Uma nova Tradução da Bíblia — honra ela a Deus?
RECENTEMENTE publicou-se uma nova tradução da Bíblia em inglês. Chama-se A Nova Bíblia Inglesa (The New English Bible [NEB]) e foi produzida sob os auspícios duma comissão que incluía representantes das grandes igrejas protestantes das Ilhas Britânicas.
O objetivo principal da Nova Bíblia Inglesa é o de tornar a Bíblia mais facilmente compreensível. O Times do Japão, de 13 de março de 1970, observou: “Ela é infinitamente mais fácil de compreender para os leitores contemporâneos do que a Versão Rei Jaime de 359 anos de idade, a qual substituirá nas igrejas britânicas.”
Muitas passagens bíblicas foram tornadas claras. Um exemplo disso é Mateus 5:3. Ali, a Versão Rei Jaime ou Autorizada (AV) diz: “Benditos os pobres de espírito; porque deles é o reino do céu.” A nova tradução é mais clara, dizendo: “Quão benditos são os que sabem da sua necessidade de Deus; o reino do Céu é deles.” (NEB) Todavia, tal esclarecimento não é novo. Já há vinte anos atrás, a Tradução do Novo Mundo (UM), agora publicada pela Sociedade Torre de Vigia em diversos idiomas em um só volume por cerca de um nono do preço da Nova Bíblia Inglesa, disse: “Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual, porque a eles pertence o reino dos céus.”
Entretanto, em outros lugares, a clareza de compreensão da Nova Bíblia Inglesa falha notavelmente. Por exemplo, em Mateus 11:12, ela diz: “Desde a vinda de João Batista, o reino do Céu tem sido sujeito à violência e homens violentos se apoderam dele.” Mas, concorda tal tradução com o restante da Bíblia? Não é o reino de Deus que deve triunfar sobre os homens e as nações dispostos à violência? (Dan. 2:44) Transmitindo corretamente o sentido do texto original, a Tradução do Novo Mundo reza: ‘Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é o alvo para o qual os homens avançam impetuosamente, e os que avançam impetuosamente se apoderam dele.”
Numa tradução que se destina a uma leitura mais fácil, seria de esperar-se que todo o inglês arcaico tivesse sido eliminado. Isto não se dá com a nova tradução. Expressões tais como “thou”, “thee” e “thy” (“tu”, “te” e “teu” ou “tua”, em inglês arcaico) foram retidas. Sobre isto comentou o Times de Nova Iorque, de 15 de março de 1970: “Diversos eruditos criticaram o uso contínuo de ‘thee’ e ‘thou’ quando se fala diretamente à Deidade.”
INCOERÊNCIAS
A nova tradução não é coerente ao verter palavras hebraicas ou gregas. Por exemplo, em Gênesis 2:7 reza: “O SENHOR Deus formou então o homem do pó do solo e soprou nas suas narinas o fôlego de vida. O homem se tornou assim uma criatura vivente.” A palavra “criatura” foi traduzida da palavra hebraica néfes. Esta é a palavra hebraica para “alma”. A Nova Bíblia Inglesa a usa assim em Ezequiel 18:4, onde diz: “A alma que pecar morrerá.”
Visto que se usa a palavra hebraica néfes tanto em Gênesis 2:7 como em Ezequiel 18:4, por que a verte a nova tradução por “criatura” num caso e por “alma” no outro? A coerência é importante. Este é o motivo por que a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas reza em Gênesis 2:7: “O homem veio a ser uma alma [néfes] vivente.” Assim se torna evidente que o próprio homem é uma alma e que a alma não é algo separado.
Outra incoerência tem que ver com a palavra hebraica sem. Traduzida, significa “nome”. Em Provérbios 18:10, a nova tradução verte sem corretamente, dizendo: “O nome [sem] do SENHOR é uma torre de força, à qual o justo pode correr para refúgio.” No entanto, embora no Salmo 83:18 o hebraico original também contenha a palavra hebraica sem, A Nova Bíblia Inglesa reza: “Portanto, que saibam que só tu és SENHOR, Deus Altíssimo sobre toda a terra.” Isto elimina totalmente a palavra “nome” (sem). Oculta o verdadeiro sentido e a força deste texto. Ora, até mesmo a Versão Rei Jaime tornava claro que ali está envolvido o nome de Deus.
NOME ENVOLVIDO
Sim, a Bíblia Sagrada torna bem claro que Deus tem um nome pessoal, assim como você, leitor, tem um nome pessoal. Observe algumas das muitas referências a isso. Em Gênesis 21:33 (NEB), Abraão “invocou o SENHOR, o Deus eterno, por nome”. Isaías 12:4 (NEB) reza: “Dai graças ao SENHOR e invocai-o por nome, . . . declarai que seu nome é supremo.”
Jesus disse em oração a Deus, em João 17:6, 26 (NEB): “Tenho dado a conhecer o teu nome aos homens que me deste do mundo. . . . Dei-lhes a conhecer o teu nome, e o darei a conhecer.” O apóstolo Paulo escreveu em Romanos 10:13 (NEB): “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”
Na parte hebraica da Bíblia, o nome de Deus aparece quase 7.000 vezes. Deriva-se de quatro letras hebraicas, todas consoantes, יהוה. Visto que o hebraico escrito não possuía vogais, o leitor tinha de suprir os sons vocálicos. Quando começou a prevalecer um temor supersticioso contra a pronúncia do nome sagrado, a pronúncia correta do nome de Deus, em hebraico, só ficou conhecida de alguns poucos.
Como é pronunciado hoje? Em português, uma pronúncia comum do nome divino é “Jeová”.
O jornal The Argus, da Cidade do Cabo, África do Sul, dizia em 9 de março de 1970: “O homem que esteve mais intimamente envolvido na revisão [da Nova Bíblia Inglesa], Prof. Sir Godfrey Driver, . . . disse: ‘Nunca houve tal palavra [como Jeová] até que os escribas franceses a inventaram em 1520 ou seja lá quando foi. É uma monstruosidade.’”
Mas os escribas franceses não inventaram o nome “Jeová”. Foi usado séculos antes, no Pugio Fidei de Raimundo Martin, na forma “Jehova”, no ano 1270. Entretanto, em vista de tal atitude negativa para com este nome, a introdução da Nova Bíblia Inglesa, na página xvi, declara:
“Os atuais tradutores retiveram esta forma incorreta mas costumeira [Jeová] no texto das passagens onde o nome é explicado com uma nota sobre a sua pronúncia (ex.: Êxodo 3:15) e em quatro nomes de lugares dos quais forma elemento constituinte; nos outros lugares seguimos os tradutores antigos, substituindo o nome hebraico por ‘SENHOR’ OU ‘DEUS’, impresso como aqui em versaletes.”
Assim, com exceção de muito poucos lugares onde se usa “Jeová”, a nova tradução elimina o nome divino para todos os fins práticos. No uso do nome divino, A Nova Bíblia Inglesa não constitui melhoramento da secular Versão Rei Jaime inglesa! O nome divino é usado tão raras vezes nela, que quase não aparece.
No entanto, embora a palavra “Jeová” seja classificada como “monstruosidade”, ela contém em inglês as quatro consoantes básicas do tetragrama hebraico (em português é grafado na forma fonética). Estas consoantes foram combinadas com as vogais da palavra hebraica Adonai (Senhor) para constituir o nome Jeová.
A Nova Bíblia Inglesa diz, como na nota ao pé da página sobre Êxodo 3:15, que “Jeová” não é a forma hebraica correta, dizendo que “Iavé” chega provavelmente mais perto. Mas daí, com apenas algumas exceções, tampouco usa esta! Deveras, os tradutores mostram seu extremo preconceito contra qualquer uso do nome divino.
USO CORRETO DO NOME
Nos diversos idiomas, hoje em dia, varia a pronúncia do nome de Cristo, Jesus, assim como a de outros nomes próprios. O mesmo se dá com o nome de Deus, Jeová. Algumas traduções da Bíblia, inclusive católicas romanas, usam o nome em formas tais como Javé, Iavé e outras, bem como Jeová. Todas elas são úteis e corretas na identificação daquele a quem se referem.
A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas é publicada nos principais idiomas do mundo. Ela usa para o nome divino a palavra comum nestes idiomas, sempre que o texto original hebraico indica que deve ser usado. De modo que o Salmo 83:18 reza: “Para que as pessoas saibam que tu, cujo nome é Jeová, somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra.” Portanto, os que temem a Deus e que lêem a Tradução do Novo Mundo poderão fazer o que o Salmo 148:13 diz que devem fazer: “Louvem eles o nome de Jeová, pois só o seu nome é inalcançavelmente elevado.”
RESPONSÁVEIS PERANTE DEUS
A nova tradução da Bíblia talvez seja mais fácil de ler do que as antigas. Mas cumpre o objetivo para o qual Deus inspirou a Bíblia? Este objetivo é ensinar às pessoas algo sobre Deus, quem ele é e quais são os seus propósitos.
O ponto central neste respeito é o nome de Deus. Os tradutores que ocultam o nome de Deus nos próprios lugares onde deve ser destacado, na própria Palavra Dele, caem numa armadilha. Fazem exatamente o que os inimigos de Deus, incluindo Satanás, o Diabo, querem fazer — eliminar o nome de Deus. Certamente não honram a Deus.
“Todo aquele que invocar o nome de Jeová será salvo”, declara a Bíblia. (Rom. 10:13; Joel 2:32) Mas que dizer dos que procuram ocultar o nome de Deus? Salmo 74:10, 22, diz: “Acaso o inimigo continuará para sempre a tratar teu nome com desrespeito? Levanta-te deveras, ó Deus, pleiteia deveras a tua própria causa. Lembra-te do teu vitupério por parte do insensato o dia inteiro.” Já está próximo o tempo de Deus ajustar contas com os que desprezam o seu nome.
Portanto, embora possa ser moda que tradutores com preconceitos removam o nome de Deus duma tradução da Bíblia, eles se arriscam a terem o nome deles excluído do livro da vida de Deus.