Estão as igrejas da cristandade perdendo o controle das massas?
Do correspondente de “Despertai!” no Brasil
UM EXAME de perto das igrejas da cristandade revela que se trata dum império em decomposição. Séculos atrás, poderosa Igreja dominava grande parte do mundo.
Seus imperadores e reis regiam por “direito divino”. Daí, veio a Reforma e houve uma divisão do poder. Depois da Guerra dos Trinta Anos, o tratado de paz de Vestfália, em 1648, reduziu a influência da Igreja Católica. As potências protestantes ampliaram suas forças. A Revolução Francesa iniciou uma era de reação contra a regência da Igreja. Não demorou muito para que surgissem movimentos liberais em toda parte. Em rápida sucessão, veio a revolução industrial, a teoria da evolução, a alta crítica, o modernismo e o materialismo.
A Primeira Guerra Mundial atingiu o mundo como um relâmpago. A Igreja Ortodoxa Russa sucumbiu diante do ataque avassalador do bolchevismo. O comunismo engoliu outros países, determinado a eliminar a religião, que chamou de “o ópio do povo”. Em vista de tudo isso, o Papa João Paulo II recentemente suscitou as seguintes perguntas: “Qual é o destino que Nosso Senhor reserva para a sua Igreja nos próximos anos? Que caminho tomará a Humanidade ao se aproximar o ano 2000? Estas são perguntas candentes e a única resposta é: ‘Deus sabe.’” — O Estado de S. Paulo, 18/10/78, p. 10.
Deus sabe. Isso é verdade. Um breve exame das diferentes igrejas, em diferentes partes do mundo, provar-se-á interessante e, talvez, revelador.
ÁFRICA
Nigéria:
O clérigo presbiteriano, James Ukaigbu, lamentou que “atualmente, a igreja parece ter perdido seu senso de identidade, como alguém que sofresse de amnésia e perguntasse: Quem sou eu e o que faço aqui?”
Disse o New Nigerian: “Muitos dignitários religiosos não estabeleceram nenhum elevado padrão moral para seus seguidores, mas esperam que os membros o estabeleçam.”
No entanto, a religião na Nigéria, quer seja muçulmana, cristã ou tribal, é ainda amplamente praticada. Quanto à força moral ou educacional, porém, as igrejas perdem influência. O crime e a imoralidade estão aumentando. Durante a guerra civil, as igrejas tomaram posições, e, depois da guerra, as escolas controladas pelas missões foram tomadas pelo governo. Em aditamento, o ensino materialístico e evolucionista nas escolas de 2.º grau e nas universidades produziu uma geração bem menos religiosa.
África do Sul:
O Dr. Jan Karel Coetzee, preletor da Universidade de Pretória, fez uma enquête entre os membros da Igreja Holandesa Reformada. Dentre os entrevistados, 28 por cento não criam no pecado herdado do homem, 19 por cento duvidavam do relato da criação, e 23,8 por cento duvidavam do relato sobre Adão e Eva. Quase 70 por cento criam que se pode obter a salvação sem Cristo Jesus.
ÁSIA
Hong Kong:
A revista Asiaweek, de Hong Kong, refletiu o modo oriental de pensar quando declarou: “Os prelados ocidentais direitistas abençoaram as bombas das Instituições. Os padres cabeludos da América Latina lançaram [bombas] da Esquerda . . . Sua riqueza pode ser a publicidade mais prejudicial para a Igreja Romana. . . . Em 100 favelas, as catedrais ostentosas erguidas a seu Deus avultam sobre as misérias palpáveis do homem. . . . Nas histórias de muitas nações, a Igreja Católica tem sido uma força do conservadorismo feudal, amiúde sacrificando o potencial de conforto nesta vida pela dócil ignorância que enviava almas para a felicidade na próxima. Igrejas foram queimadas junto com muitos palácios de ditadores.”
Japão:
A Universidade Aoyama Gakuin, fundada pelos missionários metodistas em Tóquio, decidiu abolir seu curso de teologia, em 1973, devido ao declínio de vestibulandos e um déficit em suas operações. Significativa informação colateral no Oriente é que o budismo enfrenta as mesmas forças corrosivas que as igrejas ocidentais.
AUSTRÁLIA
Neste continente e país de cerca de 13,5 milhões de habitantes, a Igreja Católica Romana possui 2.000 freiras a menos, e 400 “irmãos religiosos” e sacerdotes a menos do que possuía em 1966.
Um relatório proveniente de Melburne mostra que os protestantes não estão indo nada melhor: “Um de cada cinco clérigos protestantes da Austrália duvida da existência de Deus e do céu, indicou uma enquête oficial eclesiástica. A enquête revelou que um terço dos freqüentadores de igrejas protestantes tem dúvidas sobre Deus.”
EUROPA
Ilhas Britânicas:
Em julho de 1978, o arcebispo de Cantuária disse a quatrocentos bispos reunidos na conferência de Lambeth: “Que Deus nos perdoe. Não gostaríamos de admiti-lo; isso deixaria abalada nossas congregações. Mas paramos de ouvir, e nossa vida espiritual já morreu dentro de nós, embora mantenhamos as aparências e finjamos que tudo continua como antes.” O número de ministros está declinando.
Um correspondente de The Times disse que “todas as igrejas principais estão afligidas por números decrescentes e graves dificuldades financeiras, mas estão mais preocupadas com a lacuna cada vez mais crescente que parece ter-se aberto entre a religião institucional e a geração mais nova.”
França:
O Monsenhor Gabriel Matagrin, bispo de Grenoble, é citado no livro L’Eglise déchirée (A Igreja Dividida, 1978) de Alain Woodrow, como dizendo: “É inegável que a Igreja atravessa uma crise. A prática religiosa está decrescendo, existe uma diminuição dos batizados e catequizados, e há cada vez menos sacerdotes e vocações religiosas.”
Num sermão da Quaresma, na igreja de Notre Dame, o sacerdote Bernard Bro disse: “Os especialistas calculam um decréscimo de praticantes de 16% para 7% [na França]. De minha parte, retenho o exemplo dos países nórdicos; eles me ensinaram que bem poderia descer para 1%. Dentro de trinta anos, isto já terá terminado.”
Alemanha:
O Süddeutsche Zeitung, ao veicular os debates travados numa conferência, católica, declarou: “A Igreja e suas instituições parecem distantes dos anseios do homem moderno, e sempre atrasadas no tempo. Dão a impressão de não compreenderem o que o povo quer, e quais são suas verdadeiras necessidades.”
Um testemunho abalador de que as igrejas perdem terreno na Alemanha foi uma enquête noticiada pela revista Bunte: “Apenas 17% dos alemães com menos de 35 anos crêem que Deus existe.”
Grécia:
Até recentemente, a Igreja Ortodoxa Grega era todo-poderosa. Agora, seus tratos e objetivos estão sob fogo direto. Comentou o diário de Atenas, To Vima: “Atualmente a Igreja, isto é, o clero, especialmente o clero mais elevado, é mui amiúde um covil de escândalos, uma fonte de tolice e insensatez. Tanto assim que, já por algum tempo, a grande maioria do povo grego considera a maioria dos clérigos, não como uma instituição respeitável, espiritual, mas como um enxame de agitadores e provocadores de escândalos, radicais e exploradores, que preferem, ao invés de ‘guiar seu rebanho’, diverti-lo com sua tagarelice e seus desvarios, quando o rebanho não está desgostoso com os feitos deles.”
Turquia:
Defronte da Grécia, do outro lado do Bósforo, na antiga Constantinopla, reside o “Patriarca Ecumênico e Arcebispo da ‘Nova Roma’”. Demétrio I é o líder simbólico dos 85 milhões de membros ortodoxos do mundo. Disse a revista Time: “Todavia, quando Sua Santidade, Demétrio I, preside a Eucaristia dominical na Igreja de S. Jorge, em Istambul, os gigantescos candelabros lançam sua tênue luz sobre fileiras de bancos vazios. A congregação só tem uma dezena de adoradores, a maioria deles sendo idosos. A sé histórica, outrora o centro de metade do mundo cristão, está morrendo.”
Itália:
Numa carta aberta ao Papa Paulo VI, o Arcebispo Pintonello disse: “Os seminários e os ateneus pontifícios, como todo o mundo sabe, foram transformados em escolas, e dali para o marxismo e o ateísmo, já tendo infetado mais de 90% dos clérigos jovens.” La Difesa del Popolo disse a respeito dos sacerdotes: “Em 1871, havia 152.000 deles na Itália, . . . em 1973, havia 47.000. Deve-se notar que, no ínterim, a população italiana subiu de 27 milhões para 54 milhões de habitantes.”
Portugal:
Em 1977, a revista Opção declarou: ‘A situação é tal que alguns sacerdotes acham que são os últimos duma espécie que caminha para a extinção. Grande número deles simplesmente celebram missa aos domingos e, durante a semana, cursam uma universidade ou têm empregos regulares. Temem que, de um minuto para o outro, vejam-se obrigados a achar novo modo de vida.’
No domingo de Páscoa de 1978, o Cardeal Patriarca de Lisboa queixou-se dos pecados da sociedade portuguesa, mas Opção fez a acusação de que a Igreja Católica não era politicamente inocente, e era responsável pelo aumento de tais pecados durante o reinado obscuro do ditador Salazar.
Espanha:
Tem havido mudanças radicais nas tradições religiosas. Há alguns anos, a Semana Santa era uma celebração religiosa apoiada solidamente pelas massas. Agora é um sinal para o êxodo em massa das cidades para o campo e para as montanhas. Também na Espanha, muitos seminários estão reduzidos a um punhado de estudantes de teologia. A situação se agrava devido ao número dos que abandonam o sacerdócio e os conventos.
Suécia:
A igreja na Suécia não exerce muita influência sobre a vida das pessoas. Em média, o sueco visita uma igreja menos de três vezes ao ano. Disse um comentarista: “Parece que o sueco, afinal de contas, está satisfeito com sua igreja e está disposto a pagar o que custar para retê-la, embora não compareça a ela.”
AS AMÉRICAS
Estados Unidos:
Num artigo de capa, a revista Time relatou que, “a nível nacional, a Igreja Episcopal perdeu um membro a cada 15 minutos, na última década”. Surgiu um cisma nessa igreja devido à nomeação de mulheres para o sacerdócio. Em janeiro de 1978, quatro novos bispos foram consagrados pela nova “Igreja Anglicana da América do Norte”. Um deles disse que permanecer na Igreja Episcopal “é como fazer a ressuscitação boca a boca de um cadáver”.
O Rabino Alvin J. Reines afirmou que “o judaísmo norte-americano acha-se num estado desesperado de crise”. De acordo com a revista Time, ele “está convencido de que, por volta do ano 2100, a comunidade judaica norte-americana poderia reduzir-se dos atuais 5,8 milhões para menos de 1 milhão — abaixo do nível significativo”. Reines, segundo se afirma, argumenta que “os judeus norte-americanos não aceitam os ensinos do judaísmo tradicional. E, sem alguma religião, o povo judeu desaparecerá”.
O evangelismo parece estar florescendo, à medida que as religiões mais sólidas deixam de satisfazer às pessoas. No entanto, a revista Human Behavior (Comportamento Humano) relata que muitos talvez não sejam o que parecem nas famosas cruzadas de Billy Graham. Afirma-se que muitos, dentre as multidões que se apresentam para as costumeiras “convocações de ir à frente” são colocados ali de antemão “para criar a impressão de uma massa espontânea de convertidos”.
Recente Pesquisa Gallup dos Jovens revelou que apenas 25 por cento dos jovens entrevistados expressavam grande confiança na religião organizada. Numerosos comentários foram: “O bingo, as quermesses, e os sermões ruins — é isso que a igreja significa”, e os freqüentadores de igrejas “são espiritualmente ocos”. Muitos comentaram a hipocrisia das igrejas e dos freqüentadores de igrejas e o fato de que as igrejas não ensinam sobre Deus nem sobre a Bíblia.
Brasil:
Algo totalmente desconhecido no passado, agora o “Brasil restringiu firmemente a imigração de missionários estrangeiros, tanto católicos romanos como protestantes”. (Arkansas Gazette) Mas, produz o Brasil os sacerdotes de que precisa? A porcentagem do aumento demográfico é muito maior que a porcentagem do aumento de sacerdotes. Em realidade, O Estado de S. Paulo disse que ‘de 1968 em diante, o número dos clérigos religiosos começou a decrescer lentamente’.
A influência decrescente do catolicismo é também observada nas atitudes para com a vida. Uma equipe da Universidade de São Paulo verificou que uma dentre cada duas mulheres usava alguma forma de anticoncepcional, e isso apesar das ordens da Igreja. Uma manchete do Brazil Herald (jornal de língua inglesa) chegava à seguinte conclusão: “A Igreja no Brasil: A luz que falhou.”
Talvez sua igreja não esteja tendo problemas típicos das igrejas da cristandade em geral. Talvez esteja prosperando, tendo boa assistência e um ministro que aprecia ouvir e com quem aprecia trabalhar. Ainda assim, pode haver diferença entre pensarmos que estamos certos e estarmos realmente certos, e até mesmo os cristãos verdadeiros são admoestados a ‘persistir em examinar se estão na fé, persistir em provar o que eles mesmos são’. — 2 Cor. 13:5.
Quando Jesus estava na terra, ele mostrou que as religiões judaicas daqueles dias não serviam a Deus, e alguns dentre as primitivas congregações cristãs também falharam em passar em alguns testes. Eis aqui alguns dos testes em que tais adoradores de Deus falharam, e em que tanto indivíduos como igrejas ainda hoje falham. Ao examinarmos esta lista parcial, que cada um de nós examine a si mesmo e a congregação a que está afiliado.
[Destaque na página 18]
“Alguns sacerdotes acham que são os últimos duma espécie que caminha para a extinção.”
[Destaque na página 18]
Permanecer na Igreja Episcopal “é como fazer a ressuscitação boca a boca de um cadáver”.
[Destaque na página 19]
“A Igreja no Brasil: A luz que falhou.”
[Quadro na página 20]
O QUE DIZER DE SUA IGREJA?
Tradições religiosas ou conhecimento exato?
“É em vão que persistem em adorar-me, porque ensinam por doutrinas os mandados de homens.” “Têm zelo de Deus, mas não segundo o conhecimento exato.” — Mar. 7:7; Rom. 10:2.
Cumpridores da Palavra de Deus, ou louvores fingidos, ou só para se mostrar?
“Tornai-vos cumpridores da palavra e não apenas ouvintes.” “A fé sem obras está morta.” “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus senão aquele que fizer a vontade de meu Pai.” — Tia. 1:22; 2:26; Mat. 7:21.
Títulos lisonjeiros?
“Gostam dos lugares mais destacados . . . e de ser chamados Rabi pelos homens. Mas vós, não sejais chamados Rabi . . . todos vós sois irmãos. Além disso, não chameis a ninguém na terra de vosso pai, pois um só é o vosso Pai, o Celestial.” — Mat. 23:6-9.
Favoritismo?
‘Se mostrardes favoritismo, estais praticando um pecado.’ “Deus não é parcial.” — Tia. 2:9; Atos 10:34.
Pessoas espiritualizadas?
“Irmãos, não vos pude falar como a homens espirituais. . . . Há entre vós ciúme e rixa.” “Os frutos do espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio.” — 1 Cor. 3:1-3; Gál. 5:22, 23.
Louvadores públicos de Deus e de Cristo?
“Ofereçamos sempre a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios que fazem declaração pública do seu nome.” “Fazei discípulos de pessoas de todas as nações.” “Sereis testemunhas de mim [Jesus Cristo] . . . até à parte mais distante da terra.” — Heb. 13:15, Mat. 28:19; Atos 1:8.
Amor a Deus?
“O amor de Deus significa o seguinte: que observemos os seus mandamentos.” — 1 João 5:3.
Crê em Deus?
“O insensato disse no seu coração: ‘Não há Jeová.’” — Sal. 14:1.
Cristo, o resgate?
“Não há salvação em nenhum outro [Cristo].” — Atos 4:12.
Amor ao próximo?
“‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’ O amor não obra o mal para com o próximo.” “Todas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.” — Rom. 13:9, 10; Mat. 7:12.
Amor entre si?
“Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” — João 13:35.
Amor ao mundo?
“Não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade com Deus?” “Não estejais amando nem o mundo, nem as coisas no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele, porque tudo o que há no mundo — o desejo da carne, e o desejo dos olhos, e a ostentação dos meios de vida da pessoa — não se origina do Pai, mas origina-se do mundo. Outrossim, o mundo está passando, e assim também o seu desejo, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” — Tia. 4:4; 1 João 2:15-17.