-
Teme seu vizinho?Despertai! — 1971 | 8 de junho
-
-
Teme seu vizinho?
A MAIORIA das pessoas hoje temem seu vizinho mais do que temem a Deus. O temor dos vizinhos, produto da Idade Obscura, tornou-se hediondo colosso e se transformou num dos mais escravizadores tiranos supressores da verdade no mundo. Pode ser mais duro que as leis. Não é de se admirar que seja o principal instrumento comunista! Declarou o anterior espião soviético Nikolai E. Khokhlov: “A arma mais importante do Governo Soviético contra os cidadãos é a desconfiança que um cidadão tem no outro.” (U.S. News & World Report, 21 de janeiro de 1955) Isso não constitui nenhuma surpresa, mas há algo que pode constituir: o temor do vizinho se espalhou a todas as partes do mundo. Embora a vítima deste temor resida na maioria dos países democráticos, perdeu sua liberdade. Avisou o então Ministro Presidente carl Warren, do Supremo Tribunal dos EUA: “Se o homem só é livre para ser o que os vizinhos desejam, não é verdadeiramente livre.”
A mente se rebela contra a sugestão de que se teme o vizinho. Isto não é estranho, pois é admissão de escravidão, e ninguém quer ser escravo de seu vizinho. Sejamos honestos com nos próprios e proponhamos a pergunta: Quais são os sinais do temor do vizinho? Há pelo menos três sinais principais: (1) Ficar imaginando o que pensará o vizinho; (2) cair num estado de conformismo mental, e (3) temer o conhecimento.
Vejamos o primeiro sinal. As pessoas tomadas do temor ao vizinho permitem que suas decisões sejam influenciadas por um poder diferente do arrazoamento são. Que poder é este? É o bloqueio mental que examina todas as idéias e decisões com a seguinte pergunta: O que meus vizinhos vão pensar disso? Tornar-se subserviente à perpétua preocupação com o que os vizinhos vão pensar é como se pôr sob o poder dum ditador que mata o espírito humano e torna a pessoa um autômato.
Isto nos traz ao segundo sinal do temor do vizinho: o conformismo. Quem teme ao vizinho crê que deve aceitar quaisquer crendices ou crenças populares, não importa o custo. E o custo sempre é alto. O juízo são e a razoabilidade ficam sufocados e morem. Torna-se difícil pensar, assim, para que pensa? É muito mais fácil fazer o que “eles dizem” e crer nisso. Na verdade, nem todos os que temem o vizinho permitem que suas mentes se atrofiem por completo. Alguns talvez até sustentem idéias próprias, baseadas na verdade e na justiça. Mas, quando existe o temor do vizinho, isso dita que a pessoa mantenha em segredo ou disfarçadas as suas reais opiniões.
O conformismo triunfa. Sempre ameaça estigmatizar a pessoa com a marca de deslealdade se tal pessoa pensar. Declarou notável ministro, Learned Hand: “Creio que a comunidade já se acha em processo de dissolução quando todo homem começa a considerar seu vizinho como possível inimigo, quando o não conformismo com o credo aceito, quer político quer religioso, é sinal de desafeição [deslealdade].” É a sua comunidade realmente livre ou se acha “em processo de dissolução”?
O terceiro sinal do temor ao vizinho é nutrir indevida suspeita das idéias, sim, temer o próprio conhecimento. O temor do conhecimento gera ignorância, arraiga a superstição, desencoraja o progresso, sufoca o esclarecimento e conduz à estreiteza mental. Assim, este temor mórbido ou suspeita das idéias faz com que a pessoa feche a mente mesmo antes de abri-la. Isto é desastroso.
Mas, por que temer o conhecimento? Porque, embora o conhecimento possa destruir o erro, produz mudanças. O que se teme é o efeito colateral Indesejado das mudanças. Por exemplo, certa mudança talvez signifique perda de prestígio, um abalo no lucrativo status quo ou a hostilidade num grupo familiar. Assim, o egoísmo instiga o temor do conhecimento.
Reconhecendo o extremo perigo de se temer o conhecimento, Dag Hammarskjold, então secretário-geral das Nações Unidas’ proferiu um discurso que deu em que pensar, diante de eruditos num jantar no Dia da Carta da Universidade de Colúmbia. Entre os convidados de honra se achava a Rainha-Mãe Elizabeth, da Grã-Bretanha. A este grupo notável, o alto funcionário da ONU disse (conforme noticiado no Times de Nova Iorque, de 31 de outubro de 1954): “Todos nós prontamente reconhecemos em princípio o valor do conhecimento. Todavia, talvez hesitemos em fazer o que é necessário a fim de permitir mais amplo acesso ao conhecimento para os outros ou para aprofundar nosso próprio conhecimento. Com muita freqüência, até compartilhamos as reações que só podem ser explicadas pelo temor do conhecimento. . . . Se temermos o conhecimento e agirmos sob a proscrição de tal temor, não será amiúde porque tememos a mudança?
“Temos observado entre nós a ressurreição de práticas e de atitudes que pertencem à Idade Obscura, com efeito, que justificam tal nome”, continuou o funcionário da ONU. “O temor do conhecimento, inspirado pela vontade de salvaguardar os interesses estabelecidos, talvez bloqueie por certo tempo um acontecimento inevitável. Mas, ao assim fazer, talvez crie situações em que a mudança por fim surge com a violência duma explosão.” Daí, o então secretário-geral da ONU sublinhou o seguinte ponto: “Nenhuma diretriz que não possa suportar a prova do pleno conhecimento e da livre crítica jamais estará seguramente alicerçada na lealdade dos povos.”
Teme submeter sua própria diretriz ao “pleno conhecimento e [à] livre crítica”? Quem teme o vizinho geralmente o faz. Tornaram-se bonecos nas mãos dos vizinhos. É interessante que o Ministro Learned Hand disse certa vez: “Com freqüência fico pensando se não descansamos nossas esperanças [de liberdade] demasiadamente em constituições, leis e tribunais. Estas são esperanças falsas. A liberdade reside nos corações dos homens e das mulheres. Quando morre ali, não há constituição, lei ou tribunal que possa ser até mesmo de grande ajuda.”
Teme seu vizinho? Realmente, pouco importa o que o vizinho crê. Pode dar-lhe a vida? Não lhe pode dar um dia de vida sequer. Apenas Deus pode dar a vida. Assim, o que vale não é o que o vizinho pense, mas o que Deus pensa. E não nos terá em alta conta se temermos os vizinhos. Sua própria Palavra nos avisa em Provérbios 29:25 (PIB): “Temer ao homem é lançar-se em armadilha, mas quem confia em Deus vive seguro.”
Assim, acabe com o temor do vizinho por temer a Jeová Deus acima de tudo. Quanto a seu vizinho, Cristo Jesus não disse que devia temê-lo. Ele disse: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” (Mat. 22:39) Mostre seu amor por ajudar seu vizinho a eliminar o temor dos vizinhos. Aceite o conhecimento. Prove-o com o raciocínio e com a Palavra de Deus. Lute contra a escravização mental do conformismo. Confie em Jeová. Faça isto e jamais se achará entre aqueles pobres coitados que temem mais ao vizinho do que a Deus.
-
-
Recordações havaianas do passadoDespertai! — 1971 | 8 de junho
-
-
Recordações havaianas do passado
SABIA que, de todos os cinqüenta estados dos Estados Unidos da América, o Havaí tem o único palácio com trono? E, para a maioria dos havaianos, aquele palácio constitui seu vínculo com a história diversificada dos tempos idos. Pouco é de se admirar, então, que houvesse exclamações de Auwe! Auwe! (Que pena! Que pena!) quando se noticiou pela primeira vez que o antigo Palácio Iolani e sua sala do trono ia dar lugar ao novo edifício do legislativo estadual.
Os ilhéus nativos podiam derivar algum conforto de que o antigo trono, que atualmente não passa de símbolo, será mantido intato e que se lhe fornecerá um local adequado para ficar em exposição. Não há dúvida de que traz muitas recordações — algumas felizes e outras não tão felizes. É certo que representa um modo de vida muito mais tranqüilo — que já se tem quase que desvanecido. Gostaria de saber algo sobre isso?
Conforme todo escolar havaiano lhe poderá dizer, estas belas ilhas foram descobertas em 1778 pelo famoso aventureiro, o Capitão James Cook. Para honrar o patrono de sua viagem, o quarto Conde de Sandwich, Cook as chamou de “Ilhas Sandwich”. Os descobridores aportaram primeiro na ilha setentrional de Kauai, daí, com o tempo, visitaram as outras ilhas. A primeira visita estava ligada a uma estranha combinação de circunstâncias.
Em primeiro lugar, Cook realmente achou as ilhas de forma bem inesperada — não as procurava. Então, em duas ocasiões, aportou na época do ano em que os nativos, de acordo com suas lendas antigas, esperavam a volta de um dos seus deuses. E, para aumentar o interesse dos ilhéus, os navios de Cook calhavam com a descrição dada nas lendas. Ainda mais importante, do ponto de vista moderno, o cronômetro acabara de ser inventado, de modo que os navegadores marítimos podiam determinar a longitude exata das ilhas, dando-lhes assim um lugar permanente nos mapas. Estas ilhas eram então uma realidade para os marujos.
O próprio Cook foi morto durante uma escaramuça com os ilhéus devido ao furto de um barco. Mas, os navios começaram a aportar aqui se achavam esplêndidos lugares para os negociantes de toda espécie passarem o inverno, para descanso e refrigério dos tripulantes de navios que sofriam de escorbuto e outros males de deficiência orgânica. Viçosas folhagens cobriam
-