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Parte 16: do século 9 ao 16 EC — uma religião que precisava urgentemente de reDespertai! — 1989 | 22 de agosto
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do Santo Império Romano, Carlos V, cedendo à pressão papal, proscreveu Lutero. Isto gerou tão grande controvérsia que, em 1530, foi convocada a Dieta de Augsburgo, para debater o assunto. Fracassaram os esforços de conciliação, de modo que, por fim, foi lançada uma declaração básica da crença doutrinal luterana. Chamada de Confissão de Augsburgo, ela equivalia ao anúncio de nascimento da primeira igreja do protestantismo.f
Zwingli e Lutero Discordam
Zwingli destacava a Bíblia como a autoridade derradeira e única para a igreja. Embora incentivado pelo exemplo de Lutero, ele objetava ser chamado de luterano, dizendo que aprendera o ensino de Cristo da Palavra de Deus, e não de Lutero. Com efeito, ele discordava de Lutero sobre certos elementos da Refeição Noturna do Senhor, bem como sobre o relacionamento correto do cristão para com as autoridades civis.
Os dois reformadores só se encontraram uma vez, em 1529, naquilo que o livro The Reformation Crisis (A Crise da Reforma) chama de “uma espécie de conferência de cúpula religiosa”. Diz o livro: “Os dois homens não se despediram como amigos, mas. . . um comunicado emitido no fim da conferência, assinado por todos os participantes, ocultava peritamente a extensão da brecha entre eles.”
Zwingli também teve problemas com seus próprios seguidores. Em 1525, um grupo tornou-se dissidente, discordando dele na questão da autoridade do Estado sobre a Igreja, que ele afirmava e eles rejeitavam. Chamados de anabatistas (“rebatizadores”), eles consideravam o batismo de bebês uma formalidade inútil, afirmando que o batismo era apenas para os crentes adultos. Eles também se opunham ao emprego de armas carnais, mesmo nas chamadas guerras justas. Milhares deles foram mortos devido às suas crenças.
O Papel de Calvino na Reforma
Muitos peritos consideram Calvino como o maior dos reformadores. Ele insistia que a igreja voltasse aos princípios originais do cristianismo. Todavia, um dos seus ensinos principais, a predestinação, faz-nos lembrar os ensinos da antiga Grécia, onde os estóicos diziam que Zeus determinava todas as coisas e que os homens tinham de resignar-se ao inevitável. É evidente que tal doutrina não é cristã.
Nos dias de Calvino, os protestantes franceses tornaram-se conhecidos como huguenotes, e eles foram duramente perseguidos. Na França, a partir de 24 de agosto de 1572, no Massacre do Dia de São Bartolomeu, as forças católicas abateram milhares deles, primeiro em Paris, e, em seguida, por todo o país. Mas os huguenotes também tomaram da espada e foram responsáveis pela matança de muita gente nas sangrentas guerras religiosas ocorridas na última parte do século 16. Assim, eles preferiram ignorar a instrução dada por Jesus: “Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem.” — Mateus 5:44.
Calvino tinha dado o exemplo, usando métodos para promover suas convicções religiosas que o falecido clérigo protestante Harry Emerson Fosdick descreveu como implacáveis e chocantes. Sob a lei canônica que Calvino introduziu em Genebra, 58 pessoas foram executadas e 76 foram banidas em questão de quatro anos; já no fim do século 16, calculadamente 150 pessoas tinham sido queimadas vivas na estaca. Uma delas foi Miguel Servet, médico e teólogo espanhol, que rejeitava a doutrina da Trindade, desta forma tornando-se o “herege” visado por cada um. As autoridades católicas o queimaram em efígie; os protestantes foram um passo significativo além, queimando-o vivo na estaca.
Por Fim, “Uma Realidade Temível”
Ao passo que concordavam com Lutero, em princípio, alguns dos supostos reformadores relutavam em agir. Um deles era o perito holandês Desidério Erasmo. Em 1516, ele se tornou o primeiro a editar o “Novo Testamento” no grego original. “Ele foi um reformador”, diz a publicação Edinburgh Review (Sumário de Edimburgo), “até que a Reforma se tornou uma realidade temível”.
Outros, contudo, foram adiante com a Reforma, e, na Alemanha e na Escandinávia, o luteranismo espalhou-se rapidamente. Em 1534, a Inglaterra desvencilhou-se do controle papal. A Escócia, sob John Knox, um líder da Reforma, logo a seguiu. Na França e na Polônia, o protestantismo obteve o reconhecimento legal antes de findar o século 16.
Sim, assim como Voltaire afirmara com tanta aptidão: “Todo abuso precisa ser reformado.” Mas Voltaire acrescentou as seguintes palavras qualificativas: “A menos que a reforma seja mais perigosa do que o abuso em si.” A fim de avaliar melhor a veracidade dessas palavras, certifique-se de ler “Protestantismo — É Realmente Uma Reforma?” em nosso próximo número.
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Como lidar com o trabalho noturnoDespertai! — 1989 | 22 de agosto
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Como lidar com o trabalho noturno
VERIFICOU-SE que aqueles que trabalham à noite apresentam mais problemas gástricos, úlceras, alcoolismo e divórcio do que seus colegas que trabalham durante o dia. Mas as pesquisas feitas por Fred Jung, enfermeiro diplomado e instrutor-assistente da Escola de Enfermagem de Austin, da Universidade do Texas, EUA, indicam que a alteração nos padrões de sono podem produzir alívio em alguns destes problemas.
O Sr. Jung estudou o sono dum grupo de empregados que trabalham à noite numa indústria montadora. Neste grupo de amostragem, que incluía tanto homens como mulheres, com variada capacidade produtiva, ele concluiu que o trabalho noturno, em si, produz um tipo de stress.
Os componentes desse estudo apresentavam sintomas similares à síndrome do jato (jet lag), que parecia intensificar-se quando, nos dias de folga, eles voltaram a dormir no período normal da noite. Assim, concluiu Jung, é melhor manter na semana toda os padrões de sono seguidos nos dias de trabalho, visto que se leva vários dias para que os ritmos biológicos do corpo se ajustem a um novo padrão de sono.
A pesquisa do Sr. Jung sugere que dormir pelo menos por um período de quatro horas nos dias de folga, no horário costumeiramente dedicado ao sono durante a semana de trabalho, parece ajudar a manter os ritmos biológicos. Ele chama a isso de “anchor sleep” [sono-âncora]. Verificou-se também que a dieta, os padrões sociais e a exposição à luz influenciavam o ajuste dos que trabalham em turnos.
Utilizando as informações desta pesquisa, o Sr. Jung formulou diversas orientações para os que trabalham à noite.
✔ Tente dormir, cada dia, no mesmo período, preferivelmente em fins da manhã e no começo da tarde.
✔ Planeje suas atividades de acordo com seu período de sono.
✔ Não se preocupe se você não conseguir sempre dormir no horário preferido; mesmo um pouco de sono diário regular é melhor do que nenhum.
✔ Elimine os ruídos perturbadores (use tampões para os ouvidos ou obtenha uma secretária-eletrônica) e durma num quarto escuro.
✔ Tome uma boa refeição, rica em proteínas, no começo do seu dia. As proteínas permitem a liberação contínua de energizante glicose e estimularão suas supra-renais a mantê-lo alerta. Daí, tome uma refeição de tamanho moderado, contendo proteínas, no meio do dia, e evite lanches de carboidratos. Estes talvez lhe dêem um estímulo temporário, mas o deixarão cansado uma ou duas horas depois. Guarde os carboidratos para sua última refeição do dia. Tais substâncias o preparam para um sono repousante. No entanto, não coma momentos antes de ir deitar-se; precisa de umas duas horas para digerir os alimentos.
✔ Não tome bebidas alcoólicas para ficar com sono. O álcool o priva do tipo de sono de que você necessita para sua saúde e bem-estar psicológicos.
✔ Quando acorda, acenda as luzes; ou, se estiver claro do lado de fora, saia para um lugar claro, exercite-se, movimente-se, e converse com as pessoas. A atividade e a luz estimularão seu cérebro e contribuirão para sincronizar de novo seu corpo para suas tarefas noturnas.
✔ Seja bonzinho consigo mesmo. Não aumente seu stress por viver de maneira não-salutar. Incluir exercícios regulares, a dieta apropriada, e suficiente sono repousante em sua rotina diária o ajudarão a ter melhor desempenho e até a melhorar sua aparência.
Estas são as opiniões de um pesquisador. Outros talvez apresentem diferentes soluções para o problema.
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