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  • Pondo os interesses do Reino em primeiro lugar
  • A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1965
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A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1965
w65 15/11 pp. 699-702

Pondo os interesses do Reino em primeiro lugar

Conforme narrado por HELENE HARTSTANG

TENDO nascido em 1902, em Dresden, Alemanha, era um dos quatro filhos criados por pais tementes a Deus e levados regularmente às reuniões das testemunhas de Jeová, então conhecidas como Estudantes da Bíblia. Posso lembrar-me da expectativa, em 1912, da visita à nossa cidade do primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos E. U. A.), Charles T. Russell, quando ele falou a ampla multidão. Tendo recebido bom treinamento domiciliar no conhecimento da Bíblia e na apreciação do Criador, decidi-me, com quinze anos, dedicar a vida a Jeová Deus, simbolizando essa dedicação por submeter-me à imersão em água.

Em setembro de 1932, com confiança de que a força de Jeová compensaria a minha própria fraqueza, deixei a agradável atmosfera de casa e comecei a carreira do serviço de tempo integral dedicado aos interesses do Reino. Fui designada junto com um grupo de missionárias a Amsterdã, nos Países-Baixos. Quando zelávamos desta designação, fomos pregar no povoado católico de Volendam, e colocamos tantas publicações no primeiro dia que esgotamos o suprimento. No dia seguinte retornamos com grandes esperanças. Logo depois, aproximou-se de mim um inspetor que perguntou se eu levava matéria impressa em minha bolsa. Respondi-lhe que “sim”, falando em inglês, coisa que jamais fizera antes, e ele me deixou ir embora. Quando terminei de trabalhar e localizei os outros, no princípio do povoado, soube que foram expulsos a ponta de faca e estavam preocupados em saber por onde eu andava.

MEU COMPANHEIRO NA VIDA

Em 1934, tornei-me membro do pessoal da filial da Sociedade Torre de Vigia aqui em Amsterdã. Como Helene Micklich, eu ansiava com freqüência ter bom companheiro que estivesse disposto a partilhar comigo a sua vida, um que, semelhante a mim mesma, sempre desejasse pôr os interesses do Reino em primeiro lugar. Imaginem minha grande alegria quando Fritz Hartstang me escolheu como esposa! Naquela época, ele estava no trabalho missionário de tempo integral e usava a sede da filial qual base de operações. Casamo-nos em 1936, o começo de muitos anos de felicidade partilhada no serviço de Jeová.

Desde a infância, Fritz mostrava profundo interesse na Bíblia. Com quinze anos de idade, a associação dos jovens da Igreja Evangélica Luterana, da qual ele era membro, foi convidada a ouvir uma série de discursos que supostamente expunha os “Estudantes da Bíblia”. Quando, no último dia da série, o representante dos Estudantes da Bíblia não levou mais de quinze minutos para refutar com êxito tudo que se havia dito nos seis dias anteriores, Fritz ficou tão impressionado que começou a estudar e logo anunciou sua decisão de abandonar a Igreja Luterana.

Ele se tornou ativo na difusão da revista A Idade de Ouro, agora conhecida como Despertai! Dentro de pouco tempo ele obtivera um itinerário de cerca de cem leitores, aos quais ele entregava cada número, viajando de bicicleta. Durante uma assembléia, teve ensejo de visitar os escritórios da Sociedade em Magdemburgo, e começou a alimentar a esperança de servir ali algum dia. Com toda a certeza, alguns anos depois, recebeu o convite de se tornar membro do pessoal. A designação dele era manter em boa forma as lâminas de corte na impressora.

Quando a redução do pessoal da filial da Sociedade tornou possível que alguns membros entrassem no serviço missionário de tempo integral em campos estrangeiros, Fritz e um companheiro foram designados a Paris, França. A seguir foram para Denis, não muito longe de Paris, e, então, para Sarreguemines. Aqueles foram anos de desafio, pois tornou-se necessário estudar e usar a língua francesa, e ajustar-se a novos cenários e costumes. Quando o companheiro de Fritz se casou, mais tarde, ele foi designado a Montmorency.

Nos anos que seguiram 1930, enquanto Hitler consolidava seu poder na Alemanha e começara a perseguição às Testemunhas, diversos irmãos se mudaram da Alemanha para os Países-Baixos. Fritz, também, eventualmente recebeu a designação de servir em Tilburg, fortaleza católica na província de Brabant do Norte. O grupo de oito pioneiros-missionários com quem ele trabalhava fez um trabalho tão excelente no espaço de apenas dois anos que o clero local ficou alarmado e usou toda a sua influência para acabar com a atividade de pregação. Foram feitas ameaças de incendiar o lar dos pioneiros, e a polícia declarou que não podia garantir a segurança do grupo contra ataques de turbas amotinadas. Portanto, transferiram-se para um lugar chamado Leersum.

De volta à Alemanha, o irmão mais jovem de Fritz, Otto, também abandonou o luteranismo e começou a participar na pregação da mensagem bíblica do Reino. Isto levou-o a ser preso e detido no campo de concentração de Esterwegen. Ao ser solto, veio unir-se a Fritz nos PaísesBaixos. Dois anos depois, Otto aceitou a designação da Sociedade de servir como mensageiro a favor dos interesses da atividade de pregação às ocultas das testemunhas de Jeová. Foi traído e preso pela segunda vez. Disse o oficial da Gestapo que o prendeu: “Vamos pegar também o seu irmão Fritz.”

Ao terminar o ano de 1933, Fritz foi designado ao lar dos pioneiros em Heemstede, onde estava acomodado também o pessoal da filial ou família de Betel. Junto com um grupo de treze outros pioneiros, ele participou em pregar a ampla área nas vizinhanças, amiúde pedalando de bicicleta até cinqüenta quilômetros para fazer revisitas às pessoas interessadas e organizar estudos bíblicos. Em tempo inclemente, consertava laboriosamente os sapatos para os outros pioneiros, no porão, utilizando velhos pneus de automóvel como solas e saltos. Quando o grupo comprou um carro barato para lhe permitir trabalhar as áreas mais distantes, costumavam morar em tendas, por quatro a oito semanas de cada vez, de modo a diminuir as despesas de viagem.

Depois de nosso casamento, em 1936, Fritz foi designado à obra de circuito, visitando um circuito de congregações e ajudando-as a ter aprimorada organização para o ministério de pregação. O lar de Betel ainda era a base de suas operações. As coisas estavam apenas em seu começo pequeno nos Países-Baixos, neste ponto. Numa assembléia em Nijmegen, por exemplo, havia um total de 123 irmãos presentes, de todas as partes do país. Contudo, continuamos trabalhando, impávidos apesar das dificuldades e dos alarmas que culminaram na invasão alemã, de 1940.

EM ÉPOCA DIFICULTOSA

O governo holandês internou todos os homens alemães, inclusive Fritz, como espiões em potencial, somente para libertá-los pouco antes de os nazistas assumirem o controle. Então nossos irmãos foram caçados pela Gestapo. Certo dia, abriram caminho à força para dentro do lar de Betel, e quando eu desci, por volta das 9 horas, vi três homens estranhos falando no corredor com o servo do escritório. Eu consegui passar por eles, não sei como, peguei minha bicicleta e corri os mais de 900 metros até nossa gráfica, na adjacente Haarlem, para avisar os irmãos e irmãs “estrangeiras”. Quando os nazistas vieram ràpidamente em seguida, pensando em apanhar muita presa, suas vítimas já tinham desaparecido de vista para todo canto do país.

Ao continuar a obra de pregação no meio de grandes dificuldades, houve algumas perdas. Diversos irmãos foram traídos e levados para os campos de concentração. Fritz foi enviado em segredo para a Bélgica, a fim de cuidar ali dos interesses do Reino. Eu o segui cerca de seis meses depois. Vivíamos como animais perseguidos, a maior parte do tempo, pois o inimigo obtivera informações de nossa localização por meio duma carta confiscada. Munidos de grandes fotografias de nós, procuravam em toda a parte, mas, de alguma forma, fomos mantidos em segurança. Em realidade, o chefe da Gestapo na Bélgica, que desejava armar uma cilada para Fritz, estava certo dia sentado perto da janela de sua casa e ouviu o ruído de motores de avião. Pensando se tratar de aviões alemães, não tomou precauções e foi atingido e morto por fogo de metralhadora. Aconteceu que os aviões eram ingleses.

Muitas vezes tivemos forte evidência da proteção do anjo de Jeová ao redor de nós. Em certa ocasião, Fritz estava voltando de bonde para casa. Passou-lhe pela idéia o seguinte: “Vou saltar uma parada antes.” A próxima parada era o fim da linha. Ao chegar, estávamos pálidos de medo, e Fritz queria saber a razão. No fim da linha, todos os passageiros estavam sendo revistados pela Gestapo. Outra vez, na casa duma irmã, houve a reunião de três servos de circuito, do superintendente da congregação de Antuérpia e de outro irmão junto com Fritz, como servo de filial. A irmã morava sozinha no andar térreo. Durante a reunião, tocou a campainha, e, quem estava ali? Três agentes da Gestapo! Perguntaram sobre um judeu e seu filho que se supunha que morassem no primeiro andar. A irmã lhes disse que os judeus haviam fugido quando estourou a guerra. Um dos agentes então montou guarda na entrada, enquanto que os outros dois deram busca em todo o canto da parte de cima e no sótão. Os irmãos oraram que Jeová cegasse os olhos do inimigo. Se tivessem sido descobertos, isso significaria que todos os principais superintendentes na Bélgica teriam sido presos de um só golpe. Mas, Jeová não permitiu tal coisa. A Gestapo partiu, e também os irmãos, um por um, para jamais voltar àquela casa. Duas semanas depois, a Gestapo retornou inesperadamente, e desta vez, deu busca em todas as premissas sem ter êxito, embora ainda houvesse alguns documentos da Sociedade escondidos nas premissas.

Precisávamos de fé e coragem naqueles dias, e Jeová certamente as proveu por meio das páginas de A Sentinela, que ainda chegava até nós via Suíça e França, onde era traduzida nas muitas línguas da Europa e então entregue por mensageiros de confiança a todas as partes do continente. Junto com Davi, da antiguidade, podíamos dizer que nada nos faltava.

Terminada a guerra, o presidente da Sociedade Torre de Vigia, N. H. Knorr, e seu secretário, M. G. Henschel, nos visitaram e nos ajudaram a reorganizar a atividade de pregação. Em breve, porém, em 1947, tivemos de deixar o país que tanto chegáramos a amar. A Bélgica expulsava os de nacionalidade alemã. Assim, retornamos aos Países-Baixos. Nossos privilégios de serviço estavam muito longe de terminar. O irmão Knorr nos estendeu o convite de participarmos da 16.a Turma da Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia, o curso avançado e especial de treinamento missionário provido pela Sociedade. Jamais em toda a minha vida esquecerei a alegria e o amor dos irmãos ali. Embora o curso não fosse fácil, foi uma época abençoada de associação e de estudo junto com nossos irmãos de várias partes do mundo. Em 1951, voltamos de navio aos Países-Baixos para continuar ali o serviço de Betel.

SOFRENDO, CONTUDO ALEGRE

No dia posterior ao nosso regresso, Fritz adoeceu sèriamente e teve que fazer uma operação dos rins. Embora outras doenças sucessivas o restringissem, ele conseguia cuidar de seus deveres na filial e na congregação local por mais dez anos. Além disso, teve a grande felicidade de assistir a duas assembléias internacionais das testemunhas de Jeová nos Estados Unidos, a última sendo em 1958, quando teve o privilégio de ter pequena parte no programa, no Estádio Ianque. Tive o privilégio de estar presente, junto com ele nessa ocasião. Em 1962, ele operou o estômago e, desde então, começou a ficar cada vez mais fraco. Todavia, apenas alguns meses depois da operação, pôde servir como presidente dum congresso em Tilburg, onde, trinta anos antes, começara seu serviço missionário nos Países-Baixos. A apenas cerca de cento e oitenta metros de onde estivera localizado o lar de pioneiros, num estádio recém-construído, teve o prazer de falar à primeira das quatro assembléias de distrito naquele ano, com mais de 6.000 pessoas presentes. Como o seu coração deve ter-se regozijado ao contemplar esses trinta anos passados!

Por fim, contraiu câncer e, vagarosamente, suas forças se exauriram até que morreu, em 5 de abril de 1964. Esses últimos meses foram de muita prova para ele, ao verificar que era necessário ceder uma após outra as responsabilidades que lhe haviam trazido tanta alegria. Ansiosamente, aguardou a oportunidade de mais uma vez participar do pão e do vinho na celebração anual da refeição noturna do Senhor. Na presença do superintendente-auxiliar da congregação e de alguns outros irmãos e irmãs que vieram até à cabeceira de sua cama, ele mesmo pediu a bênção sobre os emblemas. Então, cantamos juntos o cântico número 5 e ele ficou novamente muito calmo.

Duas noites antes de sua morte, ele reuniu as forças que lhe restavam e, na presença de alguns membros da família de Betel, ofereceu oração audível a Jeová. No dia seguinte, seu irmão mais nôvo, Otto, leu para ele parte da carta de Paulo aos Coríntios. Depois de cerca de uma hora, ele se cansou e disse: “Chega. Estou contente de ouvir essas palavras belas e confortadoras.” Na manhã seguinte, por volta das onze horas, ele adormeceu. Durante cinco horas, permaneci ao seu lado sem interrupção, a fim de umedecer os seus lábios até que ele abriu os olhos pela derradeira vez, e, sem qualquer suor de morte ou agonia de morte, morreu com expressão calma e satisfeita no rosto. Para ele era ocasião feliz, livrar-se de seus sofrimentos. Para mim, foi duro golpe ter de perder meu companheiro fiel. Graças a Jeová que Ele nos permitiu servi-lo junto durante vinte e oito anos e que me deu forças para suportar essa perda. Que nosso desejo mútuo, o de pôr os interesses do Reino em primeiro lugar, continue a me inspirar de modo que eu, assim como Fritz, possa terminar minha carreira terrestre em fidelidade.

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