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Perseguidos por causa da justiçaA Sentinela — 2003 | 1.° de outubro
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Perseguidos por causa da justiça
“Felizes os que têm sido perseguidos por causa da justiça.” — MATEUS 5:10.
1. Por que Jesus estava perante Pôncio Pilatos, e o que ele disse?
“PARA isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.” (João 18:37) Jesus disse essas palavras quando estava perante Pôncio Pilatos, governador romano da Judéia. Ele não estava ali por opção, nem a convite de Pilatos. Antes, estava ali por ter sido acusado falsamente pelos líderes religiosos judaicos de ser um transgressor que merecia ser morto. — João 18:29-31.
2. Que ação tomou Jesus, resultando em quê?
2 Jesus sabia muito bem que Pilatos tinha autoridade para livrá-lo ou matá-lo. (João 19:10) Mas isso não o refreou de falar corajosamente a Pilatos a respeito do Reino. Embora a vida de Jesus estivesse em perigo, ele aproveitou a oportunidade para dar testemunho à autoridade governamental mais elevada da região. Apesar desse testemunho, Jesus foi condenado e executado, sofrendo uma morte agonizante como mártir numa estaca de tortura. — Mateus 27:24-26; Marcos 15:15; Lucas 23:24, 25; João 19:13-16.
Testemunha ou mártir?
3. O que significava a palavra “mártir” nos tempos bíblicos, mas o que significa hoje?
3 Atualmente, para alguns, mártir é quase sinônimo de fanático ou extremista. Os que estão dispostos a morrer por suas crenças, especialmente por crenças religiosas, muitas vezes ficam sob suspeita de serem terroristas, ou, no mínimo, de serem uma ameaça para a sociedade. No entanto, a palavra mártir vem duma palavra grega (mártys) que nos tempos bíblicos significava “testemunha”, alguém que dava testemunho da veracidade daquilo em que acreditava, talvez perante um tribunal. Apenas mais tarde essa expressão passou a referir-se a “alguém que dá a vida por ter testemunhado”, ou até mesmo a alguém que dá testemunho entregando a sua vida.
4. Especialmente em que sentido Jesus foi um mártir?
4 Jesus foi um mártir especialmente no sentido anterior da palavra. Como disse a Pilatos, ele veio para “dar testemunho da verdade”. Seu testemunho provocava reações das mais variadas. Algumas pessoas comuns ficaram muito comovidas com o que ouviram e viram, e depositaram fé em Jesus. (João 2:23; 8:30) As multidões em geral e especialmente os líderes religiosos também reagiram fortemente — mas de modo negativo. Jesus salientou o seguinte para os seus parentes descrentes: “O mundo não tem razão para vos odiar, mas odeia a mim, porque dou testemunho dele de que as suas obras são iníquas.” (João 7:7) Por dar testemunho da verdade, Jesus incorreu na ira dos líderes da nação, o que resultou na sua morte. De fato, ele era “a testemunha (mártys) fiel e verdadeira”. — Revelação (Apocalipse) 3:14.
“Sereis pessoas odiadas”
5. No começo do seu ministério, o que Jesus disse a respeito da perseguição?
5 Não só o próprio Jesus sofreu ferrenha perseguição, mas advertiu também aos seus seguidores que o mesmo aconteceria com eles. No começo do seu ministério, Jesus disse aos seus ouvintes no Sermão do Monte: “Felizes os que têm sido perseguidos por causa da justiça, porque a eles pertence o reino dos céus. Felizes sois quando vos vituperarem e perseguirem, e, mentindo, disserem toda sorte de coisas iníquas contra vós, por minha causa. Alegrai-vos e pulai de alegria, porque a vossa recompensa é grande nos céus.” — Mateus 5:10-12.
6. Que advertência Jesus deu quando enviou os 12 apóstolos?
6 Mais tarde, quando enviou os 12 apóstolos, Jesus lhes disse: “Guardai-vos dos homens; pois eles vos entregarão aos tribunais locais e vos açoitarão nas suas sinagogas. Ora, sereis arrastados perante governadores e reis, por minha causa, em testemunho para eles e para as nações.” Mas as autoridades religiosas não seriam os únicos a perseguirem os discípulos. Jesus disse também: “Irmão entregará irmão à morte, e o pai ao seu filho, e os filhos se levantarão contra os pais e os farão matar. E vós sereis pessoas odiadas por todos, por causa do meu nome; mas aquele que tiver perseverado até o fim é o que será salvo.” (Mateus 10:17, 18, 21, 22) A história dos cristãos do primeiro século é prova da veracidade dessas palavras.
Um registro de perseverança fiel
7. O que levou Estêvão a se tornar mártir?
7 Logo após a morte de Jesus, Estêvão foi o primeiro cristão a morrer por dar testemunho da verdade. Ele estava “cheio de graça e de poder, [e] realizava grandes portentos e sinais entre o povo”. Seus inimigos religiosos “não podiam fazer face à sabedoria e ao espírito com que ele falava”. (Atos 6:8, 10) Cheios de ciúme, arrastaram Estêvão para o Sinédrio, a alta corte judaica, onde ele enfrentou seus acusadores falsos e deu um forte testemunho. No fim, porém, Estêvão — uma testemunha fiel — foi assassinado por seus inimigos. — Atos 7:59, 60.
8. Como os discípulos em Jerusalém reagiram à perseguição que lhes sobreveio depois da morte de Estêvão?
8 Depois do assassinato de Estêvão, “levantou-se grande perseguição contra a congregação que estava em Jerusalém; todos, exceto os apóstolos, foram espalhados através das regiões da Judéia e de Samaria”. (Atos 8:1) Será que a perseguição impediu que os cristãos dessem testemunho? Pelo contrário, o relato nos diz que “os que tinham sido espalhados iam pelo país declarando as boas novas da palavra”. (Atos 8:4) Com certeza tinham a mesma determinação do apóstolo Pedro, que declarou numa ocasião anterior: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” (Atos 5:29) Apesar da perseguição, esses cristãos fiéis e corajosos apegaram-se à obra de dar testemunho da verdade, embora soubessem que isso causaria mais dificuldades. — Atos 11:19-21.
9. Que perseguição continuou a sobrevir aos seguidores de Jesus?
9 De fato, não houve alívio das adversidades. Primeiro, ficamos sabendo que Saulo — o homem que presenciou e aprovou o apedrejamento de Estêvão — “respirando ainda ameaça e assassínio contra os discípulos do Senhor, foi ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas para as sinagogas em Damasco, a fim de trazer amarrados, para Jerusalém, quaisquer que achasse pertencendo ao Caminho, tanto homens como mulheres”. (Atos 9:1, 2) Depois, por volta do ano 44 EC, “Herodes, o rei, pôs mãos à obra para maltratar alguns dos da congregação. Eliminou Tiago, irmão de João, pela espada”. — Atos 12:1, 2.
10. Que registro de perseguições encontramos em Atos e em Revelação?
10 O restante do livro de Atos contém um registro indelével dos julgamentos, das prisões e das perseguições sofridas pelos fiéis, tais como Paulo, anterior perseguidor que se tornou apóstolo, que provavelmente sofreu martírio às mãos do imperador romano Nero, por volta de 65 EC. (2 Coríntios 11:23-27; 2 Timóteo 4:6-8) Finalmente, no livro de Revelação, escrito perto do fim do primeiro século, descobrimos que o idoso apóstolo João estava preso na ilha penal de Patmos, “por ter falado a respeito de Deus e ter dado testemunho de Jesus”. Revelação também contém uma referência a “Ântipas, minha testemunha, o fiel, que foi morto” em Pérgamo. — Revelação 1:9; 2:13.
11. Como o proceder dos cristãos do primeiro século mostra que as palavras de Jesus a respeito da perseguição eram verazes?
11 Tudo isso provou a veracidade das palavras de Jesus aos seus discípulos: “Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós.” (João 15:20) Os cristãos fiéis do primeiro século estavam preparados para enfrentar a suprema prova, a morte — por tortura, por serem lançados a animais selvagens, ou de qualquer outro modo — para cumprirem a comissão que receberam do Senhor Jesus Cristo: “Sereis testemunhas de mim tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até à parte mais distante da terra.” — Atos 1:8.
12. Por que a perseguição de cristãos não é apenas um fato histórico?
12 Se alguém pensa que tal tratamento cruel dos seguidores de Jesus só aconteceu no passado, está muito enganado. Paulo, que suportou sua parcela de provações, conforme já vimos, escreveu: “Todos os que desejarem viver com devoção piedosa em associação com Cristo Jesus também serão perseguidos.” (2 Timóteo 3:12) A respeito da perseguição, Pedro disse: “De fato, fostes chamados para este proceder, porque até mesmo Cristo sofreu por vós, deixando-vos um modelo para seguirdes de perto os seus passos.” (1 Pedro 2:21) Até nestes “últimos dias” do atual sistema de coisas, o povo de Jeová continua a ser alvo de ódio e de hostilidade. (2 Timóteo 3:1) Em toda a Terra, sob regimes ditatoriais e em países democráticos, as Testemunhas de Jeová, em uma ou outra ocasião, têm sofrido perseguição, tanto individual como coletivamente.
Por que são odiados e perseguidos?
13. O que os atuais servos de Jeová devem ter em mente quanto à perseguição?
13 Embora a maioria de nós, hoje, tenha relativa liberdade para pregar e para se reunir pacificamente, temos de acatar o lembrete bíblico de que “está mudando a cena deste mundo”. (1 Coríntios 7:31) As coisas podem mudar de uma hora para outra e, a menos que estejamos mental, emocional e espiritualmente preparados, podemos facilmente tropeçar. Então, o que podemos fazer para nos proteger? Uma grande ajuda nesse sentido é ter bem em mente o motivo de os cristãos amantes da paz e cumpridores da lei serem odiados e perseguidos.
14. O que Pedro indicou como sendo o motivo de os cristãos serem perseguidos?
14 O apóstolo Pedro comentou esse assunto na sua primeira carta, que escreveu por volta de 62-64 EC, quando os cristãos em todo o Império Romano sofriam provas e perseguições. Ele disse: “Amados, não fiqueis intrigados com o ardor entre vós, que vos está acontecendo como provação, como se vos sobreviesse coisa estranha.” Para explicar o que queria dizer, Pedro prosseguiu: “Nenhum de vós sofra como assassino, ou como ladrão, ou como malfeitor, ou como intrometido nos assuntos dos outros. Mas, se ele sofrer como cristão, não se envergonhe, mas persista em glorificar a Deus neste nome.” Pedro salientou que eles sofriam, não por terem feito algo errado, mas por serem cristãos. Se estivessem envolvidos no “mesmo antro vil de devassidão” das pessoas em volta deles, os cristãos teriam sido bem acolhidos por elas. Mas eles sofriam por se esforçarem a cumprir seu papel como seguidores de Cristo. Os verdadeiros cristãos hoje se encontram na mesma situação. — 1 Pedro 4:4, 12, 15, 16.
15. Que contradição se observa no tratamento que as Testemunhas de Jeová recebem hoje?
15 Em muitas partes do mundo, as Testemunhas de Jeová são elogiadas publicamente pela união e cooperação que demonstram nos seus congressos e nos projetos de construção, pela sua honestidade e diligência, pela sua conduta moral e vida familiar exemplares, e até mesmo pela sua boa aparência e comportamento.a Por outro lado, a obra delas está proscrita ou restrita em nada menos do que 28 países neste momento, e muitas Testemunhas de Jeová sofrem abusos físicos e perdas por causa da sua fé. Qual é o motivo dessa evidente contradição? E por que Deus permite isso?
16. Qual é o principal motivo de Deus permitir que seu povo sofra perseguição?
16 Acima de tudo, devemos lembrar-nos das palavras de Provérbios 27:11: “Sê sábio, filho meu, e alegra meu coração, para que eu possa replicar àquele que me escarnece.” Na realidade, trata-se da antiga questão da soberania universal. Apesar da enorme quantidade de testemunho fornecido por todos os que provaram sua integridade a Jeová no decorrer dos séculos, Satanás não parou de escarnecer de Jeová, assim como fez nos dias do justo Jó. (Jó 1:9-11; 2:4, 5) Satanás, sem dúvida, ficou ainda mais desesperado no seu derradeiro esforço de provar a sua afirmação, agora que o Reino de Deus já foi firmemente estabelecido e tem súditos e representantes leais em toda a Terra. Será que esses continuarão a ser fiéis a Deus apesar das adversidades e das dificuldades que possam sofrer? Essa é uma pergunta que cada servo de Jeová tem de responder pessoalmente. — Revelação 12:12, 17.
17. O que Jesus queria dizer com as palavras “isto vos resultará num testemunho”?
17 Falando aos seus discípulos sobre os acontecimentos que ocorreriam durante a “terminação do sistema de coisas”, Jesus indicou outro motivo de Jeová permitir que seus servos sofram perseguição. Disse-lhes: “[Sereis] arrastados perante reis e governadores por causa do meu nome. Isto vos resultará num testemunho.” (Mateus 24:3, 9; Lucas 21:12, 13) O próprio Jesus deu testemunho perante Herodes e Pôncio Pilatos. O apóstolo Paulo também foi ‘arrastado perante reis e governadores’. Orientado pelo Senhor Jesus Cristo, Paulo procurou dar testemunho ao governante mais poderoso daqueles dias ao declarar: “Apelo para César!” (Atos 23:11; 25:8-12) Assim também hoje, situações provadoras muitas vezes resultaram num excelente testemunho tanto às autoridades como ao público.b
18, 19. (a) Como somos beneficiados ao lidarmos com provações? (b) Que perguntas serão consideradas no próximo artigo?
18 Por fim, ao lidarmos com provas e tribulações podemos ser beneficiados pessoalmente. Em que sentido? O discípulo Tiago lembrou a seus concristãos: “Considerai tudo com alegria, meus irmãos, ao enfrentardes diversas provações, sabendo que esta qualidade provada da vossa fé produz perseverança.” De fato, a perseguição pode refinar a nossa fé e fortalecer a perseverança. Por isso, não precisamos temê-la, nem procuramos meios antibíblicos de evitá-la ou de pôr fim a ela. Antes, acatamos a admoestação de Tiago: “A perseverança tenha a sua obra completa, para que sejais completos e sãos em todos os sentidos, não vos faltando nada.” — Tiago 1:2-4.
19 Embora a Palavra de Deus nos ajude a compreender por que os servos fiéis de Deus sofrem perseguição e o motivo de Jeová permiti-la, isso não necessariamente torna a perseguição mais fácil de suportar. O que pode fortalecer-nos para suportá-la? O que podemos fazer quando nos confrontamos com perseguição? Consideraremos esses assuntos importantes no próximo artigo.
[Nota(s) de rodapé]
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A perseverança sob provas dá louvor a JeováA Sentinela — 2003 | 1.° de outubro
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A perseverança sob provas dá louvor a Jeová
“Se perseverais quando estais fazendo o bem e sofreis, isto é algo agradável a Deus.” — 1 PEDRO 2:20.
1. Visto que os verdadeiros cristãos querem viver à altura da sua dedicação, que pergunta precisa ser considerada?
OS CRISTÃOS se dedicam a Jeová e querem fazer a vontade dele. Para viverem à altura da sua dedicação, fazem o máximo para seguir as pisadas de seu exemplo, Jesus Cristo, e dar testemunho da verdade. (Mateus 16:24; João 18:37; 1 Pedro 2:21) No entanto, Jesus e outros fiéis deram a vida e morreram como mártires por causa da fé que tinham. Significa isso que todos os cristãos podem esperar morrer pela fé?
2. Como os cristãos encaram as provações e os sofrimentos?
2 Nós, como cristãos, somos exortados a ser fiéis até a morte, mas não necessariamente a morrer pela nossa fé. (2 Timóteo 4:7; Revelação [Apocalipse] 2:10) Isso significa que, embora estejamos dispostos a sofrer — e, se for preciso, a morrer — pela nossa fé, não desejamos que isso aconteça. Não sentimos prazer no sofrimento, na dor e na humilhação. No entanto, visto que é de se esperar que haja provações e perseguição, temos de refletir com cuidado sobre como agir quando essas nos sobrevierem.
Fiéis sob prova
3. Que exemplos bíblicos de como lidar com a perseguição você pode citar? (Veja o quadro “Como enfrentaram a perseguição”, na página seguinte.)
3 Na Bíblia encontramos muitos relatos que mostram como os servos de Deus no passado reagiram quando confrontados com situações que ameaçavam a vida. As diversas maneiras pelas quais reagiram dão aos cristãos atuais orientação caso tenham de enfrentar desafios similares. Considere os relatos no quadro “Como enfrentaram a perseguição”, e veja o que pode aprender deles.
4. O que se pode dizer sobre o modo de Jesus e de outros servos fiéis terem reagido quando sofreram provações?
4 Embora Jesus e outros servos fiéis de Deus tenham reagido de maneiras diferentes à perseguição, segundo as circunstâncias, é evidente que não arriscavam a vida desnecessariamente. Quando se viam em situações perigosas, eram corajosos, mas cautelosos. (Mateus 10:16, 23) Tinham por objetivo promover a pregação e manter a integridade a Jeová. As suas reações em diversas situações servem de exemplo para os cristãos que hoje se confrontam com provações e perseguições.
5. Que perseguição houve em Malaui na década de 60, e como reagiram as Testemunhas de Jeová ali?
5 Nos tempos modernos, o povo de Jeová se viu muitas vezes em condições de extrema dificuldade e privação, por causa de guerras, proscrições ou perseguição direta. Por exemplo, na década de 60, as Testemunhas de Jeová em Malaui foram severamente perseguidas. Seus Salões do Reino, suas casas, seus suprimentos de comida e seus negócios — praticamente tudo o que possuíam — foram destruídos. Sofreram espancamentos e outras coisas horríveis. Como os irmãos reagiram? Milhares tiveram de fugir dos seus povoados. Muitos encontraram refúgio nas matas, ao passo que outros foram ao exílio temporário no país vizinho, Moçambique. Embora muitos fiéis tenham perdido a vida, outros escolheram fugir da zona de perigo, o que, pelo visto, foi um proceder razoável nessas circunstâncias. Agindo assim, os irmãos seguiram o precedente estabelecido por Jesus e por Paulo.
6. O que as Testemunhas de Jeová não deixaram de fazer em Malaui apesar de ferrenha perseguição?
6 Embora os irmãos em Malaui tivessem de se mudar ou de se esconder, eles procuraram e seguiram a orientação teocrática, realizando suas atividades cristãs às ocultas do melhor modo possível. Com que resultado? Alcançou-se um auge de 18.519 publicadores do Reino pouco antes da proscrição em 1967. Embora a proscrição ainda estivesse em vigor e muitos tivessem fugido para Moçambique, em 1972 relatou-se um novo auge de 23.398 publicadores. Gastaram em média mais de 16 horas por mês no ministério. Sem dúvida, suas ações deram louvor a Jeová, e a bênção Dele estava sobre esses irmãos fiéis durante aqueles tempos tão difíceis.a
7, 8. Por que motivos alguns escolhem não fugir, embora a oposição lhes cause problemas?
7 Por outro lado, nos países em que a oposição causa problemas, alguns irmãos talvez decidam não se mudar para outro país, embora possam fazer isso. A mudança para outro lugar talvez resolva alguns problemas, mas pode criar outros desafios. Por exemplo, conseguiriam manter contato com a fraternidade cristã e não ficar espiritualmente isolados? Conseguiriam manter a rotina espiritual enquanto se esforçam a se restabelecer, talvez num país mais rico ou que ofereça mais oportunidades de progredir materialmente? — 1 Timóteo 6:9.
8 Outros decidem não partir, porque se preocupam com o bem-estar espiritual dos seus irmãos. Decidem permanecer onde estão e enfrentar a situação, a fim de continuar a pregar no seu território e ser fonte de encorajamento para os companheiros na adoração. (Filipenses 1:14) Alguns, por fazerem essa escolha, puderam depois contribuir para a obtenção de vitórias jurídicas no seu país.b
9. Que fatores a pessoa precisa considerar ao decidir se deve ficar ou partir por causa de perseguição?
9 Ficar ou partir — essa certamente é uma decisão pessoal. Decisões assim, naturalmente, devem ser tomadas apenas depois de procurarmos com oração a orientação de Jeová. Não importa que rumo escolhamos, porém, temos de levar em conta as palavras do apóstolo Paulo: “Cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.” (Romanos 14:12) Como já mencionamos, o que Jeová requer de cada um dos seus servos é que continue fiel sob quaisquer circunstâncias. Hoje, alguns dos seus servos passam por provações e perseguições; outros talvez tenham que enfrentá-las mais tarde. De um modo ou de outro, todos serão provados, e ninguém deve esperar não passar por isso. (João 15:19, 20) Nós, como servos dedicados de Jeová, não podemos esquivar-nos da questão universal que envolve a santificação do nome de Jeová e a vindicação da sua soberania. — Ezequiel 38:23; Mateus 6:9, 10.
“Não retribuais a ninguém mal por mal”
10. Que precedente importante estabeleceram Jesus e os apóstolos para nós quanto a como lidar com pressões e oposição?
10 Outro princípio importante que podemos aprender do modo como Jesus e seus apóstolos reagiram quando sofreram pressão é o de nunca retaliar os nossos perseguidores. Em parte alguma da Bíblia encontramos qualquer indicação de que Jesus ou seus seguidores tenham organizado algum movimento de resistência ou recorrido à força para combater seus perseguidores. Ao contrário, “não retribuais a ninguém mal por mal”, aconselhou o apóstolo Paulo aos cristãos. “Não vos vingueis, amados, mas cedei lugar ao furor; pois está escrito: ‘A vingança é minha; eu pagarei de volta, diz Jeová.’ ” Além disso, “não te deixes vencer pelo mal, porém, persiste em vencer o mal com o bem”. — Romanos 12:17-21; Salmo 37:1-4; Provérbios 20:22.
11. O que disse certo historiador a respeito da atitude dos primeiros cristãos para com o Estado?
11 Os primeiros cristãos tomaram a peito esse conselho. No seu livro The Early Church and the World (A Igreja Primitiva e o Mundo), o historiador Cecil J. Cadoux descreveu a atitude dos cristãos para com o Estado durante o período de 30-70 EC. Ele escreveu: “Não temos nenhuma evidência direta de que os cristãos desse período tivessem feito um esforço para resistir à perseguição pela força. O máximo que fizeram nesse sentido foi fustigar seus governantes com fortes censuras ou frustrá-los por fugirem. A reação cristã normal à perseguição, porém, não passou duma recusa firme, mas controlada, de obedecer às ordens do governo que achavam entrar em conflito com a sua obediência a Cristo.”
12. Por que é melhor suportar sofrimento do que retaliar?
12 Será que tal proceder aparentemente passivo é realmente prático? Os que reagem assim não seriam uma presa fácil para aqueles que estão determinados a acabar com eles? Não seria prudente defender-se? Do ponto de vista humano, pode parecer que seja assim. No entanto, nós, como servos de Jeová, estamos certos de que seguir a orientação de Jeová em todos os assuntos é o melhor proceder. Temos em mente as palavras de Pedro: “Se perseverais quando estais fazendo o bem e sofreis, isto é algo agradável a Deus.” (1 Pedro 2:20) Confiamos que Jeová está bem apercebido da situação existente e que não permitirá que tais coisas continuem indefinidamente. Como podemos ter certeza disso? Jeová declarou ao seu povo cativo em Babilônia: “Aquele que toca em vós, toca no globo do meu olho.” (Zacarias 2:8) Por quanto tempo deixaria alguém lhe tocar o globo do olho? Jeová providenciará alívio no tempo devido. Sobre isso não há nenhuma dúvida. — 2 Tessalonicenses 1:5-8.
13. Por que Jesus permitiu de modo submisso que o inimigo o prendesse?
13 Nesse respeito, podemos ter Jesus como nosso modelo. Quando ele permitiu que seus inimigos o prendessem no jardim de Getsêmani, não era porque não podia defender-se. Na realidade, ele disse aos seus discípulos: “[Pensais] que não posso apelar para meu Pai, para fornecer-me neste momento mais de doze legiões de anjos? Neste caso, como se cumpririam as Escrituras, de que tem de realizar-se deste modo?” (Mateus 26:53, 54) A realização da vontade de Jeová era de importância primária para Jesus, mesmo que significasse que tinha de sofrer. Ele confiava plenamente nas palavras do salmo profético de Davi: “Não deixarás a minha alma no Seol. Não permitirás que aquele que te é leal veja a cova.” (Salmo 16:10) Anos depois, o apóstolo Paulo disse a respeito de Jesus: “Pela alegria que se lhe apresentou, ele aturou uma estaca de tortura, desprezando a vergonha, e se tem assentado à direita do trono de Deus.” — Hebreus 12:2.
A alegria de santificar o nome de Jeová
14. Que alegria sustentou Jesus durante todas as suas provações?
14 Que alegria sustentou Jesus durante a prova mais severa que se possa imaginar? Dentre todos os servos de Jeová, Jesus, o Filho amado de Deus, certamente era o alvo principal de Satanás. Portanto, manter Jesus a integridade sob prova seria a resposta definitiva ao escárnio que Satanás fez a Jeová. (Provérbios 27:11) Consegue imaginar a alegria e a satisfação que Jesus deve ter sentido quando foi ressuscitado? Como deve ter-se sentido feliz ao dar-se conta de que, como homem perfeito, havia cumprido o papel que recebera para desempenhar na vindicação da soberania de Jeová e na santificação do Seu nome! Além disso, estar sentado “à direita do trono de Deus” é, sem dúvida, uma maravilhosa honra e a maior fonte de alegria para Jesus. — Salmo 110:1, 2; 1 Timóteo 6:15, 16.
15, 16. Que horrenda perseguição sofreram as Testemunhas de Jeová em Sachsenhausen, e o que lhes deu força para suportá-la?
15 Aos cristãos também dá alegria participar na santificação do nome de Jeová por suportarem provações e perseguições, seguindo o modelo de Jesus. Um exemplo disso é o que se deu com as Testemunhas de Jeová que sofreram no infame campo de concentração de Sachsenhausen e que, no fim da Segunda Guerra Mundial, sobreviveram à horrenda marcha da morte. Durante essa marcha, milhares de presos morreram de frio, doença, fome ou foram brutalmente executados à beira da estrada pelos guardas da SS. Todas as 230 Testemunhas de Jeová sobreviveram por se manterem unidas e se ajudarem mutuamente, mesmo arriscando a própria vida.
16 O que deu força a essas Testemunhas de Jeová para suportar tal horrenda perseguição? Assim que estavam a salvo, expressaram sua alegria e sua gratidão a Jeová num documento intitulado “A resolução de 230 das Testemunhas de Jeová, de seis nacionalidades, reunidas numa floresta perto de Schwerin, em Mecklenburgo”. Nela declararam: “Longo período de prova sobre nós já passou, e aqueles que foram preservados, tendo sido como que arrancados da fornalha ardente, não têm sobre si nem o cheiro de fogo. (Veja-se Daniel 3:27.) Pelo contrário, estão cheios de vigor e de poder da parte de Jeová, e aguardam ansiosamente novas ordens do Rei para adiantar os interesses teocráticos.”c
17. Com que tipos de provas se confronta agora o povo de Deus?
17 Assim como no caso desses 230 fiéis, é possível que a nossa fé seja provada, embora ainda não ‘tenhamos resistido até o sangue’. (Hebreus 12:4) Mas uma prova pode assumir muitas formas. Pode ser a zombaria dos colegas de classe, ou a pressão deles para cometer imoralidade e outras coisas erradas. Além disso, a decisão de se abster de sangue, de se casar somente no Senhor, ou de educar os filhos na fé numa família dividida, pode às vezes resultar em severas pressões e provas. — Atos 15:29; 1 Coríntios 7:39; Efésios 6:4; 1 Pedro 3:1, 2.
18. Que garantia temos de que podemos perseverar mesmo na prova mais extraordinária?
18 No entanto, não importa que prova nos sobrevenha, sabemos que sofremos porque damos prioridade a Jeová e ao seu Reino, e achamos ser um verdadeiro privilégio e alegria fazer isso. As palavras animadoras de Pedro inspiram coragem: “Se fordes vituperados pelo nome de Cristo, felizes sois, porque o espírito de glória, sim, o espírito de Deus, está repousando sobre vós.” (1 Pedro 4:14) Com o poder do espírito de Jeová, temos a força necessária para suportar até mesmo as provas mais difíceis, tudo para a glória e o louvor dele. — 2 Coríntios 4:7; Efésios 3:16; Filipenses 4:13.
[Nota(s) de rodapé]
a Os acontecimentos na década de 60 foram apenas as primeiras duma série de perseguições amargas e assassinas que as Testemunhas de Jeová em Malaui tiveram de suportar por quase três décadas. Veja o relato completo no Anuário das Testemunhas de Jeová de 1999, páginas 171-212.
b Veja o artigo “Supremo Tribunal apóia a adoração verdadeira na ‘terra de Ararate’ ”, em A Sentinela de 1.º de abril de 2003, páginas 11-14.
c Veja o texto dessa resolução na íntegra no Anuário das Testemunhas de Jeová de 1975, páginas 211-12. O depoimento de um sobrevivente da marcha pode ser encontrado em A Sentinela de 1.º de janeiro de 1998, nas páginas 25-9.
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A perseverança sob provas dá louvor a JeováA Sentinela — 2003 | 1.° de outubro
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[Quadro/Fotos na página 15]
Como enfrentaram a perseguição
• Antes de os soldados de Herodes chegarem a Belém para matar todos os meninos de dois anos ou menos de idade, José e Maria, sob orientação angélica, pegaram o menino Jesus e fugiram para o Egito. — Mateus 2:13-16.
• Muitas vezes, durante o ministério de Jesus, seus inimigos tentaram matá-lo por causa do poderoso testemunho que ele dava. Jesus escapou deles diversas vezes. — Mateus 21:45, 46; Lucas 4:28-30; João 8:57-59.
• Quando soldados e oficiais chegaram ao jardim de Getsêmani para prender Jesus, ele se identificou abertamente, dizendo-lhes duas vezes: “Sou eu.” Até mesmo impediu que seus seguidores oferecessem qualquer resistência, e permitiu que a turba o levasse embora. — João 18:3-12.
• Em Jerusalém, Pedro e outros foram presos, açoitados e se lhes ordenou que parassem de falar sobre Jesus. No entanto, quando foram soltos, “retiraram-se . . . e cada dia, no templo e de casa em casa, continuavam sem cessar a ensinar e a declarar as boas novas a respeito do Cristo, Jesus”. — Atos 5:40-42.
• Quando Saulo, que mais tarde se tornou o apóstolo Paulo, soube que os judeus em Damasco tramavam sua morte, os irmãos o colocaram num cesto e o baixaram de noite através duma abertura no muro da cidade, e ele escapou. — Atos 9:22-25.
• Anos mais tarde, Paulo decidiu apelar para César, embora tanto o Governador Festo como o Rei Agripa não achassem nele ‘nada que merecesse a morte ou laços’. — Atos 25:10-12, 24-27; 26:30-32.
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