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  • O Messias — bênção para todas as nações
    Despertai! — 1983 | 22 de setembro
    • O Messias — bênção para todas as nações

      O PROFETA hebreu Isaías falou de uma época futura em que “o lobo morará com o cordeiro, e o leopardo se deitará com o cabrito . . . e o leão comerá palha como o boi”, época em que as pessoas “não ferirão nem destruirão”. — Isaías 11:6-9.a

      Mas, como seriam conseguidas tais condições pacíficas? É interessante que Isaías associou tais condições com um futuro governante a quem chamou de “rebento do tronco de Jessé [pai do antigo Rei Davi, de Israel]”. Esse descendente do Rei Davi seria um governante ideal, um homem que não julgaria as coisas à base de mera aparência externa ou de rumores, mas julgaria com justiça, implantando a justiça e a paz. Ademais, esse futuro governante não seria apenas governante dos judeus, mas, em vez disso, alguém a quem todas as nações pudessem recorrer em busca de direção. Sem dúvida, como Isaías predisse, “as nações o procurarão”. — Isaías 11:1-10; veja também Isaías 9:5, 6.

      Ao passo que nos anos que se seguiram à profecia de Isaías a nação judaica veio a se referir a este aguardado governante como o Messias, ou o ungido, a identificação do Messias há muito tem sido uma questão. A História revela várias pessoas que, ao longo dos séculos, reivindicaram ser o Messias, todas tendo alcançado e perdido a popularidade. O antropólogo judeu Raphael Patai falou da “prontidão das massas em dar crédito a qualquer impostor ou sonhador iludido que afirmasse ser o Messias”. E, como seria de esperar, os que depositaram sua esperança numa falsa reivindicação messiânica por fim foram desapontados amargamente. Isso certamente mostra quão cautelosos devemos ser na identificação do Messias.

      Não obstante, Isaías indicou que teríamos de ‘procurar’ o Messias, se é que haveríamos de compartilhar as bênçãos que ele traria. Felizmente, há muito que podemos aprender da História sobre anteriores reivindicações messiânicas, bem como das próprias Escrituras Hebraicas. Assim, convidamo-lo a considerar os artigos seguintes.

  • O que se objetou quanto a Jesus?
    Despertai! — 1983 | 22 de setembro
    • O que se objetou quanto a Jesus?

      NO PRIMEIRO século da Era Comum, o povo judaico achava-se sob a tirania do Império Romano pagão. Pela primeira vez, as expectativas eram elevadas de que Deus agora suscitaria um libertador para seu povo, o prometido Messias. Como disse o moderno historiador judeu Abba Hillel Silver: “O primeiro século . . . especialmente a geração anterior à destruição [de Jerusalém em 70 EC], presenciou um notável rompante de emocionalismo messiânico.”

      O historiador do primeiro século, Flávio Josefo, também aludiu a esse fenômeno, dizendo sobre um grupo de homens que se manifestou naquele tempo: “Enganadores e impostores, fomentando mudanças revolucionárias sob o pretexto de inspiração divina . . . conduzem [a multidão] ao deserto na crença de que ali Deus lhes dará sinais de libertação.”

      Embora muitos dos que no primeiro século afirmavam ser o Messias conseguissem aglutinar muitos seguidores, apenas Jesus de Nazaré tem hoje qualquer popularidade. E no entanto, lá no primeiro século, a nação judaica não foi capaz de aceitá-lo qual Messias prometido. Assim, estas são perguntas importantes: Por que relativamente poucos judeus creram ser Jesus o Messias? O que achou a maioria ser objetável?

      Segundo o rabino Hyman G. Enelow, “as idéias associadas com o Messias na mentalidade judaica . . . deixaram de ser realizadas por Jesus”. Assim, dito de modo simples, Jesus não foi aceito amplamente porque não atendeu às expectativas populares. Como já vimos, o profeta Isaías descreveu o Messias qual futuro Rei que implantaria duradoura paz, justiça e retidão. Profecias bíblicas como esta contribuíram para moldar as expectativas dos judeus. Visto que o messias havia de ser rei de Israel, seria de esperar que qualquer governo gentio que dominasse Israel na época de seu aparecimento renunciasse à sua soberania.

      Eventualmente, contudo, tornou-se crença comum que o Messias realmente lideraria os judeus na deposição desse governo gentio. Segundo as palavras da Encyclopœdia Judaica, “os judeus do período romano criam que [o Messias] seria suscitado por Deus para quebrar o jugo dos pagãos e reinar sobre um reino restaurado de Israel”.

      Vestígios deste conceito comum se encontram em escritos daquele período. Por exemplo, falando dos judeus que se rebelaram contra Roma em 66 EC, Josefo escreveu: “O que mais de tudo os incitou à guerra foi um ambíguo oráculo, também encontrado em seus escritos sagrados, no sentido de que naquela época alguém de seu país tornar-se-ia governante do mundo.”

      E é também confirmado pelo tipo de indivíduos que receberam o apoio popular às suas reivindicações messiânicas. Historicamente, os que afirmaram ser o Messias naquele período foram, à exceção de Jesus de Nazaré, revolucionários políticos. O Livro do Conhecimento Judaico (em inglês), diz: “A coisa extraordinária respeitante a esses reivindicadores de distinção messiânica no primeiro século foi que cada um deles serviu qual pólo de agrupamento para a revolta Judaica contra o domínio romano. Dessemelhantes de Jesus, . . . os outros ‘messias’ daquele período eram, sem exceção, agitadores e patriotas militantes.” Esse padrão era simplesmente reflexo da prevalecente expectativa popular.

      É evidente, pois, que os judeus do primeiro século não tinham o posterior conceito de um Messias sofredor e morredouro. De fato, o erudito judeu Joseph Klausner concluiu: “A inteira idéia de um Messias que havia de ser morto era, nos dias de Jesus, impossível de compreender . . . por parte dos judeus.” Mesmo os poucos judeus que creram que Jesus era o Messias não esperavam que ele sofresse ou fosse morto. — Mateus 16:21, 22.

      Assim, quem quer que se sentisse atraído pelos ensinos de Jesus por certo teria ficado contrariado pelo fato de que Jesus não depôs o governo romano e não reinou sobre Israel, mas foi, em vez disso, executado por esse governo romano. Como Klausner explicou, “o crucificado Jesus desapontou a maioria dos que o seguiram em vida”. Não surpreende que o primitivo missionário cristão Paulo de Tarso tivesse falado de “Cristo pendurado numa estaca, que é para os judeus causa de tropeço”! — 1 Coríntios 1:23.

      Contudo, não obstante o agudo contraste entre a vida de Jesus e as expectativas judaicas, milhares de judeus que viveram naquele período creram que Jesus era o Messias. O que concorreu para isso?

      [Foto na página 5]

      Expectativas Judaicas: ISTO? ou ISTO?

  • Havia o Messias de sofrer e morrer?
    Despertai! — 1983 | 22 de setembro
    • Havia o Messias de sofrer e morrer?

      COMO JÁ vimos, os judeus do primeiro século esperavam um líder que depusesse o governo romano, estabelecesse um reino judaico sobre Israel e implantasse uma era de paz e bênçãos da parte de Deus. Visto que Jesus de Nazaré nunca fez isso, a nação judaica não queria aceitá-lo qual Messias.

      Contudo, muitos judeus que haviam sido atraídos aos ensinos de Jesus continuaram a crer que ele era o Messias, mesmo após a morte dele. Que base tinham para isso? Se as Escrituras Hebraicas indicavam que o Messias introduziria uma era de grandes bênçãos por meio de um reino sobre Israel, como podiam esses judeus continuar a crer em alguém que fracassou nisso, e que, em vez disso, sofreu e foi morto?

      Como indicam seus escritos, logo após a morte de Jesus seus discípulos judaicos chegaram à conclusão de que algumas profecias importantes das Escrituras Hebraicas não haviam sido notadas, passagens que indicavam que o Messias faria uma obra preliminar antes de reinar sobre Israel. Que obra é essa? E onde falam as Escrituras Hebraicas sobre o Messias realizar essa obra preliminar?

      A Profecia Messiânica de Daniel

      Embora as Escrituras Hebraicas usem amiúde a palavra hebraica para Messias, ou ungido, para se referir a reis e a sacerdotes do antigo Israel, sempre se usam adjetivos qualificativos no texto hebraico em que esses ungidos menos importantes são mencionados. Contudo, existe uma passagem em que a palavra hebraica para Messias aparece sem adjetivo qualificativo, indicando que ali se refere ao Messias. Note o que diz essa passagem:

      “Setenta semanas (de anos) têm sido designadas sobre vós, povo, e sobre a vossa cidade santa, para reprimir a apostasia e dar fim ao pecado, e para expiar o erro, e para trazer salvação eterna [“justiça eterna”], . . . E podeis saber e entender: Desde a emissão do decreto para reconstruir Jerusalém até o Ungido [“o Messias”, Patai], o Príncipe, há sete semanas (de anos); também sessenta e duas semanas (de anos), de modo que a feira e o fosso serão reconstruídos, e isso na premência dos tempos. E após as sessenta e duas semanas (de anos) um Ungido [“o Messias”, Patai] será destruído [“cortado”, JP].” — Daniel 9:24-26, tradução de Zunz (em inglês).

      Curiosamente, ao passo que as Escrituras falam ali da implantação da justiça eterna, essa não é atribuída ao governo do Messias. Pelo contrário, é associada com o Messias ser ‘cortado’ na morte!

      Adicionalmente, somos informados de que esses eventos estão ligados ao “dar fim ao pecado”. Isso sem dúvida é notável, pois as Escrituras Hebraicas nos informam de que todos nós temos uma tendência inata para fazer o que é errado, ou pecar. Por exemplo, em Gênesis 8:21 cita-se Deus como tendo dito: “A imaginação do coração humano é má desde a sua juventude.” Somos também informados: “Nenhum homem sobre a terra é tão justo que faça sempre o que é bom e jamais peque.” (Eclesiastes 7:20, Leeser) Contudo, apesar dessa inclinação que todos nós temos, que não podemos superar completamente, o aparecimento e a morte do Messias realmente ‘dão fim ao pecado’! Não é de admirar que isso tenha sido dito em conexão com o se ‘trazer a justiça eterna’!

      Ademais, Daniel 9 diz que o aparecimento e a morte do Messias iriam “expiar o erro”. Nas Escrituras Hebraicas, “expiação” refere-se a cobrir pecados por meio de ofertas de sacrifícios animais. (Êxodo 29:36) Mas, curiosamente, Daniel 9 fala de expiação, não em conexão com a morte de qualquer animal, mas, antes, em conexão com a morte do Messias!

      “Sacrifício Pelos Pecados” de Outros

      É digno de nota que ao passo que Daniel 9:24-26 alude à expiação substitutiva, existe outra passagem nas Escrituras Hebraicas que descreve explicitamente a expiação por sofrimento e morte substitutivos. Essa profecia fala especificamente do sofrimento e da morte de um personagem, destarte provendo expiação pelos pecados de outros. De fato, o texto fala realmente de sua alma como que se tornando uma oferta de culpa pelos pecados de outros! Note o que Isaías 53:3-12 (A Bíblia de Jerusalém) nos diz sobre esse servo de Deus:

      “Era desprezado e abandonado pelos homens, um homem sujeito à dor, familiarizado com a enfermidade, como uma pessoa de quem todos escondem o rosto; desprezado, não fazíamos caso nenhum dele. E no entanto, eram as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava. . . . Mas ele foi trespassado por causa das nossas transgressões, esmagado em virtude das nossas iniqüidades. O castigo que havia de trazer-nos a paz caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados. . . . Iahweh fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós. . . . Quem se preocupou com o fato de ter ele sido cortado da terra dos vivos, de ter ele sido ferido pela transgressão do seu povo? . . . Mas, se ele oferece a sua vida como sacrifício pelo pecado [“oferece a si mesmo em restituição”, JP], certamente verá uma descendência, prolongará os seus dias, e por meio dele o desígnio de Deus há de triunfar. Após o trabalho fatigante da sua alma ele verá a luz e se fartará. Pelo seu conhecimento, o justo, meu Servo, justificará a muitos e levará sobre si as suas transgressões. Eis por que lhe darei um quinhão entre as multidões; com os fortes repartirá os despojos, visto que entregou a sua alma à morte . . . mas na verdade levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores fez intercessão.”

      Observe que Isaías falou da implantação da justiça por meio de uma pessoa que é ‘esmagada em virtude das nossas iniqüidades’ qual “sacrifício pelo pecado” e que por conseguinte leva “a iniqüidade de todos nós”. Visto que Daniel 9:24-26 indicou que o Messias proveria tal expiação, Isaías 53:3-12 também deve referir-se à obra do Messias.

      Explicado um Paradoxo

      Mas, se o Messias havia de sofrer e morrer para expiar os pecados de outros, como pode governar qual rei, como Isaías também havia profetizado? O próprio Isaías aludiu a esse aparente paradoxo ao dizer sobre o Messias: “Mas, se ele oferece a sua vida como sacrifício pelo pecado, . . . prolongará os seus dias”, e “com os fortes repartirá os despojos, visto que entregou a sua alma à morte”. Como poderia realmente ocorrer tal evidente paradoxo? Como é possível a pessoa ‘prolongar os seus dias’ após ter ‘entregue a sua alma à morte’?

      Como outro servo de Deus certa vez perguntou: “Se um homem morre, pode ele viver de novo?” (Jó 14:14) As Escrituras Hebraicas respondem com um retumbante Sim! Não só existem exemplos registrados em que os profetas de Deus trouxeram de novo à vida pessoas mortas, mas somos também informados da época em que “muitos dos que dormem no pó da terra acordarão”. — Daniel 12:2; veja 1 Reis 17:17-24; 2 Reis 4:32-37; 13:20, 21.

      Assim, para que a Palavra de Deus se cumprisse, o Messias também precisava ser trazido de novo à vida, ou ser ressuscitado. Apenas então estaria em condições de reinar e proporcionar bênçãos adicionais à humanidade. As palavras de Davi podiam, assim, ser corretamente aplicadas a ele: ‘‘Não abandonarás a minha alma na sepultura.” — Salmo 16:10, Le.

      Essas profecias bíblicas foram eventualmente entendidas assim pelos discípulos judaicos de Jesus, do primeiro século. Assim, o sofrimento e a morte de Jesus não mais foram encarados como entraves a ele ser o Messias. Na verdade, tais eventos vieram a ser encarados como evidência corroborativa de que Jesus era o Messias!

      Por Que Tão Difícil de Aceitar?

      Contudo, a maior parte da nação judaica naquele tempo achou difícil aceitar esse conceito de um Messias sofredor e morredouro. Sem dúvida, isso se deu devido a outras crenças populares no período. Por exemplo, muitos judeus criam lhes ser possível sobrepujar completamente sua inclinação inata para o mal por meio de seus empenhos em guardar a Lei mosaica, a Torá. Tais pessoas esperavam “dar fim ao pecado” por conta própria, e conseqüentemente não viam nenhuma necessidade de um Messias morrer e assim expiar os pecados deles.

      Outro ensinamento popular era o de que os judeus seriam declarados justos por Deus simplesmente por serem descendentes de Abraão. Novamente, se a justiça é automaticamente imputada aos judeus, não há necessidade de um Messias para ‘justificar a muitos’. Sim, como disse Klausner, “a inteira idéia de um Messias que havia de ser morto era, nos dias de Jesus, impossível de compreender . . . por parte dos judeus”.

      Talvez por uns 100 anos após a morte de Jesus o povo judaico se recusou a crer num Messias que seria morto. E daí aconteceu algo que mudou isso. Que foi?

  • Que aconteceu às expectativas judaicas?
    Despertai! — 1983 | 22 de setembro
    • Que aconteceu às expectativas judaicas?

      A COLEÇÃO de antigos escritos judaicos conhecida como Talmude da Babilônia, contém o seguinte comentário sobre o Messias, datado do início do segundo século:

      “‘E a terra pranteará’ (Zac. 12:12). Qual a razão desse pranto? . . . o r[abino] Dosa diz: ‘[Prantearão] por causa do Messias, que será morto.’”

      Curiosamente, essa passagem fala do Messias como sendo morto; contudo, temos visto que tal conceito era incompreensível para os judeus do primeiro século. Que contribuiu para a mudança de conceito?

      Parece que a idéia de um Messias morredouro ganhou popularidade durante o segundo século de nossa Era Comum, especialmente desde a morte de Simeon Barcocheba. Barcocheba era guerreiro, um político revolucionário. Foi amplamente aclamado como sendo o Messias. Mesmo o rabino Aquiba-ben-José, que tem sido chamado de “o mais influente de todos os Sábios rabínicos aclamou Barcocheba qual Messias.

      Barcocheba acabou liderando uma revolta judaica contra o governo romano. Após uma vitória inicial sobre as legiões de Roma, Barcocheba combateu por três anos os exércitos romanos que reapareciam, numa luta que exigiu mais de meio milhão de vidas judaicas. Contudo, a rebelião foi esmagada em 135 EC e Barcocheba foi morto.

      A geração que sinceramente apoiou Barcocheba se encontrava agora numa situação estranha. A morte de Barcocheba pôs em questão não só a esperança messiânica mas também a honra do rabino José. O dr. José Heinemann, da Universidade Hebraica, em Jerusalém, explica o impacto da morte de Barcocheba sobre seus contemporâneos:

      “Essa geração deve ter tentado, a todo custo, conseguir o impossível: apoiar o messianismo de Barcocheba, apesar de seu fracasso. Essa posição paradoxal não poderia encontrar expressão mais adequada do que na altamente ambivalente lenda do Messias militante condenado a cair em batalha e que, não obstante, permanece sendo um genuíno redentor.”

      Mas, como podiam os judeus reconciliar essa idéia de um Messias morredouro com o fato de que o Messias havia de governar qual rei? Como observa Raphael Patai:

      “Resolveu-se o dilema por dividir a pessoa do Messias em duas: uma delas, chamada Messias ben José [ou, filho de José], havia de sublevar os exércitos de Israel contra seus inimigos, e, após muitas vitórias e milagres, cairia vítima. . . . A outra, o Messias ben Davi [ou, filho de Davi], seguir-lhe-ia . . . e conduziria Israel à vitória derradeira, ao triunfo, e à messiânica era de bem-aventuranças.”

      Essa idéia de um Messias morredouro continuou a se desenvolver nos anos que se seguiram à morte de Barcocheba, e eventualmente veio a ser aplicada a um Messias ainda futuro, que morreria em batalha. Elucidando isso, Patai explica: “Pensa-se que se deve entender que . . . [o Messias], qual Filho de José, morrerá no limiar do Fim dos dias, mas daí voltará de novo à vida qual Filho de Davi e completará a missão que começou em sua encarnação anterior.”

      Quão estranhamente paralelo isso é às crenças dos cristãos do primeiro século! Ambos os grupos afirmavam crer num Messias que morreria e seria ressuscitado antes da predita era de paz!

      Levantam-se Novas Objeções

      Nos primeiros séculos de nossa Era Comum, o Império Romano pagão se converteu ao catolicismo romano, e o anti-semitismo tornou-se então popular entre os que professavam seguir a Jesus. Nos anos seguintes, os judeus testemunharam atrocidades tais como as Cruzadas e a Inquisição, atos que violavam claramente o mandamento de Deus de “amar o teu próximo como a ti mesmo”. (Levítico 19:18) Ademais, os que professavam seguir a Jesus abraçaram crenças não cristãs, tais como a adoração de um Deus trino. Contudo, Moisés ensinou: “O SENHOR É UM.” (Deuteronômio 6:4) Assim, embora a objeção original a Jesus qual Messias morredouro não mais pudesse ser considerada válida, surgiu uma nova objeção, uma objeção à conduta e às crenças antibíblicas dos que professavam seguir a Jesus. O judaísmo, pois, continuou a rejeitar o cristianismo.

      O Messias — Real ou Ideal?

      A esperança messiânica em Israel continuou através dos séculos. Por exemplo, quando o rabino medieval Maimônides formulou suas Treze Regras de Fé, incluiu a seguinte: “Creio . . . com plena fé que o Messias virá, e, embora possa tardar, ainda assim aguardarei cada dia a sua vinda.”

      Contudo, em tempos mais modernos, a inteira idéia de um Messias pessoal foi relegada ao esquecimento entre muitos judeus. Por exemplo, um século atrás Joseph Perl escreveu: “Os judeus verdadeiramente instruídos de modo algum imaginam o Messias qual personagem real.”

      Tais judeus encaram o Messias como sendo, não um indivíduo real, mas sim um ideal, de modo que preferem falar numa era messiânica em vez de num Messias. Contudo, sem um Messias pessoal não poderia haver era messiânica.

      Mas, quando viria esse Messias? Que dizem as Escrituras Hebraicas?

  • O aparecimento do Messias — quando?
    Despertai! — 1983 | 22 de setembro
    • O aparecimento do Messias — quando?

      O TALMUDE da Babilônia conserva uma lenda interessante sobre Jonathan ben Uzziel, o tradutor da paráfrase aramaica dos profetas hebreus conhecida como Targuns. Segundo a lenda, Jonathan desejava traduzir os livros hagiógrafos, a parte final das Escrituras Hebraicas, para o aramaico. Contudo, uma “voz celestial” disse a Jonathan que desistisse, porque essa parte das Escrituras continha a data do aparecimento do Messias.

      Curiosamente, uma profecia de Daniel (o livro de Daniel é hagiógrafo) que já identificamos como se referindo especificamente ao Messias, deveras contém informação cronológica com respeito ao seu aparecimento. Veja de novo o que se nos diz em Daniel 9:24-27 (Zunz, em inglês):

      “Setenta semanas (de anos) têm sido designadas sobre vós, povo, e sobre a vossa cidade santa, para reprimir a apostasia e dar fim ao pecado, e para expiar o erro, e para trazer salvação eterna. . . . E podeis saber e entender: desde a emissão do decreto para reconstruir Jerusalém até o Ungido, o Príncipe, há sete semanas (de anos); também sessenta e duas semanas (de anos), de modo que a feira e o fosso serão reconstruídos, e isso na premência dos tempos. E após as sessenta e duas semanas (de anos) um Ungido será destruído. . . . E ele firmará com muitos um sólido pacto, por uma semana (de anos), e na metade da semana (de anos) ele cancelará o sacrifício e a oblação.”

      Note que se diz que esse período é de “setenta semanas (de anos)”. A expressão hebraica usada aqui literalmente significa “setenta semanas”, ou “setenta héptadas”. Contudo, os eruditos judaicos geralmente têm entendido que a duração de cada semana não é de sete dias, mas, sim, de sete anos. Concordemente, o rabino Leopold Zunz traduziu tal expressão hebraica por “setenta semanas (de anos)” na tradução citada acima. (Veja também A Bíblia Viva, que a traduz por “quatrocentos e noventa anos”, e a Moffatt, em inglês, que a traduz por “semanas de anos”.) Assim, o período inteiro de “setenta semanas” abrange 490 anos.

      Quando começa esse período de 490 anos? Segundo a profecia, o ponto de partida é “a emissão do decreto para reconstruir Jerusalém”. Foi alguma vez baixado tal decreto?

      Embora Daniel vivesse o suficiente para ficar sabendo de um decreto do Rei Ciro, da Pérsia, em 538/7 AEC, para reconstruir o templo em Jerusalém, foi quase um século mais tarde que foi baixado um decreto para reconstruir a própria Jerusalém. Neemias 2:1-8 registra que o Rei Artaxerxes Longímano emitiu tal decreto no 20.º ano de seu reinado. E quando foi isso? As fontes históricas mais confiáveis nos informam de que Artaxerxes começou seu reinado em 474 AEC, o que situa seu 20.º ano e seu decreto em 455 AEC.a Assim, esse período de 490 anos começou em 455 AEC.

      Exatamente quando, durante esses 490 anos, haveria de aparecer o Messias? Note que as 70 semanas são divididas em três períodos, a saber, de 7 semanas, 62 semanas, e uma semana. Em adição, a profecia diz que o Messias apareceria depois que tanto o período de 7 como o de 62 semanas tivessem passado, ou depois de 69 “semanas de anos”, ou 483 anos. Podemos concluir, pois, que o aparecimento do Messias estava predito para 483 anos após 455 AEC, ou seja, em 29 EC.

      Ademais, a profecia indica que o Messias seria destruído, ou morreria, após o período de 62 semanas (que segue ao período de 7 semanas), e, assim, durante o período final de uma semana de duração. Este período final de sete anos devia correr de 29 EC a 36 EC. Mas, quando durante esta semana final ele morreria? Informa-se-nos que “na metade da semana (de anos)” o Messias ‘cancelaria o sacrifício e a oblação. Como a profecia indicara também que a morte do Messias proveria expiação genuína pelo pecado, uma vez morto o Messias quaisquer sacrifícios animais no templo seriam inúteis. Assim, a profecia evidentemente predisse que o Messias morreria “na metade da semana (de anos)”, ou em 33 EC.

      Apareceu realmente o Messias em 29 EC e morreu em 33 EC? Como já vimos, os judeus desse primeiro século aguardavam ansiosamente que o Messias viesse naquele tempo. (Lucas 3:15) Mas, de todos os que no primeiro século reivindicavam ser o Messias, só um surgiu no cenário mundial em 29 EC e morreu em 33 EC, e este foi Jesus de Nazaré! — Veja Lucas 3:1, 2.

      Como também já vimos, os seguidores de Jesus do primeiro século não só puderam harmonizar eventos na vida de Jesus com profecias das Escrituras Hebraicas, mas estavam também convencidos, devido às aparições de Jesus após a sua morte, de que ele fora ressuscitado e que algum dia retornaria para governar qual Rei messiânico e introduzir a predita era de paz.

      Mas, onde é que nós hoje nos enquadramos nisso? Já faz agora cerca de 2.000 anos desde que Jesus morreu, e ainda não vimos essa predita era de paz. Contudo, o próprio Jesus predisse quais seriam as condições prevalecentes na época dos “últimos dias” do atual sistema de coisas e o pleno estabelecimento do Reino messiânico de Deus. — Mateus, capítulo 24, e Lucas, capítulo 21.

      Se for assim, isso significará que poderemos alcançar com vida a época em que “o lobo morará com o cordeiro, e o leopardo se deitará com o cabrito; . . . e o leão comerá palha como o boi”, a época em que as pessoas “não ferirão nem destruirão”. — Isaías 11:1-10.

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