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Conheça os negritosDespertai! — 1981 | 8 de fevereiro
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Conheça os negritos
Do correspondente de “Despertai!” nas Filipinas
FOI exatamente isso o que um grupo de nós fez recentemente. Conhecemos os negritos, os quais moram nas montanhas atrás da enorme base militar em Angeles, ao norte de Manila.
Quem são eles? Um povo amigável, encontrado nas Filipinas, principalmente nos arredores da ilha de Luzón. Uma raça de pigmeus, sua altura média é abaixo de 1,50 metro, e a cor de sua pele é negra. Suas características são negróides; por isso o nome “negrito” (“pequeno negro”).
Ninguém sabe de onde vieram os negritos, ou quando chegaram nas Filipinas. Há atualmente cerca de 25.000 deles. Alguns levam uma vida bem simples nas florestas e nas montanhas, enquanto que outros estão sendo assimilados gradualmente aos padrões de vida dos seus vizinhos da planície.
Seu Modo de Vida
O grupo que visitamos estabeleceu-se num modo de vida mais ou menos permanente. Vivem em pequenas choças feitas de bambu, gramíneas e qualquer coisa que conseguissem recuperar dos vizinhos. Foi interessante ver choças com uma área de não mais de 90 cm por 1,20 metro! Suas roupas são do estilo ocidental.
Em outras partes do país, os negritos levam uma vida mais simples. Descritos como “extremamente móveis”, vivem em grupos familiares somando talvez de 10 a 50 pessoas, e se deslocam constantemente ao redor das montanhas e florestas em busca de caça, frutas silvestres, verduras e legumes. À noite, constroem um alpendre em que dormir, mas nunca permanecem em um lugar por mais de poucos dias ou semanas. Sua roupa é simples: para os homens uma tanga para os lombos e para as mulheres uma saia curta, enrolada, ambas feitas da fibra da casca de árvores.
Vivendo na floresta, os sentidos naturais dos negritos são bem desenvolvidos. John Garvan, um estudioso, irlandês de nascimento, que conviveu com eles por vários anos, relatou que podiam perceber o cheiro duma fruta a uma boa distância. Afirmavam ser capazes até mesmo de dizer quando uma pessoa estava ficando doente através dá mudança do cheiro do corpo, e diziam poder cheirar o tipo de carne que uma pessoa comera! Sua audição também é aguçada. Além disso, os negritos possuem senso de direção bastante desenvolvido, e parecem saber por instinto quando há caça nos arredores.
A grande perícia com o arco e a flecha é característica dos negritos. Uma autoridade dum museu observou que eles devem ter o mais altamente desenvolvido sistema de flechas do mundo. A tribo aeta dos zambales tem algo parecido a 50 tipos diferentes de flechas — um para o porco selvagem e o veado, outro para morcegos, outro para peixes, etc.
Os negritos, que ainda vivem nas florestas, têm idéias incomuns quanto à aparência e ao adorno pessoais. Alguns fazem cicatrizes por todo o corpo “a título de beleza”. Outros usam manilhas nos braços e nos tornozelos, enquanto que ainda outros tingem os dentes de preto e os lascam até certo ponto, “para realçar sua aparência”.
Quando entramos num povoado negrito, próximo à aldeia filipina de Sapangbato, tivemos uma recepção bem amistosa. Rostinhos negros das choças sorriam para nós à medida que nos dirigíamos ao capitão da aldeia. Ele e o pastor metodista — sendo ele próprio negrito — ficaram bastante contentes de gastar tempo palestrando sobre a mensagem importante que trouxéramos da Bíblia.
Povo Amistoso
Nós, assim como outros, ficamos impressionados com a amabilidade dessas pessoas pequenas. Realmente, as crônicas antigas falam delas como uma raça guerreira. Há histórias de tribos diferentes lutarem entre si por território, e os vitoriosos beberem nos crânios dos inimigos derrotados! Outros relatos contam dos tempos primitivos quando os negritos de Laguna colocaram em vigor uma espécie de “trama de proteção”. Supostamente, esses negritos apareciam numa certa ocasião e exigiam tributo dos tagalos da planície. Se este não aparecia, levavam algumas cabeças.
No entanto, pesquisadores modernos insistem que o temperamento dos negritos é completamente manso. Diz-se que estas pessoas nunca mentem umas às outras. Além disso, existe verdadeira afeição entre os cônjuges. Amam seus filhos e mostram respeito para com os idosos. E, a coisa que mais se assemelha a um governo na floresta é o conselho e a orientação do mais velho num grupo.
Algumas pessoas têm afirmado que os negritos são aprendizes vagarosos. Mas, o fato é que têm a memória mais aguçada e a mais vívida preocupação com assuntos que têm que ver com a floresta ou a caça. Por outro lado, os negritos têm muito pouco interesse por bens materiais. Contanto que tenham o alimento para o dia, não se preocupam quanto ao amanhã. Felizmente, a floresta tem sido uma generosa provisora durante muitas gerações.
Religião Entre os Negritos
Estávamos interessados nos antecedentes religiosos dos nossos recém-conhecidos. Disseram-nos que eram metodistas. Entretanto, anteriormente haviam sido católicos. Alguns se lembravam duma ocasião quando não pertenciam a nenhuma seita da cristandade. A adoração dos negritos daquele tempo estava um pouco vaga na memória deles, mas lembravam-se de que faziam uma dança ritual se alguém adoecesse. Se a colheita fosse excepcionalmente boa, abatiam um porco, cortavam sua cabeça, e dançavam ao redor dela gritando: “Grunhe porco! Grunhe porco!” Depois, afirmaram, a cabeça do porco morto grunhia! Bem, adoravam a cabeça do porco morto? Não. Não pensavam assim, porque eles a comiam depois!
Os negritos que ainda vivem na floresta têm vagas crenças religiosas que variam de povoado em povoado. Alguns destes negritos parecem crer num Deus supremo, e possuem mitos para explicar coisas naturais que não compreendem. Por exemplo, alguns deles disseram a John Garvan que o sol é um homem, a lua é sua esposa e as estrelas são seus filhos. Entretanto, a lua teme que o calor do sol cause dano aos seus filhinhos; assim, ela e as estrelas fogem constantemente das tentativas de aproximação do seu radiante marido. Garvan tentou explicar que o sol e a lua não são gente. “Então, o que são eles?”, perguntaram-lhe. “Corpos celestes”, respondeu ele. Diante de tal idéia aparentemente absurda, o grupo inteiro irrompeu em gargalhadas.
Alegramo-nos muito de conversar com estas pessoas sobre o que a Bíblia fala a respeito do “Espírito Supremo” e do que ele prometeu à humanidade. Uma coisa que os impressionou foi que Deus tem um nome, Jeová. (Sal. 83:18) Aqueles que haviam recentemente perdido na morte pessoas amadas foram consolados por saber que Jeová Deus trará os mortos de volta à vida. (João 5:28, 29) Alegramo-nos de contar-lhes sobre a nova ordem prometida de Deus, na qual a doença e a morte não mais existirão, e haverá sempre suficientes alimentos para cada dia. — Isa. 25:6, 8; 2 Ped. 3:13; Rev. 21:4.
Assim como tantas outras minorias tribais, os negritos e seu modo de vida estão desaparecendo sob a pressão da civilização moderna. O território daqueles que ainda vagueiam pelas florestas está diminuindo. Mas, apreciamos muito falar com esta tribo calma e amistosa de gente pequena. Tendo conhecido os negritos, esperamos visitá-los novamente.
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Ajuda ao Entendimento da BíbliaDespertai! — 1981 | 8 de fevereiro
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Ajuda ao Entendimento da Bíblia
[Matéria escolhida da enciclopédia Aid to Bible Understanding, Edição de 1971.]
NAUM, LIVRO DE. Este livro bíblico, escrito por Naum, o elcosita, constitui uma profética “pronúncia contra Nínive”, a capital do Império Assírio. (Naum 1:1) O cumprimento histórico desse pronunciamento profético testifica a autenticidade do livro. Algum tempo depois que a cidade egípcia de Nô-Amom (Tebas) sofreu humilhante derrota no sétimo século A.E.C. (Naum 3:8-10), o livro de Naum foi escrito, sendo concluído antes da predita destruição de Nínive em 632 A.E.C. — Veja ASSÍRIA, Despertai! de 8 e 22 de agosto de 1979; NÍNIVE.
HARMONIA COM OUTROS LIVROS DA BÍBLIA
O livro de Naum concorda plenamente com o restante das Escrituras em descrever Jeová como “Deus que exige devoção exclusiva”, “vagaroso em irar-se e grande em poder”, mas que de forma alguma reterá a punição. (Naum 1:2, 3; confronte com (Êxodo 20:5; 34:6, 7; Jó 9:4; Salmo 62:11.) “Jeová é bom, baluarte no dia da aflição. E ele tem conhecimento dos que procuram refugiar-se nele.” (Naum 1:7; coteje com Salmo 25:8; 46:1; Isaías 25:4; Mateus 19:17.) Estas qualidades acham-se claramente manifestas em Sua libertação dos israelitas da opressão assíria, e ao executar vingança contra a sanguinolenta Nínive, depois de considerável período de paciência.
Dignas de nota, também, são as similaridades entre Naum, capítulo 1 e o Salmo 97. As palavras de Isaías (Isa. 10:24-27; 30:27-33), a respeito do julgamento de Jeová sobre a Assíria, são análogas, até certo ponto, aos capítulos 2 e 3 de Naum. — Compare também com Isaías 52:7; Naum 1:15; Romanos 10:15.
FUNDO HISTÓRICO
Embora lhe fosse assegurado que a conspiração do Rei Rezim, sírio, e do Rei Peca, israelita, fracassaria, na tentativa de depô-lo como Rei (Isa. 7:3-7), o infiel Acaz, de Judá, tolamente recorreu ao Rei Tiglate-Pileser (Tilgate-Pilneser), assírio, pedindo-lhe ajuda. Por fim, tal medida “causou-lhe aflição, e não o fortaleceu”, pois Judá veio a ficar sob o pesado jugo da Assíria. (2 Crô. 28:20, 21) Mais tarde, o filho e sucessor de Acaz no trono, Ezequias, rebelou-se contra o domínio da Assíria. (2 Reis 18:7) Depois disso, o monarca assírio, Senaqueribe invadiu Judá e apoderou-se de uma cidade fortificada após outra, isto resultando em extensa desolação da terra. (Compare com Isaías 7:20, 23-25; 8:6-8; 36:1, 2.) O próximo Rei judeu, Manassés, foi capturado pelos chefes do exército assírio e foi levado para Babilônia (então sob controle assírio). — 2 Crô. 33:11.
Visto que Judá tinha assim sofrido por muito tempo sob a mão pesada da Assíria, a profecia de Naum a respeito da iminente destruição de Nínive era boas novas. Como se a Assíria já tivesse sofrido sua queda, escreveu Naum: “Eis sobre os montes os pés daquele que traz boas novas, aquele que publica a paz. Ó Judá, celebra as tuas festividades. Paga os teus votos; porque
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