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Tem dificuldades em dormir?Despertai! — 1975 | 8 de setembro
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acima, se não o for ainda mais, é ter o correto estado mental e emocional. Assim, a pior coisa que poderá fazer é ‘preocupar-se, irritar-se ou desgastar-se quando verifica que não adormece logo ou que desperta durante a noite. Assim, não leve a insônia por demais a sério; não fique determinado demais a dormir; isso o manterá acordado!
Em muitos sentidos, o sono profundo, poder-se-ia dizer, é a recompensa pelo modo de vida correto. Exerça sabedoria piedosa; daí, como Salomão afirma, “uma vez deitado, teu sono será doce”. (Pro. 3:24, CBC) Sim, produzir os frutos do espírito de Deus, tais como “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio” leva ao bom sono. — Gál. 5:22, 23.
Assim, se tem dificuldades em dormir, não se desanime. Há vários remédios possíveis, ou ajustes em sua vida, que poderá fazer para corrigir o problema. E não desperceba a parte que a fé em Deus pode desempenhar em se usufruir um bom sono, como sentiu o salmista bíblico: “Vou tanto deitar-me como dormir em paz, pois somente tu, ó Jeová, me fazes morar em segurança.” — Sal. 4:8.
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Mudanças felizes em QuebecDespertai! — 1975 | 8 de setembro
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Mudanças felizes em Quebec
OS DIAS quentes e ensolarados estavam cheios de entusiasmo franco-canadense à medida que multidões de testemunhas de Jeová na província de Quebec se reuniam em suas assembléias cristãs “Propósito Divino” em agosto de 1974. A assembléia de Montreal teve uma assistência de 5.785, ao passo que 2.505 pessoas se reuniram em Quebec. O entusiasmo francês e joie de vivre (prazer de viver) adicionaram um toque extra aos interessantes dramas bíblicos ali apresentados.
As assembléias de Quebec foram também notáveis pela ampla e favorável cobertura por parte da imprensa e outros veículos noticiosos de língua francesa. Pareciam fascinados pelo envolvimento e progresso das testemunhas de Jeová; notável contraste com o declínio da Igreja Católica Romana, que por tanto tempo dominara toda faceta da vida de Quebec.
Tanto em Montreal como em Quebec, as arenas municipais foram usadas para as assembléias das testemunhas de Jeová. Obteve-se excelente cooperação da polícia e das autoridades públicas de ambas as cidades.
Mas, é isso notável? Não é normal que tais assembléias cristãs sejam realizadas em paz e com a cooperação das autoridades? Deveria ser diferente em Montreal e Quebec?
Surpreendente Inversão
Para os que estão a par do fundo histórico, estas assembléias pacíficas e a excelente cooperação das autoridades representam uma mudança quase que incrível. Os eventos em Quebec mudaram tanto nos últimos trinta anos que apresentam os sinais patentes duma revolução! Uma revolução sem violência, as idéias e a fé constituindo as armas, ao invés de revólveres!
Nas décadas de 1940 e de 1950, as testemunhas de Jeová foram virtualmente proscritas em Quebec. Prisões, processos, ocorreram às centenas — com efeito, um total de 1.775 processos foram movidos — o maior volume de litígios sobre qualquer assunto na história do Império Britânico! Era um reinado de terror. Turbas, espancamentos, violência, discriminações, perda de empregos — a inteira gama de fustigamento oficial e particular que uma minoria já teve de suportar.
Tratava-se duma tentativa deliberada de destruir as pacíficas testemunhas cristãs de Jeová, que ousavam pregar as boas novas do reino de Deus e abrir a Bíblia para o povo da católica Quebec. Esta perseguição foi tão extremada que um bem-conhecido autor de Quebec, Leslie Roberts, disse sobre esse período: “Para muitos fora de Quebec, essa província tornara-se o lar da perseguição religiosa que fazia lembrar os dias da Inquisição.”
Mas, como poderia acontecer tal coisa, Não é o Canadá um país livre, com constituição democrática? Este é, afinal de contas, o século vinte.
Ilhota do Catecismo do Século 18
Em Quebec, antes de 1960, era somente em sentido limitado que o século 20 havia chegado. A província tinha estado, por mais de trezentos anos, sob a dominação quase total da Igreja de Roma.
Quebec foi originalmente colonizada como a Nova França, em 1608, sendo parte do império colonial francês. Os regentes franceses de Paris não estavam lá muito interessados no Canadá, terra que Voltaire chamou de “alguns hectares de neve”. O primeiro governador, Samuel de Champlain, “desejava apenas católicos romanos em seu novo mundo. Aqueles que vieram com ele . . . estavam determinados a estender a Igreja . . . no processo, a Igreja tornou-se o estado. Permaneceu sendo-o até relativamente recente”, disse um estudo sociológico dos problemas de Quebec, chamado Canadá 70, em inglês.
O domínio católico romano era destacado na vida de Quebec desde o início da colonização européia. As opressões do sistema francês do século 18, a união da Igreja e do Estado, que levaram o povo à Revolução Francesa de 1789, foram todas introduzidas em Quebec. França se livrou destes anacronismos medievais durante a Revolução de 1789. Quebec não o fez, porque não era mais parte do Império Francês; antes da Revolução Francesa, os ingleses que conquistaram o Canadá, em 1759, transferiram a província para a Coroa britânica.
Prevendo a vindoura Revolução Norte-Americana, que realmente veio em 1776, o governo britânico queria uma Quebec tranqüila. Por conseguinte, os britânicos fizeram uma barganha com a Igreja Católica, que, em efeito, era: ‘Vocês apóiam a Grã-Bretanha; nós os deixaremos controlar Quebec.’
Explica o estudo Canadá 70: “Perante muitos historiadores e escritores, a Conquista resultou numa aliança ímpia entre a Igreja Católica Romana e os Regentes britânicos. . . . Antes de se tornar Primeiro-Ministro, Pierre Elliott Trudeau escreveu: ‘A lealdade era trocada pela liberdade religiosa.’”
O governo britânico realmente entregou a regência de Quebec à Igreja Católica e “a Igreja tornou-se o Estado”.
Uso do Poder Pela Igreja
E, o que fez a Igreja Católica com seu imenso poder? O estudo Canadá 70 explica: “Há pouca necessidade de se documentar o controle — político e espiritual — da Igreja Católica Romana sobre a população franco-canadense de Quebec na primeira metade deste século. O controle da Igreja era virtualmente absoluto. . . . Alcançava também, com seu clero determinado, os escritórios governamentais, as instituições de aprendizagem, os cofres bancários do comércio e os lares das pessoas. . . .
“Através do século dezenove, a Igreja travou sua determinada batalha, em toda frente, contra quaisquer idéias liberais ou anticlericais que pudessem ter conseguido chegar a Quebec.”
Em razão destas peculiaridades da história, Quebec não sentiu os efeitos da Revolução Francesa, da Revolução Norte-Americana, e da revolução industrial. A província chegou a meados do século 20 como uma ilhota da sociedade agrária do século 18, cortada pela língua, das tendências principais da América do Norte.
O atraso controlado pela Igreja, de Quebec, tornava-se campo fértil para a exploração de homens inescrupulosos.
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A igreja e o estado unem-se para impedir o progressoDespertai! — 1975 | 8 de setembro
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A igreja e o estado unem-se para impedir o progresso
MAURICE Duplessis tornou-se primeiro-ministro de Quebec em 1936. Excetuando-se um único período (1939-1944), continuou no cargo até sua morte em 1959. O historiador Leslie Roberts o descreveu como “implacável demagogo que dominava seu partido União Nacional e a inteira província de Quebec com vontade férrea; incitador da ralé e ditador; grand seigneur (senhor feudal) e tirano”.
A regência de Duplessis foi descrita pelo Star de Toronto como “a mais abertamente corruta que a província já teve”.
Apoiado Pela Igreja
E onde se encontrava apoio para este mal? Na “Quebec rural . . . onde a Igreja era todo-poderosa. Era dali que o primeiro líder do partido, Maurice Duplessis, tirava sua força”, afirma Canadá 70.
O sistema Duplessis dependia da Igreja Católica Romana para manter-se no poder. A responsabilidade pelos danos que sua administração trouxe à província e a seu povo tinha que caber aos clérigos de Roma.
Que vantagem derivavam os clérigos desta aliança? O estudo Canadá 70 explica: “O direito de reunião e a liberdade de palavra foram negados às Testemunhas de Jeová, porque questionavam o evangelho segundo le chef (Duplessis), e a Igreja Católica Romana. Ele sustentava seu poder mediante sua aliança com a Igreja, os lavradores, e a elite comercial reacionária de língua inglesa. Em tudo, era ajudado por uma imprensa dócil.”
Duplessis, que odiava a liberdade, era perfeitamente adequado para os fins da Igreja Católica. O clero desejava dedicar o povo de Quebec à Igreja. Os bispos proclamaram que a nação franco-canadense tinha uma missão messiânica — “tornar a província de Quebec a nação cristã que substituía a França cambaleante no papel de filha mais velha da Igreja”.
Duplessis e a Igreja trabalhavam de mãos dadas para frear a educação e o progresso que libertariam les Québecois das garras medievais em que estavam. Em grande medida este conluio teve êxito em impedir o progresso e manter o povo de Quebec sujeito a sua regência opressiva de igreja-estado.
Mas, nem todos se curvaram ao sistema! Havia um resquício de liberdade que esta ditadura local não conseguiu eliminar!
Testemunhas de Jeová Lutam Pela Liberdade Religiosa
O Senhor Jesus dissera sobre este “tempo do fim”, em que estamos desde 1914: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações.” (Mat. 24:14) As testemunhas cristãs de Jeová aceitam este mandato. Parte da “terra habitada” é a província de Quebec. Ali, as testemunhas de Jeová começaram a ampliar sua atividade evangélica missionária em 1924.
Os problemas pareciam gigantescos. As pessoas eram bastante amigáveis, se ninguém mexesse com elas; mas a influência clerical levou à violência e a prisões como norma da experiência missionária. Muitos juízes católicos, educados por sacerdotes, tinham conceito um tanto míope sobre os direitos legais de quaisquer pessoas que ousassem discordar da Igreja. Batalhas legais em Quebec começaram em 1924 e continuaram até 1964.
As testemunhas de Jeová procuravam exercer o direito de liberdade de adoração, legalmente garantido, por pregarem pacificamente às pessoas a mensagem encorajadora do reino de Deus sob Cristo Jesus. Mas, em Quebec, a tentativa de exercer estas liberdades modernas encontraram um sistema controlado pelos católicos romanos que jamais tinha saído realmente da Idade Obscura. Para eles, as testemunhas de Jeová (ou quaisquer não-católicos) eram herejes que não tinham quaisquer direitos.
Foi uma confrontação clássica, similar à encontrada pelos apóstolos quando procuraram pregar a mensagem do reino de Deus em face da potência romana nos dias de Nero. As testemunhas de Jeová depararam com uma Igreja Católica poderosa, rica e politicamente entrincheirada. Do ponto de vista humano, nem era uma luta; a Igreja Católica parecia ter todas as vantagens. As humildes testemunhas de Jeová não tinham nenhuma influência nem apoio das autoridades terrestres, mas eram extremamente fortes na fé e no espírito de Jeová.
A atividade das testemunhas de Jeová em Quebec, antes da Segunda Guerra Mundial era limitada e sofria constantes fustigamentos dos sacerdotes, de turbas e de promotores governamentais. Mas, em meados da década de 1940, a luta pela liberdade de pregar ali tornou-se crítica. Nessa época, a Igreja tinha seu instrumento, Duplessis, montando o estado político. Poderia ele parar a pregação das testemunhas cristãs de Jeová? Poderia manter a Bíblia aberta longe das mãos da população católica de Quebec?
“Guerra sem Misericórdia”
Em 1944, a atividade evangélica das testemunhas de Jeová começou a expandir-se na província de Quebec. O mesmo padrão antigo de processos de pouca monta se reiniciou, as acusações de distribuírem circulares, de vendas ambulantes ou de tocar campainhas das portas foram feitas em Montreal, Verdun, Lachine e Quebec.
As testemunhas de Jeová não foram facilmente desviadas de seu dever, dado por Deus, de pregar “estas boas novas do reino”. Apresentaram defesa nos processos e a pregação continuou. A batalha se acirrou em 1945, com uma série de motins inspirados pelo clero católico. Tais motins surgiram primariamente em Châteauguay e Lachine. A publicidade nacional resultante focalizava a atenção no crescente conflito religioso em Quebec.
No fim de 1945, havia 400 processos pendentes nos tribunais. As autoridades esperavam que demoras e fustigamento parassem a atividade do povo de Jeová e impedissem nítida decisão legal que abrisse o caminho para recursos.
No outono setentrional de 1946, havia 800 processos acusatórios pendentes nos tribunais. Havia tantos casos contra as testemunhas de Jeová que a polícia, os juízes e os tribunais não podiam cuidar de todos. A situação se tornava crítica.
O público tinha o direito de saber sobre o reinado de terror de Duplessis. Em novembro de 1946, as testemunhas de Jeová lançaram um ardente tratado denunciando a perseguição pelos poderes da igreja-estado de Quebec.
A distribuição desta acusação e de um tratado em seqüência constituiu amargo golpe para Duplessis. Ameaças, declarações fulminantes e a declaração de “guerra sem misericórdia contra as testemunhas de Jeová” foram a reação dele. Aos 800 processos pendentes, juntaram-se outros 834 processos em questão de quatro meses. No entanto, os promotores públicos passaram então de simples acusações de violações de posturas municipais às graves acusações criminais de sedição e conspiração. Não fizeram as autoridades quaisquer esforços de negar os fatos esboçados nos panfletos. Disseram, efetivamente: ‘É sedicioso dizerem até mesmo a verdade sobre quão ruim é realmente a situação.’
Intensificam-se as Pressões
Continuando a cumprir sua comissão cristã, as testemunhas de Jeová encontraram intensificada pressão. Formaram-se turbas nas ruas contra as Testemunhas que visitavam as portas.
Devido à sua fé, crianças foram expulsas das escolas ou arrastadas às barras dos tribunais como delinqüentes juvenis. Chefes de família perderam seus empregos, suas licenças comerciais foram canceladas. A polícia e as turbas invadiam os locais de adoração e acabavam com reuniões.
Moças cristãs respeitáveis eram presas, desnudadas e detidas em cárceres imundos junto com prostitutas, ladras e toxicômanas. Algumas eram presas enquanto estavam simplesmente andando pela rua ou fazendo compras nas lojas. Muitos folhetos tiveram de ser distribuídos à noite, para se evitar prisões injustificadas no exercício dum direito constitucional.
Janet MacDonald, fiel missionária que participava nesta obra, afirma: “Os folhetos eram distribuídos de dia ou de noite. Voávamos pelo interior, nas nevascas frias do inverno, amiúde com a polícia atrás, em ardente perseguição. Em meados da noite, um carro cheio de Testemunhas entrava num povoado com um suprimento de folhetos. Cada uma de nós corria para as casas designadas, entregava os folhetos, voltava correndo para o carro e lá íamos nós! Enquanto a polícia dava buscas naquele povoado, nós já estávamos em outro.”
Em seu livro The Chief (O Chefão), Leslie Roberts disse sobre a guerra de Duplessis: “Esquadrões da polícia provincial traziam as Testemunhas literalmente às centenas, por ficarem em pé, quietamente, nas esquinas das ruas, passando seus ardentes tratados. Na cidade de Quebec, um senhor chamado Laurier Saumur tornou-se o astro da ‘repetição’ . . . preso e processado em cento e três ocasiões diferentes durante a ‘guerra’.”
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Derrota da opressãoDespertai! — 1975 | 8 de setembro
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Derrota da opressão
AS EXTREMAS medidas tomadas por Duplessis, e as observações descomedidas dos juízes dos tribunais de pequena instância, provocaram um ricochete dos elementos amantes da liberdade dentre o povo canadense.
Num processo em Quebec, o Juiz Jean Mercier lançou amargo ataque contra uma testemunha de Jeová julgada por violação duma simples postura municipal. O Globe and Mail, influente jornal de Toronto, comentou sobre isso em editorial, em 19 de dezembro de 1946. Sob a manchete “Volta de Inquisição”, disse:
“A perseguição contra a seita religiosa conhecida como Testemunhas de Jeová, que agora tem lugar na Província de Quebec, com entusiástica sanção oficial e judicial, tomou uma direção que sugere que a Inquisição voltou ao Canadá francês. O Juiz Jean Mercier, no tribunal de registros públicos de Quebec, disse, segundo se informa, que a polícia de Quebec acha-se agora instruída a ‘prender assim que vir toda Testemunha conhecida ou suspeita’. Se isto for verdade, o poder policial de Quebec está sendo usado para prender homens e mulheres por manterem uma opinião religiosa.
“Trata-se de monstruoso ultraje contra as liberdades civis. A teoria da Inquisição era que uma função dos tribunais era livrar-se da comunidade de herejes. A Inquisição matava os herejes, ao passo que Quebec apenas os coloca na cadeia; mas o Juiz Mercier aparentemente não seria avesso ao reavivamento dum castigo mais severo. Relata-se que teria dito que sentenciaria cada Testemunha de Jeová ‘pelo menos à prisão perpétua’, se isso fosse possível.”
Escandalizados Muitos Canadenses
A informação concernente à perseguição contra as testemunhas de Jeová escandalizou a muitos canadenses. A fé e tenacidade desta minoria em face de sobrepujante oposição granjeou-lhes muito respeito.
Um jornalista bem-conhecido, Jack Karr, noticiou no Star de Toronto de 26 de dezembro de 1946:
“É preciso coragem para se ser Testemunha de Jeová na província de Quebec hoje em dia — coragem e uma coisa conhecida mundanamente como ‘peito’. Pois as Testemunhas são objeto de ódio, suspeita e desprezo da gente comum. Poucos quebecanos, contudo, parecem estar mui seguros relativo a por que odeiam e desprezam as Testemunhas, exceto que seu governo lhes mandou que ficassem alertas quanto a elas.
“Mas, se é difícil os não-quebecanos serem Testemunhas na província, deve ser muitas vezes mais difícil para os quebecanos que renunciaram à sua fé e juntaram-se ao movimento. Perderam amigos e são, efetivamente, vítimas sociais de ostracismo em suas vizinhanças. Pessoas que certa vez eram seus amigos agora as espionam segundo afirmam, e denunciam suas atividades e, quando as reuniões são realizadas, as vizinhanças próximas ficam tensas de antagonismo e indisfarçada espionagem.
“Por esta razão, às vezes é um pouco difícil para alguém de fora captar o significado da situação e entender plenamente que estas coisas realmente acontecem no Canadá. O observador talvez não esteja de pleno acordo quer com as doutrinas das Testemunhas quer com seus métodos de atingir seus fins, mas, pelo menos, emergirá da experiência de associar-se com elas com tremendo respeito por sua coragem e por sua persistência em asseverar seus direitos. . . .
“Em suma, as Testemunhas de Jeová, pequeno grupo de 200, criaram uma comoção e tanto na velha Quebec. E, numa cidade composta duma população de 90 por cento que fala francês, e 95 por cento de católicos romanos, suas reuniões começam a assemelhar-se a reuniões dos primitivos cristãos na Roma de Nero.”
E, ao que todo esse sofrimento levou?
As testemunhas de Jeová lutaram até conseguir cinco vitórias destacadas no Supremo Tribunal do Canadá, entre 1949 e 1959, e, assim, neutralizaram os viciosos ataques da igreja-estado. Estes processos de ensaio no Supremo Tribunal estabeleceram princípios normativos que resolveram com êxito centenas de outros processos.
Os últimos dois grandes processos foram vencidos em 1959. Um deles era uma ação pessoal contra Maurice Duplessis por uma testemunha de Jeová que operava um restaurante em Montreal. Sua licença de vender bebidas alcoólicas foi cancelada porque ele pagava a fiança de muitas testemunhas de Jeová acusadas. O Supremo Tribunal do Canadá tornou Duplessis pessoalmente responsável pelas perdas e danos. Três meses após a sentença ser cumprida, Duplessis morreu.
Reconhecido o Valor das Decisões
O valor destas decisões e da corajosa posição das testemunhas de Jeová tem sido calorosamente reconhecido por destacadas autoridades constitucionais do Canadá. Em seu livro, Federalism and the French Canadian (Federalismo e os Franco-canadenses), Pierre Elliott Trudeau, agora Primeiro-Ministro do Canadá, declarou: “Na província de Quebec, as testemunhas de Jeová . . . sofreram zombarias, foram perseguidas e odiadas por nossa inteira sociedade; mas conseguiram, por meios legais, combater a igreja, o governo, a nação, a polícia e a opinião pública.”
O Professor Frank Scott, da Universidade McGill, em seu livro Civil Liberty and Canadian Federalism (A Liberdade Civil e o Federalismo Canadense), considera o caso Lamb v. Benoit: “O caso Lamb é simplesmente outro exemplo da ilegalidade policial, mas é parte do quadro surpreendente que tem sido exposto mui amiúde em Quebec nos anos recentes. A Srta. Lamb, outra das testemunhas de Jeová, foi presa ilegalmente, sendo detida no fim-de-semana sem qualquer acusação ser feita contra ela, não lhe sendo permitido telefonar a um advogado, e então lhe ofereceram a liberdade sob a condição de ela assinar um documento liberando a polícia de toda responsabilidade pelo modo em que a trataram. Quando se lê tal história, fica-se pensando em quantas outras vítimas inocentes têm sido tratadas semelhantemente pela polícia, mas não tiveram a coragem e o apoio de dar andamento ao assunto até a vitória final — neste caso, 12 anos e meio depois de ocorrer a prisão. Deveríamos ser gratos de que temos neste país algumas vítimas da opressão estatal que se erguem a favor de seus direitos. Sua vitória significa a vitória para todos nós.”
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Quebec progride: a revolução tranqüilaDespertai! — 1975 | 8 de setembro
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Quebec progride: a revolução tranqüila
EM QUESTÃO de seis meses depois da morte de Duplessis, em 1959, seu governo foi derrotado. Ramsay Cook disse, em seu livro Canada and the French Canadian Question (O Canadá e a Questão Franco-canadense): “A morte de Duplessis removeu a tampa que mantinha selados por mais de uma década os descontentamentos do Canadá francês. É duvidoso se até mesmo Duplessis poderia ter mantido a tampa por muito mais tempo, pois as forças operárias sociais e econômicas eram potentes demais.”
Escrevendo sobre estas condições, Pierre Elliott Trudeau (ele mesmo sendo católico) descreveu a necessidade de “livrar consciências instigadas por uma igreja clericalizada e obscurantista . . . livrando os homens esmagados por uma tradição autoritária e antiquada.” Ele indicou que nunca tinha havido muita liberdade em Quebec e acrescentou: “Por volta de 1960, parecia que a liberdade iria finalmente triunfar. . . . tanto assim que a geração que entrava na casa dos 20 anos em 1960 foi a primeira em nossa história a receber, como seu quinhão, a liberdade razoavelmente completa. O dogmatismo da Igreja e do Estado, da tradição, da nação, tinha sido derrotado.”
Momento Decisivo
A “mudança dos velhos modos” trouxe novos acontecimentos em muitos lados. O ano de 1960 assinalou um momento decisivo, um grande passo à frente, com tanta subitaneidade que é comumente mencionado como a “Revolução Tranqüila”.
Iniciou-se nova era de informações e
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