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  • g88 8/11 pp. 13-15
  • O orgulho era minha pior deficiência

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  • O orgulho era minha pior deficiência
  • Despertai! — 1988
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  • As Sementes do Orgulho
  • Efeitos do Isolamento Forçado
  • Pedindo um Sinal
  • “O Conhecimento Enfuna”
  • Sobrepujei Meu Orgulho
  • Fonte de Real Felicidade
  • Meu Orgulho Sofreu Uma Queda
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    Despertai! — 1984
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    A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1980
Veja mais
Despertai! — 1988
g88 8/11 pp. 13-15

O orgulho era minha pior deficiência

NÃO é fácil ser um deficiente físico e ainda ser feliz. A maioria das pessoas afligidas por problemas físicos se sente deprimida, pelo menos de vez em quando. Em tais momentos, elas muitas vezes se perguntam: “Por que eu?”

Eu não era exceção. Nasci com um grave problema físico que me impede de andar, de ficar em pé ou até de utilizar as mãos. Como é compreensível, tal circunstância teve marcante efeito sobre minha personalidade. Ainda me lembro da inveja e da frustração que eu sentia, quando criança, ao ver outras crianças correrem e pularem.

Às vezes, eu ia a uma igreja próxima para suplicar a ajuda de Deus. Fervorosamente repetia 20 ou 30 vezes a oração do “Pai Nosso” e similar número de “Ave-Marias”, entremeando tais orações com a súplica, do fundo do meu coração: “Senhor, curai-me, por favor!” Eu prometia muitas coisas a Deus, caso ele me curasse.

As Sementes do Orgulho

Nasci em Granada, linda cidade no sul da Espanha, ao sopé da imponente cadeia da Serra Nevada. Quando criança, ser um deficiente me motivara a cultivar outras habilidades, e, quando cheguei aos 7 anos, eu tinha progredido mais nos estudos do que outras crianças da minha idade. Nessa época, eu convivia bem normalmente com outras crianças, brincava com elas e, de algum modo, movimentava-me com bastante destreza, mesmo sentado em minha cadeirinha. Cheguei até a aprender a desenhar e a escrever com o pé esquerdo, por segurar um lápis entre os dedos do pé.

Em certa ocasião, o jornal da localidade publicou um artigo a meu respeito, junto com fotos que me mostravam escrevendo com os pés. Esta publicidade resultou em eu receber vários prêmios e viagens, além da admiração dos outros. Tudo isto serviu para promover em mim um espírito vaidoso e altivo. O orgulho estava tomando conta de mim.

Efeitos do Isolamento Forçado

Não demorou muito até que eu tive de deixar de cursar a escola. Eu estava crescendo, e se tornou impossível para minha mãe me levar e buscar, do nosso apartamento do segundo piso. Assim, a partir dos 13 anos continuei instruindo-me através dum curso por correspondência. Eu achava fácil estudar, e progredia bem, mas o isolamento forçado me afetou. Embora, por fora, talvez parecesse alegre e extrovertido, comecei a refletir muito sobre minhas condições físicas e suas implicações para o futuro.

Em 1971, ganhei uma bolsa de estudos, de um ano, num centro de reabilitação dirigido por freiras católicas em Madri. Foi ali que aprendi a escrever a máquina, usando uma caneta na boca, o que se provou muito útil. Naturalmente, a religião era parte obrigatória de nossa programação semanal. Todo domingo, às 7 horas, reuníamo-nos para assistir à Missa. Embora esse ritual me parecesse desnecessário, eu comparecia fielmente a ela, pois queria agradar às freiras que cuidavam tão bem de mim.

Depois de um ano em Madri, voltei a Granada. Progressivamente, tornei-me mais introvertido, qual prisioneiro das quatro paredes de minha casa. Na maior parte, passava o tempo lendo romances e outros livros que me chegavam às mãos. Também acompanhei a tendência daqueles tempos: Deixei crescer a barba, e meus cabelos ficaram compridos. Mas esse não foi um período feliz de minha vida.

Pedindo um Sinal

Muitas vezes, eu era mal-humorado devido à solidão e a uma sensação de desespero. Eu orava a Deus, pedindo a ele algum sinal que demonstrasse sua existência, e seu interesse por mim.

Com toda a certeza, Deus realmente me deu um sinal mas não do modo que eu esperava. Foi perto do fim de 1973. Uma das Testemunhas de Jeová bateu à minha porta, e, visto que minha mãe tinha saído para fazer compras, eu abri a porta e ouvi o que ele tinha a dizer. No fim da palestra, ele me ofereceu o livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna. Aceitei-o prontamente, pois, naquele tempo, eu me dispunha a ler qualquer coisa. Li toda aquela publicação nessa mesma tarde. Seu conteúdo deveras me surpreendeu, especialmente com respeito a duas proibições bíblicas: o uso de imagens na adoração, e o emprego errôneo do sangue. — Êxodo 20:4, 5; Atos 15:28, 29.

A Testemunha voltou uma semana depois, e, ao passo que me mostrou o que a Bíblia ensinava, eu lhe mostrei como conseguia acender um cigarro usando apenas os pés! Ele me ofereceu um estudo gratuito da Bíblia durante seis meses. Aceitei de imediato, sem compreender que isto era realmente o sinal que eu havia pedido.

Rapidamente assimilei o conhecimento da Bíblia. No entanto, outra coisa bem diferente era fazer as mudanças necessárias em minha vida, a fim de ser verdadeiro discípulo de Cristo. Meu maior problema era minha personalidade.

“O Conhecimento Enfuna”

Uma breve experiência ilustrará como eu pensava. Depois de estudar a Bíblia por seis meses, um ministro viajante das Testemunhas de Jeová me visitou e me perguntou como eu progredia. “Estou progredindo muito bem. Já consegui decorar 500 textos bíblicos”, respondi, com um sorriso presunçoso de satisfação. “Decorou realmente 500 textos bíblicos?”, repetiu ele, um tanto incrédulo. “Sim, 500! Veja, eu anotei todos eles aqui neste caderno de anotações”, eu me jactei.

Intrigado com isso, ele me testou com Provérbios 18:1. De imediato, repeti o texto, palavra por palavra: “Quem se isola procurará o seu próprio desejo egoísta; estourará contra toda sabedoria prática.” Ele então me perguntou: “Está aplicando este texto? Reúne-se regularmente com seus irmãos e irmãs cristãs?” “Bem, acho que sim, eu me reúno”, disse eu, pois os irmãos na congregação haviam bondosamente feito arranjos práticos para eu poder assistir às reuniões.

Depois de outro par de perguntas, meu visitante compreendeu que eu realmente tinha decorado todos aqueles textos. Ao mesmo tempo, discerniu que eu dava mais atenção à adquisição de conhecimento bíblico do que à aplicação de tal conhecimento à minha vida. Ele me lembrou o texto de 1 Coríntios 8:1: “O conhecimento enfuna, mas o amor edifica.” Ele me ajudou a entender a necessidade de transformar minha personalidade.

Com o tempo, parei de fumar, melhorei meu aspecto físico, e eliminei leituras que não eram edificantes. Dezoito meses depois de receber o testemunho inicial, eu me batizei, em junho de 1975.

Sobrepujei Meu Orgulho

Todavia, ainda não havia dominado meu orgulho. As circunstâncias me permitiam estudar de três a quatro horas por dia, e logo acumulei ampla reserva de conhecimento bíblico, o que eu estava ansioso de demonstrar. As Testemunhas na congregação a que eu pertenço começaram a se dirigir a mim, com suas perguntas bíblicas, e até mesmo com problemas pessoais. Eu me sentia muito feliz de usar minha capacidade para ajudar outros, mas, às vezes, isto também insuflava minha vaidade.

Com o tempo, meu orgulho tornou-se menos evidente. Toda vez que eu compreendia que estava demonstrando um espírito altivo, eu orava a Jeová, pedindo-lhe que me ajudasse. Eu pedia especialmente Sua ajuda para ter a motivação correta: a de ajudar outros com meu conhecimento, em vez de glorificar a mim mesmo.

Fonte de Real Felicidade

Testemunhar a todos com quem eu entrava em contato tornou-se uma fonte de real felicidade. Partilhar com outros o que eu havia aprendido não só produziu satisfação íntima, mas me obrigou a sair da concha na qual me havia recolhido, e me habilitou a misturar-me com os outros e ser de ajuda para alguns deles. Senti especial deleite de poder ajudar um senhor idoso que tinha problemas similares aos meus.

Conheci-o ao testemunhar a dois homens na rua. No decorrer da palestra, não pude deixar de notar um senhor, andando com a ajuda de muletas, e que passava por ali de vez em quando. Ele parava por um instante toda vez que passava, como se desejasse ouvir o que nós dizíamos. Por fim, parou na minha frente, e perguntou: “É verdade tudo isso que se diz sobre um Dilúvio global?” Respondi na afirmativa, e passei a explicar o seu significado para nós, atualmente. Com o tempo, consegui estudar a Bíblia com ele.

Apesar da idade, e de seus problemas físicos, ele fez bom progresso e aplicou a Bíblia em sua vida. Batizou-se aos 80 anos. A esposa dele, que de início zombava dele, batizou-se aos 85 anos.

Poder ajudar aqueles que têm deficiências físicas ou que carecem de ajuda em outros sentidos faz com que me seja mais fácil esquecer minhas dificuldades. Ao todo, consegui ajudar a dez pessoas a vir a conhecer a verdade da Palavra de Deus. Isto tem sido uma verdadeira fonte de encorajamento para mim.

Meu Orgulho Sofreu Uma Queda

Mais importante é que descobri que a deficiência física não impede que a pessoa encontre a felicidade na vida. Vir a conhecer o Criador me tem ajudado a ser realístico, e a encarar minhas deficiências, inclusive meu orgulho. Tento levar uma vida normal, no máximo possível. Posso agora sustentar-me financeiramente, o que me dá grande satisfação. Aprecio servir como ancião na congregação local, e me esforço de ter uma participação ativa na pregação das boas novas do Reino. (Marcos 13:10) Sem dúvida, poder ajudar a outros é o que me dá a maior das felicidades. Ao mesmo tempo, aprendi a buscar a glória de Jeová, e não a minha própria. — Lucas 17:10. — Conforme narrado por José Martín Pérez.

[Foto na página 15]

Pregando na rua, com a ajuda de outra Testemunha.

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