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  • g75 8/11 pp. 13-17
  • Eu era um guarda Palatino

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  • Eu era um guarda Palatino
  • Despertai! — 1975
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  • Recente Organização Militar
  • Por Que Quis Tal Emprego
  • Aceitação
  • Treino e Uniforme
  • A Serviço do Papa
  • Pompa e Cerimônia
  • Coroação do Papa
  • As Respostas Que Obtive
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Despertai! — 1975
g75 8/11 pp. 13-17

Eu era um guarda Palatino

TALVEZ jamais soubesse que o papa tem um exército. Mas, é verdade. Durante nove anos, servi nas forças militares do Vaticano como membro da Guarda de Honra Palatina.

Naturalmente, o papa não tem um exército regular, como os papas costumavam ter. O Papa Júlio II, no início do século 16, costumava assumir pessoalmente o comando de seu exército e liderá-lo na batalha. Também, a Igreja Católica Romana, no passado, mantinha ordens religiosas militares. Sobre estas, The Catholic Encyclopedia afirma: “Tais ordens sobrepujavam, naquela coesão que é o ideal de toda organização militar, os mais famosos grupos de soldados selecionados que a história conheceu.” — 1911, Vol. X, página 307.

Assim, não deveria surpreender a ninguém que o estado moderno da Cidade do Vaticano tivesse também uma milícia.

Recente Organização Militar

Dentre as quatro corporações armadas que o Vaticano mantinha nos anos recentes, a Guarda Suíça é provavelmente a mais conhecida. Desde 1505, quando o Papa Júlio II fez um tratado com os Suíços para lhe fornecerem constantemente 250 homens como seus guarda-costas, uma corporação de militares suíços serve ao papa. Em agosto de 1959, o Papa João XXIII reorganizou a corporação de modo a incluir vários oficiais, dois tamboreiros, um capelão, e setenta guardas.

A Guarda Nobre, pelo que parece, certa vez gozava de ainda maior prestígio, visto que The Catholic Encyclopedia a chamava de a “mais distinta corporação do serviço militar papal”. Foi formada em 1801. Os Gendarmes Papais e a Guarda Palatina completavam as corporações de defesa do papa.

A Guarda de Honra Palatina foi formada em 1850 pelo Papa Pio XI. Ele decretou que duas corporações de milicianos se unissem em uma só corporação sob este novo nome. Antes de 1870, a Guarda Palatina foi designada a operações militares na guerra, mas, depois disso, suas funções eram principalmente cerimoniais.

De 1968 a 1971, contudo, a Guarda Nobre, a Guarda Palatina e a gendarmaria foram dissolvidas. Assim, a Guarda Suíça permanece sendo a única das forças militares do Vaticano.

Por Que Quis Tal Emprego

Meu pai fora membro da Guarda Palatina por cerca de trinta anos, posição de que ele e mamãe muito se orgulhavam. E, assim, desejaram que eu seguisse a tradição familiar. Mas, houve outras razões para eu querer servir nela.

Eu me afastei da religião na adolescência, ficando profundamente influenciado pelo ensino da evolução que me ensinaram na escola. Assim, achei que, se ficasse em íntimo contato com os líderes religiosos mais destacados do mundo, inclusive o próprio papa, poderia fortalecer minha fé em Deus.

Também, devo admitir que outra razão para querer servir nela era a estima e o encanto relacionados à posição. Como membro da Guarda Palatina, a pessoa podia conhecer muita gente famosa e usufruir um lugar de destaque em importantes ofícios religiosos.

Aceitação

Assim, em 1960, com dezoito anos, entreguei meu pedido de admissão na Guarda Palatina. Depois de ser recomendado favoravelmente pelo meu pároco, convocaram-me para uma entrevista pessoal.

Lembro-me bem da ansiedade que senti ao me aproximar dos imponentes prédios do Vaticano. Entrei na sala de recepções e, diante de mim, havia uma mesa comprida. Atrás dela sentavam-se o Comandante da Corporação, o Coronel Capelão e quatro outras pessoas. De um lado da sala havia retratos pendurados de dez papas, e, ao lado de cada um, uma bandeira franzida em memória das batalhas passadas.

Primeiro me fizeram algumas perguntas pessoais. Daí, o capelão pediu que eu rezasse algumas orações católicas, tais como o Credo dos Apóstolos, o Ato de Fé e o Ato de Esperança. Não tendo prestado muito atenção à instrução religiosa, receava que meu conhecimento superficial fosse notado. Mas, minhas preocupações eram infundadas, visto que a entrevista era mera formalidade. Cerca de um mês depois, ingressei na Guarda Palatina.

Treino e Uniforme

Depois de breve ofício religioso, meu treino começava com cerca de uma hora de lição sobre religião. Daí, toda quinta-feira, freqüentei o curso de instrução religiosa. Esperava que isto me ajudasse a crescer em conhecimento de Deus e que minhas dúvidas sobre Sua existência fossem removidas. Mas, isto não aconteceria. Com efeito, os dogmas da Igreja que nos foram ensinados apenas aumentaram minhas dúvidas.

No entanto, gostei do treino militar. Com o tempo, foi-me permitido usar o impressionante uniforme militar da Guarda Palatina. Incluía uma jaqueta preta, calças azuis, feitas de macio couro de castor, um cinto branco, sapatos pretos, e rígido chapéu preto com viseira e uma pluma de penas vermelhas. Outros acessórios incluíam uma coleção de grossos cordões dourados, e ostentosas dragonas douradas que os turistas procuravam arrancar durante as paradas.

A Serviço do Papa

O papa concedia audiências aos visitantes na sala do trono ou na Basílica de S. Pedro. Em geral eu era designado ao serviço de ante-sala, postado na entrada do salão em que o papa recebia seus visitantes. O visitante era acompanhado por um camareiro-mor ou um lacaio, e no momento que passava em frente a nós, ficávamos em posição de sentido. Eu me lembro em especial de duas visitas de alto nível.

Uma foi de um monge budista, vestido da túnica amarela. Visitou o Papa Paulo VI durante o Concílio Vaticano II para falar em favor da paz no Vietname. Essa visita causou comoção porque, naquele tempo, as histórias dos jornais sobre monges budistas cometerem suicídio por se queimarem vivos eram comuns.

A outra visita foi a da Rainha Elisabete da Inglaterra, reconhecida não só como chefe político, mas também como cabeça da Igreja Anglicana. De acordo com o protocolo do Vaticano, a rainha, bem como cada pessoa de seu séquito, era acompanhada por um representante da corte pontifícia. Ao chegar perante o papa, o acompanhante do convidado usualmente sugere que o convidado beije o anel do papa quando este estende a mão. Assim, a rainha se curvou e beijou a mão do pontífice — a chefe da Igreja Anglicana curvando-se diante do chefe da Igreja Católica Romana — uma manobra diplomática muito bem sucedida da parte da corte pontifícia!

Outras vívidas recordações que tenho são dos desfiles em que a Guarda Palatina, precedida pelo clangor das trombetas imperiais, entrava na Praça de S. Pedro. Por exemplo, havia a celebração anual de 2 de junho em honra do exército italiano, durante a qual o pontífice concedia a solene bênção Urbi et Orbi (À Cidade e ao Universo).

Também servi na guarda de honra durante muitas visitas oficiais de chefes de estados, inclusive as do Presidente de Gaulle, de França, do Rei Hussein, da Jordânia, do Presidente Sukarno, da Indonésia, e do Imperador Hailé Selassié, da Etiópia. Servi, também, à entrada da câmara mortuária do Papa João XXIII, em junho de 1963, e, pouco depois, na eleição do Papa Paulo VI.

Pompa e Cerimônia

Na quarta-feira de manhã, o papa concedia uma audiência pública na sala do trono, a pessoas que solicitavam de antemão para visitá-lo e receberem sua bênção. Era deveras um espetáculo impressionante quando o papa surgia com seu séquito, para tais ocasiões.

O papa entrava sentado numa espécie de trono, sobre um estrado carregado por seus servos. Estes eram seguidos por grande séquito de eclesiásticos e assistentes vestidos de forma bem colorida e deslumbrante. Tinham títulos tais como Cavaleiro da Capa e Espada, Servo Secreto dos Cavalheiros e Camareiro-mor. Incluídos, também no desfile, havia os comandantes e oficiais das várias corporações do exército do Vaticano.

Cenas quase que incríveis de todos os tipos aconteciam nestas ocasiões. Por exemplo, podia-se ver uma mulher arrancando aos berros seus cabelos e levantando um crucifixo para o papa, enquanto ele passava; protegido por trás de grades movíveis de madeira. Algumas pessoas histéricas tinham de ser removidas à força. Seguravam-se bebês no alto para que o papa os tocasse.

Também, estendidas em direção do papa havia dezenas de mãos com uma carta ou folha em que estava escrito algum pedido. E os dignitários eclesiásticos perto do trono portátil do papa as aceitavam de modo condescendente. Mas, havia também pessoas que riam, outras que choravam, e ainda outras que permaneciam indiferentes. Entoavam-se hinos, e agitavam-se lenços.

Sempre que tais audiências públicas eram realizadas na Basílica de S. Pedro, a cena era ainda mais assombrosa. A aclamação diante da entrada do papa o acompanhava como uma onda do mar, enquanto ele se movimentava. No entanto, nos anos recentes, notei a diminuição no número de visitantes.

Coroação do Papa

Sobrepujando, contudo, a pompa e o esplendor das audiências papais, era a coroação do papa. “A sua grandiosidade”, disseram testemunhas, “jamais será esquecida”. Eu estava lá, na coroação do Papa Paulo VI, em 30 de junho de 1963, e foi deveras um evento notável em minha carreira como Guarda Palatino. Estavam presentes chefes de estado, ministros, embaixadores, dignitários políticos e militares, jornalistas e representantes católicos e protestantes de todas as partes do mundo.

Parecia quase que irreal — toda a extravagância, as pedras preciosas, as roupas vistosamente caras dos participantes, em especial do papa, carregado em seu trono triunfal, os leques de plumas de avestruz em sua volta, movimentando-se lentamente, a música, a cerimônia. A grandiosidade não pode ser descrita em simples palavras. A coroação dos antigos imperadores bizantinos, que serve de padrão para as coroações papais, por certo não poderia ter sido mais ostentosa.

Daí, então, deu-se a magnífica entrada da inteira corte papal em grande pompa, a Guarda Palatina liderando o desfile. O desfile lento durou quase uma hora no carrossel de cores brilhantes, à medida que um coro de jovens vozes acompanhava a linha móvel de centenas de cardeais e bispos. Por fim, o Papa Paulo VI foi coroado com esplêndida coroa montada com pedras preciosas, um símbolo régio de poder supostamente conferido a ele como representante de Cristo na terra.

Mas, perguntei-me: É deveras a vontade de Deus que seu Filho tenha tal representante na terra? É apropriada toda essa pompa? Aprova-a Cristo?

As Respostas Que Obtive

Obtive uma resposta dum cego que se aproveitou da oportunidade de falar comigo no escritório em que eu geralmente trabalhava. Daquilo que me mostrou na Bíblia, vim a avaliar que o papa não imitava o exemplo de Cristo e seus apóstolos. Ora, quando um oficial do exército italiano caiu aos pés do apóstolo Pedro para render-lhe homenagem, aprendi que Pedro disse: “Levanta-te; eu mesmo também sou homem.” (Atos 10:25, 26) Todavia, os líderes da Igreja se comportam em completo contraste com Pedro!

Mas, havia outros assuntos. A Igreja Católica ensina que os humanos têm alma imortal que eles afirmam pode ser queimada para sempre num inferno de fogo ou atormentada no purgatório, dependendo dos pecados cometidos. Todavia, aprendi que a Bíblia ensina que o homem é uma alma, e não possui alma imortal separada. “A alma que pecar, essa morrerá”, afirma a tradução católica da Bíblia de Matos Soares. (Eze. 18:4) E o inferno bíblico não é, obviamente, um lugar de fogo, conforme mostrado por passagens bíblicas tais como a oração do Rei Davi a Deus: “Se desço ao inferno, nele te encontras.” As Escrituras tornam claro que o inferno bíblico é simplesmente a sepultura comum da humanidade. — Sal. 138:8, Versão Soares; veja também Jó 14:13; Eclesiastes 9:5, 10; Atos 2:31.

Ademais, foi-me mostrado que Deus não é uma Trindade. Ele não é três deuses coiguais, e todavia um só Deus, como afirma o ensino católico da Trindade, efetivamente. “O Senhor nosso Deus é o único Senhor”, ensinou Cristo, e também reconheceu: “O Pai é maior do que eu.” (Mar. 12:29; João 14:28, Versão Soares) Aprendi estas coisas através das minhas palestras bíblicas com este senhor cego, que é uma das testemunhas cristãs de Jeová.

No entanto, pensar sobre tais coisas começou a me perturbar, pois compreendia que tinha responsabilidade perante Deus de agir segundo tais verdades. Certo dia, eu estava no clube da Guarda Palatina, sentado perto de um monsenhor, na sala de projeção de filmes. Durante a mudança de carretéis, perguntei-lhe, de modo natural, se conhecia algo sobre aquelas pessoas que afirmavam poder provar na Bíblia que não existe Trindade, que a alma não é imortal, e que não existe inferno de fogo. Ele perguntou a quem eu tinha em mente. Respondi: “As testemunhas de Jeová.” Ele me surpreendeu ao responder: “Ah, mas eles são cristãos.”

Assim comecei um estudo sério da Bíblia com as testemunhas de Jeová, e obtive o conhecimento baseado na Bíblia que verdadeiramente fortaleceu minha fé em Deus. Com o tempo, dediquei a vida para servir ao verdadeiro Deus, Jeová, e, desde então, tenho tido a alegria de brandir, não uma arma literal, mas ‘a espada do espírito, a Palavra de Deus’, ajudando outros também a aprender a verdade sobre Jeová Deus e seus grandiosos propósitos. (Efé. 6:17) — Contribuído.

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