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“Uma mulher de bem” demonstra amor lealA Sentinela — 1978 | 15 de agosto
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“Uma mulher de bem” demonstra amor leal
“Todos no portão do meu povo se apercebem de que és uma mulher de bem.” — Rute 3:11.
1, 2. Que encontro à meia-noite atrai a nossa atenção, e que perguntas suscita?
A NOITE já caíra e um sossego tranqüilo descera sobre Belém, em Judá, e sobre as vizinhanças. Numa eira, num dos campos, está dormindo um homem já de certa idade. Mas, lá vem sorrateiramente uma jovem mulher, que lhe descobre os pés um pouco e se deita ali. O homem desperta, e, vendo-a aos seus pés, pergunta: “Quem és?” A resposta dela? “Sou Rute, tua escrava.” Viera a ele com um objetivo especial e muito nobre. De fato, reconhecendo a virtude dela, no prosseguimento da palestra, ele observa: “Todos no portão do meu povo se apercebem de que és uma mulher de bem.” — Rute 3:9-11.
2 O que levou a tal encontro incomum à meia-noite? Quem era mesmo esta mulher? E quem era o homem já de certa idade? Por que diz que ela é conhecida como “mulher de bem”? Que qualidades demonstra ela? Estas e outras perguntas nos vem à mente, ao pensarmos nesta extraordinária cena noturna.
3. (a) Que livro bíblico vamos considerar? (b) Quando e por quem foi escrita esta narrativa bíblica, e o que ela salienta?
3 A narrativa, divinamente inspirada, que vamos considerar, provavelmente escrita nos dias de Davi (por volta de 1090 A. E. C.) pelo profeta hebreu Samuel, é singular por ser um dos únicos dois livros da Bíblia que levam nome de mulher. (O outro é Ester.) Embora alguns encarem o livro de Rute como comovente história de amor, é muito mais do que isso. A narrativa salienta o objetivo de Jeová Deus, de produzir o herdeiro do Reino, o há muito prometido Messias. Outrossim, enaltece a benevolência de Deus. — Gên. 3:15; Rute 2:20; 4:17-22.a
SOBREVÉM ADVERSIDADE!
4. Em que período de tempo ocorreram os eventos narrados no livro de Rute?
4 Os acontecimentos relatados nesta narrativa ocorreram “nos dias em que os juízes administravam a justiça” em Israel. Deve ter sido logo cedo neste período, porque o homem observado na eira com Rute era Boaz, filho de Raabe, dos dias de Josué. (Rute 1:1; Jos. 2:1, 2; Mat. 1:5) O desenrolar desta curiosa história abrange uns 11 anos, talvez por volta de 1300 A. E. C.
5. Que circunstâncias e reconhecimento induziram Elimeleque a mudar-se com a família para Moabe, e tem isso qualquer relação com as responsabilidades cristãs?
5 Uma fome sobreviera à terra de Judá, atingindo Belém (ou Efrata). A adversidade afligiu especialmente certo homem chamado Elimeleque. Reconhecendo que precisava prover as necessidades da vida para os seus, ele tomou uma ação decisiva. Em pouco tempo, Elimeleque, sua esposa Noemi, e os dois filhos deles, Malom e Quiliom, puderam ser vistos cruzando o rio Jordão. Estes efratitas tornaram-se assim residentes forasteiros em Moabe, um país no planalto ao leste do Mar Morto e ao sul do rio Árnon. — Rute 1:1, 2; veja 1 Timóteo 5:8.
6. Descreva as circunstâncias que levaram ao luto de Noemi, Rute e Orpa.
6 Com o tempo, Elimeleque faleceu, deixando Noemi como viúva idosa. Mais tarde, os dois filhos deles contraíram núpcias com moças moabitas. Malom casou-se com Rute, e Quiliom tomou Orpa por esposa. (Rute 1:4, 5; 4:10) Passaram-se 10 anos, e então sobreveio novamente uma calamidade. Ambos os filhos de Noemi morreram, não deixando filhos. As três mulheres ficaram assim sozinhas, e o luto e a viuvez certamente não são nada fáceis de suportar.
7. Que possibilidade parecia especialmente remota para a enviuvada Noemi?
7 Especialmente Noemi ficou triste. Ela era judia e conhecia a bênção especial no leito de morte que o patriarca Jacó proferira sobre seu filho Judá, nas seguintes palavras: “O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de comandante de entre os seus pés, até que venha Siló; e a ele pertencerá a obediência dos povos.” Este Siló teria o cetro real — de fato, seria o Messias, o Descendente de Abraão, por meio de quem todas as famílias da terra hão de ser abençoadas. Ora, havia a possibilidade de mulheres de Judá darem à luz filhos que seriam os antepassados do Ungido! Mas, os filhos de Noemi haviam morrido sem descendentes, e ela já estava além da idade de ter filhos. A possibilidade de Noemi e sua família poderem contribuir para a linhagem messiânica parecia remota. — Rute 1:3-5; Gên. 22:17, 18; 49:10, 33.
8. Que fatores induziram Noemi a retornar a Judá, apesar dos perigos do caminho?
8 Contudo, havia pelo menos um vislumbre de esperança de algo bom no futuro. Noemi soube, talvez de alguns mercadores viajantes, hebreus, que “Jeová voltara a sua atenção para seu povo, dando-lhes pão”. Sim, a fome havia acabado, e, com a bênção divina, havia novamente pão em Judá, alimento sadio em Belém, a “casa do pão”. Não demorou muito até que as três mulheres enlutadas seguissem “andando pela estrada para . . . a terra de Judá”. Não era viagem fácil, porque tinham de atravessar uma região usualmente infestada de ladrões e homens desesperados. Mas, a devoção de Noemi a Jeová Deus e o anelo de estar com o seu povo impeliram-na avante, apesar dos perigos ao longo do caminho. — Rute 1:6, 7.
TEMPO DE DECISÃO
9. Por que se disse a Rute e Orpa que deviam voltar “cada uma à casa de sua mãe”?
9 Seriam as viúvas jovens apenas corteses em acompanhar sua idosa sogra até a fronteira de Moabe com Israel? Ou iriam mais longe? Veremos. Em certo ponto da estrada, Noemi disse: “Ide, voltai, cada uma à casa de sua mãe.” (Rute 1:8) Por que à “sua mãe”, quando pelo menos o pai de Rute ainda vivia? (Rute 2:11) Bem, era um comentário natural, de uma mulher idosa a mulheres mais jovens, e as mães delas tinham lares bem estabelecidos, diferentes da sua sogra indigente. De qualquer modo, o afeto maternal seria especialmente consolador para uma filha triste.
10. Noemi estava disposta a despedir ambas as suas noras com que esperança?
10 Escutemos Noemi prosseguir: “Que Jeová use de benevolência para convosco assim como vós usastes de benevolência para com os homens agora já mortos e para comigo. Que Jeová vos dê uma dádiva, e achai deveras um lugar de descanso, cada uma na casa de seu esposo.” (Rute 1:8, 9) As duas mulheres moabitas haviam demonstrado benevolência, ou amor leal, para com Noemi e seus falecidos maridos. Não haviam sido como as mulheres hititas de Esaú, que “eram uma fonte de amargura de espírito para Isaque e Rebeca”. (Gên. 26:34, 35) Visto que a própria Noemi estava então privada de bens, ela só podia esperar que Deus recompensasse suas noras. E estava disposta a despedir-se delas, na esperança de que Jeová desse a cada jovem o descanso e conforto provenientes dum marido e dum lar, ficando assim livres da viuvez e da tristeza.
11. (a) Aparentemente por que motivo seria doloroso para Rute e Orpa separarem-se de Noemi, e sugere isso alguma coisa sobre as relações familiares existentes hoje entre cristãos? (b) Eram promissoras as perspectivas de novo casamento para Rute e Orpa, se ficassem com Noemi? Por quê?
11 Mas Rute e Orpa não se afastaram. Quando Noemi as beijou, começaram a elevar a voz e a chorar. Obviamente, ela havia sido uma sogra bondosa e amorosa, de quem era doloroso despedir-se. (Rute 1:8-10; veja Atos 20:36-38.) No entanto, Noemi persistiu, argumentando: “Acaso ainda tenho filhos nas minhas entranhas e teriam de tornar-se eles os vossos maridos? Voltai, minhas filhas, ide, pois fiquei velha demais para vir a pertencer a um esposo. Se eu dissesse que também tenho esperança de certamente vir a ser hoje de noite de um esposo e também de certamente dar à luz filhos, ficaríeis esperando por eles até crescerem? Manter-vos-íeis isoladas para eles para não virdes a ser de algum esposo?” Sim, mesmo que os falecidos filhos de Noemi fossem substituídos por novos filhos e estes crescessem, será que essas mulheres jovens deixariam de se casar com alguém no ínterim? Não seria razoável pensar assim. Quanto a isso, como mulheres moabitas, sua perspectiva de se casar com um homem em Judá e constituir família era deveras mínima. — Rute 1:11-13.
12, 13. Como estavam sendo provadas Rute e Orpa, e que decisão tomou Orpa?
12 “Não, minhas filhas”, prosseguiu Noemi, “pois é muito amargo para mim, por vossa causa, que a mão de Jeová tenha saído contra mim”. (Rute 1:13) Noemi não acusava Deus dum malefício; tudo o que ele permite deve estar certo. (Pro. 19:3) Mas ela se sentiu pesarosa por causa de suas noras. E, para estas, era tempo de tomar uma decisão. Acompanhariam altruisticamente Noemi? Sua motivação e lealdade estavam sendo postas à prova.
13 Orpa tomou uma decisão. Com lágrimas nos olhos, beijou sua sogra e partiu. “Eis”, disse Noemi a Rute. “Tua cunhada enviuvada voltou ao seu povo e aos seus deuses. Volta com a tua cunhada enviuvada.” (Rute 1:14, 15) Sim, Orpa estava voltando ao seu povo e aos “seus deuses”. Tanto ela como Rute haviam sido criadas entre o “povo de Quemós”, e talvez até mesmo tivessem presenciado o horrível sacrifício de crianças, em adoração deste falso deus moabita. Orpa estava voltando para tudo isso! — Núm. 21:29; 2 Reis 3:26, 27.
14. Como se expressou Rute a Noemi, e, portanto, que decisão havia tomado a moabita?
14 Mas, não era assim com Rute. “Não instes comigo para te abandonar, para recuar de te acompanhar”, disse ela, “pois, aonde quer que fores, irei eu, e aonde quer que pernoitares, pernoitarei eu. Teu povo será o meu povo, e teu Deus, o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei enterrada”. A isto, a moabita acrescentou um juramento perante Deus, dizendo: “Assim me faça Jeová e assim lhe acrescente mais, se outra coisa senão a morte fizer separação entre mim e ti.” Que expressão comovente de amor leal! De fato, é muito mais do que isso. Rute escolheu uma vida de serviço a Jeová, e o povo de Noemi — os que estavam em pacto com o verdadeiro Deus — seria o seu povo. A moabita estava decidida a servir fielmente a Jeová. Portanto, Noemi parou de fazer empenho de mandar a jovem embora. — Rute 1:16-18.
15. (a) Até este ponto, como demonstrara Rute amor leal? (b) Que proveito podemos tirar das decisões de Rute e Orpa?
15 Ao passo que a judia idosa e a moabita jovem seguiam seu caminho penoso, nós podemos pensar nas cenas tocantes que se desenrolaram pouco antes. Orpa cedera aos seus próprios interesses. O progresso que talvez tivesse feito em aprender algo sobre Jeová não significara o bastante para ela, para impedi-la de voltar ao seu povo e aos “seus deuses”. Se Rute tivesse tido egoistamente saudades de sua terra nativa, também poderia ter voltado a ela. (Veja Hebreus 11:15.) Mas, esta jovem moabita havia demonstrado amor leal, não só para com a idosa Noemi, mas especialmente para com Jeová. Mostrou um espírito abnegado e a determinação de servir o verdadeiro Deus em fé. Observando estas decisões contrastantes, também somos animados a não ‘retroceder para a destruição’, mas a ter “fé para preservar viva a alma”. — Heb. 10:38, 39.
AGITAÇÃO EM BELÉM!
16. Por que perguntavam as mulheres de Belém: “É esta Noemi?”
16 Por fim, as duas mulheres chegam ao seu destino, Belém. Sua presença agita toda a cidade. “É esta Noemi?” perguntavam as mulheres. Os anos haviam cobrado seu tributo. As mulheres, certamente, notaram que esta mulher, antigamente alegre, fora afetada pela tristeza e pela aflição. Ora, sua própria reação indica dor de coração!
17. Qual é o significado da observação de Noemi: ‘Não me chameis Noemi, mas Mara’?
17 “Não me chameis Noemi [minha agradabilidade]”, disse ela. “Chamai-me Mara [amarga], pois o Todo-poderoso o fez muito amargo para mim. Eu estava cheia [tendo marido e dois filhos] quando fui, e é de mãos vazias que Jeová me fez voltar. Por que me devíeis chamar Noemi, quando foi Jeová quem me humilhou e o Todo-poderoso quem me causou a calamidade?” (Rute 1:19-21) Ora, Noemi estava disposta a aceitar o que Jeová permitia, mas, evidentemente, achava que Jeová era contra ela. (Rute 1:13; veja 1 Samuel 3:18.) Sem dúvida, nos dias em que um ventre frutífero era considerado uma bênção divina e a esterilidade uma maldição, era humilhação para a mulher não ter filhos vivos. E que esperança tinha então Noemi de poder contribuir para a linhagem do Messias?
UMA HUMILDE RESPIGADORA OBTÉM FAVOR
18. Na respiga, o que fazia Rute, e, “por acaso”, no campo de quem veio parar?
18 Noemi e Rute chegaram a Belém “no início da sega da cevada”, no princípio da primavera. (Rute 1:22) Sendo diligente e estando disposta a servir, Rute, com a permissão de Noemi, foi começar a respigar nos campos de cereais, atrás dos ceifeiros. Ela sabia que a respiga era a provisão amorosa de Jeová para os pobres e os aflitos, para o residente forasteiro, o menino órfão de pai e a viúva. Em Israel, estes tinham permissão de ajuntar ou respigar qualquer parte da safra que os ceifeiros inadvertida ou intencionalmente tinham deixado. (Lev. 19:9, 10; Deu. 24:19-21) Embora Rute tivesse o direito de respigar, ela solicitou humildemente fazer isso em certo campo, e recebeu permissão. Evidentemente, porém, a mão de Jeová interveio no assunto como que “por acaso”, fazendo com que ela fosse “parar no pedaço de campo que pertencia a Boaz”. — Rute 2:3.
19, 20. (a) Quem era Boaz? (b) Por que se pode dizer que Rute não era mulher mimada?
19 Então, aproximou-se Boaz. Ele era “homem poderoso em riqueza”, sendo filho de Salmon e Raabe. Sim, Boaz era judeu. Ele não só era amo que tinha consideração, muito estimado pelos trabalhadores, mas era também devoto adorador do verdadeiro Deus, porque cumprimentava os ceifeiros com as palavras: “Jeová seja convosco”, e eles respondiam: “Jeová te abençoe.” — Rute 2:1-4.
20 Boaz soube do jovem encarregado dos ceifeiros que Rute era a moabita que pouco tempo antes viera com Noemi a Belém. Ela, após receber permissão, havia respigado constantemente durante a manhã fresca, até o sol ter chegado ao alto, sem se queixar, suportando o calor. Só então se havia sentado um pouco na casa, que evidentemente era apenas uma barraca para os ceifeiros. Rute, certamente, não era mulher mimada! — Rute 2:5-7.
21. O que havia a respeito de Rute que impressionou Boaz, e podem as mulheres cristãs tirar conclusões disso?
21 Mais tarde, Boaz instou com Rute para que não respigasse em outro campo, mas que ficasse perto das jovens dele, as quais provavelmente seguiam os ceifeiros e amarravam os feixes. Boaz ordenou aos moços que não tocassem nela, e ela teve liberdade para beber dos jarros de água que encheram. Profundamente grata, Rute prostrou-se em humildade no chão, perguntando: “Como é que tenho achado favor aos teus olhos de modo a ser notada, sendo eu estrangeira?” Ora, Boaz não estava querendo granjear-lhe o afeto, para satisfazer os caprichos dum homem idoso. Antes, ele soube que a moabita havia abandonado pai, mãe e pátria, apegando-se à sua sogra idosa. Obviamente impressionado com o amor leal e a humildade de Rute, ele se sentiu induzido a dizer: “Jeová recompense teu modo de agir e haja para ti um salário perfeito da parte de Jeová, o Deus de Israel, debaixo de cujas asas [protetoras] vieste refugiar-te.” Por certo, conforme Rute reconheceu, Boaz a havia consolado e falado tranqüilizadoramente com ela. — Rute 2:8-13; Sal. 91:2, 4.
22, 23. (a) Como foi Rute tratada generosamente por Boaz? (b) Como se manifestaram a diligência e o altruísmo de Rute?
22 Na hora de os ceifeiros comerem, Boaz disse a Rute: “Aproxima-te, e tens de comer do pão e mergulhar teu pedaço no vinagre [“vinho acre”].” Que condimento refrescante durante o calor do dia! Boaz ofereceu a Rute grãos torrados, e ela os comeu com satisfação, deixando até mesmo sobrar alguns. — Rute 2:14; veja Nova Bíblia Inglesa.
23 Daí, voltou ao trabalho. Num espírito de generosidade, Boaz mandou que seus moços deixassem que Rute respigasse “também entre os molhos de espigas cortadas”. Até mesmo mandou que ‘arrancassem das gavelas algumas’, deixando-as para que ela os respigasse. Chegando a noitinha, Rute ainda estava atarefada, “malhando” ou debulhando o que havia respigado. Usando-se um pau ou mangual para bater manualmente os grãos no chão, separa-se a cevada das hastes e da palha. Ora, a respiga de Rute, no decorrer do dia, produziu uns 22 litros de cevada! Ela a carregou de volta para casa, a Belém. Altruistamente, Rute tirou também o alimento que lhe sobrara na refeição daquele dia, entregando-o à sua sogra necessitada. — Rute 2:14-18.
24. (a) Por que não é de se admirar que as pessoas considerassem Rute “uma mulher de bem”? (b) Portanto por que é Rute um belo exemplo para qualquer mulher piedosa?
24 Rute, de novo, demonstrou amor leal para com Noemi. Acrescente-se a isso o amor desta jovem mulher por Jeová, sua diligência e humildade, e não é de se admirar que as pessoas a considerassem “uma mulher de bem”. (Rute 3:11) Rute, certamente, não comia “pão da preguiça”, e, por causa de seu trabalho árduo, ela tinha algo a compartilhar com alguém em necessidade. (Pro. 31:27, 31; Efé. 4:28) E ao assumir responsabilidade para com sua idosa e enviuvada sogra, a moabita também deve ter chegado a conhecer a felicidade que vem de dar. (Atos 20:35; 1 Tim. 5:3-8) Rute, de fato, é belo exemplo para qualquer mulher piedosa.
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Jeová concede “salário perfeito”A Sentinela — 1978 | 15 de agosto
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Jeová concede “salário perfeito”
“Jeová recompense teu modo de gir e haja para ti um salário perfeito da parte de Jeová, o Deus de Israel, debaixo de cujas asas vieste refugiar-te.” — Rute 2:12.
1-3. (a) O que sugere a conversa entre Noemi e Rute a respeito da comunicação numa família amorosa? (b) Que surpresa houve quando Rute falou a Noemi sobre a respiga daquele dia, e a orientação de quem se evidenciou nisso?
“HAJA para ti um salário perfeito da parte de Jeová.” Boaz, que já tinha certa idade, disse isso à moabita Rute. Era o que de coração desejava a esta excelente mulher jovem, que procurara proteção sob as asas do Deus de Israel. (Rute 2:12) Mas, transformar-se-ia tal desejo em realidade? Em caso afirmativo, como? Veremos isso.
2 Numa família amorosa, os que já têm mais idade estão interessados nas atividades dos mais jovens. Todos acolhem bem as oportunidades de trocar idéias e falar sobre as atividades do dia. Não era diferente no lar humilde, em Belém, onde Noemi e Rute mantinham uma conversa agradável às noitinhas. Vejamos sobre o que falavam.
3 “Onde respigaste hoje e onde trabalhaste?” A boa quantidade de cereal e o alimento que Rute trouxera para casa fizeram Noemi perguntar isso. Era óbvio que alguém tivera consideração especial para com a moabita. “Torne-se bendito aquele que reparou em ti”, disse a mulher mais idosa. Mas, a cada uma delas aguardava uma animadora surpresa. “O nome do homem com quem trabalhei hoje é Boaz”, respondeu Rute. Ótimo! Certamente, havia evidência da orientação de Deus. “Bendito seja ele por Jeová que não abandonou a sua benevolência para com os vivos e os mortos”, exclamou Noemi. “O homem é aparentado conosco. Ele é um dos nossos resgatadores.” — Rute 2:19, 20.
4. Qual a definição de “resgatador” no antigo Israel?
4 Como elas ficaram reanimadas! Essas mulheres sabiam que o resgatador (em hebraico: go’él) era um parente (irmão, ou outro parente consangüíneo, masculino) que tinha o direito de recuperar, remir, resgatar ou comprar de volta a pessoa, a propriedade ou a herança de seu parente próximo. Por exemplo, podia comprar um terreno hereditário antes de este ser posto à venda no mercado, mantendo-o assim na família. Imagine só! Por acaso, Rute viera parar no campo de Boaz, sendo ele resgatador, homem da família de Elimeleque.
5. Dessemelhante de Diná, filha de Jacó, que exemplo deu Rute quanto à sua associação com outros?
5 Além disso, Boaz quis que Rute ficasse perto de suas trabalhadoras jovens, até o término total da ceifa. Noemi, naturalmente, aprovou isso, dizendo: “É melhor, minha filha, que saias com as moças dele, para que não te importunem em outro campo.” Portanto, a moabita ia continuar a respigar no campo de Boaz por uns dois ou três meses, até o fim da colheita tanto da cevada como do trigo. Dessemelhante de Diná, filha de Jacó que mantinha companheirismo com moças cananéias, trazendo calamidade sobre si mesma e aflição à sua família, Rute continuava a morar com sua sogra, embora também tivesse suas próprias companheiras. Um belo exemplo! — Rute 2:22, 23; Gên. 34:1-31; 1 Cor. 15:33.
HUMILDADE EM AÇÃO
6. Como mostrou Noemi que ela queria altruisticamente o bem para Rute?
6 Passaram-se semanas e a colheita chegava ao fim. Noemi perguntou a Rute: “Minha filha, não devia eu procurar-te um lugar de descanso, para que te vá bem?” (Rute 3:1) A idosa viúva não estava procurando segurar egoistamente para si a jovem moabita, mas queria que Rute obtivesse descanso, conforto, sossego de coração e segurança, que teria no lar dum bom e amoroso marido. Mas, Noemi preocupava-se também com a preservação do nome de seu marido, Elimeleque, em Israel. (Deu. 25:7) Neste respeito, ela revelou um plano especial de ação, e sua humilde nora estava disposta a acatá-lo. De modo que Rute se banhou, se esfregou com óleo, vestiu suas capas ou vestes exteriores, e saiu na sua nobre missão.
7. No joeiramento da cevada, que proceder seguiu Boaz?
7 No ínterim, Boaz — homem abastado, mas também trabalhador — aproveitara a brisa vespertina para joeirar a cevada na eira. A debulha soltara os grãos da palha, e esta ficara em fiapos. Então, no joeiramento, tudo era lançado junto ao ar, contra o vento, com um grande forcado ou pá de joeirar. A brisa levava a palha miúda embora e jogava a palha grossa para um lado, e os grãos caíam na eira. Era uma ocasião alegre, e, assim, após esse trabalho, havia uma boa refeição. Boaz comia e bebia, e seu coração “se sentia bem”, embora não houvesse indício de que se excedesse. (Sal. 104:15) Depois, deitou-se “na extremidade do monte de cereais”, passando logo a dormir profundamente, sob os céus estrelados. — Rute 3:1-7.
8. Que ação tomou Rute para com Boaz, na eira, e tinha um objetivo imoral nisso?
8 Tudo era calmo, e então apareceu devagar, quieta e não observada uma figura indistinta. Era uma mulher, a qual descobriu os pés do adormecido Boaz e se deitou ali, plenamente vestida. À meia-noite, ele começou a tremer, inclinou-se para a frente e ficou surpreso de ver uma mulher deitada aos seus pés, pelo visto, transversalmente. Não podendo reconhecê-la na escuridão, perguntou: “Quem és?” e ouviu a resposta: “Sou Rute, tua escrava.” Mas ela acrescentou logo: “E tens de estender a tua aba sobre a tua escrava, visto que és resgatador.” (Lev. 25:25) Embora surpreso, Boaz não ficou embaraçado, nem indignado. Tampouco estava a moabita ali para fins imorais. Humildemente, por meio desta ação simbólica e de suas palavras, ela executara as instruções de Noemi. Rute fizera com que este judeu, já de certa idade, se apercebesse de sua obrigação como resgatador, parente de seu falecido marido Malom e do falecido pai deste, Elimeleque. Noemi tinha certeza de que este empreendimento seria bem sucedido, e a mulher mais jovem evidentemente também tinha confiança em que Boaz a trataria de maneira honrosa. (Rute 3:4, 7-9) Mas, qual seria a reação dele?
9. (a) Como havia Rute expresso sua benevolência no que Boaz chamou de “primeiro” caso e de “último caso”? (b) Era Rute uma “mulher de bem” por causa de riqueza, penteado e vestes caras, ou por que motivo?
9 Boaz abençoou e elogiou a humilde e leal moabita, dizendo: “Que Jeová te abençoe, minha filha. Expressaste a tua benevolência melhor no último caso do que no primeiro, não indo atrás dos jovens, quer o de condição humilde, quer o rico.” Em primeiro lugar, Rute demonstrara amor leal a Noemi. Daí, em vez de procurar a companhia de jovens casadouros, a moabita estava disposta a casar-se com um homem bem mais idoso, a fim de suscitar um nome para seu falecido marido Malom e para sua sogra, a viúva idosa de Elimeleque. Mas, o que achava disso Boaz? Ele observou, tranqüilizadoramente: “E agora, minha filha, não tenhas medo. Farei para ti tudo o que disseres, pois todos no portão do meu povo se apercebem de que és uma mulher de bem.” Rute não proclamara ostensivamente as suas virtudes, e certamente não foram alguma riqueza, penteado ou roupa dispendiosa, que induzira os outros a admirá-la. Antes, o temor que esta jovem mulher tinha a Jeová, seus bons trabalhos, seu espírito quieto e brando, seu amor leal, sua diligência — atos e tendências assim fizeram as pessoas encará-la como “mulher de bem”. Vive hoje alguma mulher piedosa que não queira ter tal reputação excelente? — Rute 3:10, 11; veja Provérbios 31:28-31; 1 Timóteo 2:9, 10; 1 Pedro 3:3, 4.
10. Por que não se tornou Rute logo esposa de Boaz?
10 Tomaria Boaz logo a Rute por esposa? Não, porque havia um parente masculino ainda mais chegado a Elimeleque e Malom. “Mas, se ele não se agradar em resgatar-te, então eu te resgatarei, eu mesmo”, afirma Boaz com um juramento, “tão certo como Jeová vive”. Boaz ia cuidar do assunto logo de manhã. — Rute 3:13.
11. O que induziu Boaz a dar a Rute seis medidas de cevada?
11 Visto que a hora já era avançada, Boaz mandou que Rute ficasse até à madrugada. Mas, não ocorreu nada de imoral, e eles se levantaram enquanto ainda era escuro, evidentemente para evitar rumores inconvenientes e infundados. Antes de a moabita ir embora, Boaz encheu-lhe a manta com seis medidas de cevada, talvez querendo indicar que, assim como seis dias de trabalho são seguidos por um dia de descanso, assim estava próximo o dia de descanso da jovem, porque ele cuidaria de que tivesse um “lugar de descanso”, um lar, com um marido. (Rute 1:9; 3:1) Naturalmente, o generoso Boaz não quis que Rute voltasse de mãos vazias à sua sogra.
12. Por que perguntou Noemi: “Quem és, minha filha?”
12 Finalmente, a moabita chegou de volta à casa, e Noemi clamou: “Quem és, minha filha?” Talvez não reconhecesse quem estava procurando entrar, na escuridão, mas é admissível que esta pergunta se relacionasse com a possível nova identidade de Rute em relação com o seu resgatador. Avaliando os acontecimentos da noite que passara, Noemi tinha confiança em que Boaz ia cumprir a sua palavra e agir prontamente. “Fica sentada, minha filha, até que saibas como o assunto se resolverá”, ela exortou a jovem, acrescentando, na sua sabedoria e compreensão feminina da natureza humana, “pois o homem não terá sossego a menos que leve o assunto ainda hoje a término”. — Rute 3:12-18.
13. Que proveito podemos tirar de considerar a fé que Noemi e Rute tinham?
13 Enquanto deixamos essas duas viúvas necessitadas esperando na sua humilde moradia, podemos considerar com proveito a fé que elas tinham. Será que nós, pessoalmente, assim como Noemi, temos confiança em nossos fiéis concrentes? E, iguais a Rute, confiamos prontamente em Jeová em ocasiões de crise, certos de que os seus arranjos e as suas provisões serão os melhores? (Sal. 37:3-5; 138:8) Pense em Rute. Ela nem mesmo conhecia aquele parente com o direito primário neste assunto; não conhecia nem seu temperamento, e, ainda assim, estava disposta a cumprir a lei de Jeová a respeito do casamento levirato. Deve ter tido certeza de que Deus faria com que tudo saísse bem. Em comparação, confiamos nós, pessoalmente, em que Jeová faça “que todas as suas obras cooperem para o bem daqueles que amam a Deus”? — Rom. 8:28; 1 Ped. 5:6, 7.
BOAZ AGE COM DETERMINAÇÃO
14, 15. (a) Quem era o resgatador mais aparentado com Elimeleque do que Boaz? (b) O que precisava fazer Noemi, evidentemente por causa de sua pobreza, e, portanto, o que precisavam fazer, quer o parente mais chegado, quer Boaz?
14 A luz dum novo dia passou a brilhar sobre Belém. Havia pessoas andando pelas ruas, comerciantes expondo suas mercadorias, pequenos grupos conversando no espaço aberto diante do portão da cidade e lavradores partindo para o seu trabalho nos campos, em volta da cidade. E lá no portão da cidade estava sentado Boaz. Seus olhos perscrutavam as faces de todos os transeuntes. De repente, ele chamou: “Desvia-te para cá, senta-te aqui, Fulano.” (Rute 4:1) Ora, este homem, cujo nome não se indica, não é senão o resgatador mais aparentado com Elimeleque do que Boaz. É possível que até mesmo tenha sido irmão carnal do falecido Elimeleque.
15 Era no portão da cidade que se registravam as transações e os anciãos realizavam julgamentos. Portanto, visto que Boaz estava para representar as ausentes Noemi e Rute num assunto de resgate e casamento levirato, ele reuniu 10 dos anciãos de Belém, ali no portão. (Deu. 16:18; 22:15; 25:7, 8) Daí, Boaz disse ao resgatador mais chegado: “O pedaço de campo que pertencia ao nosso irmão [ou: parente] Elimeleque tem de ser vendido por Noemi”, evidentemente por causa de sua condição empobrecida. (Rute 4:3) Quando um israelita empobrecido tinha de vender a terra da família, o resgatador tinha o direito de remi-lo por pagar um preço baseado no número de anos que restavam até o Jubileu, quando essa propriedade hereditária voltaria ao seu dono original. (Lev. 25:23-28) Em vez de deixar de lado o parente mais próximo e comprar secretamente o terreno, o honroso Boaz apresentou corretamente os fatos em público. Se o parente mais próximo o resgatasse, tudo estava em ordem; senão, Boaz o faria.
16, 17. Se o parente, sem nome indicado, quisesse comprar o campo de Noemi, o que mais tinha de fazer? Qual foi a sua reação a isso?
16 “Serei eu quem o resgatará”, disse o parente mais próximo. Pelo visto, ele tinha prazer em obter o terreno e assim aumentar suas posses. Mas, aguardava-lhe uma surpresa, porque Boaz prosseguiu: “No dia em que comprares o campo da mão de Noemi tens de comprá-lo também de Rute, a moabita, esposa do morto [de Malom, filho de Elimeleque], para fazer que o nome do morto se levante sobre a sua herança.” (Rute 4:4, 5) Se esse parente queria aquele campo, tinha a obrigação de se casar com Rute e produzir descendência para seu parente — um filho que herdaria aquele pedaço de terra.
17 Isto mudou totalmente a situação. “Não posso resgatá-lo para mim”, disse o parente próximo, cujo nome não se dá, “para que eu não arruíne a minha própria herança. Resgata-o para ti com o meu direito de resgate, porque eu não posso resgatá-lo”. (Rute 4:6) Esse parente não disse como ‘arruinaria a sua própria herança’. Mas, teria de gastar dinheiro com o terreno, e isso reduziria o valor de seus bens. E depois, o filho de Rute, em vez de os filhos que esse parente próximo talvez já tivesse, obteria o campo. Esse Fulano não queria nada disso! Por isso: ‘Compre-o você, Boaz.’
18, 19. Por meio de que ato renunciou este parente mais chegado ao seu direito de resgate, neste caso, e, assim o que fez Boaz?
18 Então, o parente sem nome indicado seguiu o costume prevalecente, a respeito do direito de resgate e da troca. Tirou uma de suas sandálias e a entregou a Boaz. Fazendo isso perante testemunhas, renunciou ao seu direito de resgate, neste caso. Sem dúvida, o proceder egoísta dele é o motivo de não se lhe mencionar o nome. Então, Boaz estava autorizado a fazer o resgate. — Rute 4:7, 8; Deu. 25:7-10.
19 Sem demora, Boaz comprou de Noemi tudo o que pertencia a Elimeleque e aos filhos dele, Quiliom e Malom. Também, comprou Rute, “como esposa, a fim de fazer que se levante o nome do morto [Malom] sobre a sua herança”, para que seu nome ‘não fosse decepado dentre os seus irmãos e dentre o portão deste lugar’. Sim, o nome de Malom, e, portanto, o de seu pai Elimeleque, seriam lembrados pelo povo e pelos anciãos reunidos, no futuro, no portão de Belém. “Vós sois hoje testemunhas”, disse Boaz. Em confirmação, todo o povo e os anciãos clamaram: “Testemunhas!” — Rute 4:9-11.
JEOVÁ CONCEDE A RUTE UM “SALÁRIO PERFEITO”
20. O que desejavam as testemunhas que Jeová concedesse à esposa que ia entrar na casa de Boaz, e a quem davam crédito pelo prospectivo filho de Rute?
20 Era tocante ouvir aquelas testemunhas acrescentar: “Conceda Jeová à esposa que entra na tua casa ser igual a Raquel e igual a Léia, ambas as quais construíram a casa de Israel [porque seus descendentes se tornaram numerosos]; e mostra-te digno em Efrata e ganha fama em Belém. E torne-se a tua casa igual à [muito populosa] casa de Peres, que Tamar deu à luz a Judá, da descendência que Jeová te dará desta moça.” (Rute 4:11, 12) Sim, aquelas testemunhas já davam crédito a Jeová pelo prospectivo filho que viesse por meio de Rute, a leal moabita.
21, 22. Por que diziam as vizinhas: “À Noemi nasceu um filho”?
21 De modo que Boaz tomou Rute por esposa e teve relações com ela. Jeová concedeu que ela concebesse e tivesse um filho. Quanta felicidade! As mulheres de Belém diziam à alegre avó Noemi: “Bendito seja Jeová que hoje não deixou que te faltasse um resgatador; para que seu nome seja proclamado em Israel. E ele se tornou restaurador da tua alma e aquele que nutre a tua velhice, porque a tua nora, que deveras te ama, que é para ti melhor do que sete filhos [naturais], deu-o à luz.” Noemi, deleitada, tomou o menino ao colo e tornou-se aia ou babá dele. — Rute 4:13-16.
22 “À Noemi nasceu um filho”, diziam as vizinhas. Consideravam o filho como sendo de Elimeleque e da viúva dele. E por que não? Rute tornou-se esposa de Boaz a favor da idosa Noemi, em harmonia com a lei do casamento levirato. Boaz e Rute prestaram um serviço a Jeová, e é digno de nota que as mulheres da vizinhança deram ao filho o nome de Obede, que significa “servo” ou “aquele que serve”. O menino era herdeiro legal da casa judia de Elimeleque. — Rute 4:17.
23. De que modo tornou-se Boaz instrumento na bênção que queria para Rute?
23 Passaram-se alguns meses desde que Boaz dissera a Rute: “Jeová recompense teu modo de agir e haja para ti um salário perfeito da parte de Jeová.” (Rute 2:12) Boaz, por gerar Obede, tornou-se assim instrumento da bênção que queria para a jovem moabita. Um dia, Obede, descendente de Judá através de Peres, Esrom, Rão, Aminadabe, Nasom, Salmon e Boaz, teria um filho chamado Jessé, que se tornaria pai de Davi, segundo Rei de Israel. — Rute 4:18-22.
24. (a) O drama que acabamos de considerar evidencia a orientação de Deus em que sentido? (b) Então, qual foi o “salário perfeito” que Jeová concedeu a Rute?
24 Este drama da vida real fornece evidência da orientação de Deus na escolha de pessoas para a preservação da linhagem humana mais importante, aquela que levava ao Messias, Jesus Cristo. De fato, mulheres israelitas, casadas com homens da tribo de Judá, tinham a possibilidade de contribuir para a linhagem terrena do Messias. (Gên. 49:10) Mas, ser uma moabita tão privilegiada ilustra o princípio de que “depende, então, não daquele que deseja, nem daquele que corre, mas de Deus, que tem misericórdia”. (Rom. 9:16) Rute escolhera a Jeová por seu Deus, e ele, em grande misericórdia, concedeu-lhe um “salário perfeito”, permitindo que esta mulher humilde se tornasse um elo na linhagem do Messias. — Mat. 1:3-6, 16; Luc. 3:23, 31-33.
25. Como nos deve afetar a consideração do “salário perfeito” que Deus concedeu a Rute?
25 O “salário perfeito” concedido por Deus à leal Rute, certamente, devia induzir pessoas de reflexão a chegar-se a ele com fé implícita, confiantes em que Jeová existe e “se torna o recompensador dos que seriamente o buscam”. (Heb. 11:6) Sim, o livro de Rute retrata Jeová como Deus de amor, que atua a favor dos que estão devotados a ele. Ademais, prova que os propósitos de Jeová nunca falham. Por isso, podemos e devemos ter o mesmo espírito expresso por Davi, que disse: “Gritaremos de júbilo por causa da tua salvação e em nome de nosso Deus arvoraremos os nossos estandartes. Que Jeová cumpra todos os teus pedidos. Agora sei deveras que Jeová certamente salva o seu ungido. Responde-lhe desde os seus santos céus com potentes atos salvadores da sua direita.” — Sal. 20:5, 6.
[Foto na página 23]
“Quem és?” perguntou Boaz. “Sou Rute, tua escrava.”
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O areópago — sede dum tribunalA Sentinela — 1978 | 15 de agosto
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O areópago — sede dum tribunal
O AREÓPAGO, em grego areópagus (“Colina de Ares”, Colina de Marte), era um morro ao noroeste da elevada Acrópole ateniense, estando separado dela por um vale raso. Este outeiro bastante estreito e calvo, de pedra calcária, tinha uns 113 metros de altitude, e a Acrópole, ao sudeste dele, elevava-se uns 43 metros acima dele. A ascensão à Colina de Marte, pelo norte, era suave; ao sul, era íngreme. Esta colina estava antigamente encimada por altares gregos, santuários, estátuas e pelo supremo tribunal do Areópago, a céu aberto. Hoje, tudo isso já desapareceu, e apenas restam alguns bancos escavados na rocha.
Numa das visitas do apóstolo Paulo a Atenas, certos atenienses agarraram-no e levaram-no ao Areópago, dizendo: “Podemos saber qual é este novo ensino de que falas? Porque estás introduzindo algumas coisas que são estranhas aos nossos ouvidos.” (Atos 17:19, 20) Em resposta, Paulo apoiou cuidadosamente um sólido fato de verdade em cima de outro, desenvolvendo um argumento lógico, persuasivo e convincente. Paulo não chegou a terminar seu discurso, porque, “quando ouviram falar duma ressurreição dos mortos”, alguns começaram a mofar. Entretanto, até que ocorresse esta interrupção, Paulo havia conseguido dividir a sua assistência em três maneiras de pensar. Ao passo que alguns zombavam, e outros diziam que o ouviriam ainda mais tarde, mais outros “se tornaram crentes, entre os quais havia também Dionísio, juiz do tribunal do Areópago, e uma mulher de nome Dâmaris, e outros além deles”. (Atos 17:22-34) Atualmente, uma placa de bronze na Colina de Marte, comemorando este acontecimento, contém esse discurso do apóstolo Paulo. Não se pode dizer com certeza que Paulo tivesse falado naquela ocasião perante o tribunal do Areópago, mas teve por ouvinte pelo menos um membro daquele augusto tribunal.
A colina em que se realizava este famoso tribunal derivava seu nome do deus da mitologia grega, chamado Ares (o romano Marte). O próprio tribunal do Areópago era de grande antiguidade, antecedendo a 740 A. E. C. Embora seus deveres e sua jurisdição fossem modificados e mudados de tempos a tempos, no decorrer dos séculos, era tido em elevada honra e respeito, até os tempos dos césares.
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