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  • O que um marcapasso fez por mim
  • Despertai! — 1979
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g79 22/7 pp. 11-16

O que um marcapasso fez por mim

ENQUANTO o médico se inclinava e auscultava os batimentos cardíacos do bebê por nascer, sabia de imediato que algo estava muito mal. Às vezes, os batimentos eram de apenas 48 por minuto, ao invés de a freqüência fetal usual de 120 batimentos por minuto. O médico prontamente convocou outros médicos para determinarem a causa do problema. Antes de se fazer um diagnóstico, eu nasci, um mês prematuramente, em 11 de setembro de 1944. Deveras apresentava batimentos cardíacos de apenas 48 a 60 por minuto. Qual era a causa? Um bloqueio ventricular.

Um bloqueio ventricular soa pior do que realmente é. Em meu caso, isto significa que os átrios (ou aurículas) pulsam normalmente, mas os ventrículos não recebem sempre a mensagem. Isto fazia com que meus batimentos ventriculares fossem muito mais lentos, de cerca de 30 a 40 batimentos por minuto, ao passo que os átrios apresentavam de 60 a 80 batimentos por minuto. Visto que os ventrículos executam o real bombeamento do coração, eu recebia apenas a metade da irrigação sangüínea da pessoa mediana. O médico cria que eu era o primeiro caso registrado deste problema cardíaco descoberto antes do nascimento. Minha mãe foi informada de que minha expectativa de vida seria breve, porque a ciência médica não possuía nenhum remédio para este problema.

Depois de um primeiro ano de vida muito difícil, comecei a estabilizar-me e ficar mais forte. Na minha infância, foi necessário limitar grandemente as atividades físicas. Tinha de tirar constantes sonecas e não podia participar na educação física ou nos esportes escolares. Meu círculo de amigos era composto quase que inteiramente de Testemunhas de Jeová, que mostravam-se sempre compreensivos e atenciosos quanto às minhas limitações físicas, e, ainda assim, incluíam-me em suas atividades. A próxima vez que consultamos um médico foi quando já estava em fins da adolescência, mas ele disse que nada mais podia ser feito.

Fiquei resignado às minhas limitações físicas, reconhecendo que precisava observar um estilo restrito de vida se havia de permanecer vivo. Depois de me formar no ginásio, verifiquei ser possível fazer um serviço de tempo parcial, e isto me ajudou a pagar minhas despesas na família. Por cerca de um ano e meio, consegui ser “pioneiro” em meses alternados, gastando pelo menos 75 horas durante estes meses em partilhar minha fé cristã com outros. Este foi um ponto alto do começo de minha vida.

Recebi um Marcapasso

Em fins de 1965, minha tia, que é enfermeira-prática, entrou em contato com um médico cardiologista que tinha forte interesse em promover o tratamento médico avançado chamado de marcapasso. Minha tia inquiriu este médico, explicando minhas circunstâncias específicas. Ela perguntou se um marcapasso me ajudaria. Fez-se arranjos para uma consulta inicial. Depois de testes preliminares, este médico incomumente atencioso disse estar bem certo de que o marcapasso melhoraria grandemente minha condição.

O médico explicou que o marcapasso é pequeno instrumento eletrônico movido a pilhas que, usualmente, está completamente contido numa caixa de plástico duro, com uma tomada para fios que vão ao músculo cardíaco. Isto inverte a polaridade da carga elétrica do músculo cardíaco, fazendo o músculo contrair-se, assim bombeando o sangue. Tais impulsos elétricos regulares, ao chegarem ao músculo cardíaco, provocam um batimento a cada vez, resultando em batimentos cardíacos razoavelmente normais.

Há vários tipos de marcapassos em uso. Os tipos iniciais eram unidades de freqüência fixa. Estes operavam ininterruptamente em uma freqüência fixa, usualmente de 72 batimentos por minuto. No entanto, o tipo mais comum é uma unidade de demanda. Quando o coração não bate no seu ritmo próprio, a unidade sente isto e assume o controle. Mas, quando o coração volta a bater em seu ritmo, a unidade sente isto e não interfere.

O médico disse que gostaria que eu fosse ao hospital fazer alguns testes especiais, que incluíam a cateterização cardíaca. Este teste final envolvia fazer pequenas incisões nos meus braços e inserir cateteres através das minhas veias, até o coração. Esse tempo todo, eu estava desperto e cônscio do que acontecia!

Certa vez, foram-me inseridos, ao mesmo tempo, quatro cateteres, dois em cada braço. Assim, os médicos puderam examinar as paredes e câmaras do meu coração, em busca de cavidades e deformações. Conseguiram até inserir os fios dum marcapasso bem no músculo cardíaco, e fazer testes para ver se o marcapasso corrigiria meu distúrbio. Os resultados mostraram que o marcapasso sobrepujaria meu bloqueio cardíaco e levaria meus batimentos cardíacos à freqüência normal prefixada do marcapasso. Os médicos não encontraram outras deformidades em meu coração.

Um mês depois, em 23 de janeiro de 1966, foi a data marcada para o implante do marcapasso no meu corpo. Fez-se uma incisão em meu abdômen, e implantou-se o marcapasso substituível. O motivo de sua colocação no abdômen era que, naquele tempo, eu pesava apenas 43 quilos, e essa era a parte mais gorda do meu corpo! Outra incisão foi feita entre minhas costelas médias. Isto foi necessário a fim de ligar os fios do marcapasso ao coração. Os fios foram realmente costurados no tecido ventricular cardíaco para estabelecer bom contato para os impulsos elétricos do marcapasso.

Início Duma Nova Vida

Recuperei-me prontamente e consegui ter alta hospitalar em 10 dias. Meus amigos e minha família notaram quão vermelho como um camarão eu estava, graças à quantidade extra de sangue que agora corria por meus vasos sangüíneos. Depois de convalescer por seis semanas, retornei ao trabalho, apenas para descobrir que meu serviço tinha sido eliminado durante minha ausência. Depois de algum tempo, consegui achar outro emprego, e, já era bem em tempo, pois então comecei a criar novos alvos e atitudes.

A primeira coisa que fiz foi começar a mudar minha atitude de: “Não, não posso fazer isso”, para: “Sim, acho que posso”. Oh, sim, ainda tinha minhas limitações, mas comecei a aprender novos limites, especialmente na área das atividades físicas. Podia agora trabalhar por tempo integral. Com o tempo, mudei-me para meu próprio apartamento, e, pela primeira vez na vida, pensei em me casar.

Eu tinha conhecido minha esposa prospectiva na noite antes de minha primeira cirurgia de implante. Ela ainda menciona como ficou imaginando que este rapaz tinha uma história incrível para contar, porém, mais tarde, descobriu que era bem verdadeira. Comecei a trabalhar arduamente para pagar cerca de US$ 2.000 (uns Cr$ 50.000,00) de dívidas médicas miscelâneas, e também para mobiliar um lar para nós, depois do casamento. Consegui provar para minha família e meus amigos que eu era fisicamente capaz de sustentar uma esposa e família.

Casamo-nos em 1967. A ansiada chegada de nosso primeiro filho envolvia um toque grande de ansiedade. Isto se dava por estarmos preocupados se nosso filho ou filha herdaria meu defeito cardíaco. Meu médico achava que as probabilidades eram tão remotas que não precisávamos preocupar-nos com isso, mas nos preocupávamos, assim mesmo. Quando ela finalmente chegou, tinha um coração saudável e ficamos grandemente aliviados.

Substituições do Marcapasso

Meu marcapasso era um modelo para 24 meses, as pilhas só durando esse tempo. Aqueles dois anos pareceram muito breves. Daí, tive de voltar ao hospital para obter uma unidade de substituição. Desta vez, a cirurgia foi muito mais fácil. Tudo que o médico teve de fazer foi uma incisão, afastar a carne do marcapasso, desligar seus fios, removê-lo e ajustar o novo. Daí, me costurou de novo. Isto foi feito sob anestesia geral, e levou cerca de uma hora. Fiquei três dias no hospital, e consegui retornar ao trabalho em questão de uma semana.

De início, o marcapasso parecia uma grande fivela de cinto na cintura, e saía ligeiramente para fora da área do meu estômago. Com o tempo, ao passar de 43 para 58 quilos, o médico conseguiu colocar o substituto um pouco mais profundamente, e tornou-se menos notado.

A próxima substituição foi basicamente a mesma que a anterior. Mas, então, em 1972, o médico começou a usar novo processo. Cheguei ao hospital como paciente externo, e a cirurgia foi feita enquanto eu estava desperto; pude vê-la! Primeiro, deram-me um anestésico local. Fez-se uma incisão então, e a velha unidade foi substituída pela nova. Isto levou cerca de uma hora, e exceto pela primeira incisão e pelas injeções de anestésico, não senti nenhum desconforto real. Obviamente, porém, ficar desperto enquanto se está sendo operado pode acumular certa tensão.

Encontrei algo a que me agarrar, e segurei-o com tanta força que minhas mãos ficaram doendo depois. Tentei afastar a mente do que acontecia por falar incessantemente por uma hora. Cada leve movimento que o médico fazia era ampliado em meu corpo. Parecia como se ele estivesse movendo minhas partes internas de um lado para o outro, embora, realmente, houvesse muito pouca movimentação. Quando terminou aquela hora, contávamos piadas e ríamos. Então me vesti, e andei até o carro para ser levado para casa.

Este novo processo é muito menos oneroso, visto que se elimina a hospitalização. Também, o tempo de recuperação é abreviado, pois o corpo não precisa sobrepujar os efeitos da anestesia geral. Consegui retornar ao trabalho dentro de três dias.

Outra vantagem dos novos marcapassos é que o médico pode fazer certos ajustes do lado de fora do corpo. Por exemplo, os batimentos exigidos por minuto, tais como 60, 70, 80 ou 90, podem ser fixados pela utilização de pequena caixa eletrônica. Também, a intensidade do impulso eletrônico pode ser fixada em nível baixo, médio ou alto. Assim, caso se precise fazer alguma mudança, devido a um problema médico, ou a um período de atividade extra, os batimentos cardíacos podem ser ajustados por uma visita ao consultório do médico. Em 1973, eu consegui viajar a Israel, numa excursão programada pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA). O médico aumentou meus batimentos cardíacos para 80 batimentos por minuto, e isto resultou tão satisfatório que o temos mantido nesse nível desde então.

Bênçãos, Seguidas por Tragédia

Esta foi uma época felicíssima de minha vida. Eu tinha uma esposa maravilhosa, duas filhas lindas, um ótimo lugar para morar e um emprego que me concedia bastante tempo para as atividades cristãs. Também servia como ancião na congregação cristã. Muitos de meus irmãos cristãos jamais suspeitaram que eu sofrera tão grandes limitações nos meus primeiros anos de vida, nem que tenho um marcapasso que controla meu coração.

Naturalmente, ainda não dispunha de toda a energia que gostaria de dispor. Assim, tinha que distribuir minha energia segundo as várias atividades — um pouco para o serviço secular, um pouco para o tempo gasto com a família, bem como para as reuniões cristãs, a preparação de discursos, e participar, junto com minhas co-Testemunhas, na obra de pregação de casa em casa. Isto usualmente significava tirar uma soneca depois de voltar do emprego para casa, e antes de ir às nossas reuniões. Eu não era como a maioria das pessoas; não dispunha de reservas sempre que me excedia. Mas, fiz os ajustes mentais necessários para ser equilibrado em meu ponto de vista e em minhas atividades.

Daí, certo domingo de tarde, no verão setentrional de 1975, eu e minha esposa íamos de carro até à casa de minha sogra para pegar as crianças. Elas tinham passado a noite com ela. Um rapaz, dirigindo na contra-mão, adormeceu numa curva e atingiu-nos bem de frente! Surpreendentemente, não morremos, mas ambos ficamos gravemente feridos. Sofri ruptura do tornozelo, visto que ainda estava pisando no pedal do freio quando colidimos.

Serviços de ambulância nos levaram a um hospital local. Primeiro pedi que os médicos da sala de emergência examinassem meu marcapasso. Ainda batia regularmente, não tendo sido atingido pelo acidente. Deram pontos em meu lábio e fizeram raios X de meu pé e da minha perna. Quando o ortopedista veio ver meu pé, perguntei-lhe: “Poderá dar um jeito nele?”

“Sim, acho que posso”, respondeu ele.

“Conseguirei andar de novo?”, quis saber.

“Por enquanto não posso afirmar.”

“Poderá fazer a operação sem transfusões de sangue, visto que sou Testemunha de Jeová?”

“Não”, disse ele.

“Poderá encontrar-me outro médico que a faça?”

Nosso médico de família tinha alguém em mente. Quando propus a tal médico as perguntas que acabei de mencionar, obtive as mesmas respostas, exceto para a terceira. Ele disse: “É um tanto mais arriscado sem sangue, mas, se estiver disposto, eu também estou.” Assim, eu disse: “Vamos em frente.”

O médico conseguiu tomar tempo extra, na cirurgia, porque havia menos probabilidade de complicações, devido aos batimentos regulares e controlados do marcapasso. A operação levou cerca de quatro horas, e exigiu dois parafusos e dois pinos metálicos para manter unido o tornozelo. Visto que nossa família e nossos amigos da congregação local cuidaram amorosamente das tarefas domésticas e da preparação de nossas refeições, eu e minha esposa nos recuperamos continuamente. Sinto-me feliz de dizer que posso andar de novo.

Felizes Perspectivas

Durante esse tempo, morávamos no sul da Califórnia. Mas, depois de conversar com os representantes viajantes locais das Testemunhas de Jeová, e depois de considerarmos o assunto com oração, decidimos mudar-nos para uma área rural no norte do Arizona, EUA, onde podíamos ser de maior ajuda na promoção da obra de pregação das Testemunhas de Jeová. Durante os dois últimos anos tenho podido, vez por outra, participar no serviço de “pioneiro”, assim como também minha esposa. Usufruímos muitas bênçãos em partilhar a mensagem bíblica com nossos vizinhos e em trabalhar junto com nossos irmãos e irmãs cristãos.

Um marcapasso artificial sem dúvida prolongou minha vida, e, inquestionavelmente, melhorou-a. Devido aos meus problemas cardíacos, fiquei mais familiarizado com as operações do coração do que a maioria das pessoas. Na verdade, há agora muitas coisas que podem ir mal, e realmente vão mal, com ele, e, no máximo, um marcapasso artificial pode apenas temporariamente corrigir certos distúrbios. Mas, quando se estudam as maravilhas do coração, pode-se ver que o coração tem o potencial de continuar batendo para sempre.

Este potencial existe porque nosso Criador, Jeová Deus, propôs originalmente que os humanos vivessem para sempre em felicidade na terra. E tal propósito é certo de ser cumprido, assim como a Bíblia promete: “O próprio Deus estará com eles. E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” (Rev. 21:3, 4) Que grandiosa perspectiva, portanto, nós temos diante de nós! Sim, um novo sistema está às portas, onde todos usufruirão de vigorosa saúde, sem nem mesmo o mínimo indício de distúrbio em seu coração ou em qualquer outra parte de seu corpo! — Contribuído.

[Foto na página 12]

Marcapasso implantado na parede abdominal, com eletródios ligados ao tecido cardíaco.

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