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Em busca do tesouro mais desejável do AlascaA Sentinela — 1983 | 1.° de julho
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Em busca do tesouro mais desejável do Alasca
O ALASCA é o maior estado dos Estados Unidos, mas é o menos populoso. Seu nome significa “o continente” ou “O País Grande”. A própria menção do nome dá asas à imaginação. Trata-se duma terra de superlativos. Com seus 1.517.733 quilômetros quadrados de terra, consiste em diversas regiões geográficas.
Possui a vasta região setentrional com sua esparsa vida vegetal de arbustos, frutinhas, musgos e liquens. Há elevadas cadeias de montanhas com centenas de vulcões ativos e 51.800 quilômetros quadrados de geleiras. E, finalmente, há a meridional faixa estreita de território, com gigantescas florestas, onde há considerável precipitação pluvial. Ao todo, ostenta 3.000.000 de lagos. É habitado por três grupos étnicos — os esquimós, os índios e os descendentes de europeus.
Esse grande país é literalmente um depósito de riquezas. De início, os primeiros comerciantes buscavam peles valiosas. Depois, homens e indústrias vieram em busca da riqueza do ouro, do peixe e da madeira. E, mais recentemente, o petróleo tem sido o tesouro procurado.
Contudo, há outro tesouro que está sendo procurado no Alasca. Esse tesouro é descrito na Bíblia como as “coisas desejáveis de todas as nações”. (Ageu 2:7) Tais “coisas desejáveis” são pessoas que são ajuntadas para a adoração verdadeira de Deus. A caça ou a busca desse tesouro é efetuada por meio da pregação das boas novas do Reino.
O COMEÇO DA BUSCA
Por volta de 1910, o capitão Beams, duma baleeira, começou a trazer a mensagem do Reino de Deus ao Alasca. Falava a pessoas com quem encontrava e colocava literatura bíblica publicada pela Sociedade Torre de Vigia.
Depois, no fim da década de 20 e durante a década de 30, Frank Day, residente de Seattle, Washington, EUA, fez diversas viagens missionárias a cidades e aldeias longínquas do Alasca. Ele ganhava a vida vendendo óculos. Day, embora tivesse uma perna artificial, praticamente cobriu o Alasca, plantando sementes da verdade da Bíblia e deixando publicações bíblicas. Foram visitadas as comunidades desde Ketchikan até Nome, uma distância de 2.044 quilômetros aéreos.
No fim da década de 30, Karl Liebau levou a mensagem do Reino aos que moravam entre Anchorage, a maior cidade do Alasca, e o porto costeiro de Seward. Anchorage foi fundada em 1915 como base da construção da Ferrovia do Alasca, que se estende de Seward, no Golfo do Alasca, 785 quilômetros para o norte, até a cidade interiorana de Fairbanks. Liebau percorreu a pé 290 quilômetros de Anchorage a Seward e de volta a Anchorage, falando da Palavra de Deus a pessoas que moravam em grupos de casas situados a cada 42 quilômetros ao longo da ferrovia.
Graças aos esforços vigorosos de tais irmãos, lançou-se uma boa base para os formados da escola missionária de Gileade que haviam de vir. Em 1944, chegaram ao Alasca oito missionários, grupo esse composto de seis irmãos solteiros e um casal, para trabalhar em Anchorage, Juneau e Ketchikan.
Com o passar do tempo, eles se espalharam por outras regiões habitadas no interior, ao longo da costa e nas muitas ilhas costeiras. Eles realmente levaram uma vida dura, viajando às vezes de trem, mas muitas vezes o faziam em navios costeiros, ganhando sua passagem por trabalharem como estivadores. Também navegavam embarcações menores, que tomavam emprestadas ou compravam, vivendo muitas vezes perigos no mar.
Abriam seus sacos de dormir onde quer que encontrassem abrigo. Pegaram todo tipo de trabalho de meio período para ajudar a cobrir seus gastos de viagem nesse território esparso. Eles realmente granjearam o respeito das pessoas que não estavam acostumadas a ver ministros religiosos efetuar trabalhos manuais pesados. Deveras, tais missionários de tempo integral contribuíram muito para a expansão da pregação das “boas novas” por todo o Alasca, ajudando assim a estabelecer muitas das congregações existentes naquele estado.
PREGAÇÃO APESAR DO CLIMA RIGOROSO
Não só o relevo no Alasca apresenta condições difíceis de trabalho, mas as condições climáticas também podem ser rigorosas. Certa dona-de-casa, que mora no sudeste do Alasca desde 1948, descreve seu primeiro inverno em Juneau: “O inverno pareceu-me frio, com muita neve. Na maior parte do tempo soprava o vento conhecido como ‘O Taku’. Ele parece soprar em todas as direções ao mesmo tempo. Lembro-me de vê-lo arrancar janelas, e noutra ocasião vi-o derrubar uma senhora idosa na rua. Certa vez, derrubou uma fábrica de conservas de seu estaqueamento e a lançou no Canal Gastineau. Até mesmo apanhou um pequeno avião e o espatifou no canal em frente à nossa casa.”
Em Fairbanks, no interior, as temperaturas podem variar de 38 graus centígrados no verão a 57 graus centígrados negativos no inverno glacial. Foi para esse ambiente que um grupo de cinco casais cristãos, procedentes do sul dos Estados Unidos, se mudou para ajudar na obra de pregação. Nessa ocasião, em 1959, havia apenas dois Salões do Reino no Alasca. Um deles situava-se em Anchorage e o outro, numa pequena construção militar excedente, em Fairbanks. Acontece que uma das Testemunhas recém-chegadas, que então servia como superintendente presidente, era um profissional no ramo de construção. Ele tomou a iniciativa em organizar a construção dum novo Salão do Reino em Fairbanks, com capacidade para 200 pessoas sentadas. Esse prédio foi dedicado em setembro de 1961, apenas nove semanas após o início da construção, e serve até hoje às necessidades de duas congregações.
Esse superintendente participou na construção ou na reforma de pelo menos 11 Salões do Reino e em outros projetos teocráticos de construção no Alasca. Hoje há no território do Alasca 14 modernos Salões do Reino. Também, há um prédio que provê moradia para alguns ministros de tempo integral, e para uma filial que supervisiona as congregações e a pregação no Alasca.
SUPERAR PROBLEMAS DE ISOLAMENTO
Que faria se ficasse separado duma congregação do povo de Jeová durante 14 anos? Foi esse o caso duma esposa e mãe cristã que acompanhou seu marido a um isolado acampamento madeireiro flutuante, em 1954. Situava-se na passagem interna da extremidade sul da ilha Admiralty. Durante todos esses anos, esta Testemunha fiel e suas três filhas jovens realizaram todas as reuniões cristãs que são realizadas normalmente na congregação. Prosseguiram em sua “busca” por transmitir as “boas novas” por meio de cartas e por testemunhar ao visitante ocasional que vinha à sua casa “flutuante”. Muitas pessoas que moravam em cidades remotas por todo o Alasca receberam cartas dessas servas devotadas de Deus, e diversas acataram favoravelmente as cartas recebidas, esforçando-se a obter para si o tesouro da Palavra de Deus.
Hoje, essa mãe mora na cidade mais meridional do Alasca, Ketchikan, e tem podido usufruir o serviço de pregação por tempo integral durante os últimos 12 anos. Todas as três filhas continuam a seguir o proceder fiel de sua mãe. Uma é casada com um ancião em Anchorage e a mais nova serve como membro da família de Betel na Alemanha.
PREGAÇÃO NO EXTREMO NORTE
Resolvidas a levar a obra de pregação a toda aldeia remota do território, as três congregações da região Fairbanks/Pólo Norte fizeram arranjos para usar quatro aeronaves pertencentes a Testemunhas. No período de dois anos, essas congregações contribuíram o equivalente a mais de seis milhões de cruzeiros para cobrir os gastos de operação de tais aeronaves, ao passo que cruzavam as vastas regiões ao norte da cadeia montanhosa do Alasca. Tantos quantos 14 homens participaram em cada viagem no esforço de voar a cada comunidade da região, cobrindo aproximadamente 844.300 quilômetros quadrados. Mais de 200 aldeias e cidades foram visitadas durante os dois breves verões.
Junto à costa ocidental, a população esquimó, na maior parte, acolheu bem as Testemunhas, ansiosa por ouvir a mensagem do Reino. Na aldeia de Shaktoolik, quando um idoso casal esquimó ouviu sobre a promessa da Bíblia a respeito dum “novo sistema”, suplicou com lágrimas nos olhos: “Por favor, orem a Jeová e peçam-lhe que nos deixe viver nessa nova ordem.”
RESULTADOS DA BUSCA
Saberia dizer quantos exploradores do ouro vasculharam as vastas regiões do Alasca, ou quanta terra foi cavada, ou quanta água foi usada para lavar o ouro no meio do cascalho? Não, pode-se apenas conjeturar o esforço feito para adquirir a riqueza material que apenas um número surpreendentemente pequeno de pessoas encontrou. De modo similar, os publicadores das “boas novas” têm feito uma intensa “busca” a fim de encontrar as “coisas desejáveis de todas as nações”. E, algumas vezes, estas têm aparecido em lugares inesperados e com surpreendente pouco esforço. Note a seguinte experiência:
“Meu marido e eu possuíamos licença para explorar uma mina que ficava a 645 quilômetros a oeste do monte Susitna. No início de abril, partimos em viagem para Wisconsin, a fim de visitar minha irmã e seu marido. Visto que tínhamos de aguardar duas horas em Anchorage, fomos visitar minha outra irmã que morava ali. Enquanto estávamos lá, bateram à porta duas Testemunhas de Jeová, fazendo o que chamavam de ‘obra cristã de pregação’. Eu nunca ouvira falar sobre as Testemunhas de Jeová, de modo que escutei o que tinham a dizer. Realmente, tínhamos apenas poucos minutos para conversar, mas gostei do que ouvi e acabei por ficar com as revistas Sentinela e Despertai! e também com o livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna. Esse foi o mais maravilhoso livro que já li! Meu marido já o leu e pensa o mesmo que eu sobre ele.” Eles foram batizados em outubro de 1980.
A busca por aqueles que são desejáveis aos olhos de Deus no Alasca tem sido um trabalho recompensador. O Anuário das Testemunhas de Jeová de 1940 não indica ter havido nenhuma Testemunha de Jeová no Alasca. Por volta de 1970 havia 814 que participavam na obra de pregação. Nos últimos 12 anos o número aumentou em 78 por cento, para 1.451 que participam na obra de pregação. Em abril de 1982, houve 3.570 presentes à Comemoração da morte de Cristo. Deveras, há boas perspectivas de que o recolhimento prossiga aqui, bem como em muitas outras partes do mundo.
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1983 | 1.° de julho
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Perguntas dos Leitores
■ Que significam as palavras de Paulo em 1 Coríntios 14:36: “Foi de vós que procedeu a palavra de Deus, ou atingiu ela só a vós?”
Basicamente, o apóstolo Paulo estava querendo ajudar os coríntios a entender que não deviam instituir novas maneiras de fazer as coisas na congregação. Tal conselho era apropriado, conforme podemos notar daquilo que Paulo escreveu antes disso.
Nos primitivos dias do cristianismo, Deus proveu dons milagrosos do espírito, tais como profetizar e falar em línguas. (1 Coríntios 12:4-11) Alguns, em Corinto, possuíam tais dons, mas usavam-nos dum modo que causava desordem. Por exemplo, falavam em línguas quando não havia ninguém com o dom milagroso da interpretação. Paulo argumentou: “Como é que o homem ocupando o assento da pessoa comum dirá amém’ . . . , visto que não sabe o que estás dizendo?” Os incrédulos presentes poderiam até mesmo pensar que os que falavam em línguas estavam loucos. — 1 Coríntios 14:13-16, 22, 23.
Criava-se também confusão quando vários deles falavam ao mesmo tempo. Paulo exortou: “Se alguém falar numa língua, seja isso limitado a dois ou no máximo três, e por turnos.” De maneira similar, os movidos pelo espírito a profetizar deviam fazer isso de modo limitado, e “um por um”. Isto está em harmonia com Deus ser Deus de paz, não de desordem. — 1 Coríntios 14:27-33.
Parece ter havido também um problema de mulheres falarem nas reuniões. Deve ter sido mais do que apenas responderem a uma pergunta ou contarem uma experiência. Pelo visto, algumas mulheres estavam querendo agir como instrutoras e discutiam com os irmãos nas reuniões. Isto estava em desacordo com o princípio da chefia. — 1 Coríntios 14:34, 35.
Por isso, Paulo escreveu: “O quê? Foi de vós que procedeu a palavra de Deus, ou atingiu ela só a vós?” (1 Coríntios 14:36) Sim, ele exortou os coríntios a se lembrarem que a congregação deles não era a primeira e que a “palavra de Deus” não havia sido proclamada só a eles. Portanto, era errado que tratassem dos assuntos dum modo drasticamente diferente de todas as outras congregações. Não tinham o direito de introduzir inovações alheias à congregação cristã e contrárias aos princípios relativos à paz e a chefia.
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