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Despertai! — 1976
g76 8/7 pp. 9-11

Visitando os igorotes

Do correspondente de “Despertai!” nas Filipinas

ERA o início da tarde quando eu e minha esposa tomamos um ônibus confortável, com ar condicionado, e afundamos nas poltronas macias e acolchoadas, antegozando nossas férias incomuns. Estamos a caminho de visitar os igorotes, que, em grande medida, resistem à intrusão de influência estranha à sua cultura. Vivem nas províncias montanhosas do norte de Luzon.

Os igorotes têm origem malaia, altura mediana, são fortes, têm pele escura e cabelos negros e lisos. O notável sobre esse povo é que, no decorrer das centúrias, apenas com instrumentos manuais e simples trabalho árduo, converteram um inteiro vale numa das mais extensas plantações de arroz em terraços.

A caminho de visitar os igorotes, viajamos cinco horas pelas pitorescas planícies centrais de Luzon, com suas muitas cidadezinhas e campos de arroz, antes de chegarmos a Banguio, a capital de verão das Filipinas. O tempo fresco aqui é uma agradável mudança do calor e umidade, de Manila.

Na manhã seguinte, levantamo-nos cedo, de modo a não perder a partida, às 5,30 do ônibus para Banaue. Embora cheguemos a rodoviária com meia hora de antecedência, para nosso desapontamento o ônibus está lotado. Mas, os filipinos são hospitaleiros, e logo um passageiro faz um gesto para os outros, que começam a colocar seus filhos pequenos em seus colos e a puxar os legumes para o lado, para abrir lugar para nós. Um senhor, com sorriso no rosto, estende sua mão para nos ajudar a subir.

O ônibus é mais curto que outros ônibus, parecendo-se mais a um caminhão, e dando a impressão de que foi construído visando mais a resistência do que o conforto. É inteiramente aberto em um dos lados, com bancos de madeira por toda a sua largura, mas que são bem confortáveis, apesar de sua aparência espartana. Como abrigo do vento e da chuva, há anteparos de lona que podem ser abaixados.

Embora sejam apenas uns 110 quilômetros de Banguio a Banaue, nossa viagem leva nove horas, devido às serpenteantes estradas montanhosas que nos levam através das nuvens a altitudes de mais de 2.100 metros. Ao começarmos a subir as montanhas, o nascer do sol amarelo-alaranjado colore o céu e vemos a neblina matinal pairando pouco abaixo do topo de elevados pinheirais.

Costumes e Modo de Vida dos Igorotes

Ao aproximar-nos do povoado de Bontoc, começamos a observar os igorotes. Os homens usam uma cobertura de cores brilhantes para os lombos, chamada wanes, comumente conhecida como uma tanga. Também usam um gorro redondo, pequeno, de topo arredondado, que tem a mesma finalidade que os bolsos das calças.

As mulheres usam uma saia de tecido grosso, de cores brilhantes, feito à mão, chamada tapis. É predominantemente vermelho, com listras horizontais amarelas, brancas, verdes e negras. A tapis é segura por um cinto de uns 20 centímetros de largura, tecido de cordas fortes, chamado wakes. A maioria das mulheres que vemos usam uma blusa branca, mas, nas aldeias, algumas mulheres andam sem a cobertura superior.

Ao longo da estrada, vemos mulheres levando seus filhos num cobertor preso ao lado ou nas costas. Até meninas carregam seu irmãozinho ou irmãzinha dessa forma, junto com cargas na cabeça! Quando nosso ônibus pára, pergunto a uma jovem se posso erguer sua carga e, para minha surpresa, é mais pesada do que minha mala cheia. Todavia, ela a apanha com graça e a leva embora sobre a cabeça!

Bontoc é a capital da província montanhosa. Aqui os igorotes vivem num povoado moderno, com casas de concreto, dotadas de eletricidade e água corrente. Todavia, do outro lado do rio, no povoado de Samoki, outros vivem como seus antepassados viviam por centenas de anos.

Ao andarmos por aqui, com nossa companheira de viagem e intérprete, notamos que ela fala com todo o mundo que vê. Ficamos sabendo que os igorotes quase sempre saúdam as pessoas que encontram pelo caminho por mencionarem para onde vão e, como gesto de cortesia, convidam a pessoa a ir junto. No entanto, não se espera realmente que se juntem a quem faz a saudação.

Notamos que muitas mulheres igorotes apresentam tatuagens por todos os seus braços. “É sinal de beleza”, explica nossa guia “e é feita aos quinze anos”.

Pergunto: “Como sabem que têm quinze anos, visto que não mantêm registros de nascimento?”

“Calculam a idade pela primeira vez em que ela fica enamorada dum rapaz”, é a resposta.

Namoro, Casamento e Trabalho

Os costumes de namoro dos igorotes, segundo ficamos sabendo, são mui originais e interessantes. Na aldeia há uma ulog, ou ag-agam, uma cabana de teto de colmo em que as moças casadoiras passam a noite. O rapaz interessado em casar-se se dirige à moça de sua escolha na ulog e lhe pede em casamento. Esta talvez seja a primeira vez que o casal já falou um com o outro.

Quando a proposta é aceita, o passo seguinte é visitar os pais da jovem, levando um porco como presente. Este porco é morto e examina-se a bílis. Se for aceitável, o casal fica noivo. Segue-se um segundo porco. Se a bílis for aceitável, o casamento é oficial. A bílis que não esteja em boas condições é considerada como presságio de que o casamento não será abençoado. Segue-se uma festa de casamento, com muita comida e dança.

O casamento, porém, ainda está sujeito à condição da bílis de um terceiro porco, a ser sacrificado após a colheita de arroz. A bílis inaceitável anula o casamento.

A carga de trabalho da família igorote é dividida ao meio, entre o marido e a esposa. Um dia, o homem ara o campo, enquanto que a esposa cuida da casa. Daí, o homem cuida da casa, enquanto a esposa passa o dia no campo, plantando e cuidando das colheitas.

A Casa do Igorote

Reiniciamos nossa viagem de ônibus, por fim chegando ao nosso destino, Banaue, onde foram feitos arranjos para que passássemos algum tempo com uma família em sua choupana igorote.

Já é noite quando chegamos, e iniciamos nossa caminhada de trinta minutos até nossos alojamentos. Com uma lanterna, vamos subindo por degraus toscamente talhados na lateral de gigantesca pedra junto à estrada. Uma vez no alto, seguimos o raio da lanterna ao longo da ponta estreita de um terraço de arroz de seis metros de altura, andando com cuidado, e tentando equilibrar-nos na trilha de uns vinte e cinco centímetros de largura. Logo chegamos a uma garganta estreita, porém, funda. Avisa-se-nos para não olharmos para baixo, ao darmos um pulo de um metro e vinte. É incrível imaginar que este seja o acesso mais fácil para a casa destas pessoas!

Por fim, chegamos a pequena clareira na encosta da montanha. A luz da lua, vemos pequena cabana, talvez com 2,40 de altura por 2,10 metros de largura. Mal recuperamos o fôlego, um senhor idoso e sorridente convida-nos a entrar.

Uma vez lá dentro, percebemos que não há janelas, apenas pequena abertura no teto acima da fogueira que arde a um canto. A única outra fonte de luz é pequena lamparina a óleo feita dum vidro de geléia e um pedaço de barbante. Não há nenhuma mesa nem cadeira, apenas pequena esteira feita de finas tiras parecidas com bambu, chamadas bilaw, estendida no chão. Serve para sentar-se, como mesa de refeições e, como descobrimos mais tarde, como nossa cama.

Visto que a noite apenas principiava, nosso anfitrião, Pedro Kindajan, conta-nos como construiu essa cabana durante o tempo da ocupação japonesa, o que explica por que tem seu acesso tão difícil. Indica que as paredes são feitas de bilaw, e o teto de colmo é de uma gramínea chamada goloon. Sobre prateleiras em cima da fogueira há um suprimento de lenha que se seca à medida que absorve a fumaça.

Nossa palestra dura até às 20,30, quando é hora de dormirmos, visto que o dia começa bem cedo para os igorotes. Estende-se pequeno colchão fino e a esteira em que sentamos se torna instantaneamente uma cama. Contrário ao que se poderia imaginar, é mui confortável. Nosso anfitrião e sua família dormem em outras cabanas que ele possui em seu terreno.

Recompensadora Visita

O novo dia começa antes do nascer do sol. Enquanto se prepara o desjejum, lavamo-nos do lado de fora. O desjejum inclui ovos de galinha bem cozidos, camote (batata doce) cozida, e café. Passo parte da manhã trabalhando junto com Pedro Kindajan, enquanto ele cuida de suas tarefas diárias, que incluem alimentar patos, galinhas e porcos.

Pedro aponta uma colina recentemente arada do outro lado do vale e me diz que irá plantar um pouco de camote ali, e arroz em um dos terraços mais abaixo. Aqui, pela primeira vez, contemplo a amplidão dos Terraços de Arroz de Banaue!

Para o leste, o norte e o oeste, até onde a vista alcance, há terraços e mais terraços verdejantes de arroz. Estendem-se da base das montanhas bem até seu topo. Numa encosta há bem mais de cinqüenta terraços, um sobre o outro. Estes terraços abrangem uma área de cerca de uns 650 quilômetros quadrados e, se colocados de ponta a ponta, estender-se-iam por uma distância de cerca de 22.500 quilômetros. Dentre todas as maravilhosas consecuções humanas, estes terraços são a mais impressionante que já vi. É quase impossível imaginar que foram construídos com simples instrumentos manuais e sem a ajuda da tecnologia moderna.

Passar vários dias com os igorotes provou ser recompensadora lição para minha esposa e para mim. Embora não tivéssemos invenções modernas para nos manter continuamente ocupados, aprendíamos constantemente coisas interessantes sobre nossa boa terra. Não nos sentimos entediados nem por um instante sequer. Ao passo que a tecnologia moderna ajudou o homem a melhorar sua sorte em certos casos, de alguma forma também tendeu a aliená-lo de seu lar, a terra, ao invés de fazê-lo sentir-se parte dela, como esta visita aos igorotes nos fez sentir.

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