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Face a face com a morteDespertai! — 1980 | 8 de setembro
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nos poderá ajudar a criar os outros filhos. Nossa vida não será mais tão difícil.”
Mas, cinco meses depois de concluir seu estágio no Hospital-Escola da Universidade, estava morto!
O jovem pensou nessas coisas todas, e em outras mais. Joel tinha sido mais do que um simples irmão para ele. Tinha sido seu conselheiro, colega e amigo. Ele agora desaparecera, e tão subitamente! Isso acontecera num domingo. Era um dia de calor escaldante. Joel contou a seus amigos no hospital que tencionava “dar um mergulho” no rio, depois do almoço, e os convidou a ir com ele. Não estavam com vontade de ir, de modo que ele foi sozinho.
Não voltou mais vivo. Quanto pesar sentiram seus parentes e amigos quando trouxeram o corpo dele para casa, mais tarde, naquele mesmo dia!
A mente do jovem lutava para captar a realidade disso tudo. No enterro “cristão”, o sacerdote disse que Joel fora “chamado a prestar um serviço mais elevado”. Os aldeões disseram que ele voltava para seus ancestrais, para viver entre eles. Estavam até mesmo preparando um “segundo enterro”, para liberar seu espírito para o mundo espiritual dos ancestrais.
“Mas”, perguntava-se o rapaz, “estará meu irmão realmente vivo agora? Estará compartilhando minha tristeza? Estará feliz? Onde está ele? Será sua morte o fim de tudo?”
A maioria das pessoas teve idéias similares em tempos de pesar devido à morte dum ente querido. Pense só nos que perderam entes queridos em acidentes trágicos, em guerras, ou devido a doenças súbitas. Pense na mãe cujo filhinho sucumbe na morte; da família que perde um genitor. Daí, pense, também, em todos os que morrem devido às chamadas causas naturais.
Fica imaginando por que e como a morte veio a ser aceita como “natural”? Pergunta a si mesmo se a morte é o fim de tudo? Pode a morte ser vencida?
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Procuram vencer a morteDespertai! — 1980 | 8 de setembro
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Procuram vencer a morte
A MAIORIA das pessoas acha difícil de aceitar que a morte seja a condição final. Muitos preferem crer que a vida consciente prossegue após a morte.
Muitos cientistas talvez não creiam nisto. Todavia, quando confrontados com a realidade da morte, procuram maneiras “científicas” de prolongar a vida do homem. Como a Bíblia diz: “Tempo indefinido [está] no seu coração.” — Ecl. 3:11.
Alvos Científicos
Faz-se considerável pesquisa para descobrir a natureza da vida e a constituição da célula viva. Experiências feitas com células humanas vivas demonstraram que, sob condições favoráveis, poderiam existir indefinidamente. Outras pesquisas mostraram que o DNA (ou ADN) em quase toda célula de qualquer criatura contém os dados da inteira constituição daquela criatura.
À base disto, os biólogos fazem experiências de transplantes de genes, ou “clonagem”. Alguns cientistas acham que a manipulação genética poderá ser usada para curar doenças genéticas, para prolongar a vida, e para fazer mudanças significativas no próprio homem.
Há outras teorias que aventam possibilidades para se vencer a morte. Alguns falam de transplantes de cérebros, animação suspensa, reanimação. Há pessoas que consideram meios de preservar plenamente seu corpo por serem rapidamente congeladas por ocasião da morte. Esperam que os cientistas talvez descubram um modo de reanimá-las no futuro.
Reais Consecuções
Em contraste com as teorias a favor do prolongamento da vida humana, a pesquisa médica produziu alguns resultados tangíveis. A melhor higiene tem contribuído para o prolongamento da expectativa de vida das pessoas em geral. Reduziu-se a mortalidade infantil.
Desenvolveram-se métodos aprimorados de tratamento de doenças, habilitando os pacientes a recuperar-se de moléstias que, não faz muito tempo, teriam sido fatais. Os progressos da tecnologia médica, junto com a melhor compreensão do organismo humano, também produziram consecuções no campo da cirurgia que, há 40 anos atrás, se imaginaria impossíveis.
Assim é que a expectativa de vida de milhões de indivíduos foi estendida. Todavia, a duração da vida da humanidade, em geral, não aumentou. Até mesmo em países com elevado padrão de vida, a expectativa de vida é de cerca de 70 ou 80 anos. Há mais de 3.000 anos, a Bíblia declarava que “nossos anos são em si mesmos setenta anos; e se por motivo de potência especial são oitenta anos, mesmo assim a sua insistência é em desgraça”. Isso ainda se dá hoje em dia. — Sal. 90:10.
Tradições Que Procuram Vencer a Morte
As pessoas, porém, tentam de vários modos amainar o impacto dessa realidade. Muitos pensam em termos duma suposta imortalidade da alma humana, de sobrevivência para um mundo espiritual, e de irem para o céu.
Tais crenças são promovidas pela maioria das religiões. As igrejas da cristandade consideram a doutrina de que a alma sobrevive para uma esfera espiritual como sendo o âmago de sua fé. Ao passo que, em algumas nações industrializadas, tal crença está perdendo terreno, na América Central e do Sul, na África, e no Oriente, tais crenças são fortíssimas.
À guisa de exemplo, o Brasil é nominalmente um pais católico romano, e as pessoas, em geral, têm idéias católicas sobre a vida após a morte, sobre o céu, o purgatório e o inferno. No entanto, existe também a influência das religiões africanas e de um pouco do espiritismo europeu. Imagens nas igrejas são identificadas como “santos” que se imagina terem sobrevivido para o mundo espiritual. Crê-se que médiuns espíritas ou macumbeiros sejam possuídos pelos espíritos dos deuses africanos ou dos ancestrais. E em toda a África, há fetiches, ídolos e encantamentos ligados aos espíritos dos ancestrais.
O Preço Pago
É digno de nota que todos estes esforços de vencer a morte pelo apego às tradições exigem seu preço. Às vezes, é financeiro. Em outros casos, é o temor.
O ensino da cristandade sobre a imortalidade da alma, por exemplo, é acompanhado do temor do inferno de fogo. E os que crêem no purgatório aprendem que é preciso oferecer orações para o livramento das almas de seus entes queridos. Mas, naturalmente, espera-se dinheiro daqueles que desejam tais ofícios.
Quando morre alguém no norte do Transvaal (África), os parentes consultam um curandeiro. Daí, espera-se algum pagamento. O curandeiro é considerado um intermediário entre os vivos e os mortos. Crê-se que a pessoa falecida foi para a terra dos deuses e lhe oferecem honrarias que ela jamais usufruiu antes de morrer. Ela é grandemente temida, visto que se crê que tenha o poder de prejudicar os vivos. Assim, oferecem-lhe um apaziguamento em forma duma festa especial no dia de seu enterro.
Os zulus da África do Sul crêem que os mortos podem proteger e ajudar os vivos. Oferecem-lhes sacrifícios regulares, de modo a reter suas boas graças.
No passado, tais crenças, em partes da África, resultaram na prática de se oferecerem sacrifícios humanos. Quando um rei ou chefe tribal morria, alguns de seus servos eram sepultados junto com ele, para lhe servirem no domínio espiritual. Em Gana, ainda são enterrados dinheiro, roupas, e outros itens, junto com alguns dos mortos, por motivos similares.
No Oratório Católico de S. José, em Montreal, Canadá, os devotos gastam dinheiro para acender velas compridas. Crêem que estas ajudarão as almas dos que estão no purgatório.
Sim, pagam um preço pelos seus esforços de vencer a morte — mas será isso necessário? Para obtermos uma resposta verdadeiramente satisfatória, temos de saber o que a própria Bíblia diz que é a morte.
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O que é a morte?Despertai! — 1980 | 8 de setembro
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O que é a morte?
“HÁ UM evento conseqüente com respeito aos filhos da humanidade e um evento conseqüente com respeito ao animal, e há para eles o mesmo evento conseqüente. Como morre um, assim morre o outro.” — Ecl. 3:19.
É mais fácil, porém, aceitar o caráter decisivo da morte no caso dos animais do que no caso dum homem. Um resultado disso é que muitos crêem que o homem possui uma alma imortal, e que, por este motivo, é superior aos animais.
O Que É a Alma
No entanto, a Bíblia não diferencia o homem do animal quanto a ser uma “alma”. As mesmas palavras hebraicas e gregas traduzidas “alma” em muitas Bíblias, ou como “criatura” ou “ser” em outras, são usadas tanto para o homem como para os animais. Queira ler por si mesmo o que se acha declarado em Números 31:28, Gênesis 1:20-24 e Revelação 16:3, onde se encontram tais termos das línguas originais.
Assim, longe de ser um espírito dentro do corpo de criaturas, humanas ou animais, a “alma” designa a inteira criatura. Ela inclui o corpo e o espírito de vida. — Ecl. 3:21; 12:7.
Isto é indicado na descrição da Bíblia sobre a criação do homem: “Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o fôlego da vida, e o homem veio a ser uma alma vivente.” (Gên. 2:7 “criatura”, New English Bible; “ser vivente”, Centro Bíblico Católico) Assim, a “alma” não foi adicionada ao corpo do homem. A “alma” é o que o homem tornou-se quando seu corpo foi ativado pelo fôlego de vida. Não, o homem não possui uma alma. Ele é uma alma. Os animais também são almas.
Como se dá com os animais, o corpo humano se compõe de bilhões de células vivas. São todas animadas pelo “espírito de vida”. É com referência a este “espírito”, ou “força de vida”, que a Bíblia afirma que a espécie humana e a espécie animal “têm apenas um só espírito”. (Ecl. 3:19-21) Este espírito de vida é sustentado no corpo mediante a respiração, e tal respiração ativa o inteiro organismo.
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