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Começa um novo sacerdócioA Sentinela — 1966 | 15 de julho
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seus sucessores, os papas de Roma, com seu sacerdócio, mas somente Jesus Cristo na Sião celeste, o grande sacerdote “de acordo com a maneira de Melquisedeque”, não segundo o Sumo Pontífice romano.
ASSOCIADOS NO NOVO SACERDÓCIO
7. (a) Quem, junto com Jesus, comporia o novo sacerdócio? (b) Era Pedro a cabeça deste sacerdócio? Dêem prova.
7 Deus prometera a Jesus, como recompensa adicional pela sua fidelidade, uma noiva, composta de certo número de seus seguidores que constituiriam sua congregação. Estes deveriam seguir de perto as pisadas dele e seriam subsacerdotes que serviriam junto com ele como o grande Sumo Sacerdote — verdadeiramente um NOVO sacerdócio. Os doze apóstolos vinham logo depois de Jesus na estrutura congregacional da qual Jesus era a cabeça. Pedro se achando entre eles e sendo um dos subsacerdotes. Pedro, sendo seguidor de Jesus Cristo, por certo não era a cabeça da congregação. Pedro não era Sumo Pontífice, mas sacerdote cristão que servia sob o grande sumo sacerdote melquisedequiano, Jesus Cristo. Trinta anos depois de o apóstolo Pedro morrer, o ressuscitado Jesus disse ao apóstolo João, na ilha penal de Patmos: “Eu sou o Primeiro e o Último, e o vivente; e fiquei morto, mas eis que vivo para todo o sempre, e tenho as chaves da morte e do Hades [inferni, Vulgata latina; inferno, So; Al].” (Rev. 1:17, 18) Jesus falara desta mesma autoridade quando era homem na terra. Disse:
8. Quando na terra, como foi que Jesus falou da autoridade que lhe seria dada sobre a morte e o Hades?
8 “Assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo. E deu-lhe autoridade para julgar, porque é Filho do homem. Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz e sairão, os que fizeram boas coisas, para uma ressurreição de vida, os que praticaram coisas ruins, para uma ressurreição de julgamento.” “Quem se alimenta de minha carne e bebe meu sangue tem vida eterna, e eu o hei de ressuscitar no último dia.” — João 5:26-29; 6:54.
9. Como seria verdade que as portas do Hades não sobrepujariam a congregação cristã?
9 Visto que Jesus deveria receber as “chaves da morte e do Hades [Rev. 1:18]”, podia dizer com autoridade ao apóstolo Pedro, que, muito embora Pedro e os demais da congregação de crentes fossem para a morte e para o Hades ou Seol ao morrerem de morte sacrificial semelhante à do seu Mestre, todavia, as portas do Hades não poderiam manter-se fechadas sobre a congregação por todo o tempo. Por que não? Porque Jesus, depois de ser ressuscitado e ascender para o Pai, onde apresentou o mérito de sua vida em sacrifício pela humanidade, poderia fazer aquilo que nenhum Sumo Pontífice jamais poderia fazer, isto é, usar suas “chaves da morte e do Hades” para abrir as portas e deixar sair a sua congregação, por meio da ressurreição dos mortos. Na ocasião em que Jesus disse isto, acabava de perguntar-lhes quem criam que ele era. Mateus 16:16-19 registra para nós a conversação que se seguiu:
SOBRE QUEM É EDIFICADA A CONGREGAÇÃO?
10. O que disse Jesus quanto à fundação da congregação, e que promessa deu a Pedro?
10 “Em resposta, Simão Pedro disse: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente: Jesus lhe disse, em resposta: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque isso não te foi revelado por carne e sangue, mas por meu Pai, que está nos céus. Também, eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta rocha construirei a minha congregação, e os portões do Hades não a vencerão. Eu te darei as chaves [de quê? Do Hades? Não, mas] do reino dos céus, e tudo o que amarrares na terra, será a coisa amarrada nos céus, e tudo o que soltares na terra, será a coisa solta nos céus.’” — Vejam-se também Marcos 8:27-30 e Lucas 9:18-21.
11. (Junto com a matéria interlinear) Neste ponto de nosso estudo, que consideração especial das palavras de Jesus em Mateus 16:18 é apropriada?
11 As palavras acima de Mateus 16:18 formam um texto altamente controversial. Por isso, abaixo imprimimos o texto grego original. Daí, em baixo, imprimimos a transliteração do grego para o inglês. Em baixo disso, a seguir imprimimos a tradução em português da tradução em inglês, palavra por palavra, do grego, conforme dada no livro intitulado “O Novo Testamento Interlinear Greco-Inglês — o texto grego de Nestle com nova Tradução Literal em Inglês feita pelo Rev. A. Marshall D. Litt”, conforme impresso em 1960 por Samuel Bagster and Sons Limited, Londres, Inglaterra.
Κἀγὼ δέ σοι λέγω ὅτι σὺ εἰ
Kago de soi lego oti su ei
“E eu também a ti digo [,] — Tu és
Πέτρος καὶ ἐπὶ ταύτῃ τῇ πέτρᾳ οἰκοδομήσω
Petros kai epi tautei tei petrai oikodomeso
Pedro, e sobre esta rocha eu edificarei
μου τὴν ἐκκλησίαν, καὶ πύλαι
mou ten ekklesian kai pulai
de mim a igreja, e [as] portas
ᾅδου οὐ κατισχύσουσιν αὐτῆς.
haldou ou katiskhusousin autes.
do hades não prevalecerão contra ela.”
12. (Junto com nota marginal) (a) No texto grego, que diferença vemos entre “Pedro” e “rocha”? (b) Como é que concorda com isso a versão Aramaica (Siríaca) (c) Como é que o apóstolo Paulo nos ajuda a identificar a “rocha” aqui mencionada?
12 Não é difícil ver que há diferença entre Pedro (Pétros) e rocha (pétrai). A diferença é que no texto grego Pétros é do gênero masculino, ao passo que pétrai é feminino. A mesma diferença também se vê na versão Vulgata latina. Até a versão Aramaica (Siríaca) mostra a diferença no gênero por meio duma partícula que acompanha cada uma destas duas palavras, Pedro e rocha.b Note que Jesus não disse a Pedro: ‘Tu és Pedro e sobre Ti edificarei a minha igreja.’ Do texto grego acima torna-se evidente que Jesus não dizia que Pedro era a pétra (“rocha”) e que sobre Pedro (Pétros) ele construía sua igreja ou congregação. Jesus dizia que construiria sua igreja ou congregação sobre si próprio como o Alicerce. Até mesmo o apóstolo Paulo identifica a Jesus Cristo com a Rocha, em 1 Coríntios 10:14, que reza: “Todos beberam a mesma bebida espiritual. Porque costumavam beber da rocha [pétra] espiritual que os seguia, e essa rocha [pétra] significava o Cristo.”
13. (a) Que profecias teria Jesus em mente quando falava a seus discípulos a respeito da rocha? (b) Como é que Paulo mostra que Pedro não é a rocha sobre a qual a congregação é edificada?
13 Jesus por certo levou em consideração as profecias em Isaías 8:14 e 28:16 (Al), com as quais estava bem familiarizado. Estas profecias declaram: “ele vos será santuário; mas servirá de pedra de tropeço e de rocha de escândalo, às duas casas de Israel; de laço e rede aos moradores de Jerusalém.” “Portanto, assim diz o Senhor [Jeová]: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada: aquele que crer não se apresse.” Era Pedro, então, quem seria esta “rocha de escândalo, às duas casas de Israel”? Será Pedro aquele em quem os cristãos depositam sua fé para a salvação? Seguramente não! mas é Jesus Cristo. Paulo torna isso claro, além de qualquer dúvida, em sua aplicação das profecias a Cristo, em Romanos 9:32, 33 e 10:4: “Tropeçaram sobre a ‘pedra para tropeço’; conforme está escrito: ‘Eis que eu ponho em Sião uma pedra para tropeço e uma rocha [pétra] de ofensa, mas quem basear nela a sua fé não ficará desapontado.’ Porque Cristo é o fim da Lei, para que todo aquele que exercer fé possa ter justiça.”
TEMOS DE RECONHECER O NOVO SACERDÓCIO
14. (a) Qual era o entendimento do próprio Pedro quanto ao alicerce da congregação? (b) Por que devíamos ser muito cuidadosos de entender as palavras de Jesus em Mateus 16:18?
14 Será que Pedro pensou que Jesus queria dizer que a igreja seria edificada sobre o próprio Pedro? Será que Pedro pensou que ele era um sacerdote maior que seu Mestre, o grande Sumo Sacerdote melquisedequiano de Deus, de quem Pedro era apenas subsacerdote? Escutemos as suas próprias palavras sobre o assunto: “O Senhor é benigno. Chegando-vos a ele, como a uma pedra vivente, rejeitada, é verdade, pelos homens, mas escolhida e preciosa para Deus, vós mesmos também, como pedras viventes, estais sendo edificados como casa espiritual, tendo por objetivo um sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus, por intermédio de Jesus Cristo. Pois isso está contido na Escritura: ‘Eis que ponho em Sião uma pedra, escolhida, uma pedra angular de alicerce, preciosa; e ninguém que nela exercer fé de modo algum ficará desapontado.’ É para vós, portanto, que ele é precioso, porque vós sois crentes; mas, para os que não crêem, ‘a mesma pedra que os construtores rejeitaram tem-se tornado a principal do ângulo’, e ‘uma pedra para tropeço e uma rocha [pétra] de ofensa’. Estes tropeçam porque são desobedientes à palavra.” (1 Ped. 2:3-8) É absurdo pensar que Pedro era o alicerce sobre o qual a igreja foi edificada, e devemos ser mui cautelosos de não nos tornarmos desobedientes à palavra, por não aceitarmos estas palavras de Pedro, pois talvez tropecemos para a nossa destruição.
15. (a) O que constituirá o completo nôvo sacerdócio? (b) Que coisas melhores são realizadas por ele?
15 Portanto, como argumenta tão eficazmente o apóstolo Paulo: “Pois, mudando-se o sacerdócio, necessariamente há também mudança da lei.” (Heb. 7:12) Jesus era a cabeça dum novo sacerdócio, e seus seguidores, compostos dos apóstolos e de outros a quem selecionou durante os últimos mil e novecentos anos e que somarão, todos juntos, 144.000, sob a sua única cabeça, Cristo Jesus, são novo sacerdócio que serve em relação com o novo pacto. Por meio da bondade imerecida de Deus, ele trouxe um novo sistema de coisas, substituindo o anterior sistema de coisas judaico com seu sacerdócio imperfeito e seus sacrifícios animais. O novo sistema de coisas, baseado no próprio sacrifício de Cristo, opera sob o novo pacto. Este sacrifício torna possível o perdão de pecados da humanidade.
16. (a) Por que não há necessidade de sacrifícios repetidos, tais como o de animais ou da missa? (b) Onde se localiza Jesus como Sumo Sacerdote melquisedequiano? (c) O que tem em reserva para a humanidade e quando é que o nôvo sacerdócio administrará os benefícios do sacrifício de Jesus à humanidade?
16 Não há, portanto, nenhuma necessidade de sacrifícios repetidos tais como o sacerdócio levítico da linhagem de Aarão costumava oferecer no templo, nem um sacrifício repetido da missa, como é feito pelo sacerdócio da cristandade, mas o sacrifício único de Cristo Jesus já foi oferecido e agora não é questão de sacrifício repetido. Antes, sua obra sacrificial já está feita e Cristo Jesus está empossado na Sião celeste, sendo lançado ali como pedra provada, pedra preciosa de esquina de seguro alicerce, em cumprimento da profecia de Isaías 28:16. Foi rejeitado há dezenove séculos pela Sião terrestre, mas é na Sião espiritual, a Sião celeste, que agora reside, e tem pleno suprimento do pão da vida para a humanidade, como resultado de seu sacrifício, que está pronto a administrar. Como Paulo diz em Hebreus 9:28: “Assim também foi oferecido o Cristo uma vez para sempre, para levar os pecados de muitos; e, na segunda vez que ele aparecer, será à parte do pecado e para os que seriamente o procuram para a sua salvação.” Em 1918, começou a ressuscitar sua congregação fiel para que estivesse junto com ele. Alguns ainda estão na terra, com perspectivas de se unirem a ele no futuro próximo. Durante o reinado milenar de Cristo, sua congregação de subsacerdotes servirá junto com ele nos céus quais reis e sacerdotes e terá o glorioso privilégio de administrar os benefícios do sacrifício de Cristo à humanidade fiel na terra. Portanto, não é a nenhum pontífice ou nem mesmo a um Sumo Pontífice, mas ao Sumo Sacerdote melquisedequiano, Jesus Cristo, na Sião celeste, que todas as pessoas com fé têm de vir. — Rev. 20:6.
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Enquadrando-se no propósito de DeusA Sentinela — 1966 | 15 de julho
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Enquadrando-se no propósito de Deus
Conforme narrado por Juan Muniz
QUÃO evidente é que o Arquiteto Mestre deste universo maravilhoso é um Deus de propósito! Quando rememoro minha longa vida, regozijo-me de ter tido o privilégio de obter conhecimento de Seus propósitos, e ser movido a harmonizar minha vida com eles. Permita-me partilhar com o leitor algumas das experiências que me convenceram de que temos de enquadrar individualmente nossa vida nos propósitos de Deus.
Minha vida começou em 29 de outubro de 1885, como membro duma modesta família em Astúrias, Espanha. Depois de assistir a uma escola comum do interior, fui para uma escola dirigida por monges, onde recebi instrução teológica. Mas, era-me difícil harmonizar o que ensinavam com o que praticavam, de modo que decidi abandonar meus estudos e fazer alguma coisa no mundo — talvez algum bem para a humanidade. Na fábrica em que trabalhava entrei no partido socialista. Tinha então dezenove anos.
Mas, não demorou muito até que reconheci que era uma causa perdida. Fiquei surpreso com a ignorância dos operários, suas constantes lutas entre si e sua linguagem baixa. Não só percebi deveras contradições nas reuniões deles, mas vi a hipocrisia nos seus líderes. Assim, em 1909, decidi abandonar o partido. Decidi ir para os Estados Unidos a fim de morar ali, de modo a me afastar da política e da religião.
ENCONTRANDO A VERDADE
Junto com meu irmão, estabeleci-me em Filadélfia, Pensilvânia, em 1910. Depois de trabalhar dois anos em construções, decidimos montar juntos pequena loja. Foi ali que se me abriu a oportunidade de aprender a verdade.
Um bom dia certo homem veio pregando a Bíblia. Não me lembro do que êle disse, mas renovou meu desejo de ler a Bíblia. Como lojista, tinha tempo de ler quando não havia fregueses. Comecei a lê-la e, quando cheguei ao livro de Jó, fiquei profundamente emocionado. Apesar da aparência dura, sou homem de grandes sentimentos. Lágrimas escorriam dos meus olhos ao ler a respeito do sofrimento daquele homem justo.
Mas, ler não basta, e a ajuda necessária veio quando alguém do povo de Jeová visitou a minha loja. Comprei-lhe o livro O Plano Divino das Eras. Quando voltou, obtive os outros volumes da série de “Estudos das Escrituras”.
Em 1916 comecei a assistir às reuniões na única congregação em Filadélfia, que, naquele tempo, tinha por volta de trezentos membros. Observei que ninguém fumava. Eu era fumante inveterado. Ora, somente na minha loja havia trinta e sete marcas de charutos! Mas, cada vez que acendia um, sentia-me incomodado, especialmente na presença de outros. Então, arrazoei comigo mesmo: “Esta é a verdade, não é? Se desejo ficar nesta organização, algum dia terei de dizer aos outros o que é correto. Então, por que não começar dizendo isso a mim
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