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O que é privacidade?Despertai! — 1988 | 22 de fevereiro
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os filhos, ao crescerem, terem seu próprio quarto, fenômeno considerado, por muitos, como representando a maior mudança histórica na sociedade nipônica”.
Tal mudança tem aspectos tanto positivos como negativos. A privacidade pode ajudar um filho a desenvolver o senso de responsabilidade, e lhe fornecer um refúgio para o estudo e a meditação. Todavia, pode fazer com que os filhos se tornem reclusos em seu próprio quarto, relegando a comunicação com a família. Apontando tais aspectos negativos, Hiroshi Nakamura, do Instituto Cultural Infantil do Japão, disse: “Quanto mais cedo ocorrer a independência, tanto melhor, quanto mais afluência houver, tanto melhor, quanto mais perfeita for a privacidade, tanto melhor — são estas mesmíssimas idéias que são a causa do conflito psicológico da família.”
A crescente atitude egoísta em sua sociedade está deixando alarmados a muitos japoneses. Esse dilema nos ajuda a ver a necessidade de equilíbrio.
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Um conceito equilibrado sobre a privacidadeDespertai! — 1988 | 22 de fevereiro
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Um conceito equilibrado sobre a privacidade
OS MOTIVOS pelos quais as pessoas desejam privacidade são múltiplos e diversificados. Os jovens talvez queiram privacidade para asseverar sua independência. Algumas pessoas desejam manter o caráter privativo de suas finanças por causa de negócios nebulosos. Pessoas submetidas ao teste do vírus da AIDS muitas vezes ficam preocupadas que os resultados conservem seu caráter privado. E muitos desejam um ambiente sossegado, privativo, para meditar.
Quando se Precisa de Privacidade
As pessoas confrontadas com situações difíceis apreciam muito os momentos de solidão. Tais períodos de privacidade, segundo Yoko, uma jovem senhora de Tóquio, Japão, são vitais para ajudá-la a enfrentar a vida. Um dia, por exemplo, quando o açougueiro veio entregar seu pedido, a sogra dela o recebeu e jogou a galinha inteira na lata de lixo, simplesmente para pôr Yoko em má situação. Enfrentar tais incidentes, dia após dia, diz Yoko, torna inestimáveis os momentos que ela passa a sós, em sua privacidade.
Ao refletir sobre os assuntos, quando está a sós, a pessoa pode ser ajudada a decidir qual o proceder apropriado a seguir. “Ficai agitados, mas não pequeis”, a Bíblia aconselha sabiamente. “Falai no vosso coração, na vossa cama, e ficai quietos.” (Salmo 4:4) “Realmente”, o salmista bíblico diz mais, “durante as noites me corrigiram os meus rins”. (Salmo 16:7) Seus “rins”, ou suas emoções mais profundas, corrigiam-no à medida que ele ponderava os eventos.
Jesus Cristo, o fundador do cristianismo, apreciava profundamente a privacidade. Ao receber a notícia de que seu primo João, o Batizador, tinha sido decapitado, ele “retirou-se dali de barco para um lugar solitário, para isolamento”. (Mateus 14:13) Também, na noite anterior à sua morte, tomou tempo para ficar sozinho, a fim de orar. (Mateus 26:36-47) Anteriormente, instruiu seus discípulos sobre este assunto: “Quando orares, entra no teu quarto particular, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto.” — Mateus 6:6.
Necessário o Equilíbrio
Todavia, não importa quanto necessitemos de privacidade, dar ênfase demais a ela pode causar problemas. “Privacidade de mais ou de menos”, declara The Encyclopedia Americana, “pode gerar desequilíbrios que põem em sério risco o bem-estar individual”. Como isto pode acontecer?
No Canadá, uma cerca de 60 centímetros de altura, em torno de uma propriedade, foi substituída por um muro de 1,80 metro, para aumentar a privacidade. Qual foi o resultado? Cortou-se o intercâmbio de caloroso interesse pelo próximo. Em outro caso extremado, uma família se mudou para uma região erma, a fim de afastar-se de todos os demais humanos. O casal fez com que seus filhos estudassem por correspondência. Mas, infelizmente, o casal se separou, e os filhos deles sofreram, visto não estarem preparados para ganhar a vida.
É insensato decidir isolar-se dos outros. As pessoas precisam umas das outras. Todos nós precisamos da força e da ajuda que poderemos derivar dos outros. “Quem se isola procurará o seu próprio desejo egoísta”, afirma o provérbio bíblico. “Estourará contra toda a sabedoria prática.” — Provérbios 18:1.
Jesus demonstrou exemplar equilíbrio neste sentido. Depois de um período especialmente estrênuo, Jesus reconheceu a necessidade de seus discípulos usufruírem certa privacidade, de modo que disse: “Vinde, vós mesmos, em particular, a um lugar solitário, e descansai um pouco.” A multidão, contudo, foi à frente e já os aguardava quando eles chegaram. Qual foi a reação de Jesus? Ele “teve pena deles, porque eram como ovelhas sem pastor. E principiou a ensinar-lhes muitas coisas”. Sim, Jesus dava prioridade a ajudar pessoas. — Marcos 6:31-34.
Necessidade de Respeitar Privacidade dos Outros
O interesse pelas pessoas, no entanto, deve ter seus limites. Ondinhas brandas numa praia são suavizantes, mas avassaladoras ondas de raz de maré podem ser devastadoras. É muito bom mostrar preocupação pelos outros, mas meter o nariz nos assuntos alheios pode acabar com um relacionamento pacífico. A Bíblia aconselha sabiamente: “Faze raro o teu pé na casa do teu próximo, para que não se farte de ti e certamente te odeie.” — Provérbios 25:17.
Uma visita amigável, de vez em quando, pode ser como ondinhas brandas, mas exagerar nisso pode fazer com que outros criem uma barreira psicológica contra a rebentação, mantendo afastadas as fortes ondas das visitas incessantes. No árido vazio da ociosidade das visitas sem sentido nascem as sementes da tagarelice e dos rumores. Se espera que os outros respeitem sua privacidade, você também precisa honrar a privacidade dos outros, por refrear-se do que possam ser consideradas perguntas embaraçosas, de cunho pessoal, e a tagarelice.
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