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Imitará você a misericórdia de Deus?A Sentinela — 1991 | 15 de abril
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Justiça Equilibrada com Misericórdia
12, 13. Por que imitarmos a Deus deve incluir mais do que refletir a sua justiça?
12 O precedente abordou primariamente um dos aspectos das qualidades de Deus, mencionadas em Êxodo 34:6, 7. Esses versículos, porém, apresentam muito mais do que a justiça de Deus, e os que desejam imitá-lo não se concentram unicamente na aplicação da justiça. Se você estivesse fazendo uma maquete do templo construído por Salomão, estudaria apenas uma de suas colunas? (1 Reis 7:15-22) Não, pois isso dificilmente lhe daria uma visão equilibrada da natureza e da função do templo. Similarmente, se desejamos imitar a Deus, temos de imitar também outros de seus modos e qualidades, tais como ser “misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência e em verdade, preservando a benevolência para com milhares, perdoando o erro”.
13 A misericórdia e o perdão são qualidades fundamentais de Deus, como seus tratos com Israel indicam. O Deus de justiça não os isentou de punição por erros repetidos, não obstante, demonstrou ampla misericórdia e perdão. “Fez saber os seus caminhos a Moisés, suas ações até mesmo aos filhos de Israel. Jeová é misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência. Não ralhará para sempre, nem ficará ressentido por tempo indefinido.” (Salmo 103:7-9; 106:43-46) Sim, um exame retrospectivo de seus tratos no decurso de centenas de anos comprova que estas palavras são verdadeiras.— Salmo 86:15; 145:8, 9; Miquéias 7:18, 19.
14. Como mostrou Jesus que imitava a misericórdia de Deus?
14 Visto que Jesus Cristo “é o reflexo da glória [de Deus] e a representação exata do seu próprio ser”, era de esperar que ele demonstrasse similar misericórdia e disposição de perdoar. (Hebreus 1:3) Ele assim o fez, como indicam as suas ações. (Mateus 20:30-34) Frisou a misericórdia também por meio de suas palavras, que lemos em Lucas, capítulo 15. As três ilustrações ali registradas provam que Jesus imitava a Jeová, e fornecem-nos lições vitais.
A Preocupação com o Que Se Perdeu
15, 16. O que levou Jesus a proferir as ilustrações em Lucas 15?
15 Essas ilustrações atestam o interesse misericordioso de Deus pelos pecadores, pintando um quadro harmonioso para que O imitemos. Considere o cenário das ilustrações: “Todos os cobradores de impostos e pecadores chegavam-se então perto [de Jesus] para o ouvirem. Conseqüentemente, tanto os fariseus como os escribas murmuravam, dizendo: ‘Este homem acolhe pecadores e come com eles.’” — Lucas 15:1, 2.
16 Todos os envolvidos eram judeus. Os fariseus e os escribas orgulhavam-se de seu pretenso escrupuloso acatamento da Lei mosaica, uma espécie de justiça legalística. Deus, porém, não concordava com essa auto-proclamada justiça. (Lucas 16:15) Evidentemente, os mencionados cobradores de impostos eram judeus que coletavam impostos para Roma. Visto que muitos exigiam quantias excessivas de outros judeus, os cobradores de impostos constituíam um grupo desprezado. (Lucas 19:2, 8) Eram classificados como “pecadores”, o que incluía pessoas imorais, até mesmo prostitutas. (Lucas 5:27-32; Mateus 21:32) Jesus, porém, perguntou aos queixosos líderes religiosos:
17. Qual foi a primeira ilustração de Jesus em Lucas 15?
17 “Que homem dentre vós, com cem ovelhas, perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove atrás no ermo e vai em busca da perdida, até a achar? E quando a tiver achado, ele a põe sobre os seus ombros e se alegra. E, ao chegar a casa, convoca seus amigos e seus vizinhos, dizendo-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que estava perdida.’ Eu vos digo que assim haverá mais alegria no céu por causa de um pecador que se arrepende, do que por causa de noventa e nove justos que não precisam de arrependimento.” Os líderes religiosos podiam entender essa metáfora, pois ovelhas e pastores eram uma vista comum. Movido pela preocupação, o pastor deixou 99 ovelhas pastando num local que lhes era familiar e foi em busca de uma perdida. Persistindo até encontrá-la, ele ternamente carregou a amedrontada ovelha de volta ao rebanho. — Lucas 15:4-7.
18. Conforme frisado na segunda ilustração de Jesus em Lucas 15, que motivo houve para regozijo?
18 Jesus acrescentou uma segunda ilustração: “Ou que mulher, com dez moedas de dracma, se perder uma moeda de dracma, não acende uma lâmpada e varre a sua casa, e procura cuidadosamente até achá-la? E quando a tiver achado, convoca as mulheres que são suas amigas e vizinhas, dizendo: ‘Alegrai-vos comigo, porque achei a moeda de dracma que perdi.’ Assim, eu vos digo, surge alegria entre os anjos de Deus por causa de um pecador que se arrepende.” (Lucas 15:8-10) A dracma valia aproximadamente o salário de um dia de um trabalhador. A moeda dessa mulher talvez fosse um item de herança de família, ou talvez parte dum conjunto transformado em jóia. Quando a moeda foi perdida, ela a procurou diligentemente e, encontrando-a, ela e suas amigas se alegraram. O que nos revela isto sobre Deus?
Regozijo no Céu — Por Causa de Quê?
19, 20. As duas primeiras ilustrações de Jesus em Lucas 15 eram primariamente a respeito de quem, e qual foi o seu ponto central?
19 Essas duas ilustrações foram feitas em resposta à crítica a Jesus, que alguns meses antes se identificara como “o pastor excelente” que daria sua alma pelas suas ovelhas. (João 10:11-15) Não obstante, as ilustrações não eram primariamente a respeito de Jesus. As lições que os escribas e os fariseus tinham de aprender centralizavam-se na atitude e nos modos de Deus. Assim, Jesus disse que um pecador que se arrepende é motivo de alegria no céu. Aqueles religiosos afirmavam servir a Jeová, no entanto, não o imitavam. Os tratos misericordiosos de Jesus, por outro lado, representavam a vontade de seu Pai.— Lucas 18:10-14; João 8:28, 29; 12:47-50; 14:7-11.
20 Se uma dentre cem era base para alegria, uma moeda dentre dez era mais ainda. Mesmo hoje, podemos imaginar a emoção daquelas mulheres que se regozijaram com o achado da moeda! Também neste caso, a lição se centraliza no céu, no sentido de que “os anjos de Deus” se regozijam com Jeová “por causa de um pecador que se arrepende”. Note essa expressão final, “se arrepende”. Essas ilustrações realmente diziam respeito a pecadores que se arrependem. E pode-se ver que ambas realçaram o fato de que é apropriado sentir alegria por causa de seu arrependimento.
21. Que lição devemos aprender das ilustrações de Jesus em Lucas 15?
21 Aqueles mal orientados líderes religiosos, que se enfunavam por causa da submissão superficial à Lei, despercebiam o fato de Deus ser “misericordioso e clemente, . . . perdoando o erro, e a transgressão, e o pecado”. (Êxodo 34:6, 7) Se estivessem imitando este aspecto da maneira de agir e da personalidade de Deus, teriam tido apreço pela misericórdia de Jesus para com pecadores que se arrependeram. Que dizer de nós? Levamos a sério essa lição e aplicamo-la? Bem, note a terceira ilustração de Jesus.
Arrependimento e Misericórdia em Ação
22. Em linhas gerais, qual foi o assunto da terceira ilustração de Jesus em Lucas 15?
22 Esta é freqüentemente chamada de ilustração do filho pródigo. Todavia, ao lê-la, pode-se ver por que alguns pensam nela em termos de parábola do amor de um pai. Diz respeito ao filho mais novo de certa família, que obtém a herança de seu pai. (Compare isso com Deuteronômio 21:17.) Este filho parte para uma terra distante, onde esbanja tudo numa vida devassa, é obrigado a cuidar de porcos e chega ao ponto de anelar a comida desses animais. Finalmente ele cai em si e decide voltar para casa, nem que seja para trabalhar apenas como trabalhador contratado de seu pai. Ao aproximar-se de casa, seu pai toma a iniciativa positiva de dar-lhe boas-vindas, até mesmo preparando-lhe um banquete. O irmão mais velho, que continuara em casa trabalhando, ressente-se da misericórdia demonstrada. Mas o pai diz que eles devem regozijar-se porque o filho que estava morto agora vive. — Lucas 15:11-32.
23. O que devemos aprender da ilustração do filho pródigo?
23 Alguns escribas e fariseus talvez se apercebessem de que estavam sendo comparados com o filho mais velho, em contraste com pecadores que se assemelhavam ao filho mais novo. Mas, será que eles captaram o ponto chave da ilustração, e será que nós o captamos? Ele destaca um notável atributo de nosso misericordioso Pai celestial, sua disposição de perdoar à base de sincero arrependimento e conversão de um pecador. Devia ter movido os ouvintes a reagirem com alegria à redenção de pecadores arrependidos. É assim que Deus encara o assunto e é assim que ele age, e é também assim que agem os que o imitam. — Isaías 1:16, 7; 55:6, 7.
24, 25. Que atitudes de Deus devemos tentar imitar?
24 É óbvio que todos os caminhos de Deus são marcados pela justiça, de modo que aqueles que desejam imitar a Jeová prezam a justiça e se empenham por ela. Ainda assim, nosso Deus não é motivado por justiça meramente abstrata ou rígida. A sua misericórdia e seu amor são grandes. Ele mostra isso por uma disposição de perdoar à base de genuíno arrependimento. É apropriado, então, que Paulo relacione o sermos perdoadores com o nosso imitar a Deus: “Tornai-vos benignos uns para com os outros, ternamente compassivos, perdoando-vos liberalmente uns aos outros, assim como também Deus vos perdoou liberalmente por Cristo. Portanto, tornai-vos imitadores de Deus, como filhos amados, e prossegui andando em amor.” — Efésios 4:32-5:2.
25 Os cristãos verdadeiros há muito tem tentado imitar a justiça de Jeová bem como sua misericórdia e disposição de perdoar. Quanto mais chegamos a conhecê-lo, mais fácil deve ser para nós imitá-lo nesses aspectos. Mas, como podemos aplicar isso com relação a alguém que merecidamente sofreu uma severa disciplina por ter seguido um proceder pecaminoso? Vejamos.
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Imitemos a misericórdia de DeusA Sentinela — 1991 | 15 de abril
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Imitemos a misericórdia de Deus
“Por favor, caiamos na mão de Jeová, porque são muitas as suas misericórdias.” — 2 Samuel 24:14.
1. Como se sentiu Davi com respeito à misericórdia de Deus, e por quê?
O REI Davi sabia por experiência própria que Jeová é mais misericordioso do que os humanos. Confiante de que os caminhos ou veredas de Deus são os melhores, Davi desejou aprender Seus caminhos e andar na Sua verdade. (1 Crônicas 21:13; Salmo 25:4, 5) Pensa você como Davi?
2. Que conselho deu Jesus em Mateus 18:15-17 sobre lidar com pecado grave?
2 A Bíblia nos ajuda a entender o modo de pensar de Deus, mesmo em assuntos tais como o que devemos fazer caso alguém peque contra nós. Jesus disse a seus apóstolos, que mais tarde seriam superintendentes cristãos: “Se o teu irmão cometer um pecado, vai expor a falta dele entre ti e ele só. Se te escutar, ganhaste o teu irmão.” A transgressão aqui envolvida não era mera desfeita pessoal, mas sim um pecado sério, como fraude ou calúnia. Jesus disse que, se esse passo não resolvesse o assunto, e se houvesse testemunhas, aquele contra quem se pecou devia levá-las consigo para provar que houve uma transgressão. É este passo o último recurso? Não. “Se [o pecador] não os escutar, fala à congregação. Se não escutar nem mesmo a congregação, seja ele para ti apenas como homem das nações e como cobrador de impostos.” — Mateus 18:15-17.
3. O que tinha Jesus em mente quando disse que o transgressor não arrependido teria de ser “como homem das nações e como cobrador de impostos”?
3 Sendo judeus, os apóstolos entendiam o que significava tratar um pecador “como homem das nações e como cobrador de impostos”. Os judeus evitavam associação com pessoas das nações, e desprezavam os judeus que trabalhavam como cobradores de impostos para Roma.a (João 4:9; Atos 10:28) Assim, Jesus instruía seus discípulos a que, se a congregação rejeitasse um pecador, eles deveriam cessar de associar-se com este. Como, porém, se harmoniza isso com o fato de o próprio Jesus ter tido contato com os cobradores de impostos às vezes?
4. Em vista das suas palavras em Mateus 18:17, por que podia Jesus ter tratos com alguns cobradores de impostos e pecadores?
4 Lucas 15:1 diz: “Todos os cobradores de impostos e pecadores chegaram-se então perto dele para o ouvirem. “Nem todo cobrador de impostos ou pecador estava ali, mas “todos”, no sentido de muitos. (Compare isso com Lucas 4:40.) Quem eram estes? Eram os que estavam interessados em que seus pecados fossem perdoados. Alguns destes haviam sido anteriormente atraídos à mensagem de arrependimento de João, o Batizador. (Lucas 3:12; 7:29) Assim, quando essas pessoas vinham a Jesus, a pregação dele a elas não violava o conselho em Mateus 18:17. Observe que “muitos cobradores de impostos e pecadores [ouviam a Jesus] . . . e começavam a segui-lo.” (Marcos 2:15) Não eram pessoas que desejavam continuar num mau proceder de vida, recusando qualquer ajuda. Em vez disso, elas ouviram a mensagem de Jesus, que tocou seus corações. Mesmo que ainda estivessem pecando, embora provavelmente tentando fazer mudanças, “o pastor excelente”, por lhes pregar, imitava a seu misericordioso Pai. — João 10:14.
O Perdão, Uma Obrigação Cristã
5. Qual é a posição básica de Deus quanto ao perdão?
5 A respeito da boa disposição de nosso pai em perdoar, temos estas calorosas garantias: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os nossos pecados e para nos purificar de toda a injustiça.” “Escrevo-vos estas coisas para que não cometais um pecado. Contudo, se alguém cometer um pecado, temos um ajudador junto ao Pai, Jesus Cristo, um justo.” (1 João 1:9; 2:1) É o perdão possível para um desassociado?
6. Como pode a pessoa desassociada ser perdoada e readmitida?
6 Sim. Quando alguém é desassociado por não se ter arrependido de um pecado, os anciãos que representam a congregação explicam-lhe que é possível ele arrepender-se e obter o perdão de Deus. Ele pode assistir a reuniões no Salão do Reino, onde ouvirá instruções bíblicas que podem ajudá-lo a se arrepender. (Compare isso com 1 Coríntios 14:23-25.) Com o tempo, ele pode pedir a readmissão na congregação limpa. Quando os anciãos então se reúnem com ele, tentarão determinar se ele se arrependeu e abandonou seu proceder pecaminoso. (Mateus 18:18) Se assim for, ele poderá ser readmitido, em consonância com as recomendações de 2 Coríntios 2:5-8. Se já estiver desassociado há muitos anos, terá de empenhar-se a fundo para progredir. Depois da readmissão, talvez também necessite de considerável ajuda para aumentar seu conhecimento bíblico e seu apreço, para vir a tornar-se um cristão espiritualmente forte.
Retornando a Jeová
7, 8. Que padrão estabeleceu Deus com relação ao seu povo exilado?
7 Mas, podem os anciãos tomar alguma iniciativa em contatar um desassociado? Sim. A Bíblia mostra que a misericórdia se expressa não simplesmente através de refrear a punição, mas não raro por meio de atos positivos. Temos o exemplo de Jeová. Antes de enviar seu povo infiel ao exílio, ele profeticamente apresentou a perspectiva de seu retorno: “Lembra-te destas coisas, ó Jacó, e tu, ó Israel, porque és meu servo. . . . Vou obliterar as tuas transgressões como que com uma nuvem, e teus pecados como que com uma massa de nuvens. Volta deveras a mim, porque vou resgatar-te.” — Isaías 44:21, 22.
8 Daí, durante o exílio, Jeová tomou passos adicionais, agindo de modo positivo. Ele enviou profetas, representantes seus, para convidar Israel a ‘procurá-lo e achá-lo’. (Jeremias 29:1, 10-14) Em Ezequiel 34:16, ele comparou-se a um pastor e o povo da nação de Israel a ovelhas perdidas: “Procurarei a perdida e trarei de volta a dispersa.” E também em Jeremias 31:10 Jeová usa a metáfora de ser ele pastor dos israelitas. Não, ele não retratou a si mesmo como pastor junto ao redil à espera da ovelha perdida; em vez disso, apresentou-se como pastor em busca das ovelhas perdidas. Note que mesmo enquanto o povo em geral se achava na condição impenitente e exilada, Deus iniciou empenhos visando seu retorno. E, em harmonia com Malaquias 3:6, Deus não mudaria sua maneira de agir no arranjo cristão.
9. De que modo foi o exemplo de Deus seguido na congregação cristã?
9 Não sugere isso que poderia haver uma razão para se tomar a iniciativa em dar passos visando ajudar alguns que são desassociados e que podem agora estar arrependidos? Lembre-se de que o apóstolo Paulo ordenou que se removesse o homem iníquo da congregação coríntia. Mais tarde ele exortou a congregação a confirmar seu amor para com esse homem por causa de seu arrependimento, o que levou a sua posterior readmissão na congregação. — 1 Coríntios 5:9-13; 2 Coríntios 2:5-11.
10. (a) Que motivo deve induzir quaisquer empenhos de contatar certos desassociados? (b) Por que não caberia a parentes cristãos iniciar o contato?
10 A enciclopédia anteriormente citada diz: ‘A base racional para excomunhão era proteger as normas do grupo: “Um pouco de fermento faz levedar toda a massa.” (1 Cor. 5:6). Este motivo é claro na maioria das passagens bíblicas e extracanônicas, mas a preocupação com o indivíduo, mesmo depois da expulsão, era a base do apelo de Paulo em 2 Cor. 2:7-10.’ (O grifo é nosso.) Portanto, uma preocupação desse tipo deve logicamente ser demonstrada hoje pelos pastores do rebanho. (Atos 20:28; 1 Pedro 5:2) Os ex-amigos e os parentes talvez esperem que um desassociado retorne; todavia, por respeito à ordem em 1 Coríntios 5:11, eles não se associam com uma pessoa expulsa.b Eles deixam a cargo dos pastores designados tomarem a iniciativa de ver se tal pessoa está interessada em retornar.
11, 12. Que tipo de pessoas expulsas nem mesmo os anciãos desejam contatar, mas, que tipo podem eles visitar?
11 Não seria apropriado, nem para os anciãos, tomar a iniciativa com relação a certos expulsos, tais como apóstatas, que ‘falam coisas deturpadas, para atrair a si os discípulos’. Estes são ‘falsos instrutores que tentam introduzir seitas destrutivas e explorar a congregação com palavras simuladas’. (Atos 20:30; 2 Pedro 2:1, 3) A Bíblia também não fornece nenhuma base para ir em busca de desassociados beligerantes ou que ativamente incentivam a transgressão. — 2 Tessalonicenses 2:3; 1 Timóteo 4:1; 2 João 9-11; Judas 4, 1.
12 Contudo, muitos dos que foram expulsos não são assim. Alguém talvez tenha abandonado a grave transgressão pela qual foi desassociado. Outro talvez tenha sido fumante, ou talvez no passado bebesse demais, mas atualmente não tenta induzir outros à transgressão. Lembre-se de que mesmo antes de o exilado Israel se voltar para Deus, este enviou representantes instando-os a retornarem. Se Paulo ou os anciãos na congregação de Corinto tomaram alguma iniciativa para verificar a situação daquele homem desassociado, a Bíblia não diz. Quando aquele homem se arrependeu e deixou de praticar imoralidade, Paulo ordenou que a congregação o readmitisse.
13, 14. (a) O que indica que algumas pessoas expulsas talvez acolham bem iniciativas misericordiosas? (b) Como pode a corpo de anciãos providenciar o contato?
13 Em tempos recentes, tem havido casos em que um ancião encontra por acaso uma pessoa desassociada.c Quando isso for apropriado, o pastor brevemente explica quais são os passos necessários para a readmissão. Algumas pessoas como essa se arrependeram e foram readmitidas. Tais resultados felizes indicam que talvez existam desassociados ou dissociados que reagiriam bem a uma misericordiosa aproximação da parte dos pastores. Mas, como podem os anciãos cuidar deste assunto? No máximo uma vez por ano, o corpo de anciãos deve verificar se há tais pessoas morando em seu território.d Os anciãos considerariam os que foram expulsos há mais de um ano. Segundo as circunstâncias, se for apropriado, eles designarão dois anciãos (de preferência conhecedores da situação) para visitar tal indivíduo. Não se visitará alguém que manifeste uma atitude crítica, perigosa, ou que tenha avisado que não deseja ajuda. — Romanos 16:17, 18; 1 Timóteo 1:20; 2 Timóteo 2:16-18.
14 Os dois pastores podem telefonar para verificar a possibilidade de fazer uma breve visita, ou poderiam passar na casa da pessoa, numa ocasião apropriada. Durante a visita, não precisam demonstrar uma atitude rígida ou severa, ou mesmo fria, mas devem calorosamente refletir sua preocupação misericordiosa. Em vez de trazer a tona o passado, podem considerar textos bíblicos tais como Isaías 1:18 e 55:6, 7 e Tiago 5:20. Se a pessoa estiver interessada em retornar ao rebanho de Deus, eles poderão bondosamente explicar que passos ela deve dar, tais como ler a Bíblia e as publicações da Sociedade Torre de Vigia e assistir às reuniões no Salão do Reino.
15. O que devem ter em mente os anciãos que contatam um desassociado?
15 Esses anciãos terão necessidade de sabedoria e de discernimento para determinar se há indicações de arrependimento e se seria aconselhável uma visita posterior. Devem ter em mente, é claro, que alguns desassociados jamais serão ‘reanimados ao arrependimento’. (Hebreus 6:4-6; 2 Pedro 2:20-22) Depois da visita, os dois farão um breve relatório oral à Comissão de Serviço da Congregação. Esta, por sua vez, informará o corpo de anciãos na sua próxima reunião. A misericordiosa iniciativa dos anciãos terá refletido o conceito de Deus: “‘Retornai a mim, e eu vou retornar a vós’, disse Jeová dos exércitos.” — Malaquias 3:7.
Outra Ajuda Misericordiosa
16, 17. Como devemos encarar parentes cristãos de um desassociado?
16 Que dizer dos dentre nós que não são superintendentes e não estarão tomando tais iniciativas com relação aos desassociados? O que podemos fazer, em harmonia com este arranjo e em imitação de Jeová?
17 Enquanto alguém está na condição de desassociado ou dissociado, temos de seguir a instrução: “[Cessai] de ter convivência com qualquer que se chame irmão, que for fornicador, ou ganancioso, ou idólatra, ou injuriador, ou beberrão, ou extorsor, nem sequer comendo com tal homem.” (1 Coríntios 5:11) Mas, esta diretriz bíblica não deve afetar o nosso conceito a respeito de membros cristãos da família que vivem com a pessoa desassociada. A reação dos antigos judeus contra os cobradores de impostos era tão forte que o seu ódio se estendia até mesmo à família do cobrador de impostos. Jesus não apoiou isso. Ele disse que um pecador que recusasse ajuda devia ser tratado “como homem das nações e como cobrador de impostos”; ele não disse que membros cristãos da família de um desassociado deviam ser tratados dessa maneira. — Mateus 18:17.
18, 19. Quais são algumas das maneiras de mostrar nossa qualidade cristã com relação a parentes fiéis de uma pessoa expulsa?
18 Devemos em especial dar apoio aos membros da família que são cristãos fiéis. Eles talvez já se vejam confrontados com dor e obstáculos por viverem numa casa com uma pessoa expulsa, que talvez realmente desestimule seus empenhos espirituais. Esta talvez não deseje receber a visita de cristãos na sua casa; ou, se eles visitarem os membros leais da família, talvez não tenha a cortesia de manter-se afastada dos visitantes. Ela talvez também impeça os esforços da família de assistir a todas as reuniões cristãs e assembléias. (Compare isso com Mateus 23:13.) Cristãos com essas desvantagens realmente merecem a nossa misericórdia. — 2 Coríntios 1:3, 4.
19 Uma das maneiras de mostrarmos terna misericórdia é ‘falarmos consoladoramente’ e termos palestras encorajadoras com tais membros fiéis da família. (1 Tessalonicenses 5:14) Há também excelentes oportunidades de dar apoio antes e depois das reuniões, no serviço de campo ou quando estamos juntos em outras ocasiões. Não há necessidade de mencionar a desassociação, mas há muitas coisas edificantes que podemos considerar. (Provérbios 25:11; Colossenses 1:2-4) Ao passo que os anciãos continuarão a pastorear os da família que sejam cristãos, talvez verifiquemos que nós também podemos fazer visitas sem ter tratos com a pessoa expulsa. Se por acaso o desassociado atender quando telefonamos ou visitamos, podemos simplesmente pedir para falar com o parente cristão que procuramos. Às vezes, os membros cristãos da família talvez possam aceitar um convite de vir a nossa casa para associação. O ponto é: eles — jovens e idosos — são nossos conservos, amados membros da congregação de Deus, que não devem ser isolados. — Salmo 10: 14.
20, 21. Qual deve ser o nosso sentimento e atitude caso alguém seja readmitido?
20 Uma adicional oportunidade de mostrar misericórdia surge quando uma pessoa expulsa é readmitida. As ilustrações de Jesus destacam a alegria no céu quando ‘um pecador se arrepende’. (Lucas 15:7, 10) Paulo escreveu aos coríntios a respeito do homem que fora desassociado: “Deveis perdoar-lhe bondosamente e deveis consolá-lo, para que tal homem não seja de algum modo tragado pela sua excessiva tristeza. Exorto-vos, portanto, a que confirmeis o vosso amor por ele.” (2 Coríntios 2:7, 8) Apliquemos séria e amorosamente tal conselho nos dias e semanas que se seguem à readmissão da pessoa.
21 A ilustração de Jesus a respeito do filho pródigo traz à atenção um perigo que temos de evitar. O irmão mais velho do filho pródigo não se regozijou com a volta dele, mas, ao contrário, ressentiu-se. Não sejamos assim, abrigando má vontade por causa de um erro passado, ou então aceitando a contragosto a readmissão de alguém. Antes, nosso alvo é ser como o pai, que ilustrou a reação de Jeová. O pai se sentia feliz de que seu filho, que estava perdido ou como que morto, foi encontrado, ou passou a viver. (Lucas 15:25-32) Concordemente, não teremos restrições de falar com o irmão readmitido e também de outras formas o encorajaremos. Sim, devemos evidenciar que mostramos misericórdia, como faz nosso perdoador e misericordioso Pai celestial. — Mateus 5:7.
22. O que está envolvido em imitarmos a Jeová Deus?
22 Não há dúvida de que, se queremos imitar a Deus, temos de mostrar misericórdia em harmonia com seus mandamentos e sua justiça. O salmista descreve-o da seguinte maneira: “Jeová é clemente e misericordioso, vagaroso em irar-se e grande em benevolência. Jeová é bom para com todos, e suas misericórdias estão sobre todos os seus trabalhos.” (Salmo 145:8, 9) Que amoroso padrão para os cristãos imitarem!
[Nota(s) de rodapé]
a “Os cobradores de impostos eram em especial desprezados pela população judaica da Palestina por várias razões: (1) eles coletavam dinheiro para a potência estrangeira que ocupava a terra de Israel, dando assim indiretamente apoio a esse ultraje; (2) eram notoriamente inescrupulosos, enriquecendo à custa de outros de seu próprio povo; e (3) o seu contato regular com os gentios, por causa de seu trabalho, tornava-os cerimonialmente impuros. Desprezo para com os cobradores de impostos se encontra tanto no N[ovo] T[estamento] como na literatura rabínica. . . Segundo esta última, o ódio devia estender-se mesmo à família do cobrador de impostos.” — The International Standard Bible Encyclopedia.
b Se numa família cristã houver um parente desassociado, essa pessoa ainda poderá participar dos procedimentos e das atividades normais e cotidianos da família. Isto poderia incluir estar presente quando matéria espiritual é considerada em família. — Veja A Sentinela de 15 de novembro de 1988, páginas 19-20.
d Se uma Testemunha, na pregação de casa em casa ou de outra forma, ficar sabendo que uma pessoa desassociada mora no território, ela deve dar esta informação aos anciãos.
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