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  • Atrocidades contra os cristãos em Malaui
    Despertai! — 1976 | 22 de janeiro
    • Atrocidades contra os cristãos em Malaui

      UM NOVO capítulo de chocante desumanidade contra indefesa minoria está sendo escrito em Malaui, país da África Ocidental. São ocorrências que cheiram à bestialidade, à insensibilidade para com quaisquer padrões de decência ou de compaixão humana. Representam triste comentário, deveras, sobre a forma em que humanos podem tratar suas concriaturas humanas — pessoas de sua própria raça e nação. São ocorrências que devem influir profundamente sobre todos que amam a justiça e a eqüidade, sim, a liberdade para todos, sem considerar sua raça, cor ou religião.

      Hoje em dia, quando apenas uma pessoa é seqüestrada por terroristas, esse evento ganha ampla publicidade. As pessoas acompanham com interesse os esforços de libertar o refém. Em Malaui, porém, desde setembro de 1975, dezenas de milhares de testemunhas de Jeová, naturais de Malaui, foram submetidas a um reino de terror. Há três anos atrás, fugiram para Moçambique e Zâmbia a fim de escapar do reino de terror de Malaui. Agora, foram forçadas a retornar. Em sua própria terra natal, tornaram-se o alvo de abusos verbais, de violência física e de toda forma de indignidades. Seus poucos bens foram roubados e ficaram sem os meios de sustentar a vida para si mesmas e seus filhos.

      Em tudo isso, não obtiveram nenhum alívio das agências de manutenção da lei. Não existe uma pessoa sequer entre todas as autoridades de Malaui para quem se possam voltar e recorrer, com êxito, para obterem proteção contra perniciosos atacantes que espancam, roubam e estupram à vontade. São cativas em sua própria terra, a terra em que nasceram e onde foram criadas. Suas fronteiras tornaram-se, para elas, como os muros de grande prisão. Não se pode ignorar a semelhança com as condições prevalecentes na Alemanha nazista, onde milhares de testemunhas de Jeová foram presas e mortas. E tal semelhança se tornou maior agora, pois Malaui já começou a estabelecer seus próprios campos de concentração para as testemunhas de Jeová. Também chegou ao ponto incrível de separar pais e mães cristãos de seus próprios filhos, muito embora estes fossem meros bebês.

      E por que se dá tudo isso? Serão tais pessoas elementos perigosos para o país — subversivos, traidores, maquinadores de revoluções? Exatamente o contrário. Situam-se, inegavelmente, entre os cidadãos mais pacíficos, trabalhadores e cumpridores da lei de todo o país. A brutalidade e as indignidades acumuladas contra eles só têm um motivo, um único motivo. É porque são apolíticos. Isto se deve às suas crenças conscienciosas na Bíblia e nos ensinos de Cristo Jesus, que disse que seus seguidores ‘não faziam parte do mundo’. (João 15:17-19) E, assim, sua consciência não lhes permite comprar uma carteira que os declare membros do partido político dominante de Malaui — o Partido Congressista Malaui. Por causa disso, são tratados como se merecessem menos consideração do que aquela que os humanos normalmente concedem aos animais.

      ‘É algo insignificante’, alguns talvez se inclinem a dizer. ‘Por que não compram tal carteira e evitam as dificuldades?’ Esse seria, com certeza, o proceder mais fácil. E se fosse simples questão de pagar algum imposto ou pagar para obter uma carteira ou cédula de identificação (tal como as testemunhas de Jeová em muitos países pagam e portam, em obediência às leis de seus respectivos países), elas não teriam nenhuma objeção a isso. Mas, a questão aqui envolvida atinge o próprio âmago de sua crença e posição cristãs. Cristo Jesus disse ao governador romano, Pôncio Pilatos: “Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado.” (João 18:36) Para as testemunhas de Jeová, começar a afiliar-se aos partidos políticos deste mundo seria negação aberta daquilo que afirmam crer e defender. Embora não desejem sofrer, aceitarão isto ou até mesmo a própria morte ao invés de serem infiéis a Deus e ao seu Filho.

      É assim que os cristãos dos primeiros séculos pensavam. Poderá ler, nos livros de História, os esforços feitos pelas autoridades romanas a fim de obrigar os cristãos primitivos a fazer sacrifícios ao “gênio” do imperador, até mesmo por um ato tão pequeno como colocar um punhado de incenso sobre o altar, como sacrifício. Certa história diz sobre os cristãos levados à arena romana para ali morrer: “Muito poucos cristãos voltaram atrás, embora, para sua conveniência, se mantivesse geralmente na arena um altar com fogo aceso sobre ele. Tudo que o prisioneiro precisava fazer era espalhar um punhado de incenso sobre as chamas e lhe era dado um Certificado de Sacrifício e era deixado livre. . . . Ainda assim, quase que nenhum cristão se aproveitava da oportunidade de escapar.” — Those About to Die (Os Prestes a Morrer), de Daniel P. Mannix, págs. 135, 137.

      Pergunte a si mesmo: Qual é a maior evidência do bom cidadão, é comprar um cartão de partido político e andar por aí com ele — algo que qualquer criminoso ou até mesmo um traidor poderia fazer e o faria — ou é viver em obediência às leis do país e provar-se trabalhador, decente, honesto e respeitoso, amando o próximo como a si mesmo? Até mesmo as autoridades malauis têm de compreender quão ridículo é fazer do porte dum cartão político a prova toda-importante da boa cidadania. De outra forma, não negariam com freqüência ser esta a questão envolvida, nem negariam que há pessoas que realmente tentam obrigar outros a comprar tais carteiras.

      Mas, os fatos falam por si, e tais fatos são brutais, chocantes, repulsivos. Considere, brevemente agora, o que as testemunhas de Jeová tiveram de suportar em Malaui durante a última década e ainda o suportam até hoje.

  • Elementos perniciosos zombam da constituição de Malaui
    Despertai! — 1976 | 22 de janeiro
    • Elementos perniciosos zombam da constituição de Malaui

      A CONSTITUIÇÃO da República de Malaui, adotada em 1966, contém a seguinte garantia em seu primeiro capítulo:

      “(iii) O Governo e o povo de Malaui continuam a reconhecer a santidade das liberdades pessoais abrigadas na Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas, e da aderência à Lei das Nações.”

      Quais são algumas dessas liberdades pessoais, cuja santidade seria reconhecida? O artigo seguinte afirma:

      “(iv) Nenhuma pessoa deve ser privada de sua propriedade sem pagamento de justa compensação, e apenas quando assim o exige o interesse público.

      “(v) Todas as pessoas, sem considerar sua cor, raça ou credo, devem usufruir iguais direitos e liberdades.”

      Mas, desde quase a adoção da Constituição, elementos criminosos no país zombam dessas palavras.

      Até mesmo antes que essa última Constituição fosse escrita, houve violento surto de ataques contra as testemunhas de Jeová em Malaui, no ano de 1964. Um total de 1.081 de suas casas, e mais de cem de seus locais de reunião, chamados Salões do Reino, foram incendiados ou de outra forma devastados. Centenas de seus campos de colheitas foram destruídos, a fim de privá-las do alimento necessário. Mas, pelo menos em 1964 havia algum meio de recorrer à lei.

      Exemplo que mostra que a justiça ainda funcionava então é visto de que oito homens que participaram no assassínio duma Testemunha malaui, chamada Elton Mwachande, foram julgados e condenados. Recusando a acusação de que a Testemunha ‘provocara’ seus agressores, ou que as testemunhas de Jeová em Malaui fossem delinqüentes em seus deveres cívicos, o juiz em exercício, Dr. L. M. E. Emejulu, disse então:

      “Não vejo evidência de provocação. É verdade que as testemunhas de Jeová propagavam com determinação sua fé, e procuravam granjear conversos, mas estavam cônscias de seus deveres cívicos e faziam tudo que se lhes pedia que fizessem, inclusive o desenvolvimento comunitário. Somente se recusavam a afiliar-se a qualquer partido político. . . . Não existe evidência alguma de que jamais forçassem ou tentassem forçar alguém a aceitar sua religião. A evidência é do contrário. A Constituição lhes garante o direito de pertencer ou não pertencer a qualquer partido político. Não encontro evidência alguma de provocação.”

      Desaparece a Justiça

      Isso se deu em 1964. Desde 1967, contudo, desapareceu qualquer aparência de justiça no que tange a essa minoria indefesa.

      Apesar das garantias de direitos iguais e liberdade para todos, garantidas pela Constituição, em 23 de outubro de 1967, conforme noticiado por The Times, de Malaui, o governo baniu oficialmente as testemunhas de Jeová como “sociedade ilícita”. Isto serviu como sinal para um ataque em todo o país contra as testemunhas de Jeová, que então totalizavam cerca de 18.000. De novo viram seus humildes lares serem pilhados e incendiados. Numa única cidade, Lilongwe, na parte central de Malaui, 170 casas foram incendiadas em apenas três noites. O total atingiu 1.095, sendo destroçados 115 Salões do Reino. Milhares de testemunhas de Jeová sofreram espancamentos, e foram presas. Outros milhares procuraram refúgio temporário por cruzarem as fronteiras para os países vizinhos de Zâmbia e Moçambique.

      E o que fez o governo, a fonte da ‘lei e ordem’, o ‘protetor oficial’ dos direitos de todas as pessoas de Malaui? Não houve nenhuma condenação sequer desta atividade criminosa! Todavia, notando as tremendas proporções que a violência assumia, o governo deveras concitou todos os membros de seu partido político a pôr um freio em sua horrenda perseguição. Depois disso, por algum tempo, prevaleceu certa medida de paz e calma, e as Testemunhas que procuraram refugiar-se fora do país voltaram. Prosseguiu a sua obra de pregar as boas novas do reino de Deus a seus concidadãos malauis e, embora não pudesse ser feita abertamente, devido à proscrição, sua obra prosperou.

      Cerca de dois anos depois, em 8 de outubro de 1969, o presidente de Malaui, Dr. E. Kamuzu Banda, declarou de público que ninguém no país deveria ver-se obrigado a comprar uma carteira política. Mostraria o futuro que tais palavras tinham significado e vigor, e seriam respeitadas? Ou eventos posteriores também zombariam de tal declaração?

      Lançada a Terceira Onda de Violência

      Em 1972, surgiu a resposta. No congresso anual do Partido Congressista Malaui, foi adotada uma resolução. Apresentou a falsa alegação de que as testemunhas de Jeová ‘impediam o desenvolvimento político e econômico de Malaui’, e apresentou as seguintes declarações quase que incríveis:

      “(b) Resolvemos que todos os membros destas seitas religiosas fanáticas empregados no comércio e na indústria devem ser despedidos doravante, e que qualquer empresa comercial ou industrial que não cumprir esta resolução deve ter sua licença cassada.

      “(c) Resolvemos que todos os membros destas seitas religiosas fanáticas empregados pelo Governo devem ser despedidos doravante e que qualquer membro destas seitas que seja autônomo, quer no comércio quer na lavoura, seja desencorajado em suas atividades comerciais ou agrícolas.

      “(d) Resolvemos que todos os membros destas seitas que morarem nos povoados devem ser expulsos de lá, e apelamos para o Governo que dê a máxima proteção possível aos membros do partido que lidarem com os aderentes destas seitas.”

      Qual foi o efeito destas resoluções cruéis e inflamatórias que, em poucas palavras, exigiam que as testemunhas de Jeová fossem expulsas da sociedade humana? Quase que de imediato, o espírito de violência amotinada varreu todo o país. A partir de julho daquele ano (1972), os membros da militante Liga da Juventude do partido, e do movimento dos Jovens Pioneiros, lideraram virtual guerra contra as testemunhas de Jeová.

      Nos seus ataques selvagens, os membros do partido não pouparam a ninguém, nem mesmo os idosos ou as mulheres grávidas. Moças foram violadas repetidas vezes; os homens foram espancados até desmaiarem. Formas de tortura que só poderiam provir de mentes doentias, tais como enfiar pregos de 6 polegadas (15 cm) nos pés dos homens e obrigá-los a andar, foram usados na tentativa de obrigar tais pessoas a violar suas convicções religiosas e sua consciência, e comprar uma carteira de membro do partido. Desta feita, o número de casas destruídas atingiu os milhares. Em consonância com a resolução do Partido Congressista Malaui, as Testemunhas foram expulsas de seus povoados e campos para as florestas e matagais. Seu gado foi roubado ou morto.a

      Em tudo isso, nem sequer uma pessoa que participou de tais ataques criminosos foi presa ou submetida a julgamento! Devido a isso, quão vãs pareciam ser as garantias constitucionais! Tornou-se sem valor a promessa do presidente, de que não se devia obrigar pessoas a comprar carteiras do partido, simples palavras vãs, sem nenhuma força que exigisse respeito ou acatamento. Os membros da Liga da Juventude amiúde se jactavam: “Nós somos a polícia.” Por suas ações, tais membros da Liga da Juventude, com efeito, cuspiam na Constituição daquela nação e em suas garantias de liberdade para “todas as pessoas, sem considerar sua cor, raça ou credo”.

      Um êxodo em massa das testemunhas de Jeová de Malaui foi o resultado. No decorrer do tempo, cerca de trinta e seis mil pessoas (inclusive crianças), vieram a viver em dez diferentes campos de refugiados no país vizinho de Moçambique. Ali lhes foi dada terra para lavrar e assim foram auxiliadas a se manter vivas. Nestes campos de refugiados, construíram dezenas de Salões do Reino em que continuar seu estudo da Palavra de Deus. Haviam perdido praticamente todos os seus bens materiais, mas não perderam a fé.

      Forçadas a Cair de Novo nas Mãos dos Perseguidores

      Em 1975, contudo, em resultado duma revolução bem sucedida contra Portugal, o país de Moçambique começou a sofrer a transição de uma colônia portuguesa para uma nação independente. Certos elementos políticos radicais usaram a ocasião para agitar o sentimento público contra as Testemunhas malauis nos campos de refugiados, e para insistir que participassem em bradar lemas políticos, tais como “Viva a Frelimo [nome do principal partido político de Moçambique]”. A recusa das Testemunhas, de ficar politicamente envolvidas resultou em sua evacuação forçada dos campos de refugiados de Moçambique. Foram compelidas a cruzar a fronteira de volta para Malaui.

      Na fronteira de Malaui, os refugiados que voltavam foram recebidos pelo Ministro da Região Central de Malaui, o Sr. Kumbweza Banda. Ele lhes disse: “Deixaram Malaui por conta própria e agora voltam por conta própria. Voltem para seus povoados e cooperem com os presidentes do partido e com as outras autoridades partidárias locais.” Referindo-se aos membros da Liga da Juventude Malaui, acrescentou: “Meus rapazes estão aqui para certificar-se de que cooperem com o Partido.”

      Isto forneceu pouca esperança de condições aprimoradas para os refugiados, muitos dos quais retornavam sem nem mesmo ter fundos para viajar de ônibus para seus povoados. Grandes números caminharam a pé mais de 160 quilômetros, com seus filhinhos. Certo grupo caminhou mais de 480 quilômetros, as mulheres chegando com pernas e pés inchados. O que os aguardava?

      Em 27 de agosto de 1975, pouco depois de começar sua volta, o Secretário Distrital da sede do Partido Congressista Malaui em Nkhotakota enviou uma circular fazendo as seguintes declarações (traduzidas do cinianja), a primeira das quais refuta redondamente a afirmação do Sr. Kumbweza Banda de que as testemunhas de Jeová voltavam por conta própria:

      “Informo-o que recebemos uma mensagem do escritório do partido nesta Região Central de Lilongwe. A mensagem afirma que aquela gente da igreja proscrita das ‘Testemunhas de Jeová’ foram expulsas do lugar para onde fugiram em Moçambique. Essa gente retorna agora para suas casas.

      “Desejamos expressar claramente que, se essa gente chegar em suas casas, os senhores, líderes de Área e de Seção, devem certificar-se, junto com os cabeças de seu povoado, que cada um deles compre uma CARTEIRA DO PARTIDO. Como sabem, é um trabalho mui essencial que toda pessoa em seus povoados compre uma carteira do Partido Congressista Malaui. Essa é uma forma em que, nós, povo desse país, podemos mostrar apreço pelo nosso Líder Vitalício, o Ngwazi [Dr. Banda], por desenvolver este país de Malaui.

      “Ao seu dispor no serviço do partido,

      “[Assinado] P. Kamsuli Chirwa

      Secretário Distrital”

      Então começaram de novo os ataques violentos, e se tornaram tão intensos que mais de 4.000 dos refugiados que voltavam cruzaram de novo a fronteira de Malaui, desta vez para Sinda Misale, em Zâmbia, esperando obter refúgio ali. Mas, em outubro, o governo de Zâmbia os obrigou a partir, enviando-os de volta para Malaui, onde os outros milhares de Testemunhas sofriam tratamento brutal.

      Exatamente o que têm de suportar as testemunhas de Jeová em Malaui? É o quadro realmente tão trágico como é apresentado? Leia agora o relato que vem de fontes do Próprio Malaui.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Para obter a evidência documentada, que fornece nomes e locais de tais ações, veja Despertai! de 8 de abril de 1973, páginas 9-29.

  • Ocorrências bestiais — quando terminarão?
    Despertai! — 1976 | 22 de janeiro
    • Ocorrências bestiais — quando terminarão?

      PERDENDO seu refúgio em Moçambique, milhares de testemunhas de Jeová começaram a encher as estradas principais que conduziam às partes norte e central de Malaui ao seguirem caminho de volta a suas povoações natais. Para muitos, era como ser atacados por todos os lados.

      Um grupo de 40 Testemunhas, homens e mulheres, chegou à praça do mercado de Mzimba, a caminho de casa, no norte do país. As pessoas se juntaram para vaiar os viajantes cansados, e então membros da Liga da Juventude Malaui os atacaram. Foram submetidos a graves espancamentos das 8,30 da manhã até às 14 horas. Policiais ficaram parados, observando. Um dos espancados era um senhor de mais de 80 anos. Tiveram ainda de andar mais de 110 quilômetros, e não tinham comida, pois o pouco de dinheiro que dispunham lhes fora tirado pelos membros da Liga da Juventude.

      Ao chegar a seus povoados, às vezes as Testemunhas tinham inicialmente permissão de reocupar suas casas. Mas, em geral, não demorava muito até que os membros da Liga da Juventude vinham exigir que comprassem carteiras de membros do partido político. A recusa lhes trazia toda sorte de tratamento desumano. Considere alguns casos:

      Aldeia de Sosola, Região Central; 26 de agosto de 1975: Um grupo de homens e mulheres, inclusive o Membro local do Parlamento, Sr. Elson Muluzi, e o Presidente local do Partido, Stuart Maere, cercaram as casas das testemunhas de Jeová e perguntaram se estavam dispostas a comprar carteiras de membros do partido. Quando as Testemunhas responderam que não podiam fazer isso, os membros do partido pilharam suas casas e as expulsaram da aldeia, dizendo: “Saiam daqui! Vão embora para um país onde não haja quaisquer carteiras!”

      Região de Kasonjola; 4 e 5 de setembro de 1975: Jovens do Partido Congressista Malaui dirigem-se às casas das Testemunhas nas aldeias de Nsambe, Kampini, Tanga, Mbalame I, Mbuziyamwana e Mselela. Exigem que se comprem carteiras do partido. Quando as Testemunhas recusam, os membros do partido penetram em suas casas, e roubam todos os seus bens: dinheiro, bicicletas, relógios de pulso, pratos, xícaras e outros utensílios domésticos. Os irmãos são submetidos a terríveis espancamentos, um deles desmaiando por uma hora e meia em resultado disso. Em dois lugares, os membros da Liga da Juventude (cujo presidente é chamado Mozangwila) urinam na farinha de milho nas casas, tornando-a imprópria para consumo. Quando uma das Testemunhas se dirige à polícia para dar queixa dos ataques e volta, é espancada de novo.

      Aldeia de Makambale, Região Central: Cinco Testemunhas, homens e mulheres, são despidas, submetidas a espancamentos e perseguidas por uns onze quilômetros. Os responsáveis: O Parlamentar da área de Mangochi, Sr. Abidabilu, e membros da Liga da Juventude e dos Jovens Pioneiros.

      Mazonda, Muso e Mingola; 2 e 3 de setembro de 1975: Mais de vinte Testemunhas, homens e mulheres, são agredidos e espancados severamente por membros do Partido Congressista Malaui do distrito de Ncheu. Uma Testemunha fica desmaiada por duas horas devido ao espancamento. Os agressores então esfregam vagens urticantes (pó-de-mico) nas feridas tanto dos homens como das mulheres. Dia 4 de setembro de 1975: Os Jovens Pioneiros Maduka e Samora lideram um grupo de jovens em atacar as Testemunhas na aldeia de Beni Chauya. Homens e mulheres são espancados até ficarem inconscientes.

      Lingadzi, região de Lilongwe; 29 de setembro de 1975: Às 6 horas da manhã, uma multidão, composta de autoridades do Partido Congressista Malaui e de membros da Liga da Juventude levaram quatorze Testemunhas, homens e mulheres, à sede da seção do Partido na aldeia de Tsoka. Ali foram submetidos a severo espancamento. Os agressores tiraram a roupa de uma Testemunha, que já sangrava pela boca e pelos ouvidos, ataram suas mãos nas costas e então esfregaram lama em seu cabelo e em seus olhos. Os responsáveis: O Presidente Regional, Ng’ambe, o Vice-presidente Syawa, e o Presidente da Seção da Liga da Juventude, Mchezo e o Vice-presidente Mchenga.

      Depravados Abusos Sexuais

      Muitos dos relatórios falam de abusos sexuais duma espécie muitíssimo depravada. Entre eles acham-se os seguintes:

      Região de Mponela, Malaui setentrional: Testemunhas são levadas pelo chefe de sua aldeia, Sr. Kwindanguwo, à delegacia de Mponela. Ficam cinco dias sem comer. Dá-se-lhes então uma carta para a delegacia de Dowa, a área principal. Ao chegarem à delegacia de Dowa, o comissário responsável as leva ao diretório regional do Partido Congressista Malaui. Verificam que outras Testemunhas já estão ali. Todos são submetidos a graves espancamentos. Antes de se iniciar a agressão, o presidente regional de Dowa, do Partido Congressista Malaui, Sr. Kamtepa, grita: “Que Jesus Cristo desça agora mesmo para nos impedir de espancar a todos, antes de começarmos a espancá-los!” O presidente e seus ajudantes da Liga da Juventude começam a espancar homens e mulheres. Tiram toda a roupa deles e esfregam uma mistura de pimenta e os pelos de vagens urticantesa por todo o corpo nu deles. Comprimem essa mesma mistura nos órgãos genitais dos homens e das mulheres. Então empurram os homens por cima das mulheres, no empenho de obrigá-los a cometer imoralidade, ao passo que os espancam. Nenhuma das Testemunhas cede debaixo da tortura.

      Aldeias de Bunda, Nyanga e Phatha, ao sul de Lilongwe; 4 a 9 de setembro: Todas as Testemunhas são escorraçadas de suas casas, despidas e espancadas por turbas lideradas pelos presidentes locais do Partido Congressista Malaui, um dos quais se chama Jeke. Um grupo de agressores consiste em mais de cem pessoas que vieram preparadas com um sortimento de armas para usar contra as Testemunhas. Tentam persuadir aos varões Testemunhas a cometer imoralidade com as Testemunhas mulheres. Os de Bunda são levados à polícia e esta toma parte em espancá-los. A polícia diz às Testemunhas: “O governo é nosso. Dirijam-se a Deus, se houver um, e peçam a ele que venha ajudá-los.” Quando as outras atrocidades são relatadas à polícia, sua resposta é: “Vão e contem a Deus. Que ele os ajude. Se não o fizer, vocês estarão liquidados este ano.”

      Por certo, tais palavras fazem a pessoa rememorar muito além do tempo do sádico regime nazista da Alemanha — voltando até ao primeiro século de nossa Era Comum, quando Cristo Jesus foi falsamente acusado de sedição contra o governo e foi pregado numa estaca de tortura. Leia em sua própria Bíblia como os principais sacerdotes e escribas e anciãos daquela nação “começaram a divertir-se às custas dele e a dizer: ‘A outros ele salvou; a si mesmo não pode salvar! Ele é o Rei de Israel; desça agora da estaca de tortura, e nós acreditaremos nele. Depositou a sua confiança em Deus; que Ele o socorra agora, se Ele o quiser, pois este disse: “Sou Filho de Deus.”’” — Mat. 27:41-43.

      Atualmente, quase idênticas palavras de zombaria são proferidas às testemunhas de Jeová em Malaui porque elas, também, insistem em permanecer leais a Deus, como o fez seu Filho, Jesus Cristo, que anteriormente dissera a Pôncio Pilatos: “Meu reino não faz parte deste mundo.” — João 18:36.

      Kanchenche, ao noroeste de Lilongwe; 31 de agosto de 1975: Membros da Liga da Juventude agridem as testemunhas de Jeová. Os homens são derrubados no chão e os membros da Liga da Juventude pisam sobre seus pescoços. As mulheres são despidas e espancadas, e os membros da Liga da Juventude usam tochas para queimar os pelos das partes genitais. Mulheres da localidade participam em espancá-las. Cinco Testemunhas, senhoras casadas, são violadas. Uma jovem de dezessete anos é estuprada por três homens diferentes. Os que lideram nessa perseguição: O Presidente Regional do Partido Congressista Malaui, Yowase Kapulula, da aldeia de Lundu; Kanjaye, o filho de Biliyati, da aldeia de Thandaza; Asedi Chavesi, o filho de Magadi, da aldeia de Chilomba, e Benala Mtsukwa, da aldeia de Msanda.

      Aldeia de Chimasongwe, região de Lilongwe; 7 de setembro de 1975: Um grupo de Testemunhas é conduzido à seção regional do Partido do Congresso Malaui, onde seus agressores despem tanto homens como mulheres. Então os amarram juntos, para tentar obrigá-los a copular e destarte cometer adultério. Uma Testemunha de 60 anos é amarrada deste modo a uma Testemunha jovem; outro rapaz é amarrado junto com sua própria irmã; até uma senhora menstruada é assim amarrada junto com um varão Testemunha. O presidente local da Liga da Juventude, Chipukupuku, também pega uma tocha e queima o pelo das partes íntimas, do peito e das axilas de dez dos varões Testemunhas. Os agressores, instigados pelos membros femininos da Liga Feminina Malaui, pegam uma Testemunha — completamente despida — e pulam sobre suas pernas e sua barriga, ao passo que a surram com folhas de sisal até ela desmaiar. A mulher, que estava em seu período de menstruação, é surrada até que sangra pela boca e narinas.

      Chilinde, em Lilongwe; 8 de setembro: Membros da Liga da Juventude, à noite, surram brutalmente as Testemunhas. Uma das mulheres é violada por quatro homens; outra é trancada em sua casa, e três homens a estupram. Quando as Testemunhas dão parte destes incidentes à polícia, a resposta que recebem é: “Digam ao seu Deus. Ele é o causador de que sejam roubados. Será que ele está morto, de modo que seus olhos não enxergam?”

      Lumbadzi, ao norte de Lilongwe; 24 de setembro: Testemunhas refugiadas voltam para suas casas, e o chefe da aldeia lhes permite que entrem na aldeia. Nessa noite, contudo, o presidente regional do Partido Congressista Malaui e uma multidão de membros da Liga da Juventude chegam e levam as Testemunhas para o diretório do partido em Dowa. Seus agressores os surram e então pegam dois varões Testemunhas e amarram juntos seus órgãos genitais. Espancam-nos nos órgãos genitais, de modo que, se um tentar escapar da surra, machucará o outro. Amarram pesados tijolos nos órgãos genitais de outras Testemunhas e as fazem andar com eles. Entre os responsáveis acha-se um homem chamado Chilunje, de Lumbadzi. Quando se dá queixa de tais atrocidades à polícia, esta responde: “Mesmo que vocês sejam mortos, não obterão nenhuma ajuda.”

      Aldeia de Chindamba, ao oeste de Zomba; 2 de outubro: Quinze Testemunhas são presas pela polícia de Zomba e torturadas. Além de privá-las de alimento e de espancá-las gravemente, seus atormentadores usam pinças de madeira na genitália dos homens e das mulheres no esforço de obrigá-los a comprar carteiras do partido político.

      Ainda outros relatos informam sobre jovens do Partido enfiarem varetas na genitália de mulheres Testemunhas. Por certo, o quadro como um todo é, a um só tempo, tanto trágico como repulsivo. Todavia, isso não é tudo.

      Conduzidas a Campos de Detenção

      No início de outubro, o governo de Malaui expediu uma circular a todas as delegacias de polícia — não para que parassem os ataques criminosos e restaurassem a lei e a ordem — mas para juntar as testemunhas de Jeová e lançá-las em campos de detenção, como em Dzaleka, Kanjedza e Malaku. Em algumas regiões, são grandes campos de detenção; e outras, são terrenos de arame farpado em volta das delegacias.

      Mas, para as Testemunhas, o pior de tudo é que as ordens exigem que só os adultos sejam lançados ali. Isto significa separar os genitores de seus filhos, até mesmo bebês que estão sendo amamentados. A ordem do governo parece visar impedir que as Testemunhas tentem escapar para outro país qualquer, visto que não poderiam levar seus filhos junto com elas; ou, talvez, de submeter as mães Testemunhas a tamanha angústia que violem sua consciência cristã e afiliem-se ao partido político. Congregações inteiras de testemunhas de Jeová já foram detidas e lançadas em tais campos de detenção. A experiência das testemunhas de Jeová na Alemanha nazista está sendo repetida — desta vez na África.

      As Testemunhas ficam assim sem poder recorrer a qualquer fonte governamental para conseguir justiça ou proteção contra a violência. Elas, e não seus agressores, é que são presas. Ao buscar a proteção policial, repetidas vezes confrontaram declarações tais como: “Não temos tempo para desperdiçar com vocês, visto que vocês não cooperam com o Partido. Muito embora enfrentem dificuldades, não adianta virem apresentar queixa a nós, visto que não estamos aqui para servi-los. Só se Vocês nos mostrarem uma carteira do Partido é que os ajudaremos, e não de outra forma. Só podem apresentar queixa a nós se alguém morrer, e, então, apenas daremos um atestado.”

      Em algumas regiões, o único lugar de segurança que as Testemunhas malauis podem achar se acha nos matagais e nas florestas — onde vivem animais literais, e não homens bestiais. Da região de Lilongwe vem uma lista de quinze Congregações de testemunhas de Jeová que fugiram para a Floresta de Dzalanyama, na fronteira de Malaui e Moçambique. Membros de muitas outras congregações passam os dias no povoado, mas correm para o matagal toda noite, para dormir ali, quer por não terem mais casas, quer para evitar um ataque noturno.

      Quando Cessarão as Barbaridades?

      Embora angustiadas com tal perseguição bárbara, as testemunhas de Jeová em Malaui e no resto do mundo não ficam abaladas em sua fé, nem em sua determinação de apegar-se aos princípios cristãos. Lembram-se das palavras do apóstolo Pedro, numa época em que os cristãos do primeiro século sofriam similar perseguição, porque eles, também, ‘não faziam parte do mundo’, mas mantinham indivisa lealdade ao reino de Deus mediante Cristo Jesus. A eles, escreveu o apóstolo: “Amados, não fiqueis intrigados com o ardor entre vós, que vos está acontecendo como provação, como se vos sobreviesse coisa estranha. Ao contrário, prossegui em alegrar-vos por serdes partícipes dos sofrimentos de Cristo.” — João 17:16; 1 Ped. 4:12, 13.

      Tais palavras, contudo, de forma alguma reduzem a grave responsabilidade que pesa sobre os que infligem tal perseguição contra pessoas inocentes. Se não antes, então, por ocasião de executar o julgamento sobre um mundo inimigo, Jeová Deus promete trazer a libertação e o alívio a todos os que confiam nele e permanecem fiéis a ele sob severa prova. Daí, e por todo o tempo futuro, a terra jamais será maculada de novo por cenas de barbarismo, brutalidade e depravação praticadas contra os indefesos. Daí, numa escala global, “os próprios mansos possuirão a terra, e deveras se deleitarão na abundância de paz”. — Sal. 37:11.

      Mas, poderiam as atrocidades em Malaui ser obrigadas a cessar antes disso? Sim, poderiam. Se as autoridades respeitassem a Constituição de Malaui, tais ataques inescusáveis poderiam parar agora mesmo. Por que tais autoridades malauis permitem que elementos criminosos, muito embora se achem nas fileiras de seu próprio partido, zombem da Constituição de Malaui e conspurquem a nação diante dos olhos do mundo?

      Será que não existe em Malaui nem sequer um homem de autoridade que tenha a sabedoria e a coragem dum Gamaliel? Se existir, então certamente é agora tempo para que um homem de tal calibre aconselhe seus pares, dizendo, como o fez Gamaliel, com respeito aos apóstolos cristãos que foram presos: “Deixem esses homens em paz. Se o que eles ensinam e fazem é meramente deles mesmos, isso em breve se desfará. Porém se é de Deus, vocês não serão capazes de fazê-los parar, e não aconteça que vocês se encontrem a si mesmos lutando até mesmo contra Deus.” — Atos 5:38, 39; O Novo Testamento Vivo.

      Por certo, aqueles que são agora perseguidos em Malaui merecem as orações fervorosas de todos os que têm fé em Deus e na justiça. (Compare com Atos 12:5.) Em adição a isso, se o sofrimento de tais pessoas inocentes lhe é de sincera preocupação, por que não escreve agora ao representante de Malaui em seu país, ou a qualquer das autoridades do governo de Malaui cujo nome e endereço se acha alistado junto com este artigo? Inste com eles a fazer o que puderem para pôr fim às atrocidades que ocorrem em seu próprio país.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estas “vagens urticantes” (pó-de-mico) são chamadas chitedze na língua cinianja. O Scott and Hetherwick Chinyanja Dictionary afirma: “Uma espécie de vagens de feijão, em forma curva de S, aveludada-castanha, que quando madura e sacudida causa a mais intensa coceira; é quase enlouquecedor passar seus pelos pelo pescoço duma pessoa, com curiosa sensação elétrica.”

      [Quadro na página 12]

      AUTORIDADES ÀS QUAIS SE PODE ESCREVER

      His Excellency the Life President of Malawi

      Ngwazi Dr. H. Kamuzu Banda

      Central Government Offices

      Private Bag 301

      Capital City

      LILONGWE 3

      Malawi, Central Africa

      The Honourable R. A. Banda, S.C., M. P.

      Minister of Justice and Attorney General and Minister of Local Government

      Private Bag 333

      LILONGWE

      Malawi, Central Africa

      The Honourable P. L. Makhumula Nkhoma, M.P.

      Minister of Health

      P.O. Box 351

      BLANTYRE

      Malawi, Central Africa

      The Honourable D. Kainja Nthara, M.P.

      Minister of Community Development and Social Welfare

      P.O. Box 5700

      LIMBE

      Malawi, Central Africa

      The Honourable R. T. C. Munyenyembe, M. P.

      Minister of Education

      Private Bag 328

      Capital City

      LILONGWE 3

      Malawi, Central Africa

      The Honourable N. P. W. Khonje, M.P.

      Speaker of the Parliament of Malawi

      P.O. Box 80

      ZOMBA

      Malawi, Central Africa

      The Honourable D. T. Matenje, M.P.

      Minister of Finance, Trade, Industry and Tourism

      P.O. Box 30049

      Capital City

      LILONGWE 3

      Malawi, Central Africa

      The Honourable R. B. Chidzanja Nkhoma, M.P.

      Minister of Organization of African Unity Affairs

      P.O. Box 211

      LILONGWE

      Malawi, Central Africa

      The Honourable A. A. Muwalo Nqumayo, M. P.

      Minister of State in the President’s Office

      P.O. Box 5250

      LIMBE

      Malawi, Central Africa

      Mr. Aleke K. Banda

      Deputy Chairman/Managing Director

      Press (Holdings) Limited

      P.O. Box 1227

      BLANTYRE

      Malawi, Central Africa

      Mr. Richard Katengeza

      P.O. Box 5144

      LIMBE

      Malawi, Central Africa

  • Dinheiro de conchas — sua influência ainda é evidente
    Despertai! — 1976 | 22 de janeiro
    • Dinheiro de conchas — sua influência ainda é evidente

      Do correspondente de “Despertai!” em Papua Nova Guiné

      EM 19 DE ABRIL DE 1975, a Papua Nova Guiné introduziu sua própria moeda, substituindo a moeda australiana usada antes. Esta nova moeda tem interessante relação com o dinheiro de conchas há muito usado nas ilhas do Pacífico.

      Ao passo que a moeda de alguns povos se baseia em dólares e centavos, a nossa se baseia na kina e na toea. Kina é como é chamada a concha de opérculo dourado Pinctada maxima na língua pidgin-melanésia. Esta concha é realmente as valvas da ostra perlífera. Toea é a palavra em motu para as conchas de braços, há muito usadas pelos nativos na meridional Papua Nova Guiné.

      Nossa maior moeda é a de uma kina, que tem o valor de um dólar australiano. Nela há gravuras de dois crocodilos, o do lado direito sendo da espécie de água doce, e o outro, o da variedade da água salgada. Mas, por que usar uma moeda, ao invés de nota de papel?

      O governo raciocinou que a moeda média duraria muito mais do que o papel-moeda. Assim, considerável poupança seria conseguida por se usar moedas de uma kina. No entanto, temos notas de duas, de cinco e de dez kinas.

      Alguns perguntaram por que a moeda de uma kina tem um buraco no centro. Isto a torna mais leve, mais barata e é familiar ao povo da Papua Nova Guiné. De 1929 a 1945, foram cunhadas certas moedas para a Nova Guiné, cada uma com um buraco no centro. As pessoas locais amiúde as amarravam em pedaços de linha de pescar e as penduravam em torno do pescoço. Era o meio mais fácil para as pessoas que não possuíam bolsos nas roupas para levá-las.

      A kina vale cem toeas, cada toea equivalendo a um centavo australiano. Há moedas de uma, duas, cinco, dez e vinte toeas. Cada uma traz uma gravura de diferente e fascinante espécie de vida animal encontrada em Papua Nova Guiné.

      A moeda de uma toea mostra a borboleta bird-wing, uma das maiores e mais coloridas borboletas do mundo. A moeda de duas toeas traz a gravura do bacalhau-borboleta peixe que amiúde muda de cor para se camuflar quando em perigo. Uma truta é representada na de cinco toeas, e o cuscus, pequeno animal que trepa nas árvores, está na moeda de dez toeas. Na moeda de vinte toeas há o casuar, grande ave que não voa.

      Embora a moeda moderna seja usada pela maioria das pessoas, o dinheiro de conchas ainda é usado por alguns povos ilhéus. Em Papua Nova Guiné, por exemplo, a concha de opérculo dourado, ou concha kina, transforma-se em moeda por ser polida e esculpida em forma de crescente. Daí, faz-se um buraco em cada ponta do crescente, de modo que as conchas possam ser penduradas e usadas sobre o peito.

      As conchas kinas têm sido usadas mormente em pagamento de preços da noiva, ou para comprar porcos. Eram especialmente apreciadas nos altiplanos.

      As toeas, ou conchas para os braços, ainda são usadas como moedas. Estas conchas são cortadas da concha Trochus, e formam um bracelete de 2,5 centímetros de largura. Visto que só uma toea pode ser cortada de cada concha Trochus, isto a torna bem cara. Uma grande poderá custar vinte dólares australianos, ou vinte kinas.

      O dinheiro de conchas há muito usado pelos povos do Protetorado Britânico das Ilhas Salomão é produzido na ilha de Malaita. Há duas formas principais, conhecidas como “dinheiro vermelho” e “dinheiro branco”. O dinheiro vermelho é feito de uma concha cônica com interior vermelho, e o dinheiro branco é feito duma concha cônica branca. Destas conchas, podem-se cortar pequenos pedaços e fazer-se um buraco nelas.

      Os pedaços de conchas são então enfiados numa linha, vários vermelhos, e então um branco. Seis

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