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  • Resposta à oração de um preso
  • A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1982
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  • A MOCIDADE E AS INFLUÊNCIAS
  • ACHADO O POVO DE JEOVÁ
  • ORGANIZAMO-NOS COMO VERDADEIROS CRISTÃOS
  • PERMANECEMOS OCUPADOS NO SERVIÇO DE JEOVÁ
  • COLOCAR JEOVÁ EM PRIMEIRO LUGAR
  • CRIAÇÃO DOS FILHOS
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A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1982
w82 15/1 pp. 26-30

Resposta à oração de um preso

Conforme Narrado por Isaac V. Espeleta

EM 1945, quando as forças americanas já haviam invadido as Filipinas, 11 companheiros e eu fomos presos pelos japoneses. Fomos colocados em pequenas celas de metal galvanizado, não maiores do que uma casa de cachorro. Durante o dia eram insuportavelmente quentes, e à noite eram gélidas.

Todos os meus companheiros morreram nos interrogatórios que se seguiram. Eu, apesar de ser intensivamente interrogado durante 45 dias e severamente torturado três vezes, não confessei os crimes de que era acusado. Eu ouvira dizer que, se alguém confessava sob tortura, era imediatamente fuzilado ou morto a baioneta. Por isso, arrisquei-me na tortura.

Bem ali, naquela pequenina cela, orei a Jeová Deus e prometi que, se eu sobrevivesse, iria procurá-lo e dedicar o resto de minha vida a servi-lo. Mas, antes de falar mais sobre minha busca de Jeová, deixe-me explicar por que estava preso e o que me induziu a fazer essa promessa a Jeová.

A MOCIDADE E AS INFLUÊNCIAS

Nossa família era católica e morava na pequena cidade de Biñan, cerca de 30 quilômetros ao sul de Manila. Meu avô, por parte de pai, exerceu forte influência na minha mocidade. Ele ficara desiludido com a Igreja Católica e se interessara na Bíblia. Ensinou-me o excelente hábito de ler as Escrituras, e sempre lhe serei grato por isso.

Ao ficar mais velho, tornei-me leitor ávido. Quando a segunda guerra mundial atingiu as Filipinas, os suprimentos de literatura em inglês se esgotaram. Daí, certo dia, deparei-me com um exemplar do livro Riquezas, impresso pela Sociedade Torre de Vigia. Finalmente tinha algo para ler! Este continha informações bem estimulantes.

O que particularmente me impressionou foi saber que Deus tem um nome pessoal, Jeová. Verifiquei isso na Bíblia que meu avô me havia dado. Sim, estava ali. O nome de Deus era realmente Jeová. (Êxo. 6:3; Sal. 83:18; veja Almeida, rev. e corr., margem.) No entanto, devido à guerra, não pude de imediato levar avante meu recém-encontrado conhecimento.

Casara-me alguns anos antes, em 1936. Quando chegou a guerra, eu tinha três filhinhos para sustentar. Meu serviço secular envolvia viajar até o sul de Luzón para comprar madeira e lenha. Ali, escondidos nas florestas, havia homens que se opunham ativamente à ocupação japonesa. Recrutaram-me para distribuir propaganda impressa para eles, e, durante a guerra, servi de mensageiro para o movimento de resistência.

Em 1945, os japoneses passaram a suspeitar de minhas atividades clandestinas e prenderam-me. Felizmente, já havíamos distribuído os impressos subversivos. Mas, durante as horas em que fiquei sozinho naquela pequenina cela, minha mente se voltava continuamente para o Deus sobre quem havia lido — Jeová.

Aconteceu que os japoneses não tinham nenhuma prova concreta de minha culpa. Eles me libertaram, e eu me juntei imediatamente ao movimento de resistência pró-americano. Mas, sofri também às mãos dos americanos, quando suspeitaram que eu fosse espião japonês! Entretanto, a ocupação japonesa das Filipinas acabou, e com isso o meu entusiasmo nacionalista. Contudo, não me esqueci da promessa que fizera a Deus. Comecei imediatamente a procurar a Jeová.

ACHADO O POVO DE JEOVÁ

Junto com um amigo de infância, Pablo Quiohilag, visitei diversas igrejas, mas nenhuma delas parecia ter a mensagem correta. Daí, certo dia, ouvi alguém pregar sobre Jeová. Convidei-o à minha aldeia em Biñan e lhe disse que pregasse ali pelo tempo que desejasse.

Em 1947, um de nós ouviu alguém mais pregar sobre Jeová. Esta vez era um missionário canadense, Vic White, uma Testemunha de Jeová. Ele veio falar ao nosso grupo, e eu fui escolhido para traduzir para ele. Descobrimos que a pessoa que havia pregado em minha aldeia não era mais Testemunha de Jeová, mas fora desassociada antes da guerra. Esta informação provocou uma crise no nosso pequeno grupo.

Por volta dessa época, ficamos sabendo da primeira assembléia de circuito das Testemunhas de Jeová, após a guerra, a ser realizada em Manila. Assisti a ela e Vic White apresentou-me ao superintendente de filial, Earl K. Stewart. Depois disso, no escritório da filial, ele nos explicou o que teríamos de fazer para sermos Testemunhas de Jeová. Isto incluía, naturalmente, a responsabilidade cristã de participar na atividade de pregação de casa em casa. Depois de retornar a Biñan, nosso grupo inteiro separou-se do desassociado e resolveu associar-se com as Testemunhas de Jeová.

ORGANIZAMO-NOS COMO VERDADEIROS CRISTÃOS

Nasceu então a Congregação Biñan. Mas havia muitas perguntas a serem respondidas. Por exemplo, a maioria dos do nosso grupo, que naquele tempo totalizava cerca de 15, fora batizada pelo desassociado que pregara a nós. Nós nos perguntávamos então: “Devemos ser batizados novamente?” Alguns achavam que não, visto que a Bíblia fala de “um só Senhor, uma só fé, um só batismo”. (Efé. 4:5) Havíamos sido batizados uma vez, por isso, por que fazê-lo novamente? Mas eu argumentei que certamente o “um só batismo” deveria estar associado a “uma só fé”. Visto que havíamos encontrado agora a verdadeira fé, deveríamos ser batizados novamente em associação com aqueles que se apegam a ela. E foi isso o que fizemos.

Tivemos então que enfrentar a questão da pregação de casa em casa. Como nos sairíamos nisso? Nenhum de nós sabia. Portanto, Pablo Quiohilag e eu saímos juntos de casa em casa. Antes de cada casa tirávamos a sorte. O perdedor tinha de pregar! Não sei ao certo exatamente o que dissemos, mas certamente Jeová orientou nossos esforços inexperientes de louvá-lo em público.

Por fim, dois irmãos experientes de Betel, Salvador Liwag e Vic Amores, foram enviados para nos ajudar. Mostraram-nos como dar testemunho e como presidir às reuniões. Comecei a assistir à reunião de serviço da Congregação Santa Ana, em Manila, às quintas-feiras, a fim de apresentar o mesmo programa de modo mais eficaz ao nosso pequeno grupo nas sextas-feiras.

PERMANECEMOS OCUPADOS NO SERVIÇO DE JEOVÁ

Recentemente, quando viajávamos para uma assembléia de distrito, minha esposa disse repentinamente: “Como é que conseguimos fazer isso?”

“Fazer o quê?”, perguntei-lhe.

“Lembra-se de como toda essa região, desde Sucat, Muntinlupa, em Rizal, até Cabuyao, em Laguna, [cerca de 40 quilômetros] costumava ser território nosso?”

Naqueles primeiros anos não tínhamos carro. Caminhávamos durante dias inteiros para encontrar pessoas interessadas. Levávamos às vezes uma lâmpada de querosene para usar ao dirigir o estudo da Sentinela e realizar a reunião pública após o escurecer.

“Eu não poderia fazê-lo agora”, disse minha esposa.

Isso provavelmente é verdade, visto que ela sofre agora de osteoartrite. Mas quando tínhamos juventude e vigor, usamo-los no serviço de Jeová. Naqueles primeiros anos eu me levantava às 4 horas da manhã, seis dias por semana, a fim de chegar ao trabalho em Manila antes das 8 horas. À noite eu geralmente ia direto do trabalho para meus estudos bíblicos. Às vezes, isto envolvia uma caminhada de 16 quilômetros até a casa duma pessoa interessada e 16 quilômetros de volta para casa. Durante a estação das chuvas, eu muitas vezes chegava a casa à 1 hora da madrugada e todo molhado, levantando-me novamente três horas depois para ir trabalhar.

Naquele tempo, tive também o privilégio de traduzir a revista A Sentinela para o nosso dialeto local, o tagalo. É como perguntou minha esposa: “Como é que conseguimos fazer isso?” Só seria possível com a ajuda de Jeová. (Fil. 4:13) Mas é uma bênção ter “bastante para fazer na obra do Senhor”. — 1 Cor. 15:58.

COLOCAR JEOVÁ EM PRIMEIRO LUGAR

Colocar Jeová em primeiro lugar na nossa vida envolvia às vezes fazer sacrifícios, mas nunca fomos mal sucedidos por causa disso. Após a guerra, a nossa casa em Biñan era praticamente um barracão. Por isso, economizamos dinheiro para uma casa mais bonita, acumulando por fim 500 pesos (cerca de Cr$ 32.500,00, naquele tempo). Mas, então foi considerada a necessidade dum Salão do Reino adequado. Parecia que eu era o único que possuía recursos. De modo que eu disse ao irmão José Nava: “Vá e peça à minha esposa os 500 pesos.” Ela entregou o dinheiro a ele sem se queixar, e construímos com ele um lindo Salão do Reino pequeno.

Logo depois, Jeová de qualquer forma, tornou possível construirmos nossa casa, e moramos confortavelmente nela até 1954, quando ficou tão danificada por causa de cupins, que exigia uma reforma. Tão logo fizéramos planos para isso, tornou-se evidente que o antigo Salão do Reino já era pequeno demais para a nossa congregação em expansão. Novamente, sem se queixar, minha esposa abriu mão de todo o dinheiro que economizáramos, e o doamos para o novo salão, construído depois junto à avenida principal. Novamente, porém, Jeová rapidamente tornou possível reconstruirmos nossa casa. Não fomos mal sucedidos por colocá-lo em primeiro lugar. — Mat. 6:33.

Alguns anos mais tarde, quando eu estava profundamente envolvido na construção de mais um terceiro Salão do Reino, minha esposa me disse: “Sabe, você tem um dos mais caros passatempos de que já ouvi falar.”

“Que passatempo?”, perguntei.

“Construir Salões do Reino”, disse ela, sorrindo.

CRIAÇÃO DOS FILHOS

Por volta da época do nascimento do nosso último filho, em 1956, tínhamos quatro meninos e seis meninas. Quando eram pequenos, considerávamos sempre com eles o texto diário da Bíblia. Percebemos também a necessidade de termos um estudo regular em família. Também, havia ocasiões quando a família inteira saía ao serviço de campo. Fizemos o máximo para criar nossos filhos “na disciplina e na regulação mental de Jeová”. — Efé. 6:4.

Tivemos alguns problemas difíceis ao longo do caminho. Mas houve bênçãos — muitas delas! Em diversas ocasiões, todos os nossos filhos saíram no serviço de pioneiro, servindo como proclamadores do Reino por tempo integral. Minha filha mais velha serviu com o pessoal de Betel durante alguns anos antes de se casar e constituir família. Nossas primeiras três meninas estavam entre as primeiras pioneiras especiais das Filipinas, e uma delas já serve fielmente por muitos anos como missionária na Tailândia. Todos os nossos filhos, exceto um, estão firmes na fé.

Minha segunda filha recebeu sua primeira designação de pioneira especial aos 17 anos de idade. Depois de sair de casa, a fim de assumir a designação, escreveu-nos uma carta que ainda não posso recordar sem que me venham lágrimas aos olhos. Disse que quando era mais nova pensava que eu era o mais cruel dos pais. Agora ela compreendia que, se não fosse a nossa firme disciplina como pais, ela nunca teria usufruído o maravilhoso privilégio do serviço de pioneiro especial (que mais tarde a levou à sua designação missionária no estrangeiro). Por isso, como pais cristãos, nunca devemos privar nossos filhos da disciplina. (Pro. 22:6) Eles precisam dela e a apreciarão mais tarde.

USUFRUTO DE PRIVILÉGIOS DE SERVIÇO

Tenho usufruído muitos privilégios em associação com o povo de Jeová. Por exemplo, tive o privilégio de organizar os primeiros restaurantes de assembléia nas Filipinas. Durante muitos anos, tive o grande privilégio de traduzir A Sentinela para o meu próprio dialeto. Nesse ínterim, vimos aquele pequeno grupo de 15 pessoas aumentar para 11 congregações grandes e prósperas.

Outro privilégio levou-me à Penitenciária Nacional perto de casa. De tempos em tempos, presos escrevem à Sociedade Torre de Vigia, buscando ajuda espiritual. Tais cartas são amiúde encaminhadas a mim, e tenho dirigido estudos bíblicos regulares com internos interessados, desde 1947. Assim, no decorrer dos anos, cerca de 50 tomaram posição a favor de Jeová e foram batizados enquanto ainda estavam na prisão. Numa certa assembléia de distrito, encontrei-me com 23 deles. Depois de serem soltos, alguns se tornaram pioneiros, bem como superintendentes viajantes, e muitos servem agora como anciãos.

Alguém que eu nunca esperava encontrar na prisão era o desassociado que pregou para mim pela primeira vez sobre Jeová. Este homem fora preso, acusado de colaborar com os japoneses. (Mais tarde, recebeu indulto e foi solto.) Enquanto esteve preso, comparecia humildemente às reuniões que eu presidia. Muitos anos depois, em 1975, fiz parte da comissão judicativa que considerou seu pedido de readmissão. Assim, depois de quase 40 anos como desassociado, ele podia novamente associar-se livremente com o povo de Deus.

Durante todos esses anos, minha esposa tem sido deveras de grande ajuda — uma apoiadora leal no serviço de Deus. Agora, nós dois podemos olhar para trás, para mais de três décadas de serviço a Jeová. Tendo buscado e encontrado Jeová, cumpro aquela promessa feita há anos no campo de prisão japonês. Quão grato sou por ter encontrado a Jeová Deus durante os anos produtivos de minha vida e ter podido gastá-los no seu serviço!

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