BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • Dê o devido valor à dádiva da vida
    A Sentinela — 2004 | 15 de junho
    • Dê o devido valor à dádiva da vida

      “O sangue do Cristo . . . purificará as nossas consciências de obras mortas, para que prestemos serviço sagrado ao Deus vivente.” — HEBREUS 9:14.

      1. O que prova que damos muito valor à vida?

      SE LHE perguntassem quanto vale a sua vida, o que diria? Nós damos muito valor à vida — à nossa e à de outros. A prova disso é que vamos ao médico para receber tratamento quando estamos doentes, ou para fazer regularmente um check-up. Queremos continuar vivos e saudáveis. Mesmo a maioria dos idosos ou incapacitados não querem morrer; querem continuar vivos.

      2, 3. (a) Que obrigação destaca Provérbios 23:22? (b) Como Deus está envolvido na obrigação mencionada em Provérbios 23:22?

      2 O valor que você dá à vida afeta seu relacionamento com outros. Por exemplo, a Palavra de Deus ordena: “Escuta teu pai que causou o teu nascimento e não desprezes a tua mãe só porque ela envelheceu.” (Provérbios 23:22) ‘Escutar’ significa mais do que apenas ouvir palavras; esse provérbio significa ouvir e depois obedecer. (Êxodo 15:26; Deuteronômio 7:12; 13:18; 15:5; Josué 22:2; Salmo 81:13) Que motivo dá a Palavra de Deus para isso? Não é apenas a questão de seus pais serem mais velhos do que você ou terem mais experiência. O motivo dado pelo texto é que eles ‘causaram o seu nascimento’. Certa versão verte esse versículo da seguinte maneira: “Escute o teu pai, pois você lhe deve a vida.” É compreensível que, se você dá valor à sua vida, sente que tem alguma obrigação para com a fonte dela.

      3 Naturalmente, se você é um verdadeiro cristão, reconhece que Jeová é a suprema Fonte da sua vida. Por meio dele você ‘tem vida’, pode ‘se mover’ e agir como criatura consciente; por isso você ‘existe’, e pode pensar e fazer planos para o futuro, um futuro infindável. (Atos 17:28; Salmo 36:9; Eclesiastes 3:11) Segundo Provérbios 23:22, é apropriado ‘escutar’ obedientemente a Deus, desejando compreender seu ponto de vista sobre a vida e agir de acordo, em vez de preferir seguir o conceito de outros.

      Mostre que respeita a vida

      4. No início da história do homem, como o respeito pela vida se tornou uma questão importante?

      4 No início da história do homem, Jeová esclareceu que não cabia aos humanos usar a vida (ou abusar dela) como bem quisessem. Tomado de fúria e ciúme, Caim tirou uma vida inocente, a do seu irmão Abel. Você acha que Caim tinha o direito de tomar tal decisão a respeito da vida? Deus achava que não. Ele chamou Caim a uma prestação de contas: “Que fizeste? Escuta! O sangue de teu irmão está clamando a mim desde o solo.” (Gênesis 4:10) Note que o sangue no solo representava a vida de Abel, que fora brutalmente interrompida, e ele clamava a Deus por vingança. — Hebreus 12:24.

      5. (a) Que proibição Deus fez nos dias de Noé, e a quem se aplicava? (b) Em que sentido essa proibição era um passo importante?

      5 Após o Dilúvio, a humanidade recomeçou com apenas oito almas. Numa declaração que se aplica a todos os humanos, Deus revelou mais sobre o valor que ele dá à vida e ao sangue. Disse que os humanos podiam comer carne animal, mas impôs a seguinte restrição: “Todo animal movente que está vivo pode servir-vos de alimento. Como no caso da vegetação verde, deveras vos dou tudo. Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer.” (Gênesis 9:3, 4) Alguns judeus interpretaram isso como significando que os humanos não deviam comer a carne ou o sangue de um animal ainda vivo. Mas o tempo mostraria claramente que o que Deus estava proibindo ali era consumir sangue para sustentar a vida. Além disso, o decreto de Deus por meio de Noé era um grande passo na realização do Seu elevado propósito envolvendo o sangue — um propósito que permitiria que os humanos obtivessem vida eterna.

      6. Como Deus enfatizou, por meio de Noé, Seu conceito sobre o valor da vida?

      6 Deus continuou: “Exigirei de volta vosso sangue das vossas almas. Da mão de cada criatura vivente o exigirei de volta; e da mão do homem, da mão de cada um que é seu irmão exigirei de volta a alma do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.” (Gênesis 9:5, 6) Essa declaração a toda a família humana mostra que Deus considera o sangue do homem como representando a vida. O Criador dá vida à pessoa, e ninguém deve tirar essa vida, representada pelo sangue. Se alguém, assim como Caim, comete um assassinato, o Criador tem o direito de ‘exigir de volta’ a vida do assassino.

      7. Por que a declaração que Deus fez a Noé a respeito do sangue deve nos interessar?

      7 Por meio dessa declaração, Deus orientou os humanos a não usarem mal o sangue. Já se perguntou sobre o motivo disso? Também, sobre o que estava por trás do conceito de Deus sobre o sangue? Na realidade, a resposta envolve um dos mais importantes ensinos da Bíblia. É o próprio âmago da mensagem cristã, embora muitas igrejas escolham ignorar isso. Que ensino é esse, e como a sua vida, suas decisões e ações estão envolvidas nisso?

      O sangue — como poderia ser usado?

      8. Na Lei, que limitação Jeová impôs ao uso de sangue?

      8 Jeová forneceu mais pormenores a respeito da vida e do sangue quando deu a Israel o código da Lei. Ao fazer isso, ele deu mais um passo no cumprimento do seu propósito. É provável que saiba que a Lei exigia que o povo fizesse ofertas a Deus, tais como cereais, azeite e vinho. (Levítico 2:1-4; 23:13; Números 15:1-5) Havia também sacrifícios de animais. Deus disse a respeito desses: “A alma da carne está no sangue, e eu mesmo o pus para vós sobre o altar para fazer expiação pelas vossas almas, porque é o sangue que faz expiação pela alma nele. Foi por isso que eu disse aos filhos de Israel: ‘Nenhuma alma vossa deve comer sangue.’” Jeová acrescentou que, se alguém, um caçador ou lavrador, matasse um animal para se alimentar, ele tinha de derramar o sangue e cobri-lo com pó. Sendo a Terra o escabelo de Deus, a pessoa, por derramar o sangue sobre a terra, reconhecia que a vida tinha de ser devolvida ao Dador da Vida. — Levítico 17:11-13; Isaías 66:1.

      9. Qual era o único uso do sangue especificado na Lei, e qual era o objetivo disso?

      9 Essa Lei não era um mero rito religioso sem importância para nós. Entendeu por que motivo os israelitas não deviam consumir sangue? Deus disse: “Foi por isso que eu disse aos filhos de Israel: ‘Nenhuma alma vossa deve comer sangue.’” Qual era o motivo disso? “Eu mesmo o pus [o sangue] para vós sobre o altar para fazer expiação pelas vossas almas.” Percebe que isso nos faz entender por que Deus disse a Noé que os humanos não deviam comer sangue? O Criador atribuiu ao sangue um significado elevado, restringindo-o a um uso especial que poderia salvar muitas vidas. Desempenharia um papel vital em cobrir os pecados (expiação). Portanto, sob a Lei, o único uso do sangue autorizado por Deus era no altar, para fazer expiação pela vida dos israelitas que procuravam o perdão de Jeová.

      10. Por que o sangue de animais não podia trazer pleno perdão, mas que lembrete davam os sacrifícios feitos sob a Lei?

      10 Esse conceito não foi excluído do cristianismo. Referindo-se a essa provisão divina especificada na Lei, o apóstolo cristão Paulo escreveu: “Quase todas as coisas são purificadas com sangue, segundo a Lei, e a menos que se derrame sangue, não há perdão.” (Hebreus 9:22) Paulo esclareceu que os sacrifícios exigidos não transformavam os israelitas em humanos perfeitos, sem pecado. Ele escreveu: “Por meio destes sacrifícios há de ano em ano uma lembrança dos pecados, porque não é possível que o sangue de touros e de bodes tire pecados.” (Hebreus 10:1-4) Ainda assim, esses sacrifícios eram úteis. Lembravam aos israelitas que eles eram pecaminosos e que precisavam de algo mais para obter pleno perdão. Mas se o sangue que representava a vida de animais não podia cobrir completamente os pecados humanos, será que algum outro tipo de sangue poderia?

      A solução do Dador da Vida

      11. Como sabemos que os sacrifícios de sangue de animais apontavam para algo mais?

      11 Na realidade, a Lei apontava para algo muito mais eficaz no cumprimento da vontade de Deus. Paulo perguntou: “Por que, então, a Lei?” Ele respondeu: “Ela foi acrescentada para tornar manifestas as transgressões, até que chegasse o descendente a quem se fizera a promessa; e ela foi transmitida por intermédio de anjos, pela mão dum mediador [Moisés].” (Gálatas 3:19) De modo similar Paulo escreveu: “A Lei tem uma sombra das boas coisas vindouras, mas não a própria substância das coisas.” — Hebreus 10:1.

      12. Com respeito ao sangue, como é possível ver o desenrolar do propósito de Deus?

      12 Em resumo, lembre-se de que, nos dias de Noé, Deus decretou que os humanos podiam comer carne animal para o seu sustento, mas não podiam ingerir sangue. Depois, Deus declarou que “a alma da carne está no sangue”. De fato, ele decidiu considerar o sangue como representando a vida e disse: “Eu mesmo o pus para vós sobre o altar para fazer expiação pelas vossas almas.” No entanto, haveria um maravilhoso esclarecimento adicional do propósito de Deus. A Lei prefigurava boas coisas vindouras. Quais?

      13. Por que a morte de Jesus foi importante?

      13 A realidade girava em torno da morte de Jesus Cristo. Você sabe que Jesus foi torturado e pregado numa estaca. Ele morreu como um criminoso. Paulo escreveu: “Cristo, enquanto ainda éramos fracos, morreu por homens ímpios, no tempo designado. . . . Deus recomenda a nós o seu próprio amor, por Cristo ter morrido por nós enquanto éramos ainda pecadores.” (Romanos 5:6, 8) Morrendo por nós, Cristo forneceu um resgate para cobrir os nossos pecados. Esse resgate é a base da mensagem cristã. (Mateus 20:28; João 3:16; 1 Coríntios 15:3; 1 Timóteo 2:6) O que isso tem que ver com o sangue e a vida, e como envolve a sua vida?

      14, 15. (a) Como algumas traduções de Efésios 1:7 enfatizam a morte de Jesus? (b) O que poderia passar despercebido no texto de Efésios 1:7?

      14 Algumas igrejas dão ênfase à morte de Jesus, e seus adeptos dizem algo como “Jesus morreu por mim”. Considere como algumas traduções da Bíblia vertem Efésios 1:7: “É nele e pela sua morte que temos livramento, quer dizer, a eliminação de nossas ofensas.” (The American Bible, de Frank Scheil Ballentine, 1902) “Pela morte de Cristo somos libertados, e nossos pecados são perdoados.” (Today’s English Version, 1966) “É em Cristo e por meio dele e do sacrifício da sua vida que fomos libertados, o que significa o perdão de nossos pecados.” (The New Testament, de William Barclay, 1969) “É por meio da morte de Cristo que nossos pecados são perdoados e somos libertados.” (The Translator’s New Testament, 1973) Como pode ver, essas versões enfatizam a morte de Jesus. ‘Mas’, alguns talvez digam, ‘a morte de Jesus é realmente importante. Então, o que está faltando nessas versões?’

      15 De fato, se tivesse de depender de tais traduções, um ponto muito importante poderia passar despercebido, e isso poderia limitar seu entendimento da mensagem da Bíblia. Essas versões obscurecem o fato de que o texto original de Efésios 1:7 contém uma palavra grega que significa “sangue”. Por isso, muitas Bíblias, tais como a Tradução do Novo Mundo, se aproximam mais do original: “Mediante ele temos o livramento por meio de resgate, por intermédio do sangue desse, sim, o perdão de nossas falhas, segundo as riquezas de sua benignidade imerecida.”

      16. O que a expressão “do sangue desse” deve trazer à nossa mente?

      16 A expressão “do sangue desse” está cheia de significado e deve trazer à nossa mente muitos fatores que envolvem o sangue. Era preciso mais do que uma morte, mesmo a morte do homem perfeito Jesus. Ele cumpriu o que foi prefigurado na Lei, sobretudo no Dia da Expiação. Naquele dia especial, sacrificavam-se animais estipulados pela Lei. Daí, o sumo sacerdote levava parte do sangue deles ao compartimento do Santíssimo do tabernáculo ou do templo, onde o apresentava a Deus, como se estivesse na presença dele. — Êxodo 25:22; Levítico 16:2-19.

      17. Como Jesus cumpriu o que foi prefigurado pelo Dia da Expiação?

      17 Jesus cumpriu o que foi prefigurado pelo Dia da Expiação, conforme Paulo explicou. Primeiro, ele mencionou que o sumo sacerdote em Israel entrava uma vez por ano no Santíssimo com sangue oferecido “por si mesmo e pelos pecados de ignorância do povo”. (Hebreus 9:6, 7) Fiel a este modelo, depois de Jesus ter sido ressuscitado como espírito, ele subiu ao próprio céu. Como espírito, não tendo um corpo de carne e sangue, ele podia aparecer “por nós perante a pessoa de Deus”. O que apresentou a Deus? Não algo físico, mas algo muito significativo. Paulo continuou: “Quando Cristo veio como sumo sacerdote . . . , ele entrou no lugar santo, não, não com o sangue de bodes e de novilhos, mas com o seu próprio sangue, de uma vez para sempre, e obteve para nós um livramento eterno. Pois, se o sangue de bodes e de touros . . . santifica até à purificação da carne, quanto mais o sangue do Cristo, o qual, por intermédio dum espírito eterno, se ofereceu a Deus sem mácula, purificará as nossas consciências de obras mortas, para que prestemos serviço sagrado ao Deus vivente?” De fato, Jesus apresentou a Deus o valor do seu sangue que representava sua vida. — Hebreus 9:11-14, 24, 28; 10:11-14; 1 Pedro 3:18.

      18. Por que as declarações bíblicas a respeito do sangue têm grande importância para os cristãos atualmente?

      18 Essa verdade divina nos permite compreender todos os maravilhosos aspectos que a Bíblia apresenta sobre o sangue: o porquê do conceito de Deus, qual deve ser o nosso conceito e por que devemos respeitar as restrições que Deus impôs ao uso do sangue. Ao ler os livros das Escrituras Gregas Cristãs, encontrará muitas referências ao sangue do Cristo. (Veja o quadro.) Essas tornam claro que todos os cristãos devem ter fé ‘no sangue de Jesus’. (Romanos 3:25) Só podemos obter o perdão de Deus e ter paz com ele “por intermédio do sangue que [Jesus] derramou”. (Colossenses 1:20) Isso certamente se dá com aqueles com quem Jesus fez um pacto especial para reinarem com ele no céu. (Lucas 22:20, 28-30; 1 Coríntios 11:25; Hebreus 13:20) O mesmo se dá hoje com os da “grande multidão”, que sobreviverão à vindoura “grande tribulação” e terão vida eterna num paraíso terrestre. Em sentido figurativo, eles ‘lavaram as suas vestes compridas no sangue do Cordeiro’. — Revelação (Apocalipse) 7:9, 14.

      19, 20. (a) Por que decidiu Deus restringir o uso do sangue e como devemos nos sentir a respeito disso? (b) O que devemos estar interessados em saber?

      19 É evidente que o sangue tem um significado especial aos olhos de Deus. Também deve ter para nós. O Criador, que se importa muito com a vida, tem o direito de estabelecer restrições a como os humanos usam o sangue. Devido ao seu grande interesse pela vida, até mesmo pela nossa, ele determinou restringir o uso do sangue para que fosse utilizado de um modo muitíssimo importante — o único modo que torna possível a vida eterna. Isso envolveu o sangue precioso de Jesus. Podemos ser muito gratos por Jeová Deus ter agido para o nosso bem, usando sangue — o de Jesus — para salvar vidas. E como devemos ser gratos a Jesus por ter derramado seu sangue como sacrifício por nós! Realmente, podemos compreender os sentimentos expressos pelo apóstolo João: “Àquele que nos ama e que nos soltou dos nossos pecados por meio de seu próprio sangue — e ele fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai — sim, a ele seja a glória e o poderio para sempre. Amém.” — Revelação 1:5, 6.

      20 Nosso Deus todo-sábio e Dador da Vida tinha em mente por muito tempo o uso do sangue para este objetivo — salvar vidas. De modo que poderíamos perguntar: ‘Como deve isso influenciar as nossas decisões e ações?’ O próximo artigo tratará dessa questão.

      Como responderia?

      • O que podemos aprender dos relatos envolvendo Abel e Noé a respeito do conceito de Deus sobre o sangue?

      • Na Lei, que restrições Deus estabeleceu para o uso de sangue, e por quê?

      • Como Jesus cumpriu o que foi prefigurado pelo Dia da Expiação?

      • Como pode o sangue de Jesus salvar a nossa vida?

  • Aceite a orientação do Deus vivente
    A Sentinela — 2004 | 15 de junho
    • Aceite a orientação do Deus vivente

      “Que vos desvieis . . . para o Deus vivente, que fez o céu e a terra, e o mar, e todas as coisas neles.” — ATOS 14:15.

      1, 2. Por que é apropriado reconhecer que Jeová é “o Deus vivente”?

      DEPOIS de o apóstolo Paulo e Barnabé terem curado um homem, Paulo assegurou aos observadores em Listra: “Nós também somos humanos, tendo os mesmos padecimentos que vós, e vos estamos declarando as boas novas, para que vos desvieis destas coisas vãs para o Deus vivente, que fez o céu e a terra, e o mar, e todas as coisas neles.” — Atos 14:15.

      2 Verdadeiramente Jeová não é um ídolo sem vida, mas “o Deus vivente”! (Jeremias 10:10; 1 Tessalonicenses 1:9, 10) Além de ele ser um Deus vivo, Jeová é a Fonte da nossa vida. “Ele mesmo dá a todos vida, e fôlego, e todas as coisas.” (Atos 17:25) Está interessado em que nós usufruamos a vida, agora e no futuro. Paulo acrescentou que Deus “não se deixou sem testemunho, por fazer o bem, dando-vos chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo os vossos corações plenamente de alimento e de bom ânimo”. — Atos 14:17.

      3. Por que podemos confiar na orientação provida por Deus?

      3 O interesse de Deus na nossa vida nos dá motivos para confiarmos na sua orientação. (Salmo 147:8; Mateus 5:45) Alguns talvez não reajam assim quando encontram uma orientação bíblica que não entendem ou que parece restritiva. Ainda assim, a experiência mostra que é sábio confiar na orientação de Jeová. Para ilustrar isso: mesmo se um israelita não entendesse a lei que proibia tocar num cadáver, ele era beneficiado quando obedecia a ela. Primeiro, a sua obediência o achegaria mais ao Deus vivente; segundo, o ajudaria a evitar doenças. — Levítico 5:2; 11:24.

      4, 5. (a) Antes da era cristã, que orientação Jeová deu a respeito do sangue? (b) Como sabemos que a orientação de Deus referente ao sangue envolve os cristãos?

      4 O mesmo se dá com a orientação de Deus a respeito do sangue. Ele disse a Noé que os humanos não deviam consumir sangue. Depois, na Lei, Deus revelou que o único uso aprovado do sangue era no altar — para o perdão de pecados. Por meio dessas diretrizes, Deus lançou a base para o uso superlativo do sangue — a salvação de vidas por meio do resgate de Jesus. (Hebreus 9:14) Na realidade, a orientação de Deus mostrou que ele se importa com a nossa vida e o nosso bem-estar. Ao comentar sobre Gênesis 9:4, Adam Clarke, erudito bíblico do século 19, escreveu: “Esta ordem [dada a Noé] ainda é escrupulosamente obedecida pelos cristãos ortodoxos orientais . . . Sob a lei, não se comia nenhum sangue, porque ela apontava para o sangue que havia de ser derramado pelo pecado do mundo, e sob o Evangelho, não devia ser comido, porque sempre devia ser considerado como representando o sangue que fora derramado para a remissão de pecados.”

      5 Esse erudito talvez se referisse ao evangelho básico, ou às boas novas, que focalizam Jesus. Isso inclui Deus ter enviado seu Filho a fim de morrer por nós, derramando seu sangue para que tivéssemos vida eterna. (Mateus 20:28; João 3:16; Romanos 5:8, 9) O comentário abrangeu também a ordem posterior, de que os seguidores de Cristo se abstivessem de sangue.

      6. Que orientação a respeito do sangue se deu aos cristãos, e por quê?

      6 Você sabe que Deus deu aos israelitas centenas de regulamentos. Depois que Jesus morreu, seus discípulos não estavam mais obrigados a cumprir todas aquelas leis. (Romanos 7:4, 6; Colossenses 2:13, 14, 17; Hebreus 8:6, 13) No entanto, com o tempo surgiu uma questão a respeito de uma obrigação básica — a da circuncisão masculina. Será que os não-judeus que queriam ser beneficiados pelo sangue de Cristo tinham de ser circuncidados, indicando que ainda estavam sob a Lei? Em 49 EC, o Corpo Governante cristão cuidou do assunto. (Atos, capítulo 15) Ajudados pelo espírito de Deus, os apóstolos e os anciãos chegaram à conclusão de que a circuncisão obrigatória havia acabado com o fim da Lei. Mesmo assim, certos requisitos divinos continuavam valendo para os cristãos. Numa carta às congregações, o Corpo Governante escreveu: “Pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: de persistirdes em abster-vos de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação. Se vos guardardes cuidadosamente destas coisas, prosperareis.” — Atos 15:28, 29.

      7. Quão importante é para os cristãos ‘absterem-se do sangue’?

      7 É evidente que o Corpo Governante considerou a ‘abstenção do sangue’ tão moralmente vital quanto a da imoralidade sexual ou da idolatria. Isso prova que a proibição do sangue é séria. Os cristãos que impenitentemente praticam idolatria ou imoralidade sexual não podem ‘herdar o reino de Deus’ e ‘terão o seu quinhão . . . na segunda morte’. (1 Coríntios 6:9, 10; Revelação [Apocalipse] 21:8; 22:15) Note o contraste: desconsiderar a orientação de Deus a respeito da santidade do sangue pode resultar em morte eterna. Respeitar o sacrifício de Jesus pode levar à vida eterna.

      8. O que indica que os primeiros cristãos levavam a sério a orientação de Deus a respeito do sangue?

      8 Como os primeiros cristãos entenderam e cumpriram a orientação de Deus a respeito do sangue? Lembre-se do comentário de Clarke: “Sob o Evangelho, não devia ser comido, porque sempre devia ser considerado como representando o sangue que fora derramado para a remissão de pecados.” A História confirma que os primeiros cristãos tratavam o assunto com seriedade. Tertuliano escreveu: “Considerai aqueles que, com sede cobiçosa, num espetáculo da arena, pegam sangue fresco de criminosos iníquos . . . e o levam correndo para curar sua epilepsia.” Em contraste com os pagãos que consumiam sangue, Tertuliano disse que os cristãos “nem mesmo [têm] o sangue de animais em [suas] refeições . . . Nos julgamentos dos cristãos, ofereceis-lhes chouriços cheios de sangue. Estais convictos, naturalmente, de que [isso] lhes é ilícito”. De fato, apesar das ameaças de morte, os cristãos se recusavam a consumir sangue. Para eles, a orientação de Deus era muito importante.

      9. O que a abstenção do sangue incluía, além de não se comê-lo diretamente?

      9 Alguns talvez imaginem que o Corpo Governante simplesmente queria dizer que os cristãos não deviam comer ou beber sangue diretamente, nem comer carne que não havia sido sangrada ou alimento misturado com sangue. Deve-se admitir que a ordem de Deus a Noé significava basicamente isso. E o decreto apostólico dizia aos cristãos que ‘se guardassem de coisas estranguladas’, de carne que ainda contivesse sangue. (Gênesis 9:3, 4; Atos 21:25) No entanto, os primeiros cristãos sabiam que havia mais envolvido. Às vezes, tomava-se sangue para fins medicinais. Tertuliano notou que, na tentativa de curar a epilepsia, alguns pagãos consumiam sangue fresco. E pode ser que tenham usado o sangue de outras maneiras para tratar doenças ou para melhorar a saúde, como supunham alguns. Por isso, para os cristãos, evitar o sangue incluía não tomá-lo para fins “medicinais”. Mantinham essa atitude mesmo que pusesse sua vida em perigo.

      O sangue como remédio

      10. Quais são algumas das maneiras de se usar sangue para fins medicinais, suscitando que pergunta?

      10 É comum hoje o uso de sangue para fins medicinais. No início, o sangue era transfundido no seu estado integral. Era retirado do doador, armazenado e introduzido no corpo do paciente, talvez vítima duma batalha. Com o tempo, pesquisadores aprenderam a separar os componentes primários do sangue. Por transfundirem os componentes, os médicos podiam dar o sangue de um único doador a mais pacientes, talvez o plasma a um homem ferido e os glóbulos vermelhos a um outro. Pesquisas adicionais mostraram que um componente, tal como o plasma sanguíneo, podia ser processado para extrair numerosas frações, que poderiam ser dadas a ainda mais pacientes. Fazem-se esforços para extrair ainda mais frações, e relatam-se novos usos delas. Como o cristão deve reagir? Ele tomou a firme decisão de nunca aceitar uma transfusão de sangue, mas o seu médico insiste em que ele aceite um dos componentes primários, talvez papa de hemácias. Ou a terapia talvez consista de uma pequena fração extraída dum componente. Como o servo de Deus pode decidir questões assim, lembrando-se de que o sangue é sagrado e que o sangue de Cristo salva a vida no sentido mais amplo?

      11. Que posição clara a respeito do uso de sangue, e que está em harmonia com os fatos da medicina, as Testemunhas de Jeová adotaram há muito tempo?

      11 Há décadas, as Testemunhas de Jeová deixaram clara a sua posição. Por exemplo, forneceram um artigo para The Journal of the American Medical Association (27 de novembro de 1981; reimpresso em Como Pode o Sangue Salvar a Sua Vida?, páginas 27-9).a Esse artigo citou Gênesis, Levítico e Atos. Disse: “Embora estes versículos não estejam expressos em termos médicos, as Testemunhas consideram que proíbem a administração de transfusão de sangue total, de papas de hemácias, e de plasma, bem como de concentrados de leucócitos e de plaquetas.” O compêndio Emergency Care (Atendimento de Emergência), de 2001, sob “Composição do Sangue”, declarou: “O sangue é composto de vários elementos: plasma, glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.” Portanto, em harmonia com os fatos da medicina, as Testemunhas recusam a transfusão de sangue total ou de qualquer dos seus quatro componentes primários.

      12. (a) Que explicação se deu a respeito de nossa posição na questão das frações extraídas dos componentes primários do sangue? (b) Onde se pode encontrar informação adicional sobre isso?

      12 O artigo médico disse mais: “O entendimento religioso das Testemunhas de Jeová não proíbe de modo absoluto o uso de componentes, como a albumina, as imunoglobulinas e os preparados para hemofílicos; cabe a cada Testemunha de Jeová decidir individualmente se deve aceitar a esses.” Desde 1981, muitas frações (elementos separados derivados de um dos quatro componentes primários) têm sido isoladas para uso médico. De acordo com isso, A Sentinela de 15 de junho de 2000 forneceu informações úteis sobre o assunto no artigo “Perguntas dos Leitores”. Em benefício de milhões de leitores hoje, a resposta foi reimpressa nas páginas 29-31 desta revista. Ela fornece pormenores e raciocínios lógicos, mas você notará que aquilo que é dito ali concorda com as idéias básicas apresentadas em 1981.

      O papel de sua consciência

      13, 14. (a) O que é consciência, e que relação ela tem com o sangue? (b) Que orientação para o consumo de carne Deus forneceu a Israel, mas que perguntas podem ter surgido?

      13 Essa informação destaca o papel da consciência. Por quê? Os cristãos concordam em seguir a orientação de Deus, mas, em alguns campos, é preciso tomar decisões pessoais, e isso envolve a consciência. Ela é a habilidade inerente para avaliar e decidir assuntos, muitas vezes relacionados com questões morais. (Romanos 2:14, 15) Conforme você sabe, porém, as consciências diferem.b A Bíblia menciona que alguns têm “consciência fraca”, indicando que a de outros é “forte”. (1 Coríntios 8:12) Os cristãos diferem em quanto progresso fazem em aprender o que Deus diz, em ser sensíveis ao modo de pensar dele e em levá-lo em conta nas suas decisões. Podemos ilustrar isso com os judeus e a questão de comer carne.

      14 A Bíblia deixa claro que aquele que obedecia a Deus não comia carne com sangue. Isso era tão importante que mesmo numa emergência, quando soldados israelitas comeram carne com sangue, eles foram considerados culpados dum grave erro, ou pecado. (Deuteronômio 12:15, 16; 1 Samuel 14:31-35) Mesmo assim, podem ter surgido dúvidas. Ao matar uma ovelha, com que rapidez tinha de sangrá-la? Tinha de cortar a garganta do animal para sangrá-lo? Era necessário pendurar a ovelha pelas pernas traseiras? Por quanto tempo? O que faria no caso duma vaca? Mesmo depois da sangria, era possível que algum sangue continuasse na carne. Podia comer tal carne? Quem decidiria isso?

      15. Como agiram alguns judeus quanto à questão de comer carne, mas que orientação Deus forneceu?

      15 Imagine a situação de um judeu zeloso confrontado com tais questões. Ele talvez achasse ser mais seguro evitar carne vendida num açougue, assim como outro evitaria comê-la se houvesse a possibilidade de ela ter sido oferecida a um ídolo. Outros judeus talvez comessem carne apenas depois de seguir certos rituais para extrair o sangue.c (Mateus 23:23, 24) O que você acha dessas reações tão diversas? Além disso, visto que Deus não exigia tais ações, não seria melhor que os judeus enviassem todas as suas perguntas a um conselho de rabinos para obter uma decisão para cada uma? Embora esse costume se tenha desenvolvido no judaísmo, podemos sentir-nos felizes de que Jeová não tenha ordenado que os verdadeiros adoradores fizessem decisões a respeito do sangue desse modo. Deus forneceu orientação básica sobre como abater e sangrar animais limpos, mas não foi além disso. — João 8:32.

      16. Por que é possível que cristãos tenham conceitos diferentes sobre a aceitação da injeção duma pequena fração de um componente de sangue?

      16 As Testemunhas de Jeová, conforme mencionado nos parágrafos 11 e 12, não aceitam transfusões de sangue total, nem dos seus quatro componentes primários — plasma, glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Que dizer das pequenas frações tiradas de um componente primário, tais como soros que contêm anticorpos para combater uma doença ou neutralizar o veneno de cobra? (Veja a página 30, parágrafo 4.) Alguns chegaram à conclusão de que essas pequenas frações, na realidade, não são mais sangue e por isso não estão incluídas na ordem de ‘abster-se de sangue’. (Atos 15:29; 21:25; página 31, parágrafo 1) Cabe a eles a responsabilidade pela decisão. No caso de outros, sua consciência os leva a rejeitar tudo o que é obtido do sangue (animal ou humano), mesmo uma pequena fração de apenas um componente primário.d Há ainda os que talvez aceitem injeções de proteína de plasma para combater uma doença ou o veneno duma cobra, mas talvez rejeitem outras pequenas frações. Além disso, alguns produtos derivados de um dos quatro componentes primários podem desempenhar uma função tão similar à do componente primário e ter a mesma capacidade de sustentar a vida, que a maioria dos cristãos os consideraria objetáveis.

      17. (a) De que modo a nossa consciência pode ser de ajuda quando somos confrontados por questões a respeito de frações de sangue? (b) Por que as decisões sobre esse assunto são sérias?

      17 O que a Bíblia diz sobre a consciência é de ajuda ao tomarmos tais decisões. O primeiro passo é saber o que a Palavra de Deus diz e esforçar-se a amoldar a consciência ao que aprendeu. Isso preparará você para decidir em harmonia com a orientação de Deus, em vez de pedir que alguém lhe dê uma regra. (Salmo 25:4, 5) Quanto a aceitar frações de sangue, alguns raciocinam: ‘Esse é um assunto de consciência, então não faz muita diferença.’ Esse é um raciocínio equivocado. O fato de ser assunto de consciência não significa que não tenha importância. Pode ser muito sério. Um motivo disso é que pode afetar pessoas cuja consciência difere da nossa. Notamos isso no conselho de Paulo a respeito de carne que era vendida num mercado, mas que, antes, talvez tivesse sido apresentada a um ídolo. O cristão deve-se preocupar em não ‘ferir consciências fracas’. Se ele fizer outro tropeçar, pode ‘arruinar seu irmão pelo qual Cristo morreu’ e assim pecar contra Cristo. Portanto, embora a questão a respeito de pequenas frações de sangue seja um assunto de decisão pessoal, tais decisões devem ser levadas muito a sério. — 1 Coríntios 8:8, 11-13; 10:25-31.

      18. Como o cristão pode evitar tornar insensível sua consciência quanto a decisões sobre o sangue?

      18 Ainda outro aspecto destaca a seriedade das decisões a respeito do sangue. É o efeito que elas podem ter sobre você mesmo. Se aceitar uma pequena fração de sangue perturbar a sua consciência treinada pela Bíblia, não deverá desconsiderá-la. Tampouco deve suprimir os ditames da sua consciência só porque alguém lhe diz: “Não é errado tomar isso; muitos já tomaram.” Lembre-se de que milhões de pessoas hoje em dia desconsideram a consciência, e isso a torna insensível, permitindo que falem mentiras ou façam outras coisas erradas sem remorso. Os cristãos definitivamente querem evitar tal proceder. — 2 Samuel 24:10; 1 Timóteo 4:1, 2.

      19. Ao decidirmos questões médicas que envolvam sangue, em que devemos pensar principalmente?

      19 Pouco antes da conclusão, a reimpressão nas páginas 29-31 diz: “Será que o fato de haver diferentes opiniões e decisões, baseadas na consciência, indica que a questão é de pouca importância? Não. O assunto é sério.” Especialmente porque envolve a sua relação com o “Deus vivente”. Essa relação é a única que pode levar à vida eterna, baseada no poder salvador do sangue derramado de Jesus. Tenha profundo respeito pelo sangue, por causa do que Deus está fazendo por meio dele — salvando vidas. Paulo escreveu apropriadamente: “Não tínheis esperança e estáveis sem Deus no mundo. Mas agora, em união com Cristo Jesus, vós, os que outrora estáveis longe, chegastes a estar perto pelo sangue do Cristo.” — Efésios 2:12, 13.

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar