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Um dia com as aves do lago nakuruDespertai! — 1977 | 8 de julho
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Um dia com as aves do lago nakuru
Do correspondente de “Despertai!” no Quênia
“O MAIOR espetáculo avícola da terra.” “O paraíso do ornitólogo.” “A Serengeti do observador de pássaros.” Como poderia eu resistir à oportunidade de visitar tal localidade? Trata-se do Lago Nakuru, que abrange cerca de 65 quilômetros quadrados do Vale Fendido da África Oriental. Este raso lago alcalino tornou-se internacionalmente conhecido graças a seus flamingos, que às vezes chegam aos milhões. Trata-se, deveras, dum “espetáculo”!
Um amigo meu, em Nairóbi, capital do Quênia, ofereceu-se gentilmente a levar minha família por um dia para vermos as aves do Lago Nakuru. Partimos bem cedo, e não demorou muito até que a viagem de carro, de 161 quilômetros, nos levou até o lago. As aves já voavam alto nas correntes de ar quente que subia do solo ressecado pelo sol.
Fomos até um ponto alto de observação na margem esquerda do lago. Dali podíamos ver a inteira massa aquosa. Parecia incrível que uma bacia rasa, não tendo mais de 3,70 metros de fundo, pudesse sustentar tamanha coleção de aves.
Além dos 1.125.000 flamingos que já foram contados certa vez (havendo estimativas de 2.000.000), há centenas de outras espécies de aves em Nakuru. Embora haja uma cadeia de lagos alcalinos no Vale Fendido, o Lago Nakuru goza das caraterísticas químicas e físicas que produzem de forma ideal as algas verde-azuis de que se alimentam os flamingos e os peixes. Isto, junto com uma combinação complexa de substâncias salinas e alcalinas, de nutrientes em suspensão, de influxo de água doce, de exposição e evaporação solares, torna o Lago Nakuru muitíssimo adequado para manter este “paraíso do ornitólogo”. Poder-se-ia também considerar o lago como sendo essencial à sobrevivência das espécies imigratórias que procedem até das margens do Oceano Ártico. Alguns destes viajantes internacionais, segundo se sabe, gastam mais tempo no lago, anualmente, do que em seus distantes locais de reprodução.
Embora não possamos afirmar ser ornitólogos, não era difícil identificar uma águia-falcão africana empoleirada lago adentro. Vista com binóculos, a ave parecia ter cerca de 50 centímetros da crista à cauda. Aves predadoras, como as águias, possuem uma atração toda especial, graças à sua bonita aparência ou seu modo dramático de voar.
Logo que nos aprontamos para continuar viagem pelo Parque Nacional do Lago Nakuru, passamos a avistar outra ave da família das águias. Pousada no toco duma árvore morta estava uma águia-pesqueira. Sua cabeça, peito, costas e cauda brancos, seu ventre castanho e suas asas negras lhe davam magnífica aparência. O grasnido da águia-pesqueira é um dos sons caraterísticos do Lago Nakuru. O costume incomum da ave, de jogar a cabeça para trás quando solta o grasnido, parece aumentar seu grasnido selvagem semelhante ao da gaivota. Pode-se observar a águia-pesqueira lançar-se duma altura de 9 metros na água para obter uma refeição, ou talvez persiga outras aves que comem peixes, na esperança de partilhar sua presa. Aliás, num lago alcalino como este, a águia-pesqueira talvez resolva deliciar-se com outras aves aquáticas como parte básica de sua dieta, e é fácil capturar flamingos. Mas, a águia-pesqueira se alimenta essencialmente de peixes. Suas garras habilitam a ave a segurar os peixes escorregadios na água.
Ao contemplarmos o lago de nosso elevado ponto de observação, é um deleite vermos tamanha variedade de aves aquáticas ao longo das margens e chapinhando na água. Por exemplo, a olho nu pudemos identificar o “lúgubre” marabu. Ele se coloca, semelhante a um coveiro, entre os maiores flamingos e os flamingos pequenos, bem como os pelicanos brancos.
Quando olhamos pelo binóculo, várias das trinta e nove espécies de aves pernaltas comuns ao lago surgiram à vista. Variam do comprido pernilongo ao diminuto maçarico, de apenas 13 centímetros de altura. Os pequeninos maçaricos se reproduzem na Escandinávia e na Sibéria. Ouvimos, com prazer, estes diminutos viajantes intercontinentais soltarem gorjeios e pipilos, enquanto se deliciavam ao sol africano.
Sobre nossas cabeças, contei trinta aves numa nuvem de pelicanos brancos planando no ar. Entre eles havia uma águia de Verreaux, que se distingue por sua graça em vôo e sua plumagem negra com manchas brancas na parte traseira e nas asas. Um colega observador de aves indicou que esta magnífica ave limita seus interesses comestíveis mormente ao hirace, o procavia da Bíblia (Lev. 11:5) O hirace abunda nos penhascos da escarpa ocidental que ascende da beira do lago. Pouco depois de avistarmos este caçador voando, avistamos duas águias atacando um urubu numa árvore da escarpa, sem dúvida porque o predador estava aproximando-se perigosamente do ninho delas. Outra notável caraterística desta águia é que se sabe que se reproduz no Quênia, a altitudes de 3.350 a 4.100 metros.
Ao se passar a manhã, ficamos ansiosos de olhar mais de perto as aves das margens do lago. Assim, guiamos o carro ao longo de sua margem ocidental e fomos recompensados por uma vista de perto da anhinga africana. Esta ave se distingue do cormorão por seu pescoço mais longo, com caraterística “torcedura”. Aqui e acolá, vê-se um colhereiro africano.
Nossa Visão do Recanto dos Pelicanos
A tempo, chegamos no Recanto dos Pelicanos. É deveras um nome apropriado! Centenas de pelicanos brancos foram vistos ali. Era um prazer observá-los patinhar majestosamente pelo lago, usualmente em flotilhas. Contamos doze numa fileira. Neste “aeroporto aquático” parecia haver incessantes decolagens e amerissagens.
A decolagem dum pelicano é surpreendentemente eficaz, mesmo que sua aparência seja um tanto desajeitada. Esta ave pesada levanta vôo da água por bater suas grandes asas, com os pés palmados ainda batendo na superfície da água por três, quatro, cinco ou seis vezes antes de realmente alçar vôo. Sua aparência no vôo, com a cabeça retida bem para trás, é o epítome da graça e da imponência. Quando amerissavam, estas aves nos faziam lembrar os hidroaviões de alguns anos atrás.
Os pelicanos demonstram instintivas qualidades pesqueiras. Às vezes pescam em grupos, juntando-se em semicírculo para levar o cardume de peixes para as águas rasas.
No Recanto dos Pelicanos, fomos também recompensados por uma vista de centenas de flamingos. Predominavam em número os flamingos pequenos, com sua plumagem rosa. Os flamingos grandes atingem cerca de 1,20 metros. Possuem, mormente, plumagem mais branca, com manchas negras e vermelho-brilhantes em suas asas. Ao voarem os flamingos, esticam seus longos pescoços para a frente e suas pernas de varapaus para trás. Sua dieta consiste mormente de algas das águas ricas em minerais. Os bicos dessas aves possuem uma rede de cerdas finas e duras, por meio das quais a água é bombeada pela língua, deixando enredadas as algas a serem tragadas.
O flamingo realmente é a glória do Lago Nakuru. Quando as aves se congregam numa área de centenas de metros de largura, e provavelmente, de 800 metros de comprimento, é impossível a decolagem individual, e tem de haver uma manobra de formação de massa para conseguirem decolar. Depois de se alimentarem o dia inteiro, sabe-se que as aves alçam vôo em massa à noitinha, dirigindo-se para outra parte do lago ou para uma vizinha massa aquosa. Este evento é a vista que tem atraído amantes de aves de todas as partes do mundo.
Outras Delícias Nos Aguardam
Embora relutantes em deixar o Recanto dos Pelicanos, compreendíamos que só tínhamos percorrido a metade do Lago Nakuru. Junto à margem sul, havia outra delícia nos esperando. Havia uma águia-das-estepes pousada com majestade no ramo superior duma árvore. Ao vemo-la por um binóculo, notamos que o bico azul-violáceo era acentuado por marcas amarelas brilhantes, de ambos os lados, curvando-se pelas partes inferiores dos olhos. Nas outras partes, a ave era marrom-escura. Como subentende o nome, a águia-das-estepes se reproduz nas estepes da Ásia.
Espreitando um serpentário, mas não sendo um competidor à altura para sua caminhada de pernas longas pela grama, ergui minha câmara para fotografar outro, pousado numa árvore. Exatamente nesse instante, duas cegonhas de bico amarelo voaram na frente e eu tirei, ao invés, uma foto delas. Essas são as surpresas freqüentes que se tem ao observar as aves no Lago Nakuru.
Passando para o lado oriental do lago, deixamos a beirada da água e atravessamos a floresta e a região dos arbustos. Paramos uma vez para deixar que quatro francolinos Jackson atravessassem a estrada. Numa cavidade perto de Lion Hill (Colina dos Leões), deparamos com uma família de três calaus, ou perus-do-mato. Suas marcas vermelhas na face e no pescoço lhes davam a aparência de perus domésticos. De vez em quando a atraente poupa passava voando por nós, e lembramo-nos de que a lei mosaica a chamava de ave impura. — Lev. 11:13, 19; Deu. 14:11, 12, 18.
Nenhum santuário avícola estaria completo sem um lugar de esconderijo chamado o “refúgio”. No Lago Nakuru, provê-se também tal instalação para os visitantes. Que delícia foi vermos o glamoroso e multicolor martim-pescador empoleirado a apenas alguns metros! Ele paira sobre a água antes de mergulhar como uma pedra para pegar um peixe. Ali, também, estavam o “sagrado” íbis e o ganso-egípcio. O quadro, emoldurado pela cobertura do “refúgio”, foi deleitosamente destacado pela presença de pequeno antílope (Kobus defassa), de aparência dócil, mordiscando nas áreas de grama perto da água.
Isto trouxe ao fim nosso dia entre as aves do Lago Nakuru. Identificamos cerca de trinta espécies diferentes. Afirma-se, contudo, que os ornitólogos não sentem grandes dificuldades em localizar cerca de 120 espécies de aves nas observações de um bom dia, nessa área.
Embora fosse breve nossa observação das aves, abrilhantou nossa esperança quanto ao tempo, bem às portas, em que a terra inteira será um paraíso restaurado. Então, estes deleitosos exemplos da obra de nosso Criador embelezarão a terra em grande profusão e percorrerão seu caminho por céus claros, límpidos e serenos.
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Ajuda ao Entendimento da BíbliaDespertai! — 1977 | 8 de julho
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Ajuda ao Entendimento da Bíblia
[Matéria selecionada de Aid to Bible Understanding, Edição de 1971.]
AMOR. [Continuação]
O amor “não se comporta indecentemente”. Não tem maus modos. Não participa em comportamento indecente, tal como abusos sexuais ou conduta chocante. Não é rude, vulgar, descortês, insolente ou grosseiro, nem desrespeitoso para com ninguém. Quem possui amor evitará fazer coisas que na aparência ou nas ações, perturbe seus irmãos cristãos. Paulo instruiu à congregação em Corinto: “Que todas as coisas ocorram decentemente e por arranjo.” (1 Cor. 14:40) O amor também moverá a pessoa a andar de forma honrosa à vista de outros que não são crentes cristãos. — Rom. 13:13; 1 Tes. 4:12; 1 Tim. 3:7.
O amor “não procura os seus próprios interesses”. Segue o princípio: “Que cada um persista em buscar, não a sua própria vantagem, mas a da outra pessoa.” (1 Cor. 10:24) É nisso que se mostra interesse pelo bem-estar eterno de outros. Este interesse sincero em outros é uma das maiores forças motivadoras do amor e um dos mais eficazes e proveitosos de seus resultados. O possuidor do amor não exige que tudo seja feito do seu modo. Disse Paulo: “Para os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me todas as coisas para pessoa de toda sorte, para de todos os modos salvar alguns. Mas, faço todas as coisas pela causa das boas novas, para tornar-me compartilhador dela com outros.” (1 Cor. 9:22, 23) Nem exige o amor os seus “direitos”; interessa-se mais pelo bem-estar espiritual da outra pessoa. — Rom. 14:13, 15.
O amor “não fica encolerizado”. Não procura ocasião nem desculpa para a cólera. Não é movido por acessos de ira, que são uma obra da carne. (Gál. 5:19, 20) Quem tem amor não fica facilmente ofendido com aquilo que os outros dizem ou fazem. Não tem receio de que sua “dignidade” pessoal possa ser ferida.
O amor “não leva em conta o dano”. (Literalmente não “leva em conta a coisa má” [Tradução Interlinear do Reino, em inglês].) Não se considera ferido e assim lança tal dano como algo ‘nos livros de contabilidade’, para ser resolvido, pago no tempo devido, no ínterim não permitindo que prossigam quaisquer relações entre o ofendido e o ofensor. Isso seria um espírito vingativo, condenado pela Bíblia. (Lev. 19:18; Rom. 12:19) O amor não atribui motivos ruins a outrem, mas ficará inclinado a fazer concessões e dar aos outros o benefício da dúvida. — Rom. 14:1, 5.
O amor “não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade”. Sempre se coloca do lado do que é certo, não derivando prazer algum no erro ou nas mentiras, ou em qualquer forma de injustiça não importa que seja um inimigo que seja a vítima. No entanto, se algo está errado ou é desencaminhador, não receia falar abertamente nos interesses da verdade e dos outros. (Gál. 2:11-14) Também, prefere sofrer o erro a cometer outro erro, na tentativa de corrigir o assunto. (Rom. 12:17, 20) Mas, se outra pessoa é devidamente corrigida por alguém que tem autoridade, a pessoa amorosa não se colocará, sentimentalmente, do lado do castigado, achando defeito na correção ou na pessoa autorizada que deu a correção. Tal ação não seria amor para com tal indivíduo. Talvez granjeasse o favor do corrigido, mas o prejudicaria ao invés de ajudá-lo. O amor se regozija com a verdade, muito embora transtorne prévias crenças ou declarações feitas. Apega-se à verdade da Palavra de Deus.
O amor “suporta todas as coisas”. Está disposto a suportar, a sofrer por causa da justiça. Uma tradução literal é “todas as coisas ele está cobrindo”. (Tradução Interlinear do Reino) Quem tem amor será vagaroso em expor a outros aquele que cometeu um erro contra ele. Se a ofensa não for bastante grave, ele a desperceberá. De outra forma, seguirá o proceder recomendado por Jesus, em Mateus 18:15-17. Se a outra pessoa pedir perdão, depois de o erro lhe ser apontado em particular, e corrigir o dano, quem tem amor mostrará que seu perdão é real, que cobriu inteiramente o assunto, assim como Deus. — Pro. 10:12; 17:9; 1 Ped. 4:7, 8.
O amor “acredita todas as coisas”. O amor tem fé nas coisas que Deus disse em sua Palavra da verdade, muito embora as aparências exteriores sejam contrárias a isso, e o mundo descrente zombe delas. Este amor, especialmente para com Deus, é o reconhecimento de sua veracidade, baseada em Seu registro de fidelidade e fidedignidade, assim como conhecemos e amamos a um amigo verdadeiro e fiel, e não duvidamos quando ele nos conta algo de que talvez não tenhamos prova. (Jos. 23:14) O amor crê em tudo que Deus diz, embora talvez não possa captá-lo inteiramente, e está disposto a esperar pacientemente até que o assunto seja mais plenamente explicado ou até que se tenha entendimento dele. (1 Cor. 13:9-12; 1 Ped. 1:10-13) O amor também confia na orientação de Deus sobre a congregação cristã e seus servos designados, e apóia suas decisões baseadas na Palavra de Deus. (1 Tim. 5:17; Heb. 13:17) No entanto, o amor não é crédulo, pois segue a Palavra de Deus para ‘provar as expressões inspiradas para ver se se originam de Deus’, e testa tudo segundo a regra de medir da Bíblia. (1 João 4:1; Atos 17:11, 12) O amor produz confiança nos fiéis irmãos cristãos da pessoa, não suspeitando deles nem descrendo neles, a menos que haja prova absoluta de que eles estão errados. — 2 Cor. 2:3; Gál. 5:10; Filêm. 21.
O amor “espera todas as coisas”. Ele tem esperança em todas as coisas que Jeová prometeu. (Rom. 12:12; Heb. 3:6) Continua a trabalhar, esperando pacientemente que Jeová traga os frutos, faça as coisas crescer. (1 Cor. 3:7) Quem tem amor esperará o melhor de seus irmãos cristãos, em quaisquer circunstâncias em que eles estejam, muito embora alguns talvez sejam fracos na fé. Compreenderá que, se Jeová é paciente com tais
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