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Como repreendedores sábios ajudam os que erramA Sentinela — 1977 | 1.° de março
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Como repreendedores sábios ajudam os que erram
“Arrecada de ouro . . . é o sábio repreendedor sobre o ouvido atento.” — Prov. 25:12.
1, 2. O que resulta da aceitação ou da recusa da repreensão de Deus, e do que precisam os anciãos para ser repreendedores sábios?
HÁ MUITO tempo, o fiel homem Eliú disse a respeito de Jeová Deus: “Destapará seu ouvido à exortação e dirá que devem recuar do que é prejudicial. Se obedecerem e servirem, acabarão os seus dias no que é bom e seus anos no agradável. Mas, se não obedecerem, falecerão por causa duma arma de arremesso e expirarão sem conhecimento. E os apóstatas no coração são os que acumularão ira. Não devem clamar por ajuda porque ele os prendeu.” — Jó 36:10-13.
2 Os anciãos cristãos, corretamente, desejam mostrar que são repreendedores sábios, com o fim de ‘fazer os que erram recuar do que é prejudicial’. É evidente que isso exige que entendam o que quer dizer “repreensão” na Bíblia.
DIFERENÇA ENTRE “REPREENSÃO” E “CENSURA”
3. O que é censura, e qual é geralmente seu objetivo?
3 Na Bíblia, nas suas línguas originais, encontramos certas palavras usadas para expressar a idéia de repreender, e outras, para expressar a idéia de censurar. Qual é a diferença? “Censurar” significa criticar severamente ou reprovar fortemente, “exprobrar”. A “censura” pode ser simples expressão de forte desaprovação, e amiúde se destina principalmente a fazer com que alguém pare com uma ação, ou conversa ofensiva ou indesejável. (Compare Gênesis 37:10 com Jó 11:3.) Por exemplo, quando os discípulos de Jesus o aclamavam, em caminho para Jerusalém, os fariseus disseram-lhe: “Instrutor, censura os teus discípulos”, querendo dizer, na realidade: ‘Faze-os parar de dizer essas coisas.’ Jesus respondeu que, “se estes permanecessem calados, as pedras clamariam”. — Luc. 19:39, 40.
4. Mostra a comparação entre Mateus 18:15 e Lucas 17:3 que “censura” e “repreensão” podem ser intercambiadas?
4 Para “censurar”, o escritor inspirado do Evangelho usou aqui a palavra grega epitimáo. A palavra grega correspondente a “repreender” é eléngkho. Em Mateus 18:15, esta é a palavra que aparece quando Jesus diz que, “se o teu irmão cometer um pecado, vai expor a falta dele [em grego: eléngkho; Interlinear do Reino, em inglês: “repreendê-lo”] entre ti e ele só”. (Veja Levítico 19:17.) Numa passagem correspondente, em Lucas 17:3, relata-se que Jesus disse: “Se o teu irmão cometer um pecado, censura-o [em grego: epitimáo], e, se ele se arrepender, perdoa-lhe.” Mostra isso que “censurar” e “repreender” são intercambiáveis e significam essencialmente a mesma coisa? Não seria sábio presumir isso à base deste único exemplo. A maneira em que as Escrituras usam esses dois termos revela a diferença entre eles.
5, 6. Que exemplos ilustram que estes dois termos são realmente diferentes no seu significado, e o que indica isso a respeito de seu uso nos dois textos já mencionados?
5 Nas Escrituras Gregas Cristãs, por exemplo, encontramos que Jesus ‘censurou’ (epitimáo) demônios, mandando que ficassem ‘calados’ e ‘saíssem’ de pessoas de que se haviam apossado. (Mat. 17:18; Mar. 1:25; 9:25; Luc. 4:35, 41; 9:42) Em parte alguma dizem os escritores bíblicos que os demônios foram reprovados (eléngkho) por Jesus. Ele ‘censurou’ também a febre da sogra de Pedro, fazendo com que a deixasse; e, no Mar da Galiléia, ‘censurou’ o vendaval e o mar bravio, acabando com sua ameaça de emborcar o barco em que ele e seus discípulos estavam. — Luc. 4:39; Mat. 8:28; Mar. 4:39; Luc. 8:24.
6 Seria bem impróprio tentar colocar a palavra “repreender” (eléngkho) nos casos precedentes. Até mesmo um animal pode ser censurado. (Sal. 68:30) Mas, conforme veremos, apenas os humanos, que têm a faculdade do raciocínio e as qualidades do coração e da consciência, podem ser repreendidos. De modo que parece que o uso da palavra “censurar”, em Lucas 17:3, já mencionada, simplesmente ilustra que a repreensão pode vir acompanhada duma censura ou incluí-la.
7. Qual era o sentido da palavra grega para “repreender” que os inspirados escritores bíblicos usavam, do modo como o termo era empregado pelas pessoas dos seus dias?
7 A que se refere então a palavra grega eléngkho (repreender)? É verdade que esta palavra, em certo tempo, era usada no grego clássico para expressar a idéia de “infamar” ou “envergonhar”. Mas os léxicos gregos mostram que este não era o modo em que a palavra era geralmente usada.a E eles mostram que, nas Escrituras Gregas Cristãs, está decididamente não era a idéia dominante da palavra. Note as seguintes definições de eléngkho (repreender) no Léxico Grego-Inqlês de Liddell e Scott:
“Interrogar, argüir, . . . acusar alguém de fazer, . . . ser declarado culpado. . . . 2. testar, submeter à prova. . . . 3. provar . . . apresentar prova convincente. . . . 4. refutar, . . . b. Endireitar, corrigir . . . . 5. levar a melhor. 6. expor.”
8. O que mostra isso quanto ao motivo básico pelo qual se precisa de repreensão?
8 Estas definições baseiam-se na maior parte no modo em que escritos gregos, não-bíblicos, usavam a palavra. Mas uma coisa é bastante clara em vista destas definições. Todas indicam que aquele que deve ser repreendido mostra, se não uma flagrante negação de qualquer erro, pelo menos uma indisposição de admitir o erro ou certo grau de não-reconhecimento da verdadeira natureza do erro e da necessidade de se arrepender dele. Alguém assim mostra a necessidade de ser “convencido” ou “declarado culpado” do erro. Veremos por que este ponto é importante para ser lembrado.
9, 10. Como mostra a Bíblia também que a repreensão se torna necessária quando alguém não reconhece o erro, nem se arrepende dele?
9 Essas definições são corroboradas pelo uso bíblico desta palavra grega. Por exemplo, note o texto já antes mencionado, Mateus 18:15, onde Jesus diz que, “se o teu irmão cometer um pecado, vai expor a falta dele [eléngkho; “repreende(-o)”, Interlinear do Reino] entre ti e ele só”. É por este motivo que o ofensor não reconhece ou admite seu pecado, nem se arrepende dele, que o ofendido precisa repreendê-lo por expor a falta dele.
10 Outros textos, onde se usa esta palavra (eléngkho), também descrevem a repreensão daqueles que, até aquele ponto, não haviam aceito a correção, mostrando isso por continuarem com a sua transgressão. — Veja Lucas 3:19; João 3:20; Efésios 5:6, 7, 11-14; 2 Tim. 4:2-4; Tito 1:9-13; 2 Ped. 2:15, 16.
11, 12. (a) Portanto, que aspecto essencial está incluído no modo bíblico de se dar repreensão a transgressores, e o que se pretende conseguir com isso? (b) Como se pode ilustrar a diferença entre “censura” e “repreensão” com a disciplina parental dos filhos?
11 Então, de que maneira são repreendidas as pessoas? A repreensão envolve muito mais do que apenas fazer uma acusação ou expressar condenação daquilo que alguém fez (como na censura). Por isso, envolve também muito mais do que apenas ler um anúncio, de que alguém se empenhou em conduta errada. A Bíblia mostra que a repreensão exige a apresentação de evidência ou argumento. (Veja Hebreus 11:1, onde o substantivo élengkhos é traduzido por “demonstração evidente” de realidades.) Por isso, salientando a diferença entre os termos bíblicos para “censurar” e “repreender”, o erudito grego Trench diz no seu livro Sinônimos do Novo Testamento, em inglês:
“Pode-se ‘censurar’ outro sem levar o censurado à convicção de qualquer falta da sua parte; e isto, quer porque não havia falta, e a censura, por isso, era desnecessária ou injusta [Veja Mateus 16:22; 19:13; 20:31], quer porque, embora houvesse tal falta, a censura era ineficaz em fazer o ofensor cair em si; e é nesta possibilidade, de ‘censurar’ o pecado sem ‘convencer’ do pecado que está a diferença entre essas duas palavras . . . élengkhos [repreensão] dá a entender não só a acusação, mas a verdade da acusação e a manifestação da verdade da acusação; mais ainda, muitas vezes também a admissão, se não externa, então interna, da verdade por parte do acusado . . .”
12 Esta diferença pode ser comparada com o pai que se satisfaz em ralhar com o filho, para fazê-lo parar com alguma coisa, em comparação com o pai que toma tempo para raciocinar com o filho e ajudá-lo a ver por que a ação errada realmente é má e por que o filho deve mesmo querer evitá-la. Embora as censuras tenham seu lugar, a necessidade de repreensão muitas vezes é maior.
13. Para que dois objetivos serve a evidência apresentada na repreensão?
13 A apresentação da evidência ao se dar repreensão, portanto, tem um objetivo duplo: Pode ser para provar que a pessoa realmente cometeu o ato ou os atos dos quais é acusada, ou pode ser necessária para demonstrar ou ‘fazer compreender’ a pessoa exatamente quão errado era seu proceder. Jesus disse, em João 16:8, 9, que o espírito santo de Deus daria “ao mundo evidência convincente [eléngkho; “repreenderá”, Int] a respeito do pecado . . . porque não exercem fé em mim”. Mas, quanto a ele mesmo, embora seus opositores pudessem censurá-lo injustamente, Jesus sabia que nunca podiam apresentar “evidência convincente” de qualquer pecado da sua parte, e por isso lhes disse: “Quem de vós me declara culpado [eléngkho; “repreende”, Int] de pecado?” — João 8:46.
O MOTIVO DA REPREENSÃO CRISTÃ
14, 15. Qual, porém, é o objetivo da repreensão cristã e de sua evidência convincente?
14 Mas isto não é tudo. Para os servos de Deus, a repreensão significa mais do que apenas demonstrar e provar que se cometeu algo de errado (o sentido que o termo, muitas vezes, tem nos escritos gregos seculares). O uso que a Bíblia faz da palavra é diferente do seu uso secular. De que modo? No sentido de que a “repreensão”, nas Escrituras, tem uma motivação que vai além de apenas condenar os transgressores ou satisfazer a justiça. Destacando este motivo, o Dicionário Teológico do Novo Testamento (Vol. II, em inglês), diz o seguinte (o grifo é nosso):
“O uso de eléngkho no N[ovo] T[estamento] é restrito . . . . Significa ‘mostrar a alguém seu pecado e intimá-lo ao arrependimento’. Pode tratar-se dum assunto particular, entre duas pessoas, como em Mat. 18:15; Efé. 5:11. Mas, pode também ser assunto congregacional, sob o líder, como nas Pastorais: 1 Tim. 5:20; 2 Tim. 4:2; Tito 1:9, 13; 2:15. . . . A Palavra não significa apenas ‘culpar’ ou ‘repreender’, nem ‘condenar’ no sentido de prova, nem ‘revelar’ ou ‘expor’, mas ‘endireitar’, a saber, ‘apontar para longe do pecado, para o arrependimento’.”
15 A repreensão bíblica, portanto, não é simplesmente envergonhar ou expressar desaprovação da ação errada de alguém, como se dá com uma censura. Em vez de simplesmente procurar fazer alguém parar com certa ação errada, o objetivo da repreensão é positivo, a saber, tocar o coração da pessoa e fazê-la chegar a odiar aquilo que é errado. Portanto, qualquer ‘exposição’ da ação errada de alguém não se destina simplesmente a desmascará-lo, mas tem por fim ganhá-lo como irmão e tentar impedir que se afaste da congregação, caindo ainda mais no pecado. — Mat. 18:15, 16.
REPREENDIDOS PELO NOSSO PRÓPRIO CORAÇÃO OU PELA AJUDA DE OUTROS
16, 17. Em resposta à pergunta sobre a necessidade de repreender alguém que já abandonou a transgressão quais são os fatores que se precisa ter em mente?
16 Então, o que se dá quando um cristão comete alguma transgressão uma ou mais vezes, mas, depois, sua consciência o induz a se arrepender e ele se desvia de tal transgressão, abandonando-a? É ainda necessário que alguém o repreenda?
17 Nisso temos de lembrar-nos do significado da palavra “repreender” (eléngkho). Vimos que pode conter idéias tais como ter de acusar e talvez questionar ou interrogar a pessoa, apresentando-lhe a prova de seu erro, ou refutar por meio dum argumento convincente seu conceito errado sobre alguma ação admitida, declarando-o assim culpado na sua própria mente e coração. Tudo isso visando levá-lo ao arrependimento, a fim de que não somente pare com a prática errada, mas tampouco volte a ela.
18. Pode alguém ser repreendido pelo seu próprio coração, e, em caso afirmativo, como?
18 Na situação mencionada anteriormente, porém, de alguém que se arrepende de seu pecado e o abandona, na realidade, já não se repreendeu o transgressor a si mesmo? Sim, a sua própria consciência faz a acusação, e a Palavra e o espírito de Deus o declaram culpado, sendo que seu coração o induz a se arrepender e desviar da transgressão. Ele não precisa de que outro lhe ‘exponha a falta’, a fim de fazê-lo admitir e corrigir seu proceder errado. — Veja o Salmo 16:7; Jeremias 2:19.
19. Que exemplo disso encontramos nas ações de Pedro?
19 Isto foi evidentemente o que se deu com o apóstolo Pedro. Jesus havia advertido Pedro de que negaria seu Senhor três vezes. Quando surgiu a situação difícil da prisão e do julgamento de Jesus, Pedro mostrou fraqueza e de fato negou Jesus em três ocasiões. Contudo, foi preciso apenas um olhar de Jesus para tocar o coração de Pedro e fazê-lo sair e chorar amargamente em arrependimento do que tinha feito. Seu próprio coração e a lembrança das palavras anteriores de Jesus o haviam repreendido. O proceder de Pedro, daí em diante, atestou sua determinação de não ser novamente culpado de um grave erro similar. Algumas semanas depois, Jesus achou apropriado usar Pedro como uma das ‘pedras de alicerce’ que formavam a congregação cristã. — Luc. 22:54-62.
20, 21. (a) Embora a pessoa esteja decidida a não repetir a transgressão, de que provisão poderá sabiamente aproveitar-se? (b) Por que precisava Davi de repreensão, e como a recebeu da parte de Natã?
20 Isto não significa que não se pode esperar receber ajuda em tais casos. Embora possa haver a determinação de não repetir certo erro, é bem possível que haja necessidade de ser ajudado pelos outros a se fortalecer nesta resolução. Jeová Deus proveu irmãos para nos ajudar neste sentido. — Pro. 17:17; Luc. 22:31, 32; Gál. 6:2.
21 Num tempo anterior, o Rei Davi, diferente do caso de Pedro, precisou que alguém o repreendesse. Ele havia cometido atos errados de natureza bem séria, resultando em grande dano para outros. Contudo, não havia encarado o erro de seu proceder, mas, em vez disso, havia procurado meios para encobrir sua transgressão. Por este motivo, Deus enviou o profeta Natã para repreender Davi. Natã fez isso por usar uma ilustração poderosa e vívida, representando uma situação paralela à de Davi. Irado com o egoísmo do homem retratado na ilustração de Natã, Davi condenou o homem cruel pela sua falta de compaixão. Natã chocou então a Davi por dizer: “Tu mesmo és o homem!” Vendo suas próprias ações na luz verdadeira, e entendendo e sentindo vivamente quão vis realmente eram, Davi arrependeu-se então. Se não tivesse feito isso, estaria sujeito à morte, como ele mesmo admitiu. — 2 Sam. 12:1-13.
22. Como expressou Davi uma boa atitude para com a repreensão e mostrou também os grandes benefícios resultantes do arrependimento?
22 Em um de seus salmos, Davi expressou a atitude correta para com a repreensão, dizendo: “Se o justo me surrasse, seria benevolência, e se me repreendesse, seria óleo sobre a cabeça, que minha cabeça não desejaria recusar.” (Sal. 141:5) Além disso, no Salmo 32:1-6 Davi descreveu o sofrimento angustiante pelo que passou por não ter buscado o perdão de Jeová pelos pecados cometidos e o alívio abençoado que o arrependimento e a confissão a Deus lhe trouxeram.
23. O que reconhecerão os repreendedores sábios e como é isso ilustrado pelos textos citados neste parágrafo?
23 Para que os pastores congregacionais sejam repreendedores sábios, eles precisam lembrar-se também de que, assim como a transgressão pode variar muito em gravidade, também a repreensão pode ter amplo grau de severidade. (Compare Gálatas 6:1; 2 Tim. 2:2-26, com Tito 1:13.) Até mesmo aqueles que estabelecem para si uma boa reputação como servos de Deus podem às vezes precisar de repreensão quanto a um conceito errado, um modo de falar ou agir errado.
24, 25. É possível que servos fiéis de Deus também precisem de repreensão? Que bom resultado lhes advém disso?
24 Isto se deu com Pedro numa ocasião posterior. Gálatas 2:11-14 relata que, quando ele foi a Antioquia, na Síria, confraternizou com não-judeus incircuncisos, tomando refeições com eles. Mas, quando certos homens da congregação de Jerusalém (homens que evidentemente ainda se apegavam à idéia da separação judaica) vieram a Antioquia, Pedro parou de associar-se com os gentios cristãos. O apóstolo Paulo, vendo este proceder errado e o mau efeito que tinha sobre os outros crentes de origem judaica, sentiu-se obrigado a repreender Pedro. Por meio de argumentos sólidos, ele mostrou a Pedro o erro de seu proceder, fazendo isso publicamente, aos ouvidos dos presentes. Não pode haver dúvida de que Pedro aceitou esta repreensão, e ele, mais tarde, mencionou Paulo com apreço cordial. — 2 Ped. 3:15, 16.
25 Sim, conforme diz Provérbios 9:8, 9: “Dá repreensão ao sábio e ele te amará. Dá ao sábio e ele se tornará ainda mais sábio.” “Deve-se repreender ao entendido, para que discirna o conhecimento”, como se deu no caso de Pedro. Portanto, que sempre estejamos de ouvidos atentos para receber as sábias “repreensões da disciplina”, que são o “caminho da vida” para todos os que amam a Deus e sua justiça. — Pro. 19:25; 6:23; 25:12.
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Repreensão daqueles que praticam pecadoA Sentinela — 1977 | 1.° de março
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Repreensão daqueles que praticam pecado
“Repreende perante todos os espectadores aqueles que praticam pecado, para que os demais também tenham temor.” — 1 Tim. 5:20.
1, 2. Que instruções deu Paulo a Timóteo enquanto este estava em Éfeso. e que perguntas suscita isso?
QUANDO o apóstolo Paulo aconselhou seu colaborador Timóteo sobre como devia lidar com problemas em Éfeso, onde alguns suscitavam discussões infrutíferas e ensinos contraditórios, ele incluiu as seguintes palavras: “Repreende perante todos os espectadores aqueles que praticam pecado, para que os demais também tenham temor.” — 1 Tim. 5:20, ed. ingl. 1971; 1:3-7; 6:3-5.
2 O que queria dizer o apóstolo com ‘praticar pecado’? Seria alguém que se entrega a algum proceder errado mais de uma vez automaticamente ‘praticante’ do pecado?
COMO DETERMINAR QUEM É ‘PRATICANTE’ DO PECADO
3, 4. Qual é o significado da expressão grega que Paulo usou ali, e como rezam, por isso, certas traduções?
3 Voltando à língua (grega) em que Paulo escreveu, verificamos que a expressão “praticar pecado” é hamartánontas, o particípio presente, ativo, do verbo grego para “pecar”. O que nos diz isso? Note o que dizem certos comentários sobre a Bíblia (em inglês; o grifo foi acrescentado para dar ênfase):
O Testamento Grego dos Explanadores diz: “ . . . o uso do particípio presente sugere que se fala de pecadores habituais. . . . Paulo está falando de pecadores persistentes.”
O Comentário Crítico, Doutrinal e Homilético de Schaff-Lange diz: “As pessoas pecadoras do representadas como na ocasião ainda vivendo em pecado, usando-se por isso o presente [do verbo], quando de outro modo se usaria o [tempo] perfeito.”
4 Portanto, Paulo usou uma forma do verbo que descreve ação presente, não passada, relacionada com um proceder que ainda continua, não um que já foi abandonado. Reconhecendo isso, diversas traduções da Bíblia contêm versões tais como as seguintes:
Matos Soares: “Aos que pecarem . . .”
A Bíblia na Linguagem de Hoje: “ . . . os que cometem pecados.”
Almeida, atualizada: “ . . . aos que vivem no pecado.”
Versão Normal Revisada (em Inglês): “Quanto aos que persistem no pecado . . .”
Nova Normal Americana (em inglês): “Os que continuam no pecado . . .”
5. (a) O que resulta da repetição do pecado? (b) Não obstante, qual é o fator mais importante para se saber quem é corretamente descrito como “aqueles que praticam pecado”?
5 Não pode haver dúvida de que, cada vez que se repete um pecado, aumenta a gravidade da transgressão. E todo aquele que estende seu pecado sobre um período prolongado certamente faz dele uma prática. Todavia, em vista da informação já apresentada, podemos ver que o mero fato de alguém ter cometido certo erro mais de uma vez, talvez duas ou três vezes, em si mesmo não o coloca na classe daqueles que Paulo descreveu como “aqueles que praticam pecado”. A questão vital é: Já se desviou a pessoa da transgressão, abandonando-a? Ou é algo que continua, um proceder persistente? No último caso, a pessoa se enquadra na descrição feita pelo apóstolo.
6, 7. Como ilustra Mateus 7:7 o que significa ‘praticar’ algo?
6 Outros textos que usam o tempo presente dos verbos gregos ilustram este ponto. Em Mateus 7:7, por exemplo, o tempo presente (na forma imperativa) do verbo aparece três vezes no grego, e a Tradução do Novo Mundo verte o texto do seguinte modo:
“Persisti em pedir, e dar-se-vos-á; persisti em buscar, e achareis; persisti em bater, e abrir-se-vos-á.”
7 Jesus certamente não queria dizer que bastava pedir a Deus alguma coisa mais de uma vez — talvez um par de vezes — para cumprirmos assim esta exortação. Não, mas devemos continuar e persistir em pedir, buscar e bater.
8. Assim, a quem se refere 1 Timóteo 5:20, e a quem não?
8 Portanto, 1 Timóteo 5:20 fala sobre o pecado que exige repreensão perante todos os espectadores, pelo próprio motivo de que se persiste nele, de que não é descontinuado. Por isso, parece evidente que o apóstolo não descreve os que talvez tenham cometido um ato errado uma ou mais vezes, mas que depois se arrependem e abandonam mesmo a transgressão.
NÃO SE REFREIE EM BUSCAR A NECESSÁRIA AJUDA
9. O que mostra que o transgressor arrependido nunca deve abster-se de buscar a ajuda dos anciãos cristãos?
9 Então, há qualquer motivo pelo qual um membro da congregação, que tiver caído numa transgressão, quer de natureza sexual, quer outra, e que se arrependeu sinceramente de tal transgressão, deva hesitar em buscar a ajuda dos anciãos, a fim de ser fortalecido contra qualquer recaída futura na transgressão? Em resposta, note o que o discípulo Tiago aconselhou em Tiago 5:1-16:
“Há alguém doente entre vós? Chame a si os [anciãos] da congregação, e orem sobre ele, untando-o com óleo em nome de Jeová. E a oração de fé fará com que o indisposto fique bom, e Jeová o levantará. Também, se ele tiver cometido pecados [no plural; portanto, mostrando que podem estar envolvidos mais de um caso de pecado], ser-lhe-á isso perdoado. Portanto, confessai abertamente os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sejais sarados.” — Veja o Salmo 41:1-4.
10, 11. (a) Que efeito deve ter sobre o transgressor arrependido saber que os anciãos têm o desejo de sará-lo? (b) Ilustre isso.
10 Quanto incentivo há para ‘confessar abertamente os pecados uns aos outros’, se o transgressor sinceramente arrependido souber que a consideração primária daqueles a quem ele confessa é ajudá-lo a ‘sarar’ de sua doença espiritual! Por outro lado, se tal arrependido achasse que se lidaria com ele automaticamente como alguém que merece ser reprimendado perante toda a congregação como ‘praticante do pecado’, o efeito talvez fosse bem diferente.
11 Para ilustrar isso: Um homem que, antes de se tornar cristão, às vezes se excedia nas bebidas alcoólicas, talvez fique por vários dias sozinho em casa. Durante esse tempo, talvez se exceda em beber vinho ou cerveja, ao ponto de ficar embriagado, fazendo-o talvez duas vezes dentro de poucos dias. Daí, poderá sentir-se muito envergonhado e lamentar sinceramente o que fez. Reconhecendo que estava começando a recair no proceder antigo, talvez queira muito a ajuda dos anciãos, a fim de ser fortalecido na sua resolução de não ficar novamente culpado de tal conduta. Se ele pensasse que, por ter cometido o erro mais de uma vez, os anciãos automaticamente achariam necessário tornar público seu erro, perante a congregação, talvez hesitasse muito em buscar a ajuda deles.
12. Que barreira não deve existir, e o que impedirá que surja?
12 Tal atitude poderia criar uma barreira entre os pastores congregacionais e aqueles que seriamente necessitam da ajuda deles, para vencer uma tendência para a continuação do erro. Por outro lado, quando houver confiança de que os anciãos tomarão em conta a sinceridade da pessoa, em se desviar do erro e em ser desejosa de nunca recair nele, isto certamente serviria de incentivo para ela se dirigir aos anciãos, aceitando a ajuda deles, assim como faria uma ovelha enferma com a ajuda de seu pastor. — Contraste Salmo 23:1-5 com Ezequiel 34:4.
13. Por que terão de tomar os anciãos a iniciativa, em certas ocasiões para com aqueles que erram?
13 Os anciãos talvez fiquem sabendo duma séria transgressão, por meio de outra pessoa, e não por aquele que está envolvido nela. Como pastores, sua preocupação com a saúde espiritual deste membro do rebanho os induziria a falar com ele sobre o que souberam. Talvez descubram que ele aprecia a sua ajuda, mas não a procurou por acanhamento ou por sentir-se envergonhado demais, ou por outro motivo similar de natureza pessoal. Talvez verifiquem até mesmo que ele já se arrependeu do erro e parou com o proceder errado.
14. Quando estão convencidos de que o transgressor foi cabalmente repreendido pelo seu próprio coração, o que farão ainda os anciãos?
14 Quando os anciãos estiverem convencidos de que esta pessoa foi genuinamente reprovada pelo seu próprio coração e consciência, e pelo poder da Palavra de Deus, então seus esforços podem ser dirigidos para a edificação desta pessoa na saúde espiritual. Eles lhe dariam sólido conselho bíblico, destinado a fortalecer o arrependido contra a repetição da transgressão, e incutiriam nele a seriedade da situação. Ajudá-lo-iam a reconhecer mais plenamente o perigo de ‘afrouxar a vigilância’, mesmo que momentaneamente, e a necessidade de ‘persistir em produzir a sua própria salvação com temor e tremor’. — Fil. 2:12.
EQUILÍBRIO E BOM SENSO NA AVALIAÇÃO DA NECESSIDADE
15. Então, o que determina que direção tomarão os esforços dos anciãos?
15 Em qualquer caso de transgressão séria, porém, quer o arrependido procure a ajuda deles, quer eles, ao contrário, se dirijam a ele, os anciãos congregacionais devem convencer-se de que haja arrependimento sincero e que ele se esforça seriamente a apegar-se ao proceder certo. Se o próprio coração da pessoa não a tiver repreendido e induzido a abandonar o erro, então, os anciãos têm o dever de ajudá-la a produzir essas coisas necessárias.
16. Pode alguém que peca apenas uma vez ser ‘praticante’ do pecado? Em caso afirmativo, como?
16 Assim, embora o número de vezes que o erro foi cometido certamente seja um fator sério a ser considerado e pesado, não é em todos os casos o fator decisivo quanto à necessidade duma repreensão bíblica para a pessoa. Alguém pode ter cometido fornicação apenas uma vez. Mas, se não se tiver arrependido sinceramente deste erro, ainda é ‘praticante’ da fornicação. Como? No sentido de que não rejeitou ou repudiou este proceder errado no seu coração. Jesus disse que o homem que olhasse para uma mulher com paixão já cometia adultério com ela no seu coração. (Mat. 5:28) Portanto, quando alguém ainda olha para trás, para algum ato pecaminoso, com certa medida de prazer, em vez de com abominação e profundo lamento, e com a determinação de evitar sua repetição, ele ainda tem o pecado no coração. Não foi purificado do pecado pelo perdão de Deus, mediante Jesus Cristo, e por isso ainda está impuro. (1 João 1:9; 2:1) É provável que se empenhe novamente na ação errada, se a oportunidade surgir e ele achar que se poderá safar com isso.
17. Especialmente para com quem precisam ser cautelosos os anciãos quanto às afirmações de arrependimento?
17 Portanto, há bons motivos para os anciãos examinarem bem as afirmações de arrependimento, quando a pessoa se mostrou culpada de hipocrisia, mentira e esforços deliberados de enganar, ou quando é evidente que o ato errado foi precedido por uma trama premeditada, talvez de modo friamente calculado. Isto é bastante diferente do caso de alguém ‘sucumbir’, por causa de fraqueza humana, sob a pressão inesperada de certas circunstâncias tentadoras. Um caso pertinente é o de Ananias e sua esposa, Safira, que tramaram juntos enganar, ‘propondo a ação errada no seu coração’. — Atos 5:1-11.
18. (a) Quando se cometem transgressões de modo fragrante e descarado, devem os anciãos hesitar em recorrer a desassociação? Como se mostra isso? (b) Quando alguém que fragrantemente violou as normas justas é mais tarde readmitido, por causa de seu genuíno arrependimento, que grande cautela se deve ainda exercer?
18 Assim, quando um homem casado namorica secretamente outra mulher, ao mesmo tempo fingindo ser puro e talvez até mesmo aceitando responsabilidades sagradas na congregação, e depois realmente abandona a esposa e foge com a outra mulher, deviam os anciãos hesitar em desassociar tal pessoa da congregação? É evidente que não. Quando o apóstolo Paulo soube dum homem que vivia com a mulher que evidentemente ainda era a esposa de seu pai, Paulo recomendou pronta ação, por parte da congregação, para que ‘removessem o homem iníquo do seu meio’. (1 Cor. 5:1-5, 12, 13) Do mesmo modo, os anciãos exerceriam muita cautela em aceitar o pedido de readmissão por parte de tal pessoa, visto que ela deu pouco motivo para se confiar na sua palavra, como sendo sincera e genuína. Mais tarde, se ele for readmitido, certamente usariam de muita cautela, no futuro, quanto a dar-lhe alguma responsabilidade na congregação.
19. Como pode alguém que ainda não venceu algum problema de transgressão mostrar melhor desejo de coração do que aqueles já descritos antes?
19 Em contraste com tais, um membro da congregação talvez se dirija a um ancião em busca de ajuda e o informe que ainda está lutando com algum problema. Embora ainda não tivesse conseguido vencê-lo totalmente, talvez demonstre o desejo sincero de coração de fazer isso, e, a menos que haja outra evidência que lance dúvida sobre isso, os pastores da congregação o ajudarão concordemente. Ele certamente é bem diferente de alguém que trama enganar ou que procura justificar seu proceder errado. — Sal. 51:1-3, 10, 17.
20. Como se engana a si mesmo aquele que persiste em pecar e por que é ele um perigo para a congregação?
20 Quem persiste na transgressão costuma desculpar-se na sua própria mente, convencendo-se até mesmo de que Deus tolera o que ele faz. (Veja Salmo 36:2; 50:17-21.) O que é pior, ele talvez influencie outros a adotarem tal proceder. Provérbios 10:17 diz: “Quem se atém à disciplina é uma vereda para a vida, mas aquele que abandona a repreensão faz que se vagueie.” Para o seu próprio bem e para o bem de todos os outros, precisa ser chamado a contas e endireitado.
REPREENSÃO COM TODA A LONGANIMIDADE E ARTE DE ENSINO
21. Quando a repreensão se torna necessária, qual e o modo bíblico em que os anciãos a devem dar?
21 Quando as circunstâncias mostram que há necessidade de repreensão, como fazem isso os pastores congregacionais? Se o erro não for admitido, os anciãos terão a obrigação de apresentar ao transgressor “evidência convincente” de seu proceder errado. Não poderão fazer isso se apenas tiverem por base um boato. (Veja João 16:8; Isaías 11:3.) Talvez achem necessário fazer perguntas, para determinar certos fatos vitais. No entanto, a repreensão requer especialmente que se use de evidência e argumento bíblicos para refutar qualquer idéia, da parte dele, de que um proceder pecaminoso poderia ser desculpável aos olhos de Deus. Deverão procurar ajudá-lo a ver o erro nas suas verdadeiras cores, e por que merece ser odiado por ele. (Heb. 1:9) Deste modo o corrigem e o ajudam a se “endireitar”. Seu objetivo, como pastores, é levá-lo ao arrependimento e ao abandono do proceder errado, não só em atos, mas também na mente e no coração. — Tito 1:9; Tia. 1:25; 2:8, 9.
22. De que modo serão os anciãos guiados nos seus esforços pelo derradeiro objetivo da repreensão cristã, e como podem eles cumprir as instruções de repreender “com toda a longanimidade e arte de ensino”?
22 Mantendo diante de si o objetivo da repreensão, os anciãos não se considerarão apenas como grupo investigador dos fatos e determinador da culpa. Eles não meramente censurarão o transgressor (embora sua repreensão possa incluir uma censura). Têm o alvo nobre e amoroso de ‘fazer o pecador voltar do erro do seu caminho, a fim de salvar a sua alma da morte’. (Tia. 5:19, 20) Certamente, não devem sentir-se premidos pelo tempo, como se seus esforços de atingir o alvo devam limitar-se a uma única palestra, em determinada data. Se acharem que precisarão de mais tempo, poderão recomendar que a pessoa pense e ore sobre o que lhe disseram, e depois poderão providenciar falar com ela novamente. Isto talvez dê às suas palavras de repreensão e de conselho tempo para penetrar na mente e no coração da pessoa. E mesmo depois de terem chegado a uma conclusão (depois de uma ou mais palestras com ela), reconhecerão que o restabelecimento da saúde espiritual da pessoa poderá exigir sua atenção e ajuda adicionais por algum tempo. Mas, terão a satisfação de saber que, como diz 2 Timóteo 4:2, repreenderam e exortaram “com toda a longanimidade e arte de ensino”. O tempo e o esforço despendidos valerão a pena.a
23. (a) Será que aqueles que se arrependem e desviam do proceder errado necessariamente continuarão a exercer todas as funções congregacionais que tinham anteriormente? Por quê? (b) Que fatores serão tomados em consideração pelos anciãos, em todos os casos?
23 O fato de que alguém repreendeu a si mesmo no coração não necessariamente significa que continuaria a exercer todas as mesmas funções na congregação, que tinha antes disso. Assim como alguém que se restabelece duma doença física não pode carregar o mesmo peso que os outros, assim se poderá dar com ele. Os anciãos talvez achem aconselhável não usá-lo por algum tempo em assuntos de responsabilidade, possivelmente por acharem que tal restrição poderá contribuir para a pessoa ficar ‘reajustada’. (Gál. 6:1, ed. ingl. 1971) E no caso de alguém que só se arrepende quando está sendo repreendido pelos outros, quer dizer, depois de ser convencido do proceder pecaminoso, a fim de levá-lo ao genuíno arrependimento, poderá seguir-se a retirada de responsabilidades ou privilégios, a fim de contribuir para a disciplina em justiça’. (2 Tim. 3:16; Heb. 12:5, 6) Em todos os casos, os anciãos precisam tomar em consideração fatores tais como a seriedade do erro cometido, a duração do tempo que passou desde que ocorreu, as circunstâncias que levaram a ele e até que ponto se mostrou certa medida de deliberação ou o não acatamento de anterior conselho de aviso.
24, 25. (a) Estes princípios bíblicos exigem que os anciãos exerçam o que, e como? (b) O que resta ainda a considerar?
24 Deveras, tudo isso exige equilíbrio e bom senso, discernimento e compreensão. Os anciãos precisam tomar cuidadosamente em consideração tanto os interesses da pessoa como os da congregação como um todo. Por um lado, devem sentir vivamente sua obrigação perante Deus, de impedir que a transgressão se infiltre e espalhe na congregação. Ao mesmo tempo, precisam mostrar igual preocupação profunda com o modo em que lidam com seus irmãos, para que sempre reflita os modos sábios e misericordiosos do próprio Jeová Deus. — Veja Atos 20:2-31; Judas 3, 4, 21-23.
25 Que dizer, então, das instruções de Paulo, de repreender aqueles que persistem no pecado “perante todos os espectadores”? Vejamos como estas instruções devem ser executadas.
[Nota(s) de rodapé]
a Em Isaías 1:18, onde se usa a palavra hebraica correspondente a eléngkho, Jeová disse a Israel: “Vinde, pois, e resolvamos as questões [“vinde e discutamos”, Liga de Estudos Bíblicos; “arrazoemos”, Almeida, atualizada] entre nós’, diz Jeová. ‘Embora os vossos pecados se mostrem como escarlate, serão tornados brancos como a neve.’”
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Repreensão “perante todos os espectadores”A Sentinela — 1977 | 1.° de março
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Repreensão “perante todos os espectadores”
“Deves golpear ao zombador, para que o inexperiente se torne argucioso; e deve-se repreender ao entendido, para que discirna o conhecimento.” — Pro. 19:25.
1. Segundo 1 Timóteo 5:20, perante quem devem ser repreendidos os que persistem em pecar e por quê?
QUE dizer, então, das instruções de Paulo a Timóteo, de repreender “perante todos os espectadores [literalmente, em Grego: “à vista de todos”]” aqueles que persistem em pecar? Isto tem um objetivo específico, a saber, “que os demais também tenham temor”, quer dizer, temor de cair no mesmo proceder de pecado. (1 Tim. 5:20) Quais as circunstâncias, então, que exigem esta espécie de repreensão, e como pode ser dada “à vista de todos”?
2-4. O que se pode dizer sobre a aplicação da frase “perante todos os espectadores”, e que exemplos bíblicos ilustram isso?
2 A frase, “perante todos os espectadores” ou “à vista de todos”, não é específica quanto à sua aplicação. Poderia significar que a repreensão é dada perante toda a congregação ou poderia significar que a repreensão é dada perante todos aqueles que de algum modo estão envolvidos no assunto ou apercebidos dele, inclusive as testemunhas da transgressão, e que estão presentes quando o transgressor é repreendido. Qualquer que seja o caso, é evidente que a repreensão deve ser de natureza pública, em vez de ser apenas um assunto puramente particular.a
3 A mesma frase grega, encontrada em 1 Timóteo 5:20, é também usada em Lucas 8:45, a respeito da mulher curada dum fluxo de sangue, por Jesus. A narrativa diz que ela “revelou perante todo [em grego: “à vista de todos”] o povo a causa pela qual o tocara”. É bem claro que isto não significa que fez isso perante toda a população da cidade (possivelmente Cafarnaum), mas sim perante aqueles da multidão que por acaso estavam presentes e que ouviram Jesus perguntar: “Quem foi que me tocou?” — Luc. 8:43-47.
4 De maneira algo similar, o apóstolo Paulo disse sobre sua repreensão de Pedro, em Antioquia: “Quando vi, porém, que não estavam andando direito segundo a verdade das boas novas, eu disse a Cefas [Pedro] na frente de todos eles . . .” Embora “na frente de todos eles” possa aqui significar perante toda a congregação reunida em assembléia, o pronome “eles” pode também referir-se àqueles que Paulo acabava de mencionar, ‘aqueles que não estavam andando direito segundo a verdade das boas novas’. Pode significar que expressou sua repreensão numa reunião que não era uma congregacional, talvez numa refeição, onde havia crentes de origem judaica, tais como Pedro, que se segregavam. — Gál. 2:11-14.
5. Na ausência duma regra bíblica, específica, o que nos orientará nesta aplicação?
5 Visto que não podemos ser dogmáticos sobre exatamente quão inclusiva é a frase “na frente de todos eles”, na sua aplicação, parece que a necessidade existente deve orientar a maneira em que é aplicada. Se a repreensão precisa ser trazida à atenção de toda a congregação, então se deve fazer isso. Do contrário, deve ser dada perante todos os envolvidos no assunto ou que por algum motivo precisarem da repreensão para tirar proveito dela.
ORIENTAÇÃO DO AMOR PIEDOSO
6. Segundo as Escrituras, que efeito controlador exerce o amor nestes assuntos?
6 Há princípios bíblicos que são contrários à desnecessária divulgação das transgressões e dos pecados dos outros. A Bíblia, como um todo, mostra que o amor, em geral, deve induzir a pessoa a encobrir os pecados de um irmão, em vez de deliberadamente trazê-lo à atenção. (Veja Provérbios 10:12; 11:12, 13; 16:27; 17:9; 1 Ped. 4:8) Jeová fala sobre repreender aquele que, além de cometer outros erros, expôs ou ‘divulga um defeito’ de seu próprio irmão. (Sal. 50:20, 21) O Filho de Deus apresentou a regra divina que se aplica em todos os casos: “Todas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.” (Mat. 7:12) Nenhum de nós gosta de que se ventilem em público suas faltas, se não houver realmente necessidade disso. Por outro lado, se nossos irmãos precisarem saber algo para o seu próprio bem, devemos colocar-nos no lugar deles e reconhecer que nós mesmos não gostaríamos que se nos negasse uma informação necessária.
7, 8. Ilustre como a desnecessária divulgação da transgressão de alguém pode causar muito dano inútil.
7 Quando não há genuína necessidade, a divulgação das faltas dos outros pode causar dano desnecessário. Para ilustrar isso, tome o caso duma jovem atraente, cujo trabalho envolve viagens e que se entregou a alguma transgressão diversas vezes, enquanto em viagem. Suponhamos que os anciãos fiquem sabendo disso de outra fonte, e, visto que esta jovem não se dirigiu a eles de sua própria iniciativa, eles, depois de falarem com ela e verificarem que a informação era verídica, decidissem fazer um anúncio à congregação, dizendo que ela foi repreendida e dando o nome dela. O que pensaria a congregação? Suponhamos que alguém pensasse que o erro era de natureza sexual, quando na realidade foi outra coisa que aconteceu. Nesta viagem específica, a jovem passou perto de seu lar e aproveitou a oportunidade de visitar sua família, que não era de Testemunhas. Ela havia antes fumado, e, influenciada pelo hábito de fumar dos outros, enfraqueceu e também fumou várias vezes. Na realidade, pois, um anúncio feito à congregação, que meramente a menciona por nome como repreendida, poderia induzir muitos a formar uma idéia deturpada dela, resultando em suposições injustificadas e conjeturas falsas.
8 Uma situação similar poderia envolver um marido, que toma bebidas alcoólicas até ficar bêbado, enquanto longe de sua casa, fazendo isso algumas vezes. Novamente, se se fizesse um anúncio da repreensão perante a congregação, alguns da assistência poderiam supor erroneamente que o marido era adúltero ou culpado de outro pecado sério, bem longe da realidade do assunto. Quanto benefício genuíno — para essas pessoas e para a congregação — traria tal publicidade realmente, e valeria ela o dano causado?
9, 10. (a) O que indica a maneira em que se lidava com casos de transgressão em Israel sobre a divulgação das faltas de alguém? (b) Com respeito a que forte ação, relacionada com que espécie de pecados, deviam os israelitas ouvir e ficar com medo?
9 O princípio de não se divulgar a falta de alguém, além do exigido pela necessidade, parece também encontrar apoio no proceder geral seguido no Israel carnal, debaixo do pacto da Lei. Os regulamentos e relatos bíblicos indicam que os casos de transgressões eram levados perante os anciãos da cidade, nos portões, principalmente quando havia controvérsias envolvidas, como no caso em que um ofensor não admitia ter prejudicado outro, e também quando a comunidade, como um todo ficava seriamente afetada ou em perigo por causa da transgressão. — Veja Ajuda ao Entendimento da Bíblia, págs. 384, 385, 1053, 1054, em inglês.
10 A expressão usada pelo apóstolo, em 1 Timóteo 5:20, “para que os demais também tenham temor”, faz lembrar as referências no pacto da Lei à ação forte tomada contra certos transgressores, usando-se ali a frase: “Todo o Israel ouvirá e ficará com medo, e não mais farão algo semelhante a esta coisa má no teu meio”. Mas, é digno de nota que os pecados envolvidos eram tais que podiam pôr a comunidade em sério perigo, inclusive a fomentação e promoção de apostasia, pecados que exigiam a pena de morte, ou então eram pecados que já se tornaram do domínio do público, tais como a prestação de testemunho falso, num tribunal aberto. — Deu. 13:6-11; 17:8-13; 19:15-20.
11, 12. Que atitude incentiva Jesus em Mateus 18:15-17 a respeito dos pecados sérios abrangidos pelo seu conselho?
11 As instruções de Jesus, em Mateus 18:15-17, também indicam a preocupação correta para que problemas particulares sejam mantidos confidenciais, quando possível. A passagem relacionada, em Lucas 17:3, 4, indica que este conselho se aplicava a pecados cometidos de uma pessoa contra outra. Jesus disse que aquele contra quem se pecou não devia divulgar o assunto, mas, antes, devia dirigir-se ao ofensor e endireitar o assunto em particular. Isto pode ter um bom efeito, porque o transgressor notará a consideração demonstrada por não se divulgar o assunto, e com isso poderá tornar-se mais receptivo à repreensão. Mesmo que os esforços particulares fracassassem, o assunto ainda não devia ser divulgado, mas, antes, aquele contra quem se pecou devia levar consigo mais um ou dois, num empenho adicional. Apenas se este pequeno grupo também fracassasse seria o assunto levado “à congregação” (referindo-se, evidentemente, ao seus membros representativos, os anciãos; compare Números 35:12, 24, 25, com Deuteronômio 19:12; Josué 20:4).
12 Deve-se notar que os pecados abrangidos pelo conselho de Jesus eram pecados realmente sérios, visto que ele disse que a falta de acatamento da repreensão congregacional levaria à desassociação. (Mat. 18:17) Contudo, apesar de sua seriedade, estes pecados não deviam ser divulgados mais do que as circunstâncias exigiam. E embora este conselho se relacione diretamente com pecados de uma pessoa contra outra, parece evidente que o princípio apresentado pelo Filho de Deus, de evitar a publicidade desnecessária, deve aplicar-se em todos os casos, qualquer que seja o tipo específico de transgressão envolvida.
13. Em resumo, quando se deve logicamente repreender alguma ação de pecado perante toda a congregação e quando se deve fazer isso “com severidade”?
13 Em vista de toda a evidência bíblica, parece que as ocasiões em que os pecados precisam ser repreendidos perante a congregação inteira ficam limitadas aos casos de transgressão séria que são ou certamente se tornarão do conhecimento geral, ou casos em que esforços particulares, adicionais, em causar arrependimento e desvio da transgressão, produziram resultados incertos e se acha que há um perigo potencial para a congregação, um perigo contra o qual ela deve ser avisada, a fim de se proteger.b Se a transgressão for motivo de ampla perturbação para a congregação, a repreensão precisa ser dada “com severidade” e deve persistir, até que os males sejam eliminados. — Tito 1:13.
DAR REPREENSÃO PÚBLICA
14. Por que não basta um simples anúncio de que alguém foi repreendido para cumprir as instruções sobre ‘repreender perante todos os espectadores’? O que mais é necessário?
14 A repreensão eficiente duma transgressão persistente exige o uso de evidência convincente da Palavra de Deus. A mera leitura dum anúncio perante um grupo, de que alguém ‘foi repreendido’, não pode, em si mesmo, constituir uma ‘repreensão perante todos os espectadores’. O anúncio, de fato, diz que ele já ‘foi repreendido’, mostrando que a repreensão já fora dada — e evidentemente não na presença daqueles que ouvem o anúncio, pois, então, não precisariam de ouvir tal anúncio. O anúncio poderia ser chamado de ‘censura perante todos os espectadores’, mas não é em si mesmo uma repreensão. É uma acusação ou exposição, isso é verdade, mas não vem acompanhada da evidência convincente que carateriza a repreensão. Para se dar verdadeira repreensão perante a congregação, é preciso aplicar vigorosamente a Palavra de Deus ao tipo específico de pecado envolvido. Isto é vital, para se desenvolver nos ouvintes o temor piedoso de cair em tal erro. — 2 Tim. 4:2.
15, 16. É essencial mencionar o nome da pessoa para ela ser repreendida “perante todos os espectadores”, e como é isso demonstrado em 1 Coríntios 14:23-25?
15 É preciso mencionar o nome da pessoa culpada, para ela ser repreendida “perante todos os espectadores”? Visto que as próprias Escrituras não fornecem nenhuma indicação de estar envolvida a menção do nome, parece que isso também dependeria da necessidade existente. No entanto, é evidente que se pode dar repreensão numa reunião pública sem identificar por nome aquele ou aqueles que foram repreendidos.
16 Por exemplo, na sua primeira carta aos coríntios, o apóstolo Paulo descreve um estranho que vem a uma reunião cristã. Este estranho talvez não se tenha dado conta, antes disso, do erro de suas ações no passado ou de seu proceder na vida. Não sentia necessidade de se arrepender. Mas, o apóstolo diz que, ao ouvir aqueles na reunião falar sobre a verdade de Deus, ele “é repreendido [se convencer de seu próprio pecado, A Bíblia na Linguagem de Hoje] por todos, é examinado de perto por todos; os segredos do seu coração se tornarão manifestos”. Não é que todos os presentes mencionem seu nome, visto que lhes é estranho. Mas, as poderosas verdades que eles falam fazem com que ele se veja numa nova luz e induzem-lhe o coração ao arrependimento. — 1 Cor. 14:23-25.
17. Por que precisavam alguns, em Creta, de severa repreensão, e como podia Tito ‘persistir em repreendê-los’?
17 Quando Paulo escreveu a Tito, na ilha de Creta, ele o admoestou a ‘persistir em repreender a certos ali com severidade, para que fossem sãos na fé’. O motivo de estes necessitarem de repreensão severa foi que eram encrenqueiros na congregação. Eram ‘contradizentes, indisciplinados, conversadores improfícuos e enganadores da mente, que subvertiam famílias inteiras por ensinarem coisas que não deviam’; outros entregavam-se à preguiça e à ociosidade. A fim de ‘persistir’ ou continuar a repreendê-los, é improvável que Tito lesse repetidas vezes certos nomes em anúncios periódicos, no sentido de que estes se empenhavam em conduta errada. Antes, persistiria em focalizar a Palavra de Deus, em reuniões particulares e públicas, salientando as ordens dela quanto a tais erros. A congregação podia assim identificar todos aqueles que se entregavam a tais coisas como sendo má influência, contra a qual devia proteger-se. O forte conselho bíblico ajudaria a congregação inteira a ter temor salutar da participação em tais práticas. — Tito 1:9-13; veja 2 Timóteo 4:2-4; 2 Tessalonicenses 3:6-15.c
18. Especialmente que circunstâncias exigiriam a repreensão da transgressão em reuniões de congregação?
18 Sem dúvida, a maioria dos casos em que membros da congregação caem em transgressões pode ser tratada de modo particular, pelos pastores congregacionais. Mas, se estes tiverem razões para crer que outros podem ser tentados a cometer a mesma espécie de pecado, devem devotar tempo nas suas reuniões para repreender esta espécie de transgressão. Se um assunto for do conhecimento público ou envolver escândalo, certamente é então que devem fazer isso.
19. Em que circunstâncias pode acontecer que os anciãos achem aconselhável fazer um breve anúncio e mencionar o nome do transgressor?
19 Se acharem que as circunstâncias o exigem, podem até mesmo mencionar o nome da pessoa (embora fazendo isso à parte de qualquer discurso sobre o assunto), declarando que ela foi repreendida por eles. Quando houver escândalo envolvido, os membros da congregação ficarão com isso habilitados a defender a congregação contra aqueles que talvez a acusem de tolerar transgressões. E mesmo quando a transgressão não é amplamente conhecida ou foi praticada em secreto, os anciãos talvez achem necessário fazer isso. Por exemplo, um jovem talvez se tenha empenhado em certa conduta indecente (não necessariamente fornicação) com diversas moças, passando de uma para outra. Ao ser repreendido, talvez tenha expresso arrependimento. No entanto, os anciãos talvez ainda tenham certas reservas a respeito dele. Talvez ele já tivesse de ser aconselhado no passado e assim tivesse demonstrado certa falta de determinação de evitar a transgressão. Os anciãos talvez achem que o rebanho necessita de alguma declaração para alertar a todos, especialmente as irmãs jovens, de que precisam tomar certa cautela com respeito àquele jovem. Talvez anunciem que o repreenderam, mencionando o nome dele.
20. Quando se fizer apenas um breve anúncio, o que mais é também necessário para que a congregação ‘tenha temor’ de cair em transgressão similar?
20 Naturalmente, quando se faz assim uma declaração breve, se o erro tiver sido cometido em segredo, a maioria da congregação não terá nenhuma idéia contra que espécie de transgressão devem prevenir-se. Dificilmente se poderia esperar que “tenham temor” de cometer algo, se nem sabem de que se trata. Portanto, em outra reunião, um ancião poderia apresentar informação bíblica tratando da transgressão específica envolvida, mostrando como as pessoas chegam a cair nela e por que é tão condenável e prejudicial, bem como provendo conselho sadio sobre a maneira de fortalecer-se contra cair no mesmo laço. Por ocasião de tal discurso, porém, não se mencionam nomes.
21. Mesmo quando não se menciona nome, como podem os membros da congregação ser protegidos contra os transgressores ou ficar apercebidos de que aqueles cujo pecado produz óbvios efeitos foram deveras repreendidos perante todos?
21 De fato, os anciãos talvez achem que basta dar tal discurso pois, mesmo sem se mencionar nome numa reunião anterior, o discurso pode bastar para fornecer aos membros da congregação toda a informação de que precisam para se proteger, caso aquela pessoa se chegue a eles e novamente tente táticas similares às descritas no discurso. Ou considere o caso em que um ato de imoralidade resulta em gravidez fora do casamento ou resulta em divórcio, por motivo de adultério. Um discurso que mostre como alguém pode ficar envolvido em erros sexuais poderia incluir a advertência de que ‘não devemos pensar que isso não pode acontecer conosco, porque tem acontecido na nossa congregação, e lamentamos dizer que produz agora esses resultados infelizes’. Embora não se mencionem nomes, quer antes, quer durante, quer depois do discurso, a congregação saberia, vendo a gravidez resultante ou a ação de divórcio, que se deu a repreensão.
22. (a) Que responsabilidade bíblica tem os anciãos para com a transgressão e os que se empenham nela? (b) Embora se tenha misericórdia, por que é que o pecador sempre paga pelo seu pecado?
22 Os anciãos congregacionais, como pastores, podem sarar, repreender, advertir (censurar, 2 Timóteo 4:2, Tradução Interlinear do Reino, em inglês), podem reajustar e disciplinar pelo seu uso da Palavra de Deus. (Gál. 6:1, ed. ingl. 1971; 2 Tim. 3:16; Tia. 5:14-16) Podem também “censurar” por desassociar os impenitentes. (1 Cor. 5:1-13; 2 Cor. 2:6-8) A congregação pode mostrar misericórdia, mas isto não significa que os pecadores sempre podem ‘safar-se’. Pois, embora o arrependimento possa trazer a misericórdia de Jeová, o pecado trará suas inevitáveis conseqüências. Os resultados naturais duma ação pecaminosa sempre produzem dano — quer menor, quer maior — para o transgressor, de modo mental e emocional, ou até mesmo físico e material. Mas ele só pode culpar a si mesmo pelos seus sofrimentos. Está ceifando o que semeou. — Gál. 6:7, 8.
23. Que proceder sábio devemos todos adotar com confiança e perseverança?
23 Portanto, esforcemo-nos todos sabiamente em ‘semear’, não para a carne decaída e suas tendências corrompedoras, mas para o espírito, sabendo que podemos ‘ceifar do espírito vida eterna’. Sim, “não desistamos de fazer aquilo que é excelente, pois ceifaremos na época devida, se não desfalecermos” na busca da justiça, que nos assegura o sorriso de aprovação de Deus e suas ricas bênçãos. — Gál. 6:8, 9.
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