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  • “Deus é amor”
    Achegue-se a Jeová
    • Luz do sol brilhando através das nuvens.

      SEÇÃO 4

      “Deus é amor”

      De todas as qualidades de Jeová, o amor é a principal. É também a mais atraente. Ao examinarmos algumas das lindas facetas dessa qualidade preciosa, entenderemos melhor por que a Bíblia diz que “Deus é amor”. — 1 João 4:8.

  • “Ele nos amou primeiro”
    Achegue-se a Jeová
    • Jesus morrendo numa estaca.

      CAPÍTULO 23

      “Ele nos amou primeiro”

      1-3. Quais são alguns fatores que tornaram a morte de Jesus diferente de todas as outras na História?

      QUASE 2 mil anos atrás, um homem inocente foi julgado, condenado por crimes que não cometera e torturado até à morte. Essa não foi a primeira execução cruel e injusta da História — nem a última, infelizmente. Mas aquela morte foi diferente de todas as outras.

      2 À medida que aquele homem sofria suas agonizantes horas finais, viram-se indícios no próprio céu de que se tratava de um acontecimento incomum. Embora fosse o meio do dia, subitamente uma escuridão cobriu a terra, ou, como descreveu um historiador, “a luz do sol falhou”. (Lucas 23:44, 45) Daí, pouco antes de dar seu último suspiro, aquele homem proferiu estas palavras inesquecíveis: “Está consumado!” Na verdade, ao dar sua vida, ele consumou, ou realizou, algo maravilhoso. Seu sacrifício foi o maior ato de amor já realizado por qualquer ser humano. — João 15:13; 19:30.

      3 Aquele homem, naturalmente, era Jesus Cristo. Seu sofrimento e morte naquele dia sombrio, 14 de nisã de 33 EC, são bem conhecidos. Mas um fato importante é frequentemente ignorado: embora Jesus sofresse muito, houve alguém que sofreu mais do que ele. De fato, naquele dia outra pessoa fez um sacrifício ainda maior, o maior ato de amor já feito por qualquer pessoa no Universo inteiro. Qual foi? A resposta a essa pergunta servirá de introdução apropriada para começarmos a analisar o mais importante de todos os assuntos: o amor de Jeová.

      O maior ato de amor

      4. Como um soldado romano percebeu que Jesus não era um homem comum e a que conclusão chegou?

      4 O centurião romano que supervisionou a execução de Jesus ficou assombrado tanto com a escuridão que precedeu sua morte como com o fortíssimo terremoto que se seguiu. “Certamente este era o Filho de Deus”, disse ele. (Mateus 27:54) É evidente que Jesus não era um homem comum. Aquele soldado havia ajudado a executar o Filho unigênito do Deus Altíssimo! Qual a intensidade do amor que o Pai sentia por seu Filho?

      5. Como se pode ilustrar a imensa duração do tempo que Jeová e seu Filho passaram juntos no céu?

      5 A Bíblia chama Jesus de “primogênito de toda a criação”. (Colossenses 1:15) Imagine: o Filho de Jeová existia antes de ser criado o Universo físico. Então, por quanto tempo Pai e Filho estiveram juntos? Alguns cientistas calculam a idade do Universo em 13 bilhões de anos. Consegue imaginar todo esse tempo? Para ajudar as pessoas a entender a idade do Universo, conforme calculada pelos cientistas, certo planetário tem uma linha do tempo de 110 metros de comprimento. Os visitantes caminham ao longo dessa linha e cada passo deles representa cerca de 75 milhões de anos na existência do Universo. No fim da linha do tempo, toda a História humana é representada por uma única marca da espessura de um fio de cabelo humano! Mesmo que essa estimativa esteja correta, aquela inteira linha do tempo não é suficiente para representar a duração da vida do Filho de Jeová! O que ele fazia durante todas aquelas eras?

      6. (a) O que o Filho de Jeová fazia durante sua existência pré-humana? (b) Como é a ligação que existe entre Jeová e seu Filho?

      6 O Filho alegremente serviu como “trabalhador perito” do Pai. (Provérbios 8:30) A Bíblia diz: “Sem [o Filho] nem mesmo uma só coisa veio a existir.” (João 1:3) De modo que Jeová e seu Filho, trabalhando em conjunto, fizeram tudo que existe. Quantos momentos emocionantes e felizes passaram juntos! Pois bem, a maioria das pessoas reconhece que o amor entre pais e filhos é extremamente forte. E o amor “é o perfeito vínculo de união”. (Colossenses 3:14) Assim, será que algum de nós consegue sequer imaginar como é forte a ligação — desenvolvida ao longo de tanto tempo — entre Jeová Deus e seu Filho? É óbvio que eles estão unidos pelo mais forte vínculo de amor que já existiu.

      7. Quando Jesus se batizou, como Jeová expressou seus sentimentos em relação ao Filho?

      7 Mesmo assim, Jeová enviou seu Filho para a Terra, onde nasceu como bebê humano. Ao fazer isso, o Pai abriu mão, por algumas décadas, do companheirismo achegado com seu Filho amado no céu. Com grande interesse, observou desde o céu Jesus crescer até se tornar um homem perfeito. Com cerca de 30 anos de idade, Jesus foi batizado. Não é preciso tentar adivinhar como Jeová se sentiu em relação a ele. O Pai em pessoa falou desde o céu: “Este é meu Filho, o amado, a quem eu aprovo.” (Mateus 3:17) Como deve ter ficado contente ao ver Jesus cumprir fielmente tudo o que havia sido profetizado, tudo o que lhe havia sido pedido! — João 5:36; 17:4.

      8, 9. (a) O que Jesus sofreu em 14 de nisã de 33 EC e como isso afetou seu Pai celestial? (b) Por que Jeová permitiu que seu Filho sofresse e morresse?

      8 Mas como Jeová se sentiu em 14 de nisã de 33 EC quando Jesus foi traído e preso por uma turba à noite; quando foi abandonado por seus amigos e submetido a um julgamento ilegal; quando o ridicularizaram, cuspiram nele e o esmurraram; quando foi açoitado, até que suas costas ficaram em carne viva; quando pregaram as mãos e os pés em um poste de madeira e ele foi pendurado para morrer, ao passo que as pessoas zombavam dele? Como o Pai se sentiu quando seu Filho amado, agonizando, clamou a ele? Como Jeová se sentiu quando Jesus deu seu último suspiro, quando, pela primeira vez desde o início de toda a criação, Seu Filho querido não existia mais? — Mateus 26:14-16, 46, 47, 56, 59, 67; 27:38-44, 46; João 19:1.

      9 É impossível descrever apropriadamente os sentimentos de Jeová. Não há palavras para expressar a dor que ele sentiu com a morte de seu Filho. Mas o que pode ser explicado é o motivo de Jeová ter permitido que isso acontecesse. Por que o Pai se submeteu a esses sentimentos? Em João 3:16, um versículo bíblico tão importante que já foi chamado de “o Evangelho em miniatura”, Jeová nos faz uma revelação maravilhosa, dizendo: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” Assim, Jeová se sujeitou a todo aquele sofrimento por um só motivo: amor. Aquela dádiva de Deus — enviar seu Filho para sofrer e morrer por nós — foi o maior ato de amor de todos os tempos.

      “Deus . . . deu o seu Filho unigênito”

      Como se define o amor divino?

      10. Que necessidade os humanos têm e o que se pode dizer sobre o sentido da palavra “amor”?

      10 O que significa a palavra “amor”? O amor já foi descrito como a maior necessidade humana. Do berço ao túmulo, as pessoas o procuram, se desenvolvem sob sua influência e até definham e morrem por falta dele. Mesmo assim, é incrivelmente difícil defini-lo. É claro que as pessoas falam de amor o tempo todo. Incontáveis livros, canções e poemas são lançados sobre esse tema. Mas isso não ajuda a compreendê-lo melhor. Na verdade, a palavra é usada com tanta frequência que parece cada vez mais difícil descobrir o que realmente significa.

      11, 12. (a) Onde podemos aprender muito sobre o amor, e por que ali? (b) O grego antigo tinha termos específicos para que tipos de amor e qual dessas palavras é usada com mais frequência nas Escrituras Gregas Cristãs? (Veja também a nota.) (c) Que ideia a palavra a·gá·pe passa muitas vezes nas Escrituras?

      11 A Bíblia, porém, explica claramente o que é o amor. Um dicionário de termos bíblicos diz: “O amor só pode ser conhecido pelas ações que promove.” (Expository Dictionary of New Testament Words, de Vine) O registro bíblico sobre as ações de Jeová nos ensina muito sobre seu amor, a afeição bondosa que ele sente por suas criaturas. Por exemplo, já analisamos o supremo ato de amor de Jeová. Consegue pensar em uma maneira melhor de aprendermos sobre essa qualidade? Nos capítulos seguintes, veremos muitos outros exemplos do amor de Jeová em ação. Além disso, analisarmos as palavras originais para “amor” usadas na Bíblia nos ajudará a compreender melhor essa qualidade. No grego antigo, havia quatro palavras para “amor”.a Dessas, a mais frequentemente usada nas Escrituras Gregas Cristãs é a·gá·pe. Um dicionário bíblico diz que essa é “a mais poderosa palavra imaginável para amor”. Por quê?

      12 Conforme usada na Bíblia, a palavra a·gá·pe muitas vezes passa a ideia de amor guiado por princípios. Assim, é mais do que apenas uma reação emocional em relação a outra pessoa. Seu alcance é maior; ele é mais absorvente e envolve reflexão. Acima de tudo, o amor cristão é totalmente abnegado. Por exemplo, leia novamente João 3:16. O que é “o mundo” que Deus amou tanto que deu seu Filho unigênito por ele? É o mundo da humanidade que pode ser resgatada. Inclui muitas pessoas que levam uma vida de pecado. Será que Jeová ama a cada uma delas como amigos pessoais, assim como amou o fiel Abraão? (Tiago 2:23) Não, mas Jeová amorosamente demonstra bondade a todos, mesmo que isso envolva grandes sacrifícios para si mesmo. Ele deseja que todos se arrependam e mudem de vida. (2 Pedro 3:9) Muitos fazem isso, e Ele tem prazer em acolher a esses como seus amigos.

      13, 14. O que mostra que o amor cristão muitas vezes inclui afeição calorosa?

      13 Alguns, porém, têm um conceito errado sobre o uso de a·gá·pe na Bíblia. Acham que se trata de um tipo de amor frio e intelectual. Na verdade, o amor cristão muitas vezes inclui calorosa afeição pessoal. Por exemplo, quando João escreveu: “O Pai ama o Filho”, usou uma forma da palavra a·gá·pe. Será que esse amor não inclui a afeição? Note que Jesus disse: “O Pai tem afeição pelo Filho”, usando uma forma da palavra fi·lé·o. (João 3:35; 5:20, nota) O amor de Jeová muitas vezes inclui terna afeição. Mas essa qualidade dele nunca é influenciada por mero sentimentalismo; sempre é guiada por princípios sábios e justos.

      14 Como vimos, todas as qualidades de Jeová são inigualáveis, perfeitas e atraentes. Mas a que mais nos atrai a Ele é o amor. Felizmente, esta é também Sua qualidade dominante. Como sabemos disso?

      “Deus é amor”

      15. Que declaração a Bíblia faz sobre o atributo do amor de Jeová, e em que sentido essa declaração é única? (Veja também a nota.)

      15 A Bíblia usa uma expressão, a respeito do amor, que nunca utiliza para descrever nenhum dos outros atributos principais de Jeová. As Escrituras não dizem que Deus é poder, que Deus é justiça nem mesmo que Deus é sabedoria. Ele possui essas qualidades, é a derradeira Fonte delas e, no que se refere a demonstrá-las, ninguém se compara a ele. Mas a respeito do quarto atributo, usa-se uma expressão que dá o que pensar: “Deus é amor.”b (1 João 4:8) O que isso significa?

      16-18. (a) Por que a Bíblia diz que “Deus é amor”? (b) De todas as criaturas na Terra, por que o homem é um símbolo apropriado do atributo divino do amor?

      16 A expressão “Deus é amor” não se trata de uma espécie de fórmula matemática, como se a Bíblia quisesse dizer que “Deus é igual a amor”. Além disso, não se pode inverter a ordem da frase; seria incorreto dizer: “O amor é Deus.” Jeová é muito mais do que uma qualidade abstrata. Ele é uma Pessoa com muitos sentimentos e características além do amor. Mas essa qualidade é parte fundamental de Deus como pessoa. Por isso, uma obra de referência diz o seguinte sobre esse versículo: “O amor está na própria essência ou natureza de Deus.” De modo geral, podemos entender a questão da seguinte maneira: o poder de Jeová lhe possibilita agir; a justiça e a sabedoria guiam seus atos; mas é o amor que o motiva a agir. E, quando usa seus outros atributos, Jeová sempre inclui o amor.

      17 Muitas vezes se diz que Jeová é a própria personificação do amor. Assim, se quisermos aprender a respeito desse amor baseado em princípios, temos de aprender sobre Ele. É claro que os humanos também são capazes de demonstrar essa bela qualidade. Por quê? Na época da criação, Jeová falou, evidentemente ao seu Filho: “Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança.” (Gênesis 1:26) De todas as criaturas na Terra, apenas o ser humano pode decidir amar e, assim, imitar seu Pai celestial. Lembre-se de que Jeová usou várias criaturas para simbolizar seus atributos principais. Mas escolheu sua mais elevada criação terrestre, o homem, como símbolo de Sua qualidade dominante, o amor. — Ezequiel 1:10.

      18 Se nosso amor for altruísta e baseado em princípios, estaremos refletindo a qualidade dominante de Jeová. É exatamente como o apóstolo João escreveu: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” (1 João 4:19) Mas de que maneiras Jeová nos amou primeiro?

      Jeová tomou a iniciativa

      19. Por que se pode dizer que o amor desempenhou um papel vital na obra criativa de Jeová?

      19 O amor não é algo novo. Afinal, o que levou Jeová a começar a criar? Não foi solidão nem necessidade de companhia. Jeová é completo e perfeito em si mesmo; não lhe falta nada que outra pessoa possa suprir. Mas seu amor, uma qualidade ativa, o motivou a querer partilhar as alegrias da vida com criaturas inteligentes, capazes de apreciar essa dádiva. “O princípio da criação de Deus” foi seu Filho unigênito. (Apocalipse 3:14) Daí, Jeová usou esse trabalhador perito para trazer todas as outras coisas à existência, a começar pelos anjos. (Jó 38:4, 7; Colossenses 1:16) Abençoados com liberdade, inteligência e sentimentos, esses espíritos poderosos tiveram a oportunidade de formar seus próprios laços de amor: uns com os outros e, acima de tudo, com Jeová Deus. (2 Coríntios 3:17) Assim, amaram porque foram amados primeiro.

      20, 21. Que provas Adão e Eva tinham de que Jeová os amava, mas como reagiram?

      20 O mesmo se deu com a humanidade. Desde o início, Adão e Eva estavam praticamente cercados de amor. Para todo lado que olhassem no seu lar paradisíaco, o Éden, podiam ver provas do amor de seu Pai por eles. A Bíblia diz: “Jeová Deus plantou um jardim no Éden, no leste, e ali pôs o homem que havia formado.” (Gênesis 2:8) Já esteve num belíssimo jardim ou parque? Do que gostou mais? Da luz atravessando as folhagens e iluminando um canto sombrio? Do impressionante arco-íris de flores num canteiro? Da música de fundo produzida pelo murmúrio de um riacho, pelo canto dos pássaros e pelo zumbido dos insetos? Do perfume de árvores, flores e frutos? Seja como for, nenhum parque de hoje chega aos pés do Éden. Por quê?

      21 O próprio Jeová plantou aquele jardim! Deve ter sido um lugar indescritivelmente belo. Havia ali todo tipo de árvore frutífera ou ornamental. O jardim era bem irrigado, espaçoso e com uma variedade fascinante de animais. Adão e Eva tinham tudo de que precisavam para ter uma vida feliz e satisfatória, incluindo trabalho gratificante e companheirismo perfeito. Jeová os amou primeiro e eles tinham motivos de sobra para retribuir esse amor. Mas não fizeram isso. Em vez de amorosamente obedecer ao seu Pai celestial, eles, de forma egoísta, se rebelaram contra Ele. — Gênesis, capítulo 2.

      22. Como a reação de Jeová à rebelião no Éden provou que Seu amor é leal?

      22 Como isso deve ter sido doloroso para Jeová! Mas será que Jeová ficou ressentido por causa dessa rebelião? Não! “O seu amor leal dura para sempre.” (Salmo 136:1) Assim, de forma amorosa, ele imediatamente tomou providências para resgatar os descendentes de Adão e Eva que tivessem a disposição correta. Como vimos, entre esses preparativos estava o sacrifício de resgate de Seu Filho amado, que lhe custou tão caro. — 1 João 4:10.

      23. Por que Jeová é o “Deus feliz”, e o próximo capítulo tratará de que pergunta vital?

      23 De fato, desde o início Jeová tomou a iniciativa de mostrar amor à humanidade. De incontáveis maneiras, “ele nos amou primeiro”. O amor promove harmonia e alegria, de modo que não é de admirar que Jeová seja descrito como o “Deus feliz”. (1 Timóteo 1:11) Mas surge uma pergunta importante: Será que Jeová realmente nos ama em base individual? O próximo capítulo tratará dessa questão.

      a O verbo fi·lé·o, que significa “ter afeição por ou gostar de (como de um amigo achegado ou irmão)”, é usado com frequência nas Escrituras Gregas Cristãs. Uma forma da palavra stor·gé, o amor por parentes achegados, é usada em 2 Timóteo 3:3 para mostrar que esse amor estaria em falta nos últimos dias. É·ros, o amor romântico entre os sexos, não é um termo usado nas Escrituras Gregas Cristãs, embora esse tipo de amor seja mencionado na Bíblia. — Provérbios 5:15-20.

      b Outras declarações bíblicas têm estrutura semelhante. Por exemplo, “Deus é luz” e “Deus é um fogo consumidor”. (1 João 1:5; Hebreus 12:29) Mas essas devem ser entendidas como metáforas, pois comparam Jeová a coisas físicas. Ele é como a luz, pois é santo e reto. A “escuridão”, ou impureza, não tem nada que ver com ele. E ele pode ser comparado ao fogo, porque pode usar seu poder de forma destrutiva.

      Perguntas para Meditação

      • Salmo 63:1-11 Como devemos encarar o amor de Jeová? Essa qualidade pode nos ajudar a desenvolver que confiança?

      • Oseias 11:1-4; 14:4-8 De que maneiras Jeová mostrou amor paterno para com Israel (ou, Efraim), apesar de que histórico de desobediência?

      • Mateus 5:43-48 Como Jeová mostra amor paterno para com a humanidade em geral?

      • João 17:15-26 Como a oração de Jesus a favor de seus seguidores nos assegura que Jeová nos ama?

  • Nada pode “nos separar do amor de Deus”
    Achegue-se a Jeová
    • Uma mulher triste com lágrimas escorrendo pelo rosto.

      CAPÍTULO 24

      Nada pode “nos separar do amor de Deus”

      1. Que sentimentos negativos afligem muitas pessoas, incluindo alguns cristãos verdadeiros?

      SERÁ que Jeová Deus ama você como pessoa? Alguns concordam que Deus ama a humanidade em geral, conforme diz João 3:16, mas pensam: “Deus nunca poderia amar a mim como indivíduo.” Até mesmo cristãos verdadeiros vez por outra têm dúvidas a esse respeito. Um homem desanimado disse: “Acho muito difícil crer que Deus se importe comigo.” Sente dúvidas como essas de vez em quando?

      2, 3. Quem deseja que acreditemos que, aos olhos de Jeová, somos inúteis ou que não merecemos ser amados? Como podemos combater essa ideia?

      2 O que Satanás mais deseja é fazer-nos acreditar que Jeová Deus não nos ama nem nos dá valor. É verdade que muitas vezes ele seduz as pessoas apelando para a vaidade e o orgulho. (2 Coríntios 11:3) Mas ele também tem prazer em destruir o amor-próprio das pessoas mais vulneráveis. (João 7:47-49; 8:13, 44) Isso se dá, em especial, nestes “últimos dias” críticos. Muitos hoje são criados em famílias ‘desnaturadas’; outros têm tratos diários com gente violenta, egoísta e teimosa. (2 Timóteo 3:1-5) Anos de maus-tratos, racismo ou ódio talvez os tenham convencido de que não valem nada e que não merecem ser amados.

      3 Se você tiver esses sentimentos negativos no íntimo, não se desespere. Muitos de nós, de vez em quando, somos um pouco duros demais com nós mesmos. Mas lembre-se de que a Palavra de Deus serve para “endireitar as coisas” e “demolir fortalezas”. (2 Timóteo 3:16; 2 Coríntios 10:4) A Bíblia diz: “Tranquilizaremos o nosso coração diante dele sempre que o nosso coração nos condenar, porque Deus é maior do que o nosso coração e sabe todas as coisas.” (1 João 3:19, 20) Vamos analisar, então, quatro maneiras em que as Escrituras nos ajudam a ‘tranquilizar o nosso coração’ com relação ao amor de Jeová.

      Jeová o considera precioso

      4, 5. Como a ilustração de Jesus sobre os pardais mostra que temos valor aos olhos de Jeová?

      4 Primeiro, a Bíblia ensina de forma bem direta que Deus dá valor a cada um de seus servos. Por exemplo, Jesus disse: “Não se vendem dois pardais por uma moeda de pequeno valor? Contudo, nem mesmo um deles cairá no chão sem o conhecimento do Pai de vocês. Mas até mesmo os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Portanto, não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais.” (Mateus 10:29-31) Vejamos o que essas palavras significavam para os ouvintes de Jesus no primeiro século.

      Um pardal alimentando seu filhote.

      “Vocês valem mais do que muitos pardais””

      5 Talvez você se pergunte por que alguém compraria um pardal. Acontece que, nos dias de Jesus, o pardal era a ave mais barata vendida como alimento. Note que, com uma moeda de pouco valor, o comprador podia levar dois pardais. Mais tarde, porém, Jesus declarou que, se a pessoa tivesse duas moedas, poderia comprar, não quatro pardais, mas cinco. O pássaro extra era acrescentado como se não tivesse nenhum valor. Talvez essas criaturas fossem sem valor aos olhos dos homens, mas como o Criador as encarava? Jesus disse: “Nem mesmo um deles [nem mesmo o pássaro extra] é esquecido por Deus.” (Lucas 12:6, 7) Com isso, começamos a entender o que Jesus queria dizer: se Jeová dá tanto valor a um único pardal, quanto mais valioso ele deve considerar um ser humano! Como Jesus explicou, Deus sabe de todos os detalhes a nosso respeito. Ora, até os nossos cabelos estão contados!

      6. Como sabemos que Jesus estava sendo realista quando falou que nossos cabelos estão contados?

      6 Nossos cabelos estão contados? Alguns acham essa ilustração de Jesus um pouco fantasiosa. Mas pense na esperança da ressurreição. Jeová deve nos conhecer muito bem para poder nos recriar. Ele nos considera tão valiosos que se lembra de cada detalhe, incluindo nosso código genético, todos os nossos anos de lembranças e as coisas que passamos na vida.a Em comparação com isso, contar nossos cabelos (em média a cabeça humana tem uns 100 mil fios) seria uma façanha simples.

      O que Jeová vê em nós?

      7, 8. (a) Ao sondar o coração dos humanos, Jeová fica contente quando se depara com que qualidades? (b) Quais são algumas das nossas obras a que Jeová dá valor?

      7 Em segundo lugar, a Bíblia ensina-nos o que Jeová aprecia nos seus servos: em termos simples, nossas boas qualidades e nossos esforços. O Rei Davi disse ao seu filho Salomão: “Jeová examina todos os corações e discerne toda inclinação dos pensamentos.” (1 Crônicas 28:9) Ao sondar bilhões de corações humanos neste mundo violento e cheio de ódio, como Jeová deve ficar contente quando encontra um coração que ama a paz, a verdade e a justiça! O que acontece quando Deus encontra um coração cheio de amor por ele, que procura aprender sobre ele e transmitir esse conhecimento a outros? Jeová nos informa que ele presta atenção aos que falam com outros a Seu respeito. Ele até mesmo tem “um livro de recordação” para todos ‘os que temem a Jeová e para os que meditam no seu nome’. (Malaquias 3:16) Para ele, essas qualidades são preciosas.

      8 Quais são algumas das boas obras a que Jeová dá valor? Sem dúvida, aos esforços que fazemos para imitar o seu Filho, Jesus Cristo. (1 Pedro 2:21) Uma obra muito importante que Deus aprecia é a divulgação das boas novas do Reino. Lemos, em Romanos 10:15: “Como são lindos os pés daqueles que declaram boas novas de coisas boas!” Normalmente talvez não consideremos nossos humildes pés como “lindos”, ou belos. Mas aqui eles representam os esforços dos servos de Jeová para pregar as boas novas. Esse empenho é belo e precioso aos Seus olhos. — Mateus 24:14; 28:19, 20.

      9, 10. (a) Por que podemos ter certeza de que Jeová dá valor à nossa perseverança em face de várias dificuldades? (b) Jeová nunca tem que conceito negativo sobre seus servos fiéis?

      9 Jeová também dá valor à nossa perseverança. (Mateus 24:13) Lembre-se de que Satanás quer que você dê as costas a Jeová. Cada dia que você permanece leal a Deus é mais um dia em que ajudou a dar uma resposta às zombarias de Satanás. (Provérbios 27:11) Nem sempre é fácil perseverar. Problemas de saúde, dificuldades financeiras, aflição emocional e outros obstáculos podem tornar cada dia que passa uma provação. Expectativas adiadas também podem ser muito desanimadoras. (Provérbios 13:12) Quando nos mantemos firmes em face dessas provações, Jeová dá ainda mais valor à nossa perseverança. Foi por isso que o Rei Davi pediu que Deus guardasse suas lágrimas num “odre” e acrescentou, confiante: “Não estão registradas no teu livro?” (Salmo 56:8) Sem dúvida, Jeová dá muito valor a todas as nossas lágrimas e aos sofrimentos que suportamos ao manter nossa lealdade a ele, não se esquecendo disso. São coisas valiosas aos seus olhos.

      Jeová aprecia a nossa perseverança em face de provações

      10 Mas talvez achemos difícil aceitar essas provas de nosso valor aos olhos de Deus se o nosso coração nos condena. Ele talvez sussurre insistentemente: ‘Mas há tantos outros que são mais exemplares do que eu. Como Jeová deve ficar desapontado quando me compara com eles!’ Mas o Criador não faz comparações, nem tem um conceito rígido ou severo. (Gálatas 6:4) Ele examina a fundo os corações humanos e dá valor às boas qualidades, mesmo que sejam mínimas.

      Jeová procura o que temos de bom

      11. Ao analisar o modo como Jeová lidou com Abias, o que aprendemos sobre nosso Criador?

      11 Terceiro, quando Jeová nos examina, ele procura cuidadosamente o que temos de bom. Por exemplo, quando decretou que toda a dinastia apóstata do Rei Jeroboão fosse executada, Ele ordenou que Abias, um dos filhos do rei, recebesse um enterro decente. Por quê? “Jeová, o Deus de Israel, achou algo de bom” nele. (1 Reis 14:1, 10-13) Jeová, na verdade, examinou o coração daquele jovem e encontrou “algo de bom” nele. Talvez se tratasse de muito pouca bondade, mas mesmo assim Deus considerou apropriado registrar isso na sua Palavra. Ele até recompensou aquele único membro de uma família apóstata, mostrando-lhe a misericórdia que julgou apropriada.

      12, 13. (a) Como o caso do Rei Jeosafá mostra que Jeová procura o que temos de bom mesmo quando pecamos? (b) No que se refere a nossas boas obras e qualidades, em que sentido Jeová age como um Pai amoroso?

      12 Há um exemplo ainda mais positivo: o do bom Rei Jeosafá. Quando ele cometeu um ato tolo, o profeta de Jeová lhe disse: “Por causa disso, Jeová está indignado com o senhor.” De fato, palavras preocupantes! Mas a mensagem de Jeová não parou por aí. Acrescentou: “No entanto, há coisas boas no senhor.” (2 Crônicas 19:1-3) De modo que, apesar de sua ira justa, Jeová não ficou cego para com a bondade de Jeosafá. Como isso é diferente do modo como agem os humanos imperfeitos! Quando ficamos aborrecidos com outros, nossa tendência é desconsiderar o que eles têm de bom. E, quando pecamos, o desapontamento, a vergonha e a culpa que sentimos nos fazem esquecer das boas qualidades que nós mesmos temos. Lembre-se, porém, de que, se nos arrependermos de nossos pecados e fizermos bastante esforço para não repeti-los, Jeová nos perdoará.

      13 Quando nos examina, Jeová põe de lado esses pecados, mais ou menos como um minerador à procura de ouro descarta o cascalho sem valor. E o que faz com nossas boas qualidades e obras? Ah, essas são as “pepitas” que ele guarda. Já notou que pais amorosos muitas vezes guardam os desenhos e trabalhos escolares dos filhos — às vezes por décadas, quando os filhos até já se esqueceram deles? Jeová é o Pai mais amoroso que existe. Se permanecermos fiéis, ele nunca se esquecerá de nossas boas obras e qualidades. De fato, ele consideraria uma injustiça esquecer-se delas — e ele nunca é injusto. (Hebreus 6:10) Jeová também procura o que temos de bom de outra maneira.

      14, 15. (a) Por que nossas imperfeições não impedem Jeová de notar o que temos de bom? Ilustre isso. (b) O que Jeová fará com as coisas boas que achar em nós, e como ele encara seu povo fiel?

      14 Em vez de se concentrar em nossas imperfeições, Jeová vê o nosso potencial. Para ilustrar: os amantes da arte não medem esforços para restaurar pinturas ou outras obras seriamente danificadas. Por exemplo, quando alguém danificou com uma espingarda um esboço de Leonardo da Vinci, avaliado em mais de 30 milhões de dólares, na Galeria Nacional, em Londres, ninguém sugeriu que o desenho fosse jogado fora só porque estava danificado. O trabalho de restauração da obra-prima de quase 500 anos começou imediatamente. Por quê? Porque ela era preciosa para os amantes da arte. Será que você não vale mais do que um desenho a giz e carvão? Aos olhos de Deus, sem dúvida vale — não importa quanto a imperfeição herdada o tenha danificado. (Salmo 72:12-14) Jeová Deus, o perito Criador da família humana, fará o que for preciso para restabelecer à perfeição todos os que corresponderem ao seu cuidado amoroso. — Atos 3:21; Romanos 8:20-22.

      15 É evidente que Jeová vê o que cada um de nós tem de bom, mesmo que nós não vejamos isso. E à medida que o servirmos, ele fará com que aquilo que temos de bom aumente até que, por fim, alcancemos a perfeição. Não importa como o mundo de Satanás tenha nos tratado, Jeová considera seus servos fiéis como preciosos. — Ageu 2:7.

      Jeová demonstra seu amor de forma ativa

      16. Qual é a maior prova do amor de Jeová por nós, e como sabemos que essa dádiva foi feita para nós pessoalmente?

      16 Em quarto lugar, Jeová faz muitas coisas para provar seu amor por nós. Sem dúvida, a melhor resposta à mentira satânica de que nós não valemos nada e que não merecemos ser amados é o sacrifício resgatador de Cristo. Nunca se esqueça de que a morte agonizante de Jesus na estaca de tortura e a agonia ainda maior que Jeová teve de suportar, observando a morte de seu Filho amado, foram prova do amor deles por nós. Infelizmente, muitas pessoas acham difícil aceitar que essa dádiva foi feita para elas pessoalmente. Sentem-se indignas. Lembre-se, porém, de que o apóstolo Paulo, que havia sido perseguidor dos seguidores de Cristo, escreveu: ‘O Filho de Deus me amou e se entregou por mim.’ — Gálatas 1:13; 2:20.

      17. De que maneiras Jeová nos atrai a si mesmo e ao seu Filho?

      17 Jeová nos dá provas de seu amor ajudando cada um de nós a tirar proveito do sacrifício de Cristo, que disse: “Ninguém pode vir a mim, a menos que o Pai, que me enviou, o atraia.” (João 6:44) Ou seja, Jeová pessoalmente nos atrai a seu Filho e à esperança de vida eterna. Como? Por meio da pregação, que alcança cada um de nós, e do seu espírito santo, que ele usa para nos ajudar a compreender e aplicar as verdades espirituais, apesar de nossas limitações e imperfeições. Por isso, Jeová pode dizer a nosso respeito o mesmo que disse sobre Israel: “Eu amo você com um amor eterno. Por isso eu [o] atraí a mim com amor leal.” — Jeremias 31:3.

      18, 19. (a) Por meio do que sentimos o amor de Jeová por nós de forma mais íntima, e o que mostra que ele cuida dessa atribuição pessoalmente? (b) Como a Palavra de Deus nos assegura que Jeová escuta com empatia?

      18 É possivelmente por meio do privilégio da oração que sentimos o amor de Jeová de forma mais íntima. A Bíblia convida cada um de nós a ‘orar constantemente’ a Deus. (1 Tessalonicenses 5:17) Ele nos escuta. É até mesmo chamado de “Ouvinte de oração”. (Salmo 65:2) Não delegou essa função a nenhuma outra pessoa — nem mesmo ao seu próprio Filho. Imagine: o Criador do Universo incentiva-nos a nos dirigir a ele em oração, com franqueza no falar. E que tipo de ouvinte ele é: frio, apático, insensível? De modo algum.

      19 Jeová demonstra empatia. O que quer dizer essa palavra? Um fiel servo idoso de Jeová disse: “A empatia é a sua dor no meu coração.” Será que Jeová é mesmo afetado pela nossa dor? A respeito do sofrimento de seu povo, Israel, lemos: “Durante toda a aflição deles, ele também ficou aflito.” (Isaías 63:9) Jeová não apenas via os problemas deles; ele sofria junto com seu povo. Comprovando quanto ele sente, note essas palavras do próprio Jeová aos seus servos: “Aquele que toca em vocês, toca na menina do meu olho.”b (Zacarias 2:8) Isso seria muito doloroso. De fato, Jeová compartilha a nossa dor. Quando sofremos, ele sofre junto.

      20. Se quisermos obedecer ao conselho de Romanos 12:3, que raciocínio desequilibrado deveremos evitar?

      20 Naturalmente, nenhum cristão equilibrado usaria essa evidência do amor e da estima de Deus como desculpa para demonstrar orgulho ou egoísmo. O apóstolo Paulo escreveu: “Por meio da bondade imerecida que me foi concedida, digo a cada um de vocês que não pense de si mesmo mais do que é necessário pensar, mas que cada um pense de um modo que revele bom senso, conforme a medida de fé que Deus lhe deu.” (Romanos 12:3) Outra tradução diz assim: “Digo a todos vocês que não se achem melhores do que realmente são. Pelo contrário, pensem com humildade a respeito de vocês mesmos.” (Bíblia na Linguagem de Hoje) Assim, ao passo que desfrutamos do amor de nosso Pai celestial, devemos ser ajuizados e lembrar-nos de que o amor de Deus é imerecido. — Lucas 17:10.

      21. Que mentiras satânicas devemos continuar a rejeitar, e que verdade divina nos ajudará a nos ‘tranquilizarmos’, ou nos convencermos de coração, que Jeová nos ama?

      21 Façamos tudo ao nosso alcance para rejeitar todas as mentiras de Satanás, incluindo a de que não valemos nada e que não merecemos ser amados. Se por causa daquilo que passou na vida você se considera um obstáculo tão grande que nem mesmo o amor imenso de Deus pode superar, ou pensa que suas boas obras são insignificantes demais para serem notadas mesmo pelos olhos dele, que observam tudo, ou acha seus pecados graves demais para serem cobertos mesmo pela morte do Filho precioso dele, então lhe ensinaram uma mentira. Rejeite de todo o coração mentiras como essas! Que a verdade expressa nas palavras inspiradas do apóstolo Paulo nos ajude a nos ‘tranquilizarmos’, ou nos convencermos de coração, que Jeová nos ama! Ele disse: “Estou convencido de que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem governos, nem coisas presentes, nem coisas por vir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criação será capaz de nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” — Romanos 8:38, 39.

      a A Bíblia vez após vez relaciona a esperança da ressurreição com a memória de Jeová. O fiel Jó lhe disse: “Quem dera que . . . estabelecesses um tempo e então te lembrasses de mim!” (Jó 14:13) Jesus falou da ressurreição de “todos os que estão nos túmulos memoriais”. Isso é apropriado porque Jeová se lembra perfeitamente dos mortos que ele vai ressuscitar. — João 5:28, 29.

      b Algumas traduções desse texto dão a entender que quem toca no povo de Deus toca no próprio olho ou no olho de Israel, não no de Deus. Esse erro foi introduzido por escribas que consideravam esse trecho irreverente e, por isso, o “corrigiram”. Esse esforço mal direcionado obscureceu a intensidade da empatia pessoal de Jeová.

      Perguntas para Meditação

      • Salmo 139:1-24 Como as palavras inspiradas do Rei Davi mostram que Jeová está muito interessado em nós, como pessoas?

      • Isaías 43:3, 4, 10-13 Como Jeová se sente em relação aos que o servem como suas Testemunhas, e como esses sentimentos são expressos em ações?

      • Romanos 5:6-8 Por que podemos ter certeza de que nossa condição imperfeita não impede que o amor de Jeová nos alcance e nos beneficie?

      • Judas 17-25 Como podemos nos manter no amor de Deus? Que influências tornam difícil fazermos isso?

  • A “terna compaixão do nosso Deus”
    Achegue-se a Jeová
    • Uma mulher com um olhar de compaixão.

      CAPÍTULO 25

      A “terna compaixão do nosso Deus”

      1, 2. (a) Qual é a reação natural da mãe ao choro do bebê? (b) Que sentimento é mais forte do que a compaixão materna?

      UM CHORO no meio da noite. Imediatamente, a mãe acorda. Desde que o bebê nasceu, ela nunca mais dormiu tão profundamente como antes. Além disso, aprendeu a identificar os diferentes choros do filho e, assim, sabe se ele quer mamar, ser embalado ou se precisa de alguma outra coisa. Mas não importa qual seja a razão do choro do bebê, a mãe sempre lhe dá atenção. Seu coração a impede de ignorar as necessidades da criança.

      2 A compaixão da mãe pelo filho está entre os sentimentos mais afetuosos conhecidos pelos humanos. Mas existe um sentimento infinitamente mais forte: a terna compaixão de nosso Deus, Jeová. Uma análise dessa qualidade maravilhosa ajudará a nos achegarmos mais a Ele. Vejamos, então, o que é compaixão e como nosso Deus a manifesta.

      O que é compaixão?

      3. Qual é o significado do verbo hebraico traduzido “mostrar misericórdia” ou “ter pena”?

      3 Na Bíblia, compaixão e misericórdia estão intimamente ligadas. Várias palavras hebraicas e gregas transmitem a ideia de terna compaixão. Veja, por exemplo, o verbo hebraico ra·hhám, frequentemente traduzido “mostrar misericórdia” ou “ter pena”. Uma obra de referência explica que o verbo ra·hhám “expressa um sentimento profundo e terno de compaixão, tal como o que é provocado por vermos fraquezas ou sofrimentos naqueles que nos são queridos ou que precisam da nossa ajuda”. Esse termo hebraico, que Jeová aplica a si mesmo, se relaciona com a palavra para “útero” e pode ser descrito como “compaixão maternal”.a — Êxodo 33:19; Jeremias 33:26.

      Uma mãe carregando no colo seu bebê.

      “Será que uma mulher pode se esquecer do seu bebê?”

      4, 5. Como a Bíblia usa os sentimentos que a mãe tem pelo bebê para nos ensinar sobre a compaixão de Jeová?

      4 A Bíblia usa os sentimentos que a mãe tem pelo bebê para nos ensinar o sentido da compaixão de Jeová. Em Isaías 49:15 lemos: “Será que uma mulher pode se esquecer do seu bebê, e não sentir compaixão [ra·hhám] pelo filho do seu ventre? Mesmo que essas mulheres se esquecessem, eu nunca me esqueceria de você.” Essa descrição emocionante destaca a intensidade da compaixão de Jeová pelo seu povo. Como assim?

      5 É difícil imaginar que uma mãe se esqueça de amamentar e cuidar do bebê. Afinal, a criança é indefesa e precisa da atenção e do afeto materno 24 horas por dia! Infelizmente, porém, a negligência materna não é tão incomum assim, em especial nestes “tempos críticos” marcados pela existência de pessoas ‘desnaturadas’. (2 Timóteo 3:1, 3) Mas Jeová diz: “Eu nunca me esqueceria de você.” A terna compaixão que Deus sente pelo seu povo é infalível. O mais afetuoso sentimento natural que conhecemos é a compaixão que a mãe costuma sentir pelo bebê. Mas a compaixão divina é incomparavelmente mais forte. Não é de admirar que um comentarista tenha dito o seguinte sobre Isaías 49:15: “Essa é uma das mais intensas (talvez a mais intensa) expressões do amor de Deus no Velho Testamento.”

      6. Qual é a opinião de muitos humanos imperfeitos a respeito da terna compaixão, mas do que Jeová nos assegura?

      6 Será que essa terna compaixão é sinal de fraqueza? Na opinião de muitos humanos imperfeitos, sim. Por exemplo, o filósofo romano Sêneca, contemporâneo de Jesus e um dos mais importantes intelectuais de Roma, ensinava que “sentir pena é uma fraqueza da mente”. Sêneca era partidário do estoicismo, a filosofia que dava ênfase à calma desprovida de sentimentos. O sábio podia ajudar os necessitados, dizia ele, mas não devia ter pena, porque esse sentimento o privaria da serenidade. Segundo esse raciocínio egocêntrico, era inadmissível demonstrar compaixão de coração. Mas Jeová não é assim. Na sua Palavra, ele nos assegura que “tem grande compaixão e é misericordioso”. (Tiago 5:11) Como veremos, a compaixão não é uma fraqueza, mas uma qualidade forte e vital. Analisemos como Jeová, igual a um pai ou uma mãe amorosos, a manifesta.

      Jeová mostrou compaixão por uma nação

      7, 8. Como os israelitas sofreram no Egito antigo, e qual foi a reação de Jeová aos sofrimentos deles?

      7 Pode-se observar claramente a compaixão de Jeová no modo como ele lidou com a nação de Israel. No fim do século 16 AEC, milhões de israelitas eram escravos no Egito antigo. Ali, eram muito oprimidos, pois os egípcios “tornaram a sua vida amarga com a pesada tarefa de fabricar argamassa de argila e tijolos, e com toda forma de escravidão”. (Êxodo 1:11, 14) Por causa da aflição, os israelitas clamaram a Jeová por ajuda. Como o Deus de terna compaixão reagiu?

      8 A súplica do povo tocou o coração de Jeová. Ele disse: “Certamente vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi seu clamor por causa daqueles que os obrigam a trabalhar; e sei muito bem quanto estão sofrendo.” (Êxodo 3:7) Jeová não conseguia ver o sofrimento do seu povo ou ouvir seus clamores sem sentir pena deles. Como vimos no Capítulo 24 deste livro, Jeová é um Deus de empatia. Essa qualidade — definida como a habilidade de sentir a dor dos outros — está intimamente ligada à compaixão. Mas, em vez de apenas sentir pena do seu povo, Jeová foi motivado a agir em favor dele. Isaías 63:9 diz: “Por amor e compaixão, ele os resgatou.” Com “mão poderosa”, Deus resgatou os israelitas do Egito. (Deuteronômio 4:34) Posteriormente, forneceu-lhes alimento de forma milagrosa e conduziu-os a uma terra fértil.

      9, 10. (a) Por que Jeová libertou os israelitas repetidas vezes depois de eles se estabelecerem na Terra Prometida? (b) Nos dias de Jefté, Jeová libertou os israelitas de que opressão, e o que o levou a fazer isso?

      9 A compaixão de Jeová, porém, não parou por aí. Depois de se estabelecer na Terra Prometida, Israel repetidas vezes se tornou infiel e sofreu as consequências disso. Mas então o povo caía em si, suplicava a Jeová e ele os livrava, vez após vez. Por quê? “Porque tinha compaixão do seu povo.” — 2 Crônicas 36:15; Juízes 2:11-16.

      10 Veja o que aconteceu nos dias de Jefté. Visto que os israelitas haviam passado a adorar deuses falsos, Jeová permitiu que os amonitas os oprimissem por 18 anos. Por fim, se arrependeram. A Bíblia nos diz: “E eles eliminaram os deuses estrangeiros que havia no meio deles e serviram a Jeová, de modo que ele não suportou mais ver o sofrimento de Israel.”b (Juízes 10:6-16) Uma vez que seu povo demonstrou arrependimento genuíno, Jeová não pôde mais suportar vê-los sofrer. De modo que o Deus de terna compaixão habilitou Jefté para livrar os israelitas das mãos de seus inimigos. — Juízes 11:30-33.

      11. Quando analisamos os tratos de Jeová com os israelitas, o que aprendemos sobre a compaixão?

      11 O que os tratos de Jeová com a nação de Israel nos ensinam a respeito da terna compaixão? Primeiro, é fácil perceber que não se trata apenas de notar os problemas que as pessoas estão passando. Lembre-se do exemplo de compaixão da mãe que dá pronta atenção ao choro do bebê. De modo similar, Jeová não se faz de surdo diante das súplicas do seu povo. Sua terna compaixão o motiva a aliviar o sofrimento dele. Além disso, o modo como Jeová lidou com os israelitas nos ensina que a compaixão não é uma fraqueza, pois essa qualidade bondosa o levou a tomar ação firme e decisiva a favor do seu povo. Mas será que Jeová só mostra compaixão aos seus servos coletivamente?

      Jeová demonstra compaixão em base individual

      12. Como a Lei refletia a compaixão que Jeová sente pelas pessoas em base individual?

      12 A Lei que Deus deu à nação de Israel mostrou a compaixão que ele sente pelas pessoas em base individual. Um exemplo disso é sua preocupação com os pobres. Jeová sabia que, devido a circunstâncias inesperadas, um israelita poderia acabar se atolando na pobreza. Como os pobres deviam ser tratados? Jeová deu uma ordem direta aos israelitas: “Não endureça o coração nem feche a mão para o seu irmão pobre. Você deve lhe dar generosamente; não deve lhe dar com má vontade, pois é por isso que Jeová, seu Deus, abençoará todos os seus trabalhos e tudo que você realizar.” (Deuteronômio 15:7, 10) Deus também ordenou que não colhessem totalmente as beiradas dos campos nem juntassem as sobras. A respiga deveria ser deixada para os menos favorecidos. (Levítico 23:22; Rute 2:2-7) Quando a nação de Israel obedecia a essas leis bondosas a favor dos pobres no seu meio, esses não precisavam mendigar por comida. Não concorda que isso refletia a terna compaixão de Jeová?

      13, 14. (a) Como as palavras de Davi nos asseguram que Jeová está profundamente interessado em nós como indivíduos? (b) Como se pode ilustrar que Jeová está perto quando estamos com o “coração quebrantado” ou o “espírito esmagado”?

      13 Hoje também nosso Deus amoroso está profundamente interessado em nós como indivíduos. Podemos ter certeza de que ele está plenamente ciente de qualquer sofrimento que passemos. O salmista Davi escreveu: “Os olhos de Jeová estão sobre os justos, e os seus ouvidos escutam o seu clamor por ajuda. Jeová está perto dos que têm coração quebrantado, ele salva os que têm espírito esmagado.” (Salmo 34:15, 18) Um comentarista bíblico disse o seguinte a respeito dos que são descritos nas palavras acima: “Têm o coração quebrantado e espírito contrito, isto é, o pecado os torna humildes e têm pouca autoestima; eles se acham insignificantes e não confiam nos próprios méritos.” Talvez achem que Jeová está muito distante deles e que são insignificantes demais para que Deus se preocupe com eles. Mas não é bem assim. As palavras de Davi nos asseguram que Jeová não abandona os que “se acham insignificantes”. Nosso Deus compassivo sabe que, nessas ocasiões, precisamos dele mais do que nunca e ele está sempre perto de nós.

      14 Preste atenção à seguinte história: uma mãe nos Estados Unidos correu para o hospital com o filho de dois anos que estava com uma grave inflamação na garganta. Depois de examinar o menino, os médicos informaram a mãe de que, aquela noite, ele teria de ficar em observação no hospital. Onde você acha que a mãe passou a noite? Numa cadeira no quarto de hospital, ao lado do leito do filho! Seu filhinho estava doente e ela simplesmente tinha de ficar por perto. Sem dúvida, podemos esperar que nosso amoroso Pai celestial faça ainda mais por nós! Afinal, fomos criados à imagem dele. (Gênesis 1:26) As palavras comoventes do Salmo 34:18 nos dizem que, quando estamos com o “coração quebrantado” ou o “espírito esmagado”, Jeová, como um pai amoroso, “está perto” — sempre compassivo e pronto para ajudar.

      15. De que maneiras Jeová nos ajuda individualmente?

      15 Como, então, Jeová nos ajuda individualmente? Nem sempre ele remove a causa dos nossos sofrimentos. Mas ele fez muitas provisões para os que imploram a Sua ajuda. Sua Palavra, a Bíblia, fornece conselhos práticos que auxiliam bastante. Na congregação, Jeová providenciou que superintendentes espiritualmente qualificados, que se esforçam para refletir a compaixão divina, deem atenção aos seus companheiros de adoração. (Tiago 5:14, 15) Como “Ouvinte de oração”, ele dará “espírito santo aos que lhe pedirem”. (Salmo 65:2; Lucas 11:13) Esse espírito pode nos dar o “poder além do normal” a fim de perseverarmos até que o Reino de Deus remova todos os problemas estressantes. (2 Coríntios 4:7) Não somos gratos por tudo o que Jeová faz por nós? Não nos esqueçamos de que essas são demonstrações da terna compaixão de Deus.

      16. Qual é o maior exemplo da compaixão de Jeová, e como nos afeta pessoalmente?

      16 Naturalmente, o maior exemplo da compaixão de Jeová é o fato de ele ter entregado seu Filho mais querido para nos resgatar. Foi um sacrifício amoroso da parte de Jeová e abriu caminho para a nossa salvação. Lembre-se de que o resgate se aplica a cada um de nós. Com toda a razão, Zacarias, pai de João Batista, predisse que essa dádiva magnificaria a “terna compaixão do nosso Deus”. — Lucas 1:78.

      Quando Jeová se refreia de mostrar compaixão

      17-19. (a) Como a Bíblia mostra que a compaixão de Jeová tem limites? (b) O que fez com que a compaixão de Jeová para com seu povo chegasse ao limite?

      17 Quer dizer, então, que a terna compaixão de Jeová não tem limites? Muito pelo contrário, a Bíblia mostra claramente que, quando alguém se opõe aos modos corretos de Jeová, ele refreia-se de demonstrar compaixão — o que é bastante justo. (Hebreus 10:28) Para entender por que ele age assim, lembre-se do exemplo da nação de Israel.

      18 Embora vez após vez Jeová libertasse os israelitas dos seus inimigos, Sua compaixão por fim chegou ao limite. Aquele povo teimoso praticava idolatria a tal ponto que trazia seus ídolos repulsivos para dentro do templo de Jeová! (Ezequiel 5:11; 8:17, 18) Além disso, lemos: “Eles caçoavam dos mensageiros do verdadeiro Deus, desprezavam as Suas palavras e zombavam dos seus profetas, até que o furor de Jeová veio contra o seu povo e não havia mais remédio.” (2 Crônicas 36:16) Os israelitas chegaram a um ponto em que não havia mais base para compaixão. Despertaram a ira justa de Jeová. Qual foi o resultado?

      19 Jeová não pôde mais mostrar compaixão pelo seu povo. Declarou: “Não terei compaixão, nem sentirei dó, nem mostrarei misericórdia; nada me impedirá de destruí-los.” (Jeremias 13:14) Assim, Jerusalém e seu templo foram destruídos e os israelitas foram levados para Babilônia como prisioneiros. Quando humanos pecadores se tornam tão rebeldes que ultrapassam os limites da compaixão divina, o resultado só pode ser trágico. — Lamentações 2:21.

      20, 21. (a) O que ocorrerá quando a compaixão divina atingir o seu limite nos nossos dias? (b) Que demonstração da compaixão de Jeová será analisada no próximo capítulo?

      20 Qual é a situação hoje? Jeová não mudou. Por compaixão, ele incumbiu suas Testemunhas de pregar as “boas novas do Reino” em toda a Terra habitada. (Mateus 24:14) Ele ajuda os sinceros que aceitam essa mensagem a entender o sentido dela. (Atos 16:14) Mas essa obra não continuará para sempre. Não seria compassivo da parte de Jeová se ele permitisse que este mundo perverso, com toda a sua dor e sofrimento, continuasse existindo indefinidamente. Quando a compaixão divina atingir o limite, Jeová executará seu julgamento contra o atual sistema. Mesmo então, esse será um ato de compaixão — compaixão pelo seu “santo nome” e por seus servos dedicados. (Ezequiel 36:20-23) Jeová eliminará a maldade e introduzirá um novo mundo justo. Falando dos perversos, ele declara: “Meu olho não terá dó, nem terei compaixão. Farei as consequências do proceder deles recair sobre a sua própria cabeça.” — Ezequiel 9:10.

      21 Enquanto esse dia não chegar, Jeová continuará a sentir compaixão pelas pessoas, até pelas que se encaminham para a destruição. Os humanos pecadores que se arrependem sinceramente podem beneficiar-se de uma das maiores demonstrações da compaixão de Jeová: o seu perdão. No próximo capítulo, veremos algumas lindas ilustrações bíblicas que indicam o alcance do perdão divino.

      a O interessante, porém, é que no Salmo 103:13 o verbo hebraico ra·hhám denota a misericórdia, ou compaixão, que um pai demonstra aos filhos.

      b A expressão “ele não suportou mais” significa literalmente “sua alma foi encurtada; sua paciência se esgotou”. A Bíblia Pastoral diz: “Não pôde mais suportar o sofrimento de Israel.” A Bíblia — Mensagem de Deus traduz assim esse trecho: “Não tolerou mais a desgraça de Israel.”

      Perguntas para Meditação

      • Jeremias 31:20 Que sentimentos cordiais Jeová tem pelo seu povo? Em vista disso, como você se sente em relação a Ele?

      • Joel 2:12-14, 17-19 O que o povo de Jeová precisava fazer para receber compaixão e o que aprendemos disso?

      • Jonas 4:1-11 Como Jeová ensinou a Jonas uma lição sobre a importância da compaixão?

      • Hebreus 10:26-31 Por que não devemos abusar da misericórdia, ou compaixão, de Jeová?

  • Um Deus “sempre pronto a perdoar”
    Achegue-se a Jeová
    • Um homem orando.

      CAPÍTULO 26

      Um Deus “sempre pronto a perdoar”

      1-3. (a) Que fardo pesado o salmista Davi tinha de levar e como ele obteve consolo para o seu coração aflito? (b) Quando pecamos, que fardo talvez tenhamos de suportar, mas o que Jeová nos assegura?

      “MEUS erros pairam acima da minha cabeça”, escreveu o salmista Davi. “Como um fardo pesado, são demais para eu carregar. Fiquei entorpecido e me sinto completamente esmagado.” (Salmo 38:4, 8) Davi sabia que o fardo duma consciência culpada podia ser muito pesado. Mas ele obteve consolo para seu coração aflito. Estava ciente de que, embora odeie o pecado, Jeová não odeia o pecador, desde que este realmente se arrependa e rejeite seu proceder pecaminoso. Com plena fé na disposição de Jeová de conceder misericórdia aos arrependidos, Davi disse: “Tu, ó Jeová, . . . estás sempre pronto a perdoar.” — Salmo 86:5.

      2 Quando pecamos, talvez tenhamos de suportar, também, o fardo esmagador duma consciência pesada. Mas sentir remorso é saudável, porque pode induzir-nos a tomar medidas positivas para corrigir nossos erros. Há o perigo, contudo, de sermos esmagados pela culpa. Nosso coração talvez nos condene, insistindo que Jeová nunca nos perdoará, não importa quanto estejamos arrependidos. Se formos ‘vencidos pela excessiva tristeza’, Satanás tentará nos fazer acreditar que Jeová nos considera inúteis ou que não somos dignos de servi-lo e que, portanto, só nos resta desistir. — 2 Coríntios 2:5-11.

      3 É isso que Jeová pensa? De modo algum! O perdão é um aspecto do seu grande amor. Em sua Palavra, ele nos assegura que, quando mostramos genuíno arrependimento de coração, ele está disposto a nos perdoar. (Provérbios 28:13) Para que nunca cheguemos à conclusão de que o perdão de Deus é inalcançável para nós, vamos examinar por que e como ele perdoa.

      Por que Jeová está “sempre pronto a perdoar”

      4. De que Jeová se lembra quanto à nossa natureza, e como isso afeta o modo como ele nos trata?

      4 Jeová está ciente das nossas limitações. “Ele sabe bem como somos formados, lembra-se de que somos pó”, diz o Salmo 103:14. Ele não se esquece de que somos criaturas de pó, fracas devido à imperfeição. A declaração de que ele sabe “como somos formados” lembra-nos de que, na Bíblia, Jeová é comparado a um oleiro, e nós a vasos de barro que ele molda. (Jeremias 18:2-6) O Grande Oleiro modera seus tratos conosco por causa da fragilidade de nossa natureza pecaminosa e de acordo com o modo como reagimos à sua orientação.

      5. Como o livro de Romanos descreve até que ponto vai o domínio do pecado sobre nós?

      5 Jeová entende o poder que o pecado exerce sobre nós. As Escrituras descrevem o pecado como uma força poderosa, que segura o homem nas suas garras mortíferas. Até que ponto vai o domínio do pecado? No livro de Romanos, o apóstolo Paulo explica: estamos “debaixo do pecado”, assim como soldados estão sob a autoridade dum comandante (Romanos 3:9); ele tem ‘reinado’ sobre a humanidade (Romanos 5:21); “mora” em nós (Romanos 7:17, 20); sua “lei” opera continuamente em nós, na realidade, tentando controlar nosso modo de agir. (Romanos 7:23, 25) Que domínio poderoso o pecado exerce sobre nossa carne decaída! — Romanos 7:21, 24.

      6, 7. (a) Como Jeová encara os que buscam seu perdão com o coração arrependido? (b) Por que nunca devemos abusar da misericórdia de Deus?

      6 Portanto, Jeová sabe que para nós é impossível sermos perfeitamente obedientes, não importa quanto tentemos. Ele nos assegura amorosamente que, se buscarmos sua misericórdia com o coração arrependido, ele nos concederá o perdão. O Salmo 51:17 diz: “Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e esmagado, ó Deus, não rejeitarás.” Jeová nunca rejeitará ou repudiará um coração “quebrantado e esmagado” pelo fardo da culpa.

      7 Significa isso, porém, que podemos abusar da misericórdia de Deus, usando nossa natureza pecaminosa como desculpa para o pecado? De modo algum! Jeová não é governado por mero sentimentalismo. Sua misericórdia tem limites. Ele de modo algum perdoará os que obstinadamente praticam pecados de forma deliberada sem mostrar arrependimento. (Hebreus 10:26) Por outro lado, quando detecta arrependimento de coração, ele está pronto a perdoar. Vamos analisar agora algumas das expressões vívidas usadas na Bíblia para descrever essa maravilhosa faceta do amor de Jeová.

      Até que ponto vai o perdão de Jeová?

      8. O que podemos dizer que Jeová faz quando perdoa nossos pecados, e que confiança isso nos dá?

      8 O arrependido Davi disse: “Finalmente te confessei o meu pecado; não encobri meu erro. . . . E tu perdoaste meu erro e meus pecados.” (Salmo 32:5) A expressão “perdoaste” traduz uma palavra hebraica cujo sentido básico é “levantar” ou “levar”. Conforme usada aqui, ela significa remover “a culpa, o pecado, a transgressão”. De modo que Jeová como que levantou e levou embora os pecados de Davi. Sem dúvida, isso aliviou o sentimento de culpa que ele vinha suportando. (Salmo 32:3) Nós também podemos ter plena confiança em Deus, porque ele leva embora os pecados dos que procuram seu perdão à base da fé no sacrifício resgatador de Jesus. — Mateus 20:28.

      9. A que distância Jeová põe de nós os nossos pecados?

      9 Davi usou outra expressão vívida para descrever o perdão de Jeová: “Tão longe como o nascente é do poente, tão longe ele põe de nós as nossas transgressões.” (Salmo 103:12) O sol nasce no leste e se põe no oeste. A que distância o leste fica do oeste? Pode-se dizer que eles estão no ponto mais distante um do outro; esses dois pontos cardeais nunca se encontram. Um erudito diz que essa expressão significa “o mais longe possível, o mais longe que alguém possa imaginar”. As palavras inspiradas de Davi nos ensinam que, quando perdoa, Jeová coloca os nossos pecados o mais longe que podemos imaginar.

      Montanhas cobertas de neve.

      “Seus pecados . . . serão tornados brancos como a neve”

      10. Quando Jeová perdoa nossos pecados, por que não devemos pensar que levaremos a mancha deles pelo resto da vida?

      10 Já tentou remover uma mancha de uma roupa clara? Talvez, apesar de todo o seu esforço, a mancha não tenha saído totalmente. Note como Jeová descreve Sua capacidade de perdoar: “Embora os seus pecados sejam como escarlate, serão tornados brancos como a neve; embora sejam vermelhos como pano carmesim, se tornarão como a lã.” (Isaías 1:18) A palavra “escarlate” refere-se a uma cor vermelha muito viva.a “Carmesim” era uma cor escura encontrada em tecidos tingidos. (Naum 2:3) Por meio de nossos próprios esforços, nunca seríamos capazes de remover a mancha do pecado. Mas Jeová pode remover pecados semelhantes a escarlate e carmesim, tornando-os brancos como a neve ou a lã não tingida. Quando Deus perdoa nossos pecados, não precisamos levar a mancha deles pelo resto da vida.

      11. Em que sentido Jeová joga nossos pecados atrás de si?

      11 Num comovente cântico de gratidão, composto depois de ele ter sido poupado de uma doença mortífera, Ezequias disse a Jeová: “Lançaste todos os meus pecados atrás de ti.” (Isaías 38:17) Aqui, descreve-se Jeová como que pegando os pecados do transgressor arrependido e jogando-os para trás de si, onde Ele não pode vê-los nem notá-los mais. Segundo um dicionário, a ideia desse texto pode ser expressa assim: “Acabaste com os [meus pecados] como se eles não tivessem acontecido.” Não acha isso reanimador?

      12. Como o profeta Miqueias indica que, quando nos perdoa, Jeová remove nossos pecados permanentemente?

      12 Numa profecia de restauração, o profeta Miqueias expressou a convicção de que Jeová perdoaria seu povo arrependido: “Quem é Deus como tu, que . . . deixa passar a transgressão do restante da sua herança? . . . Tu lançarás nas profundezas do mar todos os pecados deles.” (Miqueias 7:18, 19) Imagine o que essas palavras significavam para as pessoas dos tempos bíblicos. Havia alguma possibilidade de recuperar algo lançado “nas profundezas do mar”? Assim, as palavras de Miqueias indicam que, quando nos perdoa, Jeová remove nossos pecados permanentemente.

      13. Qual é o sentido das palavras de Jesus: “Perdoa-nos as nossas dívidas”?

      13 Jesus usou o relacionamento entre credores e devedores para ilustrar como Jeová perdoa. Ele nos incentivou a orar: “Perdoa-nos as nossas dívidas.” (Mateus 6:12) Jesus compara assim pecados a dívidas. (Lucas 11:4) Quando pecamos, tornamo-nos “devedores” de Jeová. Uma obra de referência diz que o sentido do verbo grego traduzido ‘perdoar’ é “abrir mão ou desistir de uma dívida, não exigindo o pagamento”. Em certo sentido, quando Jeová perdoa, ele cancela a dívida que de outro modo seria lançada na nossa conta. De modo que os pecadores arrependidos podem consolar-se. Jeová nunca exigirá o pagamento duma dívida que ele cancelou! — Salmo 32:1, 2.

      14. A expressão “que os seus pecados sejam apagados” traz que ideia?

      14 O perdão de Jeová é descrito adicionalmente em Atos 3:19: “Arrependam-se, portanto, e deem meia-volta, a fim de que os seus pecados sejam apagados.” O trecho final é a tradução de um verbo grego que pode significar “‘apagar’, . . . ‘cancelar’ ou ‘destruir’”. Segundo alguns eruditos, a ideia expressa é a de apagar algo escrito à mão. Como se fazia isso? A tinta costumeiramente usada na antiguidade era feita duma mistura que incluía carvão, goma e água. Pouco depois de usá-la, a pessoa podia apagar a escrita com uma esponja úmida. Essa é uma bela maneira de ilustrar a misericórdia de Jeová. Quando ele perdoa nossos pecados, é como se os apagasse com uma esponja.

      15. O que Jeová deseja que saibamos sobre ele?

      15 Quando refletimos nessas ilustrações variadas, a que conclusão chegamos? Evidentemente, Jeová deseja que saibamos que ele está pronto a perdoar nossos pecados, desde que encontre em nós arrependimento sincero. Não precisamos temer que, no futuro, ele nos condene por esses pecados, porque a Bíblia revela algo mais sobre a grande misericórdia de Jeová: quando perdoa, ele esquece.

      Jeová deseja que saibamos que ele está “sempre pronto a perdoar”

      “Não me lembrarei mais do seu pecado”

      16, 17. Quando a Bíblia afirma que Jeová se esquece dos nossos pecados, o que quer dizer, e por que responde assim?

      16 A respeito dos que fazem parte do novo pacto, Jeová prometeu o seguinte: “Perdoarei o seu erro e não me lembrarei mais do seu pecado.” (Jeremias 31:34) Será que isso significa que, quando perdoa, Jeová é incapaz de se lembrar dos pecados? É óbvio que não. A Bíblia nos fala dos pecados de muitos a quem Deus perdoou, incluindo Davi. (2 Samuel 11:1-17; 12:13) Sem dúvida, Jeová ainda está ciente dos erros que cometeram. O registro dos pecados deles, bem como do seu arrependimento e do perdão de Deus, foi preservado para nosso benefício. (Romanos 15:4) Então, o que se quer dizer quando a Bíblia afirma que Jeová ‘não se lembra’ dos pecados daqueles a quem perdoa?

      17 O verbo hebraico vertido “lembrarei” não significa apenas recordar o passado. Segundo o Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, inclui “a implicação de agir em consonância com o pensamento”. Portanto, nesse sentido, “lembrar” pecados envolve agir contra pecadores. (Oseias 9:9) Mas quando Jeová diz: “Não me lembrarei mais do seu pecado”, ele nos assegura que, depois de perdoar a um pecador arrependido, não agirá contra ele no futuro por causa dos mesmos pecados. (Ezequiel 18:21, 22) Assim, ele esquece no sentido de não mencionar vez após vez os nossos pecados, acusando-nos ou punindo-nos repetidamente. Não acha consolador saber que Deus perdoa e esquece?

      E as consequências?

      18. Por que o perdão não significa que o pecador arrependido fique isento das consequências de suas ações erradas?

      18 Será que a prontidão de Jeová em perdoar significa que o pecador arrependido fica isento de todas as consequências de suas ações erradas? De forma alguma. Não podemos pecar e escapar impunes. Paulo escreveu: “O que a pessoa semear, isso também colherá.” (Gálatas 6:7) Teremos de enfrentar as consequências de nossa ação, mas isso não quer dizer que, depois de conceder perdão, Jeová nos faça sofrer adversidades. Ao surgirem dificuldades, o cristão não deve pensar: “Jeová talvez esteja me punindo por pecados passados.” (Tiago 1:13) Por outro lado, Deus não nos poupa dos efeitos de nossas ações erradas. Divórcio, gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis, perda de confiança ou de respeito — essas podem ser algumas das lamentáveis e inevitáveis consequências do pecado. Lembre-se de que, embora perdoasse os pecados de Davi relacionados com Bate-Seba e Urias, Jeová não o protegeu contra as consequências desastrosas. — 2 Samuel 12:9-12.

      19-21. (a) Como a lei registrada em Levítico 6:1-7 beneficiava tanto a vítima quanto o ofensor? (b) Se outros foram prejudicados pelos nossos pecados, Jeová se agradará se tomarmos que medidas?

      19 Nossos pecados também podem ter outras consequências, em especial se outros foram prejudicados pelas nossas ações. Por exemplo, analise o relato em Levítico, capítulo 6. Ali, a Lei mosaica trata de um erro grave: apossar-se dos bens de outro israelita por meio de roubo, extorsão ou fraude. Se o pecador negasse a culpa, atrevendo-se até mesmo a jurar falsamente, tornava-se um caso da palavra de um contra outro. No entanto, mais tarde o ofensor talvez sofresse devido à consciência pesada e confessasse seu pecado. Para obter o perdão de Deus, ele tinha de fazer mais três coisas: devolver o que havia tomado, pagar à vítima uma multa equivalente a 20% do valor dos bens roubados e oferecer um carneiro como oferta pela culpa. Daí, a lei dizia: “O sacerdote fará expiação por ele perante Jeová, e ele receberá o perdão.” — Levítico 6:1-7.

      20 Essa lei de Deus era muito misericordiosa, porque favorecia a vítima, cuja propriedade era devolvida e que, sem dúvida, se sentia aliviada quando o ofensor finalmente admitia seu pecado. Ao mesmo tempo, a lei beneficiava aquele cuja consciência por fim o induzia a admitir a culpa e corrigir o erro. De fato, se ele se negasse a fazer isso, não poderia esperar obter o perdão divino.

      21 Embora não estejamos sujeitos à Lei mosaica, ela nos ajuda a entender um pouco da mentalidade de Jeová, incluindo o modo como ele encara o perdão. (Colossenses 2:13, 14) Se outros foram prejudicados pelos nossos pecados, Deus se agradará se fizermos o possível para corrigir o erro. (Mateus 5:23, 24) Isso talvez envolva reconhecer nosso pecado, admitir a culpa e até pedir desculpas à vítima. Então podemos apelar para Jeová, à base do sacrifício de Jesus, e ter a certeza de que fomos perdoados por Deus. — Hebreus 10:21, 22.

      22. Apesar de conceder perdão, o que Jeová talvez administre?

      22 Igual a um pai amoroso, Jeová às vezes, ao conceder perdão, também administra disciplina. (Provérbios 3:11, 12) O cristão arrependido talvez tenha de renunciar ao seu privilégio de servir como ancião, servo ministerial ou evangelizador de tempo integral. Possivelmente será doloroso para ele perder por algum tempo privilégios que lhe eram preciosos. Isso, porém, não significa que Jeová não o perdoou. Temos de nos lembrar que a disciplina da parte de Jeová é prova do seu amor por nós. Aceitá-la e aplicá-la só resultará em bem para nós. — Hebreus 12:5-11.

      23. Por que nunca deveríamos concluir que estamos além do alcance da misericórdia de Jeová? Por que devemos imitar o perdão divino?

      23 Como é reanimador saber que nosso Deus está “sempre pronto a perdoar”! Apesar dos erros que talvez tenhamos cometido, nunca devemos concluir que estamos além do alcance da misericórdia de Jeová. Se nos arrependermos de coração, tomarmos medidas para endireitar o erro e orarmos seriamente pedindo perdão à base do sangue derramado de Jesus, poderemos ter plena confiança em que Jeová nos perdoará. (1 João 1:9) Imitemos o seu perdão ao lidar com outros. Afinal, se Jeová, que não peca, nos perdoa tão amorosamente, não deveríamos nós, humanos pecadores, fazer todo o possível para perdoar uns aos outros?

      a Um erudito afirma que o escarlate “era uma cor firme, que não desbotava. Não saía com orvalho, chuva, lavagem nem com o uso”.

      Perguntas para Meditação

      • 2 Crônicas 33:1-13 Por que Jeová perdoou Manassés e o que isso nos ensina sobre Sua misericórdia?

      • Mateus 6:12, 14, 15 Por que devemos perdoar outros quando há base válida para isso?

      • Lucas 15:11-32 O que essa parábola nos ensina sobre a prontidão de Jeová de perdoar? O que acha disso?

      • 2 Coríntios 7:8-11 O que temos de fazer para receber o perdão divino?

  • “Como é grande a bondade dele!”
    Achegue-se a Jeová
    • Cachos de uvas maduras na videira.

      CAPÍTULO 27

      “Como é grande a bondade dele!”

      1, 2. O que a bondade de Deus inclui, e como a Bíblia enfatiza essa qualidade?

      BANHADO pelo reflexo de um belíssimo pôr do sol, um grupo de amigos faz uma refeição ao ar livre — riem e conversam, enquanto admiram a paisagem. Longe dali, um agricultor olha para as plantações e sorri satisfeito — estão se formando nuvens escuras que logo trarão as primeiras gotas de chuva. Em outro lugar, um homem e a esposa ficam orgulhosos de ver o filhinho dar os primeiros passos inseguros.

      2 Quer se deem conta disso quer não, todas essas pessoas estão se beneficiando da mesma coisa: a bondade de Jeová Deus. É comum ouvirmos pessoas religiosas dizerem: “Deus é bom!” Mas a Bíblia é muito mais enfática. Ela diz: “Como é grande a bondade dele!” (Zacarias 9:17) Parece, contudo, que poucas pessoas hoje sabem realmente o que significam essas palavras. O que, de fato, está envolvido na bondade de Jeová Deus? Como essa qualidade divina afeta cada um de nós?

      Uma faceta notável do amor de Deus

      3, 4. O que é bondade, e por que é mais correto descrever a bondade de Jeová como expressão do seu amor?

      3 Em muitas línguas modernas, “bondade” é um termo um tanto genérico. Seu uso bíblico, porém, é bem diferente. Primariamente, essa palavra refere-se a virtude e excelência moral. Pode-se dizer, então, que a bondade faz parte da própria natureza de Jeová. Todos os seus atributos — incluindo poder, justiça e sabedoria — são inteiramente bons. Mas é mais correto descrever a bondade como expressão do amor de Jeová. Por quê?

      4 A bondade é uma qualidade ativa, expressa em ações para com outros. Segundo o apóstolo Paulo, as pessoas se sentem mais atraídas a quem é bondoso do que a um justo. (Romanos 5:7) Pode-se confiar em que alguém justo siga fielmente os requisitos legais; mas quem é bom faz mais do que isso. Ele toma a iniciativa, procurando meios de beneficiar outros. Como veremos, é nesse sentido que Jeová é bom. A bondade divina deriva do seu amor infinito.

      5-7. Por que Jesus se recusou a ser chamado de “Bom Instrutor”, e que verdade profunda ele queria ensinar?

      5 No que se refere à bondade, Jeová é inigualável. Pouco antes da morte de Jesus, um homem se aproximou dele para fazer uma pergunta e chamou-o de “Bom Instrutor”. Jesus respondeu: “Por que você me chama de bom? Ninguém é bom, a não ser um só, Deus.” (Marcos 10:17, 18) Bem, você talvez fique um pouco perplexo com essa resposta. Por que Jesus corrigiu aquele homem? Afinal, Jesus era um “Bom Instrutor”, não era?

      6 É evidente que o homem usou as palavras “Bom Instrutor” como título lisonjeiro. Jesus modestamente direcionou toda a glória ao seu Pai celestial, que é bom em sentido absoluto. (Provérbios 11:2) Mas Jesus também estava explicando uma verdade profunda: Jeová fornece o único padrão pelo qual se pode determinar o que é bom. Somente ele tem o direito soberano de especificar o que é bom e o que é mau. Quando Adão e Eva, de forma rebelde, comeram da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, tentaram reivindicar para si esse direito. Diferentemente deles, Jesus de maneira humilde deixa que seu Pai decida esses assuntos.

      7 Além disso, Jesus sabia que Jeová é a Fonte de tudo o que é realmente bom. Ele é o Dador de “toda boa dádiva e todo presente perfeito”. (Tiago 1:17) Vejamos como a generosidade de Jeová revela sua bondade.

      Provas da imensa bondade de Jeová

      8. Como Jeová demonstra bondade para com toda a humanidade?

      8 Todos os humanos já se beneficiaram da bondade de Jeová. O Salmo 145:9 diz: “Jeová é bom para todos.” Quais são alguns exemplos de sua bondade ilimitada? A Bíblia diz: “Não [deixou] de dar testemunho de si mesmo, pois demonstrou sua bondade dando-lhes chuvas do céu e épocas de colheita abundante, satisfazendo-os com alimentos e enchendo seu coração de alegria.” (Atos 14:17) Já sentiu aquela sensação de prazer ao saborear uma deliciosa refeição? Se não fosse pela bondade de Jeová em projetar a Terra com seu suprimento reciclável de água doce e com “épocas de colheita abundante”, não haveria refeições. Jeová demonstra essa bondade não só para com os que o amam, mas para com todos. Jesus disse: “Ele faz o seu sol se levantar sobre os maus e sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.” — Mateus 5:45.

      9. Como a maçã ilustra a bondade de Jeová?

      9 Muitos tratam com descaso a impressionante generosidade que Jeová demonstra à humanidade ao fornecer continuamente sol, chuva e estações frutíferas. Por exemplo, pense na maçã. Trata-se de uma fruta muito comum nas regiões de clima temperado. É bonita, deliciosa, suculenta, refrescante e cheia de nutrientes vitais. Sabia que, no mundo todo, há cerca de 7.500 variedades de maçã? Existem maçãs das mais variadas cores (vermelhas, douradas, amarelas, verdes) e tamanhos (algumas são pouco maiores que uma cereja; outras, pouco menores que um coco). Uma semente de maçã parece insignificante. Mas quando cresce se torna uma das árvores mais bonitas que existe. (O Cântico de Salomão 2:3) Na primavera, a macieira fica coberta por um lindíssimo manto de flores; no outono, produz os frutos. A produção média anual de uma macieira — que dá frutos por cerca de 75 anos — é suficiente para encher 20 caixotes de quase 20 quilos cada um!

      Jeová nos dá “chuvas do céu e épocas de colheita abundante”

      Um pomar com maçãs maduras. A imagem ampliada mostra uma sementinha de maçã entre os dedos.

      Desta semente pequena nasce uma árvore que, por décadas, alimenta e dá prazer às pessoas

      10, 11. Como os nossos sentidos demonstram a bondade de Deus?

      10 Na sua infinita bondade, Jeová providenciou que nosso corpo fosse “feito maravilhosamente”, com sentidos que nos ajudam a perceber suas obras e ter prazer com elas. (Salmo 139:14) Pense de novo nas cenas descritas na introdução deste capítulo. O sentido da visão é que tornou esses momentos agradáveis. As bochechas coradas de uma criança feliz; a chuva caindo sobre os campos; o vermelho, dourado e violeta do pôr do sol — tudo isso agrada ao olho humano, que é capaz de distinguir centenas de milhares, talvez até milhões, de cores! E o sentido da audição nos permite notar as nuances de tom de voz de uma pessoa querida, o sussurro do vento entre as árvores, a risada gostosa de uma criancinha. Por que conseguimos desfrutar essas vistas e sons? A Bíblia diz: “O ouvido que ouve e o olho que vê, foi Jeová que fez a ambos.” (Provérbios 20:12) Mas esses são apenas dois dos sentidos.

      11 O olfato é outra prova da bondade de Jeová. O nariz humano é capaz de distinguir uma enorme quantidade de odores — as estimativas variam de milhares a 1 trilhão. Pense em alguns deles: sua comida favorita, flores, folhas caídas, a fumaça de uma lareira aconchegante. E o sentido do tato permite que você sinta a brisa suave no rosto, o abraço amigo de alguém que você ama, a suavidade de uma fruta. Quando você dá uma mordida nela, entra em ação o paladar. Sua boca é inundada por uma mistura de sabores sutis, à medida que as papilas gustativas captam a complexa composição química da fruta. De fato, temos motivos de sobra para exclamar sobre Jeová: “Como é grande a tua bondade! Tu a reservaste para os que te temem.” (Salmo 31:19) Mas como Jeová ‘reserva’ bondade para os que têm temor dele?

      Os benefícios eternos da bondade

      12. Quais são as dádivas mais importantes de Jeová e por quê?

      12 Jesus disse: “Está escrito: ‘O homem não deve viver somente de pão, mas de toda palavra que vem da boca de Jeová.’” (Mateus 4:4) De fato, as dádivas espirituais de Jeová podem nos beneficiar muito mais do que as físicas, pois resultam em vida eterna. No Capítulo 8 deste livro, vimos que, durante estes últimos dias, Jeová está usando seu poder para ajudar as pessoas a voltar a adorá-lo da maneira correta e para criar um paraíso espiritual. Uma das principais características desse paraíso é que nele há fartura de alimento espiritual.

      13, 14. (a) Que visão o profeta Ezequiel teve, e qual o significado dela para nós hoje? (b) Que dádivas espirituais vitalizadoras Jeová faz para seus servos fiéis?

      13 Numa das grandes profecias bíblicas sobre restauração, o profeta Ezequiel recebeu uma visão dum templo restaurado e glorificado, de onde fluía um rio, que se alargava e aprofundava até se tornar uma torrente. Por todo lugar onde passava, aquele rio trazia bênçãos. Nas suas margens, cresciam árvores que forneciam alimento e cura. O rio até mesmo trouxe vida e prosperidade ao mar Morto, que é extremamente salgado e sem vida. (Ezequiel 47:1-12) Mas o que significava tudo isso?

      14 A visão do templo indicava que Jeová restauraria a adoração pura. Ela voltaria a seguir os padrões justos dele. Como o rio daquela visão, as dádivas de Deus para a vida fluiriam para o Seu povo em quantidades cada vez maiores. Desde que a adoração pura foi restaurada em 1919, Jeová tem abençoado seu povo com dádivas vitalizadoras. Como? Bíblias, publicações bíblicas, reuniões e congressos levam verdades vitais a milhões de pessoas. Por esses meios, Jeová lhes ensina sobre sua dádiva mais importante para a vida: o sacrifício de resgate de Cristo, que torna possível que todos os que realmente amam e temem a Deus tenham uma posição limpa perante ele e esperança de vida eterna.a Assim, ao longo desses últimos dias, ao passo que o mundo está espiritualmente faminto, o povo de Jeová usufrui um banquete espiritual. — Isaías 65:13.

      15. Em que sentido a bondade de Jeová fluirá para a humanidade durante o Reinado Milenar de Cristo?

      15 Mas o rio da visão de Ezequiel não vai parar de correr quando este velho sistema chegar ao fim. Pelo contrário, ele fluirá com ímpeto ainda maior durante o Reinado Milenar de Cristo. Então, por meio do Reino messiânico, Jeová aplicará o pleno valor do sacrifício de Jesus, elevando gradativamente a humanidade fiel à perfeição. Como exultaremos então por causa da bondade de Jeová!

      Facetas adicionais da bondade de Jeová

      16. Como a Bíblia mostra que a bondade de Jeová inclui outras qualidades, e quais são algumas dessas?

      16 A bondade divina envolve mais do que generosidade. Deus disse a Moisés: “Farei toda a minha bondade passar diante de você e vou declarar diante de você o nome de Jeová.” Mais adiante o relato diz: “Jeová passou diante dele, declarando: ‘Jeová, Jeová, Deus misericordioso e compassivo, paciente e cheio de amor leal e de verdade.’” (Êxodo 33:19; 34:6) Assim, a bondade de Jeová inclui várias qualidades excelentes. Vamos analisar só duas delas.

      17. Como Jeová lida com meros humanos imperfeitos, e que qualidade faz com que ele aja assim?

      17 “Compassivo.” Essa qualidade de Jeová faz com que ele seja educado e acessível ao lidar com suas criaturas. Em vez de ser grosseiro, frio ou tirânico, como muitas vezes são os que detêm poder, Jeová é gentil e bondoso. Por exemplo, Jeová disse a Abrão: “Levante os olhos, por favor; do lugar onde você está, olhe para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste.” (Gênesis 13:14) Muitas traduções omitem a expressão “por favor”. Mas eruditos bíblicos afirmam que a fraseologia usada no hebraico original inclui uma partícula que transforma uma ordem em um pedido educado. Há outras ocorrências semelhantes. (Gênesis 31:12; Ezequiel 8:5) Imagine só: o Soberano do Universo diz “por favor” a meros humanos! Num mundo onde a grosseria, a agressividade e a descortesia são a norma, não é reanimador lembrar-nos de que o nosso Deus clemente, Jeová, é educado e acessível?

      18. Em que sentido Jeová é “cheio de . . . verdade”, e por que essas palavras são reanimadoras?

      18 “Cheio de . . . verdade.” A desonestidade é comum no mundo hoje. Mas a Bíblia nos lembra: “Deus não é um homem para mentir.” (Números 23:19) De fato, Tito 1:2 diz que “Deus . . . não pode mentir”. Ele é bom demais para isso. Assim, as promessas de Jeová são completamente dignas de confiança; sua palavra sempre se cumpre. Ele é até mesmo chamado de “Deus da verdade”. (Salmo 31:5) Além de não mentir, ele transmite uma abundância de verdades. Não é reservado, fechado ou cheio de segredos; pelo contrário, ele generosamente usa sua infindável sabedoria para dar esclarecimentos aos seus servos fiéis.b Ele até mesmo os ensina a viver de acordo com as verdades que transmite, de modo que possam continuar “andando na verdade”. (3 João 3) Que efeito a bondade de Jeová deveria ter em cada um de nós?

      ‘Fique radiante com a bondade de Jeová’

      19, 20. (a) Como Satanás procurou abalar a confiança de Eva na bondade de Jeová, e qual foi o resultado? (b) A bondade de Jeová deve ter que efeito sobre nós, e por quê?

      19 Quando Satanás tentou Eva no jardim do Éden, sua primeira tática foi abalar sutilmente a confiança dela na bondade de Jeová. O Criador dissera a Adão: “De toda árvore do jardim, você pode comer à vontade.” Dos milhares de árvores que devem ter adornado aquele jardim, Jeová reservara apenas uma. Mas note como Satanás formulou sua primeira pergunta a Eva: “Foi isso mesmo que Deus disse, que vocês não devem comer de toda árvore do jardim?” (Gênesis 2:9, 16; 3:1) Satanás distorceu as palavras de Jeová para fazer Eva pensar que Ele a estava impedindo de ter algo bom. Infelizmente, a tática funcionou. Eva, como muitos homens e mulheres depois dela, começou a duvidar da bondade de Deus, a fonte de tudo o que ela possuía.

      20 Todos sabemos quais foram os lastimáveis resultados dessas dúvidas. Por isso, tenhamos bem em mente as palavras de Jeremias 31:12: “Eles . . . ficarão radiantes com a bondade de Jeová.” A bondade de Deus deveria, de fato, nos deixar extremamente alegres. Não precisamos duvidar das motivações de nosso Deus bondoso. Podemos confiar totalmente nele, porque ele deseja só o bem para aqueles que o amam.

      21, 22. (a) De que maneiras você pode corresponder à bondade de Jeová? (b) Que qualidade analisaremos no próximo capítulo, e em que ela difere da bondade?

      21 Além disso, ficamos contentes quando temos oportunidades de falar a outros sobre a bondade de Deus. A respeito do Seu povo, o Salmo 145:7 diz: “Falarão empolgados ao lembrar da tua imensa bondade.” A cada dia da nossa vida, nos beneficiamos de alguma forma da bondade de Jeová. Que tal tomar por hábito agradecer a Jeová todo dia por sua bondade, sendo o mais específico possível? Se pensarmos nessa qualidade, agradecermos a Jeová diariamente por demonstrá-la e falarmos a outros sobre ela, ficará mais fácil imitarmos nosso Deus bondoso. E à medida que buscarmos maneiras de fazer o que é bom, como Jeová faz, nos achegaremos cada vez mais a ele. O idoso apóstolo João escreveu: “Amado, não imite o que é mau, mas imite o que é bom. Quem faz o bem se origina de Deus.” — 3 João 11.

      22 A bondade de Jeová está relacionada a outras qualidades. Por exemplo, Deus é “cheio de amor leal”. (Êxodo 34:6) Essa qualidade é mais específica do que a bondade, pois Jeová a expressa em especial para com seus servos fiéis. No próximo capítulo, aprenderemos como ele faz isso.

      a O resgate é o maior exemplo da bondade de Jeová. Entre os milhões de criaturas espirituais que Jeová poderia ter escolhido, ele selecionou seu amado Filho unigênito para morrer a nosso favor.

      b Apropriadamente, a Bíblia relaciona verdade com luz. “Envia a tua luz e a tua verdade”, cantou o salmista. (Salmo 43:3) Jeová emite muita luz espiritual para os que se dispõem a ser ensinados, ou esclarecidos, por ele. — 2 Coríntios 4:6; 1 João 1:5.

      Perguntas para Meditação

      • 1 Reis 8:54-61, 66 Como Salomão expressou sua gratidão pela bondade de Jeová e que efeito isso teve sobre os israelitas?

      • Salmo 119:66, 68 Como as nossas orações podem refletir o desejo de imitar a bondade de Jeová?

      • Lucas 6:32-38 O que poderá nos motivar a imitar o espírito generoso de Jeová?

      • Romanos 12:2, 9, 17-21 Como podemos demonstrar bondade no cotidiano?

  • “Só tu és leal”
    Achegue-se a Jeová
    • A Lua numa noite clara.

      CAPÍTULO 28

      “Só tu és leal”

      1, 2. Por que se pode dizer que o Rei Davi sabia muito bem o que era deslealdade?

      O REI Davi sabia muito bem o que era deslealdade. A certa altura de seu reinado turbulento, ele se viu confrontado com intrigas e tramas às mãos de seus próprios conterrâneos. Além disso, foi traído por alguns daqueles que deveriam ser seus companheiros mais achegados. Por exemplo, Mical, sua primeira esposa, de início “estava apaixonada por Davi”, sem dúvida apoiando-o em seus deveres reais. Mais tarde, porém, ela “começou a desprezá-lo no coração”, até mesmo encarando Davi como “um tolo”. — 1 Samuel 18:20; 2 Samuel 6:16, 20.

      2 Outro exemplo de traição na vida de Davi foi o de seu conselheiro pessoal, Aitofel. Seus conselhos, muito apreciados, eram considerados como a palavra do próprio Jeová. (2 Samuel 16:23) Mas com o tempo esse confidente de Davi tornou-se um traidor, juntando-se a uma rebelião organizada contra o rei. E quem era o instigador da conspiração? Um dos próprios filhos de Davi, Absalão! Aquele oportunista astuto “conquistava a lealdade dos homens de Israel”, estabelecendo-se como rei rival. A revolta de Absalão atingiu tamanhas proporções que o Rei Davi foi obrigado a fugir para salvar a vida. — 2 Samuel 15:1-6, 12-17.

      3. Que confiança Davi tinha?

      3 Será que, durante todas aquelas provações, ninguém permaneceu leal a Davi? Aquele rei sabia que alguém sempre lhe era leal. Quem? Ninguém mais ninguém menos do que Jeová Deus. “Com alguém leal, ages com lealdade”, disse Davi a Jeová. (2 Samuel 22:26) O que é lealdade e como Jeová dá o melhor exemplo em demonstrá-la?

      O que é lealdade?

      4, 5. (a) O que é “lealdade”? (b) Em que sentido lealdade e fidelidade são diferentes?

      4 “Lealdade”, conforme usada nas Escrituras Hebraicas, é bondade que amorosamente se apega ao objeto dessa lealdade e não desiste até que seu propósito com relação a ele se realize. Ela vai além da fidelidade, ou confiabilidade. Afinal, alguém pode ser fiel apenas por senso de dever. Em contraste com isso, a lealdade baseia-se no amor.a A palavra “fiel” também pode ser usada para descrever coisas inanimadas. Por exemplo, o salmista chamou a Lua de “fiel testemunha nos céus” devido à regularidade com que ela surge. (Salmo 89:37) Mas não se pode dizer que a Lua é leal. Por que não? Porque a lealdade é uma expressão de amor, uma qualidade que coisas inanimadas não podem demonstrar.

      A Lua é chamada de testemunha fiel, mas apenas criaturas vivas e inteligentes são capazes de refletir a lealdade de Jeová

      5 No sentido bíblico, a lealdade é uma qualidade cordial. Pressupõe um relacionamento entre aquele que demonstra lealdade e a pessoa a quem ela é demonstrada. Não se trata de uma qualidade instável, como as ondas do mar, alteradas por ventos mutáveis. Pelo contrário, a lealdade, ou amor leal, tem estabilidade e força para superar os mais difíceis obstáculos.

      6. (a) Atualmente, até que ponto a lealdade é rara entre os humanos, e como isso é indicado na Bíblia? (b) Qual é a melhor maneira de aprender o que significa lealdade, e por quê?

      6 É verdade que esse tipo de lealdade é raro atualmente. Muitos companheiros achegados estão “prontos para acabar um com o outro”. Cada vez mais ouvimos falar em pessoas que abandonam o marido ou a esposa. (Provérbios 18:24; Malaquias 2:14-16) A traição é tão comum que talvez digamos, como o profeta Miqueias: “Desapareceu da terra quem é leal.” (Miqueias 7:2) Embora os humanos muitas vezes falhem em demonstrar lealdade, essa é uma qualidade destacada de Jeová e muito valiosa. De fato, a melhor maneira de aprender exatamente o que significa lealdade é examinar como Jeová demonstra essa faceta notável do seu amor.

      A incomparável lealdade de Jeová

      7, 8. Por que se pode dizer que só Jeová é leal?

      7 Sobre Jeová, a Bíblia diz: “Só tu és leal.” (Apocalipse 15:4) Por que se diz isso? Não é verdade que humanos e anjos têm às vezes demonstrado lealdade notável? (Jó 1:1; Apocalipse 4:8) E pense em Jesus Cristo. Não é ele a pessoa mais leal a Deus? (Salmo 16:10) Por que, então, se pode dizer que só Jeová é leal?

      8 Primeiro, lembre-se de que a lealdade é uma faceta do amor. Visto que “Deus é amor” — é a própria personificação dessa qualidade —, quem poderia demonstrar lealdade mais plenamente do que ele? (1 João 4:8) É claro que anjos e humanos são capazes de refletir os atributos divinos, mas apenas Jeová é leal em grau superlativo. Como “o Antigo de Dias”, ele demonstra lealdade há muito mais tempo do que qualquer criatura na Terra ou no céu. (Daniel 7:9) De modo que Jeová é a lealdade em pessoa. Ele demonstra essa qualidade de um modo que nenhuma criatura é capaz de igualar. Veja alguns exemplos.

      9. Como Jeová é “leal em tudo o que faz”?

      9 Jeová é “leal em tudo o que faz”. (Salmo 145:17) De que modo? O Salmo 136 dá a resposta. Nele, citam-se vários atos salvadores de Jeová, incluindo a extraordinária libertação dos israelitas quando os conduziu pelo mar Vermelho. O interessante é que todos os versículos desse salmo terminam com a expressão: “O seu amor leal dura para sempre.” Lendo esse salmo — incluído nas “Perguntas para Meditação”, na página 289 —, é impossível não ficar impressionado com os muitos modos em que Jeová usou de amor leal para com seu povo. De fato, Deus demonstra lealdade para com seus servos fiéis ouvindo seus pedidos de ajuda e agindo no tempo devido. (Salmo 34:6) O amor leal de Jeová para com seus servos é inabalável, desde que estes permaneçam leais a ele.

      10. Como Jeová demonstra lealdade no que se refere às suas normas?

      10 Além disso, Jeová demonstra lealdade aos seus servos apegando-se às suas normas. Ao contrário de alguns humanos volúveis, que se deixam levar por caprichos pessoais ou sentimentalismo, Jeová não vacila nos seus conceitos do que é certo e do que é errado. Ao longo dos milênios, seu ponto de vista em relação a questões como espiritismo, idolatria e assassinato não mudou. “Até a sua velhice, eu serei o mesmo”, declarou ele por meio do profeta Isaías. (Isaías 46:4) Assim, podemos ter confiança que, se seguirmos as claras orientações morais encontradas na Palavra de Deus, sempre seremos beneficiados. — Isaías 48:17-19.

      11. Dê exemplos que comprovam que Jeová é fiel a suas promessas.

      11 Outra maneira de Jeová demonstrar lealdade é cumprindo suas promessas. Tudo o que ele prediz se cumpre. Assim, ele podia declarar: “A palavra que sai da minha boca . . . não voltará a mim sem resultados, mas certamente realizará o que for do meu agrado, e sem falta cumprirá o objetivo para o qual a enviei.” (Isaías 55:11) Permanecendo fiel à sua palavra, Jeová demonstra lealdade para com seu povo. Ele não os deixa na expectativa ansiosa de algo que não pretende tornar realidade. Nesse sentido, a reputação de Jeová é tão impecável que seu servo Josué pôde dizer: “De todas as boas promessas que Jeová havia feito à casa de Israel, nem uma única promessa falhou; todas elas se cumpriram.” (Josué 21:45) Podemos confiar, então, que nunca ficaremos desapontados por causa de alguma falha da parte de Jeová em cumprir suas promessas. — Isaías 49:23; Romanos 5:5.

      12, 13. Em que sentidos o amor leal de Jeová “dura para sempre”?

      12 Conforme já mencionado, a Bíblia nos diz que o amor leal de Jeová “dura para sempre”. (Salmo 136:1) Como isso se dá? Um aspecto é que Jeová perdoa pecados permanentemente. Como vimos no Capítulo 26, ele não repisa erros passados dos quais a pessoa já tenha sido perdoada. Visto que “todos pecaram e não atingem a glória de Deus”, deveríamos ser gratos de que o amor leal de Jeová dura para sempre. — Romanos 3:23.

      13 Mas o amor leal de Deus dura para sempre também em outro sentido. Sua Palavra diz que o justo “será como uma árvore plantada junto a correntes de água, uma árvore que dá fruto na sua estação e cuja folhagem não murcha. Tudo o que ele fizer será bem-sucedido”. (Salmo 1:3) Imagine uma árvore frondosa cuja folhagem nunca murcha. De modo similar, se tivermos apreço genuíno pela Palavra de Deus, nossa vida será longa, pacífica e frutífera. As bênçãos que Jeová lealmente concederá aos seus servos fiéis serão eternas. De fato, no novo mundo justo que ele trará, a humanidade obediente desfrutará o seu amor leal para sempre. — Apocalipse 21:3, 4.

      Jeová “não abandonará aqueles que lhe são leais”

      14. Como Jeová demonstra apreço pela lealdade dos seus servos?

      14 Jeová, com frequência, demonstra lealdade para com seus servos fiéis e, como ele é perfeito, a intensidade dessa qualidade nunca diminui. O salmista escreveu: “Fui jovem e agora sou velho, mas nunca vi um justo abandonado nem os seus filhos procurando pão. Pois Jeová ama a justiça e não abandonará aqueles que lhe são leais.” (Salmo 37:25, 28) É verdade que, sendo o Criador, Jeová merece nossa adoração. (Apocalipse 4:11) Mesmo assim, por ser leal ele aprecia nossos atos fiéis. — Malaquias 3:16, 17.

      15. Explique como os tratos de Jeová com Israel ressaltam Sua lealdade.

      15 No seu amor leal, Jeová vez após vez vem em auxílio do seu povo quando esse passa por dificuldades. O salmista nos diz: “Ele guarda a vida dos que lhe são leais; livra-os da mão dos maus.” (Salmo 97:10) Veja os seus tratos com a nação de Israel. Depois de serem milagrosamente libertados através do mar Vermelho, os israelitas proclamaram o seguinte, em um cântico para Jeová: “No teu amor leal guiaste o povo que resgataste.” (Êxodo 15:13) A libertação no mar Vermelho sem dúvida foi um ato de amor leal da parte de Jeová. Por isso, Moisés disse aos israelitas: “Não foi por serem o mais numeroso de todos os povos que Jeová mostrou afeição por vocês e os escolheu, pois vocês eram o menor de todos os povos. Mas foi porque Jeová os amou e porque cumpriu o juramento que havia feito aos seus antepassados. Por isso, Jeová os tirou de lá com mão poderosa, para o resgatar da terra da escravidão, do poder de Faraó, rei do Egito.” — Deuteronômio 7:7, 8.

      16, 17. (a) Os israelitas mostraram que lamentável falta de apreço, mas como Jeová mostrou compaixão para com eles? (b) Como a maioria dos israelitas demonstrou que “não havia mais remédio” para eles, e o que isso nos ensina?

      16 Sabemos muito bem que a nação de Israel, como um todo, deixou de demonstrar apreço pelo amor leal de Jeová, porque depois de sua libertação “eles continuaram a pecar contra [Jeová], rebelando-se contra o Altíssimo”. (Salmo 78:17) Ao longo dos séculos, rebelaram-se vez após vez, abandonando a Jeová e voltando-se para deuses falsos e práticas pagãs que só resultaram em corrupção entre eles. Mesmo assim, Jeová não rompeu seu pacto. Em vez disso, por meio do profeta Jeremias, ele implorou ao povo: “Volte para mim, rebelde Israel . . . Não olharei com ira para vocês, pois eu sou leal.” (Jeremias 3:12) Como vimos no Capítulo 25, porém, a maioria dos israelitas não se comoveu com essa súplica. De fato, “caçoavam dos mensageiros do verdadeiro Deus, desprezavam as Suas palavras e zombavam dos seus profetas”. Com que resultado? Por fim, “o furor de Jeová veio contra o seu povo e não havia mais remédio”. — 2 Crônicas 36:15, 16.

      17 O que aprendemos disso? Que a lealdade de Jeová não é cega nem ingênua. É verdade que Deus é “cheio de amor leal” e tem prazer em mostrar misericórdia quando existe base para isso. Mas como ele reage quando um transgressor demonstra ser incorrigivelmente perverso? Nesse caso, Jeová adere a suas próprias normas justas e pune o pecador. Como se disse a Moisés, Jeová “de modo algum deixará impune o culpado”. — Êxodo 34:6, 7.

      18, 19. (a) Como a punição que Jeová trará sobre os perversos é em si mesma um ato de lealdade? (b) De que modo Jeová demonstrará lealdade para com os seus servos que foram perseguidos até a morte?

      18 A própria punição que Deus trará sobre os perversos já é em si mesma um ato de lealdade. Como assim? Para entender isso, veja a ordem que Jeová deu a sete anjos numa visão registrada no livro de Apocalipse: “Vão e derramem sobre a terra as sete tigelas da ira de Deus.” Quando o terceiro anjo derrama sua tigela “nos rios e nas fontes de água”, eles se transformam em sangue. Daí, o anjo diz a Jeová: “Tu, Aquele que é e que era, o Leal, és justo, pois decretaste esses julgamentos, pois eles derramaram o sangue dos santos e dos profetas, e tu lhes deste sangue para beber; isso é o que merecem.” — Apocalipse 16:1-6.

      19 Note que, no meio da mensagem de julgamento, o anjo se refere a Jeová como “o Leal”. Por quê? Porque ao destruir os maus Jeová demonstra lealdade aos seus servos, muitos dos quais foram perseguidos até a morte. Lealmente, Jeová os mantém bem vivos na memória. Ele anseia ver de novo esses seus servos fiéis que faleceram e, como a Bíblia confirma, seu propósito é recompensá-los por meio da ressurreição. (Jó 14:14, 15) Jeová não se esquece de seus servos leais simplesmente porque eles não estão mais vivos. Pelo contrário, “para ele, todos eles vivem”. (Lucas 20:37, 38) O propósito do Criador de trazer de volta à vida todos os que estão na sua memória é uma forte comprovação de sua lealdade.

      Jeová lealmente se lembrará dos que foram leais até a morte e os ressuscitará

      Bernard Luimes (à esquerda) e Wolfgang Kusserow (ao centro) foram executados pelos nazistas

      Moses Nyamussua (à direita) foi morto com lanças por um grupo político

      O amor leal de Jeová abre o caminho para a salvação

      20. Quem são os “vasos de misericórdia”, e como Jeová lhes demonstrou lealdade?

      20 Ao longo de toda a História, Jeová tem demonstrado notável lealdade para com humanos fiéis. De fato, durante milhares de anos, ele “tolerou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a destruição”. Por quê? “Ele fez isso a fim de dar a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que ele preparou antecipadamente para glória.” (Romanos 9:22, 23) Esses “vasos de misericórdia” são humanos de disposição correta que foram ungidos pelo espírito santo para serem herdeiros com Cristo no seu Reino. (Mateus 19:28) Ao abrir o caminho da salvação para esses vasos de misericórdia, Jeová demonstrou sua lealdade a Abraão, a quem fizera a seguinte promessa relacionada com seu pacto: “Todas as nações da terra obterão para si uma bênção por meio do seu descendente, porque você escutou a minha voz.” — Gênesis 22:18.

      Irmãos e irmãs felizes de diferentes idades e etnias.

      Devido à lealdade de Jeová, todos os seus servos fiéis têm uma esperança em que podem confiar

      21. (a) Como Jeová demonstra lealdade a “uma grande multidão” que tem a perspectiva de sobreviver à “grande tribulação”? (b) A lealdade de Jeová motiva você a fazer o quê?

      21 De modo similar, Jeová demonstra lealdade a “uma grande multidão” que tem a perspectiva de sobreviver à “grande tribulação”. (Apocalipse 7:9, 10, 14) Embora esses servos seus sejam imperfeitos, o Criador lealmente lhes apresenta a oportunidade de viver para sempre no Paraíso na Terra. Como faz isso? Por meio do resgate: a maior demonstração da lealdade de Jeová. (João 3:16; Romanos 5:8) Essa qualidade atrai os que, de coração, anseiam a justiça. (Jeremias 31:3) Não se sente mais achegado a Jeová por causa da grande lealdade que ele demonstrou e ainda demonstrará? Se o nosso desejo é nos achegar mais a Deus, demonstremos isso reagindo favoravelmente ao seu amor, fortalecendo nossa determinação de servi-lo com lealdade.

      a O interessante é que a palavra traduzida “lealdade” em 2 Samuel 22:26 é em outras partes traduzida “amor leal”.

      Perguntas para Meditação

      • 1 Samuel 24:1-22 Ao lidar com o Rei Saul, como Davi demonstrou o tipo de lealdade que Jeová aprecia?

      • Ester 3:7-9; 4:6–5:1 Como Ester refletiu a lealdade divina no modo como tratou seu povo, a ponto de arriscar a própria vida?

      • Salmo 136:1-26 O que esse salmo nos ensina sobre o amor leal de Jeová?

      • Obadias 1-4, 10-16 Como a lealdade de Jeová ao seu povo o motivou a punir os edomitas por sua conduta desleal?

  • “Conhecer o amor do Cristo”
    Achegue-se a Jeová
    • Jesus mostrando compaixão a alguém.

      CAPÍTULO 29

      “Conhecer o amor do Cristo”

      1-3. (a) O que motivou Jesus a querer ser como seu Pai? (b) Que facetas do amor de Jesus examinaremos?

      JÁ OBSERVOU um menininho tentando imitar o jeito de o pai caminhar, falar ou agir? Com o tempo, ele possivelmente aprenderá até os valores morais e espirituais do pai. De fato, por causa do amor e da admiração que sente por seu pai amoroso, o filho quer ser como ele.

      2 Como é o relacionamento entre Jesus e seu Pai celestial? “Eu amo o Pai”, disse Jesus em certa ocasião. (João 14:31) Ninguém ama a Jeová mais do que seu Filho, que estava ao lado do Pai muito antes de qualquer outra criatura vir a existir. O amor motivou esse Filho leal a querer ser como o Pai. — João 14:9.

      3 Em capítulos anteriores deste livro, vimos como Jesus imitou com perfeição o poder, a justiça e a sabedoria de Jeová. Como, porém, ele refletiu o amor de seu Pai? Examinemos três facetas do amor de Jesus: o espírito abnegado, a terna compaixão e a disposição de perdoar.

      “Ninguém tem maior amor”

      4. Como Jesus deu o maior exemplo de amor abnegado por parte de um humano?

      4 Jesus foi um excelente exemplo de amor abnegado. Abnegação envolve altruistamente pôr as necessidades e preocupações de outros à frente das nossas. Como Jesus demonstrou esse tipo de amor? Ele mesmo explicou: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.” (João 15:13) Jesus voluntariamente deu sua vida perfeita por nós. Essa foi a maior expressão de amor já feita por um humano. Mas ele também mostrou amor abnegado de outras maneiras.

      5. Por que deixar os céus foi um sacrifício amoroso da parte do Filho unigênito de Deus?

      5 Em sua existência pré-humana, o Filho unigênito de Deus tinha uma posição privilegiada e exaltada nos céus. Teve associação íntima com Jeová e com multidões de criaturas espirituais. Abrindo mão desses privilégios, o Filho amado “abriu mão de tudo que tinha, assumiu a forma de escravo e se tornou humano”. (Filipenses 2:7) Ele voluntariamente veio viver entre humanos pecadores num mundo que “está no poder do Maligno”. (1 João 5:19) Não foi esse um sacrifício amoroso da parte do Filho de Deus?

      6, 7. (a) De que modos Jesus demonstrou amor abnegado durante seu ministério terrestre? (b) Que exemplo comovente de amor altruísta encontramos em João 19:25-27?

      6 Ao longo do seu ministério terrestre, Jesus demonstrou amor abnegado de várias maneiras. Ele era totalmente altruísta. Estava tão envolvido no seu trabalho que se dispôs a abrir mão dos confortos normais a que o homem está acostumado. “As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos”, disse ele, “mas o Filho do Homem não tem onde deitar a cabeça”. (Mateus 8:20) Jesus era carpinteiro profissional e poderia ter tirado tempo para construir uma casa confortável para morar, ou para fazer lindos móveis e vendê-los a fim de ter dinheiro extra. Mas não usou suas habilidades para conseguir bens.

      7 Um exemplo realmente comovente do amor abnegado de Jesus se encontra em João 19:25-27. Imagine como Jesus devia estar preocupado na tarde da sua morte! Enquanto sofria na estaca, ele pensava nos seus discípulos, na obra de pregação, e especialmente na própria integridade e em como ela refletiria sobre o nome de seu Pai. De fato, o futuro de toda a humanidade estava nas mãos dele! Mas um pouco antes de morrer, Jesus mostrou preocupação com sua mãe, Maria, que aparentemente já era viúva. Ele pediu que João cuidasse dela como se fosse sua própria mãe e, depois disso, o apóstolo levou-a para a casa dele. Assim, Jesus providenciou que se cuidassem das necessidades materiais e espirituais de sua mãe. Que comovente demonstração de amor altruísta!

      “Teve pena”

      8. Qual é o sentido da palavra grega que a Bíblia usa para descrever a compaixão de Jesus?

      8 Como seu Pai, Jesus tinha compaixão. As Escrituras descrevem-no como alguém que fazia de tudo para ajudar os necessitados porque se sentia profundamente comovido. Ao descrever a compaixão de Jesus, a Bíblia usa uma palavra grega que é traduzida “teve pena”. Um erudito diz o seguinte a respeito dela: “Descreve . . . uma emoção que comove o homem até às próprias profundezas do seu ser. É a palavra mais enfática em grego para o sentimento da compaixão.” Vejamos algumas situações em que Jesus sentiu profunda compaixão que o motivou a agir.

      9, 10. (a) Que circunstâncias levaram Jesus e seus apóstolos a buscar um lugar sossegado? (b) Como Jesus reagiu diante da falta de privacidade e por quê?

      9 Motivado a atender às necessidades espirituais. O relato de Marcos 6:30-34 mostra o que, principalmente, levou Jesus a expressar pena. Imagine a cena. Os apóstolos estavam alegres porque haviam acabado de voltar de uma extensa viagem de pregação. Quando encontraram Jesus, contaram-lhe com entusiasmo todas as coisas que haviam visto e ouvido. Mas ajuntou-se uma grande multidão, de modo que Jesus e os apóstolos não tiveram tempo nem para comer. Muito observador, ele notou que os apóstolos estavam cansados. Disse-lhes: “Venham comigo, vamos sozinhos a um lugar isolado para descansar um pouco.” Entraram num barco e atravessaram a extremidade norte do mar da Galileia, rumo a um lugar sossegado. Mas a multidão os viu partir. Outros ficaram sabendo disso. Todos eles correram ao longo da costa norte e chegaram ao outro lado antes do barco!

      10 Será que Jesus ficou irritado com essa falta de privacidade? De modo algum! Ao ver milhares de pessoas esperando-o, ficou comovido de coração. Marcos escreveu: “Ele viu uma grande multidão e teve pena deles, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a lhes ensinar muitas coisas.” Jesus percebeu as necessidades espirituais dessas pessoas. Eram como ovelhas perdidas, sem pastor para guiá-las ou protegê-las. Jesus sabia que, em vez de agirem como pastores amorosos, os líderes religiosos insensíveis desprezavam o povo. (João 7:47-49) Penalizado, começou a ensinar-lhes sobre o “Reino de Deus”. (Lucas 9:11) Note que Jesus sentiu pena das pessoas antes de ver qual seria a reação delas aos seus ensinos. Em outras palavras, a terna compaixão não foi o resultado de seu ensino às multidões, mas o motivo de ele ensiná-las.

      Jesus mostra compaixão a um leproso, tocando nele. As pessoas em volta sentem aversão ao olhar para o leproso.

      “Estendeu a mão, tocou no homem”

      11, 12. (a) Como os leprosos eram encarados nos tempos bíblicos, mas como Jesus reagiu quando um homem “coberto de lepra” se aproximou dele? (b) Como o toque de Jesus possivelmente afetou o leproso, e como o relato dum médico nos ajuda a entender isso?

      11 Motivado a aliviar o sofrimento. Pessoas com várias doenças percebiam a compaixão de Jesus e, por isso, se achegavam a ele. Isso ficou especialmente evidente quando um homem “coberto de lepra” se aproximou de Jesus e da multidão que o seguia. (Lucas 5:12) Nos tempos bíblicos, os leprosos ficavam de quarentena para proteger os outros contra a contaminação. (Números 5:1-4) Com o tempo, porém, os líderes rabínicos desenvolveram um conceito cruel em relação à lepra e impuseram suas próprias regras opressivas.a Note, porém, como Jesus respondeu ao leproso: “Aproximou-se dele também um leproso, suplicando-lhe até de joelhos: ‘Se o senhor apenas quiser, pode me purificar.’ Em vista disso, ele teve pena; e estendeu a mão, tocou no homem e lhe disse: ‘Eu quero! Seja purificado.’ Imediatamente a lepra desapareceu dele.” (Marcos 1:40-42) Jesus sabia que, pela lei, o leproso não poderia nem estar ali. Mesmo assim, em vez de rejeitá-lo, Jesus ficou tão profundamente comovido que fez algo impensável: tocou no homem!

      12 Consegue imaginar o que aquele toque significou para o leproso? Para ajudá-lo a entender, acompanhe o relato do Dr. Paul Brand, especialista em lepra. Ele conta que, ao examinar um leproso na Índia, colocou a mão no ombro do homem e explicou, por meio de uma intérprete, o tratamento a que ele teria de se submeter. De repente, o leproso começou a chorar. “Eu disse algo que não devia?”, perguntou o médico. A intérprete perguntou ao jovem na língua dele e respondeu: “Não, doutor. Ele disse que está chorando porque o senhor colocou a mão no ombro dele. Fazia anos que ninguém tocava nele.” Para o leproso que se aproximou de Jesus, aquele toque teve um significado ainda maior. Resultou no fim da doença que o transformara num pária!

      13, 14. (a) Com o que Jesus se deparou ao se aproximar da cidade de Naim, e por que essa era uma situação especialmente trágica? (b) A compaixão de Jesus o moveu a fazer o que a favor da viúva de Naim?

      13 Motivado a acabar com o pesar. Jesus ficava muito comovido com o pesar alheio. Analise, por exemplo, o relato de Lucas 7:11-15. Naquela ocasião, mais ou menos no meio do seu ministério, Jesus se aproximava da cidade galileia de Naim quando se deparou com um cortejo fúnebre, próximo ao portão da cidade. As circunstâncias envolvidas eram especialmente trágicas. Um jovem — filho único de uma viúva — havia morrido. Ela já passara, em outra ocasião, por algo semelhante ao perder o marido. Agora, seu filho, talvez a única fonte de sustento, estava morto. A multidão acompanhante talvez incluísse outros pranteadores declamando lamentações e músicos tocando melodias fúnebres. (Jeremias 9:17, 18; Mateus 9:23) Mas o olhar de Jesus fixou-se na mãe aflita que, sem dúvida, caminhava perto do esquife que transportava o corpo do filho.

      14 Jesus “teve pena” da mãe enlutada. Num tom reanimador, ele lhe disse: “Pare de chorar.” Sem ser convidado, aproximou-se e tocou no esquife. Os carregadores — e talvez o resto da multidão — pararam. Com voz de autoridade, Jesus falou para o corpo sem vida: “Jovem, eu lhe digo: Levante-se!” O que aconteceu? “O morto se sentou e começou a falar” como se tivesse sido acordado de um sono profundo! Note esta descrição comovente do que aconteceu a seguir: “E Jesus o entregou à sua mãe.”

      15. (a) Os relatos bíblicos que falam de Jesus ter pena mostram que ligação entre compaixão e ações? (b) Como podemos imitar Jesus nesse respeito?

      15 O que aprendemos desses relatos? Em cada caso, note a ligação entre compaixão e ações. Jesus não conseguia observar o sofrimento alheio sem sentir pena, e essa compaixão, por sua vez, o impelia a agir. Como podemos seguir o exemplo dele? Como cristãos, temos a obrigação de pregar as boas novas e fazer discípulos. Em primeiro lugar, somos motivados pelo amor a Deus. Mas lembre-se de que essa obra também é motivada pela compaixão. Se sentirmos pena das pessoas como Jesus sentia, nosso coração nos motivará a fazer tudo o que pudermos para transmitir-lhes as boas novas. (Mateus 22:37-39) Devemos também mostrar compaixão a concrentes que sofrem ou choram por terem perdido alguém amado. Não podemos curar milagrosamente a dor física nem ressuscitar os mortos. Mas podemos agir em harmonia com a compaixão, tomando a iniciativa de expressar nossa preocupação ou de dar ajuda prática. — Efésios 4:32.

      “Pai, perdoa-lhes”

      16. Como Jesus demonstrou disposição de perdoar até na estaca de tortura?

      16 Outra maneira importante de Jesus refletir com perfeição o amor de seu Pai foi por estar “sempre pronto a perdoar”. (Salmo 86:5) Essa disposição ficou evidente até quando ele estava na estaca de tortura. Confrontando-se com uma morte vergonhosa, com pregos atravessando-lhe as mãos e os pés, o que Jesus falou? Pediu que Jeová punisse seus executores? Muito pelo contrário, entre as últimas palavras de Jesus estavam: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo.” — Lucas 23:34.b

      17-19. De que modos Jesus demonstrou que havia perdoado o apóstolo Pedro, que o negara três vezes?

      17 Um exemplo ainda mais comovente do perdão de Jesus é demonstrado no modo como ele lidou com o apóstolo Pedro. Não há dúvidas de que Pedro amava muito a Jesus. Em 14 de nisã, a última noite da vida terrestre de Jesus, aquele apóstolo lhe disse: “Estou pronto para ir com o Senhor tanto para a prisão como para a morte.” Mas, poucas horas depois, três vezes ele negou até mesmo conhecer a Jesus! A Bíblia nos conta o que aconteceu quando Pedro o negou pela terceira vez: “O Senhor se virou e olhou diretamente para Pedro.” Arrasado pela gravidade do pecado, ele “saiu e chorou amargamente”. Quando Jesus morreu, mais tarde naquele dia, o apóstolo talvez tenha se perguntado: ‘Será que o Senhor me perdoou?’ — Lucas 22:33, 61, 62.

      18 Pedro não teve de esperar muito para ter uma resposta. Na manhã de 16 de nisã, Jesus foi ressuscitado e, evidentemente naquele mesmo dia, apareceu a Pedro. (Lucas 24:34; 1 Coríntios 15:4-8) Por que Jesus deu atenção especial ao apóstolo que o havia negado de forma tão enfática? Talvez ele quisesse confirmar ao arrependido Pedro que seu Senhor ainda o amava e prezava. Mas Jesus fez ainda mais para reanimar a Pedro.

      19 Pouco tempo depois, ele apareceu aos discípulos junto ao mar da Galileia. Nessa ocasião, Jesus perguntou a Pedro três vezes (o mesmo número de vezes que ele negara o Senhor) se este o amava. Depois da terceira vez, Pedro respondeu: “Senhor, o senhor sabe todas as coisas. O senhor sabe que eu o amo.” De fato, Jesus podia ler o coração e estava plenamente ciente do amor e da afeição de Pedro por ele. Mesmo assim, ele deu ao apóstolo a oportunidade de confirmar seu amor. Mais do que isso, Jesus comissionou-o a alimentar e pastorear suas “ovelhinhas”. (João 21:15-17) Pedro já havia recebido uma designação de pregar. (Lucas 5:10) Mas então, numa notável demonstração de confiança, Jesus lhe deu outra grande responsabilidade: cuidar dos que se tornariam seguidores de Cristo. Logo depois, Jesus designou a Pedro um papel de destaque nas atividades dos discípulos. (Atos 2:1-41) Como Pedro deve ter ficado aliviado de saber que Jesus o perdoara e ainda confiava nele!

      Você ‘conhece o amor do Cristo’?

      20, 21. Como podemos vir a “conhecer o amor do Cristo” de forma plena?

      20 A Palavra de Jeová apresenta uma bela descrição do amor de Cristo. Como, porém, devemos reagir a esse amor? A Bíblia nos incentiva a “conhecer o amor do Cristo, que é superior ao conhecimento”. (Efésios 3:19) Como vimos, os relatos evangélicos sobre a vida e o ministério de Jesus nos ensinam muita coisa a respeito do amor dele. Mas “conhecer o amor do Cristo” de forma plena envolve mais do que aprender o que a Bíblia diz sobre ele.

      21 O termo grego traduzido “conhecer” significa conhecer “na prática, por experiência própria”. Quando demonstramos amor assim como Jesus demonstrou — de forma altruísta dando de nós mesmos a favor de outros, compassivamente correspondendo às suas necessidades e perdoando-os de coração —, passamos realmente a entender Seus sentimentos. Desse modo, chegamos a conhecer, por experiência própria, “o amor do Cristo, que é superior ao conhecimento”. E nunca nos esqueçamos de que, quanto mais nos assemelharmos a Cristo, mais nos achegaremos àquele que Jesus imitou com perfeição, nosso Deus amoroso, Jeová.

      a As regras rabínicas determinavam que era preciso ficar no mínimo a quatro côvados (cerca de 1,80 metro) de um leproso. Mas, se estivesse ventando, o leproso tinha de ficar a pelo menos 100 côvados (uns 45 metros). O Midrash Rabah (O Grande Midrash) fala de um rabino que se escondia dos leprosos e de outro que jogava pedras neles para afastá-los. Assim, esses doentes sabiam como era doloroso sentir-se rejeitado, desprezado e indesejado.

      b A primeira parte de Lucas 23:34 foi omitida de certos manuscritos antigos. Mas, visto que essas palavras se encontram em muitos outros manuscritos confiáveis, a Tradução do Novo Mundo e muitas outras traduções incluem-nas no texto. Jesus provavelmente se referia aos soldados romanos que o executaram. Eles não sabiam o que faziam; eles ignoravam quem Jesus realmente era. Ele talvez também tivesse em mente os judeus que exigiram que ele fosse executado, mas que depois exerceram fé nele. (Atos 2:36-38) Naturalmente, os líderes religiosos que instigaram a execução eram muito mais repreensíveis, pois agiram deliberada e maldosamente. Muitos deles jamais seriam perdoados. — João 11:45-53.

      Perguntas para Meditação

      • Mateus 9:35-38 De que modo significativo Jesus demonstrou piedade, ou compaixão? Que efeito isso deveria ter sobre nós?

      • João 13:34, 35 Por que é importante que reflitamos o amor do Cristo?

      • Romanos 15:1-6 Como podemos imitar a atitude mental altruísta de Cristo?

      • 2 Coríntios 5:14, 15 O apreço pelo resgate deveria ter que efeito sobre nossos conceitos, alvos e estilo de vida?

  • “Continuem andando em amor”
    Achegue-se a Jeová
    • Irmãos e irmãs conversando de forma alegre numa reunião congregacional.

      CAPÍTULO 30

      “Continuem andando em amor”

      1-3. Qual é o resultado quando imitamos o exemplo de Jeová em demonstrar amor?

      “HÁ MAIS felicidade em dar do que em receber.” (Atos 20:35) Essas palavras de Jesus destacam uma verdade importante: o amor altruísta é recompensador em si mesmo. Embora receber amor dê muita felicidade, há felicidade ainda maior em dar, ou demonstrar, amor a outros.

      2 Ninguém sabe disso melhor do que nosso Pai celestial. Como vimos nos capítulos anteriores desta seção, Jeová é o exemplo supremo de amor. Ninguém demonstrou amor de maneiras mais grandiosas ou por um período mais longo do que ele. É de admirar, então, que ele seja chamado de “Deus feliz”? — 1 Timóteo 1:11.

      3 Nosso Deus amoroso deseja que procuremos ser como ele, em especial no que se refere a demonstrar amor. Efésios 5:1, 2 nos diz: “Tornem-se imitadores de Deus, como filhos amados, e continuem andando em amor.” Quando imitamos o exemplo de Jeová em demonstrar amor, sentimos a felicidade maior que vem de dar. Também temos a satisfação de saber que agradamos a Jeová, pois a sua Palavra nos incentiva a ‘amarmos uns aos outros’. (Romanos 13:8) Mas há outras razões para ‘continuarmos andando em amor’.

      Por que o amor é essencial

      Um irmão mais velho está sorrindo e conversando amigavelmente com a mão no ombro de um jovem.

      O amor nos motiva a expressar confiança nos irmãos

      4, 5. Por que é importante que demonstremos amor abnegado a concrentes?

      4 Por que é importante que demonstremos amor a concrentes? Dito de maneira simples, o amor é a essência do cristianismo verdadeiro. Se não demonstrarmos essa qualidade, não poderemos desenvolver um relacionamento achegado com outros cristãos e, mais importante ainda, nossos esforços não terão valor aos olhos de Jeová. Veja como a Palavra de Deus destaca essas verdades.

      5 Na última noite de sua vida terrestre, Jesus disse aos seus seguidores: “Eu lhes dou um novo mandamento: Amem uns aos outros; assim como eu amei vocês, amem também uns aos outros. Por meio disto todos saberão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor entre si.” (João 13:34, 35) “Assim como eu amei vocês” — essa é a ordem para os cristãos: mostrar o mesmo tipo de amor que Jesus demonstrou. No Capítulo 29, vimos que Jesus deu um exemplo maravilhoso em demonstrar amor abnegado, colocando as necessidades e os interesses de outros à frente dos seus. Nós também devemos demonstrar amor altruísta de forma tão clara que ele fique evidente até para os de fora da congregação cristã verdadeira. De fato o amor fraternal abnegado é o sinal que nos identifica como verdadeiros seguidores de Cristo.

      6, 7. (a) Como sabemos que a Palavra de Jeová dá grande ênfase a se demonstrar amor? (b) As palavras de Paulo, registradas em 1 Coríntios 13:4-8, enfocam que aspecto do amor?

      6 E se não demonstrarmos amor? “Se eu . . . não tiver amor”, disse o apóstolo Paulo, “sou um gongo que ressoa ou um címbalo que retine”. (1 Coríntios 13:1) Um címbalo que retine produz um som desagradável. E um gongo que ressoa? Que ilustrações apropriadas! A pessoa sem amor é como um instrumento musical que faz um barulho alto e estridente, que repele em vez de atrair. Como uma pessoa assim poderia ter relacionamentos achegados com outros? Paulo também disse: “Se eu tiver toda a fé, a ponto de mover montanhas, mas não tiver amor, nada sou.” (1 Coríntios 13:2) Imagine só! Uma pessoa sem amor ‘não presta para nada’, não importa que obras realize. (Novo Testamento, Interconfessional) Não fica claro que a Palavra de Jeová dá grande ênfase a se demonstrar amor?

      7 Mas como podemos demonstrar essa qualidade ao lidar com outros? Para nos ajudar a responder a essa pergunta, analisemos as palavras de Paulo, encontradas em 1 Coríntios 13:4-8. Esses versículos não se concentram no amor de Deus por nós nem no nosso amor por Ele. Em vez disso, o enfoque das palavras de Paulo é em como devemos demonstrar amor uns pelos outros. Ele descreveu certas coisas que o amor é e outras que ele não é.

      O que o amor é

      8. Como a paciência pode nos ajudar nos nossos tratos com outros?

      8 “O amor é paciente.” Amar, então, significa suportar pacientemente as outras pessoas. (Colossenses 3:13) Todos precisamos demonstrar esse tipo de paciência, não é verdade? Visto que somos criaturas imperfeitas servindo ombro a ombro, é de esperar que, de vez em quando, nossos irmãos cristãos nos irritem e que nós também os incomodemos. Mas a paciência e o autocontrole podem nos ajudar a lidar com pequenas desavenças e atritos que surgirem nos nossos tratos com outros, preservando assim a paz da congregação.

      9. De que maneiras podemos demonstrar bondade a outros?

      9 “O amor é . . . bondoso.” A bondade é demonstrada por atos prestativos e palavras que revelam consideração pelos outros. O amor nos motiva a procurar maneiras de demonstrar bondade, em especial para com os mais necessitados. Por exemplo, um concrente idoso talvez se sinta solitário e precise de uma visita de encorajamento. Uma mãe sem cônjuge ou uma irmã que vive num lar dividido em sentido religioso pode estar precisando de ajuda. Uma pessoa doente ou que passa por problemas graves talvez precise ouvir palavras bondosas de um amigo leal. (Provérbios 12:25; 17:17) Quando tomamos a iniciativa de demonstrar bondade dessas maneiras, comprovamos que nosso amor é genuíno. — 2 Coríntios 8:8.

      10. Como o amor nos ajudará a defender a verdade e a não mentir, mesmo quando isso não for fácil?

      10 “O amor . . . se alegra com a verdade.” Outra versão da Bíblia diz: “O amor . . . alegremente fica do lado da verdade.” O amor nos motiva a defender a verdade e a ‘falar a verdade uns com os outros’. (Zacarias 8:16) Se, por exemplo, uma pessoa querida se envolveu num pecado grave, o amor por Jeová — e por aquele que errou — nos ajudará a defender as normas de Deus em vez de tentar esconder, racionalizar ou até mentir sobre a transgressão. É verdade que talvez seja difícil aceitar a situação. Mas, para o próprio bem da pessoa, estaremos interessados em que ela receba e aceite a disciplina amorosa de Deus. (Provérbios 3:11, 12) Como cristãos amorosos, também desejamos “nos comportar honestamente em todas as coisas”. — Hebreus 13:18.

      11. Visto que o amor “suporta todas as coisas”, como devemos agir em relação às falhas de nossos concrentes?

      11 “O amor . . . suporta todas as coisas.” Essa expressão significa, literalmente, “cobre todas as coisas”. (Kingdom Interlinear) Em 1 Pedro 4:8 lemos: “O amor cobre uma multidão de pecados.” De fato, um cristão guiado pelo amor não estará sempre ansioso para expor todas as imperfeições e defeitos de seus irmãos cristãos. Em muitos casos, os erros e as falhas de nossos concristãos não são muito graves e podem ser cobertos pelo amor. — Provérbios 10:12; 17:9.

      12. Como o apóstolo Paulo deu um voto de confiança a Filêmon, e o que aprendemos do exemplo de Paulo?

      12 “O amor . . . acredita em todas as coisas.” Outra tradução diz que o amor está “sempre ansioso para crer no melhor”. (Moffatt) Não desconfiamos indevidamente de concrentes, questionando cada motivação deles. O amor nos ajuda a “crer no melhor” em relação aos nossos irmãos e a confiar neles.a Note um exemplo disso na carta de Paulo a Filêmon. Ele escreveu para incentivar Filêmon a receber bondosamente de volta seu escravo fugitivo, Onésimo, que havia se tornado cristão. Em vez de coagir Filêmon a fazer isso, porém, Paulo fez um apelo baseado no amor. Afirmou ter confiança em que aquele homem faria a coisa certa, dizendo: “Estou confiante em que você atenderá ao meu pedido; por isso estou escrevendo, pois sei que fará ainda mais do que as coisas que digo.” (Versículo 21) Motivados pelo amor, procuremos, de forma semelhante, dar um voto de confiança a nossos irmãos. Isso os ajudará a revelarem o que têm de melhor.

      13. Como podemos demonstrar que esperamos o melhor de nossos irmãos?

      13 “O amor . . . espera todas as coisas.” Além de demonstrar confiança, o amor gera esperança. Movidos pelo amor, esperamos o melhor de nossos irmãos. Por exemplo, se um irmão, ‘sem perceber, dá um passo em falso’, esperamos que ele reaja aos esforços amorosos de corrigi-lo. (Gálatas 6:1) Temos também esperança de que os fracos na fé se recuperarão. Somos pacientes com eles, ajudando-os na medida do possível a fortalecer a sua fé. (Romanos 15:1; 1 Tessalonicenses 5:14) Mesmo que alguém que amamos se desvie, não perdemos a esperança de que, algum dia, ele caia em si e volte para Jeová, como o filho perdido da ilustração de Jesus. — Lucas 15:17, 18.

      14. De que maneiras nossa perseverança pode ser provada na congregação? O amor nos ajudará a reagir de que maneira?

      14 “O amor . . . persevera em todas as coisas.” A perseverança nos capacitará para manter-nos firmes quando enfrentarmos desapontamentos ou dificuldades. As provas para a nossa perseverança não vêm apenas de fora da congregação; às vezes, vêm de dentro. Devido à imperfeição, nossos irmãos vez por outra nos desapontarão. Uma palavra impensada pode nos magoar. (Provérbios 12:18) Talvez um assunto congregacional não seja cuidado do modo como achamos que devia. A conduta de um irmão respeitado talvez nos incomode, fazendo-nos pensar: “Como um cristão pode agir assim?” Quando nos depararmos com situações como essas, abandonaremos a congregação e deixaremos de servir a Jeová? Não, se tivermos amor! Essa qualidade impedirá que sejamos cegados pelas falhas de um irmão a ponto de não conseguir ver mais nada de bom nele, nem na congregação como um todo. O amor nos ajudará a permanecer fiéis a Deus e a apoiar a congregação, não importa o que outros humanos imperfeitos possam dizer ou fazer. — Salmo 119:165.

      O que o amor não é

      15. O que é ciúme e como o amor nos ajudará a evitar essa emoção destrutiva?

      15 “O amor não é ciumento.” O ciúme pode nos tornar invejosos daquilo que os outros têm: seus bens, privilégios ou habilidades. Trata-se de uma emoção egoísta e destrutiva que, se não for controlada, pode perturbar a paz da congregação. O que nos ajudará a resistir à tendência de invejar? (Tiago 4:5) O amor. Essa qualidade preciosa fará com que nos alegremos com os que parecem ter certas vantagens na vida que nós mesmos não temos. (Romanos 12:15) Se outros forem elogiados por suas habilidades excepcionais ou realizações notáveis, o amor nos ajudará a não encarar isso como uma afronta pessoal.

      16. Se realmente amarmos os irmãos, por que evitaremos nos gabar de nossas realizações no serviço de Jeová?

      16 “O amor . . . não se gaba, não é orgulhoso.” O amor pelos irmãos nos impedirá de nos gabarmos de nossos talentos ou realizações, do êxito no ministério ou dos privilégios na congregação. Isso só os desanimaria, fazendo-os sentir-se inferiores. O amor não deixará que nos gabemos de coisas que Deus nos permite fazer no Seu serviço. (1 Coríntios 3:5-9) Afinal, o amor “não é orgulhoso”, ou, como diz certa versão, não “nutre ideias exageradas sobre sua própria importância”. O amor nos impedirá de ter um conceito distorcido sobre nós mesmos. — Romanos 12:3.

      17. O amor nos motivará a mostrar que consideração pelos outros, e por isso que tipo de conduta evitaremos?

      17 “O amor . . . não se comporta indecentemente.” Quem se comporta indecentemente age de modo impróprio ou ofensivo. Essa atitude é desamorosa, porque mostra total desrespeito pelos sentimentos e pelo bem-estar de outros. Em contraste com isso, o amor é cortês, levando-nos a mostrar consideração pelos outros. Ele promove boas maneiras, conduta reverente e respeito pelos concristãos. Assim, o amor não permitirá que nos envolvamos em “conduta vergonhosa”, ou seja, em qualquer proceder que chocaria ou ofenderia nossos irmãos cristãos. — Efésios 5:3, 4.

      18. Por que a pessoa amorosa não exige que tudo seja feito do seu jeito?

      18 “O amor . . . não procura os seus próprios interesses.” Nesse texto, certa versão diz: “O amor não insiste em que as coisas sejam feitas do seu jeito.” Quem é amoroso nunca terá essa atitude, como se suas opiniões sempre estivessem corretas. Não manipulará os outros, usando sua habilidade de persuasão para vencer pelo cansaço os que têm uma opinião diferente. Isso seria teimosia e revelaria orgulho, e a Bíblia diz: “O orgulho vem antes da queda.” (Provérbios 16:18) Se realmente amarmos os nossos irmãos, respeitaremos seus pontos de vista e, sempre que possível, estaremos dispostos a ceder. Essa disposição para ceder está em harmonia com as palavras de Paulo: “Que cada um persista em buscar não a sua própria vantagem, mas a da outra pessoa.” — 1 Coríntios 10:24.

      19. O amor nos ajuda a reagir de que maneira quando outros nos ofendem?

      19 “O amor . . . não se irrita com facilidade . . . não leva em conta o dano.” O amor não se irrita facilmente com o que outros dizem ou fazem. É natural ficarmos contrariados quando outros nos ofendem. Mas, mesmo que tenhamos boas razões para ficarmos bravos, o amor nos ajudará a não continuar irritados. (Efésios 4:26, 27) Não manteremos como que um registro das palavras ou ações que nos magoaram, para não esquecê-las. Em vez disso, o amor nos levará a imitar nosso Deus amoroso. Como vimos no Capítulo 26, Jeová perdoa quando há base sólida para isso. Quando perdoa, ele esquece, quer dizer, jamais vai nos condenar por esses pecados no futuro. Não ficamos contentes de que Jeová não leva em conta o dano?

      20. Como devemos reagir quando um concrente é enlaçado pelo pecado e sofre as consequências?

      20 “O amor . . . não se alegra com a injustiça.” Nesse texto, a Bíblia na Linguagem de Hoje diz: “Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada.” Outra tradução diz: “O amor nunca fica contente quando outros erram.” (Moffatt) O amor não deriva nenhum prazer da injustiça, de modo que não fazemos vista grossa a nenhum tipo de imoralidade. Mas como reagimos quando um concrente é enlaçado pelo pecado e sofre as consequências? O amor não permitirá que nos alegremos, como se disséssemos: “Bem feito! Ele merecia!” (Provérbios 17:5) Mas nós nos alegramos, sim, quando um irmão que errou toma as medidas necessárias para recuperar-se de sua queda espiritual.

      “Um caminho superior”

      21-23. (a) O que Paulo queria dizer quando escreveu: “O amor nunca acaba”? (b) O que analisaremos no último capítulo?

      21 “O amor nunca acaba.” O que Paulo queria dizer com essas palavras? Como se nota no contexto, ele comentava os dons do espírito que os cristãos do primeiro século receberam. Esses serviam como sinais de que o favor de Deus estava com essa congregação recém-formada. Mas nem todos os cristãos tinham o poder de curar, profetizar ou falar em línguas. Isso, porém, não importava, pois de qualquer maneira os dons milagrosos com o tempo cessariam. Contudo, uma coisa permaneceria, algo que todos os cristãos poderiam cultivar e que era mais duradouro e permanente do que qualquer dom milagroso. De fato, Paulo o chamou de “um caminho superior”. (1 Coríntios 12:31) Que “caminho” era esse? O caminho do amor.

      22 De fato, o amor cristão que Paulo descreveu “nunca acaba”, isto é, nunca tem fim. Até hoje o amor fraternal abnegado identifica os verdadeiros seguidores de Jesus. Não vemos evidência desse amor nas congregações dos adoradores de Jeová em toda a Terra? Essa qualidade existirá para sempre, porque Jeová promete vida eterna aos seus servos fiéis. (Salmo 37:9-11, 29) Continuemos fazendo todo o possível para ‘continuar andando em amor’. Assim, sentiremos a felicidade maior que vem de dar. Mais do que isso, poderemos continuar a viver — e amar — por toda a eternidade, imitando nosso Deus amoroso, Jeová.

      O povo de Jeová é identificado pelo amor que tem uns pelos outros

      23 Neste capítulo, que conclui a seção sobre o amor, vimos como podemos demonstrar amor uns pelos outros. Mas, em vista dos muitos modos em que nos beneficiamos do amor de Jeová — bem como do seu poder, justiça e sabedoria —, faríamos bem em perguntar: ‘Como posso mostrar a Jeová que realmente o amo?’ Essa pergunta será analisada no último capítulo.

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