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Solucionará a ciência realmente seus problemas?A Sentinela — 1975 | 15 de agosto
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ciência ocidental? Um artigo na revista Science disse: “A ciência e tecnologia ocidental . . . de fato, fizeram a principal contribuição para a destruição. . . . De fato, quando os povos saelianos foram conservadores e resistiram às mudanças advogadas por peritos ocidentais, muitas vezes foi por um motivo. . . . poucas intervenções ocidentais no Sael, consideradas por um longo prazo, resultaram em favor dos habitantes.”
A falta de preocupação real com os outros e de cooperação com eles fez com que a ciência aumentasse os problemas de outros modos. Muitas vezes não fez caso das advertências sobre vindouros desastres, tais como problemas de alimentos, transportes, moradias e energia. Estes mesmos problemas vêm cercando agora a raça humana num ritmo fenomenal.
Naturalmente, isto não quer dizer que algum homem ou grupo de homens possa saber o futuro com exatidão. Contudo, precauções razoáveis em face de advertências razoáveis são sempre apropriadas. Quando há ameaça de crise, é obrigatório agir. Mas, vez após vez o melhor que a ciência pôde fazer é reagir depois do acontecimento. “O homem sensato prevê o perigo e esconde-se dele”, diz a Bíblia e depois acrescenta: “Mas os ingênuos passam adiante e são punidos.” (Pro. 22:3, An American Translation) Milhões sofrem, sentem-se ‘punidos’, por cansa da falta de previsão sensata e de ação da parte do mundo científico.
É evidente que a ciência não solucionou os problemas do homem; falta-lhe verdadeira sabedoria para fazer isso de si mesma. Mas, significa isso que a pessoa temente a Deus deve ser “contra a ciência”?
CONCEITO EQUILIBRADO SOBRE A CIÊNCIA
O cristão reconhece a verdadeira erudição e descobertas científicas. No entanto, ele tem o benefício da verdadeira sabedoria para orientar seu modo de pensar. Esta orientação correta não procede de nenhum homem. Jó, homem reto, mencionado no início deste artigo, reconheceu este fato. Depois de admitir que mesmo homens de ciência não têm sabedoria, Jó suscitou a pergunta, inspirado por Deus:
“Mas a sabedoria — onde pode ser achada?” Sua resposta:
“Eis o temor de Jeová — isso é sabedoria, e desviar-se do mal é compreensão.” — Jó 28:1-28.
Qual é o resultado de se olhar para Deus em busca de orientação para o modo de pensar sobre assuntos de natureza científica? Muito favoráveis; solucionam-se os problemas da vida.
Isto pode ser ilustrado por um acontecimento antigo. Um rei de Babilônia ordenou que jovens cativos, judeus, fossem trazidos a ele para treinamento especial. Quais? Segundo Daniel 1:4, na versão Almeida atualizada, tratava-se dos “instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, e versados no conhecimento”. Mas, neste versículo, “ciência” não significa as tolas ciências astrológicas e mágicas baseadas nos conceitos filosóficos e religiosos daquele tempo. Os antigos judeus não desconheciam a astronomia e a química básica, e assim por diante, mas tampouco deixaram-se enganar pela pseudo-ciência de Babilônia.
Antes, eram especialmente famosos pela sabedoria e moralidades expressas na sua literatura, arquitetura, história natural, agricultura e outras ciências práticas. “Em muitos sentidos”, observa o comentador Albert Barnes com respeito aos judeus, “sem dúvida, estavam muito à frente dos caldeus [babilônios], e provavelmente era do propósito do monarca caldeu aproveitar-se do que eles sabiam”.
Assim também hoje, os verdadeiros cristãos têm um conceito equilibrado sobre o conhecimento científico, e isto dá bons resultados. Não se deixam desencaminhar por idéias “científicas” que amiúde são mais opiniões pessoais do que jatos estabelecidos. Karl Popper, filósofo de ciência, confessa: “A ciência não é um sistema de declarações seguras ou bem confirmadas; . . . quão sabemos: apenas podemos adivinhar. E nossos palpites são orientados pelo que não é científico, o metafísico . . .” Aquilo que o apóstolo cristão disse sabiamente a Timóteo é apropriado até mesmo hoje; aconselhou-o a desviar-se “dos falatórios vãos, que violam o que é santo, e das contradições do falsamente chamado ‘conhecimento’”. — 1 Tim. 6:20.
A sabedoria divina, encontrada na Bíblia, ajuda os verdadeiros cristãos a avaliar o mérito de qualquer matéria científica. Assim, por exemplo, quando um cientista fala sobre remodelar o atual sistema mundial de coisas “para melhor”, o verdadeiro cristão não é enganado. Sabe que, segundo a Bíblia, “o mundo está passando”, e a evidência indica que seu desaparecimento está próximo. Seguir-se-á um novo sistema — projetado por Deus — no qual todo o conhecimento, inclusive a erudição científica, será usado para o bem do homem e a glória de Deus. — 2 Ped. 3:7-13; 1 João 2:15-17.
Na realidade, é bastante razoável recorrer a Deus em busca de ajuda para solucionar os problemas da humanidade. Por que dizemos isso? Ora, não está a maioria dos grandes problemas enfrentados pela ciência fora do seu controle? Decididamente que sim. A ciência, em primeiro lugar, está relacionada com os sistemas políticos e econômicos modernos. Assim, mesmo quando a ciência produz uma “revolução verde”, as pessoas ainda passam fome. Por quê? Porque os burocratas políticos e outros interessados apenas em lucro pessoal impedem que os alimentos cheguem às pessoas que sofrem fome. Sim, a ciência é inevitavelmente incapacitada pelo sistema em que se encontra.
Outra coisa: o conhecimento da ciência, mesmo quando exato, usualmente é incompleto. Por exemplo, a ciência reduziu há pouco tempo a mortalidade por causa de doenças, em alguns países, pelo uso de drogas milagrosas e de DDT; mas a ciência não impediu que essas mesmas pessoas morressem de inanição por causa da falta de víveres. A represa de Assuã, no Egito, foi construída para prover coisas tais como energia elétrica e irrigação. Mas, contribuiu também para a rápida difusão da temível esquistossomose. Portanto, um progresso científico anula outro. O que é necessário é conhecimento do meio ambiente total do homem. Quem o possui?
Aquele que criou o universo certamente tem o conhecimento da ecologia da terra e o poder de controlá-la. Visto que foi ele quem originalmente projetou os sistemas complexos de produção de alimentos na terra, certamente está em melhor situação de desfazer o dano causado pelo homem, na sua ignorância das inter-relações dos sistemas de vida, e assim fazer tais arranjos funcionar para o bem da humanidade. Suas promessas, registradas na Bíblia, de acabar com coisas tais como a fome e a poluição, portanto, são fidedignas.
Podemos crer em Deus quando diz: “Jeová dos exércitos há de fazer para todos os povos . . . um banquete de pratos bem azeitados, um banquete de vinhos guardados com a borra.” (Isa. 25:6) De modo similar, podemos aceitar com plena confiança sua promessa de “arruinar os que arruínam a terra”. — Rev. 11:18.
Ainda há outro motivo de se recorrer a Deus — não à ciência humana — para solucionar os problemas do homem.
A CIÊNCIA NÃO PODE MUDAR AS PESSOAS — DEUS PODE
A raiz de muitos dos problemas do homem é o próprio homem. A ciência realmente não pode mudar as pessoas ou sua motivação. Como caso pertinente, considere o problema do crime. Os peritos podem inventar equipamento especial para tentar impedir que o crime se espalhe, mas não podem eliminar o desejo errado das pessoas que, se bastante espertas, simplesmente encontram meios de frustrar quaisquer aparelhos novos. Mas Deus fez o coração humano. Não está em melhores condições de saber quem, se for necessário, terá de ser removido da sociedade humana, a fim de que os outros vivam sem serem molestados?
Portanto, é por este motivo que Ele pode positivamente assegurar-nos que, quando o atual sistema de coisas tiver desaparecido e Seu novo tiver chegado, este não será afligido pelo crime: “Não se fará dano nem se causará ruína em todo o meu santo monte.” — Isa. 11:9.
A sabedoria procedente de Deus pode mostrar aos homens como usar sua erudição e ciência de modo certo. Com o estudo da Bíblia, verificará a maneira de solucionar ou resolver melhor os problemas reais que o confrontam cada dia. Oferece também uma esperança fidedigna quanto ao futuro. Não são estas as coisas que deseja? Certamente que sim. Consulte as testemunhas de Jeová; terão prazer em ajudá-lo a saber mais sobre esta verdadeira sabedoria piedosa.
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Um exame dos antigos samaritanosA Sentinela — 1975 | 15 de agosto
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Um exame dos antigos samaritanos
O MAIOR instrutor que já andou na terra, Jesus Cristo, narrou certa vez uma ilustração comovente sobre ser prestativo ao próximo. Falou sobre um homem bondoso e compassivo, que estava disposto a gastar-se a favor dum completo estranho. Tanto um sacerdote como um levita não fizeram caso dos apuros deste estranho, que havia sido espancado por assaltantes e deixado como morto na estrada de Jerusalém para Jericó. Mas o homem compassivo cuidou das necessidades imediatas do estranho e pagou o equivalente do salário de dois dias para os cuidados dele. Até mesmo comprometeu-se a pagar quaisquer despesas adicionais que houvesse. (Luc. 10:30-35) O homem compassivo da ilustração de Jesus era samaritano. O que significava isso! Quem eram os samaritanos?
Outras declarações feitas por Jesus Cristo a respeito dos samaritanos revelam que eles tinham ascendência parcialmente estrangeira, não-judaica. Ele os excluiu especificamente quando mandou que seus apóstolos concentrassem seus esforços nas “ovelhas perdidas da casa de Israel”. (Mat. 10:5, 6) Em outra ocasião, falou dum samaritano como sendo “homem de outra nação” ou “raça”. — Luc. 17:16-18, Kingdom Interlinear Translation.
Mas, como aconteceu que um povo que não era da “casa de Israel” ocupava uma grande parte do território israelita? Isto se deu depois de o reino de dez tribos de Israel cair diante dos assírios, no oitavo século A. E. C. Os assírios levaram muitos israelitas ao exílio, substituindo-os depois com povos estrangeiros. — 2 Reis 17:22-24; Esd. 4:1, 2.
Estes povos estrangeiros, com o tempo, passaram a compartilhar certas crenças religiosas com os israelitas. Como aconteceu isso? Visto que a conquista assíria devastou grande parte do território israelita, os leões aumentaram no país e começaram a aproximar-se das cidades e aldeias. (Veja Êxodo 23:29.) Parece que era por este motivo que muitos estrangeiros caíam vítimas dos leões. Os novos colonos chegaram à conclusão de que isso acontecia porque não adoravam o Deus daquela terra, e avisaram assim o rei da Assíria. Em resposta, o monarca
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