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As pessoas estão correndo!Despertai! — 1981 | 22 de junho
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As pessoas estão correndo!
As estatísticas mostram que o “jogging” (corrida rústica) é parte da rotina diária de um terço das pessoas, na União Soviética. Vinte e cinco milhões nos Estados Unidos, afirmam certa estimativa recente, praticam a corrida. A febre da corrida começou nos anos 60. Quais os benefícios? E os perigos?
“RATOS fisicamente ativos vivem 25 por cento mais do que os sedentários.” Somos informados de que as experiências já provaram isto. Isto por ora ainda não foi estabelecido no caso dos humanos, mas os indícios são de que a longevidade é influenciada favoravelmente pelo exercício.
Certo patologista disse que, com base em autópsias por ele realizadas, duas dentre cada três mortes são prematuras e relacionam-se ao coração da pessoa ociosa, ao pulmão de fumante e ao fígado de beberrão. A Administração de Amparo à Velhice, dos E.U.A., declarou: “A falta de uso é o inimigo mortal do corpo humano. Sabemos, atualmente, que como a pessoa vive, e não quanto tempo ela vive, é o responsável por muitos dos problemas físicos normalmente associados à idade avançada.” Similarmente, certo médico disse: “A maioria de nós não se gasta. Enferrujamos.”
Todo mundo faz fé em algum tipo de exercício, mas, muitos não fazem fé num bom suadouro. Soluções cômodas, de atraente apresentação, 30 minutos de exercício sem suar, por semana, e a dieta dum homem que aprecia a bebida — eis aí a síndrome hodierna de se conseguir algo sem fazer esforço. A Comissão de Exercícios e Aptidão Física da Associação Médica Americana condenou os praticantes de exercícios que não exigem esforço: “Não proporcionam nenhum benefício ou valor ocultos. Seu maior defeito é que a maioria deles realiza pouco para melhorar a aptidão física do coração e dos pulmões, os quais são os que mais precisam de exercício, nos dias de hoje.” É necessário exercício estrênuo e prolongado, disse a comissão.
Correr faz você perder peso — uma carga para seu coração. Não apenas queima gorduras, também restringe a fome. A taxa baixa de açúcar no sangue estimula a pessoa a sentir fome, mas, o exercício libera a gordura na corrente sangüínea para produzir energia, de modo que a taxa de açúcar no sangue não cai muito. Curiosamente, um estudo com porcos confirma isso. Quarenta e cinco correram, sobre esteiras ergométricas, e o outro grupo ficou ocioso. Foi deixado alimento disponível diante de ambos os grupos. Os porcos sedentários comeram mais do que os que correram, e, ao final do teste os que correram pesavam 9 quilos a menos do que os que ficaram ociosos.
É crença comum que os que fazem exercício ou trabalho pesado, necessitam de carne. O que se necessita para o exercício estrênuo é de energia, e esta não provém do consumo de carne. Os famosos índios tarahumara, do México, disputam corridas de 240 km, por esporte, em terrenos montanhosos, e o fazem sem consumir, praticamente, nada de carne, leite ou ovos. Seu alimento básico é feijão, abóbora e milho. Eles não apenas têm tal surpreendente resistência, mas vivem, também, em média, vidas muitíssimo mais longas. Uma bem-planejada dieta vegetariana supre as necessidades do organismo.
É interessante que certo professor universitário descobriu que, num período de quatro anos, o auxílio-doença envolvendo homens sedentários era em média de US$ 400 (Cr$ 30 mil), mas apenas de US$ 200 (Cr$ 15 mil) para os que regularmente praticavam exercício. Certa seguradora reduziu os prêmios do seguro de vida em até 20 por cento para os que fazem 20 minutos de exercícios, três vezes por semana, que obrigue o coração e os pulmões a funcionarem vigorosamente.
Afirmações Pretensiosas Demais
O Dr. T. J. Bassler, patologista especializado em maratonas, sustenta: “É biologicamente impossível a aterosclerose progredir em qualquer pessoa capaz de percorrer nem que seja apenas andando, a distância de 42 km (a distância da maratona).” Disse, adicionalmente: “Até que exista evidência duma autópsia de aterosclerose fatal entre os corredores de maratonas, parece sábio aconselhar este estilo de vida como prevenção desta doença.”
O New England Journal of Medicine (Revista de Medicina da Nova Inglaterra) apresentou evidência duma autópsia da doença que provocou a morte de um corredor, e outros casos nos quais as autópsias revelaram aterosclerose avançada. São conhecidos, também, vários casos de corredores de longa distância, incluindo participantes de maratonas, que morreram de ataques cardíacos. Não se pode discordar de que o exercício é valioso, mas os programas de exercício precisam ser talhados de acordo com o indivíduo.
O Dr. Chris Barnard, o cirurgião do transplante de coração, dedica-se, um pouco, à corrida rústica. Não se entusiasmou, contudo, com a mania na qual se transformou. Está preocupado, em especial, quanto ao lugar onde grande parte da corrida rústica é praticada — nas cidades. “Um estudo apresentado na Cidade do Cabo faz alguns anos”, disse ele, “descobriu que os pombos citadinos tinham em seus ossos uma quantidade de chumbo sete vezes superior à de seus primos do interior”. Acrescentou: “Cada grande rodovia é um esgoto de gases nocivos das descargas de veículos.”
Milhares Participam em Maratonas!
Milhões de corredores cobrem alguns quilômetros, duas ou três vezes por semana, mas, muitos milhares vão além disso e participam em maratonas — uma distância de 42,195 km. Em 1980, por exemplo, 14.012 participaram na maratona de Nova Iorque. Nem todos conseguiram ir até o fim, mas 12.622 o foram. Para 4.000 participantes, esta foi sua primeira maratona, em Nova Iorque. Incluídos no total estavam centenas de estrangeiros, de 44 países. Cerca de dois milhões de expectadores se alinhavam nas ruas, torcendo por eles.
O vencedor foi Alberto Salazar, num tempo de 2 horas, 9 minutos e 41 segundos. A 74.ª finalista foi Grete Waitz, a primeira mulher a chegar até o final, tendo quebrado o recorde mundial feminino — o novo recorde sendo de 2 horas, 25 minutos e 41 segundos. O mais velho finalista tinha 77 anos, o mais novo, 10. Corredores de 5 a 84 anos participam em maratonas. Também, alguns em cadeiras de rodas, alguns cegos e alguns com pernas mecânicas.
Antigos Corredores à Distância
Há 2.500 anos, segundo consta, o mensageiro grego Filípedes correu 35 km, do campo de batalha de Maratona até Atenas, para levar a notícia de uma vitória grega sobre os persas. Diz a tradição que ele transmitiu ofegante a boa notícia, caindo morto em seguida. É a sua corrida que é agora comemorada nas maratonas.
Não foi Filípedes, porém, o primeiro a correr tal distância. O profeta Elias aproximou-se mais da distância de uma maratona, 400 anos antes do que o mensageiro grego. Do monte Carmelo, perto do mar Mediterrâneo, até Jezreel, são cerca de 40 quilômetros. Elias fez tal corrida com a ajuda do poder de Jeová: “E a própria mão de Jeová mostrou estar sobre Elias, de modo que ele cingiu seus quadris e foi correr adiante de Acabe [que ia num carro] até Jezreel.” — 1 Reis 18:46.
Correr é bom. Produz muitos benefícios. Existem perigos, também. É sábio tomar cuidado e exercer moderação. E não faca disto uma religião, como alguns têm feito. Os três artigos seguintes explicam isso mais cabalmente.
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Prefere não correr?Despertai! — 1981 | 22 de junho
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Prefere não correr?
Extenuante demais? Muito monótono? Sem graça? Consome muito tempo? Não há espaço para correr? Neste caso, opte por qualquer outro exercício aeróbico.
AERÓBICO? Nenhum dentre os aplicados corredores teria que indagar do que se trata, porém, alguns outros sim. A Encyclopœdia Britannica nos informa:
“AERÓBICOS, sistema de condicionamento físico desenvolvido para aumentar a eficiência da absorção de oxigênio pelo corpo. Exercícios aeróbicos típicos (p. ex., caminhadas, corridas, natação e ciclismo) estimulam a atividade do coração e dos pulmões por um período suficientemente longo para produzir mudanças benéficas no corpo (efeito de treinamento). Usa-se um sistema de tabela com pontos para indicar a quantidade de energia gasta num exercício.” — Edição de 1976, volume 1, página 113 da Micropædia (em inglês).
As tabelas aeróbicas aferem o progresso da pessoa, e foram elaboradas para diferentes faixas etárias e para vários tipos de exercício. Na definição acima, a frase-chave que faz com que sejam aeróbicos os exercícios é “um período suficientemente longo para produzir mudanças benéficas no corpo”. Precisa-se dar condições ao coração para bater suficientemente rápido, sem interrupção, durante um período mínimo de tempo, dependendo da idade, caso contrário as mudanças benéficas não se processarão. Quais são tais mudanças é explicado no artigo de duas páginas, logo a seguir.
Quão rápido precisa bater o coração, para se poder qualificar o exercício de aeróbico? Uma fórmula sugerida: Anote 220. Subtraia sua idade. Este número representa sua batida cardíaca máxima, por minuto. Multiplique este número por 0,7 e terá o número de batidas por minuto que o coração terá que bater, para efeito de treinamento aeróbico.
Consideremos agora suas objeções à corrida. Extenuante demais? Tente a CAMINHADA. Talvez seja o menos estrênuo e o mais seguro exercício aeróbico, para o maior número de pessoas. Pode ser praticado com segurança em qualquer idade, até a velhice. Mesmo aqueles que planejam praticar a corrida fariam bem em iniciar com caminhadas, em seguida combinando caminhadas com corrida, daí, finalmente, só corrida. Lembre-se, contudo, que a caminhada, para ter efeito aeróbico, precisa ser vigorosa. O vaguear descontraído, e até mesmo o andar numa velocidade normal, não aceleram suficientemente as batidas do coração. Num teste, homens na faixa dos 40 a 57 anos caminharam com passadas rápidas durante 40 minutos, quatro dias por semana, e apresentaram melhora igual a de homens da mesma idade que correram 30 minutos, três vezes por semana. O caminhar exige mais tempo, mas, consegue os mesmos resultados e é mais seguro para muitas pessoas.
Seu problema é falta de espaço, e acha que correr consome muito tempo? Tente PULAR CORDA. Pode ser feito dentro de casa e ao ar livre. Não depende das condições atmosféricas. Exige menos tempo e produz resultados comparáveis. “Para produzir a maior aptidão dentro do menor prazo”, diz o Dr. Kaare Rodahl, do Instituto de Fisiologia do Trabalho em Oslo, Noruega, “nada ultrapassa a simples corda de pular”. Na Universidade Estadual do Arizona, E.U.A., a metade dos 92 estudantes fora de forma foi submetida a um programa de corrida rústica, 30 minutos por dia, e a outra metade a um programa de pular corda, 10 minutos diários. Testes posteriores acusaram quase igualdade de eficiência cardiovascular, em ambos os grupos.
Correr é muito monótono? Tente o CICLISMO. Mas, tome cuidado para não ser atropelado por veículos e não atropelar pedestres. Use vias secundárias, se existirem, mas não fique parando pelo caminho para cheirar as flores. Mantenha uma velocidade firme, que fará seu coração trabalhar a um ritmo necessário para fazer com que seu exercício seja aeróbico.
Sem graça? Tente a NATAÇÃO. Você se mantém refrescado. Cair n’água é divertido. Estabelece-se um ritmo, à medida que for golpeando a água com braçadas firmes e poderosas. Trata-se dum exercício agradável, que movimenta todos os músculos do corpo, e, se for contínuo, durante todo o período de treinamento, o coração e os pulmões são empenhados o suficiente para produzir os benefícios.
Ainda existem outras possibilidades. O tênis agora é popular. O individual, rápido, é bom — jogar em duplas pode dar aos jogadores muita folga. O basquetebol pode ser aeróbico, se não for truncado por muitas cobranças de faltas. Qualquer que seja sua opção, em matéria de exercício, se a intenção for produzir os benefícios advindos dos aeróbicos, este precisa mantê-lo em movimento, num lufa-lufa constante. O que demanda do coração e dos pulmões precisa ser forte, constante e cobrir um espaço mínimo de tempo.
E, naturalmente, sempre dentro dos limites seguros permitidos pelo seu próprio corpo, conforme determinados por exame médico. Agora, vire a página, por favor, e constate os benefícios do exercício aeróbico.
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Será que correr realmente lhe agrada?Despertai! — 1981 | 22 de junho
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Será que correr realmente lhe agrada?
O seu coração se dá bem com ele. O correr é também desejável para outras partes do seu corpo.
O QUE A CORRIDA FAZ EM BENEFÍCIO DO CORAÇÃO
Fá-lo trabalhar menos, produzindo mais. Com exercício, as fibras do músculo do coração se alongam e se fortalecem, suas cavidades aumentam e, em resultado, pode bombear mais sangue em cada contração. Antes de exercitar-se, uma pulsação do coração pode bombear menos do que meia xícara; ao ficar em forma, cada batida pode bombear quase uma xícara cheia. Visto que bombeia mais com cada batida, os batimentos diminuem e o coração tem mais descanso no intervalo das contrações. Devido a este exercício, depois dum período de tempo, a medição dos batimentos do coração, em repouso, pode acusar um decréscimo de 10 a 20 batidas por minuto. As pequenas artérias que conduzem sangue ao coração dilatam-se com os exercícios e são capazes de suprir mais sangue rico em oxigênio para o coração. Os exercícios também resultam numa diminuição gradual da pressão sangüínea.
O QUE A CORRIDA FAZ EM BENEFÍCIO DOS PULMÕES
Exercícios vigorosos fazem com que as fibras dos músculos exijam grande quantidade de oxigênio. Elas o obtêm do sangue, o qual vai buscá-lo nos pulmões. Os pulmões, com suas centenas de milhares de bolhas de tecido úmidas, espumosas, conhecidas como alvéolos, são fornecedores eficientes de oxigênio para o sangue, que flui através deles. São muito adaptáveis, mudam rapidamente, reagindo ao exercício. Os vasos sanguíneos dos pulmões se dilatam, aumentando a área por onde o oxigênio passa para a corrente sangüínea. Os músculos respiratórios do abdômen, o diafragma e o tórax ficam mais fortes e mais eficientes. Aumenta grandemente o volume de ar que os pulmões dum corredor em boa forma pode inalar — o volume por minuto talvez triplifique.
O QUE A CORRIDA FAZ EM BENEFÍCIO DO SANGUE
O exercício aeróbico produz, em maior quantidade, a enzima fibrinolisina. Esta dissolve coágulos sanguíneos, e aventou-se a teoria de que pode também dissolver velhos coágulos nas artérias coronárias que poderiam causar ataques cardíacos. Num certo teste, a capacidade do sangue em dissolver coágulos quase quadruplicou em algumas pessoas empenhadas num programa de 10 semanas de exercício. Corredores em boa forma têm níveis mais altos de lipoproteína de alta densidade (HDL) no sangue. As HDL transportam o excesso de colesterol das paredes das artérias, inibindo a formação de gorduras que podem obstruir os vasos e provocar ataques cardíacos. Em músculos exercitados, as artérias adjacentes produzem novos canais e os capilares ficam mais densos, proporcionando maior quantidade de oxigênio às fibras musculares. O exercício aumenta, também, o número de glóbulos vermelhos, transportadores do oxigênio.
O QUE A CORRIDA FAZ EM BENEFÍCIO DOS NERVOS
Os nervos, até mesmo os diminutos dendritos, semelhantes a fios de cabelo, tornam-se mais eficientes em transmitir impulsos eletroquímicos e por esse meio ativam melhor as fibras musculares a aumentar a resistência e, em última análise, a força. Com treinamento e uso, os reflexos substituem ações voluntárias e o movimento se torna mais eficiente. Músculos não empenhados descansam mais e poupa-se energia. O Dr. Lucien Brouha, autoridade na fisiologia do atletismo, declara: “O resultado final é que, para determinado desempenho, ocorre uma diminuição no dispêndio de energia que pode atingir um quarto do total da energia necessária antes dos exercícios.” Os homens não são camundongos, contudo, é digno de nota que filhotes de camundongos submetidos a exercícios desenvolveram maiores neurônios motores, um tipo de células nervosas, do que os que não o foram.
O QUE A CORRIDA FAZ EM BENEFÍCIO DA MENTE
Os corredores falam a respeito das alegrias de se correr e de “enlevos naturais”. Mais especificamente, um hospital psiquiátrico em Knoxville, Tennessee, E.U.A., constatou que o correr deixa os pacientes num estado de menor ansiedade. O Dr. Alan Clark, do Hospital São José, em Atlanta, Geórgia, E.U.A., diz: “É bem conhecido que o exercício é o melhor tranqüilizante. Eu me recuso a medicar pacientes portadores de simples ansiedade neurótica, até que façam uma experiência adequada com os exercícios aeróbicos.” Um artigo no Medical World News (Notícias Médicas Mundiais) intitulava-se: “A Corrida Rústica Pode Afastar os Deprimidos do Divã do Analista.” Falava a respeito de dois estudos, feitos na Universidade de Wisconsin e na Universidade da Virgínia, E.U.A., que confirmavam tal conceito. Um estudo demonstrava que o exercício estimula, no cérebro, a produção do neurotransmissor norepinefrina, a qual alivia a depressão.
O QUE A CORRIDA FAZ EM BENEFÍCIO DOS MÚSCULOS
Que os músculos pedem exercício, deve parecer evidente a todos. Sem ele, tornam-se flácidos. Os detalhes a respeito de seu funcionamento, contudo, são tão impressionantes que merecerão consideração, no artigo seguinte. Também, será considerado um exercício de muito maior importância.
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O que os músculos podem e o que não podem fazerDespertai! — 1981 | 22 de junho
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O que os músculos podem e o que não podem fazer
Seus mais simples movimentos são maravilhas que temos como certas. Submetidos a exercícios, realizam espantosas proezas de força e resistência. Existe, porém, outro tipo de adestramento muito mais importante, que pode realizar o que os músculos jamais podem.
UMA caixa cheia de penas. Você deseja apanhá-la. Sua mente instrui o grupo de músculos envolvidos e você a apanha. Agora a caixa está cheia de barras de chumbo. Sua mente instrui o mesmo grupo de músculos que ergueram as penas a que suspendam agora o chumbo, e eles obedecem. Elementar? De maneira nenhuma.
Uma fibra do músculo esquelético não se contrai com menor ou maior força, dependendo se for para pesos mais leves ou mais pesados. Quando um terminal nervoso comanda a fibra a se contrair, ela assim o faz completamente. Uma vez que se contrai, se contrai integralmente. Como é que se explica, então, que, em resposta a um comando os músculos exercem apenas força suficiente para levantar penas, e em resposta a outro comando esses mesmos músculos reúnem a força maior necessária para levantar chumbo?
Um músculo compõe-se de muitos feixes de minúsculas fibras musculares, cada feixe recebendo o nome de unidade motora. Para cada unidade existe um nervo motor que, no seu terminal, ramifica-se de um modo tal que cada fibra muscular tem seu terminal nervoso particular, para estimulá-lo. O impulso eletroquímico é transmitido por substâncias químicas, a partir do terminal do nervo, para a fibra, onde o impulso de novo se torna eletroquímico. A fibra se contrai. Todas as fibras nesse feixe ou unidade motora se contraem.
Agora, nem todos os feixes de fibras dum músculo se contraem quando tal músculo é usado. Se a mente sabe que ele está apenas levantando penas, o sistema nervoso central impulsiona apenas os comparativamente poucos feixes necessários para levantar penas. Mas, se o caso é levantar chumbo, um número bem maior de feixes serão estimulados a se contraírem.
Às vezes, a mente é enganada. Se pensa que a caixa está cheia de penas quando na realidade contém chumbo, um número insuficiente de fibras são informadas de que devem se contrair e a mente se surpreende. Ela tem a impressão de que a caixa foi pregada no chão. Mas, caso a mente imagine que a caixa esteja cheia de chumbo, quando, na realidade, está cheia de penas, muitos feixes de fibras são acionados para suspender chumbo, e a impressão é que a caixa levanta vôo do chão.
Decisões! Decisões!
A situação é tal que o sistema nervoso central ininterruptamente faz decisões relativas a quantos feixes de fibras precisa impulsionar para que se contraiam na execução das muitas tarefas ao encargo dos aproximadamente 650 músculos do corpo. Os componentes sensoriais nas fibras, denominados receptores da distensão fazem a monitorização das fibras e enviam de volta informações ao sistema nervoso central, e por meio desta realimentação ajudam na tomada de decisões. Talvez odeie fazer decisões, mas, inconscientemente, você faz milhões delas, constantemente!
Quando mais fibras se contraírem, tanto maior e mais rígido será o músculo. Por exemplo, seu bíceps se contrai para erguer a mão e coçar a cabeça. Não são necessários muitos feixes de fibras, de modo que seu bíceps fica bem macio. Mas, ponha nos ombros, com o mesmo movimento, um peso de uns 15 quilos, e seu bíceps avultará e endurecerá, à medida que mais fibras entram em ação.
Alguns músculos dispõem dum controle muito melhor da tensão do que outros. Os dedos, por exemplo, podem fechar-se como se fossem uma garra de aço, ou manusear, delicadamente, ovos de fina casca. Tais músculos contêm muitos feixes de fibras, mas cada feixe só tem apenas poucas fibras — alguns com não mais de 10. Outros músculos grandes, como alguns das pernas, não conseguem executar tais movimentos, de alta precisão. Possuem menos feixes de fibras, mas muito mais fibras em cada feixe — amiúde mais de 100.
Os músculos esqueléticos possuem basicamente dois tipos de fibras: escuras, para ação lenta, firme; claras, para ação imediata. (Chamadas fibras de contração lenta e fibras de contração rápida). Alguns músculos são compostos quase que inteiramente de fibras de ação lenta, mas outros de uma combinação de lentas e rápidas. Pessoas que são incomumente rápidas nos movimentos têm mais fibras claras ou rápidas do que as pessoas cujos movimentos são mais lentos. Ágeis ginastas, por exemplo, necessitam fibras rápidas para a execução dos giros deslumbrantes e retumbantes, que nos impressionam. Também, destacados corredores de curta distância possuem mais de tais fibras rápidas do que os corredores de longa distância. O exercício produz resultados, mas não pode mudar a proporção de fibras rápidas e lentas — isto é hereditário, um dom.
Onde Se Origina a Energia
O ATP (trifosfato de adenosina) é a rica fonte de energia para a contração muscular. É produzido nas fibras musculares por corpúsculos chamados mitocôndrias e é formado de vários modos. As gorduras nos tecidos musculares (tecido adiposo) são decompostas e se transformam em ácidos isentos de gordura, no músculo e também no sangue. Com o tempo, nas fibras musculares eles são oxidados para liberar energia e produzir o ATP. A glicose do sangue é também oxidada nas fibras musculares para formar o ATP. Certa porção de glicose do sangue é armazenada nos músculos em forma de carboidratos, chamado glicogênio. Daí, à medida que o ATP for necessário, este glicogênio decompõe-se em glicose, que, sem usar oxigênio, produz o ATP.
Estes métodos para produzir o ATP são empregados simultaneamente, mas, em graus variados, de acordo com as circunstâncias. O tipo de exercício, sua intensidade, sua duração, a aptidão física do indivíduo — todos são fatores que determinam quanto ATP cada método suprirá, em ocasiões determinadas. Pertinente à corrida a longa distância, contudo, quando o exercício tiver sido intenso por longo período, o principal recurso para a produção do ATP é o glicogênio.
Os participantes de maratonas muitas vezes fazem o que é chamado de sobrecarga (ou acúmulo) de carboidratos. Poucos dias antes duma corrida eles devoram carboidratos, e por assim fazerem podem aumentar a quantidade de glicogênio armazenado nos músculos em até 300 por cento. Um subproduto de tal uso do glicogênio, contudo, é o ácido láctico e é seu acúmulo nos músculos que provoca fadiga, e, eventualmente, músculos doloridos.
Adorar os Músculos ou o Criador Deles?
Os músculos são capazes de realizar muitas coisas: arremessar uma bola e fazê-la curvar-se e resvalar. Equilibrar verticalmente o corpo, em uma das mãos. Fazer o corpo voar, saltar e mergulhar graciosamente no ar. Os músculos dos braços podem suspender pesos de centenas de quilos, acima da cabeça. Os músculos das pernas podem propulsar o corpo por cima de uma barra de 2 metros de altura, ou por quase 9 metros em salto à distância, ou correr 100 metros rasos em menos de nove segundos ou 1.600 metros em menos de quatro minutos, ou uns 42 quilômetros em pouco mais de duas horas. Ou podem sustentar uma corrida de 80 quilômetros ou o dobro disso. Os índios tarahumara, no México, correm 320 quilômetros. Afirma-se, duvidosamente, que os mahetangs, monges tibetanos treinados especialmente para terem “pés ligeiros”, correm 480 quilômetros em 30 horas, enquanto repetem suas mantras sagradas acompanhando o ritmo de suas passadas largas e de sua respiração.
Os músculos inspiram reverência. Mas os músculos não são deuses. Parece que alguns corredores pensam que são — uma minoria, sem dúvida. Um relaciona o correr à busca do Santo Gral. Outro corredor afirma que “a busca do espírito através do corpo apenas começou”. O Dr. George Sheehan, chamado por muitos de o sumo sacerdote da corrida, disse: “Corro o perigo de falhar em alcançar meus limites e achar Deus. Mas, neste caso, o correr me ajuda.” Uma mulher adepta do correr assemelhou sua experiência na corrida a uma conversão. A mulher dum corredor disse: “Tom era metodista. Agora é corredor”. Em seu livro a respeito da corrida, Joel Henning disse: “Trata-se, sem dúvida, duma forma de adoração, duma tentativa de encontrar Deus.” Bob Anderson, editor de On the Run (Correndo) declarou: “Alguém certa vez disse: ‘Para que a humanidade sobreviva, será necessário inventar uma nova religião.’ A religião já foi inventada. É a religião do corredor.”
Mas, espere um minuto! Os músculos não podem salvar. Apenas o Criador deles o pode. Os músculos refletem a sabedoria criativa de Jeová. Perceba que Gênio é Jeová na agilidade, velocidade, força e resistência deles. Veja isso nas suas complexidades eletroquímicas, com milhões de reações em milhões de fibras, a cada segundo do dia, monitorizados e sincronizados sem consciência de nossa parte. Sem consciência de nossa parte prosseguem executando sua tarefa de nos manter vivos: os pulmões respirando, o coração batendo, o sangue circulando, os órgãos digerindo, as glândulas segregando, os circuitos elétricos disparando — e muitas outras funções, das quais jamais nos apercebemos.
O exercício muscular é benéfico, mas não se compara ao treinamento em devoção piedosa. “O treinamento corporal é proveitoso para pouca coisa”, escreveu o apóstolo Paulo, “mas a devoção piedosa é proveitosa para todas as coisas, visto que tem a promessa da vida agora e daquela que há de vir”. (1 Tim. 4:8) Derive prazer de qualquer tipo de exercício que praticar. Usufrua seus benefícios. Pode fazê-lo sentir-se melhor. A devoção piedosa, contudo, pode fazer o que os músculos jamais podem — fazê-lo viver mais tempo, até mesmo para sempre. Conforme cantou o salmista:
“O SENHOR não dá nenhum valor à força dum cavalo e não tem prazer nas pernas dum corredor; seu prazer é nos que o temem.” — Sal. 147:10, 11, “The New English Bible” (A Nova Bíblia Inglesa).
[Quadro na página 13]
O QUE O EXERCÍCIO AERÓBICO FAZ A FAVOR DOS MÚSCULOS
As fibras musculares se tornam mais rígidas e se contraem mais rapidamente.
As mitocôndrias aumentam em número — produzem o ATP (trifosfato de adenosina).
O número de enzimas necessitado pelas mitocôndrias para fazer o ATP aumenta — até três vezes mais nos que praticam corrida à distância do que em pessoas sedentárias.
A mioglobina nos músculos muitas vezes duplica. Esta transporta oxigênio às mitocôndrias. Mais mioglobina significa mais oxigênio.
Das artérias brotam novos canais, aumentam os capilares, amiúde duplicando. Isto significa mais suprimento de oxigênio do sangue para os músculos.
Devido a esta circulação aumentada e mais mioglobina, o suprimento de oxigênio é mais eficiente e menos fluxo de sangue é necessário.
Aumenta a quantidade de gorduras oxidadas, suprindo mais ATP.
A oxidação da glicose aumenta — outra fonte do ATP.
Músculos exercitados contêm maiores concentrações de carboidratos armazenados (glicogênio) — a principal fonte de energia para exercícios intensos, por períodos longos.
Músculos exercitados não acumulam ácido láctico tão depressa, e podem resistir mais do que músculos não exercitados; conseqüentemente, diminui o cansaço.
[Quadro na página 13]
O QUE A FALTA DE EXERCÍCIO FAZ CONTRA OS MÚSCULOS
Os músculos diminuem, perdem o tono, atrofiam-se. É óbvio quando se tira o gesso de braços e pernas fraturados — os músculos encolheram.
Num estudo, certo número de atletas ficou 20 dias na cama. A capacidade de absorção de oxigênio caiu em mais de um quarto. A capacidade de bombeamento do coração caiu na mesma proporção. Houve diminuição de 15 por cento nos glóbulos vermelhos.
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Iniciar um programa de corridasDespertai! — 1981 | 22 de junho
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Iniciar um programa de corridas
Se tiver passado dos 30, consulte o médico; se dos 40, um teste numa esteira ergométrica é aconselhável.
Inicie lentamente, aumente gradualmente, não se esgote.
Não se apegue teimosamente a uma tabela muito puxada.
Modifique-a.
Não tente economizar nos calçados. Adquira bons calçados, folgados na frente, de solado macio e que mantenham firmes o calcanhar.
Mantenha as unhas dos pés bem aparadas. Os dedos se comprimem na ponta do calçado e as unhas forçadas nas pontas ficam roxas e doloridas.
Faça exercícios elásticos antes e depois de correr, evite exercícios calistênicos.
Corra num ritmo leve e descontraído, cômodo para você. Não se apóie na curvatura dos pés, mas deixe-os mais colados ao chão, girando-os para frente.
Seu ritmo não deveria deixá-lo sem fôlego, mas, em condições de falar, enquanto corre. De início, talvez necessite andar e correr, alternadamente.
Beba líquidos antes de correr, e durante a corrida, caso a distância seja longa. A desidratação é perigosa. Se a transpiração for excessiva, talvez necessite de sal adicional.
De início, alguns correm todos os dias. Três dias por semana é o preferido por muitos corredores, para seu exercício regular. Descanso suficiente é essencial.
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Correr pode ser perigoso para a sua saúdeDespertai! — 1981 | 22 de junho
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Correr pode ser perigoso para a sua saúde
Músculos doloridos, cãibras musculares, uma dor no lado enquanto corre. Previstos para principiantes. Incômodos, mas, de natureza temporária.
Bolhas na pele constituem, usualmente, um problema temporário, mas devem ser tratadas.
Contusão nos ossos — inflamação no calcanhar, devido ao pisar forte e constante.
Inflamação dos ligamentos dos pés. Em geral o sintoma é um calcanhar dolorido e pode levar a uma protuberância no calcanhar — uma dilatação óssea no osso do calcanhar.
Achillobursitis (ou tendinite), uma inflamação da membrana na qual move-se o grande tendão que liga o calcanhar e o músculo da barriga da perna.
Inchação da canela, dolorosa inflamação nos músculos da canela e tendões.
Pequenas fraturas provocadas pela tensão, nos ossos dos pés e parte inferior das pernas.
Desgaste excessivo entre a rótula do joelho e a extremidade superior do osso da perna, o fêmur. A cartilagem da rótula fica exausta, dolorida, e inchada.
Sintomas alertadores de que a pessoa se exercita além de sua capacidade: dores no peito durante o exercício, palpitações no coração, quando ocioso, e tontura inexplicável. Suspenda os exercícios e consulte o médico.
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