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“Deixei de fumar!”A Sentinela — 1970 | 15 de janeiro
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“Deixei de fumar!”
NO PRIMEIRO século, Tiago, meio-irmão de Jesus, escreveu uma carta inspirada aos espalhados, a respeito dos que queriam servir a Jeová. Entre outras coisas, ele aconselhou: “Tornai-vos cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, enganando-vos com falsos raciocínios.” — Tia. 1:22.
Assim como se deu naquele século, os que hoje aprendem a vontade de Deus tornam-se “cumpridores da palavra e não apenas ouvintes.” Duas experiências relatadas em assembléias recentes das testemunhas de Jeová ilustram isso.
Em Mississípi, nos Estados Unidos, uma Testemunha recebeu uma carta de uma amiga, pedindo que se visitasse certa senhora que morava naquelas vizinhanças. A Testemunha fez a visita e pôde providenciar a realização de um estudo bíblico com a família. A Testemunha relatou: “Depois do primeiro estudo sobre o verdadeiro Deus e os ídolos, ela lançou fora um grande quadro religioso que ocupara um lugar de destaque na sala. Durante algum tempo, ajudei-lhes a saber avaliar a importância de freqüentar o Salão do Reino. Mas, no período de uma semana, mudaram-se umas vinte milhas para o interior e negaram-se a deixar-me ir tão longe para buscá-los. Por fim, compraram um automóvel. Na mesma semana assistiram à reunião de domingo no Salão do Reino.
“Qual foi o resultado? Uma família transformada. Estavam firmemente convencidos de que esta era a verdade da Bíblia e ficaram surpresos de quão amigáveis todos eram. Isto impressionou tanto a filha de quarenta anos, que ela começou a sentir-se culpada quanto aos seus maus hábitos. Depois de sua primeira reunião, ela disse: Deixei de fumar!’ Mais tarde comentou: ‘Depois de Jeová me ter dado tanto, como é que eu poderia vir para casa e fazer algo que ele desaprova? Tive medo de esperar. Não sabemos o que vai acontecer amanhã, e se eu esperasse, talvez nunca teria a chance de parar e provar meu amor a Jeová.’”
A Testemunha acrescentou: “A coisa notável é que esta senhora é aleijada. Os cigarros foram para ela como que muletas, durante todos estes anos, mas, à base do que aprendeu no Salão do Reino em uma só reunião, ela obteve o incentivo para renunciar ao mau hábito. Na segunda reunião, ela estendeu a mão e disse: ‘Não é bonita? Não é mais marrom, nem está mais manchada de fumo.’ Ela assiste agora regularmente.”
Num congresso em Rochester, no estado de Nova Iorque, um casal explicou algo a respeito dum estudo bíblico que haviam realizado, dizendo: “O casal fumava muito, e quando voltávamos para casa, após o estudo, cheirávamos como arenque defumado. Aos poucos, eles começaram a freqüentar as reuniões no Salão do Reino. Depois começaram a participar no ministério de campo e a expressar o desejo de serem batizados. Mas o seu problema era que ainda fumavam muito.
“Eles achavam que poderiam ser batizados e depois deixar de fumar. Dissemo-lhes que o fato de não terem ainda vencido este hábito não os impedia de serem batizados, mas que talvez fumassem às escondidas ainda por muito tempo.
“Decidiram-se a parar de fumar em dezembro, mas depois o adiaram. Cada vez que tentaram parar, ficaram nervosos e irritáveis. Por fim, uma das Testemunhas mostrou-lhes alguns artigos na Sentinela e em Despertai!, tratando do fumo. Quando se deram conta do aspecto bíblico do assunto, decidiram parar de fumar quando fossem à próxima assembléia de circuito. Apegaram-se à sua decisão, mas disseram que foi uma grande prova para eles, visto que ficaram muito irritáveis e nervosos nas primeiras duas semanas. Mas, com o passar do tempo, o desejo de fumar diminuiu. Na última assembléia de distrito, foram batizados em símbolo de sua dedicação a Deus. E o fizeram de consciência limpa, visto que haviam renunciado ao hábito sujo. Desde então, a esposa teve duas vezes o privilégio de ser pioneira de férias, o que a fez muito feliz.”
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1970 | 15 de janeiro
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Perguntas dos Leitores
● Disse Jesus ao apóstolo Pedro que perdoasse setenta e sete (77) vezes ou setenta vezes sete (490)? — A. L., E. U. A.
Esta pergunta se baseia em Mateus 18:21, 22. Na Tradução do Novo Mundo, estes versículos rezam: “Pedro aproximou-se então e disse-lhe [a Jesus]: ‘Senhor, quantas vezes há de pecar contra mim o meu irmão e eu lhe hei de perdoar? Até sete vezes?’ Jesus disse-lhe: ‘Eu não te digo: Até sete vezes, mas: Até setenta e sete vezes.’”
Conforme se pode ver, nesta tradução moderna e cuidadosa, Jesus disse a Pedro que perdoasse setenta e sete (77) vezes. E há boas razões para tal tradução. No entanto, não é necessário ser dogmático quanto à resposta de Jesus. Um famoso professor de grego, A. T. Robertson, observa: “Não é claro se esta expressão idiomática significa setenta e sete ou, conforme o verte a Versão Revisada (490 vezes).”
Por observarmos a resposta de Jesus conforme encontrada nos manuscritos gregos, podemos avaliar a razão do problema. A resposta de Cristo foi hebdomekontakis hepta, que é traduzido literalmente como “setenta vezes sete”. A dificuldade surge com o sufixo kis acrescentado à palavra para setenta, hebdomekonta. Em grego, este sufixo é usado de duas maneiras. Pode ser usado como multiplicativo, significando ‘vezes’. Assim, ‘sete vezes sete’ (7 x 7) seria heptakis hepta. Mas kis pode também ser acrescentado como sufixo para indicar ‘vezes’ no sentido de ocorrências ou instantes. Por exemplo: ‘Quantas vezes caiu o menino?’ ‘Ele caiu sete vezes (heptakis).’ Portanto, o problema é saber se a resposta de Jesus, “setenta vezes sete”, deve ser entendida como ‘setenta vezes (multiplicado por) sete’ ou ‘setenta e sete vezes (ocorrências)’.
Uma razão de se preferir o último e vertê-lo como se faz na Tradução do Novo Mundo é a forma da pergunta de Pedro. Ele não usou posas, significando ‘quanto?’. Antes, perguntou posakis: ‘quantas vezes?’. Depois continuou: ‘Até heptakis?’, quer dizer: Até sete vezes? É lógico que Jesus responderia de acordo com a fraseologia de Pedro. Responderia: Até setenta e sete vezes.’
Dando peso adicional à tradução “setenta e sete vezes”, há a narrativa em Gênesis 4:24. Jeová havia declarado que se vingaria sete vezes em quem fizesse mal a Caim. (Gên. 4:15) Mais tarde, o descendente de Caim, Lameque, disse jactanciosamente: “Se Caim há de ser vingado sete vezes, então Lameque setenta vezes e sete.” (Gên. 4:24) O texto hebraico mostra isso de modo exato como 70 vezes e 7, ou 77 vezes. Mas, qual é o equivalente grego? A Versão dos Setenta grega usa hebdomekontakis hepta. Visto que esta é exatamente a expressão encontrada em Mateus 18:22, sugere que se deve verter a resposta de Jesus a Pedro como “setenta e sete vezes”.
Pode-se acrescentar que é bem possível que Cristo tivesse em mente a ameaça de Lameque. Que belo contraste constituiriam as palavras de Jesus! O cristão, em vez de ser fanfarrão, ameaçando vingar-se setenta e sete vezes, deve ser o oposto, perdoando setenta e sete vezes. Jesus enfatizou que não devemos hesitar em perdoar, mas que devemos perdoar liberal e prontamente. Dissera antes: “Felizes os misericordiosos, porque serão tratados com misericórdia.” — Mat. 5:7.
● A Bíblia diz que Moisés atingiu a idade de cento e vinte anos. Então, como pôde escrever, no Salmo 90:10, que os anos do homem são apenas setenta ou oitenta? — J. W., Inglaterra.
O cabeçalho do Salmo 90 reza: “Uma oração de Moisés homem do verdadeiro Deus.” Os escritores talmúdicos judeus e muitos eruditos concordam em atribuir este salmo a Moisés. Por exemplo, Franz Delitzsch, famoso professor na Universidade de Leipzig, escreveu: “Dificilmente há outro monumento literário da antiguidade, que possa tão brilhantemente justificar o testemunho tradicional da sua origem, como este Salmo. Não somente com respeito ao seu conteúdo, mas também com respeito à sua forma literária, é inteiramente apropriado para Moisés.”
Moisés escreveu no Salmo 90: “Os dias dos nossos anos são em si mesmos setenta anos; e se por motivo de potência especial são oitenta anos, mesmo assim a sua insistência é em desgraça e em coisas prejudiciais; pois tem de passar depressa, e lá saímos voando.” (Sal. 90:10) Muitos se admiraram como Moisés pôde escrever isso, visto que ele mesmo foi além desta idade. Segundo Deuteronômio 34:7: “Moisés tinha cento e vinte anos de idade por ocasião da sua morte. Seu olho não se havia turvado e seu vigor vital não lhe havia fugido.”
Isto, realmente, não constitui problema sério. Embora não saibamos em que idade Moisés compôs este salmo, ele sabia, evidentemente à base do que observava, que setenta anos representavam uma vida cheia e que oitenta anos era além do normal. Torna-se claro que a maioria dos adultos da geração que saiu da escravidão do Egito não era especialmente longeva. Os de mais de vinte anos de idade por ocasião do êxodo já haviam perecido até o fim dos quarenta anos de peregrinação.
É verdade que houve exceções, tais como Moisés (120), Arão (123), Josué (110) e Calebe (mais de 85). Tais exceções, porém, não alteram a idade geral dada no Salmo 90:10. E deve lembrar-se de que Deus decretou diretamente que Josué e Calebe vivessem mais do que os de sua geração e assim entrassem na Terra da Promessa. Quando Calebe tinha oitenta e cinco anos de idade, chamou atenção para a sua idade e força como bastante incomuns. — Núm. 14:30; 33:39; Jos. 14:10, 11; 24:29.
Ocasionalmente, lemos nos jornais sobre alguém ter cem anos de idade, ou um pouco mais. Há até mesmo certos grupos, tais como os que vivem nas montanhas do Cáucaso, na União Soviética,
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