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  • Fomos incluídos no propósito do Criador amoroso
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 1

      Fomos incluídos no propósito do Criador amoroso

      1, 2. Por que assume a vida na terra um novo interesse para um número cada vez maior de pessoas?

      A VIDA na terra assume novo interesse para um número cada vez maior de pessoas, enquanto nosso século vinte se aproxima de seu fim.

      2 O moribundo sistema de coisas em que achamos cada vez mais difícil viver não é a última coisa pela qual devemos passar. Não é tudo o que há para nós. A terra deixará de ser um lugar de contínuo sofrimento humano. A noite cada vez mais escura que envolve agora toda a terra como que numa nuvem mortífera está prestes a desaparecer. O novo dia que com toda a certeza tem de seguir à noite está prestes a alvorecer, para que toda a terra se torne um lugar de vida alegre para toda a família humana. Tudo isso não é questão do acaso, não é questão fortuita, nem mesmo é o caso de algum avanço científico, humano. Alguém superior ao homem propôs-se fazer isso.

      3. Como foram budistas, hindus e crentes no Destino afetados pela nova perspectiva de vida na terra?

      3 Sim, um crescente número de pessoas, de todos os tipos, agita-se com emoção feliz ao aguardarem a vida na nossa mesmíssima terra antiga, mas sob um sistema de coisas vitalizador. Entre essas, o ex-budista, que costumava juntar as mãos e orar ajoelhado diante da imagem dourada de seu deus meditador, encontrou um novo motivo para usufruir a vida humana na terra agora e para sempre. O ex-hindu, que costumava cultuar o seu deus trino Trimúrti, não mais procura acumular para si méritos, por temor duma imaginária transmigração da alma humana após a morte. Com interesse amoroso em todos os outros da humanidade, procura agora compartilhar com outros as boas novas de que a família humana terá em breve uma vida melhor aqui na terra. O adorador que antes cria que todos os seus assuntos eram governados por Qadar (“Destino”) quer agora mostrar-se digno de herdar um paraíso aqui na terra, mais belo do que mesmo a antiga Damasco.

      4. Como mudaram religiosos da cristandade as suas expectativas?

      4 O antigo católico romano, grego ortodoxo ou protestante, que esperava tornar-se anjo no céu, em vez de queimar para sempre num inferno de fogo e enxofre, prepara-se agora para a vida infindável em perfeição humana, numa terra segura e pacífica.

      5. Como foram afetados similarmente os não-religiosos?

      5 Quão maravilhosas são todas estas transformações religiosas! Mas tais transformações não se restringem a pessoas religiosas, sinceras. Até mesmo os que não eram religiosos passaram por tal mudança de conceito da vida na terra. O ex-evolucionista, que antes tinha enorme fé na crença de que a vida humana começou por acaso com uma pequeníssima célula de vida curta num mar primevo e evoluiu ambiciosamente para a atual vida humana, não mais depende de mutações e da ciência moderna quanto ao que ele será no futuro. O anterior comunista “ateu”, que cria no materialismo absoluto e que trabalhava para converter todo o mundo ao comunismo, sob um governo político irreligioso, agora espera uma regência universal mais elevada do que a de criaturas de carne e sangue, egoístas, imperfeitas e morredouras.

      6. A que amoldam agora todos estes a sua vida?

      6 Todas estas pessoas transformadas, religiosas e não religiosas, aguardam com confiança que a vida na terra se torne melhor dentro de sua própria geração. Amoldam agora a sua vida na expectativa certa de coisas mais grandiosas para os habitantes da terra. Sua vida atual é mais feliz por causa disso, é mais útil e proveitosa para elas mesmas e para outros. Todos estes, unidos, têm esta perspectiva comum para os anos vindouros. O que produziu tal transformação maravilhosa na sua mente, no seu coração e na sua vida?

      7. O que fez com que houvesse essa transformação em tais?

      7 O seguinte: Todos passaram a obter conhecimento exato do “propósito eterno” de Deus e estão ajustando a sua vida em harmonia com este propósito divino alegrando-se de coração, porque esse triunfa agora para o bem eterno de toda a humanidade. São humildemente gratos de que também são abrangidos pelo propósito amoroso de Deus, seu Criador. Viverem dentro do alcance do propósito Dele lhes dá valor à vida. Têm diante de si a felicidade eterna.

  • O imortal que tem o “propósito eterno”
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 2

      O imortal que tem o “propósito eterno”

      1, 2. Quem somente pode ter um “propósito eterno” e o que disse Moisés sobre ele?

      “PROPÓSITO eterno”! Quem poderia ter tal propósito senão o Deus sempre-vivo? A evolução, ensinada por muitos cientistas hodiernos, não poderia ter tal propósito, visto que o acaso ou a sorte, com que começa a teoria não provada da evolução, não ocorre propositalmente e não tem propósito. No século quinze antes de nossa Era Comum, um mundialmente famoso legislador e poeta, a saber, Moisés, filho de Anrão, chamou atenção para tal Deus infinito, dizendo:

      2 “Antes de nascerem os próprios montes ou de teres passado a produzir como que com dores de parto a terra e o solo produtivo, sim, de tempo indefinido a tempo indefinido, tu és Deus. . . . Pois mil anos aos teus olhos são apenas como o ontem que passou e como uma vigília [de quatro horas] durante a noite.” — O livro bíblico dos Salmos, número Sal. 90, versículos 2-4.

      3. Por que pode o “Rei da Eternidade” cumprir plenamente tal propósito?

      3 No primeiro século de nossa Era Comum, um firme crente no legislador Moisés chamou atenção para o mesmo Deus, que não tem limitações de tempo, nem no passado, nem no futuro, escrevendo: “Ora, ao Rei da eternidade, incorrutível, invisível, o único Deus, seja honra e glória para todo o sempre. Amém.” (1 Timóteo 1:17) Tal Deus Eterno pode apegar-se ao seu propósito até cumpri-lo com bom êxito, não importa quanto tempo isso leve, mesmo que sejam eras de tempo.

      4. Aquele que escreveu sobre o “propósito eterno” de Deus associou-o com quem, há muito prometido?

      4 Este mesmo escritor de nosso primeiro século E. C. foi inspirado a escrever a respeito do “propósito eterno” de Deus e a associá-lo com o há muito aguardado Messias, o “Ungido” ou “Consagrado”, predito pelo próprio profeta Moisés. Lá naquele tempo, no Oriente Médio, os que falavam siríaco chamavam-no de “M’shi’hha”; mas os judeus de língua grega, de Alexandria, no Egito, ao fazerem sua tradução das Escrituras Hebraicas inspiradas, que veio a ser chamada Versão dos Setenta grega ou Septuaginta, usavam a palavra grega Khristós, a qual significa basicamente “Ungido”. — Veja Daniel 9:25, LXX.

      5, 6. Como criaram tradutores modernos um problema quanto a que Deus formou em conexão com o Messias?

      5 No entanto, os tradutores hodiernos dos escritos daquele escritor do primeiro século criaram um problema para nós. A partir do século dezesseis, traduções inglesas da Bíblia vêm falando do “propósito eterno” de Deus.a Mais recentemente, porém, vários tradutores da Bíblia interpretam a frase grega como sendo “plano das eras”. Diz-se assim que Deus tem um “plano” relacionado com o Messias.

      6 Por exemplo, a tradução inglesa, de 1897 (E. C.), da carta aos Efésios, capítulo três, versículos nove a onze, feita por J. B. Rotherham, reza: “E trazer à luz qual é a administração do segredo sagrado, que havia sido oculto das eras, em Deus, o qual criou todas as coisas: a fim de que agora se desse a conhecer aos principados e às autoridades nos céus, mediante a assembléia, a multiforme sabedoria de Deus, — segundo um plano das eras, que realizou no ungido.” Já em 1865 E. C., The Emphatic Diaglott, publicada pelo redator de jornal Benjamim Wilson, continha o texto: “segundo um plano das eras, que ele formou”. Poderiam ser citadas várias outras traduções da Bíblia que preferiram verter o texto grego assim.b

      7, 8. Que ilustração foi publicada por C. T. Russell e o que disse seu primeiro livro sobre o próprio título deste?

      7 Baseado nesta tradução diferente do texto grego de Efésios 3:11, publicou-se no número de setembro de 1881 da Torre de Vigia de Sião (em inglês), em Pittsburgo, Pensilvânia, E. U. A., um artigo intitulado “O Plano das Eras”, do redator e editor Charles Taze Russell. Este forneceu a explicação dum diagrama de página inteira, intitulado “Tabela das Eras”. Temos o prazer de reproduzir aqui este gráfico para o exame de todos os interessados. Uma similar “Tabela das Eras, Ilustrando o Plano de Deus” foi incluída no livro intitulado “O Plano Divino das Eras”, publicado em inglês por C. T. Russell, em 1886.

      8 Apesar das inexatidões hoje discerníveis nela, esta “Tabela das Eras” serviu para mostrar o raciocínio sincero seguido, baseado na idéia de que o Deus Todo-sábio e Todo-poderoso tinha um “plano”. As palavras iniciais do Capítulo I deste livro rezavam:

      O título desta série de Estudos — “O Plano Divino das Eras”, sugere uma progressão no arranjo divino, prevista por nosso Deus e ordeira. Cremos que se pode ver que os ensinos da revelação divina são tanto belos como harmoniosos, deste ponto de vista e não de qualquer outro.

      9. (a) Pelo menos que ponto foi enfatizado por este livro de ampla divulgação? (b) Contudo, que pergunta suscitou sobre um plano relacionado com Deus?

      9 Este livro atingiu uma tiragem de mais de seis milhões de exemplares, em diversos idiomas. Sua divulgação cessou no ano de 1929 E. C. Uma coisa é certa, chamou a atenção de seus leitores para a Bíblia e mostrou que o Deus Vivente é progressista. Ele está realizando alguma coisa com o que tem em mente para a humanidade sofredora. Sabemos que o homem muitas vezes formula um plano de ação, mas que atrás deste plano de ação há um propósito a realizar. Mas o ponto em questão é: Será que o Deus Todo-sábio e Todo-poderoso teve de formular um plano de ação, um rumo inflexível, quando tomou a decisão de realizar algo obrigando-se assim, como Deus imutável, a apegar-se a este rumo planejado, sem desvio? Ou era capaz de enfrentar todas as emergências e contingências devidas ao livre arbítrio e escolha da parte de suas criaturas, instantaneamente e sem premeditação, alcançando ainda assim o seu objetivo? Precisava ele dum plano? Naturalmente, depois de ele ter alcançado seu objetivo, podemos verificar o registro de seus movimentos e calcular ou acompanhar o rumo que seguiu. Mas, foi planejado exatamente assim?c

      DEUS DE PROPÓSITO

      10. O que significava literalmente a palavra grega próthesis e como foi usada pelos judeus na Versão dos Setenta grega?

      10 Será que o escritor das palavras gregas originais, em Efésios 3:11, queria dizer que Deus, o Criador, tinha um plano relacionado com o Seu Messias? O que queria dizer ao usar a palavra próthesis na sua carta escrita no grego do primeiro século? Ela significa literalmente “propor ou colocar diante”, expondo assim algo à vista. Foi por isso que os judeus alexandrinos, ao traduzirem as inspiradas Escrituras Hebraicas para o grego, usaram esta palavra grega para o pão sagrado, colocado na mesa dourada no compartimento Santo da tenda sagrada de adoração, erigida pelo profeta Moisés. Este pão é chamado de pão da apresentação, mas a Versão dos Setenta grega fala dele como sendo “pães da proposição” (próthesis). De modo que estes pães, apresentados na mesa dourada, estavam sendo postos em exposição, cada sábado semanal havia um novo suprimento deles. — 2 Crônicas 4:19.

      11. Então, qual é a “próthesis” de Deus?

      11 A palavra próthesis era também usada para significar “declaração” ou “pagamento antecipado”, e, na gramática, significava “preposição”. Era também usada para significar “prefixação” ou “anteposição”. Visto que a palavra era também usada para significar o fim ou objetivo proposto, ou propor-se algo a ser realizado ou conseguido, era usada para significar “propósito”. (Sobre isso, veja A Greek-English Lexicon de Liddell e Scott, Volume II, páginas 1480-1481, reimpressão de 1948, sob próthesis.) Este último significado é reconhecido pela maioria dos tradutores da Bíblia nas línguas modernas. De modo que a “próthesis” de Deus é sua determinação, sua decisão primária, seu propósito.d

      12. Como vertem tradutores modernos a expressão grega próthesis seguida por ton aiónon (“das eras”)?

      12 Em Efésios 3:11, a palavra é seguida pela expressão ton aiónon, que significa literalmente “das eras”. De modo que esta combinação de palavras é traduzida por alguns “o propósito das eras”,e “propósito das eras”,f “propósito perene”g ou “propósito dos séculos”,h e por outros, “eterno propósito” ou “propósito eterno”.i

      13, 14. Por que se pode dizer que o “propósito das eras” de Deus é seu “propósito eterno”?

      13 O “propósito das eras” de Deus é Seu “propósito eterno”. De que modo? Ora, aqui, uma era significaria um período indefinido, mas relativamente longo, nos assuntos humanos, havendo mais ênfase na duração da era do que nos seus fenômenos ou nas suas características.

      14 De modo que o “propósito das eras” de Deus não significa um “propósito” que tenha que ver com certos períodos designados, tais como uma “era patriarcal”, uma “era judaica”, uma “era evangélica” e uma “era milenar”. Antes, dá-se ênfase ao tempo, a períodos de longa duração. Para uma era seguir outra era, cada era individual teria de ter começo e fim. Contudo, uma sucessão de eras estender-se-ia pelo tempo afora. E, visto que na expressão “propósito das eras” não se especifica o número de eras, o número de eras pode ser infindável. Assim, a expressão “propósito das eras” deixa indefinido o total do tempo envolvido, e é um “propósito” por tempo indefinido, sem ter realmente limite fixo. Desta maneira, o “propósito” torna-se assunto de eternidade e torna-se “propósito eterno”. O propósito de Deus relacionado com o seu Messias ou Ungido teve começo, mas deixam-se passar eras de tempo antes de este propósito ser cumprido.j Para o “Rei da eternidade”, neste caso, a questão do tempo não é problema.

      NÃO É PESSOA SEM NOME

      15. Quando foi perguntado sobre o Seu nome, o que disse Deus a Moisés em Sinai?

      15 Este Rei da Eternidade não é Pessoa sem nome. Ele deu a si mesmo um nome e nos deu a conhecer esta designação que deu a si mesmo. O nome que deu a si mesmo fala dum propósito, de ele ter objetivo. Quão bem este fato foi salientado na ocasião em que Deus, por meio de seu anjo, encontrou Moisés, fugitivo do Egito, junto a um espinheiro ardente ao sopé do monte Sinai, na Arábia, no século dezesseis A. E. C.! Mandou-se que Moisés voltasse ao Egito e levasse seu povo escravizado para fora, à liberdade. Mas, e se o povo de Moisés perguntasse pelo nome do Deus que o enviara a eles como seu líder? O que devia dizer-lhes? Moisés queria saber isso. Sua própria autobiografia nos conta: “Então disse Deus a Moisés: MOSTRAREI SER O QUE EU MOSTRAR SER.’ E acrescentou: ‘Isto é o que deves dizer aos filhos de Israel: “MOSTRAREI SER enviou-me a vós.”’” — Êxodo 3:14.

      16. Pela sua resposta a Moisés, referiu-se Deus apenas à sua existência ou então a quê?

      16 Deus não estava ali falando sobre a sua existência. Isso seria de pensar em vista do modo como alguns tradutores verteram a expressão hebraica ehiéh ashér ehiéh e ehiéh. Por exemplo, a versão portuguesa do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, 1967, reza: “E Deus disse a Moisés: ‘SOU AQUELE QUE SOU’. E acrescentou: ‘Assim falarás aos filhos de Israel: — EU SOU mandou-me a vós — ’.” No entanto, Deus fala realmente sobre ele ser alguma coisa. Isto é corroborado pela tradução dos Vinte e Quatro Livros das Escrituras Sagradas, em inglês, do Rabino Isaac Leeser, como segue: “E Deus disse a Moisés: SEREI O QUE EU FOR: e ele disse: Assim dirás aos filhos de Israel: SEREI enviou-me a vós.”k

      17. Como verteu e comentou Rotherham Êxodo 3:14?

      17 De modo mais incisivo, A Bíblia Enfatizada, de Joseph B. Rotherham, em inglês, verte Êxodo 3:14 como segue: “E Deus disse a Moisés: Tornar-me-ei aquilo que me agradar. E ele disse: Assim dirás aos filhos de Israel: Tornar-me-ei enviou-me a vós.” A nota ao pé da página, sobre este versículo, diz em parte: “Hayah [palavra vertida acima ‘tornar-se’] não significa ‘ser’ essencial ou ontologicamente, mas fenomenalmente. . . . O que ele será não é expresso — Ele estará com eles, ajudador, fortalecedor, libertador.” De modo que esta referência não é à auto-existência de Deus, mas, antes, ao que ele pensa tornar-se para com os outros.

      18. Quando foi que Deus teve de decidir pela primeira vez o que havia de ser ou tornar-se?

      18 Isto é similar a quando um jovem, tornando-se adulto, medita e diz a si mesmo: ‘O que vou fazer com a minha vida? O que é que me vou tornar?’ Assim, também, quando o único Deus vivente e verdadeiro estava totalmente a sós, ele tinha de decidir o que ia fazer com a sua auto-existência, o que faria de si mesmo, o que se tornaria. Depois de passar na sua solidão uma eternidade de existência antes de criar, ele decidiu tornar-se Criador. Fez um propósito com respeito a si mesmo.

      19. Como soletrou Deus seu nome nos Dez Mandamentos?

      19 No entanto, o nome pelo qual o único Deus vivente e verdadeiro é conhecido em todas as inspiradas Escrituras Sagradas não é Ehiéh ou “Mostrarei Ser”. No ano de 1513 A. E. C., junto ao monte Sinai, quando Deus milagrosamente inscreveu os Dez Mandamentos em tábuas de pedra e entregou estas ao profeta Moisés, o próprio Deus soletrou seu nome que ele mesmo escolheu. Escrevendo da direita para a esquerda, Deus escreveu a letra hebraica iode, depois hê, a seguir vau e depois outro hê. Sem dúvida, Deus escreveu no estilo antigo das letras hebraicas, semelhante a este: [Artwork - caracteres hebraicos]; não no estilo moderno das letras hebraicas: יהוה. As letras correspondentes, em português, lidas da direita para a esquerda, são: HVHI; ou, no antigo latim: HVHJ. Todas as quatro letras em hebraico, são consoantes, sem vogais intercaladas entre estas consoantes.

      20. Como se pronuncia o nome de Deus, baseado nas quatro letras hebraicas?

      20 Por isso, não se sabe hoje exatamente como Jeová pronunciou este nome divino a Moisés. Durante séculos, foi escrito por escritores latinos como Jehova. Muitos eruditos hebraicos modernos preferem pronunciar o nome como Iavé ou Javé. Mas, assim como não é o filho que dá nome ao pai, assim a criatura não dá nome ao seu Criador. O próprio Criador dá nome a si mesmo.

      21. (a) Sendo realmente um verbo, o que significa o nome Jeová? (b) Por que é válido usar hoje este nome?

      21 Entende-se que este nome sagrado, na realidade, é um verbo, a forma causativa, indefinida, do verbo hebraico hawáh. Assim, significa “Ele Causa que Venha a Ser”. Ora, atrás de todo efeito há uma causa, e atrás de toda causa ou causador inteligente há um propósito. Naturalmente, pois, o nome divino que significa “Ele Causa que Venha a Ser” incorpora em si mesmo um propósito. Assinala o Portador deste nome exclusivo como Aquele Que Tem um Propósito. Certamente, foi nesta qualidade que ele apareceu a Moisés junto ao espinheiro ardente, perto do monte Sinai, e revelou a Moisés o que decidiu fazer. Salientando a permanência ou qualidade duradoura do nome divino, Deus disse mais a Moisés: “Isto é o que deves dizer aos filhos de Israel: ‘Jeová, o Deus de vossos antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó enviou-me a vós.’ Este é o meu nome por tempo indefinido e este é o meu memorial por geração após geração.” (Êxodo 3:15) Este nome memorial não deixou de ser Dele até o dia de hoje. É um nome válido, para nós usarmos hoje.

      FAZEDOR DE HISTÓRIA PARA O BEM DO HOMEM

      22. (a) Como fez Jeová um nome para si, no caso do antigo Egito? (b) Que lição consoladora fornece isso para nós hoje?

      22 Nos dias do profeta Moisés, o único Deus vivente e verdadeiro, Jeová, fez história pelo modo em que lidou com o antigo Egito, opressor dos descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Fez para si um nome glorioso por livrar seu povo escravizado daquela potência mundial fortemente militarizada. (Jeremias 32:20; 2 Samuel 7:23; Isaías 63:14) Isto nos assegura que o mundo poderosamente militarizado deste século vinte E. C. não é poderoso demais para ele aceitar como adversário, a fim de libertar a humanidade. Assim como permitiu que o Faraó do antigo Egito ascendesse ao poder e realizasse suas opressões mortíferas contra o povo de Moisés, assim Jeová tem deixado que subissem ao poder opressores iníquos, em toda a terra, com grandes opressões para todo o povo. Há um motivo para isso. Este é reservá-los, mantê-los guardados, para seu dia designado, a fim de destruí-los. Assim, para o consolo do povo muito sobrecarregado, inspirou o sábio Rei Salomão de Jerusalém a dizer:

      “Rola os teus trabalhos sobre o próprio Jeová e os teus planos ficarão firmemente estabelecidos. Tudo Jeová fez para seu propósito [em hebraico: ma’anéh], sim, mesmo o iníquo para o dia mau.” — Provérbios 16:3, 4.

      23. O que, a respeito dos tratos de Deus com antigas potências mundiais, garante-nos o que podemos esperar em nosso tempo quanto às potências políticas?

      23 Desde o ano de 1914 E. C., tem sido um “dia mau” para os sistemas de governo que sobreviveram a duas guerras mundiais e às dificuldades internacionais associadas. Já por anos, superpotências políticas têm dominado a terra, encarando umas às outras com suspeita na sua competição pela supremacia mundial. O Soberano Senhor Jeová, que criou tudo para o seu propósito, razoavelmente deve ter um propósito relativo a estes aspirantes à dominação mundial. Está registrado que ele formou um propósito a respeito das ‘iníquas’ potências mundiais dos antigos tempos bíblicos. Como garantia do que poderemos esperar no nosso tempo, tudo o que ele se propôs com respeito àquelas antigas potências mundiais foi realizado por ele.

      24. (a) Embora deixasse a Assíria atingir a dominação mundial, o que fazia Jeová com respeito a ela? (b) Por que não se pode dizer que falhou a profecia de Jeová em Isaías 14:24-27?

      24 Por exemplo, o Império Assírio sucedeu ao antigo Egito em importância política e militar, tornando-se a segunda potência mundial da história bíblica. No entanto, mesmo no apogeu do seu poder sobre a humanidade, nunca pôde gabar-se de capturar ou destruir Jerusalém, capital do Reino de Judá. Antes, Jerusalém presenciou a destruição de Nínive, capital da Assíria. Por que se deu isso? Porque a Potência Mundial Assíria era iníqua. Jeová, o Deus Todo-poderoso, havia permitido que atingisse a dominação mundial e agisse de modo iníquo, em especial para com o Seu povo escolhido. Mas, propôs-se reservar aquela potência mundial iníqua para um “dia mau”, no Seu próprio tempo escolhido. Assim, por volta do ano 632 antes de nossa Era Comum, Nínive, capital da Assíria, caiu diante dos medos e caldeus aliados e foi destruída. (Naum, capítulos 1-3) Não se pode citar nenhuma falha no propósito de Jeová conforme expresso mais de um século antes, pelo Seu profeta Isaías, nas seguintes palavras:

      “Jeová dos exércitos jurou, dizendo: ‘Seguramente, assim como tencionei, assim terá de acontecer, e assim como aconselhei, deste modo se efetuará, para destroçar o assírio na minha terra e para calcá-lo nos meus próprios montes; e que seu jugo realmente se retire de cima deles e seu próprio fardo suma de cima do ombro deles.’ Este é o conselho que se aconselha contra toda a terra, e esta é a mão que se estende contra todas as nações. Pois o próprio Jeová dos exércitos tem aconselhado, e quem o pode desfazer? E sua mão é a que está estendida, e quem a pode fazer recuar?” — Isaías 14:24-27.

      25. Nesta profecia, o que significa “conselho” e por quê?

      25 O Deus Todo-poderoso e Todo-sábio não se aconselhou com ninguém no céu, para se orientar quanto ao seu proceder. “Quem, como seu homem de conselho, pode fazê-lo saber alguma coisa?” é a pergunta apropriada suscitada na profecia de Isaías 40:13. (Também: Jó 21:22; 36:22; Romanos 11:34) Seu “conselho” é Dele mesmo, não dependente dum grupo de conselheiros para auxiliar no julgamento e na decisão certos. De modo que seu “conselho” assume aqui mais do que o sentido de aconselhar, representa sua determinação expressa, seu decreto. A respeito do uso bíblico da palavra “conselho”, a Cyclopœdia de M’Clintock e Strong, Volume II, página 539, diz: “Além do sentido comum desta palavra, indicando as consultas de homens, é usada na Escritura para os decretos de Deus as ordens de sua providência.”

      26. Ao permitir que Babilônia sucedesse a Assíria na dominação mundial, o que fazia Jeová propositalmente?

      26 O “conselho” que o Deus Todo-poderoso e Todo-sábio dá de sua própria iniciativa não pode ser quebrantado por homens, nem por diabos. Foi assim no caso de Seu conselho contra a Potência Mundial Assíria. Mostrou ser assim também com a potência mundial seguinte, a nova Potência Mundial Babilônica, terceira potência mundial na história bíblica. Esta foi a potência mundial que destruiu Jerusalém, da primeira vez, no ano 607 A. E. C. Ao fazer isso, esta potência mundial mostrou ser ‘iníqua’. Por isso, Jeová reservou-a também para um “dia mau”, no seu próprio tempo decretado. Antes de Ele permitir que Babilônia destruísse Jerusalém e assim assumisse iniqüidade especial diante Dele, Deus inspirou seu profeta Jeremias a dizer: “Portanto, ouvi o conselho de Jeová, que formulou contra Babilônia, e seus pensamentos, que teve contra a terra dos caldeus.” — Jeremias 50:1, 45.

      27. No estudo da Bíblia, o que encontraram Jeremias e Daniel escrito na profecia de Isaías a respeito da queda de Babilônia?

      27 Este profeta Jeremias continuou a viver sob a proteção de Deus através da destruição de Jerusalém e de seu templo, pelos exércitos de Babilônia, no ano 607 A. E. C. Mas não viveu o bastante para ver confirmadas as suas profecias contra a Babilônia ‘iníqua’. Contudo, tanto a história secular como a história bíblica registram a queda da Potência Mundial Babilônica que ocorreu no ano 539 A. E. C., nos dias do profeta Daniel. (Daniel, capítulo 5) Isto confirmou também as profecias do profeta muito anterior, Isaías, o qual não só indicou a futura queda da Potência Mundial Babilônica, mas também predisse o nome do conquistador persa usado por Deus para realizar a queda de Babilônia. Quando os profetas Jeremias e Daniel, no seu estudo bíblico, pessoal, tomavam a profecia registrada de Isaías, do oitavo século A. E. C., encontravam escritas as seguintes palavras de seu Deus, Jeová:

      “‘Aquele que diz a respeito de Ciro: “Ele é meu pastor e executará completamente tudo aquilo em que me agrado”; dizendo eu de Jerusalém: “Ela será reconstruída”, e do templo: “Lançar-se-á teu alicerce.”’ Assim disse Jeová ao seu ungido, a Ciro, cuja direita tomei para suscitar diante dele nações, a fim de eu descingir até mesmo os quadris de reis; para abrir diante dele as portas duplas, de modo que nem mesmo os portões se fecharão: ‘Eu mesmo irei na tua frente . . . para que saibas que eu sou Jeová, Aquele que te chama por teu nome, o Deus de Israel. Por causa do meu servo Jacó e de Israel, meu escolhido, passei mesmo a chamar-te pelo teu nome; passei a dar-te um nome honorífico, embora não me conhecesses. Eu sou Jeová, e não há outro. Além de mim não há Deus. Cingir-te-ei bem, embora não me conhecesses, para que pessoas desde o nascente do sol e desde o seu poente saibam que não há outro além de mim. Eu sou Jeová, e não há outro.’”

      28. O que disse Jeová a respeito de Ciro, o Persa, no capítulo seguinte de Isaías?

      28 Estas palavras maravilhosas podem hoje ser vistas no Rolo do Mar Morto de Isaías, encontrado no ano 1947 e que remonta ao segundo século A. E. C. As palavras são encontradas no que é comumente assinalado em Isaías como sendo do capítulo quarenta e quatro, versículo vinte e oito, até o capítulo quarenta e cinco, versículo seis. No capítulo seguinte, Deus fala de Ciro como sendo “o homem para executar o meu conselho” no meio dos versículos citados a seguir:

      “Lembrai-vos disso, para que cobreis ânimo. Fixai-o no coração, vós transgressores. Lembrai-vos das primeiras coisas de há muito tempo, que eu sou o Divino e não há outro Deus, nem alguém semelhante a mim; Aquele que desde o princípio conta o final e desde outrora as coisas que não se fizeram; Aquele que diz: ‘Meu próprio conselho ficará de pé e farei tudo o que for do meu agrado’, Aquele que desde o nascente chama a ave de rapina, de uma terra distante o homem para executar o meu conselho. Eu até mesmo o falei também o introduzirei. Eu o formei, também o farei.” — Isaías 46:8-11.

      29, 30. Como se apegou Jeová ao seu propósito conforme expresso nesta profecia, e de que modo nos fortalece isso?

      29 O persa Ciro, o Grande, veio do nascente qual “ave de rapina”, da Pérsia, ao leste de Babilônia, e duma terra que era distante do país de Isaías, a terra de Israel.

      30 Bem apropriadamente, o emblema de Ciro, o Grande, era uma águia dourada, uma “ave de rapina”, e Jeová usou-a como símbolo do próprio Ciro. Embora expresso nestas palavras quase dois séculos antes, o propósito do Divino não falhou. Seu “conselho” ficou de pé, por Ele usar Ciro para executar Seu conselho contra a Babilônia iníqua. Jeová havia-o falado, até mesmo mandando registrá-lo para referência futura, e, no seu tempo devido, fez o que dissera. Havia formado seu propósito com respeito a Ciro e o havia declarado mediante seu profeta e, no seu tempo exato, tornou em realidade maravilhosa aquilo que se propusera. Estas realizações históricas do Deus de profecia fortalecem nossa confiança na certeza de todas as outras profecias, nas quais Jeová declarou o que decidiu fazer segundo o seu próprio “conselho”.

      31. Que profecia de Ezequiel, ainda por cumprir, descreve um ataque de quem e contra quem?

      31 Isto é assim também com referência a uma profecia, que a história mostra como ainda não cumprida mas cujo tempo de cumprimento evidentemente se aproxima cada vez mais, para se realizar em nossa geração. Trata-se duma profecia dada mediante Ezequiel, que foi contemporâneo do profeta Jeremias. É encontrada nos capítulos trinta e oito e trinta e nove de Ezequiel. Tem que ver com o ataque a ser feito pelo misterioso “Gogue da terra de Magogue”. Este Gogue incluirá todas as nações deste mundo neste ataque. O ataque mundial será lançado contra o restante dos adoradores do único Deus vivente e verdadeiro. Libertos da hodierna Babilônia, a Grande, e restabelecidos no favor de Deus, os deste restante fiel vivem num Paraíso espiritual no meio da condição poluída e corruta do mundo. Por que motivo deixa o Deus Todo-poderoso ocorrer tal ataque contra Seus próprios adoradores? Ele nos faz saber isso.

      32, 33. Qual é o propósito de Deus, ao deixar Gogue atacar Seus adoradores no atual paraíso espiritual deles?

      32 Ao nos informar, Deus usa de modo simbólico a antiga terra de Israel e seus habitantes, resgatados de Babilônia para representar o Paraíso espiritual de Seu atual restante restabelecido de adoradores. Daí, dirigindo-se ao Líder iníquo deste ataque internacional contra o restante fiel, no seu Paraíso espiritual, o Deus Todo-poderoso esclareceu seu propósito em permitir este ataque feroz, por dizer:

      33 “Forçosamente subirás contra o meu povo de Israel como nuvens cobrindo a terra. Isto ocorrerá na parte final dos dias, e eu certamente te trarei contra a minha terra, com o fim [ou: com o propósito, em hebraico: ma‘an] de que as nações me conheçam quando eu me santificar em ti perante os seus olhos, ó Gogue.” — Ezequiel 38:15, 16.

      34, 35. Qual é o propósito declarado de Deus de se santificar em conexão com Gogue?

      34 Nada poderia ser declarado de modo mais claro. O propósito de Jeová é santificar-se perante os olhos de todas as nações. Em harmonia com todas as suas realizações passadas, Ele cumprirá este propósito imutável no futuro próximo, dentro de nossa geração. Depois de dizer como usará os meios maravilhosos à sua disposição para travar uma batalha vitoriosa contra Gogue e todo o seu exército internacional na terra, o Deus do propósito infalível diz:

      35 “E eu hei de magnificar-me, e santificar-me, e dar-me a conhecer aos olhos de muitas nações; e terão de saber que eu sou Jeová.” — Ezequiel 38:23.

      O QUE VAMOS FAZER EM VISTA DISSO?

      36. Por que devemos perguntar-nos quanto a se queremos ser arrastados com as nações, que terão de saber quem é Jeová?

      36 Fazer com que as nações mundanas saibam quem Ele é não significará torná-las seus adoradores, para recompensá-las com vida eterna. Ao contrário, significará a destruição eterna destas nações que desafiam a Deus! Este é um modo desastroso de se ficar sabendo quem é o verdadeiro Deus. Ele mostrará às nações exatamente quem ele é. Torna-se necessário que Ele faça isso. Portanto, a grande questão é: Queremos pessoalmente estar entre estas nações que serão aliciadas a participar no ataque a ser feito em breve pelo Grande Adversário de Deus, a saber, “Gogue da terra de Magogue”?

      37. Em vez de ficarmos persuadidos pelos planos humanos de auto-salvação, que proceder aconselha Provérbios 19:20, 21?

      37 Em todos os seus planos para salvar a situação mundial, as nações não tomam em conta o único Deus vivente e verdadeiro, segundo o Seu propósito esclarecido na sua Palavra escrita, a Bíblia Sagrada. Parece-nos bons os planos delas? Deixaremos que seus planos nos persuadam e daremos apoio a estes, confiando assim na auto-salvação humana? Ao decidirmos o que fazer, seremos sábios se considerarmos e tomarmos a peito o que o sábio inspirado da antiguidade diz, em Provérbios 19:20, 21: “Escuta o conselho e aceita a disciplina, para que te tornes sábio no teu futuro. Muitos são os planos [em hebraico: mahhashabhóth] no coração do homem, mas é o conselho de Jeová que ficará de pé.” Longe seja de nosso coração lançar os planos dos homens e das nações contra o conselho de Jeová.

      38. Por que não levará a desapontamento com homens e nações se depositarmos confiança em Jeová?

      38 Por que devíamos sofrer desapontamento com as nações, para nosso prejuízo infindável? Confiemos de todo o coração em Jeová. “Pois ele mesmo o disse, e veio a ser, ele mesmo o ordenou, e assim passou a ficar de pé. O próprio Jeová rompeu o conselho das nações; frustrou os pensamentos dos povos. O próprio conselho de Jeová ficará de pé por tempo indefinido; os pensamentos do seu coração são para uma geração após outra geração. Feliz a nação cujo Deus é Jeová, o povo que ele escolheu como sua herança.” (Salmo 33:9-12) Vez após vez mostrou-se veraz no passado e se mostrará sem falta também veraz no futuro próximo que “não há sabedoria, nem discernimento, nem conselho em oposição a Jeová. O cavalo é algo preparado para o dia da batalha, mas a salvação pertence a Jeová”. — Provérbios 21:30, 31.

      39. Que espécie de propósito deve Deus ter para os que buscam a Sua justiça, e por quê?

      39 Um exame honesto das condições do mundo da humanidade convence-nos de que todos nós precisamos de salvação. O que nós, como gente ajuizada, queremos é a salvação! Esta nunca poderá vir do próprio homem. Temos de concordar em que “a salvação pertence a Jeová”. Sendo que “tudo fez o Senhor para seu fim, até o ímpio para o dia da desgraça”, qual não deve ser o propósito do Senhor Deus para os que não são iníquos para os que procuram a Sua justiça? Sem dúvida, um propósito amoroso! (Provérbios 16:4, Centro Bíblico Católico) A humanidade deveras está incluída no bom propósito do Criador amoroso.

      40. Qual deve ser nosso objetivo, se quisermos chegar a alcançar a vida eterna, e por quê?

      40 O Criador não é um Deus sem objetivo. Nós, as suas criaturas, tampouco devemos estar sem objetivo! Então, qual deve ser nosso objetivo? O seguinte: Harmonizar nossa vida com o bom propósito de Jeová Deus. Não pode haver objetivo mais elevado do que este. Por fazermos isso, realmente chegaremos a alcançar algo — para nosso usufruto da vida eterna. Desta maneira, nossa vida atual não será um fracasso porque o propósito de Deus nunca falhará. Com este objetivo, temos agora o prazer de examinar o “propósito eterno” de Deus, que Ele formou em conexão com o seu Ungido, o Messias.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja em inglês a tradução de William Tyndale (1525 e 1535 E. C.), a Bíblia de Genebra (1560 e 1562 E. C.) e a Bíblia do Bispo (1568 e 1602 E. C.); em português, as versões de João Ferreira de Almeida (trad. orig. 1681-1691) e da Trinitarian Bible Society de Londres (1948).

      b Veja em português a versão de Mateus Hoepers (1956 E. C.), que usa “plano eterno”; outras versões dizem “desígnio eterno”. Em inglês, veja o Authentic New Testament (1955 E. C.), de Hugh J. Schonfield, que usa “o plano das eras”. The Jerusalem Bible (1966 E. C.) reza: “o plano que ele tinha por toda a eternidade”. A tradução de George N. LeFevre (1928 E. C.) reza: “o plano das eras que ele se propôs por meio do Ungido”. A palavra “plano” não ocorre na Versão Autorizada do Rei Jaime, nem na Versão Normal Americana da Bíblia. Na Versão Douay, católica romana, a palavra “plano” ocorre só em Ezequiel 4:1; 43:11, e em 2 Macabeus 2:29.

      c Quanto a uma exposição posterior e atualizada do assunto, veja os parágrafos 14-19 do artigo principal intitulado “O Filho do Homem” (Salmo 8:4), publicado no número inglês de 1.º de abril de 1930 de The Watch Tower (páginas 101, 102). Note especialmente o parágrafo 16.

      d Veja Theological Dictionary of the New Testament, Volume VIII, editado por Gerhard Friedrich (tradução inglesa), páginas 165, 166, debaixo de “O Novo Testamento”.

      e The Book of Books, da Lutterworth Press (1938).

      f Young’s Literal Translation of the Holy Bible.

      g The New English Bible (1970).

      h The New American Bible (1970); Versão Brasileira (1917).

      i Versão Almeida; A Bíblia na Linguagem de Hoje (1973); Versão Trinitariana (1948); An American Translation; A New Translation of the Bible, de James Moffatt (1922); The Westminster Version of the Sacred Scriptures (1948); The Bible in Living English (1972); Elberfelder Bibel (em alemão); The New Testament in Modern Speech, de R. F. Weymouth (Décima Primeira Impressão); The New Testament — A New Translation, de Ronald Knox (1945); Revised Standard Version (1952); American Standard Version (1901); English Revised Version (1881); Authorized Version, do Rei Jaime (1611); Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas (1967).

      j Sobre “katà próthesin ton aiónon”, em Efésios 3:11, lemos: “De acordo com o propósito dos períodos mundiais, i. e., em harmonia com o propósito que Deus teve durante os períodos mundiais (desde o começo das eras até a execução do propósito); porque já [antes da fundação dum mundo] havia sido formado, i. 3, mas desde o começo das eras mundiais esteve oculto em Deus, ver. 9. . . . Outros, incorretamente, tomam isso como significando: o propósito a respeito dos diferentes períodos do mundo, segundo o qual, a saber, Deus primeiro não escolheu a nenhum povo, depois escolheu os judeus e por fim chamou judeus e gentios ao reino messiânico; porque se fala apenas do único propósito, realizado no [Messias].” — Critical and Exegetical Hand-Book to the Epistle to the Galatians — Ephesians, de H. A. W. Meyer, Th. D., tradução inglesa, 1884, página 416, parágrafo 1.

      k “A maioria dos modernos segue Rashi em verter ‘Serei o que eu for’; i. e., nenhumas palavras podem resumir tudo o que Ele será para o Seu povo, mas a Sua fidelidade eterna e sua misericórdia imutável manifestar-se-ão cada vez mais na orientação de Israel. A resposta que Moisés recebe nestas palavras, portanto, é equivalente a: ‘Salvarei do modo em que eu salvar.’ É para assegurar aos israelitas o fato da libertação, mas não revela a maneira.” — Nota ao pé da página sobre Êxodo 3:14, The Pentateuch and Haftorahs, do Dr. J. H. Hertz, C. H. Soncino Press, Londres, 1950 E.C.

      [Tabela na página 10]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      CHART OF THE AGES

      ILLUSTRATING THE PLAN OF GOD FOR BRINGING MANY SONS TO GLORY, AND HIS PURPOSE —

      “In regard to an administration of the fulness of the appointed times, to reunite all things under one Head, even under the Anointed One; the things in heaven and the things on earth — under Him.” — Eph. 1:10 — Diaglott

      TABELA DAS ERAS

  • Quando o homem estava com Deus no paraíso
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 3

      Quando o homem estava com Deus no paraíso

      1. Por quanto tempo foi Deus o único em existência e por quê?

      JÁ PENSAMOS alguma vez no que está envolvido nas expressões “o Criador dos céus” e também “Deus que criou todas as coisas”? Estas expressões indicam que houve um tempo em que Deus estava sozinho. (Isaías 42:5; Efésios 3:9) Não existia nenhuma criação. Portanto, durante um passado eterno, este Deus estava todo sozinho e ainda não se tornara Criador. É por isso que o profeta Moisés disse em oração a Deus: “Antes de nascerem os montes, ou a terra e o universo virem a ter dores de parto, e de eternidade a eternidade, tu és Deidade.” (Salmos 90:2, tradução inglesa de Byington) Durante todo este passado eterno, antes da criação, Deus pôde deleitar-se.

      2. Com o tempo, Deus se propôs tornar-se o que, assumindo assim que responsabilidade?

      2 Veio o tempo em que Deus se propôs tornar-se Pai. Isto não significava tornar-se Criador de coisas inanimadas, ininteligentes. Significava dar existência a inteligências vivas, a filhos com alguma semelhança com ele, seu Pai. Propôs-se assim assumir a responsabilidade de ter uma família de filhos. Que espécie de filhos propôs-se produzir primeiro? Não filhos humanos, porque neste caso teria de produzir primeiro um globo terrestre em que pudessem viver. Razoavelmente, Deus produziria filhos que, iguais a Ele, fossem celestiais, sendo espirituais assim como Ele é espírito. Seriam assim filhos espirituais, que pudessem vê-lo e tivessem acesso direto à Sua presença, e com os quais pudesse comunicar-se diretamente.

      3. Como e trazida à nossa atenção a existência dos filhos celestiais de Deus, mesmo antes da criação de nossa terra?

      3 A existência de tais filhos espirituais de Deus não é mera imaginação religiosa. O escritor do livro bíblico de Jó, provavelmente o profeta Moisés, fala deles no capítulo inicial do livro, dizendo: “Ora, veio a ser o dia em que os filhos do verdadeiro Deus entraram para tomar sua posição perante Jeová.” (Jó 1:6) Uma segunda reunião destes filhos celestiais do verdadeiro Deus é trazida à nossa atenção em Jó 2:1. Existirem estes filhos espirituais de Deus nos céus invisíveis antes da criação de nossa terra é salientado ao Deus falar ao homem Jó, desde o invisível, e perguntar: “Onde vieste a estar quando fundei a terra? . . . quando as estrelas da manhã juntas gritavam de júbilo e todos os filhos de Deus começaram a bradar em aplauso?” Evidentemente, estes filhos de Deus, brilhando assim como as estrelas da manhã nos céus, estavam interessados no propósito de Deus, de criar nossa terra, e admiravam o modo em que ele a criou, ‘estendendo o norte sobre o vazio e suspendendo a terra sobre o nada’, no espaço. — Jó 38:4-7; 26:7.

      4. (a) O que podia ser corretamente chamado o primeiro filho criado de Deus, com relação à criação e à família de Deus? (b) O que diz a “sabedoria” sobre si mesma, em Provérbios 8:22-31?

      4 Quem foi o primeiro filho espiritual de Deus que Ele criou? Este, em razão de sua prioridade, seria corretamente chamado de princípio da criação de Deus. Sendo o primeiro membro da família celestial de Deus, podia também ser chamado de primogênito de toda a criação. Pensarmos nisso agora nos faz lembrar do que diz o oitavo capítulo do livro de Provérbios, onde a sabedoria divina é retratada qual pessoa que fala sobre si mesma. Naturalmente, no texto original hebraico de Provérbios, a palavra “sabedoria” (hhakhmáh) é do gênero feminino e fala sobre si mesma como pessoa feminina. (Provérbios 8:1-4) Naturalmente, a sabedoria divina não possui existência separada a parte de Deus. A sabedoria sempre existiu Nele e por isso não foi criada. Por este motivo, é interessante ouvir como a sabedoria fala sobre si mesma qual pessoa feminina, especialmente ao dizer:

      “O Senhor [em hebraico: JHVH, יהוה] criou-me no princípio do seu caminho, a primeira de suas obras desde o começo. Desde a eternidade fui designada para principal, desde o princípio, desde os tempos mais primitivos da terra. Quando ainda não havia profundezas, eu fui produzida; quando ainda não havia mananciais fortemente carregados com água. Antes de serem assentados os montes, antes dos morros, fui produzida: quando ele ainda não havia feito a terra e os campos abertos, nem o principal do pó do mundo. Quando ele preparou os céus, eu estava lá; quando desenhou um círculo sobre a face da profundeza; quando fixou os céus acima; quando os mananciais da profundeza se tornaram fortes; quando designou ao mar seu decreto, para que as águas não transgredissem a sua ordem: quando estabeleceu firmemente os alicerces da terra: então eu estava perto dele qual lactente; e dia a dia eu era seus deleites, brincando diante dele todos os tempos, brincando [participo feminino] no mundo, sua terra; e tendo meus deleites com os filhos dos homens.” — Provérbios 8:22-31, segundo a tradução inglesa do Rabino Isaac Leeser, de 1853.

      5. Por que estão os líderes Judaicos preocupados com a aplicação destas palavras de Provérbios em nossa Era Comum?

      5 Líderes judaicos estão preocupados com a aplicação que se pode fazer dos versículos bíblicos acima. Na edição dos Provérbios pela Soncino Press, de 1945, lemos na nota ao pé da página sobre esta parte: “Esta interpretação é de muita importância para o leitor judaico, em vista do uso cristológico feito desta parte pelos primitivos Padres da Igreja.”a De qualquer modo, Provérbios 8:22 fala sobre algo criado como o princípio do caminho de Jeová Deus, como “a primeira de suas obras desde o começo”. Sabedoria “criada”!

      QUERUBINS, ANJOS, SERAFINS

      6. O que se diz em Gênesis e nos Salmos a respeito dos querubins?

      6 As Escrituras Sagradas dividem estes celestiais “filhos de Deus” em pelo menos três classes. A primeira destas classes mencionada é a dos “querubins”. Gênesis 3:24 descreve vários querubins como postos por Deus ao leste do Paraíso terrestre, “para guardar o caminho para a árvore da vida”. Quanto à proximidade dos querubins à sede da autoridade ocupada por Deus e seu apoio leal dado a ela, o salmista Asafe diz: “Ó tu que estás sentado sobre os querubins, reluz deveras.” (Salmo 80:1 e cabeçalho) O Salmo 99:1 traz à atenção a mesma coisa, dizendo: “O próprio Jeová se tornou rei. Agitem-se os povos. Ele está sentado sobre os querubins. Estremeça a terra.”

      7. Quando e como associou o Rei Ezequias os querubins com Deus?

      7 Também o Rei Ezequias, que representava o Deus Altíssimo no trono visível em Jerusalém, associava os querubins com o trono celestial do Soberano do universo, ao orar: “Ó Jeová dos exércitos, Deus de Israel, sentado sobre os querubins, só tu és o verdadeiro Deus de todos os reinos da terra. És tu quem fizeste os céus e a terra.” (Isaías 37:16) Mostra-se assim repetidas vezes que o grande Criador, o Soberano Universal, está entronizado acima dos celestiais “filhos de Deus” conhecidos como querubins.

      8. O que havia na vida de Abraão, Ló e Jacó que autenticava a existência de anjos?

      8 Além de tais querubínicas “filhos de Deus”, há uma classe geral de anjos. Não há motivo histórico para se duvidar da existência destas criaturas espirituais invisíveis, porque fizeram muitas aparições autenticadas aos homens. Por volta do ano 1919 A. E. C., três representantes angélicos de Jeová Deus materializaram-se em carne e apareceram ao patriarca Abraão, enquanto estava sentado sob algumas árvores grandes em Manre, na terra palestina de Canaã. Pouco depois, dois destes anjos materializados visitaram o sobrinho de Abraão, Ló, na cidade de Sodoma, junto ao Mar Morto, no dia antes de esta cidade iníqua ser destruída por fogo e enxofre, lançados pelo ar sobre a cidade. (Gênesis 18:1 até 19:29) Mais de um século depois, o neto de Abraão, Jacó, estava retornando para o sul, para onde seu avô costumava acampar, e ele teve a experiência relatada em Gênesis 32:1, 2: “E, quanto a Jacó, seguiu caminho, e os anjos de Deus encontraram-se então com ele. Jacó disse imediatamente, ao vê-los: ‘Este é o acampamento de Deus!’ Chamou por isso aquele lugar pelo nome de Maanaim [significando ‘Dois Acampamentos’].”

      9. (a) O que significa também a palavra “anjo”? (b) Como são usados os anjos, além do poder dos homens para impedi-los?

      9 A palavra bíblica para anjo significa também “mensageiro”, assim como em Malaquias 3:1, onde lemos: “Eis que envio o meu mensageiro [ou: anjo] e ele terá de desobstruir o caminho diante de mim.” Em muitas ocasiões, os anjos celestiais foram enviados em missões para transmitir uma mensagem ou com a comissão de fazer uma obra especial. Os homens não podem impedir que cumpram sua missão da parte de Deus, porque eles têm poder e força superiores ao poder e à força dos homens. O salmista reconheceu este fato, dizendo: “Jeová é que estabeleceu firmemente seu trono nos próprios céus; e seu próprio reinado tem mantido domínio sobre tudo. Bendizei a Jeová, vós anjos seus, poderosos em poder, cumprindo a sua palavra, por escutardes a voz da sua palavra. Bendizei a Jeová, todos os exércitos seus, vós ministros seus fazendo a sua vontade.” — Salmo 103:19-21.

      10. (a) Que atitude têm os serafins para com a pessoa de Deus? (b) Que experiência teve Isaías com os serafins, demonstrando o quê?

      10 Ainda outra classificação dos celestiais “filhos de Deus” é a de serafins. Tais criaturas espirituais são muito reverentes para com a pessoa de Deus Isto é salientado na visão milagrosa dada ao profeta Isaías. Vejamos a sua descrição: “No ano em que morreu o Rei Uzias [778/777 A. E. C.], eu, no entanto, cheguei a ver Jeová sentado num trono enaltecido e elevado, e as orlas da sua veste enchiam o templo. Acima dele havia serafins de pé. Cada um tinha seis asas. Com duas cobria sua face, e com duas cobria seus pés, e com duas voava. E este clamou para aquele e disse: ‘Santo, santo, santo é Jeová dos exércitos. A plenitude de toda a terra é sua glória.“‘O profeta Isaías sentiu-se obrigado a clamar em temor da morte, por causa de sua condição impura. “Em vista disso”, conta Isaías, “voou para mim um dos serafins, e na sua mão havia uma brasa viva que ele tirara do altar com uma tenaz. E ele passou a tocar-me a boca e a dizer: ‘Eis que isto tocou os teus lábios, e teu erro sumiu e o próprio pecado teu está expiado.’” (Isaías 6:1-7) Nisto vemos demonstrado o interesse dos serafins em nos ajudar a ser santos, assim como Deus é santo.

      11. Quão grande é a família de Deus, de “filhos celestiais”, e por que é sua natureza diferente da de nós homens?

      11 O número de todos estes celestiais “filhos de Deus” os querubins, os serafins e os anjos, ascende a milhões. O profeta Daniel, em Babilônia, foi inspirado a escrever sobre a visão que teve a respeito duma cena da corte celestial: “Eu estava observando até que se colocaram uns tronos e o Antigo de Dias se assentou . . . Mil vezes mil lhe ministravam e dez mil vezes dez mil [= 100.000.000] ficavam de pé logo diante dele. Assentou-se o Tribunal e abriram-se livros.” (Daniel 7:9, 10) Este número enorme de celestiais “filhos de Deus” demonstra a grande produtividade criativa da parte do Pai celestial, Jeová Deus, o Todo-poderoso. Ele tem nos céus uma maravilhosa família de filhos obedientes. Não são criaturas de carne e sangue, porque foram criadas antes de ser criada a nossa terra, sobre a qual nós, criaturas de carne e sangue, vivemos agora. Portanto, estes celestiais “filhos de Deus” são espíritos assim como o próprio Deus é, e são inteiramente diferentes em natureza de nós criaturas humanas, terrestres.

      12. Por que não incluem os celestiais “filhos de Deus” agora almas humanas transplantadas para o domínio espiritual, invisível?

      12 Mostrando a nítida diferença entre Deus e os homens (tais como os antigos egípcios), e entre espírito e carne, a profecia de Isaías 31:3 desestimulava os israelitas de recorrerem aos egípcios militarizados em busca de ajuda, dizendo: “Os egípcios, porém, são homens terrenos, e não Deus; e seus cavalos são carne, e não espírito.” Também, numa declaração direta de que os celestiais “filhos de Deus” são de natureza diferente da do homem, o Salmo 104:1-4 diz: “Bendize a Jeová, ó minha alma. Ó Jeová, meu Deus, mostraste ser muito grande. Tu te vestiste de dignidade e de esplendor, envolvendo-te em luz como que num manto, estendendo os céus qual pano de tenda, Aquele . . . que faz os seus anjos espíritos, seus ministros, um fogo devorador.” As Escrituras Sagradas excluem definitivamente a idéia religiosa de que os anjos celestiais incluam almas humanas transplantadas da terra para os céus espirituais, invisíveis. Os espirituais “filhos de Deus” eram todos irmãos, todos eles sendo filhos do mesmo Pai celestial.

      A CRIAÇÃO DO HOMEM

      13. Qual é a atitude do verdadeiro pai para com a família que ele constitui?

      13 O verdadeiro pai constitui família porque ama filhos. Não tem desejo de fazer deles demônios ou Diabos, ou de tirar satisfação de torturá-los ou atormentá-los. Pensa nos mais elevados interesses deles. Quer ter prazer neles, porque refletem sua imagem e lhe dão crédito, mostrando-lhe o devido respeito e obediência. Há muito tempo atrás, sob inspiração divina um rei que também era pai de muitos filhos disse: “Filho sábio é aquele que alegra o pai.” “O pai de um justo sem falta jubilará, quem se torna pai de um sábio também se alegrará dele.” — Provérbios 10:1; 23:24.

      14. Como se compara Jeová com um pai humano nos tratos com os filhos?

      14 Sobre a atitude do Pai celestial para com suas criaturas inteligentes, o salmista Davi disse: “Assim como o pai é misericordioso para com os seus filhos Jeová tem sido misericordioso para com os que o temem. Porque ele mesmo conhece bem a nossa formação, lembra-se de que somos pó.” (Salmo 103:13, 14) Jeová indica o que espera de seus filhos, dizendo: “O filho, da sua parte, honra o pai; e o servo, seu grandioso amo. Portanto, se eu sou pai, onde está a honra dada a mim? E se eu sou um grandioso amo, onde está o medo de mim?” (Malaquias 1:6) Jeová, o Pai celestial, não é inferior a um pai terreno em mostrar as qualidades corretas para com as Suas criaturas, pois Ele diz: “E vou ter compaixão deles assim como o homem tem compaixão do seu filho que o serve.” — Malaquias 3:17.

      15. Qual foi a motivação de Deus em criar filhos duma natureza inferior à dos filhos celestiais, e o que se demonstrou com isso?

      15 Tendo somente um motivo amoroso, Jeová Deus se propôs tornar-se pai de filhos duma nova natureza. Isto significava que eles não seriam de natureza espiritual não de natureza celestial. Teriam uma natureza menos refinada do que a natureza espiritual e, por isso, ficariam sujeitos a limitações e restrições tais como os celestiais “filhos de Deus” não têm. No entanto, isto não lhes causaria dificuldades e seria perfeitamente agradável. Sua natureza havia de ser carne e sangue, ou natureza humana. A criação de filhos desta natureza inferior não se deu porque o Pai celestial tivesse ficado dessatisfeito com a sua enorme família de filhos espirituais ou precisasse de algo novo e adicional com que prover-se de nova diversão. Antes, deu-se para demonstrar ainda mais a grandemente diversificada sabedoria de Deus, qual Criador, e também para ampliar seu amor a mais outras criaturas.

      16. (a) A fim de criar uma família de natureza humana, o que Deus tinha de produzir primeiro? (b) Qual era seu propósito declarado ao criar nossa terra?

      16 Primeiro, porém Ele tinha de providenciar os materiais com que criar esta família de natureza humana e também um lugar adequado para esta família humana viver e ocupar. Com este objetivo, Ele criou a terra, planeta pertencente ao sistema solar que faz parte da grande galáxia de estrelas agora conhecida como Via-láctea. Neste ponto, a Bíblia Sagrada inicia a sua história maravilhosa, dizendo: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” (Gênesis 1:1) Com cuidado amoroso, preparou as condições e o ambiente na superfície esfriada e endurecida da terra para seus habitantes humanos. Ele falou sobre seu propósito para com esta terra, dizendo:

      “Assim disse Jeová, o Criador dos céus, Ele, o verdadeiro Deus o Formador da terra e Aquele que a fez, Aquele que a estabeleceu firmemente, que não a criou simplesmente para nada, que a formou mesmo para ser habitada.” — Isaías 45:18.

      17. Como previu o Criador as necessidades de sua família humana, e que provisões fez para tais necessidades?

      17 Sua família humana teria corpos que precisariam respirar para manter a vida, e por isso Ele proveu uma atmosfera em volta da terra. Teriam de ter água para beber, e por isso proveu bastante dela. Precisariam de vida vegetal e de vegetação como alimento, e Ele lhes proveu isso. Precisariam de luz solar para ter saúde e visão, e ele removeu toda nuvem de partículas cósmicas que impedisse que os raios solares atingissem a terra e depois clareou a atmosfera para deixar a luz solar a luz lunar e a luz das estrelas penetrar até a superfície da terra. A família humana precisaria de períodos regulares de descanso e sono, e o grande Projetista da terra fez com que ela girasse de modo que o dia se alternasse com a noite. Fez que as águas pululassem de peixes e outra vida marinha, fez que criaturas aladas voassem pelo ar e fez criaturas terrestres em grande variedade, para todos eles desempenharem seu papel na economia da vida terrestre. O Criador sábio e amoroso fez tudo isso no decorrer de seis períodos criativos, que ele mesmo chamou de dias. — Gênesis 1:1-25.

      18. Quando e em que “dia” criativo anunciou Deus seu propósito de criar o clímax de sua criação terrestre?

      18 Perto do fim do sexto período criativo, já se prepararam as coisas na terra e em volta dela para o Pai celestial passar a iniciar a família humana. Foi então que ele anunciou o que havia de ser o clímax de sua obra criativa terrestre, conforme lemos em Gênesis 1:26: “E Deus prosseguiu, dizendo: ‘Façamos o homem a nossa imagem, segundo a nossa semelhança, e tenham eles em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e os animais domésticos, e toda a terra, e todo animal movente que se move sobre a terra.’”

      19. Como podemos provar se Deus estava falando consigo mesmo ou não em Gênesis 1:26?

      19 No texto hebraico desta narrativa da criação, a palavra para “Deus” é eloim, que é a forma plural de elóah, plural usado aqui em Gênesis para indicar excelência e grandiosidade, não vários deuses, sejam dois, três ou mais. É por isso que os verbos que acompanham ali Eloim estão no singular. Por isso, quando lemos: “E Deus [Elloim] prosseguiu, dizendo: ‘Façamos’”, não significa que Deus estava falando consigo mesmo. Ele não é trindade, deus trino, deus em três pessoas, de modo que uma pessoa dele dissesse às outras pessoas dele: “Façamos.” Em Gênesis 2:4, este Criador é chamado Jeová Deus, e mais adiante, o escritor, o profeta Moisés, disse: “Escuta, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová.” Não há dois ou três Jeovás, mas apenas um! A existência dum chamado deus trino ou trindade é invenção pagã. É uma falsidade blasfema. — Deuteronômio 6:4.

      20. As palavras: “Façamos o homem” foram dirigidas mais razoavelmente a quem, e por quê?

      20 Por conseguinte, quando Deus (Eloim) disse: “Façamos”, ele falou pelo menos a mais alguém, à parte de si mesmo, nos céus espirituais, invisíveis. É muito pouco provável que Jeová Deus falasse ali a 100.000.000 ou mais de anjos, que lhe ministravam, pedindo sua cooperação na criação do homem. É bem mais razoável que ele falasse ao seu Filho primogênito, celestial, o primogênito de toda a criação, o princípio da criação de Deus. Este primogênito da família celestial de Deus seria quem receberia o destaque e a honra de ser convidado a trabalhar junto de seu Pai celestial na criação do homem na terra. Isto simplificaria o assunto. Visto que este filho primogênito, celestial, levava a “imagem” de seu Pai celestial e era segundo a Sua “semelhança”, Deus podia corretamente dizer-lhe: “Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança.” Ser alguém à imagem de Deus e segundo a sua semelhança nunca significaria que fosse o mesmo que Jeová Deus. A “imagem” não é a coisa real!

      O PRIMEIRO HOMEM NO PARAÍSO

      21. Onde se diz que o recém-casado homem foi colocado no Paraíso?

      21 Gênesis, capítulo dois, entra em pormenores sobre a criação do homem. Descrevendo-a Gênesis 2:7, 8, nos diz: “E Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o fôlego de vida, e o homem veio a ser uma alma vivente. Além disso, Jeová Deus plantou um jardim no Éden, do lado do oriente, e ali pôs o homem que havia formado.” Na antiga Versão Siríaca da Bíblia, usa se a palavra Paraíso em lugar de “jardim”; a versão católica de Matos Soares da Bíblia também usa a palavra paraíso e diz: “Ora, o Senhor Deus tinha plantado, desde o princípio, um paraíso de delícias, no qual pôs o homem que tinha formado.” — Gênesis 2:8, 32.a edição revista, 1974.

      22. Que idéia religiosa comum procuram alguns atribuir ao que Gênesis 2:7 realmente diz?

      22 Notemos novamente o que Gênesis 2:7 diz sobre a criação do homem. Diz que Jeová Deus pôs no homem uma alma separada e distinta do corpo dele? Isto é o que muitas pessoas religiosas querem entender no texto. De fato, a tradução espanhola da Bíblia por F. Torres Amat — S. L. Copello, de 1942 E. C., reza traduzida ao português: “Formou, pois, o Senhor Deus o homem do barro da terra e inspirou-lhe no rosto um sopro ou espírito de vida, e o homem vivente ficou feito com alma racional.”b Isto é bem diferente da versão católica romana do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, que diz: “E com isso tornou-se o homem uma alma vivente.” (Matos Soares) Também a versão inglesa publicada pela Sociedade Publicadora Judaica da América reza: “E o homem tornou se alma vivente.” Para que nossos leitores possam ver a tradução literal de palavra por palavra (em inglês, da direita para a esquerda) do texto hebraico, apresentamos a seguir uma cópia fotostática desta parte de Gênesis 2:7, na Tradução Interlinear literal do Antigo Testamento Hebraico, de G. R. Berry, com direitos autorais de 1896-1897:

      the LORD God formed man of the dust of the ground, and breathed into his nostrils the breath of life; and man became a living soul. 8 And the LORD God planted a garden

      יהוָֹה אֶלהִים אֶת־הָאָדָם עָפר מִן־האדמה

      ,ground the from dust [of out] man (the) God Jehovah

      וַיפַּח כְּאַפָּיו גשְׁמַת חַיים וַיְהי הָאָדָם

      man (the) became and ;life of breath nostrils his in breathed and

      8 לִגֶפֶשׁ חַיָה‏׃ וַיִטַּע יְהוָֹה אֱלהִים גַּן בְּעדֶן

      Eden in garden a God Jehovah planted And living soul a (for)

      23. Quando morre o corpo humano, o que acontece à alma?

      23 Visto que a Palavra inspirada de Deus diz claramente: “O homem tornou-se alma vivente”, o homem é uma alma. A Bíblia diz a verdade! Ela é a autoridade sobre o que é a alma humana. Os filósofos pagãos da antiguidade, que não possuíam a Palavra escrita de Deus, são os que dizem que o homem tem dentro de si uma alma espiritual, invisível, que parte para o domínio espiritual na morte do corpo humano. No texto hebraico, a palavra para “alma” é néfes; na Versão dos Setenta grega das Escrituras Hebraicas ela é psiqué. Portanto, o que acontece ao corpo do homem acontece à alma humana. Não é só o corpo humano que morre, mas, conforme Jeová Deus diz em Ezequiel 18:4: “Eis que todas as almas — a mim me pertencem. . . . A alma que pecar — ela é que morrerá.” (Também no Ez 18 versículo 20.)

      24. Por que é o “corpo físico” diferente do “espiritual”?

      24 O homem não é espírito, espiritual. O homem é da terra, é terreno: “Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo.” (Gênesis 2:7) O corpo que Deus criou para o homem compunha-se dos elementos tirados da terra e da atmosfera. Não era um corpo espiritual e não podia ser espiritualizado, para se tornar invisível e poder morar no domínio espiritual. Era um corpo físico, separado e distinto dum corpo espiritual tal como têm os celestiais “filhos de Deus”. Assim como disse um comentador bíblico do primeiro século E. C.: “Se há corpo físico, há também um espiritual.” Não se devem confundir estas duas espécies de corpos, e a Bíblia não os confunde. — 1 Coríntios 15:44.

      25. O que soprou Deus nas narinas do homem para torná-lo uma “alma vivente”, em contraste com a filosofia grega?

      25 O corpo humano nu, que Deus formou do pó do solo, lá no Paraíso de Delícias, era perfeito, não faltando nenhuma parte ou membro necessário. “Perfeita é a sua atuação, pois todos os seus caminhos são justiça.” (Deuteronômio 32:4) “Vê! Achei somente o seguinte”, disse o sábio Rei Salomão, “que o verdadeiro Deus fez a humanidade reta”. (Eclesiastes 7:29) A fim de fazer com que aquele primeiro corpo humano vivesse e funcionasse perfeitamente, Deus não tirou do céu uma “alma” (psíqué)c incorpórea, a qual, segundo a idéia grega, pagã, esvoaçava em volta qual borboleta, nem a soprou ou inseriu no corpo sem vida. Deus não soprou no corpo apenas alguma corrente de ar para expandir os pulmões do corpo. Não era nada parecido a uma ressuscitação de boca a boca, como no caso dum afogado. O que Deus soprou nas narinas do corpo é chamado “fôlego de vida”, que não só encheu os pulmões de ar, mas também deu ao corpo a força de vida sustentada pela respiração. Deste modo, “o homem veio a ser uma alma vivente”.

      26. Por que foi o primeiro homem chamado Adão, e como deu Deus um objetivo real à vida dele?

      26 Jeová Deus tornou-se o Pai, o Dador da vida desta primeira alma humana. A matéria para a formação do corpo humano foi tirada do solo, o qual, em hebraico, é chamado de adamáh, e, por isso, esta alma vivente foi apropriadamente chamada Adão. (Gênesis 5:1, 2) O Pai Celestial tinha um propósito ao colocar este filho terrestre no Paraíso do Éden, e Ele deu objetivo à vida de Adão. Neste sentido, lemos em Gênesis 2:15: “E Jeová Deus passou a tomar o homem e a estabelecê-lo no jardim do Éden; para que o cultivasse e tomasse conta dele.” Deus deu a Adão a tarefa de guardião do Paraíso, de jardineiro. Para fornecer-nos alguma idéia sobre o que crescia naquele Paraíso terrestre, somos informados: “Jeová Deus plantou um jardim no Éden, do lado do oriente, . . . Jeová Deus fez assim brotar do solo [adamáh] toda árvore de aspecto desejável e boa para alimento, e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau.” (Gênesis 2:8, 9) Visto que continha “toda árvore de aspecto desejável”, o jardim do Éden deve ter sido um lugar belo. Entre suas árvores ‘boas para alimento’ estava a figueira.

      27. Como cuidou Deus de que Adão não ficasse sozinho no Paraíso e que chegasse a conhecer as coisas?

      27 Só o Deus de amor podia ter dado a seu filho terrestre o Paraíso de Delícias por lar, o melhor que a terra podia fornecer. Sendo perfeito, Adão podia ter apreço perfeito deste jardim e de sua beleza. Não estava ali sozinho. Havia peixes de várias espécies no rio que saía do jardim e que se dividia para regiões fora dos limites do jardim. (Gênesis 2:10-14) Havia também uma variedade de aves, bem como animais terrestres, domésticos e selváticos. Deus cuidou de que Adão se familiarizasse com estas criaturas terrestres de natureza inferior.

      “Ora, Jeová Deus estava formando do solo todo animal selvático do campo e toda criatura voadora dos céus, e ele começou a trazê-los ao homem para ver como chamaria a cada um deles; e o que o homem chamava a cada alma [néfes] vivente, este era seu nome. O homem deu assim nomes a todos os animais domésticos e às criaturas voadoras dos céus, e a todo animal selvático do campo, mas para o homem não se achava nenhuma ajudadora como complemento dele.” — Gênesis 2:19, 20.

      28. Ao conhecer o macaco, por que não sentiu Adão nenhuma afinidade com ele?

      28 Ao passo que se apresentavam a Adão os animais selváticos, apareceu uma criatura peluda, de braços longos. Adão chamou-a cofe (qoph), que para nós hoje significa “macaco”. (1 Reis 10:22; 2 Crônicas 9:21) Quando Adão viu este macaco, não sentiu nenhuma afinidade com ele. Não acreditava que fosse descendente consangüíneo dele. Não exclamava com prazer: ‘Este, por fim é osso dos meus ossos e carne da minha carne.’ A informação que Adão recebeu de Deus era que cofe (o macaco) havia sido criado antes, no sexto “dia” criativo, e que ele, Adão, havia sido criado separadamente por Deus, sem relação carnal com o macaco ou com qualquer outra das criaturas terrestres, inferiores. Adão sabia que havia quatro espécies de carne. Assim como se declarou há dezenove séculos atrás, em harmonia com os achados mais recentes da ciência: “Nem toda a carne é a mesma carne, mas uma é a da humanidade, e outra é a carne do gado, e outra é a carne de aves, e outra de peixes.” (1 Coríntios 15:39) Não, embora a Palavra de Deus chamasse o cofe (macaco) de “alma vivente”, não se verificou que o macaco fosse “complemento” de Adão e apto para ser companheiro dele. — Gênesis 2:20.

      29. Por que não conversou Adão com a serpente, nem adorou qualquer animal?

      29 Ao passo que Adão observava todos os animais selváticos do campo, deslizava ali no chão ou sobre uma árvore uma criatura escamosa, comprida, sem membros Adão chamou-a de nahhásh, que para nós significa “serpente” ou “cobra”. Não falava com Adão e ele, da sua parte, não falava com ela. Era uma criatura sem fala, fazendo apenas um som de assobio. Adão não a temia, nem temia os outros animais selváticos. Não adorava a nenhum deles como sagrado, nem mesmo a vaca. Seu Deus os havia colocado em sujeição a ele, porque ele era filho terrestre de Deus, feito à imagem de Deus e na semelhança de Deus. Por isso adorava apenas seu Pai celestial, “o verdadeiro Deus”, Jeová.

      A POSSIBILIDADE DE VIDA ETERNA NA TERRA

      30, 31. (a) Quanto tempo se destinava Adão a viver, e onde? (b) Que prova de obediência impôs Deus a Adão, sem ser injusto?

      30 Por quanto tempo devia Adão viver, e onde? Não era da idéia de Deus que Adão morresse e deixasse o Paraíso do Éden ao abandono. A terra não devia ficar desabitada pela humanidade. Deus apresentou a Adão a oportunidade de vida eterna na terra, no Paraíso do Éden. Isto, porém, dependia da obediência eterna de Adão ao seu Criador e Deus. Deus não colocou em Adão nenhuma inclinação desobediente, nem tendências pecaminosas. Deus dotou seu filho terrestre com as qualidades divinas de justiça, sabedoria, poder e amor, com um perfeito senso de moral. No entanto, em reconhecimento de sua própria soberania sobre todo o universo, era correto que Deus, sem ter qualquer suspeita para com Adão, experimentasse este Seu filho terrestre. A prova a que sujeitou Adão era uma limitação muito pequena de sua liberdade. Lemos:

      31 “E Jeová Deus deu também esta ordem ao homem: ‘De toda árvore do jardim podes comer à vontade. Mas quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente morrerás.”’ — Gênesis 2:16, 17.

      32. Era indispensável que Adão comesse da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau para usufruir a vida eterna?

      32 O grande Dador da vida apresentava ali ao seu filho Adão a perspectiva da vida eterna ou então da morte eterna. A desobediência ao seu divino Pai celestial levaria à morte certa de Adão por toda a eternidade. A obediência amorosa como a dum filho ao pai resultaria em vida eterna. A recompensa da obediência continua não significaria a transferência de Adão para o céu, porque Adão não fora feito para a vida no céu, com os anjos, mas destinava-se à vida eterna no Paraíso terrestre de Delícias. “Quanto aos céus, os céus pertencem a Jeová mas a terra ele deu aos filhos dos homens.” (Salmo 115:16) Comer Adão da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau não era indispensável para a sua vida eterna, mas “a árvore da vida no meio do jardim” era. — Gênesis 3:22.

      33. Evidentemente, que queria Deus dizer com a expressão “no dia em que dela comeres”, e por quê?

      33 No entanto, como devia Adão entender a expressão “no dia em que dela comeres”? Ele não tinha motivo nem base para pensar em termos dum dia de mil anos, segundo a declaração muito posterior do profeta Moisés, dirigida a Jeová Deus: “Mil anos aos teus olhos são apenas como o ontem que passou.” (Salmo 90:4 e cabeçalho) Ele certamente não pensava: ‘Ora, se eu desobedecer e tiver de morrer, talvez tenha ainda uma grande ou a maior parte do dia milenar para viver; e isto não será tão ruim assim.’ Adão não tinha motivos para raciocinar assim. Deve ter compreendido o uso da palavra “dia” por Deus como significando vinte e quatro horas. Visto que Deus evidentemente falou segundo a capacidade de entendimento de seu filho terrestre, então, de maneira coerente, Deus deve ter-se referido a um dia de vinte e quatro horas. Não queria dizer: ‘No dia de mil anos em que comeres da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau certamente morrerás.’ Tal significado teria diminuído a força da advertência de Deus.

      34. Como recebeu Adão a ordem a respeito da árvore proibida e quanto tempo podia Adão ter usufruído a comunhão com Deus?

      34 Adão obteve esta advertência forte diretamente de Deus, embora Deus possa ter falado a Adão por meio dum anjo invisível. Era a palavra de Deus, a mensagem de Deus. Deus falou com Adão desde o invisível. Não usou qualquer criatura animal, inferior, tal como uma cobra, para transmitir esta ordem ao seu filho terrestre, Adão. Neste último caso, tal criação animal poderia depois ter sido usada como símbolo de Deus e tratada como sagrada, com a devida reverência. O verdadeiro Deus não quer que se lhe preste adoração por meio duma criação animal. Adão adorava a Deus diretamente no Paraíso de Delícias. Se continuasse a fazer isso eternamente em amor, sem dúvida, tal comunicação com Deus teria continuado eternamente. Que privilégio teria sido para Adão estar assim para sempre no Paraíso terrestre com Deus!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja “Contra Práxeas” de Tertuliano. Ele diz ali, no Capítulo 7: “O Filho igualmente reconhece o Pai, falando na sua própria pessoa, sob o nome de Sabedoria: ‘O SENHOR formou-me como o princípio de seus caminhos.’” Veja também os comentários sobre Provérbios 8:22 feitos por Justino, o Mártir, Irineu, Atenágoras, Teófilo de Antioquia, Clemente de Alexandria, Cipriano (Os Tratados de), “De Principiis” de Orígenes, Dionísio e Lactâncio.

      b Em espanhol: “Formó, pues, el Señor Dios al hombre del lodo de la tierra, e inspiróle en el rostro un soplo o espíritu de vida, y quedó hecho el hombre viviente con alma racional.”

      c Um dos sentidos da palavra grega psiqué é “borboleta ou mariposa”. — Veja o Greek-English Lexicon de Liddell e Scott, Volume 2, página 2027, coluna 2, VI. Na mitologia greco-romana, Psiqué era uma donzela bela, personificando a alma, amada pelo deus Éros.

  • Deus estabelece seu propósito para com o homem e a mulher
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 4

      Deus estabelece seu propósito para com o homem e a mulher

      1. Disse Deus a Adão, na criação dele, que se havia de tornar pai duma raça humana?

      QUANDO o primeiro homem, Adão, estava sozinho no Paraíso de Delícias, tendo por companhia apenas as criaturas terrestres, inferiores, Deus não lhe disse nada sobre Adão tornar-se pai duma raça humana. Mas Deus pensava nisso. Este era Seu propósito com respeito à terra. No tempo devido, revelou ao homem este propósito divino.

      2, 3. (a) Como se propôs Deus produzir a família humana? (b) Por que não se achou neste respeito nenhuma ajudadora adequada entre as criaturas subumanas?

      2 Deus não se propôs povoar a terra do mesmo modo em que havia povoado o céu, por criações diretas, sem recorrer ao casamento. Deus propôs-se que o homem Adão se casasse com um cônjuge apropriado visando a paternidade. O pensamento de Deus sobre o assunto foi registrado em Gênesis 2:18, que nos informa: “E Jeová Deus prosseguiu, dizendo: ‘Não é bom que o homem continue só. Vou fazer-lhe uma ajudadora como complemento dele.’”

      3 Deus havia criado todas as criaturas terrestres, inferiores, antes da criação do homem e separadas da criação do homem. De modo que as criaturas subumanas, os peixes, as criaturas voadoras e os animais terrestres não eram da “espécie” do homem. Podiam reproduzir-se apenas “segundo as suas espécies”. (Gênesis 1:21, 22, 25) Não podiam cooperar com o homem na produção da espécie humana. Isto podia ser visto claramente depois de Deus apresentar a Adão as criaturas terrestres, inferiores. Portanto, a conclusão lógica, depois de o homem ser familiarizado com o mundo animal, era: “Mas para o homem não se achava nenhuma ajudadora como complemento dele.” — Gênesis 2:19, 20.

      4. Como produziu Deus a “ajudadora” de Adão, e que nome lhe deu este?

      4 Ainda era o sexto “dia” criativo, e por isso Deus não violava nenhum arranjo sabático por continuar a trabalhar numa criação terrestre, adicional. Então, como criou uma ajudadora para Adão, como complemento dele? Milhares de anos antes de a moderna medicina descobrir anestésicos e analgésicos para realizar operações cirúrgicas indolores, Deus realizou uma operação indolor no primeiro homem, Adão. “Por isso, Jeová Deus fez cair um profundo sono sobre o homem, e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma das costelas e fechou então a carne sobre o seu lugar. E da costela que havia tirado do homem, Jeová Deus passou a construir uma mulher e a trazê-la ao homem. O homem disse então: ‘Esta, por fim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne. Esta será chamada Mulher [ishsháh], porque do homem [ish] foi esta tomada.’” — Gênesis 2:21-23.

      5. Como se estabeleceu assim uma união carnal em toda a família humana?

      5 Visto que Adão fora informado sobre como a primeira mulher havia sido formada de uma de suas costelas (tendo no seu tutano propriedades para desenvolver sangue), ele podia chamá-la corretamente de osso dos seus ossos e carne de sua carne. Tinha todos os motivos para sentir que ela fazia parte dele, porque seu próprio corpo havia contribuído para a criação dela por Deus. Podia dizer-se com exatidão, milhares de anos depois, ao tribunal do Areópago em Atenas, na Grécia: “Ele [Deus] fez de um só homem toda nação dos homens, para morarem sobre a superfície inteira da terra.” (Atos 17:26) De modo que há uma união carnal em toda a família humana, tal como não seria o caso se Deus tivesse criado a primeira mulher do pó do solo, separada do primeiro homem Adão.

      6. Segundo as palavras de Deus, como devia espalhar-se a família humana?

      6 Depois de falar sobre este casamento do primeiro homem e da primeira mulher no Paraíso, o registro divino prossegue: “Por isso é que o homem deixará seu pai e sua mãe, e tem de se apegar à sua esposa, e eles têm de tornar-se uma só carne.” (Gênesis 2:24) Por causa da maneira da criação da mulher, Adão e sua esposa eram “uma só carne” já antes de terem união sexual entre si. O casamento dos descendentes de Adão e de sua esposa os une em união sexual e é especialmente assim que se tornam pela primeira vez “uma só carne”. Deixar pai e mãe para apegar-se à sua esposa significaria que o homem recém-casado estabeleceria a sua própria família. Assim se propagaria a família humana.

      7. Por que não se envergonhavam Adão e sua esposa ao se verem mutuamente quando foram criados?

      7 Havia então perfeita inocência, pureza de coração, no Paraíso do Éden. Isto é atestado pela declaração de Gênesis 2:25: “E ambos continuavam nus, o homem e a sua esposa, contudo, não se envergonhavam.” Tinham uma boa consciência para com Deus e de um para com o outro.

      8, 9. (a) Assim, o sexo foi criado por quem e para que fim? (b) Como é isto corroborado pelo que Deus disse a Adão e Eva?

      8 É nisto, então, que se encaixa a narrativa em Gênesis 1:27, na devida ordem cronológica, já que temos o homem e a mulher no cenário paradísico. A narrativa reza: “E Deus passou a criar o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou”. Assim como antes disso haviam existido machos e fêmeas entre as criaturas terrestres, inferiores, para que pudessem reproduzir sua “espécie”, assim, com a criação da mulher, existiam fêmea e macho da espécie humana. Deus é o Criador do sexo, mas para fins reprodutivos. Este fato vital é corroborado no que Deus mandou então que o primeiro homem e a primeira mulher fizessem.

      9 “Ademais, Deus os abençoou e Deus lhes disse: ‘Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.’” — Gênesis 1:28.

      10. Concordemente, que estado final propôs-se Deus ter na superfície da terra?

      10 Deus abençoou o homem e a mulher no começo de sua vida de casados no Paraíso de Delícias. Seus pensamentos e suas expressões eram os melhores para eles. Pelas palavras que lhes dirigiu, Deus revelou qual era seu propósito para com a humanidade e a terra. Deus propôs-se que esta terra ficasse cheia dos descendentes deste primeiro homem e desta primeira mulher. Não só isso, mas também que toda a terra ocupada por esta família humana fosse sujeita. Sujeita a que condição? A condição do Paraíso no qual o homem e a mulher se encontravam. Isto queria dizer que a terra inteira devia ser embelezada e tornada habitável por ampliar os limites do Paraíso que Deus havia plantado, até que o leste se encontrasse com o oeste e o norte com o sul — a todos os continentes e a todas as ilhas dos mares. Não devia haver superpovoação da terra paradísica, mas a reprodução humana devia continuar até que toda a terra sujeita estivesse confortavelmente cheia. Não deviam matar as criaturas terrestres, inferiores, mas deviam tê-las em sujeição — sob controle amoroso.

      11, 12. (a) Por que não devemos perder de vista o propósito de Deus para o homem e a terra? (b) Como podemos dar objetivo à nossa vida, com benefício eterno para nós mesmos?

      11 Em vista das palavras de bênçãos e de ordem de Deus para eles, vislumbraram Adão e sua esposa o grandioso propósito que Deus tinha para com eles e seu lar, a terra? Vislumbramo-lo nós, hoje? Compreendemos hoje o propósito original de Deus, o Criador, com respeito ao homem e à mulher, bem como nosso lar, a terra? Seu propósito é declarado de modo muito simples e não é difícil de entender por qualquer pessoa sincera.

      12 Se o compreendermos, então, não o percamos de vista, porque, do contrário, cairemos em confusão e erro religiosos. A existência do homem na terra não era acidental e não se destinava a ficar sem objetivo. Deus deliberadamente colocou o homem e a mulher na terra com um propósito, e este propósito foi revelado por ele aos nossos primeiros pais humanos. Depois de Adão e sua esposa, a quem ele chamou Eva, terem recebido a informação e a ordem, era seu privilégio honroso e bendito tornar o propósito de Deus o seu propósito na vida. Isto exigia a sua obediência a Deus. Em troca, a obediência resultaria em vida eterna, em perfeita felicidade numa terra paradísica, tanto para os obedientes Adão e Eva, como para todos os seus descendentes obedientes, em todos os cantos da terra subjugada. Portanto, a vida passou a ter objetivo para Adão e Eva, e pode ter objetivo para nós, segundo o propósito infalível de Deus.

      13. Por que não havia de haver matança no Paraíso, nem medo duma escassez de víveres na terra cheia?

      13 Deus não pôs diante de Adão e Eva nenhum temor duma escassez de víveres, ao passo que a família humana se ‘tornasse muitos’. Qual Pai amoroso, fez amplas provisões para a terra cheia de seus filhos e de suas filhas humanos. E não havia de ter necessidade de matança no Paraíso. Deus salientou isso, pois lemos: “E Deus prosseguiu, dizendo: ‘Eis que vos tenho dado toda a vegetação que dá semente, que há na superfície de toda a terra, e toda árvore em que há fruto de árvore que dá semente. Sirva-vos de alimento. E a todo animal selvático da terra, e a toda criatura voadora dos céus, e a tudo o que se move sobre a terra, em que há vida como alma [néfes], tenho dado toda a vegetação verde por alimento.’ E assim se deu.” — Gênesis 1:29, 30.

      14. (a) Além da declaração geral de Deus sobre o alimento, que proibição de comer ainda vigorava? (b) Adão e Eva precisavam viver de que, em adição ao alimento material?

      14 Esta era apenas uma declaração geral quanto a que a humanidade devia comer, declaração que tanto Adão como Eva ouviram de Deus. Ela falava sobre “toda árvore em que há fruto de árvore que dá semente”. Não era ali a ocasião de entrar em pormenores, pois, numa declaração anterior feita só a Adão, Deus havia imposto uma proibição quanto a comer da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau. (Gênesis 2:16, 17) Pelo menos por um tempo, o fruto desta árvore proibida não devia servir de alimento para Adão e Eva. De qualquer modo, havia bastante comida para sustentar a vida, sem terem de comer também da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau. Mesmo com toda a abundância de toda espécie de alimento no Paraíso, aplicava-se a Adão e Eva o mesmo que ao povo escolhido de Jeová, mais de dois mil anos depois: “O homem não vive somente de pão, mas . . . o homem vive de toda expressão da boca de Jeová.” (Deuteronômio 8:3) Se Adão e Eva cumprissem a ordem expressa por Jeová Deus, viveriam para sempre com sua família no Paraíso global.

      FIM DO SEXTO “DIA” CRIATIVO

      15. No fim do sexto “dia” criativo, como parecia a Deus a criação terrestre?

      15 Assim, no tempo marcado por Deus, os assuntos da terra foram levados a este ponto conforme descrito, com maravilhosas possibilidades futuras segundo o propósito de Deus. Ao examinarmos a situação, com a terra agora habitada por criaturas humanas e animais, girando em torno do sol, e com a lua em órbita em volta da terra, como nos parece isso? Nossa opinião não devia ser diferente da de Deus, sobre a qual lemos: “Depois, Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom. E veio a ser noitinha e veio a ser manhã, sexto dia.” — Gênesis 1:31.

      16. Qual deve ter sido a reação das “estrelas da manhã” e dos “filhos de Deus”, ao verem a terra no fim do sexto “dia”?

      16 Jeová, como Deus progressista, havia procedido de modo ordeiro, por etapas. E quão lógico foi este progresso da Sua parte! Com a criação de Adão e Eva, e a bênção divina sobre eles, veio o fim do sexto “dia” criativo de Deus com respeito à preparação da terra para ser ocupada pelos filhos terrestres de Deus. Se já na mera fundação da terra “as estrelas da manhã juntas gritavam de júbilo e todos os filhos de Deus começaram a bradar em aplauso”, quantas expressões de admiração e louvor estes celestiais “filhos de Deus” devem ter feito no fim do sexto “dia” criativo, quando viram a terra então no estado plenamente preparado e um perfeito casal humano vivendo sobre ela! — Jó 38:7; Gênesis 1:28.

      17. Em vista da realização divina, até o fim da “manhã” do sexto “dia”, que pergunta surge sobre o número dos “dias” criativos?

      17 A “manhã” daquele sexto “dia” criativo terminou com uma gloriosa realização divina. Acabaria com o sexto “dia” o ciclo dos “dias” criativos? O sexto “dia” acabou quando se havia lançado apenas o alicerce, com Adão e Eva, para a povoação da terra inteira. Haveria outro “dia” criativo, um sétimo “dia”, no fim de cuja “manhã” toda a terra estaria povoada pela família humana e seria um Paraíso global?

      COMEÇA A “NOITINHA” DO SÉTIMO “DIA” CRIATIVO, APROXIMADAMENTE EM 4026 A. E. C.

      18. Razoavelmente, com que fim devia haver outro “dia” criativo?

      18 O propósito de Deus com referência à terra não ficou completamente realizado ao fim do sexto “dia” criativo. Restava a questão: Podia Deus realizar este propósito, especialmente agora que estava lidando com criaturas humanas que tinham a faculdade da vontade própria e a quem dera liberdade de escolha quanto ao seu proceder terrestre, quer em harmonia com o propósito de Deus, quer contra ele? Era razoável, pois, que se concedesse outro “dia” criativo, um sétimo “dia”, durante o qual se povoasse a terra com uma raça humana perfeita, todos morando juntos em amor e paz, e todos falando a mesma língua, no Paraíso global. O fim de tal “dia” criativo poderia presenciar a realização triunfante do propósito de Deus, em vindicação Dele qual Criador e Soberano universal.

      19. (a) Por que devia o sétimo ser chamado de dia “criativo”? (b) O que fez Deus com respeito a este “sétimo dia”?

      19 Deus divulgou a plenitude de seu propósito. Este exigia um sétimo “dia” criativo. Chamá-lo de dia “criativo” não significava que Deus continuava a criar coisas terrestres no sétimo “dia” criativo, mas que ele estava inseparavelmente relacionado com os anteriores seis “dias” criativos e era da mesma duração que estes “dias” anteriores. O que diz sobre isto a própria Palavra de Deus?

      “Assim foram acabados os céus, e a terra, e todo o seu exército. E ao sétimo dia Deus havia acabado sua obra que fizera e passou a repousar no sétimo dia de toda a sua obra que fizera. E Deus passou a abençoar o sétimo dia e a fazê-lo sagrado, porque nele tem repousado de toda a sua obra que Deus criara com o objetivo de a fazer.” — Gênesis 2:1-3.

      20. Como podemos saber se Gênesis 2:1-3 falava dum dia de vinte e quatro horas ou dum período criativo que ainda prossegue?

      20 Não despercebamos que esta narrativa sobre o sétimo “dia” criativo não conclui com as palavras que dizem definitivamente que terminou determinado “dia” criativo, de noitinha e manhã. Gênesis 2:3 não acrescenta as palavras: “E veio a ser noitinha e veio a ser manhã, sétimo dia.” Não aparecerem tais palavras finais indica que o sétimo “dia” criativo ainda não havia terminado quando o profeta Moisés acabou de escrever o Pentateuco ou os primeiros “cinco livros” da Bíblia, no Ano do Mundo 2553 ou em 1473 A. E. C. Mais tarde ainda, o salmista Davi fala sobre entrar-se no descanso de Deus, no Salmo 95:7-11, ou por volta do Ano do Mundo 2989 ou em 1037 A. E. C. Isto indica que Gênesis 2:1-3, falando sobre o dia de repouso de Deus, não falava sobre um dia de vinte e quatro horas, mas sim sobre um “dia” criativo da mesma duração de cada um dos “dias” criativos anteriores. Portanto, este “sétimo dia” criativo ainda não terminou.

      21. Que situação na terra indica que a humanidade, como um todo, não entrou na guarda do sábado do “sétimo dia” de Deus?

      21 Por conseguinte, não vemos ainda o Paraíso edênico estendido em volta de todo o nosso globo terrestre e habitado em toda a parte por uma família humana perfeita e imorredoura. Em vez disso, matam-se animais, aves e peixes, e as superpotências do mundo, equipadas com bombas nucleares e outras armas de destruição em massa, ameaçam matar toda a humanidade e deixar o globo terrestre como ermo desabitado. A humanidade como um todo, sim, até mesmo os grupos religiosos que afirmam adorar o Deus da Bíblia Sagrada, certamente não entraram no repouso de Deus, guardando seu “sétimo dia” criativo. E agora já se passaram cerca de seis mil anos desde a criação do homem!

      22. Como prova o versículo seguinte (Gênesis 2:4) que Deus não falava de um dia de vinte e quatro horas?

      22 Que a narrativa de Gênesis 2:1-3 não fala sobre o “sétimo dia” como sendo um dia de vinte e quatro horas é esclarecido pelo uso da palavra “dia” logo no versículo seguinte. Ali, em Gênesis 2:4, está escrito: “Esta é uma história dos céus e da terra no TEMPO em que foram criados, no DIA em que Jeová Deus fez a terra e o céu.” Este “dia” incluía seis “dias” criativos conforme descritos no capítulo um de Gênesis.

      23, 24. (a) O que mostra que o cumprimento do propósito de Deus, até o fim do seu “sétimo dia”, ainda está à frente? (b) Por que não há necessidade de ficarmos desanimados em depositarmos fé na realização do propósito magnífico de Deus?

      23 Em vista da situação dos assuntos da humanidade neste século vinte E. C., nada poderia ser mais claro do que estar o cumprimento do propósito de Deus no fim do sétimo “dia” criativo ainda na frente de nós. No começo deste “sétimo dia”, há quase seis mil anos atrás, Deus “passou a abençoar o sétimo dia e a fazê-lo sagrado”. Segundo a história da humanidade durante os últimos seis milênios, não foi um dia abençoado para toda a raça humana. Aparentemente, a bênção de Deus sobre este sétimo “dia” tem tido pouco peso para toda a humanidade.

      24 Embora Deus o santificasse ou tornasse sagrado, muito poucos da humanidade o têm por sagrado, santo, e entraram no descanso de Deus, de modo espiritual. Deus certamente terá de mostrar até o fim do sétimo “dia” criativo que sua bênção sobre esse dia teve real valor para a humanidade. Terá de mostrar que este “sétimo dia” possui verdadeira qualidade sacra, santa ou sagrada, e que seu “descanso” quanto à certeza do cumprimento de seu propósito não foi perturbado. Apesar de ele desistir de obras de criação terrestre, no fim do sexto “dia” criativo, seu propósito tem prosseguido e ainda prossegue para o seu cumprimento triunfante. Portanto, aqueles que, iguais ao próprio Jeová Deus, têm fé na derradeira realização de seu propósito magnífico, não precisam ficar desanimados.

  • Deus forma seu “propósito eterno” quanto ao seu ungido
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 5

      Deus forma seu “propósito eterno” quanto ao seu ungido

      1. Que espécie de vida na terra deve a humanidade ter segundo o propósito de Deus?

      A VIDA humana na terra pode ser bela. A vida do Criador do homem é bela. É da Sua vontade que a vida de Sua criação humana também seja bela. Foi a humanidade que arruinou a sua própria existência. No entanto, não foram todos os membros da humanidade que fizeram isso. Apesar do fracasso da humanidade até agora, o propósito benévolo do Criador é agora que homens e mulheres ainda tenham a oportunidade de tornarem a vida na terra bela para si mesmos.

      2. (a) Com que espécie de vida começou a humanidade? (b) O que mostra se Deus planejou ou não que o homem tomasse um rumo que levaria à morte?

      2 No começo, a vida da humanidade era bela. Iniciou-se há cerca de seis mil anos atrás, num Paraíso terrestre. Viver ali era um prazer, motivo pelo qual se chamava Jardim do Éden ou Paraíso de Delícias. (Gênesis 2:8, versão Matos Soares) Nossos primeiros pais humanos, o primeiro homem e a primeira mulher, eram perfeitos, tendo abundante saúde e a perspectiva de nunca morrerem. Sendo humanos, eram mortais, mas tinham diante de si a oportunidade oferecida pelo seu Criador de viver no Paraíso de Delícias por todo o tempo futuro, eternamente. Deste modo, seu Dador da vida, celestial, podia tornar-se Pai Eterno deles. Ele não planejou que morressem, por adotarem o proceder que levaria à morte. Desejou-se que vivessem eternamente como seus filhos sempiternos. Mais de três mil anos depois, expressou seus sentimentos sinceros sobre o assunto, ao dizer ao seu povo escolhido:

      “‘Acaso me agrado de algum modo na morte do iníquo’, é a pronunciação do Senhor Jeová, ‘e não em que ele recue dos seus caminhos e realmente continue a viver?’” — Ezequiel 18:23.

      3. Visto que o desejo de Deus era que a humanidade continuasse a viver no Paraíso, que pergunta se nos impõe hoje?

      3 De modo que o Criador não tinha nenhum desejo de que o casal humano inocente, no Paraíso de Delícias, se tornasse “iníquo” e merecesse morrer. Seu desejo era que continuassem a viver, sim, para ver toda a terra devidamente cheia de descendentes, tão perfeitos e felizes como eles mesmos, em relação pacífica e amorosa com seu Criador, seu Pai celestial. Hoje, porém, toda a humanidade morre, e nossa terra poluída está longe de ser um paraíso. Por que se dá isso? O Criador do homem fez com que a explicação fosse registrada na Bíblia.

      4. Por que era estranho que uma serpente se fizesse observável a alguém humano no Paraíso?

      4 No início do capítulo três do livro bíblico de Gênesis, o local é o Paraíso de Delícias. Todas as criaturas terrestres, inferiores, estavam em sujeição aos nossos primeiros pais humanos, Adão e Eva. Estes não temiam a nenhuma dessas criaturas terrestres, inferiores, nem mesmo as cobras. Sim, havia cobras ou serpentes no Paraíso de Delícias, e era interessante observá-las. Sua locomoção sem membros era maravilhosa, era manifestação da sabedoria diversificada de Deus na projeção. No entanto, eram criaturas arredias. Gênesis 3:1 faz um comentário sobre esta espécie de réptil, dizendo: “Ora, a serpente [nahhásh] mostrava ser a mais cautelosa de todos os animais selváticos do campo, que Jeová Deus havia feito.” Portanto, em vez de estar de tocaia, para ferir um humano, estava inclinada a retirar-se do contato com os humanos. Estranho, porém, era então claramente observável, quer no chão, quer numa árvore. Por quê?

      5. Por que era estranho que a serpente fizesse a Eva uma pergunta e por que não era a voz de Deus em forma indireta?

      5 “Assim”, prossegue Gênesis 3:1, “ela começou a dizer à mulher: ‘É realmente assim que Deus disse, que não deveis comer de toda árvore do jardim?’” Ora, como soube a serpente de tal coisa? Ou como podia entender isso? Também, por que nunca antes tinha falado com o marido da mulher, Adão? Como é que podia falar na língua humana? Nunca antes havia uma serpente falado com o homem, e nunca mais aconteceu isso desde então. Eva não estava imaginando que alguém falasse com ela. Não estava falando consigo mesma, na sua própria mente, apenas pensando. A voz em forma humana parecia proceder da boca da serpente. Como podia ser isso? A única outra voz, além da de seu marido Adão, que Eva havia ouvido no jardim, fora a de Deus, mas de modo direto, não por intermédio de alguma criatura animal, subumana. Por todas as evidências, segundo o que a serpente disse, a voz não era a de Deus. A voz perguntava a Eva algo sobre o que Deus disse.

      6. De que modo agiu o indagador que usou a serpente para fazer a pergunta e por que respondeu Eva?

      6 Quando Eva respondeu à pergunta, não falou àquela serpente, mas à inteligência invisível que usava a serpente assim como faz o ventríloquo. Era este orador inteligente, invisível, amigável para com Deus ou não? Por certo, o método usado pelo orador invisível em falar com Eva era enganoso, induzindo-a a pensar que fosse a serpente que falava. Aquele orador indagador ocultava sua identidade atrás duma serpente visível e assim agia de modo enganoso. No entanto, Eva não discerniu nem reconheceu que este orador, usando a serpente, estava maliciosamente tentando enganá-la. Não suspeitando nada, Eva respondeu.

      “A isso a mulher disse à serpente: ‘Do fruto das árvores do jardim podemos comer. Mas, quanto a comer do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: “Não deveis comer dele, não, nem deveis tocar nele, para que não morrais.”’” — Gênesis 3:2, 3.

      7. Onde obteve Eva a sua informação sobre a árvore no meio do Jardim?

      7 Por chamá-la de “árvore que está no meio do jardim”, Eva referia-se à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau. Mas, como chegou Eva a saber desta árvore? Deve ter sido informada por Adão como profeta de Deus. Foi a ele que Deus disse, quando Adão estava sozinho, antes da criação de Eva: “De toda árvore do jardim podes comer à vontade. Mas, quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente morrerás.” (Gênesis 2:16, 17) Segundo Eva, Deus dissera também que não se devia tocar na árvore proibida. Por isso, Eva não desconhecia a penalidade pela violação da lei de Deus. Era a morte.

      8. O que mostra se o indagador invisível pedia apenas informação?

      8 Se o orador invisível, atrás da serpente, apenas tivesse pedido informações, teria parado com a palestra, ao receber a informação. Não se declara se, nesta ocasião, a serpente estava no meio do jardim, onde se achava a árvore proibida, ou se a serpente estava no chão ou na árvore. A conversa, pelo menos, era sobre aquela “árvore que está no meio do jardim”.

      9, 10. Como se transformou o orador invisível atrás da serpente em mentiroso, Diabo e Satanás?

      9 Como podia a mera serpente saber ou ter autoridade para dizer o que Eva ouviu dela a seguir? “A isso a serpente disse à mulher: ‘Positivamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no mesmo dia em que comerdes dele, forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.” — Gênesis 3:4, 5.

      10 Com isso, o orador invisível, atrás da serpente visível, tornou-se mentiroso, porque contradisse a Jeová Deus. Ao declarar flagrantemente que Deus tinha motivação errada em proibir que Adão e Eva comessem da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, o orador invisível tornou-se caluniador, Diabo, para com Jeová Deus. Não estava amorosamente interessado na vida eterna de Eva, mas tramava causar-lhe a morte. De fato, tentava tirar-lhe o temor da morte, não da morte às mãos dele, mas da morte às mãos de Jeová Deus, pela violação de Sua ordem conhecida. O orador invisível colocou-se em oposição a Deus e desta maneira tornou-se Satanás, que quer dizer Opositor. Interessava-se em conseguir que mais alguém se opusesse a Deus e que mais alguém se colocasse do lado de Satanás. Sabemos quem era o verdadeiro proferidor de tal mentira e calúnia. Não era a serpente!

      11. Como mostrou então Eva falta de lealdade a Deus e de respeito pelo seu marido, deixando-se tentar?

      11 Infelizmente, Eva não disputou esta declaração mentirosa e caluniadora. Ela não defendeu amorosa e lealmente seu Pai celestial. Não reconheceu então a chefia de seu marido Adão sobre ela, nem se dirigiu a ele para perguntar-lhe se ele aprovava ou não a atuação egoísta dela neste assunto. Ele podia ter exposto a fraude. Mas, Eva deixou-se enganar completamente. Ficou com a idéia errônea que lhe foi apresentada por um mentiroso, caluniador e opositor de Deus, seu Pai celestial. Deixou desvanecer o temor da terrível penalidade pela desobediência. Deixou que se começasse a formar o desejo egoísta no seu coração. Deixou-se atrair e enganar por este desejo. Deus dissera que seria mau para ela e para Adão comerem do fruto proibido, mas ela decidiu determinar por si mesma o que era mau e o que era bom. Por isso, decidiu mostrar que seu Pai celestial e Deus era mentiroso. Então, olhando Eva para a árvore, esta tornou-se atraente.

      12. O que se tornou Eva inescusavelmente ao comer do fruto proibido?

      12 “Conseqüentemente, a mulher viu que a árvore era boa para alimento e que era algo para os olhos anelarem, sim, a árvore era desejável para se contemplar. De modo que começou a tomar de seu fruto e a comê-lo.” (Gênesis 3:6) Tornou-se assim transgressora contra Deus, pecadora. Ser ela totalmente enganada não a desculpava. Ela perdeu sua perfeição moral.

      13. O que deixou de fazer Adão ao comer dele, com que efeito sobre si?

      13 O marido dela não estava ali para impedir a sua ação independente. Quando ela depois se juntou a ele, precisou usar de persuasão para fazê-lo comer, porque ele de modo algum foi enganado. Ele não decidiu mostrar que aquele que falou por meio da serpente era mentiroso e vindicar a Jeová Deus, como Aquele que usava Sua Soberania universal de modo certo, benéfico. Então, o que aconteceu quando Adão participou com Eva na transgressão? Gênesis 3:6, 7, nos informa:

      “Depois deu também dele a seu esposo, quando estava com ela, e ele começou a comê-lo. Abriram-se então os olhos de ambos e começaram a perceber que estavam nus. Por isso coseram folhas de figueira e fizeram para si coberturas para os lombos.”

      14. O que levou Adão e Eva a se condenarem antes de Deus o fazer, e como agiram à aproximação dele?

      14 Tornaram-se assim “como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau”, por não mais aceitarem as normas do bem e do mal, conforme fixadas por Jeová Deus, mas por eles mesmos se tornarem juízes do que era bom e do que era mau. Apesar disso, sua consciência começou a incomodá-los. Sentiram-se expostos, precisando de coberturas. Sua nudez física não era mais um estado puro e inocente aos seus olhos, no qual devessem comparecer perante Jeová Deus. Por isso começaram a coser e a cobrir as suas partes pudendas, que Deus lhes dera para o fim honroso da reprodução da sua espécie. Desta maneira condenaram-se a si mesmos, sob o testemunho condenatório de sua própria consciência mesmo antes de o Soberano Senhor Jeová fazer isso. Portanto, lemos:

      “Mais tarde ouviram a voz de Jeová Deus que andava pelo jardim, por volta da viração do dia, e o homem e sua esposa foram esconder-se da face de Jeová Deus entre as árvores do jardim. E Jeová Deus chamava o homem e dizia-lhe: ‘Onde estás?’ Por fim, ele disse: ‘Ouvi a tua voz no jardim mas tive medo, porque estava nu, e por isso me escondi.’ A isso ele disse: ‘Quem te informou que estavas nu? Comeste da árvore de que te mandei que não comesses?’” — Gênesis 3:8-11.

      15. (a) O que mostra que não houve arrependimento da parte de Adão e Eva? (b) O que disse Deus então à serpente?

      15 Notemos agora que não houve expressão de arrependimento da parte de Adão e Eva, mas, antes, um empenho de se desculparem: A culpa cabia a outro. “E o homem prosseguiu, dizendo: ‘A mulher que me deste para estar comigo, ela me deu do fruto da árvore e por isso o comi.’ Com isso, Jeová Deus disse à mulher: ‘Que é que fizeste?’ A que a mulher respondeu: ‘A serpente — ela me enganou e por isso comi.”’ (Gênesis 3:12, 13) No entanto, as desculpas não absolviam estes transgressores deliberados. Mas, que dizer da serpente?

      “E Jeová Deus passou a dizer à serpente: ‘Porque fizeste isso, maldita és dentre todos os animais domésticos e dentre todos os animais selváticos do campo. Sobre o teu ventre andarás e pó é o que comerás todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre o teu descendente e o seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.’” — Gênesis 3:14, 15, NM; Almeida, atualizada; Trinitariana; Liga de Estudos Bíblicos.

      16, 17. (a) A quem se aplicavam realmente as palavras de à Deus a serpente? (b) A que comparou um escritor do primeiro século tal rebaixamento?

      16 Esta não foi uma maldição sobre toda a família dos ofídios. Evidentemente, as palavras de Deus foram dirigidas àquela única serpente literal, mas Ele sabia que ela apenas havia sido vítima para servir de instrumento de alguém invisível, sobre-humano, espiritual, que até então havia sido filho celestial, obediente, de Deus. Esse também se havia deixado atrair e engodar por um desejo egoísta. Era o desejo de exercer a soberania sobre a humanidade, independente da soberania universal de Jeová. Deixou que este desejo se arraigasse no coração e o cultivou, até que se tornou fértil e produziu a transgressão, a rebelião contra o Soberano Senhor Jeová. Este transgressor espiritual tornou-se assim mentiroso, caluniador ou Diabo, e Opositor ou Satanás, ali mesmo no Paraíso de Delícias.

      17 Conforme sugerido pelo rebaixamento sentenciado para aquela serpente vitimada, Deus rebaixou este recém-surgido mentiroso, Diabo e Satanás. Um dos comentadores bíblicos do primeiro século comparou este rebaixamento a ‘lançar Satanás no Tártaro’, um estado reprovado de escuridão espiritual, sem esclarecimento da parte de Deus. — 2 Pedro 2:4.

      PREDITO O UNGIDO DE DEUS

      18. Que coisa nova foi anunciada ali, com que particularidades?

      18 Jeová Deus formou ali um novo propósito e o anunciou. Havia surgido o mentiroso Satanás, o Diabo, e tornou-se então o propósito de Deus suscitar um Ungido, um Mashíahh (maxiah; Messias), segundo a língua de Adão. (Daniel 9:25) Deus falou deste Ungido, deste Messias, como sendo o “descendente” da “mulher”. Deus poria inimizade entre este Ungido e Satanás, o Diabo, então simbolizado pela serpente. Esta inimizade viria a existir também entre o Ungido e o “descendente” da Grande Serpente.

      19. (a) Em que conflito resultaria esta “inimizade”? (b) Por que teria de ser celestial o Ungido do propósito de Jeová?

      19 A predita inimizade havia de resultar numa batalha que teria efeitos dolorosos, mas acabaria em vitória para o “descendente” da “mulher”. Igual a uma serpente que ataca o calcanhar (Gênesis 49:17), a Grande Serpente, Satanás, o Diabo, causaria um ferimento no calcanhar do “descendente” da mulher. Este ferimento no calcanhar não seria fatal. Sararia, habilitando o “descendente” da mulher a machucar fatalmente a cabeça da Grande Serpente. Assim pereceria a Grande Serpente, e com ela o seu “descendente”. O ponto vital a notar sobre este conflito é o seguinte: Para que o “descendente” da mulher pudesse machucar e esmagar a cabeça da Grande Serpente, Satanás, o Diabo, o “descendente” da mulher teria de ser uma pessoa espiritual, celestial, não mero filho humano duma mulher na terra. Por quê? Porque a Grande Serpente é uma pessoa espiritual, sobre-humana, filho celestial rebelde, de Deus. O mero “descendente” humano duma mulher terrestre não seria bastante poderoso para destruir o invisível Satanás, o Diabo, no domínio espiritual. Portanto, o Ungido do propósito de Jeová tem de ser um Messias celestial.

      20. Então, quem é a “mulher” de Gênesis 3:15?

      20 Então, que dizer da “mulher” cujo “descendente” é o Ungido ou Messias? Ela também teria de ser celestial. Assim como a serpente que foi sentenciada a ter a cabeça esmagada não foi aquela serpente literal usada para enganar Eva, assim a “mulher” da profecia de Jeová, em Gênesis 3:15, não foi uma mulher literal na terra. A própria Eva foi transgressora da lei de Deus e engodadora de seu marido, Adão, à transgressão. Portanto, ela mesma não era digna de ser a própria mãe do “descendente” prometido. A “mulher” da profecia de Deus tinha de ser uma mulher simbólica. É exatamente como quando Jeová fala de seu povo escolhido como sendo sua esposa, sua mulher, dizendo-lhes: “Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o SENHOR; porque eu sou o vosso esposo.” (Jeremias 3:14; 31:32, Almeida, atualizada) De maneira similar, a organização celestial de Deus, de santos anjos é como uma esposa para Jeová Deus, e ela é a mãe celestial do “descendente”. Ela é “a mulher”. É entre esta “mulher” e a Serpente que Deus põe inimizade.

      O PROPÓSITO ORIGINAL NÃO FRACASSARÁ

      21. Fracassaria o propósito original de Deus com respeito à terra por causa do surgimento da transgressão?

      21 Que dizer, porém, do propósito de Deus a respeito da terra, conforme declarado a Adão e Eva, no fim do sexto “dia” criativo? Fracassaria então, por causa da transgressão de Eva e Adão, que lhes mereceu a morte? Este propósito original era de ter toda a superfície da terra transformada em Paraíso, povoada pelos descendentes dos primeiros e originais homem e mulher na terra, Adão e Eva. Fracasso é algo que não pode acontecer com o propósito declarado de Deus. Nem Satanás, o Diabo, é capaz de fazer fracassar o propósito de Deus e desonrá-lo. Que o propósito original de Deus ainda prosseguia para o cumprimento triunfante é indicado no que Jeová Deus, o Juiz Supremo, disse então à mulher Eva.

      22. (a) Por quem devia continuar a povoação da terra? (b) Era razoável crer que machucar a cabeça da Serpente resultaria em benefício para a humanidade?

      22 “À mulher ele disse: ‘Aumentarei grandemente a dor da tua gravidez; em dores de parto darás à luz filhos, e terás desejo ardente de teu esposo, e ele te dominará.”’ (Gênesis 3:16) Isto significava que se permitiria a produção de mais habitantes da terra, por este casal humano original. Isto tem continuado até agora, e hoje se fala com preocupação sobre uma “explosão demográfica”. Visto que a Grande Serpente, Satanás, o Diabo, havia causado que a morte sobreviesse a todos os descendentes do primeiro casal humano, evidentemente, machucar a “cabeça” desta Grande Serpente havia de resultar em proveito daqueles descendentes que haviam sido prejudicados pela sua transgressão. Mas como? Isto era algo que Jeová Deus esclareceria no tempo devido. Contribuiria para o bom êxito de Seu propósito original.

      23-25. (a) Quando se proferiu a sentença de morte sobre Adão, por causa de sua transgressão? (b) De que modo, pois, havia de morrer Adão no dia em que comesse da árvore proibida, e que dizer de sua descendência?

      23 Então, por fim chegou a vez do homem, o terceiro na ordem da transgressão. Deus dissera-lhe que no dia em que comesse do fruto proibido positivamente morreria. (Gênesis 2:17) Para que a esposa dele, Eva, desse à luz filhos em dores de parto, seria necessário que Adão continuasse a viver como esposo dela e pai de seus filhos. Portanto, como se cumpriu aquilo a respeito de que Deus o advertira?

      24 Gênesis 3:17-19 esclarece isso: “E a Adão ele disse: ‘Porque escutaste a voz de tua esposa e foste comer da árvore a respeito da qual te ordenei, dizendo: “Não deves comer dela”, maldito é o solo por tua causa. Em dor comerás dos seus produtos todos os dias da tua vida. E ele fará brotar para ti espinhos e abrolhos, e terás de comer a vegetação do campo. No suor do teu rosto comerás pão, até que voltes ao solo, pois dele foste tomado. Porque tu és pó e ao pó voltares.”’ Com tais palavras judiciais, Jeová Deus proferiu a sentença de morte do transgressor, e isto dentro do mesmo dia em que Adão transgrediu.

      25 Judicialmente, do ponto de vista de Deus, Adão morreu naquele mesmo dia, bem como sua esposa transgressora, Eva. Cortou-se de ambos a oportunidade e a perspectiva de viverem para sempre em felicidade no Paraíso de Delícias. Ele estava então morto na sua própria transgressão. Portanto, só podia transmitir aos seus descendentes por Eva uma existência morredoura e a condenação, por causa da imperfeição humana, herdada. Todos os seus descendentes teriam de dizer, conforme disse o salmista Davi, milhares de anos depois: “Eis que em erro fui dado à luz com dores de parto, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Salmo 5:1-5) Deus pode dizer a toda a humanidade pecadora, assim como ele disse ao seu povo escolhido: “Teu próprio pai, o primeiro, pecou.” (Isaías 43:27) Toda a humanidade morreu em Adão no dia em que o Juiz Supremo proferiu sentença contra ele, por causa de seu pecado. Depois de Adão ser sentenciado, não podia escapar da morte física.

      26. Mesmo que se encare um “dia” como sendo de mil anos, como morreu Adão no dia de sua transgressão e o que deixou de ser?

      26 O “livro da história de Adão” nos diz bem apropriadamente: “Ele se tornou pai de filhos e de filhas. De modo que todos os dias que Adão viveu somaram novecentos e trinta anos, e morreu.” (Gênesis 5:1-5) Viveu setenta anos menos que mil anos. Nenhum de seus descendentes viveu mil anos inteiros, sendo que o mais velho, Metusalém, viveu apenas novecentos e sessenta e nove anos. (Gênesis 5:27) Mesmo encarando mil anos do ponto de vista de Deus como um só dia, Adão morreu dentro do primeiro “dia” milenar da existência da humanidade. Para onde foi na morte física? Nem mesmo a sua “alma” (néfes) havia sido tomada do céu, e ele não ‘voltou’ para lá. Voltou para o pó do solo porque, conforme Deus dissera, Adão havia sido tomado dele. Deixou de ser então uma “alma vivente”. (Gênesis 2:7) Deixou de existir. Quando sua esposa Eva sofreu a morte física, ela também deixou de ser uma “alma vivente”. Não havia alma para continuar a viver para todo o sempre, conforme dizia a mitologia religiosa, babilônica.

      PERDA DO PARAÍSO

      27. A que parte da terra aplicava-se a maldição sobre o solo, e o que significava para Adão e Eva trabalharem o solo amaldiçoado?

      27 A fraseologia da sentença de Deus sobre Adão, especialmente as palavras “maldito é o solo”, significava que Adão perderia o Paraíso. Ele o perdeu. O Paraíso não foi amaldiçoado por causa da transgressão de Eva e Adão; continuou a ser um lugar de vida, contendo ainda a “árvore da vida”. Gênesis 3:20-24 nos informa:

      “Depois disso, Adão chamou a sua esposa pelo nome de Eva, porque ela havia de tornar-se a mãe de todos os viventes. E Jeová Deus passou a fazer vestes compridas de peles para Adão e para a sua esposa, e a vesti-los. E Jeová Deus prosseguiu dizendo: ‘Eis que o homem se tem tornado como um de nós, sabendo o que é bom e o que é mau, e agora, a fim de que não estenda a sua mão e tome realmente também do fruto da árvore da vida, e coma, e viva por tempo indefinido . . .’ Com isso, Jeová Deus o pôs para fora do jardim do Éden para lavrar o solo de que tinha sido tomado. E expulsou assim o homem e colocou ao oriente do jardim do Éden os querubins e a lâmina chamejante duma espada que se revolvia continuamente para guardar o caminho para a árvore da vida.”

      28. Por que não era mais possível a Adão viver por tempo indefinido?

      28 Tendo o poder da morte, Jeová Deus pôs o homem fora do alcance da árvore da vida, a fim de impor a pena de morte a Adão. A esposa de Adão acompanhou seu marido, para se tornar mãe dos filhos dele. O registro não indica se Deus expulsou a serpente que fora usada para tentar Eva. Adão e Eva não tinham mais a possibilidade de vida por tempo indefinido.

      29. (a) Como pôs Deus então “inimizade” entre a “mulher” e a “serpente”? (b) Que efeito teve o propósito anunciado de Deus sobre o seu propósito original para com a terra, e por que podemos agora alegrar-nos?

      29 Não há registro de que, fora do jardim do Éden, Eva criasse seus filhos com ódio das serpentes. Mas a organização celestial de Deus, de santos anjos, a verdadeira “mulher” a que se refere a profecia de Gênesis 3:15, imediatamente começou a odiar a Grande Serpente, Satanás o Diabo. A organização semelhante a uma mulher foi induzida a isso pelo amor a Jeová Deus, como seu marido celestial. Deus pôs realmente inimizade entre Sua “mulher” e a Grande Serpente. Estava dentro do propósito de Jeová Deus fixar quando ela daria à luz o “descendente” que machucaria a cabeça da Grande Serpente. Ele havia então formado seu propósito quanto ao seu Ungido, seu Messias, e havia divulgado este fato ao céu e à terra, agora já há cerca de seis mil anos atrás. Isto foi eras de tempo atrás. Este propósito adicional reforçou o propósito original de Deus quanto a uma terra paradísica e tornou certo seu cumprimento. O Deus imutável ainda se apega a este propósito anunciado quanto ao seu Ungido, Seu Messias. Podemos alegrar-nos muito de que triunfa agora para o bem do homem.

  • A vida humana fora do paraíso até o Dilúvio
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 6

      A vida humana fora do paraíso até o Dilúvio

      1. Que aspecto a respeito do “descendente” de seu propósito tornou Deus conhecido, suscitando que pergunta?

      COM o passar do tempo, o Benfeitor celestial do homem divulgou uma particularidade de seu “propósito eterno” que sensibiliza nosso coração. É que o proposto “descendente” de sua “mulher” celestial teria existência temporária na terra entre a humanidade. Isto suscita logo a pergunta na mente: Visto que o “descendente” nasceria na nossa raça humana, então, na descendência de quem, de Adão e Eva, viria o “descendente”?

      2. A que limitou Deus principalmente o conteúdo da Bíblia, e por que precisamos estudar a Bíblia?

      2 A história da descendência humana do “descendente” é algo importante para sabermos. A história dos povos e das nações, que não têm nada que ver com a vida deste “descendente”, não é indispensavelmente importante ou valiosa. Por isso, Jeová Deus limitou o conteúdo da Bíblia Sagrada principalmente a nos informar sobre o desenvolvimento da genealogia deste “descendente”. Obtendo conhecimento desta história bíblica, poderemos identificar quem é este “descendente” que machucaria a Serpente, e não nos exporemos a ser enganados ou confundidos por um embusteiro, um descendente falso. A fraude poderia levar-nos à destruição eterna. O Grande Enganador, que conseguiu fazer passar um engano mentiroso no jardim do Éden e que está em inimizade com o verdadeiro “descendente”, ainda pratica seus velhos truques. Ele gostaria de enganar a todos nós para nos afastarmos do “descendente” do “propósito eterno” de Deus. Por isso precisamos estudar a Bíblia.

      3. Quem foi o primogênito de Adão, e, por isso, que pergunta surge sobre Sete, filho de Adão?

      3 Na Bíblia hebraica, os dois livros de Crônicas são alistados por último, não o sendo o livro profético de Malaquias. Ora, se abrirmos o primeiro livro de Crônicas, notaremos que começa com a genealogia de dez gerações depois de Adão, como segue: “Adão, [1] Sete, [2] Enos, [3] Quenã, [4] Malalel, [5] Jarede, [6] Enoque, [7] Metusalém, [8] Lameque, [9] Noé, [10] Sem, Cã e Jafé.” (1 Crônicas 1:1-4) Sete não foi o primogênito de Adão fora do Paraíso de Delícias. Caim o foi, e Abel foi o próximo filho mencionado de Adão e Eva. (Gênesis 4:1-5) Então, por que se alista Sete na genealogia até Noé?

      4. O que mostra que Deus não planejou que Sete fosse o primeiro alistado na descendência de Adão?

      4 Será que Jeová Deus o planejou assim? Não, porque isto significaria que Deus planejou que Caim assassinasse seu irmão mais moço Abel e assim se desqualificasse de ser aquele por meio de quem a humanidade hoje pode derivar a sua linhagem. Deus tampouco planejou que Abel, por um assassinato vil, fosse cortado prematuramente da vida, antes de ter o descendente necessário, e que Sete o substituísse assim. (Gênesis 4:25) Que Deus não planejou o assassinato de Abel, a fim de fazer lugar para Sete, é evidente da advertência que Deus deu a Caim, para que não fosse vítima de grave pecado, por ressentir-se de que sua oferta a Deus fora rejeitada mas o sacrifício de seu irmão Abel fora aceito. — Gênesis 4:6, 7.

      5, 6. Nascer Sete à semelhança e imagem de Adão significava para ele o que, e como mostrou ele reconhecimento disso por chamar seu filho de Enos?

      5 Não, Jeová Deus não o planejou assim, mas levou muito tempo antes de nascer um filho varão a Adão, através de cuja descendência se chegasse até o nascimento do prometido “descendente”, o Messias, na carne. A demora do começo da descendência favorecida de Adão é mostrada em Gênesis 5:3, onde lemos: “E Adão viveu cento e trinta anos. Tornou-se então pai dum filho à sua semelhança, à sua imagem, e chamou-o pelo nome de Sete.” Sendo à semelhança e imagem de Adão, ou sendo da espécie de Adão, Sete era imperfeito, tendo herdado o pecado e estando assim sob a condenação à morte. O reconhecimento disso parece salientado no nome que Sete deu ao seu filho, sobre quem lemos: “E a Sete nasceu também um filho e ele passou a chamá-lo pelo nome de Enos.” (Gênesis 4:26) O nome tem o sentido de “doentio, mórbido, incurável”.

      6 Em harmonia com isso, a palavra hebraica enósh, quando não usada como nome próprio, é traduzida “homem mortal”. Por exemplo, quando o muito afligido Jó disse: “Que é o homem mortal [em hebraico: enósh], que o faças crescer, e que fixes nele teu coração?” — Veja Jó 7:17; 15:14; também o Salmo 8:4; 55:13; 144:3; Isaías 8:1.

      7-9. (a) Que prática religiosa iniciou-se nos dias de Enos? (b) O que indica se esta prática era proveitosa para o homem ou não?

      7 O tempo de vida do neto de Adão, Enos, foi assinalado por algo notável, trazido à nossa atenção em Gênesis 4:26, que diz com referência ao nascimento de Enos, filho de Sete: “Naquele tempo se principiou a invocar o nome de Jeová.” Enos nasceu quando Sete tinha cento e cinco anos de idade, o que significa que foi duzentos e trinta e cinco anos depois da criação de Adão. (Gênesis 5:6, 7) Naquele tempo, a população humana da terra já havia aumentado pelo casamento de muitos dos filhos de Adão com as filhas dele e pelos casamentos entre seus descendentes. Foi este começo da ‘invocação do nome de Jeová’ entre esta crescente população algo favorável à humanidade e em honra de Deus? Foi o que os hodiernos evangelistas gostam de chamar de “reavivamento religioso”? A antiga Versão dos Setenta (ou Septuaginta) grega, feita por judeus de Alexandria, no Egito, traduz esta passagem hebraica: “E Sete teve um filho, e chamou-o pelo nome de Enos: ele esperava invocar o nome do Senhor Deus.” — Gênesis 4:26, LXX, edição inglesa de S. Bagster and Sons Limited.

      8 A tradução inglesa da Bíblia de Jerusalém expressa uma idéia similar, dizendo: “Este homem foi o primeiro a invocar o nome de Iavé.” (Figueiredo) Mas tal tradução não toma em consideração a adoração aceitável que o fiel Abel prestou a Jeová antes de ser assassinado pelo ciumento Caim. Quanto à Versão Brasileira (ed. 1947), ela reza: “Foi nesse tempo que os homens começaram a invocar o nome de Jeová.” (Veja também a versão do Pontifício Instituto Bíblico.) No entanto, o antigo Targum Palestino dá ao assunto um aspecto desfavorável. A famosa versão Rashi (Rabino Shelomoh Yitschaki, de 1040-1105 E.C.) verte Gênesis 4:26: “Houve então a invocação profana do Nome do Senhor.” Quer dizer, atribuíram-se a homens e a objetos inanimados as qualidades de Jeová e eles foram chamados concordemente. Isto significa que começou então a idolatria com o nome de Jeová.

      9 Que a invocação do nome de Jeová não foi feita como algo de acordo com Deus é indicado pelo fato de que foi só trezentos e oitenta e sete anos depois do nascimento de Enos que nasceu um homem que recebeu o reconhecimento de Deus. Este era Enoque.

      ANDANDO COM DEUS FORA DO PARAÍSO

      10. Dizer-se que Enoque andou com o verdadeiro Deus teve que reflexo sobre o seu pai Jarede, que viveu mais tempo?

      10 A respeito deste trineto de Enos, que nasceu em 3404 A. E. C. (ou em A. M. 622), está escrito: “E Enoque viveu sessenta e cinco anos. Tornou-se então pai de Metusalém. E depois de gerar Metusalém, Enoque prosseguiu andando com o verdadeiro Deus trezentos anos. Entrementes ele se tornou pai de filhos e de filhas. De modo que todos os dias de Enoque somaram trezentos e sessenta e cinco anos.” (Gênesis 5:21-23) Esta foi uma vida comparativamente curta para Enoque, cujo pai, Jarede, viveu novecentos e sessenta e dois anos e cujo filho Metusalém viveu novecentos e sessenta e nove anos, tornando-se o homem mais velho de que há registro. Contudo, Enoque “andou com o verdadeiro Deus”. Isto não se dizia de seu pai, Jarede, que viveu ainda oitocentos anos depois do nascimento de Enoque. (Gênesis 5:18, 19) Evidentemente, pois, a fé que Jarede tinha não se comparava com a fé que Enoque tinha em Deus, e ele não andava segundo a vontade ou o propósito anunciado de Deus.

      11. Que profecia proferiu Enoque, e que condição do povo deve ter criticado?

      11 Relata-se de modo fidedigno que Enoque foi profeta do Verdadeiro Deus. Numa carta escrita no primeiro século E. C. escreveu-se: “Sim, o sétimo homem na linhagem de Adão, Enoque, profetizou também a respeito deles, dizendo: ‘Eis que Jeová veio com as suas santas miríades, para executar o julgamento contra todos e para declarar todos os ímpios culpados de todas as suas ações ímpias que fizeram de modo ímpio, e de todas as coisas chocantes que os pecadores ímpios falaram contra ele.’” (Judas 14, 15, NM ed. ingl.) Esta profecia, sem dúvida, criticava as condições religiosas existentes lá nos dias de Enoque. Senão, que base haveria para se proferir tal profecia inspirada, advertindo a respeito do vindouro julgamento de todos os ímpios por Jeová, como sendo tão certo como se já tivesse ocorrido? Visto que Enoque não era um dos ímpios dos seus dias, Deus podia usá-lo como proferidor de profecia. Embora vivesse fora do Paraíso guardado por querubins, que ainda existia nos dias de Enoque ele “prosseguiu andando com o verdadeiro Deus”.

      12, 13. Segundo o pensamento judaico, e o da cristandade, para onde foi levado Enoque?

      12 Então, por que teve Enoque uma vida comparativamente tão curta para aqueles tempos? Gênesis 5:24 nos informa: “E Enoque andou com o verdadeiro Deus. Depois não era mais, porque Deus o tomou.”

      13 É provável que Enoque estivesse em sérios apuros quando Deus o tomou. Será que os inimigos de Enoque ameaçavam matá-lo e que Deus, por isso, tirou-o do cenário para poupá-lo a uma morte violenta? Não o sabemos. Surge a pergunta: Para onde o tomou Deus? Certo pensamento judeu é que Deus o levou para o céu. Isto se pensa até mesmo hoje na cristandade. Por exemplo, numa carta escrita aos hebreus no primeiro século E. C., fez-se um comentário sobre Enoque, e este é o modo em que Hebreus 11:5 foi vertido em inglês na Nova Tradução da Bíblia, pelo Dr. James Moffatt, deste século: “Foi pela fé que Enoque foi levado para o céu, de modo que nunca morreu (não foi vencido pela morte, porque Deus o havia tomado).” A Nova Bíblia Inglesa reza aqui: “Pela fé Enoque foi arrebatado para outra vida sem passar pela morte; não foi encontrado, porque Deus o havia tomado. Pois, o testemunho da Escritura é que, antes de ele ser tomado, havia agradado a Deus.” — Veja a versão católica da Liga de Estudos Bíblicos; também A Bíblia na Linguagem de Hoje.

      14. O que mostra se ‘andar com Deus’ deu a Enoque o direito de ser levado ao céu?

      14 No entanto, o Salmo 89:48 faz a pergunta: “Que varão vigoroso vive que não verá a morte? Pode ele pôr a sua alma a salvo da mão do Seol?” Também, Enoque havia recebido do pecador Adão a herança da morte e assim ele também era obrigado a morrer, apesar de andar com o verdadeiro Deus. Mais tarde, escreveu-se sobre o bisneto de Enoque, que ele também “andou com o verdadeiro Deus”; contudo, este não teve a sua vida abreviada. Viveu mais do que Adão — novecentos e cinqüenta anos, cinqüenta menos do que mil anos. (Gênesis 6:9; 9:28, 29) Por conseguinte, andar Enoque com Deus por menos tempo do que seu bisneto não o habilitou a ir para o céu ou para outra vida, assim como tampouco andar Noé com Deus por tanto tempo o habilitou para tal coisa.

      15. Então, de que modo talvez fosse Enoque transferido para não ver a morte?

      15 O profeta Moisés morreu à idade de cento e vinte anos e Deus o enterrou de modo que nenhum homem até hoje, sabe onde Moisés está enterrado. (Deuteronômio 34:5-7) De maneira que Deus removeu Enoque repentinamente do cenário de seus contemporâneos, e não se sabe onde Enoque morreu ou de qualquer sepultura dele. Não teve morte violenta às mãos de seus inimigos. Sendo profeta, pode ser que, enquanto estava em transe profético, ele tivesse uma visão da nova ordem de coisas de Deus, na qual Deus “realmente tragará a morte para sempre”. (Isaías 25:8) Enoque esperava viver nesta nova ordem numa terra paradísica. Enquanto Enoque estava sob o poder de tal visão, de onde a humanidade será aliviada da morte, pela provisão misericordiosa de Deus, Deus pode tê-lo tirado do cenário e terminado sua vida presente, de modo que Enoque não se apercebeu da morte. Desta maneira maravilhosa se pode ter cumprido o que está escrito em Hebreus 11:5:

      “Pela fé Enoque foi transferido para não ver a morte, e não foi achado em parte alguma, porque Deus o havia transferido; pois, antes de sua transferência, ele teve o testemunho de que agradara bem a Deus” — Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.

      OS DIAS ANTES DO DILÚVIO

      16. Como calculamos que Adão e Metusalém se conheciam?

      16 O filho de Enoque, Metusalém, nasceu 969 anos antes do dilúvio global, e ele morreu assim no ano do Dilúvio. Embora Metusalém fosse o oitavo na descendência de Adão, será que ele conhecia Adão, seu primeiro pai humano? Sim. Adão foi criado 1.656 anos antes do Dilúvio. Viveu 930 anos. Se acrescentarmos sua idade à de Metusalém, obtemos 1.899 anos. Subtraindo deste total 1.656 anos, restam 243 anos. De modo que a vida de Adão e a vida de Metusalém coincidiram durante 243 anos. — Gênesis 5:5, 21, 25-27.

      17. Que profecia deu Lameque, filho de Metusalém, ao nascer Noé, e por que era este nome apropriado?

      17 Metusalém viveu o bastante para ouvir as advertências proclamadas sobre o vindouro dilúvio global, e ele quase viu a terminação dos preparativos feitos para alguns da humanidade sobreviverem àquela catástrofe mundial. Pôde ver seu neto Noé pregar a justiça e preparar os meios para a sobrevivência humana. Dentre todos os filhos de Metusalém, foi Lameque quem se tornou pai de Noé. Foi por ocasião do nascimento de Noé que Lameque foi inspirado a fazer uma profecia a respeito dele. Esta revelava que Deus se propunha usar o filho de Lameque, Noé. Lemos sobre isso: “E Lameque viveu cento e oitenta e dois anos. Tornou-se então pai dum filho. E passou a chamá-lo pelo nome de Noé, dizendo: ‘Este nos trará consolo do nosso trabalho e da dor das nossas mãos, que resulta do solo que Jeová amaldiçoou.’” Lameque viveu até cinco anos antes do Dilúvio. (Gênesis 5:27-31) O nome Noé estava em harmonia com a profecia de Lameque, porque significa “Descanso” e dá a entender consolo derivado do descanso. Havia de ser levantada a maldição que Deus proferiu sobre o solo, amaldiçoado por Ele por causa da transgressão de Adão. — Gênesis 3:17

      18. Em que ponto da vida de Noé começou o dilúvio e depois terminou?

      18 O dilúvio veio no sexcentésimo ano da vida de Noé e continuou até o seu sexcentésimo primeiro ano de vida. (Gênesis 7:11; 8:13; 7:6) A catástrofe mundial que ocorreu nos dias de Noé prefigurou uma catástrofe mundial maior que em breve ocorrerá dentro de nossa geração, e por este motivo merece ser considerada por nós. — Provérbios 22:3.

      19. De que modo era Noé semelhante a Enoque no seu proceder na vida?

      19 Noé, que nasceu em 2970 A. E. C. (A. M. 1056), permaneceu durante séculos sem filhos: “E Noé veio a ter quinhentos anos de idade. Depois, Noé se tornou pai de Sem, Cá e Jafé.” (Gênesis 5:32) Que espécie de atuação teve Noé mesmo antes de se tornar pai? “Esta é a história de Noé. Noé era homem justo. Mostrou ser sem defeito entre os seus contemporâneos. Noé andou com o verdadeiro Deus.” (Gênesis 6:9, 10) Portanto, Noé era igual a Enoque.

      20. Por que surge uma pergunta a respeito dos “filhos do verdadeiro Deus”, relatados como estando na terra nos dias de Noé?

      20 Embora Noé fosse descendente de Sete e de Enoque e também “andou com o verdadeiro Deus”, contudo, Noé não foi chamado ‘filho do verdadeiro Deus’. Se ele não foi chamado assim, quem mais, dos descendentes do pecador Adão, na terra, naqueles dias, podia ser chamado assim? Então, quem foram aqueles sobre os quais se relata que apareceram na terra nos dias de Noé, a respeito dos quais lemos agora? “Ora, sucedeu que, quando os homens principiaram a aumentar em número na superfície do solo e lhes nasceram filhas, então os filhos do verdadeiro Deus começaram a notar as filhas dos homens, que elas eram bem parecidas; e foram tomar para si esposas, a saber, todas as que escolheram. Depois disso, Jeová disse: ‘Meu espírito não há de agir por tempo indefinido para com o homem, porquanto ele é carne. Concordemente, seus dias hão de somar cento e vinte anos.’” — Gênesis 6:1-3.

      21. Quem eram estes “filhos do verdadeiro Deus” e o que passaram a desejar?

      21 Aqueles “filhos do verdadeiro Deus” devem ter sido anjos do céu, que até aquele tempo fizeram parte da organização celestial de Jeová, de santos “filhos do verdadeiro Deus”, da “mulher” simbólica de Jeová, que se havia de tornar mãe do “descendente” prometido. Na fundação da terra para a habitação humana, haviam observado a obra criativa de Jeová e bradado em aplauso. (Jó 38:7; Gênesis 3:15) Observando o casamento praticado na humanidade, especialmente envolvendo mulheres bonitas, eles mesmos passaram a desejar uma vida sexual na terra, com mulheres para si mesmos.

      22. Como satisfizeram estes “filhos do verdadeiro Deus” seu desejo e assim pecaram?

      22 Como podiam eles, quais criaturas espirituais, ter relações com mulheres de carne, na terra? Por materializarem corpos carnais, quais homens desejáveis, e tomarem mulheres humanas, tendo relações sexuais com elas. Visto que o Criador e Pai celestial havia autorizado o casamento entre criaturas terrestres, carnais, da mesma natureza, não entre criaturas espirituais e criaturas humanas, carnais, estes “filhos do verdadeiro Deus” não vieram nem se materializaram quais homens de carne para servir como mensageiros de Jeová Deus, comissionados e enviados por Ele. Passaram a causar uma confusão de naturezas — espiritual e humana, celestial e terrena. (Levítico 18:22, 23) Era evidente que aqueles “filhos do verdadeiro Deus” estavam pecando.

      23. Com que espírito agira Deus por muito tempo para com a humanidade pecadora, mas o que declarou então?

      23 Então já haviam passado mais de mil anos desde a rebelião de Adão no Éden contra a soberania universal de Jeová Deus. Jeová havia agido com espírito de paciência e longanimidade para com a humanidade pecadora, porque já mesmo nos dias do bisavô de Noé, Enoque, a humanidade em geral se havia tornado notoriamente ‘ímpia’. E entravam então numa nova forma de corrupção moral e perversão sexual, pelos casamentos entre mulheres e anjos materializados. Merecia chegar o tempo em que o Criador paciente deixasse de agir com espírito de tolerância e refreio para com a humanidade, que degradava a si mesma. Plenamente justificado, Deus declarou por fim: “Meu espírito não há de agir por tempo indefinido para com o homem, porquanto ele é carne. Concordemente, seus dias hão de somar cento e vinte anos.” — Gênesis 6:3.

      24. (a) Estabelecia Deus ali o limite da idade do homem, como no caso de Moisés? (b) O que começou então e por que era uma concessão generosa de tempo?

      24 Isto não era uma limitação da idade do homem, como no caso do profeta Moisés, o qual chegou a viver até à idade de cento e vinte anos. Era um decreto divino de que o mundo ímpio da humanidade teria apenas mais cento e vinte anos de existência até o dilúvio global. De modo que este decreto divino foi divulgado em A. M. 1536 ou em 2490 A. E. C. Significava que então começara o “tempo do fim” daquele mundo ímpio dos dias de Noé. O Deus de propósito fixou o tempo disso. Embora não tivesse planejado que acontecesse uma coisa tão chocante, no caso dos “filhos do verdadeiro Deus”, ainda exercia pleno domínio e podia cuidar desta contingência. Ele é todo-sábio e todo-poderoso. Foi muita consideração sua permitir um período tão extenso, antes do fim daquele mundo ímpio. Por quê? Porque o decreto divino foi emitido vinte anos antes de Noé se tornar pai; no entanto, permitiu-lhe ter três filhos e que estes crescessem e se casassem, juntando-se a seu pai em fazer os devidos preparativos para a sobrevivência ao dilúvio ameaçador. — Gênesis 5:32; 7:11.

      OS NEFILINS

      25, 26. Como foram chamados os descendentes dos casamentos de anjos com mulheres, e por quê?

      25 Os dias do casamento entre os apaixonados “filhos do verdadeiro Deus” e as mulheres estavam contados. Mas, era possível haver descendentes desta confusão de naturezas entre espíritos materializados e criaturas fêmeas, carnais, com faculdades procriativas? Gênesis 6:4 nos fornece os fatos em resposta:

      “Naqueles dias veio a haver os nefilins na terra, e também depois, quando os filhos do verdadeiro Deus continuaram a ter relações com as filhas dos homens e elas lhes deram filhos; eles eram os poderosos da antiguidade, os homens de fama.”

      26 Os filhos destes casamentos mistos eram híbridos e eram chamados nefilins. Este nome significa “derrubadores”, indicando que estes poderosos filhos híbridos talvez derrubassem violentamente os outros ou fizessem homens mais fracos cair. Levou bastante tempo para estes nefilins serem concebidos e dados à luz, e depois crescerem para empreender sua carreira violenta. Sendo híbridos, normalmente não poderiam reproduzir sua espécie mista.

      27. O que se propôs Deus eliminar da face da terra, e por quê?

      27 A família humana não foi beneficiada pela mistura dos desobedientes e materializados “filhos do verdadeiro Deus” de forma tão íntima com os humanos. “Por conseguinte, Jeová viu que a maldade do homem era abundante na terra e que toda inclinação dos pensamentos do seu coração era só má, todo o tempo. E Jeová deplorou ter feito os homens na terra e sentiu-se magoado no coração. De modo que Jeová disse: ‘Vou obliterar da superfície do solo os homens que criei, desde o homem até o animal doméstico, até o animal movente e até a criatura voadora dos céus, porque deveras deploro tê-los feito.’ Mas Noé achou favor aos olhos de Jeová.” (Gênesis 6:5-8) Jeová deplorou que o homem a quem Ele havia criado tivesse decaído tanto em sentido moral e espiritual. Era deplorável ter homens de tais personalidades degradantes na terra. Estes eram os que Ele se propôs eliminar da terra, mas não a raça humana, da qual Noé era membro justo.

      28. Por que podemos hoje ser gratos de que Deus se propôs acabar com o estado antediluviano de violência na terra?

      28 Em flagrante contraste com Noé e sua família, “a terra veio a estar arruinada à vista do verdadeiro Deus, e a terra ficou cheia de violência. Deus viu, pois, a terra e eis que estava arruinada, porque toda a carne havia arruinado seu caminho na terra”. (Gênesis 6:11, 12) Naqueles dias antes do Dilúvio, o mundo da humanidade havia entrado numa era de violência. Atualmente, o mundo entrou numa “era de violência”, conforme é chamada pelos observadores, desde o ano de 1914 E.C., ano em que irrompeu a Primeira Guerra Mundial com toda a sua violência. Por isso, poderemos perguntar: Qual seria a condição do mundo hoje em dia, se o Deus Todo-poderoso tivesse deixado que aquela “era de violência” antes do Dilúvio continuasse sem interrupção? Estremecemos só de pensar nas possibilidades. A terra, já há muito tempo atrás, teria ficado um lugar perigoso demais para se viver. Podemos ser gratos de que Deus se propôs interromper aquela “era de violência” antediluviana.

      UM MUNDO ACABA, UMA RAÇA SOBREVIVE

      29. Com que propósito de Deus para com a terra harmonizavam-se as instruções de Jeová a Noé?

      29 Jeová Deus apegou-se ao seu propósito original, de ter a terra plenamente habitada pelos descendentes do primeiro homem e da primeira mulher, em condições paradísicas. Também, era preciso preservar a linhagem que levaria à produção do Messias. Em harmonia com isso, Jeová mandou que o obediente Noé construísse uma arca (ou uma caixa flutuante) de capacidade tal que contivesse Noé, sua família e espécimes básicos dos animais terrestres e de criaturas voadoras dos céus, tais como a pomba e o corvo. Nenhum lugar da arca foi ocupado por uma máquina a vapor ou a óleo diesel, nem por depósitos de combustível, para fazer a arca navegar; ela só flutuava, com seus ocupantes vivos e suprimentos alimentícios bastantes para um ano ou mais. — Gênesis 6:13-7:18.

      30. Tornando possível tal inundação global, qual era o estado natural na terra e em volta dela desde o segundo “dia” criativo?

      30 Para entender as possibilidades de tal inundação global de águas, temos de visualizar o estado de coisas com respeito ao nosso globo como um todo. Na superfície dele havia massas de terra, grandes e pequenas sobressaindo aos mares. Por cima de tudo isso havia uma camada ou expansão com a atmosfera que a humanidade e outras criaturas vivas podiam respirar. Mas lá fora, mais além, havia uma grossa abóbada aquosa que rodeava a terra como uma faixa e que o Criador fizera elevar-se a uma altura cientificamente certa, no segundo “dia” criativo. Permanecia ali suspensa como um invólucro em volta do globo terrestre, para cair novamente sobre a terra somente segundo o propósito do Criador e às suas ordens. (Gênesis 1:6-8) Um comentador inspirado da Bíblia, do primeiro século E. C., descreve isso belamente, dizendo: “Nos tempos antigos havia céus, e uma terra sobressaindo compactamente à água e no meio da água, pela palavra de Deus.” — 2 Pedro 3:5, NM; Pontifício Instituto Bíblico.

      31, 32. O que mostram as estatísticas de Noé a respeito do dilúvio?

      31 O dilúvio global não é mito derivado de fontes babilônicas. É fato histórico que deixou seus marcos na terra, até o dia de hoje. Foi datado e cronometrado. Segundo o diário de bordo ou diário da arca de Noé, começou no décimo sétimo dia do segundo mês do ano lunar, no sexcentésimo ano de sua vida.

      32 Noé registrou então a queda da água desde os céus como continuando por quarenta dias. Até mesmo os cumes dos montes então existentes ficaram cobertos pelas águas do dilúvio, numa profundidade de quinze côvados. No décimo sétimo dia do sétimo mês lunar, a arca tocou no solo, nos montes de Ararate. Segundo o poder do Criador, formaram-se novas bacias na crosta externa do globo terrestre, para drenar as águas do dilúvio. No primeiro dia do primeiro mês do novo ano lunar, completou-se o processo de drenagem. No vigésimo sétimo dia do segundo mês do novo ano lunar, ou um ano lunar e dez dias após o começo do dilúvio, Deus mandou que Noé saísse da arca e deixasse também sair dali toda a vida animal. — Gênesis 7:11 até 8:19.

      33. O que pereceu no Dilúvio e o que sobreviveu?

      33 Desta maneira, sob proteção divina, a raça humana descendente de Adão sobreviveu ao dilúvio global, mas o mundo ímpio ou o mundo de pessoas ímpias chegou ao fim. Isto significou também que aqueles infames nefilins híbridos foram destruídos, visto que eram carnais assim como os demais da humanidade. Em linguagem simples e compreensível, o comentador bíblico inspirado, do primeiro século, descreveu isso corretamente, dizendo:

      “[Deus] não se refreou de punir um mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, junto com mais sete, quando trouxe um dilúvio sobre um mundo de pessoas ímpias . . . por estes meios, o mundo daquele tempo sofreu destruição, ao ser inundado pela água.” — 2 Pedro 2:5; 3:6.

      34. Segundo Moisés, o que aconteceu às criaturas viventes na terra e às que estavam na arca?

      34 Isto concorda com a declaração do profeta Moisés: “Morreu tudo em que o fôlego da força da vida estava ativo nas suas narinas, a saber todos os que estavam em solo seco. Assim extinguiu toda coisa existente que havia na superfície do solo, desde o homem até o animal, até o animal movente e até a criatura voadora dos céus, e eles foram obliterados da terra, e sobreviviam somente Noé e os com ele na arca. E as águas continuaram a predominar sobre a terra por cento e cinqüenta dias.” — Gênesis 7:22-24.

      35. Se não quisermos ser reservados para o “dia mau” da execução do julgamento de Deus, o que devemos fazer agora iguais a Noé?

      35 Este dilúvio em escala global foi deveras um “ato de Deus”. Ilustrou dramaticamente um ponto que nós na atualidade, devemos tomar a peito. Que ponto? “Jeová sabe livrar da provação os de devoção piedosa, mas reservar os injustos para o dia do julgamento, para serem decepados.” (2 Pedro 2:9) “Tudo Jeová fez para seu propósito, sim, mesmo o iníquo para o dia mau.” (Provérbios 16:4) Assim, pois, se não quisermos ser reservados para o “dia mau” que se aproxima rapidamente, o “dia” de Jeová marcado por ele para executar seus julgamentos justos em todos os injustos na terra, cabe-nos ‘andar com Deus’, assim como fez Noé, e harmonizar-nos com o Seu propósito.

      36. (a) No Dilúvio, o que aconteceu com os nefilins? (b) Também, que conseqüências sofreram os desobedientes “filhos do verdadeiro Deus”?

      36 No dilúvio, o julgamento divino não só foi executado em homens injustos e nefilins, mas também aqueles desobedientes “filhos de Deus” receberam um julgamento merecido. De fato, quando o Dilúvio sobreveio a toda a terra, aqueles “filhos do verdadeiro Deus” abandonaram suas esposas e famílias, desmaterializaram-se e não se afogaram. Mas o que aconteceu quando voltaram à sua condição espiritual, que era sua própria morada correta? Reassumiram então a intimidade anterior que haviam tido com Deus? Permaneceu sua relação com Ele a mesma de antes? Continuaram ainda na Sua santa organização celestial quais “filhos do verdadeiro Deus”? Não; mas vemos nestas criaturas espirituais, desobedientes, a origem dos “demônios” (além de Satanás, o Diabo), de que fala o profeta Moisés. (Deuteronômio 32:17; também Salmo 106:37) Os comentadores bíblicos do primeiro século, porém, são mais específicos sobre como Jeová Deus lidou com aqueles espíritos desobedientes, dizendo:

      “Os anjos que não conservaram a sua posição original, mas abandonaram a sua própria moradia correta, ele reservou com laços sempiternos, em profunda escuridão, para o julgamento do grande dia.” (Judas 6) “[Os] espíritos em prisão, os quais outrora tinham sido desobedientes, quando a paciência de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se construía a arca, na qual poucas pessoas, isto é, oito almas, foram levadas a salvo através da água.” (1 Pedro 3:19, 20) “Deus não se refreou de punir os anjos que pecaram, mas, lançando-os no Tártaro, entregou-os a covas de profunda escuridão, reservando-os para o julgamento.” — 2 Pedro 2:4.

      37. Qual passou a ser a condição dos desobedientes “filhos do verdadeiro Deus” ao retornarem ao domínio espiritual?

      37 Portanto, a desmaterialização dos desobedientes “filhos do verdadeiro Deus” e sua volta ao domínio espiritual não os transformou de novo imediatamente em anjos santos. Achavam-se do lado de Satanás, o Diabo, rebelde original contra Jeová Deus. Não eram mais aptos para um lugar na organização celestial de Jeová, semelhantes a uma esposa, de santos e obedientes “filhos do verdadeiro Deus”. Por este motivo, foram rebaixados ao estado de “demônios”. Este estado rebaixado e desonroso foi apropriadamente chamado de Tártaro, nome adotado da língua grega. A versão siríaca da Bíblia fala dele como sendo “os lugares mais baixos”. (Veja também Jó 40:15; 41:23, na Versão dos Setenta grega.) Aqueles espíritos desobedientes não mais foram favorecidos com esclarecimento espiritual, tal como Deus achou próprio conceder a seus filhos angélicos fiéis. Desta maneira, foram lançados em profunda escuridão e mantidos ali como que por “laços sempiternos”, reservados para o “julgamento do grande dia”. Por isso não podem transmitir à humanidade nenhum esclarecimento real.

      38. De quem se tornaram o “descendente” aqueles espíritos desobedientes e como atuam para enganar e escravizar o homem?

      38 Tais espíritos desobedientes tornaram-se o “descendente” invisível da Grande Serpente, Satanás, o Diabo. Serem assim lançados nas tartáreas “covas de profunda escuridão”, junto com Satanás, o Diabo, não era o machucar da cabeça da serpente pelo “descendente” prometido da “mulher” celestial de Deus. O “descendente” santo ainda não havia sido produzido, e aqueles espíritos iníquos, encarcerados, estavam ansiosos de saber quem seria, a fim de que pudessem participar em machucar o “calcanhar” daquele “descendente”. (Gênesis 3:15) Por este motivo, esses espíritos iníquos debaixo de Satanás, seu chefe, mantiveram-se perto da humanidade, a fim de enganá-la e fazê-la virar-se contra o “descendente”, quando este chegasse. Eles procuram comunicar-se com os homens mediante médiuns espíritas, visto que eles mesmos são impedidos de ainda se materializarem em carne. Pretendem ser as “almas desencarnadas” de humanos falecidos. Obsediam ou dominam e assediam pessoas de mentalidade fraca, e até mesmo apoderam-se das pessoas que se entregam. O profeta Moisés foi inspirado a advertir o povo de Deus para não ter nada que ver com estes inimigos demoníacos de Deus. (Deuteronômio 18:9-13) Portanto, acautele-se contra o espiritismo!

      39. Se não é aos demônios, então a que devemos recorrer para obter esclarecimento espiritual?

      39 Visto que desejamos receber esclarecimento sobre o “propósito eterno” de Jeová Deus, precisamos evitar estes poderes espíritas da escuridão, que cegam a maioria da humanidade para com a verdade de Deus. A Palavra escrita de Deus, a Bíblia Sagrada, é para nós o meio de iluminação espiritual, segundo as palavras inspiradas do salmista, quando ele disse a Jeová Deus: “Lâmpada para o meu pé é a tua palavra e luz para a minha senda.” — Salmo 119:105.

      40. Apesar da rebelião de homens e de anjos, o que se mostra quanto à lealdade da parte da organização celestial de Deus e sua cooperação?

      40 À luz da Palavra de Deus, olhamos para trás, para os primeiros 1.656 anos da existência do homem na terra, desde a criação de Adão até o dilúvio dos dias de Noé. Apesar da rebelião tanto de anjos como de homens, o Deus imutável apegou-se ao propósito que formou primeiro com respeito à humanidade na terra. Embora um número não declarado de anjos cedesse ao desejo egoísta e pecasse, precisando ser expulsos de Sua organização celestial, semelhante a uma esposa, esses não se comparam com os que Lhe permaneceram fiéis dentro de sua organização santa, que é como uma esposa fiel para um marido amoroso. Milênios mais tarde, o profeta Daniel observou numa visão cem milhões de anjos leais ainda ministrando ao Deus Altíssimo, “o Antigo de Dias” (Daniel 7:9, 10) Esta “mulher” celestial, a prospectiva mãe do predito “descendente”, foi colocada em “inimizade” com a Grande Serpente, Satanás, o Diabo, e seu “descendente”. Ela estava firmemente decidida a cooperar com Jeová Deus no cumprimento de Seu recém-anunciado propósito, de produzir o “descendente” no Seu tempo escolhido.

      41. Que ponto pretendia Satanás maliciosamente provar perante toda a criação e conseguiu isso completamente mesmo antes do Dilúvio?

      41 Na terra e no Paraíso de Delícias, Adão e Eva haviam sido feitos parte visível da organização universal de Jeová, na sua criação em perfeição humana. Em tentação, não mantiveram sua integridade para com o seu Criador, seu Pai celestial. Sob a sentença de morte, foram expulsos da organização universal de Jeová e deixaram de ser contados como filhos Dele. Mas que dizer de seus descendentes? A julgar por Adão e Eva, que violaram sua integridade, seus descendentes nascidos imperfeitos e herdeiros do pecado não poderiam manter a integridade ao Criador, quando em tentação e sob pressão por parte da Grande Serpente, Satanás, o Diabo. Aparentemente, Satanás, o Diabo, tencionou provar perante toda a criação no céu e na terra que nenhum deles faria isso. Conseguiu provar isso, mesmo já antes do Dilúvio? O registro bíblico que expressa o ponto de vista de Deus sobre o assunto mostra que pelo menos três homens mantiveram sua integridade, a saber, Abel, Enoque e Noé.

      42, 43. (a) Os casos de Abel, Enoque e Noé forneceram que prova? (b) De que modo foi exata a previsão de Jeová quanto a fornecer prova adicional?

      42 Estes três homens fiéis, tementes a Deus, defenderam a soberania universal de Jeová, seu Criador. Provaram que Satanás, o Diabo, é mentiroso presunçoso ao argumentar que o Deus Todo-poderoso não podia pôr na terra um homem que, mesmo num ambiente paradísico, mantivesse sua integridade a Jeová, quando sujeito às tentações e pressões de Satanás, o Diabo. Os casos de Abel, Enoque e Noé provaram que Deus, o Criador, estava justificado em deixar que a raça humana, descendente dos pecadores Adão e Eva, continuasse a existir na terra. Outros homens, além de mulheres, em acréscimo a Abel, Enoque e Noé, certamente haviam de aparecer nas fileiras da humanidade, ao passo que a vida humana na terra prosseguisse fora do Paraíso, acumulando assim mais provas contra a mentira e a calúnia do Diabo contra Deus.

      43 A previsão de Jeová foi exata, e seu propósito forçosamente seria bem sucedido. Seu propósito messiânico, anunciado na presença da grande serpente, no jardim do Éden, deu mais força ao propósito original de Deus e tornou certo seu cumprimento. A soberania universal de Deus sobre a terra, conforme demonstrada tão poderosamente no dilúvio global, nunca deixará de existir sobre a humanidade.

  • Desenvolvimento da linhagem humana do “descendente”
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 7

      Desenvolvimento da linhagem humana do “descendente”

      1. Por que fizeram os casos de Abel, Enoque e Noé com que Satanás o Diabo, ficasse ainda mais desesperado no seu objetivo de arruinar o “descendente” prometido?

      NO ÂMAGO do “propósito eterno” de Deus está o “descendente” a ser produzido pela “mulher” de Deus. A competição que começou no jardim do Éden entre Satanás e Deus centralizava-se neste “descendente” misterioso. Tinha de ser assim, porque este “descendente” havia de ser produzido no tempo devido para machucar a cabeça da Grande Serpente, e Satanás, o Diabo, sabia que a “cabeça” seria a dele próprio. (Gênesis 3:15) Satanás estava decidido a quebrantar a integridade do vindouro “descendente” e torná-lo assim impróprio para o propósito de Deus. No Dilúvio, acabou o primeiro assalto na competição entre Satanás e Deus, mas o resultado foi contrário a Satanás. Ele não conseguiu quebrantar a integridade pelo menos de três homens, descendentes do primeiro homem e da primeira mulher, cuja integridade tramara arruinar. Abel, Enoque e Noé haviam enfraquecido a atitude confiante de Satanás e haviam-no deixado mais desesperado no seu objetivo de arruinar o “descendente”.

      2. A humanidade devia hoje ser grata de que Noé lhe deu que espécie de começo na vida após o dilúvio? Por quê?

      2 Os próximos seiscentos e cinqüenta e oito anos após o fim do Dilúvio mostraram ser muito reveladores a respeito dos pormenores sobre o “descendente” da “mulher” de Deus. Depois do dilúvio, toda a humanidade, até o dia de hoje, podia derivar sua descendência de Noé, construtor da arca, que sobreviveu ao dilúvio. De modo que o mundo da humanidade recebeu então um começo justo, porque Noé “andou com o verdadeiro Deus”. (Gênesis 6:9) Ele era imperfeito por herança, mas, em sentido moral, era sem defeito, imaculado, diante de Deus. Quão gratos devemos ser nós, seus descendentes, por causa disso! Logo depois de sair da arca e pisar no solo do monte Ararate, Noé liderou a humanidade na adoração do Preservador dela, Jeová Deus.

      “Noé começou a construir um altar a Jeová e a tomar alguns de todos os animais limpos, e de todas as criaturas voadoras limpas, e a fazer ofertas queimadas sobre o altar. E Jeová começou a sentir um cheiro repousante, e Jeová disse então no seu coração: ‘Nunca mais invocarei o mal sobre o solo por causa do homem, porque a inclinação do coração do homem é ma desde a sua mocidade: e nunca mais golpearei toda coisa vivente assim como tenho feito. Pois, por todos os dias que a terra continuar nunca cessarão sementeira e colheita, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite.’” — Gênesis 8:20-22; compare isso com Isaías 54:9.

      3. Como se mostrou veraz a profecia de Lameque feita por ocasião do nascimento de Noé e de que se tornou símbolo o arco-íris?

      3 A profecia que Lameque, pai de Noé, proferiu sobre ele por ocasião de seu nascimento mostrou-se justificada. (Gênesis 5:29) Levantou-se a maldição divina proferida sobre o solo fora do jardim do Éden, após a transgressão de Adão, e Noé (cujo nome significa “Descanso”) fez com que um cheiro repousante ascendesse de suas ofertas queimadas a Deus e induzisse Deus a determinar um descanso para a humanidade, da labuta da cultivação do solo amaldiçoado. Deus fez também com que aparecesse o primeiro arco-íris de que há noticia, na luz do sol que então brilhava diretamente sobre a terra, por causa da eliminação da abóbada de água. Referindo-se àquele arco-íris como sinal de garantia, Jeová prometeu que “as águas não se tornarão mais um dilúvio para arruinar toda a carne”. Não mais haveria um dilúvio aquoso. — Gênesis 9:8-15.

      4. Visto que os três filhos de Noé e suas esposas sobreviveram ao dilúvio junto com Noé, que pergunta surgiu a respeito do “descendente” prometido?

      4 Os três filhos de Noé, Sem, Cã e Jafé, e as esposas deles, sobreviveram junto com ele e sua esposa. Qual destes três filhos, então, seria aquele por meio de quem passaria a linhagem até o aparecimento terrestre do “descendente” da “mulher” de Deus? A escolha a ser feita afetaria de modo diverso as três raças descendentes dos três patriarcas, Sem, Cã e Jafé. A profecia que Deus inspirou Noé a proferir sobre os seus três filhos, numa ocasião crítica, indicou que direção tomariam o favor e a bênção divinos. Em que se baseava isso?

      5. O que induziu Noé a proferir uma maldição sobre Canaã, filho de Cã?

      5 Em obediência a ordem de Deus aos filhos de Noé, de se tornarem fecundos na terra, Sem tornou-se pai de Arpaxade, dois anos depois do começo do dilúvio. (Gênesis 11:10) Com o tempo, Cã tornou-se pai de Canaã. (Gênesis 9:18; 10:6) Algum tempo depois do nascimento de Canaã, houve uma ocasião em que Noé, por um motivo não declarado, embriagou-se com vinho de seu vinhedo. Cã entrou na tenda de Noé e o viu deitado descoberto, nu, mas não fez nada para encobrir a nudez de seu pai. Antes, falou sobre ela a Sem e Jafé. Sem e Jafé, com o devido respeito pelo seu pai, negaram-se a olhar para a nudez, e andando com as costas viradas para seu pai, estenderam sobre ele um pano. Não se aproveitaram da nudez de seu pai, mostrando e mantendo seu elevado respeito por ele, como seu pai e como profeta de Jeová.

      “Por fim, Noé acordou do seu vinho e soube o que lhe havia feito seu filho mais moço. Ele disse então: ‘Maldito seja Canaã. Torne-se ele o escravo mais baixo de seus irmãos.’ E acrescentou: ‘Bendito seja Jeová, Deus de Sem e torne-se Canaã escravo dele. Conceda Deus amplo espaço a Jafé, e resida ele nas tendas de Sem. Torne-se Canaã também escravo dele.’” — Gên. 9:20-27.

      6. Segundo a profecia de Noé, através de que filho passaria a linhagem do Messias?

      6 Noé estava sóbrio quando proferiu estas palavras. Não amaldiçoou toda a raça descendente de Cã, por causa da falta de respeito de Cã, especialmente pelo profeta de Deus. Por isso, Deus inspirou Noé a amaldiçoar apenas um dos filhos de Cã, a saber, Canaã, cujos descendentes passaram a residir na terra de Canaã, na Palestina. Os cananeus tornaram-se escravos dos descendentes de Sem, quando Deus levou os israelitas a terra de Canaã, segundo a Sua promessa feita a Abraão, o hebreu. Sem viveu ainda quinhentos e dois anos depois do começo do Dilúvio, de modo que sua vida coincidiu com a de Abraão por cento e cinqüenta anos. (Gênesis 11:10, 11) Noé declarou que Jeová era o Deus de Sem. Jeová havia de ser bendito, porque foi o temor dele que motivou Sem a mostrar o devido respeito por Noé, como profeta de Deus. Jafé devia ser tratado como hóspede nas tendas de Sem e não como escravo, igual a Canaã. Assim, por ser anfitrião de seu irmão Jafé, Sem foi classificado superior a ele na fraseologia da profecia. Em harmonia com isso, a descendência de Sem havia de levar ao Messias.

      A FUNDAÇÃO DE BABILÔNIA

      7. Que neto de Cã estabeleceu o primeiro Império Babilônico, e como?

      7 Outro descendente de Cã, que não saiu bem, foi seu neto Ninrode. Por sobreviver trezentos e cinqüenta anos após o começo do Dilúvio, Noé viveu para ver a ascensão, e, sem dúvida, a queda deste bisneto seu. (Gênesis 9:28, 29) Ninrode fundou uma organização que agiu como parte do “descendente” visível da Grande Serpente, Satanás, o Diabo. Gênesis 10:8-12 diz: “E Cus tornou-se pai de Ninrode. Ele principiou a tornar-se poderoso na terra. Apresentou-se como poderoso caçador em oposição a Jeová. É por isso que há um ditado: ‘Igual a Ninrode, poderoso caçador em oposição a Jeová.’ E o princípio do seu reino veio a ser Babel, e Ereque, e Acade, e Calné, na terra de Sinear. Daquela terra saiu para a Assíria e pôs-se a construir Nínive, e Reobote-Ir, e Calá, e Resem, entre Nínive e Cala: esta é a grande cidade.” Segundo isso, Ninrode estabeleceu o primeiro Império Babilônico.

      8, 9. (a) Por que não escolheu Jeová a Babel como a cidade de seu nome? (b) A língua de quem não foi mudada em Babel?

      8 Foi em Babel (chamada Babilônia pelos judeus de língua grega) que ocorreu a confusão da língua da humanidade, quando Jeová Deus mostrou seu desagrado da construção da cidade e duma torre de religião falsa nela, porque os construtores se propunham fazer para si um nome célebre e impedir serem “espalhados por toda a superfície da terra”. Não previram a decadência das cidades que ocorre atualmente. (Gênesis 11:1-9) Embora fosse o primeiro império na terra, este Império Babilônico de Ninrode não se tornou a Primeira Potência Mundial do registro bíblico. Esta foi o antigo Egito. O poder político de Babel ficou enfraquecido, porque seus construtores, então desunidos por idiomas diferentes, foram assim obrigados por Jeová a se espalhar por toda a terra.

      9 Jeová Deus não escolheu Babilônia como a cidade a que dar seu nome. Noé e seu filho bendito Sem não participaram na construção de Babel e de sua torre de religião falsa, e a língua deles não foi confundida.

      10, 11. (a) Nos dias de Sem, a linhagem do “descendente” prometido foi delimitada a qual de seus descendentes? (b) Isto foi indicado por meio de que revelação, feita a quem?

      10 Dois anos depois da morte de Noé, em 2020 A. E. C., nasceu Abraão na linhagem de Sem, que ainda vivia. Este descendente mostrou-se adorador do Deus de Sem, Jeová. Sem deve ter tido grande satisfação ao saber da revelação emocionante que Jeová fez a Abraão. Esta provava que Jeová se apegava ao seu “propósito eterno”, que Ele formara no jardim do Éden, após a transgressão de Eva e Adão. Delimitava a vinda do “descendente” da “mulher” de Deus à linhagem de Abraão, dentre todos os descendentes de Sem. Mas qual foi a revelação divina a Abraão, que naquele tempo era chamado Abrão?

      11 Abrão (Abraão) estava na Mesopotâmia, na cidade de Ur dos Caldeus, não muito longe de Babilônia (Babel), quando se lhe fez a revelação. Gênesis 12:1-3 nos diz: “E Jeová passou a dizer a Abrão: ‘Sai da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei; e farei de ti uma grande nação e te abençoarei, e hei de engrandecer o teu nome, e mostra-te uma bênção. E hei de abençoar os que te abençoarem e amaldiçoarei aquele que invocar o mal sobre ti, e todas as famílias do solo certamente abençoarão a si mesmas por meio de ti.’”

      12. Para quem eram “boas novas” tal revelação e que era, pode-se dizer, começou com aquela revelação?

      12 “Todas as famílias do solo” — estas incluem as nossas famílias hoje, neste século vinte! Os que são de nossa família podem procurar uma bênção por meio deste antigo Abrão (Abraão)! Estas são realmente boas novas! E foram reveladas ao mundo pós-diluviano da humanidade lá no século vinte antes de nossa Era Comum. A significância disso foi comentada mais tarde nas seguintes palavras inspiradas: “Certamente sabeis que os que aderem à fé é que são filhos de Abraão. Ora, a Escritura, vendo de antemão que Deus declararia justas a pessoas das nações devido à fé, declarou de antemão as boas novas a Abraão, a saber: ‘Por meio de ti serão abençoadas todas as nações.’” (Gálatas 3:7, 8) Em vista disso, pode-se dizer corretamente que a Era das Boas Novas (a Era Evangélica, conforme alguns talvez queiram chamá-la) começou lá naquele tempo, pouco antes de Abraão obedecer à ordem divina.

      13. (a) Qual era a condição carnal de Abraão quando recebeu a ordem de Deus e, assim, o que é que contava perante Deus? (b) Quando cruzou Abraão o rio Eufrates?

      13 Um ponto a ser também notado aqui é que, no tempo em que Deus o escolheu para ser o instrumento de bênção de todas as famílias e nações, Abraão não era circuncidado na carne. A ordem que Deus lhe deu, para ele e os homens de sua família serem circuncidados, só veio pelo menos vinte e quatro anos mais tarde no ano antes do nascimento de seu filho Isaque (1918 A. E. C.). Se não era a condição carnal de Abraão, então o que era que contava perante Deus? Era a fé que Abraão tinha. Jeová Deus sabia que Abraão tinha fé Nele. Não foi em vão que Ele deu a Abraão a ordem de abandonar a sua pátria. Abraão partiu prontamente e mudou-se com sua família em direção ao noroeste, para Harã, e dali, após a morte de seu pai Terá, em Harã, cruzou o rio Eufrates e avançou em direção da terra que Deus passou a mostrar-lhe. A travessia do rio Eufrates ocorreu em 14 de nisã da primavera setentrional do ano 1943 A. E. C., ou seja, 430 anos antes da celebração da primeira Páscoa pelos descendentes de Abraão, lá no Egito. — Êxodo 12:40-42; Gálatas 3:17.

      14. O que disse Jeová a Abraão na terra de Canaã e o que fez Abraão depois disso?

      14 O profeta Moisés registrou isso, escrevendo: “Em vista disso, Abrão foi como Jeová lhe falara e Ló foi com ele. E Abrão tinha setenta e cinco anos de idade quando saiu de Harã Abrão tomou, pois, Sarai, sua esposa, e Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que tinham acumulado e as almas que tinham adquirido em Harã, e eles passaram a sair a fim de ir para a terra de Canaã. Por fim chegaram à terra de Canaã. E Abrão atravessou o país até o lugar de Siquém, perto das árvores grandes de Moré; e naquele tempo havia o cananeu no país. Jeová apareceu então a Abrão e disse: ‘Vou dar esta terra à tua descendência.’ Depois, ele construiu ali um altar a Jeová, que lhe havia aparecido.” — Gênesis 12:4-7; Atos 7:4, 5.

      15. Por que exigiria um milagre a promessa de Deus a Abraão, de que teria, um “descendente”, envolvendo que milagre ainda maior?

      15 Assim, embora Abrão naquele tempo, à idade de setenta e cinco anos, não tivesse filhos, nem tivesse filho de sua esposa Sarai, de sessenta e cinco anos de idade ainda assim, Jeová prometeu que Abrão teria um descendente ou descendência, ao qual Jeová daria a terra de Canaã. Abraão aceitou esta promessa divina em fé. Pois, quanto à faculdade feminina de reprodução nesta idade, lá naquele tempo, isto importava em Deus prometer um milagre. Vinte e quatro anos depois, quando Abraão soube que ia ter um filho de sua esposa Sara, ele riu e disse no coração: “Nascerá um filho a um homem de cem anos de idade, e dará à luz Sara, sim, uma mulher de noventa anos de idade?” (Gênesis 17:17; 18:12-14) Se isto era “extraordinário”, ainda mais maravilhoso seria o milagre em cumprimento da profecia de Deus em Gênesis 3:15. Isto seria assim porque a “mulher” de Deus era celestial e seu “descendente” prometido seria celestial, contudo, este “descendente” estaria vinculado com a descendência terrestre de Abraão. Desta maneira, tal “descendente” da “mulher” de Deus poderia ser chamado de “descendente de Abraão”, sim, “filho de Abraão”.

      16. A promessa de Deus, de fazer proceder de Abraão e Sara nações e reis, suscitou que perguntas a respeito do “descendente”?

      16 Na ocasião em que Deus, por meio de seu anjo assegurou a Abraão que ele teria um filho de sua esposa Sara, a ser chamado Isaque, Deus disse a Abraão: “Vou fazer-te muitíssimo fecundo e vou fazer que te tornes nações, e reis sairão de ti. . . . E vou abençoá-la [Sara] e também dar-te dela um filho, e vou abençoá-la e ela se tornará nações; reis de povos procederão dela.” (Gênesis 17:6, 16) Agora, pois, qual destas “nações” seria a nação favorecida de Jeová? Teria ela um rei? Tornar-se-ia o “descendente” da “mulher” de Deus tal rei? É só natural fazer tais perguntas.

      MELQUISEDEQUE

      17. Qual foi o contato mais notável com reis de Canaã na carreira de Abraão, e por que lhe pagou Abraão um dízimo?

      17 Antes disso, Abraão já tivera contato com reis terrestres. O mais significativo de tais contatos foi quando ele se encontrou com o rei mais notável na terra de Canaã. Abraão acabava de ver-se obrigado a recuperar seu sobrinho Ló das mãos de quatro reis, que haviam invadido a terra de Canaã e derrotado cinco reis dela, levando cativos, inclusive Ló. Quando ele voltou depois de infringir uma derrota a estes quatro reis incursores, Abraão chegou à cidade de Salém, nas montanhas ao oeste do Mar Morto. “E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe para fora pão e vinho, e ele era sacerdote do Deus Altíssimo. Abençoou-o então e disse: ‘Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, Produtor do céu e da terra, e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus opressores na tua mão!’ Então, Abrão deu-lhe um décimo de tudo.” (Gênesis 14:18-20) Uma vez que, conforme Melquisedeque disse a Abraão, o Deus Altíssimo entregara os opressores de Abraão na mão deste, era apenas apropriado que Abraão desse um décimo de todos os despojos ao sacerdote do Deus Altíssimo, Melquisedeque.

      18. Por que não era uma declaração vã a bênção de Melquisedeque sobre Abraão, e como mostrou Davi a importância daquele no propósito de Deus?

      18 A bênção que Melquisedeque proferiu sobre Abraão não era uma declaração vã. Valia alguma coisa, e estava em harmonia com a própria promessa de Jeová, que Abraão seria uma bênção para todas as famílias do solo — que todas as famílias deviam procurar a bênção por meio dele. (Gênesis 12:3) Este misterioso Rei-Sacerdote Melquisedeque, embora recebesse apenas menção tão escassa na história, não foi perdido de vista. Novecentos anos mais tarde, o Deus Altíssimo inspirou outro rei de Salém, o Rei Davi de Jerusalém, a profetizar e a mostrar quão significativo Melquisedeque havia sido no propósito do Deus Altíssimo. De acordo com isso, Melquisedeque prefigurava um rei ainda maior, maior mesmo do que Davi, a quem até mesmo Davi seria obrigado a chamar de “meu Senhor”. Este rei prefigurado não podia ser outro senão o Messias, o “descendente” da “mulher” de Deus. Davi escreveu assim, sob o poder do espírito santo de Deus, no Salmo 110:1-4:

      “A pronunciação de Jeová a meu Senhor é: ‘Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo para os teus pés.’ Jeová enviará de Sião o bastão da tua força, dizendo: ‘Subjuga no meio dos teus inimigos.’ Teu povo se oferecerá voluntariamente no dia da tua força militar. Nos esplendores da santidade, da madre da alva, tens a tua companhia de homens Jovens assim como gotas de orvalho. Jeová Jurou (e não o deplorará): ‘Tu és sacerdote por tempo indefinido à maneira de Melquisedeque!’”

      19. O profetizado a brandir o bastão de força no monte Sião tinha de ser descendente de quem, e por que não profetizava Davi a respeito dos reis de Salomão a Zedequias?

      19 Note o significado destas palavras inspiradas. Dizer o Rei Davi que Jeová enviaria o bastão de força do Rei desde Sião indicava que o Rei seria descendente carnal de Davi. Segundo o pacto de Jeová com Davi, para um reino eterno, ninguém se assentaria qual rei no monte Sião e brandiria o cetro de força, qual bastão, exceto um descendente carnal de Davi. (2 Samuel 7:8-16) Portanto, este, cujo bastão de força seria enviado de Sião, chamar-se-ia “filho de Davi”. Mas, neste caso, Davi não se referia profeticamente ao seu filho, o Rei Salomão, que foi o rei mais glorioso da linhagem de Davi a estar entronizado no monte Sião e a reinar sobre todas as doze tribos de seu povo. Davi nunca se dirigiu ao seu filho Salomão como “Meu Senhor”, nem a qualquer outro dos reis em Sião, que sucederam a Salomão até o Rei Zedequias. Além disso, nem Salomão, nem qualquer dos reis seguintes, no monte Sião, foram tanto sacerdotes como reis, assim como Melquisedeque foi. — 2 Crônicas 26:16-23.

      20. Como seria tal profetizado o “Senhor” de Davi, embora fosse filho de Davi?

      20 No entanto, visto que este governante prometido havia de ser “filho” do Rei Davi, por que o chamaria Davi de “Meu Senhor”? Isto se devia a que este notável “filho de Davi” seria um rei muito mais elevado do que Davi. Embora Davi se assentasse no “trono de Jeová” no monte Sião terrestre, ele nunca, nem mesmo na sua morte, ascendeu ao céu e se assentou “à direita” de Jeová. Mas isto seria feito por aquele que se tornaria “Senhor” de Davi. Sua posição régia à direita de Jeová, no céu, poderia ser chamada de Monte Sião celestial, porque foi representada pelo monte Sião terrestre, que costumava estar dentro das muralhas de Jerusalém, o que não se dá mais hoje. Conforme disse o próprio Jeová, no Salmo 89:27, a respeito do Messias: “Também, eu mesmo o colocarei como primogênito, o mais excelso dos reis da terra.” Ele não só seria Rei senhoril mais elevado do que Davi, mas também seria para sempre “sacerdote” do Deus Altíssimo, igual a Melquisedeque, rei da antiga Salém. — Salmo 76:2; 110:4.

      21. Então, por que se tornaria grande o nome de Abraão?

      21 Lá no século vinte A. E. C., pouco se dava conta o patriarca Abraão de que os “reis” dos quais ele e sua esposa Sara haviam de tornar-se antepassados incluiriam o rei messiânico prefigurado por Melquisedeque, a quem Abraão pagou dízimos de todos os seus despojos da conquista. Não é de se admirar que o nome de Abraão havia de tornar-se grande, por causa de sua associação com tal Rei-Sacerdote! Não é de se admirar que todas as famílias da terra abençoariam a si mesmas ou procurariam uma bênção por meio de Abraão através deste Sacerdote-Rei igual a Melquisedeque! — Gênesis 12:3.

      O “AMIGO” DE DEUS

      22. Como ilustrou Deus que Sua nação escolhida procederia através do filho e herdeiro natural de Abraão?

      22 Depois do confronto vitorioso de Abraão com os quatro reis invasores, Deus prometeu a Abraão a necessária proteção e também que o “herdeiro” dele seria filho natural seu. Deus assegurou a Abraão, por meio duma ilustração, que a nação escolhida de Deus viria através deste filho e herdeiro: “Ele o levou então para fora e disse: ‘Olha para os céus, por favor, e conta as estrelas, se as puderes contar.’ E prosseguiu, dizendo-lhe: ‘Assim se tornará o teu descendente.’ E ele depositou fé em Jeová; e este passou a imputar-lhe isso como justiça.” — Gênesis 15:1-6.

      23. À base de que se atribuía justiça a Abraão e para que foi ele justificado?

      23 Não nos esqueçamos de que, nesta ocasião, Abraão ainda era hebreu incircunciso. Portanto, não se podia imputar justiça a Abraão por sua circuncisão na carne; ela lhe foi imputada por causa de sua fé em Jeová, que revelou a Abraão parte de seu propósito. De modo que Abraão foi considerado justo perante Deus, foi assim justificado para ter amizade com Jeová Deus. Séculos depois, o Rei Jeosafá, de Jerusalém, chamou Abraão de amigo de Jeová ou ‘aquele que o amava’. Mais tarde ainda, mediante o profeta Isaías, Jeová falou dele como sendo “Abraão, meu amigo”. (2 Crônicas 20:7, Isaías 41:8) Isto mostra quão valiosa, quão vital, realmente, é a fé em Jeová, relacionada com o seu “descendente”.

      24. Como se tornou Abraão pai de Ismael e, depois de Isaque?

      24 No ano 1932 A. E. C., à sugestão de sua idosa e estéril esposa Sara, Abraão gerou um filho por meio da escrava egípcia dela, Agar e chamou-o Ismael. (Gênesis 16:1-16) Treze anos depois, em 1919 A. E. C., Jeová disse a Abraão que Ismael não serviria qual verdadeiro “descendente”, mas que se escolheria um filho de sua verdadeira esposa Sara para ser o “descendente”. Seria o filho duma mulher livre. E assim, no ano seguinte nasceu Isaque, quando Sara tinha noventa anos de idade. “E Abraão tinha cem anos de idade quando lhe nasceu Isaque, seu filho.” No oitavo dia de sua vida, Isaque foi circuncidado, assim como havia sido seu pai Abraão no ano anterior. — Gênesis 21:1-5.

      25. O que mostra o relato quanto a se Jeová constituiu uma nação incluindo todos os filhos naturais de Abraão?

      25 É interessante notar que Deus não fez então uma nação dos seus dois filhos, Ismael, o primogênito, e Isaque, uma nação de duas tribos. Não, mas cinco anos depois, ao pedido urgente de sua esposa Sara, Abraão despediu Agar e seu filho Ismael de sua casa, para tomarem conta de si mesmos e irem aonde quer que quisessem. (Gênesis 21:8-21) Tampouco depois, após a morte de Sara em 1881 A. E. C., fez Deus uma nação, uma nação de sete tribos, de Isaque e dos outros filhos que Abraão gerou por meio duma concubina, Quetura. “Posteriormente, Abraão deu a Isaque tudo o que possuía, mas, aos filhos das concubinas que Abraão tinha, Abraão deu dádivas. Então os enviou para longe de Isaque, seu filho, enquanto ainda vivia, para o leste, para a terra do Oriente.” — Gênesis 25:14.

      26. Por causa de que demonstração admirável de te recebeu Abraão uma bênção especial na terra de Moriá, e o que se declarava nela?

      26 Uma demonstração muito admirável de fé da parte de Abraão levou a uma grande bênção para este “amigo” de Jeová. Esta resultou depois duma prova esquadrinhadora da fé e obediência de Abraão para com o Deus Altíssimo. A bênção de aprovação divina foi proferida no cume dum monte na terra de Moriá, considerado por muitos como tendo sido o lugar onde o Rei Salomão construiu o magnífico templo de Jeová séculos depois. (2 Crônicas 3:1) Ali, no lugar indicado por Jeová e na lenha empilhada num recém-construído altar de pedra, jazia a figura dum rapaz. Era Isaque. Ao lado do altar estava seu pai Abraão com um cutelo na mão. Ele estava prestes a cumprir a ordem de Deus, de matar sacrificialmente Isaque e oferecê-lo qual oferta queimada a Deus, que lhe havia dado milagrosamente o rapaz. Daí:

      “O anjo de Jeová começou a chamá-lo desde os céus e a dizer. ‘Abraão, Abraão!’” Não estendas tua mão contra o rapaz e não lhe faças nada, pois agora sei deveras que temes a Deus, visto que não me negaste o teu filho, teu único.’ . . . E o anjo de Jeová passou a chamar Abraão pela segunda vez, desde os céus, e a dizer: ‘“Juro deveras por mim mesmo”, é a pronunciação de Jeová, “que, pelo fato de que fizeste esta coisa e não me negaste teu filho, teu único, seguramente te abençoarei e seguramente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como os grãos de areia que há à beira do mar; e teu descendente tomará posse do portão dos seus inimigos. E todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de tua descendência, pelo fato de que escutaste a minha voz.” ’”— Gênesis 22:1-18.

      27. O que mostrou esta declaração divina quanto à escolha do “descendente” e quanto a se buscar uma bênção por meio dele?

      27 Isto significava que o “descendente” prometido, por meio de quem todas as nações procurariam uma bênção viria por meio da linhagem de Isaque. Jeová Deus mostrou assim que ele fazia a escolha da linhagem e que todos os meios-irmãos de Isaque não participavam em prover este “descendente”. Não obstante, as nações descendentes dos meios-irmãos de Isaque podiam procurar para si uma bênção por meio deste “descendente”. Todas as nações da atualidade, quer dizer, pessoas de todas as nacionalidades, hoje em dia, podem igualmente procurar uma bênção mediante o “descendente” de Abraão.

      28. Sem viveu o bastante para saber de que acontecimentos relacionados com a sua descendência?

      28 O patriarca Sem, sobrevivente do dilúvio global, viveu o bastante para saber desta bênção divina proferida sobre Abraão; de fato, Sem viveu o bastante para saber do casamento de Isaque com a bela Rebeca, de Harã, na Mesopotâmia. Sem viveu até 1868 A. E. C., dez anos após este casamento, mas não viveu para ver a prole deste casamento. No entanto, Abraão a viu. — Gênesis 11:11; 25:7.

  • A escolha divina segundo o “propósito eterno”
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 8

      A escolha divina segundo o “propósito eterno”

      1. Que pergunta surgiu quanto à descendência do homem com quem Deus renovou sua promessa pactuada?

      JEOVÁ DEUS escolheu renovar com Isaque a promessa pactuada feita a seu pai Abraão. (Gênesis 26:1-5, 23, 24) Embora se casasse aos quarenta anos de idade, Isaque chegou a ter sessenta anos de idade antes de ter filhos — gêmeos. Será que Jeová, que respondeu a oração de Isaque pedindo filhos, faria uma escolha quanto a estes meninos gêmeos?

      2. Como revelou Jeová a qual dos gêmeos ele escolheu?

      2 Jeová indicou a sua escolha durante a gravidez de Rebeca, depois de ela ter orado e perguntado sobre a sua condição: “Jeová passou a dizer-lhe: ‘Há duas nações no teu ventre e dois grupos nacionais serão separados das tuas entranhas; e um grupo nacional será mais forte do que o outro grupo nacional, e o mais velho servirá ao mais jovem.” Esaú veio a ser o primogênito e Jacó o segundo dos gêmeos. (Gênesis 25:20-23) Jeová indicou assim que não faria uma só nação destes filhos gêmeos de Isaque, uma nação de duas tribos. Antes, haveria dois grupos nacionais, sendo o grupo nacional do gêmeo mais velho o mais fraco e servindo o grupo nacional do gêmeo mais moço. Isto invertia o direito natural que o primogênito tinha à precedência. Jeová revelou assim a quem ele escolheu.

      3. Dependia tal escolha de obras humanas ou daquele que faz a chamada?

      3 O Deus Todo-poderoso, Todo sábio, tinha direito de fazer isso, segundo seu propósito para a bênção de toda a humanidade. Sobre isto escreveu um comentador bíblico do primeiro século: “Quando Rebeca concebeu gêmeos de um só homem, Isaque, nosso antepassado: pois, quando ainda não tinham nascido, nem tinham ainda praticado nada de bom ou de ruim, a fim de que o propósito de Deus, com respeito à escolha, continuasse dependente, não de obras, mas Daquele que chama, foi dito a ela: ‘O mais velho será escravo do mais moço.’ Assim como está escrito: ‘Amei a Jacó, mas odiei a Esaú.’” — Romanos 9:10-13; citando também Malaquias 1:2, 3.

      4. Por que tinha Jeová menos amor por Esaú do que por Jacó, mesmo já antes do nascimento deles?

      4 O Deus Todo-poderoso, Todo-sábio, certamente não fez uma escolha má. Sem dúvida, podendo saber o padrão genético dos gêmeos no ventre de Rebeca, previu como os dois meninos desenvolveriam sua vida. Por isso Ele escolheu o gêmeo certo, embora este fosse o mais moço. Apesar de sua escolha segundo o seu propósito, Jeová não forçou a questão. Não planejou que o mais velho, Esaú, vendesse sua primogenitura por uma mera tigela de cozido de lentilhas ao seu irmão mais moço, Jacó, num dia crítico de decisão. Evidentemente, porém, Jeová previu que Esaú, ainda por nascer, não teria apreço e amor pelas coisas espirituais, assim como Jacó teria. Por este motivo, amava menos a Esaú do que a Jacó, e fez a sua escolha concordemente, enquanto os gêmeos ainda estavam para nascer, no ventre de sua mãe. — Gênesis 25:24-34.

      5. Planejou Jeová como Jacó devia obter a bênção proferida por Isaque e será que Ele a anulou?

      5 Jeová não planejou as táticas que Jacó e sua mãe Rebeca finalmente usaram para obter a bênção proferida por Isaque, mas Jeová permitiu que o idoso e cego Isaque proferisse a bênção da primogenitura sobre Jacó, visto que Jacó a merecia. (Gênesis 27:1-30) Jeová não deixou que Isaque invertesse a bênção, mas, quando Jacó fugiu da ira assassina de seu irmão gêmeo Esaú, Deus confirmou a bênção de Isaque sobre Jacó. Isto confirmou a escolha que Deus fez de Jacó antes do nascimento deste. Como?

      6. Como foi confirmada a escolha de Jacó por Deus no sonho de Jacó a respeito duma escada usada por anjos?

      6 No lugar chamado Betel, na Terra da Promessa, o fugitivo Jacó “começou a sonhar, e eis que havia uma escada posta na terra e seu topo tocava nos céus; e eis que anjos de Deus subiam e desciam por ela. E eis que Jeová estava parado acima dela e passou a dizer: ‘Eu sou Jeová, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque. A terra em que estás deitado, eu vou dá-la a ti e à tua descendência. E tua descendência há de tornar-se como as partículas de pó da terra, e tu te hás de espalhar para o oeste, e para o leste, e para o norte, e para o sul, e todas as famílias do solo hão de abençoar a si mesmas por meio de ti e por meio de tua descendência. E eis que estou contigo e vou guardarte em todo o caminho em que andares, e vou retornar-te a este solo porque não te abandonarei até que eu tenha realmente feito o que te falei.’” — Gênesis 28:12-15.

      7, 8. (a) O que significava esta declaração divina para a linhagem do Messias? (b) Dessemelhante de Esaú, Jacó destacou-se por causa de sua adoração de quem?

      7 Segundo esta declaração irreversível do Deus que não mente, a Promessa Abraâmica apresentada em Gênesis 12:1-7 havia de ser cumprida por Deus mediante os descendentes ou a descendência de Jacó.

      8 Isto queria dizer que o Messias, o “descendente” da “mulher” celestial de Deus, viria através da linhagem de Jacó. É por isso que nos especializamos em seguir a história dos descendentes de Jacó, em vez de a história das nações e das famílias do solo que ainda hão de ser abençoadas pelo “descendente” messiânico. Também, o Deus de Abraão e de Isaque veio a ser chamado de “Deus de Jacó”. Isto não se pode dizer de Esaú (ou Edom), que não se distinguiu na adoração de Jeová e cujos descendentes tornaram-se inimigos dos adoradores de Jeová. O ídolo Qos era o ‘deus de Edom’. (2 Crônicas 25:14; Ezequiel, capítulo trinta e cinco) O templo construído mais tarde em Jerusalém veio a ser chamado de “casa do Deus de Jacó”. (Isaías 2:3) O inspirado salmista diz, como exemplo para nós hoje, nestes dias atribulados: “Jeová dos exércitos está conosco; o Deus de Jacó é para nós uma altura protetora.” — Salmo 46:11.

      ESCOLHA DA TRIBO REAL

      9. (a) Por que foram os descendentes de Jacó chamados israelitas? (b) Em que lugar tornou-se Jacó pai de seu décimo segundo filho?

      9 Enquanto estava lá em Padã-Harã no vale mesopotâmico, durante vinte anos, Jacó casou-se na relação familiar aprovada pelo seu pai Isaque e tornou-se pai de onze filhos. Deus lhe disse então que voltasse à Terra da Promessa, da qual havia fugido. (Gênesis 31:3) Foi enquanto Jacó estava retornando, que recebeu o cognome de Israel. O anjo de Deus disse-lhe: “Não serás mais chamado pelo nome de Jacó, mas, sim, Israel, pois contendeste com Deus e com homens, de modo que por fim prevaleceste.” (Gênesis 32:28) Os descendentes de Jacó, depois disso, foram chamados de israelitas. (Êxodo 17:11) Mais tarde, quando Jacó ou Israel estava retornando duma revisita a Betel, onde havia tido o sonho da escada, tornou-se pai de seu décimo segundo filho, Benjamim. Mas na ocasião de dar à luz este seu segundo filho, faleceu a esposa amada de Jacó, Raquel. Conforme registrado em Gênesis 35:19, “Raquel morreu assim e foi enterrada no caminho de Efrata, isto é, Belém”.

      10. Durante a permanência continuada de Jacó na Terra da Promessa, que desqualificações sofreu Rubem?

      10 Depois de Jacó retornar à Terra da Promessa, em 1761 A. E. C., ele continuou a morar ali por trinta e três anos como residente forasteiro. Durante este tempo, aconteceu um número de coisas significativas, mas não segundo qualquer plano de Deus. Faleceu o pai de Jacó, Isaque, à idade de cento e oitenta anos. (Gênesis 35:27-29) O filho mais velho de Jacó, Rubem, violentou a concubina de seu pai, Bila, serva de Raquel. (Gênesis 35:22) Isto desqualificou Rubem de usufruir o direito de primogênito de seu pai Jacó e também de que o Messias régio viesse por intermédio de sua descendência. Isto certamente não foi planejado por Jeová Deus, porque Ele não se envolve em tal fornicação incestuosa. — Gênesis 49:1-4.

      11, 12. (a) Como se desqualificaram Simeão e Levi com respeito a terem oportunidade quanto à linhagem messiânica? (b) O que tinha de fazer então Deus quanto à escolha?

      11 Antes da morte de Raquel e do ato de imoralidade chocante de Rubem, a filha de Jacó, Diná, foi violentada por um habitante da Terra da Promessa, a saber, Siquém, filho de Hamor, o heveu, que morava na cidade de Siquém. Houve grande indignação entre os filhos de Jacó, por causa desta “ignominiosa insensatez contra Israel”. Portanto, quando os varões de Siquém estavam incapacitados, por terem satisfeito a exigência da circuncisão, o segundo filho de Jacó, Simeão, e seu terceiro filho, Levi, tomaram espadas e massacraram todos os varões siquemitas insuspeitos, saqueando depois a cidade.

      12 Jacó, como profeta de Deus, desaprovou tal violência. Ele disse a Simeão e Levi que o haviam feito assim “mau cheiro para os habitantes do país” e que haviam exposto tanto a ele como a sua família ao extermínio pelos povos mais numerosos do país. (Gênesis 34:1-30) Por causa desta matança cruel em ira e fúria, Simeão e Levi desqualificaram-se de a descendência de qualquer deles conduzir até o “descendente” messiânico. De modo que este privilégio honroso tinha de ser concedido então a outro filho, além de Simeão e Levi, e o primogênito natural, Rubem. (Gênesis 49:5-7) Jeová Deus, certamente, não planejara isso assim. Teve de adaptar-se então a uma nova série de circunstâncias. Sua escolha entre os filhos ainda remanescentes de Jacó seria indicada por Ele mediante seu profeta, Jacó ou Israel.

      13, 14. Como vieram Jacó e sua família a mudar-se para o Egito, a fim de estarem lá com José?

      13 O primogênito da amada segunda esposa de Jacó, Raquel, era o décimo primeiro filho da família, a saber, José. Jacó demonstrou afeição especial a este filho de sua velhice. Por este motivo, os meios-irmãos de José ficaram com ciúmes dele. Sem o conhecimento de seu pai, fizeram com que José fosse vendido a mercadores viajantes, que desciam ao Egito. Deram a entender a seu pai Jacó que José fora morto por uma fera selvagem.

      14 José foi vendido em escravidão no Egito, mas pelo favor de Deus, a quem adorava e obedecia fielmente, foi elevado para ser administrador de alimentos e primeiro-ministro do Egito, debaixo de Faraó: No ano 1728 A. E. C., José ficou reconciliado com seus meios-irmãos arrependidos, que haviam descido ao Egito para obter mantimentos durante a fome mundial. Depois, por arranjos de José, seu pai Jacó ou Israel mudou-se com toda a sua família para o Egito e estabeleceu-se na chamada Terra de Gósen. Ali Jacó continuou a viver mais dezessete anos. — Gênesis, capítulos 37-47.

      15, 16. Ainda sendo herdeiro de que entrou Jacó no Egito, e como se traz isso à atenção no Salmo 105:7-15?

      15 Foi às instruções de Deus que Jacó partiu da Terra da Promessa e desceu ao Egito, a convite de José. (Gênesis 46:1-4) Desceu para lá ainda herdeiro da Promessa Abraâmica e como aquele que podia transmiti-la. O Salmo 105:7-15 salienta isso e diz:

      16 “Ele é Jeová, nosso Deus. Suas decisões judiciais estão em toda a terra. Lembrou-se do seu pacto, sim, por tempo indefinido, da palavra que ele ordenou, por mil gerações, pacto que concluiu com Abraão, e sua declaração juramentada a Isaque, e qual declaração ele manteve de pé como regulamento, sim, para Jacó, como pacto de duração indefinida, sim, para Israel, dizendo: ‘A ti te darei a terra de Canaã, como lote da vossa herança.’ Isto se deu quando vieram a ser poucos em número, sim, muito poucos, e residentes forasteiros nela. E andavam de nação em nação, de um reino a outro povo. Ele não permitiu que algum homem os defraudasse, mas por causa deles repreendeu reis, dizendo: ‘Não toqueis nos meus ungidos [em hebraico, o plural de mashíahh, ou messias] e não façais nada de mal aos meus profetas.’” — NM, versão marginal da edição inglesa de 1971.

      17. Por que falou Jeová a respeito de Abraão, Isaque e Jacó como sendo “profetas” e seus “ungidos”?

      17 Assim, Jeová chamou Abraão, Isaque e Jacó de seus profetas, e eles realmente os eram. (Gênesis 20:7) Podia-se chamar um profeta de ungido, por ter sido designado e nomeado, mesmo sem o derramamento de óleo oficial sobre ele. (1 Reis 19:16, 19; 2 Reis 2:14) Do mesmo modo, embora Abraão, Isaque e Jacó não fossem ungidos com óleo, do modo como Jacó ungiu a coluna no lugar chamado Betel, foram corretamente chamados de “ungidos” por causa da ação de Jeová para com eles. (Gênesis 28:18, 19; 31:13) Chamá-los Jeová de “meus ungidos” indicava que ele os designara, que os escolhera. A tradução bíblica inglesa de Moffatt verte o Salmo 105:15: “Nunca toqueis nos meus escolhidos, nunca façais mal aos meus profetas.” (Também 1 Crônicas 16:22) Jeová escolhe a quem quer; há um propósito atrás de sua escolha.

      18. Por conseguinte, a nação que havia de proceder de Abraão, Isaque e Jacó também recebeu que designação, e por que era isso apropriado?

      18 Abraão, Isaque e Jacó eram “messias” de Jeová, e é em harmonia com isso que a nação messiânica veio por meio deles. As Escrituras Sagradas falam desta nação escolhida como sendo o “messias” ou “ungido” de Jeová. No Salmo 28:8, 9, o salmista Davi diz: “Jeová é uma força para seu povo, e ele é baluarte da grandiosa salvação do seu ungido [em hebraico: mashíahh]. Salva deveras o teu povo e abençoa a tua herança; e pastoreia-os e carrega-os por tempo indefinido.” Mais tarde, o profeta Habacuque disse a Jeová em oração: “Saíste para a salvação do teu povo, para salvar o teu ungido [mashíahh].” (Habacuque 3:13) Era em harmonia com isso que, mediante esta nação ou este povo “ungido”, no tempo designado de Deus, devia vir o verdadeiro Messias, o “descendente” da “mulher” celestial de Deus. — Gênesis 3:15.

      19. O que foram chamados os filhos de Jacó, sendo chefes de doze tribos?

      19 Foi lá no Egito que os descendentes de Jacó tornaram-se um povo numeroso, pronto para ser uma nação. Foi a respeito do tempo em que Jacó estava no seu leito de morte (em 1711 A. E. C.) e proferiu suas palavras de despedida aos seus filhos que se disse: “Todos estes são as doze tribos de Israel, e isto é o que o seu pai lhes falou ao abençoá-los. Ele os abençoou, a cada um segundo a sua própria bênção.” (Gênesis 49:28) Tornando-se cada um chefe duma tribo, estes doze filhos de Jacó foram chamados “patriarcas”, ou ‘chefes dos pais’. Conforme disse certa vez um orador perante o Sinédrio de Jerusalém: “Deu-lhe o pacto da circuncisão; e assim gerou a Isaque, e o circuncidou ao oitavo dia, e Isaque a Jacó; e Jacó aos doze patriarcas. E os patriarcas, movidos de inveja, venderam a José para o Egito; mas Deus era com ele.” (Atos 7:8, 9, Almeida, revista e corrigida) Os judeus de língua grega falavam corretamente sobre o “patriarca Abraão” e também sobre o “patriarca Davi”. — Hebreus 7:4; Atos 2:29, Almeida.

      20. Estabeleceu-se assim em Israel um patriarcado religioso?

      20 Isto não significava, porém, que se estabelecia um patriarcado religioso entre os descendentes de Jacó lá no Egito. Após a morte de Jacó, na terra de Gósen, José, como primeiro-ministro do Egito para Faraó, não se arvorou em chefe patriarcal das “doze tribos de Israel”, embora a bênção final de seu pai sobre ele indicasse que o direito da primogenitura havia sido transferido para José. — Gênesis 49:22-26; 50:15-26.

      21. (a) Jacó indicou que o direito de primogênito foi então transferido para quem? (b) De quem dependia a escolha quanto a quem encabeçaria a linhagem que levaria ao rei messiânico?

      21 Pelas bênçãos proféticas que proferiu sobre seus doze filhos, o patriarca Jacó revelou mais do que a transferência da primogenitura ou do direito do primogênito de Rubem, primogênito de Jacó de sua primeira esposa Léia, para José, primogênito de sua segunda esposa Raquel. (Gênesis 29:21-32) Antes de venderem José em escravidão ao Egito, seus meios-irmãos ressentiam-se da idéia de que se tornasse rei sobre eles. (Gênesis 37:8) Mas, já muito antes disso, quando Deus deu ao patriarca Abraão o pacto da circuncisão, Deus predissera que reis procederiam de Abraão, e isto por meio de sua esposa Sara, cujo nome Deus mudou então de Sarai para Sara, significando “Princesa”. (Gênesis 17:16) Também, quando Deus mudou o nome de Jacó para Israel, prometeu que procederiam de Jacó. (Gênesis 35:10, 11) No entanto, o direito do primogênito da família não levava consigo automaticamente o direito e a honra de ser o antepassado da linhagem de reis que levaria ao Rei messiânico, o “descendente” da “mulher” celestial de Deus. Este assunto vital dependia da escolha de Deus. Ele fez com que Jacó indicasse qual dos filhos seria antepassado de tal Rei.

      22. Ao abençoar que filho referiu-se Jacó a um “cetro” e a um “batismo de comandante”?

      22 Depois de expressar sua desaprovação de Rubem, Simeão e Levi, o moribundo Jacó disse com referência ao seu quarto filho, de sua primeira esposa Léia: “Quanto a ti, Judá, teus irmãos te elogiarão. Tua mão estará sobre a cerviz dos teus inimigos. Os filhos de teu pai se prostrarão diante de ti. Judá é um leãozinho. Subirás certamente da presa, filho meu. Abaixa-se, espicha-se como o leão, e como a um leão, quem se atreve a acordá-lo? O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de comandante de entre os seus pés, até que venha Siló; e a ele pertencerá a obediência dos povos.” — Gênesis 49:8-10.

      23. Todas estas particularidades, o cetro, o bastão de comandante, a obediência dos povos e a comparação com um leão indicavam o que a respeito de Judá?

      23 Notemos a comparação que Jacó fez de Judá com um leão. Miquéias 5:8 compara o leão ao rei dos animais da floresta. Ezequiel 19:1-9 compara os reis do reino de Judá a leões. Portanto, comparar Jacó a Judá com um leão harmoniza-se bem com o fato de que o cetro não se ‘afastaria de Judá’, dando a entender que Judá já tinha o cetro e não o perderia, nem ficaria privado dele. Que este era o cetro do reinado é apoiado por se relacionar o cetro com o “bastão de comandante”, que tampouco se afastaria de Judá, antes de vir Siló. Além disso, a Judá, conforme representado por este Siló, ‘pertenceria a obediência dos povos’. (Gênesis 49:10) Todas estas particularidades a respeito de Judá indicam realeza!

      24, 25. (a) O que significa o nome Siló e a quem se aplica? (b) Por que não se afastaria de Judá o cetro real?

      24 Entende-se que o nome Siló significa “Aquele de Quem É”. A antiga Vulgata latina, traduzida do texto original hebraico daqueles dias, reza: “Até que venha aquele que há de ser enviado.”

      25 A vinda deste Siló (“Aquele de Quem É”) refere-se ao mesmo cuja vinda é predita nas palavras do Soberano Senhor Jeová ao último rei judeu de Jerusalém: “Uma ruína, uma ruína, uma ruína a farei. Também quanto a esta, certamente não virá a ser de ninguém até que venha aquele que tem o direito legal, e a ele é que terei de dá-lo.” (Ezequiel 21:27) Sem dúvida, isto se refere à vinda do Rei messiânico, “descendente” da “mulher” figurativa de Deus, porque com a vinda dele não há mais necessidade de uma sucessão adicional de reis após ele. O reino da tribo de Judá atinge então seu clímax e permanece para sempre nas mãos de Siló. Este é o Rei messiânico que se sentará à mão direita de Jeová, nos céus, e será rei igual a Melquisedeque, a quem o patriarca Abraão pagou dízimos dos despojos da vitória. (Salmo 110:1-4) Deste modo, o cetro real não se afastará de Judá.

      26. (a) Como mostra 1 Crônicas 5:1, 2, a diferença entre o direito de primogênito e as atribuições régias? (b) Apesar dos desenvolvimentos não planejados, Jeová estava livre e habilitado para fazer o quê?

      26 Que o direito do filho primogênito da família era uma coisa e a atribuição da liderança régia era outra coisa, e que Deus, mediante o moribundo patriarca Jacó, atribuiu a liderança régia a Judá, é dito claramente na Escritura. Em 1 Crônicas 5:1, 2, lemos a respeito dos filhos de Jacó: “E os filhos de Rubem, primogênito de Israel — pois era o primogênito; mas por profanar o leito conjugal de seu pai, deu-se o seu direito de primogênito aos filhos de José, filho de Israel, de modo que [Rubem] não foi registrado genealogicamente para o direito de primogênito. Porque o próprio Judá mostrou-se superior entre os seus irmãos e o líder procedia dele [e dele veio o príncipe (Almeida, atualizada); e é dele que saiu o príncipe (Centro Bíblico Católico, 5.ª edição)]; mas a primogenitura era de José.” Não podemos dizer aqui que o Deus Todo-poderoso, Todo-sábio, planejasse isso assim, porque ele não induziu as más ações de Rubem, Simeão e Levi, nem as conseqüências delas. Antes, pelo modo em que resultaram os desenvolvimentos não planejados, ele estava livre para escolher Judá. Não importava o que acontecesse, podia apegar-se ao seu propósito original e levá-lo a cabo, sem mudança.

      27, 28. (a) Em que nação, pois, fixaremos os olhos, e em que parte específica dela? (b) Por agirmos de acordo com a evidência que Deus fornece, que benefícios usufruiremos?

      27 As escolhas e atuações de Deus servem para nós de guia seguro, ao considerarmos Seu “propósito eterno” que ele formou em conexão com o Ungido, o Messias. Em vista das palavras proféticas que inspirou que o moribundo patriarca Jacó proferisse a respeito de Judá sabemos que proceder devemos seguir. Temos de manter os olhos fixos, não apenas nas doze tribos de Israel em geral, mas em especial na tribo de Judá, por causa de sua relação direta com o messias de Jeová, o “descendente” de Sua “mulher” celestial. Acumula-se cada vez mais evidência para ajudar-nos a identificar este Rei messiânico, envolvido no “propósito eterno” de Deus.

      28 Por agirmos de acordo com a evidência que o Soberano Senhor Jeová nos fornece, evitaremos tornar-nos seguidores dum Messias falso e desapontador. Antes, teremos a alegria de reconhecer o verdadeiro Messias da parte de Deus e seguir aquele por meio de quem todas as nações da terra procurarão uma bênção eterna.

  • Uma nação que entrou num pacto com Deus
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 9

      Uma nação que entrou num pacto com Deus

      1. As nações atuais são materialistas demais para formar uma organização debaixo dum tratado com quem?

      EM ASSUNTOS internacionais, é costumeiro que um estado faça um tratado com outro estado para defesa mútua ou relações pacíficas, intercâmbio cultural ou outras considerações. Vários estados políticos talvez formem uma organização debaixo dum tratado, tal como hoje há a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Organização do Tratado de Varsóvia (ou: Pacto de Varsóvia) ou a Organização do Tratado do Sudeste Asiático (OTSEA). Mas que estado político ou nação está hoje num pacto com Deus? As nações atuais são materialistas demais para formar uma organização de tratado no qual um Ser invisível, celestial, seja partícipe.

      2. A que perguntas gostaríamos de ter respostas a respeito duma nação que entrou num pacto com Deus?

      2 Antigamente, porém, havia uma nação real, viva, na terra, que entrou num pacto com o Deus Altíssimo do céu. Isto significava a existência dum pacto entre um partícipe terrestre e um partícipe celeste, um partícipe visível e outro invisível. Cada pacto tem uma finalidade declarada. Qual era a finalidade daquele pacto histórico entre uma nação na terra e o único Deus vivente e verdadeiro no céu? Como se fez tal pacto aparentemente desproporcional? Estas são perguntas a que queremos agora respostas.

      3. Quem seria o devido para providenciar os termos, o mediador, as condições e o tempo de tal pacto?

      3 Sendo todo-sábio e todo-poderoso, o Deus Altíssimo seria o Devido a oferecer ou mesmo propor tal pacto com uma nação de pessoas imperfeitas e pecadoras. Nessas circunstâncias, seria apropriado que Ele declarasse o propósito do pacto e ditasse seus termos, designando um mediador entre Si e os homens. Apresentaria as condições nas quais o pacto vigoraria e escolheria também o tempo da celebração de tal pacto ou aliança. O tempo fixado por Deus com muita antecedência foi o século dezesseis antes de nossa Era Comum (ou A. E. C.).

      4. Ao celebrar um pacto formal sobre sacrifícios com Abraão, que período de tempo predisse Deus para o descendente deste?

      4 Deus havia celebrado um pacto formal sobre sacrifícios com o antepassado desta nação inteira, que havia de ser incluída num pacto nacional, no tempo devido. Foi depois de Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, proferir uma bênção sobre o militarmente vitorioso Abraão que Deus fez com Abraão este pacto formal sobre sacrifícios. Ao assegurar fortemente a Abraão que a promessa divina se cumpriria na descendência de Abraão, Deus disse-lhe: “Sabe com certeza que o teu descendente se tornará residente forasteiro numa terra que não é sua, e eles terão de servir-lhes, e estes certamente os atribularão por quatrocentos anos. Mas eu estou julgando a nação à qual servirão, e depois sairão com muitos bens. Quanto a ti, irás em paz para os teus antepassados; serás enterrado numa boa velhice. Na quarta geração, porém, voltarão para cá, porque ainda não se completou o erro dos amorreus.” — Gênesis 15:13-16.

      5. O longo tempo que havia de passar antes de o descendente de Abraão ocupar a Terra da Promessa permitiria a ocorrência de quê?

      5 Assim, a posse desta terra pela descendência natural de Abraão foi adiada em mais de quatrocentos anos. Este longo período permitiria que a descendência natural, escolhida, de Abraão aumentasse para ser um povo de muitos membros, bastante numeroso para desalojar os ocupantes amorreus da terra de Canaã, os quais iam de mal a pior no “erro” de seu proceder pagão. Embora a descendência natural de Abraão aumentasse para ser um povo muito grande numa terra estrangeira fora de Canaã, Deus lhe reservaria esta terra até que o “erro” dos habitantes da terra prometida se tornasse tão grave, que eles merecessem ser expurgados do país. Jeová Deus garantiu então com um pacto formal que ele daria este território à descendência natural de Abraão quando o tempo fosse certo para isso.

      “Naquele dia Jeová concluiu um pacto com Abraão, dizendo: ‘À tua descendência hei de dar esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o rio Eufrates: os queneus, e os quenizeus, e os cadmoneus, e os hititas, e os perizeus, e os refains, e os amorreus, e os cananeus, e os girgaseus, e os jebuseus.’” — Gênesis 15:18-21.

      6. Anularia o pacto nacional a Promessa Abraâmica? E para que fim serviria com respeito aos descendentes de Abraão?

      6 Em contraste com este pacto divino com apenas um homem, Abraão, o pacto que Deus tinha em mente seria com uma grande nação de descendentes de Abraão através da linhagem escolhida. Este pacto nacional seria acrescentado à Promessa Abraâmica, a qual ficou validada quando Abraão cruzou o rio Eufrates, ao norte, e entrou no território incluído dentro das fronteiras especificadas pelo pacto formal de Deus com Abraão, sobre sacrifício. (Gênesis 12:1-7) A celebração do pacto com a nação dos descendentes de Abraão não anulou a Promessa Abraâmica, mas ele apenas lhe foi acrescentado. Isto era sábio, porque nem todos os descendentes carnais de Abraão mostrar-se-iam aptos para participar na Promessa Abraâmica quanto ao seu cumprimento para a bênção de todas as nações e famílias do solo. Por isso, o pacto nacional acrescentado serviria bem como ajuda ou meio de preparar os dignos para acolherem e seguirem lealmente o verdadeiro Messias, o “descendente” prometido da “mulher” celestial de Deus, quando Deus o enviasse e ungisse.

      7. Por que motivos não celebraria Deus o pacto com os descendentes de Abraão antes do fim daqueles quatrocentos anos?

      7 A celebração deste pacto nacional, adicional, só ocorreria depois de passarem mais de quatrocentos anos após Deus ter celebrado este pacto com Abraão sobre sacrifício, visto que Abraão, naquele tempo, não tinha descendente nenhum de sua então estéril esposa Sara. Além disso, Deus não faria um pacto com os descendentes de Abraão enquanto estivessem em servidão e fossem atribulados por uma nação estrangeira. Especialmente não quando a celebração do pacto exigia o tipo de sacrifício que era detestável e abominável para a nação que os atribulava e escravizava. (Êxodo 8:25-27) Só depois de Deus ter julgado adversamente a nação opressora e liberto seu povo, tornando-o livre para entrar num pacto com Ele, estabeleceria Deus um pacto com eles. Isto se daria no fim dos preditos “quatrocentos anos”. Notamos assim que Jeová Deus marcou seus próprios períodos para o cumprimento de seu “propósito eterno” em conexão com o seu Ungido, o Messias.

      8, 9. (a) Que período começou quando Isaque foi desmamado, e por quê? (b) Para que era tempo o fim daquele período, no que se referia à descendência natural de Abraão?

      8 Vinte e cinco anos depois de Abraão entrar na Terra da Promessa, ou à idade de cem anos, tornou-se pai de seu único filho de sua esposa legítima, Sara, o que se deu, naturalmente, por milagre divino. Isto ocorreu no país que ainda não pertencia nem a Abraão, nem ao seu filho Isaque. Foi quando Isaque foi desmamado que a tribulação começou para o “descendente” natural por meio de quem viria o Messias. Isto aconteceu quando o meio-irmão de Isaque, Ismael, de dezenove anos, caçoou desrespeitosamente do recém-desmamado Isaque. Tal conduta que indicava ciúme podia constituir-se em ameaça para a vida do herdeiro de Abraão, Isaque, dado por Deus. — Gênesis 16:11, 12.

      9 Segundo as medidas de tempo, este começo da atribulação da “descendência” de Abraão numa terra que não era sua ocorreu quando Abraão tinha cento e cinco anos de idade e Isaque tinha cinco anos. Isto se deu no ano 1913 A. E. C. (Gênesis 21:1-9; Gálatas 4:29) Concordemente, os “quatrocentos anos” de atribulação da “descendência” natural de Abraão terminariam em 1513 A. E. C. Este seria o ano em que a descendência de Abraão sairia da terra da nação opressora e começaria a voltar para a terra de seus antepassados, a Terra da Promessa. Este foi o tempo devido para Deus celebrar o pacto nacional com a “descendência” de Abraão, a fim de introduzi-los na Terra da Promessa qual nação num pacto válido com Ele. O tempo para isso, no fim dos quatrocentos anos, também era quatrocentos e trinta anos depois de Abraão ter cruzado o rio Eufrates e ter entrado em vigor a Promessa Abraâmica. — Êxodo 12:40-42; Gálatas 3:17-19.

      CELEBRAÇÃO DUM PACTO NACIONAL

      10. Até que ponto cresceu a descendência natural de Abraão no Egito, mas, finalmente, sob que condições?

      10 Desde quando o neto de Abraão, Jacó, se mudou com sua família para fora da terra de Canaã, e até o fim dos quatrocentos anos, os descendentes de Jacó, as doze tribos de Israel, encontravam-se na terra do Egito camítico (não do Egito arábico, como hoje). Conforme predito por Jeová Deus sobreviera à “descendência” natural de Abraão a atribulação e ela se tornara então muito severa. O objetivo dela era exterminar o povo do amigo de Deus, Abraão. Apesar disso, este havia aumentado até se tornar semelhante às estrelas dos céus e aos grãos de areia à beira do mar, inúmero, conforme Deus prometera. Por fim, puderam convocar “seiscentos mil varões vigorosos a pé”, aptos para o serviço militar. (Êxodo 12:37) Não, Deus não se esquecera de seu pacto com seu amigo Abraão. Ele manteve também o tempo marcado que anunciou. Por isso, Ele estava pronto para a devida ação no devido tempo.

      11. A quem suscitou Deus para ser líder de Israel e como tentou este mostrar-se líder?

      11 Quem seria então o líder visível deles? Deus não escolheu o maioral da tribo de Judá, como se isto fosse obrigatório por causa da bênção do Reino que Jacó proferira sobre Judá. (Gênesis 49:10; 1 Crônicas 5:1, 2) Antes, o Deus Altíssimo, com seu direito inerente de escolha, selecionou um homem apto da tribo de Levi, Moisés, bisneto de Levi. (Êxodo 6:20; Números 26:58, 59) Quarenta anos antes do fim dos quatrocentos anos, Moisés decidiu-se contra viver na corte de Faraó do Egito e lançou a sua sorte com seus irmãos israelitas, oferecendo-se-lhes como seu líder, a fim de guiá-los para fora da escravidão. “Supunha que os seus irmãos compreenderiam que Deus lhes estava dando salvação por sua mão, mas eles não o compreenderam.” Não foi então que Deus enviou Moisés para livrar o povo escravizado. Moisés viu-se obrigado a fugir diante do empenho de Faraó de matá-lo. Refugiou-se na terra de Midiã, casou-se e tornou-se pastor de seu sogro. — Êxodo 2:11 até 3:1; Atos 7:23-29.

      12. Quando e onde se tornou Moisés o “ungido” de Jeová, e com que missão?

      12 Passaram-se quarenta anos, e Moisés atingiu oitenta anos de idade. Daí, enquanto Moisés pastoreava o rebanho na península de Sinai, o anjo de Deus manifestou-se milagrosamente a Moisés ao sopé do Monte Horebe, cerca de trezentos e vinte quilômetros ao sudeste do atual Canal de Suez. Ali, em Horebe, Jeová Deus como que esclareceu seu nome a Moisés, dizendo: “‘Mostrarei Ser o Que Eu Mostrar Ser.’. . . Isto é o que deves dizer aos filhos de Israel: ‘Mostrarei Ser enviou-me a vós.’” (Êxodo 3:2-14) Deus nomeou assim Moisés como Seu profeta e representante, e Moisés, podia então ser chamado corretamente de “ungido” ou “messias”, assim como seus antepassados Abraão, Isaque e Jacó. (Salmo 105:15; Atos 7:30-35; Hebreus 11:23-26) Jeová indicou que seria no monte Horebe que Ele faria um pacto com o povo de Moisés, porque Jeová disse que Moisés os traria para fora do Egito a este monte, a fim de O servirem ali. — Êxodo 3:12.

      13. Como foi Faraó levado ao ponto de mandar que os Israelitas abandonassem o Egito?

      13 Por causa da repetida recusa de Faraó, de deixar ir os israelitas, Jeová trouxe uma série de pragas sobre ele e seu povo. A décima e última praga foi a que quebrantou o coração obstinado de Faraó e sua resistência. Esta praga abateu na morte todos os primogênitos das famílias egípcias e de seus animais domésticos. Os israelitas foram poupados à morte de seus primogênitos porque obedeceram a Jeová Deus e celebraram a refeição pascoal, sua primeira, nos seus lares. O anjo de julgamento, de Jeová, observando o sangue do cordeiro pascoal aspergido nas ombreiras e na verga das portas de seus lares, passou-os por alto e a morte não invadiu o círculo familiar. Nasom, pai de Salmom, da tribo de Judá, foi poupado com vida, assim como também Nadabe, primogênito do irmão mais velho de Moisés, Arão. Mas o primogênito de Faraó morreu. Em pesar e às instâncias dos egípcios enlutados, Faraó ordenou que os israelitas incólumes saíssem do país. — Êxodo 5:1 a 12:51.

      14. Que períodos terminaram naquele primeiro dia de páscoa e o que ordenou Deus com respeito àquela noite?

      14 Esta noite momentosa de Páscoa do ano 1513 A. E. C encerrou simultaneamente vários períodos marcados de tempo. Terminaram os quatrocentos anos de atribulação da descendência natural de Abraão, numa terra que não era sua. Terminaram duzentos e quinze anos de residência no Egito, desde a entrada ali do patriarca Jacó. Terminaram quatrocentos e trinta anos contados desde que Abraão cruzou o rio Eufrates e começou a morar na Terra da Promessa. Não é de se admirar que leiamos: “E a morada dos filhos de Israel que haviam morado no Egito, foi de quatrocentos e trinta anos. E sucedeu, ao fim dos quatrocentos e trinta anos, sim, sucedeu neste mesmo dia que todos os exércitos de Jeová saíram da terra do Egito. É uma noite de observância com respeito a Jeová, por tê-los feito sair da terra do Egito. Com respeito a Jeová, esta noite é uma de observância da parte de todos os filhos de Israel nas suas gerações.” — Êxodo 12:40-42.

      15. Como livrou Deus os israelitas dos egípcios perseguidores e o que cantaram então?

      15 Como estratagema, Jeová, mediante Moisés, levou seu povo liberto à margem do braço ocidental superior do Mar Vermelho. Pensando que os israelitas estivessem encurralados, Faraó, seus condutores de carros e seus cavaleiros foram no seu alcance e avançaram contra seus escravos escapados. Mas o Deus Todo-poderoso fez com que se abrisse uma passagem e os israelitas passaram de noite através do leito seco do mar para as margens da península de Sinai. Quando se permitiu que os egípcios entrassem no corredor de escape, Deus fez as águas do Mar Vermelho voltar contra eles e afogar tanto a eles como seus cavalos. A palavra de Deus não havia falhado, no sentido de que Ele julgaria aquela nação de opressores da “descendência” natural de Abraão. (Gênesis 15:13, 14) Salvos nas margens do Sinai, as testemunhas do julgamento de Jeová cantaram: “Jeová reinará por tempo indefinido, para todo o sempre. . . . Cantai a Jeová, pois ele ficou grandemente enaltecido. Jogou no mar o cavalo e seu cavaleiro.” — Êxodo 15:1-21.

      16. O que propôs Deus ao acampado Israel em Horebe e qual era o propósito disso?

      16 Assinalava um dia especial quando os israelitas, no terceiro mês lunar (sivã) depois de partirem do Egito, chegaram ao ermo de Sinai e se acamparam ao sopé do “monte do verdadeiro Deus”, Horebe. Era ali, conforme Jeová dissera a Moisés, que deviam servi-lo. (Êxodo 3:1, 12; 19:1) O profeta Moisés foi então convocado para agir qual mediador entre Deus e o povo acampado. Jeová propôs-se então fazer um pacto entre Si mesmo e o povo, e especificou o propósito do pacto. Ele disse a Moisés, lá no monte Horebe: “Isto é o que deves dizer à casa de Jacó e comunicar aos filhos de Israel: ‘Vós mesmos vistes o que fiz aos egípcios, para vos carregar sobre asas de águias e vos trazer a mim. E agora, se obedecerdes estritamente à minha voz e deveras guardardes meu pacto, então vos haveis de tornar minha propriedade especial dentre todos os outros povos, pois minha é toda a terra. E vós mesmos vos tornareis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.’” — Êxodo 19:3-6.

      17. Que proceder mostra se Jeová impunha o pacto aos israelitas salvos ou não?

      17 O Deus Altíssimo não impôs este pacto aos israelitas. Deixou-os escolher à vontade se queriam entrar num pacto com ele ou não, embora os salvasse do Egito e do Mar Vermelho. Tornar-se “propriedade especial” de Jeová? Tornar-se um “reino de sacerdotes e uma nação santa” Dele? Sim, era isto o que os israelitas desejavam então. Portanto, quando Moisés falou aos homens representativos do povo sobre o pacto proposto por Deus, então, conforme lemos, “todo o povo respondeu unanimemente e disse: ‘Tudo o que Jeová falou estamos dispostos a fazer’”. Moisés relatou então a decisão do povo a Jeová, o qual passou a fazer o pacto conforme concordado. — Êxodo 19:7-9.

      18. No terceiro dia, o que declarou Deus a Israel?

      18 No terceiro dia depois disso, Jeová, por meio de seu anjo no monte Sinai, ali em Horebe, declarou aos israelitas reunidos as Dez Palavras ou Dez Mandamentos. Podemos ler estes mandamentos em Êxodo 20:2-17.

      PREDITO UM MEDIADOR MAIOR

      19. (a) Por causa do espetáculo, o que pediram os israelitas a Moisés? (b) O que disse Moisés em resposta?

      19 O acontecimento foi espetacular! “Ora, todo o povo presenciava os trovões e os lampejos, e o som da buzina e o monte fumegante. Quando o povo chegou a ver isso, então estremeceu e ficou de longe. E começaram a dizer a Moisés: ‘Fala tu conosco, e escutemos; mas não fale Deus conosco, para que não morramos.’” (Êxodo 20:18, 19) A resposta de Deus, concordando com este pedido dos israelitas amedrontados, é apresentada mais plenamente em Deuteronômio 18:14-19. Ali, depois de dizer aos israelitas que Deus não lhes deu magos ou adivinhos como intermediários entre si mesmo e eles, Moisés prosseguiu:

      “Mas, quanto a ti, Jeová, teu Deus, não te deu nada disso. Um profeta do teu próprio meio, dos teus irmãos, semelhante a mim, é quem Jeová, teu Deus, te suscitará — a este é que deveis escutar — em resposta a tudo o que pediste a Jeová, teu Deus, em Horebe, no dia da congregação, dizendo: ‘Não me deixes mais ouvir a voz de Jeová, meu Deus, e não me deixes mais ver este grande fogo, para que eu não morra.’ A isso Jeová me disse: ‘Fizeram bem em falar assim. Suscitar-lhes-ei do meio dos seus irmãos um profeta semelhante a ti, e deveras porei as minhas palavras na sua boca e ele certamente lhes falará tudo o que eu lhe mandar. E tem de dar-se que o homem que não escutar as minhas palavras que ele falar em meu nome, deste eu mesmo exigirei uma prestação de contas.’”

      20, 21. (a) Era fácil para Israel crer que haveria outro profeta semelhante a Moisés? (b) Em que sentido seria este futuro profeta semelhante a Moisés, e em que escala?

      20 Um profeta semelhante a Moisés, com quem Deus falava como que “face a face”? Talvez fosse difícil para os israelitas aceitarem tal idéia, quando o próprio Moisés lhes falou sobre o que Deus dissera. Contudo, foi isto o que o Deus Todo-poderoso disse quanto a quem suscitaria para seu povo. ‘Semelhante a Moisés’ não significaria apenas igual a Moisés. O profeta prometido podia ser semelhante a Moisés e ainda assim ser maior do que Moisés.

      21 Desde os profetas israelitas após Moisés e até Malaquias, não houve profeta semelhante a Moisés e nenhum foi maior do que Moisés. (Deuteronômio 34:1-12) Mas que dizer do prometido Ungido, o Messias, que seria “descendente” da “mulher” celestial de Deus? (Gênesis 3:15) Deus falou evidentemente a respeito deste quando, no monte Sinai, falou a Moisés sobre um profeta futuro semelhante a Moisés. Semelhante a Moisés, este “descendente” messiânico seria Mediador entre Deus e os homens, porém, maior do que Moisés. Certamente, os adoradores do único Deus vivente e verdadeiro precisam agora que se faça mais por eles do que se fez pelo antigo Israel, mediante Moisés. Portanto, Moisés prefigurava o Profeta Maior de Jeová que havia de vir.

      22. Por que seria o vindouro profeta semelhante a Moisés contrário ao uso de imagens na adoração de Deus?

      22 Naquela ocasião, Jeová Deus disse também a Moisés: “Isto é o que deves dizer aos filhos de Israel: ‘Vós mesmos tendes visto que foi desde os céus que falei convosco. Não deveis fazer junto de mim deuses de prata, e não deveis fazer para vós deuses de ouro.’” (Êxodo 20:22, 23) Não se pode negar que esta é uma ordem contra o uso de imagens sem vida, mudas e feitas pelo homem, na adoração do Deus que falou do próprio céu. Salienta fortemente o que Deus disse no segundo dos Dez Mandamentos, conforme declarado em Êxodo 20:4-6. O Profeta messiânico semelhante a Moisés seria contra tal uso de imagens religiosas.

      23. Por que é este pacto com Israel comumente chamado Pacto da Lei?

      23 Antes da celebração do pacto por meio de seu mediador Moisés, Deus deu-lhe outras leis, em adição aos Dez Mandamentos. Essas são apresentadas em Êxodo, capítulos vinte e um até vinte e três inclusive. Foram escritas num rolo ou “livro”, disponível quando se celebrou formalmente o pacto. Visto que este pacto foi especialmente assinalado por se dar a lei divina a ser guardada pelo povo escolhido de Deus, era um pacto de lei e é comumente chamado de Pacto da Lei. Seu código de leis ou série de leis em forma ordeira é biblicamente chamado de “a Lei”.

      24. Quanto tempo após o pacto abraâmico foi feito o pacto da Lei, e ainda é válida a Promessa Abraâmica?

      24 Visto que a Lei deste pacto com Israel foi introduzida na forma dos Dez Mandamentos apenas cinqüenta ou cinqüenta e um dias após a noite da Páscoa no Egito, podia-se dizer corretamente que a Lei “veio à existência quatrocentos e trinta anos depois [do pacto abraâmico de 1943 A. E. C.]”. Dar-se a Israel a Lei depois dum intervalo tão longo não invalidava o pacto abraâmico, “de modo a abolir a promessa”. (Gálatas 3:17) A promessa de Deus, de abençoar todas as nações e famílias do solo mediante o “descendente” de Abraão ainda está de pé. Não falhará!

      25. Para quem foi feito obrigatório o pacto da Lei, e por se aplicar a ele o quê?

      25 Não devemos deixar de notar que o pacto da Lei com Israel foi validado, obrigando solenemente os partícipes do pacto, pela aplicação do sangue de vítimas sacrificiais. O registro em Êxodo 24:6-8 nos diz: “Moisés [como mediador] tomou então metade do sangue e o pôs em tigelas, e metade do sangue aspergiu sobre o altar. Por fim tomou o livro do pacto e o leu aos ouvidos do povo. Disseram então: ‘Tudo o que Jeová falou estamos dispostos a fazer e a ser obedientes.’ Portanto, Moisés tomou o sangue e aspergiu com ele o povo, e disse: ‘Eis o sangue do pacto que Jeová concluiu convosco com respeito a todas estas palavras.’” — Veja também Êxodo 24:3.

      26. O que foi representado pela aplicação do sangue ao altar de Deus e pela aspersão do povo com o sangue?

      26 O altar que Moisés construiu ao sopé do monte Sinai representava a Jeová Deus, a quem se ofereceram os sacrifícios neste altar. Portanto, pela aplicação da metade do sangue das vítimas animais a este altar, Jeová Deus foi representativamente incluído no pacto e obrigado por ele como partícipe nele. Por outro lado, pela aspersão da outra parte do sangue sacrificial sobre o povo, este também foi incluído no pacto como o outro partícipe deste, e foi solenemente obrigado com isso a cumprir seus termos, que se aplicavam a ele. As duas partes, Deus e a nação de Israel, foram assim unidas pelo sangue num pacto.

      27. Em conexão com o estabelecimento do pacto da Lei, o que prova que os israelitas não entraram nele de modo ignorante ou sob compulsão?

      27 A nação de Israel não entrou neste pacto de modo ignorante ou sob pressão e compulsão. No dia antes de solenizar-se o pacto com sangue, relataram-se-lhes as palavras e as decisões de Deus e eles as aceitaram. Conforme diz Êxodo 24:3: “Moisés foi então e relatou ao povo todas as palavras de Jeová e todas as decisões judiciais, e todo o povo respondeu de uma só voz e disse: ‘Todas as palavras que Jeová falou estamos dispostos a fazer.’” No dia seguinte, depois de Moisés ler o “livro do pacto” aos ouvidos de todo o povo, este repetiu sua aceitação da Lei de Deus, após o que foi aspergido com o sangue sacrificial. Tornou-se assim obrigatório para a nação inteira de Israel fazer o que Deus havia declarado ao propor o pacto, dizendo: “Agora, se obedecerdes estritamente à minha voz e deveras guardardes meu pacto, então . . .” — Êxodo 19:5, 6.

      28. Que parte participante do pacto da Lei foi questionada quanto à lealdade aos termos dele, e o que era necessário para que fosse santa?

      28 Podia-se esperar que o Deus Todo-poderoso fosse fiel à Sua parte neste pacto bilateral, porque Ele não muda. (Malaquias 3:6) Eram os israelitas sobre quem havia dúvida. Permaneceriam leais a Deus no cumprimento daquilo para que expressaram sua disposição? Estariam entre os leais que haviam de ser ajuntados a Jeová, em cumprimento do Salmo 50:4, 5: “Ele chama os céus acima e a terra para executar julgamento em seu povo: ‘Ajuntai-me os que me são leais [fiéis], os que concluem meu pacto sobre um sacrifício’”? (NM; Pontifício Instituto Bíblico) Haviam feito este pacto da Lei sobre uma série de sacrifícios, que eram para todo o povo, não individualmente como pessoas, mas como povo inteiro, como nação. Mostrar-se-iam “uma nação santa”? Para isso tinham de manter-se livres deste mundo.

      29, 30. (a) Tornou-se Israel um “reino de sacerdotes” só por entrar no pacto da Lei, ou então qual foi o arranjo para os sacerdotes? (b) Em que foram constituídos os varões habilitados das outras famílias da tribo de Levi?

      29 Só por entrarem neste pacto com o Deus Altíssimo não eram logo um “reino de sacerdotes”. De modo algum eram então um reino em que cada varão era sacerdote de Deus a favor de todas as outras nações da terra. Ainda não se cumprira para com eles a profecia de Isaías 61:6: “Quanto a vós, sereis chamados de sacerdotes de Jeová; dir-se-á que sois ministros de nosso Deus. Comereis os recursos das nações e na glória delas falareis exultantemente de vós mesmos.” Antes, segundo os termos do pacto da lei, os varões habilitados de apenas uma família em Israel foram constituídos sacerdotes, para servirem a favor de todos os demais da nação. Esta foi a família do irmão mais velho de Moisés, Arão, da tribo de Levi. Ele foi feito sumo sacerdote de Deus e os filhos dele foram feitos subsacerdotes. De modo que constituíam um sacerdócio arônico.

      30 Os varões aptos de todos os demais das famílias da tribo de Levi foram constituídos ministros do sacerdócio arônico, para ajudá-los no desempenho dos ofícios religiosos na casa de Deus, ou tenda de reunião, prevista no pacto da Lei. — Êxodo 27:20 até 28:4; Números 3:1-13.

      31. Por que não foram os sacerdotes arônicos também feitos reis em Israel?

      31 De modo que a tribo de Judá não tinha participação no sacerdócio do antigo Israel, porque desta tribo havia de vir o “líder” messiânico, o chamado “Siló”, a quem “pertencerá a obediência dos povos”. (Gênesis 49:10; 1 Crônicas 5:2) Assim, no antigo Israel, mantinham-se separados o reinado e o sacerdócio. Arão e seus filhos não foram constituídos reis-sacerdotes, sendo assim dessemelhantes de Melquisedeque.

      32. Que festividades deviam ser celebradas anualmente por Israel?

      32 Segundo o pacto da Lei, todo o povo devia celebrar três festividades nacionais na tenda ou no tabernáculo de adoração, cada ano. “Três vezes no ano todo macho teu deve comparecer perante Jeová, teu Deus, no lugar que ele escolher: na festividade dos pães não fermentados, e na festividade das semanas, e na festividade das barracas, e ninguém deve comparecer perante Jeová de mãos vazias. A dádiva da mão de cada um deve ser proporcional à bênção de Jeová, teu Deus, que ele te tiver dado.” (Deuteronômio 16:16, 17; Êxodo 34:1, 22-24) A festividade dos pães não fermentados era celebrada em conexão com a ceia pascoal, anual, que comemorava a libertação de Israel do Egito. A festividade das semanas era realizada no qüinquagésimo dia, quer dizer, depois de passarem sete semanas a partir de 16 de nisã; e naquele qüinquagésimo (ou pentecostal) dia apresentavam-se a Jeová as primícias da ceifa do trigo. A festividade das barracas (ou: dos tabernáculos) também era chamada de “festividade do recolhimento”, à saída do ano. Estas festividades anuais tinham os seus sacrifícios prescritos a Jeová. — Levítico 23:4-21, 33-43.

      33. Quando se celebrava o Dia da Expiação e por que era necessário repetir ano após ano os seus sacrifícios?

      33 Cinco dias antes de começar a celebração da festividade das barracas, realizava-se o “dia da expiação” (Iom Quipur) anual, no décimo dia do sétimo mês lunar contado a partir do mês primaveril de nisã ou abibe. Era em 10 de tisri. Neste dia, fazia-se uma expiação pelos pecados de toda a nação em relação pactuada com Jeová, sendo este o único dia do ano em que o sumo sacerdote arônico entrava no Santíssimo da tenda de reunião e aspergia o sangue das vítimas da expiação (um novilho e um bode) perante a arca sagrada do pacto, que continha a Lei escrita de Jeová. (Levítico 23:26-32; 16:2-34) Naturalmente, a morte e o sangue aspergido destas vítimas animais subumanas não podia realmente eliminar os pecados dos homens, aos quais esses animais foram sujeitos. Era pelo próprio motivo de que a morte e o sangue desses animais sacrificados realmente não tiravam os pecados da espécie humana que os sacrifícios do Dia da Expiação tinham de ser repetidos ano após ano.

      34. O que mostrava o pacto da Lei que Deus exigia para tirar o pecado humano e por que não podia nenhum israelita oferecer o exigido?

      34 Podemos ver o motivo disso. Deus ordenara claramente no pacto da Lei: “Se acontecer um acidente fatal, então terás de dar alma por alma, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, pancada por pancada.” (Êxodo 21:23-25; Deuteronômio 19:21) Em outras palavras, devia haver igual por igual, algo de valor equivalente por algo de valor correspondente. Portanto, uma vida humana não condenada devia ser dada por uma vida humana que passara a estar sob condenação. É por isso que se escreveu no Salmo 49:6-10: “Aqueles que confiam nos seus meios de subsistência e que se jactam da abundância das suas riquezas, nenhum deles pode de modo algum remir até mesmo um irmão, nem dar a Deus um resgate por ele, (e o preço de redenção da alma deles é tão precioso que cessou por tempo indefinido,) que ele ainda assim viva para sempre e não veja a cova. Pois vê que até mesmo os sábios morrem.” Precisa haver um resgate correspondente, e nenhum dos israelitas carregados de pecados podia provê-lo, a fim de remir a vida perfeita perdida por Adão.

      35. O que aconteceu ao sacerdócio arônico, e, por isso, donde se devia aguardar o sacrifício resgatador, redentor?

      35 O sacerdócio arônico que oferecia apenas sacrifícios animais na casa sagrada de Deus cessou há dezenove séculos atrás, no ano 70 E.C., quando Jerusalém e seu templo foram destruídos pelos exércitos romanos. Não há outra coisa a fazer senão aguardar o Rei messiânico, a respeito de quem Jeová Deus jurou que o faria “sacerdote por tempo indefinido à maneira de Melquisedeque”! (Salmo 110:1-4) Este deve ser o “descendente” da “mulher” celestial de Deus, descendente designado e habilitado por Deus para machucar a cabeça do iníquo, simbolizado por aquela “serpente” no Éden. Se esse não provesse o resgate redentor para toda a humanidade não haveria ajuda para nós humanos, nem perspectiva de vida eterna numa nova ordem justa sob Jeová Deus. Assim, os sacrifícios animais oferecidos no “dia da expiação” de Israel até o primeiro século E. C. tinham de ser representativos; tinham de retratar profeticamente o necessário sacrifício de resgate que havia de ser oferecido pelo Messias, o qual se torna sacerdote melquisedequiano, o Machucador da cabeça da serpente.

      36. Do mesmo modo, como devem ser encaradas as festividades realizadas sob o pacto da Lei?

      36 A mesma coisa se dá com aquelas festividades anuais que o pacto de Deus impunha ao antigo Israel. Não eram meras ocasiões sem significado para diversão e recreação nacionais. Tinham significado profético. Sendo ocasiões felizes, representavam as futuras provisões felizes que Deus faz para a humanidade. Deus dá a conhecer o significado bendito delas no seu tempo devido, segundo o seu “propósito eterno”.

      NAÇÃO COM MARAVILHOSAS OPORTUNIDADES

      37. Que oportunidade oferecia o pacto da Lei aos israelitas?

      37 No entanto, podia algum israelita obter a vida eterna para si mesmo por guardar perfeitamente a Lei do pacto com Deus, sem violar nem mesmo a mínima parte dela? O pacto da Lei oferecia a cada israelita a oportunidade de provar se era capaz de fazer isso. Em Levítico 18:5 menciona-se esta oportunidade, nas seguintes palavras: “Tendes de guardar os meus estatutos e as minhas decisões judiciais, cumprindo as quais o homem também tem de viver por meio delas. Eu sou Jeová.” Portanto, se algum israelita guardasse imaculadamente a Lei e obtivesse vida eterna por suas próprias obras, não precisaria do benefício dos sacrifícios do pacto da Lei. Tampouco precisaria da bênção da Promessa Abraâmica. (Gênesis 12:3; 22:18) Quem guardasse assim perfeitamente a Lei estabeleceria a sua própria justiça e seu próprio mérito de vida.

      38, 39. (a) O que mostra se quaisquer israelitas obtiveram a vida pela guarda perfeita da Lei? (b) Portanto, os serviços sacerdotais de quem são necessários perante Deus?

      38 No entanto, até mesmo o profeta Moisés morreu. Mesmo o sumo sacerdote Arão morreu. E morreu todo outro israelita, desde a celebração do pacto da Lei até o desaparecimento do sacerdócio arônico no ano 70 E.C., sim, até o dia de hoje. Mesmo depois de dezenove séculos desde a destruição do templo de Jerusalém, pelos romanos, os israelitas ortodoxos da atualidade passam por uma forma de celebração do Dia da Expiação ou Iom Quipur. Isto em si mesmo já é uma admissão da necessidade que têm da purificação do pecado, sim, de sua incapacidade de guardar perfeitamente a Lei e obter a vida eterna pelas suas próprias obras justas. E se eles não podiam fazer isso sob o pacto da Lei, como é que qualquer outro dos demais de nós, homens imperfeitos, pode fazê-lo?

      39 Em vista do que o pacto da Lei evidenciava claramente, todos estamos condenados perante o Deus, cuja atividade é perfeita. (Deuteronômio 32:4) Conforme o profeta Isaías disse mais de setecentos anos depois de se fazer o pacto da Lei com Israel: “Todas as nossas justiças são como um pano sujo.” (Isaías 64:6, Matos Soares; Almeida) Todos precisamos dos serviços do prometido Sacerdote melquisedequiano, que há de ser sacerdote para sempre.

      40. O que fez Moisés em 1.º de nisã de 1512 A. E. C. com respeito à adoração de Deus, e o que aconteceu então?

      40 Voltemos agora ao ano da celebração daquele pacto entre Jeová Deus e Israel por meio do mediador Moisés. Aquele ano lunar terminou e chegou o 1.º de nisã do ano calendar de 1512 A. E. C. Naquele dia, Moisés obedeceu à ordem de Deus e mandou erigir “o tabernáculo da tenda de reunião”, para que começasse ali a adoração de Deus. Moisés revestiu então seu irmão mais velho Arão e os filhos de Arão das vestes oficiais e ungiu-os com o santo óleo de unção, a fim de servirem como sumo sacerdote e subsacerdotes. “Assim acabou Moisés a obra. E a nuvem começou a cobrir a tenda de reunião e a glória de Jeová encheu o tabernáculo. E Moisés não pôde entrar na tenda de reunião, porque a nuvem residia sobre ela e a glória de Jeová enchia o tabernáculo.” — Êxodo 40:1-35.

      41. De que era evidência esta manifestação, e quando se completou a posse do sacerdócio?

      41 Esta era a evidência visível de que Jeová havia aceito esta construção para adoração e a havia santificado para Seu propósito. No sétimo dia daquele primeiro mês de nisã (ou abibe), completou-se a posse e a habilitação do sacerdócio arônico, e eles podiam depois supervisionar oficialmente todos os aspectos da adoração divina no tabernáculo sagrado. — Levítico 8:1 a 9:24.

      42. Além de ser seu Deus para adoração, o que mais era Jeová então para Israel, sem necessidade de haver um representante visível?

      42 Jeová era o Deus a quem a nação de Israel foi mandada adorar e que tinha a obrigação de adorar. Ele não era somente seu Deus. Era também seu Governante régio, seu Rei, a quem deviam submissão e lealdade. A desobediência às Suas leis e aos Seus mandamentos, portanto, seria insubordinação e deslealdade. Confirmando isso, o profeta Moisés, em Deuteronômio 33:5, chama a nação de Israel de Jesurum ou “Reto”, por ter entrado no pacto da Lei, e diz: “E havia um rei em Jesurum, quando os cabeças do povo foram ajuntados, todas as tribos de Israel juntas.” (Tradução inglesa da Sociedade Publicadora Judaica da América) E a nota marginal, editorial, daquele versículo, do falecido Dr. J. H. Hertz, C. H., diz: “Assim começou o Reino de Deus sobre Israel.” (Pentateuch and Haftorahs, Soncino Press, página 910) Jeová era seu invisível Rei celestial. Ele não precisava dum visível rei humano, terrestre, para representá-lo em Israel. — Gênesis 36:31.

      43, 44. De que maneira única havia o antigo Israel sido favorecido em comparação com todas as outras nações terrestres, e, por isso, como podiam louvar a Jeová?

      43 Quão altamente favorecida era aquela nação composta dos descendentes de Abraão, Isaque e Jacó (Israel), e que havia sido incluída num pacto com o único Deus vivente e verdadeiro! Eles tinham a adoração verdadeira dele e usufruíam a perspectiva de se tornarem para Ele um “reino de sacerdotes e uma nação santa”.

      44 Disse o profeta Amós: “Ouvi esta palavra que Jeová falou a vosso respeito, ó filhos de Israel, concernente à família inteira que fiz subir da terra do Egito, dizendo: ‘Somente a vós vos conheci dentre todas as famílias do solo.’” (Amós 3:1, 2) É exata a comparação expressa pelo salmista num dos salmos de Aleluia, dizendo: “Conta a sua palavra a Jacó, seus regulamentos e suas decisões judiciais a Israel. Ele não fez assim com nenhuma outra nação; e quanto às suas decisões judiciais, não as conheceram. Louvai a Já!”. (Salmo 147:19, 20) A nação favorecida deveras tinha bons motivos para louvar a Jeová por guardar seu pacto. Se faria isso, ou não, se demonstraria então durante o que poderia ser chamado de Era do Pacto da Lei, que então começara.

  • Pacto para um reino feito com Davi
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 10

      Pacto para um reino feito com Davi

      1. Que período é demarcado para nós em 1 Reis 6:1, e por que é apropriada tal medição do tempo?

      DEUS marca seus próprios períodos de tempo segundo o Seu “propósito eterno”. Um de tais períodos é demarcado para nós no livro de 1 Reis, capítulo seis, versículo um, onde está escrito: “E sucedeu no quadringentésimo octogésimo ano depois da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no quarto ano, no mês de zive, que é o segundo mês, depois de Salomão se ter tornado rei sobre Israel, que ele passou a construir a casa a Jeová.” Esta é uma medição apropriada do tempo, porque vai desde quando os israelitas foram libertos do Egito, sendo que pouco depois começaram a construir a casa de adoração no ermo de Sinai, até quando o Rei Salomão, filho de Davi, começou a construir o templo em Jerusalém. Vai de 15 de nisã de 1513 A. E. C. a 1.º de zive (ou íiar) de 1034 A. E. C. — Números 33:1-4; 1 Reis 6:37.

      2, 3. (a) Por que peregrinaram os israelitas por tanto tempo no ermo de Sinai? (b) Quanto tempo levaram para subjugar a Terra Prometida, sendo então governados de que modo durante séculos?

      2 Naturalmente, muita coisa aconteceu durante estes quase cinco séculos. Por falta de fé na capacidade de Deus de subjugar as nações que então habitavam a Terra da Promessa, os israelitas foram obrigados a peregrinar no ermo de Sinai por quase quarenta anos. Durante este tempo, os israelitas mais idosos, que se haviam revoltado contra a invasão da Terra da Promessa sob a liderança de Deus, no segundo ano de seu êxodo, extinguiram-se. (Números 13:1 até 14:38) No fim dos quarenta anos, Deus os levou milagrosamente através do rio Jordão em cheia para a Terra da Promessa, a terra de Canaã.

      3 Então, sob a liderança de Josué, sucessor de Moisés, começaram anos de guerra para subjugar o país. Segundo as palavras do fiel Calebe, filho de Jefuné, da tribo de Judá por ocasião da divisão da terra ocupada entre as famílias de Israel, os israelitas levaram seis anos para conquistar o país e desapossar seus habitantes. (Josué 14:1-10) Depois, Deus deu aos então estabelecidos israelitas, durante séculos, uma série de juízes, até se introduzir uma mudança na forma do governo nacional nos dias do profeta Samuel. Um cronologista judaico de há dezenove séculos atrás mediu resumidamente para nós este período. Falando certo sábado numa sinagoga em Antioquia da Pisídia, na Ásia Menor, este cronologista disse:

      4, 5. (a) Que período marcou aquele cronologista bíblico na história de Israel antes de eles terem Juízes? (b) Com que acontecimentos começou e terminou este período?

      4 “Varões israelitas, e vós que temeis a Deus, ouvi: O Deus deste povo de Israel escolheu nossos pais e exaltou este povo, enquanto eram estrangeiros na terra do Egito, de onde os tirou com o seu braço levantado, e os alimentou no deserto, durante cerca de quarenta anos. E destruindo sete nações na terra de Canaã, distribuiu entre eles o território delas e deu-lhas, em herança, por espaço de cerca de quatrocentos e cinqüenta anos [tudo isso durante cerca de quatrocentos e cinqüenta anos, NM]. Depois disso, deu-lhes juízes até ao profeta Samuel. Depois pediram um rei; e Deus deu-lhes Saul, Filho de Cis [Quis], homem da tribo de Benjamim, por espaço de quarenta anos.” — Atos 13:14-21, versão católica de Matos Soares, 32.ª edição revista de 1974. Veja também a Versão Brasileira, publicada em 1911. Também A Bíblia na Linguagem de Hoje, de 1973.

      5 A distribuição da terra entre Calebe e os outros israelitas, como herança, ocorreu no ano 1467 A. E. C. Se medirmos para trás “cerca de quatrocentos e cinqüenta anos”, chegamos ao ano de 1918 A. E. C. Este foi o ano em que nasceu Isaque, filho de Abraão por Sara, e Deus escolheu Isaque, em vez de Ismael, filho mais velho de Abraão pela serva egípcia de Sara, Agar. Deus confirmara com juramento a Isaque o pacto que Ele fez com Abraão quanto a posse da terra de Canaã, e então, no fim deste período de quatrocentos e cinqüenta anos, Deus repartiu esta Terra da Promessa como herança à descendência de Isaque. Jeová Deus aderiu em fidelidade ao seu “propósito eterno” para a bênção de toda a humanidade.

      6. (a) Como mostrou o Juiz Gideão sua lealdade à soberania de Deus? (b) Como se saiu o filho de Gideão, Abimeleque, qual rei?

      6 Durante o período dos quinze juízes, de Josué a Samuel, os homens de Israel tentaram persuadir o sexto juiz, Gideão, filho de Joás, da tribo de Manasses, a estabelecer uma dinastia de governantes na sua família, em vez de terem a Jeová Deus por Rei. Mas Gideão era leal ao Governante Soberano de Israel e rejeitou a oferta de governança, dizendo: “Eu é que não dominarei sobre vós, nem tampouco meu filho dominará sobre vós. Jeová é quem dominará sobre vós.” (Juízes 8:22, 23) Um dos muitos filhos de Gideão, chamado Abimeleque (que significa “Meu Pai É Rei”), influenciou os proprietários de terras de Siquém a empossá-lo como rei sobre eles. Ele sofreu julgamentos adversos de Deus, e, depois de reinar por três anos, uma mulher causou-lhe a morte em batalha. — Juízes 9:1-57.

      REI SOBRE TODO O ISRAEL

      7. Quando e como veio Israel a ter um rei humano escolhido por Deus, e quanto tempo reinou ele?

      7 Na velhice do décimo quinto juiz, o profeta Samuel, os anciãos de Israel vieram a ele com o pedido: “Agora, designa-nos deveras um rei para nos julgar, igual a todas as nações.” Samuel considerou isto como sendo rejeição dele, qual juiz designado de Deus, mas Jeová disse-lhe: “Escuta a voz do povo referente a tudo o que te dizem; pois, não é a ti que rejeitaram, mas é a mim que rejeitaram como rei sobre eles.” Deus mandou que Samuel advertisse os israelitas de todas as dificuldades que lhes causaria terem um rei humano, visível, mas eles ainda assim preferiram tal rei. Deus, como Soberano Senhor sobre Israel, fez a escolha do homem que devia ser o primeiro rei humano de Israel. Enviou Samuel para ungir Saul, filho de Quis, da tribo de Benjamim, para ser o rei. No ano 1117 A. E. C., Saul foi empossado como rei, na cidade de Mispá. “O povo começou a gritar e a dizer: ‘Viva o rei!’” Saul reinou por quarenta anos. — 1 Samuel 8:1 até 10:25; Atos 13:21.a

      8. (a) No décimo primeiro ano do reinado de Saul, que nascimento ocorreu em Belém? (b) O que profetizou Miquéias sobre Belém?

      8 No décimo primeiro ano do reinado de Saul, deu-se uma ocorrência aparentemente insignificante na cidade de Belém, no território da tribo de Judá. Jessé, belemita, tornou-se pai dum oitavo filho, a quem chamou Davi. Pouco sabia o Rei Saul ou qualquer outro em Israel que este menino recém-nascido tornar-se-ia algum dia tão ilustre, que seu lugar de nascimento, Belém, viria no futuro a ser chamado de “cidade de Davi”. Ninguém sabia então que, uns trezentos anos mais tarde, seria profetizado a respeito desta cidade de Davi: “Mas tu, Belém-Efrata [Beth-lechem Efratah, Leaser, versão judaica inglesa] tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado para governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias do longínquo passado.” (Miquéias 5:1, Centro Bíblico Católico de São Paulo; 5:2, Almeida atualizada; NM) Os líderes religiosos, judaicos, do primeiro século antes de nossa Era Comum, entendiam que esta profecia se aplicava ao Messias. De modo que o “descendente” da “mulher” de Deus havia de nascer em Belém.

      9. Em vista da indiscrição de Saul o que mandou Deus que Samuel dissesse a Saul sobre o reino, e a quem escolheria Deus para o trono?

      9 Antes disso, porém, depois de o Rei Saul ter reinado por dois anos, ele cedeu à falta de fé e agiu de modo presunçoso e indiscreto no cargo. “Então Samuel disse a Saul: ‘Agiste nesciamente. Não guardaste o mandamento de Jeová, teu Deus, que ele te ordenou, porque se o tivesses guardado, Jeová teria tornado firme o teu reino sobre Israel por tempo indefinido. E agora teu reino não durará. Jeová certamente achará para si um homem que agrade ao seu coração; e Jeová o comissionará como líder do seu povo, porque não guardaste o que Jeová te ordenou.’” (1 Samuel 13:1-14) O ‘homem agradável ao coração de Deus’ ainda não havia nascido, porque estas palavras foram proferidas anos antes do nascimento de Davi em Belém. Isto tornou evidente que o Deus Altíssimo exerceria seu poder e seu direito, fazendo sua própria escolha dum israelita para suceder ao Rei Saul. Nisto ele se apegaria ao seu “propósito eterno” com relação ao Messias.

      10, 11. (a) Como foi Davi designado para ser o futuro rei de Israel? (b) Como passou Davi a sofrer o ciúme assassino de Saul, e onde se tornou ele primeiro rei?

      10 Quando Davi era apenas pastorzinho adolescente em Belém, Deus o designou como o homem agradável ao seu coração. Embora Davi não fosse o primogênito de Jessé, mas apenas o oitavo filho, Deus enviou Samuel a Belém para ungir Davi, a fim de que este se tornasse o futuro rei de Israel.

      11 Davi obteve destaque quando apenas ele, dentre todos os israelitas, se ofereceu para enfrentar o gigante filisteu, desafiador, Golias, no campo de batalha e o matou com uma pedra de funda atirada contra a testa de Golias. (1 Samuel 16:1 até 17:58) Davi foi recrutado para o exército do Rei Saul, e sua popularidade entre o povo foi além da do rei. Isto tornou Saul muito ciumento e ele procurou matar Davi, para impedir assim que ele suplantasse um de seus próprios filhos no trono de Israel. Por fim, uma ferida fatal na batalha, seguida por ele se lançar sobre a sua própria espada, a fim de apressar a morte, acabou com o reinado de Saul. Is-Bosete, filho sobrevivente de Saul foi feito rei pelos que se apegavam à linhagem de Saul mas apenas sobre onze tribos de Israel. Os homens da tribo de Judá ungiram Davi como rei sobre si, em Hébron, no território de Judá. Isto foi no ano 1077 A. E. C. — 2 Samuel 2:1-11; Atos 13:21, 22.

      12. Quando e como foi Davi feito rei sobre todo o Israel, e que pergunta surge agora a respeito do “cetro” e do “bastão de comandante”?

      12 Is-Bosete, filho de Saul, durou no trono de Israel talvez por sete anos e seis meses, e depois foi assassinado por súditos seus. (2 Samuel 2:11 até 4:8) Todas as tribos reconheceram então a Davi como o escolhido por Jeová e ungiram Davi qual rei sobre todo o Israel, em Hébron. Isto se deu no ano 1070 A. E. C. (2 Samuel 4:9 até 5:5) Assim, em harmonia com a profecia de Jacó no leito de morte, conforme registrada em Gênesis 49:10, o “cetro” e o “bastão de comandante” passaram para a tribo de Judá. Em que base, porém, ‘não se afastariam de Judá’ estes emblemas de realeza, ‘até que viesse Siló’?

      13. De que modo era Davi realmente um “ungido” e de quem foi feito tipo profético?

      13 Por causa das três unções para o reinado, o Rei Davi podia realmente ser chamado de “ungido” ou “messias” (em hebraico: mashíahh), como em 2 Samuel 19:21, 22, 22:51, 23:1. Davi foi usado notavelmente como tipo profético do proeminente Messias, “descendente” da “mulher” celestial de Deus. (Veja Ezequiel 34:23.) De fato, Deus achou bom escolher Davi para estar na linhagem que culminaria no Messias do “propósito eterno” de Deus. Como se deu isso?

      14. Que cidade fez Davi a capital de todo o Israel, e que objeto sagrado alojou então ali?

      14 Pouco depois de ser ungido rei sobre o reunido Israel, em 1070 A. E. C., Davi capturou dos jebuseus a cidade de Jebus e a chamou Jerusalém. Mudou para lá seu governo e tornou esta cidade elevada sua capital situada de modo mais central do que Hébron, porque estava na fronteira entre os territórios de Judá e de Benjamim. (Juízes 1:21; 2 Samuel 5:6-10; 1 Crônicas 11:4-9) Não muito depois disso, o Rei Davi pensou na Arca sagrada de Jeová. Durante décadas, ela fora deixada deslocada do Santíssimo da tenda de reunião em Silo, no território de Efraim. (1 Samuel 1:24; 4:3-18; 6:1 até 7:2) Davi achava que a Arca devia estar na capital. Por isso mandou que fosse trazida e alojada numa tenda perto de seu palácio. — 2 Samuel 6:1-19.

      15. Que pacto estabeleceu Jeová então para com Davi, por causa de que apreço da parte de Davi?

      15 No entanto, Davi passou a sentir-se embaraçado porque ele, mero rei humano, morava num palácio real, ao passo que a Arca de Jeová, o verdadeiro Deus e genuíno Rei de Israel, morava numa tenda modesta. A fim de equilibrar a questão devidamente, Davi teve a idéia de construir uma casa digna, um templo, ao Deus Altíssimo e Soberano Universal. Mas Jeová desaprovou que Davi construísse tal templo. Mandou dizer a Davi, por meio de seu profeta Natã, que um filho pacífico dele teria o privilégio de construir o templo em Jerusalém. Daí, em apreço da devoção de coração que Davi tinha para com a adoração pura de Deus, Jeová fez algo maravilhoso com este homem, que ‘agradava ao seu coração’. De sua própria iniciativa, estabeleceu um pacto com Davi, para um reino eterna. Ele disse:

      “Jeová te informou que é uma casa que Jeová fará para ti. Quando se completarem os teus dias e tiveres de deitar-te com os teus antepassados, então hei de suscitar o teu descendente depois de ti, que sairá das tuas entranhas: e deveras estabelecerei firmemente o seu reino. É ele quem construirá uma casa ao meu nome, e eu hei de estabelecer firmemente o trono do seu reino por tempo indefinido. Eu mesmo me tornarei seu pai e ele mesmo se tornará meu filho. Quando cometer uma falta, também vou repreendê-lo com vara de homens e com pancadas dos filhos de Adão. No que se refere à minha benevolência, não se retirará dele assim como a tirei de Saul, a quem removi por tua causa. E tua casa e teu reino hão de ficar firmes por tempo indefinido diante de ti; teu próprio trono ficará firmemente estabelecido por tempo indefinido.” — 2 Samuel 7:1-16; 1 Crônicas 17:1-15.

      16. Que oração de gratidão ofereceu Davi a Jeová por isso?

      16 Davi fez uma oração de gratidão e encerrou-a, dizendo:

      “E agora, ó [Soberano] Senhor Jeová, tu és o verdadeira Deus; e quanto às tuas palavras, mostrem-se elas verdadeiras, visto que prometeste ao teu servo esta bondade. E agora, resolve-te e abençoa a casa do teu servo para que continue por tempo indefinido diante de ti; porque tu mesmo, ó [Soberano] Senhor Jeová, o prometeste, e seja a casa do teu servo abençoada por tempo indefinido devido à tua bênção.” — 2 Samuel 7:18-29; 1 Crônicas 17:16-27.

      17. Este pacto foi também apoiado por meio de que da parte de Deus?

      17 Este pacto prometido a Davi foi apoiado pelo juramento de Deus:

      “Jeová jurou a Davi, verdadeiramente, ele não recuará disso: ‘Do fruto do teu ventre porei sobre o teu trono. Se teus filhos guardarem meu pacto e minhas advertências que lhes ensinarei, então os ambos deles, para todo o sempre, sentar-se-ão sobre o teu trono.’ ” — Salmo 132:11, 12.

      “Preservarei minha benevolência para com ele por tempo indefinido e meu pacto lhe será fiel. E hei de estabelecer sua descendência para todo o sempre e seu trono como os dias do céu. . . . Não profanarei o meu pacto e não mudarei a expressão procedente dos meus lábios. Uma vez jurei na minha santidade, não vou mentir a Davi. A própria descendência dele é que mostrará ser por tempo indefinido e seu trono como o sol diante de mim.” — Salmo 89:28-38. Veja também Jeremias 33:20, 21.

      18. A profecia de Isaías diz que aquele reino de Davi seria a base de que reino maior?

      18 Segundo este pacto com o Rei Davi, seu reino tinha de fornecer a base para o vindouro reino do Messias Maior. É por isso que o profeta Isaías, séculos depois, foi inspirado a profetizar: “Pois um menino nos nasceu um filho se nos deu, e o governo está sobre o seu ombro; e seu nome é Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz, a fim de que o governo aumente e não haja fim da paz sobre o trono de Davi e no seu reino; para erguê-lo e sustentá-lo mediante o que é adequado e direito, desde agora para todo o sempre. O zelo do Eterno dos exércitos faz tal coisa.” — Isaías 9:5, 6, segundo a tradução alemã do erudito hebraico Rabino Leopold Pheinkard Zunz, décima sexta edição de 1913 E.C. Veja Isaías 9:6, 7, em outras versões.

      19. Segundo a profecia de Miquéias, este “menino” havia de nascer em que cidade, o que seria um sinal identificador de quem?

      19 Segundo a profecia de Miquéias 5:1 (Centro Bíblico Católico; 5:2, NM), este menino messiânico havia de nascer, este filho régio havia de ser dado em Belém, em Efrata, no território de Judá. Este lugar de nascimento humano seria um dos sinais identificadores do verdadeiro Messias, o “descendente” da “mulher” figurativa de Deus. Belém, não a cidade real de Jerusalém, foi o lugar de nascimento de seu antepassado, o Rei Davi, e por isso veio a ser chamada de cidade de Davi.

      DINASTIA DE REIS DAVÍDICOS

      20. Quanto tempo durou a dinastia de Davi no trono e por quanto tempo tiveram os israelitas reis?

      20 No cumprimento deste pacto do reino com Davi seguiu-se uma série de reis de Jerusalém, todos da linhagem do Rei Davi. Contado a partir do reinado de Davi em Jerusalém, em 1070 A. E. C., este reino com uma dinastia de reis davídicos, em Jerusalém, durou 463 anos, ou até 607 A. E. C. Isto significa que, contado a partir do ano de 1117 A. E. C., quando o profeta Samuel ungiu Saul como rei sobre todo o Israel, a nação de Israel teve reis visíveis por 510 anos. Contudo, Jeová era o Rei invisível.

      21. Subiu Davi ao céu quando morreu? E, segundo Davi profetizou, quem seria convidado a sentar-se à mão direita de Deus?

      21 O Rei Davi, qual representante régio de Deus, que o escolhera e ungira para ser rei sobre Israel, sentava-se no “trono de Jeová” em Jerusalém. (1 Crônicas 29:23) Mas ele não se sentava à mão direita de Jeová, porque o trono de Jeová está nos céus. (Isaías 66:1) Ao morrer, em 1037 A. E. C., Davi não subiu aos céus espirituais, nem se assentou à mão direita de Jeová ali. Não foi convidado a fazer isso; mas, até o primeiro século de nossa Era Comum, os israelitas podiam indicar e identificar o lugar de sepultamento de Davi. Antes, o próprio Davi foi inspirado por Deus a profetizar, no Salmo 110:1-4, que seu descendente messiânico, o qual seria semelhante ao Rei-Sacerdote Melquisedeque, seria aquele a quem Jeová convidasse para se sentar à sua mão direita nos céus.

      22. Como passaram a tornar-se Salomão e a maioria dos seus sucessores no trono, e desde quando não tem tido Jerusalém um rei davídico no trono?

      22 O jovem filho Salomão, de Davi, sucedeu-lhe no trono de Jerusalém, o “trono de Jeová”. Segundo a promessa divina, foi ele o favorecido com a construção do templo no monte Moriá, em Jerusalém, completando o no ano 1027 A. E. C. (1 Reis 6:1-38) Salomão, na sua velhice, tornou-se infiel ao Deus, cujo templo havia construído. A maioria dos sucessores no trono de Jerusalém também se tornaram maus. O último destes reis davídicos a sentar-se no trono em Jerusalém foi Zedequias. Por causa de sua rebelião contra o rei de Babilônia, que fizera de Zedequias rei tributário, este foi levado cativo a Babilônia, ficando a cidade de Jerusalém e seu suntuoso templo em ruínas. (2 Reis 24:17 até 25:21) Desde aquele ano trágico de 607 A. E. C., nunca mais houve um rei davídico no trono de Jerusalém.

      23. Fracassou ou foi cancelado o pacto do reino? Que garantia a respeito disso deu Deus por meio de Ezequiel?

      23 Significava isso que o pacto do reino com Davi havia fracassado ou havia sido cancelado? De‵ modo algum! Deus deu garantias contra isso. Aproximadamente no quarto ano antes do destronamento de Zedequias e de seu exílio em Babilônia, Deus inspirou seu profeta Ezequiel a dizer a este último rei no trono de Jerusalém:

      “E no que se refere a ti, ó mortalmente ferido maioral iníquo de Israel, cujo dia chegou no tempo do erro do fim, assim disse o [Soberano] Senhor Jeová: ‘Remove o turbante e retira a coroa. Esta não será a mesma. Põe no alto o rebaixado e rebaixa o que estiver no alto. Uma ruína, uma ruína, uma ruína a farei. Também, quanto a esta, certamente não virá a ser de ninguém, até que venha aquele que tem o direito legal, e a ele é que terei de dá-lo.’” — Ezequiel 21:25-27.

      24. O que havia de ser rebaixado e quando se daria o inverso disso? Como?

      24 Entendemos o sentido disso? O próprio Jeová arruinaria o reino da família real de Davi, em Jerusalém. As coisas não seriam assim como antes. Potências governantes gentias, que antes haviam sido rebaixadas aos olhos de Deus, seriam postas no alto, e o reino terrestre do povo escolhido de Jeová seria rebaixado, ficando em sujeição a potências mundiais, gentias. O período da supremacia mundial, gentia, sem interferência da parte dum reino típico de Deus, em Jerusalém, continuaria até que viesse aquele “que tem o direito legal”, quer dizer, o prometido verdadeiro Messias, e o Soberano Senhor Jeová daria o reino a ele. As potências mundiais gentias, então, não ficariam mais no alto para dominar a terra. O reino messiânico assumiria o controle do mundo. Assim, segundo o pacto estabelecido com Davi, seu reino seria um governo eterno. Seu trono teria de permanecer para sempre!

      25. Apesar da desolação de Jerusalém em 607 A. E. C., que pactos e que propósito ainda ficaram de pé?

      25 Assim, embora até hoje não se tenha restabelecido nenhum trono davídico em Jerusalém, no Oriente Médio não se perdeu tudo para os que esperam no prometido Messias, o “descendente” da “mulher” celestial de Deus. De fato no outono de 607 A. E. C., a cidade do trono, Jerusalém, e seu templo já jaziam em ruínas. A cidade vizinha de Belém, cidade de Davi jazia em ruínas às mãos dos conquistadores babilônicos. Ainda assim, o pacto da Lei feito com Israel, no monte Sinai, na Arábia, continuava a vigorar. Também continuava a estar em vigor o pacto para um reino eterno estabelecido com Davi. O “propósito eterno” de Deus, relacionado com seu Messias, ficava de pé. O pacto do reino de Deus não fracassará. Tampouco o seu propósito!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Em Antiquities of the Jews, Livro 10, capítulo 8, parágrafo 4, Flávio Josefo, do primeiro século E. C., atribui vinte anos ao Rei Saul. Mas no Livro 6, capítulo 14, parágrafo 9, Josefo escreveu: “Ora, Saul reinou dezoito anos enquanto Samuel vivia, e, depois de sua morte, dois”, ao que alguns manuscritos de Josefo acrescentam: “e vinte”, perfazendo o total de quarenta anos.

  • O Messias do “propósito eterno” de Deus
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 11

      O Messias do “propósito eterno” de Deus

      1. Quando houve o renascimento duma terra e duma nação?

      A RESSURREIÇÃO duma cidade que jazia morta, em ruínas, por setenta anos — no ano 537 A. E. C.! A cidade era Jerusalém, destruída pelos babilônios em 607 A. E. C. Quando esta cidade santa surgiu dos escombros, houve um renascimento da terra de Judá, sim, o renascimento duma nação, do povo repatriado de Jeová Deus. (Isaías 66:8) Isto foi maravilhoso aos olhos de todos os observadores.

      2. (a) O vindouro Messias prometido seria posterior a que agente ungido de Jeová? (b) Como se cumpriram setenta anos de exílio, embora Babilônia caísse em 539 A. E. C.?

      2 Junto com esta ressurreição nacional, renovaram-se as esperanças da vinda do prometido Messias. (Ezequiel 37:1-14) Mesmo durante os setenta anos em que o povo do reino de Judá estava no exílio, na terra de Babilônia, foi-lhe indicado o tempo fixo para a chegada do Messias. Este Messias seria alguém posterior ao conquistador persa, Ciro, o Grande, a respeito de quem o profeta Isaías fora inspirado a dizer: “Assim disse Jeová ao seu ungido [em hebraico: mashíahh], a Ciro, cuja direita tomei para sujeitar diante dele nações, a fim de eu descingir até mesmo os quadris de reis; para abrir diante dele as portas duplas, de modo que nem mesmo os portões se fecharão.” (Isaías 45:1) Ciro, como agente ungido de Jeová, chegara e passara pelos portões da cidade de Babilônia, de muralhas altas, e derrubara e matara seu governante imperial Belsazar, filho de Nabonido. Isto aconteceu em 539 A. E. C. Mas, Ciro não libertou imediatamente os israelitas exilados. Assumiu o reinado de Babilônia e reteve os judeus cativos por cerca de mais dois anos, até 537 A. E. C. Assim se cumpriram setenta anos!

      3. Por quanto tempo guardou a terra desolada de Judá o sábado?

      3 Foi exatamente assim que se predissera em Jeremias 25:11. E 2 Crônicas 36:20, 21, fez um registro histórico disso, dizendo: “Além disso, ele levou cativos a Babilônia os que foram deixados pela espada, e eles vieram a ser servos dele e dos seus filhos até o começo do reinado da realeza da Pérsia; para se cumprir a palavra de Jeová pela boca de Jeremias, até que a terra [de Judá] tivesse saldado os seus sábados. Todos os dias em que jazia desolada, guardava o sábado, para cumprir setenta anos” — de 607 A. E. C. a 537 A. E. C.

      4. (a) Quando calculou Daniel que se daria o fim do exílio judaico? (b) Que informação deu Gabriel a Daniel a respeito do tempo da vinda do Messias?

      4 Entre os judeus exilados em Babilônia estava o profeta Daniel. À base dos escritos inspirados de Jeremias, Daniel só esperava a libertação dos judeus do exílio no fim dos setenta anos em que Jerusalém jazia desolada na guarda de sábados. (Daniel 9:1, 2) Assim, durante o primeiro ano do novo regime Medo-Persa sobre o Império Babilônico, Daniel orou sobre o assunto. Foi então que chegou o anjo de Jeová, Gabriel, e deu a Daniel a seguinte informação a respeito do tempo da vinda do Messias:

      “Setenta semanas (de anos) foram determinados sobre o teu povo e sobre a tua cidade santa, para restringir a apostasia e acabar com o pecado, e para expiar o erro, e para trazer salvação eterna, a fim de que se selem a visão e a profecia e o Santíssimo seja ungido.

      “E podes saber e entender: Desde a saída do decreto para reconstruir Jerusalém até o Ungido, o Príncipe, há sete semanas (de anos); também sessenta e duas semanas (de anos), de modo que a feira e o fosso serão reconstruídos, e isto na pressão dos tempos.

      “E depois de sessenta e duas semanas (de anos), será destruído um Ungido, e ele não terá (sucessor), e um povo do vindouro príncipe destruirá a cidade e o santuário, e seu fim chegará como que por dilaceração, e ordenam-se guerra e desolação até o fim.

      “E ele celebrará um forte pacto com muitos, por uma semana (de anos), e na metade da semana (de anos) ele cancelará o sacrifício e a oblação, e ao lado da ala (colocará) uma terrível abominação, e isto será até que a desolação, a firmemente decidida, seja derramada sobre o desolador.” — Daniel 9:24-27, Zunz; veja também Matos Soares, 32.ª edição revista de 1974.

      COMEÇA A “MANHÔ DO SÉTIMO “DIA” CRIATIVO, APROXIMADAMENTE EM 526 A. E. C.

      5. Como se calcula quando terminariam as sete mais as sessenta e duas “semanas de anos”?

      5 A primeira metade ou período da “noitinha” do sétimo “dia” criativo de Deus chegou assim ao fim, 3.500 anos depois da criação de Adão e Eva. A manhã deste “dia” criativo devia começar aproximadamente em 526 A. E. C. A partir de então, as coisas deviam tornar-se mais claras com respeito ao propósito de Deus e para Seu povo. Segundo a profecia de Daniel, a partir de certa particularidade da reconstrução da cidade ressuscitada de Jerusalém contar-se-iam setenta “semanas (de anos)” ou “semanas de anos” (somando 490 anos). “Sete semanas (de anos)” mais “sessenta e duas semanas (de anos)” durariam o total de 483 anos, até a vinda do Ungido (em hebraico: Mashíahh). Contadas a partir de quando o governador judaico Neemias reconstruiu as muralhas de Jerusalém, estas sessenta e nove “semanas de anos” terminariam na primeira metade do primeiro século de nossa Era Comum. Contadas a partir do vigésimo ano do Rei Artaxerxes (455 A. E. C.), o ano em que Neemias reconstruiu essas muralhas, os 483 anos terminariam no ano 29 de nossa Era Comum. (Neemias 2:1-18) Isto era cerca de quarenta e um anos antes da segunda destruição de Jerusalém, esta vez pelos romanos. Aconteceu algo de histórico em 29 E. C.?

      6. Como foi derrubado o Império Persa e que papel veio a desempenhar Alexandria, no Egito, na vida Judaica?

      6 Tanto o primeiro século E. C. como o primeiro século A. E. C. eram anos críticos para os israelitas na Palestina. No quarto século A. E. C., o domínio dos israelitas ou judeus repatriados passara das mãos do imperador persa para as mãos do Império Grego, por causa das conquistas do macedônio Alexandre Magno. No ano 332 A. E. C., ele obteve o domínio da Palestina e não tocou em Jerusalém. Derrubou depois o imperador persa e estabeleceu a Potência Mundial Grega, a quinta da história bíblica. Naquele mesmo ano, Alexandre deu ordens para se construir a cidade de Alexandria, no conquistado Egito. Esta veio a tornar-se uma cidade florescente e ali se desenvolveu uma grande população judaica. Esta passou a falar a língua grega comum, que se tornara então uma língua internacional e passara a ser usada em resultado das conquistas de Alexandre. Eles também desejavam ter conhecimento bíblico.

      7. Como veio a ser produzida a Versão dos Setenta grega, e como verte ela Daniel 9:25, 26?

      7 Assim, durante o século seguinte, por volta de 280 A. E. C., começaram o trabalho da tradução de suas sagradas Escrituras inspiradas, de Gênesis a Malaquias, para a sua própria língua grega comum. Esta tradução foi terminada por volta do primeiro século A. E. C. e veio a ser chamada de “Versão dos Setenta Grega”. Em vista do amplo uso do grego comum, mesmo durante os primeiros séculos do Império Romano, esta tradução dos judeus alexandrinos podia ser usada em escala internacional. Refletia o texto bíblico hebraico com bastante fidelidade. Por exemplo, a versão grega de Daniel 9:25, 26, reza (segundo a tradução inglesa de Bagster), a respeito do Messias (Mashíahh):

      “E saberás e entenderás que desde a saída da ordem para a resposta e para a construção de Jerusalém até Cristo, o príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas: e então o tempo retornará, e a rua será construída, e a muralha, e os tempos se esgotarão. E depois das sessenta e duas semanas, o ungido será destruído, e não há julgamento nele: . . .”

      8. (a) Como veio Jerusalém a ficar sob domínio romano e mais tarde a ser destruída? (b) Por quanto tempo não têm tido os judeus um templo em Jerusalém ou não têm reconhecido um profeta como sendo de Deus?

      8 O grego comum continuou a ser a língua internacional do mundo antigo mesmo depois de a Potência Mundial Grega cair diante da Potência Mundial Romana, no primeiro século A. E. C. Um ramo dos Macabeus que pretendia o poder em Jerusalém apelou para Roma em busca de ajuda contra o outro ramo, e assim, no ano 63 A. E. C., o general romano Pompeu invadiu e tomou Jerusalém, e a Palestina veio a ficar sob domínio romano. Em 40 A. E. C., os judeus recuperaram o reinado. No entanto, em 37 A. E. C., Herodes, o Grande, descendente de Esaú ou Edom, atacou Jerusalém e a capturou passando a reinar como nomeado por Roma. No primeiro século E. C., os judeus rebelaram-se novamente contra Roma em 66 E. C., mas a sua independência de curta duração acabou em 70 E. C., com a destruição de Jerusalém e de seu glorioso templo reconstruído por Herodes, o Grande. Desde então, ou já por mais de dezenove séculos, os judeus não têm tido templo em Jerusalém, nem mesmo desde o estabelecimento da República de Israel, em 1948 E. C. Além disso, os israelenses não reconhecem nenhum profeta como sendo de Deus, desde Malaquias, do quinto século A. E. C., ou há mais de 2.400 anos atrás. Não é isto estranho? O que há de errado?

      O CUMPRIMENTO DE PROFECIA BÍBLICA EXPLICA A QUESTÃO

      9. Quando Jerusalém foi restabelecida, em 537 A. E. C., que outra cidade de importância foi também restabelecida?

      9 Quando a antiga Jerusalém foi restabelecida, em 537 A. E. C., restabeleceu-se também outra cidade na terra de Judá: Belém. Em Neemias 7:5-26, o governador de Jerusalém nos fala sobre o restante de judeus que retornou à sua pátria em 537 A. E. C., dizendo:

      “Achei então o livro do registro genealógico dos que tinham subido primeiro, e nele achei escrito:

      “Estes são os filhos do distrito jurisdicional, que subiram do cativeiro do povo exilado que Nabucodonosor, rei de Babilônia tinha levado ao exílio e que mais tarde retornaram a Jerusalém e a Judá, cada um à sua própria cidade, os que entraram com Zorobabel, Jesua [na Versão dos Setenta grega: Jesus], Neemias, . . . O número dos homens do povo de Israel: . . . os homens de Belém e de Netofa, cento e oitenta e oito; . . .” — Veja também Esdras 2:21.

      10. (a) Belém ficou assim disponível para o cumprimento de que profecia? (b) Por que não deve ser considerado incrível que o prometido nascimento fosse ali anunciado por anjos?

      10 Assim veio novamente à existência a cidade de Belém, “cidade de Davi”, na qual podia cumprir-se a profecia messiânica de Miquéias 5:1 (ou 5:2). Visto que toda a vida humana independente, desde Caim e Abel, começa no nascimento, a profecia de Miquéias nos faz aguardar certo nascimento na reconstruída Belém. Seria um nascimento predito. Ora, quando Isaque, filho de Abraão e Sara, estava para nascer por um milagre, estes foram visitados por três anjos de Deus, que anunciaram o nascimento para o ano seguinte, dizendo o anjo que tomou a dianteira: “Há alguma coisa que seja extraordinária demais para Jeová?” (Gênesis 18:1-14) Séculos depois, quando Sansão, homem fisicamente mais forte que já houve na terra, havia de nascer a uma israelita até então estéril, o anjo de Deus apareceu primeiro à prospectiva mãe e depois tanto a ela como a seu marido sem filho, para anunciar o vindouro nascimento dum notável juiz em Israel. (Juízes 13:1-20) Deveria alguém considerá-lo estranho e incrível que o nascimento mais importante de todos os nascimentos humanos, o nascimento milagroso do Messias, fosse anunciado aos homens por anjos celestiais?

      11. Segundo Gênesis 3:15, donde seria tirado o escolhido para o papel messiânico, terrestre?

      11 Segundo a profecia de Jeová em Gênesis 3:15, o “descendente” que machucaria fatalmente a cabeça da Serpente procederia da “mulher” celestial de Deus, quer dizer, de sua organização semelhante a uma esposa, de santos e celestiais “filhos do verdadeiro Deus”. Deus podia escolher dentre esta organização o filho espiritual específico a desempenhar o papel messiânico, terrestre.

      12. Que perguntas surgem agora a respeito da moça que seria mãe humana do Messias, e também sobre o seu marido?

      12 Qual era o nome deste filho favorecido? Uma pergunta interessante! No entanto, para o nascimento deste filho escolhido, que havia de nascer na família humana, em Belém, na terra de Judá, precisava-se duma mãe humana. Ela não só tinha de ser da tribo de Judá, mas tinha de ser descendente do Rei Davi e assim apta para transmitir a reivindicação natural do reino de Davi. Que moça, cuja cidade natal fosse Belém em Judá, satisfazia tais requisitos? E que dizer dum marido humano para ela, também da linhagem real de Davi? E houve um anúncio angélico do nascimento deste maior do que Isaque? O registro histórico, escrito por amigos pessoais da moça, responde a estas perguntas vitais.

      13, 14. (a) Onde se encontrou uma virgem judia adequada? (b) Depois de cumprimentá-la, o que disse o anjo Gabriel?

      13 O tempo era então perto do fim do primeiro século antes de nossa Era Comum. Herodes, o Grande, filho de Antípatro II, ainda era rei em Jerusalém. Eli, homem da linhagem davídica, mudara-se de Belém, na província da Judéia, para o norte, para Nazaré, na província da Galiléia. Ali, uma filha sua, chamada Miriã (em hebraico) ou Mariam (também Maria) em grego, chegou à cidade de se casar. Ficou noiva dum homem da linhagem real de Davi, chamado José, carpinteiro em Nazaré, mas também natural de Belém. Isto a obrigava a permanecer virgem. No entanto, meses antes da noite nupcial, aconteceu algo notável. Apareceu a Maria um anjo, que se identificou como sendo Gabriel. Depois duma saudação, ele disse:

      14 “Não temas, Maria, pois achaste favor diante de Deus, e eis que conceberás na tua madre e darás à luz um filho, e deves dar-lhe o nome de Jesus [em hebraico: Jesua]. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo, e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino.” — Lucas 1:26-33.

      15. (a) Que pacto feito para com Davi havia de ser cumprido no filho de Maria? (b) O que significava ser ele “Filho do Altíssimo”?

      15 Segundo a declaração do anjo, o filho de Maria havia de ser realmente o prometido Messias. Devia receber o mesmo nome que o sumo sacerdote que retornou com Zorobabel de Babilônia, em 537 A. E. C., a saber, Jesua, ou em grego, Jesus. Por causa de seu nascimento de Maria, havia de ser chamado filho de “Davi, seu pai”. Concordemente, Jeová Deus dar-lhe-ia o trono ou o assento régio do Rei Davi. Assim como com Davi seu reinado seria sobre “a casa de Jacó”, quer dizer, sobre todo o Israel. Visto que o seu reinado seria para sempre e ‘não haveria fim do seu reinado’, significava que Jeová Deus cumpriria nele o pacto que Jeová fizera com Davi, para um reino eterno. Assim, não precisaria de sucessor. (2 Samuel 7:11-16) Mas como e por que podia ser chamado “Filho do Altíssimo”? Ele não seria o próprio Deus Altíssimo, que é Jeová, mas seria Filho daquele Supremo; contudo, como?

      16. Em resposta à pergunta de Maria sobre como se daria isso o que disse Gabriel?

      16 A própria Maria indagou sobre isso, dizendo: “Como se há de dar isso, visto que não tenho relações com um homem?” Gabriel respondeu: “Espírito santo virá sobre ti e poder do Altíssimo te encobrirá. Por esta razão, também, o nascido será chamado santo, Filho de Deus. E eis que a própria Elisabete, tua parenta, também concebeu um filho, na sua velhice, e este é o sexto mês para ela, a chamada estéril; porque para Deus nenhuma declaração será uma impossibilidade.” — Lucas 1:34-37.

      17. Quando ocorreu a concepção milagrosa dentro de Maria?

      17 Mostrou ser impossível o que foi declarado a Maria? Esta virgem judia foi um exemplo para nós hoje quanto a crer que não seria impossível para o Deus Altíssimo. De modo que ela respondeu ao anjo Gabriel: “Eis a escrava de Jeová! Ocorra comigo segundo a tua declaração.” (Lucas 1:38) Sem dúvida, quando Maria aceitou a vontade de Deus para ela, ocorreu nela a concepção, estando ela ainda virgem. Veio sobre ela o espírito santo e o poder do Deus Altíssimo a encobriu. Como se produziu assim a concepção milagrosa?

      18, 19. (a) Quando Maria concebeu, por que não se deu ali início a uma criatura inteiramente nova sem passado? (b) Ele seria chamado corretamente filho de quem?

      18 Neste caso, não se trouxe à existência uma criatura vivente inteiramente nova, sem passado ou formação anterior, como no caso duma concepção humana comum, por meio dum pai humano. A “mulher” celestial de Deus, a organização celestial de Deus, semelhante a uma mulher, precisava ser tomada em conta. Era realmente dela que tinha de proceder o “descendente” mencionado em Gênesis 3:15. De modo que ela tinha de prover um de seus filhos espirituais para esta tarefa terrestre, para ser o “descendente” cujo calcanhar seria machucado pela Serpente.

      19 Isto não significava que, a fim de que a virgem judia Maria concebesse, um dos filhos espirituais, celestiais de Deus tinha de introduzir-se no óvulo microscópico, no corpo de Maria, e fecundá-lo. Isso seria irracional e absurdo! Antes, o Deus Todo-poderoso, o Pai celestial, por meio de seu espírito santo, transferiu a força de vida de seu escolhido filho celestial do domínio espiritual, invisível, para o óvulo no corpo de Maria e fecundou-o. Maria ficou assim grávida e o filho concebido por ela era “santo”. Era realmente o que o anjo Gabriel o chamou, o “Filho do Altíssimo”. — Lucas 1:32.

      20. (a) Que filho da organização celestial de Deus foi escolhido? (b) Como se tornou disponível para o cumprimento de Isaías 53:10?

      20 Quem, porém, era o filho a quem Deus escolheu para nascer como criatura humana perfeita? Não era o anjo Gabriel, pois este se materializou e apareceu a Maria, anunciando sua iminente maternidade. As Escrituras Sagradas indicam que era aquele a quem um anjo, falando com o profeta Daniel, chamou de “vosso príncipe”, “o grande príncipe que está de pé a favor dos filhos de teu povo”, a saber, Miguel. (Daniel 10:21; 12:1) Ele havia atuado qual principesco anjo supervisor em prol da nação de Israel e sem dúvida foi o anjo que se manifestou a Moisés no espinheiro ardente ao sopé do monte Horebe, lá no século dezesseis A. E. C. É chamado corretamente de arcanjo Miguel.a Transferir-se a sua força de vida para o óvulo de Maria, pelo poder do Deus Todo-poderoso, que encobriu Maria, significava que ele, Miguel, desapareceu do céu. Havia de tornar-se alma humana por nascimento humano de Maria, a virgem judia. Isto o tornou disponível para o cumprimento de Isaías 53:10, a respeito do ‘servo sofredor’ de Jeová:

      “Contudo, agradou ao SENHOR esmagá-lo por moléstia; para ver se a sua alma se ofereceria em restituição, a fim de que visse sua descendência, prolongasse seus dias, e para que o propósito do Senhor prosperasse pela sua mão.” — Jewish Publication Society; veja também a versão do Pontifício Instituto Bíblico.

      TESTEMUNHAS OCULARES DO NASCIMENTO MILAGROSO

      21. Como se explicou a José a gravidez de Maria e que ação se seguiu então?

      21 No tempo devido, a gravidez surpreendente da donzela judaica virgem tornou-se evidente aos outros em Nazaré. O noivo de Maria descobriu isso e ficou muito perturbado. Sua gravidez não podia ser atribuída a ele. A opinião judaica, comum, ali em Nazaré, duvidaria da concepção milagrosa por Maria; os estritos aderentes judaicos da Lei de Moisés a condenariam ao apedrejamento até a morte, qual adúltera que violou seu noivado com José. Quem ajudaria Maria e salvaria da morte por apedrejamento tanto a ela como a seu filho por nascer? Quem esclareceria o assunto a José? Escute:

      “Durante o tempo em que a sua mãe Maria estava prometida em casamento a José, ela foi achada grávida por espírito santo, antes de se unirem. No entanto, José, seu marido, porque era justo e não queria fazer dela um espetáculo público, pretendeu divorciar-se dela secretamente. Mas, depois de ter cogitado estas coisas, eis que lhe apareceu em sonho um anjo de Jeová, dizendo: ‘José, filho de Davi, não tenhas medo de levar para casa Maria, tua esposa, pois aquilo que tem sido gerado nela é por espírito santo. Ela dará à luz um filho, e terás de dar-lhe o nome de Jesus [em hebraico: Jesua], pois ele salvará o seu povo dos pecados deles.’

      “Tudo isso aconteceu realmente para que se cumprisse o que fora falado por Jeová por intermédio do seu profeta, dizendo: ‘Eis que a virgem [segundo a Versão dos Setenta grega] ficará grávida e dará à luz um filho, e dar-lhe-ão o nome de Emanuel’, que quer dizer, traduzido: ‘Conosco Está Deus.’

      “José, acordando do sono, fez conforme o anjo de Jeová lhe indicara e levou sua esposa para casa. Mas não teve relações com ela até ela ter dado à luz um filho, e deu-lhe o nome de Jesus [Jesua].” — Mateus 1:18-25.

      22. (a) Falando com Maria, Gabriel enfatizou que particularidade a respeito de seu filho messiânico? (b) Que outra particularidade enfatizou o anjo a José, a respeito do filho de Maria?

      22 Comparando-se o que Gabriel disse a Maria e o que o anjo disse no sonho a José, Gabriel deu maior ênfase ao papel que o Messias desempenharia qual Rei descendente de Davi, a fim de cumprir o pacto de Jeová com Davi, para um reino eterno. O anjo que apareceu a José deu a ênfase ao papel do Messias qual sacerdote, como portador do pecado e removedor do pecado. Este anjo estendeu-se sobre o nome a ser dado ao Messias, nome que em hebraico significava “Salvação de Jeová”. O Messias viveria à altura de seu nome pessoal, porque ‘salvaria o seu povo dos pecados deles’. Isto concorda com que o Messias, o Descendente de Davi, havia de tornar-se “sacerdote por tempo indefinido à maneira de Melquisedeque”. — Salmo 110:1-4.

      23. Por que não se deu o nascimento de Jesus em Nazaré?

      23 Deu-se o nascimento em Nazaré, depois de José ter levado Maria para a sua casa ali? Não, não segundo o registro inspirado. O nascimento deu-se na cidade de Davi, Belém de Judá. Como? Um decreto imperial de Roma contribuiu para o cumprimento de Miquéias 5:2, a respeito do lugar de nascimento do Messias. Este é o registro:

      “Ora, naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que toda a terra habitada se registrasse, (este primeiro registro ocorreu quando Quirino era governador da Síria;) e todos viajaram para se registrarem, cada um na sua própria cidade. José, naturalmente, subiu também da Galiléia, da cidade de Nazaré, e foi à Judéia, à cidade de Davi, que se chama Belém, por ser membro da casa e família de Davi, a fim de ser registrado com Maria, que lhe fora dada em casamento, conforme prometido, nesta ocasião já grávida. Enquanto estavam ali, completaram-se os dias para ela dar à luz. E ela deu à luz o seu filho, o primogênito, e o enfaixou e deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles no alojamento.” — Lucas 2:1-7.

      24, 25. Como se calcula a data aproximada do nascimento de Jesus?

      24 Não se fornecem o dia e o mês do nascimento, do mesmo modo como nunca se fornecem na Bíblia Sagrada os dias de nascimento dos do povo de Deus.

      25 No entanto, pode-se dizer com base que o primogênito de Maria, Jesus, não nasceu na data fictícia de 25 de dezembro, nem tampouco por volta da festividade hibernal de Hanucá (Dedicação), que começava no dia 25 do mês lunar de quisleu. (João 10:22) Segundo cálculos baseados em Daniel 9:24-27, a respeito do aparecimento, da carreira pública e do decepamento do Messias, Jesus nasceu por volta do dia 14 do mês lunar de tisri. Este era um dia antes do começo da festividade de Sucote (Barracas, Tabernáculos), de uma semana de duração, festividade na qual os judeus moravam portas afora, em barracas, e os pastores estavam nos campos, guardando seus rebanhos durante as vigílias da noite. (Levítico 23:34-43; Números 29:12-38; Deuteronômio 16:13-16) Visto que Jesus viveu trinta e três anos e meio e morreu no dia da Páscoa de 33 E. C., ou em 14 de nisã daquele ano, isto situa seu nascimento perto do começo do outono setentrional do ano 2 A. E. C., ou por volta de 14 de tisri daquele ano.

      26. A quem foi enviado o anjo de Deus para anunciar o nascimento de Jesus e com que acompanhamento celestial?

      26 Tratando-se do nascimento do há muito aguardado Messias, era importante demais para passar sem testemunhas oculares. Deus cuidou disso por enviar seu anjo para anunciar o milagroso nascimento virginal. Mas a quem? A Herodes, o Grande, no seu palácio real, a menos de dez quilômetros ao norte de Jerusalém? Ou ao capitão do templo, o Sumo Sacerdote Joazar, que havia sido designado pelo Rei Herodes? De modo algum. Pensando na segurança do recém-nascido Jesus, Jeová enviou seu anjo a homens que tinham a mesma ocupação que a da mocidade de Davi, ali nos campos perto de Belém. Não fez aparecer nenhuma chamada “Estrela de Belém” para todos verem. Lemos:

      “Havia também no mesmo país pastores vivendo ao ar livre e mantendo de noite vigílias sobre os seus rebanhos. E, repentinamente estava parado ao lado deles o anjo de Jeová, e a glória de Jeová reluzia em volta deles, e ficaram muito temerosos. Mas o anjo disse-lhes: ‘Não temais, pois, eis que vos declaro boas novas duma grande alegria que todo o povo terá, porque hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador, que é Cristo, o Senhor. E este é um sinal para vós: achareis uma criança enfaixada e deitada numa manjedoura.’ E, repentinamente houve com o anjo uma multidão do exército celestial, louvando a Deus e dizendo: ‘Glória a Deus nas maiores alturas, e na terra paz entre homens de boa vontade.’” — Lucas 2:8-14.

      27. Que termos aplicou o anjo ao recém-nascido Jesus e de que modo eram apropriados?

      27 O anjo chamou o recém-nascido, deitado numa manjedoura de Belém, de “Salvador”, que foi um dos motivos pelos quais seu nome era Jesua ou Jesus, significando “Salvação de Jeová”. Este menino também havia de tornar-se o Ungido, Messias ou Cristo (em grego) de Jeová. Também seria “Senhor”, Aquele de quem até mesmo o Rei Davi falou profeticamente sob inspiração, chamando-o de “meu Senhor”. — Salmo 110:1.

      28. A quem se devia glória, nesta ocasião, e a quem se destinava a paz e também “boas novas duma grande alegria”?

      28 Apenas o Deus Todo-poderoso, por um milagre podia prover um menino com tal tarefa de Messias. Não é de se admirar, pois, que a angélica “multidão do exército celestial” aparecesse e entoasse glórias a Deus! Este mais milagroso de todos os nascimentos humanos foi uma expressão amorosa de Sua boa vontade para com os homens que Ele aprova. Os homens que têm a boa vontade de Deus podiam estar em paz, no coração e na mente. Este nascimento ainda há de ser motivo de “grande alegria” da parte de “todo o povo”. Não é de se admirar que a notícia angélica a respeito do nascimento fosse boas novas, não só para o céu, mas também para os homens na terra!

      29. Como foi que os pastores se tornaram testemunhas oculares do nascimento do Messias?

      29 O anjo dera aos pastores o “sinal” identificador, e eles podiam assim tornar-se testemunhas oculares do nascimento do Messias.

      “Assim, quando os anjos se afastaram deles para o céu, os pastores começaram a dizer uns aos outros: ‘Vamos de todos os modos até Belém e vejamos esta coisa que ocorreu, que Jeová nos fez saber.’ E foram apressadamente e acharam Maria, bem como José, e a criança deitada na manjedoura. Quando a viram, fizeram saber a declaração que se lhes fizera a respeito desta criancinha. E todos os que ouviram isso maravilhavam-se com as coisas que os pastores lhes contavam; Maria, porém, começou a preservar todas essas declarações, tirando conclusões no seu coração. Os pastores voltaram então, glorificando e louvando a Deus por todas as coisas que ouviram e viram exatamente como se lhes dissera.” — Lucas 2:15-20.

      30. Como nos prejudicaríamos por rejeitarmos estas autênticas “boas novas duma grande alegria”?

      30 De modo que este milagroso nascimento virginal não é mito. Foi atestado por anjos celestiais e confirmado por testemunhas oculares, humanas. O médico Lucas fez uma investigação pessoal e reuniu para nós esta informação vital. (Lucas 1:1-4; Colossenses 4:14) Apenas prejudicamos a nós mesmos, se não aceitarmos este testemunho autêntico. Apenas nos tornamos infelizes, se arrogantemente rejeitarmos estas “boas novas duma grande alegria”.

      31. Quando adotou José a Jesus como seu filho adotivo e depois foi purificado junto com a mãe do menino?

      31 No oitavo dia de nascido, o menino foi circuncidado na carne, assim como todos os outros meninos judaicos nascidos debaixo da Lei de Moisés. (Lucas 2:21; Gálatas 4:4, 5) Naquela ocasião, José indicou que adotava a Jesus como seu filho adotivo. Não adotava um filho ilegítimo, mas protegia Jesus contra a acusação falsa de ser filho de fornicação. No quadragésimo dia depois do nascimento de Jesus, José e Maria levaram seu primogênito a Jerusalém, a fim de apresentá-lo no templo a Jeová e mandar fazer o sacrifício de purificação para ela e para o pai adotivo do menino. (Lucas 2:22-24; Levítico 12:1-8) O Rei Herodes não sabia nada de tudo isso.

      32. (a) Teve Maria outros filhos e também filhas? (b) O adotado Jesus possuía então que reivindicação do reino suspenso de Davi?

      32 No tempo devido, Maria teve relações com seu marido, José, e deu-lhe à luz filhos. O registro mostra que, pelo menos durante doze anos após o nascimento de Jesus, José continuou a viver com Maria. Isto permitiu-lhe ter filhos dela. O registro fala sobre quatro filhos, Tiago, José, Simão e Judas, e também de filhas por Maria. Estes tornaram-se meios-irmãos e meias-irmãs de Jesus, o primogênito dela. (Lucas 2:41-52; Mateus 13:53-56; Marcos 6:1-3; Atos 1:14) No entanto, visto que José adotara o filho primogênito de Maria como seu próprio, José transmitiu a Jesus a reivindicação legal que tinha ao reinado de Davi, seu antepassado. Também, por ser primogênito natural de Maria, pelo milagre de Deus, Jesus herdou uma reivindicação natural do então suspenso reinado de Davi. Fornecendo a genealogia de seu pai adotivo José, o historiador Mateus chama-o de Messias, dizendo: “O livro da história de Jesus Cristo [em hebraico: Messias], filho de Davi, filho de Abraão.” — Mateus 1:1. Veja Lucas 3:23-38, que mostra a linhagem de Maria.

      33, 34. Por que não conseguiu o Rei Herodes matar o Messias e por que veio Jesus a ser chamado de “Nazareno”?

      33 O nascimento de Jesus, pouco antes da morte do Rei Herodes, o Grande, não foi boas novas para aquele governante edomita de Jerusalém. O nascimento foi trazido à atenção dele, não pelo anjo de Jeová, nem pelos pastores de Belém, mas por astrólogos do Oriente, homens sob influência demoníaca, condenados pela Lei de Moisés. — Deuteronômio 18:9-14; Isaías 47:12-14; Daniel 2:27; 4:7; 5:7.

      34 Na corte de Herodes, primeiro foi preciso que se indicasse aos astrólogos a profecia de Miquéias 5:2 antes de aquela coisa luminosa, que imaginavam ser uma “estrela”, os guiar para baixo, a Belém, onde morava Jesus. Deus deu-lhes em sonho uma advertência divina de não levarem a notícia de volta ao assassino Herodes. Para não ser frustado na trama de matar o Messias, Herodes mandou matar os meninos de dois anos ou menos, em Belém, mas não matou Jesus. Por aviso angélico, José e Maria o haviam levado para baixo, ao Egito. Herodes faleceu, deixando seu filho Arquelau como rei da Judéia, incluindo Belém. De modo que Jesus não foi trazido de volta a Belém, mas levado ao norte, a Nazaré na Galiléia, onde cresceu. É por isso que veio a ser chamado Jesus de Nazaré, não Jesus de Belém. — Mat. 2:1-23; 21:11.

      UM PRECURSOR APRESENTA O MESSIAS

      35. Por quem havia de ser apresentado o Messias e o que pregava aquele?

      35 O Messias havia de ser apresentado à nação de Israel por um precursor, segundo a profecia de Malaquias 3:1. Este mostrou ser o filho a respeito de quem o anjo Gabriel disse que seria dado ao idoso sacerdote Zacarias e à sua idosa esposa Elisabete, e a quem Zacarias devia chamar João. (Lucas 1:5-25, 57-80) No começo da primavera setentrional do ano 29 E. C., durante o décimo quinto ano do reinado de Tibério César, “veio a declaração de Deus a João, filho de Zacarias, no ermo. Ele percorreu assim toda a região em volta do Jordão, pregando o batismo em símbolo de arrependimento para o perdão de pecados”. (Lucas 3:1-3) Ele pregava aos que vinham ouvi-lo, dizendo: “Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.” (Mateus 3:1, 2) Este pregador veio a ser chamado “João, o batizador”. — Marcos 1:1-4.

      36. Quando e por que se dirigiu Jesus a João para ser batizado e que evidência celestial se deu da aprovação disso?

      36 Depois de observar João empenhado na pregação e no batismo por cerca de seis meses, Jesus passou a agir. Reconheceu que havia de ser representante terrestre daquele “reino dos céus”. No outono daquele ano de 29 E. C., Jesus atingiu os trinta anos de idade. Abandonou seu serviço de carpinteiro ali em Nazaré e deixou sua mãe ali com os outros filhos e filhas dela, indo em busca de seu precursor, João. Pensava nas palavras proféticas do Rei Davi, escritas no Salmo 40:6-8. (Hebreus 10:1-10) Por isso, não foi para ser batizado em símbolo do arrependimento pelo perdão de pecados, mas a fim de ser batizado em símbolo de se apresentar para fazer a vontade de Deus para ele quanto ao futuro. Como mostrou Deus sua aceitação dele? Lemos:

      “Jesus veio então da Galiléia ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele. Este, porém, tentou impedi-lo, dizendo: ‘Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?’ Em resposta, Jesus disse-lhe: ‘Deixa por agora, pois assim é apropriado que executemos tudo o que é justo.’ Então cessou de o impedir. Jesus, depois de ter sido batizado, saiu imediatamente da água; e eis que os céus se abriram e ele viu o espírito de Deus descendo sobre ele como pomba. Eis que também houve uma voz dos céus, que disse: ‘Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.’” — Mateus 3:13-17.

      37. O que atestou João aos seus discípulos sobre quem era Jesus e como se referiu a ele qual vítima sacrificial?

      37 João Batista viu o que aconteceu e ouviu a voz do Pai celestial. Mais tarde, testemunhou aos seus discípulos o que havia visto e ouvido Deus dizer do céu, e atestou, dizendo: “E eu o vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus.” João apontou também para o batizado Jesus como aquele que seria sacrificado para a salvação da humanidade, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29-34) Não merece o testemunho de João Batista ser aceito e crido por nós hoje? Sim, merece!

      38. (a) A descida do espírito de Deus sobre Jesus significava para ele o quê? (b) Que número de “semanas de anos” terminou ali e o que havia de acontecer durante a semana restante?

      38 Esta descida do espírito santo de Deus sobre o batizado Jesus significava mais do que ele se tornar doravante apenas Filho espiritual de Deus, visando seu restabelecimento na vida espiritual, celestial. Significava também que ele foi ungido com o espírito de Deus. Ora, com este mesmo ato ele se tornou o Ungido, o Messias, ou, em grego, o Cristo. Este era o cumprimento da profecia na hora certa. Ali, no ano 29 E. C., terminaram as sete semanas de anos e as sessenta e duas semanas de anos (um total de 483 anos), com a apresentação do Ungido, o Messias, o Cristo. (Daniel 9:25) Estava para começar então a septuagésima semana de anos, na metade da qual o Messias faria “cessar o sacrifício e a oferenda”, por oferecer-se como sacrifício humano, sendo “decepado” na morte sacrificial qual Cordeiro de Deus. — Daniel 9:26, 27.

      39. Onde e em que ocasião trouxe Jesus Cristo à atenção o cumprimento nele de Isaías 61:1-3?

      39 Assim, cumpriu-se também a profecia de Isaías 61:1-3 a respeito da unção do Messias com o espírito de Jeová. Davi havia sido ungido com mero óleo vegetal, mas o Filho e Senhor de Davi foi ali ungido com espírito santo. No ano seguinte, quando Jesus retornou a Nazaré, não para ser novamente carpinteiro ali, mas para pregar na sinagoga deles, trouxe à atenção o cumprimento da profecia de Isaías nele mesmo. O registro de Lucas 4:16-21 nos diz:

      “Foi-lhe assim entregue o rolo do profeta Isaías, e ele abriu o rolo e achou o lugar onde estava escrito: ‘O espírito de Jeová está sobre mim, porque me ungiu para declarar boas novas aos pobres, enviou-me para pregar livramento aos cativos e recuperação da vista aos cegos, para mandar embora os esmagados, com livramento, para pregar o ano aceitável de Jeová.’ Com isto enrolou o rolo, entregou-o de volta ao assistente e se assentou, e os olhos de todos na sinagoga estavam atentamente fixos nele. Principiou então a dizer-lhes: ‘Hoje se cumpriu esta escritura que acabais de ouvir.’”

      40, 41. (a) Por que queria Satanás quebrantar especialmente a integridade do ungido Jesus? (b) Como acabou a prova a que o Tentador submeteu Jesus?

      40 A Grande Serpente, Satanás, o Diabo, sabia que este ungido Jesus era o “descendente” messiânico da “mulher” celestial de Deus. Ali, pois, dentre todos os “filhos do verdadeiro Deus”, estava o específico, cuja integridade a Grande Serpente queria quebrantar, para o maior vitupério de Deus. Assim, ele se chegou a Jesus, lá no ermo da Judéia, aonde Jesus havia ido logo após o seu batismo e sua unção com o espírito de Jeová, afim de passar ali quarenta dias. A Grande Serpente procurou tentar Jesus: Para provar ao Diabo, por meio duma demonstração, que ele era filho de Deus, ele devia milagrosamente transformar pedras em pão ou fazer que os anjos invisíveis o carregassem nas mãos, depois de ele se ter lançado do parapeito do templo em Jerusalém.

      41 Por fim, no terceiro e último esforço desesperado, o Tentador ofereceu a Jesus “todos os reinos do mundo e a glória deles”, em recompensa de apenas um único ato de adoração por parte de Jesus. Pela terceira vez, Jesus citou a Palavra-escrita de Deus e disse: “Está escrito: ‘É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado.’” — Mateus 4:1-10.

      42. De que modo corresponde o que aconteceu ali com Jesus com os quarenta dias que Moisés passou no monte Horebe com o anjo de Deus?

      42 Os anjos observavam esta prova da integridade do Messias para com o Deus Altíssimo. Assim, pois, quando o Diabo partiu em derrota, “eis que vieram anjos e começaram a ministrar-lhe”. (Mateus 4:11; Marcos 1:13) Moisés, muito antes, havia estado quarenta dias com o anjo de Jeová lá no monte Horebe, no ermo de Sinai, e agora Jesus, o Messias, depois de quarenta dias de jejum e meditação no ermo da Judéia, estava pronto para iniciar com confiança sua carreira pública na terra de Israel. — Êxodo 24:18.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja Judas versículo 9; Revelação 12:7. Quanto a uma consideração anterior e mais completa deste assunto, veja a obra de E. W. Hengstenberg, intitulada “Cristologia do Antigo Testamento e Comentário”, Volume 4, páginas 301-304 (da edição inglesa publicada em 1836-1839 E. C.).

  • A glorificação do Messias
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 12

      A glorificação do Messias

      1. O que inspirou Jeová o profeta Isaías (Isa. 53:7-12) a dizer a respeito do que precederia à glorificação do Messias?

      ANTES da glorificação, precisa haver sofrimento. Devia ser assim com o “servo” messiânico de Deus. Predizendo que este era o propósito divino para com o Messias, Deus inspirou seu profeta Isaías, do oitavo século antes de nossa Era Comum, a dizer:

      “Ele foi oprimido, contudo humilhou-se a si mesmo, e não abriu a boca. Como o cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda diante dos que a tosquiam; assim não abriu ele a boca. . . . Por isso lhe darei a sua parte com os grandes, e com os fortes ele partilhará os despojos; porque derramou a sua alma até a morte, e foi contado com os transgressores. Contudo levou sobre si os pecados de muitos, e intercedeu pelos transgressores.” — Isaías 53:7-12, Brasileira; Atos 8:32-35.

      2. Ao saber do encarceramento de João, com que mensagem prosseguiu Jesus?

      2 Até mesmo o precursor do Messias foi obrigado a sofrer pela sua fidelidade à lei de Deus. Depois de ter encaminhado a Jesus muitos discípulos batizados, foi encarcerado pelo governante distrital da Galiléia, Herodes Ântipas, filho de Herodes, o Grande, e mais tarde, durante a celebração do aniversário natalício de Herodes, foi decapitado. (Mateus 14:1-12) Depois que Jesus soube da detenção e prisão de João, ele prosseguiu com a mensagem de João. “Daquele tempo em diante, Jesus principiou a pregar e a dizer: ‘Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.”’ — Mateus 4:12-17.

      3. Moisés sofreu por preferir o quê? E como devia corresponder a isso aquilo por que Jesus passou?

      3 Igual a João Batista, Jesus não pregava o reino terrestre dos macabeus, que muitos judeus queriam restabelecer. Pregava o “reino dos céus”, o reino de Deus, que tinha relação com o Rei Davi da antiguidade. No seu sofrimento, ele não era dessemelhante do profeta Moisés. Quanto à forte fé que Moisés tinha, escreveu-se em Hebreus 11:25, 26: “Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que ter o usufruto temporário do pecado, porque estimava o vitupério de Cristo como riqueza maior do que os tesouros do Egito, pois olhava atentamente para o pagamento da recompensa.” Visto que o Messias havia de ser profeta semelhante a Moisés, e Moisés sofreu antes e depois de ser nomeado (ungido) profeta de Jeová, era somente correto que o Messias Jesus também sofresse. De fato, seus sofrimentos deviam ser maiores do que os de Moisés. — Deuteronômio 18:15.

      4. Em nome de quem veio Moisés ao seu povo e como corresponde isso ao caso de Jesus Cristo?

      4 Foi no nome do Deus Todo poderoso, Jeová, que Moisés foi enviado de volta ao Egito para tirar seu povo da escravidão ali. (Êxodo 3:13-15; 5:22, 23) Assim como Moisés teve de enfrentar oposição, assim se deu com seu equivalente do primeiro século. Aos que não tinham fé nele como o Messias enviado por Deus, Jesus disse:

      “Vim em nome de meu Pai, mas não me recebestes: se algum outro chegasse no seu próprio nome, a este receberíeis. Como podeis crer, quando aceitais glória um do outro e não buscais a glória que é do único Deus? Não penseis que vos hei de acusar perante o Pai; há um que vos acusa, Moisés, em quem depositastes a vossa esperança. De fato, se acreditásseis em Moisés, teríeis acreditado em mim, porque este escreveu a meu respeito. Mas, se não acreditais nos escritos desse como acreditareis nas minhas declarações?” — João 5:43-47.

      5. Por que deviam os judeus ter crido que Jesus veio no nome de seu Pai celestial, e quando foi tal crença expressa por uma multidão?

      5 Notamos como Jesus respondeu aos que não o aceitavam como o Messias e que lhe disseram: “Quanto tempo hás de manter as nossas almas na expectativa? Se tu és o Cristo [Mashíahh], dize-nos francamente.” Jesus pediu que deixassem que as suas obras messiânicas falassem por ele, dizendo: “Eu vos disse, e ainda assim não acreditais. As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas dão testemunho de mim. Mas, vós não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. Minhas ovelhas escutam a minha voz e eu as conheço, e elas me seguem.” (João 10:24-27) Mas havia alguns judeus que acreditavam que Jesus veio no nome de seu Pai celestial. Por isso, cinco dias antes da Páscoa de 33 E. C., quando Jesus, montado num jumento, entrou em Jerusalém, em cumprimento da profecia de Zacarias 9:9, uma multidão deles o aclamou e gritou: “Salva, rogamos-te! Bendito aquele que vem em nome de Jeová, sim, o rei de Israel!” — João 12:1, 12, 13; Mateus 21:4-9; Marcos 11:7-11; Lucas 19:35-38; Salmo 118:26.

      6. Em nome de quem vigiou Jesus sobre os seus apóstolos fiéis?

      6 Finalmente, na noite da Páscoa, depois de celebrá-la com seus discípulos ou apóstolos fiéis, Jesus orou a Jeová e disse:

      “Tenho feito manifesto o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus e tu mos deste, e eles têm observado a tua palavra. . . . Santo Pai, vigia sobre eles por causa do teu próprio nome que me deste, para que sejam um, assim como nós somos. Quando eu estava com eles, costumava vigiar sobre eles por causa do teu próprio nome que me deste; e tenho-os guardado.” — João 17:6, 11, 12.

      Portanto, ao vir em nome de Jeová, Jesus era profeta semelhante a Moisés.

      IDENTIFICADO TAMBÉM POR MILAGRES E PROFECIAS

      7. Por que realizou Moisés sinais perante os egípcios e perante os israelitas, e como se comparam seus sinais em número aos do Messias?

      7 O profeta Moisés provou por meio de muitos milagres, tanto aos israelitas como aos egípcios, que ele veio no nome do único Deus vivente e verdadeiro. Tratava-se de “sinais” dados por Deus, em prova de que Jeová enviara Moisés. (Êxodo 4:1-30; 7:1-3; 8:22, 23; 10:1, 2; Deuteronômio 34:10, 11) Os antigos israelitas não exigiram de Moisés um “sinal do céu”, e, portanto, os israelitas do primeiro século E. C. estavam fora de propósito ao pedirem tal sinal de Jesus. (Mateus 16:1-4) Não é para seu demérito dizer que os sinais milagrosos realizados por Moisés foram ultrapassados muito em número pelos realizados por Jesus, em prova de seu Messiado.

      8. Com que iniciou Jesus os seus “sinais” e que efeito tiveram os “sinais” sobre seus discípulos e sobre Nicodemos?

      8 Jesus não fez como Moisés, transformando água em sangue, mas ele transformou água no melhor dos vinhos, quando o estoque se esgotou numa festa de casamento em Caná da Galiléia. Este foi apenas o começo, segundo o que está escrito em João 2:11: “Jesus realizou isso em Caná da Galiléia, como princípio dos seus sinais, e tornou manifesta a sua glória; e seus discípulos depositaram nele a sua fé.” Com respeito à Páscoa de 30 E. C., o registro nos diz: “Quando ele estava em Jerusalém, na páscoa, na sua festividade, muitas pessoas depositaram sua fé no nome dele, observando os sinais que realizava.” (João 2:23) Por exemplo, o fariseu Nicodemos, governante dos judeus e membro do Sinédrio de Jerusalém, visitou Jesus de noite e disse: “Rabi, sabemos que tu, como instrutor, tens vindo de Deus; pois, ninguém pode realizar esses sinais que tu realizas, a menos que Deus esteja com ele.” — João 3:1, 2; 7:50, 51; 19:39, 40.

      9. Que comparação há entre os milagres de Jesus e os de Moisés quanto à espécie deles?

      9 Moisés curou a lepra? Jesus curou muitos leprosos na terra de Israel. Moisés partiu as águas do Mar Vermelho para salvar seu povo? Jesus andou sobre as águas do Mar da Galiléia e acalmou-as durante uma tempestade perigosa. Os israelitas viveram durante quarenta anos com maná do céu, no ermo, e depois morreram. Jesus proveu maná do céu no sacrifício de sua própria humanidade perfeita, a fim de que todos os que comessem dele em fé vivessem para sempre. (João 6:48-51) Moisés nunca curou todos os casos de doença e enfermidade que Jesus curou. Moisés nunca ressuscitou a ninguém dentre os mortos. Jesus ressuscitou mais pessoas dentre os mortos do que os profetas Elias e Eliseu, uma delas sendo Lázaro, de Betânia, que havia estado morto e enterrado por quatro dias. (João 11:1-45; 12:1-9) Até mesmo os inimigos de Jesus tiveram de admitir que ele realizava muitos sinais, pois disseram: “Que devemos fazer, visto que este homem realiza muitos sinais? Se o deixarmos assim, todos depositarão fé nele, e virão os romanos e tirarão tanto o nosso lugar como a nossa nação.” — João 11:46-48; 12:37.

      10. Como atestou Pedro os milagres de Jesus tanto perante judeus em Pentecostes, em Jerusalém, como perante gentios, em Cesaréia?

      10 Sem exagero, pois, o apóstolo Pedro podia dizer a milhares de judeus na festividade de Savuote (Semanas) de 33 E. C.: “Homens de Israel, ouvi estas palavras: Jesus, o nazareno, homem publicamente mostrado a vós por Deus, por intermédio de poderosas obras, e portentos, e sinais, que Deus fez por intermédio dele no vosso meio, conforme vós mesmos sabeis.” (Atos 2:22) Alguns anos depois, este mesmo Pedro, em Cesaréia, declarando os fatos do caso a alguns gentios interessados, favoráveis aos judeus, disse:

      “Sabeis de que assunto se falava em toda a Judéia, principiando da Galiléia, depois do batismo pregado por João, a saber, Jesus, que era de Nazaré, como Deus o ungiu com espírito santo e poder, e ele percorria o país, fazendo o bem e sarando a todos os oprimidos pelo Diabo; porque Deus estava com ele. E nós somos testemunhas de todas as coisas que ele fez tanto no país dos judeus como em Jerusalém.” — Atos 10:37-39.

      11, 12. (a) Que semelhança há entre Jesus e Moisés quanto a ser profeta? (b) Que se pode dizer sobre o cumprimento da profecia mais extensa de Jesus?

      11 Foi Moisés profeta? Sim, foi! E assim foi também o Messias Jesus. Proferiu muitas parábolas ou ilustrações proféticas. Predisse que seria traído pelo seu próprio apóstolo Judas, a maneira em que se daria a sua própria morte e por meio de quem, e que também seria ressuscitado da sepultura, no terceiro dia de sua morte. Predisse a destruição de Jerusalém, que havia de ocorrer às mãos dos romanos, em 70 E. C. Sua profecia mais extensa é a registrada nos relatos preservados em Mateus, capítulos vinte e quatro e vinte e cinco, Marcos, capítulo treze, e Lucas, capítulo vinte e um. Esta profecia foi dada em resposta à pergunta de seus discípulos sobre quando ocorreria a destruição de Jerusalém, com o seu templo, e qual seria o “sinal” de sua volta e “presença” (parousia) messiânica, e da “terminação do sistema de coisas”.

      12 Em testemunho da exatidão desta profecia, particularidades dela foram cumpridas durante aquela geração do primeiro século, e, de maneira ainda mais notável, particularidades correspondentes e outros pormenores cumpriram-se na nossa própria geração, desde 1914 E. C., sendo que desde aquele ano temos tido guerras, escassez de víveres, terremotos, pestilências, perseguição dos seguidores dele, angústia mundial, e temos uma “grande tribulação” sem igual ainda à frente. — Mateus 24:21.

      13. Que comparação há entre Jesus e Moisés quanto a profecias que o predisseram e depois se cumpriram nele?

      13 O profeta Moisés não tinha nenhuma profecia que o predissesse e se cumprisse nele. Mas, em todas as Escrituras Hebraicas, de Gênesis a Malaquias, há centenas de profecias cumpridas em Jesus, desde o seu nascimento até a sua morte e ressurreição, para provar que ele deveras era o Messias, o “descendente” cujo “calcanhar” havia de ser machucado pela Grande Serpente, Satanás, o Diabo. Ele mesmo trouxe isto à atenção de seus discípulos, depois de Deus o ter levantado dentre os mortos. O registro de Lucas 24:25-48 nos diz:

      “Disse-lhes assim: ‘Ó insensatos e vagarosos de coração no que se refere a crer em todas as coisas faladas pelos profetas! Não era necessário que o Cristo [Mashíahh] sofresse estas coisas e que entrasse na sua glória?’ E, principiando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras as coisas referentes a si mesmo. . . .

      “Disse-lhes então: ‘Estas são as minhas palavras que vos falei enquanto ainda estava convosco, que todas as coisas escritas na lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos, a respeito de mim, têm de se cumprir.’ Abriu-lhes então plenamente as mentes para que compreendessem o significado das Escrituras e disse-lhes: ‘Assim está escrito que o Cristo [Mashíahh] havia de sofrer e de ser levantado dentre os mortos no terceiro dia, e que, à base do seu nome, se havia de pregar arrependimento para o perdão de pecados, em todas as nações — principiando por Jerusalém, haveis de ser testemunhas destas coisas.’”

      14. O que escreveu Moisés a respeito de maldições sobre Israel e a respeito de se fazer de um criminoso algo amaldiçoado para Deus, visando a quem?

      14 Em Levítico, capítulo vinte e seis, e em Deuteronômio 28:15-68, o profeta Moisés escreveu todas as invocações do mal e maldições que sobreviriam à nação de Israel se não cumprisse seu pacto da Lei com Jeová Deus. Moisés escreveu também:

      “E caso venha a haver num homem um pecado que mereça a sentença de morte, e ele tenha sido morto e tu o tenhas pendurado num madeiro, seu cadáver não deve ficar toda a noite no madeiro; mas deves terminantemente enterrá-lo naquele dia, pois o pendurado é algo amaldiçoado por Deus; e não deves aviltar teu solo que Jeová, teu Deus, te dá por herança.” — Deuteronômio 21:22, 23.

      Evidentemente, esta lei foi dada por Deus pensando no seu Messias. Por quê? A fim de que a nação de Israel fosse poupada à maldição que lhe sobreviria pela violação de seu pacto da Lei com Deus, o Messias tinha de morrer numa estaca, como amaldiçoado, em lugar de Israel.

      MORTE E GLORIFICAÇÃO

      15. No dia de Pentecostes de 33 E. C., o que se fez para que o Cordeiro de Deus fosse executado por não-judeus?

      15 Em 14 de nisã, dia da Páscoa, do ano de 33 E. C., o cordeiro pascoal foi morto e preparado para ser consumido, até mesmo pelos próprios apóstolos de Jesus. (Mateus 26:1-30; Marcos 14:1-26; Lucas 22:1-39) Mas, que dizer daquele a quem João Batista chamou de “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”? (João 1:29, 36) Tarde da noite, após a ceia pascoal, ele foi traído pelo apóstolo Judas Iscariotes e levado preso por um grupo armado, que o levou e entregou aos líderes religiosos de Jerusalém. Foi levado a julgamento pelo Sinédrio judiciário e sentenciado à morte, segundo a interpretação deles da Lei. Em vista de suas limitações para executar a sentença de morte, aquele corpo judiciário entregou o condenado Jesus ao governador gentio, Pôncio Pilatos, como perturbador da paz e sedicioso criminoso. Seus acusadores insistiram em que fosse pendurado numa estaca para morrer.

      16. O que disse Jesus perante Pilatos a respeito do reino e da verdade?

      16 Quando em julgamento perante Pôncios Pilatos, Jesus salientou que seu reino messiânico seria celestial, não terreno, em Jerusalém do Oriente Médio. Quando Pilatos lhe perguntou: “És tu o rei dos judeus?” Jesus respondeu: “Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, assim como é, o meu reino não é desta fonte. “Diante desta resposta, Pilatos perguntou: “Pois bem, és tu rei?” Jesus respondeu: “Tu mesmo estás dizendo que eu sou rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que está do lado da verdade escuta a minha voz.” — João 18:33-37.

      17. Como foi Jesus então “contado com os transgressores”, e que esperança deu ele a um dos transgressores?

      17 Pilatos, de má vontade, cedeu às demandas dos acusadores de Jesus, para que fosse pendurado numa estaca. O lugar da execução veio a ser Gólgota (“Lugar da Caveira”) ou Calvário, fora da muralha de Jerusalém. Foi pendurado entre dois malfeitores criminosos, “transgressores”. Os versados na Lei de Moisés consideravam Jesus, na estaca, como “algo amaldiçoado por Deus”. Embora fosse assim “contado com os transgressores”, Jesus ainda pensava na esperança do Paraíso terrestre para a humanidade, sob o seu futuro governo messiânico. Por isso, quando um dos transgressores, que passou a dar-se conta de que Jesus era homem inocente e bode expiatório para pecadores disse-lhe: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”, Jesus respondeu: “Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” — Lucas 23:39-43; 22:37.

      18. Como fez Jesus a sua sepultura com os iníquos e com os ricos, e em que condição estava ele no Seol?

      18 Aproximadamente no meio da tarde daquele dia de Páscoa, Jesus faleceu. “Derramou a sua alma até a morte.” “Esvaziou a sua alma até a própria morte.” (Isaías 53:12, Brasileira; NM) Segundo Deuteronômio 21:22, 23, foi enterrado naquela mesma tarde. Foi deitado num túmulo recém-escavado dum homem rico fazendo assim “a sua sepultura mesmo com os iníquos e com a classe rica na sua morte, apesar do fato de que não praticara nenhuma violência e não havia engano na sua boca”. (Isaías 53:9) Também, a alma de Jesus foi assim para o Seol, a sepultura comum da humanidade. Ali aplicava-se ao falecido Jesus: “Os defuntos . . . de nada sabem. . . . porque não haverá atividade, nem cogitação, nem ciência, nem sabedoria no Cheol [Seol] para onde irás.” — Eclesiastes 9:5, 10, Liga de Estudos Bíblicos.

      19. Quando e como cumpriu Jeová a sua própria profecia inspirada, no Salmo 16:10, e por que surgiu uma pergunta a respeito do paradeiro de Jesus?

      19 No entanto, o Rei Davi havia escrito profeticamente: “Pois não abandonarás a minha alma ao Seol, nem permitirás que o teu santo veja a corrução. Far-me-ás conhecer a vereda da vida: na tua presença há plenitude de alegria; na tua destra há delícias para sempre.” (Salmo 16:10, 11, Brasileira; LEB) Fiel a esta profecia de Sua própria inspiração, Jeová, o Deus Todo-poderoso, ressuscitou o Messias, Jesus, no terceiro dia, 16 de nisã, dia em que o sumo sacerdote Caifás, no templo, oferecia a Jeová “um molho das primícias” da colheita da cevada. (Levítico 23:9-14; 1 Coríntios 15:20, 23) Era verdade que o túmulo em que Jesus havia sido colocado fora achado vazio, mas por que não podia ele ser achado em parte alguma pelos seus próprios discípulos? Por que se dava que, durante os quarenta dias depois de sua ressurreição, ele lhes aparecia de repente e desaparecia de modo igualmente repentino, para provar-lhes que estava vivo dentre os mortos? — Atos 1:1-3; João 20:1-31; Mateus 28:1-18.

      20. Como explica Pedro a ressurreição de Jesus e como descreve Paulo a ressurreição correspondente dos discípulos de Jesus?

      20 O apóstolo Pedro, a quem o ressuscitado Jesus apareceu uma vez em particular, fornece-nos a explicação destas materializações, tais como os anjos espirituais haviam feito nos dias dos profetas antigos. Pedro diz: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão.” (1 Pedro 3:18, 19, Almeida, atualizada; Brasileira; 1 Coríntios 15:5; Lucas 24:34) Na sua ressurreição, fez-se com ele assim como foi predito que ocorreria com seus discípulos fiéis, na ressurreição deles:

      “Semeia-se em desonra, é levantado em glória. Semeia-se em fraqueza, é levantado em poder. Semeia-se corpo físico, é levantado corpo espiritual. Se há corpo físico, há também um espiritual. Até mesmo está escrito assim: ‘O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente.’ O último Adão tornou-se espírito vivificante.

      “No entanto, digo isso, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem pode a corrução herdar a incorrução. . . . Pois isto que é corrutível tem de revestir-se de incorrução e isto que é mortal tem de revestir-se de imortalidade. Mas, quando isto que é corrutível se revestir de incorrução e isto que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: ‘A morte foi tragada para sempre.’” — 1 Coríntios 15:43-45, 50-54.

      “Pois, se ficamos unidos com ele na semelhança de sua morte, certamente seremos também unidos com ele na semelhança de sua ressurreição.’’ — Romanos 6:5.

      21. Deus ressuscitou Jesus para ser que espécie de pessoa, e, assim, como reteve Jesus o mérito de seu sacrifício humano?

      21 Por conseguinte, a evidência bíblica prova que Jesus Cristo foi ressuscitado como Filho espiritual de Deus, em imortalidade e incorrução. (Atos 13:32-37) Portanto, na sua ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo não retirou seu corpo humano qual sacrifício de cima do altar de Deus, por tomar novamente seu corpo humano. (Hebreus 10:1-10) Assim como no Dia da Expiação, anual, eliminavam-se os cadáveres daquelas vítimas animais, cujo sangue fora levado ao Santíssimo pelo pecado, assim Deus aceitou o sacrifício da natureza humana de Jesus e eliminou o corpo humano de Jesus. Como? Isso não sabemos. (Hebreus 13:10-13; Levítico capítulo dezesseis) Embora o Deus Todo-poderoso não ressuscitasse seu Filho Jesus Cristo num corpo humano, o Filho ressuscitado de Deus retinha o valor ou mérito de seu sacrifício humano, o qual era semelhante ao sangue sacrificial que o sumo sacerdote judaico levava ao Santíssimo do templo, a fim de fazer expiação pelo pecado.

      22, 23. (a) Sendo pela ressurreição uma pessoa espiritual, o que pôde Jesus então fazer, conforme prefigurado pelo sumo sacerdote no Dia da Expiação? (b) De que modo estava Jesus então em condição mais forte para machucar a “cabeça” da Serpente?

      22 Como Filho espiritual de Deus, Jesus Cristo pôde subir de volta ao céu, no quadragésimo dia após a sua ressurreição dentre os mortos. Vários de seus discípulos fiéis foram testemunhas desta ascensão. (Atos 1:1-11) Assim como o sumo sacerdote judaico, no Santíssimo, aspergia o sangue da expiação em direção à Arca dourada do Pacto, assim Jesus entrou na presença celestial de Deus e apresentou o valor ou mérito de seu sacrifício humano, perfeito. (Hebreus 9:11-14, 24-26) O Deus Altíssimo o assentou então à sua própria mão direita, como “sacerdote por tempo indefinido à maneira de Melquisedeque”. — Salmo 110:1-4; Atos 2:31-36; Hebreus 5:10; 10:11-13.

      23 O Filho de Deus foi assim recompensado com uma posição celestial mais elevada do que aquela que tinha antes de se tornar homem perfeito e ter o “calcanhar” machucado pela Grande Serpente. Retomou seu nome pré-humano, Miguel, de modo que havia novamente um “Miguel, o arcanjo”, no céu. (Judas 9; Revelação 12:7) O glorificado “descendente” da “mulher” de Deus estava então numa situação muito melhor para machucar a cabeça da Serpente, no tempo devido de Deus. — Gênesis 3:15.

      24, 25. (a) Tanto judeus como gentios podem alegrar-se de que o Filho de Deus não é que espécie de Messias? (b) Em Filipenses 2:5-11, somos exortados a ter que atitude mental?

      24 Quão grata e alegre deve ser toda a humanidade, tanto judeus naturais como gentios, de que o prometido Messias de Deus será um Messias celestial, imorredouro e não mero “ungido” humano, terrestre, igual ao Rei Davi! Davi, sob inspiração profética, reconheceu humildemente a este grandemente enaltecido como seu Senhor, e nós também devemos ter esta atitude. Somos exortados a ter esta atitude mental submissa, segundo as seguintes palavras inspiradas:

      25 “Mantende em vós esta atitude mental que houve também em Cristo [Mashíahh] Jesus, o qual, embora existisse em forma de Deus, não deu consideração a uma usurpação, a saber, que devesse ser igual a Deus [contudo, não pensou em procurar arrebatar a igualdade com Deus, Nova Bíblia Inglesa]. Não, mas ele se esvaziou e assumiu a forma de escravo, vindo a ser na semelhança dos homens. Mais do que isso, quando se achou na feição de homem, humilhou-se e tornou-se obediente até à morte, sim, morte numa estaca de tortura. Por esta mesma razão, também, Deus o enalteceu a uma posição superior e lhe deu bondosamente o nome que está acima de todo outro nome, a fim de que, no nome de Jesus, se dobre todo joelho dos no céu, e dos na terra, e dos debaixo do chão e toda língua reconheça abertamente que Jesus Cristo [Mashíahh] é Senhor, para a glória de Deus, o Pai.” — Filipenses 2:5-11. Veja também 2 Coríntios 5:16.

  • Revelados outros mistérios relativos ao Messias
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 13

      Revelados outros mistérios relativos ao Messias

      1, 2. Como tem sido definida a palavra “mistério”? (b) Que propósito em conexão com o Cristo tornou Deus para nós um segredo revelado?

      MISTÉRIO tem sido definido como “qualquer verdade desconhecida exceto por revelação de Deus”. É um “segredo sagrado”, revelado por Deus no seu próprio tempo devido. (Romanos 16:25, 26) Durante longos períodos, foi mistério ou segredo sagrado exatamente quem seria o Messias, o “descendente” da “mulher” celestial de Deus. Também o propósito de Deus relacionado com o Messias ou Cristo foi por muito tempo mistério ou segredo sagrado. Mas no seu tempo designado, Deus revelou ou não manteve mais secreto que tinha o propósito de usar o Messias ou Cristo em conexão com uma administração de todas as coisas, assim como na administração duma casa por um mordomo. Tal administração em prol de união significava que Deus concentraria todas as coisas no Messias (Cristo) ou ajuntaria novamente todas as coisas sob a chefia do Messias ou Cristo. Revelar isto foi uma bondade de Deus, qual Administrador, assim como lemos:

      2 “Esta ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e bom senso, por nos fazer saber o segredo sagrado de sua vontade. É segundo o seu beneplácito, que ele se propôs em si mesmo, para uma administração [mordomia] no pleno limite dos tempos designados, a saber, ajuntar novamente todas as coisas no Cristo [Mashíahh], as coisas nos céus e as coisas na terra. Sim, nele, em união com quem [nós, discípulos de Cristo] também somos designados herdeiros, visto que fomos predeterminados segundo o propósito [em grego: próthesis] daquele que opera todas as coisas segundo o modo aconselhado por sua vontade, a fim de que servíssemos para o louvor da sua glória, nós os que temos sido os primeiros a esperar no Cristo.” — Efésios 1:8-12.

      3. O que significava a promessa de Deus, de um “novo pacto” para o antigo pacto da Lei mosaica e seu propósito?

      3 Foi em harmonia com este propósito de Deus que o Messias Jesus começou a lançar o alicerce duma congregação, da qual seria o cabeça divinamente designado. Os membros individuais desta congregação, debaixo de Cristo, não foram pessoalmente predeterminados ou predestinados, apenas o número dos membros e suas caraterísticas cristãs foram predeterminados. Assim como ele mostrou pelos seus ensinos, Jesus sabia que a profecia de Jeremias 31:31-34 predisse que Jeová Deus faria um “novo pacto” com Seu povo. Por conseguinte, o antigo pacto da Lei, mediado por Moisés para os judeus naturais, chegaria ao fim. Conforme diz Hebreus 8:13: “Ao dizer ‘um novo pacto’, [Deus]tornou obsoleto o anterior. Ora, aquilo que se torna obsoleto e fica velho está prestes a desaparecer.” No tempo da carreira pública de Jesus, aquele pacto da Lei de Moisés tinha mais de 1.540 anos de existência. E depois de todo este tempo, havia fracassado em produzir “um reino de sacerdotes e uma nação santa”. (Êxodo 19:6) Mesmo até o dia de hoje, dezenove séculos depois, os judeus naturais que afirmam ainda estar sob o pacto da Lei mosaica deixaram de fornecer a Deus “um reino de sacerdotes e uma nação santa”, tendo desaparecido até mesmo seu sacerdócio arônico, desde 70 E. C.

      4. O que se pode dizer sobre o alicerce da congregação cristã, e quando foi fundada?

      4 Jesus lembrava-se de que a nação de Israel se fundava em doze patriarcas, os doze filhos de Jacó. (Gênesis 49:28) Por isso, Jesus escolheu dentre seus discípulos doze homens que chamou de “apóstolos” (enviados) e que haviam de ser alicerces secundários sobre ele, o alicerce principal da congregação. (Marcos 3:14; Lucas 6:13; Efésios 2:20) Referindo-se a si mesmo como rocha de alicerce, ele disse aos ouvidos dos doze apóstolos: “Sobre esta rocha construirei a minha congregação, e os portões do Hades não a vencerão.” (Mateus 16:18) No entanto, até o dia de sua morte, Jesus ainda reconhecia a nação de Israel como sendo a congregação de Deus, pregando nas suas sinagogas e ensinando no seu templo em Jerusalém. Foi somente a partir do qüinquagésimo dia desde o dia de sua ressurreição dentre os mortos que se formou a congregação, da qual ele era cabeça e alicerce principal. Em que base se pode dizer isso? Na seguinte base sólida:

      5. O que foi derramado naquele dia festivo das Semanas, sobre quem e qual foi a explicação de Pedro sobre como foi derramado?

      5 No dia festivo de Savuote ou Pentecostes, e em cumprimento da profecia de Joel 2:28, 29, foi derramado o espírito santo de Deus. Sobre quem? Sobre a nação de Israel que celebrava sua festividade das Semanas (Savuote) ali em Jerusalém? Não; mas sobre os cerca de cento e vinte discípulos fiéis de Jesus Cristo, congregados num sobrado em Jerusalém. Em prova visível e audível disso, “línguas, como que de fogo”, pairavam sobre a cabeça deles e começaram a falar em línguas diferentes de seu idioma nativo. O apóstolo Pedro explicou aos milhares de judeus espantados, reunidos, que estava ocorrendo o cumprimento de Joel 2:28, 29, sobre o derramamento do espírito de Deus, e depois acrescentou:

      “A este Jesus, Deus ressuscitou, fato de que todos nós somos testemunhas. Portanto, visto que ele foi enaltecido à direita de Deus e recebeu do Pai o prometido espírito santo, derramou isto que vedes e ouvis. Realmente, Davi não ascendeu aos céus, mas ele mesmo diz: ‘Jeová disse a meu Senhor: “Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo para os teus pés.”’ Portanto, que toda a casa de Israel saiba com certeza que Deus o fez tanto Senhor como Cristo [Mashíahh], a este Jesus, a quem pendurastes numa estaca.” — Atos 2:1-36.

      6. (a) O que significava o derramamento do espírito por Jesus quanto aos seus discípulos? (b) O que significava isso para a nação de Israel e seu pacto da Lei?

      6 Assim, por derramar espírito santo de Deus sobre seus discípulos fiéis, Jesus os ungia com espírito santo e edificava sua congregação. O que significava isso então para a nação de Israel, que havia pendurado na estaca o Messias ou Cristo? Significava que ela não era mais a congregação de Jeová Deus. Significava que seu antigo pacto da Lei havia desaparecido. Havia sido cancelado, sendo que o próprio Deus como que o pregou na estaca em que Jesus Cristo foi pendurado qual maldição para a nação de Israel, no dia da Páscoa. (Colossenses 2:13, 14; Gálatas 3:13) Por aceitarem este Filho de Deus como seu Messias sacrificado, os judeus nascidos sob aquele pacto da Lei podiam sair de sua maldição e receber a bênção de Jeová Deus. — Atos 3:25, 26.

      7. O que mediou Jesus então por meio de seu sangue e em que condição deixou isso a nação de Israel segundo a carne?

      7 Além disso, quando Jesus Cristo apresentou ao seu Pai celestial o mérito ou valor de seu sangue vital humano, ele validou um novo pacto, o pacto prometido em Jeremias 31:31-34. Assim como Moisés havia mediado o antigo pacto da Lei com sangue de meros sacrifícios animais, assim mediava Jesus Cristo então, na presença de Deus, o novo pacto com seu próprio sangue sacrificial. Neste respeito, também, era Profeta semelhante a Moisés. (Deuteronômio 18:15-18) Portanto, um novo pacto havia substituído o antigo pacto da Lei, e a nação de Israel segundo a carne não estava neste novo pacto. Por conseguinte, a nação não era mais a congregação de Jeová Deus, não era mais o “Israel de Deus”. Portanto, todos os Judeus naturais, nascidos desde o cancelamento do pacto da Lei, nunca estiveram sob aquele pacto antigo, embora seus rabinos digam que estão.

      8. Que espécie de Israel veio à existência naquele dia de Pentecostes e como mostrou Pedro o contraste entre este e o Israel natural?

      8 Com aquele dia de Pentecostes de 33 E. C. veio à existência um “Israel de Deus”, espiritual, edificado sobre o Messias Jesus como a rocha de alicerce. “Pois” conforme diz Gálatas 6:15, 16, “nem a circuncisão é alguma coisa nem a incircuncisão, mas sim uma nova criação. E todos os que andarem ordeiramente segundo esta regra de conduta, sobre estes haja paz e misericórdia, sim, sobre o Israel de Deus”. Mostrando o contraste entre estes e a nação que rejeitou o Messias Jesus, o apóstolo Pedro escreveu a discípulos do Messias: “Mas vós sois ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa povo para propriedade especial, para que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz.” — 1 Pedro 2:8, 9.

      9. Que ceia nova instituiu Jesus para seus discípulos e sobre que pacto falou ele?

      9 Não estando sob o antigo pacto da Lei mosaica, este espiritual “Israel de Deus” não celebra a Páscoa anual. Ao terminar a última Páscoa que Jesus celebrou com seus apóstolas em Jerusalém, Jesus tomou um pão não levedado e um copo de vinho, iniciando uma nova ceia anual para seus seguidores, em comemoração de sua própria morte qual Cordeiro de Deus e Mediador do novo pacto. Depois de proferir uma bênção sobre o copo de vinho, ele disse aos seus apóstolos fiéis: “Bebei dele, todos vós, pois isto significa meu ‘sangue do pacto’, que há de ser derramado em benefício de muitos, para o perdão de pecados.” (Mateus 26:27, 28, compare isso com Êxodo 24:8.) Mas de que pacto estava Jesus falando? A narrativa de Lucas a respeito das palavras de Jesus nos informa qual, dizendo: “Este copo significa o novo pacto em virtude do meu sangue, que há de ser derramado em vosso benefício.” — Lucas 22:20; 1 Coríntios 11:20-26.

      10. Como se comparava este pacto com o mediado por Moisés, e por que não foram aceitos neste novo pacto certos judeus naturais circuncisos?

      10 Era o “novo pacto” predito em Jeremias 31:31-34 que o sangue de Jesus havia de validar, para produzir o perdão de Deus, dos pecados daqueles incluídos no novo pacto. Jesus validou este novo pacto ao apresentar o valor ou mérito de seu sangue a Jeová Deus, depois de sua ascensão ao céu. Em virtude disso, ele se tornou o Mediador do novo pacto, que é um pacto melhor do que o mediado por Moisés, no monte Sinai, em 1513 A. E. C. (Hebreus 8:6-13; 9:15-20; 12:24; 13:20; 1 Timóteo 2:5, 6) Infelizmente, os judeus naturais, circuncisos, que se negaram a aceitar Jesus como o Messias, não foram incluídos no novo pacto e por isso não se tornaram parte do “Israel de Deus”, espiritual.

      11. Na nova ceia, o que disse Jesus aos seus apóstolos a respeito dum reino, e que êxito garantia isso ao novo pacto?

      11 Depois que Jesus fez seus apóstolos beber o copo de vinho, que representava seu sangue a ser aplicado ao novo pacto, ele prosseguiu a falar com eles, dizendo: “Vós sois os que ficastes comigo nas minhas provações e eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu reino, e vos senteis em tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Lucas 22:28-30) Isto era uma garantia de que o novo pacto, validado pelo sangue de Jesus, seria bem sucedido em produzir um “reino de sacerdotes e uma nação santa”. Os membros fiéis do espiritual “Israel de Deus”, que são incluídos no novo pacto, participarão com Jesus Cristo no reino celestial, que há de governar mais do que apenas o território terrestre do Rei Davi. Eles servirão também como subsacerdotes do Senhor Jesus Cristo, o qual foi feito “sacerdote por tempo indefinido à maneira de Melquisedeque”. — Salmo 110:4.

      REVELADO O MISTÉRIO RELACIONADO COM O “DESCENDENTE” DE ABRAÃO

      12. Em Pentecostes de 33 E. C., que mistério foi revelado a respeito do “descendente” de Abraão e que espécie de “descendente” seria?

      12 Desde a promessa pactuada de Deus feita ao patriarca Abraão, lá em 1943 A. E. C., existiu o mistério: Quem constituiria o prometido “descendente” de Abraão para a bênção de todas as famílias do solo? (Gênesis 12:1-3) No dia de Pentecostes de 33 E. C. revelou-se este mistério. O “descendente” havia de ser constituído por mais do que apenas o Messias Jesus, naturalmente, porque Deus havia prometido a Abraão que sua descendência se tornaria assim como as estrelas dos céus e os grãos de areia à beira do mar. O Israel natural, circunciso, tornou-se assim, mas o verdadeiro descendente de Abraão não havia de ser constituído pelo Israel natural, segundo a carne, mas pelo Israel espiritual, gerado pelo espírito de Deus para se tornar filhos espirituais de Deus com vistas a uma herança celestial. Deus é o Abraão Maior, nome que significa “Pai Duma Multidão”.

      13. Em Pentecostes, a quem se concedeu a oportunidade de tornar-se parte do “descendente” espiritual de Abraão, e por quanto tempo se lhes ofereceu exclusivamente esta oportunidade? Por que?

      13 No entanto, o povo do Israel natural recebeu a primeira oportunidade para se tornar membros do “descendente” espiritual de Abraão. No dia de Pentecostes de 33 E. C., foram judeus naturais, circuncisos, descendentes naturais de Abraão, que foram gerados pelo espírito santo de Deus como Seus filhos e incluídos no novo pacto. Com isso, Jeová Deus tornou-se o Abraão Maior para este “descendente” espiritual. Embora a nação de Israel participasse no decepamento do Messias na morte, na metade da ‘septuagésima semana de anos’ (de 29 a 36 E. C.), contudo, Jeová Deus continuou a mostrar-lhes favor durante a segunda metade desta septuagésima semana de anos, em consideração para com o seu pacto com Abraão, cujos descendentes carnais eram a nação de Israel. (Daniel 9:24-27) Por isso, a oportunidade de se tornarem o “descendente” espiritual de Abraão continuou a ser oferecida primeiro a eles, até o fim da septuagésima semana.

      14. Como salientou Pedro, no templo de Jerusalém, esta provisão bondosa para a descendência natural de Abraão?

      14 Alguns dias depois de Pentecostes, o apóstolo Pedro salientou esta provisão bondosa de Deus, ao falar a uma multidão de judeus no templo de Jerusalém: “E, de fato, todos os profetas, de Samuel em diante e os em sucessão, tantos quantos falaram, declararam também distintamente estes dias. Vós sois os filhos dos profetas e do pacto que Deus celebrou com os vossos antepassados, dizendo a Abraão: ‘E em teu descendente serão abençoadas todas as famílias da terra.’ Deus, depois de suscitar o seu Servo, enviou-o primeiro a vós, para vos abençoar, por desviar a cada um de vós das vossas ações iníquas.” — Atos 3:24-26.

      15. Então, a quem se concedeu primeiro a bênção do “descendente” de Abraão e como foram os abençoados libertos da escravidão?

      15 Alguns anos depois, um anterior fariseu, que costumava ser muito zeloso nas tradições judaicas, escreveu as seguintes palavras:

      “Cristo [Mashíahh] nos livrou da maldição da Lei por meio duma compra, por se tornar maldição em nosso lugar, porque esta escrito: ‘Maldito é todo aquele pendurado num madeiro.’ O propósito foi que a bênção de Abraão, por meio de Jesus Cristo, fosse para as nações, a fim de que recebêssemos o espírito prometido, por intermédio da nossa fé.”

      “Mas quando chegou o pleno limite do tempo, Deus enviou o seu Filho, que veio a proceder duma mulher e que veio a estar debaixo de lei, para livrar por meio duma compra os debaixo de lei, para que nós, da nossa parte, recebêssemos a adoção como filhos. Ora, visto que sois filhos, Deus enviou o espírito do seu Filho aos nossos corações, e ele clama: ‘Aba, Pai!’ De modo que não és mais escravo, mas filho, e se filho também herdeiro por intermédio de Deus.” — Gálatas 3:13, 14; 4:4-7.

      16. Baseia-se ser alguém membro do “descendente” espiritual de Abraão em alguma relação carnal ou em quê?

      16 Explicando que alguém ser membro do “descendente de Abraão” não se baseia numa relação carnal com Abraão, mas no exercício duma fé tal como Abraão tinha, o escritor mencionado, o apóstolo Paulo, disse: “Certamente sabeis que os que aderem a fé é que são filhos de Abraão. Ora, a Escritura, vendo de antemão que Deus declararia justas a pessoas das nações devido à fé, declarou de antemão as boas novas a Abraão, a saber: ‘Por meio de ti serão abençoadas todas as nações.’ Todos vós sois, de fato, filhos de Deus, por intermédio da vossa fé em Cristo Jesus. Pois todos vós os que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo. Não há nem judeu nem grego, não há nem escravo nem homem livre, não há nem macho nem fêmea; pois todos vós sois um só em união com Cristo Jesus. Além disso, se pertenceis a Cristo, sois realmente descendente de Abraão, herdeiros com referência a uma promessa.” — Gálatas 3:7, 8, 26-29; Gênesis 12:3.

      UM MISTÉRIO REVELADO GERAÇÕES MAIS TARDE

      17. Quantos judeus tiveram fé semelhante à de Abraão e aproveitaram-se da ‘septuagésima semana de anos’ do favor divino para com eles?

      17 Nem todos os descendentes carnais de Abraão tinham a fé que ele tinha e que resultou em ele ser chamado justo e “amigo” de Deus, mesmo antes de ser circuncidado na carne. (Gênesis 15:6; Romanos 4:9-12; Tiago 2:21-23) Portanto, não foram muitos dos judeus naturais que se aproveitaram da ‘septuagésima semana de anos’, durante a qual o pacto abraâmico foi ‘mantido em vigor’ a favor dos descendentes carnais de Abraão Isaque e Jacó. (Daniel 9:27) Apenas um pequeno restante fez isso. O último algarismo referente àqueles judeus em Jerusalém, que aceitaram o Messias Jesus antes do fim da ‘septuagésima semana de anos’ em 36 E. C., foi dado como sendo de cerca de cinco mil. — Atos 4:4.

      18. Quantos Israelitas espirituais se propôs Deus ter, e, assim que perguntas surgiram no fim da ‘septuagésima semana’?

      18 Deus havia predeterminado um número muito maior do que este para seu “reino de sacerdotes e uma nação santa”, a ser produzido pelo novo pacto. O número exato que se propôs ter ele só revelou depois da destruição de Jerusalém em 70 E. C. e perto do fim do primeiro século. Daí, revelou ao idoso apóstolo João, sobrevivente, o número escolhido, proposto, de israelitas espirituais como sendo de 144.000. (Revelação 7:4-8; 14:1-3) Quando a ‘septuagésima semana’ terminou no outono setentrional de 36 E. C., o número dos judeus que haviam aceito Jesus como o Messias e que haviam sido batizados com espírito santo evidentemente era bem menor do que 144.000. E daí? Havia fracassado o propósito de Deus? Ou que passo surpreendente daria então para não deixar fracassar seu “propósito eterno” em Cristo?

      19. Que revelação fez Deus então a respeito do corpo de crentes batizados sob o Messias Jesus qual Cabeça?

      19 Até o outono de 36 E. C., a congregação dos seguidores batizados do Messias Jesus compunha-se exclusivamente de judeus naturais, de samaritanos cincuncisos e de outros que se haviam tornado prosélitos cincuncisos da crença judaica. (Atos 2:10; 8:1 até 9:30; 11:19) Os demais da humanidade eram incrédulos, “sem Cristo, apartados do estado de Israel e estranhos aos pactos da promessa”, ‘sem esperança’ e “sem Deus no mundo”. (Efésios 2:11, 12) Então veio a revelação: O corpo de crentes, sob o Messias Jesus qual sua Cabeça, não seria mais exclusivamente de pessoas tiradas da raça judaica e de prosélitos judaicos. Daí em diante, seriam aceitos no corpo dos messianistas crentes incircuncisos, pessoas tão incircuncisas como Abraão quando Deus o chamou e depois fez um pacto com ele, justificando-o para a amizade com Deus por causa da fé. Assim, estes não-judeus aceitos também tinham fé.

      20. (a) Portanto o que não se interpunha mais como barreira entre judeu e não-judeu? (b) Por isso, a quem deu Deus então atenção favorável?

      20 No meio da ‘septuagésima semana’, em 33 E. C., Deus havia abolido o pacto da Lei mosaica e havia inaugurado o “novo pacto” melhor com o Israel espiritual. De modo que o antigo pacto da Lei não devia mais ser barreira entre judeu e gentio. Assim, avançando por uma vereda limpa, conforme declarado em Efésios 2:13-18, Jeová Deus voltou sua atenção favorável para as nações gentias, incircuncisas, “a fim de tirar delas um povo para o seu nome”. — Atos 15:14; Amós 9:11, 12, Versão dos Setenta grega.

      21. A quem enviou Deus então o seu anjo e o que fez este?

      21 No fim da setuagésima semana de anos, a quem enviou Jeová Deus o seu anjo? A um gentio incircunciso na capital do governador romano da província da Judéia. Este homem gentio era Cornélio, centurião do destacamento italiano, mas “homem devoto e que temia a Deus, junto com toda a sua família, e ele fazia muitas dádivas de misericórdia ao povo e fazia continuamente súplica a Deus”. Ordenou-se a Cornélio que enviasse alguém ao sul, à cidade litorânea de Jope, para trazer de lá a Simão Pedro. Simão Pedro acompanhou os três homens que foram enviados para trazê-lo, tendo sido instruído a acompanhá-los e a ‘parar de chamar de aviltadas as coisas que Deus purificou’.

      22. O que pregou Pedro no lar gentio a respeito do ajuntamento e o que disse sobre o perdão de pecados?

      22 Assim, reprimindo o preconceito que tinha contra entrar no lar dum gentio, Simão Pedro entrou no lar de Cornélio, em Cesaréia. Ao ser convidado, pregou a este gentio e aos que tinha ajuntado na sua casa para ouvirem o apóstolo Pedro. Pedro pregou-lhes sobre o Messias que Deus havia enviado a Israel. “Também” prosseguiu Pedro, “ele nos ordenou que pregássemos ao povo e que déssemos um testemunho cabal de que Este é o decretado por Deus para ser juiz dos vivos e dos mortos. Dele é que todos os profetas dão testemunho, de que todo aquele que deposita fé nele recebe perdão de pecados por intermédio de seu nome”. — Atos 10:1-43; 11:4-14.

      23. Em vista de que milagre mandou Pedro que seus ouvintes fossem batizados, e em nome de quem?

      23 Estas palavras bastavam a Cornélio e aos que escutavam com ele. Também, Deus viu o coração deles e tomou ação. Lemos:

      “Enquanto Pedro ainda falava sobre estes assuntos, caiu o espírito santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que tinham vindo com Pedro [seis crentes judeus, circuncisos], que eram dos circuncisos, ficaram pasmados, porque a dádiva gratuita do espírito santo estava sendo derramada também sobre pessoas das nações. Pois, ouviam-nos falar em línguas e [magnificar] a Deus. Pedro respondeu então: ‘Pode alguém proibir a água, de modo que estes não sejam batizados, sendo que receberam o espírito santo assim como nós?’ Com isso mandou que fossem batizados no nome de Jesus Cristo. Solicitaram-lhe então, que permanecesse alguns dias.” — Atos 10:44-48; 11:1-17.

      24. O que fizeram em resposta os judeus em Jerusalém, ao ouvirem a explicação de Pedro?

      24 Voltando mais tarde a Jerusalém, Pedro explicou ali aos crentes judaicos circuncisos seu proceder, dizendo: “Se Deus, portanto, deu a mesma dádiva gratuita a eles como também dera a nós, os que temos crido no Senhor Jesus Cristo, quem era eu para poder obstar a Deus?” Nós, hoje, devemos ser como aqueles lá atrás, que ouviram a explicação de Pedro: “Ora, quando ouviram estas coisas, assentiram, e glorificaram a Deus, dizendo: ‘Pois bem, Deus tem concedido também a pessoas das nações o arrependimento com a vida por objetivo.’” — Atos 11:17, 18.

      25. A que ordem do ressuscitado Jesus obedeceram então os judeus circuncisos?

      25 A partir de então, os apóstolos e concrentes judaicos não se restringiram apenas a judeus e prosélitos, mas fizeram o que o ressuscitado Jesus lhes mandou fazer: “Ide, portanto, e fazei discípulos” — de quem? — “de pessoas de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo, ensinando” as a observar todas as coisas que vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas”. — Mateus 28:19, 20.

      26. Especialmente que apóstolo escreveu a respeito do mistério de Deus com referência a gentios crentes?

      26 Antes da conversão de Cornélio ao discipulado do Messias Saulo de Tarso que havia sido consciencioso perseguidor dos crentes messiânicos de seu próprio povo judaico, ficou também convertido. Prontamente começou a pregar a outros judeus circuncisos, mostrando-lhes nas inspiradas Escrituras Hebraicas que este Jesus, filho de Davi, era o predito Messias ou Cristo. Com o decorrer do tempo, recebeu a condição de apóstolo e foi chamado Paulo, e foi tornado especialmente “apóstolo para as nações”. Foi especialmente ele quem escreveu sobre quão maravilhoso era o mistério ou “segredo sagrado” que Deus revelou ali em 36 E. C., por Ele admitir gentios crentes no corpo dos discípulos de Cristo quais membros do “descendente de Abraão”. — Romanos 11:13.

      27. Que grandioso “segredo sagrado” dava Paulo a conhecer entre as nações gentias?

      27 Por exemplo, Paulo escreveu a respeito do aspecto há muito tempo secreto da congregação messiânica: “Tornei-me ministro desta congregação de acordo com a mordomia que me foi dada da parte de Deus, no vosso interesse, para pregar plenamente a palavra de Deus, o segredo sagrado [ou mistério] que estava escondido dos sistemas passados de coisas e das gerações passadas. Mas agora tem sido manifesto aos seus santos, a quem Deus se agradou de dar a saber quais são as riquezas gloriosas deste segredo sagrado entre as nações. É Cristo em união convosco, a esperança da sua glória.” (Colossenses 1:25-27) Que grandioso “segredo sagrado” a ser revelado depois de períodos tão longos de tempo, de que os crentes dentre as nações gentias recebiam a “esperança” celestial de serem glorificados com o Messias, Cristo! Era deveras honra e privilégio ser ministro duma congregação com tal esperança!

      28, 29. (a) Esta consideração amorosa para com os crentes gentios estava incluída no propósito de Deus relacionado com quem? (b) Expressando gratidão por sua parte neste respeito, o que escreveu Paulo a respeito do “propósito eterno” de Deus?

      28 Pensar-se que toda esta consideração amorosa está dentro do propósito sublime que Deus formou em conexão com seu Messias, de modo a fazer os crentes gentios parte do “descendente” espiritual de Abraão para abençoar toda a humanidade! Quão admirável é que o Deus amoroso se apegou a esta particularidade generosa de sua vontade, porque faz parte de seu “propósito eterno”! Expressando apreço de sua própria parte dada por Deus neste respeito, Paulo disse:

      29 “A mim, um homem menor que o mínimo de todos os santos, foi dada esta benignidade imerecida para que eu declarasse às nações as boas novas acerca das riquezas insondáveis do Cristo, e para que eu fizesse os homens ver como se administra o segredo sagrado que desde o passado indefinido tem estado escondido em Deus, que criou todas as coisas. Isto se deu com o fim de que, por intermédio da congregação, se desse agora a conhecer aos governos e às autoridades nos lugares celestiais a grandemente diversificada sabedoria de Deus, segundo o propósito [em grego: próthesis] eterno que ele formou em conexão com o Cristo, Jesus, nosso Senhor.” — Efésios 3:8-11.

      30. (a) Segundo o Seu “propósito eterno”, como passou Deus a manifestar sua “grandemente diversificada sabedoria”? (b) Por que somos altamente favorecidos de vivermos neste tempo?

      30 De modo que Deus agiu de tal maneira com o seu “segredo sagrado”, que, “segundo o propósito eterno que ele formou em conexão com o Cristo”, se manifestasse agora, neste tempo, aos governos e às autoridades nos lugares celestiais, “a grandemente diversificada sabedoria de Deus” por produzir a congregação cristã como exemplo dela. Não somos altamente favorecidos de viver neste tempo do entendimento do “segredo sagrado” de Deus, segundo o seu “propósito eterno”? Paulo disse:

      “Em outras gerações, este segredo não foi dado a conhecer aos filhos dos homens assim como agora tem sido revelado aos seus santos apóstolos e profetas, por espírito, a saber, que os das nações haviam de ser co-herdeiros e membros associados do corpo, e co-participantes conosco da promessa, em união com Cristo Jesus, por intermédio das boas novas.” — Efésios 3:5, 6.

      31, 32. (a) Nos tempos pré-cristãos, quem estava interessado em entender estas coisas? (b) Portanto, de quem será composto o “corpo” de Cristo?

      31 Antigos profetas pré-cristãos, sim, até mesmo anjos, estavam interessados em saber exatamente como este “segredo sagrado” seria administrado por Jeová Deus.

      “Acerca desta mesma salvação fizeram diligente indagação e cuidadosa pesquisa os profetas que profetizaram a respeito da benignidade imerecida que vos era destinada. Eles investigaram que época específica ou que sorte de época o espírito neles indicava a respeito de Cristo, quando de antemão dava testemunho dos sofrimentos por [destinados reservados a] Cristo e das glórias que os seguiriam. Foi-lhes revelado que não era para eles, mas para vós que ministravam as coisas que agora vos foram anunciadas por intermédio dos que vos declararam as boas novas com espírito santo enviado desde o céu. Nestas coisas é que os anjos estão desejosos de olhar de perto.” — 1 Pedro 1:1-12, NM; Matos Soares.

      32 Assim, no tempo devido de Deus, revelou-se que o pleno rol de membros do “corpo” de Cristo incluiria tanto gentios como judeus. O “propósito eterno” de Deus, conforme primeiro formado no jardim do Éden, tomou em conta esta congregação, que tem o Messias por Cabeça. Nela foram unificados os judeus com os gentios.

  • Triunfo do “propósito eterno”
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 14

      Triunfo do “propósito eterno”

      1. Que opositores espirituais do “propósito eterno” de Deus tem havido, e desde quando?

      O “PROPÓSITO eterno” de Deus tem seus opositores no céu e na terra. Estes lutaram e ainda lutam para impedir o derradeiro triunfo deste “propósito eterno”. Quando Deus anunciou no Jardim do Éden seu “propósito eterno”, aos ouvidos da Grande Serpente e dos pecadores Adão e Eva, Deus disse à Serpente: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre o teu descendente e o seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.” (Gênesis 3:15) Desde então, Satanás, o Diabo, e os anjos desobedientes que se tornaram demônios têm combatido unidos o propósito declarado de Deus.

      2. (a) Por que meios se fizeram tentativas diabólicas de destruir a recém-criada “raça escolhida”? (b) O que escreveu Pedro como advertência contra a invasão de elementos corrompedoras?

      2 Depois de se fundar o espiritual “Israel de Deus” sobre seus doze alicerces apostólicos, no dia festivo de Pentecostes de 33 E. C., houve tentativas diabólicas na terra para destruir esta recém-casada “raça escolhida”, este “sacerdócio real”, esta “nação santa”, mas esta fracassou. (Atos 7:59 até 8:4; 9:1-5, 21; 11:19) Daí, tentou-se o corrompimento do Israel espiritual nos seus ensinos e no seu modo de vida, e isto causou grandes estragos. O apóstolo Pedro, escrevendo aos defensores da fé cristã, por volta do ano 64 E. C., advertiu de antemão os cristãos do primeiro século a respeito da vindoura invasão da corrução espiritual, dizendo:

      “A profecia nunca foi produzida pela vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo. No entanto, houve também falsos profetas entre o povo, assim como haverá falsos instrutores entre vós. Estes mesmos introduzirão quietamente seitas destrutivas e repudiarão até mesmo o dono que os comprou, trazendo sobre si mesmos uma destruição veloz. Outrossim, muitos seguirão os seus atos de conduta desenfreada, e por causa destes, falar-se-á de modo ultrajante do caminho da verdade. Explorar-vos-ão também em cobiça com palavras simuladas. Mas, quanto a eles, o julgamento, desde tempos antigos, não está avançando vagarosamente e a destruição deles não está cochilando.” — 2 Pedro 1:21 até 2:3; veja também Judas 4.

      3. (a) O que advertiu Paulo a respeito de corrompedores da congregação? (b) Quem é o “homem que é contra a lei” e quando foi revelado?

      3 Igualmente, o apóstolo Paulo, na sua última viagem a Jerusalém, advertiu os anciãos da congregação cristã: “Sei que depois de eu ter ido embora entrarão no meio de vós lobos opressivos e eles não tratarão o rebanho com ternura, e dentre vós mesmos surgirão homens e falarão coisas deturpadas, para atrair a si os discípulos.” (Atos 20:29, 30) Também, numa carta escrita anteriormente à congregação em Tessalônica, na Macedônia, ele avisou sobre o irrompimento duma rebelião religiosa na congregação e sobre a revelação do “homem que é contra a lei”, “o filho da destruição”. Paulo advertiu que “o mistério daquilo que é contra a lei já está operando”. Este “contra a lei” havia de ser uma pessoa composta, a classe clerical da cristandade. (2 Tessalonicenses 2:3-9) Este composto “homem que é contra a lei” revelou-se no quarto século E. C., quando o imperador romano Constantino, o Grande, tratou com “bispos” corrutos e faz da religião deles a religião estatal do império Romano. Constantino estabeleceu uma classe clerical, oficial. Assim veio à existência a cristandade.

      4. Durante os séculos desde a sua fundação, que antecedentes estabeleceram para si os clérigos da cristandade, e, no entanto, o que afirma ser a cristandade?

      4 Durante os dezesseis séculos seguintes, até este século vinte, que espécie de antecedentes estabeleceu a cristandade para si? Antecendentes que mostram seus clérigos envolverem-se na política, introduzindo cada vez mais ensinos pagãos na sua crença religiosa, acumulando riquezas e poder para si, oprimindo seus rebanhos religiosos, fomentando guerras religiosas cruzadas e perseguições cruéis, estabelecendo centenas de seitas confusas, abençoando os exércitos de nações chamadas “cristãs”, que guerreavam entre si, corrompendo a moral dos membros de suas igrejas, ocultando o “propósito eterno” de Deus e realmente agindo contra ele, exatamente como o “descendente” visível, terrestre, da Grande Serpente. Não tem havido nenhuma verdadeira unidade cristã nela. Tem havido enormes manchas de culpa de sangue nas suas vestes religiosas. Não tem havido cultivo dos frutos do espírito santo de Deus nela, especialmente não o do amor fraternal! Antes, abundam nela as “obras da carne”. (João 13:34, 35; Gálatas 5:19-24) Contudo, apesar da evidência bíblica condenatória dela, afirma ser o “Israel de Deus”.

      5. Apesar de difamado pela cristandade, o que fez Deus segundo o seu “propósito eterno”?

      5 Será que toda esta difamação de Deus e de seu Israel espiritual impediu que Ele cumprisse com bom êxito Seu “propósito eterno”? De modo algum! Ele previu tudo isto e o predisse na sua Palavra escrita, a Bíblia Sagrada. Seu novo pacto com o Israel espiritual continuava em vigor, e, sem dúvida, ele continuava a selecionar e a preparar israelitas espirituais para terem participação com o Messias Jesus no prometido reino celestial.

      6. A que condição seriam levados os últimos dos 144.000 na terra?

      6 Visto que o número dos israelitas espirituais, selados para serem co-herdeiros do Messias no reino celestial é limitado a 144.000, segundo Revelação 7:4-8; 14:1-3 tinha de vir o tempo em que os últimos necessários para completar o pleno número da classe do Reino seriam encontrados aqui na terra. Em vez de estarem religiosamente divididos, assim como as seitas religiosas da cristandade, seriam ajuntados em união espiritual apesar de raça, cor, nacionalidade ou vínculos tribais. Por não fazerem parte deste mundo, seriam ceifados deste mundo. — João 17:14-23.

      7. Com que comparou Jesus a obra de ajuntamento e onde a situou?

      7 O Senhor Jesus, explicando aos seus apóstolos os mistérios ou “segredos sagrados do reino”, chamou este recolhimento final de tais “filhos do reino” de “colheita”. Indicou quando se daria esta “colheita” espiritual ao dizer:

      “A colheita é a terminação dum sistema de coisas e os ceifeiros são os anjos. Portanto, assim como o joio é reunido e queimado no fogo, assim será na terminação do sistema de coisas. O Filho do homem enviará os seus anjos, e estes reunirão dentre o seu reino todas as coisas que causam tropeço e os que fazem o que é contra a lei, e lançá-los-ão na fornalha ardente. Ali é que haverá o seu choro e o ranger de seus dentes. Naquele tempo, os justos brilharão tão claramente como o sol, no reino de seu Pai. Escute aquele que tem ouvidos.” — Mateus 13:11, 39-43.

      8. Era esta “colheita” espiritual a única coisa que devia acontecer durante a “terminação do sistema de coisas”, e em réplica a que pergunta deu Jesus a resposta?

      8 Predisse-se o acontecimento de outras coisas nesta “terminação do sistema de coisas” além desta colheita dos “filhos do reino”. (Mateus 24:31) Todas estas outras coisas, junto com a colheita espiritual, seriam os sinais que identificariam o tempo em que vivemos, que esta é a predita “terminação do sistema de coisas”. O Messias Jesus, profeta semelhante a Moisés, enumerou estas coisas em resposta à pergunta de seus apóstolos, logo depois de ter predito a destruição do templo de Jerusalém. Perguntaram-lhe: “Quando sucederão estas coisas e qual será o sinal da tua presença [em grego: parousía] e da terminação do sistema de coisas?” — Mateus 23:37 até 24:3.

      9. O que predisse Jesus para então, e quando começou e terminou o “tempo do fim” de Jerusalém?

      9 No relato de Mateus 24:4-22 podemos ler que Jesus em resposta, predisse novamente a destruição de Jerusalém, também guerras, fomes, terremotos, perseguição dos seus discípulos fiéis, crescente violação da lei e esfriamento do amor, atividade pregadora da parte de seus discípulos, e a sua fuga da Judéia e de Jerusalém, depois de se ver o lugar santo profanado pela “coisa repugnante que causa desolação”. Isto havia de ocorrer dentro ‘desta geração’ da qual ele e seus apóstolos faziam parte. Isto significava que Jerusalém e o sistema de coisas baseado nela, como centro religioso, nacional, estavam no seu “tempo do fim”. Este “tempo do fim” começou no ano 29 E. C., quando João Batista começou a pregar: “Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado”, e depois batizou Jesus, e terminou no ano 70 E. C., com a desolação de Jerusalém e de seu templo, e o desaparecimento do sacerdócio arônico. Os judeus e o judaísmo nunca mais foram os mesmos desde então.

      O SINAL DO “TEMPO DO FIM”

      10. Como usou Jesus a Jerusalém do primeiro século na sua profecia, de modo que esta tem aplicação atual?

      10 No entanto, Jesus falou sobre muitas coisas que aconteceriam após a destruição de Jerusalém, dizendo: “E Jerusalém será pisada pelas nações até se cumprirem os tempos designados das nações.” (Lucas 21:20-24) Depois de um estudo cuidadoso da profecia inteira de Jesus, conforme encontrada em Mateus, capítulos vinte e quatro e vinte e cinco, Marcos, capítulo treze, e Lucas, capítulo vinte e um, é evidente que Jesus usava também a Jerusalém do primeiro século como quadro profético de seu equivalente moderno, a cristandade, e que usava o sistema de coisas prevalecente entre os judeus espalhados pelo mundo como quadro do hodierno sistema mundial de coisas, dominado pela cristandade. De modo que a profecia de Jesus sobre a “terminação do sistema de coisas” aplica-se também hoje, para seu cumprimento total. Por que dizemos “hoje”? Queremos dizer que vivemos hoje na predita “terminação do sistema de coisas”? Sim!

      11. Em que período se encontra este mundo, correspondendo com que períodos anteriores, similares?

      11 O mundo atual vive no seu “tempo do fim”. Lembremo-nos de que, quando aquele “mundo antigo”, o “mundo de pessoas ímpias”, “o mundo daquele tempo”, do tempo de Noé, foi inundado por um dilúvio global, seu “tempo do fim” começou cento e vinte anos antes do cataclismo aquoso de 2370 A. E. C. (2 Pedro 2:5; 3:6; Gênesis 6:1-3; Mateus 24:37-39) Antes da destruição de Jerusalém em 607 A. E. C. pelos babilônios, Deus falou ao último rei davídico no trono de Jerusalém, Zedequias, e se referiu ao “tempo do erro do fim”. O “tempo do fim” de Jerusalém era então de quarenta anos, começando quando Deus suscitou Jeremias para ser seu profeta no décimo terceiro ano do reinado de Josias. (Ezequiel 21:25; Jeremias 1:1, 2; Ezequiel 4:6, 7) A Jerusalém do primeiro século E. C. também teve seu “tempo do fim”, de quarenta e um anos (29-70 E. C.). — Lucas 19:41-44; 1 Tessalonicenses 2:16.

      12. Que profeta foi usado por Jeová para mencionar o “tempo do fim”, e, desde 1914 E. C., o que mostra que estamos neste período?

      12 Muitos anos depois da primeira destruição de Jerusalém pelos babilônios, o anjo de Deus falou ao profeta Daniel sobre o “tempo do fim” que viria sobre o sistema mundial de coisas. (Daniel 11:35 até 12:4) Estamos neste “tempo do fim” desde o ano de 1914 E. C. Dizemos isso, não só porque naquele ano irrompeu a Primeira Guerra Mundial e introduziu uma era de violência e de potencial de guerra, que ameaça eliminar a inteira raça humana. É também verdade que desde aquele ano momentoso tem tido um cumprimento completo a profecia de Jesus a respeito do “sinal” da terminação do sistema de coisas. E visto que esta “terminação do sistema de coisas” culminará no que Jesus chamou de “grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo”, significa que nos aproximamos do fim completo deste sistema de coisas, e, com isso, da destruição dum “mundo de pessoas ímpias”. — Mateus 24:21.

      13. (a) Como mostra Mateus 24:14 que a “presença” de Cristo havia de se dar em conexão com o reino de Deus? (b) Visto que Cristo não forneceu nenhuma data, que problema surge?

      13 Contudo, o motivo de se focalizar o ano de 1914 E. C. é que naquele ano começou a “presença” (parousia) do Senhor Jesus na autoridade do reino messiânico. Que a sua “presença” invisível era real neste sentido é indicado por algo específico que ele disse em resposta à pergunta dos apóstolos sobre o “sinal da tua presença”. É O seguinte, conforme registrado em Mateus 24:14: “E estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” Respondendo aos seus apóstolos, Jesus não forneceu nenhuma data, contudo o desenrolar do “sinal” a partir do ano de 1914 até agora marca aquele ano como o tempo do nascimento do reino messiânico de Deus, nas mãos de seu Filho Jesus Cristo, nos céus. Mas, há outra maneira de se chegar àquela data, para confirmá-la como o tempo predeterminado do nascimento do Reino com a “presença” de Cristo nele. Qual é esta outra maneira de confirmar 1914?

      14. Quando começaram os Tempos dos Gentios mencionados por Jesus e depois de que acontecimentos haviam de continuar ainda?

      14 Na sua profecia sobre: “Quando sucederão estas coisas?” ele predisse a destruição iminente de Jerusalém e acrescentou: “E Jerusalém será pisada pelas nações até se cumprirem os tempos designados das nações.” (Lucas 21:20-24) Aqueles “tempos designados das nações” não-judaicas, gentias, começaram lá em 607 A. E. C., quando os babilônios destruíram Jerusalém e derrubaram o descendente reinante do Rei Davi, herdeiro do pacto divino dum reino eterno Estes Tempos dos Gentios, conforme muitas vezes são chamados, continuaram até os dias de Jesus e deviam continuar depois da segunda destruição da cidade santa. É verdade que depois de setenta anos de desolação de Jerusalém e da terra de Judá um restante fiel de judeus voltou do exílio na terra de Babilônia e reconstruiu Jerusalém e outras cidades naquela terra por muito tempo desolada. Mas isto não significava que Jerusalém tinha deixado de ser pisada pelas nações gentias, primeiro pelos babilônios e depois pelos medo-persas, que venceram Babilônia.

      15. (a) Por que continuaram os Tempos dos Gentios depois de Jerusalém ser reconstruída em 537 A. E. C.? (b) Por que continuaram aqueles Tempos depois do julgamento de Jesus perante Pôncio Pilatos?

      15 Por que não? Porque com a reconstrução de Jerusalém, a partir de 537 A. E. C., não se restabeleceram em Jerusalém o trono e o reino messiânico da linhagem real de Davi. Jerusalém era então uma província do Império Medo-Persa e estava sob o domínio de Dario, o Medo, e Ciro, o Grande, o persa. Portanto, aquilo que Jerusalém representava, desde a sua captura pelo Rei Davi, no ano 1070 A. E. C., ainda estava sendo pisado, a saber, a categoria de Jerusalém como capital do reino messiânico dos filhos e sucessores do Rei Davi. O reino macabeu de governantes levitas (104-63 e 40-37 A. E. C.) não alterou isso. Daí, ao vir Jesus, “filho de Davi”, e apresentar-se como o ungido com o espírito de Deus, a maioria dos líderes religiosos, judaicos, e seus seguidores não o quiseram como seu Messias e Rei. Clamaram para o governador romano Pôncio Pilatos: “Não temos rei senão César.” (João 19:15) Portanto, os Tempos dos Gentios prosseguiram, e o direito ao reinado messiânico ainda estava sendo pisado.

      16, 17. (a) Por causa do cumprimento da profecia de Jesus, dizemos que os Tempos dos Gentios cumpriram-se quando? (b) A que rei antigo revelou Deus a duração dos tempos e como usara Deus este rei?

      16 No entanto, Jesus disse: “Até se cumprirem os tempos designados das nações.” Por quanto tempo continuariam aqueles tempos de interferência gentia no reino messiânico de Deus, depois de Babilônia ter derrubado o trono do Rei Davi em Jerusalém, em 607 A. E. C.?

      17 Agora, naturalmente, depois de vermos o que aconteceu em cumprimento da profecia de Jesus desde que irrompeu a Primeira Guerra Mundial, podemos responder com confiança: Até o cumprimento dos Tempos dos Gentios em 1914 E. C. Sim, porém, mais do que isso, nos dias do Rei Nabucodonosor, que destruiu Jerusalém em 607 A. E. C., Deus revelou que havia demarcado a duração destes Tempos dos Gentios, começados então, sem interferência do reino messiânico de Deus. Deus indicou que seria por sete “tempos” simbólicos. O sonho em que Deus revelou este período de tempo a Nabucodonosor foi interpretado pelo profeta Daniel. (Daniel 4:16, 23, 25, 32) Deus usou Nabucodonosor qual madeireiro para derrubar a expressão terrestre do reino de Deus, em Jerusalém, em 607 A. E. C. O toco daquela “árvore” simbólica havia de ser enfaixado e impedido de brotar e produzir uma nova árvore, até depois do fim de “sete tempos”.

      18. (a) Quem exerceu o reinado durante esses Tempos dos Gentios, o qual devia ter sido exercido pela casa real de Davi, e de que modo foi exercido? (b) Como foi retratado o restabelecimento do governo messiânico?

      18 No ínterim, durante estes “sete tempos”, os governantes mundiais, gentios, exerceriam a governança que realmente pertencia à linhagem real do Rei Davi, por causa do pacto que Deus fez com ele para um reino eterno. Mas, aqueles governantes gentios usavam este poder de governo de modo bem antiteocrático, de modo antimessiânico, com irracionalidade semelhante à demonstrada por Nabucodonosor durante seus sete anos de loucura. Mas, assim como o curado Nabucodonosor foi restabelecido no governo, no fim daqueles sete anos assim o aspecto messiânico do reino de Deus seria restabelecido no fim dos “sete tempos” do domínio mundial, gentio. O tronco real havia de ser então liberto das faixas, e de suas raízes havia de crescer uma nova árvore de governo. — Daniel 4:1-37.

      19. (a) Sendo que os Tempos dos Gentios são sete, qual é a duração de cada “tempo”? (b) Por volta de que tempo do ano começaram aqueles Tempos dos Gentios e por volta de que tempo do ano terminaram?

      19 Agora, se medirmos de 1914 E. C. para trás até 607 A. E. C., temos 2.520 anos. A seguir, se dividirmos os 2.520 anos pelo número dos “tempos”, isto é, sete, obtemos 360 anos. Esta é a duração dum “tempo” profético nas Escrituras Sagradas. (Revelação 12:6, 14; compare isso com Revelação 11:2, 3.) Os sete anos literais da loucura de Nabucodonosor ilustraram esses “sete tempos” de 2.520 anos cada ano sendo representado por um dia dum “tempo” profético de 360 dias. (Ezequiel 4:6, Números 14:34) Os “sete tempos” simbólicos começaram quando os exércitos de Babilônia deixaram Jerusalém e a terra de Judá em desolação, sem governador para substituir o assassinado Governador Gedalias no país, por volta de meados do mês lunar de tisri De modo que terminariam aproximadamente no mesmo tempo do ano de 1914 E. C., por volta de 4/5 de outubro de 1914.

      20. O que significaria a inversão em 1914 E. C. em vista do que ocorreu em 607 A. E. C.?

      20 Neste último tempo devia ocorrer o inverso do que ocorreu em tisri de 607 A. E. C., quando começaram os Tempos dos Gentios. A terra de Judá foi deixada desolada, sem templo em Jerusalém, sem o “trono de Jeová” ali, com um descendente ungido do Rei Davi sentado nele. (1 Crônicas 29:23) Isto significava que no começo do outono setentrional de 1914 E. C. as nações gentias deviam cessar de pisar no reinado messiânico e o reino messiânico devia nascer, não na Jerusalém terrestre mas lá no céu, onde o Filho e Senhor do Rei Davi estava então sentado à direita de Jeová Deus. (Salmo 110:1, 2) Foi então que veio o ungido, “aquele que tem o direito legal”, e Jeová Deus o deu a ele. — Ezequiel 21:25-27; Daniel 7:13, 14.

      21. Como foi retratado o nascimento do reino messiânico de Deus no céu, e o que se seguiu imediatamente?

      21 A Primeira Guerra Mundial já tinha mais de dois meses quando se deu este evento maravilhoso nos céus invisíveis. Em Revelação 12:1-5, este recém-nascido reino messiânico é retratado como filho varão, dado à luz pela “mulher” celestial de Deus e que foi arrebatado para o trono de Deus, a fim de compartilhar a regência com Ele. De modo que triunfou este aspecto majestoso do “propósito eterno” de Deus, mas contra oposição sobre-humana. Lemos sobre isso:

      “E irrompeu uma guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam com o dragão, e o dragão e os seus anjos batalhavam, mas ele não prevaleceu, nem se achou mais lugar para eles no céu. Assim foi lançado para baixo o grande dragão, a serpente originai, o chamado Diabo e satanás, que está desencaminhando toda a terra habitada, ele foi lançado para baixo, a terra, e os seus anjos foram lançados para baixo junto com ele. E ouvi uma voz alta no céu dizer:

      “‘Agora se realizou a salvação, e o poder, e o reino de nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo, porque foi lançado para baixo o acusador dos nossos irmãos, o qual os acusa dia e noite perante o nosso Deus! E eles o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do seu testemunho, e não amaram as suas almas, nem mesmo ao encararem a morte. Por esta razão, regozijai-vos, ó céus, e vós os que neles residis! Ai da terra e do mar, porque desceu a vós o Diabo, tendo grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo.’

      “Ora, quando o dragão se viu lançado à terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho varão. . . . E o dragão ficou furioso com a mulher e foi travar guerra com os remanescentes da sua semente, que observam os mandamentos de Deus e têm a obra de dar testemunho de Jesus.” — Revelação 12:7-17.

      22. (a) O que se indica quanto à identidade de Miguel lançar ele a Satanás e seus demônios para fora do céu? (b) Como predisse Jesus que sobreviriam perseguições aos ‘remanescentes da semente’ da mulher?

      22 Sim, o arcanjo Miguel apareceu novamente no céu, e, como o “descendente” da “mulher” de Deus, destinado a machucar a cabeça da Serpente, venceu a batalha e lançou a Serpente original e seus anjos demoníacos para baixo, à terra. A Grande Serpente, na sua ira, perseguiu a “mulher” por perseguir os “remanescentes da sua semente”, que se encontravam na terra durante e desde a Primeira Guerra Mundial. Jesus predisse na sua profecia tal perseguição de seus seguidores ungidos, como ocorrendo durante a “terminação do sistema de coisas”. Ele disse aos seus discípulos:

      “Então vos entregarão a tribulação e vos matarão, e sereis pessoas odiadas por todas as nações, por causa do meu nome. . . . Mas, quem tiver perseverado até o fim é o que será salvo.” — Mateus 24:9-13.

      23. (a) Os do restante ungido identificaram-se pela obediência a que ordem dada por meio de Jesus? (b) Quão cedo já divulgaram o ano em que terminariam os Tempos dos Gentios?

      23 Portanto, temos prova da Bíblia e da história mundial de que o “tempo do fim” começou em princípios do outono setentrional de 1914, Em plena harmonia com isso, prossegue a perseguição dos do restante ungido, que “observam os mandamentos de Deus e têm a obra de dar testemunho de Jesus”. Estes são os que observam o mandamento de Deus dado na profecia de Jesus: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações.” (Mateus 24:14) Este restante de ungidos identificou-se nas páginas da história desde 1914 E. C. Antes daquele ano, os membros deste restante ungido haviam estudado seriamente a Palavra de Deus, separados da cristandade. Colocavam a Bíblia Sagrada acima das tradições religiosas dos homens. Já em 1876 publicavam que os Tempos dos Gentios, de 2.520 anos, terminariam no ano de 1914. Os acontecimentos desde aquele ano provam que não estavam errados.

      24. (a) Por que se tornaram os dos restante pessoas odiadas internacionalmente durante a Primeira Guerra Mundial? (b) Que obra de após-guerra empreenderam e que nome procuraram divulgar?

      24 Durante a Primeira Guerra Mundial tornaram-se pessoas odiadas por todas as nações e sofreram severa perseguição, por favorecerem o reino messiânico de Deus e tentarem manter-se livres da culpa de sangue, com o qual a cristandade se manchou. Em 1919, no primeiro ano do após guerra, discerniram sua obrigação cristã de proclamar mais do que nunca o reino messiânico de Deus, que havia sido estabelecido nos céus, no fim dos Tempos dos Gentios, em 1914. (Mateus 24:14) No ano 1925, foram-lhes abertos os olhos do entendimento espiritual para ver que havia chegado o tempo de Deus fazer um nome para si. (2 Samuel 7:23; Jeremias 32:20; Isaías 63:14; veja The Watch Tower de 1.º de agosto de 1925, página 226, coluna 2, parágrafo 4; também de 15 de setembro de 1925, página 280, parágrafos 41-43) Empreenderam assim a tarefa de divulgar mundialmente o nome bíblico do único Deus vivente e verdadeiro e também Seu “propósito eterno que ele formou em conexão com o Cristo, Jesus, nosso Senhor”. — Efésios 3:11.

      25. De que precisavam distinguir-se os do restante ungido, e, por isso, o que adotaram em 1931 E. C.?

      25 Portanto, no ano 1931, sem presunção, mas plenamente justificados na medida então tomada, adotaram um nome que os distinguiria de Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa, de que haviam saído em obediência à ordem de Deus em Revelação 18:4. Sim, adotaram um nome que os distinguiria até mesmo da cristandade, com suas centenas de seitas desunidas, seu mundanismo e sua enorme culpa de sangue. De fato, adotaram um nome baseado nas Escrituras (Isaías 43:10, 12) e que lhes apresentaria claramente sua obra cristã. E um nome que desde então se tornou mundialmente conhecido, um nome tanto respeitado como odiado, a saber, testemunhas de Jeová. É à altura deste nome que vivem!

      UMA “GRANDE MULTIDÃO” A SOBREVIVER AO HAR-MAGEDON

      26. Desde quanto tempo atrás tem Deus tirado um “povo para o seu nome” e falta-lhe tal povo hoje em dia?

      26 Era tudo isso apenas um arrebatamento momentâneo de fervor religioso? Era apenas um acaso irrelevante? Ou tratava-se de algo segundo o propósito progressivo de Deus? Examine o resultado! Lá em Jerusalém, naquele dia histórico de Pentecostes de 33 E. C., começou algo propositalmente, quando Deus derramou seu espírito santo e o apóstolo Pedro, cheio de espírito, levantou-se e citou a profecia de Joel 2:28-32, dizendo a milhares de judeus: “E todo aquele que invocar o nome de Jeová será salvo.” Deus começou ali a formar um “povo para o seu nome”, um Israel espiritual. (Atos 2:1-21; 15:14) Um passo adicional foi dado no fim da ‘septuagésima semana de anos’ em 36 E. C., quando Deus enviou o apóstolo Pedro a pregar a gentios incircuncisos e derramou seu espírito santo sobre estes não-judeus crentes. Deus ampliou assim o “povo para o seu nome”, por batizar e ungir gentios com espírito santo e acrescentá-los ao seu Israel espiritual. (Atos 10:1 até 11:18; 15:7-11) Isto aconteceu lá no primeiro século. E que dizer de hoje, neste século vinte? Os fatos da história inatacável provam que Deus foi bem sucedido em ainda ter um “povo para o seu nome”!

      27. Portanto, que evidência temos hoje em dia de que Deus se apegou ao seu propósito neste respeito, e quem recebe agora bênçãos por causa disso?

      27 A presença hoje na terra do restante final do “descendente” espiritual de Abraão atesta que Deus está completando o número inteiro de 144.000 israelitas espirituais sob sua Cabeça, Jesus Cristo. Faz isso apesar de toda a oposição por parte de diabos e de homens! Seu “propósito eterno que ele formou em conexão com o Cristo” está triunfando — agora mesmo! Ele está tão imutavelmente decidido como antes a ver seu propósito cumprido até a sua plena realização vitoriosa no futuro próximo. Quanto bem isto significará para o homem! Em todo o mundo está aumentando uma “grande multidão” de pessoas que apreciam isso. Já estão recebendo bênçãos por meio do restante de Deus, do “descendente” espiritual de Abraão.

      28. Quem, principalmente, é o “descendente” de Abraão, mas o que mostra se a bênção se limita apenas aos que são membros do “descendente”?

      28 O antigo patriarca Abraão representava a Jeová Deus. O próprio Jeová é o Abraão Maior. Seu “descendente” é principalmente seu Filho uma vez sacrificado, Jesus Cristo, nosso Senhor. Por meio deste seu Principal do “descendente” ou da “descendência”, foram abençoados até mesmo todos os membros do Israel espiritual. Mas, restringe-se a bênção a eles? Não! A promessa juramentada de Deus ao antigo Abraão foi: “Todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de tua descendência.” (Gênesis 22:18; Atos 3:22-26) Esta “descendência” inclui mais do que Jesus Cristo, porque a descendência de Abraão havia de ser como as estrelas e os grãos de areia à beira do mar — inúmera. Portanto, a “descendência” ou o “descendente” inclui todo o Israel espiritual. Por meio desta “descendência” inteira, outros procurarão uma bênção, sim, “todas as nações da terra” fora da “descendência” ou do “descendente”, fora do Israel espiritual. De modo que toda a humanidade será abençoada pelo “descendente” do Abraão Maior, Jeová Deus, Pai celestial do “descendente” espiritual. Com este fim em vista, haverá uma ressurreição dos mortos, sob o reino messiânico do “descendente”. — Atos 24:15.

      29, 30. (a) Por quem foram prefigurados nos tempos pré-cristãos aqueles que agora recebem bênçãos por meio do restante do “descendente”? (b) Como se referiu Jesus aos sobreviventes da vindoura “grande tribulação”?

      29 E hoje, dentre todas as nações, quem são os que recebem bênçãos por meio do “restante” do “descendente” abraâmico ou em associação com ele? Segundo o propósito amoroso de Deus, eles foram prefigurados nos tempos antigos. Por quem?

      30 Lá em 1513 A. E. C., quando os israelitas libertos partiram do Egito, após a primeira noite pascoal, e depois atravessaram o Mar Vermelho para ficarem a salvo nas margens da península sinaítica, foram acompanhados por “uma vasta mistura” de não-israelitas. (Êxodo 12:38; Números 11:4) Em 607 A. E. C.! quando os exércitos babilônicos destruíram Jerusalém pela primeira vez, houve um eunuco etíope, Ebede-Meleque, e os recabitas não-israelitas que sobreviveram à destruição da cidade santa e de seu templo. (Jeremias 35:1-19; 38:7-12; 39:16-18) E em 11 de nisã de 33 E. C., quando Jesus predisse a destruição que sobreviria a Jerusalém no ano 70 E. C. e que era tipo profético da destruição da cristandade na nossa geração, ele disse:

      “Então haverá grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo. De fato, se não se abreviassem aqueles dias, nenhuma carne seria salva; mas, por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados.” — Mateus 24:21, 22; Marcos 13:19, 20.

      31. Que visão recebeu o apóstolo João a respeito da “grande multidão” que sobreviverá com o restante espiritual a “tribulação”?

      31 Além dos do restante do Israel espiritual ou dos “escolhidos”, haverá sobreviventes daquela iminente “grande tribulação”. Por volta do ano 96 E. C., o idoso apóstolo João recebeu uma visão dos que atravessarão a “grande tribulação” em companhia do “restante” do Israel espiritual. Logo depois de ter tido uma visão da cura espiritual dos 144.000 membros fiéis do Israel espiritual, João passa a dizer:

      “Depois destas coisas eu vi, e, eis uma grande multidão, que nenhum homem podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, trajados de compridas vestes brancas; e havia palmas nas suas mãos. E gritavam com voz alta, dizendo: ‘Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.’

      “E, em resposta, [um dos anciãos] me disse: ‘Quem são estes que trajam compridas vestes brancas e donde vieram?’ Eu lhe disse assim imediatamente: ‘Meu senhor, és tu quem sabes.’ E ele me disse: ‘Estes são os que saem da grande tribulação, e lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro. É por isso que estão diante do trono de Deus; e prestam-lhe serviço sagrado, dia e noite, no seu templo; e o que está sentado no trono estenderá sobre eles a sua tenda. Não terão mais fome, nem terão mais sede, nem se abaterá sobre eles o sol, nem calor abrasador, porque o Cordeiro, que está no meio do trono, os pastoreará e os guiará a fontes de águas da vida. E Deus enxugará toda lágrima dos olhos deles.” — Revelação 7:9, 10, 13-17.

      32. (a) Quando foi publicada pela primeira vez a explicação que se enquadra nos fatos a respeito desta visão? (b) Por que é de se esperar que os desta “grande multidão” não vão para o céu nem reinem com o Cordeiro de Deus?

      32 A explicação do significado desta visão, que se enquadra nos fatos da atualidade, foi publicada primeiro no ano de 1935 E. C., a partir da assembléia das testemunhas cristãs de Jeová em Washington (D. C., E. U. A.) em 31 de maio de 1935. Os da “grande multidão” vistos na visão não esperam ir para o céu e reinar no Monte Sião celestial junto com os 144.000 israelitas espirituais. Por exemplo, lemos em Revelação 14:1-3 que os únicos que estão em pé com o Cordeiro de Deus no Monte Sião celestial são os 144.000 israelitas espirituais. Os da “grande multidão” não são vistos ali em pé, e isso por um bom motivo. Diz-se apenas a respeito dos 144.000: “Estes foram comprados dentre a humanidade como primícias para Deus e para o Cordeiro.” (Revelação 14:4, 5; Tiago 1:18) Lemos a respeito dos 144.000 “comprados dentre a humanidade” as seguintes palavras dirigidas ao Cordeiro de Deus:

      “Foste morto e com o teu sangue compraste pessoas para Deus, dentre toda tribo, e língua, e povo, e nação, e fizeste deles um reino e sacerdotes para o nosso Deus, e reinarão sobre a terra.” — Revelação 5:9, 10.

      33. Em quem se cumpre então o propósito do novo pacto de Deus?

      33 Portanto, cumpre-se nestes 144.000 o propósito do “novo pacto” de Deus com c Israel espiritual, porque o novo pacto destinava-se a produzir um “reino de sacerdotes e uma nação santa”, algo que o antigo pacto da Lei mosaica não produziu. (Êxodo 19:5, 6) Os da “grande multidão” de Revelação 7:9-17 não são incluídos neste novo pacto, mas associam-se hoje com os do “restante” dos israelitas espirituais que estão no novo pacto.

      34. Onde esperam usufruir a vida eterna os da “grande multidão” e o que reconhecem a respeito de Deus e do seu Cordeiro?

      34 De modo que os da “grande multidão” não esperam ir para o céu, nem mesmo depois de sobreviver à ”grande tribulação”. Os da “grande multidão” esperam que o Cordeiro de Deus os pastoreie aqui na terra, após a “grande tribulação”, e os conduza à vida eterna numa terra paradísica. Reconhecem o entronizado Deus do céu como Soberano Universal sobre toda a criação. Reconhecem o Messias Jesus como o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” e admitem que devem sua salvação a Deus, mediante o seu uma vez “morto” Cordeiro, e, por fé e obediência, “lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro”.

      35. (a) Onde, no “templo” de Deus, O servem continuamente, e por quê? (b) Como expressam lealdade ao Sumo Sacerdote de Deus e como os retratou Jesus numa parábola?

      35 Reconhecem apenas o Soberano Senhor Jeová como seu Deus. Isto explica por que são vistos ‘prestarem-lhe serviço sagrado, dia e noite, no seu templo’, nos pátios terrenos de seu templo espiritual, cujo Santíssimo está nos santos céus. (Hebreus 9:24) De modo que os da “grande multidão” estão agora em contato com o restante dos 144.000 israelitas espirituais, que são prospectivos sacerdotes régios, produzidos pelo novo pacto. Em expressão de sua lealdade ao Sumo Sacerdote régio Jesus Cristo, os da “grande multidão” são leais aos seus irmãos espirituais, que ainda estão na terra. Fazem todo o bem que podem aos irmãos espirituais de Cristo, juntando-se até mesmo a eles na pregação destas “boas novas do reino” em todo o mundo. Estes leais são os da classe das “ovelhas” descritas por Jesus na sua parábola, dizendo:

      “O rei dirá então aos à sua direita: ‘Vinde, vós os que tendes a bênção de meu Pai, herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois fiquei com fome, e vós me destes algo para comer: fiquei com sede, e vós me destes algo para beber. Eu era estranho, e vós me recebestes hospitaleiramente; estava nu, e vós me vestistes. Fiquei doente, e vós cuidastes de mim. Eu estava na prisão, e vós me visitastes.’ Então, os justos lhe responderão com as palavras: ‘Senhor, quando te vimos com fome, e te alimentamos, ou com sede, e te demos algo para beber? Quando te vimos como estranho, e te recebemos hospitaleiramente, ou nu, e te vestimos? Quando te vimos doente, ou na prisão, e te fomos visitar?’ E o rei lhes dirá, em resposta: ‘Deveras, eu vos digo: Ao ponto que o fizestes a um dos mínimos destes meus irmãos, a mim o fizestes.’

      “E [os da classe dos cabritos] partirão para o decepamento eterno, mas os justos, para a vida eterna.” — Mateus 25:34-40, 46.

      36. Quando serão ‘decepados’ os da classe dos cabritos, da parábola, e por quê?

      36 Os que não agem quais “ovelhas” para com os irmãos espirituais do já reinante Rei Jesus Cristo serão decepados da vida na vindoura “grande tribulação” porque não estão a favor do “descendente” da “mulher” celestial de Deus, mas são a favor do “descendente” da “serpente original”, Satanás, o Diabo. (Gênesis 3:15, Revelação 12:9, 17) Cedem a influência e à orientação da “serpente original, . . . que está desencaminhando toda a terra habitada”, e por isso serão encontrados como estando do lado do “descendente” da Serpente, quando dentro em breve irromper a “grande tribulação”.

      37. Em que período se encontra este sistema mundial agora desde 1914, e, por isso, com que se confronta agora esta geração segundo Daniel 12:1?

      37 Desde o nascimento do reino messiânico de Deus nos céus, no ano de 1914, este sistema mundano de coisas tem estado no seu “tempo do fim”. Este “tempo do fim” culminará em breve na “grande tribulação” conforme predita por Jesus Cristo. Esta tribulação sem paralelo foi predita pelo profeta Daniel muito antes de Jeová Deus enviar seu Filho primogênito, celestial, à terra para ser chamado Jesus. Por isso, o anjo de Deus fraseou a profecia dada a Daniel do seguinte modo:

      “E durante esse tempo pôr-se-á de pé Miguel, o grande príncipe que está de pé a favor dos filhos de teu povo. E certamente virá a haver um tempo de aflição tal como nunca se fez ocorrer, desde que veio a haver nação até esse tempo.” — Daniel 12:1; compare isso com Mateus 24:21.

      Esta geração da humanidade confronta-se agora com tal “tempo de aflição”.

      38. (a) Que praticantes da religião sobreviverão a destruição de Babilônia, a Grande? (b) A fim de resolver que questão precisa travar-se a “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”?

      38 Durante esse “tempo de aflição”, a “grande tribulação”, forças políticas anti-religiosas destruirão a hodierna Babilônia, a Grande, quer dizer, o império mundial de religião falsa que começou com a antiga Babilônia. (Gênesis 10:8-12; Revelação 17:1 a 18:24) Sob a proteção de Deus, membros do “restante” do Israel espiritual e da “grande multidão” sobreviverão àquela destruição como praticantes da verdadeira religião. (Tiago 1:27) Logo depois desse fracasso da parte das forças anti-religiosas, de eliminar a “forma de adoração” que é pura e imaculada, a religião pura, de cima da terra, virá a “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”, no lugar que é simbolicamente chamado de Har-Magedon. (Revelação 16:14, 16) Por quê? Porque se precisa ainda resolver a questão universal da soberania de Jeová em toda a criação, defendida pelo restante e pelos da “grande multidão”. Resolver esta gestão faz parte do “propósito eterno” de Deus, “que ele formou em conexão com o Cristo, Jesus, nosso Senhor”, o qual é o principal do “descendente” prometido de Deus.

      39, 40. (a) Onde ocorrerá o confronto militar por causa desta questão e a quem vemos ajuntar-se ali? (b) Quem se mostrara ali superior pela vitória?

      39 As soberanias nacionais, em que os governos políticos da atualidade insistem, chocam-se com a Soberania Universal do Criador. O confronto militar, por causa desta questão suprema, aproxima-se cada vez mais ao se esgotar este “tempo do fim”. A luz das previsões dos acontecimentos futuros, na Revelação, será que vemos os reis e os governantes políticos da terra, bem como seus exércitos e apoiadores, ser ajuntados ao campo de batalha do Har-Magedon, para uma luta até o fim? Sim.

      40 Contudo, vemos também pela fé que o Rei dos reis celestial, Jesus Cristo, e seus exércitos angélicos, apressam-se para o mesmo campo de batalha, como que montados em cavalos brancos de guerra. Podemos acreditar na palavra de Deus; a guerra no Har-Magedon culminará com a vitória das forças de Deus, o Todo-poderoso, e com a destruição de todos os sistemas políticos feitos pelo homem e dos que ocupam cargos neles, seus exércitos e seus apoiadores patrióticos. Jesus Cristo, que antes era qual Cordeiro, mostrar-se-á Rei dos reis, porque Jeová Deus estará à sua mão direita como Combatente ao lado de seu Rei-Sacerdote, que é semelhante a Melquisedeque. — Revelação 17:12-14; 19:11-21; Salmo 110:4, 5.

      41. (a) Após o Har-Magedon, por que não poderá mais a “serpente original” guerrear contra o restante e a “grande multidão”? (b) Em que sentido virá então o momento culminante para o “descendente” da “mulher” de Deus?

      41 Este será o grandioso clímax do “ai da terra e do mar”, ao qual a “serpente original” e seus anjos demoníacos levaram toda a humanidade enganada desde que foram expulsos do céu! (Revelação 12:7-12) Com a destruição de todo o seu “descendente” terrestre, no Har-Magedon, a “serpente original” não poderá mais guerreará contra os “remanescentes da . . . semente” da mulher e os da “grande multidão” de co-adoradores do Soberano Senhor Jeová. (Revelação 12:13, 17) Será que a “serpente original” e seu “descendente” demoníaco, invisível, serão deixados soltos na vizinhança de nossa terra, para a qual foram expulsos do céu? Não! Porque então chegará o momento culminante para Jesus Cristo, “descendente” celestial da “mulher” de Deus, cujo calcanhar certa vez foi machucado por aquela Serpente assassina! A situação se inverteu, e o “descendente” da “mulher” celestial de Deus terá de machucar então a “cabeça” da Serpente, fazendo como se ela e seu “descendente” demoníaco nunca tivessem existido! Como?

      42. (a) Como serão machucados então a Serpente e seu “descendente”? (b) Que mudança ocorrerá então nas potências governantes, celestiais, e na sociedade terrena?

      42 Por eliminar a Serpente e seus demônios da vizinhança da terra e lançá-los no “abismo”, fechando-os ali sob selo, presos como que em cadeias durante os próximos mil anos. Revelação 20:1-3 retrata isso não como parte da guerra do Har-Magedon, mas como seqüência desta guerra. (Gênesis 3:15; Romanos 16:20; Lucas 10:18-20) Assim serão eliminados para sempre os seculares “céus” satânicos sobre a sociedade humana, terrestre, e os “novos céus” messiânicos de Deus se estenderão em bênção sobre a nova sociedade humana terrestre. Quão triunfante será então o cumprimento das palavras do apóstolo Pedro, o qual, depois de descrever a destruição dos velhos céus e terra simbólicos, anima todos os verdadeiros adoradores de Jeová Deus por dizer: “Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça.” — 2 Pedro 3:7-13; Revelação 20:11; 21:1; Isaías 65:17.

  • Sagração do sétimo “dia” criativo
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 15

      Sagração do sétimo “dia” criativo

      1, 2. (a) Com o machucar da Grande Serpente, terá o “propósito eterno” de Deus alcançado seu cumprimento completo? (b) Segundo o propósito de Deus, quem devia ser beneficiado com o esmagamento da Serpente?

      PARA o bem eterno da humanidade, aproxima-se o há muito aguardado triunfo do “propósito eterno” de Deus, “que ele formou em conexão com o Cristo, Jesus, nosso Senhor”. Não vale a pena viver para isso, para ver e tirar proveito disso com alegria indizível? O restante sobrevivente do Israel espiritual e os da “grande multidão” de co-testemunhas de Jeová verão tal triunfo e tirarão proveito dele por tempos eternos. Mas o “propósito eterno” de Deus em conexão com o “descendente” de Sua “mulher” ainda não terá sido então completamente cumprido. Precisará prosseguir para triunfos adicionais durante os mil anos e até o fim destes, designados para o reinado do Messias Jesus e dos 144.000 co-membros do “descendente de Abraão”. (Revelação 20:4-6; Gálatas 3:8, 16, 29) Como?

      2 Pois bem, o “propósito eterno” de Deus era que a humanidade, nascida em pecado e morte, devia ser beneficiada com o esmagamento da cabeça da Grande Serpente. Segundo a promessa de Deus feita a Abraão, todas as famílias do solo e todas as nações abençoariam a si mesmas, procurando uma bênção eterna por meio do “descendente” espiritual de Abraão. (Gênesis 12:3; 22:18) Os mil anos do reinado de Cristo permitirão tempo para tal obra de bênção.

      3. Para o cumprimento de que propósito original de Deus precisa haver um reinado milenar sobre a terra, por parte de quem?

      3 O Messias Jesus e seus glorificados 144.000 reis e subsacerdotes associados terão em mente o propósito original de Deus, o Criador, ao colocar o homem na terra, no Jardim do Éden. Era que toda a terra florescesse como um Jardim do Éden global. O inalterável propósito original de Deus era ter toda esta terra paradísica cheia de homens e mulheres perfeitos e justos, vivendo para todo o sempre numa relação amorosa e pacífica com o Pai celestial, quais membros de sua família universal de céu e terra, membros de sua organização universal. Todos os peixes do mar, todas as criaturas voadoras dos céus e todas as criaturas viventes, moventes, na terra, domésticas e selváticas, estariam em sujeição segura e inofensiva a esta raça humana, piedosa. (Gênesis 1:26-31; Isaías 45:18; Salmo 115:16; 104:5) Para o cumprimento deste propósito original de Deus, o “descendente” da “mulher” celestial de Deus tem de reinar por mil anos. A tarefa de realizar isto foi dada ao Messias Jesus, o qual, enquanto na terra, foi chamado de “Filho do homem”. — Salmo 8:4-8; Hebreus 2:5-9.

      4. Após a glorificação do restante do Israel espiritual, por que não ficará a “grande multidão” sobrevivente como os únicos ocupantes humanos da terra?

      4 Por conseguinte, depois de o restante sobrevivente, do Israel espiritual, terminar sua carreira na terra e ser glorificado com o reinante Messias Jesus e todos os seus outros co-herdeiros, os da “grande multidão” de outros sobreviventes da “tribulação” não ficarão sozinhos na terra purificada. Serão demasiado poucos para ‘encher a terra’. Além disso, não são os únicos resgatados pelo perfeito sacrifício humano do Senhor Jesus Cristo; seu “calcanhar” foi machucado a fim de que “provasse a morte por todo homem”; ele “se entregou como resgate correspondente por todos”. (Hebreus 2:9; 1 Timóteo 2:5, 6) A vasta maioria destes resgatados está agora morta, na sepultura comum da humanidade. Como poderão tirar proveito do resgate do Messias? Pela prometida ressurreição dos mortos. (Jó 14:13, 14; Isaías 26:19; Mateus 22:31, 32; João 5:28, 29; Atos 24:15; Revelação 20:12-14) Assim, aos da “grande multidão” sobrevivente serão acrescentados estes bilhões de ressuscitados, todos eles descendentes daquele original casal humano, Adão e Eva. Que reunião familiar, global!

      5. (a) Que outro propósito deve ser cumprido por Cristo e seus 144.000? (b) Como passou Deus a repousar no seu sétimo “dia” criativo?

      5 Agora, o reinante Jesus Cristo e seus 144.000 co-herdeiros precisarão cumprir um propósito especial. Qual? Tornar o sétimo “dia” criativo de Deus um dia bendito, um dia sagrado. Depois de Deus ter criado Adão e Eva e lhes ter dado sua comissão de trabalho, apresentando-lhes o propósito da vida deles no Paraíso, terminou o sexto “dia” criativo de Deus e começou o sétimo “dia” criativo há cerca de seis mil anos atrás. Ele ordenou este “dia’ criativo como “dia” sabático para si mesmo. Nele desistiria da obra criativa, terrestre, repousando de tal obra, não por cansaço, mas para deixar o primeiro casal humano e seus descendentes adorá-lo como seu único Deus vivente e verdadeiro, por servirem-no, cumprindo a tarefa que lhes designara. Ele sabia que seu propósito declarado para com eles podia ser cumprido durante o período seguinte de sete mil anos, Seu “dia” sabático.

      “Deus passou a abençoar o sétimo dia e a fazê-lo sagrado, porque nele tem repousado de toda a sua obra que Deus criara com o objetivo de a fazer.” — Gênesis 2:3.

      6. (a) Como foi profanado o sétimo “dia” criativo de Deus como Seu dia sabático? (b) Não obstante, como fará Deus dele um “dia” abençoado, sagrado?

      6 Pouco depois, o filho espiritual de Deus, que se fez Satanás, o Diabo, passou a profanar este sétimo “dia” criativo, sagrado, de Jeová Deus. Durante seis mil anos permitiu-se que ele e seu “descendente” continuassem no seu empenho de fazê-lo parecer um “dia” maldito, profanado, perturbador para o “descanso” de Deus, procurando fazê-lo violar seu próprio “dia” sabático ordenado. Mas, em vão! Durante os mil anos em que a Grande Serpente e seu “descendente” demoníaco estiverem no abismo, Jeová Deus anulará toda a iniqüidade que tais profanadores do Sábado de Jeová causaram na terra. Por meio do reinado milenar de seu Filho Jesus Cristo, Jeová soerguerá a raça humana, descendente do original casal humano, novamente à perfeição humana, sem pecado, sendo destruídos apenas os rebeldes e desobedientes da raça, como não tendo respeito pelo grande “dia” sabático de Jeová Deus. (Revelação 20:14, 15) O paraíso será restabelecido na terra e ampliado por toda ela. Toda a terra ficará cheia da humanidade descendente do primeiro casal humano, estando então toda a terra em sujeição. — Gênesis 1:28.

      7. Que oração ensinada por Jesus se cumprirá assim e como mostrará ele então reconhecimento da soberania universal de Jeová?

      7 Pelo cumprimento do “propósito eterno” de Deus, “que ele formou em conexão com o Cristo, Jesus, nosso Senhor”, o sétimo “dia” criativo de Deus acabará sendo bendito, sagrado e santificado. Ter Jeová abençoado este “dia” há seis mil anos atrás e o ter então tornado sagrado não será anulado para o Seu vitupério eterno. A oração messiânica: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra”, estará gloriosamente cumprida. (Mateus 6:10) Tendo servido ao “propósito eterno” de Jeová para o triunfo deste propósito em honra de Deus, Jesus Cristo, então, passará a “entregar o reino ao seu Deus e Pai”, sujeitando-se assim ao Soberano Universal, Jeová, o Altíssimo. (1 Coríntios 15:24-28) Ele vindica em lealdade a soberania universal de Jeová.

      JUSTIFICAÇÃO DA HUMANIDADE OBEDIENTE PARA A VIDA ETERNA

      8. Que posição terá então a humanidade restabelecida perante Deus, e o que fará Ele antes de justificar alguém para a vida eterna?

      8 A humanidade restabelecida estará então por conta própria, assim como os inocentes e perfeitos Adão e Eva estavam no paradísico Jardim do Éden, quando Deus lhes deu sua tarefa de serviço sagrado para Ele. Quem dentre a humanidade restabelecida na terra paradísica permanecerá leal à soberania universal e à Divindade do Criador amoroso Jeová, a Fonte de toda a vida? A quem será que ele mesmo justificará ou declarará justo para a vida eterna na terra paradísica? A fim de testar toda a humanidade restabelecida quanto a este ponto vital, Jeová aceitará o reino entregue por Jesus Cristo e fará soltar do abismo a Grande Serpente e seus demônios. Deixará estes rebeldes espirituais, não regenerados, procurar tentar e desencaminhar novamente a humanidade.

      9. (a) O que sobrevirá aos humanos restabelecidos que cederem ao engano da Serpente e de seus demônios? (b) Como se cumprirá o estágio final do “propósito eterno” de Deus?

      9 Jeová não nega que alguns da humanidade restabelecida se deixem desencaminhar por Satanás e seus demônios, assim como se deu com o perfeito Adão e Eva no Jardim do Éden. Ele admite que uma multidão sem número especificado faça isso. Quando se tiver permitido que a prova atinja seu pleno alcance e ela tiver dividido inalteravelmente a humanidade quanto à atitude das pessoas com respeito à soberania universal e à Divindade, virá a destruição desde o céu sobre os rebeldes humanos. Por fim, virá a vez do grande profanador do Sábado de Jeová, Satanás, o Diabo, e de seu “descendente” demoníaco serem destruídos. Sem dúvida isto será feito por meio do “descendente” da “mulher’ celestial de Deus, porque este “descendente” foi designado para machucar a “cabeça” da Serpente, segundo o “propósito eterno” de Deus, conforme declarado no Jardim do Éden. (Gênesis 3:15) O quinhão de Satanás, o Diabo, e de seus demônios, não será o retorno ao abismo, mas sim a destruição total como que por fogo misturado com enxofre. Não haverá restabelecimento temporário deste estágio final do esmagamento da cabeça da Grande Serpente. Não se lhe permitirá mais nenhuma oportunidade de agir como Tentador. — Revelação 20:7-10.

      10. Como serão recompensados os que se mostrarem leais à soberania de Jeová e à sua Divindade?

      10 Que triunfo culminante isto será para o “propósito eterno” de Deus, “que ele formou em conexão com o Cristo, Jesus, nosso Senhor”! Aqueles da humanidade restabelecida que demonstrarem sua determinação imutável de servir e obedecer a Jeová, como o Soberano Universal e único Deus vivente e verdadeiro, serão declarados justos por Ele. Concederá a estes justificados a recompensa do dom da vida eterna no sempre-florescente Paraíso terrestre, o escabelo de Deus. (Isaías 66:1) Encherá sua vida infindável com um propósito sempre satisfatório, sempre estimulante, para a Sua glória por Seu Cristo, Jesus, nosso Senhor. (Revelação 21:1-5) Aleluia! — Salmo 150:6.

      11. O que há de excelente que devemos fazer com respeito a este propósito incomparável de Deus?

      11 Esta é uma perspectiva sem igual para a humanidade! É para os que agora harmonizam sua vida com o “propósito eterno” de Deus. Não pode haver nada mais excelente do que fazermos do propósito de Deus o nosso propósito.

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