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Os proclamadores do reino de DeusA Sentinela — 1964 | 15 de outubro
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Os Proclamadores do Reino de Deus
POUCO antes de ascender aos céus, Jesus Cristo destacou de modo indelével, na mente de seus discípulos, a sua responsabilidade de dar testemunho a outras pessoas. Êle tornou claro perante êles que pregar o reino de Deus era parte tôda-essencial da verdadeira adoração. “Ao chegar sôbre vós o espírito santo, recebereis poder”, prometeu êle, “e sereis testemunhas de mim tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até à parte mais distante da terra”. — Atos 1:8; Mat. 28:19, 20.
Mas, dar testemunho sôbre o reino de Deus, num mundo inimigo, não seria tarefa fácil. Jesus sabia disso. Êle avisou os seus discípulos de que: “Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós.” (João 15:20) Portanto, como é que os seguidores dêle poderiam suportar esta oposição mundial e ainda assim cuidar corretamente das pessoas semelhantes a ovelhas que aceitariam favoràvelmente a sua pregação? Sòmente poderiam fazer isso se tivessem intenso amor a Deus e àquele a quem Deus designou como senhor das “ovelhas”, Jesus Cristo.
Note como Jesus destacou a parte que o amor desempenha na execução desta pregação. A ocasião foi certa manhã, depois de sua ressurreição. Sete de seus discípulos estavam reunidos na praia do Mar da Galiléia, onde haviam terminado o desjejum. Poucos dias antes, o seu apóstolo, Simão Pedro, negara a Jesus, durante um momento de fraqueza. Assim, diante de todos, o ressuscitado Jesus perguntou: “ ‘Simão, filho de João, amas-me mais do que êstes?’ Êle lhe disse: ‘Sim, Senhor, tu sabes que tenho afeição por ti: Disse-lhe êle: ‘Apascenta meus cordeiros.’ — João 21:15.
Jesus compreendeu que Pedro estava verdadeiramente arrependido, mas êle desejou inculcar nêle e nos outros discípulos a importância de pregarem e de cuidarem das pessoas semelhantes a ovelhas que ouvissem. Portanto, êle perguntou pela segunda vez: ‘Simão, filho de João, amas-me?’ Êle lhe disse: Sim, Senhor, tu sabes que tenho afeição por ti.’ Disse-lhe êle: ‘Pastoreia minhas ovelhinhas.’ — João 21:16.
Como poderia Jesus ter sublinhado de maneira mais forte que era responsabilidade dêles cuidar dos interêsses espirituais de outras pessoas? Realmente, Jesus usava a Pedro como meio de fazer ecoar suas palavras, para inculcar a importância da pregação, não só em seus discípulos ali presentes, mas também em todos os seus seguidores que vivem na atualidade. Será que o leitor ama ao senhor Jesus? Se assim fôr, precisa provar tal coisa por fazer a vontade de seu Pai. “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus”, disse Jesus, “senão aquêle que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus”. — Mat. 7:21.
Jesus não deu margem a dúvidas na mente daqueles discípulos que estavam na praia da Galiléia, naquela manhã, quanto ao que era a vontade de Deus. Era que êles cuidassem das “ovelhas”! Isto significava que precisavam pregar. Assim, para fixar tal coisa na mente dêles, Jesus perguntou a Pedro pela terceira vez: ‘Tens afeição por mim?’ Como pode imaginar, “Pedro ficou contristado por êle lhe dizer pela terceira vez: ‘Tens afeição por mim?’ De modo que lhe disse: ‘Senhor, tu sabes tôdas as coisas; tu te apercebes que eu tenho afeição por ti.’ Jesus disse-lhe: ‘Apascenta as minhas ovelhinhas.’ — João 21:17.
Depois de ler êste relato bíblico, será que há qualquer dúvida na mente do leitor de que Jesus queria que Pedro e que todos os discípulos continuassem a pregar o Reino, coisa que êle havia começado a fazer? Será que não indica, também, que é a sua responsabilidade cristã ajudar as pessoas semelhantes a ovelhas a aprenderem a respeito do reino de Deus? Jesus disse que, pouco antes do fim dêste iníquo sistema de coisas, “estas boas novas do Reino serão pregadas em tôda a terra habitada, em testemunho a tôdas as nações”. (Mat. 24:14) Visto que a evidência indica que vivemos agora no tempo do fim, será que irá participar nesta proclamação do reino de Deus?
HABILITANDO-SE A PARTILHAR
Talvez a sua primeira reação seja de que se sente inapto de explicar a outras pessoas a respeito das “boas novas do reino”. Se assim fôr, tenha coragem! “Não tenha receio”, Jeová conforta, “pois eu estou contigo . . . Eu realmente te ajudarei”. Vez após vez, Deus tem cumprido esta promessa e tem ajudado os seus servos a cumprir suas designações. Êle também o ajudará, mas é preciso que prove o seu desejo de fazer a vontade de Deus, fazendo um esfôrço. — Isa. 41:10.
Portanto, se o seu problema é de que se sente inapto e despreparado para realizar esta pregação do Reino, peça ajuda. Volte-se para Deus, em oração, e peça conhecimento e entendimento. “Persisti em pedir”, disse Jesus, “e dar-se-vos-á”. O inspirado escritor da Bíblia disse que se “persistires em buscá-lo, como se busca a prata, e, como se buscam a tesouros escondidos, persistires em pesquisá-lo, neste caso, entenderás o temor de Jeová, e descobrirás o próprio conhecimento de Deus”. — Mat. 7:7; Pro. 2:4, 5.
Isto significa que, em harmonia com suas orações, procurará adquirir o hábito de estudar a Bíblia, estudando-a com o propósito em mente de ajudar outras pessoas a aprenderem a respeito do reino de Deus. Por conseguinte, ao estudar, fará perguntas a si mesmo: Quando foi que Deus, pela primeira vez, fêz arranjos para o Reino? Que tipo de govêrno é? A quem Deus tem designado como rei de seu reino? Será o Reino celestial ou será terrestre? Quem serão os seus súditos? Quando será que limpará a terra de tôda a iniqüidade? O que se exige para se ganhar a vida sob tal reino?
Para se familiarizar melhor com as respostas a tais perguntas, a maioria das pessoas acham que precisam receber um estudo bíblico domiciliar de alguém que esteja familiarizado com os ensinos da Bíblia a respeito do Reino. Não hesite em solicitar às testemunhas de Jeová que estudem com o leitor, pois elas se sentem felizes de ajudar as pessoas que desejam tornar-se proclamadores do reino de Deus. Não cobram nada por tal serviço. Jesus Cristo recomendou tal consideração da Bíblia, quando disse: “Onde há dois ou três ajuntados em meu nome, ali estou eu no meio dêles.” — Mat. 18:20.
Mas, talvez, já esteja recebendo semanalmente um estudo bíblico das testemunhas de Jeová, e ainda assim não se sente habilitado a pregar. Nesse caso, a coisa a fazer é continuar a estudar a Bíblia em sua casa, porque é apenas um dos passos vitais para equipar-se, com o passar do tempo, a fim de se dirigir às pessoas e falar com elas, assim como Jesus e seus apóstolos fizeram. A Bíblia nos informa que Jesus também gastou muito tempo em instruir os seus apóstolos quanto ao modo de efetuar a pregação, e foi como resultado dêste extensivo programa de treinamento que êles se tornaram habilitados para ir “de casa em casa . . . a declarar as boas novas”. — Atos 5:42; 20:20; Mat. 10:5-11:1; Luc. 8:1.
Além da instrução por meio de um estudo bíblico domiciliar, o leitor poderá também receber treinamento gratuito na Reunião de Serviço e na Escola do Ministério Teocrático, dirigidas semanalmente, talvez em sua própria localidade no Salão do Reino das testemunhas de Jeová. A Reunião de Serviço se destina a dar instruções quanto ao modo de apresentar ao povo a mensagem do Reino, como suscitar o seu interêsse pela Palavra de Deus, e como fazer revisitas e dirigir estudos bíblicos com as pessoas em suas casas. Na Escola do Ministério Teocrático, recebe-se treinamento prático em oratória. Dentro de algumas semanas, cada estudante tem a oportunidade de dar um discurso preparado de seis a sete minutos, perante a congregação, e então, recebe conselho para que melhore, por parte de um ministro habilitado. Se assistir regularmente a essas reuniões, e tomar parte ativa nelas, tornar-se-á bem equipado para partilhar na proclamação do reino de Deus a outras pessoas. E, quando estiver pronto para começar a dar testemunho a outras pessoas, de casa em casa, um ministro maduro trabalhará ao seu lado, a fim de o ajudar a dar os primeiros passos.
Outrossim, a habilidade de explicar as verdades bíblicas não é tudo que é necessário para habilitá-lo a participar na proclamação do Reino. Precisa também ajustar a sua vida aos requisitos bíblicos relativos à moral correta. A Bíblia é bem explícita: “Nem fornicadores, nem idólatras, nem adúlteros, nem homens mantidos para propósitos desnaturais, nem homens que se deitam com homens, nem ladrões, nem gananciosos, nem beberrões, nem injuriadores, nem extorsores herdarão o reino de Deus.” Nem são pessoas dessa espécie bem-vindas para servirem como proclamadores do reino de Deus. A fim de estar habilitada, a pessoa precisa levar uma vida moralmente limpa, em harmonia com os requisitos delineados na Bíblia. — 1 Cor. 6:9, 10.
O QUE ESTÁ ENVOLVIDO
Não conclua que há tanta coisa envolvida para se tornar proclamador do reino de Deus. Mesmo que seja mãe, tendo filhos a cuidar, ou seja um chefe de família com uma família a sustentar, também pode participar em ajudar as pessoas semelhantes a ovelhas a aprenderem a respeito do reino de Deus. Em primeiro lugar, há membros de sua própria família a considerar. (1 Tim. 5:8) Desejará assegurar-se de que êles entendam o que as Escrituras ensinam relativo ao Reino. Foi em virtude de sua instrução básica, recebida de sua avó, Lóide, e de sua mãe, Eunice, que o jovem Timóteo, mencionado na Bíblia, cresceu e se tornou excelente jovem de fé. O seu alvo deve ser o de treinar os seus próprios filhos tão bem como Timóteo foi treinado. — 2 Tim. 1:5; 3:14, 15.
Por ter de cuidar de suas responsabilidades bíblicas, de prover as coisas para os membros de sua própria casa, talvez o leitor pense que seu tempo é muito limitado, não dando para ajudar os de fora de sua própria casa. Isto é compreensível. No entanto, as testemunhas de Jeová que têm responsabilidades familiares, tentam gastar pelo menos dez horas, cada mês, falando com outras pessoas a respeito do reino de Deus, dirigindo estudos bíblicos em seus domicílios, quando isto é possível. Naturalmente, as pessoas que estão em situação de dedicar mais tempo ao ministério, fazem isso, e algumas gastam de 100 a 150 horas, por mês, diretamente no ministério. Cada um deve examinar as suas próprias circunstâncias e então pôr em ordem seus afazeres, de modo a prestar serviço aceitável a Deus. — Rom. 12:1.
Ao passo que a vida centralizada na adoração de Deus é uma vida de muita atividade, é também uma vida muito rica e satisfatória, se tiver o motivo correto de assim servir. Não se sentirá feliz, se o seu propósito fôr simplesmente o de gastar tantas horas, de modo a parecer justo diante de outras pessoas. Mas, se fôr um proclamador do reino de Deus porque ama a Deus e está sinceramente interessado em ajudar as pessoas a ganharem conhecimento que é necessário à salvação delas, quão feliz será! — Mat. 22:37-39.
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1964 | 15 de outubro
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Perguntas dos Leitores
● Por que foi que Moisés omitiu Simeão em sua bênção de despedida (Deu. 33:6-24) das tribos de Israel? — G. S., E. U. A.
Sem dúvida, pode-se entender isto pelo fato de que o quinhão de Simeão foi incluído com o de Judá. Simeão e Levi haviam obrado juntos um ato de crueldade, de modo que Jacó prometeu: “Deixa-me dar-lhes uma porção em Jacó, mas deixa-me espalhá-los em Israel.” (Gên. 49:7) Assim, embora a Simeão e a Levi fôsse, dada uma “porção” em Israel, não era uma porção inquebrável. Se a pessoa olhar um mapa da Palestina, nos dias das doze tribos de Israel, verificará como Simeão está englobado dentro do território de Judá, de modo que Simeão não recebeu um território separado. Portanto, quando Moisés voltou sua atenção para Judá, êle bem sabia que a porção de Simeão estava incluída na de Judá. Josué 19:9 declara: “A herança dos filhos de Simeão se tirou de entre a porção dos filhos de Judá, pois a herança dêstes era demasiadamente grande para êles, pelo que os filhos de Simeão tiveram a sua herança no meio dêles.” (ALA) Não só podia Simeão ser incluído na porção de Judá, mas também a bênção de Moisés foi sôbre tôdas as tribos de Israel, e a tribo de Simeão estava ali reunida e veio a estar sob a bênção geral: ‘Feliz és tu, ó Israel! Quem há semelhante a ti, povo que desfruta a salvação em Jeová?” — Deu. 33:29.
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“A obrigação de todo cristão”A Sentinela — 1964 | 15 de outubro
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“A Obrigação de Todo Cristão”
A Handbook of Christian Theology (Manual de ‘Teologia Cristã) observa o seguinte, quanto aos primitivos cristãos: “No pequeno grupo de Jesus e seus amigos não havia divisão entre clero e leigos . . os discípulos, que talvez daqui pareçam leigos, eram realmente os pregadores . . . Havia líderes, instrutores e oradores especiais, naturalmente. Mas, não fizeram nada mais do que mostrar ou delinear a obrigação de todo cristão.”
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“Hora decisiva”A Sentinela — 1964 | 15 de outubro
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“Hora decisiva”
● Refletindo a realidade de que a Igreja Católica Romana está diminuindo de influência na América do Sul, ao invés de converter todo o mundo da humanidade a Cristo, o Times de Nova Iorque, de 28 de fevereiro de 1964, trouxe êste seguinte item, procedente de Roma: “O Papa Paulo VI fêz um apelo para mais sacerdotes para a América Latina, onde a Igreja Católica Romana está ‘atravessando uma hora decisiva em sua existência’.” Continuando as suas observações, o papa falou “das necessidades, dos perigos” que a igreja confronta na América do Sul, e disse que estas são coisas com que os bispos, a quem êle se dirigia, estavam bem familiarizados.
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