pela bem conhecida oração a esse Ser, ensinada por Jesus a seus seguidores, e conhecida como a oração dominical ou o Pai-Nosso. Essa oração começa assim: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome.” — Mateus 6:9, Almeida (atualizada).
Já se perguntou por que Jesus pôs a ‘santificação’ do nome de Deus em primeiro lugar nessa oração? Em seguida, ele mencionou outras coisas, como a vinda do Reino de Deus, a vontade de Deus ser feita na terra, e nossos pecados serem perdoados. O cumprimento desses outros pedidos por fim significará paz duradoura na terra e vida eterna para a humanidade. Pode imaginar algo mais importante do que isso? Não obstante, Jesus nos ensinou a orar em primeiro lugar pela santificação do nome de Deus.
Não foi por mero acaso que Jesus ensinou a seus seguidores a dar prioridade ao nome de Deus em suas orações. Esse nome era claramente de capital importância para ele, visto que o mencionou repetidas vezes em suas próprias orações. Certa ocasião, ao orar publicamente a Deus, ouviu-se Jesus dizer: “Pai, glorifica o teu nome.” E o próprio Deus respondeu: “Eu o glorifiquei e o glorificarei novamente!” — João 12:28, A Bíblia de Jerusalém.
Na noite antes de Jesus morrer, ele orava a Deus aos ouvidos de seus discípulos, e de novo eles o ouviram sublinhar a importância do nome de Deus. Ele disse: “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste.” Mais adiante, repetiu: “Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lho darei a conhecer.” — João 17:6, 26, BJ.
Por que era o nome de Deus tão importante para Jesus? Por que ele mostrou que esse nome é importante para nós, por nos instruir a orar por sua santificação? Para entender isso, precisamos saber como os nomes eram encarados nos tempos bíblicos.
Nomes nos Tempos Bíblicos
Jeová Deus evidentemente pôs no homem o desejo de dar nome às coisas. O primeiro humano tinha nome, Adão. Na história da criação, uma das primeiras coisas que se diz que Adão fez foi dar nome aos animais. Quando Deus deu uma esposa a Adão, imediatamente Adão a chamou de “Mulher” (’ish·sháh, em hebraico). Mais tarde, ele deu-lhe o nome de Eva, que significa “Vivente”, porque “ela havia de tornar-se a mãe de todos os viventes”. (Gênesis 2:19, 23; 3:20) Mesmo atualmente seguimos o costume de dar nome às pessoas. Certamente, é difícil imaginar como poderíamos passar sem nomes.
Nos dias dos israelitas, porém, os nomes não eram simples rótulos. Eles tinham significado. Por exemplo, o nome de Isaque, “Riso”, lembrava o riso de seus pais idosos ao ouvirem que teriam um filho. (Gênesis 17:17, 19; 18:12) O nome de Esaú significava “Peludo”, descrevendo uma característica física. Seu outro nome, Edom, “Vermelho”, ou “Corado”, era um lembrete de que ele vendera seu direito de primogenitura por um prato de cozido vermelho. (Gênesis 25:25, 30-34; 27:11; 36:1) Jacó, embora fosse apenas um pouquinho mais jovem que seu irmão gêmeo, Esaú, comprou o direito de primogênito de Esaú e recebeu de seu pai as bênçãos de primogênito. De nascimento, o significado do nome de Jacó era “Agarrando o Calcanhar” ou “Suplantador”. (Gênesis 27:36) Similarmente, o nome de Salomão, durante o reinado de quem Israel usufruiu paz e prosperidade, significa “Pacífico”. — 1 Crônicas 22:9.
Assim, o The Illustrated Bible Dictionary (Dicionário Bíblico Ilustrado), Volume 1, página 572, diz: “Um estudo da palavra ‘nome’ no A[ntigo] T[estamento] revela o quanto ela significa em hebraico. O nome não é simples rótulo, mas é significativo da personalidade real daquele a quem pertence.”
O fato de que o nome é considerado algo importante por Deus deduz-se de que, por meio de um anjo, ele instruiu os futuros pais de João Batista e de Jesus quanto a qual devia ser o nome dos filhos deles. (Lucas 1:13, 31) E às vezes ele mudou os nomes, ou deu nomes adicionais às pessoas, para indicar o lugar que teriam em seu propósito. Por exemplo, quando Deus predisse que seu servo Abrão (“Pai de Exaltação”) se tornaria pai de muitas nações, Ele mudou seu nome para Abraão (“Pai Duma Multidão”). E ele mudou o nome da esposa de Abraão, Sarai (“Contenciosa”), para Sara (“Princesa”), visto que ela seria a mãe do descendente de Abraão. — Gênesis 17:5, 15, 16; veja Gênesis 32:28; 2 Samuel 12:24, 25.
Jesus, também, reconheceu a importância dos nomes e referiu-se ao nome de Pedro ao dar-lhe um privilégio de serviço. (Mateus 16:16-19) Até mesmo criaturas espirituais têm nome. Dois mencionados na Bíblia são Gabriel e Miguel. (Lucas 1:26; Judas 9) E quando o homem dá nome a coisas inanimadas, como estrelas, planetas, cidades, montanhas e rios, ele meramente imita seu Criador. Por exemplo, a Bíblia nos diz que Deus chama a todas as estrelas por nome. — Isaías 40:26.
Sim, o nome é importante aos olhos de Deus, e ele pôs no homem o desejo de identificar pessoas e coisas por meio de nomes. Assim, anjos, pessoas, animais, bem como estrelas e outras coisas inanimadas, têm nome. Seria coerente da parte do Criador de todas essas coisas manter-se anônimo? Claro que não, especialmente em vista das palavras do salmista: ‘Bendiga toda a carne o santo nome de Deus por tempo indefinido, para todo o sempre.’ — Salmo 145:21.
O The New International Dictionary of New Testament Theology (Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento), Volume 2, página 649, diz: “Um dos aspectos mais fundamentais e essenciais da revelação bíblica é o fato de que Deus não fica sem nome: ele tem um nome pessoal, por meio do qual pode e deve ser invocado.” Jesus certamente tinha esse nome em mente quando ensinou seus seguidores a orar: “Nosso Pai nos céus, santificado seja o teu nome.” — Mateus 6:9.
Em vista de tudo isso, é evidentemente importante para nós saber qual é o nome de Deus. Conhece você o nome pessoal de Deus?
Qual É o Nome de Deus?
Surpreendentemente, a maioria das centenas de milhões de membros das religiões da cristandade provavelmente acharia difícil responder a essa pergunta. Alguns diriam que o nome de Deus é Jesus Cristo. Contudo, Jesus orava a alguém diferente, quando disse: “Tenho feito manifesto o teu nome aos homens que [tu] me deste do mundo.” (João 17:6) Ele orava a Deus no céu, como um filho falando a seu pai. (João 17:1) Era o nome de seu Pai celestial que devia ser santificado.
Contudo, muitas Bíblias modernas não contêm o nome, e ele é raramente usado nas igrejas. Assim, longe de ser santificado, ele se tornou desconhecido para milhões de leitores da Bíblia. Como exemplo de como os tradutores bíblicos consideram o nome de Deus, veja apenas um versículo em que ele ocorre: Salmo 83(82):18(19). Esse texto é traduzido da seguinte maneira, em quatro Bíblias diferentes:
“E reconhecerão que só tu, cujo nome é SENHOR, és o Altíssimo sobre toda a terra.” (Almeida [atualizada], de 1964)
“Saibam que só vós vos chamais Deus. Vós sois o único Altíssimo sobre toda a terra.” (Missionários Capuchinhos, católica, de 1982)
“Saberão assim que só tu tens o nome de Iahweh, o Altíssimo sobre a terra inteira!” (A Bíblia de Jerusalém, católica, de 1981)
“Para que saibam que só tu, cujo nome é Jehovah, és o Altíssimo sobre toda a terra.” (Versão Brasileira, de 1947)
Por que o nome de Deus aparece de maneira tão diferente nessas versões? É o nome dele SENHOR, Deus, Iahweh ou Jehovah (Jeová)? Ou são todos eles aceitáveis?
Para responder a essas perguntas, temos de nos lembrar que a Bíblia não foi originalmente escrita em português. Os escritores bíblicos eram hebreus, e na maior parte escreveram nos idiomas hebraico e grego de seus dias. A maioria de nós não fala essas línguas antigas. Mas a Bíblia tem sido traduzida em numerosos idiomas modernos, e essas traduções estão disponíveis se desejarmos ler a Palavra de Deus.
Os cristãos têm profundo respeito pela Bíblia e creem corretamente que “toda a Escritura é inspirada por Deus”. (2 Timóteo 3:16) Assim, traduzir a Bíblia é uma pesada responsabilidade. Se alguém deliberadamente mudar ou omitir parte do conteúdo da Bíblia, estará adulterando a Palavra inspirada. A tal se aplicaria a advertência bíblica: “Se alguém fizer um acréscimo a essas coisas, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste rolo; e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do rolo desta profecia, Deus lhe tirará o seu quinhão das árvores da vida.” — Revelação (Apocalipse) 22:18, 19; veja também Deuteronômio 4:2.
A maioria dos tradutores da Bíblia sem dúvida respeita a Bíblia e sinceramente deseja torná-la compreensível nesta era moderna. Mas os tradutores não são inspirados. Também, a maioria deles têm fortes opiniões sobre assuntos religiosos e podem ser influenciados por ideias e preferências pessoais. Podem também cometer erros ou enganos humanos de critério.
Assim, temos o direito de fazer algumas perguntas importantes: Qual é o verdadeiro nome de Deus? E por que diferentes traduções bíblicas trazem diferentes nomes para Deus? Estabelecida a resposta a essas perguntas, poderemos voltar ao nosso problema original: por que é tão importante a santificação do nome de Deus?
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O nome de Deus — seu significado e sua pronúnciaO Nome Divino Que Durará Para Sempre
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O nome de Deus — seu significado e sua pronúncia
UM DOS escritores bíblicos perguntou: “Quem ajuntou o vento na concavidade de ambas as mãos? Quem embrulhou as águas numa capa? Quem fez todos os confins da terra levantar-se? Qual é seu nome e qual é o nome de seu filho, caso o saibas?” (Provérbios 30:4) Como podemos nós descobrir qual é o nome de Deus? Essa é uma pergunta importante. A criação é uma poderosa prova de que Deus tem de existir, mas ela não nos informa o nome dele. (Romanos 1:20) De fato, jamais saberíamos o nome de Deus a menos que o próprio Criador nos informasse. E ele fez isso em seu próprio Livro, a Bíblia Sagrada.
Numa célebre ocasião, Deus pronunciou seu próprio nome, repetindo-o aos ouvidos de Moisés. Moisés escreveu um relato daquele acontecimento, que tem sido preservado na Bíblia até os dias de hoje. (Êxodo 34:5) Deus até mesmo escreveu seu nome com o seu próprio “dedo”. Quando acabara de dar a Moisés o que hoje chamamos de os Dez Mandamentos, Deus miraculosamente os assentou por escrito. O registro diz: “Ora, assim que [Deus] acabou de falar com ele no monte Sinai, passou a dar a Moisés duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, inscritas pelo dedo de Deus.” (Êxodo 31:18) O nome de Deus aparece oito vezes nos Dez Mandamentos originais. (Êxodo 20:1-17) Portanto, o próprio Deus revelou seu nome ao homem, tanto verbalmente como por escrito. Assim, qual é esse nome?
Na língua hebraica ele é escrito יהוה. Essas quatro letras, chamadas de Tetragrama, são lidas da direita para a esquerda, em hebraico, e podem ser representadas em muitas línguas modernas por YHWH ou JHVH. O nome de Deus, representado por essas quatro consoantes, aparece quase 7 mil vezes no “Antigo Testamento” original, ou Escrituras Hebraicas.
O nome é uma forma do verbo hebraico ha·wáh (הוה), que significa “tornar-se”, e realmente significa “Ele Faz Tornar-se”.a Assim, o nome de Deus o identifica como Aquele que progressivamente cumpre suas promessas e infalivelmente realiza seus propósitos. Somente o verdadeiro Deus poderia ter tal nome significativo.
Lembra-se das diferentes maneiras em que o nome de Deus aparece no Salmo 83:18 (82:19), conforme apresentado na parte anterior (página 5)? Duas dessas traduções usam meros títulos (“SENHOR”, “Deus”) quais substitutos para o nome de Deus. Mas em duas delas, Iahweh [ou Yahweh] e Jehovah, você pode ver as quatro letras do nome de Deus. Contudo, a pronúncia é diferente. Por quê?
Como É Pronunciado o Nome de Deus?
A verdade é que ninguém sabe com certeza como o nome de Deus era pronunciado originalmente. Por que não? Bem, a primeira língua usada na escrita da Bíblia foi o hebraico, e ao escrever a língua hebraica os escritores escreviam apenas consoantes — não vogais. Portanto, quando os escritores inspirados escreveram o nome de Deus, eles naturalmente seguiram o mesmo proceder e escreveram apenas as consoantes.
Enquanto o antigo hebraico era uma língua do cotidiano, isso não apresentava nenhum problema. Os israelitas conheciam a pronúncia do Nome, e, quando o viam por escrito, supriam as vogais automaticamente (assim como para o leitor em português a abreviatura “btl” representa “batalhão” e “ctvs” representa “centavos”).
Aconteceram duas coisas que mudaram essa situação. Primeiro, surgiu entre os judeus a ideia supersticiosa de que era errado pronunciar o nome divino em voz alta; assim, ao se depararem com ele na sua leitura da Bíblia eles pronunciavam a palavra hebraica ’Adho·naí (“Soberano Senhor”). Ademais, com o passar do tempo, a própria antiga língua hebraica deixou de ser usada na conversação diária, de modo que por fim se perdeu a pronúncia hebraica original do nome de Deus.
A fim de assegurar que a pronúncia da língua hebraica como um todo não fosse perdida, eruditos judaicos da segunda metade do primeiro milênio EC inventaram um sistema de pontos para representar as vogais ausentes, e os colocavam em volta das consoantes na Bíblia hebraica. Por conseguinte, eram escritas tanto as vogais como as consoantes, e a pronúncia, como era naquela época, foi preservada.
No caso do nome de Deus, em vez de colocar em volta dele os corretos sinais de vogal, na maioria dos casos eles colocavam outros sinais de vogal para lembrar ao leitor que ele devia pronunciar ’Adho·naí. Disso se originou a forma Iehouah, e, finalmente, Jehovah (Jeová) se tornou a pronúncia aceitável do nome divino, em português. Essa pronúncia retém do hebraico original os elementos essenciais do nome de Deus.
Que Pronúncia Usará?
De onde, no entanto, se originaram pronúncias tais como Iavé? Essas são formas que têm sido sugeridas por eruditos modernos que procuram deduzir a pronúncia original do nome de Deus. Alguns — embora não todos — acham que os israelitas antes da época de Jesus provavelmente davam ao nome de Deus a pronúncia de Iavé. Mas ninguém pode ter certeza. Talvez o pronunciassem assim, talvez não.
Não obstante, muitos preferem a pronúncia Jeová. Por quê? Porque tem um uso corrente e uma familiaridade que Iavé não tem. Não seria melhor, porém, usar a forma que talvez se aproxime mais da pronúncia original? Realmente não, pois esse não é o costume relacionado com nomes bíblicos.
Como exemplo mais notável disso, considere o nome de Jesus. Você sabe como a família e os amigos de Jesus se dirigiam a ele na conversação diária enquanto se criava em Nazaré? A verdade é que nenhum humano sabe com certeza, embora possa ter sido algo parecido com Ieshua (ou talvez Iehoshua). Certamente não era Jesus.
Contudo, quando os relatos de sua vida foram escritos na língua grega, os escritores inspirados não tentaram preservar aquela pronúncia hebraica original. Em vez disso, traduziram o nome em grego, I·e·soús. Hoje, é traduzido de maneiras diferentes, de acordo com o idioma do leitor da Bíblia. Os leitores da Bíblia em inglês encontram Jesus (pronunciado Djísus). Os italianos escrevem Gesù (pronunciado Djesu). E os alemães escrevem Jesus (pronunciado Iêsus).
Devemos parar de usar o nome de Jesus porque a maioria de nós, ou mesmo todos nós, não conhecemos realmente a sua pronúncia original? Até agora, nenhum tradutor sugeriu isso. Gostamos de usar o nome, pois ele identifica o amado Filho de Deus, Jesus Cristo, que deu sua vida por nós. Seria dar honra a Jesus remover toda menção de seu nome na Bíblia e substituí-lo por um mero título como “Instrutor” ou “Mediador”? É claro que não! Podemos relacionar-nos a Jesus quando usamos seu nome da maneira geralmente pronunciada em nosso idioma.
O mesmo se pode dizer de todos os nomes que lemos na Bíblia. Nós os pronunciamos na nossa própria língua e não tentamos imitar a pronúncia original. Assim, falamos “Jeremias”, não Yir·meyá·hu. Similarmente, dizemos Isaías, embora nos seus dias esse profeta provavelmente fosse conhecido por Yesha‛·yá·hu. Mesmo os eruditos cientes da pronúncia original desses nomes usam a pronúncia moderna, não a antiga, ao falar deles.
E o mesmo se dá com o nome Jeová. Embora a moderna pronúncia Jeová talvez não seja exatamente igual à pronúncia original, isso de modo algum detrai da importância do nome. Esse nome identifica o Criador, o Deus vivente, o Altíssimo, a quem Jesus falou: “Nosso Pai nos céus, santificado seja o teu nome.” — Mateus 6:9.
‘Não Pode Ser Suplantado’
Embora muitos tradutores prefiram a pronúncia Iavé, a Tradução do Novo Mundo, e também várias outras traduções, continuam usando a forma Jeová (Jehovah) por causa da familiaridade do povo com ela, por séculos. Ademais, ela preserva, como outras formas, as quatro letras do Tetragrama, YHWH ou JHVH.b
Antes disso, o professor alemão Gustav Friedrich Oehler tomou uma decisão similar, basicamente pelo mesmo motivo. Ele analisou várias pronúncias e concluiu: “Deste ponto em diante eu uso a palavra Jeová, porque, na verdade, este nome agora se tornou mais comum no nosso vocabulário, e não pode ser suplantado.” — Theologie des Alten Testaments (Teologia do Antigo Testamento), segunda edição, publicada em 1882, página 143.
Similarmente, em sua Grammaire de l’hébreu biblique (Gramática do Hebraico Bíblico), edição de 1923, numa nota ao pé da página 49, o erudito jesuíta Paul Joüon diz: “Nas nossas traduções, em vez da (hipotética) forma Yahweh, temos usado a forma Jéhovah . . . que é a forma literária convencional usada em francês.” Tradutores bíblicos em muitos outros idiomas usam uma forma similar, como indicado no quadro da página 8.
É, então, errado usar uma forma como Yahweh (Iavé)? De modo algum. Dá-se apenas que a forma Jeová provavelmente encontrará uma reação mais rápida por parte do leitor porque é a forma que se tornou “comum” na maioria dos idiomas. A coisa importante é que usemos o nome e o declaremos a outros. “Agradecei a Jeová! Invocai o seu nome. Tornai conhecidas entre os povos as suas ações. Fazei menção de que seu nome deve ser sublimado.” — Isaías 12:4.
Vejamos como os servos de Deus têm agido em harmonia com esse mandamento através dos séculos.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja Apêndice 1A na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referências, edição de 1986.
b Veja Apêndice 1A na edição de 1986 da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referências.
[Quadro na página 7]
Diferentes eruditos têm diferentes ideias sobre como o nome YHWH era originalmente pronunciado.
No The Mysterious Name of Y.H.W.H. (O Misterioso Nome Y.H.W.H.), página 74, o dr. M. Reisel disse que a “vocalização do Tetragrama originalmente devia ser YeHūàH ou YaHūàH”.
O cônego D. D. Williams, de Cambridge, Inglaterra, sustentou que a “evidência indica, mais do que isso, quase prova, que Jāhwéh não era a verdadeira pronúncia do Tetragrama . . . O próprio Nome era, provavelmente, JĀHÔH.” — Zeitschrift für die alttestamentliche Wissenschaft (Periódico Para Conhecimento do Antigo Testamento), 1936, Volume 54, página 269.
No glossário da Versão de Segond Revisada, em francês, página 9, faz-se o seguinte comentário: “A pronúncia Yahvé usada em algumas traduções recentes baseia-se em poucas testemunhas antigas, mas não são conclusivas. Se alguém levar em consideração nomes pessoais que incluem o nome divino, como o nome hebraico do profeta Elias (Eliyahou), a pronúncia bem que pode ser Yaho ou Yahou.”
Em 1749, o erudito bíblico alemão Teller falou sobre diferentes pronúncias do nome de Deus que havia lido: “Deodoro da Sicília, Macróbio, Clemente de Alexandria, São Jerônimo e Orígenes escreveram Jao; os samaritanos, Epifânio, Teodoreto, Jahe, ou Jave; Ludwig Cappel lê Javoh; Drúsio, Jahve; Hottinger, Jehva; Mercero, Jehovah; Castellion, Jovah; e le Clerc, Jawoh, ou Javoh.”
Portanto, é evidente que a pronúncia original do nome de Deus não mais é conhecida. Nem é realmente importante. Se fosse, o próprio Deus se teria certificado de que fosse preservada para o nosso uso. O importante é usar o nome de Deus segundo a pronúncia convencional no nosso próprio idioma.
[Quadro na página 8]
Formas do nome divino em diferentes idiomas, indicando a aceitação internacional da forma Jeová.
Alemão - Jehova
Awabakal - Yehóa
Bugotu - Jihova
Cantonês - Yehwowah
Dinamarquês - Jehova
Efique - Jehovah
Espanhol - Jehová
Fijiano - Jiova
Finlandês - Jehova
Francês - Jéhovah
Futuna - Ihova
Holandês - Jehovah
Húngaro - Jehova
Ibo - Jehova
Inglês - Jehovah
Ioruba - Jehofah
Italiano - Geova
Japonês - Ehoba
Maori - Ihowa
Motu - Iehova
Muala-Malu - Jihova
Narrinyeri - Jehovah
Nemba - Jihova
Petates - Jihouva
Polonês - Jehowa
Português - Jeová
Romeno - Iehova
Samoano - Ieova
Soto - Jehova
Suaíli - Yehova
Sueco - Jehova
Tagalo - Jehova
Taitiano - Iehova
Tonganês - Jihova
Venda - Yehova
Xosa - uYehova
Zulu - uJehova
[Quadro na página 11]
“Jeová” tornou-se amplamente conhecido como nome de Deus mesmo em contextos não bíblicos.
Franz Schubert compôs a música para o poema lírico intitulado “A Onipotência”, escrito por João Ladislau Pyrker, no qual o nome Jeová aparece duas vezes. Ele é também usado no fim da última cena da ópera “Nabuco”, de Verdi.
Adicionalmente, o oratório “Rei Davi”, do compositor francês Artur Honegger, dá proeminência ao nome Jeová, e o renomado autor francês Vítor Hugo usou-o em mais de 30 de suas obras. Tanto ele como Lamartine escreveram poemas intitulados “Jeová”.
No livro Deutsche Taler (O Táler Alemão), publicado em 1967 pelo Banco Federal da Alemanha, há uma gravura de uma das mais antigas moedas que estampam o nome “Jeová”, um Reichstaler de 1634 do ducado da Silésia. A respeito da estampa no reverso da moeda, diz: “Sob o radiante nome JEOVÁ, elevando-se em meio a nuvens, há um escudo encimado por uma coroa com o brasão silesiano.”
Num museu em Rudolstadt, na Alemanha Oriental, você pode ver na gola da armadura usada por Gustavo II Adolfo, rei da Suécia do século 17, o nome JEOVÁ em letras maiúsculas.
Por conseguinte, por séculos a forma Jeová tem sido a maneira internacionalmente reconhecida de pronunciar o nome de Deus, e as pessoas que a ouvem instantaneamente sabem de quem se fala.
O Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa diz: “A forma Jeová, porém, está tão usual, que seria pedantismo empregar Iavé ou Iaué, a não ser em livros de pura filologia semítica ou de exegese bíblica.”
[Foto na página 6]
Detalhe de um anjo com o nome de Deus, no túmulo do papa Clemente XIII, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
[Foto na página 7]
Cunharam-se muitas moedas que estampavam o nome de Deus. Esta, datada de 1661, é de Nurembergue, Alemanha. O texto latino diz: “Sob a sombra de tuas asas.”
[Fotos na página 9]
Em tempos passados, o nome de Deus na forma do Tetragrama fazia parte da decoração de muitos edifícios religiosos.
Basílica Católica de Fourvière, Lião, França.
Catedral de Bourges, França.
Igreja em La Celle Dunoise, França.
Igreja em Digne, sul da França.
Igreja em São Paulo, Brasil.
Catedral de Estrasburgo, França.
Catedral de São Marcos, Veneza, Itália.
[Fotos na página 10]
O nome Jeová, conforme aparece num mosteiro em Bordesholm, Alemanha;
numa moeda alemã, datada de 1635;
acima da porta de uma igreja, em Fehmarn, Alemanha;
e numa lápide de 1845, em Harmannschlag, Baixa Áustria.
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O nome divino através das erasO Nome Divino Que Durará Para Sempre
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O nome divino através das eras
JEOVÁ Deus quer que o homem conheça e use Seu nome. Isso é evidente pelo fato de que ele revelou Seu nome às primeiríssimas duas pessoas na Terra. Sabemos que Adão e Eva estavam familiarizados com o nome de Deus porque depois que Eva deu à luz a Caim, ela disse, segundo o texto hebraico original: “Produzi um homem com o auxílio de Jeová.” — Gênesis 4:1.
Mais adiante lemos que homens fiéis, como Enoque e Noé, ‘andaram com o verdadeiro Deus’. (Gênesis 5:24; 6:9) Eles também, portanto, devem ter conhecido o nome de Deus. O nome sobreviveu ao grande Dilúvio, com o homem justo Noé e sua família. Apesar da grande rebelião ocorrida algum tempo depois, em Babel, os verdadeiros servos de Deus continuaram a usar o Seu nome. Ele ocorre centenas de vezes nas leis que Deus deu a Israel. Só no livro de Deuteronômio ele ocorre 551 vezes.
Nos dias dos juízes, os israelitas evidentemente não se esquivavam de usar o nome de Deus. Eles até mesmo o usavam na troca de cumprimentos. Lemos (no original hebraico) a respeito de Boaz saudar seus ceifeiros: “Jeová seja convosco.” Eles retribuíam o seu cumprimento dizendo: “Jeová te abençoe.” — Rute 2:4.
No decurso da história dos israelitas, até a época em que retornaram a Judá após o cativeiro deles em Babilônia, o uso do nome de Jeová continuou a ser comum. O Rei Davi, um homem agradável ao coração do próprio Deus, usou extensivamente o nome divino — ele ocorre centenas de vezes nos salmos que ele escreveu. (Atos 13:22) O nome de Deus estava também incorporado em muitos nomes pessoais israelitas. Assim, lemos sobre Adonias (“Jah é meu Senhor” — “Jah” é uma forma abreviada de Jeová), Isaías (“Salvação de Jeová”), Jonatã (“Jeová tem dado”), Micá ou Miqueias (“Quem é semelhante a Jah?”) e Josué (“Jeová é salvação”).
Fora da Bíblia
Existe também evidência de fontes de fora da Bíblia a respeito do uso extensivo do nome divino nos tempos antigos. Em 1961 uma antiga caverna mortuária foi descoberta um pouco a sudoeste de Jerusalém, segundo um artigo na Israel Exploration Journal (Revista de Explorações de Israel, Volume 13, N.º 2). Nas suas paredes havia inscrições hebraicas, que aparentemente datam da segunda metade do oitavo século AEC. As inscrições contêm declarações tais como: “Jeová é o Deus de toda a terra.”
Em 1966 publicou-se um artigo na Israel Exploration Journal (Volume 16, N.º 1) a respeito de fragmentos de cerâmica com inscrições hebraicas neles, encontrados em Arade, no sul de Israel. Essas foram inscritas na segunda metade do sétimo século AEC. Uma delas era uma carta pessoal a um homem chamado Eliasibe. A carta começa assim: “Ao meu senhor Eliasibe: Que Jeová peça a tua paz.” E termina: “Ele mora na casa de Jeová.”
Em 1975 e 1976, arqueólogos que trabalhavam no Negebe descobriram uma coleção de inscrições hebraicas e fenícias sobre paredes de estuque, grandes jarras de estocagem e vasos de pedra. As inscrições incluíam a palavra hebraica para Deus, bem como o nome de Deus, YHWH, em letras hebraicas. Na própria Jerusalém, foi descoberta recentemente uma pequena faixa de prata enrolada, aparentemente datada de antes do exílio babilônico. Os pesquisadores dizem que quando foi desenrolada encontrou-se escrito nela o nome de Jeová em hebraico. — Biblical Archaeology Review, março/abril de 1983, página 18.
Outro exemplo do uso do nome de Deus encontra-se nas chamadas Cartas de Laquis. Essas cartas, inscritas em cacos de cerâmica, foram encontradas entre os anos de 1935 e 1938, nas ruínas de Laquis, uma cidade fortificada que aparece com destaque na história de Israel. Parece que foram escritas por um oficial num posto avançado judaico a seu superior, chamado Yaosh, de Laquis, aparentemente durante a guerra entre Israel e Babilônia perto do fim do sétimo século AEC.
Dos oito cacos legíveis, sete iniciam a sua mensagem com uma saudação assim: “Que Jeová faça meu senhor ver esta temporada com boa saúde!” Ao todo, o nome de Deus ocorre 11 vezes nas sete mensagens, indicando claramente que o nome de Jeová era usado cotidianamente perto do fim do sétimo século AEC.
Até mesmo governantes pagãos conheciam e usavam o nome divino ao se referir ao Deus dos israelitas. Assim, na Pedra Moabita, o Rei Mesa, de Moabe, jacta-se de suas façanhas militares contra Israel e, entre outras coisas, diz: “Quemós disse-me: ‘Vai, capture Nebo, de Israel!’ Assim, saí à noite e lutei contra ela desde a alvorada até o meio-dia, capturei-a e matei a todos . . . E eu trouxe de lá os [vasos] de Jeová, e os arrastei diante de Quemós.”
Com referência a esses usos não bíblicos do nome de Deus, o Theologisches Wörterbuch zum Alten Testament (Dicionário Teológico do Antigo Testamento), no Volume 3, coluna 538, diz: “Assim, umas 19 evidências documentárias do Tetragrama na forma jhwh atestam neste respeito a confiabilidade do T[exto] M[assorético]; pode-se esperar mais, acima de tudo dos Arquivos de Arade.”
O Nome de Deus não Foi Esquecido
Essa familiaridade com o nome de Deus e o seu uso continuaram até os dias de Malaquias, que viveu uns 400 anos antes dos dias de Jesus. No livro bíblico que leva seu nome, Malaquias dá grande destaque ao nome divino, empregando-o ao todo 48 vezes.
Com o passar do tempo, muitos judeus passaram a viver longe da terra de Israel, e alguns não mais podiam ler a Bíblia no idioma hebraico. Assim, no terceiro século AEC, deu-se início à tradução da parte da Bíblia então existente (o “Antigo Testamento”) para o grego, o novo idioma internacional. Mas não se negligenciou o nome de Deus. Os tradutores o retiveram, escrevendo-o em sua forma hebraica. Cópias antigas da Septuaginta grega, preservadas até hoje, confirmam isso.
Qual, no entanto, era a situação quando Jesus esteve na terra? Como podemos saber se ele e seus apóstolos usavam o nome de Deus?
[Foto na página 12]
Nesta carta, escrita num fragmento de cerâmica na segunda metade do sétimo século AEC, o nome de Deus ocorre duas vezes.
[Crédito]
(Foto por cortesia do Departamento de Antiguidades e Museus de Israel.)
[Fotos na página 13]
O nome de Deus ocorre também nas Cartas de Laquis e na Pedra Moabita.
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Os cristãos e o nomeO Nome Divino Que Durará Para Sempre
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Os cristãos e o nome
NINGUÉM pode dizer com certeza quando foi exatamente que os judeus ortodoxos deixaram de pronunciar audivelmente o nome de Deus e, em vez disso, o substituíram pelas palavras hebraicas para Deus e Soberano Senhor. Alguns creem que o nome de Deus deixou de ser usado cotidianamente bem antes dos dias de Jesus. Mas, há forte evidência de que o sumo sacerdote continuou a pronunciá-lo nos ofícios religiosos no templo — especialmente no Dia da Expiação — até o templo ser destruído em 70 EC. Assim, quando Jesus esteve na terra, a pronúncia do nome era conhecida, embora talvez não fosse amplamente usado.
Por que os judeus deixaram de pronunciar o nome de Deus? Provavelmente, pelo menos em parte, devido à má aplicação das palavras do terceiro mandamento: “Não deves tomar o nome de Jeová, teu Deus, dum modo fútil.” (Êxodo 20:7) Naturalmente, esse mandamento não proibia o uso do nome de Deus. De outro modo, por que servos antigos de Deus, como Davi, o usaram tão liberalmente e, mesmo assim, tiveram a bênção de Jeová? E por que Deus o pronunciou a Moisés e disse a Moisés que explicasse aos israelitas quem o enviara? — Salmo 18:1-3, 6, 13; Êxodo 6:2-8.
Não obstante, nos dias de Jesus havia forte tendência de tomar os razoáveis mandamentos de Deus e interpretá-los de modo altamente desarrazoado. Por exemplo, o quarto dos Dez Mandamentos obrigava os judeus a guardar o sétimo dia de cada semana como dia de descanso, um sábado. (Êxodo 20:8-11) Os judeus ortodoxos deram uma dimensão ridícula a esse mandamento, estabelecendo inumeráveis regras para governar até mesmo a menor ação que poderia ou não ser praticada no sábado. Foi sem dúvida no mesmo espírito que eles levaram um mandamento razoável, que o nome de Deus não devia ser desonrado, ao mais desarrazoado extremo, por dizer que o nome não devia nem sequer ser pronunciado.a
Jesus e o Nome
Teria Jesus seguido tal tradição não bíblica? Dificilmente! Ele certamente não deixou de fazer obras de cura no sábado, embora isso significasse violar as regras de origem humana, dos judeus, e até mesmo arriscar a sua vida. (Mateus 12:9-14) De fato, Jesus condenou os fariseus quais hipócritas porque suas tradições iam além da Palavra inspirada de Deus. (Mateus 15:1-9) Por conseguinte, é improvável que ele deixasse de pronunciar o nome de Deus, especialmente em vista do fato de que o seu próprio nome, Jesus, significa “Jeová é Salvação”.
Em certa ocasião, Jesus levantou-se numa sinagoga e leu uma parte do rolo de Isaías. O trecho que leu é o que chamamos hoje de Isaías 61:1, 2, onde o nome de Deus ocorre mais de uma vez. (Lucas 4:16-21) Teria ele se recusado a pronunciar o nome divino ali, substituindo-o por “Senhor” ou “Deus”? Naturalmente que não. Isso teria significado seguir a tradição não bíblica dos líderes religiosos judaicos. Em vez disso, lemos: “Ele as ensinava como quem tinha autoridade, e não como seus escribas.” — Mateus 7:29.
De fato, como já vimos anteriormente, ele ensinou seus seguidores a orar a Deus: “Santificado seja o teu nome.” (Mateus 6:9) E em oração, na noite anterior à sua execução, ele disse a seu Pai: “Tenho feito manifesto o teu nome aos homens que me deste do mundo . . . Santo Pai, vigia sobre eles por causa do teu próprio nome que me deste.” — João 17:6, 11.
A respeito dessas referências ao nome de Deus, feitas por Jesus, o livro Der Name Gottes (O Nome de Deus) explica, na página 76: “Precisamos avaliar o fato espantoso de que o tradicional entendimento do Antigo Testamento sobre a revelação de Deus é que se trata duma revelação de Seu nome, e que isso é conduzido até as partes finais do Antigo Testamento, sim, continua até às últimas partes do Novo Testamento, onde, por exemplo, em João 17:6, lemos: ‘Tenho manifesto o teu nome.’”
Sim, seria muito desarrazoado pensar que Jesus se esquivou de usar o nome de Deus, especialmente ao citar daquelas partes das Escrituras Hebraicas que o continham.
Os Cristãos Primitivos
Será que os seguidores de Jesus no primeiro século usavam o nome de Deus? Eles haviam recebido a ordem de Jesus de fazer discípulos de pessoas de todas as nações. (Mateus 28:19, 20) Muitas das pessoas a quem se devia pregar não tinham ideia do Deus que havia revelado a si mesmo aos judeus pelo nome Jeová. Como poderiam os cristãos identificar para eles o verdadeiro Deus? Seria suficiente chamá-lo de Deus ou Senhor? Não. As nações tinham os seus próprios deuses e senhores. (1 Coríntios 8:5) Como poderiam os cristãos ter feito uma clara distinção entre o verdadeiro Deus e os falsos? Apenas por usar o nome do verdadeiro Deus.
Assim, o discípulo Tiago disse numa conferência de anciãos em Jerusalém: “Simeão tem relatado cabalmente como Deus, pela primeira vez, voltou a sua atenção para as nações, a fim de tirar delas um povo para o seu nome. E com isso concordam as palavras dos Profetas.” (Atos 15:14, 15) O apóstolo Pedro, no seu bem conhecido discurso em Pentecostes, destacou uma parte vital da mensagem cristã ao citar as palavras do profeta Joel: “Todo aquele que invocar o nome de Jeová salvar-se-á.” — Joel 2:32; Atos 2:21.
O apóstolo Paulo não deixa dúvida quanto à importância, para ele, do nome de Deus. Na sua carta aos romanos, ele cita as mesmas palavras do profeta Joel e prossegue encorajando irmãos cristãos a mostrar a sua fé nessa declaração por tomarem a iniciativa de pregar sobre o nome de Deus a outros a fim de que eles também possam ser salvos. (Romanos 10:13-15) Mais tarde ele escreveu em sua carta a Timóteo: “Todo aquele que menciona o nome de Jeová renuncie à injustiça.” (2 Timóteo 2:19) No fim do primeiro século, o apóstolo João usou o nome divino em seus escritos. A expressão “Aleluia”, que significa “Louvai a Jah”, ocorre repetidas vezes no livro de Revelação (Apocalipse). — Revelação 19:1, 3, 4, 6.
No entanto, Jesus e seus seguidores haviam profetizado que ocorreria uma apostasia na congregação cristã. O apóstolo Pedro havia escrito: “Haverá falsos instrutores entre vós.” (2 Pedro 2:1; veja também Mateus 13:36-43; Atos 20:29, 30; 2 Tessalonicenses 2:3; 1 João 2:18, 19.) Essas advertências se cumpriram. Um resultado foi que o nome de Deus foi colocado em segundo plano. Foi até mesmo removido de cópias e traduções da Bíblia! Vejamos como isso aconteceu.
[Nota(s) de rodapé]
a Alguns sugerem outra razão: Os judeus talvez tenham sido influenciados pela filosofia grega. Por exemplo, Filo, filósofo judaico de Alexandria, quase contemporâneo de Jesus, foi grandemente influenciado pelo filósofo grego Platão, que ele pensava ser divinamente inspirado. O Lexikon des Judentums (Léxico do Judaísmo), sob “Filo”, diz que Filo “uniu a linguagem e as ideias da filosofia grega (Platão) com a fé revelada dos judeus” e, para início de história, “teve efeito visível sobre os padres da igreja cristã”. Filo ensinou que Deus é indefinível, e assim, impossível de se lhe dar nome.
[Foto na página 14]
Esta gravura de um sumo sacerdote judaico, com a inscrição no seu turbante que em hebraico significa “A Santidade Pertence a Jeová”, encontra-se no Vaticano.
[Foto na página 15]
Conforme indica esta tradução da Bíblia em alemão, de 1805, quando Jesus leu na sinagoga um trecho do rolo de Isaías, ele pronunciou audivelmente o nome de Deus. — Lucas 4:18, 19.
[Fotos na página 16]
Pedro e Paulo empregaram o nome de Deus ao citarem a profecia de Joel. — Atos 2:21; Romanos 10:13.
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O nome de Deus e os tradutores da BíbliaO Nome Divino Que Durará Para Sempre
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O nome de Deus e os tradutores da Bíblia
LOGO cedo no segundo século, após a morte do último dos apóstolos, o desvio da fé cristã, predito por Jesus e seus seguidores, começou para valer. Filosofias e doutrinas pagãs infiltraram-se na congregação; surgiram seitas e divisões, e a pureza original da fé foi corrompida. E o nome de Deus deixou de ser usado.
À medida que esse cristianismo apóstata se alastrava, surgiu a necessidade de traduzir a Bíblia dos originais hebraico e grego para outras línguas. Como é que os tradutores verteram o nome de Deus em suas traduções? Em geral, usaram o equivalente de “Senhor”. Uma versão muito influente daquela época foi a Vulgata latina, tradução da Bíblia feita por Jerônimo para o latim cotidiano. Jerônimo verteu o Tetragrama (YHWH) substituindo-o por Dominus, “Senhor”.
Posteriormente, novas línguas, como o francês, o inglês e o espanhol, começaram a surgir na Europa. Contudo, a Igreja Católica desestimulou a tradução da Bíblia para essas novas línguas. Assim, ao passo que os judeus, que usavam a Bíblia no idioma hebraico original, recusavam-se a pronunciar o nome de Deus ao se deparar com ele, a maioria dos “cristãos” ouvia a Bíblia ser lida em traduções em latim que não usavam o nome.
Com o tempo, o nome de Deus voltou a ser usado. Em 1278 ele apareceu em latim na obra Pugio fidei (Punhal de Fé), de Raimundo Martini, monge espanhol. Raimundo Martini usou a forma Yohoua.a Logo depois, em 1303, Porchetus de Salvaticis terminou uma obra intitulada Victoria Porcheti adversus impios Hebraeos (Vitória de Porchetus Contra os Ímpios Hebreus). Nela, ele também mencionou o nome de Deus, escrevendo-o nas formas variadas de Iohouah, Iohoua e Ihouah. Daí, em 1518, Pedro Galatino publicou uma obra intitulada De arcanis catholicae veritatis (Sobre Segredos da Verdade Universal) na qual escreveu assim o nome de Deus: Iehoua.
O nome apareceu pela primeira vez numa Bíblia em inglês em 1530, quando William Tyndale publicou uma tradução dos primeiros cinco livros da Bíblia. Nela ele usou o nome de Deus, geralmente escrito Iehouah, em vários versículos;b e numa nota nessa edição ele escreveu: “Iehovah é o nome de Deus . . . Ademais, cada vez que encontrardes SENHOR com letras maiúsculas (a menos que haja algum erro na impressão), em hebraico é Iehovah.” Daí surgiu o costume de usar o nome de Jeová em apenas poucos versículos e escrever “SENHOR” ou “DEUS” na maioria dos outros lugares onde ocorre o Tetragrama no texto hebraico.
Em 1611, publicou-se o que se tornou a mais amplamente usada tradução em inglês, a Versão Autorizada. Nela, o nome consta quatro vezes no texto principal. (Êxodo 6:3; Salmo 83:18; Isaías 12:2; 26:4) “Jah”, abreviatura poética do nome, aparece no Salmo 68:4. E o nome aparece por inteiro em nomes de lugares, como “Jeová-Jiré”. (Gênesis 22:14; Êxodo 17:15; Juízes 6:24) Contudo, seguindo o exemplo de Tyndale, os tradutores na maioria dos casos substituíam o nome de Deus por “SENHOR” ou “DEUS”. Mas, se o nome de Deus podia aparecer em quatro versículos, por que não em todos os outros milhares de versículos que o contêm no hebraico original?
Algo similar acontecia na língua alemã. Em 1534, Martinho Lutero publicou a sua tradução completa da Bíblia, baseada nos idiomas originais. Por alguma razão ele não incluiu o nome de Deus, mas usou substitutos, como HERR (“SENHOR”). Contudo, estava ciente do nome divino, visto que num sermão sobre Jeremias 23:1-8, que proferiu em 1526, ele disse: “Este nome Jeová, Senhor, pertence exclusivamente ao verdadeiro Deus.”
Em 1543, Lutero escreveu com sua franqueza característica: “Que eles [os judeus] aleguem agora que o nome Jeová é impronunciável, não sabem do que estão falando . . . Se pode ser escrito com pena e tinta, por que não deve ser pronunciado, que é muito melhor do que ser escrito com pena e tinta? Por que não dizem também que não se deve escrevê-lo, lê-lo ou pensar nele? Tudo considerado, há algo de errado nisso.” Não obstante, Lutero não havia retificado o assunto na sua tradução da Bíblia. Em anos posteriores, porém, outras Bíblias em alemão usaram o nome no texto de Êxodo 6:3.
A versão Matos Soares, 8.a edição, em português, tem a seguinte nota ao pé da página sobre Êxodo 6:3: “O texto hebreu diz: O meu nome Javé ou Jeová.” Também, uma nota ao pé da página sobre Êxodo 3:14, na versão Figueiredo (Barsa), diz: “Aquele que é: em hebraico: YHVH, que deve se pronunciar Javé, ficou sendo o nome próprio de Deus . . .” No entanto, nos seus textos ambas as versões usam “Senhor” ou “Adonai” em vez de “Jeová”.
Nos séculos seguintes, os tradutores bíblicos seguiram numa de duas direções. Alguns evitaram totalmente o uso do nome de Deus, ao passo que outros usaram-no extensivamente nas Escrituras Hebraicas, quer na forma Jeová, quer na forma Javé ou Yahweh. Consideremos duas traduções que evitaram o nome e vejamos por que, segundo seus tradutores, isso foi feito.
Por Que o Deixaram Fora
A tradução católica do Pontifício Instituto Bíblico, de Roma, (1967), nos seus comentários introdutórios sobre o Pentateuco, diz: “Para exprimir a ideia de Deus, a língua hebraica dispõe de muitos termos. O mais frequente (1.440 vezes no Pentateuco, mais de 6.800 em toda a Bíblia) é ‘Javé’ (ou ‘Jeová’, segundo uma pseudopronúncia introduzida entre os séculos XVI e XIX), nome próprio, pessoal. . . . Todo leitor pode, por si, verificar o fato também nesta nossa versão, pois ‘Deus’ corresponde constantemente a Eloim, e ‘o Senhor’ a Javé1.”
Ao ler isso, surge imediatamente a pergunta: Se Javé é usado ‘mais de 6.800 vezes em toda a Bíblia’, conforme explicitamente declarado, por que os tradutores dessa Bíblia não usam coerentemente ‘Javé’ em sua tradução? Por que em tantos lugares usam meramente outro termo, ‘o Senhor’, para ‘corresponder’, como dizem, a Javé, e assim alterar o sabor do texto hebraico original?
Os tradutores dizem que seguiram a tradição judaica ortodoxa. Mas é isso sábio para um cristão? Lembre-se, foram os fariseus, os preservadores da tradição ortodoxa judaica, que rejeitaram a Jesus e ouviram dele: “Invalidastes a palavra de Deus por causa da vossa tradição.” (Mateus 15:6) Tal substituição realmente enfraquece a Palavra de Deus.
Em 1952 publicou-se em inglês a Revised Standard Version (Versão Padrão Revisada), das Escrituras Hebraicas, e essa Bíblia também usou substitutos para o nome de Deus. Isso foi notável, porque a original American Standard Version (Versão Americana Padrão), da qual aquela foi uma revisão, usava o nome Jeová de ponta a ponta nas Escrituras Hebraicas. Portanto, a omissão do nome foi uma notável inovação. Por que foi feito isso?
No prefácio da Revised Standard Version lemos: “Por dois motivos a Comissão voltou ao emprego mais comum adotado na King James Version (Versão Rei Jaime) [isto é, omitir o nome de Deus]: (1) a palavra ‘Jeová’ não representa exatamente qualquer forma do Nome já usada em hebraico e (2) o uso de qualquer nome próprio para o único e exclusivo Deus, como se existissem outros deuses dos quais ele tenha de ser distinguido, foi descontinuado no judaísmo antes da era cristã e é inteiramente inapropriado para a fé universal da Igreja Cristã.”
São sólidos esses argumentos? Bem, como já considerado, o nome Jesus não representa com exatidão a forma original do nome do Filho de Deus usada por seus seguidores. Contudo, isso não persuadiu a Comissão a evitar usar esse nome e usar em seu lugar um título, como “Mediador”, ou “Cristo”. Realmente, esses títulos são usados, mas em adição ao nome Jesus, não em lugar dele.
Quanto ao argumento de que não existem outros deuses dos quais o verdadeiro Deus tenha de ser diferençado, isso simplesmente não é verdade. Existem milhões de deuses adorados pela humanidade. O apóstolo Paulo observou: “Há muitos ‘deuses’.” (1 Coríntios 8:5; Filipenses 3:19) Naturalmente, existe apenas um Deus verdadeiro, como Paulo disse a seguir. Assim, uma grande vantagem de usar o nome do verdadeiro Deus é que isso o mantém separado de todos os deuses falsos. Além disso, se usar o nome de Deus é “inteiramente inapropriado”, por que ele ocorre quase 7 mil vezes nas Escrituras Hebraicas originais?
A verdade é que muitos tradutores não acharam que o nome, com a sua pronúncia moderna, não tivesse lugar na Bíblia. Eles o incluíram em suas traduções, e o resultado sempre tem sido uma tradução que dá mais honra ao Autor da Bíblia e segue mais fielmente o texto original. Algumas traduções amplamente usadas que incluem o nome são a tradução Valera (espanhol, publicada em 1602), a versão Almeida original (português, publicada em 1681), a tradução Elberfelder original (alemão, publicada em 1871), bem como a American Standard Version (inglês, publicada em 1901). Algumas traduções, destacadamente A Bíblia de Jerusalém, também usam consistentemente o nome de Deus, mas na forma Iahweh. A Tradução Brasileira (1917) usa a forma “Jehovah”, e a tradução do Centro Bíblico Católico usa “Javé” para o nome divino.
Leia a seguir os comentários de alguns tradutores que incluíram o nome em suas traduções e compare a argumentação deles com a dos que omitiram o nome.
Por Que Outros Incluíram o Nome
Os tradutores da American Standard Version, de 1901, fizeram o seguinte comentário: “[Os tradutores] chegaram à conclusão unânime de que certa superstição judaica, que considerava o Nome Divino sagrado demais para ser pronunciado, não mais deve predominar na versão em inglês ou em qualquer outra versão do Antigo Testamento . . . Esse Nome Memorial, explicado em Êx. iii. 14, 15, e enfatizado como tal vez após vez no texto original do Antigo Testamento, designa a Deus como o Deus pessoal, o Deus do pacto, o Deus da revelação, o Libertador, o Amigo de seu povo . . . Esse nome pessoal, com sua riqueza de relacionamentos sagrados, é agora restaurado no lugar no texto sagrado ao qual pertence com inquestionável direito.”
Similarmente, no prefácio da tradução alemã original da Elberfelder Bibel, lemos: “Jeová. Retivemos esse nome do Deus do Pacto de Israel porque o leitor já por anos acostumou-se a ele.”
Steven T. Byington, tradutor da The Bible in Living English (A Bíblia em Inglês Vivo) explica por que ele usa o nome de Deus: “A maneira de escrevê-lo e a pronúncia não são de suma importância. O que é de suma importância é deixar claro que se trata de um nome pessoal. Há vários textos que não podem ser corretamente entendidos se traduzirmos esse nome por um substantivo comum, como ‘Senhor’, ou, muito pior ainda, por um adjetivo substantivado [por exemplo, o Eternal].”
O caso de outra tradução, de J. B. Rotherham (em inglês), é interessante. Ele usou o nome de Deus em sua tradução, mas preferiu a forma Yahweh. Contudo, numa obra posterior, Studies in the Psalms (Estudos dos Salmos), publicada em 1911, ele voltou à forma Jeová. Por quê? Ele explica: “JEOVÁ. — o emprego dessa forma do nome Memorial (Êxo. 3:18) na presente versão do Saltério não provém de qualquer dúvida quanto à pronúncia mais correta ser Javé; mas unicamente da evidência prática, pessoalmente selecionada, do desejo de se manter em contato com o ouvido e o olho públicos numa questão desta espécie, em que a coisa principal é o fácil reconhecimento do nome Divino tencionado.”
No Salmo 34:3 exorta-se aos adoradores de Jeová: “Magnificai comigo a Jeová, exaltemos juntos o seu nome.” Como podem os leitores de traduções bíblicas que omitem o nome de Deus corresponder plenamente a essa exortação? Os cristãos alegram-se de que pelo menos alguns tradutores tiveram a coragem de incluir o nome de Deus em sua tradução das Escrituras Hebraicas, preservando assim o que Smith e Goodspeed chamam de “sabor do texto original”.
No entanto, a maioria das traduções, mesmo quando incluem o nome de Deus nas Escrituras Hebraicas, omitem-no das Escrituras Gregas Cristãs, o “Novo Testamento”. Qual o motivo disso? Há alguma justificativa para incluir o nome de Deus nessa última parte da Bíblia?
[Nota(s) de rodapé]
a Impressões dessa obra datadas de alguns séculos posteriores, contudo, usam Jehova para o nome divino.
b Gênesis 15:2; Êxodo 6:3; 15:3; 17:16; 23:17; 33:19; 34:23; Deuteronômio 3:24. Tyndale também usou o nome de Deus em Ezequiel 18:23 e 36:23, em suas traduções que foram acrescentadas no fim de The New Testament (O Novo Testamento), Antuérpia, 1534.
[Destaque na página 17]
Os tradutores da Versão Autorizada (em inglês) preservaram o nome de Deus, Jeová, em apenas quatro versículos, substituindo-o em todos os outros lugares por DEUS e SENHOR.
[Destaque na página 22]
Se usar o nome de Deus é “inteiramente inapropriado”, por que ele ocorre quase 7 mil vezes no texto hebraico original?
[Quadro/Fotos nas páginas 20, 21]
Hostilidade Contra o Nome de Deus?
No momento, não existe tradução atual da Bíblia na língua africâner (falada por sul-africanos descendentes de holandeses) que contenha o nome de Deus. Isso é surpreendente, visto que muitas traduções para as línguas tribais faladas naquele país usam o nome liberalmente. Vejamos como surgiu essa situação.
Em 24 de agosto de 1878, fez-se um forte apelo numa reunião da Sociedade dos Verdadeiros Africânderes (G.R.A.) para que fosse feita uma tradução da Bíblia na língua africâner. Seis anos depois o assunto veio de novo à tona, e por fim decidiu-se ir avante e traduzir a Bíblia das línguas originais. A obra foi confiada a S. J. du Toit, Superintendente da Educação no Transvaal.
Uma carta de instruções a du Toit incluía a seguinte diretriz: “O nome próprio do Senhor, Jeová ou Javé, deve ser deixado sem traduzir [isto é, não ser substituído por Senhor ou Deus] em todos os casos.” S. J. du Toit traduziu sete livros bíblicos para o africâner, e o nome de Jeová ocorria de ponta a ponta.
Outras publicações sul-africanas, também, outrora continham o nome de Deus. Por exemplo, em De Korte Catechismus (O Pequeno Catecismo), de J. A. Malherbe, 1914, publicou-se o seguinte: “Qual é o nome preeminente de Deus?” A resposta? “Jeová, escrito SENHOR com letras maiúsculas nas nossas Bíblias. Esse [nome] jamais foi dado a alguma criatura.”
No Die Katkisasieboek (catecismo publicado pela Comissão Federada de Escola Dominical da Igreja Holandesa Reformada, da África do Sul) fez-se a seguinte pergunta: “Não devemos, portanto, jamais usar o nome Jeová ou SENHOR? Isso é o que os judeus fazem . . . Esse não é o significado do mandamento. . . . Podemos usar seu Nome, mas nunca em vão.” Até recentemente, reimpressões de Die Halleluja (um hinário) também continham o nome Jeová em alguns hinos.
Contudo, a tradução de du Toit não era popular, e em 1916 designou-se uma Comissão Para a Tradução da Bíblia para providenciar a produção de uma Bíblia em africâner. Essa comissão tinha como diretriz omitir o nome de Jeová da Bíblia. Em 1971 a Sociedade Bíblica da África do Sul publicou uma “tradução provisória” de alguns livros da Bíblia em africâner. Embora o nome de Deus fosse mencionado na introdução, não foi usado no texto da tradução. Similarmente, em 1979 surgiu uma nova tradução do “Novo Testamento” e dos Salmos e ela igualmente omitiu o nome de Deus.
Além do mais, desde 1970 a menção do nome Jeová tem sido removida de Die Halleluja. E a sexta impressão da edição revisada do Die Katkisasieboek, publicada pela Igreja Holandesa Reformada da África do Sul, agora também omite o nome.
De fato, os esforços para eliminar a forma Jeová não se limitam a livros. Certa igreja Holandesa Reformada, em Paarl, tinha uma pedra fundamental na qual estavam inscritas as palavras JEHOVAH JIREH (“Jeová Proverá”). Uma foto dessa igreja e de sua pedra fundamental foi publicada na edição de 22 de outubro de 1974 da revista Despertai! no idioma africâner. Desde então, a pedra fundamental foi substituída por outra com os dizeres DIE HERE SAL VOORSIEN (“O SENHOR Proverá”). A citação bíblica e a data na pedra não foram alteradas, mas o nome Jeová foi tirado.
Assim, muitos africânderes hoje não sabem o nome de Deus. Membros da igreja, que sabem, evitam usá-lo. Alguns até argumentam contra ele dizendo que o nome de Deus é SENHOR e acusam as Testemunhas de Jeová de inventar o nome Jeová.
[Fotos]
Igreja Holandesa Reformada em Paarl, África do Sul. Originalmente, o nome Jeová estava gravado na pedra fundamental (acima, à direita). Mais tarde, foi substituído (acima, à esquerda).
[Foto na página 18]
O nome de Deus na forma Yohoua apareceu em 1278 na obra Pugio fidei, conforme visto neste manuscrito datado do 13.º ou 14.º século, na biblioteca de Sta. Genoveva, Paris, França (fólio 162b).
[Foto na página 19]
Na sua tradução dos primeiros cinco livros da Bíblia, publicada em 1530, William Tyndale incluiu o nome de Deus em Êxodo 6:3. Ele explicou por que usou o nome, numa nota na tradução.
[Crédito]
(Fotografia por cortesia da Biblioteca da Sociedade Bíblica Americana, Nova Iorque.)
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O nome de Deus e o “Novo Testamento”O Nome Divino Que Durará Para Sempre
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O nome de Deus e o “Novo Testamento”
O LUGAR do nome de Deus é inabalável nas Escrituras Hebraicas, o “Antigo Testamento”. Embora os judeus por fim deixassem de pronunciá-lo, suas crenças religiosas os impediram de remover o nome ao fazer cópias de manuscritos mais antigos da Bíblia. Assim, o nome de Deus ocorre com mais frequência nas Escrituras Hebraicas do que qualquer outro nome.
No caso das Escrituras Gregas Cristãs, o “Novo Testamento”, a situação é diferente. Manuscritos do livro de Revelação, ou Apocalipse, (o último livro da Bíblia), contêm o nome de Deus em sua forma abreviada, “Jah”, (na palavra “Aleluia”). Mas, fora disso, nenhum antigo manuscrito grego dos livros de Mateus a Revelação hoje disponível contém o nome de Deus por extenso. Significa isso que o nome não devia figurar ali? Isso seria surpreendente, em vista do fato de que os seguidores de Jesus reconheciam a importância do nome de Deus e que Jesus nos ensinou a orar pela santificação do nome de Deus. Portanto, o que aconteceu?
Para entender isso, lembre-se de que os manuscritos das Escrituras Gregas Cristãs que temos hoje não são os originais. Os livros originais escritos por Mateus, Lucas e outros escritores bíblicos foram bastante usados e rapidamente se gastaram. Assim, foram feitas cópias, e, quando elas se gastaram, cópias adicionais dessas cópias foram feitas. Isso é o que devíamos esperar, visto que as cópias em geral eram feitas para ser usadas, não preservadas.
Existem hoje milhares de cópias das Escrituras Gregas Cristãs, mas a maioria foi feita durante e após o quarto século de nossa Era Comum. Isso sugere uma possibilidade: Aconteceu algo com o texto das Escrituras Gregas Cristãs antes do quarto século que resultou na omissão do nome de Deus? Os fatos provam que sim.
O Nome Estava Lá
Podemos ter certeza de que o apóstolo Mateus incluiu o nome de Deus no seu Evangelho. Por quê? Porque ele o escreveu originalmente em hebraico. No quarto século, Jerônimo, que traduziu a Vulgata latina, disse: “Mateus, também chamado Levi, e que de publicano se tornou apóstolo, primeiro de tudo produziu um Evangelho de Cristo na Judeia, na língua hebraica . . . Não se tem suficiente certeza de quem o traduziu mais tarde para o grego. Ademais, o próprio em hebraico está preservado até hoje na biblioteca de Cesareia.”
Visto que Mateus escreveu em hebraico, é inconcebível que não tenha usado o nome de Deus, especialmente ao citar partes do “Antigo Testamento” que continham o nome. No entanto, outros escritores da segunda parte da Bíblia escreveram para um público mundial, na língua internacional daquela época, o grego. Assim, eles não citaram dos escritos hebraicos originais, mas sim da versão Septuaginta grega. E mesmo o Evangelho de Mateus foi por fim traduzido para o grego. Será que o nome de Deus aparecia nesses escritos gregos?
Bem, alguns fragmentos antiquíssimos da Versão Septuaginta, que até mesmo existiam nos dias de Jesus, sobreviveram até os nossos dias, e é notável que o nome pessoal de Deus aparece neles. O Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento (Volume 2, página 512, em inglês), diz: “Descobertas textuais recentes lançam dúvida sobre a ideia de que os compiladores da LXX [Septuaginta] traduziram o tetragrama YHWH por kyrios. Os mais antigos MSS LXX (fragmentos) agora disponíveis trazem o tetragrama escrito em caracteres heb[raicos] no texto Gr[ego]. Este costume foi continuado por posteriores tradutores judaicos do A[ntigo] T[estamento] nos primeiros séculos A.D.” Portanto, quer Jesus e seus discípulos lessem as Escrituras em hebraico, quer em grego, eles se deparariam com o nome divino.
Assim, o professor George Howard, da Universidade da Geórgia, EUA, fez o seguinte comentário: “Quando a Septuaginta que a igreja do Novo Testamento usava e citava continha a forma hebraica do nome divino, os escritores do Novo Testamento sem dúvida incluíam o Tetragrama em suas citações.” (Biblical Archaeology Review, março de 1978, página 14) Que autoridade teriam eles de agir de outra maneira?
O nome de Deus permaneceu nas traduções gregas do “Antigo Testamento” por mais algum tempo. Na primeira metade do segundo século EC, o prosélito judaico Áquila fez uma nova tradução das Escrituras Hebraicas para o grego, e nela ele representou o nome de Deus pelo Tetragrama em antigos caracteres hebraicos. No terceiro século, Orígenes escreveu: “E nos manuscritos mais exatos O NOME aparece em caracteres hebraicos, embora não nos [caracteres] hebraicos modernos, mas sim nos mais antigos.”
Mesmo no quarto século, Jerônimo escreveu no seu prólogo para os livros de Samuel e Reis: “E encontramos o nome de Deus, o Tetragrama [יהוה], em certos volumes gregos mesmo até hoje, expresso em letras antigas.”
A Remoção do Nome
Naquela época, no entanto, a apostasia predita por Jesus já havia tomado forma, e o nome, embora aparecesse nos manuscritos, era cada vez menos usado. (Mateus 13:24-30; Atos 20:29, 30) Por fim, muitos leitores nem sabiam mais o que ele era, e Jerônimo diz que em sua época “certos ignorantes, devido à similaridade dos caracteres, ao encontrarem [o Tetragrama] nos livros gregos acostumaram-se a ler ΠΙΠΙ”.
Em cópias posteriores da Septuaginta, o nome de Deus foi removido e substituído por palavras como “Deus” (The·ós) e “Senhor” (Ký·ri·os). Sabemos que isso aconteceu porque existem fragmentos anteriores da Septuaginta em que o nome de Deus estava incluído, e cópias posteriores dessas mesmas partes da Septuaginta das quais o nome de Deus foi removido.
O mesmo ocorreu no “Novo Testamento”, ou Escrituras Gregas Cristãs. O professor George Howard prossegue dizendo: “Quando a forma hebraica para o nome divino foi eliminada em favor de substitutos em grego na Septuaginta, foi também eliminada das citações da Septuaginta no Novo Testamento. . . . Não tardou até que a igreja gentia perdesse o nome divino exceto na medida em que era retratado nos substitutos abreviados ou lembrado por eruditos.”
Portanto, ao passo que os judeus se recusavam a pronunciar o nome de Deus, a igreja cristã apóstata cuidou de removê-lo completamente dos manuscritos de língua grega de ambas as partes da Bíblia, bem como de traduções em outras línguas.
A Necessidade do Nome
Posteriormente, como já vimos, o nome foi reintegrado em muitas traduções das Escrituras Hebraicas. Mas que dizer das Escrituras Gregas? Bem, tradutores e estudantes da Bíblia vieram a entender que, sem o nome de Deus, algumas partes das Escrituras Gregas Cristãs são dificílimas de entender corretamente. Reintegrar o nome é de grande ajuda em aumentar a clareza e a compreensão dessa parte da Bíblia inspirada.
Por exemplo, considere as palavras de Paulo aos romanos, conforme constam na versão Almeida, atualizada: “Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo.” (Romanos 10:13) O nome de quem devemos invocar a fim de sermos salvos? Visto que Jesus é amiúde mencionado como “Senhor”, e um texto até mesmo diz: “Crê no Senhor Jesus, e serás salvo”, devemos concluir que Paulo ali falava a respeito de Jesus? — Atos 16:31, versão Almeida, atualizada.
Não, não devemos. Uma referência de Romanos 10:13, na mesma versão Almeida, indica Joel 2:32, nas Escrituras Hebraicas. Se verificar essa referência, verificará que Paulo realmente citava as palavras de Joel na sua carta aos romanos; e o que Joel disse no hebraico original foi: “Todo aquele que invocar o nome de Jeová salvar-se-á.” (Tradução do Novo Mundo) Sim, Paulo queria dizer ali que devemos invocar o nome de Jeová. Assim, embora tenhamos de crer em Jesus, a nossa salvação está ligada intimamente a uma correta apreciação do nome de Deus.
Esse exemplo demonstra como a remoção do nome de Deus das Escrituras Gregas contribuiu para confundir Jesus com Jeová na mente de muitos. Sem dúvida, contribuiu grandemente para o desenvolvimento da doutrina da Trindade!
Deve o Nome Ser Reintegrado?
Teria o tradutor direito de reintegrar o nome, em vista do fato de que manuscritos existentes não o contêm? Sim, ele teria esse direito. A maioria dos léxicos gregos reconhece que amiúde a palavra “Senhor” na Bíblia refere-se a Jeová. Por exemplo, na parte sob a palavra grega Ký·ri·os (“Senhor”), A Greek and English Lexicon of the New Testament (Léxico Grego e Inglês do Novo Testamento, publicado em 1859), de Robinson, diz que significa “Deus qual Senhor Supremo e soberano do universo, usualmente na Sept[uaginta] para o heb[raico] יְהוָֹה Jeová”. Portanto, em lugares onde os escritores das Escrituras Gregas Cristãs citam as anteriores Escrituras Hebraicas, o tradutor tem o direito de traduzir a palavra Ký·ri·os por “Jeová”, toda vez que o nome divino aparecia no hebraico original.
Muitos tradutores têm feito isso. A partir de pelo menos o século 14, numerosas traduções em hebraico foram feitas das Escrituras Gregas Cristãs. Que fizeram os tradutores ao se deparar com citações do “Antigo Testamento” em que o nome de Deus aparecia? Amiúde, sentiram-se obrigados a reintegrar o nome de Deus ao texto. Muitas traduções de partes ou de todas as Escrituras Gregas Cristãs para o hebraico contêm o nome de Deus.
Traduções para línguas modernas, especialmente as usadas por missionários, têm seguido esse exemplo. De modo que muitas traduções das Escrituras Gregas em línguas africanas, asiáticas, americanas e das ilhas do Pacífico usam o nome Jeová liberalmente, de modo que os leitores podem ver claramente a diferença entre o Deus verdadeiro e os falsos. O nome tem aparecido, também, em traduções em línguas europeias.
Uma tradução que destemidamente reintegra o nome de Deus, com boa base, é a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs. Essa tradução, atualmente disponível em 13 idiomas modernos, incluindo o português, reintegrou o nome de Deus toda vez que um trecho das Escrituras Hebraicas que o contém é citado nas Escrituras Gregas. Ao todo, o nome ocorre com base sólida 237 vezes nessa tradução das Escrituras Gregas.
Oposição ao Nome
Apesar dos esforços de muitos tradutores de reintegrar o nome de Deus na Bíblia, sempre têm havido pressões religiosas para eliminá-lo. Os judeus, embora deixando-o nas suas Bíblias, recusavam-se a pronunciá-lo. Cristãos apóstatas do segundo e terceiro séculos removeram-no ao fazer cópias dos manuscritos bíblicos gregos e omitiram-no ao fazer traduções da Bíblia. Tradutores em tempos modernos o têm removido, mesmo no caso em que baseiam suas traduções no hebraico original, onde ele ocorre quase 7 mil vezes. (Ocorre 6.973 vezes no texto hebraico da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, edição de 1984).
Como Jeová encara os que removem o seu nome da Bíblia? Se você fosse escritor, o que acharia de alguém que extensivamente removesse o seu nome do livro que escreveu? Tradutores que objetam ao nome, fazendo isso à base de problemas de pronúncia, ou por causa da tradição judaica, podem ser comparados aos a quem Jesus disse que ‘coam o mosquito, mas engolem o camelo!’ (Mateus 23:24) Eles tropeçam nesses problemas menores, mas acabam criando um problema maior — por remover o nome do maior personagem no universo do livro que ele inspirou.
O salmista escreveu: “Até quando, ó Deus, continuará a vituperar o adversário? Acaso o inimigo continuará para sempre a tratar teu nome com desrespeito?” — Salmo 74:10.
[Quadro na página 25]
“O SENHOR” — Equivalente de “Jeová”?
Remover da Bíblia o nome pessoal distintivo de Deus e substituí-lo por um título como “Senhor” ou “Deus” enfraquece o texto e torna-o inadequado em muitos sentidos. Por exemplo, pode levar a combinações sem sentido de palavras. No seu prefácio, A Bíblia de Jerusalém (ed. em inglês) diz: “Dizer ‘o Senhor é Deus’ certamente é tautologia [repetição desnecessária ou sem significado], ao passo que dizer ‘Yahweh é Deus’ não é.”
Tais substituições podem também levar a frases um tanto estranhas. Por exemplo, na versão Almeida, atualizada, o Salmo 8:9 diz: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!” Que melhora quando o nome Jeová é reintegrado a tal texto! Assim, A Bíblia de Jerusalém diz ali: “Iahweh [Jeová], Senhor nosso, quão poderoso é teu nome em toda a terra!” (V. 10)
A remoção do nome pode, também, causar confusão. O Salmo 110:1 diz: “Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés.” (Almeida, atualizada) Quem está falando a quem? Quanto melhor é a tradução: “A pronunciação de Jeová a meu Senhor é: ‘Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo para os teus pés.’” — Tradução do Novo Mundo.
Adicionalmente, substituir “Jeová” por “Senhor” elimina algo de capital importância na Bíblia: o nome pessoal de Deus. O Novo Dicionário da Bíblia (Volume 1, página 409) diz: “Estritamente falando, Yahweh é o único ‘nome’ de Deus.”
The Imperial Bible-Dictionary (Dicionário Bíblico Imperial) (Volume 1, página 856, em inglês) descreve a diferença entre “Deus” (Elohim) e “Jeová”, dizendo: “[Jeová] em toda a parte é um nome próprio, indicando o Deus pessoal e somente ele; ao passo que Elohim tem mais o sentido de um substantivo comum, denotando usualmente, sem dúvida, mas não necessariamente nem uniformemente, o Supremo.”
J. A. Motyer, diretor da Faculdade Trinity, Inglaterra, acrescenta: “Perde-se muito na leitura da Bíblia se nos esquecermos de olhar além da palavra substituta [Senhor ou Deus] para o nome pessoal, íntimo, do próprio Deus. Por dizer seu nome a seu povo, Deus intencionava revelar-lhes Seu mais íntimo caráter.” — Eerdmans’ Handbook to the Bible, página 157.
Não, não se pode verter um nome próprio distintivo por um mero título. Um título jamais pode transmitir o significado pleno e rico do nome original de Deus.
[Quadro/Fotos na página 26]
Este fragmento da Septuaginta (à direita), datado do primeiro século EC e que contém Zacarias 8:19-21 e 8:23–9:4, encontra-se no Museu de Israel, em Jerusalém. Contém o nome de Deus quatro vezes, três das quais aqui indicadas. No manuscrito Alexandrino (à esquerda), uma cópia da Septuaginta feita 400 anos mais tarde, o nome de Deus foi substituído nesses mesmos versículos por KY e KC, formas abreviadas da palavra grega Ký·ri·os (“Senhor”).
[Quadro na página 27]
John W. Davis, missionário na China no século 19, explicou por que ele achava que o nome de Deus devia constar na Bíblia: “Se o Espírito Santo diz Jeová em qualquer determinado lugar no hebraico, por que não deve o tradutor dizer Jeová em inglês ou em chinês? Que direito tem ele de dizer: ‘Usarei o nome de Deus aqui e um substituto para ele ali’? . . . Se alguém disser que há casos em que o uso de Jeová seria errado, que mostre o motivo; o onus probandi [ônus da prova] recai sobre ele. Ele achará difícil a tarefa, pois precisa responder a esta pergunta simples: se em determinado caso é errado usar Jeová na tradução, então por que o escritor inspirado o usou no original?” — The Chinese Recorder and Missionary Journal, Volume VII, Xangai, 1876.
[Foto na página 23]
A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs corretamente usa o nome de Deus 237 vezes.
[Fotos na página 24]
O nome de Deus numa igreja em Minorca, Espanha;
numa estátua, perto de Paris, França;
e na Igreja de São Lourenço, Parma, Itália.
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Por que precisamos conhecer o nome de DeusO Nome Divino Que Durará Para Sempre
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Por que precisamos conhecer o nome de Deus
“TODO aquele que invocar o nome de Jeová será salvo.” (Romanos 10:13) Com essas palavras, o apóstolo Paulo acentua quão vital nos é conhecer o nome de Deus. Sua declaração nos leva de novo à nossa pergunta inicial: Por que Jesus pôs a ‘santificação’ do nome de Deus bem no início da sua oração-modelo, à frente de tantos outros assuntos importantes? Para entender isso, precisamos entender um pouco melhor o significado de duas palavras-chaves.
Primeiro, o que realmente significa a palavra ‘santificar’? Literalmente significa “tornar santo”. Mas já não é santo o nome de Deus? Claro que é. Ao santificarmos o nome de Deus, não o tornamos mais santo do que é. Em vez disso, nós o reconhecemos como santo, colocamo-lo à parte, mantemo-lo na mais elevada estima. Ao orarmos pela santificação do nome de Deus, antevemos o tempo em que toda a criação respeitará esse nome como santo.
Segundo, exatamente qual é a inferência da palavra “nome”? Já vimos que Deus tem nome, Jeová, e que seu nome ocorre milhares de vezes na Bíblia. Já consideramos também a importância de reintegrar esse nome ao seu lugar legítimo no texto bíblico. Se o nome não existir ali, como podem cumprir-se as palavras do salmista: “Os que conhecem o teu nome confiarão em ti, pois certamente não abandonarás os que te buscam, ó Jeová”? — Salmo 9:10.
Mas será que ‘conhecer o nome de Deus’ envolve meramente um conhecimento intelectual de que o nome de Deus em hebraico é YHWH, ou Jeová, em português? Não, significa mais do que isso. Quando Moisés estava no monte Sinai, “Jeová passou a descer na nuvem e a pôr-se ali junto dele [de Moisés], e passou a declarar o nome de Jeová”. O que acarretava essa declaração do nome de Jeová? Uma descrição de suas qualidades: “Jeová, Jeová, Deus misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência e em verdade.” (Êxodo 34:5, 6) De novo, pouco antes de sua morte, Moisés disse aos israelitas: “Declararei o nome de Jeová.” Que se seguiu? A menção de algumas de Suas grandes qualidades e, em seguida, um retrospecto do que Deus havia feito para com Israel pela causa de Seu nome. (Deuteronômio 32:3-43) Por conseguinte, conhecer o nome de Deus significa aprender o que esse nome representa e adorar o Deus que tem esse nome.
Visto que Jeová tem associado seu nome às suas qualidades, seus propósitos e suas ações, podemos ver por que a Bíblia diz que o nome de Deus é santo. (Levítico 22:32) Ele é majestoso, grande, atemorizante e inalcançavelmente elevado. (Salmo 8:1; 99:3; 148:13) Sim, o nome de Deus é mais do que mero rótulo. Ele o representa qual pessoa. Não se tratava meramente de um nome temporário para ser usado por algum tempo e então ser desbancado por um título tal como “Senhor”. O próprio Jeová disse a Moisés: “‘Jeová . . .’ Este é o meu nome por tempo indefinido e esta é a recordação de mim por geração após geração.” — Êxodo 3:15.
Não importa o quanto tente, o homem jamais eliminará o nome de Deus da Terra. “‘Meu nome será grande entre as nações desde o nascente do sol até o seu poente, e em todo lugar se fará fumaça sacrificial, far-se-á um oferecimento ao meu nome, sim, um presente limpo; porque meu nome será grande entre as nações’, disse Jeová dos exércitos.” — Malaquias 1:11; Êxodo 9:16; Ezequiel 36:23.
Portanto, a santificação do nome de Deus é muito mais importante do que qualquer outro assunto. Todos os propósitos de Deus estão ligados ao seu nome. Os problemas da humanidade começaram logo quando Satanás profanou o nome de Jeová por tachá-lo de mentiroso e incapaz de governar a raça humana. (Gênesis 3:1-6; João 8:44) Somente quando o nome de Deus for corretamente vindicado a humanidade usufruirá alívio completo dos efeitos desastrosos da mentira de Satanás. Essa é a razão de os cristãos orarem tão fervorosamente pela santificação do nome de Deus. Há, porém, coisas que eles podem fazer, também, para santificá-lo.
Como Podemos Santificar o Nome de Deus?
Uma maneira é por falar a outros sobre Jeová e indicar o seu Reino por Cristo Jesus qual única esperança da humanidade. (Revelação [Apocalipse] 12:10) Muitos estão fazendo isso, num cumprimento moderno destas palavras da profecia de Isaías: “Naquele dia certamente direis: ‘Agradecei a Jeová! Invocai o seu nome. Tornai conhecidas entre os povos as suas ações. Fazei menção de que seu nome deve ser sublimado. Entoai melodias a Jeová, porque agiu magnificamente. Isto se deve dar a conhecer em toda a terra.’” — Isaías 12:4, 5.
Outra maneira é obedecer às leis e aos mandamentos de Deus. Jeová disse à nação de Israel: “Tendes de guardar os meus mandamentos e cumpri-los. Eu sou Jeová. E não deveis profanar meu santo nome, e eu tenho de ser santificado no meio dos filhos de Israel. Eu sou Jeová que vos santifico.” — Levítico 22:31, 32.
Como é que os israelitas, por guardarem a Lei de Jeová, santificavam o nome dele? A Lei foi dada aos israelitas à base de Seu nome. (Êxodo 20:2-17) Assim, ao guardarem a Lei, demonstravam a honra e a estima corretas por aquele nome. Ademais, o nome de Jeová estava ligado aos israelitas, qual nação. (Deuteronômio 28:10; 2 Crônicas 7:14) Quando agiam corretamente, isso trazia louvor para ele, assim como o filho que age corretamente traz honra a seu pai.
Por outro lado, quando os israelitas deixavam de guardar a Lei de Deus eles profanavam o Seu nome. Portanto, pecados tais como sacrificar a ídolos, jurar mentira, oprimir os pobres e fornicar são mencionados na Bíblia como ações que ‘profanam o nome de Deus’. — Levítico 18:21; 19:12; Jeremias 34:16; Ezequiel 43:7.
Similarmente, os cristãos receberam mandamentos à base do nome de Deus. (João 8:28) E eles também associam-se com ‘um povo para o nome de Jeová’. (Atos 15:14) Portanto, o cristão que ora sinceramente: “Santificado seja o teu nome”, santificará esse nome em sua própria vida por obedecer a todos os mandamentos de Deus. (1 João 5:3) Isso incluiria também obedecer aos mandamentos dados pelo Filho de Deus, Jesus, que sempre glorificou seu Pai. — João 13:31, 34; Mateus 24:14; 28:19, 20.
Na noite anterior à sua execução, Jesus acentuou a importância do nome de Deus para os cristãos. Após dizer a seu Pai: “Eu lhes tenho dado a conhecer o teu nome e o hei de dar a conhecer”, ele explica, “a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu em união com eles”. (João 17:26) Os discípulos aprenderem o nome de Deus envolvia virem a conhecer pessoalmente o amor de Deus. Jesus lhes tornara possível familiarizar-se com Deus qual Pai amoroso deles. — João 17:3.
Como Afeta a Você
Numa reunião de apóstolos e anciãos cristãos em Jerusalém no primeiro século, o discípulo Tiago disse: “Simeão tem relatado cabalmente como Deus, pela primeira vez, voltou a sua atenção para as nações, a fim de tirar delas um povo para o seu nome.” Poderia você ser identificado com os a quem Deus tira para ser “um povo para o seu nome” se deixasse de usar ou levar esse nome? — Atos 15:14.
Embora muitos relutem em usar o nome Jeová, e muitos tradutores bíblicos o deixem fora de suas traduções, milhões de pessoas em toda a Terra têm alegremente aceitado o privilégio de levar o nome de Deus, de usá-lo não somente na adoração mas na conversação do dia a dia, e de declará-lo a outros. Se alguém lhe falasse sobre o Deus da Bíblia e usasse o nome Jeová, com que grupo religioso você o associaria? Existe um só grupo no mundo que usa o nome de Deus regularmente em sua adoração, como fizeram Seus adoradores dos tempos antigos. São as Testemunhas de Jeová.
O nome Testemunhas de Jeová, baseado na Bíblia, identifica esses cristãos qual ‘povo para o nome de Deus’. Eles se orgulham de levar esse nome, pois é um nome que o próprio Jeová Deus deu a adoradores verdadeiros. Em Isaías 43:10 lemos: “‘Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘sim, meu servo a quem escolhi’.” A quem Deus se referia aqui? Considere alguns dos versículos precedentes.
Nos versículos 5 a 7 do mesmo capítulo, Isaías registra: “Não tenhas medo, porque eu estou contigo. Do nascente trarei a tua descendência e do poente te reunirei. Direi ao norte: ‘Entrega!’ e ao sul: ‘Não retenhas. Traze meus filhos de longe, e minhas filhas, da extremidade da terra, todo aquele que for chamado pelo meu nome e que eu criei para a minha glória, que eu formei, sim, que eu fiz.’” Em nossos dias, esses versículos se referem ao povo do próprio Deus que ele tem reunido de todas as nações para louvá-lo e ser suas testemunhas. De modo que o nome de Deus não só o identifica, mas ajuda também a identificar seus servos verdadeiros hoje na Terra.
As Bênçãos de Se Conhecer o Nome de Deus
Jeová protege os que amam o seu nome. O salmista disse: “Visto que ele se afeiçoou de mim, eu também o porei a salvo. Protegê-lo-ei por ele ter chegado a conhecer meu nome.” (Salmo 91:14) Ele também se recorda deles: “Naquele tempo, os que temiam a Jeová falaram um ao outro, cada um ao seu companheiro, e Jeová prestava atenção e escutava. E começou-se a escrever perante ele um livro de recordação para os que temiam a Jeová e para os que pensavam no seu nome.” — Malaquias 3:16.
Por conseguinte, os benefícios de se conhecer e amar o nome de Deus não se limitam apenas a esta vida. Para a humanidade obediente Jeová prometeu vida eterna em felicidade numa Terra paradísica. Davi foi inspirado a escrever: “Os próprios malfeitores serão decepados, mas os que esperam em Jeová são os que possuirão a terra. Mas os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz.” — Salmo 37:9, 11.
Como isso será possível? Jesus deu a resposta. Na mesma oração-modelo em que nos ensinou a orar “santificado seja o teu nome”, ele acrescentou: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” (Mateus 6:9, 10) Sim, o Reino de Deus às mãos de Jesus Cristo santificará o nome de Deus e também trará boas condições a esta Terra. Eliminará a iniquidade e acabará com a guerra, o crime, a fome, as doenças e a morte. — Salmo 46:8, 9; Isaías 11:9; 25:6; 33:24; Revelação 21:3, 4.
Você poderá usufruir a vida eterna sob tal Reino. Como? Por vir a conhecer a Deus. “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” (João 17:3) As Testemunhas de Jeová terão prazer em ajudá-lo a absorver esse conhecimento vitalizador. — Atos 8:29-31.
Espera-se que a informação nesta brochura o tenha convencido de que o Criador tem um nome pessoal, muito precioso para ele. Deve ser muito precioso para você, também. Esperamos que compreenda a importância de conhecer e usar esse nome, especialmente na adoração.
E que seja a sua determinação repetir o que o profeta Miqueias disse destemidamente muitos séculos atrás: “Todos os povos, da sua parte, andarão cada um no nome de seu deus; mas nós, da nossa parte, andaremos no nome de Jeová, nosso Deus, por tempo indefinido, para todo o sempre.” — Miqueias 4:5.
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