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Livro bíblico número 33 — Miquéias“Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
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Jeová, o ‘Deus de sua salvação’. (Miq. 7:6, 7; Mat. 10:21, 35-39) Sob perseguição, ou quando confrontados com uma designação difícil, os que confiam corajosamente em Jeová ficarão, como Miquéias, ‘cheios de poder com o espírito de Jeová’ ao proclamar a Sua mensagem. Miquéias profetizou que tal coragem seria especialmente evidente nos “remanescentes de Jacó”. Estes seriam como ‘leão entre as nações, no meio de muitos povos’ e, ao mesmo tempo, como orvalho e chuvas refrescantes da parte de Jeová. Tais qualidades eram certamente manifestas nos ‘remanescentes de Israel (Jacó)’ que se tornaram membros da congregação cristã do primeiro século. — Miq. 3:8; 5:7, 8; Rom. 9:27; 11:5, 26.
18. Que profecia de Miquéias está ligada com o domínio do Reino de Deus por meio de Cristo Jesus?
18 O nascimento de Jesus em Belém, em cumprimento da profecia de Miquéias, não só confirma a inspiração divina do livro, mas também ilumina o contexto do versículo como sendo profético da vinda do Reino de Deus sob Cristo Jesus. Jesus é aquele que vem de Belém (Casa de Pão) com benefícios vitalizadores para todos os que exercem fé em seu sacrifício. É ele quem ‘pastoreia na força de Jeová’ e se torna grande e leva a paz até os confins da terra entre o restaurado e unificado rebanho de Deus. — Miq. 5:2, 4; 2:12; João 6:33-40.
19. (a) Que encorajamento inspirador de fé se fornece para os que vivem na “parte final dos dias”? (b) Como exalta Miquéias a soberania de Jeová?
19 Deriva-se grande encorajamento da profecia de Miquéias sobre a “parte final dos dias”, quando “muitas nações” buscam instrução da parte de Jeová. “E terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras. Não levantarão espada, nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra. E realmente sentar-se-ão, cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os faça tremer; porque a própria boca de Jeová dos exércitos falou isso.” Abandonando toda adoração falsa, juntam-se a Miquéias em afirmar: “Nós, da nossa parte, andaremos no nome de Jeová, nosso Deus, por tempo indefinido, para todo o sempre.” Realmente, a profecia de Miquéias inspira fé fornecendo um vislumbre desses momentosos acontecimentos. É notável, também, em exaltar a Jeová como Soberano e Rei eterno. Quão emocionantes são estas palavras: “Jeová realmente reinará sobre eles no monte Sião, desde agora e por tempo indefinido”! — Miq. 4:1-7; 1 Tim. 1:17.
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Livro bíblico número 34 — Naum“Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
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Livro bíblico número 34 — Naum
Escritor: Naum
Lugar da Escrita: Judá
Escrita Completada: Antes de 632 AEC
1. O que se sabe da antiga Nínive?
“PRONÚNCIA contra Nínive.” (Naum 1:1) A profecia de Naum começa com estas ominosas palavras. Mas, por que fez ele essa declaração condenatória? O que se sabe sobre a antiga Nínive? Sua história é resumida por Naum em cinco palavras: “Cidade de derramamento de sangue.” (3:1) Duas elevações localizadas na margem leste do rio Tigre, defronte da moderna cidade de Mossul, no Norte do Iraque, marcam a localização da antiga Nínive. Era altamente fortificada por muralhas e fossos e era a capital do Império Assírio na parte final de sua história. Contudo, a origem da cidade remonta aos dias de Ninrode, o “‘poderoso caçador em oposição a Jeová’. . . . [Ninrode] saiu para a Assíria e pôs-se a construir Nínive”. (Gên. 10:9-11) Portanto, Nínive teve um mau começo. Ficou especialmente famosa durante os reinados de Sargão, Senaqueribe, Esar-Hadom e Assurbanipal, no período final do Império Assírio. Por meio de guerras e conquistas, enriqueceu-se com despojos e ficou famosa por causa do tratamento cruel e desumano que seus governantes infligiam à multidão de cativos.a Diz C. W. Ceram, nas páginas 231-2 de seu livro Deuses, Túmulos e Sábios (1959): “Nínive gravou-se na consciência dos homens quase unicamente por estar ligada a assassinato, saque, repressão, violação dos fracos, guerra e terror de toda sorte; a uma série de soberanos sanguinários que reinaram pelo terror e que raramente morreram de morte natural, sendo substituídos por outros ainda piores.”
2. Como era a religião de Nínive?
2 Que dizer da religião de Nínive? Adorava um grande panteão de deuses, muitos dos quais importados de Babilônia. Seus governantes invocavam esses deuses quando saíam para destruir e exterminar e seus gananciosos sacerdotes estimulavam suas campanhas de conquista, aguardando rica retribuição dos despojos. Em seu livro Ancient Cities (Cidades Antigas, 1886, página 25), W. B. Wright diz: “Adoravam a força, e só dirigiam suas orações a ídolos colossais de pedra, leões e touros, cujos membros ponderosos, asas de águia e cabeça humana, eram símbolos de força, coragem e vitória. Guerrear era a principal ocupação dessa nação, e os sacerdotes eram fomentadores incessantes da guerra. Eram sustentados principalmente pelos despojos das conquistas, dos quais uma porcentagem fixa era invariavelmente destinada a eles, antes de outros partilharem deles, pois esta raça de saqueadores era extremamente religiosa.”
3. (a) Em que sentido é apropriado o significado do nome Naum? (b) A que período pertence a profecia de Naum?
3 A profecia de Naum, embora curta, é repleta de pontos interessantes. Tudo o que sabemos sobre o próprio profeta está contido no versículo inicial: “Livro da visão de Naum, o elcosita.” Seu nome (hebraico, Na·hhúm) significa “Confortador”. Sua mensagem por certo não era nenhum conforto para Nínive, mas, para o verdadeiro povo de Deus, prenunciava alívio certo e duradouro de um implacável e poderoso inimigo. É de conforto, também, porque Naum não faz menção alguma dos pecados de seu próprio povo. Embora a localização de Elcos não seja rigorosamente conhecida, parece provável que a profecia foi escrita em Judá. (Naum 1:15) A queda de Nínive, que ocorreu em 632 AEC, ainda estava no futuro quando Naum registrou sua profecia, e ele compara esse evento com a queda de Nô-Amom (Tebas, no Egito) que ocorreu pouco antes disso. (3:8) Assim, Naum deve ter escrito sua profecia durante aquele período.
4. Que qualidades de redação são evidentes no livro de Naum?
4 O estilo do livro é característico. Não há nele palavras supérfluas. Seu vigor e realismo harmonizam-se com o fato de fazer parte dos escritos inspirados. Naum prima pela linguagem descritiva, emocional e dramática, bem como pela expressão dignificante, clareza de retórica e fraseologia notavelmente vívida. (1:2-8, 12-14; 2:4, 12; 3:1-5, 13-15, 18, 19) A maior parte do primeiro capítulo parece estar no estilo de poema acróstico. (1:8, nota) O estilo de Naum é enriquecido pela singularidade de seu tema. Ele sente extrema aversão ao traiçoeiro inimigo de Israel. Não vê nada senão a ruína de Nínive.
5. O que prova a autenticidade da profecia de Naum?
5 A autenticidade da profecia de Naum se comprova pela exatidão de seu cumprimento. Nos dias de Naum, quem senão um profeta de Jeová ousaria predizer que a orgulhosa capital da potência mundial assíria sofreria ruptura nos “portões dos rios”, que seu palácio seria dissolvido e que ela mesma tornar-se-ia “vacuidade e vazio, e uma cidade devastada”? (2:6-10) Os eventos posteriores mostraram que a profecia foi deveras inspirada por Deus. Os anais do rei babilônio Nabopolassar descrevem a captura de Nínive pelos medos e babilônios: “[Converteram] a cidade em escombros e mon[tes (de entulho) . . . ].”b A ruína de Nínive foi tão completa que até mesmo a sua localização ficou esquecida por muitos séculos. Alguns críticos chegaram a ridicularizar a Bíblia quanto a isso, dizendo que Nínive jamais poderia ter existido.
6. O que se escavou no local da antiga Nínive que vindica a exatidão de Naum?
6 Contudo, somando evidência em favor da autenticidade de Naum, a localização de Nínive foi descoberta, e as escavações ali começaram no século 19. Calculou-se que, para escavá-la completamente, seria necessário remover milhões de toneladas de terra. O que se tem desenterrado em Nínive? Muitas coisas que confirmam a exatidão da profecia de Naum! Por exemplo, seus monumentos e inscrições atestam as suas crueldades, e há restos de colossais estátuas de touros e leões alados. Não é de admirar que Naum falasse dela como “caverna dos leões”! — 2:11.c
7. O que apóia a canonicidade do livro de Naum?
7 A canonicidade de Naum é demonstrada por ser o livro aceito pelos judeus como parte das Escrituras inspiradas. Está em completa harmonia com o restante da Bíblia. A profecia é dada em nome de Jeová, em favor de cujos atributos e supremacia dá eloqüente testemunho.
CONTEÚDO DE NAUM
8. Que condenação é pronunciada contra Nínive, mas que boas novas para Judá?
8 A pronúncia de Jeová contra Nínive (1:1-15). “Jeová é um Deus que exige devoção exclusiva e que toma vingança.” Com estas palavras o profeta estabelece o cenário para a “pronúncia contra Nínive”. (1:1, 2) Embora Jeová seja vagaroso em irar-se, observe-o agora expressar vingança por meio de vento e tempestade. Os montes tremem, os morros se derretem e a terra se subleva. Quem pode ficar de pé diante do ardor de sua ira? Não obstante, Jeová é um baluarte para os que se refugiam nele. Mas Nínive está condenada. Será exterminada por uma inundação, e “a aflição não se levantará pela segunda vez”. (1:9) Jeová apagará o nome dela e o de seus deuses. Ele a enterrará. Em animador contraste, há boas novas para Judá! Quais são elas? Um anunciador de paz os insta a celebrar as suas festividades e pagar os seus votos, pois o inimigo, o “imprestável”, está condenado. “Certamente será decepado na sua inteireza.” — 1:15.
9. Que visão profética obtemos sobre a derrota de Nínive?
9 Previsão da destruição de Nínive (2:1-3:19). Naum lança um desafio escarnecedor a Nínive para que se reforce contra um vindouro dispersador. Jeová reajuntará os seus, ‘o orgulho de Jacó e de Israel’. Veja o escudo e a roupa carmesim de seus homens de energia vital e os fulgurosos apetrechos de ferro de Seu ‘carro de guerra no dia de sua preparação’! Os carros de guerra ‘andam como doidos’ pelas ruas, correndo como relâmpagos. (2:2-4) Obtemos agora uma visão profética da batalha. Os ninivitas tropeçam e apressam-se a defender a muralha, mas em vão. Os portões do rio se abrem, o palácio se dissolve e as escravas gemem e batem sobre os seus corações. Aos homens que fogem ordena-se que parem, mas, nenhum deles se vira. A cidade é saqueada e devastada. Corações se derretem. Onde está agora esta guarida de leões? O leão encheu sua caverna de presa para seus filhotes, mas Jeová declara: “Eis que sou contra ti.” (2:13) Sim, Jeová queimará totalmente a máquina de guerra de Nínive, enviará uma espada para devorar seus leões novos e decepar da terra a sua presa.
10. Nínive é exposta como sendo o que, e como é o seu fim descrito adicionalmente?
10 “Ai da cidade de derramamento de sangue . . . cheia de impostura e de roubo.” Ouça o estalo do chicote e o sacolejo da roda. Veja o cavalo galopante, o carro saltante, o cavaleiro montado, a chama da espada e o raio da lança — e daí, a pesada massa de cadáveres. “Não há fim de corpos mortos.” (3:1, 3) E por quê? Porque ela enlaçou nações com as suas prostituições e famílias com as suas feitiçarias. Uma segunda vez, Jeová declara: “Eis que sou contra ti”. (3:5) Nínive será exposta como adúltera e será despojada, seu destino não sendo melhor do que o de Nô-Amom (Tebas), a quem a Assíria levou ao cativeiro. As suas fortalezas são como figos maduros, “que, quando sacudidos, certamente cairão na boca de quem come”. (3:12) Seus guerreiros são como mulheres. Nada pode salvar a Nínive do fogo e da espada. Seus vigilantes fugirão como enxame de gafanhotos num dia ensolarado, e seu povo será espalhado. O rei da Assíria saberá que não há alívio, nem cura para esta catástrofe. Todos os que ouvirem a notícia baterão palmas, pois todos têm sofrido por causa da maldade da Assíria.
POR QUE É PROVEITOSO
11. Que princípios bíblicos fundamentais são ilustrados em Naum?
11 A profecia de Naum ilustra alguns princípios fundamentais da Bíblia. As palavras iniciais da visão repetem o motivo de Deus dar o segundo dos Dez Mandamentos: “Jeová é um Deus que exige devoção exclusiva.” Imediatamente depois ele dá a conhecer a certeza de que ele “toma vingança contra os seus adversários”. O orgulho cruel e os deuses pagãos da Assíria não a puderam salvar da execução do julgamento de Jeová. Podemos ter a certeza de que, no devido tempo, Jeová igualmente aplicará a justiça a todos os iníquos. “Jeová é vagaroso em irar-se e grande em poder, e de modo algum se refreará Jeová de punir.” Assim, tendo a exterminação da poderosa Assíria como plano de fundo, exaltam-se a justiça e a supremacia de Jeová. Nínive deveras tornou-se “vacuidade e vazio, e uma cidade devastada!” — 1:2, 3; 2:10.
12. Que restauração anuncia Naum, e como pode a sua profecia ser relacionada com a esperança do Reino?
12 Em contraste com Nínive ser ‘inteiramente decepada’, Naum anuncia restauração para ‘o orgulho de Jacó e de Israel’. Jeová envia também notícias alegres a Seu povo: “Eis sobre os montes os pés daquele que traz boas novas, aquele que publica a paz.” Estas notícias de paz têm relação com o Reino de Deus. Como sabemos disso? É evidente do uso que Isaías faz da mesma expressão, mas à qual acrescenta as palavras: “Do portador de boas novas de algo melhor, do publicador de salvação, daquele que diz a Sião: ‘Teu Deus tornou-se rei!’” (Naum 1:15; 2:2; Isa. 52:7) Por sua vez, o apóstolo Paulo, em Romanos 10:15, aplica a expressão aos a quem Jeová envia como pregadores cristãos das boas novas. Estes proclamam as “boas novas do reino”. (Mat. 24:14) Fiel ao significado de seu nome, Naum é fonte de muito conforto a todos os que buscam a paz e a salvação que vem com o Reino de Deus. Todos estes certamente compreenderão que ‘Jeová é bom, baluarte no dia da aflição para os que procuram refugiar-se nele’. — Naum 1:7.
[Nota(s) de rodapé]
b Ancient Near Eastern Texts, editado por J. B. Pritchard, 1974, página 305; colchetes e parênteses são deles; Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, página 238.
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