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Etiópia, EtíopeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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reino em que o direito à regência era legado através da linhagem feminina, ao invés de pela masculina. A rainha-mãe era, assim, a pessoa de quem seu filho régio derivava seu direito ao trono, e, às vezes, talvez fosse a virtual regente daquela terra. O nome Candace é mencionado pelos escritores gregos e latinos como um título usado por várias de tais rainhas etíopes, evidentemente incluindo a mencionada em Atos 8:27.
O EUNUCO ETÍOPE
O eunuco etíope que estava ‘sobre os tesouros’ da rainha Candace, e a quem Filipe pregou, era obviamente um prosélito judeu circuncidado. (Atos 8:27-39) Assim, não era reputado gentio, e, por isso, não antecedeu Cornélio como o primeiro gentio incircunciso que se converteu ao cristianismo. (Atos, cap. 10) Para que ele, como etíope, participasse na adoração do templo em Jerusalém, seria necessário que se tivesse convertido à religião judaica, e também que tivesse sido circuncidado. (Êxo. 12:48, 49; Lev. 24:22) Em vista de a Lei mosaica proibir a entrada de pessoas castradas na congregação de Israel (Deut. 23:1), é evidente que este etíope não era um eunuco num sentido carnal. — Veja EUNUCO.
A Etiópia (Cus) é uma das terras para as quais os exilados judeus se espalharam, após a conquista de Judá pelos babilônios. (Isa. 11:11) Por isso, este oficial etíope talvez tenha tido associação com pessoas judias em sua localidade, ou talvez no Egito, onde residiam muitos judeus. Sua cópia do rolo de Isaías era, provavelmente, uma cópia da tradução Septuaginta grega, feita originalmente em Alexandria, no Egito. Uma vez que o reino etíope se havia parcialmente helenizado, desde o tempo de Ptolomeu II (309-246 A.E.C.), não era nada incomum que este oficial pudesse ler grego. Tornar-se ele um prosélito judeu e sua subseqüente conversão ao cristianismo eram um cumprimento do Salmo 68:31.
A LÍNGUA ETÍOPE
Continua indeterminada a língua original da Etiópia; por volta do fim do oitavo século A.E.C., a escrita hieroglífica egípcia estava sendo usada para as inscrições oficiais etíopes. Uma língua e forma de escrita nativas, chamada meroítica, já é conhecida desde o século anterior ao início da Era Comum, e por alguns séculos depois disso. A língua chamada etíope era a língua vernacular durante a Era Comum, até o século XIV. É de origem semítica, assim como o é a língua atual da moderna Etiópia, chamada amárica. The Encyclopedia Americana (Ed. 1956, Vol. 10, p. 547) declara que, durante o tempo do controle romano, houve grande influxo de povos árabes para esta região, e que a população continuou a ser principalmente árabe a partir do século IV E.C.
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EúdeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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EÚDE
[unido, forte]. Filho de Gera, da tribo de Benjamim (Juí. 3:15), Eúde foi escolhido por Deus para livrar a nação duma escravidão já por dezoito anos ao Rei Eglom, de Moabe, opressão esta que Deus permitira porque ‘fizeram o que era mau aos olhos de Jeová’. — Juí. 3:12-14.
Quando os israelitas começaram a invocar a Jeová, pedindo ajuda, Deus suscitou um “salvador” na pessoa de Eúde. Com o tempo, os israelitas enviaram um tributo a Eglom por meio de Eúde, que havia fabricado uma espada de dois gumes para si próprio. Eúde, sendo canhoto, cingiu sua espada sob sua veste, colocando-a sobre a coxa direita.
Depois de apresentar o tributo, Eúde mandou embora os portadores do tributo, mas retornou das pedreiras em Gilgal. Eúde então se dirigiu a Eglom quando o rei moabita estava sentado em sua câmara no terraço, e lhe disse: “Tenho para ti uma palavra de Deus.” Interessado, Eglom levantou-se do trono. Nisso, Eúde “estendeu . . . a mão esquerda, e tirou a espada da sua coxa direita”, cravando-a na barriga do obeso Eglom, resultando em que “também o cabo entrou após a lâmina, de modo que a gordura se fechou sobre a lâmina”. Um homem destro provavelmente puxaria a espada do seu lado esquerdo, do outro lado do corpo. Assim, não é provável que Eglom esperasse que Eúde puxaria sua espada de sobre a coxa direita, usando a mão esquerda. Uma vez morto o regente inimigo, Eúde escapou por uma abertura de ventilação, depois de fechar e trancar as portas do quarto do terraço por dentro. Quando os servos de Eglom finalmente conseguiram abrir tais portas, descobriram que “seu senhor estava caído morto por terra!” — Juí. 3:15-25.
Eúde, tendo escapado para a região montanhosa de Efraim, juntou um exército de israelitas, dizendo-lhes: “Segui-me, porque Jeová vos entregou na mão os vossos inimigos, os moabitas.” Depois de tomarem os vaus do Jordão, os israelitas cortaram a via de escape dos moabitas para sua terra natal. Sem dúvida já com o moral muito baixo, devido à morte de seu rei, 10.000 moabitas foram abatidos pelos israelitas, “cada qual robusto e cada qual homem valente; e não escapou nem sequer um”. Tendo Moabe sido subjugado sob a mão de Israel e a liderança de Eúde, “o país teve sossego por oitenta anos”. — Juí. 3:26-30.
Eúde não é especificamente chamado de “Juiz Eúde”, sendo antes mencionado como um “salvador”. (Juí. 3:15) Mas Otniel foi chamado tanto de “salvador” como de “juiz” (Juí. 3:9, 10), e o período era a época dos juizes. Também, somente depois da morte de Eúde é que os israelitas voltaram a praticar o que era mau aos olhos de Jeová. (Juí. 4:1) Assim, Eúde era aparentemente considerado não só um “salvador”, mas também um juiz.
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EufratesAjuda ao Entendimento da Bíblia
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EUFRATES
[Heb. , Peráth, da raiz que significa “irromper”; assírio-babilônio, Purattu, antigo persa, Ufratu]. O mais longo e mais importante rio do SO da Ásia, chamado Firat em árabe, nome que se assemelha de perto ao hebraico Peráth. Sua primeira menção é feita em Gênesis 2:14, como um dos quatro rios que, outrora, tiveram sua fonte no Éden.
FRONTEIRA DO TERRITÓRIO DESIGNADO DE ISRAEL
Na declaração de Deus a Abraão, ele pactuou conceder à descendência de Abraão a terra “desde o rio do Egito até o grande rio, o Eufrates”. (Gên. 15:18) Esta promessa foi de novo declarada à nação de Israel. (Êxo. 23:31; Deut. 1:7, 8; 11:24; Jos. 1:4) Certos descendentes de Rubem, segundo declara 1 Crônicas 5:9, no período anterior ao reinado de Davi, estenderam sua morada “até onde se entra no ermo junto ao rio Eufrates”. No entanto, visto que o Eufrates acha-se a c. 804 km de distância, quando se viaja a “leste de Gileade” (1 Crô. 5:10), isto talvez signifique simplesmente que os rubenitas estenderam seu território a E de Gileade até a borda do deserto da Síria, deserto este que vai até o Eufrates. (ALA reza: “até à entrada do deserto, o qual se estende até ao rio Eufrates”; BJ: “seu território atingia a beira do deserto que o Eufrates limita”.) Parece, assim, que a promessa de Jeová foi primeiramente realizada de modo pleno durante os reinados de Davi e de Salomão, quando as fronteiras do domínio de Israel se estenderam de modo a incluir o reino arameu de Zobá, e, assim, chegaram às margens do Eufrates, evidentemente ao longo da seção que atravessa o N da Síria. (2 Sam. 8:3; 1 Reis 4:21; 1 Crô. 18:3-8; 2 Crô. 9:26) Devido à sua preeminência, era amiúde designado simplesmente como “o Rio”. — Jos. 24:2, 15; Sal. 72:8.
FONTES E CURSO
Tendo c. 2.864 km de extensão, o Eufrates dispõe de duas fontes principais. Uma delas, conhecida como o Cara Su, inicia-se ao NE da Turquia, a c. 97 km do canto SE do mar Negro. A outra, o Murat Su-iú, tem suas cabeceiras a meio caminho entre o lago Van e o monte Ararate. Aproximadamente a meia distância entre os dois rios jaz o vale do rio Araques, que alguns imaginam estar relacionado com o rio Giom, de Gênesis 2:13. Os cursos do Cara Su e do Murat Su-iú são razoavelmente paralelos na direção oeste até se unirem próximo da cidade de Keban, numa elevação de c. 610 m acima do nível do mar.
Deste ponto em diante, as correntes combinadas formam o Eufrates propriamente dito. Já tendo atravessado uns 644 km de terrenos montanhosos desde as cabeceiras do Murat Su-iú, o rio agora se volta para o S, por uma distância de uns 483 km, durante os quais seu curso é interrompido por várias cataratas e corredeiras, até que, por fim, surge na planície da Síria, em um ponto ao N do sítio da antiga Carquemis (moderna Jerablus).
Vau em Carquemis
Carquemis guardava o principal vau utilizado por exércitos ou caravanas que cruzavam do N da Mesopotâmia para o N da Síria. Carquemis era importante cidade-fortaleza que mais tarde veio a ficar sob controle assírio. (Isa. 10:5-9) O faraó Neco tomou a cidade por volta de 629 A.E.C., combatendo o exército de Josias em Megido e matando esse rei judeu quando Neco estava a caminho de lá. (2 Reis 23:29; 2 Crô. 35:20-24) Quatro anos depois (625 A.E.C.), as tropas de Nabucodonosor cruzaram o Eufrates e derrotaram os egípcios em Carquemis, dando início ao completo declínio de qualquer domínio egípcio sobre a Síria-Palestina. — Jer. 46:2, 6, 10; 2 Reis 24:7.
De Carquemis até o golfo Pérsico
O Eufrates, junto a Carquemis, dista apenas c. 160 km do mar Mediterrâneo; no entanto, o rio depois disso faz uma curva e assume a direção SE, dirigindo-se para o golfo Pérsico, a mais de 1.100 km de distância. O curso “médio” do Eufrates vai de Carquemis até a cidade de Hit, na região dos poços de betume, seu fluxo sendo engrossado pelas águas dos rios Balique e Cabur. Abaixo de Hit, o rio atravessa a fértil planície mesopotâmica, e, a uns 80 km abaixo de Hit, na vizinhança de Bagdá, chega a uns 40 km de distância do rio Tigre. Neste curso inferior do Eufrates, o rio se dissipa nos extensos pantanais e nos canais arruinados, e seu fluxo se torna lento.
O Eufrates e o Tigre finalmente se fundem perto de Basra, e, desde tal junção até o golfo Pérsico, a corrente é conhecida como o Xat-el-Arab. Plínio e outros historiadores antigos declararam que o Eufrates originalmente desembocava no mar numa foz separada da do Tigre. Crê-se em geral que o aluvião depositado pelos dois rios criou o delta na cabeceira do golfo Pérsico, e que a linha costeira original se estendia bem mais ao N, talvez chegando até a antiga cidade de Ur dos Caldeus, o lar original de Abraão.
CORREDOR COMERCIAL
O Eufrates, desde priscas eras, tem sido um corredor comercial do “Crescente Fértil”. Suas águas são navegáveis para pequenas embarcações por c. 1.930 km desde o mar. Barcos de couro de cabra inflados e pequenos barcos redondos, em forma de cesta, feitos de canas e revestidos de betume, ainda são utilizados atualmente por alguns, assim como eram nos séculos passados.
UMA FRONTEIRA; VISITADO POR JEREMIAS
Assim como o rio Eufrates servia de fronteira N da região disputada da Palestina e da Síria, pela qual lutavam o Egito e Babilônia, assim também, no tempo do Império Persa, ele servia para dividir o Oriente do Ocidente, conforme indicado pela expressão “além do Rio”. (Esd. 4:10, 11; 5:3; 6:6; Nee. 2:7) Com o tempo, o Eufrates também formava a fronteira E do Império Romano.
O texto em Jeremias 13:1-7 tem sido objeto de certa discussão, uma vez que uma viagem de Jeremias de Jerusalém até o rio Eufrates, mesmo em seu ponto mais próximo, a alguma distância ao S de Carquemis, representaria uma viagem de mais de 480 km em cada direção, e o texto indica que ele possivelmente efetuou duas vezes essa viagem (embora não se declare o tempo decorrido entre elas). Uma tradução da “Jewish Publication Society” (Sociedade Publicadora Judaica) translitera simplesmente aqui a palavra hebraica como “Perath” (LEB, “Ferat”), alguns sugerindo que a referência não é ao Eufrates, e sim à cidade de Pará (Jos. 18:23), perto de Anatote, a alguns km de Jerusalém. No entanto, a repetição de quatro vezes no relato do nome Peráth (Eufrates) mostra, de forma mui evidente, que o local mencionado tinha significativa relação com o quadro profético que estava sendo representado, ao passo que o obscuro povoado de Pará dificilmente pareceria dar um significado especial ao evento. Embora alguns indiquem que a palavra hebraica nahár (rio) não é usada com relação a Peráth neste texto, pode-se observar que igualmente inexiste em Jeremias 51:63, todavia, a referência ali, obviamente, é ao rio Eufrates. Por isso, parece não haver nenhum bom motivo para se presumir que o relato em Jeremias 13:1-7 se refira a outra coisa que não ao rio Eufrates.
É bem possível que esconder Jeremias seu cinto junto ao rio tenha ocorrido, pelo menos, na região geral da travessia do Eufrates pelos exércitos babilônios sob Nabucodonosor, em sua marcha que finalmente levou à desolação de Judá e de Jerusalém. De qualquer modo, tal viagem, ou possivelmente duas viagens de Jeremias até o Eufrates, certamente daria impressionante força à mensagem de aviso que tal medida devia transmitir ao povo espiritualmente corrupto do reino de Judá. — Compare com Jeremias 2:18, 19.
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EuniceAjuda ao Entendimento da Bíblia
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EUNICE
[abençoada com vitória; boa vitória]. Uma judia crente, filha de Lóide. Era esposa dum grego descrente e mãe de Timóteo. (Atos 16:1) Mui provavelmente, o apóstolo Paulo conheceu Eunice em Listra, na Ásia Menor, em sua primeira viagem missionária, e foi então que, em resultado da pregação de Paulo, ela e sua mãe Lóide se tornaram cristãs. (Atos 14:4-18) A fé de Eunice era “sem qualquer hipocrisia”. (2 Tim. 1:5) Embora casada com um pagão, ela era exemplar em ensinar a Timóteo, seu filho, os “escritos sagrados” desde a “infância” dele, e, ao se tornar cristã, ela sem dúvida o instruiu concordemente. (2 Tim. 3:15) Visto que o marido de Eunice era grego, os pais de Timóteo não o fizeram circuncidar. — Atos 16:3.
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EunucoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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EUNUCO
A palavra hebraica sarís e a palavra grega eunoúkhos, quando usadas em sentido literal, aplicam-se a um varão humano que foi castrado. Tais pessoas eram designadas, nas cortes reais, como assistentes ou guardiães da rainha, do harém e das mulheres. (Ester 2:3, 12-15; 4:4-6, 9) Devido à proximidade para com a casa do rei, os eunucos hábeis amiúde ascendiam a altos postos. Num sentido amplo, o termo também indicava qualquer oficial encarregado dos deveres da corte do rei, não indicando que tais homens eram eunucos literais.
Sob o pacto da Lei, não se permitia que um eunuco se tornasse parte da congregação do povo de Deus. (Deut. 23:1) Não existe, assim, nenhuma indicação de que quaisquer israelitas, ou residentes estrangeiros dentre eles, fossem feitos eunucos para servir no palácio dos reis israelitas. Sob a Lei, os escravos deviam ser circuncidados, e não castrados. No entanto, era costume das nações pagãs orientais fazer eunucos de alguns dos meninos capturados na guerra.
O oficial da corte que era encarregado do tesouro da rainha da Etiópia e a quem Filipe pregou é chamado de eunuco. Era um prosélito da religião judaica, e tinha vindo a Jerusalém para adorar a Deus. Mas visto que um castrado não podia ser aceito na congregação de Israel, sob a Lei, o termo eunoúkhos não se aplicaria literalmente neste caso, e sim no sentido de “oficial da corte”. (Atos 8:26-39; Deut. 23:1) Ebede-Meleque, o etíope que livrou o profeta Jeremias da prisão numa cisterna, era um eunuco da corte do Rei Zedequias. Pareceria que o termo se aplicava, neste caso também, no sentido freqüente de oficial. Ebede-Meleque parece ter sido um homem provido de autoridade. Ele recorreu diretamente ao Rei Zedequias em favor de Jeremias, e foi-lhe dado o comando de trinta homens para a operação de resgate. — Jer. 38:7-13.
Jeová predisse confortadoramente o tempo em que os eunucos seriam aceitos como servos seus e, se obedientes, teriam um nome superior aos filhos e filhas. Com a abolição da Lei por Jesus Cristo, todas as pessoas que exercem fé, não importa qual seu status ou condição social anterior, tornar-se-iam filhos espirituais de Deus. Foram removidas as diferenças carnais. — Isa. 56:4, 5; João 1:12; 1 Cor. 7:24; 2 Cor. 5:16.
Jesus Cristo mencionou três classes de eunucos em Mateus 19:12, dizendo: “Pois há eunucos que nasceram tais da madre de sua mãe, e há eunucos que foram feitos eunucos pelos homens, e há eunucos que se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Dê lugar a isso aquele que pode dar lugar a isso.” Os mencionados como ‘se fazendo eunucos’ por causa do reino são aqueles que exercem o autodomínio, a fim de se concentrarem no serviço de Deus. O apóstolo Paulo recomenda este como sendo o “melhor” proceder para os cristãos que não ficam ‘inflamados de paixão’. Estes, disse ele, poderiam servir ao Senhor de forma mais constante, “sem distração”. (1 Cor. 7:9, 29-38) Tais “eunucos” não são pessoas que se castraram fisicamente, ou que tenham sido emasculadas; antes, tais pessoas voluntariamente permanecem numa condição de pessoas não- casadas. A Bíblia não recomenda nenhum voto
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