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  • g82 8/8 pp. 21-25
  • “Cinco dias de vida”

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  • “Cinco dias de vida”
  • Despertai! — 1982
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Despertai! — 1982
g82 8/8 pp. 21-25

“Cinco dias de vida”

Lições aprendidas de uma tragédia.

FOI numa tarde de sábado que Wilson Rojas, um operador de equipamento pesado num país da América Central, e seu ajudante entraram num depósito móvel para guardar o equipamento no fim do dia. Wilson estava ansioso de retornar para casa junto de sua esposa Clarissa e sua filha de três anos, Iriabeth.

Mas, por razões ainda desconhecidas, naquele momento uns 200 detonadores, 100 bastões de dinamite, 50 litros de gasolina e três tanques de gás acetileno explodiram numa reação em cadeia. O ajudante de Wilson morreu instantaneamente. Wilson foi lançado fora do depósito através da parede e caiu, inconsciente, a uma distância de uns oito metros.

Assim começou uma dura provação para a família Rojas. Wilson e Clarissa nos contam o que aconteceu.

Clarissa: Por volta das 15,30 horas naquela tarde, minha sogra passou em casa. Ela já havia ouvido sobre a explosão e temia o pior, mas procurou não me assustar muito. Imediatamente telefonei para o hospital, mas tudo o que podiam fazer era confirmar a explosão.

Finalmente, por volta das 16,00 horas, uma pessoa conhecida telefonou do hospital com as notícias chocantes: “O Wilson está gravemente ferido. Neste momento, estão tentando salvar sua vida. Se viver, talvez tenham de amputar-lhe o braço direito e a perna esquerda.”

Quando finalmente me deixaram ver o Wilson, ele estava entre a vida e a morte. Pedaços inteiros de carne haviam sido arrancados na explosão e o que restava estava terrivelmente queimado. O gás acetileno que havia inalado lhe queimara a boca, a garganta e os pulmões. Metade de seu corpo exposto à explosão estava perfurada por centenas de fragmentos de metal. Seu rosto estava irreconhecível. A equipe médica não me deu esperança de que viveria.

Wilson: Desde o momento em que se fechou a porta do depósito não me lembro de nada até eu acordar oito dias mais tarde no hospital. Fiquei terrivelmente desesperado quando soube quão grave era meu estado. Perdi um olho, um ouvido, um braço e uma perna. Não podia comer e só podia conversar murmurando roucamente com muito esforço. Estava sendo mantido vivo com alimentação intravenosa.

Logo depois de ficar consciente, uma enfermeira parou junto ao meu leito e começou rotineiramente a aprontar o equipamento para uma transfusão de sangue. Quando lhe expliquei que não podia aceitar tal tratamento, ela chamou o médico encarregado do meu caso. De início, ele tentou persuadir-me, dizendo: “O único jeito de salvar sua vida é dar uma transfusão de sangue. A sua taxa sangüínea está extremamente baixa.”

Estava ansioso de lhe explicar por que não podia aceitar sangue como forma de tratamento médico. Muitos textos bíblicos me vieram à mente, como o de Atos 15:28, 29, que mostram que os cristãos devem abster-se de sangue.

“Não estou interessado em suas crenças nem no seu modo de pensar”, disse o médico. Ficando mais irado com cada palavra, ele continuou: “Tampouco estou interessado no seu fanatismo e nem nas suas idéias tolas. Não tente falar mais comigo, porque não vai convencer-me. Estou interessado em salvar sua vida. Se recusa uma transfusão de sangue, então suspendo meu tratamento. Abandono o seu caso. Além do mais, vou informar a administração do hospital a respeito de você, o que significa que nenhum outro médico aceitará tampouco cuidar do seu caso.”

Ao virar-se ele para sair, fiz esforço para ser ouvido: “Mas, doutor, espere um minuto. Ouvi falar de um tratamento especial com substâncias de ferro que fortalecem o sangue. Outro médico recomendou isso para mim. Não poderia isso me ajudar?”

“Aqui se faz o que nós, médicos, dizemos, não o que o paciente diz”, replicou ele. “De qualquer forma, você só tem mais cinco dias de vida. Que me importa se você não quer ser salvo? Se quer morrer como um fanático, isso é com você!” Com isso, ele se voltou e saiu.

Clarissa: O caso do Wilson estava tão crítico que ele teve de ser transferido a um dos maiores e mais bem equipados hospitais da capital. Suas queimaduras haviam começado a sarar lentamente; ele estava então consciente e conseguira sobreviver por oito dias depois do acidente. Portanto, achei que talvez houvesse esperança. Entretanto, logo depois que entrei na enfermaria no oitavo dia, uma enfermeira me chamou à parte. Três médicos e a enfermeira-chefe queriam falar comigo.

“Sra. Rojas, temos um problema. Seu marido precisa urgentemente de uma transfusão de sangue, pois perdeu muito sangue. A taxa de glóbulos vermelhos dele está muito baixa. Entretanto, ele recusa aceitar sangue. Naturalmente, sabemos que, como moribundo, é provável que ele não se dê conta do que está dizendo. Portanto, desejaríamos que autorizasse uma transfusão de sangue.”

Senti um calafrio, mas pude responder imediatamente. “Não posso autorizar um tratamento que meu marido não permite, porque respeito a posição dele. Nossa posição não se baseia no fanatismo cego, mas, antes, no estudo da Bíblia.”

Mas o médico encarregado do caso bateu com o punho na mesa e declarou: “É inútil continuar a discutir sobre isso. Deixem que morra, se isso é o que ambos querem. Ele não morreu na explosão, mas morrerá de qualquer forma por perda de sangue. Ele tem cinco dias de vida, não mais.” Depois disso, saiu da sala. O outro médico olhou para mim e disse: “O único motivo por que não estamos enviando seu marido para casa é que ele é um refugo humano, em estado grave demais para ser removido.”

Ao sair da sala senti-me humilhada. Mas o que me deixou mais triste era que não me permitiram explicar por que, como Testemunhas de Jeová, somos tão firmes na nossa resolução de evitar usar sangue em tratamento médico. Além do mais, não se fez nenhuma menção de um tratamento alternativo, nem me permitiram sugerir nenhum. Tudo parecia tão desesperador. Não havia nada a fazer senão esperar a morte do Wilson, no prazo de cinco dias.

Depois de eu assinar o formulário isentando o hospital de toda responsabilidade no caso do Wilson, foi suspenso todo o tratamento, exceto os curativos rotineiros. Ele foi transferido para um leito bem afastado, num canto. Quando compreendeu o que acontecera, chamou-me para junto dele para que pudesse ouvi-lo. Numa voz que mal se ouvia, ele me disse: “Não estou interessado em salvar minha vida para este sistema de coisas. É difícil pensar em deixar você e Iriabeth sozinhas, mas temos a esperança da ressurreição e nós nos veremos na Nova Ordem.” Ambos oramos em silêncio.

Wilson: Parece que todos sabiam que eu era o paciente que não quis aceitar sangue e a quem se dera apenas cinco dias de vida.

Lembro-me muito bem de uma jovem enfermeira que gastou mais de uma hora tentando convencer-me de que todos desejavam no íntimo o melhor para mim. Ela disse: “Com apenas um pouco de sangue pode salvar-se. Se quiser, posso voltar por volta da meia-noite com a transfusão quando todos estão dormindo. Ninguém jamais saberá que tomou sangue. O que acha? Posso trazer?”

“Está perdendo seu tempo, porque não vou aceitar.”

“Bem, pense bem cuidadosamente, pois vai morrer aqui mesmo. Voltarei amanhã.”

No dia seguinte, dois médicos amistosos pararam junto de meu leito como que por acaso. Depois de falarem de coisas de modo geral, perguntaram-me a respeito de minha crença sobre transfusão de sangue. Embora mal pudesse falar, consegui mostrar-lhes o conceito de Deus sobre o sangue.

“A melhor coisa que pode fazer é esquecer essas idéias tolas”, replicaram. “O sangue lhe dará vida. Olhe, nosso lema é ‘Dar vida’, e garantidos que o sangue que lhe dermos não o prejudicará.”

Foi até mesmo mais difícil a súplica emocional feita por Eduardo, o paciente do leito ao meu lado. Ao passar o terceiro dos cinco dias, Eduardo implorou: “Você só tem mais dois dias e vejo que vai realmente morrer!”

“Deus nos deu a esperança da ressurreição, Eduardo. Se eu tenho de morrer para sustentar os princípios de Deus, terei orgulho de fazer isso.”

Os momentos mais difíceis para mim foram talvez as longas noites de dores e de insônia. De certo modo, a dor intensa me ajudou. Tinha tanta dor que não conseguia concentrar-me em pensamentos mórbidos sobre morte ou comiseração de mim mesmo. Sozinho, e confrontado com o fato de que ninguém realmente achava que eu viveria, aprendi a confiar em Jeová Deus como nunca antes. Minhas orações se tornaram cada vez mais compridas, eram a bem dizer “conversações” com Deus. Eu me sentia cada dia mais perto dele. Isto, e unicamente isto, era o que me sustentava emocional, espiritual e até mesmo fisicamente.

Clarissa: Aquele temido quinto dia chegou e passou, e o Wilson se sentia um pouquinho melhor do que antes. Visto que todo tratamento hospitalar havia sido suspenso, eu e minha família havíamos começado o nosso próprio. Nós o alimentamos com alimentos que continham muita proteína e administramos o tratamento para fortalecer o sangue que um médico havia recomendado antes para o Wilson. Lenta, bem lentamente, depois mais rápido, ele começou a melhorar. Logo se tornou óbvio a todos que o Wilson simplesmente não ia morrer!

Logo um novo médico passou a tratar o caso dele. Pediu um exame de sangue. Ao ver o resultado, pediu imediatamente um segundo exame. Ele disse que deve ter havido algum engano no laboratório. Contudo, o segundo exame indicava os mesmos resultados. O médico estava surpreso de ver como havia melhorado a taxa de glóbulos vermelhos no sangue do Wilson. Ele disse: “Naturalmente, seu sistema de vida — não tendo maus hábitos nem tensões nocivas — ajuda a explicar tão rápida melhora, mas só parcialmente. De fato, não sei dar uma explicação cabal.”

Wilson: Embora minha recuperação rápida impressionasse a todos, uma súbita mudança obscureceu o quadro. Minha perna esquerda ferida começou a doer terrivelmente. Ao tirarem o gesso, descobriu-se que se formara uma gangrena, devido a um coágulo sangüíneo no joelho. Foi chamado um especialista. Depois de me examinar, ele concluiu que o coágulo havia estado ali já por algum tempo, sem dúvida devido ao acidente. Ele disse que a qualquer momento poderia liberar-se e pôr fim à minha vida em questão de segundos. Entretanto, havia uma possibilidade de ser dissolvido o coágulo por meio de medicamentos. Do contrário, minha perna teria de ser amputada.

O tratamento com o medicamento dissolveu o coágulo, e de novo eu estava fora de perigo. Um dia o especialista veio junto ao meu leito e se sentou. Ele falou sobre minha rápida recuperação das queimaduras e das infecções, e então do coágulo sangüíneo. Ele perguntou, pensei que fosse só por curiosidade, por que é que eu não havia aceitado uma transfusão de sangue algumas semanas antes. Expliquei a razão e ainda lembro vividamente suas palavras: “O motivo por que o coágulo sangüíneo não se liberou e não o matou foi o pouco volume de seu sangue e o fato de este ser fino. Se você tivesse aceitado uma transfusão, estaria agora provavelmente morto. Meus parabéns.”

Mais tarde, quando contei para minha esposa o que o especialista havia dito, choramos e agradecemos juntos a Jeová. Convenceu-nos de que a obediência a Deus é sempre o melhor proceder. No meu caso, salvou literalmente minha vida!

Três meses depois do acidente, pude deixar o hospital. Aguardavam-me meses de terapia e tratamento no ambulatório, mas o pior havia passado.

Minha recuperação continuou a desafiar todas as predições. Pensava-se que eu nunca conseguiria deixar de usar cadeira de rodas. Mas pensei que pelo menos talvez pudesse caminhar com muletas.

Clarissa: Ele simplesmente não desistia. Não consigo lembrar quantas vezes eu tive de ajudá-lo a levantar-se do chão. Mas, finalmente, ele conseguiu caminhar relativamente bem com muletas. Ainda assim, ele não estava satisfeito. Queria usar só uma bengala. Bem, depois de mais outras quedas, conseguiu também isso. Lembro-me de que uma Testemunha queria dar-lhe uma linda bengala de madeira de lei, mas o Wilson não quis aceitar. Ele disse que logo não a necessitaria. Para a surpresa de todos, ele não a necessitou! Já se passaram mais de três anos agora desde o acidente. O Wilson consegue fazer muito mais do que jamais se esperava.

Wilson: Logo que pude caminhar um pouco, voltei ao hospital para visitar meus amigos na enfermaria. A maioria deles ainda estava lá e se alegrou muito com minha recuperação. Ao passar pelo corredor, encontrei o médico que havia predito que eu viveria só cinco dias. “Olá, doutor”, disse eu.

“Eu o conheço?” perguntou ele, com surpresa no rosto.

“Sou o paciente que só tinha cinco dias de vida.”

Ele não pôde esconder sua surpresa. “Oh! parece estar bem. Hum, parece que engordou bastante. E, ah, foi realmente bom que se recuperou tão rápido.” Daí, ele se foi apressadamente.

Muitos outros médicos, enfermeiros e atendentes me reconheceram. Todos pareciam estar contentes de me ver. Tenho a certeza de que todos eles, mesmo os que haviam tentado convencer-me a tomar sangue, estavam interessados em me ver vivo. Eles também estavam sob pressão.

Uma coisa é ler experiências sobre os que recusam transfusões de sangue em face da morte. Mas é realmente outra coisa passar por tal experiência. Quando se diz a alguém que ele tem cinco dias de vida, e ele pensa na família que o espera em casa, as conseqüências da decisão se tornam bem claras. Quão gratos ficamos eu e a Clarissa por termos estudado bem a Bíblia e por termos aprofundado nosso conhecimento de Deus de antemão. E como aprendemos a prezar nossos irmãos cristãos! As visitas deles foram muito encorajadoras. Acima de tudo, aprendemos a apreciar o dom da oração. Não cessamos de agradecer a Jeová que nos deu a força para perseverar quando mais a necessitamos. — Contribuído.

[Destaque na página 22]

“Não estou interessado em suas crenças nem no seu modo de pensar”, disse o médico

[Destaque na página 23]

“Tinha tanta dor que não conseguia concentrar-me em pensamentos mórbidos sobre morte ou comiseração de mim mesmo.”

[Destaque na página 23]

Aprendi a confiar em Jeová Deus como nunca antes.”

[Destaque na página 24]

“Logo se tornou óbvio a todos que o Wilson simplesmente não ia morrer!”

[Destaque na página 24]

O especialista disse: “Se você tivesse aceitado uma transfusão, estaria agora provavelmente morto. Meus parabéns.”

[Destaque na página 24]

“Quão gratos ficamos eu e a Clarissa por termos estudado bem a Bíblia e por termos aprofundado nosso conhecimento de Deus de antemão.”

[Foto na página 23]

”Você só tem mais cinco dias de vida”, disse o médico.

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