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O crescente problema do abuso do álcoolDespertai! — 1980 | 22 de agosto
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O crescente problema do abuso do álcool
AS BEBIDAS ALCOÓLICAS podem aumentar o prazer que uma pessoa deriva duma refeição, fazendo com que seu coração se sinta bem. No entanto, o abuso do álcool tem um efeito drasticamente diverso sobre crescente número de pessoas, em todo o mundo. Está tornando-as viciadas. Quão amplo é esse problema?
O Ministério da Saúde da Itália comunica que a tendência para o alcoolismo ali é “incontrolável”. Um relatório publicado declara que, na França, entre as 23 horas e as 6 da manhã, pelo menos um de cada 10 carros está sendo dirigido por alguém embriagado! E quase a metade de todos os leitos hospitalares na França acham-se ocupados por alcoólicos. Isso é chamado de “doença nacional” da França.
Na União Soviética, relata-se que o alcoolismo é responsável por 90 por cento de todas as contravenções menores, e de 60 por cento de todos os homicídios.
Nos Estados Unidos, diz-se que o número de alcoólicos é superior a 10.000.000. Considerável número de tais pessoas são veteranos de guerra.
Em muitos países, o abuso do álcool é responsável por aproximadamente 20 por cento dos casos de espancamento de crianças, 75 por cento de todos os crimes violentos, 20 por cento dos afogamentos, 50 por cento dos acidentes industriais, 30 por cento dos suicídios, 40 por cento dos casos de separação ou de divórcio, e 20 por cento dos internamentos psiquiátricos. É óbvio que milhões de pessoas correm perigo devido ao alcoolismo — não só os alcoólicos, mas também os que vivem perto deles.
Consumo Aumentado
O consumo do álcool per capita está aumentando numa taxa alarmante. A Organização Mundial de Saúde comunica que, em muitos países, o número de pessoas que sentem efeitos adversos diretos do álcool ultrapassa os atingidos por todos os tóxicos que geram dependência considerados juntos.
O italiano mediano bebe duas vezes mais, cada dia agora, do que bebia há 20 anos, e o australiano consome 277 por cento mais do que consumia há 30 anos. Comentando os problemas que o alcoolismo trouxe à indústria, o presidente dos Sindicatos da Austrália observou que a grande sede australiana está rapidamente se transformando no pesadelo de toda a Austrália.
Em algumas áreas, há um aumento especialmente drástico entre as mulheres. Na Alemanha Ocidental, para exemplificar, ao passo que o índice comparativo entre alcoólicas e alcoólicos, há 10 anos atrás, era de aproximadamente 1 para 10, atualmente é de 1 para 3, o mesmo que na Grã-Bretanha. E ao passo que a mulher francesa ainda é considerada basicamente bebedora de água, sua ingestão média de álcool agora atingiu 19 por cento do seu consumo diário de líquidos.
Até que ponto estão envolvidos os jovens? Dentre cerca de 1.400 jovens menores entrevistados num país ocidental, 19 por cento compravam pessoalmente bebidas em locais licenciados para vendê-las. Dentre outro grupo de 2.741 adolescentes de 30 escolas diferentes, descobriu-se que 9 por cento de todos os jovens de 12 a 17 anos afirmam ficar “completamente bêbedos” mais de uma vez por mês, e outros 2 por cento de “perder os sentidos” regularmente, graças aos efeitos do álcool.
Como Surge o Problema
Inicialmente, a pessoa talvez sinta que, como a Bíblia diz, o vinho pode alegrar o coração. (Sal. 104:15) Daí, ao se passarem os anos, e à medida que parece aumentar a tolerância do corpo ao álcool, verificará que está tomando maiores quantidades e bebidas mais fortes. Em geral, parece conseguir “agüentar sua bebida” de forma satisfatória. Sua aparente tolerância ao álcool poderá até aumentar sua confiança.
Mais tarde, verificará que depende dele cada vez mais. Conta com ele para os “bons momentos”. Torna-se uma via de escape do enfado, e vem a calhar para afogar as mágoas. Ou, a pessoa poderá apenas gradualmente aumentar sua dosagem para obter os desejados efeitos eufóricos ou anestésicos.
Há autoridades que afirmam que tal pessoa atingiu então o estágio da dependência psicológica. Talvez se mostre um tanto defensivo quanto à sua posição, quando se discute o alcoolismo, mas, na maioria dos casos, não está inclinado a reconhecer que se está tornando um alcoólico. Talvez jamais fique realmente bêbedo. Todavia, poderá existir um problema com o álcool.
Se encarar sua situação neste estágio inicial, a recuperação será mais facilmente alcançada. Mas, se não, usualmente avançará para o que alguns chamam de dependência física, a compulsão de beber regularmente para evitar os sintomas da privação.
Em linguagem clara, quando existe uma satisfação excessiva do desejo de beber e/ou contínua dependência dele, a pessoa tem problema com o álcool.
Naturalmente, nem todos os que bebem são alcoólicos. Mas é bom saber o que acontece no corpo duma pessoa que se entrega às bebidas alcoólicas de forma excessiva. Isto é considerado no próximo artigo. Tal conhecimento lhe poderá servir de proteção. E caso seja alguém que tem problemas com bebidas, poderá ajudá-lo a compreender mais claramente a situação, e como enfrentá-la.
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Como o álcool atua sobre seu corpoDespertai! — 1980 | 22 de agosto
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Como o álcool atua sobre seu corpo
PARA compreender os efeitos que o álcool tem sobre seu corpo, precisa saber algo sobre as células e sistemas orgânicos do corpo humano. Tais células e órgãos não funcionam regularmente em plena capacidade. Têm o que alguns denominam de “reserva funcional”, disponível para ser usada quando seu corpo fica sob estresse adicional. Assim, um de seus rins pode ser completamente removido sem que isso interfira com uma vida normal. Mesmo com cerca de 90 por cento dum fígado normal removidos, ou sendo retirada considerável parte do cérebro, a pessoa pode continuar a desempenhar as atividades normais da vida.
Graças a esta “reserva funcional” poderá submeter seu corpo a considerável estresse por beber um excesso de álcool sem nem mesmo se dar conta do que se processa lá dentro. Mas deveria saber disso.
Quando uma célula fica sob estresse, ela se amplia. Se o estresse for grande demais, por demasiado tempo, a célula por fim se romperá e morrerá. Mas, caso se remova a tempo tal estresse, a célula poderá gradualmente recuperar seu tamanho e função normais. É somente quando utiliza todas as reservas, quando demasiadas células foram danificadas ou mortas, que se verá obrigado a admitir que está doente e foi longe demais, por demasiado tempo.
Para muitos que são um tanto beberrões, não existe um grande colapso de saúde. Mas talvez haja certo número de doenças ligadas ao álcool que a pessoa não se dá conta que resultam de seus hábitos de beber. Sua morte talvez pareça ser devida a alguma doença comum. Todavia, sua morte talvez ocorra 10 anos antes da de outros de sua própria idade na comunidade.
Ingere bebidas alcoólicas? Se ingere, quanto bebe? Quanto pode uma pessoa beber sem que isso a prejudique?
Nível Seguro de Bebida
É muito complexa a questão de quanto álcool o corpo humano consegue absorver. A capacidade de cada pessoa difere. O que não causa nenhum problema a uma pessoa poderá ser demais para outra. Algumas pessoas sentem efeitos adversos quando consomem qualquer dosagem de álcool que seja.
As autoridades discordam quanto ao que classificam como “nível de risco” com respeito ao consumo diário. No entanto, muitas delas concordam que o corpo dum adulto normal saudável consegue absorver e decompor apenas uns 29 mililitros ou 30 cm3 (um trago) de bebidas alcoólicas, ou uns 60 mililitros de vinho de alto teor alcoólico ou 120 mililitros de vinho de mesa, ou de 240 a 300 mililitros de cerveja em uma hora. Outras autoridades afirmam que se devem conceder duas horas para isso. Naturalmente, nem todo o mundo é saudável, e isso pode alterar consideravelmente tal quadro.
Caso uma pessoa ingira mais álcool do que seu corpo possa decompor, aumentará o teor alcoólico em seu sangue. De início, talvez se sinta descontraída, mas o aumento do álcool na corrente sanguínea provoca a perda do bom juízo e do controle emocional. Daí, a coordenação motora é prejudicada, e até mesmo se seguem problemas mais graves.
A maioria dos adolescentes sofreria reações adversas se tentasse imitar o modo de beber dos adultos medianos. Visto que sua constituição física não é a dum adulto, usualmente sentem os efeitos sedativos do álcool mais rapidamente, e em maior medida. Semelhantemente, devido à condição de desenvolvimento das emoções dum jovem, estas logo dão evidência de embriaguez, e ele talvez ceda mui facilmente aos impulsos sexuais.
Pode-se presumir, então, que não haverá nenhum dano para um adulto, conquanto ele divida sua ingestão de bebida por certo período de tempo, consumindo não mais, a cada hora, do que seu corpo possa absorver? Isso não é necessariamente verdade. Existe um limite ao que o corpo duma pessoa possa seguramente absorver num dia. Qual é esse limite?
A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a literatura médica fornecem ampla variedade de estatísticas. À guisa de exemplo, um comunicado da OMS rotulou 120 gramas de álcool (12 drinques de tamanho médio) como “consumo excessivo”. Dois anos depois, um comunicado da OMS disse que o nível de perigo poderia ser de menos da metade desse total. E certo estudo feito na França indica que as mulheres que tomam até mesmo um drinque de bebida alcoólica de tamanho normal (de 10 gramas de álcool) em base diária têm mais propensão a sofrer de cirrose hepática do que as que não bebem, e que dois drinques diários podem ter efeitos prejudiciais sobre os homens.
Por que a diferença de totais? Por um lado, os testes foram feitos com diferentes grupos de pessoas. As pessoas diferem. Nem todos podem tolerar a mesma dosagem de álcool. Seria tolo beber certa dosagem cada dia apenas porque é isso que as pessoas “supostamente conseguem beber”.
Lembre-se, é sua saúde que está em jogo. Se a bebida submete seu corpo a excessivo estresse em base regular, está destruindo a sua “reserva funcional”. Isso significa que corre perigo.
A Bíblia condena meridianamente a bebedice. (Efé. 5:18; Gál. 5:21) O bêbedo não só prejudica sua própria saúde e coloca sua vida em perigo; ele também coloca em perigo a vida de outros. Adicionalmente, contudo, as Escrituras avisam: “Não venhas a ficar entre os beberrões de vinho.” (Pro. 23:20) A sabedoria desse conselho é sublinhada pelo que se tem aprendido sobre como o abuso do álcool atinge vários órgãos do corpo.
Efeitos Que Deveria Conhecer
Caso o corpo seja freqüentemente submetido a uma sobrecarga de álcool, muitas partes dele são atingidas, e os efeitos venenosos são cumulativos.
FÍGADO: Este órgão é um dos principais desintoxicantes do corpo, neutralizando as fumaças que respiramos, as substâncias químicas em nossos alimentos, água e remédios. Ingerir álcool em demasia não só interfere com essa função vital; aumenta a carga de substancial químicas no corpo. Ademais, reduz a capacidade do fígado de contribuir para a formação de glóbulos vermelhos, fatores de coagulação e mecanismos de defesa contra as bactérias. Os danos ao fígado podem resultar em perda de energia, veias varicosas, inchação dos tornozelos, desequilíbrio hormonal, impotência sexual e icterícia, para se mencionar apenas algumas coisas.
Normalmente macio, o fígado aumenta de volume e endurece, quando se cometem abusos. Caso se deixe de beber a tempo, ele pode retornar a seu tamanho normal. Mas caso beber demais já tenha destruído boa parte de suas células, talvez já tenha definhado e endurecido de forma permanente.
ESÔFAGO: Caso o fígado fique gravemente inflamado, aumenta a pressão sobre as veias no trato digestivo, e as localizadas no ponto em que o esôfago penetra no estômago se tornam dilatadas e suas paredes afiladas. Elas sangram facilmente, e às vezes de modo profuso.
ESTÔMAGO: Ao passo que pequenas quantidades de álcool estimulam a secreção de sucos gástricos, grandes quantidades e fortes concentrações dele inibem sua secreção. O estômago fica inflamado. A superfície do estômago que segrega os sucos digestivos se deteriora, e os músculos do estômago se rompem. Como resultado disso, o alimento não é suficientemente misturado nem quimicamente decomposto. Surge a desnutrição, não raro porque o corpo não recebe o pleno benefício do que se come, e também porque a pessoa que bebe demais satisfaz seu apetite com o álcool, mas se priva dos mais necessários elementos alimentares.
PÂNCREAS: O pâncreas supre as enzimas que decompõem a matéria alimentar, bem como a insulina para regular o nível de açúcar no sangue. O excesso de álcool, porém, faz com que as enzimas ataquem e destruam grandes partes do pâncreas. Como resultado, reduz-se a produção de insulina, provocando uma diabetes branda, e, devido à falta de enzimas digestivas, o alimento não é absorvido corretamente. Outro perigo associado é que a pessoa se torna dependente de remédios (analgésicos), devido à dor provocada por isso.
O CORAÇÃO E A CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA: A hipertensão (pressão alta) e anormalidades do ritmo cardíaco também surgem devido a se beber em excesso.
À medida que as células do coração se ampliam, todo o coração fica maior. As válvulas cardíacas deixam então de funcionar devidamente, sua ação muscular enfraquece e prejudica a circulação sangüínea. O corpo inteiro se vê privado da nutrição correta, e as toxinas se acumulam. A pessoa assim afligida se torna propensa a ataques cardíacos e à apoplexia (ou icto cerebral).
PULMÕES: A bronquite crônica e a pneumonia são comuns entre os que abusam do álcool. A tuberculose é uma complicação comum, que se imagina ser devida à nutrição deficiente, e à maior suscetibilidade às infecções pulmonares. Certo estudo indicava que pelo menos 50 por cento dos tuberculosos eram alcoólicos.
RINS: O consumo excessivo de álcool provoca a dilatação dos vasos sangüíneos nos rins. A quantidade de urina eliminada se torna excessiva, privando o corpo dos fluidos necessários.
CÉREBRO E SISTEMA NERVOSO: Os excessos do álcool são especialmente prejudiciais ao sistema nervoso. O cérebro, como outros órgãos, possui grande “reserva funcional”, de modo que muitas células podem ser destruídas sem que surjam sintomas perturbadores. Mas, diferente do que acontece a outros órgãos, os danos aqui provocados são permanentes. Tomógrafos usados no cérebro mostram que, não só os alcoólicos, mas os bebedores sociais que tomam mais do que deviam, sentem real encolhimento do cérebro.
O efeito do álcool sobre o sistema nervoso poderá manifestar-se na perda de memória. A pessoa talvez se lembre de ter bebido, mas, na manhã seguinte, não consegue lembrar-se de como chegou em casa, ou de onde estacionou seu carro. Tremores e a falta de coordenação motora, e não meramente por algumas horas, mas em base prolongada, fornecem evidência adicional de que o sistema nervoso está sendo prejudicado.
Alguns se jactam de sua capacidade de “agüentar sua bebida”. Talvez bebam muito, mas pareçam sóbrios. O que realmente aconteceu? Não se dá, necessariamente, que o bebedor possa consumir mais, com menos danos. Antes, apenas desenvolveu aparente tolerância ao álcool, e, como resultado disso, está consumindo-o mais, antes que seu cérebro e seu sistema nervoso soem um aviso. Ao mesmo tempo, caso o fígado tenha sofrido danos devido à bebida excessiva, realmente diminuiu a capacidade do corpo de absorver tal bebida alcoólica. Continuar a beber sob tais circunstâncias resultará em crescentes danos ao seu inteiro sistema. Não é nada de que se jactar.
O cérebro e o sistema nervoso também controlam a respiração. Assim, há graves danos em bebedeiras. Quando o teor de álcool no sangue se eleva muito, talvez cessem as funções vitais do corpo.
Graças ao efeito do excesso de álcool sobre o cérebro, a personalidade de quem bebe demais é adversamente afetada. Isto não espera o tempo em que sua saúde tenha deteriorado ao ponto de a pessoa procurar assistência médica. Muito antes disso, um homem talvez maltrate fisicamente sua esposa, e talvez perca vários empregos, por causa de seu comportamento não fidedigno ou irracional.
Saber o que acontece dentro do corpo duma pessoa quando ela bebe demais, e o que os outros vêem o que acontece com sua personalidade, deve fazer com que qualquer pessoa sensata pare e examine seriamente seus próprios hábitos de beber. Por que esperar até que sua “reserva funcional” seja toda consumida antes de tentar mudar de rumo?
Misturar Álcool com Remédios
O risco de graves danos aos órgãos é grandemente aumentado quando se ingere álcool junto com remédios, até mesmo tais remédios domésticos comuns como a aspirina e anti-histamínicos. Certo estudo médico mostrava que mais de 50 dos mais de 100 remédios receitados com maior freqüência continham pelo menos um ingrediente conhecido como provocando uma reação desfavorável com o álcool. Pelo menos uma jovem, Karen Quinlan, nos Estados Unidos, acha-se em coma durante muitos anos por ter misturado o álcool com tranqüilizantes.
Não se dá que novo elemento tóxico se desenvolva quando se misturam dois ingredientes tóxicos, mas, em muitos casos, um ingrediente ou o outro aumenta de potência muitas vezes quando se usa a combinação errada. O fígado já debilitado se vê confrontado com uma potência bem superior à que pode lidar seguramente sem que hajam maiores danos para si mesmo.
Como Enfrentar o Abuso do Álcool
O modo de enfrentar o abuso do Álcool não é por recorrer a coisas tais como comer batatinhas fritas ou ovos para reduzir a taxa de absorção. Tomar creme de leite antes duma bebedeira não é a solução. É verdade que reduzir a taxa de absorção poderá impedir que se sinta tonto, mas talvez ainda esteja bebendo demais.
A solução não reside em tomar um banho frio de chuveiro, beber café puro, sair para respirar ar fresco, fazer exercícios ou ir nadar, para “espairecer”. Tais atividades talvez mudem o modo como se sente, mas não alteram o teor alcoólico no sangue do corpo nem reduzem os danos celulares.
O que precisa realmente é ser moderado na sua utilização das bebidas alcoólicas, caso as tome de algum modo. O que poderá ajudá-lo nesse sentido?
[Foto na página 9]
O que acontece quando bebe demais e freqüentemente?
CÉREBRO
Perda de memória; efeitos adversos sobre a personalidade.
ESÔFAGO
Perigo de sangramento.
PULMÕES
50% dos tuberculosos são alcoólicos.
ESTÔMAGO
Prejudicada a digestão.
PÂNCREAS
Parcialmente destruído.
CORAÇÃO
Prejudicada a circulação.
FÍGADO
Acúmulo de toxinas.
RINS
Urina excessiva; fluidos necessários são eliminados pelo corpo.
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Como controlar os problemas causados pelo álcoolDespertai! — 1980 | 22 de agosto
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Como controlar os problemas causados pelo álcool
O ABUSO do álcool é um problema que pode influir profundamente na vida de toda a família. Assim, é proveitoso considerar o assunto como família, para ajudar a todos na casa a entendê-lo, e para cooperarem em evitar situações que possam tender a fazer com que um de seus membros tente afogar seus problemas na bebida.
Não espere até que o alcoolismo já tenha estragado sua vida familiar para fazer algo a respeito. Tome medidas preventivas.
Em muitas famílias, infelizmente, o problema já surgiu. O que podem fazer?
Quando já Existe o Problema
Primeiro de tudo, há necessidade de enfrentar o fato de que existe um problema com o álcool. O alcoólico talvez não creia que tem tal problema. Outros membros de sua família, bem como amigos que não pertencem à casa, talvez achem que tem. Por quê? Não podem ver se há danos causados aos seus órgãos internos. Mas podem ver a deterioração de seu comportamento.
A pessoa que se está tornando dependente do álcool tende a procurar a bebida quando está só ou deprimida. Talvez fique desconcertada com seu modo de beber ou irada com a crítica dos outros, de modo que tenta esconder a quantidade que consome. Quando quer um trago, talvez fique um tanto irritadiça até consegui-lo. Em resultado de seus hábitos de beber, talvez se torne impulsiva, menos razoável e até mesmo recorra à violência física contra seu cônjuge. Mesmo que não beba todo dia, uma vez comece, toma bastante. Com o tempo, talvez tenha perdas temporárias da visão, causadas pelo álcool, ou talvez acessos de retraimento, quando deixa de conseguir um trago.
A pessoa que tem dificuldades com o álcool talvez reconheça que sua vida familiar se degenera. Talvez compreenda que está tendo dificuldades no emprego. Mas se alguém sugerir que importante razão disso é que está ficando dependente demais do álcool, não é incomum que tal pessoa tome a defensiva. Caso um médico lhe dissesse que era alérgica a certa comida e que sua saúde melhoraria caso a cortasse de sua dieta, ela provavelmente o faria. É o álcool um tanto diferente? Sim, pode atuar como droga que altera o humor, e a pessoa pode tornar-se dependente dela, tanto em sentido psicológico como físico.
Se estiver disposta a encarar a realidade de que tem uma fraqueza quanto ao álcool e que isso pode arruinar sua vida, mas que é possível controlá-la e que vale a pena tentar fazê-lo, existem esperanças de recuperação. Esta exigirá firme determinação e um programa definido a ser seguido.
Romper as Algemas da Dependência Alcoólica
O problema não é solucionado por se beber apenas nos fins-de-semana. Nem uma pessoa elimina sua dependência do álcool por passar a beber vinho ou cerveja ao invés de bebidas fortes. Considerável proporção dos que são alcoólicos bebem quase que exclusivamente cerveja.
Há mister de limpar totalmente o sistema e permitir que as células se restaurem ao nível que isto for possível. Exige-se a abstinência total. Alguns médicos afirmam que precisará conceder pelo menos quatro dias para que o corpo elimine totalmente seu último drinque alcoólico. No entanto, a restauração das células prejudicadas por insensatos hábitos de beber talvez exija seis meses ou mais, durante os quais se precisa dar atenção especial à boa nutrição.
Os sintomas da abstenção nem sempre ocorrem, mas são comuns nos beberrões inveterados e nos alcoólicos. À medida que baixa o teor de álcool no sangue, e o sistema nervoso se ajusta à mudança, a pessoa talvez sinta inquietação, irritabilidade, depressão, insônia, confusão mental, palpitações, suor abundante, tremedeiras e náusea. Tais sintomas usualmente começam de oito a 24 horas depois que pára de beber. Caso sua condição como alcoólico já seja prolongada, ou suas condições físicas sejam bem ruins, talvez haja outras graves reações que exijam cuidados médicos.
A medida em que o corpo conseguirá restaurar os órgãos prejudicados dependerá da quantidade de “reserva funcional” que foi extirpada, a duração de tempo em que tal condição existe, e os cuidados que foram dados ao corpo, visando restabelecê-lo. Para os verdadeiramente viciados em bebidas alcoólicas, na maioria dos casos, é improvável que consigam alguma vez voltar ao uso normal de tais bebidas alcoólicas. Não importa quanto tempo se tenha passado, um trago poderá ser demais. É como se um vulcão lá dentro esperasse a oportunidade de entrar em erupção. Em tal caso, o único meio de alguém poder continuar a levar uma vida normal é abster-se por completo.
A Família Pode Ajudar
A cooperação da família é importante para se romper o domínio da dependência do álcool, e, na maioria dos casos, a família está muito disposta a ajudar. Para minimizar as tentações, seria sábio remover todas as bebidas alcoólicas da casa. E seria mais fácil para a pessoa que tem tal fraqueza se os outros membros da família se refreassem de beber em sua presença.
Naturalmente, existem ocasiões em que a pessoa visita outras pessoas na casa delas. Quer por não saberem de suas condições, quer por irreflexão, talvez lhe ofereçam uma bebida alcoólica. O que fará? É algo em que deve pensar antes dessa ocasião. Não precisa entrar em longas explicações, mas sua recusa deve ser firme. “Não, obrigado. Mas apreciaria um copo de refrigerante [ou de água].”
O que a Bíblia diz é muito encorajador para quem deseja livrar-se do abuso do álcool. Fala de pessoas que tiveram êxito em dominá-lo (1 Cor. 6:9-11), e dos que, por razões pessoais, abstiveram-se por completo dele. (Núm. 6:2, 3) Também relata os eventos que envolveram famílias inteiras que se abstiveram dele, por obediência ao chefe de família, a fim de preservarem a dignidade do nome da família. As famílias recabitas receberam menção especial neste sentido. Abstiveram-se, por gerações sucessivas, embora vivessem na vizinhança de outras famílias que tomavam vinho regularmente. Deus não pediu aos recabitas que se abstivessem do vinho, e nem sua Palavra exige a abstinência total, hoje em dia, mas Ele considerou favoravelmente o que eles fizeram em obediência ao seu chefe de família. — Jer. 35:5, 6, 8, 18, 19.
Obter Vigor Espiritual
O conhecimento exato da Palavra de Deus fará muito no sentido de dar à pessoa o vigor espiritual para que vença suas fraquezas. A Bíblia lhe mostrará como ter êxito em enfrentar os problemas, ao invés de tentar apagar a realidade por beber muito.
Considere, por exemplo, um rapaz na Austrália que tinha grave problema alcoólico. Amiúde, ao sair do bar, a fim de chegar em casa, colocava seu carro em primeira marcha, mantinha a porta aberta e pendurava a cabeça do lado de fora, para ver a faixa branca que dividia as mãos de direção, levando até duas horas para percorrer os 11 quilômetros até sua casa. Ele gastava até uns Cr$ 2.000,00 em bebidas alcoólicas, num fim-de-semana. Até sofria de alucinações, de modo que jurou parar de beber. Mas não conseguiu.
Por volta desse tempo, começou a estudar a Bíblia com a ajuda das Testemunhas de Jeová. Ele mencionou o assunto do álcool e lhe foi mostrado que Deus não aprovava os bêbedos, mas que a vida eterna num paraíso terrestre restaurado é possível para os que vivem segundo as normas da Bíblia. — Gál. 5:21; João 17:3.
Não foi fácil ele fazer mudanças, visto ser o ‘animador’ de suas festinhas. Quando começou a ficar mais sossegado, seus colegas de bebida pensaram que ele arranjara uma namorada, e que logo a influência dela passasse, ele retornaria às festinhas. Mas o poder das promessas de Deus teve um efeito maior sobre ele do que seus amigos se davam conta, e ele jamais voltou às suas bebedeiras. Afirma ele: “Agora, já se passaram 10 anos desde que consegui dominar meu problema com a bebida. Sinto-me uma pessoa muito mais feliz e saudável, graças à bondade de Jeová.”
Tal mudança não ocorreu da noite para o dia. Foi gradual, à medida que aumentava seu conhecimento e seu entendimento. O que ele antes não conseguia fazer sozinho, teve êxito em fazê-lo com a ajuda do espírito de Deus. — 1 Cor. 6:11.
O conhecimento da Bíblia contribui para casamentos mais felizes, para famílias mais felizes. Ajuda a reduzir problemas por auxiliar a pessoa a fazer decisões mais sábias na vida. Ajuda a pessoa a absorver abalos, e a compreender por que existem condições ruins, e ocorrem calamidades. Descreve um novo sistema, que está em reserva para os que amam a vida e que fazem a vontade de Deus, e ajuda uma pessoa a desenvolver a motivação necessária para mudar seu padrão de vida, de modo a ser aceitável a Deus. — Rom. 12:1, 2; 2 Ped. 3:13.
As bebidas alcoólicas podem trazer satisfação, caso sejam usadas de modo correto. Mas, se tiver um problema causado pelo álcool, não deixe que arruine sua vida. Enfrente-o. Faça isso agora mesmo.
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Vidas transformadas na ÁfricaDespertai! — 1980 | 22 de agosto
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Vidas transformadas na África
UM ESTUDO sociológico da sociedade matrilinear (uma forma de sociedade matriarcal), feito na Província de Luapula em Zâmbia foi publicado no American Ethnologist (Etnólogo Estadunidense). A pesquisadora Karla O. Poewe, da Universidade de Lethbridge, Alberta, Canadá, considera o efeito que as denominações religiosas exercem sobre os meios tradicionais dos luapulanenses Depois de 18 meses passados junto a tais pessoas, Poewe conclui que apenas as “Testemunhas de Jeová têm êxito” em conseguir “a mudança de comportamento entre seus membros vis-à-vis parentesco família e atividades econômicas”, ao passo que outros têm “sofrível registro de êxito em fornecer orientação para a conduta prática e para fazer com que o indivíduo mantenha tal conduta”. Seu estudo inclui as seguintes observações:
“Nos povoados, as atividades das [Testemunhas de Jeová] aproximam-se do que seria de esperar dos melhores movimentos redentores, não revolucionários. Os membros, quase que imperceptivelmente, reestruturam sua vida e, assim, indiretamente, suas comunidades, visando tornarem-se plenos participantes do vindouro reino de Deus. . . .
“As Testemunhas de Jeová, cujos ensinos constituem um processo de aprendizagem destinado a edificar servos maduros, . . . têm granjeado a reputação, entre seus concidadãos, de serem escrupulosamente honestas e, assim, são preferidas para os empregos em que se lida com dinheiro.”
Descrevendo as tradições familiares luapulanenses, a pesquisadora Poewe explica que, visto que a herança em sua sociedade segue a linha materna, “a matrilinhagem luapulanense habilita as mulheres a controlar a terra, juntar remessas feitas pelos filhos, e divorciar-se de maridos ‘inúteis’”. Ela também comenta: “As mulheres acham que divórcios fáceis são vitais sob condições em que os homens não são ‘treinados’ para ser provedores básicos da esposa e da prole.” Quão bem têm as Testemunhas lidado com tal conduta marital tradicional?
Poewe responde: “As Testemunhas de Jeová gozam de maior êxito do que os membros de outras denominações em manter uniões maritais estáveis. Como se dá com patrões e servos, seu êxito representa um relacionamento modificado de troca entre marido e mulher, que, nos seus recentes esforços cooperativos, não ameaçadores, tornaram-se responsáveis no seu tratamento mútuo perante novo chefe nominal Deus. Em troca da confiança, que é tão arriscado que uma mulher conceda a um homem que não seja seu irmão (na sociedade matrilinear de Luapula), o marido que é Testemunha de Jeová aprende a se tornar maduro em assumir responsabilidades para o bem-estar de sua esposa e de seus filhos. Mas, além de participar numa troca entre confiança e responsabilidade, o marido e a esposa são encorajados a ser pessoas íntegras (abantu abacishinka). Esta exigência dominante de integridade cimenta o casamento.”
Ao que este estudo sociológico atribui o crédito por tal grande ajuste nos modos tradicionais de agir dos luapulanenses? A escritora observa que entre as Testemunhas de Jeová “a Bíblia é tratada como ‘modelo’ para a vida social”. Como ela se expressa: “As Testemunhas de Jeová de Luapula utilizam a Bíblia para criar indivíduos dignos de participar num novo mundo.”
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