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Desenvolvimento dos interesses espirituais na MalásiaA Sentinela — 1978 | 15 de maio
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a sério, porque, conforme dizia, “eu já chegara à conclusão de que todas as religiões eram tramas de homens para controlar a sociedade humana sob alguma autoridade imposta por ela mesma. Mas, eu tinha fé no Criador. As experiências adversas da Segunda Guerra Mundial e todas as dificuldades que se seguiram me achegaram mais a ele. Contudo, não sabia como adorá-lo e resolvi viver segundo os ditames da minha consciência.” Mais tarde, porém, o folheto Paz — Pode Durar, suscitou o interesse cauteloso de John. Por fim, em 1960, foi estabelecida uma congregação na cidade de Joore Baru. No decorrer dos anos, nove pessoas desta congregação, que tem a K. J. John por superintendente presidente, empreenderam o testemunho por tempo integral.
ACONTECIMENTOS NOS “PONTOS MARROM”
Há alguns anos, certo orador, ao considerar a situação do território, exibiu um grande mapa da Malaia, no qual a costa ocidental, na maior parte, era verde, e a costa oriental aparecia como uma grande área marrom. Desde então, entre as Testemunhas, as regiões em que há grande necessidade de desenvolver os interesses espirituais são humoristicamente chamadas de “pontos marrom”. Será que algum dia se tornariam “verdes”?
Há uns seis anos, um rapaz, Testemunha, cursava uma escola normal, em Penangue, e ficou desanimado quando soube, no fim do curso, que ele ia ser designado à cidade de Cuala Trenganu, um dos “pontos marrom”. Pediu conselho a um ancião, dizendo que ali não teria amigos, nem ninguém com quem estudar a Bíblia. O conselho: “No primeiro dia na sua nova designação, vá de casa em casa, e dê testemunho, e logo terá amigos.” Ele fez exatamente isso, com verdadeiro zelo e dependência do espírito de Jeová. Em pouco tempo, este “ponto marrom” começou a ter uma cor “verde”, mostrando desenvolvimento espiritual que resultou numa boa congregação de Testemunhas ativas.
PROVA PARA AS TESTEMUNHAS JOVENS
A maioria dos proclamadores do Reino na Malásia são pessoas jovens. Provindo de famílias budistas tradicionais, chinesas, muitas vezes sofrem severa oposição da família. Uma experiência tipica é a duma moça chinesa. Ela relata:
“Eu acabava de terminar meu exame para o Diploma de Escola Superior e havia freqüentado as reuniões, até mesmo estudando com outros que mostravam interesse na Bíblia. Minha mãe ficou horrorizada, e ela achava muito degradante para mim ir de casa em casa. O resultado foi que ela me seguiu ao lugar onde se reunia o grupo de estudo bíblico semanal. Ela tentou interromper a reunião por tocar música tamil no radio transistor que havia trazido consigo, ao mesmo tempo exortando-me repetidas vezes a ir embora. Outros tentaram pacientemente explicar-lhe o assunto, acalmando-a aos poucos, embora não a satisfazendo. Meus pais mandaram-me que eu não freqüentasse mais as reuniões, mas eu continuei a obedecer a Jeová.
“Quando assisti a um discurso com diapositivos, proferido por um missionário de Laos, ambos os meus genitores vieram buscar-me no Salão do Reino. Levaram-me de carro para a casa de minha avó onde se costumavam resolver as questões de família. Fui interrogada e censurada perante um grupo de parentes. Meu pai me bateu a cabeça contra a parede, como aviso de que ele recorreria à violência se eu continuasse minhas atividades cristãs.
“Agora moro nos alojamentos da universidade, e posso dar testemunho e freqüentar todas as reuniões, porque sou independente.”
ESTABELECIMENTO DUMA FILIAL NA MALÁSIA
No começo de 1972, as circunstâncias tornaram aconselhável que a Sociedade Torre de Vigia estabelecesse uma filial na Malásia. A congregação na bela ilha de Penangue havia construído um lindo Salão do Reino, com um lar missionário e um depósito de literatura anexos. Estes tornaram-se então a filial para supervisionar a obra do Reino tanto na Malásia peninsular como na Malásia Oriental, bem como no estado independente de Brunei. Naquele tempo, havia um auge de 207 proclamadores do Reino na Malásia, e durante o mesmo ano houve um aumento de mais de 20 por cento nas suas fileiras. Os anos subseqüentes elevaram o número de Testemunhas ativas a 455. Numa recente série de assembléias de circuito houve ao todo mais de 600 na assistência, mas na celebração da Refeição Noturna do Senhor, em 1977, houve 962 presentes em todo o país.
De fato, a obra de dar testemunho e de ensinar tem feito bom progresso. Mas, há muito ainda para fazer no desenvolvimento dos interesses espirituais na Malásia.
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Éramos entusiáticos esgrimistasA Sentinela — 1978 | 15 de maio
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Éramos entusiáticos esgrimistas
A IDADE de treze anos, eu vi um filme baseado na novela de Alexandre Dumas, “Os Três Mosqueteiros.” Fiquei encantado com a arte da esgrima, bem como com a amizade mútua daqueles três homens, cujo lema era “um por todos e todos por um”.
Naquele tempo, eu cursava uma escola secundária num país da Europa oriental e tornei-me membro dum clube de esgrima. Fiquei enfronhado nisso e fiz o melhor que pode para dominar as técnicas. Visto que eu tinha boas notas na escola, meus pais não objetavam a esta minha nova mania.
Por fim, à idade de dezenove anos, matriculei-me na universidade para estudar direito. Mas, a primeira coisa que fiz foi procurar o clube de esgrima da universidade, onde havia excelentes treinadores. Tanto rapazes como moças pertenciam ao clube.
Uma das moças, Maria, atraía minha atenção. Ela demonstrava uma perícia extraordinária, sabendo como fazer seu oponente reagir ao seu próprio estilo e como manter absoluto controle sobre a situação. Eu aguardava a oportunidade de duelar com ela, plenamente reconhecendo todos os truques sutis da esgrima que ela empregava.
Com o tempo, três de nós rapazes, no clube, ficamos companheiros muito íntimos. Um era João, que estudava ciências naturais, e o outro era Paulo, que era estudante de matemática e física. Ambos estavam totalmente enfronhados na esgrima, embora estivessem envolvidos neste esporte apenas por um tempo relativamente curto.
Nós três passávamos parte de nossas férias juntos em pitorescas montanhas. E ali nasceu a nossa amizade. Descobrimos logo que nos completávamos muito bem. João tinha um entusiasmo imediato, e às vezes irreprimível, que Paulo tentava corrigir com suas opiniões concretas. Nós três, o mesmo número que os da novela de Dumas, tornamo-nos bons esgrimistas e amigos inseparáveis.
Durante nossas férias, costumávamos elaborar planos para a próxima temporada de esgrima. Devotávamos quase que todo o nosso tempo de folga à preparação física e psicológica para as competições de que tanto gostávamos.
Mas, havia também Maria. Na realidade, ela nos superava em destreza e elegância na esgrima. Ela brilhou em muitos torneios importantes. E assim, com o tempo, nós quatro passamos a usufruir um relacionamento ímpar.
AMEAÇA PARA A NOSSA UNIÃO
Quando cheguei aos vinte e dois anos, participamos numa excursão de esqui programada pelo nosso clube de esgrima. Foi ali que Maria nos surpreendeu por falar-nos sobre algumas mudanças que afetariam todo o mundo, e ela citou algo da Bíblia — o capítulo vinte e quatro do Evangelho de Mateus. Cada um de nós respondeu de modo negativo. Eu simplesmente disse: “Há certos valores no mundo que eu não vou abandonar só por causa duma profecia duvidosa.”
Cerca de um mês depois, Maria veio ao clube de esgrima, parecendo bastante mudada. Até este tempo já nos conhecíamos por dois anos e meio. Ela apanhou seu equipamento de esgrima, disse adeus e foi embora. Para dizer o mínimo, nós ficamos chocados, por que parecia como se fosse embora para sempre. Telefonamo-lhe e perguntamos se não a podíamos visitar naquela mesma noitinha. Ela concordou.
Naquela noitinha, encontramos uma pessoa inteiramente diferente — alguém que nunca havíamos visto antes. Maria, que sempre conseguia magistralmente fazer os toques com seu florete, aparando prontamente os ataques, e juntar-se a nós nas risadas, agora tinha traços de lágrimas na face. Mas, ao mesmo tempo parecia confiante. Ela abriu sua Bíblia e leu numa voz muito séria: “E terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras. Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra.” — Isa. 2:4.
Quando terminou, ela olhou para nós e havia uma grande interrogação nos seus olhos. Acho que esperava a nossa aprovação quando disse: “Quero servir a Jeová, nosso Deus, e seguir os princípios da Bíblia. Não quero mais aprender a lutar, e a esgrima é um esporte marcial.”
Senti-me esmagado, achando que meus sonhos de amizade de mosqueteiros estavam entrando em colapso. Mais tarde eu
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