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‘Seja meu seguidor’ — o que Jesus quis dizer com isso?‘Venha Ser Meu Seguidor’
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que as pessoas em geral gostariam de ter e até invejam: juventude, riqueza e poder. O relato bíblico diz que ele era “jovem”, “muito rico” e era “um dos líderes”. (Mateus 19:20; Lucas 18:18, 23) Mas havia algo a respeito daquele homem que era ainda mais importante. Ele tinha ouvido falar sobre o Grande Instrutor, Jesus, e gostou do que tinha ouvido.
4 A maioria dos governantes daquela época não dava a Jesus o respeito que ele merecia. (João 7:48; 12:42) Mas aquele governante era diferente. A Bíblia nos diz: “Quando [Jesus] estava saindo, um homem chegou correndo, pôs-se de joelhos diante dele e lhe perguntou: ‘Bom Instrutor, o que devo fazer para herdar a vida eterna?’” (Marcos 10:17) Note que aquele homem queria muito falar com Jesus, pois foi correndo ao encontro dele na frente de todos, como faziam as pessoas pobres e humildes. Além disso, ele respeitosamente se ajoelhou diante de Cristo. Portanto, até certo ponto ele era humilde e reconhecia que tinha necessidades espirituais. Jesus dava valor a essas qualidades. (Mateus 5:3; 18:4) Assim, não é de admirar que ‘Jesus tenha olhado para ele e sentido amor por ele’. (Marcos 10:21) O que Jesus respondeu àquele jovem?
O melhor convite de todos
5. Qual foi a resposta de Jesus ao jovem rico, e como sabemos que o problema não era o fato de ele ser rico? (Veja também a nota.)
5 Jesus mostrou que seu Pai já tinha dado informações a respeito de como ganhar a vida eterna. Jesus chamou a atenção para as Escrituras, e o jovem disse que obedecia fielmente à Lei mosaica. Mas, com muita perspicácia, Jesus viu além do óbvio. (João 2:25) Ele notou que aquele governante tinha um problema espiritual — um problema grave. Por isso, disse: “Falta uma coisa a seu respeito.” O que estava faltando? Jesus continuou: “Vá, venda o que você tem e dê o dinheiro aos pobres.” (Marcos 10:21) Será que Jesus queria dizer que a pessoa precisa ser pobre para servir a Deus? Não.a Ele estava ensinando algo muito mais importante.
6. Qual foi o convite de Jesus, e o que a reação do jovem líder rico revelou sobre seu coração?
6 Para deixar claro o que faltava àquele jovem, Jesus lhe ofereceu uma oportunidade de ouro: “Venha ser meu seguidor.” Imagine — o Filho do Deus Altíssimo convidou pessoalmente aquele homem a segui-lo! Jesus também prometeu a ele uma recompensa inimaginável. Ele disse: “Você terá um tesouro no céu.” Será que o jovem governante rico agarrou aquela oportunidade, aceitou aquele convite excelente? O relato continua: “Ele ficou triste com a resposta e foi embora abatido, porque tinha muitas posses.” (Marcos 10:21, 22) Assim, a resposta inesperada de Jesus revelou um problema no coração daquele homem. Ele era apegado demais aos seus bens e sem dúvida gostava do poder e do prestígio que esses bens lhe davam. Infelizmente, ele amava muito mais essas coisas do que a Cristo. O que estava faltando, portanto, era o amor abnegado e de todo o coração por Jesus e por Jeová. Por não ter esse amor, aquele jovem recusou o melhor convite da sua vida. Mas o que isso tem a ver com você?
7. Como sabemos que o convite de Jesus é para todos nós?
7 O convite de Jesus não se limitou àquele homem; nem apenas a algumas pessoas. Jesus disse: “Se alguém quer ser meu seguidor, . . . siga-me sempre.” (Lucas 9:23) Note que qualquer pessoa pode seguir a Cristo se realmente ‘quiser’. Deus atrai os sinceros ao seu Filho. (João 6:44) A oportunidade de aceitar o convite de Jesus não é dada apenas aos ricos, aos pobres, aos de determinada raça ou nação nem apenas aos que viveram naquela época, mas a todos. Assim, as palavras de Jesus “venha ser meu seguidor” realmente são dirigidas a você. Mas por que seguir a Cristo? O que está envolvido nisso?
Por que ser seguidor de Cristo?
8. Que necessidade todos os humanos têm, e por quê?
8 Temos de reconhecer uma verdade: precisamos muito de boa liderança. Nem todos os humanos admitem ter essa necessidade; contudo, ela realmente existe. Jeremias, profeta de Jeová, foi inspirado a registrar a seguinte verdade imutável: “Bem sei, ó Jeová, que o caminho do homem não pertence a ele. Não cabe ao homem nem mesmo dirigir os seus passos.” (Jeremias 10:23) Os humanos não têm a capacidade nem o direito de governar a si mesmos. De fato, a história humana tem sido marcada por má liderança. (Eclesiastes 8:9) Nos dias de Jesus, os líderes oprimiam, maltratavam e enganavam as pessoas. Jesus percebeu que as pessoas comuns eram como “ovelhas sem pastor”. (Marcos 6:34) O mesmo ocorre hoje em dia. Individual e coletivamente, precisamos de uma liderança que possamos respeitar e na qual possamos confiar. Jesus satisfaz essa necessidade? Sim, veja por quê.
9. O que faz de Jesus um líder diferente de todos os outros?
9 Primeiro, Jesus foi escolhido por Jeová Deus. A maioria dos líderes humanos imperfeitos são escolhidos por cidadãos também imperfeitos, que geralmente se enganam e acabam fazendo escolhas equivocadas. Jesus é um líder diferente, conforme mostra seu próprio título. A palavra “Cristo”, assim como a palavra “Messias”, significa “Ungido”. E de fato, Jesus foi ungido, ou especialmente designado para o seu cargo sagrado, por nenhum outro senão o Soberano Senhor do Universo. Jeová Deus disse a respeito de seu Filho: “Vejam o meu servo a quem escolhi, meu amado, a quem aprovo! Porei sobre ele o meu espírito.” (Mateus 12:18) Ninguém melhor do que o nosso Criador para saber o tipo de líder que precisamos. A sabedoria de Jeová é infinita, por isso, temos bons motivos para confiar em sua escolha. — Provérbios 3:5, 6.
10. Por que Jesus é o melhor exemplo para os humanos seguirem?
10 Segundo, Jesus estabeleceu um exemplo perfeito e inspirador para nós. Os melhores líderes têm qualidades que seus seguidores podem admirar e imitar. Eles lideram pelo exemplo, motivando outros a se tornarem pessoas melhores. Que qualidades você mais respeitaria num líder? Coragem? Sabedoria? Compaixão? Que dizer de perseverança ao enfrentar dificuldades? Ao estudar os relatos sobre a vida de Jesus na Terra, verá que ele tinha essas qualidades — e muito mais. Sendo um reflexo perfeito de seu Pai celestial, Jesus possuía todas as qualidades divinas em pleno grau. Ele foi tudo que um ser humano perfeito poderia ser. De modo que, em tudo o que fez, em cada palavra que falou e em cada sentimento que demonstrou, encontramos algo que merece ser imitado. A Bíblia diz que Jesus estabeleceu ‘um modelo para seguirmos fielmente os seus passos’. — 1 Pedro 2:21.
11. Como Jesus provou ser “o bom pastor”?
11 Terceiro, Cristo realmente foi “o bom pastor”, conforme descreveu a si mesmo. (João 10:14) As pessoas nos tempos bíblicos podiam entender facilmente essa comparação. Os pastores trabalhavam muito para cuidar das suas ovelhas. Um “bom pastor” estava disposto a pôr a segurança e o bem-estar do rebanho à frente dos seus. Por exemplo, Davi, um ancestral de Jesus, era pastor quando jovem. Mais de uma vez ele arriscou a vida para proteger suas ovelhas de animais selvagens ferozes. (1 Samuel 17:34-36) Jesus foi ainda mais longe em favor de seus seguidores. Deu a vida por eles. (João 10:15) Quantos líderes estão dispostos a se sacrificar assim?
12, 13. (a) Em que sentido o pastor conhece suas ovelhas, e como elas o conhecem? (b) Por que você deseja a liderança do Bom Pastor?
12 Jesus foi “o bom pastor” também em outro sentido. Ele disse: “Conheço as minhas ovelhas, e as minhas ovelhas me conhecem.” (João 10:14) Pense no belo cenário descrito por Jesus. Um observador casual talvez não veja nenhuma diferença entre as muitas ovelhas de um rebanho. O pastor, porém, conhece cada uma delas individualmente. Ele sabe quais as fêmeas que em breve precisarão de sua ajuda quando forem dar cria, que cordeirinhos ainda precisam ser carregados por serem muito pequenos e fracos para andar longas distâncias, e que ovelhas adoeceram ou se machucaram recentemente. As ovelhas também conhecem seu pastor. Elas reconhecem sua voz e não a confundem com a de nenhum outro pastor. Quando percebem um tom de perigo ou urgência em sua voz, elas reagem de imediato. Elas o seguem para onde quer que ele vá. E ele sabe exatamente para onde conduzi-las. Sabe também onde o pasto está verde, onde há riachos de água fresca e cristalina e onde há pastagens seguras. Sob os olhares do pastor, as ovelhas se sentem seguras. — Salmo 23.
13 Não é esse o tipo de liderança que você deseja? Foi exatamente assim que o Bom Pastor sempre tratou seus seguidores. Ele promete ajudar você a ter uma vida feliz e gratificante tanto agora como num futuro eterno. (João 10:10, 11; Apocalipse 7:16, 17) Sendo assim, precisamos saber em detalhes o que está envolvido em seguir a Cristo.
O que significa ser seguidor de Cristo
14, 15. Para ser seguidor de Cristo, por que não basta afirmar ser cristão ou amar a Jesus?
14 Centenas de milhões de pessoas hoje acreditam ter aceitado o convite de Cristo. Afinal, até mesmo optaram por ser identificadas como cristãs. Pode ser que elas pertençam à igreja em que seus pais as batizaram. Outros talvez afirmem amar a Jesus e o aceitam como seu Salvador. Mas será que isso os torna seguidores de Cristo? Era isso que Jesus tinha em mente quando nos convidou a segui-lo? Há muito mais envolvido.
15 Veja, por exemplo, o mundo da cristandade — as nações cuja maioria dos cidadãos afirma seguir a Cristo. Será que a cristandade pratica os ensinamentos de Jesus Cristo? Ou o que vemos nessas nações é ódio, opressão, crimes e injustiça, não muito diferente do que se vê no resto do mundo?
16, 17. O que em geral falta aos que se dizem cristãos, e o que distingue os verdadeiros seguidores de Cristo?
16 Jesus disse que seus seguidores verdadeiros seriam conhecidos não apenas pelas palavras ou pelo título que adotassem, mas principalmente pelas suas ações. Por exemplo, ele disse: “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que fizer a vontade do meu Pai, que está nos céus.” (Mateus 7:21) Por que tantas pessoas que afirmam que Jesus é seu Senhor não fazem a vontade de seu Pai? Lembre-se do jovem líder rico. Em geral “falta uma coisa” aos que se dizem cristãos: o amor de toda a alma por Jesus e por Aquele que o enviou.
17 Como isso é possível? Não é verdade que muitos que se identificam como cristãos afirmam também amar a Cristo? Sem dúvida. Mas amar a Jesus e a Jeová envolve muito mais do que palavras. Jesus disse: “Se alguém me amar, obedecerá à minha palavra.” (João 14:23) E falando novamente como um pastor, ele disse: “Minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” (João 10:27) Não são necessariamente as nossas palavras ou o que sentimos por Cristo que provam o nosso amor por ele, mas principalmente as nossas ações.
18, 19. (a) Aprender sobre Jesus terá que efeito sobre nós? (b) Qual é o objetivo deste livro, e como ele ajudará os que há muito tempo se consideram seguidores de Cristo?
18 Mas nossas ações não são fruto do acaso. Elas refletem a pessoa que somos no íntimo. É a isso que precisamos dar atenção. Jesus disse: “Isto significa vida eterna: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo.” (João 17:3) Assimilar conhecimento exato sobre Jesus e meditar no que aprendemos terá bom efeito sobre nosso coração. Nosso amor por Jesus e o desejo de segui-lo diariamente aumentarão cada vez mais.
19 Assim, chegamos ao objetivo deste livro: ele foi preparado não para contar em detalhes como foi a vida e o ministério de Jesus, mas para nos ajudar a entender melhor como ser seu seguidor.b Este livro também nos ajudará a fazer uma autoanálise com o auxílio das Escrituras e nos perguntar: ‘Estou realmente seguindo a Jesus?’ (Tiago 1:23-25) Talvez você já se considere há muito tempo uma ovelha guiada pelo Bom Pastor. Mas não concorda que sempre podemos melhorar em alguns aspectos? A Bíblia nos aconselha: “Persistam em examinar se estão na fé; persistam em pôr à prova o que vocês mesmos são.” (2 Coríntios 13:5) Vale a pena fazer todo esforço para continuarmos a ser guiados pelo nosso amoroso Bom Pastor, Jesus, que foi escolhido pelo próprio Jeová para nos liderar.
20. O que vamos considerar no próximo capítulo?
20 Que o estudo deste livro contribua para aumentar seu amor por Jesus e por Jeová. Ao passo que for guiado por esse amor, você sentirá a maior paz e o maior contentamento possíveis neste velho mundo e viverá para louvar eternamente a Jeová por nos ter providenciado o Bom Pastor. É claro que o estudo sobre Cristo precisa ser baseado no conhecimento exato. Por isso, é apropriado considerarmos o papel de Jesus no propósito de Jeová para suas criaturas. Veremos isso no Capítulo 2.
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“O caminho, a verdade e a vida”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO DOIS
“O caminho, a verdade e a vida”
‘Seja meu seguidor’
1, 2. Por que seria impossível nos achegar a Jeová sem ajuda, e o que Jesus Cristo faz por nós nesse sentido?
JÁ SE perdeu alguma vez? Talvez se lembre de quando viajou para visitar um amigo ou um parente, mas não conseguiu encontrar o endereço. Enquanto procurava, parou para pedir informações? Com certeza teria ficado aliviado se, em vez de apenas indicar o caminho, uma pessoa bondosa lhe dissesse: “Siga-me. Vou levá-lo até lá.”
2 De certo modo, é isso que Jesus faz por nós. Sem ajuda, seria impossível nos achegar a Deus. Por causa do pecado herdado e da imperfeição, a humanidade está perdida, ‘apartada da vida que pertence a Deus’. (Efésios 4:17, 18) Precisamos de ajuda para encontrar o caminho certo. Jesus, nosso bondoso Exemplo, faz mais do que apenas dar conselhos e indicar o caminho. Como vimos no Capítulo 1, ele nos convida, dizendo: “Venha ser meu seguidor.” (Marcos 10:21) Ele também nos dá um bom motivo para aceitar seu convite. Certa ocasião, ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6) Vamos analisar por que só é possível nos aproximar do Pai por meio do Filho. Depois, com isso em mente, vamos considerar como Jesus de fato é “o caminho, a verdade e a vida”.
Papel vital no propósito de Jeová
3. Por que Jesus é o meio para nos achegarmos a Deus?
3 Em primeiro lugar, Jesus é o meio para nos achegarmos a Deus porque Jeová achou apropriado dar a seu Filho o papel mais importante de todos.a O Pai fez dele a figura central na realização dos Seus propósitos. (2 Coríntios 1:20; Colossenses 1:18-20) Para entendermos o papel vital do Filho, precisamos analisar o que aconteceu no jardim do Éden, onde o primeiro casal humano se juntou a Satanás em rebelião contra Jeová. — Gênesis 2:16, 17; 3:1-6.
4. A rebelião no Éden levantou que questão, e o que Jeová decidiu fazer para resolvê-la?
4 A rebelião no Éden levantou uma questão que afetou todas as criaturas de Deus: será que aquele que leva o nome Jeová é realmente santo, bom, justo e amoroso em todos os seus caminhos? Para resolver essa questão fundamental, Jeová decidiu que um filho espiritual perfeito teria de vir à Terra. A missão desse filho não poderia ser mais importante — dar a vida para santificar o nome de seu Pai e servir como resgate para a salvação da humanidade. Por permanecer fiel até a morte, esse filho escolhido tornaria possível resolver todos os problemas que surgiram com a rebelião de Satanás. (Hebreus 2:14, 15; 1 João 3:8) Mas Jeová tinha muitos milhões de filhos espirituais perfeitos. (Daniel 7:9, 10) Quem ele escolheu para essa tarefa tão importante? Jeová escolheu o seu “Filho unigênito”, que mais tarde veio a ser conhecido como Jesus Cristo. — João 3:16.
5, 6. Como Jeová demonstrou que confiava no seu Filho, e em que se baseava essa confiança?
5 Devíamos nos surpreender com a escolha de Jeová? De modo algum! O Pai confiava plenamente em seu Filho unigênito. Séculos antes de o Filho vir à Terra, Jeová predisse que ele permaneceria leal apesar de enfrentar todo tipo de sofrimento. (Isaías 53:3-7, 10-12; Atos 8:32-35) Pense no que estava envolvido em Jeová predizer isso. O Filho, como todas as outras criaturas inteligentes, tinha livre-arbítrio, a capacidade de escolher o que fazer. Mas Jeová tinha tanta confiança nele que predisse que ele manteria a fidelidade. Em que se baseava essa confiança? Em conhecimento. Jeová conhece intimamente seu Filho e sabe que ele deseja muito agradá-lo. (João 8:29; 14:31) O Filho ama o Pai que, por sua vez, ama o Filho. (João 3:35) O amor que o Pai e o Filho sentem um pelo outro cria entre eles um vínculo inquebrantável de união e confiança. — Colossenses 3:14.
6 Em vista da importância do papel do Filho, da confiança que o Pai tem nele e do amor que os une, é de admirar que se achegar a Deus só seja possível por meio de Jesus? Mas há ainda outro motivo pelo qual apenas o Filho pode nos conduzir ao Pai.
Só o Filho conhece plenamente o Pai
7, 8. Por que Jesus podia dizer com toda razão que ninguém conhece plenamente o Pai “exceto o Filho”?
7 Precisamos satisfazer algumas exigências para nos achegarmos a Jeová. (Salmo 15:1-5) Quem além do Filho sabe exatamente o que é necessário para satisfazer os requisitos de Deus e agradá-lo? Jesus disse: “Tudo me foi entregue por meu Pai. E ninguém conhece plenamente o Filho, exceto o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, exceto o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo.” (Mateus 11:27) Vejamos por que Jesus tinha razão ao dizer, sem exageros, que ninguém conhece plenamente o Pai “exceto o Filho”.
8 Como “o primogênito de toda a criação”, Jesus tem um relacionamento especial com Jeová. (Colossenses 1:15) Imagine a intimidade que se desenvolveu entre o Pai e o Filho durante as incontáveis eras em que existiam apenas os dois — dos primórdios da criação até outras criaturas espirituais virem à existência. (João 1:3; Colossenses 1:16, 17) Pense na valiosa oportunidade que o Filho teve ao lado do Pai de assimilar os pensamentos Dele e entender Sua vontade, Suas normas e Seu modo de agir. De fato, não é exagero dizer que Jesus conhece seu Pai melhor do que qualquer outro. Essa intimidade certamente habilitou Jesus a refletir seu Pai como nenhuma outra criatura.
9, 10. (a) De que modo Jesus refletiu seu Pai? (b) Para agradarmos a Jeová, o que precisamos fazer?
9 Os ensinos de Jesus deixaram claro que ele conhece a fundo os pensamentos e os sentimentos de Jeová e sabe exatamente o que Ele requer de seus adoradores.b Mas Jesus refletiu seu Pai de outro modo importante. Jesus disse: “Quem me vê, vê também o Pai.” (João 14:9) Jesus imitou perfeitamente seu Pai em tudo o que disse e fez. Assim, quando lemos sobre Jesus na Bíblia — suas palavras tocantes e cativantes ao ensinar, a compaixão que o motivou a curar outros e a empatia que o fez chorar — podemos muito bem imaginar Jeová dizendo e fazendo exatamente o mesmo. (Mateus 7:28, 29; Marcos 1:40-42; João 11:32-36) As palavras e as ações do Filho refletem perfeitamente os modos de agir e a vontade do Pai. (João 5:19; 8:28; 12:49, 50) Portanto, para agradarmos a Jeová, precisamos acatar os ensinamentos de Jesus e seguir seu exemplo. — João 14:23.
10 Visto que Jesus conhece intimamente a Jeová e o imita de modo perfeito, não é de admirar que Jeová tenha determinado que seu Filho seja o meio para nos achegarmos ao Pai. Agora que entendemos por que podemos nos achegar a Jeová somente por meio de Jesus, vamos analisar o que significam as suas palavras: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” — João 14:6.
“Eu sou o caminho”
11. (a) Por que só podemos entrar num relacionamento com Deus por meio de Jesus? (b) Como as palavras registradas em João 14:6 deixam claro a exclusividade do papel de Jesus? (Veja a nota.)
11 Já vimos que é impossível nos achegarmos a Deus a não ser por meio de Jesus. Considere mais especificamente o que isso significa. Jesus é “o caminho” no sentido de que é só por meio dele que podemos entrar num relacionamento com Deus. Como assim? Por ser fiel até a morte, Jesus sacrificou sua vida como resgate. (Mateus 20:28) Sem essa provisão de resgate, seria impossível termos acesso a Deus. O pecado cria uma barreira entre os humanos e Deus porque Jeová é santo e, portanto, nunca poderia aceitar o pecado. (Isaías 6:3; 59:2) Mas o sacrifício de Jesus removeu essa barreira; ele forneceu o que era necessário para cobrir, ou expiar, o pecado. (Hebreus 10:12; 1 João 1:7) Se aceitarmos a provisão de Deus por meio de Cristo e tivermos fé nela, poderemos ser aprovados por Jeová. Simplesmente não há outro modo de sermos “reconciliados com Deus”.c — Romanos 5:6-11.
12. Em que sentidos Jesus é “o caminho”?
12 Jesus é “o caminho” no que diz respeito às orações. É apenas por meio dele que podemos nos dirigir a Jeová em oração com a garantia de que nossos pedidos sinceros serão ouvidos favoravelmente. (1 João 5:13, 14) O próprio Jesus disse: “Se pedirem ao Pai qualquer coisa em meu nome, ele a dará a vocês. . . . Peçam e receberão, para que a sua alegria seja completa.” (João 16:23, 24) Por meio do nome de Jesus é correto orarmos a Deus e chamá-Lo de “Pai nosso”. (Mateus 6:9) Jesus é “o caminho” em ainda outro sentido — pelo seu exemplo. Conforme já mencionado, ele imitou perfeitamente seu Pai. Assim, seu exemplo nos mostra como viver de um modo que agrada a Jeová. Para nos achegarmos a Jeová, portanto, precisamos andar nas pisadas de Jesus. — 1 Pedro 2:21.
“Eu sou . . . a verdade”
13, 14. (a) Como Jesus foi verdadeiro em tudo o que disse? (b) O que Jesus teve de fazer para ser “a verdade”, e por quê?
13 Jesus sempre falou a verdade a respeito da palavra profética de seu Pai. (João 8:40, 45, 46) Nunca saiu algo enganoso de sua boca. (1 Pedro 2:22) Até mesmo seus opositores admitiram que ele ensinava “o caminho de Deus em harmonia com a verdade”. (Marcos 12:13, 14) No entanto, quando Jesus disse “eu sou . . . a verdade”, não estava apenas dizendo que tornava a verdade conhecida ao falar, pregar e ensinar. Muito mais do que palavras estava envolvido.
14 Lembre-se de que com séculos de antecedência Jeová inspirou os escritores bíblicos a registrar muitas profecias sobre o Messias, ou Cristo. Essas profecias predisseram detalhes sobre sua vida, seu ministério e sua morte. Além disso, a Lei mosaica continha sombras, ou modelos proféticos, que se aplicavam ao Messias. (Hebreus 10:1) Será que Jesus seria fiel até a morte, cumprindo assim tudo o que tinha sido profetizado sobre ele? Só então ficaria provado que Jeová é o Deus de profecias verdadeiras. Jesus tinha essa enorme responsabilidade sobre seus ombros. Pelo modo como viveu — cada palavra que disse e cada ação que realizou — ele fez com que os modelos proféticos se tornassem realidade. (2 Coríntios 1:20) Desse modo, Jesus era “a verdade”. Era como se a verdade da palavra profética de Jeová viesse à existência na pessoa de Jesus. — João 1:17; Colossenses 2:16, 17.
“Eu sou . . . a vida”
15. O que significa exercer fé no Filho, e fazer isso pode resultar em quê?
15 Jesus é “a vida” no sentido de que apenas por meio dele podemos receber a vida — quer dizer, a “verdadeira vida”. (1 Timóteo 6:19) A Bíblia diz: “Quem exerce fé no Filho tem vida eterna; quem desobedece ao Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele.” (João 3:36) O que significa exercer fé no Filho de Deus? Significa que estamos convencidos de que não podemos ganhar a vida eterna sem ele. Mais do que isso, significa que demonstramos nossa fé por meio de obras, que continuamos a aprender de Jesus e que fazemos o nosso melhor para seguir seus ensinamentos e seu exemplo. (Tiago 2:26) Assim, exercer fé no Filho de Deus resulta em vida eterna — vida espiritual imortal no céu para um “pequeno rebanho” de cristãos ungidos pelo espírito, e vida humana perfeita num paraíso terrestre para “uma grande multidão” de “outras ovelhas”. — Lucas 12:32; 23:43; Apocalipse 7:9-17; João 10:16.
16, 17. (a) Como Jesus vai mostrar ser “a vida” até mesmo para os que já morreram? (b) Que confiança podemos ter?
16 Mas que dizer dos que já morreram? Para eles, Jesus também é “a vida”. Pouco antes de ressuscitar seu amigo Lázaro, Jesus disse a Marta, irmã de Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem exercer fé em mim, ainda que morra, voltará a viver.” (João 11:25) Jeová confiou ao seu Filho “as chaves da morte e da Sepultura”; portanto, foi dado a ele poder para ressuscitar pessoas. (Apocalipse 1:17, 18) Com essas chaves, o glorificado Jesus destrancará os portões da sepultura comum da humanidade e libertará todos os que estão presos nela. — João 5:28, 29.
17 “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” — com essa declaração simples, Jesus resumiu o objetivo de sua vida e de seu ministério na Terra. Essas palavras têm muito significado para nós hoje. Lembre-se de que Jesus acrescentou: “Ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6) Essas palavras de Jesus são tão importantes hoje quanto eram na ocasião em que ele as proferiu. Portanto, podemos ter total confiança de que, se seguirmos a Jesus, nunca nos perderemos. Apenas ele nos mostrará o caminho para chegar “ao Pai”.
Você vai aceitar o convite?
18. O que envolve ser verdadeiro seguidor de Jesus?
18 Em vista do papel vital de Jesus e do conhecimento profundo que ele tem do Pai, temos bons motivos para seguir o Filho. Conforme vimos no capítulo anterior, ser verdadeiro seguidor de Jesus envolve ações, não apenas palavras ou sentimentos. Seguir a Cristo envolve moldarmos nossa vida segundo seus ensinamentos e seu exemplo. (João 13:15) Este livro pode ajudar você a fazer isso.
19, 20. O que este livro contém a fim de ajudar você a seguir a Cristo?
19 Nos próximos capítulos, faremos um estudo profundo da vida e do ministério de Jesus. Os capítulos estão divididos em três seções. Na primeira vamos ter uma visão geral de suas qualidades e modos de agir. Na segunda vamos analisar seu exemplo de zelo ao pregar e ensinar. E na terceira vamos considerar como ele demonstrou amor. A partir do Capítulo 3, há um quadro intitulado “Como Ser Seguidor de Jesus?”. Esses quadros, com textos e perguntas, foram preparados para nos ajudar a meditar em como podemos imitar a Jesus em palavras e ações.
20 Graças à ajuda de Jeová Deus, você não precisa ficar perdido, apartado dele por causa do pecado herdado. Apesar de ter sido muito difícil para si mesmo, Jeová enviou seu Filho para nos mostrar que caminho seguir a fim de termos um relacionamento com Deus. (1 João 4:9, 10) Que você se sinta encorajado, sim, motivado, a corresponder a esse grande amor por aceitar o convite de Jesus: “Seja meu seguidor.” — João 1:43.
a O papel do Filho é tão importante que ele recebe vários títulos e nomes proféticos na Bíblia. — Veja o quadro “Alguns títulos aplicados a Jesus Cristo”.
b Veja, por exemplo, as palavras de Jesus em Mateus 10:29-31; 18:12-14, 21-35; 22:36-40.
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‘Sou humilde de coração’‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO TRÊS
‘Sou humilde de coração’
“Veja! Seu rei está vindo a você”
1-3. Descreva a entrada de Jesus em Jerusalém; e por que alguns dos observadores talvez tenham ficado surpresos?
JERUSALÉM está agitada. Alguém muito importante está chegando! As pessoas se ajuntam ao longo da estrada que dá acesso à cidade, pois estão ansiosas para receber o homem que, segundo dizem, é descendente do Rei Davi e tem o direito de ser o governante de Israel. Muitos trazem folhas de palmeiras para lhe dar boas-vindas; outros espalham roupas e ramos de árvores na estrada para facilitar a sua passagem. (Mateus 21:7, 8; João 12:12, 13) Muitos provavelmente estão imaginando como será sua entrada na cidade.
2 Alguns talvez esperem ver algo muito impressionante. Com certeza já ouviram falar de pessoas importantes que se apresentaram com muita pompa. Por exemplo, Absalão, filho de Davi, tinha 50 homens correndo à frente de seu carro quando se proclamou rei. (2 Samuel 15:1, 10) O governador romano Júlio César quis mais destaque ainda; em certa ocasião, liderou uma procissão triunfal até o capitólio romano acompanhado por 40 elefantes que portavam lâmpadas. Mas agora o povo de Jerusalém espera um homem muito mais importante. Quem está chegando na cidade é o Messias, o maior homem que já viveu na Terra, embora nem todos talvez entendam plenamente o que isso significa. Quando avistam esse futuro rei, porém, alguns ficam surpresos.
3 Não há nenhum carro, nem corredores, nem cavalos — muito menos elefantes. Em vez disso, Jesus vem montado num simples animal de carga, um jumento.a Nem ele nem o animal estão adornados. Não há uma sela cara no jumento, mas sim roupas que alguns dos seguidores mais achegados de Jesus puseram sobre o animal. Por que Jesus entrou em Jerusalém de modo tão humilde, quando homens muito inferiores a ele fizeram questão de muita pompa e cerimônia?
4. O que a Bíblia predisse sobre o modo como o Rei messiânico entraria em Jerusalém?
4 Jesus está cumprindo uma profecia: “Alegre-se muito . . . Veja! Seu rei está vindo a você. Ele é justo e traz salvação, é humilde e vem montado num jumento.” (Zacarias 9:9) Essa profecia indicava que o Ungido de Deus, o Messias, um dia se apresentaria ao povo de Jerusalém como Rei divinamente designado. Indicava também que até mesmo o modo de ele fazer isso, incluindo o animal em que estaria montado, revelaria uma bela qualidade de coração: a humildade.
5. Por que a humildade de Jesus é comovente, e por que é importante aprendermos a imitá-lo nesse respeito?
5 A humildade de Jesus está entre as suas qualidades mais atraentes; é uma qualidade comovente. Conforme vimos no capítulo anterior, apenas Jesus é “o caminho, a verdade e a vida”. (João 14:6) Sem dúvida, ninguém entre os bilhões de humanos que já viveram na Terra foi tão importante quanto o Filho de Deus. Apesar disso Jesus nunca mostrou nenhum sinal do orgulho, da arrogância e do convencimento demonstrados por muitos humanos imperfeitos. Para sermos seguidores de Cristo, precisamos combater a tendência para o orgulho. (Tiago 4:6) Lembre-se de que Jeová odeia a arrogância. Por isso, é importante aprendermos a imitar a humildade de Jesus.
Um longo histórico de humildade
6. O que é humildade, e como Jeová sabia que o Messias seria humilde?
6 Humildade é despretensão, ausência de arrogância ou de orgulho. É uma qualidade que se origina no coração e que fica evidente na conversa da pessoa, em sua conduta e no modo como trata os outros. Como Jeová sabia que o Messias seria humilde? Ele sabia que seu Filho refletia seu próprio exemplo de humildade. (João 10:15) Também já tinha visto a humildade do Filho em ação. Como?
7-9. (a) Como Miguel demonstrou humildade em sua disputa com Satanás? (b) Como os cristãos podem imitar Miguel em demonstrar humildade?
7 O livro bíblico de Judas dá um ótimo exemplo: “Quando Miguel, o arcanjo, teve um desacordo com o Diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir um julgamento contra ele com insultos, mas disse: ‘Jeová o censure.’” (Judas 9) Miguel é outro nome de Jesus — antes e depois de sua vida na Terra — na posição de arcanjo, ou comandante do exército de anjos de Jeová.b (1 Tessalonicenses 4:16) Mas note como Miguel agiu nessa disputa com Satanás.
8 O relato de Judas não diz o que Satanás queria fazer com o corpo de Moisés, mas podemos ter certeza de que suas intenções não eram boas. Talvez ele quisesse usar os restos mortais daquele homem fiel para promover a adoração falsa. Miguel frustrou a trama perversa de Satanás, mas também demonstrou notável autocontrole. Aquele anjo mau certamente merecia ser censurado, mas Miguel, que na época ainda não tinha recebido toda a autoridade para julgar, reconheceu que apenas Jeová Deus podia julgar Satanás. (João 5:22) Como arcanjo, Miguel tinha muita autoridade. Mesmo assim, ele humildemente se submeteu a Jeová em vez de tentar se apoderar de mais autoridade. Além de humildade ele demonstrou modéstia, ou seja, reconheceu suas limitações.
9 Judas foi inspirado a escrever sobre esse incidente por um motivo: infelizmente, alguns cristãos na época de Judas não eram humildes. Eles arrogantemente ‘falavam mal de tudo que na verdade não entendiam’. (Judas 10) Para nós, humanos imperfeitos, é muito fácil ser vencidos pelo orgulho. Como agimos quando não entendemos algo que é feito na congregação, talvez envolvendo alguma decisão do corpo de anciãos? Se começarmos a falar de modo negativo, crítico, apesar de não ser possível saber de todos os fatos envolvidos nas decisões, não estaremos demonstrando falta de humildade? Em vez de agir assim, imitemos Miguel, ou seja, Jesus, não julgando assuntos que Deus não nos deu autoridade para julgar.
10, 11. (a) O que é notável na disposição do Filho de Deus de vir à Terra? (b) Como podemos imitar a humildade de Jesus?
10 O Filho de Deus também mostrou humildade por aceitar a designação de vir à Terra. Considere o que ele teve de deixar para trás. Ele era o arcanjo. Além disso, ele também era “a Palavra” — o Porta-Voz do próprio Jeová. (João 1:1-3) Ele morava no céu, a ‘elevada, santa e gloriosa morada’ de Jeová. (Isaías 63:15) Apesar disso, o Filho “abriu mão de tudo que tinha, assumiu a forma de escravo e se tornou humano”. (Filipenses 2:7) Pense no que estava envolvido nessa designação aqui na Terra. Sua vida foi transferida para o ventre de uma virgem judia onde se desenvolveu durante nove meses. Ele nasceu como um bebê indefeso na família pobre de um carpinteiro, foi criança e adolescente. Embora fosse perfeito, continuou sujeito aos seus pais humanos imperfeitos durante toda a juventude. (Lucas 2:40, 51, 52) Quanta humildade!
11 Será que podemos imitar a humildade de Jesus por estar dispostos a aceitar designações de serviço que às vezes parecem humildes? Por exemplo, nossa designação de pregar as boas novas do Reino de Deus pode parecer humilde quando encontramos pessoas apáticas, hostis ou que nos ridicularizam. (Mateus 28:19, 20) Mas, se perseverarmos nessa obra, poderemos ajudar a salvar vidas. De qualquer modo, aprenderemos muito sobre a humildade e seguiremos os passos do nosso Mestre, Jesus Cristo.
A humildade de Jesus como homem
12-14. (a) Como Jesus mostrava humildade quando as pessoas o elogiavam? (b) De que modo Jesus tratou outros com humildade? (c) O que mostra que a humildade de Jesus não era apenas uma questão de formalidade ou boas maneiras?
12 Do começo ao fim do seu ministério, Jesus foi conhecido pela sua humildade. Ele demonstrou que era humilde ao dirigir todo louvor e glória a seu Pai. As pessoas às vezes elogiavam Jesus pela sua sabedoria, pelo seu poder de realizar milagres e pela sua bondade. Mas ele sempre direcionou a glória para o seu Pai. — Marcos 10:17, 18; João 7:15, 16.
13 Jesus também mostrou humildade no modo como tratou as pessoas. Ele deixou claro que não tinha vindo à Terra para ser servido, mas para servir. (Mateus 20:28) Demonstrou humildade ao tratar as pessoas de modo bondoso e razoável. Quando seus seguidores o decepcionavam, ele não os repreendia duramente; ele continuava tentando tocar o coração deles. (Mateus 26:39-41) Quando as multidões não o deixavam descansar nem ter tranquilidade e privacidade, ele não as mandava embora, mas continuava a dar de si, ensinando a elas “muitas coisas”. (Marcos 6:30-34) Quando uma mulher não israelita implorou que Jesus curasse sua filha, de início parecia que ele não queria fazer isso. Mas não se recusou de modo irado a realizar a cura; ele cedeu diante da notável fé daquela mulher, conforme veremos no Capítulo 14. — Mateus 15:22-28.
14 De incontáveis modos, Jesus realmente viveu segundo o que disse a respeito de si mesmo: “Sou de temperamento brando e humilde de coração.” (Mateus 11:29) Sua humildade não era superficial, uma simples questão de formalidade ou boas maneiras. Vinha do coração, do íntimo. Portanto, não é de admirar que Jesus tenha dado muita importância a ensinar seus seguidores a ser humildes.
Lições de humildade a seus seguidores
15, 16. Jesus mencionou que contraste entre a atitude dos governantes do mundo e a atitude que seus seguidores precisavam cultivar?
15 Levou tempo para os apóstolos de Jesus cultivar humildade. Ele tentou tocar o coração deles vez após vez. Por exemplo, certa ocasião, Tiago e João pediram por meio de sua mãe que Jesus lhes garantisse posições de destaque no Reino de Deus. Modestamente, Jesus respondeu: “Sentar-se à minha direita e à minha esquerda não cabe a mim conceder; esses lugares pertencem àqueles para quem o meu Pai os preparou.” Os outros dez apóstolos “ficaram indignados” com Tiago e João. (Mateus 20:20-24) Como Jesus lidou com o problema?
16 Ele bondosamente censurou a todos, dizendo: “Vocês sabem que os governantes das nações dominam sobre elas e que os grandes homens exercem autoridade sobre elas. Não deve ser assim entre vocês; mas quem quiser se tornar grande entre vocês tem de ser o seu servo, e quem quiser ser o primeiro entre vocês tem de ser o seu escravo.” (Mateus 20:25-27) Os apóstolos provavelmente já tinham percebido como “os governantes das nações” podiam ser orgulhosos, ambiciosos e egoístas. Jesus mostrou que seus seguidores deviam ser diferentes daqueles tiranos sedentos de poder; precisavam ser humildes. Será que os apóstolos aprenderam a lição?
17-19. (a) Na véspera de sua morte, de que modo notável Jesus ensinou a humildade a seus apóstolos? (b) Qual foi a maior lição de humildade ensinada por Jesus quando esteve na Terra?
17 Não foi fácil para os apóstolos de Jesus. Aquela não foi a primeira nem a última vez que Jesus lhes ensinou a lição de humildade. Antes daquela ocasião, eles já tinham discutido sobre quem era o maior. Jesus havia colocado uma criança no meio deles e lhes disse que fossem como as crianças, que, diferentemente de muitos adultos, em geral não têm orgulho, ambição nem se preocupam com posição. (Mateus 18:1-4) Apesar disso, até mesmo na noite antes de morrer Jesus percebeu que seus apóstolos ainda lutavam contra o orgulho. Assim, ensinou a eles uma lição inesquecível. Cingiu-se com uma toalha e realizou a mais humilde de todas as tarefas, uma tarefa que normalmente era atribuída aos servos da casa: lavar os pés dos convidados de seu amo. Jesus lavou os pés de cada um dos apóstolos — incluindo Judas, que estava para traí-lo! — João 13:1-11.
18 Jesus deixou bem claro o ponto em questão quando lhes disse: “Estabeleci o modelo para vocês.” (João 13:15) Será que essa lição finalmente os sensibilizou? Bem, mais tarde naquela mesma noite, eles discutiram de novo sobre quem era o maior! (Lucas 22:24-27) Ainda assim, Jesus continuou sendo paciente com eles e lhes ensinou humildemente. Depois, deu a mais importante de todas as lições: “Ele se humilhou e se tornou obediente a ponto de enfrentar a morte, sim, morte numa estaca.” (Filipenses 2:8) Jesus voluntariamente se sujeitou a uma morte humilhante, tendo sido condenado de modo injusto como criminoso e blasfemador. Desse modo, o Filho de Deus se mostrou incomparável, pois foi o único, dentre todos os seres criados por Jeová, que demonstrou humildade de modo perfeito e no mais alto grau.
19 Talvez essa última lição de humildade ensinada por Jesus quando esteve na Terra tenha sido a que tocou definitivamente o coração dos seus apóstolos fiéis. A Bíblia nos diz que eles continuaram trabalhando humildemente por anos, até mesmo por décadas. Que dizer de nós?
Você seguirá o modelo estabelecido por Jesus?
20. Como podemos saber se somos humildes de coração?
20 Paulo aconselha a cada um de nós: “Mantenham a mesma atitude que Cristo Jesus teve.” (Filipenses 2:5) Precisamos ser humildes de coração assim como Jesus. Como podemos saber se somos humildes no íntimo? Paulo nos lembra que não devemos ‘fazer nada por rivalidade nem por presunção; mas, com humildade, considerar os outros superiores a nós’. (Filipenses 2:3) A chave, portanto, está no modo como encaramos os outros em relação a nós mesmos. Precisamos vê-los como superiores e mais importantes do que nós. Você vai pôr em prática esse conselho?
21, 22. (a) Por que os superintendentes cristãos precisam ser humildes? (b) Como podemos mostrar que estamos revestidos de humildade?
21 Muitos anos após a morte de Jesus, o apóstolo Pedro ainda tinha em mente a importância da humildade. Ele ensinou os superintendentes cristãos a cuidar de seus deveres de modo humilde, nunca dominando sobre as ovelhas de Jeová. (1 Pedro 5:2, 3) Responsabilidade não é desculpa para orgulho. Ao contrário, responsabilidades exigem ainda mais humildade genuína. (Lucas 12:48) É claro que essa qualidade é fundamental não apenas para os superintendentes, mas para todos os cristãos.
22 Certamente Pedro nunca mais esqueceu aquela noite em que Jesus lavou seus pés, embora o próprio apóstolo de início não quisesse deixá-lo fazer isso. (João 13:6-10) Pedro escreveu aos cristãos: “Todos vocês, porém, revistam-se de humildade uns para com os outros.” (1 Pedro 5:5) A expressão “revistam-se” sugere a ação de um servo que colocava um avental para cuidar de tarefas humildes. A frase nos faz lembrar da ocasião em que Jesus amarrou na cintura uma toalha e depois se ajoelhou para lavar os pés dos apóstolos. Se seguirmos a Jesus, será que poderemos considerar alguma designação dada por Deus como estando abaixo de nossa dignidade? Nossa humildade de coração deve ser evidente a todos, como se estivéssemos revestidos dela.
23, 24. (a) Por que temos de resistir a qualquer tendência para o orgulho? (b) O próximo capítulo nos ajudará a corrigir que conceito errado sobre a humildade?
23 O orgulho é como veneno. Seus efeitos podem ser muito ruins. É uma qualidade que pode fazer com que o humano mais talentoso se torne inútil para Deus. A humildade, por outro lado, pode tornar muito útil para Jeová até mesmo a pessoa mais simples. Se cultivarmos diariamente essa qualidade preciosa por nos esforçarmos em seguir os passos de Cristo com humildade, teremos uma recompensa maravilhosa. Pedro escreveu: “Humilhem-se sob a mão poderosa de Deus, para que ele os enalteça no tempo devido.” (1 Pedro 5:6) Jeová sem dúvida exaltou Jesus por ter demonstrado humildade de modo tão pleno. Da mesma forma, Deus terá prazer em recompensar você por sua humildade.
24 Infelizmente, alguns acham que a humildade é sinal de fraqueza. O exemplo de Jesus mostra que isso é um grande engano, pois o mais humilde de todos os homens era também o mais corajoso. Vamos considerar isso no próximo capítulo.
a Comentando essa ocasião, uma obra de referência diz que o jumento “é uma criatura humilde” e acrescenta: “Trata-se de um animal de tração costumeiramente usado pelos pobres; é lento, teimoso e não é muito elegante.”
b Para mais provas de que Miguel é Jesus, veja o artigo “Quem é o arcanjo Miguel?” na seção “Perguntas Bíblicas Respondidas” do site oficial das Testemunhas de Jeová, jw.org.
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“Veja! O Leão da tribo de JudᔑVenha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO QUATRO
“Veja! O Leão da tribo de Judá”
“Sou eu”
1-3. Que perigo ameaça Jesus, e como ele reage?
UMA turba de soldados e homens armados com espadas e cassetetes está à procura de Jesus. Como que guiados por um único objetivo perverso, eles percorrem as ruas escuras de Jerusalém e atravessam o vale do Cédron em direção ao monte das Oliveiras. Apesar de ser noite de lua cheia, carregam tochas e lampiões. Será que é porque há nuvens encobrindo a luz da Lua? Ou será que eles acham que a pessoa a quem procuram está escondida na escuridão? Uma coisa é certa: quem acha que Jesus ficará com medo sabe muito pouco sobre ele.
2 Jesus sabe do perigo que se aproxima. Apesar disso ele não foge, mas fica esperando. A turba se aproxima, liderada por Judas, um anterior amigo em quem Jesus confiava. Judas trai Jesus descaradamente, identificando aquele que havia sido seu mestre com um cumprimento hipócrita e um beijo. Ainda assim, Jesus não perde a compostura. Ele dá um passo à frente diante da turba e pergunta: “Quem vocês estão procurando?” Eles respondem: “Jesus, o Nazareno.”
3 A maioria das pessoas ficaria aterrorizada diante de uma turba armada como essa. Talvez seja isso o que a multidão espera de Jesus. Mas ele não recua, não foge nem inventa alguma mentira para escapar. Ele simplesmente diz: “Sou eu.” Jesus faz isso de modo tão calmo, tão corajoso, que os homens ficam perplexos. Eles recuam cambaleantes e caem no chão! — João 18:1-6; Mateus 26:45-50; Marcos 14:41-46.
4-6. (a) O Filho de Deus é comparado a quê, e por quê? (b) De que três modos Jesus demonstrou coragem?
4 Como Jesus conseguiu enfrentar aquela situação perigosa com tanto autocontrole e serenidade? A resposta se resume numa palavra: coragem. Poucas qualidades são tão admiradas ou tão necessárias num líder quanto a coragem; e nenhum homem jamais se igualou a Jesus, muito menos o superou nesse sentido. No capítulo anterior aprendemos como Jesus foi humilde e manso. Por isso, ele podia apropriadamente ser chamado de “Cordeiro”. (João 1:29) A coragem de Jesus, no entanto, merece uma descrição bem diferente. A Bíblia diz a respeito do Filho de Deus: “Veja! O Leão da tribo de Judá.” — Apocalipse 5:5.
5 O leão é muitas vezes relacionado com coragem. Já esteve frente a frente com um leão? Se já, é bem provável que estivesse separado dele pelas grades de uma jaula num zoológico. Mesmo assim, isso causa um certo medo. Ao encarar bem nos olhos esse animal enorme e forte, e vê-lo olhando para você, é difícil imaginá-lo fugindo de medo de alguma coisa. A Bíblia fala sobre “o leão, que é o mais valente dos animais e não recua diante de ninguém”. (Provérbios 30:30) A coragem de Cristo é assim.
6 Vamos analisar três modos como Jesus demonstrou coragem semelhante à do leão: por defender a verdade, apoiar a justiça e enfrentar oposição. Vamos ver também que todos nós podemos imitar a Jesus em demonstrar coragem — quer sejamos corajosos por natureza, quer não.
Ele defendeu corajosamente a verdade
7-9. (a) O que aconteceu quando Jesus tinha 12 anos, e por que você acharia aquela situação intimidadora? (b) Como Jesus demonstrou coragem ao lidar com os instrutores no templo?
7 Num mundo governado por Satanás, “o pai da mentira”, muitas vezes é necessário coragem para defender a verdade. (João 8:44; 14:30) Jesus não esperou ficar adulto para fazer isso. Quando tinha 12 anos, ele se separou de seus pais na Páscoa em Jerusalém. Maria e José o procuraram desesperadamente por três dias. Por fim o encontraram no templo. O que ele fazia ali? Estava “sentado no meio dos instrutores, escutando-os e fazendo-lhes perguntas”. (Lucas 2:41-50) Pense naquele cenário.
8 Historiadores dizem que alguns dos mais destacados líderes religiosos costumavam permanecer no templo depois das festividades e ensinar em um dos espaçosos pórticos que havia ali. As pessoas se sentavam à sua volta para escutá-los e fazer perguntas. Aqueles instrutores eram homens cultos. Conheciam profundamente a Lei mosaica e as complexas e intermináveis leis e tradições humanas que surgiram ao longo dos anos. Como você se sentiria se estivesse ali entre eles? Intimidado? Isso seria de esperar. E se você tivesse apenas 12 anos? Muitos jovens são tímidos. (Jeremias 1:6) Alguns tentam de todo jeito não atrair a atenção dos professores; também têm medo de ser chamados para responder a uma pergunta, de se tornar o centro das atenções, de se atrapalhar e de sofrer zombarias.
9 Mas Jesus estava entre aqueles homens instruídos, corajosamente lhes fazendo perguntas profundas. E ele fez mais do que isso. O relato nos conta: “Todos os que o escutavam ficavam admirados com o seu entendimento e suas respostas.” (Lucas 2:47) A Bíblia não relata o que Jesus disse naquela ocasião, mas podemos ter certeza de que suas respostas não incluíram as falsidades tão defendidas por aqueles instrutores religiosos. (1 Pedro 2:22) Ele defendeu a verdade da Palavra de Deus, e as pessoas que o ouviram com certeza ficaram surpresas de ver um menino de 12 anos se expressar com tanto conhecimento e coragem.
Muitos jovens cristãos falam corajosamente de suas crenças a outros
10. Como os jovens cristãos atualmente imitam a coragem de Jesus?
10 Atualmente, muitos jovens cristãos seguem os passos de Jesus. É verdade que eles não são perfeitos como Jesus era. Mas, assim como ele, esses jovens não esperam ficar adultos para defender a verdade. Na escola e na vizinhança, respeitosamente fazem perguntas às pessoas, escutam as respostas e lhes transmitem a verdade. (1 Pedro 3:15) Esses jovens ajudam colegas de classe, professores e vizinhos a se tornar seguidores de Cristo. A coragem deles agrada muito a Jeová. A Bíblia compara jovens assim a gotas de orvalho — refrescantes, agradáveis e abundantes. — Salmo 110:3.
11, 12. Como Jesus demonstrou coragem em defender a verdade quando adulto?
11 Quando adulto, vez após vez Jesus demonstrou coragem em defender a verdade. Já no início de seu ministério, houve um confronto que muitos achariam aterrorizante. Como simples humano, e não como poderoso arcanjo, Jesus teve de enfrentar Satanás, o mais forte e perigoso inimigo de Jeová. Jesus não cedeu à tentação de Satanás e refutou a aplicação errada que ele fez das Escrituras inspiradas. Ele pôs fim ao confronto ordenando corajosamente: “Vá embora, Satanás!” — Mateus 4:2-11.
12 Jesus estabeleceu assim o modelo para o seu ministério, defendendo corajosamente a Palavra de seu Pai contra tentativas de distorcê-la ou aplicá-la de modo errado. Naquele tempo, como hoje, esse tipo de desonestidade religiosa era muito comum. Jesus disse aos líderes religiosos de seus dias: “Vocês invalidam a palavra de Deus pela tradição que transmitiram.” (Marcos 7:13) Aqueles homens eram muito respeitados pelas pessoas em geral, mas Jesus corajosamente os denunciou como guias cegos e hipócritas.a (Mateus 23:13, 16) Nesse sentido, como podemos imitar a coragem de Jesus?
13. De que devemos nos lembrar ao imitar a Jesus, e, ainda assim, que privilégio temos?
13 Com certeza sabemos que não temos capacidade de ler corações nem autoridade para julgar assim como Jesus. Mas podemos imitar o modo corajoso como ele defendeu a verdade. Por exemplo, quando expomos as falsidades religiosas — mentiras muitas vezes ensinadas sobre Deus, seus propósitos e sua Palavra — lançamos luz sobre este mundo, que está em escuridão por causa da propaganda de Satanás. (Mateus 5:14; Apocalipse 12:9, 10) Ajudamos a libertar as pessoas da escravidão a ensinamentos falsos que as enchem de pavor e prejudicam seu relacionamento com Deus. Que privilégio é ver o cumprimento da promessa de Jesus: “A verdade os libertará”! — João 8:32.
Ele apoiou corajosamente a justiça
14, 15. (a) Como Jesus esclareceu “o que é justiça”? (b) Quando conversou com uma samaritana, que preconceitos Jesus ignorou?
14 A profecia bíblica predisse que o Messias esclareceria às nações “o que é justiça”. (Mateus 12:18; Isaías 42:1) Com certeza Jesus começou a fazer isso quando esteve aqui na Terra. Com muita coragem, ele sempre foi justo e imparcial com as pessoas. Por exemplo, ele não adotou os preconceitos e o fanatismo que eram tão comuns ao seu redor.
15 Quando Jesus conversou com uma mulher samaritana junto a um poço em Sicar, seus discípulos ficaram surpresos. Por quê? Naquela época os judeus em geral odiavam os samaritanos; esse desprezo já existia havia muito tempo. (Esdras 4:4) Além disso, alguns rabinos encaravam as mulheres de modo depreciativo. As leis rabínicas, que mais tarde foram postas por escrito, desincentivavam os homens de conversar com mulheres; até davam a entender que não se devia ensinar a Lei de Deus a elas. Em especial as mulheres samaritanas eram encaradas como impuras. Jesus ignorou esses preconceitos injustos e ensinou abertamente à samaritana (que tinha uma vida imoral). Ele até revelou a ela sua identidade como o Messias. — João 4:5-27.
16. Por que os cristãos precisam de coragem para ser diferentes no que se refere a ter preconceito?
16 Já esteve entre pessoas que nutrem fortes preconceitos? Alguns fazem piadas preconceituosas sobre pessoas de outra raça ou nacionalidade. Outros falam de modo depreciativo sobre os do sexo oposto ou talvez desprezem os de posição social ou econômica diferente. Os seguidores de Cristo não concordam com esses conceitos ofensivos e fazem o máximo para eliminar do coração qualquer traço de preconceito. (Atos 10:34) Precisamos cultivar coragem para ser imparciais nesse sentido.
17. Que atitude Jesus tomou no templo, e por quê?
17 A coragem também motivou Jesus a defender a pureza do povo de Deus e a adoração verdadeira. No início de seu ministério, ele foi ao templo em Jerusalém e ficou chocado quando viu comerciantes e cambistas fazendo negócios ali. Indignado, e com razão, expulsou do templo aqueles homens gananciosos com suas mercadorias. (João 2:13-17) Perto do fim de seu ministério, ele fez novamente a mesma coisa. (Marcos 11:15-18) Jesus com certeza ganhou inimigos poderosos ao fazer isso, mas não teve medo. Por quê? Desde criança, ele falava daquele templo como a casa de seu Pai — e ele levava isso a sério. (Lucas 2:49) Poluir a adoração pura realizada ali era uma injustiça que ele jamais poderia tolerar. Seu zelo lhe deu a coragem para fazer o que era necessário.
18. Como os cristãos hoje podem demonstrar coragem no que se refere à pureza da congregação?
18 Os atuais seguidores de Cristo também zelam pela pureza do povo de Deus e pela adoração pura. Se souberem que um companheiro cristão está envolvido em séria transgressão, não fazem vista grossa. Corajosamente falam com a pessoa ou se certificam de que os anciãos da congregação sejam informados. (1 Coríntios 1:11) Os anciãos podem ajudar os que estão espiritualmente doentes e agir para preservar a pureza existente entre as ovelhas de Jeová. — Tiago 5:14, 15.
19, 20. (a) Que injustiças eram comuns nos dias de Jesus, e que pressão ele enfrentou? (b) Por que os seguidores de Cristo se recusam a se envolver em política e violência, e qual é uma das recompensas por sua posição neutra?
19 Mas será que Jesus lutou contra a injustiça social do mundo? Certamente havia injustiça em toda a parte. Sua terra natal estava ocupada por uma potência estrangeira. Os romanos oprimiam os judeus com a presença de um poderoso exército, cobravam pesados impostos e até interferiam em seus costumes religiosos. Não é de admirar que muitas pessoas quisessem que Jesus participasse na política daquela época. (João 6:14, 15) Mais uma vez, Jesus precisou de coragem.
20 Jesus explicou que seu Reino não fazia parte do mundo. Por meio de seu exemplo, ele ensinou seus seguidores a não se envolverem nas lutas políticas daqueles dias. Em vez disso, eles deviam se concentrar na pregação das boas novas do Reino de Deus. (João 17:16; 18:36) Jesus deu uma grande lição de neutralidade quando a turba chegou para prendê-lo. O apóstolo Pedro, rápida e impulsivamente, puxou a espada e feriu um homem. Não é difícil entender a atitude de Pedro. Naquela noite, poderia parecer que a violência era justificável, afinal o Filho inocente de Deus estava sendo atacado. Mas na ocasião Jesus estabeleceu um modelo que é válido até hoje para seus seguidores na Terra: “Devolva a espada ao seu lugar, pois todos os que tomarem a espada morrerão pela espada.” (Mateus 26:51-54) Para os seguidores de Cristo certamente era necessário ter coragem para agir de modo pacífico naquela época, assim como acontece hoje. Em resultado de sua neutralidade cristã, o povo atual de Deus nunca se envolve em guerras, holocaustos, revoltas e atos similares de violência. Esse brilhante histórico é uma recompensa por sua coragem.
Ele corajosamente enfrentou oposição
21, 22. (a) Que ajuda Jesus recebeu antes de enfrentar sua pior prova? (b) Como Jesus foi corajoso até o fim?
21 O Filho de Jeová sabia com muita antecedência que enfrentaria forte oposição aqui na Terra. (Isaías 50:4-7) Ele enfrentou muitas ameaças de morte, culminando na que foi mencionada no início deste capítulo. Como Jesus manteve a coragem diante dessas situações perigosas? Bem, o que ele estava fazendo antes de a turba chegar para prendê-lo? Estava orando fervorosamente a Jeová. E o que Jeová fez? A Bíblia nos diz que Jesus “foi ouvido”. (Hebreus 5:7) Jeová enviou do céu um anjo para fortalecer seu corajoso Filho. — Lucas 22:42, 43.
22 Logo após ser fortalecido, Jesus disse aos apóstolos: “Levantem-se, vamos embora.” (Mateus 26:46) Pense na coragem por trás dessas palavras. Ele disse “vamos” mesmo sabendo que teria de pedir à turba para poupar seus amigos, que esses companheiros o abandonariam e que ele ia enfrentar sozinho a pior prova da sua vida. Sozinho, ele enfrentou um julgamento injusto e ilegal, além de zombaria, tortura e uma morte agonizante. Jesus nunca perdeu a coragem diante de tudo isso.
23. Explique por que Jesus não foi imprudente no modo como enfrentou o perigo e a ameaça de morte.
23 Jesus estava sendo imprudente? Não; imprudência não tem nada a ver com a verdadeira coragem. Tanto é que Jesus havia ensinado seus seguidores a ser cautelosos, ou seja, prudentes em evitar perigos a fim de poderem continuar fazendo a vontade de Deus. (Mateus 4:12; 10:16) Naquela situação, porém, Jesus sabia que era impossível recuar. Ele sabia o que a vontade de Deus exigia. Jesus estava decidido a manter a integridade; assim, a única coisa a fazer era encarar a provação.
As Testemunhas de Jeová são corajosas ao enfrentar perseguição
24. Por que podemos ter certeza de que seremos corajosos diante de qualquer provação?
24 Por muitas vezes os seguidores de Jesus foram corajosos ao seguir as pisadas de seu Mestre. Muitos permaneceram firmes diante de zombaria, perseguição, detenção, encarceramento, tortura e até mesmo diante da morte. De onde humanos imperfeitos tiram essa coragem? Não é algo que simplesmente vem do íntimo. Jesus recebeu ajuda de cima; o mesmo acontece com seus seguidores. (Filipenses 4:13) Portanto, nunca tenha medo do que pode acontecer no futuro! Esteja decidido a manter a integridade e Jeová lhe dará a coragem que precisar. Continue a derivar forças do exemplo de nosso Líder, Jesus, que disse: “Coragem! Eu venci o mundo.” — João 16:33.
a Historiadores mencionam que os túmulos dos rabinos eram venerados quase da mesma forma que os túmulos dos profetas e dos patriarcas.
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“Todos os tesouros da sabedoria”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO CINCO
“Todos os tesouros da sabedoria”
1-3. Descreva as circunstâncias envolvidas na ocasião em que Jesus proferiu o Sermão do Monte, e por que seus ouvintes ficaram maravilhados?
É PRIMAVERA de 31 EC. Jesus Cristo está perto de Cafarnaum, uma cidade movimentada que fica na margem noroeste do mar da Galileia. Ele orou sozinho a noite inteira num monte não muito longe dali. Quando amanhece, ele reúne seus discípulos, escolhe 12 dentre eles e lhes dá o nome de apóstolos. Enquanto isso, um grande número de pessoas que o seguiram até aquele local, incluindo algumas que vêm de longe, estão reunidas num lugar plano na montanha. Elas estão ansiosas para ouvi-lo e ser curadas de suas doenças. Jesus não as desaponta. — Lucas 6:12-19.
2 Jesus se aproxima da multidão e cura todos os doentes. Quando finalmente as pessoas ali ficam livres de seus graves problemas de saúde, ele se senta e começa a ensinar.a Suas palavras naquela fresca manhã de primavera sem dúvida surpreendem os ouvintes. Eles nunca ouviram ninguém ensinar como Jesus. Ele não recorre às tradições orais nem às palavras de algum famoso rabino para dar peso aos seus ensinamentos. Em vez disso, cita repetidas vezes as inspiradas Escrituras Hebraicas. Sua mensagem é direta, suas palavras simples, e seu objetivo claro. Quando ele conclui, a multidão está maravilhada! E não é para menos. Eles acabaram de ouvir o homem mais sábio que já viveu! — Mateus 7:28, 29.
‘As multidões ficavam maravilhadas com seu modo de ensinar’
3 Assim como muitas outras coisas que Jesus disse e fez, esse sermão está registrado na Palavra de Deus. É bom examinar a fundo o que esse registro inspirado diz sobre Jesus, pois Nele estão “todos os tesouros da sabedoria”. (Colossenses 2:3) Onde Jesus obteve essa sabedoria — a capacidade de usar o conhecimento e o entendimento de maneira prática? Como ele demonstrou sabedoria e de que modo podemos seguir seu exemplo?
“Onde este homem obteve essa sabedoria?”
4. Que pergunta fizeram os que ouviram Jesus em Nazaré, e por quê?
4 Numa de suas viagens de pregação Jesus visitou Nazaré, a cidade onde tinha sido criado. Ele começou a ensinar na sinagoga que havia ali. Muitos que o ouviram ficaram maravilhados e se perguntaram: “Onde este homem obteve essa sabedoria?” Eles conheciam os pais e os irmãos de Jesus e sabiam que ele tinha vindo de uma família humilde. (Mateus 13:54-56; Marcos 6:1-3) Com certeza, eles também sabiam que aquele carpinteiro que falava tão bem não tinha frequentado nenhuma das respeitadas escolas rabínicas. (João 7:15) Assim, aquela pergunta parecia lógica.
5. Jesus revelou que sua sabedoria vinha de que Fonte?
5 A sabedoria de Jesus não era resultado apenas de sua mente perfeita. Mais tarde em seu ministério, ao ensinar abertamente no templo, ele revelou que sua sabedoria vinha de uma fonte muito mais elevada. “O que eu ensino não é meu”, disse ele, “mas pertence àquele que me enviou”. (João 7:16) De fato, o Pai, aquele que tinha enviado o Filho, era a verdadeira Fonte da sabedoria de Jesus. (João 12:49) Mas como Jesus obteve sabedoria de Jeová?
6, 7. De que modo Jesus obteve sabedoria de seu Pai?
6 O espírito santo de Jeová atuava no coração e na mente de Jesus. A respeito de ele ser o prometido Messias, Isaías predisse: “O espírito de Jeová estará sobre ele, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de poder, o espírito de conhecimento e do temor de Jeová.” (Isaías 11:2) Visto que o espírito de Jeová orientava os pensamentos e as decisões de Jesus, é de surpreender que suas palavras refletissem tanta sabedoria?
7 Jesus obteve sabedoria de seu Pai de ainda outro modo. Conforme vimos no Capítulo 2, durante sua existência pré-humana, que durou incontáveis eras, Jesus teve a oportunidade de assimilar o ponto de vista de seu Pai sobre os assuntos. Não dá nem para imaginar quanta sabedoria o Filho obteve do Pai, trabalhando ao seu lado como “trabalhador perito” na criação de todas as coisas. É com bons motivos que o Filho em sua existência pré-humana é descrito como a sabedoria personificada. (Provérbios 8:22-31; Colossenses 1:15, 16) Durante todo o seu ministério, Jesus utilizou a sabedoria que tinha aprendido de seu Pai no céu.b (João 8:26, 28, 38) Portanto, não devemos ficar surpresos ao notar o enorme conhecimento e o profundo entendimento demonstrados nas palavras de Jesus, ou ao perceber o bom senso evidente em tudo o que ele fez.
8. Como seguidores de Jesus, de que modo podemos obter sabedoria?
8 Como seguidores de Jesus, nós também precisamos recorrer a Jeová como a Fonte de sabedoria. (Provérbios 2:6) É claro que Jeová não nos dá sabedoria de modo milagroso. Mas ele atende às nossas orações sinceras quando pedimos sabedoria para sermos bem-sucedidos em lidar com os desafios da vida. (Tiago 1:5) Obter essa sabedoria exige muito esforço da nossa parte. Precisamos continuar buscando essa qualidade “como a tesouros escondidos”. (Provérbios 2:1-6) É necessário continuarmos pesquisando a fundo a Palavra de Deus, onde sua sabedoria é revelada, e harmonizar nossa vida com o que aprendemos. O exemplo de Jesus é de muita ajuda para obtermos sabedoria. Vamos analisar algumas áreas em que ele demonstrou sabedoria e como podemos imitá-lo.
Palavras de sabedoria
A sabedoria de Deus é revelada na Bíblia
9. O que fez com que os ensinamentos de Jesus refletissem sabedoria?
9 Multidões afluíam a Jesus apenas para ouvi-lo. (Marcos 6:31-34; Lucas 5:1-3) Isso não é de admirar, afinal, suas palavras refletiam sabedoria extraordinária. O que ele ensinou evidenciava conhecimento profundo da Palavra de Deus e uma habilidade inigualável de tocar no âmago das questões. Seus ensinamentos atraem todo tipo de pessoas, não importa onde vivam, e são práticos em qualquer época. Vamos ver alguns exemplos da sabedoria por trás das palavras de Jesus, o predito “Maravilhoso Conselheiro”. — Isaías 9:6.
10. Que qualidades Jesus nos incentiva a cultivar, e por quê?
10 O Sermão do Monte, citado no início deste capítulo, é a maior coleção de ensinamentos de Jesus em que não há interrupções na narrativa. Nesse sermão, Jesus não nos aconselha apenas a falar ou agir de modo correto. Seus conselhos vão muito além disso. Sabendo que palavras e ações são produto de pensamentos e emoções, Jesus nos incentiva a cultivar qualidades positivas na mente e no coração. Algumas dessas qualidades são: temperamento brando, anseio pela justiça, amor pelos outros, e disposição para perdoar e ser pacificador. (Mateus 5:5-9, 43-48) À medida que cultivarmos essas qualidades no coração, vamos falar e agir da maneira correta, e isso por sua vez vai agradar a Jeová e promover bons relacionamentos. — Mateus 5:16.
11. Ao dar conselhos contra a conduta errada, de que modo Jesus vai à raiz do problema?
11 Ao dar conselhos contra a conduta errada, Jesus vai à raiz do problema. Ele não diz apenas que devemos evitar ser violentos. Ele nos avisa para não nutrirmos ira no coração. (Mateus 5:21, 22; 1 João 3:15) Ele não apenas proíbe o adultério, mas alerta contra o forte desejo que começa no coração e leva à traição. Ele nos incentiva a não permitir que os olhos despertem desejos impróprios, que podem resultar em conduta imoral. (Mateus 5:27-30) Jesus chama atenção para as causas, não para os sintomas. Fala sobre as atitudes e os desejos que levam à conduta errada. — Salmo 7:14.
12. Como os seguidores de Jesus encaram seus conselhos, e por quê?
12 As palavras de Jesus refletem muita sabedoria. Não era para menos que ‘as multidões ficassem maravilhadas com seu modo de ensinar’. (Mateus 7:28) Como seguidores de Jesus, encaramos seus conselhos sábios como guia para a nossa vida. Procuramos cultivar as qualidades que ele recomendou, como a misericórdia e o amor, além de sermos pacíficos, pois isso servirá de base para a conduta que agrada a Jeová. Também nos esforçamos para tirar do coração os sentimentos negativos e os desejos contra os quais ele alertou, como ira amarga e desejos imorais, pois sabemos que isso nos ajudará a evitar a conduta errada. — Tiago 1:14, 15.
Modo de vida guiado pela sabedoria
13, 14. O que mostra que Jesus teve bom senso ao decidir como levaria a vida?
13 Jesus demonstrou sabedoria não apenas em palavras, mas também em ações. Todo o seu modo de vida — suas decisões, o conceito que tinha de si mesmo e seu relacionamento com outros — evidenciou muitos belos aspectos da sabedoria. Considere alguns exemplos que mostram como Jesus era guiado pela “sabedoria prática e o raciocínio”. — Provérbios 3:21.
14 A sabedoria envolve ter bom critério. Jesus teve bom senso ao decidir como levaria a vida. Consegue imaginar a vida que ele poderia ter tido? A casa que ele poderia ter construído, os negócios que poderia ter empreendido ou o sucesso que poderia ter alcançado? Jesus sabia que dedicar a vida a essas coisas ‘era vaidade, era correr atrás do vento’. (Eclesiastes 4:4; 5:10) Tal atitude seria tolice, o oposto da sabedoria. Mas Jesus decidiu ter uma vida simples. Ele não tinha interesse em ganhar dinheiro ou juntar bens materiais. (Mateus 8:20) Em harmonia com o que ensinava, ele manteve o olho focalizado num único objetivo — fazer a vontade de Deus. (Mateus 6:22) Jesus sabiamente empregou seu tempo e suas energias nas atividades que promoviam o Reino, que são muito mais importantes e gratificantes do que coisas materiais. (Mateus 6:19-21) Assim, ele deixou um exemplo que merece ser imitado.
15. Como os seguidores de Jesus podem mostrar que estão se concentrando nos interesses do Reino, e por que esse é um proceder sensato?
15 Os seguidores de Jesus hoje em dia percebem a sabedoria de se concentrar nos interesses do Reino. Por isso, evitam se sobrecarregar com dívidas desnecessárias e com atividades deste mundo que requerem muita atenção e energia. (1 Timóteo 6:9, 10) Muitos fazem ajustes para simplificar a vida e poder dedicar mais tempo ao ministério cristão, talvez até servindo como proclamadores do Reino por tempo integral. Não há proceder mais sensato do que esse, pois manter as atividades relacionadas ao Reino no devido lugar resulta na maior felicidade e satisfação que alguém pode ter. — Mateus 6:33.
16, 17. (a) De que modo Jesus mostrou que era modesto e realista no que esperava de si mesmo? (b) Como podemos mostrar que somos modestos e realistas no que esperamos de nós mesmos?
16 A Bíblia associa sabedoria com modéstia, que inclui reconhecermos nossas limitações. (Provérbios 11:2) Jesus foi modesto e realista no que esperava de si mesmo. Sabia que não ia converter todos os que o ouviam. (Mateus 10:32-39) Ele também reconhecia que conseguiria pregar apenas a um número limitado de pessoas. Assim, de modo sábio confiou a seus seguidores a obra de fazer discípulos. (Mateus 28:18-20) Ele modestamente reconheceu que seus seguidores ‘fariam obras maiores do que’ as suas, pois alcançariam mais pessoas numa área maior e num período mais longo. (João 14:12) Jesus também reconheceu que precisava de ajuda. Ele aceitou o apoio dos anjos que vieram servi-lo no deserto e do anjo que veio fortalecê-lo em Getsêmani. No momento em que mais precisava, o Filho de Deus suplicou ajuda. — Mateus 4:11; Lucas 22:43; Hebreus 5:7.
17 Nós também precisamos ser modestos e realistas no que esperamos de nós mesmos. Com certeza desejamos trabalhar de toda a alma e nos empenhar vigorosamente na obra de pregar e de fazer discípulos. (Lucas 13:24; Colossenses 3:23) Ao mesmo tempo, precisamos lembrar que Jeová não nos compara com outros, e nós também não devemos fazer isso. (Gálatas 6:4) A sabedoria prática nos ajudará a estabelecer alvos realistas de acordo com nossas habilidades e circunstâncias. Além disso, a sabedoria fará com que os que estão em posições de responsabilidade reconheçam que têm limitações e que precisam de ajuda e apoio de vez em quando. Por serem modestos, esses irmãos serão gratos pela ajuda, reconhecendo que Jeová pode usar um companheiro cristão como “uma fonte de grande consolo” para eles. — Colossenses 4:11.
18, 19. (a) O que mostra que Jesus foi razoável e positivo ao lidar com seus discípulos? (b) Por que temos bons motivos para ser positivos e razoáveis ao lidar com outros, e como podemos fazer isso?
18 “A sabedoria de cima é . . . razoável”, diz Tiago 3:17. Jesus foi razoável e positivo ao lidar com seus discípulos. Ele estava bem ciente das imperfeições deles, mas se concentrava nas suas boas qualidades. (João 1:47) Mesmo sabendo que seus discípulos o abandonariam na noite em que seria preso, Jesus não duvidou da lealdade deles. (Mateus 26:31-35; Lucas 22:28-30) Pedro chegou até mesmo a negar três vezes que conhecia Jesus. Ainda assim, Jesus fez súplicas por Pedro e expressou confiança em sua fidelidade. (Lucas 22:31-34) Quando orou ao Pai na última noite de sua vida na Terra, Jesus não se concentrou nos erros que seus discípulos haviam cometido. Falou de modo positivo sobre o proceder deles até aquela noite, dizendo: “Eles obedeceram à tua palavra.” (João 17:6) Apesar da imperfeição deles, Jesus lhes confiou a obra de pregar o Reino e de fazer discípulos. (Mateus 28:19, 20) A confiança e a fé que ele demonstrou em seus discípulos sem dúvida os fortaleceu para realizarem a obra que ele ordenou que fizessem.
19 Os seguidores de Jesus têm motivos para imitar seu exemplo nesse aspecto. Se o Filho perfeito de Deus foi paciente ao lidar com seus discípulos imperfeitos, quanto mais nós, humanos imperfeitos, devemos ser razoáveis no nosso relacionamento com outros! (Filipenses 4:5) Em vez de nos preocupar com as imperfeições de nossos irmãos, é melhor nos concentrar em suas boas qualidades. É bom lembrar que foi Jeová quem os atraiu. (João 6:44) Portanto, ele com certeza deve ter visto algo de bom neles, e nós devemos fazer o mesmo. Esse espírito nos ajudará a “desconsiderar as falhas” de outros e a ficar atentos a oportunidades para elogiá-los por suas qualidades. (Provérbios 19:11, The New English Bible) Quando demonstramos confiança em nossos irmãos, nós os ajudamos a fazer seu melhor e a ter alegria no serviço de Jeová. — 1 Tessalonicenses 5:11.
20. O que devemos fazer com o tesouro de sabedoria encontrado nos Evangelhos, e por quê?
20 O relato dos Evangelhos sobre a vida e o ministério de Jesus realmente é um tesouro de sabedoria! O que devemos fazer com esse presente inestimável? Na conclusão do Sermão do Monte, Jesus incentivou as pessoas ali a não apenas ouvir suas palavras sábias, mas também a praticá-las. (Mateus 7:24-27) Harmonizar nossos pensamentos, motivações e ações com as sábias palavras e ações de Jesus nos ajudará a ter a melhor vida possível agora e a permanecer na estrada que conduz à vida eterna. (Mateus 7:13, 14) Sem dúvida, não há coisa melhor ou mais sensata a fazer!
a O discurso que Jesus fez naquele dia ficou conhecido como Sermão do Monte. Está registrado em Mateus 5:3–7:27, contém 107 versículos e, provavelmente, levaria apenas cerca de 20 minutos para ser proferido.
b Tudo indica que, quando “os céus se abriram” por ocasião do batismo de Jesus, as lembranças de sua existência pré-humana lhe foram restauradas. — Mateus 3:13-17.
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‘Ele aprendeu a obediência’‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO SEIS
‘Ele aprendeu a obediência’
1, 2. Por que um pai amoroso fica contente ao ver o filho lhe obedecer, e como os sentimentos desse pai refletem os sentimentos de Jeová?
UM PAI observa pela janela seu filhinho jogando bola no quintal com alguns colegas. A certa altura, a bola vai parar na rua. O garoto fica olhando para ela, morrendo de vontade de ir pegá-la. Um de seus colegas diz para ele ir buscá-la, mas ele balança a cabeça e diz: “Não posso. Meu pai não quer que eu vá na rua.” O pai sorri satisfeito.
2 Por que o pai fica tão contente? Porque ele orientou seu filho a não ir à rua sozinho. Quando o menino obedece — mesmo sem saber que o pai o observa —, o pai vê que seu filho está aprendendo a obedecer, e por isso está muito mais protegido. É assim que se sente o nosso Pai celestial, Jeová. Deus sabe que, para permanecermos fiéis e alcançarmos o maravilhoso futuro que ele nos promete, precisamos aprender a confiar nele e a lhe obedecer. (Provérbios 3:5, 6) Para isso, ele nos enviou o melhor de todos os instrutores humanos.
3, 4. Como Jesus “aprendeu a obediência” e ‘foi aperfeiçoado’? Ilustre isso.
3 A Bíblia diz algo surpreendente sobre Jesus: “Embora fosse filho, aprendeu a obediência por meio das coisas que sofreu. E, depois de ter sido aperfeiçoado, tornou-se responsável pela salvação eterna de todos os que lhe obedecem.” (Hebreus 5:8, 9) Esse Filho havia existido por incontáveis eras no céu. Ele viu Satanás e outros anjos rebeldes serem desobedientes, mas nunca se juntou a eles. Referindo-se ao Filho primogênito, a profecia inspirada disse: “Eu não fui rebelde.” (Isaías 50:5) Então, como as palavras ‘ele aprendeu a obediência’ podem se aplicar a esse Filho que sempre obedeceu de modo perfeito? Como uma criatura perfeita poderia ser ‘aperfeiçoada’?
4 Considere a seguinte ilustração: certo soldado tem uma espada de ferro. Embora ela nunca tenha sido testada numa batalha, é uma arma perfeita e muito bem fabricada. No entanto, o soldado troca essa espada por outra, feita de um metal mais resistente: aço temperado. Essa outra espada já foi testada em batalha. Não acha que ele fez uma excelente troca? Da mesma forma, a obediência de Jesus antes de vir à Terra era perfeita. Mas depois de viver aqui sua obediência passou a ter uma característica totalmente diferente. Agora ela havia sido testada, tornou-se mais resistente, por assim dizer; havia sido submetida a provas que Jesus nunca teria enfrentado no céu.
5. Por que a obediência de Jesus era tão importante, e o que vamos considerar neste capítulo?
5 A obediência era fundamental para a missão de Jesus aqui na Terra. Como “o último Adão”, ele veio à Terra para fazer o que o nosso primeiro pai não fez — permanecer obediente a Jeová, mesmo sob provas. (1 Coríntios 15:45) Mas a obediência de Jesus não era superficial. Ele a demonstrou de todo coração, alma e mente. E fez isso com alegria. Para ele, fazer a vontade de seu pai era mais importante do que o alimento. (João 4:34) O que nos ajudará a imitar a obediência de Jesus? Primeiro, veremos por que ele foi obediente. Se formos obedientes pelos mesmos motivos que ele, conseguiremos resistir a tentações e fazer a vontade de Deus. Depois, vamos considerar como somos recompensados por imitar a obediência de Cristo.
Por que Jesus foi obediente
6, 7. Quais foram alguns dos motivos de Jesus ser obediente?
6 A obediência de Jesus vinha do seu íntimo. Conforme vimos no Capítulo 3, Cristo era humilde de coração. O orgulho faz a pessoa desprezar a obediência, mas se a pessoa for humilde obedecerá a Jeová porque realmente quer fazer isso. (Êxodo 5:1, 2; 1 Pedro 5:5, 6) Além disso, a obediência de Jesus estava relacionada ao que ele amava e ao que ele odiava.
7 Acima de tudo, Jesus amava seu Pai celestial, Jeová. Vamos ver mais detalhes sobre esse amor no Capítulo 13. O amor fez com que Jesus tivesse temor a Deus. Seu amor por Jeová era tão intenso e sua reverência tão profunda que ele temia desagradar seu Pai. Esse temor a Deus foi um dos motivos de as orações de Jesus terem sido ouvidas. (Hebreus 5:7) O temor a Jeová também é uma característica notável do reinado de Jesus como Rei messiânico. — Isaías 11:3.
Sua escolha de diversão indica que você odeia o que é mau?
8, 9. Conforme profetizado, como Jesus se sentia com relação ao que é certo e ao que é errado, e como ele deixou isso evidente?
8 Amar a Jeová também envolve odiar o que ele odeia. Veja, por exemplo, esta profecia referente ao Rei messiânico: “O senhor amou a justiça e odiou a maldade. É por isso que Deus, o seu Deus, o ungiu com óleo de alegria mais do que aos seus companheiros.” (Salmo 45:7) Os “companheiros” de Jesus eram os outros reis da linhagem do Rei Davi. Com respeito ao fato de ter sido ungido, Jesus tem mais causa para alegria do que todos eles. Por quê? Sua recompensa é muito maior do que a deles, seu reinado é infinitamente mais benéfico. Ele é recompensado porque seu amor pelo que é justo, ou certo, e seu ódio pelo que é mau, ou errado, o motivou a obedecer a Deus em todas as coisas.
9 De que modo Jesus deixou evidente como se sentia com relação ao que é certo e ao que é errado? Por exemplo, como ele reagiu quando seus seguidores obedeceram à sua orientação de pregar e tiveram bons resultados? Ele ficou muito feliz. (Lucas 10:1, 17, 21) E como Jesus se sentiu quando o povo de Jerusalém repetidamente demonstrou um espírito de desobediência, rejeitando seus esforços amorosos de ajudá-los? Ele chorou por causa da atitude rebelde daquelas pessoas. (Lucas 19:41, 42) Tanto a boa como a má conduta afetavam profundamente a Jesus.
10. Que sentimentos precisamos ter em relação a ações corretas e conduta errada, e o que nos ajudará a fazer isso?
10 Meditar em como Jesus se sentia nos ajuda a analisar com que motivação obedecemos a Jeová. Apesar de sermos imperfeitos, podemos cultivar amor de coração por ações corretas e ódio profundo pela conduta errada. Precisamos orar a Jeová pedindo que nos ajude a ter sentimentos como os dele e de seu Filho. (Salmo 51:10) Ao mesmo tempo, precisamos evitar influências que enfraqueçam esses sentimentos. É fundamental escolher bem nossas diversões e nossas amizades. (Provérbios 13:20; Filipenses 4:8) Se tivermos as mesmas motivações de Cristo, nossa obediência não será superficial. Agiremos da maneira correta porque amamos o que é certo. Evitaremos ações erradas não por medo de ser descobertos, mas porque odiamos esse tipo de conduta.
“Ele não cometeu pecado”
11, 12. (a) O que aconteceu com Jesus no início de seu ministério? (b) Qual foi a primeira tentação que Jesus sofreu, e que táticas astutas Satanás usou?
11 O ódio que Jesus tinha pelo pecado foi testado logo no início de seu ministério. Após seu batismo, ele passou 40 dias e 40 noites no deserto sem comer. No fim desse período, Satanás foi tentá-lo. Note como Satanás foi astuto. — Mateus 4:1-11.
12 Primeiro Satanás disse: “Se você é filho de Deus, diga a estas pedras que se transformem em pães.” (Mateus 4:3) Como Jesus estava se sentindo após aquele longo jejum? A Bíblia é clara em dizer que Jesus estava com fome. (Mateus 4:2) Desse modo, Satanás se aproveitou do desejo natural por alimento. Ele sem dúvida esperou Jesus estar fisicamente enfraquecido. Note também o tom de desafio nas palavras de Satanás: “Se você é filho de Deus.” Satanás sabia que Jesus era “o primogênito de toda a criação”. (Colossenses 1:15) Mas Jesus não se deixou levar pela provocação de Satanás para fazê-lo desobedecer. Ele sabia que não era da vontade de Deus que usasse seu poder para objetivos egoístas. Jesus se recusou a fazer isso, mostrando que confiava humildemente que Jeová o sustentaria e orientaria. — Mateus 4:4.
13-15. (a) Qual foi a segunda e a terceira tentação que Jesus sofreu, e como ele reagiu? (b) Por que sabemos que Jesus nunca pôde baixar a guarda contra Satanás?
13 Na segunda tentação, Satanás levou Jesus a um lugar alto, no parapeito do templo. Distorcendo a Palavra de Deus com astúcia, Satanás tentou Jesus para que se exibisse, jogando-se dali a fim de que os anjos tivessem de salvá-lo. Se a multidão ali no templo visse um milagre assim, será que alguém duvidaria de que Jesus era o prometido Messias? Se as pessoas se convencessem de que ele era o Messias apenas com aquela incrível exibição, não teria ele evitado muito sofrimento e dificuldades? Talvez. Mas Jesus sabia que a vontade de Deus era que o Messias cumprisse sua missão de modo humilde, não que fizesse as pessoas acreditar nele por meio de exibições espetaculares. (Isaías 42:1, 2) Jesus mais uma vez se recusou a desobedecer a Jeová. A fama não era uma tentação para Jesus.
14 Mas que dizer do poder? Na terceira tentativa, Satanás ofereceu a Jesus todos os reinos do mundo em troca de apenas um ato de adoração. Será que Jesus ficou pensando na oferta de Satanás? Sua resposta foi: “Vá embora, Satanás!” E acrescentou: “Pois está escrito: ‘Adore a Jeová, seu Deus, e preste serviço sagrado apenas a ele.’” (Mateus 4:10) Nada convenceria Jesus de adorar outro deus. Nenhuma oferta de poder ou influência neste mundo o levaria à desobediência.
15 Será que Satanás desistiu? Ele foi embora, segundo a ordem de Jesus. Mas o Evangelho de Lucas mostra que o Diabo “o deixou até outra ocasião conveniente”. (Lucas 4:13) De fato, Satanás encontraria outras ocasiões para provar e tentar Jesus até o fim de sua vida na Terra. A Bíblia nos diz que Jesus foi “provado em todos os sentidos”. (Hebreus 4:15) Por isso, ele nunca pôde baixar a guarda, nós também não podemos.
16. Como Satanás tenta os servos de Deus hoje, e como podemos resistir a seus esforços?
16 Satanás continua a tentar os servos de Deus hoje. Infelizmente, somos presas fáceis por causa das nossas imperfeições. Com astúcia, Satanás apela para nosso egoísmo, orgulho e ganância por poder. Usando o materialismo, ele pode até apelar para todas essas imperfeições de uma só vez! É fundamental que vez por outra façamos uma autoanálise honesta. É bom meditarmos nas palavras de 1 João 2:15-17. Ao fazer isso, podemos nos perguntar se os desejos carnais deste mundo, o desejo por coisas materiais e a vontade de impressionar outros enfraqueceram de algum modo o amor que sentimos pelo nosso Pai celestial. Precisamos nos lembrar de que este mundo está com seus dias contados, e Satanás, seu governante, também. Assim, resistamos a seus esforços astutos para nos fazer pecar! Que o exemplo do nosso Mestre nos motive, pois ele “não cometeu pecado”. — 1 Pedro 2:22.
“Faço sempre o que lhe agrada”
17. Como Jesus encarava a obediência a seu Pai, mas que objeção pode surgir?
17 A obediência envolve muito mais do que apenas evitar o pecado. Cristo sempre cumpriu todos os mandamentos de Jeová. Ele disse: “Faço sempre o que lhe agrada.” (João 8:29) Essa obediência deu muita alegria a Jesus. Alguns podem argumentar que era muito mais fácil para ele obedecer. Talvez imaginem que ele tinha de prestar contas apenas a Jeová, que é perfeito, enquanto nós geralmente temos de prestar contas a humanos imperfeitos que têm autoridade. Mas a verdade é que Jesus foi obediente também a humanos imperfeitos que tinham autoridade.
18. Que exemplo de obediência Jesus deixou desde criança?
18 Quando era criança, Jesus estava sob a autoridade de seus pais imperfeitos, José e Maria. Mais do que qualquer outra criança, ele provavelmente via que eles tinham falhas. Será que Jesus se rebelou, indo além do papel que Deus lhe atribuiu como filho humano e dizendo a seus pais como deviam cuidar de uma família? Veja o que Lucas 2:51 diz a respeito de Jesus, na época com 12 anos: “Ele . . . continuou a estar sujeito a eles.” Desse modo, Jesus deixou um exemplo excelente para as crianças e os jovens cristãos, que se esforçam em obedecer a seus pais e mostrar o devido respeito a eles. — Efésios 6:1, 2.
19, 20. (a) Que desafios incomuns Jesus enfrentou no que se refere a obedecer a humanos imperfeitos? (b) Por que os cristãos verdadeiros hoje devem ser obedientes aos que tomam a dianteira?
19 Quanto a obedecer a humanos imperfeitos, Jesus enfrentou situações que os cristãos verdadeiros hoje nunca terão de enfrentar. Pense na época em que ele viveu, com situações bem incomuns. O sistema religioso judaico, com seu templo em Jerusalém e seu sacerdócio, era aprovado por Jeová havia muito tempo, mas em breve ia ser rejeitado e substituído pela congregação cristã. (Mateus 23:33-38) Enquanto isso, muitos líderes religiosos ensinavam falsidades que haviam se originado da filosofia grega. A corrupção no templo tinha se tornado tão grande que Jesus o chamou de “abrigo de ladrões”. (Marcos 11:17) Será que Jesus deixou de ir ao templo e às sinagogas? Não. Jeová ainda aprovava o uso daqueles locais de adoração. Enquanto Deus não intervinha para fazer as mudanças, Jesus obedientemente ia à sinagoga e às festividades no templo. — Lucas 4:16; João 5:1.
20 Se Jesus foi obediente naquelas circunstâncias, quanto mais os cristãos verdadeiros hoje! Afinal, vivemos em tempos muito diferentes — na época da restauração da adoração pura, predita há muito tempo. Deus nos garante que nunca deixará Satanás corromper seu povo restaurado. (Isaías 2:1, 2; 54:17) É verdade que nos deparamos com pecados e imperfeições na congregação cristã. Mas será que devemos usar as falhas de outros como desculpa para desobedecermos a Jeová, talvez deixando de ir às reuniões ou criticando os anciãos? De modo algum. Em vez disso, damos todo apoio aos que tomam a dianteira na congregação. De modo obediente, assistimos às reuniões e às assembleias e aplicamos os conselhos bíblicos que recebemos nelas. — Hebreus 10:24, 25; 13:17.
Como cristãos obedientes, aplicamos o que aprendemos nas reuniões
21. Como Jesus reagiu à pressão de humanos para desobedecer a Deus, deixando que exemplo para nós?
21 Jesus nunca permitiu que ninguém, nem mesmo amigos bem-intencionados, o impedisse de obedecer a Jeová. O apóstolo Pedro, por exemplo, tentou convencer seu Mestre de que ele não precisava sofrer e morrer. Jesus recusou de modo firme esse conselho bem-intencionado, porém infundado, de poupar a si mesmo. (Mateus 16:21-23) Hoje em dia, os seguidores de Jesus muitas vezes têm de lidar com parentes bem-intencionados que tentam convencê-los de que não é necessário obedecer às leis e aos princípios de Deus. Assim como os cristãos do primeiro século, concordamos que “temos de obedecer a Deus como governante em vez de a homens”. — Atos 5:29.
Recompensas de imitarmos a obediência de Cristo
22. Jesus forneceu a resposta a que pergunta, e como?
22 Quando Jesus se viu diante da morte, sua obediência passou pela prova mais difícil. Foi naquele dia triste que ‘ele aprendeu a obediência’ no sentido mais pleno. Ele fez a vontade de seu Pai, não a sua. (Lucas 22:42) Ao agir assim, deixou um exemplo perfeito de integridade. (1 Timóteo 3:16) Ele forneceu a resposta a uma antiga pergunta: pode um humano perfeito permanecer obediente a Jeová mesmo sob prova? Adão e Eva já tinham falhado nesse teste. Daí Jesus veio, viveu, morreu e resolveu a questão para sempre. O ser mais importante que Jeová criou deu a melhor resposta possível. Ele obedeceu mesmo quando a obediência lhe custou muito caro.
23-25. (a) Como a obediência está relacionada à integridade? Ilustre. (b) Qual será o assunto do próximo capítulo?
23 A integridade, ou devoção de todo o coração a Jeová, é demonstrada por meio da obediência. Por obedecer, Jesus preservou sua integridade e beneficiou toda a humanidade. (Romanos 5:19) Jeová o recompensou ricamente, e também nos recompensará se obedecermos ao nosso Mestre, Cristo. A obediência a Cristo resulta na “salvação eterna”! — Hebreus 5:9.
24 Além disso, a integridade, por si só, já é uma recompensa. Provérbios 10:9 diz: “Quem anda em integridade andará em segurança.” Se pudéssemos comparar a integridade a uma grande mansão construída com tijolos de excelente qualidade, cada ato de obediência poderia ser comparado a um tijolo. Um tijolo pode parecer insignificante, mas cada um tem o seu lugar e o seu valor. Quando se colocam muitos deles juntos, se constrói algo de valor ainda maior. Quando juntamos atos de obediência, dia após dia, ano após ano, construímos a nossa bela casa de integridade.
25 A obediência demonstrada ao longo do tempo nos faz lembrar outra qualidade — a perseverança. Esse será o assunto do próximo capítulo.
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Considere atentamente a perseverança de Jesus‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO SETE
Considere atentamente a perseverança de Jesus
1-3. (a) A que ponto chega a aflição de Jesus no jardim de Getsêmani, e por quê? (b) O que se pode dizer a respeito do exemplo de perseverança de Jesus, e que perguntas surgem?
A PRESSÃO é muito grande. Jesus nunca sentiu uma angústia mental e emocional tão forte. São suas últimas horas de vida na Terra, e ele vai com seus apóstolos a um lugar que costuma visitar, o jardim de Getsêmani. Jesus já esteve ali com eles muitas vezes. Nessa noite, porém, precisa ficar um tempo sozinho. Afastando-se de seus apóstolos, Jesus entra um pouco mais no jardim, se ajoelha e começa a orar. Ele ora com tanto fervor e fica tão aflito que seu suor se torna “como gotas de sangue que caíam no chão”. — Lucas 22:39-44.
2 Por que Jesus sofre tamanha aflição? Embora ele saiba que em breve terá de enfrentar extrema dor física, não é por isso que está tão angustiado. Assuntos muito mais importantes o preocupam. Jesus está profundamente preocupado com o nome de seu Pai e sabe que o futuro da família humana depende de ele permanecer fiel. Ele sabe como é importante perseverar. Se falhar, trará grande vitupério ao nome de seu Pai. Mas ele não falha. Mais tarde naquele dia, pouco antes de dar o último suspiro, o homem que deixou o melhor exemplo de perseverança clama triunfantemente: “Está consumado!” — João 19:30.
3 A Bíblia nos incentiva a ‘considerar atentamente’ o exemplo de perseverança de Jesus. (Hebreus 12:1-3) Assim, surgem perguntas importantes: Quais foram algumas provas que Jesus teve de suportar? O que o ajudou a perseverar? Como podemos seguir seu exemplo? Mas antes de responder a essas perguntas, vamos considerar o que significa perseverar.
O que é perseverança?
4, 5. (a) O que significa “perseverança”? (b) Como poderíamos ilustrar que a perseverança envolve mais do que passar por uma dificuldade inevitável?
4 De tempos em tempos, todos nós ficamos “aflitos por causa de várias provações”. (1 Pedro 1:6) Será que o fato de enfrentarmos uma provação significa que estamos perseverando? Não. O substantivo grego traduzido “perseverança” significa “capacidade de aguentar ou se manter firme em face de dificuldades”. Certo erudito bíblico diz o seguinte a respeito do tipo de perseverança mencionado pelos escritores da Bíblia: “É o espírito que pode suportar as coisas, não simplesmente com resignação, mas com a esperança fulgurante . . . É a qualidade que mantém o homem em pé enfrentando o vento. É a virtude que pode transformar a provação mais severa em glória porque, além da dor, vê o alvo.”
5 Portanto, perseverar não significa simplesmente passar por uma dificuldade inevitável. No sentido bíblico, perseverança envolve firmeza, manter a atitude mental correta e não perder a esperança ao enfrentar provações. Veja a seguinte ilustração: dois homens estão presos em condições idênticas, mas por motivos bem diferentes. Um deles, um criminoso comum, cumpre sua pena com muita má vontade. O outro, um cristão verdadeiro que foi preso por seu proceder fiel, continua firme e mantém uma atitude positiva, porque encara sua situação como uma oportunidade de demonstrar sua fé. O criminoso dificilmente poderia ser considerado um exemplo de perseverança, mas o cristão leal sim. — Tiago 1:2-4.
6. Como cultivamos a perseverança?
6 A perseverança é indispensável para nossa salvação. (Mateus 24:13) Mas não nascemos com essa qualidade importante. É necessário cultivá-la. Como? “O sofrimento produz perseverança”, diz Romanos 5:3. Se realmente queremos desenvolver perseverança, não podemos temer os testes de fé e tentar nos esquivar deles. Precisamos enfrentá-los. Cultivamos perseverança quando enfrentamos e superamos provas grandes e pequenas dia após dia. Cada dificuldade que enfrentamos com êxito nos fortalece para enfrentar a próxima. É claro que não desenvolvemos perseverança sem ajuda. Precisamos sempre contar com a “força que Deus fornece”. (1 Pedro 4:11) Para continuarmos firmes, Jeová nos deu a melhor ajuda possível — o exemplo de seu Filho. Vamos olhar com mais atenção o exemplo perfeito de perseverança que Jesus deixou.
O que Jesus suportou?
7, 8. O que Jesus suportou no fim de sua vida terrestre?
7 No fim de sua vida terrestre, Jesus teve de suportar muitos atos de crueldade. Além da extrema aflição mental que ele sentiu na última noite de sua vida, considere a decepção e a humilhação que sofreu. Ele foi traído por alguém que era muito íntimo dele, abandonado por seus melhores amigos e submetido a um julgamento ilegal onde os membros da mais elevada corte religiosa do país o ridicularizaram, cuspiram nele e o esmurraram. Mesmo assim, Jesus foi forte e suportou tudo isso com dignidade. — Mateus 26:46-49, 56, 59-68.
8 Nas suas últimas horas de vida, Jesus suportou enorme sofrimento físico. Ele foi açoitado, ou seja, espancado violentamente de um modo que, segundo certa fonte, causava “profundas lacerações e considerável perda de sangue”. Além disso, ele foi pregado numa estaca, uma forma de execução que resultava em “uma morte lenta com o máximo de dor e sofrimento”. Pense na aflição que Jesus sentia ao passo que enormes pregos eram martelados e atravessavam os punhos e os pés dele, prendendo-o na estaca. (João 19:1, 16-18) Imagine a extrema dor que ele sentiu quando a estaca foi erguida rapidamente e o peso do seu corpo passou a ser sustentado apenas pelos pregos, e suas costas feridas rasparam na estaca. Ele suportou todo esse sofrimento físico além de estar mentalmente aflito, conforme descrito no início deste capítulo.
9. O que significa apanhar a nossa “estaca de tortura” e seguir a Jesus?
9 Como seguidores de Cristo, o que talvez tenhamos de suportar? Ele disse: “Se alguém quer ser meu seguidor, . . . apanhe sua estaca de tortura e siga-me sempre.” (Mateus 16:24) A expressão “estaca de tortura” é usada aqui de modo figurativo para representar sofrimento, vergonha e até a morte. Seguir a Cristo não é algo fácil. Nosso modo de vida cristão nos torna diferentes. O mundo atual nos odeia porque não fazemos parte dele. (João 15:18-20; 1 Pedro 4:4) No entanto, estamos dispostos a carregar a nossa estaca de tortura — sim, estamos preparados para sofrer, e até morrer, em vez de desistir de seguir o nosso Exemplo. — 2 Timóteo 3:12.
10-12. (a) Por que as imperfeições das pessoas foram um teste de perseverança para Jesus? (b) Quais foram algumas das situações provadoras que Jesus suportou?
10 Durante o seu ministério, a imperfeição das pessoas resultou em outras provas para Jesus. Lembre-se de que ele foi o “trabalhador perito” usado por Jeová para criar a Terra e tudo o que há nela. (Provérbios 8:22-31) Assim, Jesus sabia qual era a vontade de Jeová para a humanidade; os humanos deviam refletir as qualidades de Deus e usufruir a vida com saúde perfeita. (Gênesis 1:26-28) Na Terra, Jesus viu os resultados trágicos do pecado de um ponto de vista diferente — ele era homem, capaz de ter sentimentos e emoções humanas. Deve ter sido muito doloroso para ele ver como os humanos estavam longe da perfeição original de Adão e Eva. Isso foi um teste de perseverança para Jesus. Será que ele ficaria desanimado e desistiria, encarando os humanos pecaminosos como uma causa perdida? Vejamos.
11 A apatia dos judeus entristeceu tanto a Jesus que ele não conteve as lágrimas. Será que ele permitiu que a indiferença dos judeus diminuísse seu zelo ou o fizesse parar de pregar? Muito pelo contrário, ele “continuava ensinando diariamente no templo”. (Lucas 19:41-44, 47) Jesus ficou “profundamente triste” com a insensibilidade dos fariseus que o estavam observando para ver se ele curaria certo homem no sábado. Será que ele permitiu que aqueles opositores que se consideravam justos o intimidassem? Claro que não! Ele permaneceu firme e curou o homem — e bem no meio da sinagoga! — Marcos 3:1-5.
12 Outra coisa que deve ter sido uma prova para Jesus foram as fraquezas de seus discípulos mais achegados. Conforme vimos no Capítulo 3, eles estavam sempre querendo destaque. (Mateus 20:20-24; Lucas 9:46) Jesus os aconselhou mais de uma vez sobre a importância da humildade. (Mateus 18:1-6; 20:25-28) Mas eles demoraram a acatar esses conselhos. Até mesmo quando estavam com Jesus na sua última noite na Terra, os discípulos tiveram “uma discussão acalorada” sobre quem era o maior! (Lucas 22:24) Será que Jesus desistiu deles, concluindo que eram um caso perdido? Não. Sempre paciente, ele continuou positivo e esperançoso, concentrando-se em suas boas qualidades. Jesus sabia que, no fundo, eles amavam a Jeová e realmente queriam fazer a Sua vontade. — Lucas 22:25-27.
Permitiremos que a oposição nos desanime ou continuaremos a pregar com zelo?
13. Que provas parecidas às de Jesus talvez enfrentemos?
13 Talvez enfrentemos provas parecidas às de Jesus. Por exemplo, podemos encontrar pessoas apáticas ou que até mesmo se opõem à mensagem do Reino. Deixaremos essas reações negativas nos desanimar ou continuaremos a pregar com zelo? (Tito 2:14) As imperfeições de nossos irmãos também podem ser uma prova para nós. Uma palavra irrefletida ou um gesto impensado podem nos magoar. (Provérbios 12:18) Permitiremos que as falhas de nossos irmãos nos façam desistir deles ou continuaremos a suportar suas falhas e a nos concentrar em suas boas qualidades? — Colossenses 3:13.
Por que Jesus perseverou
14. Que dois fatores ajudaram Jesus a perseverar?
14 O que ajudou Jesus a perseverar e manter a integridade apesar de todas as humilhações, decepções e sofrimentos que enfrentou? Dois fatores principais foram de ajuda. Primeiro, Jesus recorreu a Jeová, “o Deus que dá perseverança”. (Romanos 15:5) Segundo, ele olhou à frente, concentrando-se no resultado de sua perseverança. Vamos analisar esses dois fatores, um por vez.
15, 16. (a) O que mostra que Jesus não confiou em sua própria força para perseverar? (b) Que confiança Jesus tinha em seu Pai, e por quê?
15 Apesar de ser o Filho perfeito de Deus, Jesus não confiou em sua própria força para perseverar. Em vez disso, recorreu ao seu Pai celestial e orou pedindo ajuda de cima. O apóstolo Paulo escreveu: “Cristo fez pedidos e súplicas, com fortes clamores e lágrimas, Àquele que era capaz de salvá-lo da morte.” (Hebreus 5:7) Note que Jesus “fez” não apenas petições, mas também súplicas. O termo “súplica” se refere a um apelo sincero e fervoroso — sim, um rogo por ajuda. O uso do plural “súplicas” indica que Jesus implorou a Jeová mais de uma vez. De fato, no jardim de Getsêmani, Jesus fez várias orações fervorosas. — Mateus 26:36-44.
16 Jesus tinha confiança absoluta de que Jeová responderia a suas súplicas, pois sabia que seu Pai é o “Ouvinte de oração”. (Salmo 65:2) Antes de vir à Terra, o Filho primogênito havia observado como seu Pai responde às orações de servos leais. Por exemplo, o Filho estava presente no céu quando Jeová enviou um anjo para responder à oração sincera do profeta Daniel — antes mesmo de Daniel ter terminado de orar. (Daniel 9:20, 21) Então, como o Pai poderia deixar de ouvir seu Filho unigênito quando ele derramou seu coração “com fortes clamores e lágrimas”? Jeová atendeu às súplicas dele e enviou um anjo para lhe dar forças a fim de suportar a provação. — Lucas 22:43.
17. Por que devemos recorrer a Jeová para perseverar, e como podemos fazer isso?
17 Para perseverar, nós também temos de recorrer ao Deus ‘que dá poder’. (Filipenses 4:13) Se o Filho perfeito de Deus achou necessário suplicar a Jeová por ajuda, quanto mais nós! Assim como Jesus, talvez tenhamos de implorar repetidamente a ajuda de Jeová. (Mateus 7:7) Embora não esperemos receber a visita de um anjo, podemos ter certeza de que nosso Deus amoroso responderá aos pedidos de todo cristão leal que “persiste em súplicas e orações, noite e dia”. (1 Timóteo 5:5) Não importam quais sejam as provas que venhamos a enfrentar — saúde fraca, morte de alguém querido ou perseguição —, Jeová nos responderá ao orarmos fervorosamente pedindo sabedoria, coragem e força para perseverar. — 2 Coríntios 4:7-11; Tiago 1:5.
Jeová nos responderá ao orarmos fervorosamente pedindo ajuda para perseverar
18.Como Jesus olhou além de seu sofrimento?
18 O segundo fator que ajudou Jesus a perseverar é que ele olhou à frente, além de seu sofrimento. A Bíblia diz a respeito dele: “Pela alegria que lhe foi apresentada, ele suportou a morte numa estaca de tortura.” (Hebreus 12:2) O exemplo de Jesus deixa claro como a esperança, a alegria e a perseverança se complementam. Podemos resumir isso do seguinte modo: a esperança resulta em alegria, e a alegria, em perseverança. (Romanos 15:13; Colossenses 1:11) Jesus tinha perspectivas maravilhosas. Ele sabia que sua fidelidade contribuiria para santificar o nome de seu Pai e lhe permitiria resgatar a humanidade do pecado e da morte. Também tinha a esperança de governar como Rei e servir como Sumo Sacerdote para trazer ainda mais bênçãos aos humanos obedientes. (Mateus 20:28; Hebreus 7:23-26) Ele sentiu muita alegria por se concentrar em suas perspectivas e em sua esperança, e essa alegria, por sua vez, o ajudou a perseverar.
19. Quando enfrentamos testes de fé, como podemos permitir que a esperança, a alegria e a perseverança nos beneficiem?
19 Assim como Jesus, precisamos permitir que a esperança, a alegria e a perseverança nos beneficiem. “Alegrem-se na esperança”, disse o apóstolo Paulo. E depois acrescentou: “Perseverem sob tribulação.” (Romanos 12:12) Você está enfrentando um difícil teste de fé? Então olhe à frente. Não perca de vista o fato de que sua perseverança resultará em louvor para o nome de Jeová. Mantenha bem em foco a preciosa esperança do Reino. Imagine-se vivendo no novo mundo de Deus e usufruindo as bênçãos do Paraíso. Meditar no cumprimento das maravilhosas promessas de Deus — como a santificação de seu nome, a eliminação da maldade e o fim das doenças e da morte — encherá seu coração de alegria. Essa alegria pode ajudá-lo a perseverar, não importam as provas que você venha a enfrentar. Em comparação com o que acontecerá quando a esperança do Reino se concretizar, qualquer sofrimento no mundo de hoje é realmente “momentâneo e leve”. — 2 Coríntios 4:17.
‘Siga fielmente os seus passos’
20, 21. No que diz respeito à perseverança, o que Jeová espera de nós, e qual deve ser a nossa determinação?
20 Jesus sabia que segui-lo seria desafiador e exigiria perseverança. (João 15:20) Ele estava preparado para dar o exemplo, sabendo que isso fortaleceria outros. (João 16:33) Jesus de fato deu o exemplo perfeito de perseverança, mas nós estamos bem longe de ser perfeitos. O que Jeová espera de nós? O apóstolo Pedro explica: “Cristo sofreu por vocês, deixando um modelo para seguirem fielmente os seus passos.” (1 Pedro 2:21) Pelo modo como lidou com as provações, Jesus deixou “um modelo”, um padrão a ser copiado.a O registro de perseverança que Jesus deixou pode ser comparado a “passos”, ou pegadas. Não podemos seguir esses passos de modo perfeito, mas podemos segui-los “fielmente”.
21 Portanto, estejamos decididos a seguir o exemplo de perseverança de Jesus do melhor modo que pudermos. Nunca nos esqueçamos de que, quanto mais de perto seguirmos suas pegadas, mais bem habilitados estaremos para perseverar “até o fim” — o fim deste velho sistema ou o fim de nossa vida atual. Não sabemos qual virá primeiro, mas de uma coisa temos certeza: por toda a eternidade, Jeová nos recompensará pela nossa perseverança. — Mateus 24:13.
a A palavra grega traduzida “modelo” significa literalmente “subscrito”. O apóstolo Pedro é o único escritor das Escrituras Gregas Cristãs a usar essa palavra, que segundo certa fonte significa “‘um exemplo’ num caderno escolar, um modelo perfeito de escrita para a criança copiar do modo mais exato que puder”.
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“Fui enviado para isso”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO OITO
“Fui enviado para isso”
1-4. (a) Como Jesus ensina com habilidade uma samaritana, e qual é o resultado? (b) Como os apóstolos reagem?
JESUS e seus apóstolos já estão caminhando há horas. Eles saíram da Judeia em direção ao norte, para a Galileia. Tomaram o caminho mais curto, que leva cerca de três dias de viagem e passa por Samaria. Por volta do meio-dia, eles chegam a uma pequena cidade samaritana chamada Sicar e param ali para descansar e comer.
2 Enquanto os apóstolos vão comprar comida, Jesus descansa ao lado de um poço fora da cidade. Uma mulher samaritana chega para tirar água. Jesus poderia simplesmente ignorá-la, pois está “cansado da viagem”. (João 4:6) Seria até compreensível se ele fizesse isso e a deixasse passar despercebida. Conforme vimos no Capítulo 4, é provável que ela já esperasse que um judeu a tratasse com desprezo. Mas Jesus começa a conversar com ela.
3 Ele inicia a conversa com uma ilustração baseada no dia a dia da mulher — na verdade, relacionada com o que ela está fazendo naquele exato momento. Ela está ali para tirar água, e Jesus fala de uma água vitalizadora que vai saciar a sede espiritual dela. A mulher toca em questões polêmicas várias vezes durante a conversa.a Usando de tato, Jesus evita comentar essas questões e continua a falar sobre o assunto que tem em mente. Ele se concentra em assuntos espirituais tais como a adoração pura e Jeová Deus. Suas palavras têm grande repercussão, pois a mulher conta aos homens da cidade o que ele disse, e eles também querem ouvir Jesus. — João 4:3-42.
4 Quando os apóstolos chegam, como reagem ao ver Jesus dando notável testemunho àquela mulher? Não demonstram nenhum sinal de entusiasmo. Até ficam surpresos de ver Jesus falando com a samaritana e, pelo que parece, nem dirigem a palavra a ela. Depois que a mulher vai embora, os apóstolos insistem com Jesus para que coma o alimento que trouxeram. Mas Jesus diz: “Tenho para comer um alimento que vocês não conhecem.” Intrigados, de início eles entendem as palavras de Jesus de modo literal. Daí ele explica: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e terminar a sua obra.” (João 4:32, 34) Desse modo, Jesus lhes ensina que a principal obra da sua vida é mais importante para ele do que a comida. Ele deseja que seus apóstolos também a encarem desse modo. Que obra é essa?
5. Qual era a principal obra da vida de Jesus, e o que consideraremos neste capítulo?
5 Certa vez Jesus disse: “Tenho de declarar as boas novas do Reino de Deus . . . porque fui enviado para isso.” (Lucas 4:43) Ele foi enviado para pregar e ensinar as boas novas do Reino de Deus.b Os atuais seguidores de Jesus foram incumbidos dessa mesma obra. Assim, é muito importante que consideremos por que Jesus pregou, o que pregou e como encarava a sua incumbência.
Por que Jesus pregou
6, 7. Como Jesus queria que “todo instrutor público” encarasse a oportunidade de transmitir as boas novas? Ilustre.
6 Vamos considerar como Jesus encarava as verdades que ensinava; depois analisaremos sua atitude para com as pessoas a quem instruía. Jesus usou uma ótima ilustração para mostrar como ele encarava a oportunidade de transmitir as verdades que Jeová lhe tinha ensinado. Ele disse: “Todo instrutor público que é ensinado a respeito do Reino dos céus é semelhante a um homem, dono de uma casa, que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas.” (Mateus 13:52) Qual é o motivo de o homem dessa ilustração trazer para fora coisas de seu tesouro?
7 Não é simplesmente para exibir seus bens, assim como o Rei Ezequias da antiguidade fez em certa ocasião — com amargas consequências. (2 Reis 20:13-20) Então por que aquele homem faz isso? Pense na seguinte ilustração: você vai à casa de um professor de quem você gosta muito. Ele abre uma gaveta e tira duas cartas — uma amarelada pelo tempo e outra mais nova. O professor as recebeu de seu pai — uma delas é de décadas atrás, quando ele ainda era criança, e a outra é mais recente. Os olhos do professor brilham ao contar como as cartas são preciosas para ele e como os conselhos contidos nelas mudaram a vida dele e poderiam ajudar você. O professor sem dúvida dá muito valor às cartas; elas têm um lugar especial em seu coração. (Lucas 6:45) Ele as mostra a você, não para se gabar ou para tirar algum proveito, mas para beneficiar você e dar-lhe uma ideia do valor que elas têm.
8. Por que temos um bom motivo para encarar as verdades que aprendemos da Palavra de Deus como tesouros?
8 O Grande Instrutor, Jesus, tinha a mesma motivação ao transmitir as verdades de Deus. Para ele, aquelas verdades eram tesouros inestimáveis. Ele as amava e queria muito falar sobre elas às pessoas. Queria que todos os seus seguidores, “todo instrutor público”, as encarassem do mesmo modo. É assim que as encaramos? Esse é um bom motivo para amar todas as verdades que aprendemos da Palavra de Deus. Damos muito valor às joias da verdade, sejam elas crenças que já prezamos há muito tempo, sejam refinamentos recentes. Assim como Jesus, demonstramos esse amor por falar com entusiasmo sobre o que Jeová nos ensina e por continuar a amar essas verdades.
9. (a) O que Jesus sentia pelas pessoas a quem ensinava? (b) Como podemos imitar o modo como Jesus encarava as pessoas?
9 Jesus também amava as pessoas a quem ensinava, conforme veremos em mais detalhes na Seção 3. Foi profetizado que o Messias teria “pena do humilde e do pobre”. (Salmo 72:13) De fato, Jesus se importava com as pessoas. Ele se preocupava com os conceitos e as atitudes que as influenciavam, com os fardos que as oprimiam e com aquilo que as impedia de entender a verdade. (Mateus 11:28; 16:13; 23:13, 15) Lembre-se, por exemplo, da samaritana. Ela sem dúvida ficou muito impressionada por ele ter se importado com ela. O fato de Jesus saber de sua situação fez com que ela o reconhecesse como profeta e falasse a outros sobre ele. (João 4:16-19, 39) É verdade que os seguidores de Jesus não sabem o que há no coração das pessoas a quem pregam. Mas podemos mostrar interesse nelas, assim como Jesus. Além de deixarmos evidente que nos preocupamos com elas, podemos escolher o que vamos dizer a fim de nos adaptar aos interesses, às necessidades e aos problemas de cada um.
O que Jesus pregou?
10, 11. (a) O que Jesus pregou? (b) Por que surgiu a necessidade do Reino de Deus?
10 O que Jesus pregou? Se você fosse procurar a resposta nos ensinamentos de muitas igrejas que afirmam segui-lo, talvez concluísse que ele divulgou algum tipo de evangelho social. Ou talvez tivesse a impressão de que ele defendeu reformas políticas ou destacou a salvação como a coisa mais importante. Mas, como já foi mencionado, Jesus disse claramente: “Tenho de declarar as boas novas do Reino de Deus.” O que ele queria dizer com isso?
11 Lembre-se de que Jesus estava presente quando Satanás caluniou o nome santo de Jeová e questionou o modo de Deus governar. Como deve ter sido doloroso para Jesus ver seu justo Pai ser acusado de Governante injusto que priva Suas criaturas do que é bom! O Filho de Deus deve ter ficado muito triste quando Adão e Eva, os futuros pais da humanidade, deram ouvidos à calúnia de Satanás. Ele viu a família humana ser contaminada com o pecado e a morte em resultado dessa rebelião. (Romanos 5:12) Mas ele deve ter ficado muito feliz ao saber que seu Pai um dia corrigiria todos os problemas.
12, 13. Que injustiças o Reino de Deus corrigirá, e como Jesus fez do Reino o tema principal de seu ministério?
12 Acima de tudo, o que precisava ser corrigido? O sagrado nome de Jeová tinha de ser santificado, limpo de toda calúnia lançada sobre ele por Satanás e os que tomaram seu lado. Visto que o nome de Jeová inclui sua reputação como governante, a legitimidade de sua soberania, ou o seu modo de governar, tinha de ser vindicada. Jesus entendia essas questões vitais melhor do que qualquer outra pessoa. Na oração-modelo, ele ensinou seus seguidores a pedir primeiro a santificação do nome de seu Pai, a seguir a vinda do Reino e depois a realização da vontade de Deus na Terra. (Mateus 6:9, 10) O Reino de Deus, cujo Governante é Cristo Jesus, em breve eliminará da Terra o sistema corrupto de Satanás e estabelecerá para sempre o governo justo de Jeová. — Daniel 2:44.
13 Esse Reino foi o tema do ministério de Jesus. Suas palavras e ações ajudaram a esclarecer o que é o Reino de Deus e como ele cumprirá o propósito de Jeová. Jesus não permitiu que nada o desviasse de sua missão de pregar as boas novas do Reino de Deus. Nos seus dias, havia problemas sociais urgentes e muita injustiça, mas ele se concentrou em sua mensagem e em sua obra. Será que o fato de Jesus agir assim significava que ele tinha a mente fechada e que seus métodos de pregação eram cansativos e repetitivos? Longe disso!
14, 15. (a) De que modo Jesus foi “maior do que Salomão”? (b) Como podemos imitar Jesus ao pregar?
14 Conforme veremos nesta seção, Jesus tornou seu ensino interessante e variado. Ele procurava tocar o coração das pessoas. Podemos nos lembrar do sábio Rei Salomão, que procurou palavras agradáveis, palavras exatas de verdade, para transmitir os pensamentos que Jeová o inspirou a escrever. (Eclesiastes 12:10) Jeová deu “um coração com uma compreensão além de medida” a Salomão, um homem imperfeito, para que ele pudesse falar sobre muitos assuntos, de aves a peixes, e de árvores a animais selvagens. Alguns vinham de longe para ouvi-lo. (1 Reis 4:29-34) Mas Jesus era “maior do que Salomão”. (Mateus 12:42) Ele era muito mais sábio e tinha ‘um coração com muito mais compreensão’. Ao ensinar as pessoas, Jesus fazia uso do enorme conhecimento que tinha da Palavra de Deus e do que sabia sobre animais, agricultura, clima, acontecimentos da época, história e condições sociais. Ao mesmo tempo, nunca usou seu conhecimento para impressionar outros. Sua mensagem era sempre simples e clara. Não é de admirar que as pessoas tivessem prazer em ouvi-lo! — Marcos 12:37; Lucas 19:48.
15 Os cristãos hoje tentam seguir o exemplo de Jesus. Não temos tanta sabedoria e conhecimento quanto ele, mas todos nós temos certa medida de conhecimento e experiência. Podemos fazer uso disso ao transmitir as verdades da Palavra de Deus. Os pais, por exemplo, podem usar sua experiência em criar filhos para ilustrar o amor que Jeová tem por suas criaturas. Outros podem tirar exemplos ou ilustrações de sua profissão, do que acontece na escola, dos tratos com outros e dos acontecimentos atuais. Ao mesmo tempo, tomamos cuidado para que nada desvie a atenção que deve ser dada à nossa mensagem — as boas novas do Reino de Deus. — 1 Timóteo 4:16.
Como Jesus encarava seu ministério
16, 17. (a) Como Jesus encarava o ministério? (b) Como Jesus mostrou que o ministério era a coisa mais importante da sua vida?
16 Para Jesus, seu ministério era um tesouro precioso. Ele tinha prazer em ajudar as pessoas a encarar seu Pai como ele realmente é, sem as distorções causadas pelas confusas doutrinas e tradições humanas. Jesus gostava muito de ajudar as pessoas a ter um relacionamento aprovado com Jeová e ter a esperança de vida eterna. Ele tinha prazer em levar a elas o consolo e a alegria que as boas novas proporcionavam. Como ele demonstrou que era assim que se sentia em relação ao ministério? Veja três modos.
17 Primeiro, Jesus fez do ministério a coisa mais importante da sua vida. Ele dedicou sua vida a falar sobre o Reino. Essa obra era sua carreira, seu interesse principal. É por isso que Jesus teve uma vida simples, conforme vimos no Capítulo 5. Ele aconselhava outros a se concentrar no que era mais importante e agia exatamente desse modo. Não se ocupou com coisas pelas quais teria de pagar, ou que teria de manter, consertar ou substituir ao longo do tempo. Jesus viveu de modo simples para que nada atrapalhasse desnecessariamente seu ministério. — Mateus 6:22; 8:20.
18. De que modo Jesus se gastou no ministério?
18 Segundo, Jesus se gastou no ministério. Ele empregou muita energia para realizar sua obra, andando literalmente centenas de quilômetros pela Palestina à procura de pessoas a quem pudesse transmitir as boas novas. Falou com as pessoas em suas casas, nas praças, nos mercados e ao ar livre. Conversou com elas até quando estava cansado, com fome, com sede ou precisando de um pouco de privacidade. Mesmo quando estava morrendo, ele continuou a transmitir as boas novas do Reino de Deus! — Lucas 23:39-43.
19, 20. Como Jesus ilustrou a urgência da obra de pregação?
19 Terceiro, o ministério era algo urgente para Jesus. Pense na ocasião em que ele conversou com a samaritana em Sicar. Pelo visto seus apóstolos não achavam que era urgente transmitir as boas novas naquela ocasião. Jesus lhes disse: “Vocês não dizem que ainda faltam quatro meses para chegar a colheita? Escutem o que eu lhes digo: Ergam os olhos e observem os campos, que estão brancos para a colheita.” — João 4:35.
20 Jesus baseou essa ilustração na estação do ano em que se encontravam. Tudo indica que eles estavam no mês de quisleu (novembro/dezembro). A colheita da cevada seria dali a quatro meses, por volta da época da Páscoa, em 14 de nisã. Assim, os lavradores não viam urgência na colheita, pois ela ainda estava bem longe. Mas que dizer da colheita de pessoas? Bem, nesse caso, muitos estavam prontos para ouvir, aprender, se tornar discípulos de Cristo e ter a esperança maravilhosa que Jeová lhes havia preparado. Era como se Jesus pudesse olhar para aqueles campos figurativos e ver que estavam brancos, com os cereais maduros balançando ao vento, indicando que estavam prontos para a colheita.c A hora tinha chegado e a obra era urgente. Por isso, quando os moradores de certa cidade tentaram impedir que Jesus fosse embora, ele disse: “Tenho de declarar as boas novas do Reino de Deus também a outras cidades, porque fui enviado para isso.” — Lucas 4:43.
21. Como podemos imitar Jesus?
21 Podemos imitar Jesus dos três modos que acabamos de considerar. Um deles é por fazer do ministério cristão a coisa mais importante da nossa vida. Mesmo que tenhamos responsabilidades familiares e outros assuntos para cuidar, podemos mostrar que o ministério ocupa o primeiro lugar em nossa vida participando nele de forma zelosa e regular, assim como Jesus. (Mateus 6:33; 1 Timóteo 5:8) Outra maneira é por nos gastarmos no ministério, dando generosamente de nosso tempo, energia e recursos para apoiá-lo. (Lucas 13:24) E precisamos sempre nos lembrar que a nossa obra é urgente. (2 Timóteo 4:2) Temos de aproveitar todas as oportunidades para pregar!
22. O que será considerado no próximo capítulo?
22 Jesus também mostrou que compreendia a importância da obra por se certificar de que ela continuasse a ser feita após a sua morte. Ele comissionou seus seguidores a dar continuidade à obra de pregar e ensinar. Essa comissão será o assunto do próximo capítulo.
a Por exemplo, ao perguntar por que Jesus, apesar de ser judeu, falava com uma samaritana, ela mencionou uma inimizade muito antiga entre os dois povos. (João 4:9) Ela também afirmou que seu povo descendia de Jacó, algo que os judeus da época negavam categoricamente. (João 4:12) Os judeus chamavam os samaritanos de cutianos, para enfatizar que descendiam de povos estrangeiros.
b Pregar significa proclamar, ou declarar, uma mensagem. Ensinar tem um sentido parecido, mas inclui transmitir uma mensagem de modo mais profundo e detalhado. Ensinar bem envolve encontrar maneiras de tocar o coração daqueles a quem ensinamos a fim de motivá-los a agir em harmonia com o que ouvem.
c Uma obra de referência diz o seguinte a respeito desse versículo: “Quando o cereal está maduro, sua cor muda do verde para o amarelo, ou seja, para uma cor clara, indicando que chegou a hora da colheita.”
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“Vão e façam discípulos”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO NOVE
“Vão e façam discípulos”
O que o lavrador pode fazer se a safra for muito grande para ele colher sozinho?
1-3. (a) O que certo lavrador faz quando a safra é grande demais para ele colher sozinho? (b) Com que desafio Jesus se confrontou na primavera de 33 EC, e o que fez para enfrentá-lo?
CERTO lavrador arou e semeou seus campos. Ficou atento ao surgimento das primeiras lâminas do cereal e se alegrou com o crescimento das plantas. Agora todo o seu trabalho é recompensado, pois chegou a hora da colheita. Mas ele se depara com um enorme desafio: a safra é muito grande para ele colher sozinho. Assim, ele sabiamente decide contratar alguns trabalhadores e enviá-los aos campos, pois há pouco tempo para colher a preciosa safra.
2 Na primavera de 33 EC, o ressuscitado Jesus se confrontou com um desafio similar. Ele havia semeado a verdade durante seu ministério terrestre. Agora era necessário fazer a colheita, e a safra era abundante. Muitas pessoas receptivas tinham de ser ajuntadas para se tornar discípulos. (João 4:35-38) O que Jesus fez para enfrentar esse desafio? Numa montanha na Galileia, pouco antes de subir ao céu, ele comissionou seus discípulos para encontrar mais trabalhadores, dizendo: “Portanto, vão e façam discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as . . . , ensinando-as a obedecer a todas as coisas que lhes ordenei.” — Mateus 28:19, 20.
3 Essa comissão é a essência do que significa ser verdadeiro seguidor de Cristo. Portanto, vamos analisar três perguntas. Por que Jesus deu essa comissão que resultaria em mais trabalhadores? Como ele treinou seus discípulos para encontrá-los? Como estamos envolvidos nessa comissão?
Por que era necessário mais trabalhadores?
4, 5. Por que Jesus não terminaria a obra a que deu início, e quem teria de dar prosseguimento a ela quando ele retornasse ao céu?
4 Ao iniciar seu ministério em 29 EC, Jesus sabia que estava começando uma obra que não terminaria sozinho. No curto tempo que lhe restava, ele conseguiria levar a mensagem do Reino a um número limitado de pessoas e alcançar apenas uma área limitada. É verdade que ele restringiu sua pregação principalmente aos judeus e prosélitos, as “ovelhas perdidas da casa de Israel”. (Mateus 15:24) No entanto, aquelas “ovelhas perdidas” estavam espalhadas por todo o território de Israel, um país que abrangia milhares de quilômetros quadrados. Além disso, todo o campo mundial por fim teria de ser alcançado com as boas novas. — Mateus 13:38; 24:14.
5 Jesus sabia que após a sua morte ainda haveria muito trabalho a ser feito. Ele disse aos 11 apóstolos fiéis: “Digo-lhes com toda a certeza: Quem exercer fé em mim fará também as obras que eu faço. E ele fará obras maiores do que essas, porque vou embora para o Pai.” (João 14:12) Visto que o Filho retornaria ao céu, seus seguidores — não apenas os apóstolos, mas todos os futuros discípulos — teriam de dar prosseguimento à obra de pregar e ensinar. (João 17:20) Jesus humildemente reconheceu que as obras de seus discípulos seriam “maiores do que” as dele. Como se daria isso? De três maneiras.
6, 7. (a) De que modo as obras dos seguidores de Jesus seriam maiores do que as dele? (b) Como podemos provar que Jesus estava certo ao confiar em seus seguidores?
6 Primeiro, os seguidores de Jesus abrangeriam um território maior. Atualmente, o testemunho deles chega aos quatro cantos da Terra, muito além das fronteiras do país onde Jesus pregou. Segundo, eles alcançariam mais pessoas. O pequeno grupo de discípulos que Jesus deixou chegou rapidamente aos milhares. (Atos 2:41; 4:4) Agora existem milhões, e centenas de milhares de discípulos são batizados todo ano. Terceiro, a pregação deles continuaria por mais tempo. Ela se estende até hoje, quase 2 mil anos após o fim do ministério de Jesus, que durou três anos e meio.
7 Jesus demonstrou confiança nos discípulos quando disse que eles fariam “obras maiores do que” as dele. Estava confiando a eles uma obra que era muito importante para ele: pregar e ensinar “as boas novas do Reino de Deus”. (Lucas 4:43) Ele tinha certeza de que os discípulos cumpririam fielmente essa incumbência. O que isso significa para nós hoje? Quando nos empenhamos com zelo e de todo o coração no ministério, provamos que Jesus estava certo ao confiar em seus seguidores. Que privilégio maravilhoso! — Lucas 13:24.
Instruídos para dar testemunho
O amor nos motiva a pregar onde quer que haja pessoas
8, 9. Que exemplo Jesus deixou ao realizar o ministério, e como podemos imitá-lo?
8 Jesus deu aos discípulos o melhor treinamento possível para o ministério. Acima de tudo, deixou um exemplo perfeito para eles. (Lucas 6:40) No capítulo anterior, analisamos como Jesus encarava o ministério. Pense nos discípulos que o acompanharam em suas viagens de pregação. Eles observaram que Jesus pregava onde quer que houvesse pessoas — às margens de lagos, nas montanhas, nas cidades, nos mercados e nas casas. (Mateus 5:1, 2; Lucas 5:1-3; 8:1; 19:5, 6) Também viram como ele era trabalhador, levantando cedo e pregando até tarde da noite. O ministério não era um simples passatempo para Jesus. (Lucas 21:37, 38; João 5:17) Os discípulos com certeza perceberam que ele era motivado por um profundo amor pelas pessoas. Talvez vissem refletida no rosto de Jesus a compaixão que ele sentia no coração. (Marcos 6:34) Que efeito você acha que o exemplo de Jesus teve sobre seus discípulos? Como você teria sido influenciado?
9 Como seguidores de Cristo, imitamos seu exemplo em nosso ministério. Por isso, não medimos esforços para dar “um testemunho cabal”. (Atos 10:42) Assim como Jesus, visitamos as pessoas em suas casas. (Atos 5:42) Se necessário, ajustamos nossa programação para visitá-las num horário em que seja mais provável encontrá-las. Também vamos em busca das pessoas e pregamos discretamente em lugares públicos, como ruas, parques, lojas e no local de trabalho. Continuamos a ‘trabalhar arduamente e a nos esforçar’ no ministério porque levamos a sério essa obra. (1 Timóteo 4:10) O amor profundo e de coração por outros nos motiva a continuar buscando oportunidades de pregar em todos os lugares e ocasiões. — 1 Tessalonicenses 2:8.
‘Os 70 voltaram com alegria’
10-12. Que lições importantes Jesus ensinou a seus discípulos antes de enviá-los à pregação?
10 Jesus também treinou seus discípulos por lhes dar instruções detalhadas. Antes de enviar à pregação os 12 apóstolos, e mais tarde os 70 discípulos, Jesus se reuniu com eles e deu instruções detalhadas sobre como pregar. (Mateus 10:1-15; Lucas 10:1-12) Isso deu bons resultados. Lucas 10:17 diz: ‘Os 70 voltaram com alegria.’ Vamos analisar duas lições importantes que Jesus ensinou, lembrando que para entender suas palavras é preciso levar em conta os costumes judaicos da época.
11 Jesus ensinou seus discípulos a confiar em Jeová. Ele lhes disse: “Não adquiram ouro, nem prata, nem cobre para o seu cinto, nem bolsa de provisões para a viagem, nem roupa extra, nem sandálias, nem bastão, pois o trabalhador merece o seu alimento.” (Mateus 10:9, 10) Quando as pessoas viajavam, era comum usarem um cinto com um bolso para carregar dinheiro, além de uma bolsa de provisões e um par adicional de sandálias.a Ao instruir seus discípulos a não se preocupar com essas coisas, Jesus na verdade estava dizendo: “Confiem plenamente em Jeová, pois ele cuidará das suas necessidades.” Jeová os ajudaria, motivando os que aceitassem as boas novas a ser hospitaleiros, o que era costume em Israel. — Lucas 22:35.
12 Jesus também ensinou seus discípulos a evitar coisas que desnecessariamente os distraíssem de seu objetivo. Ele disse: “Não cumprimentem ninguém ao longo da estrada.” (Lucas 10:4) Será que Jesus queria dizer que eles deviam ser frios ou indiferentes? De modo algum. Nos tempos bíblicos, os cumprimentos geralmente envolviam mais do que uma simples saudação; incluíam várias formalidades e longas conversas. Um erudito bíblico diz: “Os cumprimentos entre os orientais não consistiam, como entre nós, em um aceno com a cabeça, ou aperto de mãos, mas incluíam muitos abraços, reverências e até se prostrar ao solo. Tudo isso tomava muito tempo.” Ao dizer a seus discípulos que não cumprimentassem outros do modo costumeiro, em certo sentido Jesus estava dizendo: “Usem seu tempo da melhor maneira possível, pois a mensagem é urgente.”b
13. De que modo podemos demonstrar que levamos a sério as instruções que Jesus deu aos discípulos no primeiro século?
13 Nós levamos a sério as instruções que Jesus deu aos discípulos no primeiro século. Confiamos plenamente em Jeová ao realizar nosso ministério. (Provérbios 3:5, 6) Sabemos que nossas necessidades básicas nunca nos faltarão se ‘persistirmos em buscar primeiro o Reino’. (Mateus 6:33) Evangelizadores por tempo integral no mundo todo podem comprovar que mesmo em tempos difíceis o braço de Jeová não é curto. (Salmo 37:25) Também reconhecemos que precisamos evitar coisas que nos distraiam de nosso objetivo. Se não tomarmos cuidado, este sistema pode facilmente nos desviar. (Lucas 21:34-36) Mas agora não é hora de nos deixar distrair. Vidas estão em jogo, por isso nossa mensagem é urgente. (Romanos 10:13-15) Manter um senso de urgência nos ajudará a evitar que coisas deste mundo consumam o tempo e a energia que seriam mais bem aproveitados no ministério. Lembre-se de que o tempo que resta é curto, e a colheita é grande. — Mateus 9:37, 38.
Como estamos envolvidos nessa obra
14. O que indica que a comissão registrada em Mateus 28:18-20 se aplica a todos os seguidores de Cristo? (Veja também a nota.)
14 Ao dizer “vão e façam discípulos”, o ressuscitado Jesus confiou uma grande responsabilidade a seus seguidores. Ele não tinha em mente apenas os discípulos que estavam presentes naquele dia numa montanha na Galileia.c A obra que ele ordenou envolve pregar a “pessoas de todas as nações”, e continua “até o final do sistema de coisas”. Fica claro que essa comissão se aplica a todos os seguidores de Cristo, incluindo nós hoje em dia. Vamos analisar mais de perto as palavras de Jesus registradas em Mateus 28:18-20.
15. Por que é apropriado obedecermos ao mandamento de Jesus de fazer discípulos?
15 Antes de comissionar seus discípulos, Jesus disse: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.” (Versículo 18) Será que Jesus realmente tem toda essa autoridade? Com certeza. Ele é o arcanjo e comanda milhões de anjos. (1 Tessalonicenses 4:16; Apocalipse 12:7) Como “cabeça da congregação”, Jesus tem autoridade sobre seus seguidores na Terra. (Efésios 5:23) Ele está governando no céu como Rei messiânico desde 1914. (Apocalipse 11:15) Jesus tem autoridade até mesmo para ressuscitar os mortos. (João 5:26-28) Por mencionar primeiro sua grande autoridade, Jesus indica que suas próximas palavras não são uma sugestão, mas uma ordem. Fazemos bem em obedecer a ela, pois ele não assumiu essa autoridade por conta própria, ela lhe foi dada por Deus. — 1 Coríntios 15:27.
16. O que Jesus quer que façamos ao dizer “vão”, e como cumprimos esse aspecto de nossa comissão?
16 Jesus passa então a dar a comissão, que começa com uma única palavra: “Vão.” (Versículo 19) Desse modo, ele nos ordena a tomar a iniciativa de transmitir a outros a mensagem do Reino. Podemos usar muitos métodos para cumprir esse aspecto da nossa comissão. Pregar de casa em casa é a maneira mais eficaz de falar pessoalmente com outros. (Atos 20:20) Também aproveitamos as oportunidades no nosso dia a dia para dar testemunho informal, procurando iniciar conversas sobre as boas novas em todo lugar que for apropriado. Nossos métodos específicos de pregação podem variar para se adaptar às circunstâncias e às necessidades da região onde vivemos. Uma coisa, porém, não muda: nós ‘vamos’ em busca dos merecedores. — Mateus 10:11.
17. Como ‘fazemos discípulos’?
17 Depois Jesus explica o objetivo de sua ordem, dizendo: “Façam discípulos de pessoas de todas as nações.” (Versículo 19) Como ‘fazemos discípulos’? Basicamente, um discípulo é um aprendiz, alguém que é ensinado. Mas fazer discípulos não é uma simples questão de transmitir conhecimento a outros. Quando estudamos a Bíblia com os interessados, nosso objetivo é ajudá-los a se tornar seguidores de Cristo. Sempre que possível, destacamos o exemplo de Jesus para que nossos estudantes aprendam a encará-lo como seu Instrutor e Modelo, vivendo do modo como ele viveu e realizando a obra que ele fez. — João 13:15.
18. Por que o batismo é o evento mais importante na vida do discípulo?
18 Uma parte vital da comissão que Jesus deu é expressa pelas palavras: “Batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo.” (Versículo 19) O batismo é o evento mais importante na vida de um discípulo, pois é um símbolo apropriado de sua dedicação de toda o coração a Deus. Assim, o batismo é essencial para a salvação. (1 Pedro 3:21) O discípulo batizado pode aguardar bênçãos eternas no futuro novo mundo ao passo que continua fazendo o seu melhor no serviço prestado a Jeová. Você já ajudou alguém a se tornar discípulo batizado de Cristo? Essa é a maior alegria que podemos ter no ministério cristão. — 3 João 4.
19. O que ensinamos aos novos, e por que o ensino não termina após o batismo?
19 Jesus explica a próxima parte da comissão dizendo: “Ensinando-as a obedecer a todas as coisas que lhes ordenei.” (Versículo 20) Ensinamos os novos a seguir os mandamentos de Jesus, o que inclui amar a Deus e ao próximo, e fazer discípulos. (Mateus 22:37-39) Aos poucos lhes ensinamos a explicar as verdades da Bíblia e a defender a fé que vão adquirindo. Quando se qualificam para participar na pregação, trabalhamos junto com eles, ensinando-os por meio de palavras e exemplo a ter uma participação significativa nessa obra. O ensino não termina necessariamente com o batismo. Os recém-batizados talvez precisem de instruções adicionais para ajudá-los a enfrentar os desafios que sobrevêm aos seguidores de Cristo. — Lucas 9:23, 24.
“Estou com vocês todos os dias”
20, 21. (a) Por que não há motivo para ter medo ao cumprirmos a comissão de Jesus? (b) Por que não podemos diminuir o passo, e qual deve ser a nossa determinação?
20 As últimas palavras da comissão dada por Jesus nos inspiram muita confiança: “E saibam que eu estou com vocês todos os dias, até o final do sistema de coisas.” (Mateus 28:20) Jesus sabe que essa designação é séria. Sabe também que cumpri-la às vezes resultará em hostilidade por parte de opositores. (Lucas 21:12) Mas não há motivo para ter medo. Nosso Líder não espera que cumpramos essa designação sem ajuda ou sozinhos. Não é animador saber que Aquele que tem “toda a autoridade no céu e na terra” está nos apoiando no cumprimento dessa comissão?
21 Jesus garantiu que estaria com seus seguidores em seu ministério ao longo dos séculos, “até o final do sistema de coisas”. Devemos continuar a cumprir a comissão dada por Jesus até vir o fim. Agora não é hora para diminuirmos o passo. Uma enorme colheita espiritual está sendo feita! Pessoas receptivas à mensagem estão sendo ajuntadas em grande número. Como seguidores de Cristo, estejamos determinados a cumprir a importante comissão que nos foi confiada. Estejamos decididos a usar nosso tempo, energia e recursos para cumprir a ordem de Jesus: “Vão e façam discípulos.”
a O cinto tinha um bolso que era usado para guardar moedas. A bolsa de provisões era maior, geralmente feita de couro, e era pendurada no ombro e usada para carregar alimentos e outras provisões.
b O profeta Eliseu deu instruções similares em certa ocasião. Quando enviou seu servo Geazi à casa de uma mulher cujo filho havia morrido, Eliseu disse: “Se encontrar alguém, não o cumprimente.” (2 Reis 4:29) A missão era urgente, por isso não havia tempo para demoras desnecessárias.
c Visto que a maioria dos seus seguidores estavam na Galileia, provavelmente foi nessa ocasião descrita em Mateus 28:16-20 que o ressuscitado Jesus apareceu a “mais de 500”. (1 Coríntios 15:6) Portanto, centenas de pessoas talvez estivessem presentes quando Jesus lhes deu a comissão de fazer discípulos.
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“Está escrito”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO DEZ
“Está escrito”
“Hoje se cumpriu essa passagem das Escrituras”
1-3. Jesus quer ajudar as pessoas de Nazaré a chegar a que importante conclusão, e que prova ele apresenta?
AINDA no início de seu ministério Jesus visita Nazaré, a cidade onde foi criado. Seu objetivo é ajudar as pessoas a chegar à importante conclusão de que ele é o prometido Messias. Que prova ele apresenta?
2 Muitos sem dúvida esperam um milagre, pois ouviram falar das incríveis obras que Jesus já realizou. Mas em vez de lhes dar um sinal milagroso, ele vai à sinagoga, como é o seu costume. Ali, ele se levanta para ler e recebe o rolo de Isaías. É um rolo comprido e Jesus o desenrola com cuidado, passando-o de um bastão para o outro até encontrar a passagem que está procurando. Então ele lê em voz alta as palavras que hoje se encontram em Isaías 61:1-3. — Lucas 4:16-19.
3 Os presentes ali com certeza conhecem essa passagem. Trata-se de uma profecia sobre o Messias. Ninguém tira os olhos de Jesus; o silêncio paira no ar. Então Jesus começa a explicar o texto, talvez em detalhes, e diz: “Hoje se cumpriu essa passagem das Escrituras que vocês acabam de ouvir.” Todos ficam maravilhados com suas palavras cativantes, mas, pelo visto, muitos ainda querem ver um sinal espetacular. Em vez de fazer isso, Jesus corajosamente usa um exemplo tirado das Escrituras para expor a falta de fé daquelas pessoas. Pouco depois, os que estão ali tentam matá-lo! — Lucas 4:20-30.
4. Que modelo Jesus estabeleceu em seu ministério, e o que vamos analisar neste capítulo?
4 Naquela ocasião, Jesus estabeleceu um modelo que ele seguiu durante todo o seu ministério. Tudo o que fez e disse se baseava na Palavra inspirada de Deus. É verdade que os milagres de Jesus eram de grande importância para provar que ele tinha o espírito de Deus, mas para ele nada era mais importante do que as Escrituras Sagradas. Vamos analisar como nosso Mestre citou, defendeu e explicou a Palavra de Deus, deixando-nos um exemplo.
Como Jesus citou a Palavra de Deus
5. O que Jesus queria deixar claro a seus ouvintes, e como ele provou que suas afirmações a respeito disso eram verdadeiras?
5 Jesus queria que as pessoas soubessem qual era a origem de sua mensagem. Ele disse: “O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou.” (João 7:16) Em outra ocasião, ele falou: “Não faço nada de minha própria iniciativa, mas falo aquilo que o Pai me ensinou.” (João 8:28) Jesus disse também: “O que eu lhes digo não se origina de mim, mas o Pai, que permanece em união comigo, está fazendo as Suas obras.” (João 14:10) Um dos modos como Jesus provou que essas afirmações eram verdadeiras foi por citar vez após vez a Palavra escrita de Deus.
6, 7. (a) Quão extensivamente Jesus citou as Escrituras Hebraicas, e por que isso é impressionante? (b) Como o ensino de Jesus era diferente do ensino dos escribas?
6 Um estudo detalhado das palavras registradas de Jesus revela que ele fez citações diretas ou indiretas de mais da metade dos livros que fazem parte do cânon das Escrituras Hebraicas. De início isso talvez não pareça muito impressionante. Pode ser que você se pergunte por que razão Jesus, num ministério de três anos e meio, não fez citações de todos os livros inspirados disponíveis na época. Na verdade, é bem provável que ele tenha feito isso. Lembre-se de que a Bíblia registra apenas uma pequena parte do que Jesus disse e fez. (João 21:25) De fato, todas as suas palavras registradas podem ser lidas em apenas algumas horas. Mas imagine-se falando sobre Deus e Seu Reino durante apenas algumas horas e sendo capaz de citar trechos de mais da metade dos livros das Escrituras Hebraicas! Além disso, na maioria dos casos Jesus não tinha os rolos à mão. No seu famoso Sermão do Monte, ele citou muitas vezes as Escrituras Hebraicas direta e indiretamente — tudo de cor!
7 O fato de Jesus citar as Escrituras mostra que ele tinha profundo respeito pela Palavra de Deus. As pessoas ‘ficavam maravilhadas com o seu modo de ensinar, pois as ensinava como quem tinha autoridade, e não como os escribas’. (Marcos 1:22) Quando os escribas ensinavam, gostavam de mencionar a chamada lei oral, citando instruídos rabinos da antiguidade. Jesus nem uma única vez citou a lei oral ou algum rabino para apoiar o que dizia. Ele considerava a Palavra de Deus como autoridade máxima. Com frequência lemos estas palavras de Jesus: “Está escrito.” Ele repetiu muitas vezes essa declaração ou outras similares ao ensinar seus seguidores e corrigir conceitos errados.
8, 9. (a) Como Jesus mostrou que tinha a Palavra de Deus como autoridade quando expulsou do templo os comerciantes? (b) De que modo os líderes religiosos no templo mostraram grande desrespeito pela Palavra de Deus?
8 Quando Jesus expulsou os comerciantes que estavam no templo em Jerusalém, ele disse: “Está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração’, mas vocês fazem dela um abrigo de ladrões.” (Mateus 21:12, 13; Isaías 56:7; Jeremias 7:11) No dia anterior, ele havia realizado ali muitas obras. Alguns meninos ficaram impressionados e começaram a louvá-lo. Os líderes religiosos, indignados, perguntaram a Jesus se ele estava ouvindo o que as crianças diziam. Ele respondeu: “Sim. Vocês nunca leram o seguinte: ‘Da boca de crianças e de bebês fizeste sair louvor’?” (Mateus 21:16; Salmo 8:2) Jesus queria que aqueles homens soubessem que a Palavra de Deus apoiava o que estava acontecendo naquela ocasião.
9 Os líderes religiosos se juntaram mais tarde para desafiar Jesus, perguntando: “Com que autoridade você faz essas coisas?” (Mateus 21:23) Jesus já havia deixado bem claro qual era a Fonte de sua autoridade. Ele não tinha inventado doutrinas, estava simplesmente agindo segundo a Palavra inspirada de seu Pai. Fica claro, portanto, que aqueles sacerdotes e escribas demonstravam grande desrespeito por Jeová e Sua Palavra. Eles realmente mereciam que Jesus os censurasse, expondo suas más motivações. — Mateus 21:23-46.
10. Como podemos imitar Jesus no modo como usamos a Palavra de Deus, e que ajudas temos que ele não tinha?
10 Assim como Jesus, os cristãos verdadeiros hoje baseiam seu ministério na Palavra de Deus. As Testemunhas de Jeová são conhecidas no mundo inteiro por seu zelo em transmitir a mensagem bíblica a outros. Nossas publicações citam constantemente a Bíblia. Fazemos o mesmo em nosso ministério, usando as Escrituras sempre que conversamos com as pessoas. (2 Timóteo 3:16) Ficamos muito contentes quando alguém nos permite ler textos bíblicos e conversar sobre o valor e o significado da Palavra de Deus. Apesar de não termos memória perfeita, assim como Jesus, hoje temos muitas ajudas disponíveis que ele não tinha. Além da Bíblia completa, publicada em cada vez mais idiomas, temos muitas publicações bíblicas para nos ajudar a encontrar qualquer versículo que quisermos. Estejamos decididos a continuar citando textos bíblicos e direcionando a atenção das pessoas para a Bíblia em toda oportunidade!
Como Jesus defendeu a Palavra de Deus
11. Por que Jesus teve de defender a Palavra de Deus muitas vezes?
11 Jesus percebeu que a Palavra de Deus estava constantemente sob ataque, mas isso com certeza não o surpreendeu. Ele disse em oração a seu Pai: “A tua palavra é a verdade.” (João 17:17) E Jesus sabia que Satanás, “o governante do mundo”, é “um mentiroso e o pai da mentira”. (João 8:44; 14:30) Ao rejeitar as tentações de Satanás, Jesus citou as Escrituras três vezes. Satanás citou um versículo dos Salmos, propositalmente fazendo uma aplicação incorreta, mas Jesus defendeu a Palavra de Deus. — Mateus 4:6, 7.
12-14. (a) Como os líderes religiosos mostravam desrespeito pela Lei mosaica? (b) Como Jesus defendeu a Palavra de Deus?
12 Jesus defendeu muitas vezes as Escrituras Sagradas contra entendimentos incorretos e distorcidos. Os instrutores religiosos da época apresentavam a Palavra de Deus de modo enganoso. Eles davam muita importância aos mínimos detalhes da Lei mosaica e pouca importância aos princípios nos quais as leis se baseavam. Desse modo eles promoviam uma adoração superficial, que dava mais destaque às aparências do que às questões mais importantes, como justiça, misericórdia e fidelidade. (Mateus 23:23) Como Jesus defendeu a Lei de Deus?
13 No Sermão do Monte, Jesus usou várias vezes a frase “vocês ouviram que se disse” antes de citar um mandamento da Lei mosaica. Depois ele continuava com a frase “mas eu lhes digo”, e então explicava um princípio que envolvia muito mais do que apenas cumprir superficialmente a Lei. Será que Jesus estava falando contra a Lei? Não, ele a estava defendendo. Por exemplo, as pessoas conheciam bem a lei “não assassine”. Mas Jesus lhes disse que odiar uma pessoa já violava o princípio por trás daquela lei. Do mesmo modo, se alguém nutrisse sentimentos românticos por uma pessoa que não fosse seu cônjuge, estaria violando o princípio no qual se baseava a lei de Deus contra o adultério. — Mateus 5:17, 18, 21, 22, 27-39.
14 Finalmente, Jesus declarou: “Vocês ouviram que se disse: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo.’ No entanto, eu lhes digo: Continuem a amar os seus inimigos e a orar pelos que perseguem vocês.” (Mateus 5:43, 44) Será que o mandamento de ‘odiar o seu inimigo’ constava na Palavra de Deus? Não, os próprios líderes religiosos inventaram essa regra. Eles enfraqueciam a Lei perfeita de Deus com conceitos humanos. Jesus defendeu corajosamente a Palavra de Deus contra os efeitos nocivos das tradições humanas. — Marcos 7:9-13.
15. Como Jesus defendeu a Lei de Deus contra as tentativas de fazê-la parecer muito restritiva e até severa?
15 Os líderes religiosos também atacavam a Lei de Deus por fazê-la parecer muito restritiva e até severa. Na ocasião em que os discípulos de Jesus arrancaram algumas espigas de cereal ao passar por um campo, alguns fariseus disseram que eles estavam violando o sábado. Jesus usou um exemplo das Escrituras para defender a Palavra de Deus contra esse conceito desequilibrado. Ele citou a única referência que a Bíblia faz sobre o uso dos pães da proposição fora do santuário: quando Davi e os homens famintos que estavam com ele comeram os pães. Jesus mostrou aos fariseus que eles não tinham compreendido a questão principal: a misericórdia e a compaixão de Jeová. — Marcos 2:23-27.
16. Como os líderes religiosos distorceram o mandamento de Moisés a respeito do divórcio, e qual foi a reação de Jesus?
16 Os líderes religiosos também inventavam meios para se esquivar da Lei de Deus e diminuir sua força. Por exemplo, a Lei permitia que um homem se divorciasse de sua esposa se houvesse “alguma coisa indecente” da parte dela, evidentemente um problema sério que envergonhasse a família. (Deuteronômio 24:1) Mas, nos dias de Jesus, os líderes religiosos usavam essa concessão como desculpa para um homem se divorciar de sua esposa por qualquer motivo — até por ter deixado a comida queimar!a Jesus mostrou que eles tinham distorcido gravemente as palavras inspiradas de Moisés e restaurou o padrão original de Jeová para o casamento, ou seja, a monogamia. A imoralidade sexual seria a única base legítima para o divórcio. — Mateus 19:3-12.
17. Como os cristãos hoje podem defender a Palavra de Deus assim como Jesus?
17 Os seguidores atuais de Cristo também desejam defender as Escrituras Sagradas. Quando líderes religiosos dão a entender que os padrões morais da Palavra de Deus são antiquados, na verdade estão atacando a Bíblia. As Escrituras também estão sob ataque quando as religiões ensinam falsidades como se fossem doutrinas bíblicas. Para nós, é um privilégio defender a Palavra pura de Deus, que contém a verdade. Um modo de fazermos isso é por provar que Deus não faz parte de uma Trindade. (Deuteronômio 4:39) Ao mesmo tempo, defendemos a Bíblia com tato, brandura e profundo respeito. — 1 Pedro 3:15.
Jesus explicou a Palavra de Deus
18, 19. Que exemplos mostram que Jesus tinha uma habilidade maravilhosa para explicar a Palavra de Deus?
18 Jesus estava vivo no céu quando as Escrituras Hebraicas foram registradas. Como ele deve ter apreciado a oportunidade de vir à Terra e explicar a Palavra de Deus! Lembre-se, por exemplo, daquele dia inesquecível após sua ressurreição, quando ele encontrou dois discípulos na estrada para Emaús. Antes de o reconhecerem, eles lhe contaram que estavam tristes e confusos por causa da morte de seu amado Mestre. O que Jesus fez? “Começando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes as coisas a respeito de si mesmo.” Como os discípulos se sentiram? Mais tarde disseram um ao outro: “Não sentíamos arder o coração dentro de nós quando ele nos falava na estrada, ao nos abrir plenamente as Escrituras?” — Lucas 24:15-32.
19 Depois, naquele mesmo dia, Jesus se reuniu com seus apóstolos e outros discípulos. Veja o que ele fez: “Ele abriu a mente deles para que compreendessem o significado das Escrituras.” (Lucas 24:45) Aquela ocasião alegre com certeza os fez lembrar das muitas vezes que Jesus tinha ajudado a eles, e a todos os que o ouviam, a entender as Escrituras. Jesus em geral explicava textos bem conhecidos de uma maneira que seus ouvintes passavam a entender a Palavra de Deus de um ângulo diferente e de modo mais profundo.
20, 21. Como Jesus explicou as palavras de Jeová a Moisés no espinheiro em chamas?
20 Em certa ocasião, Jesus estava falando a um grupo de saduceus. Eles faziam parte de uma seita do judaísmo associada ao sacerdócio judaico e não acreditavam na ressurreição. Jesus disse a eles: “A respeito da ressurreição dos mortos, vocês não leram o que lhes foi falado por Deus, que disse: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’? Ele é o Deus, não de mortos, mas de vivos.” (Mateus 22:31, 32) Os saduceus conheciam muito bem esse texto escrito por Moisés, um homem que eles respeitavam muito. Consegue perceber a força da explicação de Jesus?
21 Moisés ouviu essas palavras de Jeová perto de um espinheiro em chamas por volta de 1514 AEC. (Êxodo 3:2, 6) Naquela época, já fazia 329 anos que Abraão tinha morrido; Isaque tinha morrido havia 224 anos, e Jacó, havia 197 anos. Mesmo assim, Jeová disse: “Eu sou” o Deus deles. Os saduceus sabiam que Jeová não é como um deus pagão dos mortos, que reina num mítico submundo. Não; como Jesus disse, ele é o Deus “de vivos”. O que isso significa? A conclusão de Jesus era óbvia: “Para ele, todos eles vivem.” (Lucas 20:38) Os amados servos de Jeová que já morreram estão guardados em segurança na sua ilimitada e infalível memória. O propósito de ressuscitá-los é tão certo que eles podem ser considerados como vivos. (Romanos 4:16, 17) Não acha essa explicação da Palavra de Deus maravilhosa? Não é de admirar que ‘as multidões ficassem maravilhadas’! — Mateus 22:33.
22, 23. (a) Como podemos imitar a Jesus por explicar a Palavra de Deus? (b) O que vamos considerar no próximo capítulo?
22 Os cristãos hoje têm o privilégio de explicar a Palavra de Deus imitando o exemplo de Jesus. Reconhecemos que não temos uma mente perfeita. Mas muitas vezes temos a oportunidade de ler para as pessoas um texto que elas já conhecem e explicar um ponto em que talvez nunca tenham parado para pensar. Por exemplo, elas talvez tenham repetido a vida inteira as palavras “santificado seja o vosso nome” e “venha a nós o vosso Reino” sem nunca ter aprendido qual é o nome de Deus ou o que é o Seu Reino. (Mateus 6:9, 10, Antônio Pereira de Figueiredo) É maravilhoso quando alguém nos permite dar explicações simples e claras sobre as verdades bíblicas!
23 Citar, defender e explicar a Palavra de Deus são maneiras de imitar o modo como Jesus transmitiu a verdade. No próximo capítulo vamos considerar alguns métodos eficazes que Jesus usou para tocar o coração de seus ouvintes com as verdades bíblicas.
a Josefo, um historiador do primeiro século que era fariseu e divorciado, mencionou mais tarde que o divórcio era permissível ‘por qualquer motivo, como acontece frequentemente’.
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“Nunca homem algum falou assim!”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO ONZE
“Nunca homem algum falou assim!”
1, 2. (a) Por que os guardas que foram enviados para prender Jesus voltaram de mãos vazias? (b) Por que Jesus foi um instrutor notável?
OS FARISEUS estão furiosos, pois Jesus está no templo ensinando sobre seu Pai. Os ouvintes estão divididos; muitos acreditam no que Jesus diz, outros querem que ele seja preso. Não podendo mais conter sua raiva, os líderes religiosos enviam guardas para prender Jesus. Mas eles retornam de mãos vazias. Os principais sacerdotes e os fariseus exigem uma explicação: “Por que vocês não o trouxeram para cá?” Os guardas respondem: “Nunca homem algum falou assim!” Eles ficaram tão impressionados com o ensino de Jesus que não tiveram coragem de prendê-lo.a — João 7:45, 46.
2 Aqueles guardas não foram os únicos a ficar impressionados com o ensino de Jesus. Multidões se ajuntavam só para ouvi-lo ensinar. (Marcos 3:7, 9; 4:1; Lucas 5:1-3) Por que Jesus foi um instrutor tão notável? Conforme vimos no Capítulo 8, ele amava as verdades que transmitia e as pessoas a quem ensinava. Também usava métodos de ensino de forma magistral. Vamos considerar três desses métodos práticos e como podemos usá-los.
Simplicidade no ensino
3, 4. (a) Por que Jesus usava linguagem simples ao ensinar? (b) Como o Sermão do Monte é um exemplo da simplicidade com que Jesus ensinava?
3 Consegue imaginar o amplo vocabulário que Jesus poderia ter usado? Apesar disso, quando ensinava, sempre usava uma linguagem fácil de entender. Muitos de seus ouvintes eram “comuns e sem instrução”. (Atos 4:13) Jesus levava em conta as limitações deles, nunca os sobrecarregando com muita informação. (João 16:12) Suas palavras eram simples, mas as verdades que transmitiam eram muito profundas.
4 Por exemplo, considere o Sermão do Monte, registrado em Mateus 5:3–7:27. Naquele sermão Jesus deu conselhos profundos, que tocavam o âmago das questões. As ideias e as frases não são complicadas. É difícil encontrar ali alguma palavra que até mesmo uma criança não consiga entender. Por isso, não é para menos que, quando Jesus terminou de falar, as multidões — provavelmente incluindo muitos lavradores, pastores e pescadores — tenham ‘ficado maravilhadas com seu modo de ensinar’. — Mateus 7:28.
5. Cite exemplos de frases de Jesus que, embora simples, são cheias de significado.
5 Ao ensinar, Jesus geralmente usava frases simples e curtas, mas cheias de significado. Desse modo, numa época muito anterior aos livros impressos, sua mensagem ficava bem gravada na mente e no coração de seus ouvintes. Veja alguns exemplos: “Parem de julgar, para que não sejam julgados.” “As pessoas saudáveis não precisam de médico, mas sim os doentes.” “O espírito está disposto, mas a carne é fraca.” “Paguem a César o que é de César, mas a Deus o que é de Deus.” “Há mais felicidade em dar do que em receber.”b (Mateus 7:1; 9:12; 26:41; Marcos 12:17; Atos 20:35) Essas palavras são lembradas até hoje, quase 2 mil anos após terem sido proferidas.
6, 7. (a) Para ensinar com simplicidade, por que é importante usar linguagem simples? (b) Como podemos evitar sobrecarregar o estudante com muitas informações?
6 Como podemos ensinar com simplicidade? É importante usarmos linguagem simples, que a maioria das pessoas consiga entender de imediato. As verdades básicas da Palavra de Deus não são complicadas. Jeová revelou seus propósitos aos de coração sincero e humilde. (1 Coríntios 1:26-28) Palavras simples e bem escolhidas podem transmitir eficazmente as verdades da Palavra de Deus.
Ensine com simplicidade
7 Para ensinar com simplicidade precisamos tomar cuidado para não sobrecarregar o estudante da Bíblia com muitas informações. Assim, ao dirigir um estudo bíblico, não é necessário explicar todos os detalhes nem estudar depressa como se o mais importante fosse cobrir certa quantidade de matéria. É melhor que o ritmo do estudo se adapte às necessidades e habilidades do estudante. Nosso objetivo é ajudá-lo a se tornar seguidor de Cristo e adorador de Jeová. Para isso, precisamos usar o tempo que for necessário para ele entender razoavelmente bem o que está estudando. Só então a verdade bíblica tocará seu coração e o motivará a pôr em prática o que aprende. — Romanos 12:2.
Perguntas apropriadas
8, 9. (a) Por que Jesus fazia perguntas? (b) Como Jesus fez perguntas para ajudar Pedro a chegar à conclusão correta sobre o assunto de pagar o imposto do templo?
8 Jesus fez uso notável de perguntas, mesmo quando teria sido mais rápido simplesmente dizer ao ouvinte qual era o ponto em questão. Por que, então, ele fazia perguntas? Às vezes para expor a motivação de seus opositores, deixando-os sem resposta. (Mateus 21:23-27; 22:41-46) Mas, em muitos casos, Jesus fez perguntas para saber o que seus discípulos pensavam e para estimular o raciocínio deles. Assim, ele fazia perguntas do tipo: “O que vocês acham?” “Você acredita nisso?” (Mateus 18:12; João 11:26) As perguntas que Jesus fazia tocavam o coração dos discípulos. Vamos ver um exemplo.
9 Em certa ocasião, cobradores de impostos perguntaram a Pedro se Jesus pagava o imposto do templo.c Pedro foi logo respondendo que sim. Jesus depois raciocinou com ele: “O que acha, Simão? De quem os reis da terra recebem tributos ou imposto por cabeça? Dos seus filhos ou dos estranhos?” Pedro respondeu: “Dos estranhos.” Jesus disse: “Realmente, então, os filhos estão isentos de impostos.” (Mateus 17:24-27) O ponto em questão sem dúvida era óbvio para Pedro, pois todos sabiam que os membros da família real eram isentos de impostos. Portanto, como Filho unigênito do Rei celestial que era adorado no templo, Jesus não estava sob a obrigação de pagar o imposto. Em vez de simplesmente dizer a Pedro a resposta certa, Jesus, com tato, fez perguntas para ajudá-lo a chegar à conclusão correta e talvez perceber a necessidade de pensar melhor antes de responder.
Faça perguntas sobre assuntos que interessam ao morador
10. Como podemos fazer bom uso de perguntas ao pregar de casa em casa?
10 Como podemos fazer bom uso de perguntas em nosso ministério? Na pregação de casa em casa, podemos usar perguntas para despertar interesse. Isso talvez abra oportunidades para falarmos sobre as boas novas. Por exemplo, se uma pessoa de mais idade nos atender, podemos perguntar de modo respeitoso: “Acha que o mundo mudou muito ao longo de sua vida?” Após ouvir a resposta, poderemos perguntar: “O que acha que seria necessário para tornar este mundo um lugar melhor para viver?” (Mateus 6:9, 10) Caso uma mãe com filhos pequenos nos atenda, podemos dizer: “Já se perguntou como será este mundo quando seus filhos tiverem crescido?” (Salmo 37:10, 11) Por sermos observadores quando chegamos numa casa, talvez consigamos fazer uma pergunta sobre um assunto que interessa ao morador.
11. Como podemos fazer bom uso de perguntas ao dirigir um estudo bíblico?
11 Como podemos fazer bom uso de perguntas ao dirigir um estudo bíblico? Perguntas bem escolhidas podem nos ajudar a descobrir o que o estudante tem no coração. (Provérbios 20:5) Por exemplo, digamos que você esteja estudando a lição 43, “O que a Bíblia diz sobre as bebidas alcoólicas?”, no livro Seja Feliz para Sempre!d Essa lição explica o conceito de Deus a respeito beber demais e ficar bêbado. As respostas do estudante talvez indiquem que ele entende o que a Bíblia ensina, mas será que ele concorda com o que está aprendendo? Podemos perguntar: “Acha razoável o conceito de Deus sobre esses assuntos?” Também poderíamos perguntar: “Como você pode pôr em prática essas informações?” Mas lembre-se de que é necessário ter tato ao fazer perguntas, mostrando respeito pelo estudante. Nunca devemos fazer perguntas que o deixem constrangido. — Provérbios 12:18.
Lógica irrefutável
12-14. (a) De que maneira Jesus usava argumentos lógicos com habilidade? (b) Que lógica irrefutável Jesus usou quando os fariseus atribuíram seu poder a Satanás?
12 Com sua inteligência perfeita, Jesus raciocinava com outros de modo magistral. Às vezes ele empregava a lógica para refutar as acusações falsas de seus opositores. Em muitas ocasiões, ele usou argumentos convincentes para ensinar lições importantes a seus seguidores. Vejamos alguns exemplos.
13 Quando Jesus curou um homem cego, mudo e que estava possuído por um demônio, os fariseus disseram: “Esse homem não expulsa os demônios senão por meio de Belzebu [Satanás], o governante dos demônios.” Eles admitiram que era necessário poder sobre-humano para expulsar demônios, mas disseram que o poder de Jesus vinha de Satanás. Além de ser falsa, a acusação também não tinha lógica. Expondo o raciocínio errado deles, Jesus respondeu: “Todo reino dividido contra si mesmo cai em ruína, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não ficará de pé. Do mesmo modo, se Satanás expulsa a Satanás, ele ficou dividido contra si mesmo. Então, como o seu reino ficará de pé?” (Mateus 12:22-26) Era como se Jesus estivesse dizendo: “Se eu fosse agente de Satanás, desfazendo o que ele fez, então ele estaria trabalhando contra os seus próprios interesses e logo fracassaria.” Como os fariseus poderiam negar algo tão lógico?
14 Jesus continuou raciocinando com eles. Sabendo que alguns discípulos dos fariseus também expulsavam demônios, Jesus fez uma pergunta simples, mas poderosa: “Se eu expulso os demônios por meio de Belzebu, por meio de quem seus filhos [ou discípulos] os expulsam?” (Mateus 12:27) Basicamente, o argumento de Jesus era: “Se eu expulso demônios com o poder de Satanás, então seus discípulos devem estar usando esse mesmo poder.” O que os fariseus podiam falar? Eles nunca reconheceriam que seus discípulos agiam sob o poder de Satanás. Desse modo, Jesus usou o próprio argumento errado deles para fazê-los chegar a uma conclusão que os deixou incomodados. Não é emocionante ler a respeito de como Jesus raciocinou com eles? Imagine, então, as multidões que ouviram Jesus pessoalmente; sua presença e seu tom de voz com certeza davam mais força às suas palavras.
15-17. Dê um exemplo de como Jesus usou a expressão “quanto mais” para ensinar verdades animadoras sobre seu Pai.
15 Jesus também usava raciocínio lógico e convincente para ensinar verdades animadoras sobre seu Pai. Ele fez isso muitas vezes usando a expressão “quanto mais”. Essa técnica ajuda os ouvintes a ter uma convicção ainda mais forte a respeito de um assunto a partir de um fato que já conhecem bem.e Esse tipo de argumentação, baseada em contraste, pode causar um profundo efeito nas pessoas. Vamos considerar apenas dois exemplos.
16 Respondendo ao pedido de seus discípulos para que lhes ensinasse a orar, Jesus falou da disposição de pais humanos imperfeitos de “dar boas coisas” a seus filhos. Daí concluiu: “Se vocês, embora maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai, no céu, dará espírito santo aos que lhe pedirem!” (Lucas 11:1-13) O raciocínio de Jesus se baseava num contraste. Se pais humanos pecadores cuidam das necessidades de seus filhos, quanto mais o nosso Pai celestial, que é perfeito e justo em todos os sentidos! Com certeza ele dará espírito santo a seus adoradores leais que humildemente se achegarem a ele em oração.
17 Jesus usou uma linha de raciocínio semelhante ao dar bons conselhos sobre como lidar com ansiedades. Ele disse: “Os corvos . . . não semeiam nem colhem, não têm nem celeiro nem depósito; contudo, Deus os alimenta. Será que vocês não valem muito mais do que as aves? Vejam como os lírios crescem: eles não trabalham nem fiam . . . Então, se Deus veste assim a vegetação do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais ele vestirá a vocês, homens de pouca fé!” (Lucas 12:24, 27, 28) Se Jeová cuida das aves e das flores, quanto mais dos humanos que o amam e o adoram! Com esse raciocínio Jesus sem dúvida tocou o coração de seus ouvintes.
18, 19. Como podemos raciocinar com alguém que diz que não acredita num Deus a quem não consegue ver?
18 No nosso ministério, devemos usar lógica bem fundamentada para refutar crenças falsas. Também precisamos usar argumentos convincentes para ensinar verdades animadoras sobre Jeová. (Atos 19:8; 28:23, 24) Será que precisamos aprender a usar lógica complicada? De forma alguma. A lição que aprendemos de Jesus é que os argumentos lógicos usados de modo simples são os mais eficazes.
19 Por exemplo, como poderíamos responder a alguém que diz que não acredita em um Deus a quem não consegue ver? Podemos raciocinar com base na lei natural de causa e efeito. Quando vemos um efeito, reconhecemos que tem de haver uma causa. Poderíamos dizer: “Se você estivesse num lugar isolado e se deparasse com uma casa bem construída e com um estoque de alimentos (efeito), não reconheceria de imediato que alguém (uma causa) deve ser responsável por tudo que há ali? Portanto, quando vemos o óbvio projeto da natureza e a grande quantidade de alimentos guardados na ‘despensa’ da Terra (efeito), não faz sentido concluir que Alguém (uma Causa) é responsável pela existência de tudo isso? A própria Bíblia usa uma linha de raciocínio similar: ‘Toda casa é construída por alguém, mas quem construiu todas as coisas foi Deus.’” (Hebreus 3:4) É claro que não importa quão bem fundamentados sejam os nossos argumentos, não conseguiremos convencer todas as pessoas. — 2 Tessalonicenses 3:2.
Use argumentos que toquem o coração da pessoa
20, 21. (a) Como podemos usar a expressão “quanto mais” para destacar as qualidades e os modos de agir de Jeová? (b) O que vamos considerar no próximo capítulo?
20 Ao ensinarmos, tanto no ministério de campo como na congregação, podemos usar também a expressão “quanto mais” para destacar as qualidades e os modos de agir de Jeová. Por exemplo, para mostrar que a doutrina do tormento eterno num inferno de fogo na realidade desonra a Jeová, poderíamos dizer: “Que pai amoroso puniria seu filho pondo a mão dele no fogo? Quanto mais repugnante deve ser para o nosso amoroso Pai celestial a ideia de um inferno de fogo!” (Jeremias 7:31) A fim de ajudar um irmão deprimido a ver que Jeová realmente o ama, podemos dizer: “Se Jeová considera valioso até um pequenino pardal, quanto mais amor e carinho ele deve ter por seus adoradores terrestres individualmente, incluindo você!” (Mateus 10:29-31) Esses argumentos podem nos ajudar a tocar o coração de outros.
21 Depois de analisar apenas três dos métodos de ensino de Jesus, é fácil entender que aqueles guardas que não prenderam Jesus não estavam exagerando quando disseram: “Nunca homem algum falou assim!” No próximo capítulo, vamos considerar o método de ensino pelo qual Jesus talvez seja mais conhecido: o uso de ilustrações.
a Os guardas provavelmente eram agentes do Sinédrio que obedeciam às ordens dos principais sacerdotes.
b Essa última declaração, registrada em Atos 20:35, é citada apenas pelo apóstolo Paulo. Pode ser que ele a tenha ouvido de alguém que estava presente quando Jesus a proferiu ou do próprio Jesus após sua ressurreição. Outra possibilidade é que ele a tenha recebido por revelação divina.
c Os judeus tinham de pagar um imposto anual de duas dracmas para o templo, o equivalente a mais ou menos o salário de dois dias de trabalho. Uma obra de referência diz: “Esse imposto era usado principalmente para custear as despesas da oferta queimada diária e de todos os sacrifícios feitos em nome do povo.”
d Publicado pelas Testemunhas de Jeová.
e Esse tipo de argumentação é às vezes chamado de “a fortiori”, uma expressão em latim que significa “com razão mais convincente; com muito mais motivo; com mais forte razão”.
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“Nada lhes falava sem ilustração”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO DOZE
“Nada lhes falava sem ilustração”
1-3. (a) Que oportunidade sem igual têm os discípulos que viajam com Jesus, e como ele os ajuda a se lembrar do que lhes ensina? (b) Por que é fácil lembrar de boas ilustrações?
OS DISCÍPULOS que viajam com Jesus têm uma oportunidade sem igual. Eles aprendem diretamente do Grande Instrutor. Podem ouvir de primeira mão Jesus esclarecer a Palavra de Deus e ensinar verdades maravilhosas. Por enquanto eles têm de guardar suas valiosas palavras na mente e no coração, pois ainda não chegou o tempo de registrá-las.a Mas Jesus faz algo que ajuda seus discípulos a se lembrar do que ele lhes diz. O quê? Ele ensina usando ilustrações de modo magistral.
2 De fato, dificilmente esquecemos boas ilustrações. Certo escritor disse que as ilustrações “transformam ouvidos em olhos e permitem que os ouvintes visualizem a mensagem”. Visto que em geral pensamos melhor com a ajuda de imagens, as ilustrações podem fazer com que até mesmo ideias abstratas sejam mais fáceis de entender. Elas dão vida às palavras, ensinando lições que ficam gravadas na mente.
3 Nenhum instrutor humano usou ilustrações com tanta habilidade como Jesus Cristo. Até hoje, suas ilustrações são facilmente lembradas. Por que Jesus recorria com frequência a esse método de ensino? O que tornava suas ilustrações tão eficazes? Como podemos aprender a usar esse método de ensino?
Por que Jesus ensinava usando ilustrações
4, 5. Por que Jesus usava ilustrações?
4 A Bíblia mostra que Jesus usava ilustrações por duas razões principais. Primeiro, isso cumpria profecias. Lemos em Mateus 13:34, 35: “Jesus falou tudo isso às multidões por meio de ilustrações. Realmente, nada lhes falava sem ilustração, para que se cumprissem as palavras do profeta, que disse: ‘Abrirei a minha boca com ilustrações.’” O profeta mencionado por Mateus era o escritor do Salmo 78:2. O salmista escreveu essas palavras sob inspiração do espírito de Deus séculos antes do nascimento de Jesus. Pense no que isso significa. Com centenas de anos de antecedência, Jeová havia determinado que o Messias ensinaria por meio de ilustrações. Portanto, Jeová com certeza deve dar muito valor a esse método de ensino.
5 Segundo, Jesus explicou que usava ilustrações para identificar aqueles cujo coração havia ‘ficado insensível’. (Mateus 13:10-15; Isaías 6:9, 10) Como suas ilustrações expunham a motivação das pessoas? Em alguns casos, Jesus queria que seus ouvintes pedissem explicações para poderem entender plenamente o que ele dizia. Os humildes estavam dispostos a pedir mais explicações, os orgulhosos e indiferentes, não. (Mateus 13:36; Marcos 4:34) Assim, as ilustrações de Jesus revelavam a verdade aos que ansiavam por ela; ao mesmo tempo, suas ilustrações escondiam a verdade dos que eram orgulhosos.
6. As ilustrações de Jesus eram úteis em que sentidos?
6 As ilustrações de Jesus também eram úteis em muitos outros sentidos. Elas despertavam o interesse das pessoas, motivando-as a escutar. Criavam quadros mentais fáceis de entender. Conforme mencionado no início deste capítulo, as ilustrações de Jesus ajudavam os ouvintes a se lembrar do que ele dizia. O Sermão do Monte, registrado em Mateus 5:3–7:27, é um ótimo exemplo de como Jesus usava muitas ilustrações. Segundo uma contagem, esse sermão tem mais de 50 figuras de linguagem. Para ter uma ideia, lembre-se de que o Sermão do Monte pode ser lido em voz alta em cerca de 20 minutos. Nesse caso, em média uma figura de linguagem é mencionada aproximadamente a cada 20 segundos! Não há dúvida de que Jesus reconhecia as vantagens de usar ilustrações!
7. Por que é bom usarmos ilustrações assim como Jesus?
7 Como seguidores de Cristo, queremos imitar seu modo de ensinar, incluindo o uso de ilustrações. Assim como os temperos deixam um alimento mais saboroso, boas ilustrações podem tornar nosso ensino mais agradável. Ilustrações bem pensadas também podem fazer com que verdades importantes fiquem mais fáceis de entender. Agora vamos ver em mais detalhes alguns fatores que fizeram com que as ilustrações de Jesus fossem tão eficazes. Com isso entenderemos melhor como fazer bom uso desse valioso método de ensino.
Comparações simples
Como Jesus usou aves e flores para ilustrar o cuidado que Deus tem por nós?
8, 9. Como Jesus fez uso de comparações simples, e o que tornava suas comparações tão eficazes?
8 Ao ensinar, Jesus muitas vezes usava comparações simples, expressas em poucas palavras. Mas essas palavras simples criavam vívidos quadros mentais e ensinavam com clareza importantes verdades espirituais. Por exemplo, ao incentivar seus discípulos a não estar ansiosos pelas necessidades diárias, Jesus mencionou “as aves do céu” e os “lírios do campo”. As aves não semeiam nem colhem, os lírios não trabalham nem fiam. Mesmo assim, Deus cuida deles. É fácil entender o ponto, ou seja, se Deus cuida das aves e das flores, com certeza cuidará das pessoas que ‘persistirem em buscar primeiro o Reino’. — Mateus 6:26, 28-33.
9 Jesus também fez amplo uso de metáforas, comparações que têm ainda mais força. Uma metáfora se refere a uma coisa como se fosse outra. Também nesse caso, Jesus usava comparações simples. Em certa ocasião, ele disse a seus discípulos: “Vocês são a luz do mundo.” Os discípulos podiam facilmente entender essa metáfora, ou seja, por meio de suas palavras e ações eles podiam deixar brilhar a luz da verdade espiritual e ajudar outros a glorificar a Deus. (Mateus 5:14-16) Veja mais algumas metáforas usadas por Jesus: “Vocês são o sal da terra.” “Eu sou a videira; vocês são os ramos.” (Mateus 5:13; João 15:5) Apesar de serem simples, essas figuras de linguagem causam um profundo impacto.
10. Quais são alguns exemplos que mostram como você pode usar ilustrações ao ensinar?
10 Ao ensinar, como você pode usar ilustrações? Não é necessário inventar histórias longas e detalhadas. Apenas tente pensar em comparações simples. Digamos que você esteja considerando o assunto da ressurreição e queira ilustrar que trazer os mortos de volta à vida não é problema para Jeová. Que comparação lhe vem à mente? A Bíblia usa o sono como uma metáfora para a morte. Você poderia dizer: “Deus pode ressuscitar os mortos com a mesma facilidade com que nós podemos acordar alguém que está dormindo.” (João 11:11-14) Agora imagine que você queira ilustrar que as crianças precisam de amor e afeição para se desenvolver bem. Que exemplo poderia usar? A Bíblia faz a seguinte comparação: os filhos são “como brotos de oliveira”. (Salmo 128:3) Você poderia dizer: “Os filhos precisam de amor e afeição assim como uma planta precisa de sol e água.” Quanto mais simples for a comparação, mais fácil será para os ouvintes entenderem o ponto.
Ilustrações baseadas no dia a dia
11. Cite exemplos de como as ilustrações de Jesus se baseavam em coisas que ele sem dúvida havia observado durante sua infância na Galileia.
11 Jesus fazia bom uso de ilustrações relacionadas à vida das pessoas. Muitas de suas ilustrações se baseavam em circunstâncias do dia a dia que ele provavelmente havia observado enquanto crescia na Galileia. Pense um pouco na infância de Jesus. Imagine quantas vezes ele deve ter visto sua mãe moer cereais para fazer farinha, pôr fermento numa massa, acender uma lâmpada ou varrer a casa. (Mateus 13:33; 24:41; Lucas 15:8) Ele também deve ter observado muitas vezes os pescadores lançarem suas redes no mar da Galileia. (Mateus 13:47) E frequentemente deve ter visto crianças brincando na praça. (Mateus 11:16) Jesus sem dúvida deve ter observado outras coisas comuns que são mencionadas em muitas de suas ilustrações, tais como o plantio de sementes, alegres festas de casamento e campos de cereais amadurecendo ao sol. — Mateus 13:3-8; 25:1-12; Marcos 4:26-29.
12, 13. Na parábola do bom samaritano, por que é significativo que Jesus tenha mencionado a estrada que ia “de Jerusalém para Jericó”?
12 Nas suas ilustrações Jesus mencionava detalhes que seus ouvintes conheciam bem. Por exemplo, ele iniciou a parábola do bom samaritano dizendo: “Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes, que lhe arrancaram tudo, o espancaram, . . . deixando-o quase morto.” (Lucas 10:30) É interessante notar que Jesus mencionou a estrada que ia “de Jerusalém para Jericó”. Quando contou essa parábola ele estava na Judeia, não muito longe de Jerusalém; portanto, seus ouvintes com certeza conheciam aquela estrada. Ela era perigosa, especialmente para alguém que estivesse viajando sozinho. Por ser uma estrada cheia de curvas e passar por uma região desabitada, havia muitos lugares onde ladrões podiam se esconder.
13 Jesus incluiu outros detalhes conhecidos sobre a estrada que ia “de Jerusalém para Jericó”. Segundo a parábola, um sacerdote e depois um levita também passaram por aquela estrada, mas nenhum deles parou para ajudar a vítima. (Lucas 10:31, 32) Os sacerdotes serviam no templo em Jerusalém e os levitas eram seus ajudantes. Muitos deles moravam em Jericó quando não estavam a serviço no templo; Jericó ficava apenas a uns 23 quilômetros de Jerusalém. Por isso, era comum sacerdotes e levitas passarem por aquela estrada. Note também que Jesus disse que o viajante “descia” — não subia — a estrada “de Jerusalém”. Isso fazia sentido para seus ouvintes. Jerusalém era uma cidade mais alta do que Jericó. Desse modo, quando viajava “de Jerusalém para Jericó”, o viajante realmente “descia”.b Fica claro que, ao usar ilustrações, Jesus pensava em seus ouvintes.
14. Ao usarmos ilustrações, como podemos ter em mente os nossos ouvintes?
14 Ao usarmos ilustrações, também precisamos levar em conta os ouvintes. Que fatores a respeito deles podem influir na nossa escolha de ilustrações? Talvez precisemos considerar fatores como idade, cultura, criação e profissão. Por exemplo, uma ilustração que mencione detalhes sobre agricultura talvez seja mais facilmente entendida numa área rural do que numa cidade grande. O dia a dia e as atividades de nossos ouvintes — seus filhos, sua casa, seus passatempos, o que comem — também podem ser fonte de boas ilustrações.
Ilustrações baseadas na criação
15. Por que não é de admirar que Jesus conhecesse tão bem a criação?
15 Muitas ilustrações de Jesus revelam seu conhecimento da natureza, incluindo plantas, animais e o clima. (Mateus 16:2, 3; Lucas 12:24, 27) Como ele adquiriu esse conhecimento? Enquanto crescia na Galileia, ele sem dúvida teve muitas oportunidades para observar a criação. Ainda mais importante, Jesus é “o primogênito de toda a criação” e o “trabalhador perito” de Jeová na criação de todas as coisas. (Colossenses 1:15, 16; Provérbios 8:30, 31) É de admirar que Jesus conhecesse tão bem a criação? Vamos ver como ele habilmente tirou proveito desse conhecimento.
16, 17. (a) O que mostra que Jesus conhecia muito bem as características das ovelhas? (b) Que exemplo mostra que as ovelhas realmente conhecem a voz do seu pastor?
16 Lembre-se de que Jesus disse que ele era “o bom pastor”, e seus seguidores “as ovelhas”. Essas palavras mostram que ele conhecia muito bem as características das ovelhas. Sabia que havia um vínculo especial entre os pastores e as ovelhas. Ele percebia que esses animais dóceis facilmente aceitam ser guiados e são fiéis em seguir seu pastor. Por que as ovelhas seguem seu pastor? “Porque conhecem a sua voz”, disse Jesus. (João 10:2-4, 11) Será que as ovelhas realmente conhecem a voz do seu pastor?
17 Por experiência própria, George A. Smith escreveu em seu livro The Historical Geography of the Holy Land (A Geografia Histórica da Terra Santa): “Às vezes descansávamos ao meio-dia, ao lado de um daqueles poços da Judeia, aos quais descem três ou quatro pastores com os seus rebanhos. As ovelhas se misturavam, e nós nos perguntávamos como cada pastor conseguiria separar seu rebanho. Mas depois de as ovelhas terem tomado água e brincado, os pastores subiam as diferentes encostas do vale um por um, e cada um fazia a sua chamada peculiar. As ovelhas de cada pastor se separavam do grupo, seguindo seu próprio pastor, e os rebanhos iam embora tão ordeiramente como tinham vindo.” Jesus encontrou uma ótima ilustração para ensinar o que queria, ou seja, se reconhecermos seus ensinamentos, obedecermos a eles e seguirmos sua liderança, estaremos sob os cuidados do “bom pastor”.
18. Onde podemos encontrar informações sobre as criações de Jeová?
18 Como podemos aprender a usar ilustrações baseadas na criação? Características notáveis dos animais podem ser usadas para comparações simples, porém práticas. Onde podemos encontrar informações sobre as criações de Jeová? A Bíblia é uma rica fonte de conhecimento sobre muitos animais e, às vezes, usa suas características de modo ilustrativo. Ela faz referência a ser veloz como uma gazela ou um leopardo, cauteloso como uma serpente e inocente como uma pomba.c (1 Crônicas 12:8; Habacuque 1:8; Mateus 10:16) As revistas A Sentinela e Despertai! e os artigos e vídeos da seção “Teve um Projeto?” do jw.org também são boas fontes de informação. Você pode aprender muito por notar como essas fontes usam comparações simples baseadas nas muitas criações maravilhosas de Jeová.
Ilustrações baseadas em exemplos conhecidos
19, 20. (a) Como Jesus fez bom uso de um acontecimento recente para expor uma crença falsa? (b) Como podemos usar exemplos da vida real em nosso ensino?
19 Também podemos fazer ilustrações baseadas em exemplos da vida real. Certa vez, Jesus mencionou um acidente recente em seus dias para expor como falsa a ideia de que as pessoas merecem as tragédias que sofrem. Ele disse: “Aqueles 18 sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os — vocês acham que eles eram mais culpados do que todos os outros homens que moram em Jerusalém?” (Lucas 13:4) De fato, aquelas 18 pessoas não morreram por causa de algum pecado que tivesse resultado no desfavor de Deus. Sua morte trágica foi resultado ‘do tempo e do imprevisto’. (Eclesiastes 9:11) Assim, Jesus desmentiu uma crença falsa usando um acontecimento bem conhecido de seus ouvintes.
20 Ao ensinar, como podemos usar exemplos da vida real? Digamos que você esteja falando sobre o cumprimento da profecia de Jesus a respeito do sinal da Sua presença. (Mateus 24:3-14) Você pode citar notícias recentes sobre guerras, fomes ou terremotos para mostrar que características específicas do sinal mencionado por Jesus estão se cumprindo. Ou imagine que você queira usar um caso real a fim de ilustrar as mudanças que precisam ser feitas para se revestir da nova personalidade. (Efésios 4:20-24) Onde poderia encontrar uma história da vida real que inclua esse ponto? Poderá citar as mudanças que diversos irmãos precisaram fazer ou usar um relato mencionado em alguma publicação das Testemunhas de Jeová. Você também pode encontrar exemplos na seção “A Bíblia Muda a Vida das Pessoas” no jw.org.
21. Quais são as recompensas de ser bons instrutores da Palavra de Deus?
21 Jesus realmente foi o Instrutor Magistral! Conforme vimos nesta seção, ‘ensinar e pregar as boas novas’ era a principal obra de sua vida. (Mateus 4:23) E é também a nossa. Ser bom instrutor é muito gratificante. Quando ensinamos, estamos dando algo a outros, e isso resulta em felicidade. (Atos 20:35) Essa felicidade é a alegria de saber que estamos transmitindo a outros algo que tem valor real e permanente — a verdade sobre Jeová. Também podemos ter a satisfação que vem de saber que estamos seguindo o exemplo de Jesus, o maior Instrutor que já viveu na Terra.
a Tudo indica que o primeiro relato inspirado sobre a vida terrestre de Jesus tenha sido o Evangelho de Mateus, escrito cerca de oito anos após sua morte.
b Jesus também disse que o sacerdote e o levita estavam vindo “de Jerusalém”, ou seja, voltando do templo. Assim, ninguém podia justificar a indiferença deles por dizer que se desviaram do homem que parecia estar morto porque não queriam ficar impuros, o que temporariamente os impediria de servir no templo. — Levítico 21:1; Números 19:16.
c Para uma lista mais completa do uso bíblico figurativo das características de alguns animais, veja Estudo Perspicaz das Escrituras, volume 1, páginas 137, 139 e 140, publicado pelas Testemunhas de Jeová.
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“Eu amo o Pai”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO TREZE
“Eu amo o Pai”
1, 2. O que o apóstolo João revelou sobre os últimos momentos que Jesus passou com os apóstolos antes de sua morte?
COM a mente cheia de lembranças, um homem idoso mergulha uma pena num tinteiro. Seu nome é João, o último apóstolo vivo de Jesus Cristo. Com aproximadamente 100 anos de idade, João está pensando numa noite inesquecível há cerca de sete décadas — os últimos momentos que Jesus passou com seus apóstolos antes de morrer. Com a ajuda do espírito santo de Deus, João consegue lembrar e registrar em detalhes o que aconteceu naquela noite.
2 Naquela ocasião Jesus deixou claro que seria morto dali a algumas horas. Apenas João revela por que Jesus disse que se sujeitaria àquela morte terrível: “Para que o mundo saiba que eu amo o Pai, faço assim como o Pai me ordenou. Levantem-se, vamos embora daqui.” — João 14:31.
3. Como Jesus demonstrou que amava seu Pai?
3 “Eu amo o Pai.” Para Jesus nada era mais importante do que esse amor. Isso não significa que ele ficava sempre repetindo que amava o Pai. Na verdade, João 14:31 é o único texto bíblico que menciona Jesus expressando amor pelo Pai de modo tão direto. O fato é que Jesus viveu segundo essas palavras. Seu amor por Jeová era evidente no seu dia a dia. Sua coragem, obediência e perseverança eram evidência de que ele amava a Deus. Também foi esse amor que o motivou a realizar o seu ministério.
4, 5. A Bíblia dá destaque a que tipo de amor, e o que podemos dizer sobre o amor de Jesus por Jeová?
4 Hoje em dia, alguns talvez achem que o amor é uma qualidade fraca. Talvez pensem em canções e poemas que falam de amor, ou até na frivolidade que às vezes está relacionada ao amor romântico. A Bíblia também fala sobre o amor romântico, mas de modo mais digno do que a forma em que geralmente é apresentado hoje. (Provérbios 5:15-21) No entanto, a Palavra de Deus fala muito mais de outro tipo de amor. Esse amor não é apenas uma paixão ou emoção passageira; nem alguma filosofia intelectual e fria. Envolve tanto o coração como a mente. É um amor que vem do íntimo e é governado por princípios nobres. Além disso, é demonstrado por meio de boas ações. É tudo menos frívolo. A Palavra de Deus diz: “O amor nunca acaba.” — 1 Coríntios 13:8.
5 De todos os humanos que já viveram, Jesus foi o que mais amou a Jeová. Ele disse que o maior de todos os mandamentos divinos é: “Ame a Jeová, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua mente e de toda a sua força.” (Marcos 12:30) Ninguém cumpriu melhor essas palavras do que Jesus. Como ele cultivou esse amor? Como manteve forte seu amor por Deus durante o tempo em que permaneceu na Terra? E como podemos imitá-lo?
O mais forte e antigo vínculo de amor
6, 7. Como sabemos que Provérbios 8:22-31 descreve o Filho de Deus e não apenas a sabedoria?
6 Já realizou alguma tarefa junto com um amigo? Percebeu que sua amizade ficou mais achegada por causa disso? Essa experiência agradável pode ajudar você a ter uma ideia do amor que se desenvolveu entre Jeová e seu Filho unigênito. Já citamos Provérbios 8:30 algumas vezes, mas vamos analisar mais detalhadamente esse versículo no seu contexto. Do versículo 22 ao 31, encontramos uma descrição inspirada da sabedoria personificada. Como sabemos que essas palavras se referem ao Filho de Deus?
7 No versículo 22, a sabedoria diz: “Jeová me produziu como o princípio do seu caminho, a primeira das suas realizações mais antigas.” Aqui, deve estar se referindo a algo mais do que a sabedoria, porque essa qualidade nunca foi ‘produzida’. Ela nunca teve um início, pois Jeová sempre existiu e sempre foi sábio. (Salmo 90:2) O Filho de Deus, porém, foi “o primogênito de toda a criação”. Ele foi produzido, ou criado; ele é a mais antiga de todas as realizações de Jeová. (Colossenses 1:15) O Filho já existia antes da Terra e do céu, conforme descrito em Provérbios. Como a Palavra, ou o Porta-Voz do próprio Jeová, ele era a expressão perfeita da sabedoria de Jeová. — João 1:1.
8. O que o Filho fez durante sua existência pré-humana, e do que podemos nos lembrar ao admirar a criação?
8 O que o Filho fez durante seu longo tempo de vida antes de vir à Terra? O versículo 30 diz que ele estava ao lado de Deus, “como trabalhador perito”. O que significa isso? Colossenses 1:16 explica: “Por meio dele foram criadas todas as outras coisas nos céus e na terra . . . Todas as outras coisas foram criadas por meio dele e para ele.” Assim, Jeová, o Criador, trouxe à existência todas as outras criações por meio de seu Filho, o Trabalhador Perito — das criaturas espirituais nos céus ao imenso Universo físico, da Terra e sua extraordinária variedade de plantas e animais à criação terrestre mais importante: o ser humano. De certo modo, podemos comparar esse trabalho em equipe entre Pai e Filho à cooperação que há entre um arquiteto e um construtor. O construtor é alguém especializado em executar os projetos engenhosos do arquiteto. Quando ficamos impressionados com algum aspecto da criação, na verdade estamos louvando o Grande Arquiteto. (Salmo 19:1) Mas podemos nos lembrar também do longo e feliz trabalho em equipe entre o Criador e o seu “trabalhador perito”.
9, 10. (a) O que fortaleceu o vínculo de amor entre Jeová e seu Filho? (b) O que pode fortalecer seu vínculo de amor com seu Pai celestial?
9 Quando dois humanos imperfeitos trabalham juntos, às vezes surgem dificuldades de relacionamento. Isso não aconteceu entre Jeová e seu Filho. O Filho trabalhou com o Pai durante incontáveis eras e disse: “Alegrava-me diante dele todo o tempo.” (Provérbios 8:30) Ele tinha prazer na companhia do Pai, que por sua vez apreciava a companhia do Filho. Naturalmente, o Filho se tornou cada vez mais parecido com o Pai, aprendendo a imitar as Suas qualidades. Assim, não é de admirar que o vínculo entre Pai e Filho tenha se tornado tão forte! Pode ser apropriadamente considerado o mais forte e antigo vínculo de amor de todo o Universo.
10 Mas qual é a importância disso para nós? Talvez você ache que nunca conseguirá cultivar esse vínculo com Jeová. De fato, ninguém tem uma posição tão elevada quanto à do Filho. No entanto, temos uma oportunidade maravilhosa. Lembre-se de que Jesus se achegou mais ao Pai por trabalhar junto com Ele. Jeová amorosamente nos oferece a oportunidade de ser seus “colaboradores”. (1 Coríntios 3:9) Ao passo que seguimos o exemplo de Jesus no ministério, devemos sempre ter em mente que somos colaboradores de Deus. Assim, o vínculo de amor que nos une a Jeová fica cada vez mais forte. Pode haver privilégio maior do que esse?
Como Jesus manteve forte seu amor por Jeová
11-13. (a) Por que é de ajuda pensar no amor como algo vivo, e como Jesus manteve forte seu amor por Jeová quando era jovem? (b) Como o Filho de Deus mostrou que tinha interesse em aprender de Jeová antes de vir à Terra e depois, como homem?
11 Pensar no amor como algo vivo pode ser de muita ajuda. Assim como uma planta, o amor precisa de nutrição e cuidados para crescer e se desenvolver. Sem cuidados e nutrição, o amor enfraquece e morre. Jesus não considerava seu amor por Jeová como algo de pouca importância. Ele o manteve forte e o desenvolveu durante o tempo em que esteve na Terra. Vamos ver como ele fez isso.
12 Pense novamente na ocasião em que Jesus era jovem e expressou seu ponto de vista quando estava no templo em Jerusalém. Lembre-se do que ele disse a seus pais, que haviam ficado preocupados: “Por que estavam procurando por mim? Não sabiam que eu devia estar na casa do meu Pai?” (Lucas 2:49) Quando era criança, Jesus evidentemente ainda não tinha nenhuma lembrança de sua existência pré-humana. Mesmo assim, o amor que tinha por seu Pai, Jeová, era muito forte. Ele sabia que o modo natural de expressar esse amor era por meio da adoração. Assim, a casa de adoração pura de seu Pai era o lugar onde ele mais queria estar. Ele não via a hora de estar lá, e não gostava de ir embora. Além disso, Jesus não ficava apenas assistindo passivamente o que ocorria ali. Ele gostava muito de aprender sobre Jeová e falar sobre o que sabia. Esses sentimentos não surgiram quando ele tinha 12 anos, nem acabaram quando ele ficou mais velho.
13 O Filho aprendeu de seu Pai durante sua existência pré-humana. A profecia registrada em Isaías 50:4-6 revela que Jeová deu instrução específica a seu Filho sobre seu papel como Messias. Embora isso envolvesse ficar sabendo que o Ungido de Jeová passaria por algumas dificuldades, o Filho queria muito aprender. Mais tarde, quando Jesus veio à Terra e se tornou adulto, ainda tinha prazer em ir à casa de seu Pai e participar na adoração e na instrução que Jeová desejava que fosse dada ali. A Bíblia relata que Jesus comparecia fielmente ao templo e à sinagoga. (Lucas 4:16; 19:47) Se queremos que nosso amor por Jeová continue vivo e cada vez mais forte, precisamos ser diligentes em assistir às reuniões cristãs, onde adoramos a Jeová e aprofundamos nosso conhecimento e apreço por ele.
Jesus “subiu sozinho ao monte para orar”
14, 15. (a) Por que Jesus procurava ficar sozinho? (b) Como as orações de Jesus a seu Pai revelavam intimidade e respeito?
14 Outra maneira pela qual Jesus manteve forte seu amor por Jeová foi por orar regularmente. Embora ele fosse amistoso e sociável, é interessante notar que ele gostava de tirar tempo para ficar sozinho. Por exemplo, Lucas 5:16 diz: “Ele muitas vezes ia a lugares desertos para orar.” Do mesmo modo, Mateus 14:23 declara: “Depois de dispensar as multidões, ele subiu sozinho ao monte para orar. Quando anoiteceu, ele estava ali sozinho.” Jesus procurou ficar a sós nessas e em outras ocasiões não porque fosse um eremita ou não gostasse da companhia de outros, mas porque queria ficar a sós com Jeová para falar livremente com seu Pai em oração.
15 Ao orar, Jesus às vezes usava a expressão: “Aba, Pai.” (Marcos 14:36) Nos dias de Jesus, “aba” era uma palavra carinhosa para “pai” usada no âmbito familiar. Em geral, estava entre as primeiras palavras que a criança aprendia a falar. Mesmo assim, era um termo respeitoso. Desse modo, além de revelar a intimidade de Jesus conversando com seu amado Pai, essa palavra também transmitia profundo respeito pela autoridade paterna de Jeová. Percebemos essa intimidade e esse respeito em todas as orações de Jesus registradas na Bíblia. Por exemplo, João capítulo 17 contém a oração longa e sincera que Jesus fez em sua última noite. É muito motivador estudar essa oração e é vital que a tomemos como exemplo — não por repeti-la, é claro, mas por encontrar maneiras de falar de coração com o nosso Pai celestial, tanto quanto pudermos. Fazer isso manterá vivo e forte o nosso amor por ele.
16, 17. (a) Como Jesus expressou em palavras o amor que tinha por seu Pai? (b) De que modo Jesus descreveu a generosidade de seu Pai?
16 Conforme vimos no início deste capítulo, Jesus não ficava sempre dizendo “eu amo o Pai”. Mas ele muitas vezes expressou esse amor por meio de palavras. Como? O próprio Jesus disse: “Eu te louvo publicamente, Pai, Senhor do céu e da terra.” (Mateus 11:25) Na Seção 2 deste livro, vimos que Jesus tinha prazer em louvar a seu Pai por ajudar as pessoas a conhecê-Lo. Por exemplo, ele comparou Jeová a um pai que estava tão ansioso para perdoar seu filho desobediente que esperou a chegada do jovem arrependido e, quando o viu de longe, correu até ele e o abraçou. (Lucas 15:20) É impossível ler essa passagem sem ficar emocionado com a descrição que Jesus fez do amor e do perdão de Jeová!
17 Jesus elogiou seu Pai muitas vezes por Sua generosidade. Ele usou o exemplo de pais imperfeitos para mostrar que podemos estar certos de que o nosso Pai nos dará espírito santo na medida que precisarmos. (Lucas 11:13) Jesus também falou sobre a esperança que o Pai dá de modo generoso. Ele mencionou a sua própria esperança de estar novamente ao lado de seu Pai no céu. (João 14:28; 17:5) Falou também a seus seguidores sobre a esperança que Jeová estendeu ao “pequeno rebanho” de Cristo — viver no céu e governar junto com o Rei messiânico. (Lucas 12:32; João 14:2) Ele consolou um criminoso à beira da morte com a esperança de vida no Paraíso. (Lucas 23:43) Falar sobre a grande generosidade de seu Pai certamente ajudou Jesus a manter forte seu amor por Jeová. Muitos seguidores de Jesus descobriram que nada fortalece mais sua fé e seu amor por Jeová do que falar a respeito dele e da esperança que ele dá aos que o amam.
Você imitará o amor de Jesus por Jeová?
18. Qual é a maneira mais importante de seguirmos a Jesus, e por quê?
18 Há muitas maneiras de seguirmos a Jesus, mas nenhuma é mais importante do que amar a Jeová de todo o nosso coração, alma, mente e força. (Lucas 10:27) O que prova quanto amamos a Jeová não é apenas a intensidade dos nossos sentimentos; nossas ações também são importantes. Jesus não se contentou apenas em sentir amor por seu Pai, nem apenas em dizer “eu amo o Pai”. Ele explicou: “Para que o mundo saiba que eu amo o Pai, faço assim como o Pai me ordenou.” (João 14:31) Satanás alegou que nenhum humano serviria a Jeová por amor altruísta. (Jó 2:4, 5) A fim de dar a melhor resposta à calúnia maldosa de Satanás, Jesus corajosamente tomou ação e mostrou ao mundo quanto ele ama seu Pai. Ele foi obediente até mesmo a ponto de dar a sua vida pela humanidade. Você seguirá a Jesus? Mostrará ao mundo que realmente ama a Jeová Deus?
19, 20. (a) Por que motivo importante devemos ser regulares em assistir às reuniões? (b) Como devemos encarar o estudo pessoal, a meditação e as orações?
19 Temos grande necessidade de demonstrar esse amor. Assim, Jeová fez provisões para o adorarmos de um modo que nosso amor por Ele seja nutrido e fortalecido. Ao assistir às reuniões cristãs, tente lembrar que você está ali para adorar o seu Deus. Aspectos dessa adoração incluem fazer orações sinceras, entoar cânticos de louvor, ouvir atentamente e participar quando possível. As reuniões também dão oportunidade para encorajar seus irmãos cristãos. (Hebreus 10:24, 25) Adorar a Jeová regularmente nas reuniões cristãs o ajudará a fortalecer cada vez mais seu amor a Deus.
20 Podemos dizer praticamente o mesmo a respeito do estudo pessoal, da meditação e das orações. Encare essas atividades como oportunidades para estar a sós com Jeová. Quando você estuda a Palavra de Deus e medita nela, Jeová está transmitindo os pensamentos dele a você. Quando ora, você está abrindo o coração a ele. Lembre-se de que orar envolve mais do que apenas fazer pedidos a Deus. A oração também é uma oportunidade de agradecer a Jeová pelas bênçãos recebidas e de louvá-lo por suas obras maravilhosas. (Salmo 146:1) Além disso, louvar a Jeová publicamente com alegria e entusiasmo é o melhor modo de lhe agradecer e mostrar que você o ama.
21. Por que o amor a Jeová é importante, e o que será considerado nos capítulos à frente?
21 O amor a Deus é a chave para a felicidade eterna. Era tudo o que Adão e Eva precisavam para ser obedientes, mas foi justamente esse amor que eles deixaram de cultivar. O amor a Deus é a coisa mais importante para vencer qualquer teste de fé, rejeitar qualquer tentação e perseverar sob qualquer tipo de tribulação. É a base para seguir a Jesus. Evidentemente, o amor a Deus está relacionado com o amor ao próximo. (1 João 4:20) Nos capítulos à frente veremos como Jesus demonstrou amor pelas pessoas. No próximo capítulo, consideraremos por que tantas pessoas achavam Jesus acessível.
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‘Grandes multidões se aproximavam dele’‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO CATORZE
‘Grandes multidões se aproximavam dele’
“Deixem as criancinhas vir a mim”
1-3. O que acontece quando alguns pais trazem seus filhos até Jesus, e o que isso nos ensina sobre ele?
JESUS sabe que sua vida terrestre está chegando rapidamente ao fim. Ele só tem mais algumas semanas de vida e ainda há muita coisa a fazer. Está pregando com seus apóstolos na Pereia, uma região ao leste do rio Jordão. Eles vão pregando em direção a Jerusalém, ao sul, onde Jesus vai comemorar sua última Páscoa, que será muito marcante.
2 Depois de uma importante conversa entre Jesus e alguns líderes religiosos, ocorre uma pequena agitação. Alguns pais trazem seus filhos para ver Jesus. Pelo visto há crianças de várias idades, pois Marcos se refere a elas usando a mesma palavra que antes havia usado ao mencionar uma criança de 12 anos, ao passo que Lucas usa uma palavra que pode ser traduzida “crianças de colo”. (Lucas 18:15; Marcos 5:41, 42; 10:13) É claro que, onde há crianças, em geral há muita agitação e barulho. Os discípulos de Jesus repreendem os pais, talvez achando que o Mestre está ocupado demais para dar atenção às crianças. Como Jesus reage?
3 Ao ver o que está acontecendo, Jesus fica indignado. Com quem? Com as crianças? Com os pais? Não — com os discípulos! Ele diz: “Deixem as criancinhas vir a mim. Não tentem impedi-las, pois o Reino de Deus pertence aos que são como elas. Eu lhes digo a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, de modo algum entrará nele.” Daí Jesus pega as crianças “nos braços” e as abençoa. (Marcos 10:13-16) As palavras que Marcos usou aqui sugerem que Jesus abraçou as crianças carinhosamente, talvez até pegando algumas delas “no colo”, conforme diz um tradutor. Fica claro que Jesus gosta de crianças. Mas aprendemos algo mais sobre ele nessa passagem: Jesus é acessível.
4, 5. (a) O que nos dá certeza de que Jesus era acessível? (b) Que perguntas analisaremos neste capítulo?
4 Se Jesus fosse um homem orgulhoso, de aparência séria ou hostil, é provável que aquelas crianças não se sentissem atraídas a ele; seus pais também não se sentiriam à vontade para se aproximar de Jesus. Consegue imaginar a cena, vendo os pais radiantes enquanto aquele homem bondoso abençoava seus filhos, mostrava afeição por eles e reconhecia que eram preciosos para Deus? Embora Jesus estivesse sobrecarregado com a maior de todas as responsabilidades, não deixou de ser o homem mais acessível de todos.
5 Quem mais achava Jesus uma pessoa acessível? Por que era fácil se achegar a ele? Como podemos aprender a imitá-lo nesse sentido? Vejamos.
Quem achava Jesus acessível?
6-8. Jesus estava frequentemente na companhia de quem, e como sua atitude para com essas pessoas era diferente da atitude dos líderes religiosos?
6 Ao ler os Evangelhos, você talvez fique surpreso de ver que multidões não tinham receio de se aproximar de Jesus. Muitas vezes ele é mencionado como estando cercado por “grandes multidões”: “Grandes multidões o seguiam, vindas da Galileia.” ‘As multidões se reuniram em volta dele.’ “Grandes multidões se aproximaram dele.” ‘Grandes multidões viajavam com ele.’ (Mateus 4:25; 13:2; 15:30; Lucas 14:25) Sim, Jesus estava frequentemente cercado por muitas pessoas.
7 Em geral essas pessoas faziam parte do povo — pessoas a quem os líderes religiosos se referiam com desprezo como “povo da terra”. Os fariseus e os sacerdotes diziam abertamente: “Essa multidão, que não conhece a Lei, são pessoas amaldiçoadas.” (João 7:49) Escritos rabínicos posteriores confirmam que eles tinham mesmo esse conceito. Muitos líderes religiosos achavam aquelas pessoas desprezíveis e se recusavam a tomar refeições com elas, comprar algo delas ou se associar com elas. Alguns afirmavam que não havia esperança de ressurreição para os que não conheciam a lei oral! Muitas pessoas humildes devem ter evitado aqueles líderes em vez de recorrer a eles em busca de ajuda ou orientação. Mas com Jesus era diferente.
8 Jesus se misturava com as pessoas comuns. Tomava refeições com elas, as curava, as ensinava e lhes dava esperança. É claro que Jesus era realista; reconhecia que a maioria ia rejeitar a oportunidade de servir a Jeová. (Mateus 7:13, 14) Mas ele tinha um ponto de vista otimista sobre cada um individualmente e via em muitos o potencial para fazer o que é certo. Que contraste com os sacerdotes e fariseus insensíveis! Surpreendentemente, porém, até mesmo sacerdotes e fariseus se sentiram atraídos a Jesus, e muitos deles mudaram de atitude e o seguiram. (Atos 6:7; 15:5) Algumas pessoas ricas e influentes também achavam Jesus acessível. — Marcos 10:17, 22.
9. Por que as mulheres consideravam Jesus acessível?
9 As mulheres também não tinham receio de se dirigir a Jesus. Elas muitas vezes se sentiam humilhadas por causa do desprezo dos líderes religiosos. Os rabinos geralmente não aprovavam que as mulheres fossem instruídas. Não se lhes permitia serem testemunhas em julgamentos; elas não eram encaradas como testemunhas confiáveis. Os rabinos até faziam uma oração em que agradeciam a Deus por não terem nascido mulher! Mas as mulheres não se sentiam desprezadas por Jesus. Muitas se dirigiam a ele, ansiosas para aprender. Podemos citar como exemplo Maria, irmã de Lázaro; ela se sentou aos pés do Senhor, escutando-o atentamente, ao passo que sua irmã, Marta, estava muito atarefada e preocupada em preparar a refeição. Jesus elogiou Maria por estabelecer prioridades corretas. — Lucas 10:39-42.
10. Em que sentido Jesus era diferente dos líderes religiosos no modo como tratava os doentes?
10 Os doentes também iam até Jesus, embora em geral fossem rejeitados pelos líderes religiosos. A Lei mosaica determinava a quarentena para leprosos a fim de evitar contaminação, mas não dava margem para a falta de bondade. (Levítico, capítulo 13) No entanto, regras posteriores criadas pelos rabinos diziam que os leprosos eram tão repulsivos quanto excremento. Alguns líderes religiosos chegavam a jogar pedras nos leprosos para mantê-los afastados! É difícil imaginar como alguém que tivesse sido tratado desse modo conseguiria criar coragem para se aproximar de algum instrutor, mas leprosos se aproximaram de Jesus. Um deles fez a bem conhecida expressão de fé dizendo: “Senhor, se apenas quiser, pode me purificar.” (Lucas 5:12) No próximo capítulo veremos o que Jesus fez nessa ocasião. Por enquanto, basta dizer que dificilmente haveria prova mais clara de que Jesus era acessível.
11. Que exemplo mostra que os que eram oprimidos por sentimentos de culpa se sentiam à vontade para ir até Jesus, e por que isso é importante?
11 Pessoas oprimidas por sentimentos de culpa se sentiam à vontade para ir até Jesus. Considere, por exemplo, a ocasião em que ele estava jantando na casa de um fariseu. Uma mulher conhecida como pecadora se ajoelhou aos pés de Jesus chorando por causa de seu sentimento de culpa. Suas lágrimas caíam sobre os pés dele e ela as enxugava com o cabelo. Ao passo que o fariseu achou isso repulsivo e condenou Jesus por permitir que a mulher chegasse perto dele, Jesus bondosamente a elogiou por seu arrependimento sincero e garantiu a ela o perdão de Jeová. (Lucas 7:36-50) Hoje, mais do que nunca, os que estão sobrecarregados com sentimentos de culpa precisam se sentir à vontade para se dirigir aos que podem ajudá-los a recuperar seu relacionamento com Deus. Mas o que fez de Jesus uma pessoa tão acessível?
O que fez de Jesus alguém acessível?
12. Por que não é de admirar que Jesus fosse acessível?
12 Lembre-se de que Jesus imitou perfeitamente seu amado Pai celestial. (João 14:9) A Bíblia nos diz que Jeová ‘não está longe de cada um de nós’. (Atos 17:27) Jeová, o “Ouvinte de oração”, está sempre acessível a seus servos fiéis e a todos que desejam sinceramente encontrá-lo e servi-lo. (Salmo 65:2) Imagine! A Pessoa mais poderosa e importante do Universo é também a mais acessível! Assim como o Pai, Jesus ama as pessoas. Nos próximos capítulos, consideraremos esse profundo amor de Jesus. Mas uma das principais razões de ele ser acessível é que seu amor pelas pessoas era facilmente observado. Vamos analisar algumas características de Jesus que tornavam evidente esse amor.
13. Como os pais podem imitar a Jesus?
13 As pessoas logo percebiam que Jesus se interessava pessoalmente por elas. Mesmo sob pressão, ele não deixava de mostrar esse interesse. Conforme já vimos, quando aqueles pais levaram seus filhos até Jesus, ele continuou sendo acessível, mesmo estando ocupado e sobrecarregado com grandes responsabilidades. Que exemplo para os pais! Criar filhos é um desafio no mundo de hoje. Mas é muito importante que os filhos percebam que seus pais são acessíveis. Você que é pai ou mãe sabe que às vezes está muito ocupado para dar a seu filho a atenção que ele precisa. Nessas ocasiões, que tal dizer que falará com ele assim que puder? Ao passo que você cumpre sua palavra, seu filho aprenderá que vale a pena esperar. Ele vai aprender também que sempre poderá levar a você qualquer problema ou preocupação que tiver.
14-16. (a) Que circunstâncias levaram Jesus a realizar seu primeiro milagre, e por que isso foi maravilhoso? (b) O que o milagre de Jesus em Caná nos ensina, dando que exemplo para os pais?
14 Jesus deixava claro que se importava com as preocupações das pessoas. Para exemplificar, considere seu primeiro milagre. Ele estava numa festa de casamento em Caná, uma cidade da Galileia. Surgiu um problema constrangedor — o vinho acabou! A mãe de Jesus, Maria, lhe contou o que tinha acontecido. O que ele fez? Pediu que os ajudantes enchessem de água seis jarros grandes de pedra. Quando se pediu ao diretor da festa que experimentasse um pouco do que estava nos jarros, que surpresa, era vinho da melhor qualidade! Será que era algum truque? Não, a água “tinha sido transformada em vinho”. (João 2:1-11) Os humanos sempre sonharam em conseguir transformar uma coisa em outra. Por séculos, homens chamados alquimistas tentaram transformar chumbo em ouro. Nunca conseguiram, embora chumbo e ouro sejam na verdade elementos muito parecidos.a Que dizer da água e do vinho? Quimicamente, a água é simples, uma combinação de dois elementos básicos. O vinho, por outro lado, contém quase mil componentes, muitos deles bem complexos! Por que Jesus realizaria um ato tão maravilhoso por causa de algo insignificante, como faltar vinho numa festa de casamento?
15 Bem, para a noiva e para o noivo, o problema não era insignificante. Antigamente no Oriente Médio se dava muita importância à hospitalidade. Faltar vinho na festa de casamento deixaria a noiva e o noivo muito envergonhados e constrangidos, estragaria o dia do casamento e deixaria más lembranças que durariam muitos anos. O problema tinha muita importância para eles, por isso, era muito importante para Jesus também. Assim, ele tomou providências. Percebe por que as pessoas levavam suas preocupações a Jesus?
Deixe claro a seu filho que você é acessível e está interessado nos problemas dele
16 Mais uma vez vemos aqui uma lição prática para os pais. O que fazer se seu filho vier até você preocupado com alguma coisa? Você talvez fique tentado a achar que a preocupação dele seja insignificante. Talvez até sinta vontade de rir ao ouvir o que ele tem a dizer. É verdade que, em comparação com os seus problemas, o problema da criança talvez até pareça insignificante. Mas lembre-se de que não é assim para ela. Se é importante para alguém que você ama muito, não deveria ser importante para você também? Deixar claro para seu filho que você se importa com as preocupações dele fará de você um pai acessível.
17. Jesus deu que exemplo de brandura, e por que essa qualidade é evidência de força?
17 Conforme vimos no Capítulo 3, Jesus era brando e humilde. (Mateus 11:29) A brandura é uma bela qualidade, uma prova incontestável de que a pessoa é humilde no coração. A brandura é um dos frutos do espírito santo e está relacionada à sabedoria de Deus. (Gálatas 5:22, 23; Tiago 3:13) Mesmo sob a pior provocação, Jesus manteve o autocontrole. Sua brandura de modo algum era sinal de fraqueza. Um erudito disse sobre essa qualidade: “Por trás da suavidade está a força do aço.” De fato, em geral é necessário força da nossa parte para controlar nosso temperamento e tratar outros com brandura. Mas, ao passo que Jeová abençoa nossos esforços, podemos imitar a Jesus em mostrar brandura; isso nos tornará mais acessíveis.
18. Que exemplo mostra a razoabilidade de Jesus, e por que você acha que essa qualidade torna a pessoa acessível?
18 Jesus era razoável. Quando estava em Tiro, uma mulher se dirigiu a ele porque sua filha estava ‘possuída por um demônio que a atormentava cruelmente’. Jesus indicou de três maneiras que não pretendia fazer o que ela queria. Primeiro ele ficou em silêncio; depois falou à mulher por que motivo não atenderia o pedido dela; por fim, fez uma ilustração que esclareceu ainda mais o ponto em questão. Mas será que ele a tratou de modo frio e inflexível? Será que deu a entender que ela estava se arriscando por ousar rebater as palavras de alguém tão importante? Não, era evidente que aquela mulher se sentia à vontade para falar com Jesus. Além de pedir ajuda, ela insistiu, apesar de ele aparentemente não querer ajudá-la. Jesus viu a notável fé que a fez insistir, e curou sua filha. (Mateus 15:22-28) Sem dúvida, a razoabilidade de Jesus e sua disposição em escutar e ceder quando apropriado fez com que as pessoas se sentissem atraídas a ele!
Você é acessível?
19. Como podemos saber se somos realmente acessíveis?
19 As pessoas em geral acham que são acessíveis. Alguns em posição de autoridade, por exemplo, gostam de dizer que estão sempre à disposição, que seus subordinados podem procurá-los a qualquer hora. A Bíblia, porém, adverte claramente: “Muitos homens proclamam o seu próprio amor leal, mas quem pode encontrar um homem fiel?” (Provérbios 20:6) É fácil dizer que somos acessíveis, mas estamos mesmo imitando fielmente esse aspecto do amor de Jesus? A resposta pode estar, não em como encaramos a nós mesmos, mas em como outros nos encaram. Paulo disse: “Que a sua razoabilidade seja conhecida de todos os homens.” (Filipenses 4:5) Cada um de nós precisa perguntar-se: ‘Como outros me veem? Qual é a minha reputação?’
Os anciãos se esforçam em ser acessíveis
20. (a) Por que é importante que os anciãos sejam acessíveis? (b) Por que devemos ser razoáveis no que esperamos dos anciãos?
20 Os anciãos cristãos, em especial, se esforçam em ser acessíveis. Desejam de coração fazer jus à descrição registrada em Isaías 32:1, 2: “Cada um deles será como abrigo contra o vento, como esconderijo contra o temporal, como correntes de água numa terra árida, como a sombra de um enorme rochedo num deserto.” O ancião só poderá prover proteção, ânimo e alívio se for acessível. É verdade que nem sempre é fácil fazer isso, pois os anciãos têm uma pesada responsabilidade nestes tempos difíceis. Mas eles se esforçam em nunca parecer ocupados demais para cuidar das necessidades das ovelhas de Jeová. (1 Pedro 5:2) Os outros membros da congregação, por serem humildes e colaboradores, tentam ser razoáveis no que esperam desses homens fiéis. — Hebreus 13:17.
21. Como os pais podem ser acessíveis aos filhos, e o que vamos considerar no próximo capítulo?
21 Os pais procuram ser sempre acessíveis a seus filhos. Isso é de grande importância. Tanto o pai como a mãe querem que seus filhos saibam que podem ficar à vontade para conversar com eles. Assim, pais cristãos se preocupam em ser brandos e razoáveis, não reagindo de modo exagerado quando um filho conta que fez algo errado ou demonstra um modo de pensar incorreto. Ao passo que educam os filhos, os pais se esforçam para manter abertas as linhas de comunicação. De fato, todos nós queremos ser acessíveis assim como Jesus. No próximo capítulo, vamos analisar a profunda compaixão de Jesus — uma das principais qualidades que o tornaram acessível.
a Estudantes de química sabem que o chumbo e o ouro estão bem próximos na tabela periódica de elementos. Um átomo de chumbo tem simplesmente três prótons a mais no seu núcleo do que o átomo de ouro. Hoje em dia, físicos até já transformaram pequenas quantidades de chumbo em ouro, mas o processo demanda tanta energia que não é economicamente viável.
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Jesus “teve pena”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO QUINZE
Jesus “teve pena”
“Senhor, faça com que nossos olhos se abram”
1-3. (a) O que Jesus faz quando dois mendigos cegos imploram sua ajuda? (b) O que significa a expressão “teve pena”? (Veja a nota.)
DOIS cegos estão sentados à beira da estrada, perto de Jericó. Todos os dias eles procuram um lugar movimentado e ficam ali pedindo esmola. Hoje, porém, acontecerá algo marcante que mudará a vida desses homens.
2 De repente, eles ouvem o som de uma multidão que se aproxima. Sem poder ver o que está acontecendo, um deles pergunta o porquê daquela agitação. As pessoas lhe dizem: “Jesus, o Nazareno, está passando!” Jesus está a caminho de Jerusalém pela última vez. Mas não está sozinho; uma multidão o segue. Ao ouvir que é Jesus quem está passando, os mendigos começam a causar certo tumulto, gritando: “Senhor, Filho de Davi, tenha misericórdia de nós!” Incomodadas, as pessoas mandam os mendigos se calarem, mas eles estão desesperados e se recusam a fazer isso.
3 Apesar do barulho da multidão, Jesus ouve os mendigos gritando. O que ele faz? Ele está muito preocupado e aflito, pois lhe restam apenas mais alguns dias de vida na Terra. Jesus sabe que em breve passará por muitos sofrimentos e terá uma morte cruel em Jerusalém. Mesmo assim, não desconsidera os pedidos insistentes dos mendigos. Jesus para e pede que os que estão gritando sejam trazidos até ele. “Senhor, faça com que nossos olhos se abram”, imploram eles. Jesus ‘tem pena’, toca os olhos dos cegos e eles recuperam a visão.a Sem demora, eles passam a seguir a Jesus. — Lucas 18:35-43; Mateus 20:29-34.
4. Como Jesus cumpriu a profecia de que ‘teria pena do humilde’?
4 Esse não foi um caso isolado. Em muitas ocasiões e circunstâncias, Jesus se sentiu profundamente motivado a demonstrar compaixão. A profecia bíblica predisse que ele ‘teria pena do humilde’. (Salmo 72:13) Em cumprimento dessas palavras, Jesus era sensível aos sentimentos dos outros. Ele também tomava a iniciativa de ajudar as pessoas. E sua compaixão o motivava a pregar. Vamos ver como os Evangelhos revelam a terna compaixão por trás das palavras e das ações de Jesus e como nós podemos demonstrar a mesma compaixão.
Teve consideração pelos sentimentos dos outros
5, 6. Que exemplos mostram que Jesus demonstrava empatia?
5 Jesus demonstrava muita empatia. Compreendia os sentimentos dos que sofriam e se compadecia. Embora não estivesse nas mesmas circunstâncias daquelas pessoas, ele realmente sentia a dor delas em seu próprio coração. (Hebreus 4:15) Quando curou uma mulher que já sofria de um fluxo de sangue por 12 anos, Jesus se referiu ao problema dela como uma “doença aflitiva”, reconhecendo assim que a doença lhe havia causado muito sofrimento e aflição. (Marcos 5:25-34) Ver Maria e outras pessoas chorando por causa da morte de Lázaro tocou tanto a Jesus que ele ficou aflito no íntimo. Embora soubesse que ressuscitaria Lázaro, ele ficou tão comovido que chorou. — João 11:33, 35.
6 Em outra ocasião, um leproso se aproximou de Jesus e implorou: “Se o senhor apenas quiser, pode me purificar.” Como Jesus reagiu, embora fosse perfeito e nunca tivesse ficado doente? Ele compreendeu como o leproso se sentia. De fato, a Bíblia diz que ele “teve pena”. (Marcos 1:40-42) Daí Jesus fez algo extraordinário. Ele sem dúvida sabia que os leprosos eram impuros segundo a Lei e que não deviam se aproximar de outros. (Levítico 13:45, 46) Jesus com certeza podia curar aquele homem sem tocar nele. (Mateus 8:5-13) Ainda assim, preferiu estender a mão e tocar no leproso, dizendo: “Eu quero! Seja purificado.” A lepra desapareceu imediatamente. Que demonstração de terna empatia!
Mostre empatia
7. O que pode nos ajudar a desenvolver empatia, e como podemos demonstrar essa qualidade?
7 Como cristãos, somos incentivados a imitar a Jesus por mostrar empatia. A Bíblia nos incentiva a ‘ter empatia’.b (1 Pedro 3:8) Talvez não seja fácil compreender os sentimentos dos que sofrem de depressão ou de uma doença crônica, principalmente se nunca passamos por problemas desse tipo. Mas lembre-se de que para ter empatia não é preciso estar nas mesmas circunstâncias da outra pessoa. Jesus teve empatia pelos doentes, embora ele mesmo nunca tivesse ficado doente. Então, como podemos desenvolver empatia? Por ouvir pacientemente quando outros abrem o coração e expressam o que sentem. Podemos nos perguntar: ‘Como eu me sentiria se estivesse no lugar dessa pessoa?’ (1 Coríntios 12:26) Quanto maior for a nossa sensibilidade aos sentimentos dos outros, tanto mais fácil será ‘consolar os que estão deprimidos’. (1 Tessalonicenses 5:14) Às vezes podemos demonstrar empatia não apenas com palavras, mas também com lágrimas. “Chorem com os que choram”, diz Romanos 12:15.
8, 9. Como Jesus mostrava consideração pelos sentimentos dos outros?
8 Jesus era bondoso e levava em consideração os sentimentos dos outros. Talvez se lembre da ocasião em que um homem surdo e que mal conseguia falar foi levado até ele. Pelo visto Jesus percebeu que o homem estava um pouco aflito, por isso fez algo que não costumava fazer ao curar outras pessoas: “Ele . . . levou [o homem] à parte, longe da multidão.” Daí, fora dos olhares das pessoas, Jesus curou o homem. — Marcos 7:31-35.
9 Jesus também teve consideração quando as pessoas lhe trouxeram um homem cego e pediram que o curasse. Ele “pegou o cego pela mão e o levou para fora da aldeia”. Daí curou o homem aos poucos. Talvez isso tenha permitido que o cérebro e os olhos do homem se ajustassem gradativamente às imagens ofuscantes e ao complexo cenário do mundo iluminado ao seu redor. (Marcos 8:22-26) Que consideração da parte de Jesus!
10. De que modo podemos mostrar consideração pelos sentimentos dos outros?
10 Para seguirmos a Jesus, é necessário mostrarmos consideração pelos sentimentos dos outros. Assim, lembrando que palavras impensadas podem ferir os sentimentos das pessoas, damos atenção ao que falamos. (Provérbios 12:18; 18:21) Em vista disso, entre os cristãos não deve haver palavras duras, comentários depreciativos e sarcasmo. (Efésios 4:31) Anciãos, como vocês podem mostrar consideração pelos sentimentos dos outros? Ao aconselhar, falem com bondade, contribuindo para preservar a dignidade da pessoa. (Gálatas 6:1) Pais, como podem levar em conta os sentimentos de seus filhos? Ao disciplinar, se esforcem para não causar constrangimentos desnecessários. — Colossenses 3:21.
Tomou a iniciativa de ajudar outros
11, 12. Que relatos bíblicos mostram que Jesus demonstrava compaixão sem precisar que alguém lhe pedisse ajuda?
11 Jesus não demonstrava compaixão apenas quando as pessoas pediam ajuda. Afinal, a compaixão não é uma qualidade passiva, mas ativa. Portanto, não é de admirar que a terna compaixão de Jesus o motivasse a tomar a iniciativa de ajudar outros. Por exemplo, quando uma grande multidão ficou com ele durante três dias, sem comer, ninguém teve de dizer a Jesus que as pessoas estavam com fome nem teve de pedir que ele fizesse algo a respeito. O relato diz: “Jesus chamou os seus discípulos e disse: ‘Tenho pena da multidão, porque já estão comigo há três dias, e eles não têm nada para comer. Eu não quero mandá-los embora com fome, pois poderiam desfalecer na estrada.’” Daí, de sua própria iniciativa, Jesus alimentou a multidão milagrosamente. — Mateus 15:32-38.
12 Considere outra passagem bíblica. Ao chegar à cidade de Naim em 31 EC, Jesus se deparou com uma cena triste. Um cortejo fúnebre saía da cidade, talvez em direção a túmulos que ficavam na encosta de um monte perto dali. Era o enterro do ‘filho único de uma viúva’. Consegue imaginar o sofrimento daquela mãe? Ela ia enterrar seu único filho, e seu marido já não estava mais lá para compartilhar sua dor. No meio de todos os que seguiam o cortejo, Jesus “viu” aquela viúva, agora sem o seu filho. Isso o tocou profundamente; sim, Jesus “teve pena dela”. Ninguém precisou implorar que ele fizesse um milagre. Sua compaixão de coração o motivou a tomar a iniciativa. Ele “se aproximou e tocou no esquife”, trazendo o jovem de volta à vida. O que Jesus fez em seguida? Não pediu que o jovem se juntasse à multidão que viajava com Ele. Em vez disso, “o entregou à sua mãe”, unindo-os novamente como família e garantindo que a viúva tivesse alguém para cuidar dela. — Lucas 7:11-15.
Tome a iniciativa de ajudar outros em necessidade
13. Como podemos imitar a Jesus tomando a iniciativa de ajudar os que passam necessidade?
13 Como podemos seguir o exemplo de Jesus? É verdade que não podemos multiplicar alimentos milagrosamente nem ressuscitar mortos. Mas podemos imitar a Jesus tomando a iniciativa de ajudar os que passam necessidade. Um irmão cristão talvez sofra um revés financeiro ou perca o emprego. (1 João 3:17) A casa de uma viúva talvez esteja precisando urgentemente de reparos. (Tiago 1:27) Pode ser que conheçamos uma família enlutada que precise de consolo ou ajuda prática. (1 Tessalonicenses 5:11) Em casos de real necessidade, não precisamos esperar que outros nos peçam para só então oferecer ajuda. (Provérbios 3:27) A compaixão nos motivará a tomar a iniciativa de ajudar, conforme nossas circunstâncias permitirem. Nunca se esqueça de que um pequeno ato de bondade ou algumas palavras de consolo vindas do coração podem ser grandes demonstrações de compaixão. — Colossenses 3:12.
A compaixão o motivou a pregar
14. Por que Jesus deu prioridade à obra de pregação das boas novas?
14 Como vimos na Seção 2 deste livro, Jesus nos deixou um excelente exemplo por pregar as boas novas. Ele disse: “Tenho de declarar as boas novas do Reino de Deus também a outras cidades, porque fui enviado para isso.” (Lucas 4:43) Por que Jesus deu prioridade a essa obra? Em primeiro lugar por causa de seu amor a Deus. Mas havia outro motivo: sua compaixão de coração o motivou a agir para atender às necessidades espirituais das pessoas. Ele demonstrou compaixão de muitas maneiras, mas a principal foi por prover a outros o que precisavam em sentido espiritual. Vamos considerar duas ocasiões que mostram como Jesus encarava as pessoas a quem pregava. Isso nos ajudará a analisar nossas próprias motivações ao participar no ministério de pregação.
15, 16. Comente duas ocasiões que mostram como Jesus encarava as pessoas a quem pregava.
15 Em 31 EC, após cerca de dois anos de serviço ativo no ministério, Jesus intensificou seus esforços por iniciar “uma viagem por todas as cidades e aldeias” da Galileia. O que ele viu o tocou profundamente. O apóstolo Mateus relatou: “Vendo as multidões, sentia pena delas, porque eram esfoladas e jogadas de um lado para outro como ovelhas sem pastor.” (Mateus 9:35, 36) Jesus sentia pena das pessoas comuns. Ele estava bem ciente da lastimável condição espiritual delas. Sabia que elas eram maltratadas e desprezadas, justamente por quem devia pastoreá-las — os líderes religiosos. Motivado por profunda compaixão, Jesus se empenhou em levar uma mensagem de esperança às pessoas. O que elas mais precisavam eram as boas novas do Reino de Deus.
16 Algo parecido ocorreu alguns meses depois, pouco antes da Páscoa de 32 EC. Jesus e seus apóstolos entraram num barco e atravessaram o mar da Galileia em busca de um lugar tranquilo para descansar. Mas uma multidão correu ao longo da costa e chegou ao outro lado antes do barco. Qual foi a reação de Jesus? “Ao desembarcar, ele viu uma grande multidão e teve pena deles, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a lhes ensinar muitas coisas.” (Marcos 6:31-34) Mais uma vez Jesus “teve pena” por causa da triste condição espiritual das pessoas. Como “ovelhas sem pastor”, elas estavam famintas em sentido espiritual e entregues à própria sorte. Era a compaixão que motivava Jesus a pregar, não um mero senso de dever.
Pregue motivado pela compaixão
17, 18. (a) O que nos motiva a pregar? (b) Como podemos cultivar compaixão por outros?
17 Como seguidores de Jesus, o que nos motiva a pregar? Conforme vimos no Capítulo 9, temos uma comissão, uma responsabilidade: pregar e fazer discípulos. (Mateus 28:19, 20; 1 Coríntios 9:16) Mas não devemos realizar essa obra apenas por mero senso de dever ou obrigação. Em primeiro lugar, é o amor a Jeová que nos motiva a pregar as boas novas do Reino. A compaixão pelos que não têm as mesmas crenças que nós também nos motiva a fazer isso. (Marcos 12:28-31) Então, como podemos cultivar compaixão por outros?
18 Precisamos ver as pessoas como Jesus as via — “esfoladas e jogadas de um lado para outro como ovelhas sem pastor”. Imagine que você encontre um cordeirinho perdido. O pobre animalzinho está faminto e com sede, pois não há um pastor que o leve até onde há água e boas pastagens. Você não teria pena dele? Não se esforçaria para dar a ele um pouco de água e comida? Muitas pessoas que ainda não conhecem as boas novas são como esse cordeirinho. Negligenciadas pelos falsos líderes religiosos, elas estão sedentas e famintas em sentido espiritual e não têm verdadeira esperança para o futuro. Nós temos o que elas precisam: o nutritivo alimento espiritual e as refrescantes águas da verdade encontradas na Palavra de Deus. (Isaías 55:1, 2) Quando pensamos nas necessidades espirituais das pessoas à nossa volta, sentimos compaixão por elas. Se, assim como Jesus, tivermos pena das pessoas, faremos todo o possível para levar a elas a esperança do Reino.
19. O que podemos fazer para motivar um estudante da Bíblia a começar a participar na obra de pregação?
19 Como podemos ajudar outros a seguir o exemplo de Jesus? Digamos que temos um estudante da Bíblia que já esteja em condições de participar no ministério e queremos incentivá-lo a começar a pregar. Ou talvez queiramos ajudar um irmão inativo a voltar a ter plena participação no ministério. Como podemos ajudá-los? Precisamos tocar seu coração. Lembre-se de que primeiro Jesus “teve pena” das pessoas, depois passou a ensiná-las. (Marcos 6:34) Portanto, se pudermos ajudar o estudante ou o irmão inativo a cultivar compaixão, é bem provável que o coração deles os motive a imitar a Jesus e pregar as boas novas a outros. Podemos lhes perguntar: “Como a mensagem do Reino mudou sua vida para melhor? Que dizer das pessoas que ainda não conhecem essa mensagem — não acha que elas também precisam ouvir as boas novas? O que você pode fazer para ajudá-las?” É claro que a principal motivação para participar na pregação é o amor a Deus e o desejo de servi-lo.
20. (a) O que está envolvido em ser seguidor de Jesus? (b) O que será considerado no próximo capítulo?
20 Seguir a Jesus envolve mais do que apenas repetir suas palavras e copiar suas ações. Precisamos cultivar a mesma “atitude” que ele tinha. (Filipenses 2:5) Por essa razão, somos muito gratos de que a Bíblia nos revela os pensamentos e os sentimentos por trás das palavras e ações de Jesus! Por nos familiarizarmos com “a mente de Cristo”, estaremos mais aptos a cultivar sensibilidade e profunda compaixão e assim tratar outros do modo como ele tratava as pessoas. (1 Coríntios 2:16) No próximo capítulo, vamos considerar as várias maneiras pelas quais Jesus mostrou amor em especial por seus seguidores.
a A palavra grega traduzida “teve pena” já foi descrita como uma das palavras mais enfáticas em grego para o sentimento da compaixão. Certa obra de referência diz que essa palavra indica “não apenas sentir dó diante do sofrimento, mas também um forte desejo de aliviá-lo e acabar com ele”.
b O adjetivo grego traduzido ‘ter empatia’ significa literalmente “sofrer com”.
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Jesus “os amou até o fim”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO DEZESSEIS
Jesus “os amou até o fim”
1, 2. Como Jesus aproveita suas últimas horas com os apóstolos, e por que esses últimos momentos são tão preciosos para ele?
AO REUNIR seus apóstolos numa sala no andar de cima de uma casa em Jerusalém, Jesus sabe que essa é a última noite que estará com eles. Em breve ele voltará para seu Pai. Em poucas horas será preso e sua fé será testada como nunca antes. Ainda assim, nem mesmo sua morte iminente faz com que ele deixe de lado as necessidades de seus apóstolos.
2 Jesus já preparou os apóstolos para sua partida, porém, ainda tem mais a dizer a fim de fortalecê-los para o que vai acontecer no futuro. Assim, ele usa esses últimos momentos preciosos para ensinar importantes lições que os ajudarão a permanecer fiéis. Jesus nunca falou com eles de forma tão calorosa e amistosa como nessa ocasião. Mas por que ele está mais preocupado com seus apóstolos do que consigo mesmo? Por que motivo essas últimas horas com eles são tão preciosas para Jesus? A resposta está numa única palavra: amor. Jesus os ama profundamente.
3. Como sabemos que Jesus não esperou até a última noite para mostrar que amava seus discípulos?
3 Décadas mais tarde, ao iniciar sua narrativa sobre os acontecimentos daquela última noite, o apóstolo João escreveu: “Jesus sabia, antes da Festividade da Páscoa, que havia chegado a hora de deixar este mundo e ir para o Pai. Assim, tendo amado os seus que estavam no mundo, ele os amou até o fim.” (João 13:1) Jesus não esperou até aquela ocasião para mostrar que amava seus discípulos. Ao longo de seu ministério, deixou isso claro de muitas maneiras. Vale a pena analisar algumas delas, pois por imitá-lo mostramos que somos seus verdadeiros discípulos.
Teve paciência
4, 5. (a) Por que Jesus precisou de paciência ao lidar com seus discípulos? (b) Como Jesus reagiu quando três de seus apóstolos não permaneceram vigilantes no jardim de Getsêmani?
4 O amor e a paciência estão interligados. “O amor é paciente”, diz 1 Coríntios 13:4, e a paciência envolve tolerar outros. Será que Jesus precisou de paciência para lidar com seus discípulos? Com certeza! Conforme vimos no Capítulo 3, os apóstolos demoraram a cultivar humildade. Eles discutiram várias vezes sobre qual deles era o mais importante. Qual foi a reação de Jesus? Ficou irado, irritado ou ressentido? Não, ele raciocinou de modo paciente com os discípulos, mesmo quando surgiu “uma discussão acalorada” sobre esse assunto na última noite que estava com eles. — Lucas 22:24-30; Mateus 20:20-28; Marcos 9:33-37.
5 Mais tarde naquela noite, quando Jesus foi com os 11 apóstolos fiéis ao jardim de Getsêmani, sua paciência foi testada mais uma vez. Afastando-se de oito dos apóstolos, ele entrou um pouco mais no jardim com Pedro, Tiago e João. Então lhes disse: “Estou profundamente triste, a ponto de morrer. Fiquem aqui e mantenham-se vigilantes comigo.” Jesus se distanciou um pouco e começou a orar fervorosamente. Após uma longa oração, voltou até o local onde se encontravam os três apóstolos. O que eles estavam fazendo? Estavam dormindo; justamente na ocasião em que Jesus ia enfrentar a pior prova de sua vida! Será que Jesus os repreendeu severamente por não terem ficado acordados? Não, ele os exortou com paciência. Suas palavras mostraram que ele compreendia o estresse que os apóstolos haviam passado e a fraqueza deles.a “Naturalmente, o espírito está disposto”, disse Jesus, “mas a carne é fraca”. Ele continuou sendo paciente naquela noite, mesmo nas outras duas vezes em que voltou e encontrou os apóstolos dormindo novamente! — Mateus 26:36-46.
6. Como podemos imitar a Jesus ao lidar com outros?
6 É muito animador ver que Jesus não desistiu de seus apóstolos. Sua paciência acabou dando resultado, pois aqueles homens fiéis aprenderam a importância de ser humildes e vigilantes. (1 Pedro 3:8; 4:7) Como podemos imitar a Jesus ao lidar com outros? Os anciãos, em especial, precisam ser pacientes. Irmãos cristãos talvez levem seus problemas a um ancião quando ele próprio está cansado ou preocupado com problemas pessoais. Às vezes, também, os que precisam de ajuda não acatam logo os conselhos. Apesar disso, anciãos pacientes darão orientações “com brandura” e “tratarão o rebanho com ternura”. (2 Timóteo 2:24, 25; Atos 20:28, 29) Os pais também precisam imitar a Jesus por ser pacientes porque, vez por outra, os filhos talvez não reajam prontamente aos conselhos e à correção. O amor e a paciência ajudarão os pais a não desistir de instruir seus filhos. Mostrar paciência pode resultar em grandes recompensas. — Salmo 127:3.
Cuidou das necessidades dos discípulos
7. De que maneiras Jesus cuidou das necessidades físicas e materiais de seus discípulos?
7 O amor é demonstrado por gestos altruístas. (1 João 3:17, 18) O amor “não procura os seus próprios interesses”. (1 Coríntios 13:5) Foi o amor que motivou Jesus a cuidar das necessidades físicas e materiais de seus discípulos. Ele muitas vezes fazia isso antes que eles lhe pedissem. Quando Jesus percebeu que os apóstolos estavam cansados, sugeriu que fossem com ele “sozinhos a um lugar isolado para descansar um pouco”. (Marcos 6:31) Ao perceber que eles estavam com fome, tomou a iniciativa de alimentá-los; alimentou também milhares de outros que tinham vindo para ouvi-lo ensinar. — Mateus 14:19, 20; 15:35-37.
8, 9. (a) O que prova que Jesus reconhecia as necessidades espirituais de seus discípulos e fazia provisões para supri-las? (b) Quando estava na estaca, como Jesus mostrou profunda preocupação com o bem-estar de sua mãe?
8 Jesus também reconhecia que seus discípulos tinham necessidades espirituais e fazia provisões para supri-las. (Mateus 4:4; 5:3) Ao ensinar, muitas vezes lhes dava atenção especial. O Sermão do Monte foi proferido especialmente para os discípulos. (Mateus 5:1, 2, 13-16) Quando ensinava usando ilustrações, Jesus “explicava tudo em particular aos seus discípulos”. (Marcos 4:34) Ele predisse que designaria um “escravo fiel e prudente” para garantir que Seus seguidores fossem bem nutridos espiritualmente nos últimos dias. Esse escravo fiel, composto de um pequeno grupo dos irmãos ungidos de Jesus que estão na Terra, tem providenciado “alimento [espiritual] no tempo apropriado” desde 1919 EC. — Mateus 24:45.
9 No dia da sua morte, Jesus mostrou de forma tocante sua preocupação pelo bem-estar espiritual daqueles a quem amava. Visualize esta cena: Jesus estava pregado na estaca, sentindo uma dor excruciante. Para respirar, ele provavelmente tinha de fazer força para cima, apoiando-se nos pés. Isso sem dúvida causava uma dor terrível, ao passo que o peso do seu corpo fazia com que o prego rasgasse ainda mais seus pés, e suas costas em carne viva raspavam na estaca. Falar devia ser muito difícil e doloroso, pois envolvia controlar também a respiração. Mesmo assim, pouco antes de morrer, Jesus disse algo que demonstrou seu profundo amor por Maria, sua mãe. Vendo Maria e o apóstolo João ali perto, Jesus disse à sua mãe, com voz suficientemente alta para que todos ali ouvissem: “Este é o seu filho!” Depois disse a João: “Esta é a sua mãe!” (João 19:26, 27) Jesus sabia que aquele apóstolo fiel cuidaria não só das necessidades físicas e materiais de Maria, mas também de seu bem-estar espiritual.b
Pais amorosos são pacientes e cuidam das necessidades de seus filhos
10. Como os pais podem imitar a Jesus ao cuidar das necessidades de seus filhos?
10 Pais que se preocupam com o bem-estar de seus filhos podem se beneficiar por meditar no exemplo de Jesus. O pai que realmente ama sua família fará provisões materiais para ela. (1 Timóteo 5:8) Chefes de família equilibrados e amorosos de vez em quando providenciam descanso e diversão. Ainda mais importante, os pais cristãos cuidam das necessidades espirituais de seus filhos. Como? Por programar um estudo bíblico regular em família e por se esforçar em tornar essas ocasiões edificantes e agradáveis para os filhos. (Deuteronômio 6:6, 7) Por meio de palavras e ações, os pais ensinam a seus filhos que o ministério é uma atividade importante, e que se preparar para as reuniões e assistir a elas é parte essencial da rotina espiritual da família. — Hebreus 10:24, 25.
Estava disposto a perdoar
11. O que Jesus ensinou a seus seguidores sobre o perdão?
11 O perdão é uma característica do amor. (Colossenses 3:13, 14) O amor “não leva em conta o dano”, diz 1 Coríntios 13:5. Em várias ocasiões Jesus ensinou a seus seguidores a importância do perdão. Ele os incentivou a perdoar outros ‘não até sete vezes, mas até 77 vezes’ — ou seja, um número ilimitado de vezes. (Mateus 18:21, 22) Ele ensinou que um pecador deve ser perdoado se, quando for censurado, mostrar arrependimento. (Lucas 17:3, 4) Mas Jesus não era como os fariseus hipócritas, que ensinavam apenas por palavras; ele ensinava também por meio de seu exemplo. (Mateus 23:2-4) Vejamos como ele mostrou que estava disposto a perdoar, até mesmo quando um amigo em quem confiava o decepcionou.
12, 13. (a) Como Pedro decepcionou Jesus na noite em que ele foi preso? (b) Como as ações de Jesus após sua ressurreição deixaram claro que ele fez muito mais do que apenas falar sobre o perdão?
12 Jesus tinha amizade achegada com o apóstolo Pedro, um homem amigável que às vezes era impulsivo. Jesus reconheceu as boas qualidades dele e lhe deu privilégios especiais. Pedro, junto com Tiago e João, presenciou alguns milagres que os outros apóstolos não viram. (Mateus 17:1, 2; Lucas 8:49-55) Conforme já mencionado, Pedro foi um dos apóstolos que acompanhou Jesus quando ele entrou no jardim de Getsêmani na noite em que foi preso. Mas quando Jesus foi traído e detido naquela mesma noite, Pedro e os outros apóstolos o abandonaram e fugiram. Mais tarde, ele mostrou que tinha coragem quando foi até o lugar onde Jesus estava sendo julgado ilegalmente e ficou esperando do lado de fora. Apesar disso, naquela ocasião Pedro ficou com medo e cometeu um erro sério — mentindo, até mesmo negou três vezes que conhecia Jesus! (Mateus 26:69-75) Como Jesus reagiu? O que você teria feito se um amigo achegado o decepcionasse desse modo?
13 Jesus estava disposto a perdoar Pedro. Sabia que ele estava arrasado por causa do pecado. Afinal, o apóstolo arrependido, “muito abalado, . . . começou a chorar”. (Marcos 14:72) No dia de Sua ressurreição, Jesus apareceu a Pedro provavelmente para o consolar e reanimar. (Lucas 24:34; 1 Coríntios 15:5) Menos de dois meses mais tarde, Jesus deu a Pedro o privilégio de tomar a dianteira em pregar às multidões em Jerusalém no dia de Pentecostes. (Atos 2:14-40) É digno de nota também que Jesus não guardou ressentimento dos apóstolos como grupo por eles o terem abandonado. Pelo contrário, após sua ressurreição ele continuou a chamá-los de “meus irmãos”. (Mateus 28:10) Não deixa isso claro que Jesus fez muito mais do que apenas falar sobre o perdão?
14. Por que precisamos aprender a perdoar, e como podemos demonstrar que estamos dispostos a fazer isso?
14 Como discípulos de Cristo, precisamos aprender a perdoar. Por quê? Diferentemente de Jesus, somos imperfeitos — assim como os que talvez pequem contra nós. Vez por outra todos nós tropeçamos em palavras e ações. (Romanos 3:23; Tiago 3:2) Por perdoarmos outros quando há base para misericórdia, abrimos caminho para que os nossos pecados sejam perdoados por Deus. (Marcos 11:25) Então, como podemos demonstrar que estamos dispostos a perdoar os que pecam contra nós? Em muitos casos, o amor nos ajuda a desconsiderar os pecados e as imperfeições menores de outros. (1 Pedro 4:8) Quando os que erram contra nós demonstram arrependimento sincero, assim como Pedro, devemos certamente imitar a disposição de Jesus de perdoar. Em vez de guardar ressentimento, é muito melhor esquecer o assunto. (Efésios 4:32) Desse modo, contribuímos para a paz da congregação e para a nossa paz mental e emocional. — 1 Pedro 3:11.
Mostrou que confiava nos discípulos
15. Por que Jesus confiava nos discípulos apesar das suas imperfeições?
15 O amor e a confiança andam de mãos dadas. O amor “acredita em todas as coisas”.c (1 Coríntios 13:7) Motivado pelo amor, Jesus estava disposto a confiar em seus discípulos apesar de suas imperfeições. Tinha confiança neles e sabia que, no coração, eles realmente amavam a Jeová e desejavam fazer Sua vontade. Mesmo quando erravam, Jesus não questionava suas motivações. Por exemplo, quando os apóstolos Tiago e João pediram por meio de sua mãe que Jesus lhes desse um lugar ao seu lado no Reino, Jesus não duvidou de sua lealdade nem tirou deles o privilégio de ser apóstolos. — Mateus 20:20-28.
16, 17. Que responsabilidades Jesus deu a seus discípulos?
16 Jesus demonstrou que confiava em seus discípulos por dar a eles várias responsabilidades. Nas duas vezes em que multiplicou milagrosamente alimento para as multidões, ele delegou aos discípulos a responsabilidade de distribuí-lo. (Mateus 14:19; 15:36) Também designou Pedro e João para ir a Jerusalém e fazer os preparativos para a última Páscoa. Eles providenciaram o cordeiro, o vinho, o pão não fermentado, as ervas amargas e todas as outras coisas necessárias. Aquela tarefa não era algo insignificante, pois celebrar a Páscoa da maneira correta era uma exigência da Lei mosaica, e Jesus tinha de cumprir a Lei. Além disso, mais tarde naquela noite Jesus usou o vinho e o pão não fermentado como importantes símbolos ao instituir a Celebração da sua morte. — Mateus 26:17-19; Lucas 22:8, 13.
17 Jesus também achou apropriado dar responsabilidades ainda maiores a seus discípulos. Lembre-se de que Jesus deu a seus seguidores a importante comissão de pregar e fazer discípulos. (Mateus 28:18-20) Conforme já consideramos, ele predisse que delegaria a um pequeno grupo de seus seguidores ungidos na Terra a grande responsabilidade de preparar e distribuir o alimento espiritual. (Lucas 12:42-44) Mesmo hoje, embora governe do céu de modo invisível, Jesus confia sua congregação na Terra aos cuidados de homens com qualificações espirituais, como dádivas da parte dele. — Efésios 4:8, 11, 12.
18-20. (a) Como podemos demonstrar confiança em nossos irmãos? (b) Como podemos imitar a disposição de Jesus de delegar responsabilidades? (c) O que será considerado no próximo capítulo?
18 Como podemos imitar o exemplo de Jesus em nossos tratos com outros? Mostrar confiança em nossos irmãos cristãos é uma demonstração de amor. Lembre-se de que o amor é uma qualidade positiva, não negativa. Quando outros nos decepcionarem, o que de vez em quando vai acontecer, o amor nos impedirá de concluir precipitadamente que suas motivações são más. (Mateus 7:1, 2) Se tivermos um conceito positivo sobre nossos irmãos, vamos tratá-los de um modo que os edifique, não que os prejudique. — 1 Tessalonicenses 5:11.
19 Será que podemos imitar a disposição de Jesus de delegar responsabilidades? Os que estão em posições de responsabilidade na congregação fazem bem em delegar a outros tarefas apropriadas e necessárias, confiando que eles farão o seu melhor. Desse modo, anciãos experientes podem dar treinamento valioso e necessário aos jovens qualificados que ‘se esforçam para’ ajudar na congregação. (1 Timóteo 3:1; 2 Timóteo 2:2) Esse treinamento é muito importante. Ao passo que Jeová continua a acelerar o crescimento da obra do Reino, é necessário treinar homens qualificados para cuidar do aumento. — Isaías 60:22.
20 Ao demonstrar seu amor por outros, Jesus nos deixou um maravilhoso exemplo. Há muitas maneiras de segui-lo, mas imitar seu amor é a mais importante. No próximo capítulo, vamos considerar a maior demonstração de seu amor — sua disposição de dar a vida por nós.
a A sonolência dos apóstolos não foi causada apenas pelo cansaço físico. O relato paralelo em Lucas 22:45 diz que Jesus “encontrou-os adormecidos, exaustos de tristeza”.
b Maria aparentemente já era viúva e é provável que seus outros filhos ainda não fossem discípulos de Jesus. — João 7:5.
c Isso sem dúvida não significa que o amor é ingênuo. Antes, significa que não é indevidamente crítico nem desconfiado. O amor nos impede de nos apressarmos em julgar as motivações de outros e de pensar o pior a respeito deles.
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“Ninguém tem maior amor”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO DEZESSETE
“Ninguém tem maior amor”
1-4. (a) O que acontece quando Pilatos apresenta Jesus à furiosa multidão reunida em frente ao palácio do governador? (b) Como Jesus reage à humilhação e ao sofrimento, e que perguntas importantes surgem?
“EIS o homem!” Com essas palavras, o governador romano Pôncio Pilatos apresenta Jesus Cristo a uma multidão furiosa que está reunida em frente ao palácio do governador, na manhã da Páscoa de 33 EC. (João 19:5) Há apenas alguns dias, Jesus foi saudado pelas multidões em sua entrada triunfal em Jerusalém como Rei divinamente designado. Agora, no entanto, a multidão hostil o encara de modo muito diferente.
2 Jesus está com um manto púrpura, semelhante ao usado pelos membros da realeza, e tem uma coroa na cabeça. Mas o manto sobre suas costas em carne viva e a coroa de espinhos, colocada com força em sua cabeça, que agora está sangrando, são para zombar de sua posição régia. Instigado pelos principais sacerdotes, o povo rejeita o homem ferido à sua frente. Os sacerdotes gritam: “Para a estaca com ele! Para a estaca com ele!” Cheio de ódio no coração, o povo grita: ‘Ele deve morrer!’ — João 19:1-7.
3 Com dignidade e coragem, Jesus enfrenta a humilhação e o sofrimento sem se queixar.a Ele está pronto para morrer. Mais tarde naquele dia de Páscoa, ele voluntariamente se sujeita a uma morte dolorosa numa estaca de tortura. — João 19:17, 18, 30.
4 Por dar a sua vida, Jesus provou ser um verdadeiro amigo para seus seguidores. Ele disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos”. (João 15:13) Isso levanta algumas perguntas importantes. Era realmente necessário que Jesus passasse por todo esse sofrimento e morresse? Por que ele estava disposto a tudo isso? Como podemos imitar seu exemplo, visto que somos “seus amigos” e seguidores?
Por que era necessário que Jesus sofresse e morresse?
5. Como Jesus sabia das provações que o aguardavam?
5 Como prometido Messias, Jesus sabia o que o aguardava. Conhecia as muitas profecias das Escrituras Hebraicas que prediziam em detalhes o sofrimento e a morte do Messias. (Isaías 53:3-7, 12; Daniel 9:26) Por mais de uma vez, ele preparou seus discípulos para as provações que enfrentaria. (Marcos 8:31; 9:31) Na viagem a Jerusalém para sua última Páscoa, Jesus disse claramente aos apóstolos: “O Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte e o entregarão a homens das nações, e esses zombarão dele, cuspirão nele, o açoitarão e o matarão.” (Marcos 10:33, 34) Essas palavras de fato tinham significado. Como já vimos, as pessoas realmente zombaram de Jesus, cuspiram nele, o açoitaram e o mataram.
6. Por que era necessário que Jesus sofresse e morresse?
6 Mas por que era necessário que Jesus sofresse e morresse? Por vários motivos muito importantes. Primeiro, por permanecer leal Jesus provaria sua integridade e defenderia a soberania de Jeová. Lembre-se de que Satanás alegou falsamente que os humanos servem a Deus apenas por interesse egoísta. (Jó 2:1-5) Por permanecer fiel “a ponto de enfrentar a morte . . . numa estaca”, Jesus deu a resposta definitiva à acusação infundada de Satanás. (Filipenses 2:8; Provérbios 27:11) Segundo, o sofrimento e a morte de Jesus serviriam para expiar o pecado de outros. (Isaías 53:5, 10; Daniel 9:24) Ele deu “a sua vida como resgate em troca de muitos”, abrindo caminho para termos um relacionamento aprovado com Deus. (Mateus 20:28) Terceiro, por suportar todo tipo de dificuldade e sofrimento, Jesus “foi provado em todos os sentidos como nós”. Assim, ele é um Sumo Sacerdote que pode “compreender as nossas fraquezas”. — Hebreus 2:17, 18; 4:15.
Por que Jesus estava disposto a dar sua vida?
7. Do que Jesus abriu mão ao vir à Terra?
7 Para ter uma ideia do que Jesus estava disposto a fazer, pense no seguinte: quem deixaria sua família e sua casa e se mudaria para um país estrangeiro sabendo que não seria aceito pela maioria das pessoas daquele lugar, que estaria sujeito a humilhação e sofrimento, e que por fim seria assassinado? Agora pense no que Jesus fez. Antes de vir à Terra, ele tinha uma posição privilegiada no céu ao lado de seu Pai. Mas voluntariamente deixou seu lar celestial e veio como humano à Terra. Ele fez isso sabendo que seria rejeitado pela maioria, que teria de enfrentar humilhação cruel, muito sofrimento e uma morte dolorosa. (Filipenses 2:5-7) O que o motivou a fazer esse sacrifício?
8, 9. O que motivou Jesus a dar sua vida?
8 Acima de tudo, Jesus foi motivado por profundo amor a seu Pai, Jeová. Foi esse amor que o fez perseverar. Também fez com que ele se preocupasse com o nome e a reputação do Pai. (Mateus 6:9; João 17:1-6, 26) Mais do que qualquer outra coisa, Jesus queria ver o nome de seu Pai livre do vitupério lançado sobre ele. Assim, para Jesus, sofrer por causa da justiça foi a maior honra e o maior privilégio que poderia ter, pois sabia que sua integridade seria muito importante na santificação do grandioso nome de seu Pai. — 1 Crônicas 29:13.
9 Jesus tinha outro motivo para sacrificar a sua vida — amor pela humanidade. Esse amor existe desde o início da história humana. Veja como Jesus se sentia muito antes de vir à Terra: “Minha maior alegria eram os filhos dos homens.” (Provérbios 8:30, 31) Esse amor ficou evidente quando ele esteve na Terra. Conforme vimos nos três capítulos anteriores, Jesus demonstrou de muitos modos seu amor pelos humanos, e em especial por seus seguidores. Em 14 de nisã de 33 EC ele voluntariamente deu a sua vida por nós. (João 10:11) De fato, essa foi a maior demonstração de seu amor por nós. Será que devemos imitá-lo nesse sentido? Devemos, sim. Na verdade, recebemos um mandamento para fazer isso.
‘Amem uns aos outros como eu amei vocês’
10, 11. Qual é o novo mandamento que Jesus deu a seus seguidores, o que envolve, e por que é importante obedecer a ele?
10 Na noite antes de sua morte, Jesus disse a seus discípulos mais achegados: “Eu lhes dou um novo mandamento: Amem uns aos outros; assim como eu amei vocês, amem também uns aos outros. Por meio disto todos saberão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor entre si.” (João 13:34, 35) ‘Amar uns aos outros’ — por que isso é “um novo mandamento”? A Lei mosaica já determinava: “Ame o seu próximo como a si mesmo.” (Levítico 19:18) O novo mandamento, porém, exige um amor ainda mais intenso, um amor que nos motiva a dar a vida por outros. O próprio Jesus deixou isso claro ao dizer: “Este é o meu mandamento: Amem uns aos outros, assim como eu amei vocês. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.” (João 15:12, 13) Na verdade, o novo mandamento diz: “Ame aos outros não como a si mesmo, porém, mais do que a si mesmo.” Por meio de sua vida e de sua morte Jesus demonstrou o que esse amor realmente significa.
11 Por que é importante que obedeçamos ao novo mandamento? Lembre-se de que Jesus disse: “Por meio disto [o amor abnegado] todos saberão que vocês são meus discípulos.” Sim, o amor abnegado nos identifica como cristãos verdadeiros. Podemos comparar esse amor a um crachá. Ao assistirem a seus congressos todo ano, as Testemunhas de Jeová usam crachás. Eles servem como identificação, informando o nome e a congregação da pessoa. O amor abnegado uns pelos outros é o “crachá” que identifica os cristãos verdadeiros. Em outras palavras, esse amor deve ser tão evidente a ponto de servir como uma identificação, um crachá, indicando aos que nos observam que realmente somos verdadeiros seguidores de Cristo. Cada um de nós deve se perguntar: ‘Será que o meu “crachá”, o amor abnegado, é bem evidente em minha vida?’
O que está envolvido no amor abnegado?
12, 13. (a) Até que ponto devemos estar dispostos a fazer sacrifícios para demonstrar amor uns pelos outros? (b) O que significa ser abnegado?
12 Como seguidores de Jesus, precisamos amar uns aos outros assim como ele nos amou. Isso envolve estarmos dispostos a fazer sacrifícios por nossos irmãos cristãos. Até que ponto devemos estar dispostos a fazer isso? A Bíblia nos diz: “Por meio disto chegamos a conhecer o amor: ele entregou a vida por nós, e nós temos a obrigação de entregar a vida pelos nossos irmãos.” (1 João 3:16) Assim como Jesus, devemos estar dispostos a morrer uns pelos outros se necessário. Em época de perseguição, preferimos sacrificar nossa própria vida a trair nossos irmãos espirituais e colocar sua vida em risco. Em países divididos por causa de diferenças raciais ou étnicas, arriscamos a nossa própria vida para proteger os irmãos, não importa sua raça ou etnia. Quando nações entram em guerra, preferimos ser presos e até morrer a guerrear contra nossos irmãos — ou qualquer outra pessoa. — João 17:14, 16; 1 João 3:10-12.
13 Estarmos dispostos a dar a vida pelos nossos irmãos não é a única maneira de mostrar amor abnegado. Afinal, poucos de nós talvez tenhamos de chegar a esse ponto. Mas, se amamos nossos irmãos a ponto de dar a vida por eles, não deveríamos estar dispostos a fazer pequenos sacrifícios, nos esforçando a ajudá-los já agora? Sermos abnegados significa abrir mão de vantagens pessoais ou confortos em benefício de outros. Colocamos os interesses e o bem-estar deles à frente dos nossos, mesmo que isso não seja o melhor para nós. (1 Coríntios 10:24) De que maneiras práticas podemos mostrar amor abnegado?
Amor abnegado na congregação e na família
14. (a) Que sacrifícios os anciãos fazem? (b) O que você acha dos esforços dos anciãos abnegados de sua congregação?
14 Os anciãos fazem muitos sacrifícios para ‘pastorear o rebanho’. (1 Pedro 5:2, 3) Além de cuidar da família, precisam tirar tempo à noite ou nos fins de semana para cuidar de assuntos congregacionais, como preparar discursos para as reuniões, fazer visitas de pastoreio e cuidar de casos judicativos. Muitos anciãos fazem outros sacrifícios, trabalhando arduamente em assembleias e congressos e servindo como membros de Comissões de Ligação com Hospitais ou Grupos de Visitas a Pacientes. Outros servem como voluntários do Departamento Local de Projeto/Construção. Anciãos, nunca se esqueçam de que por servir com um espírito disposto — gastando seu tempo, energia e recursos para pastorear o rebanho — vocês estão demonstrando amor abnegado. (2 Coríntios 12:15) Seus esforços altruístas são apreciados não só por Jeová, mas também pela congregação que vocês pastoreiam. — Filipenses 2:29; Hebreus 6:10.
15. (a) Quais são alguns sacrifícios que as esposas dos anciãos fazem? (b) O que você acha das esposas que estão dispostas a ceder parte de seu tempo com o marido em benefício da congregação?
15 Que dizer das esposas dos anciãos? Não é verdade que essas mulheres apoiadoras também fazem sacrifícios para que seus maridos possam cuidar do rebanho? Com certeza é um sacrifício para a esposa quando seu marido tem de dedicar o tempo que poderia gastar com a família aos assuntos congregacionais. Pense também nas esposas dos superintendentes de circuito e nos sacrifícios que fazem para acompanhar seus maridos de congregação em congregação e de circuito em circuito. Elas abrem mão de ter seu próprio lar e talvez às vezes tenham de dormir numa cama diferente cada semana. As esposas que voluntariamente põem os interesses da congregação à frente dos seus próprios interesses merecem elogios por suas generosas expressões de amor abnegado. — Filipenses 2:3, 4.
16. Os pais cristãos fazem que sacrifícios a favor de seus filhos?
16 Como podemos demonstrar amor abnegado na família? Pais e mães, vocês fazem muitos sacrifícios para cuidar de seus filhos e criá-los “na disciplina e na instrução de Jeová”. (Efésios 6:4) Talvez tenham de trabalhar por longas horas em serviços cansativos só para seus filhos terem o que comer, o que vestir e onde morar. Vocês preferem se privar de algumas coisas a ver seus filhos passar necessidade. Também fazem muito esforço para estudar com seus filhos, levá-los às reuniões cristãs e acompanhá-los no ministério de campo. (Deuteronômio 6:6, 7) Seu amor abnegado agrada o Originador da família e pode significar vida eterna para seus filhos. — Provérbios 22:6; Efésios 3:14, 15.
17. Como os maridos cristãos podem imitar o altruísmo de Jesus?
17 Maridos, como vocês podem imitar a Jesus e mostrar amor abnegado? A Bíblia responde: “Marido, continue a amar a sua esposa, assim como também o Cristo amou a congregação e se entregou por ela.” (Efésios 5:25) Conforme vimos, Jesus amou tanto seus seguidores que morreu por eles. O marido cristão imita a atitude altruísta de Jesus, que ‘não agradou a si mesmo’. (Romanos 15:3) Ele põe as necessidades e os interesses de sua esposa à frente dos seus. Não é rígido, insistindo que as coisas sejam feitas do seu modo, mas está disposto a ceder quando não há nenhum princípio bíblico envolvido. O marido que mostra amor abnegado tem a aprovação de Jeová e ganha o amor e o respeito da esposa e dos filhos.
O que você fará?
18. O que nos motiva a seguir o novo mandamento de amar uns aos outros?
18 Obedecer ao novo mandamento de amar uns aos outros não é fácil, mas temos um motivo muito forte para fazer isso. Paulo escreveu: “O amor do Cristo nos impele, porque nós concluímos o seguinte: um só homem morreu por todos . . . E ele morreu por todos para que os que vivem não vivessem mais para si mesmos, mas para aquele que morreu por eles e foi levantado.” (2 Coríntios 5:14, 15) Visto que Jesus morreu por nós, não deveríamos nos sentir motivados a viver para ele? Podemos fazer isso por seguir o seu exemplo de amor abnegado.
19, 20. Que presente maravilhoso Jeová nos deu, e como podemos mostrar que o aceitamos?
19 Jesus não estava exagerando quando disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.” (João 15:13) A disposição de Jesus de dar a sua vida em nosso favor foi a maior demonstração de seu amor por nós. Mas houve alguém que mostrou um amor ainda maior. Jesus explicou: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” (João 3:16) Deus nos ama tanto que deu seu Filho como resgate, tornando possível que fôssemos libertados do pecado e da morte. (Efésios 1:7) O resgate é um maravilhoso presente de Jeová, mas ele não nos obriga a aceitá-lo.
20 Aceitar esse presente de Jeová depende apenas de nós. Como? Por “exercer fé” em seu Filho. No entanto, isso não envolve apenas dizer que temos fé. Mostramos nossa fé por meio de ações, pelo modo como vivemos. (Tiago 2:26) Demonstramos nossa fé em Jesus Cristo por segui-lo dia após dia. Fazer isso resultará em ricas bênçãos agora e no futuro, conforme será explicado no último capítulo deste livro.
a Naquele dia os líderes religiosos, e depois os soldados romanos, cuspiram em Jesus. (Mateus 26:59-68; 27:27-30) Ele aturou esse tratamento humilhante sem se queixar, cumprindo a profecia: “Não escondi o rosto das humilhações e dos cuspes.” — Isaías 50:6.
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“Continue a me seguir”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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CAPÍTULO DEZOITO
“Continue a me seguir”
1-3. (a) Como ocorre a partida de Jesus, e por que ela não é o final da sua história? (b) Por que precisamos aprender sobre a vida de Jesus desde que voltou ao céu?
ONZE homens estão em pé numa montanha olhando com muito carinho e admiração outra pessoa que está ali. Apesar de ter forma humana, a pessoa que eles observam na verdade é o ressuscitado Jesus, que agora é novamente o Filho espiritual mais poderoso de Jeová. Jesus reúne seus apóstolos para um último encontro ali no monte das Oliveiras.
2 Esse monte, que faz parte de uma cadeia de colinas calcárias, fica do outro lado do vale do Cédron para quem olha de Jerusalém. O lugar com certeza traz boas lembranças para Jesus. É nas encostas desse monte que fica a cidade de Betânia, onde ele ressuscitou Lázaro. Não muito longe dali fica a cidade de Betfagé, de onde Jesus saiu para fazer sua entrada triunfal em Jerusalém há apenas algumas semanas. O monte das Oliveiras também é o local onde provavelmente fica o jardim de Getsêmani; Jesus passou momentos de grande sofrimento ali antes de ser preso. Agora, nesse mesmo monte, ele se prepara para partir e deixar seus amigos e seguidores mais achegados. Ele lhes diz algumas palavras bondosas de despedida e, então, começa a subir em direção ao céu! Os apóstolos ficam ali paralisados, observando seu amado Mestre subir ao céu. Por fim uma nuvem o encobre e eles não o veem mais. — Atos 1:6-12.
3 Ao imaginar essa cena triste, mas ao mesmo tempo alegre, você tem a impressão de que esse é o final da história de Jesus? Na verdade não é. Conforme dois anjos dizem aos apóstolos, a história de Jesus está longe de terminar. (Atos 1:10, 11) De muitas maneiras, sua partida para o céu é apenas o começo. A Palavra de Deus não nos deixa sem informações sobre o que aconteceu com Jesus depois disso. Aprender sobre a vida dele após sua partida é importante. Por quê? Lembre-se das palavras de Jesus a Pedro: “Continue a me seguir.” (João 21:19, 22) Precisamos obedecer a essa ordem não apenas temporariamente, mas durante toda a nossa vida. Para isso, é necessário saber o que o nosso Mestre está fazendo agora e que designações ele recebeu no céu.
A vida de Jesus após sua partida
4. Como a Bíblia revelou com antecedência o que ocorreria no céu após o retorno de Jesus?
4 As Escrituras não dizem nada a respeito da chegada de Jesus ao céu, das boas-vindas que recebeu nem do alegre reencontro com seu Pai. No entanto, a Bíblia já dizia com bastante antecedência o que ocorreria no céu logo após o retorno de Jesus. Durante mais de 15 séculos, os judeus observaram regularmente uma cerimônia sagrada. Uma vez por ano, o sumo sacerdote entrava no Santíssimo do templo e aspergia o sangue dos sacrifícios do Dia da Expiação diante da arca do pacto. Nesse dia, o sumo sacerdote prefigurava o Messias. Jesus cumpriu o significado profético daquela cerimônia uma vez para sempre quando retornou ao céu. Ele entrou na majestosa presença de Jeová — o lugar mais santo do Universo — e apresentou a seu Pai o valor de seu sacrifício de resgate. (Hebreus 9:11, 12, 24) Será que Jeová aceitou esse sacrifício?
5, 6. (a) O que mostrou que Jeová tinha aceitado o sacrifício de resgate de Cristo? (b) Quem se beneficia do resgate, e como?
5 Encontramos a resposta ao considerar o que aconteceu poucos dias depois de Jesus subir ao céu. Um pequeno grupo de cerca de 120 cristãos estava reunido no andar de cima de uma casa em Jerusalém quando, de repente, houve um barulho como o de uma forte rajada de vento. Línguas como que de fogo apareceram sobre a cabeça deles. Eles ficaram cheios de espírito santo e começaram a falar em vários idiomas. (Atos 2:1-4) Esse acontecimento significou o nascimento de uma nova nação, o Israel espiritual, que era a nova “raça escolhida” de Deus e o novo “sacerdócio real” para executar a vontade divina na Terra. (1 Pedro 2:9) Era evidente que Jeová Deus tinha aceitado e aprovado o sacrifício de resgate de Cristo. Esse derramamento do espírito santo estava entre as primeiras bênçãos que o sacrifício tornou possível.
6 Desde então, o sacrifício de Cristo tem beneficiado seus seguidores no mundo todo. Independentemente de fazermos parte do ungido “pequeno rebanho”, que governará com Cristo no céu, ou das “outras ovelhas”, que viverão sob o seu governo na Terra, todos nós nos beneficiamos de seu sacrifício. (Lucas 12:32; João 10:16) Ele é a base para a nossa esperança e para o perdão dos nossos pecados. Enquanto continuamos a “exercer fé” nesse resgate, seguindo Jesus dia após dia, podemos ter uma consciência limpa e uma maravilhosa esperança para o futuro. — João 3:16.
7. Que autoridade Jesus recebeu quando retornou ao céu, e como você pode apoiá-lo?
7 O que Jesus tem feito no céu desde que voltou para lá? Ele recebeu muita autoridade. (Mateus 28:18) Prova disso é que Jeová o designou para governar a congregação cristã, uma designação que ele tem cumprido de modo amoroso e justo. (Colossenses 1:13) Conforme predito, Jesus provê homens responsáveis para cuidar das necessidades do rebanho. (Efésios 4:8) Por exemplo, ele escolheu Paulo como “apóstolo para as nações” e o designou para levar as boas novas a lugares distantes. (Romanos 11:13; 1 Timóteo 2:7) Perto do fim do primeiro século, Jesus enviou mensagens de elogio, conselho e correção a sete congregações na província romana da Ásia. (Apocalipse, capítulos 2-3) Você reconhece Jesus como o cabeça da congregação cristã? (Efésios 5:23) Nesse caso, continuar a segui-lo significa promover um espírito de obediência e cooperação em sua congregação.
8, 9. Que autoridade Jesus recebeu em 1914, e o que isso significa para nós ao tomarmos decisões?
8 Jesus recebeu ainda mais autoridade em 1914. Naquele ano, ele foi designado Rei do Reino messiânico de Jeová. Quando seu governo começou, “irrompeu uma guerra no céu”. O resultado? Satanás e seus demônios foram lançados para a Terra, desencadeando uma era de dor e sofrimento. Guerras, crimes, terrorismo, doenças, terremotos e fome afligem a humanidade atualmente e são um lembrete de que Jesus está governando no céu neste exato momento. Satanás ainda é “o governante deste mundo”, mas por pouco tempo. (Apocalipse 12:7-12; João 12:31; Mateus 24:3-7; Lucas 21:11) Jesus está dando às pessoas em toda a Terra a oportunidade de aceitar o seu governo.
9 É imprescindível que tomemos a nossa posição ao lado do Rei messiânico. Em todas as nossas decisões, devemos buscar sua aprovação, não a deste mundo corrompido. Ao passo que o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” inspeciona a humanidade, seu coração justo fica cheio de indignação, mas também transborda de alegria. (Apocalipse 19:16) Por quê?
A indignação e a alegria do Rei messiânico
10. Como Jesus é por natureza, mas o que o enche de indignação justa?
10 Assim como o Pai, nosso Mestre é feliz por natureza. (1 Timóteo 1:11) Como homem, Jesus não foi crítico nem difícil de agradar. Mas muita coisa que acontece hoje na Terra deve enchê-lo de indignação justa. Ele com certeza está indignado com as organizações religiosas que falsamente afirmam representá-lo. Ele predisse: “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que fizer a vontade do meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, . . . não fizemos muitas obras poderosas em seu nome?’ Mas eu lhes declararei, então: ‘Nunca os conheci! Afastem-se de mim, vocês que fazem o que é contra a lei!’” — Mateus 7:21-23.
11-13. Por que alguns talvez fiquem intrigados com as palavras fortes de Jesus aos que fazem “muitas obras poderosas” em seu nome, mas por que ele está indignado? Ilustre.
11 Muitos que hoje se dizem cristãos talvez achem essas palavras intrigantes. Por que Jesus diria essas palavras fortes a pessoas que fazem “muitas obras poderosas” em seu nome? As igrejas da cristandade têm apoiado instituições de caridade, ajudado os pobres, construído hospitais e escolas, e realizado muitas outras coisas. Para entender por que Jesus está indignado com elas, considere uma ilustração.
12 Certo pai e certa mãe precisam viajar. Visto que não podem levar seus filhos junto, providenciam que alguém tome conta deles. Suas instruções são simples: “Tome conta das crianças, dê comida a elas, mantenha-as limpas e cuide para que nada aconteça a elas.” Mas quando os pais voltam da viagem, ficam chocados ao ver as crianças com fome, sujas, doentes e tristes. Elas choram para receber os cuidados da pessoa que devia estar cuidando delas, mas são ignoradas. Por quê? Onde está essa pessoa? No alto de uma escada, lavando as janelas da casa. Furiosos, os pais pedem uma explicação. A pessoa diz: “Mas vejam tudo o que eu fiz! Limpei as janelas e fiz consertos na casa; tudo para vocês!” Será que isso diminuiria a indignação dos pais? Dificilmente. Eles não haviam pedido que a pessoa fizesse aqueles serviços; só queriam que ela tomasse conta das crianças. Os pais ficariam furiosos por ela não ter seguido suas instruções.
13 É assim que a cristandade tem agido. Jesus instruiu seus representantes a alimentar as pessoas em sentido espiritual por ensiná-las a verdade da Palavra de Deus e ajudá-las a permanecer espiritualmente limpas. (João 21:15-17) Mas a cristandade deixou de obedecer a essa orientação. Com isso, as pessoas estão famintas em sentido espiritual, confusas por causa de falsidades e não conhecem as verdades básicas da Bíblia. (Isaías 65:13; Amós 8:11) Até mesmo as tentativas da cristandade de melhorar o mundo não são desculpa para sua desobediência deliberada. Afinal, este sistema mundial é como uma casa que está destinada à demolição. A Palavra de Deus deixa claro que em breve o sistema mundial de Satanás será destruído. — 1 João 2:15-17.
14. Que obra alegra Jesus atualmente, e por quê?
14 Por outro lado, Jesus deve ficar muito feliz ao olhar desde o céu e ver que milhões de pessoas estão cumprindo a comissão de fazer discípulos que ele deu a seus seguidores antes de partir. (Mateus 28:19, 20) Que privilégio é contribuir para a alegria do Rei messiânico! Estejamos decididos a nunca desistir de apoiar “o escravo fiel e prudente”. (Mateus 24:45) Ao contrário dos clérigos da cristandade, esse pequeno grupo de irmãos ungidos tem obedientemente dirigido a obra de pregação e fielmente alimentado as ovelhas de Cristo.
15, 16. (a) Como Jesus se sente em relação à falta de amor tão comum hoje em dia, e como sabemos disso? (b) Por que Jesus está indignado com a cristandade?
15 Podemos ter certeza de que o Rei fica indignado de ver a falta de amor que existe hoje na Terra. Lembre-se de que os fariseus criticavam Jesus por ele fazer curas no sábado. Eles eram tão insensíveis e obstinados que não conseguiam enxergar além da sua interpretação bitolada da Lei mosaica e da lei oral. Os milagres de Jesus resultavam em muitos benefícios. Mas a alegria, o alívio e o fortalecimento da fé que esses milagres proporcionavam não significavam nada para aqueles homens. Como Jesus se sentia em relação a eles? Em certa ocasião, Jesus olhou “para os que estavam à sua volta, com indignação e profundamente triste com a insensibilidade do coração deles”. — Marcos 3:5.
16 Hoje em dia, Jesus vê muito mais coisas que o deixam “profundamente triste”. Os líderes da cristandade estão cegados por sua devoção a tradições e doutrinas contrárias às Escrituras. Além disso, odeiam a pregação das boas novas do Reino de Deus. Em muitas partes do mundo, os clérigos têm patrocinado uma perseguição cruel contra os cristãos que se empenham sinceramente em pregar a mensagem que Jesus pregou. (João 16:2; Apocalipse 18:4, 24) Ao mesmo tempo, esses clérigos incentivam seus seguidores a ir à guerra e tirar a vida de outros — como se isso fosse agradar a Jesus Cristo!
17. Como os seguidores verdadeiros de Jesus alegram seu coração?
17 Em contraste com isso, os seguidores verdadeiros de Jesus se esforçam em mostrar amor ao próximo. Assim como ele, transmitem as boas novas a “todo tipo de pessoas”, apesar de oposição. (1 Timóteo 2:4) E o amor que mostram uns aos outros é notável; é seu principal sinal identificador. (João 13:34, 35) Por tratar seus irmãos cristãos com amor, respeito e dignidade, estão realmente seguindo a Jesus e alegrando o coração do Rei messiânico!
18. O que entristece nosso Mestre, mas como podemos alegrá-lo?
18 Nunca nos esqueçamos também de que o nosso Mestre se entristece quando seus seguidores não perseveram, deixando que seu amor por Jeová esfrie e desistindo de servi-Lo. (Apocalipse 2:4, 5) Mas Jesus se alegra com os que perseveram até o fim. (Mateus 24:13) Assim, sempre tenhamos em mente a ordem de Cristo: “Continue a me seguir.” (João 21:19) Vamos ver algumas bênçãos que o Rei messiânico concederá aos que perseverarem até o fim.
Bênçãos aos fiéis servos do Rei
19, 20. (a) Seguir a Jesus resulta em que bênçãos desde já? (b) Como seguir a Cristo pode nos ajudar a preencher a necessidade de termos um “Pai Eterno”?
19 Seguir a Jesus é o caminho para uma vida verdadeiramente abençoada desde já. Se aceitarmos a Cristo como nosso Mestre, seguindo sua orientação e usando seu exemplo como nosso guia, obteremos coisas muito valiosas que as pessoas em todo o mundo procuram, mas não encontram. Seremos abençoados com atividades que darão objetivo à nossa vida, uma família de companheiros cristãos unida num verdadeiro vínculo de amor, uma consciência limpa e paz mental. Em resumo, teremos uma vida feliz e gratificante. E isso não é tudo.
20 Jesus é o “Pai Eterno” que Jeová providenciou para os que têm a esperança de viver para sempre na Terra. Ele substitui o pai humano, Adão, que frustrou completamente os seus descendentes. (Isaías 9:6, 7) Por aceitarmos a Jesus como nosso “Pai Eterno”, exercendo fé nele, temos a esperança certa de vida eterna. Além disso, nos achegamos cada vez mais a Jeová Deus. Conforme aprendemos, nos esforçar a seguir o exemplo de Jesus dia após dia é o melhor modo de obedecermos ao mandamento divino: “Tornem-se imitadores de Deus, como filhos amados.” — Efésios 5:1.
21. Como os seguidores de Cristo refletem luz num mundo em escuridão?
21 Ao passo que imitamos a Jesus e seu Pai, Jeová, temos um privilégio maravilhoso. Refletimos uma brilhante luz. Num mundo mergulhado em escuridão, onde bilhões são enganados por Satanás e imitam suas características, nós, que seguimos a Cristo, irradiamos reflexos da luz mais brilhante que existe — a luz das verdades bíblicas, das excelentes qualidades cristãs, da verdadeira alegria, da paz genuína e do amor verdadeiro. Ao mesmo tempo, nos achegamos a Jeová. Esse é o alvo mais sublime, mais elevado, que uma criatura inteligente pode ter.
22, 23. (a) Que bênçãos futuras terão os que continuarem a seguir lealmente a Jesus? (b) Devemos estar decididos a fazer o quê?
22 Pense também no que Jeová deseja fazer por você no futuro, por meio do Rei messiânico. Em breve, o Rei travará uma guerra justa contra o sistema perverso de Satanás. A vitória de Jesus é garantida! (Apocalipse 19:11-15) Após isso, Cristo dará início ao seu Reinado de Mil Anos sobre a Terra. Seu governo celestial concederá o benefício do resgate a todos os humanos fiéis, levando-os à perfeição. Imagine-se cheio de saúde, sempre jovem e forte, trabalhando alegremente com uma unida família humana para transformar a Terra num paraíso! No fim do milênio, Jesus devolverá o reinado a seu Pai. (1 Coríntios 15:24) Se você continuar seguindo a Cristo lealmente, ganhará uma bênção tão maravilhosa que é difícil até de imaginar: “a liberdade gloriosa dos filhos de Deus”! (Romanos 8:21) Sim, teremos todas as bênçãos que Adão e Eva tiveram, mas perderam. Como filhos e filhas terrestres de Jeová, estaremos livres para sempre da mancha do pecado de Adão. De fato, “não haverá mais morte”. — Apocalipse 21:4.
23 Lembra-se daquele jovem governante rico que mencionamos no Capítulo 1? Ele rejeitou o convite de Jesus: “Venha ser meu seguidor.” (Marcos 10:17-22) Nunca caia no mesmo erro! Aceite o convite de Jesus com alegria e entusiasmo. Esteja decidido a perseverar, a continuar seguindo o Bom Pastor dia após dia, ano após ano, e a viver para vê-lo cumprir finalmente todos os propósitos de Jeová de modo glorioso!
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“Venha e veja” o Cristo‘Venha Ser Meu Seguidor’
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SEÇÃO 1
“Venha E Veja” O Cristo
Jesus viveu na Terra uns 2 mil anos atrás, mas ainda podemos ‘vir e ver’ o Filho de Deus. (João 1:46) Os Evangelhos descrevem detalhadamente sua personalidade, seu modo de pensar e sua maneira de agir. Esta seção dará uma visão geral das notáveis qualidades de Jesus.
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‘Ensinar e pregar as boas novas’‘Venha Ser Meu Seguidor’
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SEÇÃO 2
‘Ensinar E Pregar As Boas Novas’
Jesus trabalhou como carpinteiro, fez milagres, curas e muitas outras coisas. No entanto, não foi por essas atividades que ficou conhecido. As pessoas o chamavam de Instrutor. De fato, ele dedicou sua vida à obra de ‘ensinar e pregar as boas novas’. (Mateus 4:23) Como seguidores de Jesus, temos a mesma obra a fazer. Nesta seção estudaremos seu exemplo, que nos mostra como realizar essa obra.
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“O amor do Cristo nos impele”‘Venha Ser Meu Seguidor’
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SEÇÃO 3
“O Amor Do Cristo Nos Impele”
O que nos motiva a continuar seguindo a Jesus? O apóstolo Paulo responde: “O amor do Cristo nos impele.” (2 Coríntios 5:14) Esta seção falará sobre o amor de Jesus por Jeová, pela humanidade e por nós individualmente. É um estudo que toca nosso coração e nos motiva a agir, a imitar cada vez mais o exemplo de nosso Mestre.
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