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  • Precisa a humanidade realmente de um Messias?
    A Sentinela — 1992 | 1.° de outubro
    • Precisa a humanidade realmente de um Messias?

      “O MUNDO PRECISA DE UM MESSIAS, DIZ CERTA AUTORIDADE”

      Essa manchete saiu no jornal The Financial Post de Toronto, Canadá, em 1980. A autoridade citada era Aurelio Peccei, presidente e fundador de um bem conhecido grupo de intelectuais chamado Clube de Roma. Segundo o Post, Peccei sustentava que “um líder carismático — científico, político ou religioso — seria a única salvação do mundo contra as convulsões sociais e econômicas que ameaçam destruir a civilização”. Que acha? Está o mundo realmente em tantos apuros que a humanidade precisa de um Messias? Considere apenas um dos problemas do mundo — a fome.

      DOIS grandes olhos castanhos o contemplam, de uma foto num jornal ou numa revista. São os olhos de uma criança, uma menina de menos de cinco anos. Mas esses olhos não o fazem sorrir. Não há neles o brilho infantil, nem aquele ar de alegre curiosidade ou confiança inocente. Estão cheios, isto sim, de aflição desconcertante, dor lancinante, fome irremediável. A criança está morrendo de fome. Dor e fome é só o que ela conhece.

      Talvez, como muitos, você não goste de contemplar essas fotos, de modo que rapidamente vira a página. Não que você não se importe, mas sente-se frustrado pois suspeita ser tarde demais para essa menina. Os braços e pernas finos e a barriga inchada são sinais de que seu corpo já começou a devorar a si mesmo. Na ocasião em que você vê a foto, é provável que ela já esteja morta. Pior ainda, você sabe que o caso dela não é um caso isolado.

      Exatamente quão amplo é o problema? Bem, consegue visualizar 14 milhões de crianças? A maioria de nós não consegue; é um número grande demais para visualizar. Imagine, então, um estádio que comporta 40.000 pessoas. Imagine-o totalmente lotado de crianças — todas as fileiras, todos os setores, um oceano de rostos. Mesmo isso é difícil de visualizar. No entanto, seriam necessários 350 estádios assim, cheios de crianças, para chegar a 14 milhões. Segundo o UNICEF (Fundo das Nações Unidas Para a Infância), este é o estarrecedor número de crianças de menos de cinco anos que morrem anualmente nos países em desenvolvimento, por causa de subnutrição e doenças facilmente evitáveis. Isto equivale a quase um estádio cheio de crianças morrendo todo dia! Acrescente a isso o número de adultos famintos e obterá o total mundial de cerca de um bilhão de pessoas que sofrem de subnutrição crônica.

      Por Que Tanta Fome?

      Este planeta produz hoje mais alimentos do que os humanos consomem, e pode produzir mais. Não obstante, a cada minuto, 26 crianças morrem de subnutrição e doença. Neste mesmo minuto, o mundo gasta uns dois milhões de dólares em preparativos para a guerra. Pode imaginar o que todo esse dinheiro — ou apenas uma fração dele — poderia fazer por essas 26 crianças?

      Obviamente, a fome no mundo não pode ser atribuída simplesmente à falta de alimentos ou de dinheiro. O problema é mais profundo. Como disse Jorge E. Hardoy, um professor argentino, “o mundo como um todo tem uma crônica incapacidade de partilhar conforto, poder, tempo, recursos e conhecimento com os que têm mais necessidade disso”. Sim, o problema não reside nos recursos do homem, mas sim no próprio homem. A ganância e o egoísmo parecem ser forças dominantes na sociedade humana. O quinto mais rico da população da Terra usufrui cerca de 60 vezes mais bens e serviços do que o quinto mais pobre.

      É verdade que alguns tentam sinceramente suprir alimentos aos famintos, mas a maior parte de seus empenhos são tolhidos por fatores além de seu controle. A fome muitas vezes aflige países dilacerados pela guerra civil ou rebelião, e não é incomum as forças oponentes impedirem que as provisões de assistência alcancem os necessitados. Ambos os lados temem que por permitirem que alimentos cheguem aos civis que morrem de fome em território inimigo, estarão alimentando seus inimigos. Os próprios governos não se escusam de usar a fome como arma política.

      Sem Solução?

      Infelizmente, o problema de milhões que morrem de fome não é a única crise que aflige o homem moderno. A desenfreada destruição e envenenamento do meio ambiente, a persistente praga da guerra que destrói milhões de vidas, as epidemias de crimes violentos que geram medo e desconfiança em toda a parte, e o clima moral em constante degeneração, que parece estar na raiz de muitos desses males — todas essas crises globais dão-se as mãos, por assim dizer, e atestam a mesma dura verdade — o homem não consegue governar a si mesmo com êxito.

      Sem dúvida é por isso que muitos perderam a esperança de ver uma solução para os problemas do mundo. Outros são da opinião de Aurelio Peccei, o intelectual italiano mencionado no início. Se é que existe uma solução, ponderam, esta tem de vir de uma fonte extraordinária — talvez até mesmo sobre-humana. Portanto, o conceito de um messias exerce um forte atrativo. Mas é realístico esperar um messias? Ou trata-se apenas de almejar o inalcançável?

      [Crédito das fotos na página 2]

      Fotos da capa: Frente: U.S. Naval Observatory; Atrás: NASA

      [Crédito da foto na página 3]

      Foto da WHO, de P. Almasy

      [Créditos das fotos na página 4]

      Foto da WHO, de P. Almasy

      Foto da U. S. Navy

  • O Messias — uma esperança real?
    A Sentinela — 1992 | 1.° de outubro
    • O Messias — uma esperança real?

      Ele deu a si mesmo o nome de Moisés. O seu nome verdadeiro, porém, está perdido na História. No quinto século EC, ele percorreu toda a ilha de Creta, convencendo os judeus de que era o messias que eles esperavam. Disse-lhes que a opressão, o exílio e o cativeiro sob os quais viviam logo acabariam. Eles acreditaram. Quando seu dia de libertação chegou, os judeus seguiram “Moisés” até uma saliência rochosa que dava para o mar Mediterrâneo. Ele lhes disse que bastava que se lançassem ao mar e que este se abriria diante deles. Muitos obedeceram, lançando-se num mar não disposto a abrir. Grande número deles se afogaram; alguns foram salvos por marujos e pescadores. Moisés, porém, não mais foi encontrado. Esse messias desaparecera do cenário.

      O QUE é um messias? Talvez venham à mente as palavras “salvador”, “redentor” e “líder”. Muitos pensam que messias é um personagem que inspira esperança e devoção em seus seguidores, prometendo levá-los da opressão à liberdade. Visto que a história humana é em grande parte uma história de opressão, não é de admirar que não poucos messias surgissem ao longo dos séculos. (Eclesiastes 8:9) Mas, como no caso do autodenominado Moisés de Creta, esses messias com mais freqüência levaram seus seguidores ao desapontamento e à tragédia em vez de à libertação.

      “Este é o Rei Messias!” Foi assim que o respeitado rabino Akiba ben Joseph saudou Simeon Bar Kokhba, no ano 132 EC. Bar Kokhba era um homem poderoso, que comandava um forte exército. Finalmente, pensavam muitos judeus, eis o homem que acabaria com a longa opressão às mãos da Potência Mundial Romana. Bar Kokhba fracassou; centenas de milhares de compatriotas seus pagaram esse fracasso com a própria vida.

      No século 12, surgiu outro messias judeu, desta feita no Iêmen. Quando o califa, ou governante, pediu-lhe uma prova de seu messiado, esse messias propôs que o califa o decapitasse e permitisse que a sua pronta ressurreição servisse de prova. O califa concordou com o plano — e este foi o fim do messias do Iêmen. Naquele mesmo século, um homem chamado David Alroy disse aos judeus no Oriente Médio que se preparassem para segui-lo nas asas de anjos no caminho de volta à Terra Santa. Muitos criam que ele era o messias. Os judeus de Bagdá esperaram pacientemente no telhado de suas casas, despreocupadamente ignorando os ladrões que saqueavam seus bens.

      Sabbatai Zevi surgiu no século 17, em Esmirna. Ele proclamou seu messiado aos judeus por toda a Europa. Cristãos, também, lhe deram ouvidos. Zevi oferecia a libertação a seus seguidores — aparentemente por permitir que praticassem o pecado sem restrição. Seus seguidores mais íntimos praticavam orgias, nudismo, fornicação e incesto, daí puniam a si mesmos com açoites, rolando nus sobre a neve, ou enterrando-se até o pescoço na terra fria. Quando viajou a Turquia, Zevi foi preso e informado de que tinha de se converter ao islã, ou, então, morrer. Ele se converteu. Muitos de seus devotos ficaram arrasados. Todavia, nos dois séculos seguintes, Zevi ainda era chamado de messias em alguns meios.

      A cristandade também produziu a sua quota de messias. No século 12, um homem chamado Tanchelm organizou um exército de seguidores e dominou a cidade de Antuérpia. Este messias chamava a si mesmo de deus; chegou a vender a sua própria água de banho para que seus seguidores a bebessem como sacramento! Outro messias “cristão” foi Thomas Müntzer, da Alemanha do século 16. Ele liderou um levante contra as autoridades civis locais, dizendo a seus seguidores que era a batalha do Armagedom. Prometeu pegar as balas de canhão do inimigo com as mangas da camisa. Em vez disso, seu povo foi massacrado, e Müntzer foi decapitado. Muitos messias desse tipo surgiram na cristandade no decorrer dos séculos.

      Outras religiões também têm seus tipos messiânicos. O islã aponta para o Mahdi, ou o corretamente guiado, que introduzirá uma era de justiça. No hinduísmo, alguns têm afirmado ser avatares, ou encarnações, de vários deuses. E, como diz The New Encyclopædia Britannica, “mesmo uma religião não essencialmente messiânica como o budismo produziu a crença, entre grupos mahāyāna, no futuro Buda Maitreya, que desceria de sua morada celeste e levaria os fiéis ao paraíso”.

      Os Messias do Século 20

      No nosso século, a necessidade de um messias genuíno tornou-se mais urgente do que nunca; não é de admirar, portanto, que muitos tenham reivindicado o título. No Congo africano dos anos 20, 30 e 40, Simon Kimbangu e seu sucessor André “Jesus” Matswa foram aclamados como messias. Eles morreram, mas seus seguidores ainda esperam que retornem e introduzam um milênio africano.

      Neste século surgiram também os “cultos da carga”, na Nova Guiné e na Melanésia. Seus adeptos aguardam a chegada de um navio ou de um avião tripulados por homens brancos de traços messiânicos que os enriquecerão e introduzirão uma era de felicidade em que até mesmo os mortos serão ressuscitados.

      As nações industrializadas também têm tido seus messias. Alguns são líderes religiosos, como Sun Myung Moon, um autoproclamado sucessor de Jesus Cristo, que se propõe purificar o mundo por meio de uma família unida constituída de devotos seus. Líderes políticos também tentaram assumir estatura messiânica, sendo Adolf Hitler o mais horrendo exemplo do século, com seu grandiloqüente discurso de um Reinado de Mil Anos.

      Filosofias e organizações políticas também alcançaram estatura messiânica. Por exemplo, The Encyclopedia Americana diz que a teoria marxista-leninista tem traços messiânicos. E a organização das Nações Unidas, amplamente aclamada como única esperança de paz mundial, parece ter-se tornado para muitos uma espécie de messias substituto.

      Uma Esperança Genuína?

      Essa breve consideração deixa bem claro que a história dos movimentos messiânicos é na maior parte uma história de desilusão, esperanças desfeitas e sonhos mal alicerçados. Pouco surpreende, portanto, que muitos hoje sejam cínicos quanto à esperança de um messias.

      Em vez de descartar sumariamente a esperança messiânica, porém, temos de primeiro saber de onde se origina. De fato, “messias” é uma palavra bíblica. A palavra hebraica é ma·shí·ahh, ou “ungido”. Nos tempos bíblicos, reis e sacerdotes às vezes eram designados para seus postos por meio de uma cerimônia de unção, na qual um óleo fragrante era derramado sobre a cabeça do escolhido. Assim, o termo ma·shí·ahh aplicava-se corretamente a eles. Havia também homens que eram ungidos, ou designados, para um cargo especial, sem cerimônia de unção. Moisés é chamado “Cristo”, ou “ungido”, em Hebreus 11:24-26, porque foi escolhido como profeta e representante de Deus.

      Essa definição de messias como “ungido” distingue bem os messias bíblicos dos falsos messias que consideramos. Os messias bíblicos não se autodesignavam; tampouco eram escolhidos por uma massa de seguidores adorativos. Não, a designação deles vinha de cima, do próprio Jeová Deus.

      Ao passo que a Bíblia fala de muitos messias, ela destaca um deles bem acima dos demais. (Salmo 45:7) Esse Messias é a figura central na profecia bíblica, a chave do cumprimento das mais inspiradoras promessas da Bíblia. E este Messias realmente ataca de frente os problemas que temos hoje.

      O Salvador da Humanidade

      O Messias bíblico ataca os problemas da humanidade começando pela raiz. Quando nossos primeiros pais, Adão e Eva, se rebelaram contra o Criador sob instigação da rebelde criatura espiritual, Satanás, eles estavam na verdade usurpando o derradeiro direito de governar. Queriam decidir por si mesmos o que é certo e o que é errado. Assim, saíram de debaixo do amoroso e protetor governo de Jeová e lançaram a família humana no caos e na miséria do autogoverno, imperfeição e morte. — Romanos 5:12.

      Quão amoroso foi, portanto, que Jeová Deus escolhesse aquele momento negro na história humana para dar a toda a humanidade um raio de esperança. Ao pronunciar a sentença contra os humanos rebeldes, Deus predisse que a prole deles teria um resgatador. Chamado de “descendente”, esse Salvador viria para desfazer a terrível situação que Satanás criou no Éden; o Descendente feriria a “serpente”, Satanás, na cabeça, eliminando-a da existência. — Gênesis 3:14, 15.

      Desde os tempos antigos, os judeus encaram essa profecia como messiânica. Vários Targuns, ou paráfrases judaicas das Escrituras Sagradas de uso comum no primeiro século, explicavam que essa profecia se cumpriria “nos dias do Rei Messias”.

      Portanto, não é de admirar que, bem desde o início, homens de fé se emocionassem com essa promessa de um vindouro Descendente, ou Salvador. Imagine os sentimentos de Abraão quando Jeová lhe disse que o Descendente viria através de sua linhagem, e que “todas as nações da terra” — não apenas os próprios descendentes de Abraão — iriam “abençoar a si mesmas” por meio desse Descendente. — Gênesis 22:17, 18.

      Messias e Governo

      Profecias posteriores ligaram essa esperança com a perspectiva de um bom governo. Em Gênesis 49:10, foi dito ao bisneto de Abraão, Judá: “O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de comandante de entre os seus pés, até que venha Siló; e a ele pertencerá a obediência dos povos.” Obviamente, esse “Siló” havia de governar — e ele governaria não apenas os judeus mas sim “povos”. (Compare com Daniel 7:13, 14.) Siló foi identificado com o Messias pelos antigos judeus; de fato, alguns dos Targuns judaicos simplesmente substituíram a palavra “Siló” por “Messias” ou “o rei Messias”.

      À medida que a luz da profecia inspirada aumentava de intensidade, mais era revelado a respeito do governo desse Messias. (Provérbios 4:18) Em 2 Samuel 7:12-16, o Rei Davi, um descendente de Judá, foi informado de que o Descendente viria de sua linhagem. Ademais, esse Descendente seria um Rei incomum. Seu trono, ou reinado, duraria para sempre! Isaías 9:6, 7 apóia este argumento: “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o domínio principesco [“o governo”, versão Almeida, atualizada] virá a estar sobre o seu ombro. . . . Da abundância do domínio principesco e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer firmemente e para o amparar por meio do juízo e por meio da justiça, desde agora e por tempo indefinido. O próprio zelo de Jeová dos exércitos fará isso.”

      Pode imaginar um governo assim? Um governante justo, correto, que estabelece a paz e governa para sempre? Quão diferente da patética sucessão de falsos messias da História! Longe de ser um líder iludido e autodesignado, o Messias bíblico é um governante mundial com todo o poder e autoridade necessários para mudar as condições do mundo.

      Esta perspectiva é profundamente significativa em nossos tempos atribulados. Nunca antes esteve a humanidade tão desesperadoramente necessitada dessa esperança. Mas, visto ser tão fácil agarrar-se a falsas esperanças, é vital que cada um de nós analise atentamente esta questão: era Jesus de Nazaré o predito Messias como tantos acreditam? O artigo seguinte abordará esse assunto.

      [Quadro na página 6]

      Um Messias em Brooklyn?

      Pôsteres, cartazes de rua e letreiros luminosos em Israel proclamaram recentemente: “Prepare-se para a vinda do Messias.” Esta campanha de publicidade de 400 mil dólares tem sido bancada pelos lubavitchers, uma seita ultra-ortodoxa de judeus hassideanos. Há uma crença generalizada entre o grupo de 250.000 membros que o seu rabino mor, Menachem Mendel Schneerson, de Brooklyn, Nova Iorque, seja o Messias. Por quê? Schneerson ensina que o Messias virá nesta geração. E, segundo a revista Newsweek, os dirigentes lubavitchers insistem que o rabino, de 90 anos de idade, não morrerá antes de chegar o Messias. Há séculos a seita ensina que cada geração produz pelo menos um homem que se qualifica como Messias. Schneerson parece ser tal homem para seus seguidores, e ele não nomeou sucessor. Mesmo assim, a maioria dos judeus não o aceita como Messias, diz Newsweek. Segundo o jornal Newsday, o rival de 96 anos de idade, o rabino Eliezer Schach, chamou-o de “falso messias”.

      [Foto na página 7]

      A crença de que Moisés, de Creta, era o messias custou a vida a muitas pessoas.

  • “Achamos o Messias”!
    A Sentinela — 1992 | 1.° de outubro
    • “Achamos o Messias”!

      “Primeiro, [André] achou seu próprio irmão, Simão, e disse-lhe: ‘Achamos o Messias’ (que, traduzido, quer dizer: Cristo).” — JOÃO 1:41.

      1. O que atestou João, o Batizador, a respeito de Jesus de Nazaré, e a que conclusão chegou André a respeito de Jesus?

      ANDRÉ observou longa e atentamente o judeu chamado Jesus de Nazaré. Não tinha aparência de rei, nem de sábio, nem de rabino. Não usava vestes régias, não tinha cabelos grisalhos, nem mãos macias e pele clara. Jesus era jovem — com cerca de 30 anos — e tinha mãos calejadas e pele bronzeada de um trabalhador braçal. Assim, André não deve ter-se admirado ao saber que ele era carpinteiro. Não obstante, João, o Batizador, havia dito a respeito desse homem: “Eis o Cordeiro de Deus!” Um dia antes, João dissera algo ainda mais espantoso: “Este é o Filho de Deus.” Podia isso ser verdade? André passou algum tempo ouvindo Jesus naquele dia. Não sabemos o que Jesus disse, mas sabemos que as suas palavras mudaram a vida de André. Ele foi rápido à procura de seu irmão, Simão, e exclamou: “Achamos o Messias”! — João 1:34-41.

      2. Por que é importante considerar a evidência quanto a se Jesus era mesmo o prometido Messias?

      2 André e Simão (cujo nome Jesus mudou para Pedro) mais tarde tornaram-se apóstolos de Jesus. Depois de mais de dois anos como discípulo seu, Pedro disse a Jesus: “Tu és o Cristo [Messias], o Filho do Deus vivente.” (Mateus 16:16) Os apóstolos e discípulos fiéis por fim dispunham-se a dar a vida por essa crença. Hoje, milhões de pessoas sinceras são igualmente devotos. Mas à base de que evidência? A evidência, afinal, faz a diferença entre fé e mera credulidade. (Veja Hebreus 11:1.) Portanto, consideremos três linhas gerais de evidências que provam que Jesus era deveras o Messias.

      A Linhagem de Jesus

      3. Que detalhes fornecem a respeito da linhagem de Jesus os Evangelhos de Mateus e de Lucas?

      3 A linhagem de Jesus é a primeira evidência que as Escrituras Gregas Cristãs fornecem em apoio de seu messiado. A Bíblia predisse que o Messias viria da linhagem do Rei Davi. (Salmo 132:11, 12; Isaías 11:1, 10) O Evangelho de Mateus começa assim: “O livro da história de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.” Mateus confirma essa afirmação destemida traçando a ascendência de Jesus através da linhagem de seu pai adotivo, José. (Mateus 1:1-16) O Evangelho de Lucas traça a ascendência de Jesus através de sua mãe biológica, Maria, até Adão, passando por Davi e Abraão. (Lucas 3:23-38)a Assim, os escritores dos Evangelhos documentam cabalmente sua afirmação de que Jesus era herdeiro de Davi, em sentido legal e biológico.

      4, 5. (a) Contestaram os contemporâneos de Jesus a sua descendência de Davi, e por que é isto significativo? (b) Como confirmam certas referências não-bíblicas a linhagem de Jesus?

      4 Mesmo o mais céptico oponente de seu messiado não pode negar a afirmação de Jesus de ser filho de Davi. Por que não? Por dois motivos. Primeiro, essa afirmação foi amplamente repetida em Jerusalém por décadas antes de a cidade ser destruída, em 70 EC. (Mateus 21:9; Atos 4:27; 5:27, 28) Se a afirmação fosse falsa, qualquer opositor de Jesus — e ele tinha muitos — poderia ter provado que Jesus era um impostor por simplesmente conferir a linhagem dele nos registros genealógicos nos arquivos públicos.b Mas a História não registra nenhum caso de alguém ter negado que Jesus descendesse do Rei Davi. Por certo, a afirmação era incontestável. Evidentemente, Mateus e Lucas copiaram os nomes essenciais para seus relatos diretamente dos registros públicos.

      5 Em segundo lugar, certas fontes não-bíblicas confirmam a aceitação geral da linhagem de Jesus. Por exemplo, o Talmude fala de um rabino do quarto século que fez uma crítica obscena de Maria, a mãe de Jesus, chamando-a de ‘prostituta de carpinteiros’; mas o mesmo trecho admite que “ela era descendente de príncipes e governantes”. Um exemplo mais remoto é o do historiador do segundo século, Hegesipo. Ele conta que quando o César romano Domiciano queria exterminar todos os descendentes de Davi, alguns inimigos dos primitivos cristãos denunciaram os netos de Judas, meio-irmão de Jesus, “como sendo da família de Davi”. Se Judas era um conhecido descendente de Davi, não o seria também Jesus? Inegavelmente! — Gálatas 1:19; Judas 1.

      Profecias Messiânicas

      6. Quão numerosas são as profecias messiânicas nas Escrituras Hebraicas?

      6 Outra linha de evidências de que Jesus era o Messias são as profecias cumpridas. Há muitas profecias nas Escrituras Hebraicas que se aplicam ao Messias. Em sua obra The Life and Times of Jesus the Messiah (A Vida e a Época de Jesus, o Messias), Alfred Edersheim computou 456 passagens nas Escrituras Hebraicas que os antigos rabinos consideravam ser messiânicas. Contudo, os rabinos tinham muitos conceitos errados sobre o Messias; muitas das passagens que eles indicavam nada têm de messiânicas. Mas, de qualquer modo, há vintenas de profecias que identificam Jesus como o Messias. — Compare com Revelação (Apocalipse) 19:10.

      7. Quais foram algumas das profecias que Jesus cumpriu durante a sua estada na Terra?

      7 Entre estas: a cidade de seu nascimento (Miquéias 5:2; Lucas 2:4-11); a tragédia do infanticídio em massa após o seu nascimento (Jeremias 31:15; Mateus 2:16-18); ele seria chamado do Egito (Oséias 11:1; Mateus 2:15); governantes das nações se uniriam a fim de destruí-lo (Salmo 2:1, 2; Atos 4:25-28); seria traído por 30 moedas de prata (Zacarias 11:12; Mateus 26:15); até mesmo a maneira de sua morte. — Salmo 22:16, nota de rodapé; João 19:18, 23; 20:25, 27.c

      A Sua Vinda Foi Profetizada

      8. (a) Que profecia fixa o tempo da chegada do Messias? (b) Que dois fatores têm de ser conhecidos a fim de entender esta profecia?

      8 Focalizemos apenas uma das profecias. Em Daniel 9:25, os judeus foram informados sobre quando o Messias viria. Diz o texto: “Deves saber e ter a perspicácia de que desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém até o Messias, o Líder, haverá sete semanas, também sessenta e duas semanas.” Num primeiro relance, essa profecia pode parecer enigmática. Mas, num sentido mais amplo, ela exige que descubramos apenas duas informações: um ponto de partida e um determinado período. Para ilustrar, se a pessoa tivesse um mapa que indicasse um tesouro enterrado “a 250 jardas a leste do poço no parque da cidade”, talvez achasse enigmáticas essas indicações — em especial se não soubesse onde fica esse poço ou qual é o comprimento de uma ‘jarda’. Não investigaria esses dois fatos, para poder achar o tesouro? Bem, a profecia de Daniel é um tanto similar, exceto que nesta identifica-se um ponto de partida e mede-se o período que segue a este.

      9, 10. (a) Qual é o ponto de partida da contagem das 69 semanas? (b) Qual é a duração das 69 semanas, e como sabemos disso?

      9 Primeiro, precisamos do ponto de partida, a data em que ‘saiu a palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém’. Daí, temos de conhecer a distância a partir desse ponto, ou seja, qual é exatamente a duração dessas 69 (7 mais 62) semanas. Nenhuma dessas informações é difícil de obter. Neemias diz bem explicitamente que a palavra para reconstruir a muralha em volta de Jerusalém, finalmente fazendo dela uma cidade restaurada, saiu “no vigésimo ano de Artaxerxes, o rei”. (Neemias 2:1, 5, 7, 8) Isso fixa o nosso ponto de partida em 455 AEC.d

      10 Quanto a essas 69 semanas, poderiam ser semanas literais de sete dias cada uma? Não, pois o Messias não apareceu dentro de pouco mais de um ano depois de 455 AEC. Assim, a maioria dos eruditos bíblicos e numerosas traduções da Bíblia (inclusive a Tanakh judaica, numa nota sobre esse versículo) concordam que são semanas “de anos”. Este conceito de uma ‘semana de anos’, ou um ciclo de sete anos, era comum para os antigos judeus. Assim como guardavam um dia sabático a cada sétimo dia, guardavam também um ano sabático a cada sétimo ano. (Êxodo 20:8-11; 23:10, 11) Portanto, 69 semanas de anos equivaleria a 69 vezes 7 anos, ou 483 anos. Só nos resta contar. De 455 AEC em diante, 483 anos nos leva ao ano 29 EC — exatamente o ano em que Jesus foi batizado e tornou-se ma·shí·ahh, o Messias! — Veja “Setenta Semanas”, Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 3, página 583.

      11. Que resposta pode-se dar aos que dizem que isto é apenas uma maneira moderna de interpretar a profecia de Daniel?

      11 Alguns talvez aleguem que isso seja apenas uma maneira moderna de interpretar as profecias a fim de acomodá-las à História. Se assim fosse, por que as pessoas nos dias de Jesus estavam à espera do Messias naquele tempo? O historiador cristão Lucas, os historiadores romanos Tácito e Suetônio, o historiador judeu Josefo, e o filósofo judeu Filo, todos viveram por volta dessa época e atestaram esse clima de expectativa. (Lucas 3:15) Alguns eruditos modernos insistem que foi a opressão romana que levou os judeus a anelar e a esperar o Messias naqueles dias. Mas, por que os judeus esperavam o Messias nessa época, em vez de durante a brutal perseguição grega séculos antes? Por que disse Tácito que foram “profecias misteriosas” que levaram os judeus a esperar que poderosos governantes viessem da Judéia e “adquirissem um império universal”? Abba Hillel Silver, em seu livro A History of Messianic Speculation in Israel (História de Especulação Messiânica em Israel), reconhece que “o Messias era esperado por volta do segundo quarto do primeiro século EC”, não por causa da perseguição romana, mas sim por causa “da cronologia popular daqueles dias”, derivada em parte do livro de Daniel.

      Identificação do Alto

      12. Como identificou Jeová a Jesus como Messias?

      12 O terceiro tipo de evidências em favor do messiado de Jesus é o testemunho do próprio Deus. Segundo Lucas 3:21, 22, depois de ter sido batizado, Jesus foi ungido com a mais sagrada e poderosa força do Universo, o próprio espírito santo de Jeová Deus. E, com a sua própria voz, Jeová admitiu que havia aprovado seu Filho, Jesus. Em duas outras ocasiões, Jeová falou diretamente a Jesus do céu, indicando assim que o aprovava: uma delas perante três dos apóstolos de Jesus e a outra perante uma multidão de observadores. (Mateus 17:1-5; João 12:28, 29) Além do mais, foram enviados anjos do céu para confirmar a condição de Jesus como Cristo, ou Messias. — Lucas 2:10, 11.

      13, 14. Como demonstrou Jeová que aprovava Jesus como Messias?

      13 Jeová mostrou que aprovava Seu ungido dando-lhe poder para realizar grandes obras. Por exemplo, Jesus enunciou profecias que detalharam a História com antecedência — algumas delas chegando aos nossos dias.e Fez também milagres, como alimentar multidões famintas e curar doentes. Até mesmo ressuscitou mortos. Será que seus seguidores simplesmente inventaram essas histórias de atos poderosos exagerando os fatos? Bem, Jesus realizou muitos de seus milagres à vista de testemunhas oculares, às vezes milhares de pessoas de uma só vez. Nem mesmo os inimigos de Jesus podiam negar que ele deveras fez essas coisas. (Marcos 6:2; João 11:47) Ademais, se os seguidores de Jesus tinham propensões para inventar tais relatos, por que eram tão francos sobre as suas próprias fraquezas? Realmente, estariam dispostos a morrer por uma fé fundamentada em meros mitos que eles mesmos tivessem inventado? Não. Os milagres de Jesus são fatos da História.

      14 O testemunho de Deus em favor de Jesus como Messias foi além. Por meio do espírito santo, ele cuidou de que certas evidências do messiado de Jesus fossem registradas e se tornassem parte do livro mais amplamente traduzido e distribuído em toda a História.

      Por Que os Judeus não Aceitaram Jesus?

      15. (a) Quão amplas são as credenciais de Jesus que o identificam como Messias? (b) Que expectativa dos judeus levou muitos deles a rejeitar Jesus como Messias?

      15 Ao todo, portanto, essas três categorias de evidências incluem literalmente centenas de fatos que identificam Jesus como Messias. Será que não basta? Imagine-se tentando obter uma carteira de motorista ou um cartão de crédito e ser informado de que três documentos de identificação não bastam — teria que apresentar centenas deles. Quão irracional isso seria! Certamente, pois, Jesus é amplamente identificado na Bíblia. Por que, então, muitos dos do próprio povo de Jesus negaram toda essa evidência de que ele era o Messias? Porque a evidência, por mais importante que seja para a fé genuína, não garante a fé. Infelizmente, muitas pessoas crêem naquilo que desejam crer, mesmo contrário à sobrepujante evidência. No caso do Messias, a maioria dos judeus tinha conceitos bem definidos sobre o que queriam. Queriam um messias político, que acabasse com a opressão romana e devolvesse a Israel a glória que materialmente se assemelhasse àquela dos dias de Salomão. Como, então, podiam aceitar esse humilde filho de carpinteiro, esse nazareno que não se interessava em política nem em riquezas? Acima de tudo, como podia ser ele o Messias depois de ter sofrido e morrido ignominiosamente numa estaca de tortura?

      16. Por que os seguidores de Jesus tiveram de reajustar as suas próprias expectativas quanto ao Messias?

      16 Os próprios discípulos de Jesus ficaram abalados com a sua morte. Depois de sua gloriosa ressurreição, eles evidentemente esperavam que ele ‘restaurasse o reino a Israel’ imediatamente. (Atos 1:6) Mas eles não rejeitaram a Jesus como Messias simplesmente porque essa esperança pessoal não se concretizou. Exerceram fé nele à base da ampla evidência disponível, e seu entendimento aumentou paulatinamente; mistérios foram esclarecidos. Vieram a entender que o Messias não poderia cumprir todas as profecias a seu respeito durante seu curto período como homem na Terra. Ora, uma profecia fala de sua chegada humilde, montado num jumento, ao passo que outra fala de sua vinda em glória sobre as nuvens! Como poderiam ambas se cumprir? Obviamente, ele teria de voltar uma segunda vez. — Daniel 7:13; Zacarias 9:9.

      Por Que o Messias Teve de Morrer

      17. De que modo a profecia de Daniel tornou claro que o Messias tinha de morrer, e por que razão morreria?

      17 Além do mais, as profecias messiânicas tornaram claro que o Messias teria de morrer. Por exemplo, a mesma profecia que predisse quando o Messias viria profetizou no versículo seguinte: “Depois das sessenta e duas semanas [que se seguiram às sete semanas] o Messias será decepado.” (Daniel 9:26) A palavra hebraica ka·ráth usada aqui para “decepado” é a mesma palavra usada para a sentença de morte sob a Lei mosaica. Sem dúvida, o Messias tinha de morrer. Por quê? O Daniel 9 versículo 24 responde: “Para acabar com a transgressão e encerrar o pecado, e para fazer expiação pelo erro, e para introduzir justiça por tempos indefinidos.” Os judeus sabiam muito bem que apenas um sacrifício, uma morte, podia fazer expiação pelo erro. — Levítico 17:11; compare com Hebreus 9:22.

      18. (a) De que modo Isaías, capítulo 53, mostra que o Messias tinha de sofrer e morrer? (b) Que aparente paradoxo há nessa profecia?

      18 O capítulo 53 de Isaías fala do Messias como Servo especial de Jeová, que teria de sofrer e morrer para cobrir os pecados de outros. O versículo 5 de Isa. 53 diz: “Ele estava sendo traspassado pela nossa transgressão; estava sendo esmigalhado pelos nossos erros.” A mesma profecia, depois de dizer que o Messias teria de morrer como “oferta pela culpa”, revela que Ele “prolongará os seus dias, e na sua mão o agrado de Jeová será bem sucedido”. (Is 53 Versículo 10) Não é isso um paradoxo? Como poderia o Messias morrer e, daí, ‘prolongar os seus dias’? Como poderia ser oferecido em sacrifício e, depois disso, tornar ‘bem-sucedido o agrado de Jeová’? De fato, como poderia morrer e permanecer morto sem cumprir as profecias mais importantes a seu respeito, a saber, que reinaria para sempre e traria paz e felicidade ao mundo inteiro? — Isaías 9:6, 7.

      19. De que modo a ressurreição de Jesus concilia as aparentemente contraditórias profecias a respeito do Messias?

      19 Este aparente paradoxo foi solucionado por um milagre ímpar e espetacular. Jesus foi ressuscitado. Centenas de judeus sinceros tornaram-se testemunhas oculares dessa gloriosa realidade. (1 Coríntios 15:6) O apóstolo Paulo escreveu mais tarde: “Este homem [Jesus Cristo] ofereceu um só sacrifício pelos pecados, perpetuamente, e se assentou à direita de Deus, daí em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo dos seus pés.” (Hebreus 10:10, 12, 13) Sim, seria depois de Jesus ter sido ressuscitado à vida celestial, e após um período de “espera”, que ele finalmente seria entronizado como Rei e agiria contra os inimigos de seu Pai, Jeová. Em seu papel como Rei celestial, Jesus, o Messias, afeta a vida de toda pessoa que hoje vive. Em que sentido? O próximo artigo considerará isto.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Quando Lucas 3:23 diz “José, filho de Eli”, evidentemente significa “filho” no sentido de “genro”, uma vez que Eli era o pai biológico de Maria. — Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2, páginas 197-200.

      b O historiador judeu, Josefo, ao apresentar a sua própria linhagem, deixou claro que tais registros estavam disponíveis antes de 70 EC. Pelo que parece, esses registros foram destruídos junto com a cidade de Jerusalém, impossibilitando a comprovação de quaisquer futuras afirmações de messiado.

      c Veja Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2, página 819.

      d Há sólida evidência de fontes gregas, babilônicas e persas que indicam que o primeiro ano do reinado de Artaxerxes foi 474 AEC. Veja Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 3, páginas 259-62, 583.

      e Numa dessas profecias, ele predisse que surgiriam falsos messias de seus dias em diante. (Mateus 24:23-26) Veja o artigo anterior.

  • A presença do Messias e seu governo
    A Sentinela — 1992 | 1.° de outubro
    • A presença do Messias e seu governo

      “Este Jesus, que dentre vós foi acolhido em cima, no céu, virá assim da mesma maneira em que o observastes ir para o céu.” — ATOS 1:11.

      1, 2. (a) Que consolo deram dois anjos aos apóstolos de Jesus quando este ascendeu ao céu? (b) Que perguntas suscitam a perspectiva da volta de Cristo?

      ONZE homens, de pé na encosta leste do monte das Oliveiras, olhavam atentamente para o céu. Momentos antes Jesus Cristo ascendera do meio deles, sua figura desaparecendo aos poucos até ser encoberta por uma nuvem. Nos anos em que haviam passado com ele, esses homens viram Jesus dar provas abundantes de que era o Messias; haviam até mesmo sentido a profunda dor de sua morte e o êxtase de sua ressurreição. Agora ele partira.

      2 Dois anjos apareceram subitamente e disseram estas consoladoras palavras: “Homens da Galiléia, por que estais parados aí olhando para o céu? Este Jesus, que dentre vós foi acolhido em cima, no céu, virá assim da mesma maneira em que o observastes ir para o céu.” (Atos 1:11) Quão reanimador — a ascensão de Jesus ao céu não significava que ele desistira da Terra e da humanidade! Ao contrário, Jesus voltaria. Sem dúvida, essas palavras encheram os apóstolos de esperança. Milhões de pessoas hoje também dão grande importância à promessa da volta de Cristo. Alguns chamam-na de “Segunda Vinda” ou “Advento”. A maioria, porém, parece confusa quanto ao verdadeiro significado da volta de Cristo. Em que sentido Cristo volta? Quando? E como isso afeta a nossa vida hoje?

      A Maneira da Volta de Cristo

      3. O que crêem muitos a respeito da volta de Cristo?

      3 Segundo o livro An Evangelical Christology (Cristologia Evangélica), “a segunda vinda, ou volta, de Cristo (parousia) estabelece o reino de Deus, definitivamente, abertamente, e para toda a eternidade”. É uma crença bem generalizada que a volta de Cristo será abertamente visível, vista literalmente por todos no planeta. Em apoio dessa noção, muitos indicam Revelação (Apocalipse) 1:7, que reza: “Eis que ele vem com as nuvens e todo olho o verá, e aqueles que o traspassaram.” Mas deve esse versículo ser entendido literalmente?

      4, 5. (a) Como sabemos que Revelação 1:7 não tem um sentido literal? (b) Como as palavras do próprio Jesus confirmam este entendimento?

      4 Lembre-se, o livro de Revelação é apresentado “em sinais”. (Revelação 1:1) Esse trecho, portanto, tem de ser simbólico; afinal, como poderiam “aqueles que o traspassaram” ver Cristo retornar? Já estão mortos há quase 20 séculos! Além do mais, os anjos disseram que Cristo voltaria “da mesma maneira” como partiu. Bem, como foi que ele partiu? À vista de milhões de pessoas? Não, apenas alguns fiéis observaram o evento. E quando os anjos lhes falaram, estavam os apóstolos literalmente observando a inteira jornada de Cristo até o céu? Não, uma nuvem havia ocultado Jesus da visão. Algum tempo depois, ele deve ter entrado nos céus espirituais como ser espiritual, invisível a olhos humanos. (1 Coríntios 15:50) Portanto, quando muito, os apóstolos viram apenas o começo da jornada de Jesus; não poderiam ver o fim, seu retorno à presença celestial de seu Pai, Jeová. Isso eles poderiam discernir apenas com os olhos da fé. — João 20:17.

      5 A Bíblia ensina que Jesus retorna de maneira muito similar. O próprio Jesus disse pouco antes de sua morte: “Mais um pouco e o mundo não me observará mais.” (João 14:19) Ele disse também que “o reino de Deus não vem de modo impressionantemente observável”. (Lucas 17:20) Em que sentido, então, ‘todo olho o verá’? Para responder, precisamos primeiro entender bem o sentido da palavra que Jesus e seus seguidores usaram com relação à Sua volta.

      6. (a) Por que razão palavras como “volta”, “chegada”, “advento” e “vinda” não são traduções adequadas da palavra grega pa·rou·sí·a? (b) Que indicação há de que pa·rou·sí·a, ou “presença”, dura muito mais do que um mero evento momentâneo?

      6 A verdade é que Cristo faz muito mais do que simplesmente “voltar”. Esta palavra, como também “vinda”, “chegada”, ou “advento”, dá a entender um único evento que ocorre num breve instante. Mas a palavra grega que Jesus e seus seguidores usaram significa muito mais. A palavra é pa·rou·sí·a, que literalmente significa “o estar ao lado de” ou “presença”. A maioria dos eruditos concorda que o sentido dessa palavra engloba não apenas uma chegada, mas também uma subseqüente presença — como numa visita de Estado da parte de um personagem régio. Essa presença não é um evento momentâneo; é uma era especial, um período específico. Em Mateus 24:37-39, Jesus disse que “a presença [pa·rou·sí·a] do Filho do homem” seria como “nos dias de Noé”, que culminaram no Dilúvio. Noé construía a arca e alertava os iníquos por décadas antes de o Dilúvio chegar e eliminar aquele sistema mundial corrupto. Similarmente, então, a presença invisível de Cristo se prolonga por algumas décadas antes de também culminar numa grande destruição.

      7. (a) Que prova há de que a pa·rou·sí·a não é visível a olhos humanos? (b) Como e quando se cumprirão os textos que falam da volta de Cristo como visível a “todo olho”?

      7 Sem dúvida, a pa·rou·sí·a não é literalmente visível a olhos humanos. Se fosse, por que despendeu Jesus tanto tempo, como veremos, dando a seus seguidores um sinal para ajudá-los a discernir essa presença?a Entretanto, quando Cristo vier para destruir o sistema mundial de Satanás, a realidade de Sua presença ficará sobrepujantemente manifesta a todos. Será então que “todo olho o verá”. Mesmo os opositores de Jesus poderão discernir, para seu desalento, que o reinado de Cristo é real. — Veja Mateus 24:30; 2 Tessalonicenses 2:8; Revelação 1:5, 6.

      Quando Começa?

      8. Que evento marca o começo da presença de Cristo, e onde isso aconteceu?

      8 A presença do Messias começa com um evento que cumpre um tema freqüente das profecias messiânicas. Ele é coroado Rei no céu. (2 Samuel 7:12-16; Isaías 9:6, 7; Ezequiel 21:26, 27) O próprio Jesus mostrou que a sua presença teria ligação com o seu reinado. Em várias ilustrações, ele se assemelhou a um amo que deixa sua casa e seus escravos e parte para uma longa ausência num “país distante” onde recebe “poder régio”. Jesus fez uma dessas ilustrações como parte de sua resposta à pergunta de seus apóstolos sobre quando começaria a sua pa·rou·sí·a; outra ele fez porque “estavam imaginando que o reino de Deus ia apresentar-se instantaneamente”. (Lucas 19:11, 12, 15; Mateus 24:3; 25:14, 19) Portanto, na época em que Jesus esteve na Terra como homem, a sua coroação no “país distante”, o céu, ainda estava muito longe de acontecer. Quando é que ocorreria?

      9, 10. Que evidência há de que Cristo atualmente governa no céu, e quando iniciou ele o seu governo?

      9 Quando os discípulos de Jesus lhe perguntaram: “Qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas?”, Jesus respondeu dando-lhes uma descrição detalhada daquele tempo futuro. (Mateus, capítulo 24; Marcos, capítulo 13; Lucas, capítulo 21; veja também 2 Timóteo 3:1-5; Revelação, capítulo 6.) Esse sinal equivale a uma detalhada descrição de uma era turbulenta. É um período marcado por guerras internacionais, aumento do crime, deterioração da família, epidemias, fomes e terremotos — não como problemas localizados, mas sim como crises de alcance global. Soa familiar? Cada dia que passa confirma que o século 20 se ajusta com perfeição à descrição de Jesus.

      10 Os historiadores concordam que 1914 foi um ponto de virada na história humana, um ano decisivo a partir do qual muitos desses problemas começaram a fugir do controle, atingindo proporções globais. Sim, todos os acontecimentos mundiais em cumprimento das profecias bíblicas apontam para 1914 como o ano em que Jesus começou a reinar no céu. Ademais, uma profecia em Daniel, capítulo 4, fornece evidências cronológicas que nos levam a este mesmo ano — 1914 — como o tempo em que o Rei designado por Jeová começaria a reinar.b

      Por Que um Tempo de Tribulação?

      11, 12. (a) Por que alguns acham difícil crer que Cristo esteja agora mesmo governando no céu? (b) Como podemos ilustrar o que ocorreu após Jesus ter sido coroado como Rei?

      11 Alguns se perguntam, porém: ‘Por que tanta tribulação no mundo se o Messias está reinando no céu? É ineficaz o seu governo?’ Uma ilustração talvez ajude. Digamos que um país esteja sendo governado por um mau presidente. Ele estabeleceu um sistema de corrupção com ramificações em todo o país. Mas, realiza-se uma eleição; um homem bom vence. O que acontecerá então? Como se dá em certos países democráticos, há um período de transição de alguns meses antes da posse do novo presidente. Como agiriam esses dois homens durante tal período? Será que o homem bom imediatamente atacaria e eliminaria todos os males que seu antecessor causou em todo o país? Em vez disso, não se concentraria primeiro na capital, formando um novo gabinete e rompendo relações com os auxiliares e comparsas corruptos do ex-presidente? Assim, ao assumir a plena autoridade, ele pode operar a partir de uma cadeira de comando limpa e eficiente. Quanto ao presidente corrupto, não se aproveitaria ele do curto período restante para arrancar do país o máximo possível de ganhos ilícitos antes de deixar o poder?

      12 Na verdade, acontece algo similar com a pa·rou·sí·a de Cristo. Revelação 12:7-12 mostra que quando Cristo foi coroado Rei no céu, ele primeiro expulsou Satanás e os demônios de lá, limpando assim o local de seu governo. Tendo sofrido essa há muito aguardada derrota, como age Satanás no “curto período de tempo” antes de Cristo exercer sua plena autoridade aqui na Terra? Como o presidente corrupto, ele tenta extorquir tudo o que pode deste velho sistema. Não está atrás de dinheiro; está atrás de vidas humanas. Deseja alienar de Jeová e de Seu Rei reinante tantas pessoas quantas puder.

      13. Que indicações dão as Escrituras de que o começo do governo de Cristo seria um período turbulento aqui na Terra?

      13 Portanto, não é de admirar que o começo do governo do Messias signifique um tempo de “ai da terra”. (Revelação 12:12) Similarmente, o Salmo 110:1, 2, 6 mostra que o Messias começa seu domínio ‘no meio de seus inimigos’. Só mais tarde fará com que “as nações”, junto com todas as facetas do sistema corrupto de Satanás, sejam totalmente relegadas ao esquecimento!

      Quando o Messias Governar a Terra

      14. O que terá o Messias condições de fazer depois de destruir o iníquo sistema de coisas de Satanás?

      14 Depois de destruir o sistema de Satanás e todos os seus apoiadores, Jesus Cristo, o Rei messiânico, poderá finalmente cumprir aquelas profecias bíblicas maravilhosas que descrevem seu Reinado Milenar. Isaías 11:1-10 ajuda-nos a ver exatamente que tipo de governante o Messias será. O Isa. 11 versículo 2 diz que ele terá “o espírito de Jeová . . . , o espírito de sabedoria e de compreensão, o espírito de conselho e de potência”.

      15. Que resultados práticos terá o ‘espírito de potência’ no governo messiânico?

      15 Considere o que significará ‘o espírito de potência’ no governo de Jesus. Quando esteve na Terra, ele tinha certo grau de ‘potência’ da parte de Jeová, habilitando-o a realizar milagres. E ele demonstrou profundo desejo de ajudar as pessoas, dizendo: “Eu quero.” (Mateus 8:3) Mas seus milagres daqueles dias eram apenas um vislumbre do que faria quando governasse a partir do céu. Jesus realizará milagres em escala global! Doentes, cegos, mudos, mutilados e aleijados serão curados de uma vez para sempre. (Isaías 35:5, 6) Uma fartura de alimentos, distribuídos com justiça, acabará para sempre com a fome. (Salmo 72:16) Que dizer dos incontáveis milhões de pessoas nas sepulturas, dos quais Deus desejará se lembrar? A “potência” de Jesus incluirá o poder de ressuscitá-los, dando a cada qual a oportunidade de viver para sempre no Paraíso! (João 5:28, 29) Todavia, mesmo com toda essa potência, o Rei messiânico sempre será profundamente humilde. Ele ‘se deleita no temor de Jeová’. — Isaías 11:3.

      16. Que tipo de Juiz será o Rei messiânico, e que contraste isso será com o que se sabe a respeito dos juízes humanos?

      16 Esse Rei será também um Juiz perfeito. “Não julgará pelo que meramente parece aos seus olhos, nem repreenderá simplesmente segundo a coisa ouvida pelos seus ouvidos.” Que juiz humano, do passado ou do presente, poderia ser descrito dessa maneira? Mesmo um homem muito consciencioso pode julgar apenas à base do que vê e ouve, usando a sabedoria ou o discernimento que porventura tenha. Assim, juízes e júris deste velho mundo podem ser influenciados ou confundidos por meio de astutos sofismas, manobras de tribunal ou evidências conflitantes. Não raro apenas os ricos e poderosos podem dar-se ao luxo de ter uma defesa eficaz, na realidade comprar a justiça. Isso não se dá com o Juiz messiânico! Ele lê corações. Nada lhe escapa. A justiça, temperada com amor e misericórdia, não estará à venda. Sempre prevalecerá. — Isaías 11:3-5.

      Como o Governo do Messias o Afeta

      17, 18. (a) Que deslumbrante quadro do futuro da humanidade pinta Isaías 11:6-9? (b) A quem se aplica primariamente essa profecia, e por quê? (c) De que modo terá esta profecia um cumprimento literal?

      17 Compreensivelmente, o governo do Messias exerce uma profunda influência sobre seus súditos. Muda as pessoas. Isaías 11:6-9 mostra quão amplas são essas mudanças. Esta profecia pinta um quadro comovente de animais perigosos e predatórios — ursos, lobos, leopardos, leões, serpentes — na companhia de inofensivos animais domésticos e até mesmo de crianças. Mas os predadores não representam perigo! Por quê? O Isa. 11 versículo 9 responde: “Não se fará dano, nem se causará ruína em todo o meu santo monte; porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová assim como as águas cobrem o próprio mar.”

      18 Naturalmente, o “conhecimento de Jeová” não poderia ter efeito em animais literais; portanto, esses versículos devem aplicar-se primariamente a pessoas. O governo do Messias patrocina um programa global de educação, ensinando o povo a respeito de Jeová e seus caminhos, ensinando todos a tratar o próximo com amor, respeito e dignidade. No vindouro Paraíso, o Messias milagrosamente soerguerá a humanidade à perfeição física e moral. As características predatórias, animalescas, que maculam a natureza humana imperfeita, terão desaparecido. Também em sentido literal, a humanidade estará em paz com os animais — finalmente! — Compare com Gênesis 1:28.

      19. Como afeta o governo do Messias a vida das pessoas nestes últimos dias?

      19 Lembre-se, porém, que o Messias já está governando. Mesmo agora, os súditos de seu Reino aprendem a viver juntos pacificamente, cumprindo em um sentido Isaías 11:6-9. Ademais, por quase 80 anos, Jesus vem cumprindo Isaías 11:10: “Naquele dia terá de acontecer que haverá a raiz de Jessé posta de pé qual sinal de aviso para os povos. A ele é que irão consultar as nações, e seu lugar de descanso terá de tornar-se glorioso.” Pessoas de todas as nações estão se voltando para o Messias. Por quê? Porque desde que começou a reinar, ele está ‘posto de pé qual sinal’. Tem tornado conhecida a sua presença no mundo todo por meio do vasto programa educacional acima mencionado. De fato, Jesus predisse que uma obra de pregação global seria um sinal destacado de sua presença antes do fim deste velho sistema. — Mateus 24:14.

      20. Que atitude devem evitar todos os súditos do governo do Messias, e por quê?

      20 Portanto, a presença de Cristo no poder régio não é um assunto remoto e teórico, meramente um tema de debate intelectual entre teólogos. Seu governo afeta e muda a vida de pessoas aqui na Terra, exatamente como Isaías predisse. Jesus tem conduzido milhões de súditos de seu Reino para fora deste sistema mundial corrupto. É você um de tais súditos? Então, sirva com todo o entusiasmo e alegria que o nosso Governante merece! Admite-se, é muito fácil se cansar, juntar-se ao coro cínico do mundo: “Onde está essa prometida presença dele?” (2 Pedro 3:4) Mas, como o próprio Jesus disse, “quem tiver perseverado até o fim é o que será salvo”. — Mateus 24:13.

      21. Como podemos todos nós aumentar em apreço pela esperança messiânica?

      21 Cada dia que passa nos aproxima mais do grandioso dia em que Jeová ordenará que Seu Filho torne manifesta a sua presença ao mundo inteiro. Jamais permita que a sua esperança naquele dia se desvaneça. Medite sobre o Messiado de Jesus e sobre Suas qualidades como Rei reinante. Pense profundamente, também, a respeito de Jeová Deus, o autor e mentor intelectual da grandiosa esperança messiânica delineada na Bíblia. Ao assim fazer, seus sentimentos sem dúvida serão como os do apóstolo Paulo, quando escreveu: “Ó profundidade das riquezas, e da sabedoria, e do conhecimento de Deus!” — Romanos 11:33.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Em 1864, o teólogo R. Govett expressou-se assim: “Isto me parece muito decisivo. Ter-se dado um sinal da Presença indica que ela é secreta. Não precisamos de um sinal que nos informe a presença daquilo que vemos.”

      b Para detalhes, veja o livro “Venha o Teu Reino”, páginas 132-9.

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