Satisfazer o requisito divino da obediência
“Obedecei à minha voz, e eu vou tornar-me vosso Deus, e vós mesmos vos tornareis meu povo; e tereis de andar em todo o caminho que eu vos ordenar, para que vos vá bem.” — Jer. 7:23.
1. (a) Que situação existe hoje com respeito à obediência? (b) Com que resultado?
A OBEDIÊNCIA, igual a uma jóia preciosa, é difícil de achar neste mundo do século vinte. Os governos têm experimentado muitas coisas para criar esta qualidade desejável nos seus súditos. As autoridades da lei descobriram que o medo e a força não produzem cidadãos obedientes. As organizações religiosas encontram muita desobediência nos seus rebanhos. Não importa qual a situação geográfica, a condição financeira ou a posição social, verifica-se que o lar é um lugar onde há relações tensas, onde as tensões atingem o ponto do rompimento, onde os jovens fazem pouco dos mais velhos e onde o amor desaparece aos poucos. No fundo desta situação grave se encontra a questão da obediência. A sujeição aos maridos tem aborrecido as mulheres, porque significa ser esposas obedientes. A obediência a Deus tem sido relegada por teorias humanas, tanto assim que a maioria da humanidade não sabe o que Deus requer deles.
2, 3. O que resultou para os homens desobedientes desde o início até agora, e onde nos encontramos agora?
2 A desobediência não é coisa nova. Existe na terra já quase tanto tempo quanto o homem. Podemos ler uma descrição pertinente a respeito de sua chegada, em Romanos 5:19: “Pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores.” Desde o tempo da desobediência de Adão e em todo o decorrer do tempo, a desobediência tem aumentado entre a humanidade numa proporção tal, que os homens obedientes a Deus se destacaram como diferentes e como dignos de nota. A Bíblia menciona alguns destes em Hebreus, capítulo onze. A respeito de um deles, Abraão, diz o versículo oito: “Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu.” Outro homem obediente que se destacou, Jesus, disse que viria o tempo em que, “por causa do aumento do que é contra a lei, o amor da maioria se esfriará”. (Mat. 24:12) Parece que atingimos este ponto no tempo.
3 De modo que a desobediência tem aumentado já por quase seis mil anos, aumentando a tal ponto, que pode ser comparada a poluição da água e do ar da terra. Homens descuidados lançam continuamente resíduos indesejáveis nos seus suprimentos de água e de ar, e ainda assim talvez se queixem da qualidade inferior destes essenciais que sustentam a vida. Desde a primitiva rebelião do homem até o presente, ele tem negligenciado a adoração pura e tem contribuído para a desobediência tanto pelas tendências pecaminosas herdadas como pelo seu desejo deliberado de tomar um rumo independente.
4. (a) Defina a obediência. (b) Como entra o temor na questão de nossa obediência a Deus?
4 O dicionário define a obediência do seguinte modo: “Ato ou efeito de obedecer, ou estado de ser obediente.” Obedecer é “deixar-se governar ou conduzir por; seguir a orientação, os ditames, etc., de; como: obedecer à razão; obedecer à lei da gravidade”. A Bíblia expressa isso da seguinte maneira: “A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem.” (Ecl. 12:13) Alguns objetam a esta questão de se obedecer a Deus por temor. No entanto, obedecemos às leis relativas à gravidade, e todo dia de nossa vida curta temos respeito temeroso desta força. Tornamos isto parte de nossa vida, aceitando-o, e raras vezes ouvimos alguém queixar-se; no entanto, ela é rígida e demandadora. Quando compreendemos os requisitos de Deus tão bem como a operação da gravidade, verificamos que o Salmo 112:1 descreve a nossa atitude: “Feliz o homem que teme a Jeová, de cujos mandamentos se tem agradado muito.”
5. Como salientou o Juiz Samuel a obediência?
5 Jeová Deus exige a obediência de seu povo. Fez que o Juiz Samuel dissesse ao desobediente Rei Saul: “Obedecer é melhor do que um sacrifício, prestar atenção é melhor do que a gordura de carneiros; pois a rebeldia é igual ao pecado da adivinhação, e a avançar presunçosamente é igual ao uso de poder mágico e terafins. Visto que rejeitaste a palavra de Jeová, ele concordemente rejeita que sejas rei.” (1 Sam. 15:22, 23) Exigia-se dos israelitas serem obedientes. (Deu. 10:12, 13) Jesus foi obediente. (Heb. 5:8) Os apóstolos obedeceram. (Atos 5:29) Milhares dos servos fiéis de Deus, em toda espécie de situação, foram obedientes a Deus.
6. Que perguntas surgem quanto à obediência?
6 Donde se origina a obediência? Dá-se no caso do cristão o mesmo como no caso duma criança, de se fazerem as coisas porque um superior lhe manda isso? É a obediência uma atitude que apenas os cristãos têm? Visto que todos os homens nascem em pecado, pode alguém realmente ser obediente nesta atual geração ‘sem lei’? (Mat. 24:12) A Palavra de Deus nos dá a resposta, junto com muito conselho animador.
7. (a) Explique a questão que Paulo considera em Romanos 2:8-11. (b) De onde provém a obediência piedosa, conforme nos diz Romanos 6:17?
7 Procure Romanos, capítulos cinco e seis. Ali, o apóstolo Paulo levanta a questão da obediência. Trata-se da obediência à Lei dada aos israelitas, e obedecida por muitos por longo tempo, ou à benignidade imerecida de Deus, tornada disponível por meio da provisão que ajuda a humanidade a se tornar obediente a Deus, quer dizer, o arranjo do sacrifício de resgate instituído por Jeová mediante Cristo Jesus? Cada um precisa decidir hoje se ele quer obedecer a Deus ou acompanhar a multidão desobediente e sem lei deste presente sistema de coisas. Não é apenas uma questão de se escolher entre o antigo pacto da Lei de Deus e Seu novo pacto, mas é uma questão de se obedecer à verdade de Deus. Observe a descrição clara disso em Romanos 2:8-11: “No entanto, para os que são briguentos e que desobedecem à verdade, mas que obedecem à injustiça, haverá furor e ira, tribulação e aflição sobre a alma de cada homem que fizer o que é prejudicial, primeiro do judeu, e também do grego, mas glória, e honra, e paz para todo aquele que fizer o que é bom, primeiro para o judeu, e também para o grego. Pois, com Deus não há parcialidade.” Mas o que motiva as pessoas a serem obedientes a Jeová e isso espontaneamente? Romanos 6:17 nos encaminha na direção da compreensão: “Mas, graças a Deus que éreis escravos do pecado, mas vos tornastes obedientes de coração àquela forma de ensino a que fostes entregues.”
OBEDIÊNCIA DE CORAÇÃO
8. Por que não é a obediência a Deus um proceder a ser temido?
8 Portanto, a obediência provém do coração. No caso do cristão, não é considerada à luz de a pessoa ser obrigada à aderência a regras ou regulamentos. O Salmo 112:1 salienta: “Feliz o homem que teme a Jeová, de cujos mandamentos se tem agradado muito.” Além disso, o Salmo 119:33, 34, revela: “Instrui-me, ó Jeová, no caminho dos teus regulamentos, para que eu o observe até o último. Faze-me entender, para que eu observe a tua lei e para que eu a guarde de todo o coração.” Se enchermos o coração com a sabedoria agora disponível na Palavra de Jeová e se continuarmos a assimilá-la como alimento, então tem de resultar crescimento. Tal conhecimento enche a espécie correta de coração com apreço e resulta em obediência espontânea.
9. (a) Descreva algumas leis fiscais que observamos em operação. (b) O que significam para nós?
9 Nos campos da química, certas leis operam de modo equilibrado e fidedigno para produzir mudanças, e a humanidade aprecia isso. O oxigênio produz ferrugem no ferro e causa a decomposição da árvore caída. É também importante para a respiração. A vida vegetal liberta oxigênio, que é respirado por homens e animais. Estes obtêm o oxigênio do ar; os peixes absorvem o oxigênio que a água assimilou do ar ou que foi liberto pelas plantas verdes que crescem na água. O oxigênio inalado é absorvido pela hemoglobina do sangue e levado a todo o corpo. Os tecidos se oxidam vagarosamente e se produz calor, mantendo o corpo aquecido. Estes processos têm existido desde que Jeová os pôs em operação, mas requer investigação para descobri-los e para nos familiarizarmos com o seu efeito sobre nós, antes de podermos cooperar plenamente. O pleno uso destas coisas em nossa vida produz maior contentamento e felicidade. Estas regras não são mudadas para a conveniência do homem. Pode acontecer que ele seja preguiçoso ou obstinado demais para se conformar. Antes, o homem muda para se harmonizar com os princípios fixos da operação da criação. A obediência a esta série de regras de operação significa realmente vida para o beneficiado, bem como para o dador. A obediência, então, não pode ser má, mas significa o bem para os que reconhecem sua operação objetiva.
10. O que precede razoavelmente ao proceder de obediência a Deus, e onde se pode encontrar a prova necessária?
10 Vê-se prontamente que a obediência a Deus exige investigação, para provar além de dúvida que Deus existe e que está interessado nos que desejam servi-lo. O exame da criação visível em volta de nós, logo confirma este fato. Apenas uma pessoa extraordinariamente inteligente, com uma diversidade de qualidades, poderia produzir os inúmeros itens exibidos nas prateleiras do conhecimento da terra. Também a profecia bíblica, a história escrita com antecedência, prova a existência de Deus. Encontra-se mais evidência do que é necessária em tudo na criação para provar a existência de Deus. — Isa. 45:18; Rom. 1:20; Sal. 19:1-4; Isa. 40:26.
11. Que responsabilidade tem a pessoa para com a Bíblia?
11 Visto que a Bíblia é a palavra de Jeová, é da responsabilidade da pessoa provar que é a comunicação inspirada, autêntica de Deus. Apesar do boato sem fundamento de que ela se contradiz, a Bíblia continua a ser unificada e apresenta um quadro claro dos propósitos de Deus e do que ele espera do homem. A contínua comparação de nossa Bíblia com as descobertas de manuscritos, com as particularidades geográficas das terras bíblicas, com os achados arqueológicos e os artefatos trazidos à luz, corrobora a veracidade das narrativas bíblicas. (Veja “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, página 322.)
12, 13. Como salienta Esdras a obediência a Deus? Descreva o resultado.
12 A Bíblia contém exemplos de obediência aos desejos de Jeová. O livro de Esdras salienta a obediência mais de uma vez no seu registro da volta dos exilados a Jerusalém, para a reconstrução do templo e o conserto da cidade. O capítulo sete, versículo dez, diz a respeito de Esdras: “Pois o próprio Esdras tinha preparado seu coração para consultar a lei de Jeová e para praticá-la, e para ensinar regulamento e justiça em Israel.” Era um homem que se negava a depender da sabedoria ou da força do homem, mas que, em vez disso, obedecia fielmente à palavra de Jeová, olhando para ele em busca de proteção. Esdras disse, quando estava pronto para iniciar a viagem longa a Jerusalém: “Tive vergonha de pedir ao rei uma força militar e cavaleiros para nos ajudar contra o inimigo no caminho, porque tínhamos dito ao rei: ‘A mão de nosso Deus está sobre todos os que o procuram para o bem, mas a sua força e a sua ira são contra todos os que o abandonam.’” — Esd. 8:22.
13 Pois bem, Jeová protegeu Esdras e seu pequeno grupo que levavam consigo um tesouro rico de volta a Jerusalém. “A própria mão de nosso Deus mostrou estar sobre nós, de modo que ele nos livrou da palma da mão do inimigo e da emboscada no caminho.” (Esd. 8:31) Ao chegarem a Jerusalém, Esdras entregou o ouro, a prata e os utensílios do templo aos sacerdotes ali, e as leis do rei aos sátrapas dele.
14, 15. O que aprendemos da maneira de Esdras tratar das questões em Jerusalém ao voltar para lá?
14 Esdras soube então que aqueles exilados, inclusive seus líderes, que haviam retornado mais cedo, e que já viviam em Jerusalém por cerca de sessenta e nove anos, não haviam obedecido aos mandamentos de Jeová. Haviam-se relacionado maritalmente com cinco das sete nações a respeito das quais Jeová lhes ordenara que as evitassem. (Deu. 7:1-4; Esd. 9:1, 2) Esdras disse num espírito extremamente contrito: “Ó meu Deus, sinto-me deveras envergonhado e embaraçado de levantar a minha face a ti, ó meu Deus, porque os nossos próprios erros se multiplicaram sobre a nossa cabeça e a nossa culpa ficou grande, sim, até os céus.” — Esd. 9:6.
15 Este mesmo homem humilde havia esperado bênçãos de Jeová, já que as coisas iam bem, conforme disse: “E agora, por um pequeno instante, veio o favor da parte de Jeová, nosso Deus, deixando restar para nós os que escapam e dando-nos um tarugo no seu lugar santo, para fazer os nossos olhos brilhar, ó nosso Deus, e para dar-nos um pouco de reanimação na nossa servidão. E agora, que diremos depois disso, ó nosso Deus? Pois abandonamos os teus mandamentos.” (Esd. 9:8, 10) Esdras agiu prontamente e passou a resolver a questão, colocando este assunto em primeiro lugar na sua vida, até se obter a obediência à lei de Deus.
16. (a) Descreva o conceito de Jesus sobre a obediência. (b) Como acolheram os apóstolos ao ensino de Jesus neste respeito?
16 Jesus Cristo era homem de temperamento muito brando e humilde de coração. (Mat. 11:29) Oferecia constantemente estímulo a se ser obediente. Fazia isso tanto em palavras como por atos. De fato, o texto de Hebreus 5:8, 9, reza: “Embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu; e, depois de ter sido aperfeiçoado, tornou-se responsável pela salvação eterna de todos os que lhe obedecem.” Alguns anos depois, Paulo explicou quão diligentes os apóstolos eram em ensinar a obediência: “Pois estamos demolindo raciocínios e toda coisa altiva levantada contra o conhecimento de Deus, e trazemos todo pensamento ao cativeiro, para fazê-lo obediente ao Cristo; e mantemo-nos em prontidão, para infligir punição por toda desobediência, assim que a vossa própria obediência tiver sido executada.” — 2 Cor. 10:5, 6.
17. Devemos achar que a obediência a Deus é um fardo?
17 Havia de ser algo duro? Parece-se a uma sentença de encarceramento, quando se decide servir a Deus? O homem gostaria de fazer isso assim, com as suas muitas regras e os seus muitos regulamentos. Em vista da tendência humana de fazer regras para tudo, conjugada com os crescentes meios modernos de análise por meio de registros, muitos se afastaram dos ensinos claros e simples da Palavra de Deus e da obediência de coração. (Sal. 119:11, 12; Rom. 6:17) 1 João 5:2-4 indica o caminho, e ainda assim reconhece os problemas e oferece a solução: “É assim que obtemos o conhecimento de que estamos amando os filhos de Deus, quando amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos. Pois o amor de Deus significa o seguinte: que observemos os seus mandamentos; contudo, os seus mandamentos não são pesados, porque tudo o que nasceu de Deus vence o mundo. E a vitória que venceu o mundo é esta: a nossa fé.”
18, 19. Qual é a coisa mais importante na nossa vida, e que conceitos errôneos poderiam estorvar?
18 Assim, a grande coisa na nossa vida ao servirmos o nosso Deus Jeová é esta devoção amorosa, de edificar e manter a fé para sempre. Não servimos porque este velho sistema terá apenas pouca duração ou porque outra criatura imperfeita, pecaminosa, nos está observando. (Tito 3:3-6) Se formos obedientes a Deus porque o amamos, então teremos prazer em cooperar com nossos irmãos cristãos e teremos pleno prazer neles.
19 Pense um pouco: Se servir a Deus apressadamente porque olhou de repente para o relógio do tempo, o que fará quando este velho sistema tiver desaparecido e tiver na sua frente milhares de anos? Se observar os mandamentos de Deus porque outra criatura humana continua a exortá-lo a freqüentar as reuniões, a estudar ou a pregar a Palavra, o que fará quando esta pessoa parar de exortá-lo ou quando chegar o tempo de agir de coração? Se gastar zelosamente muito tempo na pregação das boas novas do reino de Deus, preocupando-se constantemente com alcançar as suas horas, qual seria a sua ação se não tivesse de entregar relatórios? Muitos irmãos sobreviveram a anos de perseguição, trabalhando de modo oculto, com a preocupação principal de manter a fé, não fazer relatórios, e Jeová certamente os abençoou. Se houver qualquer outro motivo e não a devoção amorosa na sua adoração, coloque este motivo sob a objetiva reveladora da Palavra de Deus e o examine de perto.
20. (a) Onde podemos encontrar exemplos e conselhos que nos orientem de modo equilibrado? (b) Conforme mostrou Jesus, é complicado servir a Deus?
20 Olhe para trás, para os primitivos cristãos, para os apóstolos. Estes irmãos fiéis foram treinados por Jesus Cristo. Para eles, o tempo também era precioso. Havia muitos motivos para urgência no seu trabalho, e agiam com urgência. Mas nunca estavam ocupados demais para praticarem o amor uns para com os outros. Sua maneira de adoração era simples, não complicada por métodos modernos de transporte ou de comunicação. Por que permitir que a pressão do atual sistema agitado mude as coisas? Usamos a mesma Bíblia, adorarmos o mesmo Deus e seguimos o mesmo líder, Cristo Jesus. Só porque hoje no mundo são populares aparelhos mecânicos rápidos, eficientes e disponíveis, acompanhados por especificações de toda espécie, exigindo a obediência de milhões, não significa que temos de tornar-nos cristãos sistematizados. Cristo Jesus é nosso exemplo perfeito e fixou o nosso rumo, dizendo ele mesmo: “Pois o meu jugo é benévolo e minha carga é leve.” — Mat. 11:30.
21. Então, qual deve ser a nossa preocupação principal e como podemos cultivar isto em outros?
21 Portanto, se nos preocuparmos em servir a Jeová com devoção amorosa, estaremos ansiosos de manter a nossa fé firme por nos alimentarmos regularmente com alimento espiritual. No ensino de outros, apoiaremos todas as idéias que apresentamos a estes novos com evidência bíblica. Ao passo que há progresso e a obediência a Deus é fortalecida, ela se tornará de coração. (Heb. 4:11, 12) Note como Paulo mostra a necessidade de se ser motivado pela devoção amorosa, dizendo: “E ele dará a cada um segundo as suas obras: vida eterna aos que estão buscando glória, e honra, e incorruptibilidade, pela perseverança na obra que é boa; no entanto, para os que são briguentos e que desobedecem à verdade, mas que obedecem à injustiça, haverá furor e ira . . . Pois, com Deus não há parcialidade.” (Rom. 2:6-11) O equipamento mecânico deve ser servo do homem, se há de ajudá-lo. Portanto, os cristãos devem considerá-lo como tal, e não acabar descobrindo que estão presos a satisfazer as necessidades duma máquina ou de seus regulamentos associados.
MOTIVADOS POR AMOR
22, 23. Qual é a motivação correta para a obediência?
22 Considere a seguinte ilustração. Uma carroça é um meio de transporte, mas não é autopropulsora ou automotora. Para se locomover, é preciso usar o cavalo, o boi ou outro meio de força motriz para puxá-la ou para empurrá-la. Sem força motriz, a carroça é um equipamento sem valor. Como cristãos, precisamos ser motivados pela devoção amorosa a Jeová, que é prontamente reconhecida pelo desejo de se fazer a vontade de Deus. Talvez precisemos que alguém nos puxe ou empurre amorosamente para nos iniciar no caminho da obediência, mas não parece razoável que o ministro cristão tenha de ser puxado ou empurrado a toda reunião bíblica ou a toda fase do ministério cristão. Precisamos ser motivados por um desejo íntimo; nosso desejo é servir a Jeová; torna-se a nossa vida. Em vez de nos aborrecermos quando se exige obediência, o apreço da orientação nos achegará mais ao nosso Pai celestial.
23 Lembre-se do Salmo 112:1: “Feliz o homem que teme a Jeová, de cujos mandamentos se tem agradado muito.” Tal homem não é alguém inativo ou indiferente, mas é alguém que decidiu que deseja servir a Jeová para sempre, em qualquer situação. Esta motivação não provém do homem, não importa qual a pressão que ele possa exercer ou qual o engodo que possa oferecer, mas, antes, ela provém de Jeová, por meio de sua Palavra, e conforme aplicada pelo seu espírito.
24, 25. Que benefícios há em o cristão ser obediente a Deus e livre das regras do homem?
24 Os benefícios de tal proceder são inumeráveis. Permite que as pessoas sejam o que são, não deturpando a sua verdadeira personalidade treinada pela Bíblia, por se harmonizar aos gostos ou às aversões míopes de outra pessoa. Isto enche as congregações com uma grande variedade de pessoas diferentes, pessoas com a qualidade animadora de não terem medo de serem naturais e desinibidas. Uma das coisas agradáveis de crianças pequenas é sua falta de medo do que os outros pensam delas. Jesus amava as crianças e seu modo de proceder. Mateus 19:13, 14 relata: “Trouxeram-lhe então criancinhas, para que lhes impusesse as mãos e proferisse uma oração; mas os discípulos censuraram-nos. Jesus, porém, disse: ‘Deixai as criancinhas e parai de impedi-las de vir a mim, pois o reino dos céus pertence a tais.’”
25 Examine a variedade de pessoas hoje existente nas diversas partes da terra. São diferentes umas das outras. Variam nos seus hábitos e nos seus costumes; fazem as coisas de modo diferente e com velocidade diferente. Todavia, Jeová lhes permite aprender a verdade e a servi-lo. Por que sufocar alguma variedade no seu irmão com regras de medir feitas pelo homem? Outra evidência desta transigência com o homem é a de massas acompanharem alguma moda que inunda o mundo, só para ser substituída por outra. Os elementos comerciais deste sistema ganham fortunas por confiarem na sua capacidade de sufocar a personalidade individual por fazer o povo agir como massa.
26, 27. (a) Há coerência na maneira da adoração dos cristãos, e admite a obediência uma variedade diversa na congregação de Deus? (b) O que mais está envolvido neste assunto?
26 A obediência a Deus elimina este perigo. É verdade que há similaridades no modo em que estes ministros efetuam a sua obra, mas a expressão individual, a profundeza da devoção, o grau de progresso em direção à madureza, a capacidade da criatura, a formação diversa da pessoa e o objetivo atrás do trabalho de alguém resultam em grande variedade e em associação agradável.
27 Examine em pormenores os homens fiéis mencionados em Hebreus, capítulo onze. Tinham uma coisa em comum: sua fé em Jeová. Mas as pessoas tinham muitas coisas diferentes em si mesmas e na sua vida. Veja os homens usados para escrever a Bíblia. Fiéis e obedientes, sim, mas tão diferentes em muitos outros sentidos. Se Jeová não só permite que tais homens o sirvam, mas os convida a fazê-lo, por que tentar fazer hoje autômatos das pessoas que desejam servir a Deus? Pedro disse: “Sede como livres, contudo, mantende a vossa liberdade, não como disfarce para a maldade moral, mas como escravos de Deus.” (1 Ped. 2:16) Agora, que produzem estas verdades na nossa vida, como ministros que aprendem a obediência a Deus? Como afetam elas os pais que instruem os filhos? Onde se enquadra nisso a congregação? Tem alguma coisa que ver com a relação da esposa ao seu marido? Fará uma diferença ao se trabalhar sob os diversos governos deste sistema de coisas? Devemos ter estas perguntas em mente ao estudarmos o artigo seguinte: “Obediência, o Proceder Desejado.”
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“Obedecer é melhor do que um sacrifício”, disse o Juiz Samuel ao Rei Saul, que não satisfez o requisito divino da obediência.
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Aquele que deveras ama a Jeová não precisa ser constantemente animado pelos outros para se manter ativo no serviço de Deus.