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  • “Um espetáculo teatral para o mundo, tanto para anjos como para homens”
  • A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1967
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  • MINHA DEDICAÇÃO
  • CHARLES T. RUSSELL VISITA ZURIQUE
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A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1967
w67 1/11 pp. 663-669

“Um espetáculo teatral para o mundo, tanto para anjos como para homens”

Conforme narrado por Maxwell G. Friend

“VINDE, ouvi, todos vós que temeis a Deus, e eu relatarei o que ele tem feito pela minha alma.” (Sal. 66:16) É isto o que desejo fazer agora.

Meu antepassado era Abraão. O meu mais ardente desejo, como o dele, tem sido de ter a Jeová como meu eterno Amigo (Friend, em inglês) e permanecer para sempre achegado a ele.

Nasci na Áustria em 1890, de pais judeus devotados que tinham nove filhos, sendo criado na religião judaica ortodoxa e aprendi a ler hebreu antes de ter idade de ir para a escola. Senti-me atraído a Deus em tenra idade, sendo movido a isso pelos meus devotados genitores, e não por meus estritos mestres religiosos. Tudo o que tais mestres me ensinaram foram orações hebraicas formais e mecânicas e rituais desprovidos de sentido.

Em 1897, minha família se mudou para Zurique, Suíça. Ali, durante meu primeiro ano escolar, ouvi pela primeira vez a história do nascimento de Jesus. Senti-me fascinado por ela. Mal tinha aprendido a ler alemão quando me veio às mãos, em nosso lar, um mutilado livro religioso, escrito e ilustrado para crianças. Achava-se impresso em letras grandes e contava historias bíblicas fascinantes tiradas das Escrituras Hebraicas e Gregas. Com intenso interesse, eu as li e reli laboriosamente. Tanto os relatos familiares da Bíblia Hebraica como os novos relatos a respeito do Messias e de seus discípulos primitivos, tornaram-se vívidos e fascinantes para mim. Cria neles com todo o meu pequeno coração. Mais tarde, senti atração pelos livros de ciência popular, principalmente sobre biologia e cosmologia. Isto ampliou meus horizontes, e, aos quatorze anos, abandonei a religião formalística.

MINHA VIDA ADULTA

A chamada educação superior dos meus anos universitários, junto com maior visão do formalismo repulsivo, dos credos desprovidos de sentido e da repugnante hipocrisia das religiões que eu via ao redor de mim, despojaram-me da fé sincera da infância. Tornei-me infeliz cético, agnóstico e evolucionista. Mas, não por muito tempo. Desde a infância, sentia intenso amor pelas belezas da criação de Deus. A admiração pela Sua criação me levou de volta a Ele. Em 1912, depois de mais de três anos de intenso curso dramático no renomado Teatro Municipal de Zurique, Suíça, sentei-me em meditação às margens do belo lago próximo ao teatro. Foi ali que de novo se me abriram os olhos para a manifesta realidade de que todas as coisas maravilhosas da criação foram produzidas por um Criador infinitamente mais maravilhoso.

Pouco depois, a mãe de um dos meus amigos íntimos, observando minha fé em Deus, presenteou-me com uma moderna tradução das Escrituras Gregas Cristãs. Ao ler estas Escrituras com crescente deleite, reviveu a doce fé em Cristo de minha infância. Isto se deu em 1912. Agora, eu cria com entendimento mais maduro que Jesus de Nazaré é meu Salvador e que é o prometido Messias e Rei do reino de seu Pai.

MINHA DEDICAÇÃO

Depois de medir todos os custos previstos e imprevistos, decidi dali em diante seguir fielmente as pisadas de meu grande Mestre, que me comprara ao custo de sua preciosa vida terrestre. Decidi dedicar minha vida a Deus e ao serviço do seu Reino, a qualquer custo.

Havia ainda muitas outras coisas nas Escrituras que eu desejava entender. Sentia-me como o eunuco etíope, que disse a Filipe: “Realmente, como é que eu posso, a menos que alguém me guie?” (Atos 8:31) Para quem me deveria dirigir? Não nutria confiança nos cristãos de imitação, e muito menos em seus mestres religiosos. O Mestre dissera: “Pelos seus frutos os reconhecereis”, como sendo árvore podre que produz “fruto imprestável”. (Mat. 7:15-20) Sua história vergonhosa e sanguinária e seus massacres impiedosos contra o povo judeu durante a inteira história da cristandade testificam contra eles e os condenam.

Para onde me deveria dirigir? A quem deveria pedir maior esclarecimento? Por meio das Escrituras, já entendera que no meio do joio espiritual do mundo tinha de haver também genuíno trigo espiritual. (Mat. 13:24-30) Mas, como encontrá-lo? Clamei a Deus em busca de ajuda, e ele me respondeu.

Em 1912, havia cerca de uma dúzia de fervorosos cristãos em Zurique que proclamavam o reino de Deus sem que eu soubesse disso. Eram então chamados de “Estudantes da Bíblia”. Atualmente, o grupo com o qual se afiliavam é conhecido como testemunhas de Jeová. Ao visitar alguns amigos, vi em sua sala de música um tratado intitulado “Os Três Mundos”. Sua empregada acabara de trazê-lo da caixa de cartas. Era publicado na Alemanha pela Associação Internacional dos Fervorosos Estudantes da Bíblia. Atraiu meu interesse, e pedi permissão de levá-lo para casa. Quando, altas horas daquela noite, terminei de lê-lo cuidadosamente, sabia que era a verdade. Sabia que era publicado pelos verdadeiros seguidores de Jesus Cristo. Tencionava lê-lo de novo no dia seguinte e então escrever aos editores na Alemanha, pedindo outras publicações. Mas, quando cheguei em casa, na tarde seguinte, o precioso opúsculo não mais estava sobre minha escrivaninha. Nossa empregada pensara que fazia parte do jornal do dia anterior e o queimara. Senti como se tivesse perdido inestimável tesouro. Por mais que tentasse, não me podia lembrar do nome ou do endereço dos editores daquele tratado. De novo me voltei para meu Amigo no céu, e de novo respondeu a minha oração.

CHARLES T. RUSSELL VISITA ZURIQUE

Pouco depois disso, grandes cartazes surgiram por toda Zurique, anunciando um discurso público por um instrutor bíblico estadunidense e viajante mundial, Charles T. Russell. Devia falar sobre o assunto “Além do Túmulo”. Os cartazes mostravam uma gravura ampla e destacada duma Bíblia envolta em cadeias, da qual saía o espírito de Cristo, apontando o dedo de acusação contra uma fila longa e solene de clérigos de todos os tipos. Acusava-os, dizendo: “Ai de vós . . . que tirastes a chave da ciência.” (Luc. 11:52, Al) “Como isso é verdadeiro!” — pensava eu. Mal conseguia esperar a noite em que o discurso público seria proferido no Tonhalle, a melhor sala de concertos de Zurique.

Quando cheguei no Tonhalle, encontrei ampla multidão de pessoas na entrada, aguardando entrada. Para meu amargo desapontamento, verifiquei que a sala já estava superlotada e que as portas tinham sido fechadas. Então, foi anunciado que o discurso seria repetido uma semana depois pelo intérprete de Russell. A multidão que esperava então se dispersou.

Desta vez cheguei na Sala de Concertos antes de todos os outros. Esperei até se abrirem as portas, e quando entrei no saguão, imediatamente obtive o livro O Plano Divino das Eras. Este era o primeiro volume dos diversos livros de Russell. Mergulhei imediatamente na leitura do mesmo e achei-o fascinante. Não fechei o livro senão quando o presidente apresentou o orador. Fiquei convicto de que por fim encontrara o que buscava de todo o coração.

Absorvi cada palavra que ouvi. A hora do discurso pareceu voar. Ao voltar para casa, continuei a ler por horas a fio o livro que comprara. Não me envergonho de confessar que aquilo que eu lia no livro às vezes me tocava profundamente e fazia que lágrimas de alegria me aflorassem nos olhos. Simplesmente não consegui pôr o livro de lado senão depois de o novo dia começar a raiar, porque me estava desvendando o entendimento da Bíblia. Então eu tinha de dormir um pouco, preparando-me para o dia de trabalho à minha frente.

O ensaio naquela manhã era da famosa tragédia de Shakespeare, “Hamlet”. Simplesmente não conseguia aplicar meu coração a ela, desta vez. Perguntava a mim mesmo como poderia, em oposição à Palavra de Deus, expressar publicamente a crença de que meu rei-pai assassinado vivia como uma assombração? Como poderia jurar sanguinária vingança? Como poderia dialogar com a “alma imortal” do rei morto, falar do purgatório e do inferno de fogo como sendo realidades? Como poderia repetir as linhas: “Daquele profundo sono da morte, que sonhos podem surgir?” Como poderia dizer “o temor de algo depois da morte” ou “o país não descoberto, de cujos limites nenhum viajante retorna”, quando sabia que tais declarações eram antibíblicas? De súbito compreendi que conflitos similares de consciência confrontar-me-iam em quase todo drama em que participasse. Sabia que jamais poderia de novo representar uma mentira impiedosa. Sentia-me como a criança que exultantemente corria atrás duma bela e reluzente bola de sabão e, depois de alcançá-la, a bolinha estourasse.

MINHA PRIMEIRA ASSOCIAÇÃO COM UMA CONGREGAÇÃO

Por fim descobri onde os Estudantes da Bíblia realizavam suas reuniões, e quando. Era num quarto dum hotel de Zurique. As pessoas, cerca de uma dúzia, ali reunidas me receberam com genuína e surpreendente cordialidade. Seu interessante estudo bíblico me deixou, pela primeira vez na vida, familiarizado com as características e o significado profético do tabernáculo de meus antepassados no deserto. Vi abrirem-se para mim as portas de uma vida nova e verdadeira, e senti-me irresistivelmente atraído àquele grupo amoroso e amável do povo de Deus. Senti-me logo à vontade com eles. Ainda experimento este sentimento caloroso quando me acho nas reuniões das testemunhas de Jeová onde quer que eu vá no mundo.

Quanto às boas novas do reino de Deus, sentia-me como Jeremias, quando disse: “E isto demonstrou ser no meu coração como um fogo ardente.” (Jer. 20:9) Simplesmente não conseguia retê-las. Simplesmente tinha de contá-las a outros. Meu querido pai era bem versado nas Escrituras Hebraicas e escutou a minha mensagem com mente arejada, mas sem falar muito. Minha mãe era igualmente uma alma temente a Deus e ficou um tanto contente com o que lhe disse. Com respeito a Jesus, ambos tiveram de admitir: “Talvez seja verdade que ele é o Messias.” Anos depois, no seu leito de morte, minha querida mãe leu devotadamente a Bíblia e nosso livro A Harpa de Deus. Como anseio a prometida ressurreição, quando meus pais receberão pleno esclarecimento e poderei vê-los ser recompensados com a vida interminável!

Quanto aos meus quatro irmãos e quatro irmãs, nenhum deles aderiram a qualquer religião. Embora possuíssem mentes liberais, apenas toleravam minha nova crença e raramente argumentavam contra ela. Quanto a meus amigos íntimos, nenhum deles era religioso, mas tentaram desesperadamente livrar-me do que chamavam de “fantasias idealísticas”. Para minha mais profunda tristeza, perdi sua amizade, mas Deus desde então os substituiu “cem vezes mais” conforme prometido em Marcos 10:29, 30.

Da congregação de Zurique recebi publicações para distribuição gratuita. De início, lançava um grande tratado em iídiche nas caixas de cartas de numerosos lares judaicos. Daí, obtive tratados em alemão para os gentios. Desta maneira, e pela palavra oral, participei em disseminar as boas novas do reino de Deus, bem como em dar aviso enfático de que o ano de 1914 veria o começo do “tempo do fim” da atual maligna desordem de coisas, que abalaria o mundo. — Dan. 12:4.

SERVIÇO DE TEMPO INTEGRAL

Agora que eu descobrira o que a Bíblia chama de precioso “tesouro escondido no campo”, que é o reino de Jeová, tornou-se claro para mim que, de modo a ‘comprar aquele campo’, tinha de livrar-me de todos os meus desejos materialistas, bem como de minhas aspirações mundanas de tornar-me ator. (Mat. 13:44) Eu estava ansioso de desempenhar, ao invés disso, um humilde papel auxiliador em ser o que o apóstolo Paulo chama de “espetáculo teatral para o mundo, tanto para anjos como para homens”. (1 Cor. 4:9) Isto seria para a glória e fama de Jeová, não para mim mesmo. Quando revelei minhas intenções e razões ao meu diretor artístico, ele ficou visivelmente chocado. Tentou convencer-me a mudar de idéia, mas, fracassou. Até morrer, anos depois, ele continuou esperando que, conforme se expressou, “o tempo e as realidades” me despertassem de meus “sonhos idealísticos”.

No ano seguinte, 1913, no início da primavera, fui batizado em símbolo de minha dedicação a Jeová e a seu serviço eterno. Esse batismo ocorreu perto do Teatro Municipal, nas águas frias do lindo Lago de Zurique. Então, fiz uma petição à Filial da Torre de Vigia na Alemanha para fazer qualquer serviço que pudesse, e fui convidado a ir à filial, chamada Betel, e trabalhar ali. Meus pais ficaram desolados. Não obstante, altruistamente desejaram que eu fizesse o que me tornasse feliz.

No excelente Betel alemão em Barmen, encontrei calorosa e feliz atmosfera. Tornei-me útil para vários serviços humildes. Naquele tempo, a família de Betel ainda era pequena, consistindo em cerca de quinze adultos e duas lindas meninas do servo de filial. A caçula, Phoebe Koetitz, ainda vive e, já por muitos anos, tem servido devotadamente como pioneira, que é uma publicadora de tempo integral das boas novas, nos Estados Unidos. Outra pessoa em Betel naquele tempo e que tem sobrevivido até hoje é Heinrich Dwenger. Ainda serve fielmente em nossa filial suíça em Berna. Por ser tão cheio de atividades e aprendizado, o primeiro ano de minha nova vida passou rapidamente.

Quando J. F. Rutherford, que mais tarde se tornou presidente da Sociedade Torre de Vigia, nos visitou, perguntou-me se eu gostaria de ser enviado à Áustria-Hungria para disseminar as boas novas do reino messiânico entre os muitos judeus ali. (A maioria destes judeus, bem como três de meus irmãos carnais e uma cunhada que moravam em França, foram mais tarde massacrados pelos nazistas.) Alegremente aceitei o convite, e no início de 1914 viajei primeiro para Praga, Tchecoslováquia. Ali distribuí tratados em iídiche de casa em casa nos grandes bairros judeus daquela antiga cidade. Fui então para Viena, Áustria, onde fiz o mesmo trabalho. Eu ainda trabalhava sozinho naquele tempo. Havia apenas quatro assinantes de A Sentinela em Viena, e eu os visitava repetidas vezes, aumentando seu interesse na Palavra de Deus. Iniciei um estudo bíblico domiciliar com dois deles. Daí, a Sociedade me enviou um ajudador. Dois eram certamente melhor do que apenas um neste trabalho. (Ecl. 4:9-12) Nós dois pudemos fazer muito mais do que pude fazer sozinho.

Os judeus dificilmente acolhiam as boas novas, porque nos confundiam com os missionários da cristandade. Não sentiam nenhum amor à cristandade, devido aos muitos séculos em que ele, os enxotou de um país para outro e os matou sem misericórdia, pelo fogo e pela espada. Até mesmo em seus dias havia desumanos pogromes ou massacres de judeus, dirigidos pelo clero, na Rússia czarista. Depois de abranger os bairros judeus em Viena, viajamos para Poszony (Pressburg) na Eslováquia. Ali, formou-se contra nós uma turba de judeus ofendidos e fanáticos, ao distribuirmos tratados nas ruas judaicas. Confundindo-nos com missionários da cristandade, expulsaram-nos da cidade, mas, com a ajuda de Deus, saímos vivos de lá. Isto não se deu com tais pessoas pobres e cegas. Mais de vinte anos depois, praticamente a inteira população judaica de Poszony foi eliminada pelos nazistas possessos de demônios. Depois de Poszony, abrangemos o território judaico em Budapeste, Hungria.

Aproximávamos do outono (hemisfério norte) de 1914 com crescente expectativa, visto que antecipávamos o fim dos tempos designados das nações, mencionados na profecia bíblica. Rememorando, podemos ver hoje em dia como aquele ano foi um momento decisivo na história humana. Voltamos a Viena, e, quando estávamos ali, irrompeu a Primeira Guerra Mundial. Nossos corações doeram por causa do sofrimento humano que isto trouxe sobre o povo”. Não obstante, sentíamos indescritivelmente jubilantes por causa do cumprimento há muito esperado da profecia bíblica a respeito do fim dos tempos designados das nações.

Daí, seguiram-se os tristes três anos e meio de humilhação do restante dos membros ungidos do corpo de Cristo na terra. Era um tempo em que nos vestíamos simbòlicamente de saco. (Rev. 11:2, 3, 7-11) Em 1919, quando Jeová começou a libertar seu povo cativo de sua escravidão “babilônica”, “entrou neles espírito de vida da parte de Deus, e puseram-se de pé”. Junto com eles, eu também fui reavivado para renovada obra teocrática de tempo integral na “liberdade gloriosa dos filhos de Deus”. (Rom. 8:21) Eu voltara para a Suíça, e ali, por causa de minha integridade intransigente, sofri provas confrangedoras e que sondam o coração.

Foi na congregação de Zurique, do povo de Jeová, que conheci Irma, que se tornou minha companheira prestimosa e fiel de casamento. Servimos juntos primeiro no Escritório Centro-Europeu da Sociedade em Zurique e mais tarde no Betel suíço em Berna. Aqueles anos foram anos ocupadíssimos e frutíferos, eclipsando as provas severas causadas por homens infiéis que mantinham posições de autoridade na Sociedade. Para provar minha humildade, Jeová permitiu que cavalgassem sobre a minha cabeça, fazendo-me passar pelo “fogo e pela água”, mas, depois disso, trouxe-me grande alívio. — Sal. 66:12.

SERVINDO NA SEDE

Na primavera setentrional de 1926, o irmão Rutherford nos convidou a mudar-nos para a sede mundial da Sociedade em Brooklyn. Ali, meu privilégio de servir como tradutor continuou e foi ampliado. Minha boa esposa servia como arrumadeira, fazendo bom uso de seu dom dum típico senso suíço de limpeza, asseio e aconchego. No intervalo de traduções de livros, usufruía o privilégio de visitar as congregações de língua alemã como peregrino, que era um representante viajante e orador público da Sociedade, em partes amplamente separadas dos Estados Unidos. As vezes ia ao Canadá. Ocasionalmente tive oportunidades de transmitir as boas novas do reino messiânico em alemão e em iídiche pelas estações de rádio.

Daí, Jeová me favoreceu com inesperado privilégio de serviço. Tratava-se de produzir e dirigir estimulantes dramas bíblicos e reproduções realísticas de ultrajantes julgamentos contra as testemunhas de Jeová realizados por juízes e promotores públicos influenciados pelo clero e eivados de preconceito, nos EUA. Os dramas os expunham à vergonha pública e exoneravam a obra dos servos de Jeová. Os treinados artistas e músicos de rádio, nestes dramas, eram conhecidos como “O Teatro do Rei”. Suas peças foram apresentadas por anos pela estação de rádio da própria Sociedade, a WBBR, e por outras estações em Nova Iorque, Nova Jersey e Pensilvânia, EUA.

GILEADE

Em 1943, a Sociedade estabeleceu a Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia, escola ministerial para fornecer treinamento avançado a missionários e representantes ministeriais para serviço especializado em campos estrangeiros. Esta escola tem tido significativa participação no grande aumento de publicadores do Reino que tem sido observado desde 1943. Jeová demonstrou seu favor imerecido para comigo por me incluir no corpo docente, para ensinar os cursos de pesquisa bíblica e oratória. Eu fiz isto de todo o coração e com o apoio e a orientação celestiais, por mais de dezessete anos, ensinando trinta e quatro turmas missionárias e dez cursos da Escola do Ministério do Reino.

Ao atingir a idade de setenta anos, necessariamente tive de aliviar minha carga de trabalho. Demonstrando consideração, o presidente da Sociedade, N. H. Knorr, aliviou-me de meus deveres escolares e nos trouxe, a mim e a Irma, de volta ao Betel de Brooklyn. Ali, designou-nos a tarefas mais fáceis. Doeu-me ter de deixar nossa bonita Fazenda do Reino em que se localizava a Escola de Gileade. O lugar e seus habitantes vieram a ser muito prezados por nós. Mas, achamos que Betel, muito mais do que antes, era deveras, como alguns têm dito, um lugar “simplesmente fora deste mundo”. É preciso viver e trabalhar aqui para avaliar plenamente a eficiência assombrosamente suave e o excelente espírito cooperativo cristão de sua organização. Ninguém é empurrado, os superintendentes não se fazem notar e, todavia, o local está pululando de grande atividade e é surpreendentemente produtivo.

Até agora, em todas as minhas muitas e variadas designações de serviço desde 1913, toda mudança tem sido vista com gratidão, com o tempo, como sendo para melhora. Jamais as coisas andaram tão bem como agora, em nosso querido lar de Betel. Outra mudança para melhor, achamos, só poderia ser o próprio céu.

Tenho meus setenta e sete anos agora e, compreensivelmente, canso-me fàcilmente, mas não acho de forma alguma que deva aposentar-me agora ou no futuro. Meu espírito retém a jovialidade e o entusiasmo para com tudo que é verdadeiro, bom, amável e belo. Conforme está escrito: “Os justos . . . florescerão como a palmeira . . . Ainda continuarão a vicejar durante a época dos cabelos brancos . . . para dizer que Jeová é reto.” (Sal. 92:12-15) Não posso fazer grandes coisas, mas posso continuar a fazer devotadamente pequenas coisas. Tenho plena consciência de que tenho sido apenas um escravo “imprestável” e que tudo que tenho feito no serviço do Mestre é o que tinha por obrigação fazer. — Luc. 17:10.

Ao examinar meu serviço do Reino em todos estes anos, compreendo que tem tido seus altos e baixos, suas alegrias e suas tristezas, tudo para minha prova e refinamento. Às vezes, a emocionante escalada do Monte de Deus tem sido muito íngreme e perigosa. Na verdade, tropecei às vezes e feri-me, mas, com forte ajuda de nosso misericordioso Guia Alpinístico, sempre me levantei de novo e, com renovada coragem e cuidado, voltei a subir de novo. Posso deveras testificar que nenhuma das graciosas promessas de Deus me tem falhado. Todas se cumpriram. (Jos. 23:14) Considero inestimável e indizível privilégio desempenhar humilde parte auxiliar no grandioso drama universal da vindicação de Jeová. Compreendo que, antes de começar a contemplar — a luz da verdade de Deus, tateava na escuridão do vale da morte e simplesmente existia. Desde o tempo em que dediquei a vida ao nosso grande Pai celestial, pelos méritos de meu Salvador e Rei, verdadeiramente vivi uma vida plena e alegre, uma vida que vale a pena viver. Meu mais ardente desejo e minha mais elevada esperança não é ser grande no reino dos céus, mas ver a Deus e estar para sempre perto dele e do meu Salvador. É por isso que abandonei tudo que tinha — que era tão pouca coisa! — a fim de obter a coroa da vida e, acima de tudo, de ter a Jeová como meu eterno Amigo (em inglês, Friend).

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