Inclina-se a sofrer um acidente?
Do correspondente de “Despertai!” no Brasil
O GAROTINHO conseguiu escalar, todo contente, a escada de incêndio de um prédio de apartamentos. Subindo três andares, parou para contemplar a via pública de concreto lá embaixo. Depois disso, não conseguia lembrar-se de escorregar sob a grade e cair 9 metros. Ao despertar, admirou-se de ver várias pessoas vestidas de branco ao seu redor. Sim, estava no hospital, tendo baixado ao mesmo como “vítima dum acidente”.
Tragédias assim são muito comuns hoje em dia. Ainda mais freqüentes são os acidentes de trabalho. À guisa de exemplo, apesar dos programas de segurança, a Alemanha Ocidental relatou quase 2.000.000 de acidentes ocupacionais entre seus 26 milhões de trabalhadores, em 1975. No Brasil, diz-se que, a cada minuto, acontecem 40 acidentes de trabalho. E, segundo a edição de maio de 1976 da revista brasileira, Construtor, o “grande número de acidentes . . . cresce, ao invés de decrescer — numa taxa aproximada de 15% ao ano”.
Há autoridades que calculam que, cada ano, uma de cada quatro pessoas sofre um acidente que exige cuidados médicos. Sabendo isto, há várias perguntas desagradáveis que o confrontam: Inclino-me a sofrer um acidente? Existe algo que possa fazer para evitar sofrer um? Sou realmente mais “propenso a acidentes” do que outros?
Primeiro, é mister compreender que há passos que pode dar e que reduzirão drasticamente as probabilidades de acidentar-se. Peritos em segurança argúem que mais de 90 por cento de todos os acidentes poderiam ser evitados. Ocorrem por falta de informação, descuido ou condições inseguras. Raramente acontecem graças a circunstâncias aparentemente inevitáveis.
Assim, evitará acidentes quando (1) conhece o modo seguro de fazer as coisas e (2) cria hábitos coerentes com tal conhecimento. Realmente, sua personalidade está envolvida.
A Pessoa “Propensa a Acidentes”
Não é mito que algumas pessoas são mais propensas a acidentes do que outras. Estudos mostram que o “Sr. Desastre Ambulante” revela continuamente certas caraterísticas. Usualmente lhe falta certo grau de controle emocional — quer por ficar facilmente irado quer frustrado, ou tenso. É óbvio que seguir a admoestação bíblica de controlar seu espírito pode também proteger-lhe o corpo. — Pro. 14:17; 25:28.
Também, a pessoa propensa a acidentes não raro ignora os pormenores exatos do equipamento que utiliza. Em terceiro lugar, é descuidada quanto a regras de segurança há muito estabelecidas, tendendo a achar que pode lidar com qualquer situação ou que “o que tiver de acontecer, acontecerá mesmo”. Tais tendências, junto com erros de julgamento sobre os reflexos de seu corpo, provavelmente farão com que o “Sr. Desastre” viva segundo sua reputação.
No entanto, ao passo que uma simples leitura não o obrigará automaticamente a criar novos hábitos, o conhecimento de deixas práticas de segurança, se aplicadas, poderiam poupar-lhe muitas dores, ou até mesmo sua vida. Por certo, não precisa queimar seus dedos no fogão para saber que o fogão está quente. Mediante a dor e o sofrimento de milhares às mãos daquela dura instrutora, Dona Experiência, foram estabelecidas regras de segurança. Breve exame de sua história o incentivará a levá-las a sério.
Breve História da Prevenção de Acidentes
É interessante que um dos “códigos de segurança” mais antigos foi incorporado na Bíblia, como parte do que é chamado de lei mosaica. Ordenou-se aos israelitas que construíssem parapeitos nas beiradas de seus terraços, de modo que as pessoas não caíssem deles. Poços eram amiúde cercados de muros baixos e tinham de ser cobertos, para evitar que animais ou humanos caíssem neles. Havia leis que incentivavam a prevenção de incêndios e o respeito pela vida animal e humana. — Deu. 22:8; Êxo. 21:33, 34; 22:6; Núm. 35:22-25.
Em outras nações, predominava durante milênios o conceito fatalista. Apenas no lastro da chamada Revolução Industrial é que os legisladores aprovaram algo comparável às leis de prevenção de acidentes encontradas na lei mosaica. Até o começo do século 17, praticamente tudo era produzido em casa, pela família e seus servos. Não havia grandes fábricas nem complicados sistemas de transportes. Acidentes de trabalho eram mínimos, em comparação com hoje.
Sem embargo, com o advento de máquinas de produção em massa, e de transporte, movidas inicialmente por poderosos motores a vapor e, mais tarde, por motores a gasolina ou motores elétricos, aumentaram os riscos e, também, os acidentes graves. As condições miseráveis e arriscadas a que muitos operários industriais estavam sujeitos, naqueles dias, em especial na Inglaterra e na Alemanha, tornaram-se notórias. Mesmo mulheres e crianças trabalhavam longas horas até o ponto de exaustão — aumentando os acidentes. Cegados pelo egoísmo e pela ganância, muitos patrões pouco se preocupavam com medidas de segurança.
Esforços Oficiais nos Tempos Recentes
Com o tempo, muitos governos e empresas começaram a reconhecer quão prejudiciais eram os acidentes de trabalho e de trânsito para suas comunidades. Retrocessos econômicos mediante a perda de horas de trabalho, despesas médicas e danos causados à propriedade e às mercadorias, além dos efeitos psicológicos adversos, tornaram imperativo que se tomassem medidas contra isso.
Por conseguinte, por certo grau de motivos humanitários, mas especialmente por razões econômicas, têm-se tomado todo tipo de medidas para a prevenção de acidentes. Em algumas nações industrializadas, isto começou na primeira metade do século 19, quando se introduziram leis de segurança. Naturalmente, muitas destas leis sofreram mudanças desde então. Tão recentemente como dezembro de 1970, a Lei de Segurança e Saúde Ocupacional foi sancionada nos Estados Unidos. Revisões similares foram feitas em outros países, também, como no Brasil, em 1967 e 1976.
Ademais, organizações particulares e não-lucrativas foram criadas com o único fito de prevenir acidentes. Citando-se apenas duas: a ABPA (Associação Brasileira de Prevenção de Acidentes) e o Conselho Nacional de Segurança, nos Estados Unidos. Alguns dos objetivos desta última são “promover, encorajar e propor métodos e processos que levem à crescente segurança, proteção e saúde entre os empregados e empregadores, e entre as crianças”. Basicamente, os mesmos objetivos são perseguidos por organizações similares, em todo o mundo.
As seguradoras, como é natural, interessam-se muitíssimo também em reduzir os acidentes. Assim sendo, tornam disponíveis matéria impressa, cartazes, filmes e outros tipos de publicidade para campanhas educativas de segurança. Avaliando a importância de cooperar com tais campanhas, há empresas que fizeram sua parte em criar comitês ou departamentos de segurança e de prevenção de acidentes. Muitas também fornecem botas e instrumentos de segurança, tais como luvas protetoras e equipamentos para proteger a audição, a visão e o rosto. Daí, também, cursos especiais de prevenção de acidentes são ministrados, a fim de tornar as pessoas mais cônscias da segurança.
Este extensivo interesse por parte das autoridades ilustra quão imenso é o problema e quanta dor, tristeza e danos poderiam ser evitados caso todos nós mostrássemos genuíno interesse em nosso próprio bem-estar, e no de outros. Outrossim, tudo isso talvez faça parecer complicada a aprendizagem de “regras de segurança”. Realmente, os princípios são poucos e facilmente aprendidos. Consideremos o que poderá fazer para melhorar drasticamente suas possibilidades de evitar um acidente.
Segurança Pessoal no Trabalho
Visto que as estatísticas mostram que acidentes de trabalho são os mais comuns, eis algumas regras de segurança que serão úteis para os operários industriais, dos sistemas de transporte, da agricultura, e, em especial, para os das indústrias de construção, que são as vítimas mais freqüentes de graves acidentes de trabalho.
Novo Enfoque da Prevenção de Acidentes
1. Leve a sério seu trabalho. A falta de atenção, brincadeiras pesadas, arriscar-se e procurar emoções perigosas poderiam custar-lhe a vida.
2. Obedeça estritamente às regras de segurança e utilize todo o equipamento de proteção pessoal recomendado para seu trabalho. Não pense que utilizá-lo é desnecessário ou ridículo.
3. Treine se a seguir os seis passos para erguer seguramente pesos: (a) Mantenha afastados os pés — um junto e o outro atrás do objeto. (b) Mantenha reta as costas, quase em posição vertical. (c) Encoste o queixo no peito. (d) Segure o objeto com ambas as mãos. (e) Encoste os cotovelos e braços junto ao corpo. (f) Conserve o corpo diretamente sobre os pés, usando os músculos das pernas para erguer o objeto.
4. Sempre que tiver de trabalhar num lugar isolado, que ofereça riscos em potencial, certifique-se de que outros o acompanhem, ou que esteja a uma distância que possa chamá-los.
5. Reconheça os riscos com antecedência por ser observador, alerta e manter-se a par dos padrões de segurança e das propriedades dos materiais com que lida.
6. Qualquer equipamento de importância crucial para a execução segura de sua tarefa deve ser verificado cada vez que for usado. Nunca presuma coisa alguma. Máquinas são governadas por leis naturais, e não por raciocínio inteligente.
7. Evite movimentar-se por instrumentos feitos para erguer ou transportar apenas carga.
8. Habitue-se a ser boa dona-de-casa. Limpe de imediato quaisquer substâncias derramadas. Mantenha os apetrechos em seu devido lugar. Também, todos os trapos encharcados de solventes devem ser jogados fora em receptáculos de metal inteiramente vedados.
9. A limpeza, o conserto, os ajustes e a maior parte da lubrificação de máquinas devem ser feitos com todas as tomadas elétricas e válvulas desligadas. Apenas o pessoal autorizado deve ter acesso às fontes (disjuntores) de energia elétrica.
10. As grades protetoras nas máquinas são para sua proteção; por conseguinte, nunca as deixe fora enquanto opera as máquinas. Tenha sempre presente que roupas soltas ou cabelos compridos podem facilmente ficar presos nas máquinas.
Segurança Pessoal no Lar
Um artigo intitulado “25% dos Acidentes Acontecem no Lar” foi publicado no número de dezembro de 1976 do Jornal da Prevenção de Acidentes, do Brasil. O artigo indicava que “a maioria das vítimas, geralmente, são crianças e mulheres. Não raro, os casos são fatais”. Segundo Maxwell N. Halsey, autoridade sobre prevenção de acidentes, a causa principal de mortes entre crianças de todas as faixas etárias são os acidentes. Por conseguinte, acham-se alistadas abaixo algumas deixas práticas de como proteger a si mesmo e a seus filhos, no lar:
1. Proteja as crianças pequenas para não caírem das janelas ou pelas escadas abaixo por instalar grades ou porteiras protetoras. Podem-se evitar outras quedas por manter o assoalho em boas condições, livre de quaisquer obstáculos e não encerado demais.
2. Cubra devidamente ou isole todas as tomadas elétricas, em especial as que ficam ao alcance de crianças. As criancinhas gostam de enfiar coisas em receptáculos, assim, existe o perigo de serem eletrocutadas.
3. Certifique-se de que todas as pias, banheiras e tanques estejam devidamente presos à parede. De outra forma, podem ser facilmente virados pelas crianças, provocando-lhes graves ferimentos.
4. Não permita que seus filhinhos brinquem com fósforos, acendedores, pedaços de vidro, facas, tesouras, ou outros objetos perigosos. Não lhes dê brinquedos que possam feri-los ao se quebrarem, que possam cortá-los, fazê-los engasgar-se com eles, etc. Certifique-se de que compreendam por que tais coisas precisam ser evitadas, e dê um bom exemplo pessoal nisso.
5. Panelas e caçarolas sobre o fogão devem sempre estar com seus cabos virados para o centro do fogão, de modo que as criancinhas não possam alcançá-los, e os adultos não esbarrem neles acidentalmente.
6. Remédios, detergentes, pesticidas, álcool, aerossóis e outras substâncias químicas perigosas para a saúde devem ser guardados em lugar seguro, longe do alcance das crianças. Também, jamais lhes diga que algum remédio é bala”.
7. Nunca coloque líquidos tóxicos em frascos ou panelas normalmente usados para se beber água ou para cozinhar. Certifique-se de que cada um de tais líquidos seja identificado claramente quanto a seu uso e finalidade, e seja mantido em seu recipiente original.
8. Não tenha armas de fogo em casa, ou, se as tiver, conserve-as descarregadas e sob chave. Maneje-as com extremo cuidado.
9. Ao limpar ou encerar o chão, evite usar inflamáveis, tais como nafta ou gasolina. Uma centelha da enceradeira poderá incendiar os vapores.
10. Jamais coloque vasos de plantas ou outros objetos pesados nos peitoris das janelas, ou em lugares similares. Se caírem, podem provocar graves ferimentos.
Precauções de Segurança nas Férias
Os períodos recreativos devem, supostamente, trazer prazer, mas amiúde são estragados por acidentes O quinhão que os acidentes de trânsito têm nisto é alarmante. Diz-se que mais pessoas são mortas e feridas, anualmente, nas estradas, do que nas guerras. Acham os especialistas, porém, que de 85 a 90 por cento de todos os acidentes de trânsito e de transporte poderiam ser evitados. A falha humana é a causa principal. Ilustrando: Recentemente, os limites de velocidade, causados pela crise energética mundial, resultaram numa taxa mais baixa de acidentes fatais nas rodovias. É por isso que se incluem algumas regras básicas de trânsito entre as seguintes sugestões de segurança:
1. Não “se descontraia” enquanto dirige, só porque está de férias ou porque a estrada está “vazia”.
2. Sempre mantenha seu carro em condições seguras. Periodicamente, verifique os pneus, os freios, as portas, e outras partes vitais. A negligência poderia torná-lo um homicida desintencional.
3. Fique a par de medidas básicas de primeiros socorros, e faca questão de levar um estojo de socorros urgentes em seu carro; também, um extintor de incêndio (exigência legal no Brasil).
4. Apegue-se estritamente a todas as leis de trânsito e aos avisos providos para sua segurança. Há bons motivos para sua existência.
5. Mesmo que saiba nadar, esquiar ou andar de bicicleta, jamais se arrisque desnecessariamente.
6. Tenha cuidado sempre que estiver perto de animais, domesticados ou selvagens.
7. Mantenha-se distante de distúrbios ou de motins.
Seu Quinhão Pessoal de Responsabilidade
Naturalmente, muitos outros itens de coisas a “fazer” ou “não fazer” poderiam ser incluídos nestas listas. Mas bastam tais pontos para ilustrar os princípios básicos; não visam restringi-lo ao ponto de perder a alegria de viver. Se os aplicar, podem torná-lo mais cônscio da segurança. Conforme se expressou um supervisor fabril do Brasil, com muitos anos de experiência: “As regras de segurança só têm significado quando as pessoas acreditam nelas. Enquanto pensar: ‘Isso jamais acontecerá comigo’, é uma vítima em potencial.”
Lembre-se, as estatísticas mostram, vez após vez, que apenas cerca de 2 por cento de todos os acidentes podem corretamente ser atribuídos à ocorrência imprevista, bem como a imperfeição humana. — Ecl. 9:11.
Mais do que qualquer outra coisa, o profundo respeito pela santidade da vida humana, junto com genuíno amor ao próximo, devem motivar-nos a fazer tudo ao nosso alcance para impedir acidentes. Todos somos responsáveis perante o Dador da vida pelo modo como a usamos.
Felizmente, o garotinho mencionado no início deste artigo sobreviveu à sua queda. Mas, muito melhor seria poupar a uma criança, ou a um adulto, a agonia da dor súbita! Na maior parte do tempo, “o que acontecerá” será apenas o que permitirmos que aconteça.
[Foto na página 19]
A que regra de segurança a mãe dela deixou de obedecer?