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Trabalho que revigoraA Sentinela — 1983 | 1.° de fevereiro
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Trabalho que revigora
A PLACA no local da obra, no subúrbio de Dunwoody, em Atlanta, Geórgia, EUA, anunciava a data da construção do Salão do Reino: “23 e 24.” Essa data dupla suscitou o comentário: “Será que não podem decidir se começarão no dia 23 ou no dia 24?” As pessoas simplesmente não entendiam que a placa queria dizer: O Salão do Reino será iniciado no dia 23 e terminado no dia 24. No entanto, aquilo que passou a ser chamado de milagres em dois dias ocorre quase que mensalmente em todas as partes dos Estados Unidos.
Em Dunwoody, bem cedo ao amanhecer o sábado, pilhas de materiais de construção estavam estrategicamente posicionadas sobre a laje de concreto de cerca de 390 metros quadrados, previamente feita. Ben Kelley, que supervisionara a concretagem da laje, salientou que cada item estava precisamente localizado para pronto uso, quando necessitado. “Note as chapas de revestimento”, disse ele. “Estão empilhadas bem no meio de onde será o auditório. Construiremos ao redor e por cima delas, mas, quando chegar o momento, estarão exatamente onde os colocadores precisarão delas.”
Enquanto falava, a cozinha improvisada servia o café da manhã — às 6 horas — para trezentos trabalhadores voluntários.
PAREDES LEVANTADAS EM MINUTOS
O trabalho começou às cinco para as sete. Todos os trabalhadores rodearam o alicerce de concreto como uma só turma unida, todos construtores de paredes. Martelos começaram a ressoar. De barrotes verticais pré-cortados surgiram paredes. Em poucos minutos a Parede Um estava levantada. Depois, a Parede Dois. Em seguida, a Três. E depois, a Quatro. O perímetro inteiro do salão foi levantado em questão de minutos, e seus barrotes, de uns 5x15 centímetros de espessura, foram logo revestidos com painéis de madeira compensada e uma chapa preta insulante. O bater dos martelos passou a diminuir à medida que grupos de trabalhadores deixavam o serviço de levantar paredes para se transformar em turmas menores — eletricistas, marceneiros, encanadores, pedreiros, paisagistas e outros. Cada turma era dirigida por um líder de trabalho, que se comunicava por um walkie-talkie preso à cintura.
A turma de insuladores, formada na maior parte de mulheres, guarnecia as paredes internas com mantas de lã de vidro. Homens de braços fortes lidavam para instalar numa das extremidades as desajeitadas tesouras do telhado. Paredes divisórias emergiam. O vestíbulo, os banheiros, a biblioteca, as salas de literatura, o palco e o próprio grande auditório meio oval — todos tomavam forma. De algum modo as diversas turmas entrecruzavam-se ao realizarem seu trabalho, sem atrapalhar muito o serviço uns dos outros.
“É aqui que vemos o que faz o sistema funcionar”, explicou Stanley Peck. Peck, construtor e ministro das Testemunhas de Jeová, desenvolvera o método com o auxílio de uma equipe de construtores, Testemunhas de Jeová, no Centro-Oeste dos EUA. “Em primeiro lugar”, disse ele, “o sistema tira proveito de termos abundância de ajuda voluntária e suficientes profissionais talentosos e supervisores para utilizar essa ilimitada ajuda”. Mas como consegue coordenar trezentos trabalhadores num só canteiro de obras? “As pessoas sempre nos perguntam isso”, respondeu Peck. “Uma colméia talvez consiga se coordenar. Ou talvez uma colônia de formigas o consiga. Mas gente? Não, a menos que sejam trabalhadores dedicados de Jeová. Verdadeiros profissionais comandam cada turma e cada turma é dirigida por supervisores. É como na congregação cristã, em que Deus equipa alguns com ‘habilidades para dirigir e alguns com habilidades para executar serviços úteis’.” — 1 Coríntios 12:28.
Deve-se acrescentar que construir um salão de reuniões como este, tão rapidamente, não pode ser feito em todo e qualquer lugar. Como se pode ver, precisa-se mais do que mãos dispostas a trabalhar. É preciso ter à disposição profissionais experientes nesse tipo de planejamento, preparação e coordenação para que um prédio assim tome forma. Também se faz necessária a boa cooperação da parte das autoridades públicas e dos fiscais de construção.
“PARECE UM FORMIGUEIRO ATIVO!”
O esqueleto do salão subia tão rapidamente no terreno de cerca de 800 metros quadrados que, no meio da manhã, os surpresos transeuntes começaram a compreender o significado da data de construção de dois dias. Pedreiros construíam andaimes; a turma de apoio aprontava os tijolos e a argamassa. Os carpinteiros e os telhadores fervilhavam em toda volta deles. Os pedreiros se ajeitaram para trabalhar em volta e embaixo deles, e, às vezes, entre as pernas dos que faziam acabamentos nas abas do telhado. No ínterim, os instaladores de ar condicionado passavam os fios no meio de toda aquela gente. Quase cem trabalhadores estavam no telhado, assentando rolos de feltro para cobertura, carregando e posicionando pesadas cargas de telhas.
No solo, um número ainda maior movimentava-se apressadamente por todo o redor. Alguns carregavam materiais de construção para os lugares onde eram necessitados. A turma de construção de cercas estava ocupada. Os paisagistas transformavam o terreno em gramados, com arbustos e canteiros de flores. Grupos de jovens e idosos se movimentavam constantemente pela área, para recolher tudo o que fosse lixo — pregos entortados, embalagens vazias e sobras de madeira serrada. Não se deixava que nada atrapalhasse ou impedisse o avanço do serviço de alguém. E, desde o início, circulava por toda a área um departamento móvel de bar — pares de meninas e de meninos — com lanches e bebidas geladas. Certo observador disse: “Parece um formigueiro ativo!”
O Primeiro Dia é considerado um sucesso se, no fim do dia, os revestidores do teto e das paredes podem começar seu serviço. Esses trabalhadores têm de aguardar a construção e a insulação das paredes e o vigamento do teto. Daí, prolongam o serviço noite adentro, instalando as pesadas chapas de gesso. Essas superfícies precisam ser corrigidas com um preparado de secagem rápida, lixadas e pintadas ou empapeladas antes do meio-dia do Segundo Dia. Nessa hora todo o trabalho é paralisado e a congregação realiza sua primeira reunião no novo Salão do Reino. Em Dunwoody, o carpete ainda não havia sido colocado, de modo que trezentas pessoas sentaram-se no piso de concreto e duzentas outras acomodaram-se do lado de fora do prédio para assistir ao estudo semanal da Sentinela.
“Temos visitantes procedentes de Virgínia e da Flórida”, mencionou Charles Leibensperger, secretário da comissão de construção. “Alguns deles planejam construir salões. Querem ver como isso é feito. Agora que Stan Peck veio e organizou-nos, podemos começar a planejar ajudá-los.” Peck explicou: “Temos um arranjo pelo qual alguém que é experiente examina as plantas deles e os preparos pessoais deles. Depois, fazem-se arranjos para que dois ou mais veteranos no serviço trabalhem junto à comissão de construção deles, para organizar tudo e verificar a lista de materiais de construção; e um ou mais de nós fazem arranjos para estar presentes durante os dois dias de construção.” Ninguém é remunerado por qualquer desses serviços.
Quando terminou o Segundo Dia em Dunwoody, e um grupo em pé do lado de fora olhava o salão onde nada havia no início do dia anterior, uma das Testemunhas de Jeová comentou: “É assim que o espírito de Jeová opera para realizar obras como esta. É simples. Seu povo reage favoravelmente a Seu espírito. Coopera para uma causa comum. Faz tudo, não visando ganho pessoal, mas por amor a seus irmãos e a seu Deus. Não são esses os dois grandes mandamentos de Marcos 12:28-31, de ‘amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua mente, e de toda a tua força’, e de ‘amar o teu próximo como a ti mesmo’?”
[Foto na página 9]
Com uma equipe como esta, pode-se construir um Salão do Reino em dois dias.
(Dizeres na placa: Programa de construção para Salão do Reino das Testemunhas de Jeová, data de construção 23 e 24.)
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Episódios ligados ao Salão do Reino de DunwoodyA Sentinela — 1983 | 1.° de fevereiro
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Episódios ligados ao Salão do Reino de Dunwoody
A CIDADE de Atlanta não poderia ter cooperado mais plenamente. O sr. Gardner, diretor de inspeções, soube do nosso programa, mas seus inspetores não trabalham aos sábados e domingos. Portanto, permitiu que Testemunhas de Jeová profissionais e licenciadas ficassem responsáveis pelas inspeções. Além disso, um arquiteto registrado e licenciado visitou o local periodicamente durante o fim de semana, para verificar que a estrutura mais do que satisfizesse os códigos municipais de obras.
As três emissoras de televisão enviaram suas equipes de filmagem ao local da obra. Um dos repórteres ficou impressionado e permaneceu bom tempo após sua equipe de filmagem ter ido embora, concluindo seu programa do dia 23, dizendo: “Os irmãos e as irmãs estarão de volta amanhã, e nós também.”
Na manhã do dia 24, mais de 160 quilômetros distante de Dunwoody, certa Testemunha fazia visitas de casa em casa. Em seis casas diferentes as pessoas lhe disseram: “Vocês são aqueles de quem a TV está falando; estão construindo um Salão do Reino em apenas dois dias, lá em Atlanta.”
Certo homem de negócios em Atlanta tinha hóspedes em casa naquela semana. Naquele sábado, de manhã cedo, eles passaram pelo local e viram as paredes subindo. Ficaram maravilhados com a atividade, e voltaram cada duas horas naquele dia e no dia seguinte para verificar o progresso. Posteriormente, esse homem de negócios falou sobre o acontecimento nas Filipinas, no México e em muitos dos estados do oeste dos Estados Unidos.
No dia 23, no Departamento de Polícia do Condado de Dekalb, uma tenente foi designada para controlar o trânsito próximo ao Salão do Reino. Seu superior explicou-lhe que uma igreja estava sendo construída ali, mas ela argumentou que não havia nenhuma igreja em construção naquela área. Mesmo insistindo em que seu superior estava enganado, ela foi. Ao chegar lá, parou no meio da rua, interrompendo o trânsito, e exclamou: “Não acredito! Não estava aí ontem!”
Certa Testemunha trabalha de garçom no Perimeter Marriott Hotel, em Atlanta. O gerente do restaurante estava almoçando com os pais que o visitavam, e ele pediu à Testemunha que lhes contasse a respeito da igreja que foi construída em dois dias. Seu pai replicou: “Isso é impossível! Trabalho com construção já por anos e sei que isso é impossível!” Daí, perguntou: “Qual é a sua religião?” Quando se lhe disse que era Testemunha de Jeová, ele observou: “Elas podem fazê-lo!” Ele havia administrado um salão de convenções que as Testemunhas haviam usado, e observara como trabalhavam unidas. “Outra religião qualquer não poderia fazê-lo”, disse ele, “mas as Testemunhas de Jeová sim”.
Inúmeros carros passaram pelo local da obra durante os dois dias, para ver o que estava acontecendo. Muitos pararam para visitar.Houve momentos em que havia até oitocentos vizinhos e transeuntes curiosos no local. Alguns deles comeram junto com os trabalhadores. O departamento de bar serviu três mil e quinhentas refeições grátis durante os dois dias.
Alguns dias após a construção do salão, certo vendedor visitou uma Testemunha. Ele ficara sabendo do salão pelos noticiários da TV e ficara muito impressionado. Fê-lo lembrar “formigas num formigueiro”. A família dele era religiosa, mas ele ficara desiludido com a religião. Daí, disse: “Se um grupo religioso conseguiu trabalhar junto, com tanta eficiência, e construir um prédio num fim de semana, tinha de possuir algo que outras religiões não oferecem.” Mais tarde, ele e um colega assistiram a uma reunião no Salão do Reino.
Certo pai ficou muito transtornado quando a filha tornou-se Testemunha de Jeová e não dava atenção alguma às explicações dela. Mas, agora, sempre está ansioso para conversar a respeito da construção do Salão do Reino de Dunwoody, e disse à filha: “Orgulho-me de que você fez parte disso.”
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