‘Podridão moral no ensino superior’
“NOS últimos 6 meses uma equipe de auditores tem devassado as contas de 14 das principais universidades do país [EUA], à procura de despesas lançadas ‘por descuido’ contra fundos governamentais. ‘Descobrimos que as 14 escolas incluíram cerca de US$ 20,4 milhões de custos não-autorizados’”, teriam dito os auditores, segundo um artigo na revista britânica New Scientist.
Os auditores do governo realizaram investigações no ano passado, quando se descobriu que a Universidade de Stanford se apropriara de uns US$ 25 milhões do dinheiro de contribuintes. Estavam incluídas despesas tais como flores frescas diárias para a casa do reitor da universidade, uma recepção de casamento, depreciação de um iate, mensalidades de um clube de campo e administração de um centro comercial. Confrontado com esses fatos desabonadores, o então reitor de Stanford, Donald Kennedy, disse que cortaria “despesas que são facilmente sujeitas a mal-entendidos públicos” e, assim, “evitar qualquer possível confusão”. O jornal Boston Herald, de 1.º de janeiro de 1992, comentando a sua resposta, disse: “Em outras palavras, o único problema era que a plebe fora do campus talvez não tivesse condições de entender o que os nobres Olímpicos [os educadores] fazem na academia.”
Foi depois dessas revelações a respeito de Stanford que os auditores do governo americano foram enviados na sua turnê mais recente para as 14 universidades e descobriram o rombo adicional de US$ 20,4 milhões. Estavam envolvidas universidades de prestígio como as de Michigan, Johns Hopkins, Yale, e Emory. As despesas apresentadas pelas 14 universidades incluíam itens tais como: “Passagens aéreas para esposas de reitores; passagem aérea para Grand Canyon para assistir a uma reunião de investidores; numerosas despesas para comparecer a jogos de futebol americano; um contador de histórias para uma festa de Natal; e despesas de afiliação a associações atléticas de universidade e a vários clubes sociais, inclusive um clube de iatismo.”
Quando os investigadores federais anunciaram que iriam também ao M.I.T. e a Harvard, essas instituições anunciaram grandes cortes. O M.I.T. reduziu em US$ 731.000 seu pedido de verbas para pesquisa; Harvard cortou US$ 500.000 de suas despesas. A Universidade de Duke descobriu “erros por descuido” na sua apresentação de despesas. O Instituto de Tecnologia da Califórnia decidiu não mais cobrar do governo suas despesas de afiliação a clubes de campo. A Universidade de Pittsburgh não usaria o dinheiro de contribuintes para pagar entradas de ópera ou passagens aéreas para seu reitor e sua esposa irem à ilha Grande Caimã.
“A podridão moral”, disse o jornal The Boston Herald, “abrange muito mais do que apenas assuntos financeiros. Estes simplesmente estavam onde alguém virou uma pedra e deixou o público ver o que rastejava por baixo. . . . Os escândalos de gastos em Stanford e em outras instituições de elite são importantes não tanto pelas somas de dinheiro envolvidas mas como sintoma de um fracasso moral mais profundo. Provavelmente, apenas o repúdio público e mudanças institucionais consigam deter a maré.”