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Paquistão e AfeganistãoAnuário das Testemunhas de Jeová de 1973
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puderam organizar logo o primeiro grupo isolado no Punjab rural. Iletrados aos olhos do mundo (um dos irmãos só aprendeu a ler depois de se tornar Testemunha), estes irmãos continuaram a pregar tanto aos bem instruído como aos analfabetos em todas as cidades e povoados em volta de Daska, a uns noventa e seis quilômetros de Lahore. Em 1970, o pequeno grupo se transformou numa congregação e os dois irmãos construíram um Salão do Reino num pequeno terreno onde está sua casa. Este prédio tem a distinção de ser o único Salão do Reino no país construído e possuído pelos irmãos.
Perto do fim de 1956, os setenta e nove publicadores em todo o país regozijaram-se com a perspectiva de mais uma vez se reunirem com o presidente da Sociedade, o irmão Knorr. No Teatro Municipal de Lahore, 160 pessoas ouviram o discurso público proferido pelo presidente, e nessa ocasião, cinco pessoas foram batizadas. Durante sua visita, o irmão Knorr gravou breve entrevista que foi mais tarde transmitida pela estação de rádio de Lahore, sendo esta a primeira e única vez que alguém do povo de Jeová tem tido a oportunidade de falar as “boas-novas” pelo rádio paquistanense.
O vice-presidente da Sociedade, o irmão Franz, deveria também supostamente estar na assembléia de Lahore junto com o irmão Knorr, mas, devido a uma dificuldade inesperada quanto à vacina contra a febre amarela, o irmão Franz ficou em quarentena em Karachi, junto com os passageiros de um avião inteiro. Quando foi liberado, naturalmente, a assembléia de Lahore já havia terminado. Os irmãos ficaram muito desapontados, mas tiveram algum consolo no fato de que os irmãos na Índia e Birmânia usufruiriam sua visita. Pouco depois dessa assembléia, em fevereiro de 1957, os três publicadores e dois missionários em Rawalpindi se tornaram uma congregação, isto elevando o número das congregações no país para cinco.
AS “BOAS-NOVAS” CHEGAM AO AFEGANISTÃO
Em setembro de 1957, o território da filial do Paquistão aumentou em uns cerca de 400.000 quilômetros quadrados e em mais de doze milhões de habitantes. Como? Isto se deu porque as primeiras testemunhas de Jeová chegaram no país vizinho e acidentado do Afeganistão. Philip Zimmerman, empregado duma linha aérea internacional, mudara-se dos Estados Unidos para Kabul, a capital. Junto com sua esposa, sua mãe e seu filho pequeno, tinha vindo para essa cidade de 350.000 pessoas.
Assim como se dá com seus países vizinhos orientais e ocidentais, o Afeganistão é quase que totalmente islâmico quanto à religião, e a pregação do Cristianismo aos afeganes jamais foi tolerado. Não se pode dizer nada oficialmente contra o Alcorão ou a religião muçulmana porque o rei é muçulmano, e, assim, qualquer coisa derrogatória para ele é considerada como lesa majestade — dando suficiente base para expulsar o estrangeiro do país. Até os dias atuais as Testemunhas precisam limitar sua obra à comunidade estrangeira transiente, enquanto dependem de sua imaginação para alcançar a população local com a mensagem do Reino. A maioria da população se compõe de camponeses analfabetos que só falam pushto (também falado na região fronteiriça do noroeste do Paquistão) ou dari, a forma afegane da língua persa. Os afeganes bem instruídos usualmente falam pelo menos uma língua européia.
Devido ao tipo de trabalho do irmão Zimmerman e sua necessidade de voltar aos Estados Unidos em intervalos regulares, não era possível nessa ocasião pregar de forma muito constante; era bastante, contudo, para que bom número de pessoas soubessem da partida da família para a assembléia internacional em Nova Iorque, em 1958, pessoas interessadas em saber o que se passou ali quando a família voltou a Kabul. Os noventa e sete publicadores do Paquistão também estavam representados neste grande congresso. Cinco missionários e o irmão Sadiq Masih, de Karachi, ficaram gratos pela ajuda financeira que receberam dos irmãos de todo o mundo, de modo a poderem assistir a essa assembléia e voltar espiritualmente fortalecidos e cheios de experiências para compartilhar com seus irmãos.
Visto que, no início, o inteiro país do Paquistão formava um só circuito, era necessário que alguns viajassem de 800 a 1.450 quilômetros em cada direção, pelo menos duas vezes por ano, para comparecer às assembléias de circuito e de distrito. Foi em uma de tais assembléias de circuito em Rawalpindi, realizada em abril de 1959, que os irmãos ficaram surpresos com a chegada de um delegado pouco antes do início do programa da sexta-feira à noite. Tratava-se do irmão Werner Schwarze. Viajara mais de 480 quilômetros de além de Kabul, Afeganistão, de motocicleta. Viera do extremo frio das montanhas, passando pelo histórico Passo Khyber, e chegando às quentes planícies poeirentos em seguida. Ainda que não pudesse expressar-se com facilidade em inglês, sua felicidade por estar presente era irradiada aos outros congressistas. Fazia apenas dois meses que o irmão Schwarze viera da Alemanha para o Afeganistão, servir onde havia mais necessidade.
Sua viagem de volta ao Afeganistão não se realizou sem problemas. Ele transportava em sua motocicleta uma mala cheia de publicações e estava um tanto preocupado sobre como as autoridades da fronteira reagiriam. No entanto, a alguns quilômetros da alfândega, um carro que passava parou e o motorista disse: “essa mala em sua motocicleta é difícil demais para o senhor. Pode dá-la a mim e eu a entregarei à sua embaixada em Kabul.”
Por todo o caminho ele tentou, apesar de seu conhecimento limitado da língua, partilhar as “boas-novas” com os habitantes locais. Este mesmo testemunho jeitoso e incidental sobre os propósitos de Jeová em tais lugares é dado por ele até os dias atuais quando ele viaja. Na assembléia seguinte, o irmão Schwarze foi em companhia de sua esposa e duas filhas, que recentemente haviam chegado em Kabul. Isto aumentara os proclamadores do Reino no Afeganistão para sete pessoas. Logo depois chegariam mais três publicadores da Alemanha, para servir onde há tão grande necessidade.
Um verdadeiro marco no progresso da obra no Afeganistão foi alcançado em 1962, quando Milton Henschel, do escritório do presidente, visitou Kabul. Naquela ocasião, os irmãos ali tiveram sua própria pequena assembléia, com certeza indicando um pouco de abrandamento das restrições. Quão encorajados ficaram todos! Em 1964, depois de sete anos de serviço ali, os Zimmermans tiveram que deixar o Afeganistão. Durante os seguintes cinco anos, só havia cinco publicadores para servir aos milhões daquele país — o irmão Schwarze, sua esposa, suas filhas e o irmão Muecke, o marido de uma das suas filhas.
Os irmãos têm publicações em cerca de trinta línguas, e, na casa do irmão Schwarze, há um mostruário do livro Paraíso em diversos idiomas, que serve como motivo de palestra sempre que alguém o visita. O irmão Schwarze lembra-se de que, em 1959, tinham até sete guardas vigiando seu local de reuniões, e, se uma pessoa local desejava estudar, era preciso encontrar-se com ela em alguma esquina e levá-la de carro para um piquenique nas montanhas. Agora a polícia não fica mais vigiando.
No trabalho de casa em casa, é preciso que a pessoa se torne perita em reconhecer os nomes que não são afeganes nas portas. Quanto às casas em Kabul, usualmente têm muros altos ao redor e quando se bate à porta, um empregado afegane atende. Primeiramente lhe pergunta em persa se um estrangeiro mora ali. Se a resposta for negativa, pede desculpas e tenta outra casa.
OS DISPOSTOS CONTRIBUEM PARA A EXPANSÃO
Voltando ao Paquistão, houve outra mudança no início de 1959. O irmão Pope partiu para casar-se e continuar sua obra missionária na Índia, de modo que G. K. Young foi designado ao lugar dele. Por volta de abril de 1960, quando houve um auge de 112 publicadores, havia apenas seis graduados de Gileade restantes, e dois deles se aprontavam para partir devido à doença. No entanto, quatro mais chegaram do Canadá naquele mês.
O Paquistão teve um bom quinhão de irmãos e irmãs que vieram servir onde havia mais necessidade, e estes sempre constituíram uma fonte de estímulo para os publicadores locais, tais como o irmão e a irmã Pinchbeck, da Inglaterra, que permaneceram alguns anos. Este casal deixou de comparecer à assembléia internacional de 1958 em Nova Iorque a fim de vir para Karachi, e permaneceram quatro anos, o irmão por fim se tornando um superintendente da congregação de língua inglesa de Karachi, au passo que sua esposa era pioneira. Encontraram e estudaram com uma família que mais tarde se mudou para o Paquistão Oriental (Bangladesh) a fim de servir onde havia mais necessidade.
Uma irmã zelosa, de meia-idade, dos Estados Unidos, também teve excelente parte em disseminar A Sentinela em urdu nos mercados orientais e em outras áreas não alcançadas com freqüência. Ela viera com o marido, que era empregado de uma firma exploradora de petróleo. Mas, como foi que venceu o problema do idiomas? Visto que ela dispunha de um carro com chofer provido para sua conveniência, ela usou seu chofer muçulmano como seu intérprete, fazendo por meio dele breves apresentações das revistas. Assim, com a ajuda dos irmãos de várias nações, alcançamos um auge de 129 publicadores em maio de 1961 — 22 por cento de aumento. Havia então apenas três congregações, uma em Lahore, e duas em Karachi.
A assembléia paquistanense em 1962, quando o irmão Henschel foi nosso prezado convidado, resultou ser muitíssimo encorajadora para os irmãos. Mais tarde no ano, oito outros irmãos e irmãs, treinados nas Escolas do Ministério do Reino nos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, vieram juntar suas forças aos oito graduados de Gileade que já trabalhavam neste país. Alguns foram designados a iniciar a obra de novo em Rawalpindi, mas o progresso foi vagaroso muito embora a população da cidade tivesse aumentado amplamente devido a se tornar a capital interina, enquanto a nova capital, Islamabad, apenas a uns treze quilômetros de distância, estava sendo construída. Apesar dos muitos anos de trabalho árduo e paciente nesta área, os quatro missionários que ainda se acham ali têm menos de dez publicadores que trabalham com eles em ambas estas cidades.
Outro ponto alto em nossa história foi a assembléia internacional em Déli, Índia, em 1963. Foi necessário muito trabalho árduo e cuidadosa preparação por parte dos irmãos paquistanenses para obter passaportes e vistos, sendo que as relações entre o Paquistão e a Índia jamais foram muito cordiais. Alguns do Afeganistão também conseguiram comparecer a esta maravilhosa assembléia.
A fim de tornar mais fácil o comparecimento de todos às três assembléias de cada ano, o Paquistão Ocidental foi dividido em dois circuitos em 1965, os dois servos de circuito trabalhando parte do tempo. Durante esse mesmo ano, as relações entre a Índia e o Paquistão se deterioraram, até mesmo resultando em guerra. No entanto, isto não afetou a atividade do Reino.
Nos anos de serviço de 1964-1968 houve quarenta e quatro pessoas que simbolizaram sua dedicação a Jeová, indício de que há um número crescente de pessoas que acatam a mensagem do Reino neste país. Na verdade, nosso total de publicadores não revela grande aumento cada ano, mas isto se deve à partida de alguns para outros países e à decaída de alguns que não tinham verdadeiro amor a Jeová em seus corações.
Em fins de 1967, e no início de 1968, mais sete graduados de Gileade chegaram aqui. Cinco destes foram originalmente designados à Índia e ao Ceilão, mas visto que não conseguiram obter vistos para tais países, o Paquistão é que lucrou. Na assembléia de distrito de Karachi, em 1968, a primeira pessoa da comunidade parse no Paquistão simbolizou sua dedicação. Estes seguidores de Zoroastro constituem uma comunidade bem unida e próspera que só se casam entre eles e que não fazem conversos à sua religião. Por esta razão, foi necessário grande coragem e determinação da parte de nossa irmã.
Graças à generosidade de nossos irmãos em outros países, foi possível que todos os missionários e cinco pioneiros especiais comparecessem a uma das assembléias internacionais de 1969. Outros irmãos paquistanenses conseguiram organizar seus afazeres de modo a comparecer à assembléia em Londres, Inglaterra. O relatório para o ano de serviço de 1969 indicava um aumento de 5 por cento em comparação com o ano prévio. Daí, em fevereiro de 1971, tivemos um novo auge de 173 publicadores, ao passo que nossa assistência à Comemoração da morte de Cristo subiu para 517. Durante o ano de serviço de 1971 foram colocados 6.610 Bíblias e livros, bem como 8.043 folhetos, 41.392 revistas e 1.511 assinaturas novas foram obtidas para as revistas A Sentinela e Despertai!
O Afeganistão também teve um aumento devido à chegada de mais dois casais da Alemanha. Deveras, todos os publicadores no Afeganistão e uma pessoa interessada se achavam entre as 196 pessoas reunidas em Lahore em fevereiro, para a assembléia de circuito. Cinco das pessoas recém-interessadas em Lahore são anteriores muçulmanos. Uma delas foi encontrada em seu escritório, alguns meses antes da assembléia, e progrediu tão rápido que simbolizou sua dedicação na seguinte assembléia de circuito, em junho de 1971.
Fazem-se agora arranjos de imprimir A Sentinela em urdu no Paquistão. Durante anos, tem sido traduzida e impressa na Índia mas, devido à situação agravante entre os dois paires, o governo paquistanense baniu toda matéria impressa proveniente da Índia. Agora, os publicadores aguardam ansiosamente a edição em urdu de A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, atualmente sendo preparada.
Apesar das condições políticas e econômicas cada vez mais agravadas, e o obscuro horizonte internacional, o pequeno grupo de publicadores aqui, mais uma vez limitado a trabalhar apenas na área ocidental do Paquistão, continua a proclamar a mensagem do Reino zelosamente, olhando para Jeová, para que continue a abençoar seus esforços, confiante de que Ele executará seu amoroso propósito de proteger e conceder a vida a todos os que demonstrarem seu amor a Ele.
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Formosa (Taiwan)Anuário das Testemunhas de Jeová de 1973
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Formosa (Taiwan)
“ILHA FORMOSA!” ou “Ilha Bela!” é o que exclamaram os marinheiros portugueses quando avistaram pela primeira vez esta ilha verdejante de seus navios, no século dezesseis. Muitos ainda se referem à ilha como Formosa. O visitante moderno ficará igualmente bem impressionado ao ver pela primeira vez esta ilha de mais de 385 quilômetros de comprimento e uns 145 quilômetros de largura que se situa na costa da China continental, pois está sempre coberta de verde, desde o litoral até o cume de suas montanhas de quase 4.000 metros de altitude. Embora seja pequena — apenas uns 34.000 quilômetros quadrados — Formosa é a terra mais densamente povoada do mundo, tendo umas 400 pessoas por quilômetro quadrado.
Sua história variada trouxe à ilha uma população composta de tribos de partes remotas da Ásia. Entre elas, vieram os malaios, e um dos grandes grupos da população hodierna, os amis, são seus descendentes. No fim do século dezessete veio um influxo de chineses do continente, e Formosa se tornou província do enorme Império da China. Em 1895, Formosa foi cedida ao vitorioso Japão, e então vieram os colonizadores japoneses. Durante os cinqüenta anos de domínio japonês, três gerações foram educadas em japonês, tornando essa língua o único meio de comunicação entre os vários grupos lingüísticos.
Trinta e cinco anos depois do início da rigorosa regência do Japão e de suas atividades educativas, várias pessoas vieram a
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