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Paz e segurança — a esperançaA Sentinela — 1985 | 1.° de outubro
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Paz e segurança — a esperança
“A Assembléia Geral das Nações Unidas declarou unanimemente 1986 como o Ano Internacional de Paz. O Ano será solenemente proclamado em 24 de outubro de 1985, o quadragésimo aniversário das Nações Unidas.”
COMO encara esta declaração oficial da Organização das Nações Unidas? Faz com que se sinta mais confiante quanto ao futuro? Muitos responderiam que vale a pena tentar qualquer coisa que ofereça mesmo que a mais remota possibilidade de produzir paz. Portanto, por que não um “Ano Internacional da Paz”?
Certamente, tal ‘Ano da Paz’ estaria de acordo com os objetivos dos fundadores da Organização das Nações Unidas. Em 1944, o presidente dos Estados Unidos declarou: “Determinamos . . . organizar de tal maneira as nações amantes da paz para que, mediante unidade de desejo, unidade de propósito e unidade de forças, possam ter condições de garantir que nem mesmo surja outro suposto agressor ou conquistador. É por isso que desde o próprio início da guerra, e, paralelo aos nossos planos militares, começamos a lançar os alicerces da organização geral para a manutenção da paz e da segurança.”
Esses ideais eram partilhados por muitos. “Para as Nações Unidas virem à existência, foi necessário que um grande grupo de pessoas cresse na capacidade do homem para o bem e achasse que sua esperança pudesse ser justificada” afirma o livro Fracasso de um Ideal, em inglês, de Shirley Hazzard, que trabalhou dez anos no Secretariado das Nações Unidas.
A carta da recém-nascida organização expressava as esperanças dos seus fundadores: “Os propósitos das Nações Unidas são: 1. Manter a paz e a segurança internacionais . . . 2. Desenvolver relações amistosas entre as nações baseadas no respeito ao princípio de igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos . . . 3. Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais.” Poderia haver algo de errado com tais objetivos?
Admitidamente, as Nações Unidas tiveram um início impressionante. Foram discutidas importantes questões mundiais. Em 1948, foi adotada a notável Declaração Universal dos Direitos Humanos. Foram iniciadas valiosas obras humanitárias com o fim de minorar a pobreza, a fome, as doenças e a situação difícil dos refugiados. Foram estabelecidos padrões internacionais, tais como padrões de segurança para navios e aviões, atestados de saúde para os que viajam a certas regiões, tarifas postais uniformes e a distribuição do espaço nas faixas de radiodifusão.
As Nações Unidas estiveram envolvidas de perto nos esforços de produzir paz durante o conflito de 1947-49 entre a Índia e o Paquistão. Até mesmo revelou sua força militar quando soldados sob sua bandeira entraram na Coréia em 1950 e no Congo (atual Zaire) em 1960. Ainda há forças de paz da ONU em Chipre e no Oriente Médio. Sim, nos últimos 40 anos as Nações Unidas deixaram sua marca. Mais de 150 países têm indicado que reconhecem isso por enviar delegados à sua singular sede na cidade de Nova Iorque, às margens do East River.
Mas, até que ponto têm as Nações Unidas cumprido seu mandato básico de “manter a paz e a segurança internacionais”? E que efeito terá o proclamado “Ano Internacional da Paz”?
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Paz e segurança — de que fonte?A Sentinela — 1985 | 1.° de outubro
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Paz e segurança — de que fonte?
EMBORA as Nações Unidas tenham realizado serviços valiosos em alguns campos, qualquer pessoa que se mantêm em dia com as notícias tem de admitir que até o momento elas fracassaram no campo da paz e da segurança. Isto é abertamente admitido pelos mais ardentes defensores da organização.
Assim, em 1953, apenas oito anos após sua criação, Dag Hammarskjöld, o então secretário-geral, confessou: “Ao passo que os nossos antepassados sonhavam com um novo céu, nossa maior esperança é que se nos permita salvar a velha terra.” Vinte e seis anos depois, C. William Maynes, subsecretário de estado dos Estados Unidos, viu-se obrigado a admitir: “O principal objetivo do Conselho de Segurança e da Assembléia Geral era manter a paz e a segurança internacionais. . . . Vocês têm evidências de que a organização fracassou no seu objetivo central.”
Quão Relevante?
A verdade é que a maioria das decisões importantes que influíram na paz e na segurança nos últimos 40 anos foram tomadas em grande parte fora do âmbito das Nações Unidas. Em 1982, o secretário-geral Javier Pérez de Cuéllar lamentou o fato de que “este ano, vez após vez vimos a Organização deixada de lado ou rejeitada, por este ou aquele motivo, em situações nas quais devia e podia ter desempenhado um papel importante e construtivo”. Por que se dá isso?
Alguns apontam o aumento fenomenal no número de membros da organização como um dos motivos. Os 51 membros originais aumentaram para mais de 150, cada qual com igual voto na Assembléia Geral. Mas, algumas dessas nações são bem pequenas. Assim, a nação-ilha de São Cristóvão e Nevis, a 158.º nação a juntar-se à organização, tem uma população inferior a 50.000 habitantes, contudo tem voto igual à China, cuja população está perto de um bilhão. Realmente, este arranjo dá às nações menores a oportunidade de serem ouvidas; mas dificilmente incentiva as potências maiores a tomar a sério as decisões da organização.
Um segundo problema é mencionado por Shirley Hazzard: “Poderes de coação não foram investidos na Organização das Nações Unidas, exceto no que diz respeito a talvez residirem nos próprios membros que mais provavelmente necessitassem ser compelidos.” Em outras palavras, a organização pode tomar decisões, mas, na maior parte, não pode fazê-las vigorar. Regularmente, importantes problemas mundiais são discutidos em detalhes. Resoluções são solenemente passadas — e depois esquecidas. Em 1982, o secretário-geral da ONU sentiu-se induzido a deplorar a “falta de respeito para com suas decisões por parte dos a quem estas se dirigem”.
Esses são problemas organizacionais — e há outros mencionados pelos analistas. Porém, há motivos mais profundos e graves que explicam por que as Nações Unidas fracassaram.
Os Problemas mais Profundos
“Parecia então possível estabelecer, como prioridade máxima, um sistema para manter a paz e a segurança internacionais sob as provisões da Carta”, disse Javier Pérez de Cuéllar, relembrando o idealismo dos fundadores da organização. “Que aconteceu com essa majestosa visão? Logo foi obscurecida pelas diferenças das principais Potências. . . . Ademais, o mundo revelou-se um lugar mais complexo e muito menos ordeiro do que se esperava.”
De fato, nunca houve possibilidade de as Nações Unidas produzirem paz e segurança. A tarefa é simplesmente difícil demais. Os comentários do secretário-geral nos fazem lembrar as palavras do profeta Jeremias: “Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” (Jeremias 10:23) Os humanos, de sabedoria e capacidade limitadas, nunca conseguirão solucionar o problema de produzir paz e segurança para todos.
O secretário-geral disse que os fundadores das Nações Unidas descobriram que o mundo é “mais complexo” do que esperavam. Há um motivo básico para esta situação, e, pelo visto, não estavam apercebidos deste. Mas, o apóstolo João o explica da seguinte forma: “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” (1 João 5:19) A Bíblia nos diz que hoje o “iníquo”, Satanás, está causando “ai” para a terra, “tendo grande ira”. (Revelação [Apocalipse] 12:12) A sinistra realidade de Satanás e de sua influência fadaram ao fracasso os esforços das Nações Unidas de produzir paz mesmo antes de a organização começar.
Lembre-se também de que a Organização das Nações Unidas é produto deste mundo, e, portanto, possui características dele. As fraquezas, os males e a corrupção que caracterizam as nações individuais também existem inevitavelmente nas Nações Unidas. Alexander Solzhenitsyn foi citado como dizendo em 1972: “Um quarto de século atrás, com grandes esperanças para toda a humanidade, nasceu a Organização das Nações Unidas. Lamentavelmente, num mundo imoral ela também cresceu imoral.” A Bíblia adverte: “‘Não há paz para os iníquos’, disse Jeová.” (Isaías 48:22) Uma organização “imoral” nunca poderá produzir paz e segurança.
Que Dizer da Paz e da Segurança?
Portanto, fará alguma diferença a declaração de 1986 como “Ano Internacional da Paz”? Isso é bem improvável, visto que os já mencionados problemas são completamente insolúveis para os humanos. A possibilidade de o ‘Ano da Paz’ aproximar mais a humanidade da paz e da segurança não ultrapassa o que o ‘Ano da Criança’, em 1979, fez para melhorar a sorte internacional das crianças ou o que o ‘Ano da Mulher’, em 1975, fez para tornar o mundo um lugar melhor para a mulher.
Entretanto, se a humanidade há de sobreviver, é óbvio que alguém terá de fazer algo quanto à paz e à segurança. Hoje, as nações equipadas com armas nucleares têm condições de destruir a maior parte da vida na terra. Sofisticadas armas convencionais causam uma apavorante perda de vidas cada ano. A verdadeira paz parece estar mais longe do que nunca! Se as Nações Unidas fracassaram em solucionar esses problemas, quem os solucionará?
Um retrospecto na história sugere uma resposta promissora. Uns 3.000 anos atrás, o Rei Davi, rei-guerreiro do Oriente Médio, escreveu a respeito dum futuro governante que teria êxito em produzir a paz internacional. Ao orar em prol deste governante, Davi disse: “Que os montes levem a paz ao povo, também os morros, por meio da justiça. Nos seus dias florescerá o justo e a abundância de paz até que não haja mais lua.” — Salmo 72:3, 7.
Que governante seria capaz de produzir tal paz duradoura? Davi apontava, não para uma organização humana, mas para seu Deus, Jeová, como aquele por meio de cuja autoridade isso ocorreria. Tratava-se apenas de ele crer no que queria que fosse a verdade? Não. O filho de Davi, Salomão, confiou no mesmo Deus, e, durante seu reinado, Jeová mostrou Seu poder de forma típica por produzir paz para o reino de Salomão, situado numa das regiões da terra mais conturbadas pela guerra. Salomão não foi rei-guerreiro, contudo durante seu reinado “Judá e Israel continuaram a morar em segurança, cada um debaixo da sua própria videira e debaixo da sua própria figueira, desde Dã [no norte] até Berseba [no sul], todos os dias de Salomão”. — 1 Reis 4:25.
Naturalmente, essa paz não durou. Os israelitas caíram no proceder do mundo imoral e perderam sua segurança provida por Deus. Todavia, mais de dois séculos depois, quando os cruéis assírios se empenhavam numa campanha de paz por meio do terror, o profeta Isaías predisse a vinda do Rei prefigurado por Salomão. Ele escreveu: “Será chamado pelo nome de Maravilhoso Conselheiro . . . Príncipe da Paz. Da abundância do domínio principesco e da paz não haverá fim.” — Isaías 9:6, 7.
Quem é esse “Príncipe da Paz”? Mais de 700 anos depois de Isaías, quando a potência mundial romana procurava pôr em execução sua versão de paz e segurança internacionais, esse Rei apareceu no país de Davi, a Judéia, na pessoa de Jesus Cristo. Falou aos seus compatriotas sobre o Reino de Deus, do qual ele havia de tornar-se Rei. Este Reino seria celestial, sendo assim capaz de solucionar os problemas da influência de Satanás e da incapacidade inata do homem de governar a si mesmo. Pelo visto, os compatriotas de Jesus preferiram o governo romano e fizeram com que Jesus fosse judicialmente assassinado. Não obstante, conforme atesta claramente a história, ele foi ressuscitado e ascendeu ao céu, e ficou à espera do tempo, marcado por Deus, para começar a governar como Rei do Reino de Deus.
De fato, o cumprimento de profecias marca os nossos dias como o tempo para esse grande acontecimento. Foi o nascimento do Reino de Deus no céu e o subseqüente lançamento de Satanás para a terra que levou à “grande ira” de Satanás e a ele causar “ai” para a terra. (Revelação 12:7-12] Com que resultado? Guerras e outras aflições humanas, conforme profetizadas pelo próprio Jesus. A terra tornou-se cenário de “angústia de nações, não sabendo o que fazer”. — Lucas 21:25, 26; Mateus 24:3-13.
O Modo do Homem ou o de Deus?
As profecias de Jesus, que chegaram a nós após quase 2.000 anos, proveram uma descrição mais exata das condições do mundo do que as declarações otimistas feitas por ocasião da criação das Nações Unidas, 40 anos atrás. O fracasso dessa organização em descobrir “o que fazer” serve apenas para destacar a exatidão das predições da Bíblia. Deveras, conforme as palavras de Isaías, ‘os próprios mensageiros de paz choram amargamente’ de frustração diante dos seus fracassos. — Isaías 33:7.
Isto salienta um último motivo de as Nações Unidas nunca poderem ter êxito em produzir paz na terra. Estão procedendo de forma completamente oposta ao modo de Deus. De acordo com os propósitos declarados de Jeová, a paz virá, não mediante a união das nações do mundo, mas por serem inteiramente substituídas pelo Reino de Deus. (Daniel 2:44) Dag Hammarskjöld disse que se empenhava para “salvar a velha terra”. Se com isso ele se referia ao atual sistema mundial, instituído de nações políticas independente, então desde o início suas esperanças já estavam condenadas ao fracasso. A verdade é que a “velha terra” terá de dar lugar ao novo sistema. “O mundo está passando.” (1 João 2:17) Nada poderá salvá-lo, nem mesmo a Organização das Nações Unidas.
Em vista do egoísmo nacionalista das nações, há apenas uma solução realista para que haja paz e segurança. Somente o Reino de Deus poderá produzir a espécie de paz que o homem anseia desde que foi expulso do jardim do Éden. Segue-se uma descrição da segurança que resultará das atividades do Reino: “[Deus] enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” — Revelação 21:4.
Soa-lhe irrealista tal promessa? Na verdade, é a única esperança que temos, e o próximo número de A Sentinela considerará mais pormenorizadamente o porquê disso. No ínterim, gostaríamos de chamar a sua atenção a um fato importante: A história das Nações Unidas ainda não terminou. Essa organização tem um importante papel a desempenhar em eventos futuros. Incentivamo-lo a ler os dois artigos seguintes, que consideram o futuro das Nações Unidas à luz das profecias da Bíblia.
[Foto na página 5]
A tarefa de produzir paz é simplesmente difícil demais para as Nações Unidas.
[Crédito da foto]
Foto do Exército dos EUA.
[Foto na página 6]
“O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” Isto inclui as Nações Unidas.
[Foto na página 7]
A Organização das Nações Unidas nunca será mais moral do que as nações individuais que a compõem.
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Uma “coisa repugnante” não consegue trazer a pazA Sentinela — 1985 | 1.° de outubro
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Uma “coisa repugnante” não consegue trazer a paz
1, 2. (a) Por que o homem jamais implantará a paz por meio de organizações como as Nações Unidas? (b) Como implantará Deus a paz na terra?
NÃO importa quão arduamente os homens tentem implantar paz e segurança por meio de instituições tais como as Nações Unidas, eles jamais serão bem sucedidos. Por quê? Porque a humanidade hoje não está em paz com Deus, e a segurança permanente pode basear-se apenas em o homem estar em paz com seu Criador. (Salmo 46:1-9; 127:1; Isaías 11:9; 57:21) Como resolver este problema? Felizmente, o próprio Jeová já controla o assunto. A paz e a segurança finalmente serão implantadas na terra através do Reino de Deus, exercido por seu Filho Jesus, em cujo nascimento os anjos cantaram: “Glória a Deus nas maiores alturas, e na terra paz entre homens de boa vontade.” — Lucas 2:14; Salmo 72:7.
2 No primeiro século, Jesus anunciou o Reino de Deus e ofereceu aos pacíficos o ensejo de se tornarem filhos de Deus e co-governantes com ele [Jesus] nesse Reino. (Mateus 4:23; 5:9; Lucas 12:32) Os eventos que se seguiram foram muito similares aos eventos em nosso próprio século. Examiná-lo nos ensinará muito sobre o futuro rumo da organização de “paz e segurança” criada pelo homem, as Nações Unidas.
Os Judeus Fazem Uma Escolha
3. Quem tentava manter a paz e a segurança internacionais nos dias de Jesus, e por que isso jamais poderia ser completamente bem-sucedido?
3 Nos dias de Jesus, O Império Romano dominava grande parte da terra e tinha seus próprios conceitos sobre paz e segurança. Havia imposto, por meio de suas legiões, a Pax Romana (Paz Romana) na maior parte do mundo conhecido. Mas, a Pax Romana jamais poderia ser uma paz permanente, porque a Roma pagã e suas legiões jamais poderiam promover a reconciliação entre o homem e Deus. Assim, o Reino que Jesus anunciou era muito superior.
4. Como reagiu à pregação de Jesus a maioria dos judeus? Não obstante, o que se desenvolveu gradualmente no primeiro século?
4 Não obstante, a maioria dos compatriotas de Jesus rejeitou o Reino de Deus. (João 1:11; 7:47, 48; 9:22) Os seus governantes, encarando Jesus qual ameaça à segurança nacional, entregaram-no para ser executado, insistindo: “Não temos rei senão César.” (João 11:48; 19:14, 15) Alguns judeus, no entanto, e depois muitos gentios, alegremente reconheceram a Jesus qual Rei escolhido de Deus. (Colossenses 1:13-20) Pregaram a respeito dele em muitas terras, e Jerusalém tornou-se centro da associação internacional de cristãos. — Atos 15:2; 1 Pedro 5:9.
5, 6. (a) Como evoluíram as relações entre os judeus e Roma? (b) Que aviso deu Jesus, e como salvou este a vida de cristãos em 70 EC?
5 Apesar de os judeus terem preferido César a Cristo, as relações entre Jerusalém e Roma logo deterioraram. Os zelotes judaicos moveram campanhas de guerrilhas contra o império até que, finalmente, em 66 EC, irrompeu a guerra aberta. As tropas romanas tentaram restaurar a Pax Romana, e logo Jerusalém estava sitiada. Para os cristãos isto era significativo. Muitos anos antes, Jesus alertara: “Quando virdes Jerusalém cercada por exércitos acampados, então sabei que se tem aproximado a desolação dela. Então, comecem a fugir para os montes os que estiverem na Judéia, e retirem-se os que estiverem no meio dela.” (Lucas 21:20, 21) Jerusalém estava agora cercada, e os cristãos esperavam uma oportunidade para fugir.
6 Esta veio logo. Os romanos debilitavam a muralha do templo e muitos judeus estavam prestes a se render quando o comandante romano, Céstio Galo, inesperadamente, recolheu as suas tropas e se retirou. Os zelotes aproveitaram a oportunidade para reorganizar as suas defesas, mas os cristãos abandonaram a cidade condenada. Em 70 EC, as legiões romanas voltaram, acamparam em volta das muralhas de Jerusalém, e desta vez a cidade sucumbiu. Como nos afeta esta tragédia histórica? Nisto: O aviso de Jesus, que salvou a vida de seus seguidores, tem também significado para nós hoje.
Mais de Um Cumprimento
7-9. (a) Como sabemos que a profecia de Jesus sobre o cerco a Jerusalém por exércitos teria mais de um cumprimento? (b) Como apóia isso a leitura ‘com entendimento’ do livro de Daniel?
7 Este aviso fazia parte duma longa profecia feita por Jesus em resposta a uma importante pergunta. Os seus seguidores haviam inquirido: ‘Quando sucederá [a destruição do templo judaico] e qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas?’ Em resposta, Jesus forneceu um sinal composto, de muitos aspectos, incluindo o cerco a Jerusalém. (Mateus 24; Marcos 13; Lucas 21) Nos anos seguintes à morte de Jesus, muitos dos aspectos desta profecia se cumpriram, culminando na destruição de Jerusalém e do sistema judaico de coisas, em 70 EC. — Mateus 24:7, 14; Atos 11:28; Colossenses 1:23.
8 Mas, os discípulos haviam também perguntado sobre a “presença” de Jesus, que a Bíblia associa ao fim de um inteiro sistema mundial de coisas. (Daniel 2:44; Mateus 24:3, 21) Visto que a presença espiritual de Jesus e o fim do sistema de coisas mundial não ocorreram no primeiro século, poder-se-ia esperar um cumprimento futuro e maior da profecia de Jesus, e aqueles eventos do primeiro século forneceriam um padrão para o cumprimento maior. Isto incluiria um cumprimento maior quanto ao aviso de Jesus sobre a destruição de Jerusalém.
9 Isto se torna mais evidente quando examinamos como este aviso foi registrado nos outros dois livros bíblicos em que aparece. Em Mateus, as tropas sitiantes são descritas como ‘a coisa repugnante que causa desolação, conforme falado por intermédio de Daniel, o profeta, e estando em pé num lugar santo’. (Mateus 24:15) No relato de Marcos, “a coisa repugnante” está de pé “onde não devia”. (Marcos 13:14) O relato de Mateus diz que “a coisa repugnante” é mencionada também no livro de Daniel. De fato, a expressão “coisa repugnante” aparece três vezes naquele livro: uma vez (no plural) em Daniel 9:27, onde faz parte duma profecia cumprida quando Jerusalém foi destruída em 70 EC, e daí em Daniel 11:31 e 12:11. Segundo estes dois últimos textos, uma “coisa repugnante” seria instalada durante “o tempo designado”, ou, “o tempo do fim”. (Daniel 11:29; 12:9) Vivemos no “tempo do fim” desde 1914; assim, o aviso de Jesus também se aplica hoje. — Mateus 24:15.
A Escolha da Cristandade
10, 11. Como se têm assemelhado os eventos do nosso século aos do primeiro?
10 No nosso século, os eventos têm seguido um padrão similar ao do primeiro século. Hoje, como então, existe um império que domina o cenário mundial. É a potência mundial anglo-americana, que tenta arduamente impor à humanidade os seus próprios conceitos sobre paz e segurança. No primeiro século, o Israel carnal rejeitou a Jesus qual Rei ungido de Deus. Em 1914, a “presença” de Jesus qual Rei entronizado de Jeová começou. (Salmo 2:6; Revelação 11:15-18) Mas as nações, incluindo as da cristandade, recusaram-se a reconhecê-lo. (Salmo 2:2, 3, 10, 11) Na verdade, envolveram-se numa guerra cruel pela soberania internacional. Os líderes religiosos da cristandade — como os líderes judaicos — tomaram a iniciativa em rejeitar a Jesus. Têm atuado sistematicamente no campo político desde 1914 e se oposto à pregação das boas novas do Reino. — Marcos 13:9.
11 Não obstante, como nos dias de Jesus, muitos indivíduos hoje têm reconhecido alegremente o Rei de Jeová e divulgado as boas novas de Seu Reino em todo o mundo. (Mateus 24:14) Em resultado, mais de dois milhões e meio de Testemunhas de Jeová agora expressam lealdade ao Reino de Deus. (Revelação 7:9, 10) Neutras quanto aos partidos políticos do mundo, têm plena fé nos arranjos de Jeová para implantar paz e segurança. — João 17:15, 16; Efésios 1:10.
“A Coisa Repugnante” Atual
12. O que é a hodierna “coisa repugnante”?
12 O que, então, é a moderna “coisa repugnante que causa desolação”? No primeiro século foram as tropas romanas enviadas para reimpor a Pax Romana em Jerusalém. Nos tempos modernos, contudo, as nações que lutaram na Primeira Guerra Mundial ficaram desiludidas quanto à utilidade duma guerra definitiva para impor a paz e tentaram algo novo: uma organização internacional para preservar a paz mundial. Isto tornou-se realidade em 1919 na forma de Liga das Nações, e ainda existe na forma de Nações Unidas. Esta é a moderna “coisa repugnante que causa desolação”.
13, 14. (a) Que declarações lisonjeiras sobre “a coisa repugnante” tem feito a cristandade? (b) Por que era isto idolatria, e onde isto colocou “a coisa repugnante”?
13 Curiosamente, a palavra hebraica traduzida “coisa repugnante” em Daniel é shiq·qúts. Na Bíblia, esta palavra é usada principalmente em conexão com ídolos e idolatria. (1 Reis 11:5, 7) Com isto em mente, leia alguns comentários de líderes religiosos sobre a Liga:
“De que é esta visão de uma federação mundial de humanidade . . . se não do Reino de Deus?” “A Liga das Nações está enraizada no Evangelho.” (Conselho Federal das Igrejas de Cristo na América) “Pode-se afirmar que todos os objetivos e as atividades da [Liga das Nações] cumprem a vontade de Deus revelada no ensino de Jesus Cristo.” (Bispos da Igreja Anglicana) “A reunião, portanto, recomenda o apoio e as orações de todos os povos cristãos em favor da Liga das Nações, qual único instrumento disponível para conseguir [a paz na terra].” (Órgão Geral dos Batistas, Congregacionalistas e Presbiterianos na Grã-Bretanha). “[A Liga das Nações] é o único esforço organizado que tem sido feito para concretizar os repetidos desejos expressos pela Santa Sé.” — Cardeal Boume, arcebispo de Westminster.
14 Quando as nações não só rejeitaram o Reino de Deus, mas também estabeleceram a sua própria organização para implantar a paz, isto era rebelião. Quando líderes religiosos da cristandade identificaram aquela organização com o Reino de Deus e o Evangelho, proclamando que ela era “o único instrumento disponível” para implantar a paz, isto era idolatria. Eles a colocavam no lugar do Reino de Deus, “num lugar santo”. Certamente, ‘estava num lugar onde não devia’. (Mateus 24:15; Marcos 13:14) E os líderes religiosos continuam a apoiar a sucessora da Liga, as Nações Unidas, em vez de indicar aos homens o Reino estabelecido de Deus.
O Perigo para a Cristandade
15, 16. Como andam as relações entre a cristandade e as nações que apóiam “a coisa repugnante”?
15 Embora as religiões da cristandade prefiram a Liga das Nações e a sua sucessora, em vez de o Reino de Deus, as suas relações com as nações-membros destas organizações têm deteriorado. Isto é similar ao que aconteceu entre os judeus e Roma. Desde 1945, as Nações Unidas vêm incluindo cada vez mais países que são, quer não-cristãos, quer anticristãos, e isso é um mau agouro para a cristandade.
16 Ademais, em muitos países há fricção entre as religiões da cristandade e o Estado. Na Polônia, a Igreja Católica é encarada como opositora do regime. Na Irlanda do Norte e no Líbano, as religiões da cristandade têm exacerbado os problemas da paz e segurança. Além disso, as religiões da cristandade têm produzido alguns que, como os zelotes judaicos, incentivam a violência. Assim, o protestante Concílio Mundial de Igrejas tem feito donativos para organizações terroristas, ao passo que sacerdotes católicos lutam nas selvas como guerrilheiros e servem em governos revolucionários.
17. (a) O que é a hodierna Jerusalém? (b) O que por fim acontecerá a ela?
17 Só o tempo revelará até que ponto vão deteriorar as relações entre as religiões da cristandade e as nações, mas os eventos no primeiro século já prefiguraram o desfecho de tudo isso. Como Jesus predissera, no primeiro século os exércitos de Roma por fim destruíram Jerusalém, às custas de muita aflição. Fiel ao padrão profético, as nações junto com as Nações Unidas atacarão e destruirão “Jerusalém”, isto é, a estrutura religiosa da cristandade. — Lucas 21:20, 23.
Fuja Para os Montes
18. O que devem fazer as pessoas mansas ao discernirem que “a coisa repugnante” já está instalada?
18 No primeiro século, depois que “a coisa repugnante” surgiu, os cristãos tiveram a chance de fugir. Jesus os aconselhara a fazerem isso logo, pois não sabiam por quanto tempo teriam essa chance. (Marcos 13:15, 16] Também hoje, quando pessoas mansas discernem que “a coisa repugnante” existe, devem imediatamente fugir do domínio religioso da cristandade. A cada segundo que permanecem lá a sua vida espiritual corre perigo, e quem sabe por quanto tempo a chance para fugir lhes estará aberta?
19, 20. (a) O que fizeram os cristãos do primeiro século quando viram Jerusalém cercada por exércitos romanos? (b) O que representam hoje “os montes”, e o que deve induzir os mansos a fugirem para lá?
19 O evangelho de Lucas alertou os cristãos de seus dias a que fugissem quando vissem “Jerusalém cercada por exércitos acampados”. Como já mencionado, esses exércitos vieram em 66 EC, e a chance para fugir surgiu naquele mesmo ano quando Céstio Galo retirou as suas tropas. Depois que os cristãos fugiram, a guerra entre os judeus e os romanos continuou — embora não em Jerusalém. O imperador Nero enviou Vespasiano à Palestina, e realizaram-se ali campanhas bem-sucedidas, em 67 e 68. Daí Nero faleceu e Vespasiano ficou envolvido na sucessão imperial. Mas, depois de ter sido feito imperador, em 69 EC, ele enviou seu filho Tito para terminar a guerra na Judéia. Em 70 EC Jerusalém foi destruída.
20 Os cristãos, porém, não ficaram em Jerusalém, à espera dos acontecimentos. Tão logo viram os exércitos sitiantes sabiam que a cidade corria perigo mortal. Também hoje, o instrumento que destruirá a cristandade já apareceu. Portanto, assim que discernimos o perigo que corre a cristandade, devemos ‘fugir para os montes’, o lugar de refúgio de Jeová junto à sua organização teocrática. Outras profecias não dão base para crer que haverá uma trégua entre o ataque inicial contra a cristandade e a desolação final dela. Realmente, não haverá necessidade de tal pausa nas hostilidades. Os mansos agem com sabedoria e fogem agora da cristandade.
Jerusalém e Cristandade
21. Por que “a coisa repugnante” surgiu no fim do tempo do fim de Jerusalém, ao passo que neste século ela surgiu por volta do início do tempo do fim do atual sistema?
21 Deveria surpreender-nos que no primeiro século “a coisa repugnante” surgisse pouco antes da destruição de Jerusalém, ao passo que hoje ela surgiu logo no início do tempo do fim deste mundo? Não. Nos dois casos, “a coisa repugnante” surgiu no momento em que Jeová queria que o seu povo fugisse. No primeiro século, os cristãos tinham de permanecer algum tempo em Jerusalém para pregar ali. (Atos 1:8) Só em 66 EC, quando a destruição era iminente, surgiu uma “coisa repugnante”, alertando-os de que deviam fugir. Mas, estar ‘na’ Jerusalém hodierna significa ser parte do domínio religioso da cristandade.a É impossível servir aceitavelmente a Jeová em tal meio corrupto e apóstata. Assim, logo no início do tempo do fim deste mundo “a coisa repugnante” surgiu, o que alertou os cristãos a fugirem. A fuga da cristandade é contínua, toda pessoa sendo alertada a fugir assim que discerne que “a coisa repugnante” já está instalada.
22. Que perguntas restam ser respondidas?
22 Mas, perguntamos: o que leva a este ato tão inesperado, a destruição da cristandade por elementos militarizados de dentro das Nações Unidas? Quando isto acontecerá? E como é possível isto contribuir para a paz e a segurança na terra? Consideraremos essas perguntas no próximo artigo.
[Nota(s) de rodapé]
a Uma comparação um tanto similar pode ser feita entre a cidade de Babilônia, da qual os judeus fugiram em 537 AEC, e a moderna Babilônia, a Grande, da qual os cristãos hoje fogem. — Isaías 52:11; Jeremias 51:45; Revelação 18:4.
Lembra-se?
◻ Por que deve a profecia de Jesus sobre “a coisa repugnante” ter um cumprimento moderno?
◻ O que é “a coisa repugnante” hoje, e desde quando está instalada?
◻ O que é a hodierna Jerusalém da profecia de Jesus?
◻ Como nos ajuda Lucas 21:20, 21 a ver a urgência de fugir?
◻ O que são “os montes” aos quais os mansos fogem?
[Destaque na página 11]
Era idolatria quando os líderes religiosos da cristandade identificaram as Nações Unidas com o Reino de Deus e o evangelho.
[Foto na página 9]
“Quando virdes Jerusalém cercada por exércitos acampados . . . então, comecem a fugir para os montes os que tiverem na Judéia.” — LUCAS 21:20, 21.
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Paz, segurança e a ‘imagem da fera’A Sentinela — 1985 | 1.° de outubro
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Paz, segurança e a ‘imagem da fera’
“E ele me levou no poder do espírito para um ermo. E avistei uma mulher sentada numa fera cor de escarlate, que estava cheia de nomes blasfemos e que tinha sete cabeças e dez chifres.” — REVELAÇÃO 17:3.
1. Por que é de interesse para nós a visão que João teve duma fera de sete cabeças e dez chifres?
O APÓSTOLO João viu esta fera assustadora numa visão divinamente inspirada. Mas, João não é o único que a viu. Com toda a probabilidade você também a tem visto, ou pelo menos lido sobre ela nos jornais. Reconhece-a?
2, 3. Que série de criaturas viu João na sua visão?
2 Naturalmente, ao vermos essa fera hoje ela não tem a aparência descrita por João. O que João viu foi simbólico de algo que haveria na terra “no dia do Senhor”. (Revelação 1:10) Hoje vemos o seu cumprimento. O aspecto repelente da fera que João viu reflete o conceito de Jeová sobre o que ela representa — é repulsiva para Ele! João já havia testemunhado na sua visão o lançamento de Satanás, o Diabo, à terra “tendo grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo”. (Revelação 12:12) Havia visto também os sistemas políticos do mundo de Satanás, na forma duma fera monstruosa com sete cabeças e dez chifres que saía do “mar” da humanidade. (Revelação 13:2; 17:15; Isaías 57:20; Lucas 4:5, 6) Esta fera tinha autoridade sobre toda a humanidade, e as pessoas eram forçadas a submeter-se à ‘marca da fera’, na sua mão direita ou na testa, o que significa seu apoio a ela. — Revelação 13:7, 16, 17.
3 João observara os homens fazerem uma imagem dessa fera. (Revelação 13:14, 15) É esta imagem que ele viu na visão acima mencionada, descrita em Revelação, capítulo 17. Esta “imagem” de sete cabeças e dez chifres desempenhará um papel importante nos acontecimentos futuros; assim, é-nos vital identificá-la. Como é isso possível?
A “Imagem” da Fera Hoje
4, 5. O que representavam as cabeças da fera visionária?
4 Um anjo deu a João algumas informações que nos ajudam. Ele disse: “As sete cabeças significam sete montes, onde a mulher está sentada no cume. E há sete reis: cinco já caíram, um é, o outro ainda não chegou, mas, quando chegar, tem de permanecer por pouco tempo.” (Revelação 17:9, 10) A menção de “reis” e “montes” — que na Bíblia em muitos casos podem representar potências políticas — indica que as cabeças da fera representam governos. (Jeremias 51:25) Quais os sete governos envolvidos?
5 Bem, cinco já haviam caído nos dias de João, um ainda existia, e um ainda viria. Na história bíblica, cinco grandes impérios floresceram e oprimiram o povo de Deus e caíram, antes dos dias de João: Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia. Nos dias em que João viveu dominava o império romano. Séculos após a morte dele, o império romano saiu de cena qual potência mundial dominante e por fim foi substituído pelo império britânico. Logo as colônias ocidentais deste império ganharam a independência e passaram a agir intimamente com a Grã-Bretanha para formar a potência mundial anglo-americana. Este é o “rei” que ‘ainda não havia chegado’ nos dias de João. Qual era a relação entre a fera que João viu e os sete impérios representados por suas cabeças? “Ela mesma [é] também um oitavo rei, mas procede dos sete, e vai para a destruição.” — Revelação 17:11.
6. (a) O que significavam os chifres da fera? (b) Em que sentido eles ‘ainda não haviam recebido um reino’?
6 Lembre-se, também, que a fera tinha dez chifres. Sobre isto, o anjo disse: “Os dez chifres que viste significam dez reis, os quais ainda não receberam um reino, mas eles recebem autoridade como reis por uma hora, junto com a fera.” (Revelação 17:12) Na Bíblia, o número dez representa inteireza quanto a coisas na terra. Assim, estes dez chifres simbolizam todos os poderes governamentais em toda a terra que apóiam a fera por um curto período (“uma hora”) durante o “dia do Senhor”. Estes incluem a sétima potência mundial, bem como os governos da atualidade que procederam das outras seis ‘cabeças da fera’, embora estes seis não mais sejam potências mundiais. Estes “reis” não existiam nos dias de João.a Agora que ganharam autoridade eles “dão o seu poder e autoridade à fera”. — Revelação 17:13.
7, 8. (a) O que é a fera que João viu, conforme descrito em Revelação, capítulo 17? (b) Que relação tem ela com as cabeças e os chifres?
7 Já sabe agora o que é a fera? Sim, é a mesma que “a coisa repugnante que causa desolação”, que começou como Liga das Nações e agora existe como Nações Unidas. (Mateus 24:15; Daniel 12:11] Como é que esta organização ‘procede das sete potências mundiais’? No sentido de que a inteira organização assemelhada a uma fera, como se fosse uma oitava potência, é trazida à existência por governos já existentes, sendo a potência mundial anglo-americana a sua principal patrocinadora e apoiadora.
8 Em adição, como o anjo disse a João, todos os “dez chifres” dão “poder e autoridade à fera”. (Revelação 17:13) De fato, sem o apoio dos governos, representados pelas cabeças e chifres, a fera seria impotente. Por quê? Porque ela é uma simples imagem. (Revelação 13:14) Como toda imagem, ela é em si mesma impotente. (Isaías 44:14-17) Qualquer vida que tenha vem de seus apoiadores. (Revelação 13:15) Alguns destes às vezes têm tomado medidas decisivas através das Nações Unidas, como, por exemplo, durante a Guerra da Coréia.
9. Como é confirmada a nossa identificação da fera?
9 A nossa identificação desta fera é confirmada por alguns detalhes adicionais fornecidos pelo anjo: “A fera que viste era, mas não é, contudo, está para ascender do abismo, e há de ir para a destruição.” (Revelação 17:8) Isto já se cumpriu em parte. A Segunda Guerra Mundial efetivamente matou a Liga das Nações. Em 1942, quando as Testemunhas de Jeová passaram a entender claramente esta profecia, podia-se dizer a respeito da Liga-fera: “Ela ‘não é’.”b Mas em 1945 ela ‘ascendeu do abismo’ como organização das Nações Unidas. Terá êxito na sua missão de implantar paz e segurança? A profecia diz que não. Em vez disso, “há de ir para a destruição”.
Quem Montava na Fera
10, 11. (a) Quem montava a fera na visão de João? (b) Como se tem cumprido nos tempos modernos esta particularidade da visão?
10 Notou algo mais a respeito da fera? Havia uma “mulher” montada nela. Esta é identificada como o império mundial da religião falsa, “Babilônia, a Grande, a mãe das meretrizes e das coisas repugnantes da terra”. (Revelação 1:3-5, 15) Têm as religiões do mundo ‘montado’ em ambas as organizações, tentando guiar o rumo delas? Sim, especialmente as religiões da cristandade.
11 Por exemplo, o correspondente holandês Pierre van Paassen descreveu “algo semelhante a entusiasmo religioso” dos representantes das igrejas protestantes da América, Grã-Bretanha e países escandinavos que assistiram a sessões da Liga das Nações. Em 1945, o Conselho Federal das Igrejas de Cristo na América declarou: “Estamos determinados a trabalhar pela contínua expansão das funções curativas e criativas da Organização das Nações Unidas.” Em 1965, o papa Paulo VI declarou que ele viu na organização “o reflexo do amoroso e transcendente projeto de Deus para o progresso da família humana na terra — um reflexo em que Nós vemos a mensagem do Evangelho, que é celestial, tornar-se terrestre”. Sem dúvida, os líderes religiosos tornaram aquela organização “cheia de nomes blasfemos”. — Revelação 17:3; compare com Mateus 24:15; Marcos 13:14.
Nenhuma Força Pela Paz
12. Qual tem sido o relacionamento entre os apoiadores da organização das Nações Unidas e o Reino de Deus?
12 As Nações Unidas não gozam de boas relações com o Reino de Deus. De fato, seus apoiadores se opõem a esse Reino. O anjo disse a João: “[Os dez chifres] batalharão contra o Cordeiro, mas, porque ele é Senhor dos senhores e Rei dos reis, o Cordeiro os vencerá. Também o farão com ele os chamados, e escolhidos, e fiéis.” (Revelação 17:14) Fiel à profecia, as nações têm persistentemente ‘batalhado contra o Cordeiro’ neste tempo do fim, opondo-se e perseguindo os que atuam quais embaixadores de Seu Reino. O Cordeiro, porém, é invencível, e também o são os seus servos na terra que continuam a pregar as boas novas do Reino de Deus apesar de proscrições, prisões e até mesmo morte. — Mateus 10:16-18; João 16:33; 1 João 5:4.
13. Por que as Nações Unidas jamais poderiam ser uma força em prol da verdadeira paz?
13 Na verdade, as Nações Unidas nunca poderiam ser uma força em prol da paz verdadeira. Quem a monta, “Babilônia, a Grande”, é uma das mais iníquas fomentadoras de guerra na história, e está “embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus”. (Revelação 17:6) As guerras das nações que apóiam essa organização têm encharcado a terra de sangue. (Mateus 24:6, 7) E o poder por trás delas, Satanás, o Diabo, “o grande dragão”, não é um pacificador. (Revelação 12:9, 17; 13:2) Enquanto existirem essas entidades a humanidade jamais terá segurança. Terão de ser eliminadas.
Os Passos Necessários Para a Paz
14. (a) Na visão de João, o que aconteceu àquela que montava a fera? (b) Como isto se cumprirá?
14 A primeira a desaparecer será a religião falsa, duma maneira bem inesperada. Veja como será: “E os dez chifres que viste, e a fera, estes odiarão a meretriz e a farão devastada e nua, e comerão as suas carnes e a queimarão completamente no fogo.” Que choque para a humanidade! (Revelação 17:16; 18:9-19) Serão os destrutivos e nacionalistas “chifres”, proeminentes nas Nações Unidas, que a devastarão. Quão notavelmente isto nos lembra a profecia de Jesus de que “a coisa repugnante” desolaria “Jerusalém”! (Marcos 13:14-20; Lucas 21:20) Contudo, embora sejam as nações que realizarão tal execução, elas estarão realmente cumprindo o julgamento de Deus contra “a grande meretriz”, incluindo a cristandade. O resultado? A religião falsa “nunca mais será achada”. — Revelação 17:1; 18:21.
15, 16. (a) O que é a “grande tribulação”? (b) O que resultará dela? (c) Como será Satanás impedido de arruinar as perspectivas de paz da humanidade?
15 Jesus disse que a destruição da cristandade seria o começo de uma “grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco, ocorrerá de novo”. (Mateus 24:15, 21) À medida que continuar a tribulação, o Reino de Deus executará julgamento contra todos os componentes políticos e comerciais da organização de Satanás. (Daniel 2:44) João viu então o Rei em ação: “Eu vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. E o sentado nele chamava-se Fiel e Verdadeiro, e ele julga e guerreia com justiça.” Alinhadas contra ele estarão as nações políticas da terra junto com a ‘imagem da fera’. O resultado da guerra? De novo, destruição para os destruidores da paz! — Revelação 19:11, 19-21.
16 Isto deixará só um grande obstáculo à paz: o próprio Satanás, o Diabo. João passa a descrever o incapacitamento deste grande inimigo da humanidade: “Eu vi descer do céu um anjo com a chave do abismo e uma grande cadeia na mão. E ele se apoderou do dragão, a serpente original, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos.” — Revelação 20:1-3.
Época de Fazer Uma Escolha
17. Que passos devem ser dados agora por indivíduos que desejam ver verdadeira paz?
17 Que época de mudanças para a humanidade! Mas, ao passo que organizações e governos serão eliminados, o que acontecerá a indivíduos é em grande parte uma questão de escolha própria. Numa expressão de amor, Jeová decretou: “Em todas as nações têm de ser pregadas primeiro as boas novas”, antes da grande tribulação. (Marcos 13:10) Os amantes da paz são convidados a ‘sair’ de Babilônia, a Grande. (Revelação 18:4) Aos que estão na cristandade insta-se que ‘fujam para os montes’. (Lucas 21:21) Os que se submetem ao Reino de Deus têm de evitar ter ‘a marca da fera’. (Revelação 14:9-12; João 17:15, 16) Uma grande multidão dessas pessoas íntegras ‘sairá da grande tribulação’. (Revelação 7:9-14) De fato, ninguém terá de forçosamente perecer junto com o sistema de Satanás. — Provérbios 2:21, 22.
18, 19. (a) Que se pode dizer quanto a quando irromperá a grande tribulação? (b) Como estão os cristãos se preparando agora para aquele tempo?
18 Quando ocorrerão esses eventos abaladores? Bem, as “boas novas” estão sendo ouvidas ao redor do mundo hoje. “A coisa repugnante” está instalada. (Mateus 24:14-16) Na verdade, a ‘imagem da fera’, agora já na segunda fase de sua existência, está prestes a “ir para a destruição”. (Revelação 17:8) O cumprimento do “sinal” mostra que já vivemos 71 anos no período da presença de Jesus, desde 1914. (Mateus 24:3) Jesus disse: “Quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo às portas. Deveras, eu vos digo que esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas ocorram.” (Mateus 24:33, 34) Por conseguinte, a “grande tribulação” deve estar muito próxima. Podemos ser mais precisos? Não neste momento.
19 O apóstolo Paulo predisse: “Quando estiverem dizendo: ‘Paz e segurança!’ então lhes há de sobrevir instantaneamente a repentina destruição.” (1 Tessalonicenses 5:3) Portanto, a grande tribulação será uma chocante surpresa para a humanidade em geral. Não será, porém, um choque para os cristãos. Eles sabem que ela virá e seguem o conselho de Jesus: “Mantende-vos despertos, fazendo todo o tempo súplica para que sejais bem sucedidos em escapar de todas estas coisas que estão destinadas a ocorrer.” — Lucas 21:36.
20. Por que não podem os cristãos dizer neste momento quando virá a grande tribulação?
20 Não obstante, os cristãos não podem dizer com antecedência exatamente quando a grande tribulação vai irromper. Jeová não revelou ‘aquele dia e aquela hora’. (Marcos 13:32; Mateus 24:42) Assim, por exemplo, quando as Nações Unidas declaram o ano de 1986 como “Ano internacional da Paz”, os cristãos observam o evento com interesse. Mas não podem dizer com antecedência se isto será o cumprimento das palavras de Paulo citadas acima. São gratos, porém, que Jeová possibilitou que discernissem o significado da ‘imagem da fera’ e “a coisa repugnante que causa desolação”. Assim, encaram essa organização como Jeová a encara, e não são desencaminhados pelos esforços dela em implantar a paz.
21. (a) Que paz usufruem os cristãos mesmo agora? (b) O que podem aguardar confiantemente?
21 Os que realmente se ‘mantêm despertos’ e se submetem ao Reino de Deus têm paz agora mesmo. Jeová, “o Deus de paz”, está com eles e lhes dá “a paz de Deus, que excede todo o pensamento”. (Filipenses 4:7, 9) Além do mais, aguardam o tempo não muito distante em que toda a terra sentirá o cumprimento da bela profecia de Isaías: “O trabalho da verdadeira justiça terá de tornar-se a paz; e o serviço da verdadeira justiça: sossego e segurança por tempo indefinido. E meu povo terá de morar num lugar de permanência pacífico, e em domicílios de plena confiança, e em lugares de descanso sem perturbação.” (Isaías 32:16-18) Isto significará segurança em escala mundial. (Isaías 11:9) E será paz verdadeira, porque seu autor será o próprio Jeová.
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