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  • Como a cristandade copia Platão

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  • Como a cristandade copia Platão
  • Despertai! — 1977
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g77 8/2 pp. 23-27

Como a cristandade copia Platão

“PORTANTO, vão a todos os povos e façam que todos sejam meus discípulos: batizem esses discípulos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e os ensinem a obedecer tudo o que tenho mandado.” (Mat. 28:19, 20, A Bíblia na Linguagem de Hoje) Os cristãos desejam entender tal comissão de Jesus Cristo e querem cumpri-la.

Para fazer isso, é preciso conhecer a relação de Deus, o Pai, para com seu filho, Jesus Cristo. Mas, na mente de alguns, isto tem-se provado intrigante. Como assim?

Quando as pessoas lêem as Escrituras Gregas Cristãs, encontram textos que apresentam Jesus num papel exaltadíssimo. O apóstolo João, para exemplificar, referindo-se a Jesus como “a Palavra”, ou porta-voz de Deus, escreveu: ‘Antes de ser criado o mundo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus. Assim, desde o princípio, a Palavra estava com Deus. Deus fez todas as coisas por meio dele, e em toda a criação nada foi feito sem ele.” (João 1:1-3) O próprio Jesus disse: “O Pai e eu somos um.” (João 10:30) O apóstolo Paulo escreveu a respeito de Jesus: “Porque toda a natureza de Deus vive na própria pessoa de Cristo.” — Col. 2:9.

Inversamente, há lugares em que a Bíblia apresenta Jesus como sujeito a Deus, o Pai. Lemos, por exemplo. “Então Jesus disse: — Eu afirmo a vocês: De fato, o Filho não pode fazer nada por sua própria conta, pois só faz o que vê o Pai fazer.” (João 5:19) “Pai! Se queres, afasta de mim este cálice de sofrimento. Porém não seja feito o que eu quero, mas o que tu queres.” (Luc. 22:42) “O Pai é maior do que eu.” (João 14:28) “Jesus respondeu: — Por que você me chama bom? Só Deus é bom, e mais ninguém.” — Mar. 10:18.

Jesus É Declarado “Eterno”, “Onipotente”

Não muito tempo depois de os doze apóstolos de Jesus Cristo morrerem, acalorados debates começaram em torno da natureza e do relacionamento do Pai, do Filho e do espírito santo. Esforços de resolver tais questões levaram a uma série de “símbolos” (credos), ou declarações de crença, que finalmente resultaram na doutrina da Trindade, da cristandade. Crê na Trindade? Talvez sempre imaginou que se baseava na Bíblia. Mas, sabe exatamente o que ensina tal doutrina? O “Símbolo de Atanásio” expressa-a do seguinte modo:

“Que adoremos um só Deus em Trindade, e a Trindade na Unidade, nem confundindo as Pessoas, nem separando a Substância. Na verdade, uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma só é a Divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo; igual a glória, coeterna a majestade. . . . Eterno é o Pai, eterno o Filho, eterno o Espírito Santo. . . . Igualmente onipotente é o Pai, onipotente o Filho, onipotente o Espírito Santo. E, no entanto, não há três onipotentes, mas um só é o Onipotente. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. E, no entanto, não são três deuses, mas Deus é um só. . . . E nesta Trindade nada é primeiro ou posterior; nada maior ou menor; mas todas as três Pessoas são a si coeternas e coiguais.” (Exposição da Doutrina Católica, Edições Paulinas)

Mas, que dizer das escrituras que representam a Jesus como subordinado a Deus? O “símbolo” supracitado cuidou delas por declarar que Jesus era tanto “Deus perfeito” como “homem perfeito” ao mesmo tempo. Lemos: “É, portanto, reta fé: que creiamos e confessemos que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. . . . Deus perfeito, homem perfeito . . . Igual ao Pai segundo a Divindade, menor do que o Pai segundo a humanidade. O qual, embora seja Deus e homem, contudo não dois, mas um só é o Cristo.”

É isso o que crê acerca de Deus e de Jesus Cristo? Talvez pergunte: Como poderia Jesus Cristo ser o “filho” de Deus se já existia por tanto tempo quanto o Pai? Como poderia Jesus ser tanto humano como divino, tanto “coigual” a Deus como “inferior” a Ele, ao mesmo tempo? Se “onipotente é o Pai, onipotente o Filho, onipotente o Espírito Santo”, pode realmente haver ‘um só Onipotente’?

Sabia que as Escrituras inspiradas jamais mencionam a palavra “trindade”? Nem declaram, em parte alguma, que Jesus é coigual e coeterno com Deus. Onde, então, originou-se tal idéia?

O Papel da Filosofia Grega

A Encyclopœdia Britannica (Edição de 1976) declara: “Desde os meados do 2.º século [isto é, dos anos 100] A. D., os cristãos que tinham certa educação na filosofia grega começaram a sentir a necessidade de expressar sua fé nos termos dela, tanto para sua própria satisfação intelectual como a fim de converter os pagãos instruídos. A filosofia que mais lhes agradava era o platonismo.”

“Platonismo” refere-se aos ensinos do filósofo grego, Platão, que nasceu por volta de 428 A. E. C. Indicando a relação direta entre a doutrina da Trindade e a filosofia de Platão, The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge (Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso de Schaff-Herzog) indica:

“Muitos dos cristãos primitivos, por sua vez, sentiam peculiar atração pelas doutrinas de Platão, e as empregavam quais armas para a defesa e extensão do Cristianismo, ou colocavam as verdades do Cristianismo numa moldura platônica. As doutrinas do Logos [“a Palavra” em grego] e da Trindade obtiveram seu formato dos Padres gregos que, se não educados nas escolas, foram muito influenciados, direta ou indiretamente pela filosofia platônica, em especial em sua forma judaico-alexandrina.”

Em que sentido tais “cristãos primitivos” empregavam a filosofia de Platão ao moldarem a doutrina da Trindade? Consideramos brevemente o que este filósofo grego ensinava.

Do “Demiurgo” ao “Logos” Pagão

Segundo Platão, todas as coisas que as pessoas conseguem ver e sentir são resultado de “idéias” ou “formas” eternas impressas sobre a matéria. Assim como linda escultura representa a idéia do escultor impressa em pedra, assim Platão cria que o inteiro universo físico deve sua existência à influência, sobre a matéria, dum “mundo das idéias”. A “idéia” suprema, disse-se, era “o Bem”, que Platão às vezes identificava com Deus.

De interesse especial é a crença de Platão no tocante à criação do mundo. S. E. Frost Jr., doutor em filosofia, escreve em The Basic Teachings of the Great Philosophers (Os Ensinos Básicos dos Grandes Filósofos):

“Em um dos famosos Diálogos de Platão, o Timeu, ele nos conta como o mundo de nossos sentidos foi criado. Havia um ‘arquiteto’, o ‘Demiurgo’, que remiu o mundo das idéias e a matéria, assim como um escultor poderia ajuntar suas idéias e mármore, para produzir uma estátua. Este ‘Demiurgo’ tinha idéias perfeitas sobre tudo, e ele possuía grande massa de matéria. Platão nunca nos conta de onde vieram, originalmente, o ‘Demiurgo’, as idéias, ou a matéria. Simplesmente estavam ali quando as coisas começaram. À medida que o ‘Demiurgo’ fazia uma idéia entrar em contato com alguma matéria, uma coisa era criada.”

Esta teoria entrou em contato com a Bíblia por meio dum filósofo judeu, conhecido como Filão, que nasceu entre 15 e 10 A. E. C. Mas, o que Platão chamava de “Demiurgo”, Filão se referia como “o Logos”. Explica o Dr. Frost:

“Filão ensinava que havia muitos poderes, ou espíritos, que se irradiavam de Deus como a luz pode irradiar-se duma lamparina. Um destes poderes, que ele chamou de ‘Logos’, era o criador do mundo. Este Logos, ensinava ele, trabalhava com a matéria e dela criava tudo que há no universo. Deste modo, Deus, por meio do Logos, criou o universo. Ademais, tudo que há no universo é uma cópia duma idéia da mente de Deus. Isto nos faz lembrar a crença de Platão, de que o mundo que provamos, por meio de nossos sentidos, é uma cópia das idéias do mundo das idéias. E, deveras, Filão tentava aqui reconciliar a filosofia de Platão com a religião judaica.”

“A Palavra”, ou Logos, segundo João, contudo, é diferente da de Filão. João descreve “a Palavra” como uma pessoa que “se fez carne”. (João 1:14, Taizé, Ed. Loyola) Isto não se dá com o “Demiurgo” de Platão nem com o “Logos” de Filão.

Todavia, no início da Era Comum, certas pessoas transferiram para “a Palavra” do Evangelho de João caraterísticas do “Demiurgo” e do “Logos” mencionadas nos escritos não bíblicos de Platão e Filão. Visto que esse “Demiurgo” ou “Logos” pagão evidentemente sempre existira, junto com o Deus supremo, tornou-se “ortodoxo” ensinar que Jesus era coeterno com Deus. Apóia a Bíblia a tal conclusão?

Jesus e Deus — “coeternos”?

Os clérigos da cristandade com freqüência citam textos bíblicos para provar que Jesus não teve começo. Exemplo é seu modo de considerar João 8.57, 58, onde lemos: “Você não tem nem cinqüenta anos, e já viu Abraão? — perguntaram eles [a Jesus]. — De fato, antes de Abraão nascer, ‘Eu Sou’ — respondeu Jesus.”

Esse texto, em si, nada afirma sobre por quanto tempo Jesus existia antes de Abraão. Mas, os trinitaristas arrazoam que significa que Jesus tinha eternamente existido. Típico disto é o que afirma certo comentarista: “É importante observar a distinção entre os dois verbos. A vida de Abraão estava sob as condições de tempo, e, por conseguinte, teve um começo temporal. Daí, Abraão vir a ser, ou nascer [genésthai, grego]. A vida de Jesus era de eternidade e até à eternidade. Daí, a fórmula da existência absoluta, sempiterna, Eu sou [egò eimí, grego].”

Qual é a verdadeira fonte de tal raciocínio? A Encyclopœdia of Religion and Ethics (Enciclopédia de Religião e Ética) de Hastings, explica: “O cristianismo sucedeu à filosofia grega, e, até certo ponto, desenvolveu de modo independente a idéia profunda e frutífera da distinção entre tempo e eternidade, e entre tornar-se e ser. Primeiramente declarado de forma clara por Parmênides, c. 500 A. C. . . . , é desenvolvida em consideráveis pormenores por Platão, c. 390 A. C., em especial em seu Fedro e O Banquete.”

Nem uma vez sequer, contudo, declara a Bíblia que Jesus é coeterno com Deus. Embora Jesus usufruísse existência pré-humana de duração inespecificada no céu, a Bíblia mostra que ele teve um começo de sua existência. Ele é chamado de “a semelhança visível do Deus invisível, Ele é o primeiro Filho, superior a todas as coisas criadas” e “o princípio [grego, arké] da criação de Deus’. — Col. 1:15, BLH; Rev. 3:14, Taizé.

O oitavo capítulo de Provérbios usa linguagem similar a respeito da “sabedoria” personificada. Ali, segundo a Versão dos Setenta, grega, a sabedoria fala de si mesma como “o princípio de seus caminhos [os de Deus] para suas obras” e afirma ter existido “antes de o tempo estar no princípio, antes de ele fazer a terra”. (Pro. 8:22, 23, Bagster) Sugere isso que a sabedoria personificada tinha pré-existência eterna? Não, pois o versículo vinte e dois inicia com a sabedoria afirmando: “O Senhor me fez [grego, éktise, “criou”].

“Coigual” — Outra Coisa Copiada de Platão

Que dizer do ensino de que Jesus é coigual a Deus? Se ler somente as Escrituras, jamais obterá tal noção. Ao passo que a Bíblia às vezes aplica o termo “deus” a Jesus em sua existência pré-humana, e após sua ressurreição, usa a mesma terminologia com respeito aos anjos criados. O salmista, para exemplificar, declarou que Deus fez a humanidade “um pouco menor que os semelhantes a Deus” (Hebraico, elohím, “deuses”; Versão dos Setenta, “anjos”.) — Sal. 8:5, Trad. Novo Mundo.

No entanto, muitos clérigos tentam explicar os textos que aplicam o termo “deus” a Jesus como significando que Jesus é plenamente igual a Deus. Isto é evidente em muitos comentários feitos sobre a declaração de Jesus: “O Pai e eu somos um.” (João 10:30) Por exemplo, o perito bíblico C. J. Ellicott afirma: “Tais palavras asseveram a unidade em poder e natureza do Pai e do Filho. . . . ‘O Filho é de uma só substância com o Pai.’”

Similar explanação é fornecida da declaração do apóstolo Paulo de que “toda a natureza de Deus vive na própria pessoa de Cristo” Jesus. (Col. 2:9) O famoso comentarista bíblico, J. A. Bengel, fornece um exemplo do raciocínio trinitarista sobre tal versículo: “A mais plena Divindade habita em Cristo: não simplesmente os atributos Divinos, mas a própria natureza Divina; . . . como se fosse a inteira essência da Divindade, habita em Cristo na máxima forma imediata e real.”

Isto nos faz lembrar da fraseologia do “Símbolo de Nicéia” (325 E.C.) que declara Jesus como sendo “Deus verdadeiro do Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial com seu Pai”. Segundo a New Catholic Encyclopedia (1967), pela expressão “consubstancial [grego, homoousios] com seu Pai”, o Concílio tencionava “asseverar Sua plena igualdade com o Pai”.

No entanto, para chegar a tal doutrina, a cristandade mais uma vez copiou Platão, desta vez de uma forma de filosofia conhecida como “neoplatonismo” ou “Novo Platonismo’’. “A teologia cristã”, observa a Encyclopœdia Britannica, “tomou a metafísica neoplatônica da substância, bem como sua doutrina de [essências, ou naturezas] como ponto de partida para interpretar a relação do ‘Pai’ para com o ‘Filho’”.

O que, porém, queria Jesus dizer quando afirmou: “O Pai e eu somos um”? J. H. Bernard, doutor em divindade, declara em A Critical and Exegetical Commentary on the Gospel According to St. John (Comentário Crítico e Exegético do Evangelho Segundo S. João):

“A unidade de companheirismo, de vontade, e de propósito entre o Pai e o Filho é freqüente tema do Quarto Evangelho . . ., e é sucinta e poderosamente expressa aqui; mas, forçar as palavras, de modo a fazê-las indicar identidade de ousia [“substância”, “essência”, em grego], é introduzir idéias que não estavam presentes nos teólogos do primeiro século.” — Compare com João 5:18, 19; 14:9, 23; 17:11, 22.

O ensino de que Jesus é coigual e coeterno com Deus não tem base nas Escrituras inspiradas. Do começo ao fim, é evidência de a cristandade copiar o filósofo grego, Platão.

[Nota(s) de rodapé]

A menos que se indique de outro modo, todas as citações bíblicas deste artigo foram tiradas de A Bíblia na Linguagem de Hoje aprovada pelas autoridades tanto protestantes como católicas.

[Foto na página 24]

Desejosa de converter os “pagãos instruídos” a cristandade moldou sua doutrina da Trindade segundo o modo de pensar de Platão.

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