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O que prefere?Despertai! — 1971 | 8 de outubro
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O que prefere?
SE PUDESSE escolher, onde preferiria viver — numa pilha de lixo ou numa área ajardinada?
Concordamos que a resposta parece óbvia. Seria difícil encontrar alguém que diga que prefere a pilha de lixo.
Todavia, muitos homens hoje temem que a sociedade humana esteja realmente fazendo tal escolha!
“Estamos ficando cada vez mais ricos em comunidades cada vez mais sujas, até que alcançaremos um estágio final de próspera miséria — [o rico rei] Creso numa pilha de lixo”, é o modo em que o expressou o antigo Secretário de Saúde, Educação e Bem-Estar dos EUA, John W. Gardner.
Não só nos EUA, mas em todo o mundo surge o clamor de que — como uma ave que conspurca seu próprio ninho — o homem esteja conspurcando o único lar que possui, a terra. O destacado ecologista Barry Commoner declarou: “Dispomos do tempo — talvez uma geração — em que salvar o ambiente dos efeitos finais da violência a que o submetemos.”
Haverá Realmente Escolha?
Determinados outros cientistas concedem ainda menos tempo. Alguns sustentam que talvez já se tenha alcançado o “beco sem saída”.
Pode ser verdade que a maioria hodierna prefira realmente a pilha de lixo ao jardim? Este número de Despertai! mostra que, quer o compreenda quer não, este é o caso. Mas, mostra como pode fazer uma escolha diferente e por que tal escolha ainda é possível. Há sólidas razões para se confiar que esta terra se tornará — não um depósito global de lixo — mas um parque mundial de refrescante beleza. Poderá viver para vê-lo.
Parece-lhe irreal? Será otimismo baseado em apenas alguns casos em que se inverteu a devastação ambiental Não, baseia-se em evidência mais fundamental e mais duradoura do que tais êxitos temporários.
Precisamos entender claramente a fonte real do problema. Qual é ela? A maioria aponta o dedo acusador para a indústria, a tecnologia ou a explosão demográfica. Neste número, verá que a verdadeira causa é muito mais profunda e abrange uma área muito mais ampla.
Mas, primeiro, quão ruim está a situação? Será tão grave como afirmam muitos cientistas? Poderá, por exemplo, resolver pessoalmente o problema para si mesmo e sua família por se mudar duma cidade apinhada para uma área rural isolada ou alguma ilha distante?
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Atinge-o tal problema?Despertai! — 1971 | 8 de outubro
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Atinge-o tal problema?
ATINGE-O realmente o problema da poluição? Bem, será que respira ar, bebe água e ingere comida? Preocupa-se com a qualidade de sua vida?
Então, já está sendo atingido, quer o compreenda quer não. Isto se dá não importa onde viva. Na verdade, a situação nas cidades é pior do que nas áreas rurais. O problema, porém, acha-se tão difundido agora que todas as áreas são atingidas em algum grau.
O que torna a poluição um problema mundial é que não respeita fronteiras nacionais; cruza facilmente as fronteiras. O ar que respiramos hoje talvez estivesse em uso há uma semana ou há um mês em outro país. A água flui dos rios e lagos nos oceanos, onde circula até áreas bem longínquas.
A Associação Médica Estadunidense afirma que há “evidência sobrepujante de que a poluição da água, do ar e de ruído, causada pelo homem, bem como a má distribuição dos resíduos sólidos, dos inseticidas, dos preservativos e de outros materiais tóxicos se aproximam rapidamente do ponto em que a forma de vida humana e muitas outras formas se acham ameaçadas”.
O ecologista Dr. Barry Commoner ecoa tais palavras ao pontificar: “Chegamos a um momento decisivo na habitação humana da terra. . . . Creio que a contínua poluição da terra, se não for impedida, eventualmente acabará com a adequabilidade deste planeta qual lugar para a vida humana.”
Quão em Breve!
Referem-se tais pessoas a algo que talvez ocorra daqui a alguns séculos? De quantos anos estão falando?
The Canadian Magazine, de 4 de abril de 1970, afirma: “O lindo Canadá estará morto dentro de 10 anos. A menos que comecemos a salvá-lo agora.”
O Guardian, da Inglaterra, declara: “Nas duas próximas décadas, a vida em nosso planeta mostrará os primeiros sinais de estar sucumbindo à poluição industrial. A atmosfera se tornará irrespirável para os homens e os animais; toda vida cessará nos rios e nos lagos, as plantas se secarão devido ao envenenamento.” E o antigo conselheiro presidencial dos EUA, Daniel Moynihan, calcula que o homem talvez tenha uma possibilidade inferior a cinqüenta por cento de sobreviver até 1980.
São tais pessoas ‘arautos da calamidade’? De jeito nenhum. Muitos eram otimistas há alguns anos atrás. Com efeito, tão recentemente quanto em 1962, a maior parte da imprensa e da comunidade científica zombava de Rachel Carson, quando escreveu o seu livro Silent Spring (Primavera Silenciosa), em que predizia horrendas conseqüências a advir da poluição constante por parte do homem.
Não estão zombando mais. A maioria das predições dela se materializaram. Os fatos duros e frios obrigaram os cientistas e a imprensa a reconhecer a verdade a respeito do que acontece. O homem deveras segue um proceder que poderia levá-lo à extinção.
A Fina Camada de Vida
A terra ainda parece bem grande para muitos. Mede cerca de 40.000 quilômetros em sua circunferência e sua atmosfera avança cerca de 960 quilômetros no espaço. Na direção oposta, os imensos oceanos possuem fendas que chegam a atingir uns onze quilômetros.
É verdade. Mas, realmente nós e as outras criaturas vivas e as plantas vivemos todos no que talvez possa ser descrito como finíssimo “invólucro” que envolve a terra. Esse fino “invólucro” é chamado “biosfera” porque dentro dele se acha toda a vida terrestre conhecida.
Chamá-lo de “finíssimo” não é nenhum exagero. Além de alguns espórios e bactérias flutuantes, a vida somente existe nos primeiros oito quilômetros da atmosfera da terra, com seus novecentos e sessenta quilômetros. Em realidade, o número bem maior de coisas que respiram ar — humanos, animais, aves e vida vegetal — vivem dentro dos primeiros três mil metros apenas acima do nível do mar.
Assim, também, acha-se alguma vida a uns onze quilômetros nos leitos oceânicos. A ampla maioria da vida marinha, porém, existe apenas nos cerca de cento e cinqüenta metros superiores dos oceanos. Mais do que isso, acha-se principalmente concentrada nas “plataformas continentais”, as águas rasas que confinam os continentes, bem como as águas similares ao redor das ilhas.
A biosfera, então, é uma zona de vida de uns dezenove quilômetros ao redor do globo. É fina, deveras. Mas, em realidade, plenamente 95 por cento de toda vida na terra se acha numa camada mais fina ainda, de menos de três quilômetros e duzentos metros de grossura. Neste “invólucro” notavelmente fino circulam o ar e a água usados vez após vez pelas coisas vivas da terra. Agora, considere o que acontece a esse ar e a essa água, bem como ao solo em que vivemos.
[Foto na página 4]
O Secretário-Geral do ONU, U Thant, disse que a poluição de nosso ambiente é agora tão séria que, a menos que sejam dados passos imediatos para corrigir isto, “põe-se em dúvida a própria capacidade do planeta de sustentar a vida humana”.
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Não há abundância de ar a respirar?Despertai! — 1971 | 8 de outubro
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Não há abundância de ar a respirar?
POR QUE preocupar-se com o ar? Quando olhamos para o céu, parece sem limite, não é?
Talvez pareça assim. Mas, lembre-se, os astronautas tiveram de levar sua própria reserva de ar quando levantaram vôo da terra. Quando toma um avião a jato, a cabina tem de ter o seu próprio nível de ar artificialmente mantido.
Isto nos conta algo. O quê? Que não há reserva utilizável de ar a alguns quilômetros da terra. O ar que pode respirar é encontrado só numa faixa relativamente estreita bem acima da terra. Contém o oxigênio que é vital para toda a vida humana e animal. Essa faixa estreita de ar utilizável se acha agora em grave perigo.
O Processo de Autopurificação do Ar
Na verdade, a atmosfera de nossa terra dispõe dum maravilhoso sistema de autopurificação que foi construído nela. O ar é como um oceano, com suas marés e correntes, em forma de ventos e massas de ar em mutação. A fumaça oriunda de algumas fogueiras de lenha, por exemplo, é rapidamente dispersada e dissipada. As partículas sólidas flutuantes da fumaça com o tempo são eliminadas do ar pela chuva e neve. O que dizer dos gases?
O próprio ar de nosso planeta é, naturalmente, uma mistura de gases. O nitrogênio forma cerca de 78 por cento e o oxigênio 21 por cento dela, o resto sendo constituído de diminutas quantidades de argônio, bióxido de carbono, hélio, e assim por diante. Notáveis processos operam para impedir que tal mistura se altere.
Conforme diz a revista Time: “Com fantástica precisão, a mistura [é] mantida pelas plantas, pelos animais e bactérias”, que usam e devolvem os gases em taxas iguais. “O resultado é um sistema fechado, um ciclo equilibrado em que nada se perde e tudo conta.”
A precisão é, deveras, surpreendente. O bióxido de carbono, por exemplo, forma só cerca de uma parte em cada três mil partes de ar pelo volume. Quando os homens e os animais respiram o ar, usam o oxigênio e exalam bióxido de carbono. Mas, as plantas fazem o contrário. Absorvem bióxido de carbono e exalam oxigênio, mantendo o equilíbrio.
O relâmpago corta o ar e faz com que o nitrogênio forme um composto que as gotas de chuva levam para a terra. Ali, as plantas usam-no para crescer. As plantas, por sua vez, são usadas pelos animais ou morrem e decompõem-se. As bactérias que atuam sobre as plantas e o estrume animal em decomposição liberam o nitrogênio de novo no ar. O ciclo fica completo.
Alguns gases liberados naturalmente podem ser perigosos em quantidade suficiente — como o ozônio que cheira depois duma trovoada. Mas, o sistema de autopurificação do ar cuida deles, não raro em questão de horas ou de dias. São eliminados pela chuva ou neve, por serem extraídos do ar pela vegetação, ou, simplesmente, por assentarem vagarosamente sobre a terra.
Bem, então, há algo com que se preocupar? Há muitíssimo!
Como a Situação Mudou
A evidência é que o homem se acha bulindo seriamente com este maravilhoso equilíbrio. Costumava acontecer que os processos de autopurificação da atmosfera podiam combater a poluição e manter puro o ar.
Mas, a situação agora é que o aumento de poluição está adiantando-se à produção de ar purificado. As “camadas de ar” sobre os Estados Unidos, Japão, Alemanha e outros países se estão enchendo continuamente de gases e partículas que provocam uma sobrecarga. Os ciclos naturais estão sendo pressionados além do que podem cuidar.
Atualmente, todo o ar nos Estados Unidos é considerado poluído até certo grau. Note as descobertas dos cientistas, conforme relatado no Register de New Haven: “O último vestígio de ar limpo que o centro notou nos Estados Unidos foi próximo de Flagstaff, Arizona, mas desapareceu há seis anos atrás quando . . . a poluição atmosférica da costa da Califórnia atingiu a cidade do norte do Arizona.”
O biofísico William Curby afirma que a poluição constante produziu enorme nuvem de sujeira flutuante que paira constantemente sobre a inteira Costa Leste dos EUA. Afirma: “A sobrecarga de partículas de sujeira sobre a Costa Leste agora se acha à frente da taxa de descarga.”
E a conspurcação se dá em toda a terra.
O Der Spiegel da Alemanha relata a respeito da média daquele país: “A poluição atmosférica na República Federal [Alemanha Ocidental] já está sete vezes pior do que nos EUA.”
No Japão, os guardas de trânsito de Tóquio agora gastam apenas algumas horas no serviço de cada vez. Daí, dirigem-se a centros para respirar oxigênio. Os cafés e galerias em Tóquio dispõem de máquinas automáticas que fornecem oxigênio aos fregueses das lojas.
A situação é tão séria que os cientistas, num centro de pesquisas atmosféricas nos EUA predizem que, na presente taxa, “em questão de 10 a 15 anos a contar de agora, todo homem, toda mulher e criança no hemisfério terá de usar um capacete de respiração para sobreviver ao ar livre. As mas, na maior parte, estarão desertas. A maioria dos animais e grande parte da vida vegetal terá sido morta.”
“Não Vejo Nada Disso”
Grande parte da poluição atmosférica se acha em forma de partículas — fuligem e pó. A dona de casa que limpa o peitoril da sua janela poderá falar-lhe disso. Também o homem que limpa seu carro.
No entanto, talvez more numa área em que os céus com freqüência são azuis. Bem pouca ou nenhuma fuligem se ajunta em seus peitoris das janelas e seu carro. Talvez ache que a poluição atmosférica não o atinja.
Tenha presente, porém, que a maior parte da poluição atmosférica é invisível. Não pode vê-la. E, em grande parte do tempo, tampouco pode cheirá-la. Mas, não se engane — é provável que lá esteja, em forma de gases invisíveis, alguns dos quais são venenos mortíferos quando absorvidos em quantidade suficiente. E inalar regularmente os mesmos, até em quantidades pequenas, certamente não contribuirá para sua saúde.
Um dos poluidores invisíveis é o monóxido de carbono. Não tem cor, nem cheiro, nem sabor — e é mortífero. Se ligasse seu carro numa garagem fechada, o monóxido de carbono entraria em seus pulmões e em sua corrente sangüínea e acabaria com a habilidade de seus glóbulos vermelhos transportarem oxigênio. Morreria por falta de oxigênio.
Atualmente, milhões de pessoas, em muitas cidades, já sofrem de ‘subnutrição’ quanto ao oxigênio, devido principalmente ao número avolumante de carros. Segundo certa fonte, em apenas dez áreas de cidades dos EUA, cerca de 25 milhões de toneladas de invisível monóxido de carbono oriundas de carros são lançadas no ar a cada ano.
A atmosfera normalmente contém algum enxofre, devido à vaporização dos oceanos e aos gases vulcânicos. Os cientistas, porém, calculam que os carros, as fábricas e os incineradores domésticos do homem agora lançam cerca de 73 milhões de toneladas de óxidos de enxofre na atmosfera a cada ano. Quando o ar está orvalhado, estas se convertem em gotículas de ácido sulfúrico, e corroem metais, consomem pedras e mármores, aumentam a acidez nos lagos e nos rios, e prejudicam os pulmões das pessoas.
A revista Scientific American afirma que, sob a influência da luz solar e da ação catalítica dos óxidos de nitrogênio no ar forma-se o nevoeiro e os hidrocarbonetos (normalmente inofensivos) que saem dos carros e das fábricas são parcialmente oxidados, formando “peróxidos” e “ozônidos”. Adiciona a revista: “Estes compostos são os poluidores atmosféricos mais tóxicos que se conhece. Causam danos às plantas em concentrações de uma parte em 10 milhões de partes de ar.”
Não é de admirar que a bronquite, a asma e toda sorte de males respiratórios aumentem rápido. O enfisema é à mais crescente causa de mortes nos EUA, subindo 500 por cento nos últimos dez anos apenas na cidade de Nova Iorque.
O que pode fazer? Mudar-se para o Havaí ensolarado, com seu céu azul? Mas, o Havaí relata uma duplicação das moléstias respiratórias nos últimos anos. Por quê? Poluição atmosférica.
Por certo, tem de haver algum remédio. O ar foi mantido puro por milhares de anos com o que os homens chamam de “fantástica precisão”. Quem se certificou disso? Não poderia ser Aquele que há de resolver o problema?
Mas, junto com o ar, temos de ter água para sobrevivermos. Que situação encontramos nesse respeito?
[Diagrama na página 7]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
CICLO DO OXIGÊNIO
As plantas absorvem bióxido de carbono, exalam o oxigênio.
Os animais e os humanos absorvem oxigênio, exalam bióxido de carbono.
CICLO DO NITROGÊNIO
O relâmpago combina o nitrogênio com o oxigênio. A chuva traz isto para terra.
As plantas verdes suprem alimento para os animais e os humanos.
As bactérias retiram o nitrogênio do ar para ser usado pelas plantas.
As bactérias atuam sobre as plantas e o estrume animal em decomposição; liberam o nitrogênio de novo no ar. Outras bactérias produzem alimento para as plantas.
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Água, água em toda a parte — mas, quão pura é?Despertai! — 1971 | 8 de outubro
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Água, água em toda a parte — mas, quão pura é?
A ÁGUA constitui 70 por cento da superfície da terra. Poderia parecer que certamente se tem aqui uma reserva inesgotável, além de grave perigo.
Tenha presente, porém, que apenas 3 por cento é água potável. Destes, menos de 1 por cento se acha disponível ao homem para beber, cozinhar, banhar-se, para irrigação e outros usos. As águas remanescentes estão presas em oceanos salgados, em banquisas de gelo, ou em depósitos subterrâneos.
Qual é a condição da reserva vital de água potável da terra? Já olhou bem de perto os rios e lagos próximos de sua casa, ultimamente? O que ver poderá chocá-lo.
O Que Acontece à Reserva?
Calcula-se que, cada dia, cerca de 662.000.000.000 de litros de esgotos e dejetos sejam lançados nas vias fluviais dos EUA. Mais de 50 por cento só recebe tratamento “primário”, o que não remove a maioria dos poluidores.
O Dr. Jack Gregman, do Departamento do Interior dos EUA, diz: “Quase toda corrente neste país se acha poluída em certo grau. Algumas se acham além de sua capacidade de cuidar dos resíduos.” Em julho de 1969, o Rio Cuyahoga, de Ohio, ficou tão sobrecarregado de óleo e lixo que pegou fogo em realidade, danificando duas pontes!
Os rios em outros países industriais estão em condições similares aos dos EUA. Talvez imagine, pelos cartazes de propaganda de viagem, o lindo Rio Reno na Europa. Atualmente, em grande parte de sua extensão, o Reno admitidamente nada mais é do que um esgoto aberto. Der Spiegel afirma sobre os poluidores que são lançados nele: “Se todas estas substâncias fossem transportadas por via férrea, então precisaríamos de mais de 3.000 vagões ferroviários” — cada dia!
Notável Capacidade de Purificação
O uso das correntes pelo homem como espécie de pia em que derramar sujeira não é novo. Até bem recentemente, isto não criava nenhum problema grande. A água circulante tem surpreendente capacidade de purificar-se.
Quando a matéria orgânica residual é lançada num rio, o movimento da água rompe e dilui grande parte da sujeira. Daí, o rio “digere” as partículas remanescentes pela oxidação e pelas bactérias aquáteis, que consomem os resíduos orgânicos, transformando-os em compostos inofensivos e inodoros. Até as águas dum riacho que mostrem forte poluição perto duma pequena cidade talvez fiquem inteiramente limpas por volta do tempo em que atinjam apenas alguns quilômetros rio abaixo.
Atualmente, contudo, cada vez mais os cursos d’água da terra sofrem ‘indigestão’, tornando-se escuros, espumosos e mal-cheirosos. Por quê? Estão sendo gravemente sobrecarregados, exigindo-se deles um esforço além de sua capacidade normal de purificar-se.
As Aparências Enganam
Como se dá com o ar, nem sempre se pode julgar a pureza duma massa aquosa apenas pela sua aparência. Esse rio ou lago perto do leitor talvez pareça bem limpo, até mesmo azul. Todavia, talvez esteja ‘moribundo’. Como assim?
Isto se dá por causa do que é conhecido como “eutroficação”. Isso simplesmente significa estar sendo “sobrecarregado de nutrientes”. Eis o que acontece.
Os fazendeiros hoje usam toneladas de fertilizantes químicos, ricos em nitratos. Grande parte destes por fim acabam indo para os cursos d’água. As donas de casa usam detergentes modernos, ricos em fosfatos. Estes, também, acabam indo para os rios e lagos. Daí, o que acontece?
Esta superdose de nutrientes alimenta excessivo crescimento de algas e outras pequenas plantas aquáticas. Quando as algas se multiplicam, a luz do sol não penetra tão bem na água. As algas nas profundezas morrem. A abundante matéria em decomposição usa então mais e mais oxigênio da água. Os peixes adoecem e morrem. Com o tempo, o lago ou rio se torna virtualmente sem vida.
O Lago Erie é um exemplo deste auto-sufocamento. Os peixes de valor, a água para natação e a água limpa praticamente desapareceram. E o Sunday Journal de Providence declara: “Este processo de ‘eutroficação’ já tomou conta de pelo menos 40 dos lagos [principais] da Europa e dos Estados Unidos.”
“Bem, sempre há a Suíça”, talvez diga, “onde ainda se pode achar lagos lindos e saudáveis, intocados pelo descuido do homem”. É verdade, os lagos ali ainda parecem azuis e lindos para a maioria das pessoas. Mas, os suíços vêem-nos mudar, perdendo vagarosamente sua pureza cristalina. Os lindos Lagos Zurique, Genebra e Neuchâtel se estão juntando às fileiras das massas ‘doentes’ de água da terra, seriamente atingidas pela “eutroficação”. E um relatório da Alemanha afirma que o Lago Constância “precisa ser alistado junto com o Lago Erie, estadunidense, o Lago Maior [entre a Itália e a Suíça] e o norueguês Fjord de Oslo como moribundos”.
Depósito de Lixo Final da Humanidade
A maioria dos rios e dos lagos por fim esvaziam suas águas nos mares e oceanos. Talvez pense que aqui, por fim, se acha uma reserva aquosa ampla demais para se achar em qualquer perigo real. Em realidade, os oceanos e mares da terra também estão sendo rapidamente poluídos, tornando-se o depósito de lixo final da humanidade.
Em dezembro último, a Organização Para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas convidou quatrocentos cientistas de quarenta nações marítimas para considerarem este problema. Os cientistas ali expressaram-se alarmados com o Mar Mediterrâneo. Não só os dejetos humanos sujam as praias “de Tel Aviv a Trieste”, disseram, mas o poder auto-purificador do mar não mais consegue enfrentar o volume de poluição lançada nele. Tais cientistas concordaram: “O Mediterrâneo corre em direção à poluição completa.” O Mar Báltico não se acha em melhor situação.
Durante 1970, o explorador Thor Heyerdahl e sua tripulação fizeram uma viagem através do Oceano Atlântico num barco de papiro. Ficaram atônitos com o que viram no meio do oceano. Enormes áreas estavam cobertas com grandes massas de óleo, espumas, lodo, e poluição líquida. Certos dias, relutaram em banhar-se porque o oceano estava tão sujo.
Segundo U. S. News & World Report, certos especialistas no meio ambiente avisam, por conseguinte, que “a menos que os governos se movimentem com rapidez para impedir a poluição, os oceanos do mundo ficarão tão mortos quanto o Lago Erie, por volta de 1980”.
Efeito Sobre as Coisas Vivas
As ‘mortandades’ de peixes nos rios, lagos e oceanos são tão numerosas agora que muitas dificilmente são anunciadas mais pela imprensa.
Nos oceanos, cerca de 90 por cento dos peixes vivem nas áreas costeiras. É precisamente ali em que o homem causa mais poluição, por meio do desaguar de rios venenosos (alguns contendo resíduos de mercúrio) e por escarpamentos de óleo ou o lançamento deliberado de óleo pelos navios. O Dr. Max Blumer, do Instituto Oceanográfico de Woods Hole, afirma que “o homem lança pelo menos três milhões de toneladas de óleo por ano nos oceanos. O total anual talvez chegue a atingir até dez milhões de toneladas.”
Em uma pequena área na costa de Pensacolar Flórida, mais de trinta ‘mortandades’ de peixes, envolvendo milhões de peixes, ocorreram num período de três meses de 1970. No Mar do Norte, recentemente foi descoberta ampla camada de peixes mortos. Tendo vários metros de espessura, estendia-se por cerca de 130 quilômetros. Os peixes haviam sido mortos pela poluição derramada no mar, oriunda dos cursos d’água da Europa.
Os pesticidas, tais como o DDT e outros, levados pelo vento ou escorrendo da terra nos rios, acabam nos lagos e oceanos. Muitos destes pesticidas levam anos para perder sua potência. Pequenos organismos marinhos ingerem os pesticidas. Os maiores peixes comem os peixinhos que comem os organismos contaminados. Por fim, as aves comem os peixes. Em cada estágio da ‘cadeia alimentar’ os pesticidas insolúveis se concentram. Como resultado, muitas espécies, especialmente de aves, acabam morrendo.
Um exemplo se encontra nas Ilhas Anacapa da Califórnia, EUA. Ali, dos 500 casais de pelicanos marrons em acasalamento, apenas um filhote foi produzido no verão setentrional passado, devido aos pesticidas interferirem nos seus sistemas reprodutivos.
E, tenha presente que os pesticidas têm sido encontrados de pólo a pólo, nas focas do Ártico e nos pingüins do Antártico!
Acha-se em Perigo a Reserva de Oxigênio?
O envenenamento dos oceanos põe em perigo a vida vegetal também. Diz-se que tal vida vegetal, especialmente o plâncton chamado diatomáceas, produzem grande parte da reserva de oxigênio da terra — alguns afirmam ser tanto quanto 70 por cento. Adicionando-se os golpes que a vida vegetal leva nas áreas terrestres, a reserva de oxigênio do homem, proveniente dos mares, poderia estar ameaçada.
O problema é colossal. Todavia, há também forças colossais em operação para o bem do homem. O sol retira cerca de 15.000.000 de toneladas de água doce dos oceanos salgados e de outras fontes a cada segundo, e as nuvens de chuva derramam quase a mesma quantidade sobre a terra. É óbvio que uma Fonte de poder muito maior do que estas lançou em operação tais forças e ciclos. Seremos sábios se olharmos em tal direção, em busca de alívio.
[Diagrama na página 9]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
O LAGO SAUDÁVEL
1 A energia do sol habilita as plantas a converter substâncias em alimento.
2 Ao usar substâncias nutritivas básicas, as plantas microscópicas liberam o oxigênio.
3 Os animais microscópicos comem as plantas.
4 Os predadores comem animais menores, por fim morrem.
5 Os necrófagos vivem de matéria morta ou decomposta.
6 As bactérias atuam sobre todos os restos.
7 As substâncias nutritivas básicas são liberadas pelas bactérias.
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O que se passa com o solo que produz alimento?Despertai! — 1971 | 8 de outubro
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O que se passa com o solo que produz alimento?
QUANDO anda pelos campos ou por uma floresta, quantos animais mortos observa? A vida animal pulula em tais áreas, e os animais morrem regularmente. Todavia, é raro ver-se animais mortos nos campos ou nas florestas. Por quê? Porque os necrófagos — insetos, aves e animais — trabalham para manter limpa a terra. Organismos microscópicos terminam essa tarefa, decompondo toda matéria morta, transformando-a em alimento para as plantas.
Uma vez que se lhe dê a oportunidade, a criação natural manterá não só o ar e a água, mas também o solo limpo para usufruto do homem. Mas, isto só se dá se o homem dirigir seus assuntos em harmonia com os ciclos e as leis naturais. Isso não está sendo feito na atualidade.
Despojando o Solo
Um dos modos em que o solo está sendo conspurcado é pela avalancha de lixo que está sendo lançada nele, especialmente ao redor das cidades.
A pilha de lixo de 1969 nos EUA totalizava cerca de 250.000.000 de toneladas, mais do que uma tonelada para cada pessoa lá. Destas, cerca de 60 milhões de toneladas não foram nem sequer coletadas. Foram adicionadas às rodovias, ruas, áreas recreativas e campos daquela nação como sujeira.
Considere esta lista parcial do que foi jogado fora apenas em um ano recente naquele país:
7.000.000 de automóveis
20.000.000 de toneladas de papel
26.000.000.000 de garrafas e potes
48.000.000.000 de latas
O problema é complicado devido a que tão grande parte do lixo não é do tipo que se decompõe com facilidade. Dentre os recipientes de vidro, estanho, alumínio, plástico e papel, apenas o papel e estanho se desintegram com razoável rapidez. Os demais, especialmente os de plástico, são em grande parte “não-biodesgastáveis”. Isto é, não são facilmente assimiláveis nos ciclos naturais da terra que restauram os materiais a seus elementos básicos pela decomposição ou corrosão. Assim, permanecem, tornando o ambiente do homem parecido a um depósito de lixo.
Será o problema exclusivamente dos EUA? De forma alguma. O jornal alemão Schwarzwald Bote diz: “A República alemã se está vagarosamente sufocando em ferro velho, lixo e fumaça.” O Daily Star de Toronto relata: “Os canadenses em breve estarão engolindo seu próprio lixo, a menos que ocorram mudanças ‘dramáticas e drásticas’.” Tal é a condição de quase todo país altamente industrializado.
Envenenamento Químico
A revista alemã Stern afirma que “nos últimos 25 anos, cerca de um e meio milhões de toneladas de DDT foram espalhados sobre a face da terra. Isso é cerca de 75.000 vagões ferroviários de carga de veneno. . . . O DDT se dissolve mui vagarosamente. Dos 75.000 vagões, 50.000 ainda se acham muitíssimo ativos. Estes 50.000 vagões tem . . . formado um véu venenoso que cobre a terra inteira.”
As vacas e animais usados como carne comestível ingerem a vegetação que contém DDT e outras substancias químicas. Tão grande parte destas substâncias químicas penetrou no alimento e na bebida que muitas mães que amamentam seus bebês produzem leite que contém mais DDT do que a lei permite no leite dos lacticínios. Um cientista inglês relata que os bebês de peito ingleses consomem pelo menos dez vezes o máximo recomendado do pesticida dieldrin apenas, e os australianos do Oeste consomem ainda mais.
Hoje em dia, ao invés de usarem estrume e a rotação das colheitas para manter fértil o solo, os lavradores usam fertilizantes químicos. Mas, conforme observa a revista Time: “Assim como as pessoas ficam viciadas em tóxicos, assim também o solo parece tornar-se viciado aos aditivos químicos e perde sua habilidade de fixar seu próprio nitrogênio. Como resultado, tem-se de usar cada vez mais fertilizante.” As colheitas são enormes, mas o solo está continuamente sendo despojado de sua fertilidade natural.
Os efeitos prejudiciais de alguns pulverizadores químicos não são facilmente constatáveis. Na Alemanha, foram feitos estudos dos efeitos sobre as batatas e os tomateiros causados pelo matador químico de ervas daninhas mais amplamente usado. As plantas pareciam crescer sem ser afetadas, seus frutos pareciam normais. Os animais alimentados com seus produtos cresciam normalmente. Mas a descendência que produziam não crescia. Conforme o escritor declara em Bild der Wissenschaft: “Desejo repetir. Nas plantas tratadas não havia danos visíveis. Não se encontraram danos visíveis nos animais experimentais, mas havia em sua descendência.” As plantas haviam produzido invisivelmente modificações moleculares e produziram mudanças nos animais que as comeram.
A questão agora suscitada é: Como tais substâncias químicas influem nos humanos?
Além de tudo o acima, o homem tem devastado o solo pelo desflorestamento, pela mineração a céu aberto e pelo cultivo excessivo. Os cientistas calculam que é preciso cerca de quinhentos anos de decomposição vegetal e animal para produzir apenas uns dois e meio centímetros de solo arável fértil. Todavia, o descuido do homem tem feito que milhões de toneladas de solo arável sejam despojados e levados pela erosão do vento ou da água para os rios e os mares. Não deveríamos nós, ao invés disso, mostrar apreço por esta inestimável herança — e respeitar Aquele que a proveu?
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O efeito totalDespertai! — 1971 | 8 de outubro
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O efeito total
A TERRA, e o corpo humano, são maravilhas de construção. Podem sofrer duros golpes e sobreviver. Mas, há um limite.
Talvez nenhum fator de per si, dentre as muitas coisas mencionadas antes, possa ser fatal no futuro imediato. Mas, quando consideramos o efeito total daquilo a que a terra e a vida nela estão sendo submetidas, a tendência é clara como o cristal.
Dano ao Corpo Humano
Se possuísse delicada máquina, joga nela um grão de areia talvez não a estragasse. Mas, o que aconteceria se jogasse contínua corrente de areia e pedrinhas nessa máquina? Seria apenas uma questão de tempo até que quebrasse e parasse por completo.
O cancerologista Dr. William E. Smith disse que a ingestão de vários venenos no organismo humano “não é diferente de se lançar uma coleção de porcas e parafusos no mais delicado mecanismo conhecido”.
O enorme aumento de doenças crônicas mostra que as pessoas em todo o mundo estão sendo atingidas como nunca antes. O Dr. Stephen Ayres, especialista em doenças pulmonares, disse com firmeza a um repórter: “Existe muito pouca dúvida de que viver numa área poluída é como retirar alguns anos de sua vida. . . . Enquanto estamos falando e pesquisando, o problema está ficando pior e muitos ficam doentes com enfisema, câncer pulmonar, bronquite, e outras doenças respiratórias.”
O dano causado à vida animal, resultante da poluição ambiental provocada pelo homem, já é óbvio. Relata o Times de Nova Iorque: “No tempo atual, mais de 800 aves e mamíferos estão ameaçados de serem obliterados.” Importa-lhe isso? Deveria importar. Porque, quando os animais, as aves e os peixes não podem viver mais em certo ambiente, então isso é sinal claro de que o próprio homem tampouco pode viver por muito mais tempo nele.
Perda do Prazer
A pessoa talvez não note a perda gradual de saúde física, de energia ou do prazer da vida. Mas, nos nossos dias, tantas pessoas, talvez o leitor também, queixam-se a todo o tempo de cansaço, de dores e aflições e pressões. Parece que têm de empurrar-se a maioria do tempo. A vitalidade e o prazer da vida não parecem existir mais.
Algumas autoridades atribuem grande parte disto diretamente ao problema da poluição. Afirmaram as autoridades sobre poluição atmosférica da cidade de Nova Iorque: “Além da morte e as formas mais dramáticas de doenças, a. poluição pode produzir extrema fadiga, irritabilidade, dores de cabeça e tensão.” Este por certo parece ser o caso.
Até mesmo se nossos corpos, e a terra, pudessem agüentar indefinidamente os duros golpes que recebem, será que realmente bastaria apenas sobreviver? O que dizer da qualidade geral da vida? Acha agradável respirar ar que sabe ser poluído, ingerir alimento que sabe que foi bombardeado de substâncias químicas, e beber água que talvez não seja completamente pura?
Acha agradável andar numa cidade afligida pelo nevoeiro enfumaçado, com suas ‘selvas de concreto’, sua pressa, seu congestionamento e sua sujeira? Ou acha mais agradável andar por uma praia limpa, por uma floresta tranqüila, ou no ar livre e à luz do sol numa região interiorana? As respostas são óbvias.
Sim, o quadro total da crescente poluição está, mui seguramente, influindo na qualidade da vida. A maioria das pessoas simplesmente não a apreciam tanto quanto antes, e a saúde de muitos está sendo prejudicada. Pior ainda, a poluição está pondo em perigo por completo a vida nesta terra.
Na verdade, o quadro é bem chocante. Mas, como foi que veio a ficar assim?
[Foto na página 14]
A ingestão de vários venenos no corpo humano é como derramar uma corrente contínua de areia numa delicada máquina.
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Por que veio a ficar assim?Despertai! — 1971 | 8 de outubro
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Por que veio a ficar assim?
TODAS as predições sombrias, os avisos funestos e as queixas amargas a respeito de se arruinar o ambiente humano não mudarão os assuntos. Apenas ir-se à verdadeira causa e remediá-la é o que trará alívio.
Como e quando começou esta conversão do planeta num depósito de lixo? Por que se tem permitido que atinja tais proporções desastrosas?
Basicamente, duas coisas têm o maior peso da culpa: (1) a tecnologia moderna, a produtora da grande indústria e do transporte rápido, e (2) a explosão demográfica. Estas são as causas aparentes, visíveis. Mas, por trás delas há uma causa mais básica.
Vejamos o que aconteceu e quão arraigado é realmente o problema.
Ascensão da Tecnologia Moderna
A maioria dos pesquisadores relacionam o crescimento da poluição à chamada Revolução Industrial. Começou a mais de duzentos anos atrás, em meados do século dezoito. Até então, quatro dentre cada cinco homens eram lavradores. As famílias de lavradores produziam seu próprio alimento, teciam suas próprias roupas, amiúde faziam sua própria mobília e até mesmo muitos de seus instrumentos. Os povoados e as vilas eram seus mercados. Ali, os artífices viviam e trabalhavam em seus lares, ou em pequenas lojas, produzindo trabalhos em metal, talvez imprimindo livros e jornais, produzindo jóias, prataria, e produtos de melhor qualidade de tecido, couro e madeira do que aqueles que o lavrador mediano poderia fazer. Com tais produtos, podiam comprar alimento dos lavradores, ou um comerciante poderia comprar os produtos deles e despachá-los de navio para outra parte, obtendo, em troca, produtos estrangeiros considerados como luxos.
Dois fatores, em especial, modificaram a estrutura da sociedade humana em muitos países: o capital e a invenção científica (tecnologia). Mas, uma terceira força moveu estes fatores a se unirem.
Conforme diz The World Book Encyclopedia (Ed. 1970, Vol. 10, p. 185): “A força que juntou a ciência e o dinheiro foi, provavelmente, a crescente demanda das conveniências da vida.” De início, talvez tenham sido coisas relativamente simples, os homens desejando os instrumentos que as máquinas recém-inventadas podiam produzir, as mulheres desejando tecidos feitos à máquina. Mas, à medida que cresceu o fluxo de produtos, seus desejos cresceram junto com eles.
As máquinas — fiandeiras, teares, máquinas a vapor, fornos para produzir ferro, conversores e roletes — eram caros. Apenas poucos homens, dotados de capital, podiam comprá-los. Daí, tiveram de estabelecer fábricas, preparar prédios especiais para suas máquinas, contratar pessoal a ser treinado e empregado em operá-las. Os investimentos foram grandes e os investidores estavam, por certo, determinados a obter bons lucros. Ao se espalharem as indústrias, os homens foram retirados das fazendas, de profissões particulares exercidas em suas lojas e casas e se tornaram operários de fábrica. E as fábricas tendiam a agrupar-se nas cidades, onde o combustível e a mão-de-obra eram baratas. Os esboços básicos do padrão da poluição se tornam então visíveis.
O tempo trouxe máquinas mais rápidas, mais complexas, mais automáticas, que faziam as primeiras parecer primitivas. Também exigiam mais energia, porém, maiores quantidades de combustível. Cada vez mais produtos que antes eram manufaturados foram adicionados à lista dos produtos feitos a máquina. Os artesãos individuais diminuíram de contínuo em números. As pequenas lojas e indústrias tiveram de acompanhar o passo da tecnologia ou ser arruinadas pelos competidores, que dispunham da produção em massa, mais rápida.
A invenção da locomotiva a vapor e, depois, do motor de combustão interna que usava gasolina, aumentou ainda mais o crescimento industrial. Dispondo de transporte mais rápido e mais barato, as fábricas puderam expandir seus mercados, enviar seus produtos cada vez mais longe, bem como trazer matérias-primas e combustível de pontos mais distantes. Por fim, surgiram grandes indústrias, as menores tendo de, não raro, acabar ou ser absorvidas.
Todo este crescimento foi saudado como “progresso”. Mas, tal progresso tinha um preço muito alto. Atingiu seriamente a qualidade da vida humana.
Efeito Sobre Ambiente do Homem
Nas pululantes cidades industriais, as fábricas não raro se estabeleceram em locais seletos, como, por exemplo, perto dum curso d’água ou à beira-mar. Seus produtos residuais eram lançados nas correntes ou jogados nas proximidades. (A descarga de uma fábrica poderá igualar a de uma inteira cidade de 100.000 ou mais pessoas.) Minas que produziam o vital minério de ferro ou carvão cavavam buracos cada vez maiores na terra, ou, pela “mineração a céu aberto”, nivelaram colinas e abriram grandes crateras, deixando atrás de si áreas devastadas que abrangiam muitos quilômetros quadrados. Os poços de petróleo iriam ter, mais tarde, um quinhão ainda maior no processo poluidor. As linhas de trem deixaram marcas nas colinas e as locomotivas resfolegaram até o próprio coração das cidades, trazendo fumaça, fuligem e barulho. As pessoas então geralmente achavam todas essas coisas excitantes, de início. Até mesmo quando deixaram de sê-lo, as pessoas já então estavam acostumadas, condicionadas a elas.
O desenvolvimento do uso de combustíveis fósseis — carvão e, mais tarde, os produtos de petróleo (gasolina e querosene) — desempenhou parte básica no progresso industrial. Estes combustíveis fósseis eram transportados com mais facilidade, dispunham de maior potencial energético do que os combustíveis primitivos (a madeira e os óleos vegetais). Mas, visto que não queimavam tão completamente, liberavam na atmosfera maiores concentrações de vários gases — monóxido de carbono, óxidos de enxofre, hidrocarbonetos, óxidos de nitrogênio — bem como algumas partículas sólidas. Jorrando de algumas chaminés de fábricas ou chaminés domésticas, não produziam dano observável. Só quando seu número se multiplicou muitas vezes é que verdadeiro perigo começou a se fazer sentir de modo claro.
Assim, em lugares tais como o Vale Meuse, na Bélgica, em 1930, em Donora, Pensilvânia, em 1948, e em Londres, em 1952, períodos de ar ou nevoeiro estagnados fizeram com que os insidiosos venenos destes gases produzissem efeitos desastrosos. Já pelo terceiro dia do nevoeiro em Donora, 5.910 pessoas estavam doentes — quase a metade da população da cidade. Durante a semana de intenso nevoeiro em Londres, e na semana seguinte, o índice de mortalidade ultrapassou 4.000 mortes. Atualmente, nas principais cidades ao redor de todo o mundo, os olhos de milhões de pessoas ardem, seus pulmões se acham irritados e casos de enfisema, bronquite e câncer pulmonar estão aumentando. Talvez não morram subitamente. Mas, seu período de vida com certeza está decrescendo.
A tudo isto se precisa acrescer a extensão da tecnologia científica em dois outros campos: agricultura e guerra. As fazendas, confrontadas com a decrescente mão-de-obra, tornaram-se mecanizadas e têm usado fertilizantes e pesticidas químicos. Isto aumentou as colheitas. Mas, a poluição também cresceu na mesma proporção. O desenvolvimento científico de equipamento de guerra, em especial o das bombas nucleares, introduziu novo perigo de poluentes radioativos. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial até 1963, mais de quatrocentas explosões nucleares foram detonadas. Desde o tratado de proscrição dos testes de 1963, outras cerca de trezentas explosões subterrâneas foram detonadas. Os desfolhantes atualmente devastam amplas áreas florestais no sudoeste da Ásia.
Crescimento Demográfico Traz Aumento da Poluição
Levou milhares de anos para que a população da terra atingisse um bilhão de pessoas em 1850. Por volta de 1930, atingira dois bilhões. Atualmente está em 3,6 bilhões e o cálculo é que duplicará nos próximos trinta anos. As cidades receberam o grosso deste aumento demográfico. Em 1740, a Inglaterra como um todo tinha apenas um pouco mais de 6.000.000 de pessoas. Hoje, apenas a Londres metropolitana tem mais do que isso.
Esta “explosão demográfica” tem ajudado a Revolução Industrial em sua lota em prol de ainda maior produção, operações mais gigantescas. Tendo mais pessoas, a demanda de mais energia — nas indústrias, nos lares e nos transportes — cresceu. As cidades em expansão continuamente tragaram cada vez mais a terra cultivável ao redor. E as terras junto aos novos limites freqüentemente sofreram, quer devido à poluição quer devido a serem lavradas até que perderam sua fertilidade. O alimento teve de ser transportado por caminhões de distâncias ainda maiores.
Os subúrbios se desenvolveram, à medida que as pessoas procuraram alívio da deterioração citadina. Mas, isto por fim aumentou mais a poluição por meio do uso incrementado dos carros particulares. Amplas redes de rodovias surgiram, espalhando de contínuo faixas cada vez mais largas de concreto ou asfalto sobre o que antes era uma região interiorana verdejante. Diz a revista Time: “Cada ano, apenas os EUA pavimentam mais de 1.000.000 acres [400.000 hectares] de árvores que produzem oxigênio.” Atualmente, em São Paulo, Brasil, há apenas cerca de meio metro quadrado de área verde por pessoa. A medida que aumentaram as viagens aéreas, os aeroportos tiveram seu quinhão em asfixiar extensas áreas de terra, bem como em aumentar a poluição atmosférica em larga escala.
Na verdade, por certo tempo se obteve algum êxito em melhorar certas condições ambientais nas cidades industriais. Poucas cidades hoje são como Manchester, Inglaterra, lá por volta de 1843-1844, quando, em certa área, havia apenas um banheiro para cada 212 pessoas! Todavia, agora presenciamos uma situação em que, não só certas partes conhecidas como favelas urbanas, mas a terra como um todo — o solo, a água e o ar — está sendo conspurcada.
Desenvolvida a “Sociedade de Consumo”
A indústria em larga escala precisa de mercado constante para seus produtos. Nos estágios iniciais da Revolução Industrial, as depressões eram freqüentes, pois as novas máquinas de produção em massa não raro faziam com que a oferta ultrapassasse a procura. As grandes fábricas não eram flexíveis nem conseguiam ajustar-se à demanda corrente, como os primitivos artífices particulares, que não raro tinham duas ou três profissões e até mesmo trabalhavam na lavoura.
A “explosão demográfica” apenas parcialmente solucionou este problema. Não tem sido suficiente para satisfazer a ambição industrial de “crescimento” constante. Assim, os fabricantes têm procurado estimular e promover a demanda. A publicidade, e também a produção periódica de novos estilos ou pequenos aprimoramentos que fizeram os modelos mais antigos parecer menos desejáveis, incentivaram as compras. O objetivo não era tanto o de suprir o que as pessoas precisavam, como o que poderiam ser forçadas a querer. Não raro se fabricaram artigos destinados a ter vida limitada, destarte produzindo demanda mais coerente com o passar dos anos. Devido a este “obsoletismo planejado”, um preço barato era com freqüência considerado mais importante do que a qualidade e a durabilidade.
Tudo isto produziu o que não raro se chama de sociedade “perdulária”, uma sociedade que usa os produtos por certo tempo e então se desfaz deles. Mudar este desperdício atingiria drasticamente a economia de muitas nações.
Como pode ver, então, surgiu um problema extremamente complexo, profundamente arraigado. Surgiu de forma gradual, espalhando-se pela vida de muitas gerações. Todavia, todo ele tem uma fonte básica. Qual é ela?
[Foto na página 15]
A Revolução Industrial atraiu milhões de pessoas das fazendas para o trabalho nas fábricas.
[Gráfico na página 17]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
3.000.000.000
2.000.000.000
1.000.000.000
A explosão da população do mundo atualmente se dá na proporção de 1.000.000.000 em apenas 15 anos. Levou mais de 5.800 anos para o primeiro 1.000.000.000!
1971 A POPULAÇÃO MUNDIAL É DE MAIS DE 3.650.000.000
Dilúvio
4026 A.E.C.
3000
2000
1000
E.C.
1000
1971
(Os totais da população para os períodos iniciais são estimativas.)
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Desvendando a fonte básicaDespertai! — 1971 | 8 de outubro
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Desvendando a fonte básica
O ESCALONAMENTO do desperdício em massa e da poluição em massa tem continuado bem até os nossos dias. Mas, qual é a fonte básica?
Será a inventividade humana? Não em si mesma, pois os homens inventaram coisas através da história humana. Com efeito, o livro bíblico de Gênesis fala de homens, antes do dilúvio global, como Jubal, que “mostrou ser o fundador de todos os que manejam a harpa e o pífaro” e “Tubalcaim, forjador de toda sorte de ferramenta de cobre e de ferro”. (Gên. 4:21, 22) Não é a habilidade inventiva do homem, mas o emprego errôneo dela que cria problemas.
Similarmente, o problema não reside todo na indústria, pois a indústria pode existir em todos os tamanhos. É a concentração da indústria e os métodos da indústria que têm produzido danos. Mas a indústria produz para as pessoas. Assim, basicamente, a poluição procede das pessoas e de seus desejos. Mora e trabalha numa cidade industrial, ou guia um automóvel, ou aquece seu lar com carvão ou petróleo, ou usa fertilizantes e pesticidas químicos, ou usa produtos com recipientes “para jogar fora” — potes, latas, garrafas? Então, contribui para o problema de poluição.
A Verdadeira Fonte
A verdadeira fonte da poluição em massa realmente reside no conjunto de valores que os homens em geral aceitaram, a forma de vida e o sistema que se desenvolveu. A poluição mental tem levado à poluição física.
A grandiosidade tem sido considerada como virtude. A velocidade, a produção em massa e os lucros rápidos têm sido a vara de medir do êxito, glorificados como os benfeitores do gênero humano. Conforme disse certa comissão do Senado da Austrália que relatou sobre a poluição: “O crescimento ainda é a religião nacional e o desenvolvimento é seu profeta.”
A luz do sol, o ar fresco, a água pura, a grama, as árvores, a vida selvagem — bem, todos estes talvez tenham de ser sacrificados. Mas, o “progresso” tem de continuar!
Busca-se a felicidade mediante a posse de produtos manufaturados, trazendo contínua deterioração das relações humanas e dos valores espirituais.
Na verdade, muitas pessoas hoje se acham, por assim dizer, “amarradas”. Acham-se presas num sistema para cuja existência não contribuíram. Sentem-se incapazes de mudar os assuntos em seu breve período de vida.
O que dizer, porém, se fosse aberto o caminho para se fazer tal mudança? Quantos a feriam? Deplora pessoalmente o materialismo egoísta que tem fomentado o emprego errôneo dos elementos naturais da terra? A maioria das pessoas hoje em dia preferem intimamente a forma materialista de vida, apenas desejando que, de alguma forma, as conseqüências desagradáveis pudessem ser evitadas. Talvez não tenham originado o padrão de poluição, mas preferem a sua perpetuação, por causa dos chamados “benefícios” que tal padrão produz.
Perigo Advindo das Nações “em Desenvolvimento”
Vemos que uma sociedade mui diferente da anterior a 1750 se apresenta em muitos países. E os países que não se desenvolvem segundo estas diretrizes se acham em desvantagens econômicas cada vez maiores em suas relações com as nações “progressivas”. Sua moeda nacional vale comparativamente pouco no mercado internacional.
Agora, as nações “subdesenvolvidas” se empenham ansiosamente em juntar-se às fileiras das nações “progressivas”. As pessoas de tais nações anseiam os produtos que as outras têm. Isto só pode aumentar o problema para a terra. Por quê?
Porque a pessoa mediana, numa sociedade industrial, cria muitas vezes mais poluição do que as pessoas numa sociedade agrícola. Segundo o Dr. Paul Ehrlich: “Cada criança estadunidense é uma carga 50 vezes maior para o ambiente do que cada criança índia.”
Por Que Tão Pouca Preocupação Até Agora?
Por que se tem permitido que a situação atinja proporções de crise? A Comissão Seleta Sobre Poluição da Água, do Senado da Austrália, isolou dois fatores básicos, afirmando: “Por trás da maioria dos problemas de poluição jazem os fatores gêmeos da ignorância e da inércia.” Ou, poderíamos dizer, da ignorância e da apatia.
Os primitivos cientistas da tecnologia não previram o efeito maciço que seus inventos de produção em massa, que economizavam mão-de-obra, teriam sobre as condições de vida humana. Os primitivos industriais talvez não tenham compreendido o grau de envenenamento que resultaria de seu uso em ampla escala de combustíveis fósseis, nem da capacidade limitada dos rios, dos lagos e até mesmo dos oceanos, em absorver os restos lançados neles. As pessoas que ambicionaram os primitivos instrumentos de poupar trabalho e equipamentos prestimosos de início procuravam aliviar de algum modo a sua carga. Não se propuseram deliberadamente a destruir seu ambiente. Mas, tampouco ficaram mui preocupadas quando o dano se tornou mais evidente.
O autor Lewis Mumford afirma a respeito do conceito empedernido que a sociedade industrial desenvolveu: “Prestar atenção a assuntos tais como sujeira, barulho, vibração, era considerado uma finura afeminada.” Relata que, quando o inventor escocês James Watt desejou aprimorar seu esquema da máquina a vapor, de modo a reduzir seu barulho alto, os fabricantes da Inglaterra impediram Watt de fazê-lo. Por quê? Gostavam da evidência audível de poder que o barulho dava! Um moderno industrial da Alemanha mostrou que a atitude pouco mudou. Conforme noticiado em Der Spiegel, de 14 de setembro de 1970, quando entrevistado sobre a poluição do Reno, ele demonstrou alguma preocupação com a morte dos peixes, más, disse: “Tomar banho, pescar e romance — isso tudo é um monte de drogas.” Sacrificar tais coisas era simplesmente o “preço do progresso”.
Chegando à raiz do problema, o ecologista Barry Commoner declara: “Os primitivos estragos causados aos nossos recursos eram usualmente feitos com bom conhecimento das conseqüências prejudiciais, pois é difícil fugir do fato que a erosão rapidamente acompanha o desflorestamento de uma encosta de colina. [E é preciso apenas senso comum para se compreender que, se sobrecarregar uma corrente de lixo, isso atingirá as pessoas rio abaixo.] A dificuldade reside, não na ignorância científica, mas na ganância deliberada.”
Ainda há ignorância, naturalmente. Os cientistas admitem que ainda não conhecem os plenos efeitos de muitas das combinações químicas que estão sendo espalhadas no ar, no solo e na água. Esta ignorância é perigosa. Mas, a apatia diante de tal perigo, apatia arraigada no egoísmo humano, “ganância deliberada”, tem impedido qualquer paralisação real ou até mesmo um atraso no desenvolvimento tecnológico de novos instrumentos e produtos químicos.
Que esperança ou remédio existe então? O que dizer dos êxitos obtidos em certas áreas, em deter o envenenamento do ambiente? Poderá levar ao pleno alívio?
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Pode o homem solucionar o problema?Despertai! — 1971 | 8 de outubro
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Pode o homem solucionar o problema?
UMA coisa é saber qual é o problema e como veio a existir. Solucioná-lo é outra coisa bem diferente.
Pode isto ser feito? Bem, o corpo humano saudável pode pensar uma ferida se obtiver bons cuidados. Assim, também, a terra pode sarar suas feridas se obtiver a espécie correta de cuidados.
O homem, porém, tem de operar em harmonia com as leis naturais já estabelecidas para a terra. Tais leis não mudarão. O homem tem de mudar. Não há de forma alguma outra escolha.
Quais, então, são as perspectivas de que o homem venha de novo a se harmonizar com a terra?
As Perspectivas
Algumas correntes, um lago aqui e acolá, o ar sobre algumas cidades — essa é a extensão do êxito que o homem tem obtido ao tentar inverter a tendência desastrosa. O que dizer da situação geral?
Encarando realisticamente a situação geral, há pouca base para otimismo. Por exemplo, olhe o que aconteceu na cidade de Nova Iorque. Lá por volta de 1955, seu comissário sobre a poluição atmosférica predisse: “Dentro de 10 anos, nossa cidade será um bom lugar para se inalar o ar.” Um pesquisador também predisse: “Por volta de 1965, o ar respirado pelo homem que cruza a Rua 42 será tão fresco quanto o ar dum desfiladeiro de montanha suíço.”
Quem vive em Nova Iorque poderia chamar de ridículas tais predições. O ar de Nova Iorque se acha tão grandemente poluído agora que é taxado quer de ‘insatisfatório’ quer de ‘insalubre’. Aquelas predições otimistas não se baseavam na realidade.
James Skehan, autoridade da Faculdade de Boston, fez esta avaliação realística: “Conseguir que nossa terra volte a um nível aceitável de poluição vai ser quase tão difícil quanto cessar todas as guerras que já existiram ou que existirão.” Conseguiu o homem acabar com a guerra? Não. Em 1969, a Academia de Ciências da Noruega calculou que, desde 3600 A. E. C., o mundo só teve 292 anos de paz, mas 14.531 guerras que mataram centenas de milhões de pessoas. E nosso século tem visto o pior de tudo.
Podem Leis Realizar Isto?
Podem novas leis, ou maior rigor no cumprimento das leis, frear a maré? Sem dúvida, podem ser de ajuda. Mas, em fins de 1970, U. S. News & World Report observou que a poluição atmosférica e da água nos EUA aumentava “apesar dos regulamentos mais estribos e gastos substanciais por parte do governo e da indústria”.
Uma nova lei muito anunciada nos EUA atinge os carros. Depois de 1.º de janeiro de 1975, o monóxido de carbono e os hidrocarbonetos nas descargas dos novos carros têm de ser reduzidos pelo menos 90 por cento em comparação com os modelos de 1970. Depois de 1.º de janeiro de 1976, os óxidos de nitrogênio têm de ser reduzidos também pelo menos em 90 por cento.
Ao passo que isso é encorajador, observe o que Russell Train, conselheiro presidencial quanto ao ambiente, afirma: “Realmente projetamos que a poluição resultante das descargas dos automóveis fique numa curva descendente até por volta de 1985. Depois disso, até mesmo com o motor de combustão interna mais livre de poluição que possamos agora imaginar, o simples aumento em número dos carros fará com que a curva suba de novo.”
Reciclagem do Material?
Uma sugestão sensata para se reduzir a poluição do solo é a reciclagem, isto é, a reutilização do material ao invés de jogá-lo fora.
No presente, menos de 10 por cento dos produtos têxteis, de borracha e de vidro nos EUA são reutilizados. Apenas 20 por cento do papel e do zinco, 30 por cento do alumínio, e cerca da metade do cobre, do chumbo e do ferro são reutilizados. A crescente produção de todas essas coisas, então, provém primariamente de novas fontes, tais como novo algodão, madeira e minério.
Por que não se reutiliza mais material? Uma razão é ilustrada por uma companhia que escolhe o lixo e vende os materiais. The Wall Street Journal comenta sobre o dono: “Ele perde US$ 2 [Cr$ 10,00] por tonelada em cada tonelada de lixo com que lida, porque não consegue vender a maioria dos materiais que preserva.” Um exemplo: das 1.200 toneladas de papel que processou de novo, só conseguiu vender 200 toneladas. Ninguém queria o restante.
Farão Isso as Pessoas?
Sejam quais forem os remédios propostos, todos eles se resumem em um fato fundamental: para obter êxito, a esmagadora maioria de pessoas têm de aplicá-los: Será isso provável?
A revista Audubon relatou que uma companhia de refrigerantes comercializou 600.000 engradados de garrafas a serem devolvidas na área de Nova Iorque. Cada garrafa devolvida resultaria num pagamento de dinheiro. Mas, em seis meses, as garrafas foram todas jogadas fora. O povo de Nova Iorque havia rejeitado Cr$ 3.600.000,00 em depósitos! Não queriam preocupar-se em devolver garrafas.
Para evitar a poluição atmosférica em cidades que têm demasiados carros, propõe-se que as cidades construam sistemas de transporte rápido — tais como trens rápidos que levem os passageiros suburbanos para o trabalho e eliminem seus carros. Mas, a respeito disto, Mitchell Gordon afirma em seu livro Sick Cities (Cidades Doentes): “Uma pesquisa recente dos passageiros suburbanos de Chicago revelou que apenas 18 por cento deles deixariam seus carros, mesmo se os transportes ferroviários fossem grátis.” Disse também: “A metade deles ainda não faria a viagem num transporte público, mesmo que se lhes pagasse Cr$ 1,75 cada vez que entrassem nele”.
Será que o povo pelo menos cooperará por não encher tudo de lixo, isto é, por não jogar o lixo onde não devia? Ted Keatley, uma autoridade da Associação de Caça e Pesca do Estado de Nova Iorque, disse com tédio: “Não posso pensar em nada que impeça o emporcalhador. O último recurso é apelar para o seu respeito próprio, mas não tenho muita esperança nessa área, tampouco.”
É óbvio que se exige grande mudança de atitude por parte do povo. Todavia, em The Unheavenly City (A Cidade Grosseira), o autor Edward Banfield comenta: “Como se irá produzir tal mudança? Até que os meios sejam especificados, esta ‘solução’ tem de ser rejeitada como utópica. . . . O fato é, contudo, que ninguém sabe como se pode mudar a cultura de qualquer parte da população.”
Para ilustrar a dificuldade, há o caso do repórter de televisão na Flórida que expôs a pesada poluição feita por certa firma. Em breve, recebeu telefonemas de empregados da firma, ameaçando-o de danos corporais se não ‘desistisse’. Estavam receosos de perder seus empregos se a firma fechasse.
Assim, ao passo que muitos talvez falem sobre se acabar com a poluição, a ampla maioria visa mais seus próprios empreendimentos egoístas, não desejando perder nenhuma de suas vantagens a bem de outros.
Assim, ao passo que se fala muito, agrava-se o problema, à medida que a industrialização aumenta e a população terrestre ‘explode’. E aqueles que estão em condições de saber, admitem que não têm as respostas! Por exemplo, os especialistas no Departamento de Saúde do Havaí afirmam: “Não há respostas fáceis em vista. . . . No presente, não existem quaisquer alternativas aceitáveis.
O Que Realmente Seria Preciso?
Em realidade, para que o homem solucionasse o problema seria preciso acabar com a forma de vida industrial moderna em grande medida. Significaria inverter de forma permanente a tendência no sentido de maior industrialização.
Há probabilidade de isso acontecer? Cooperarão todas as pessoas para abandonar boa parte das conveniências, dos produtos, do dinheiro e do prazer agora usufruídos numa sociedade industrial, trocando-os por ar, água e solo limpos? Bem, será que já cooperaram para livrar a terra da guerra, do preconceito, do crime, da pobreza e da fome? Deixou alguém de fumar cigarros, de vendê-los, ou de produzir o fumo para eles, porque resultaram mortíferos? Abandonaram as pessoas à fornicação porque aumentam as doenças venéreas?
Assim, acha realmente que o governo, a indústria e o homem comum sofrerão súbita mudança de coração em escala maciça e inverterão a direção da forma de vida industrial? O Dr. Rene Dubos, especialista em poluição, afirma: “Na minha opinião, não há possibilidade alguma de solucionar o problema da poluição — ou as outras ameaças à vida humana — se aceitarmos a idéia de que a tecnologia há de reger nosso futuro.”
Os especialistas estão quase que esgotando suas inteligências. O que, então, é realmente preciso? A publicação Let’s Live (Deixem-nos Viver), de março de 1970, sugere: “Pareceria que se precisa do gênio dum Salomão para solucionar todos os problemas de poluição de nossos tempos.”
Acha-se tal gênio disponível? Qual é exatamente a solução?
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Como se tornará a nossa terra um lar ajardinado?Despertai! — 1971 | 8 de outubro
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Como se tornará a nossa terra um lar ajardinado?
SE O planeta Terra há de se tornar um lar ajardinado para o gênero humano como se dará isso, e quem o tornara possível?
O que pensam aqueles que estudaram intensivamente o problema ambiental que contribuiria mais para corrigi-lo? Escute o que dizem: “A base de todas as soluções é a necessidade de novo modo de pensar.”? “A maior necessidade talvez seja a mudança de valores.” (Revisita Time) “Precisamos de novas atitudes . . . as de uma sociedade madura e responsável.” — Russell E. Train, conselheiro presidencial sobre ambiente.
Vez após vez, o tema se destaca: há mister de uma alteração do modo de pensar do povo, de suas atitudes, de seu conjunto de valores. Outro tema, porém, corre paralelo a este — a necessidade de supervisão, orientação e controle globais. Escute só:
“Precisamos de um programa e de um plano que abranja todo o nosso planeta e se estenda ao máximo de alcance da capacidade humana no espaço e no tempo.” (Charles A. Lindbergh) ‘Um inteiro sistema novo de controles mundiais tem de ser inventado’ foi a conclusão alcançada por muitos cientistas bem-conhecidos, reunidos em congresso em Aspen, Colorado. — Times de Nova Iorque.
A Solução Predita nas Escrituras
‘Uma sociedade humana com novo conjunto de valores e diferente modo de pensar, governada por um novo sistema de controles mundiais’ — compreende que é exatamente isso que a Bíblia há muito prometeu e predisse? Sim, com esta grande diferença: tais coisas virão, não pelo poder e pela habilidade do homem, mas pelo poder e direção de Deus.
Por certo, se com o passar dos anos e dos séculos os homens demonstraram-se incapazes de solucionar seus problemas (dos quais a poluição é apenas um dos mais recentes), não é realístico e prático voltar-nos para outro lugar? Se não podem solucionar seus problemas em escala pequena — em seus próprios países, estados ou até mesmo cidades — por que confiar cegamente que de algum modo, algum dia, os solucionarão em escala global?
A própria terra, com seus maravilhosos sistemas ecológicos, apresenta testemunho convincente da existência de um Criador todo-sábio, todo-poderoso e amoroso. Por certo, pode prover a orientação e direção necessárias para corrigir as coisas aqui neste planeta em deterioração. Dá Sua promessa solene de fazer exatamente isso. Por que meios?
Na Bíblia, encontramos a promessa de Deus de ‘novos céus e uma nova terra, em que residirá a justiça’. (2 Ped. 3:13) “Novos céus” e “nova terra” são usados figuradamente na Bíblia para descrever uma nova regência celeste e espiritual e uma nova sociedade humana terrestre. É em favor disso que as pessoas oram quando repetem as palavras de Jesus: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” (Mat. 6:10) A Bíblia mostra que o reino de Deus pelo seu Filho trará, deveras, um ‘novo sistema de controles mundiais’ que satisfará todas as necessidades do gênero humano.
Assim, o inspirado apóstolo escreveu que Deus propôs “uma administração no pleno limite dos tempos designados, a saber, ajuntar novamente todas as coisas no Cristo, as coisas nos céus e as coisas na terra”. (Efé. 1:9, 10) Desde a rebelião do homem no Éden, tem havido uma desarmonia entre o homem e seu Criador que tem constituído a raiz de todos os problemas humanos. O reino de Deus eliminará tal desarmonia.
Por Que São Necessárias Medidas Drásticas
Submeter-se-ão todas as pessoas voluntariamente à regência do reino de Deus, e à execução da vontade de Deus para este planeta Terra? A Bíblia realisticamente mostra que nem todos o farão.
Cristo Jesus avisou que, “assim como eram os dias de Noé, assim será a presença do Filho do homem”. A história bíblica mostra que no tempo de Noé “a terra veio a estar arruinada à vista do verdadeiro Deus, e a terra ficou cheia de violência . . . porque toda a carne havia arruinado seu caminho na terra”. Lá naquele tempo, os homens arruinavam a terra por meio de sua corrupção moral e violência, tornando a terra impura e repugnante à vista de Deus. Todavia, a maioria deles preferiam arriscar-se à violência e suportar as condições agravantes porque preferiam o modo existente de vida, preferiam-no a submeter-se à vontade justa de seu Criador. O dilúvio global varreu a geração que desafiava a Deus, daquele tempo. Mas, a terra, embora completamente mergulhada na água por certo tempo, sobreviveu, como também um pequeno restante do gênero humano e da vida animal. — Mat. 24:37-39; Gên. 6:11-21.
Hoje em dia, os homens arruínam a terra, não só em sentido moral, mas também em sentido físico, pela desenfreada poluição de seus sistemas básicos e pela sua empedernida desconsideração do dano causado à vida das plantas, dos animais, dos peixes e das aves da terra. Permitirá o Criador que isto continue?
A profecia registrada em Revelação 11:18 fornece a resposta. Prediz a vinda do tempo designado de Deus para executar-se o juízo sobre os oponentes e “arruinar os que arruínam a terra”. Confrontamo-nos agora com o cumprimento dessa profecia. Por certo, vemos o predito ‘arruinar da terra’. E com igual certeza veremos dentro em breve a ação de Deus de “arruinar” os responsáveis por tal dano.
Solução Justa
Será que isso soa severo demais? Que julgamento, porém, diria que merece a pessoa que, voluntariamente e a troco de lucro egoísta introduz pequenas doses de veneno no alimento e na bebida de seu vizinho, até que por fim o vizinho adoece e morre? Embora o processo talvez leve anos, ainda não seria assassinato?
É isso que a poluição está fazendo a milhões de pessoas hoje.
A revista alemã Der Spiegel (5 de outubro de 1970) reconheceu este paralelo, dizendo: “Na maior parte, os perigos são invisíveis, despercebíveis; insidiosos — como matar o marido da pessoa com dose diária de arsênico no seu café da manhã.”
Um médico de Francforte, Alemanha, comparando sua cidade ao Vietnam, disse: “Lá metem chumbo nas costelas das pessoas, aqui, elas têm de inalá-lo. A diferença, se vier bem a considerá-la, é apenas no modo de administrá-lo.”
E, lembre-se — em face de toda a evidência crescente, que as pessoas não podem mais alegar ignorância dos efeitos mortíferos deste processo.
Os que preferem ver continuar o atual sistema e forma de vida não mostram nem amor a Deus, o Criador, nem amor ao homem, sua concriatura. Pela conversão gradual da terra em vasto depósito de lixo, os homens mostram crasso desrespeito pelo Criador da terra.
Assim, também, declarou o Filho de Deus: “Não se vendem dois pardais por uma moeda de pequeno valor? Contudo, nem mesmo um deles cairá ao chão sem o conhecimento de vosso Pai.” (Mat. 10:29) Mas, hoje em dia, os homens exterminam inteiras variedades de aves, bem como outras criaturas terrestres e marinhas.
Por meio de tudo isso, zombam das obras criativas de Deus. Aplica-se a regra bíblica: “Não vos deixeis desencaminhar: De Deus não se mofa. Pois, o que o homem semear, isso também ceifara.” (Gál. 6:7) Tendo semeado a morte e a destruição, merecem colher a mesma coisa. Deus promete que colherão.
Terra Purificada em Nossos Dias
O que estamos afirmando então? Irá Deus varrer toda a vida humana deste planeta, possivelmente queimando a terra inteira nesse processo? Algumas religiões apresentam essa idéia. Mas, ao ensinarem isso, contradizem a Bíblia.
Conforme Revelação 11:18 mostra, Deus agirá, não para arruinar a terra, mas, exatamente o contrário, para por término a ser ela arruinada. Assim como o homem não precisa incendiar a casa para livrar-se da sujeira e de baratas, assim Deus não precisa destruir a terra para livrá-la da poluição e dos poluidores. Como aconteceu no tempo de Noé, a terra carece ser limpa dos que a conspurcam. Um inteiro sistema mundial, fundado no egoísmo, tem de ser removido.
A destruição desta vez virá, não por um dilúvio aquoso, mas, como Jesus predisse, por uma “grande tribulação” paralela a destruição que devastou a antiga Jerusalém. Disse que a destruição seria “tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo. De fato, se não se abreviassem aqueles dias, nenhuma carne seria salva; mas, por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados.” (Mat. 24:21, 22) Entre as “dores de aflição” que levariam àquela “grande tribulação”, foi profetizado que haveria:
“Guerras e desordens . . . grandes terremotos, e, num lugar após outro, pestilências e escassez de víveres.” — Mat. 24:6-8; Luc. 21:9-11.
Estas são as próprias coisas que têm constituído manchetes dos jornais por toda a geração atual, além do hodierno ‘arruinar da terra’ pela poluição global. Este cumprimento de profecia fornece base sólida para a esperança de que está às portas o tempo em que a desrespeitosa conversão da terra em amplo depósito de lixo, por parte do homem, sofrerá rápido e decisivo fim, à medida que Deus traz a predita “grande tribulação”. Essa tribulação terá por clímax a ‘guerra do Armagedom’ — não alguma batalha internacional travada com desfolhantes, gases de nervos e bombas de hidrogênio, com precipitação radioativa que deixa o inteiro planeta desprovido de toda vida — mas será uma guerra justa em que o próprio Filho de Deus e seus exércitos celestes serão vitoriosos, para a bênção e a libertação de todos os que amam a justiça. — Rev. 16:13-16; 19:11-18.
Daí, o reino de Deus fará com que ocorra a vontade de Deus, “como no céu, assim também na terra”. O registro bíblico declara que, quando Deus criou o primeiro casal humano, deu-lhes um lar ajardinado na região chamada Éden. E deu-lhes o mandato: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.” (Gên. 1:28) Isto não era licença para que o homem explorasse a terra ao ponto de arruiná-la. Pois Gênesis 2:15 declara: “E Jeová Deus passou a tomar o homem e a estabelecê-lo no jardim do Éden, para que o cultivasse e tomasse conta dele”, e não o poluísse ou arruinasse. Assim, a ordem de Deus era que a terra fosse confortavelmente povoada e levada a um estado semelhante a de um parque por toda a terra. O governo celeste de seu Filho superintenderá a atividade terrestre de todos os que sobreviverem à guerra do Armagedom, a fim de assegurar-se de que seja executado o propósito de Deus.
Possível Uma Vida Mais Rica, Mais Saudável
Isto por certo não significa que a terra deverá tornar-se uma vasta região desértica. Nem significa que todas as pessoas necessariamente viverão em cabanas de madeira, cozinharão em fogões alimentados a lenha, iluminarão suas casas à noite com lampiões a óleo vegetal, ou usarão os instrumentos mais rudimentares. Mas, efetivamente significa que, sejam quais forem as invenções e fontes de energia utilizadas, serão usadas de tal modo que não provoquem dano — à terra ou aos que vivem nela. O amor a Deus e ao próximo assegurará isso! Com efeito, será por terem mudado seu modo de pensar, suas atitudes e seu senso de valores para ajustar-se aos padrões de amor e justiça de Deus que tais pessoas obterão a sobrevivência através da destruição do Armagedom.
Hoje, o uso de energia por parte do homem suja a terra. Mas, há muitas fontes limpas de energia. O sol sempre foi a fonte básica natural de energia para a terra inteira, sua energia tornando possível as mudanças químicas nas plantas que formam o meio básico de manter toda vida. A energia solar atualmente é usada pelos satélites providos de energia, e fornece aquecimento para os lares até mesmo em pleno inverno. Gigantesco espelho foi construído em França para formar uma fornalha solar e seus raios, quando focalizados, podem produzir temperaturas que chegam a atingir uns 2.980° centígrados, capazes de abrir um buraco numa grossa chapa de aço.
Outras fontes claras de energia são o vento, a água corrente e as marés oceânicas. No hodierno sistema de produção em massa, faminto de energia, cônscio da velocidade, demonstrou-se pouco interesse em instrumentos de geração de energia antiquados como os moinhos de vento, rodas d’água e similar equipamento pitoresco, não-poluidor. O uso de animais, tais como o cavalo, o búfalo da Índia, o elefante, são considerados adequados apenas para as “terras subdesenvolvidas”.
Mas, a regência do Reino de Deus não só trará libertação do atual sistema, comprometido maciçamente com os métodos que poluem; abrirá também o caminho para a perfeita saúde e vida interminável. Não mais confrontadas com a pressão do curto período de vida, as pessoas então poderão saborear a vida sem a frenética pressa e tensão que caracterizam o que os homens chamam de a humana “competição louca”. Tendo vida eterna, sendo corretamente motivados e dispondo da orientação de Jeová Deus, o Cientista Supremo do universo, quem sabe o que os súditos do reino de Deus poderão então aperfeiçoar no sentido de novas fontes de energia para uso humano?
Nos tempos anteriores à Revolução Industrial, até mesmo quando os homens labutavam juntos numa pequena loja, podiam conversar, usufruir agradável companheirismo enquanto trabalhavam, talvez até mesmo trocando saudações amigáveis e trocando novas com os passantes. Geralmente conheciam e eram conhecidos dos fregueses a quem serviam. Podiam corretamente nutrir a sensação de satisfação pessoal e justificável orgulho em produzir produtos de alta qualidade, e durabilidade. A moderna Era da Máquina tem, inegavelmente, privado os homens de grande parte destes prazeres. As máquinas que se movem rápido exigem inflexivelmente que o operador mantenha os olhos colados à máquina, à medida que repete silenciosamente os mesmos movimentos milhares de vezes. Não raro, o caso é que quanto maior for a operação, tanto mais impessoal e desumanizada é a posição do trabalhador, ao ponto de se sentir como a familiar “peça duma máquina”, servindo a pessoas a quem raramente vê ou conhece.
Por certo, o governo de Deus restaurará a apreciável variedade de vida e trabalho que tão amiúde inexiste hoje em dia. A quantidade não mais será valorizada acima da qualidade. Sendo o espírito de competição substituído pelo espírito de cooperação, os homens deixarão de empenhar-se em ultrapassar uns aos outros em troco de lucro egoísta. Pois o amor não procura os seus próprios interesses” (1 Cor. 13:5), e exorta-se aos cristãos que não façam ‘nada por briga ou por egotismo’ . . . não visando, em interesse pessoal, apenas os seus próprios assuntos, mas também, em interesse pessoal, os dos outros’. Seu Rei, Jesus Cristo, estabeleceu-lhes o exemplo nisso. — Fil. 2:3-8.
As profecias bíblicas certa vez cumpridas no antigo Israel (após os anos de restrição babilônica) terão ainda maior cumprimento no reino do Filho de Deus. Como Isaías 65:21, 22 declara: “E hão [certamente] de construir casas e as ocuparão; e hão [certamente] de plantar vinhedos e comer os seus frutos. . . . Porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore; e meus escolhidos usufruirão plenamente o trabalho das suas próprias mãos.” E Miquéias 4:4 afirma: “E realmente sentar-se-ão, cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os faça tremer; porque a própria boca de Jeová dos exércitos falou isso.”
Estes quadros proféticos da vida pacífica têm sentidos agrícolas. Isto, naturalmente, não impede por completo toda a vida comunitária sob a regência do Filho de Deus. Todavia, podemos estar seguros de que, sejam quais forem os tamanhos que as comunidades atinjam então, jamais se desenvolverão em algo parecido às monstruosidades modernas que comprimem as pessoas em lugares apertados, em uma fila após outra de edifícios de muitos andares, roubando-lhes a luz solar, o ar fresco e a privatividade, cercando-as de ruído, problemas frustradores de trânsito e outras fontes de irritação — tudo por lucro egoísta e pela exploração industrial.
Que bênção é poder andar por sendas agradáveis, ladeadas de grama e samambaias, sombreadas por galhos folhosos de árvores, ou cruzar uma campina ondulada, com margaridas brancas e douradas agitadas ao vento, ou passar por baixo duma cerca de madeira e dirigir-se ao bosque vizinho, andando no meio de sombra profunda e fresca, sobre um tapete de folhas, captando relances do sol bem acima numa abóbada azul do céu. Quão descontraidor e agradável é ouvir os sons da criação terrestre — o canto melodioso dos pássaros, o ocasional zunido e zumbido dos insetos, o estalejar dos dentes dum esquilo, o som de um córrego borbulhante, do vento, ao ir assobiando ao abrir caminho por entre as árvores.
Estas coisas deveriam originalmente ter sido a herança de todas as pessoas. São dádiva de Deus. Realmente as deseja? Quais são as mudanças que cada um de nós tem de fazer, se havemos de usufruir a vida num parque global por todo o tempo vindouro?
[Fotos na página 24]
O reino de Deus purificará a terra de toda a poluição prejudicial, transformando-a num Paraíso global.
[Foto na página 27]
Por que as pessoas apreciam sair da cidade para o campo aberto e andar por uma viela agradável? Porque o Criador colocou tal desejo de gozar a criação natural no coração do homem.
[Quadro na página 23]
Com todos os seus estudos e pesquisas, os cientistas ainda não compreendem de forma plena como funcionam os “ecosistemas” da terra (as relações biológicas de que depende a vida). A revista “time” afirma a respeito destes ecosistemas: “Até mesmo o mais simples deles é tão complicado que o maior computador não consegue desvendá-lo plenamente.” — 2 de fevereiro de 1970, p. 62.
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O que deve fazer?Despertai! — 1971 | 8 de outubro
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O que deve fazer?
ATUALMENTE, o problema de poluição atinge a cada um de nós em certo grau. No futuro próximo, a solução permanente do problema, da parte de Deus, nos atingirá ainda mais. Terá efeito direto sobre a existência contínua de toda pessoa nesta terra, inclusive o leitor.
Em vista disto, o que deve fazer? Há duas coisas a considerar. A primeira é o que pode fazer agora para reduzir o problema da poluição. Daí, há a consideração ainda maior: o que pode fazer para sobreviver ao fim deste sistema de coisas e viver no paraíso que Deus trará a esta terra.
O Que Pode Fazer Quanto à Poluição?
Há muitas coisas práticas que pode fazer para reduzir a poluição.
Um dos principais ofensores é o automóvel, em especial para a poluição atmosférica. Até mesmo se comprar gasolina sem chumbo, seu carro ainda emite poluentes, em especial se deixar de mantê-lo regulado. Reduzindo as viagens desnecessárias, juntando-se a outros para ‘lotar um só carro’, pode reduzir grandemente seu quinhão na poluição.
Manter as lareiras na devida condição operacional também é de ajuda. E o que dizer dos muitos que se queixam da poluição atmosférica e daí poluem seus próprios pulmões (e os dos outros) por fumar cigarros? Quão coerente é isso?
Poderá reduzir a poluição da água por não usar água desnecessariamente, não a desperdiçando. Para lavar roupa, talvez possa comprar produtos de limpeza que sejam “biodesgastáveis” e livres na maior parte de fosfatos, um dos principais poluentes.
Quanto ao solo, onde joga seu lixo? Talvez não o compreenda, mas seu inteiro modo de encarar o problema da poluição pode ser refletido no que faz com seu lixo, inclusive itens menores como guardanapos de papel ou pequenos invólucros de papel. Na verdade, não pode fazer os outros dispor corretamente do lixo e manter limpas as mas e os parques. Mas, pelo que faz com o lixo, mostra se respeita outras pessoas, sua propriedade, ou até a sua própria pessoa.
Estas poucas sugestões talvez pareçam muito poucas em comparação com o vasto problema existente. Isto, por certo, é verdade. Tudo o que fizer para evitar poluir não influirá grandemente no quadro geral. Todavia, fazer o que suas circunstâncias permitam é importante. Por quê? Porque mostra que respeita o Criador e sua criação. O salmista há muito escreveu: “A Jeová pertence a terra e o que a enche.” — Sal. 24:1.
Na nova ordem de Deus, os poluidores provavelmente serão chamados às contas, visto ser isso o que acontecia no antigo Israel, quando se achava sob a regência de Deus. O acampamento de Israel deveria ser mantido limpo em todos os respeitos, moral e fisicamente. A poluição causada pelo modo incorreto de se dispor dos dejetos não era permitida. Esse era o modo de Deus lidar com seu povo nos tempos passados, e esse provavelmente será o modo de ele lidar com seu povo na Sua prometida nova ordem. (Deu. 23:10-14) Por certo, todos os que viverem terão então de trabalhar em harmonia com Suas leis que regem a criação natural. Desejará Ele que o leitor esteja nessa nova ordem?
A Maior Consideração
Elogiáveis e desejáveis como sejam, os seus esforços de reduzir a poluição jamais mudará o proceder seguido por este mundo. Apenas a ação de Deus pode fazer isto. Seu propósito meridianamente expresso é “arruinar os que arruínam a terra”. (Rev. 11:18) Sem falha, limpará a terra tanto da poluição como dos poluidores mentais e físicos.
Vê-se, portanto, confrontado com uma escolha. Preferirá e procurará encontrar felicidade no atual sistema que os homens criaram e que — expressando-nos claramente — transforma a terra numa mixórdia? Ou mostrará que não se encontra em harmonia de coração com este sistema egoísta, que deseja sinceramente fazer aquilo que trará honra e louvor ao Grandioso Criador da terra? Depositará sua confiança na tecnologia humana e nos programas governamentais para solucionar o problema, ou se voltará para o Soberano todo-sábio do universo, Jeová Deus, e para seu reino por Cristo Jesus?
Os homens não previram os resultados catastróficos de suas inovações e modos. Deus o fez e predisse-os em Sua Palavra inspirada, a Bíblia Os homens, especialmente os cientistas, preocupam-se gravemente em descobrir uma saída do dilema global. A Palavra de Deus fornece a única esperança segura para um futuro feliz. Quão muito mais sábio e infinitamente mais realístico é nos voltarmos para Deus em busca de alívio, antes que para os homens falíveis e moribundos!
Como Pode Demonstrar Sua Escolha
Como pode mostrar que se colocou em harmonia com o Criador em tal assunto? Talvez diga: “Mas, freqüento a igreja.” Talvez freqüente, mas, conforme vimos, a chave para uma terra livre da poluição é o amor e a consideração pelos outros. A Bíblia nos diz isso: “Quem não ama o seu irmão, a quem tem visto, não pode estar amando a Deus, a quem não tem visto. E temos dele este mandamento, que aquele que ama a Deus esteja também amando o seu irmão.” (1 João 4:20, 21) De novo, talvez diga: “Mas eu amo meu próximo — tento fazer o bem aos outros.” Bem, qual é o maior bem que pode fazer aos outros agora? A Palavra de Deus afirma que Ele porá fim à atual ordem e trará uma justa nova ordem. Declara que e a vontade de Deus que as pessoas de toda parte sejam informadas disto, de modo que possam ter a oportunidade de harmonizar-se com Seu propósito e sobreviver para a vida numa terra ajardinada. (Mat. 24:14) Equipou-o a sua igreja para ajudar outros desta forma?
Há pessoas que ajudam outros a ficar assim equipados. As testemunhas cristãs de Jeová fazem isto pela obra bíblica educativa nos lares das pessoas em toda a terra. Simplesmente por escrever aos editores desta revista, pode também receber tal instrução bíblica gratuita em seu próprio lar. O que lhe significará?
Assimilar conhecimento da Palavra de Deus o ajudará a combater a poluição mental tão prevalecente hoje em dia. As pessoas acham-se bombardeadas pela propaganda deste mundo, seu apelo ao materialismo, à imoralidade, suas teorias confusas e as promessas vãs de homens imperfeitos. Tudo isso pode transformar a mente duma pessoa num depósito de lixo. Mas, por assimilar os pensamentos de Deus, aprendendo Seus caminhos, poderá começar a transformar sua mente num jardim, em que floresçam os frutos do espírito de Deus. (Gál. 5:22, 23) A Bíblia aconselha neste respeito: “Cessai de ser modelados segundo este sistema de coisas, mas sede transformados por reformardes a vossa mente, a fim de provardes a vós mesmos a boa, e aceitável, e perfeita vontade de Deus.” — Rom. 12:2.
Aprenda agora o propósito de Deus para os nossos dias e a parte que pode desempenhar em tal propósito. Destarte, ‘apegue-se firmemente à verdadeira vida’, a vida eterna numa nova ordem paradísica em que o homem jamais ameaçará de novo transformar a terra num depósito de lixo. (1 Tim. 6:19) Sim, sob a direção do reino de Deus, participe em converter a terra num jardim global, para o deleite das pessoas de coração honesto por toda a eternidade.
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