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Uma associação de irmãosTestemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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Parte 3
Uma associação de irmãos
É possível milhões de pessoas de todas as nações e línguas trabalharem juntos como genuína associação de irmãos?
O registro das atividades das Testemunhas de Jeová dos tempos atuais responde com um ressonante Sim! Esta parte (capítulos 15 a 21) informa como funciona a sua organização. Mostra o zelo com que proclamam o Reino de Deus e o amor que manifestam ao passo que trabalham unidamente e ajudam uns aos outros em tempos de dificuldades.
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Desenvolvimento da estrutura da organizaçãoTestemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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Capítulo 15
Desenvolvimento da estrutura da organização
TÊM ocorrido importantes mudanças no funcionamento da organização das Testemunhas de Jeová desde que Charles Taze Russell e seus associados começaram a estudar a Bíblia juntos em 1870. Quando os antigos Estudantes da Bíblia eram poucos, tinham pouca coisa que os de fora pudessem descrever como sendo uma organização. Todavia, hoje, quando as pessoas observam as congregações das Testemunhas de Jeová, seus congressos e seu trabalho de pregação das boas novas em mais de 200 terras, ficam admiradas com a suavidade do funcionamento da organização. Como se desenvolveu isso?
Os Estudantes da Bíblia não só estavam profundamente interessados em entender as doutrinas da Bíblia, mas também o modo como o trabalho de Deus devia ser realizado, conforme indicado pelas Escrituras. Compreenderam que a Bíblia não dá margem para clérigos com títulos e leigos aos quais eles haveriam de pregar. O irmão Russell estava decidido que não haveria entre eles uma classe clerical.a Nas colunas da Watch Tower (A Sentinela), os leitores eram freqüentemente lembrados que Jesus havia dito a seus seguidores: “O vosso Líder é um só, o Cristo”, mas “todos vós sois irmãos”. — Mat. 23:8, 10.
Antiga associação dos Estudantes da Bíblia
Os leitores da Watch Tower e publicações afins logo perceberam que, para agradar a Deus, tinham de cortar as relações com qualquer igreja que revelasse ser infiel a Deus, colocando credos e tradições de homens na frente de Sua Palavra escrita. (2 Cor. 6:14-18) Mas, depois de se desligarem das igrejas da cristandade, para onde foram?
Num artigo intitulado “A Eclésia”,b o irmão Russell mostrou que a verdadeira igreja, a congregação cristã, não é uma organização com membros que endossem algum credo feito pelo homem e cujos nomes estejam inscritos num rol de membros de igreja. Ao contrário, explicou ele, é constituída de pessoas que “consagraram” (ou dedicaram) seu tempo, seus talentos e sua vida a Deus e que têm a perspectiva de ter parte no Reino celestial com Cristo. Tais, disse ele, são cristãos que estão unidos por vínculos de amor cristão e interesses comuns, que se sujeitam à orientação do espírito de Deus e à chefia de Cristo. O irmão Russell não estava interessado em instituir algum outro sistema, e opunha-se fortemente a contribuir de alguma forma para o sectarismo existente entre os cristãos professos.
Ao mesmo tempo, ele reconhecia plenamente a necessidade de os servos do Senhor se reunirem, em harmonia com o conselho em Hebreus 10:23-25. Empreendeu pessoalmente viagens para visitar e edificar os leitores da Watch Tower, bem como para reuni-los com outros em sua própria região que tivessem a mesma mentalidade. Em princípios de 1881, ele solicitou a todos os que realizavam reuniões regulares que informassem o escritório da Torre de Vigia sobre os locais de tais reuniões. Ele reconhecia o valor da comunicação mútua.
Entretanto, o irmão Russell frisou que eles não estavam tentando estabelecer uma “organização terrestre”. Antes, disse ele, “aderimos unicamente àquela organização celestial — ‘cujos nomes são alistados nos céus’. (Heb. 12:23; Luc. 10:20.)” Em razão da ignóbil história da cristandade, a menção de “organização eclesiástica” fazia lembrar geralmente o sectarismo, a dominação clerical e ser membro que aderia ao credo formulado por um concílio religioso. Por isso, o irmão Russell achava melhor empregar o termo “associação” ao se referir a si e a seus associados.
Ele estava bem ciente de que os apóstolos de Cristo haviam formado congregações e designado anciãos em cada uma delas. Mas ele cria que Cristo estava de novo presente, embora de modo invisível, e dirigia pessoalmente a colheita final dos que seriam herdeiros com ele. Devido às circunstâncias, o irmão Russell de início achava que durante o tempo da colheita era desnecessário fazer designação de anciãos como nas congregações cristãs do primeiro século.
Todavia, à medida que aumentava o número dos Estudantes da Bíblia, o irmão Russell compreendeu que o Senhor estava manobrando as coisas de um modo diferente daquilo que ele próprio imaginara. Havia necessidade de um ajuste de conceito. Mas em que base?
Supridas as necessidades iniciais da crescente associação
A Watch Tower de 15 de novembro de 1895 foi dedicada quase inteiramente a um estudo intitulado “Decentemente e em Ordem”. O irmão Russell admitiu candidamente: “Os apóstolos falaram muito à primitiva Igreja sobre ordem nas reuniões dos santos; e, pelo que parece, temos sido um tanto negligentes a respeito desse conselho sábio, achando ser de pouca importância, porque a Igreja está tão perto do fim de sua carreira e por ser a colheita um tempo de seleção.” O que fez com que considerassem esse conselho com novo enfoque?
Aquele artigo alistava quatro circunstâncias: (1) Era evidente que o desenvolvimento espiritual variava de pessoa para pessoa. Havia tentações, provações, dificuldades e perigos que nem todos estavam preparados de maneira igual para enfrentar. Havia assim necessidade de superintendentes sábios e prudentes, homens de experiência e habilidade, profundamente interessados em cuidar do bem-estar espiritual de todos, estando habilitados a instruí-los na verdade. (2) Percebeu-se que o rebanho precisava ser protegido contra ‘lobos vestidos como ovelhas’. (Mat. 7:15, Almeida, ed. rev. e corr.) Precisavam ser fortalecidos mediante ajuda para obter conhecimento cabal da verdade. (3) A experiência mostrava que, quando não havia designação de anciãos para resguardar o rebanho, alguns assumiam essa posição e consideravam o rebanho como pertencente a eles. (4) Sem uma disposição ordeira, as pessoas leais à verdade poderiam achar que seus préstimos eram indesejados, por causa da influência de uma minoria que discordava delas.
Sob este aspecto, a Watch Tower declarou: “Não hesitamos em recomendar às Igrejasc em toda a parte, quer seus números sejam grandes, quer pequenos, o conselho apostólico de que em todas as companhias os anciãos sejam escolhidos entre seu número para ‘apascentarem’ e ‘supervisionarem’ o rebanho.” (Atos 14:21-23; 20:17, 28) As congregações localmente seguiram esse sábio conselho bíblico. Isto foi um passo importante para estabelecer uma estrutura congregacional em harmonia com o que existia nos dias dos apóstolos.
De acordo com o entendimento dos assuntos naquela época, porém, a escolha de anciãos e de diáconos para os ajudarem era feita por votos nas congregações. Cada ano, ou com mais freqüência quando necessário, as qualificações dos que poderiam servir em tal cargo eram consideradas, e votava-se. Era basicamente um sistema democrático, mas com limitações como precaução. Instava-se com todos na congregação que examinassem cuidadosamente as qualificações bíblicas e expressassem por votos não a sua própria opinião, mas o que achavam ser a vontade do Senhor. Visto que apenas os “plenamente consagrados” eram elegíveis para votarem, o voto coletivo deles, quando orientado pela Palavra e pelo espírito do Senhor, era considerado a expressão da vontade do Senhor nesse assunto. Embora o irmão Russell talvez não se desse plenamente conta disso, sua recomendação desse método pode ter sido influenciada até certo ponto não só pela sua determinação de evitar qualquer semelhança com uma enaltecida classe clerical, mas também pela sua própria formação quando adolescente na Igreja Congregacional.
Quando o volume intitulado The New Creation (A Nova Criação) da obra Millennial Dawn (Aurora do Milênio) considerou de novo, em pormenores, o papel dos anciãos e como deviam ser escolhidos, focalizou-se atenção especial em Atos 14:23. Foram citadas concordâncias compiladas por James Strong e Robert Young como peso para o conceito de que a declaração “eles os ordenaram como anciãos” (King James) deveria ser traduzida “eles os elegeram anciãos pelo levantamento de mãos”.d Algumas traduções da Bíblia até dizem que os anciãos eram ‘nomeados por voto’. (Literal Translation of the Holy Bible, de Young; Emphasised Bible, de Rotherham) Mas quem deveria votar?
Adotar o conceito de que o voto devia ser feito pela congregação como um todo nem sempre produzia os resultados esperados. Os que votavam deviam ser pessoas “plenamente consagradas”, e alguns que foram eleitos realmente satisfaziam as qualificações bíblicas e humildemente serviam seus irmãos. Mas a votação não raro refletia preferência pessoal em vez de refletir a Palavra e o espírito de Deus. Assim, em Halle, na Alemanha, quando certas pessoas que achavam que deviam ser anciãos não obtiveram a posição que desejavam, causaram séria dissensão. Em Barmen, na Alemanha, entre os que eram candidatos em 1927, havia homens que se opunham à obra da Sociedade, e houve muita gritaria durante o levantamento de mãos por ocasião da votação. Portanto, foi necessário mudar para voto secreto.
Em 1916, anos antes desses incidentes, o irmão Russell, movido de profunda preocupação, escrevera: “Prevalece uma condição horrível em algumas Classes quando se faz a eleição. Os servos da Igreja tentam ser governantes, ditadores — às vezes, até mesmo presidem à reunião com o aparente objetivo de fazer com que eles e seus amigos íntimos sejam eleitos Anciãos e Diáconos. . . . Alguns tentam sorrateiramente tirar vantagem da Classe realizando a eleição numa época especialmente favorável para eles e para seus amigos. Outros procuram encher a reunião com seus amigos, trazendo pessoas a bem dizer estranhas que não pretendem freqüentar a Classe, mas que vêm só como um ato de amizade para votar num de seus amigos.”
Será que o que precisavam era simplesmente aprender a cuidar das eleições por métodos democráticos de modo mais suave, ou havia algo na Palavra de Deus que eles ainda não discerniam?
Organizando-se para a pregação das boas novas
Já bem de início, o irmão Russell reconhecia que uma das mais importantes responsabilidades de todo membro da congregação cristã era a obra de evangelização. (1 Ped. 2:9) A Watch Tower explicou que não era só a Jesus, mas a todos os seus seguidores ungidos pelo espírito que as palavras proféticas de Isaías 61:1 se aplicavam, a saber: “Jeová me ungiu para anunciar boas novas”, ou, conforme a King James Version verte a citação feita por Jesus desta passagem: “Ele me tem ungido para pregar o evangelho.” — Luc. 4:18.
Já em 1881, a Watch Tower trazia o artigo “Precisa-se de 1.000 Pregadores”. Isto foi um apelo a todo membro de congregação para dedicar o tempo que pudesse (meia hora, uma hora, ou duas, ou três) em participar na divulgação da verdade bíblica. Homens e mulheres, sem dependentes, que pudessem dedicar metade ou mais de seu tempo exclusivamente à obra do Senhor foram incentivados a empreender o serviço de evangelização quais colportores. O número variava consideravelmente de ano para ano, mas até 1885 já havia cerca de 300 que participavam neste serviço quais colportores. Alguns outros participavam, mas em escala mais limitada. Davam-se sugestões aos colportores sobre a maneira de se executar o trabalho. Mas o campo era vasto, e, pelo menos no início, eles escolhiam seu próprio território, daí passavam de uma região para outra em grande parte como lhes parecia melhor. Depois, quando se reuniam em congressos, faziam os necessários ajustes para coordenar seus empenhos.
No mesmo ano em que começou o serviço de colportor, o irmão Russell providenciou a impressão de diversos tratados (ou folhetos) para distribuição grátis. Destacava-se entre esses o tratado Food for Thinking Christians (Matéria Para Cristãos Refletivos), sendo distribuídos 1.200.000 deles nos primeiros quatro meses. O trabalho relacionado com a devida impressão e distribuição resultou em se formar a Sociedade Torre de Vigia de Sião (dos EUA) para se cuidar dos necessários pormenores. A fim de que não houvesse interrupção do trabalho caso morresse, e para facilitar a administração dos donativos a serem usados nesse serviço, o irmão Russell entrou com um pedido de registro legal da Sociedade, que foi oficialmente feito em 15 de dezembro de 1884. Veio assim à existência uma necessária agência legal.
Ao surgir a necessidade, foram estabelecidas filiais da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) em outros países. A primeira foi em Londres, Inglaterra, em 23 de abril de 1900. Outra, em Elberfeld, Alemanha, em 1902. Dois anos mais tarde, do outro lado da Terra, formou-se uma filial em Melbourne, Austrália. Na ocasião da escrita deste, havia 99 filiais em todo o mundo.
Embora se tomassem as providências organizacionais necessárias para o fornecimento de muitas publicações bíblicas, foi deixado de início ao critério das congregações decidir sobre como organizar localmente a distribuição dessa matéria para o público. Numa carta datada de 16 de março de 1900, o irmão Russell expressou o que ele achava sobre a questão. Essa carta, dirigida a ‘Alexander M. Graham e à Igreja de Boston, Massachusetts’, dizia: “Conforme todos sabem, é minha decidida intenção deixar a cada companhia do povo do Senhor a administração de seus próprios assuntos, segundo seu próprio critério, e ofereço sugestões não para interferir, mas apenas como recomendação.” Isso incluía não só as reuniões, mas também como efetuavam o ministério de campo. Assim, depois de dar aos irmãos alguns conselhos práticos, ele concluiu com este comentário: “Isto é apenas uma sugestão.”
Algumas atividades exigiam orientações mais específicas da Sociedade. Com respeito à exibição do “Photo-Drama of Creation” (Fotodrama da Criação), foi deixada a cada congregação decidir se queria e podia alugar um cinema ou outra dependência para uma apresentação local. Entretanto, era preciso transportar o equipamento de uma cidade a outra e seguir um cronograma; de modo que nestas questões a Sociedade fornecia orientação centralizada. Aconselhou-se que toda congregação tivesse uma Comissão para o Fotodrama, com o objetivo de cuidar dos preparativos locais. Mas um superintendente enviado pela Sociedade dava cuidadosa atenção aos pormenores, para assegurar que tudo corresse suavemente.
À medida que passava o ano de 1914 e depois o de 1915, os cristãos ungidos pelo espírito aguardavam ansiosamente a realização de sua esperança celestial. Ao mesmo tempo, foram incentivados a se manterem ocupados no serviço do Senhor. Embora achassem que o tempo que lhes restava na carne fosse muito curto, tornou-se evidente que, para efetuarem a pregação das boas novas de modo ordeiro, havia necessidade de mais orientação do que quando o número deles era de apenas umas centenas. Logo depois de J. F. Rutherford se tornar o segundo presidente da Sociedade Torre de Vigia, essa orientação assumiu novos aspectos. O número de 1.º de março de 1917 de The Watch Tower anunciava que doravante todos os territórios a serem trabalhados pelos colportores e pelos trabalhadores pastoraise nas congregações seriam designados pelo escritório da Sociedade. Onde havia tanto trabalhadores locais como colportores que participavam em tal serviço de campo numa cidade ou num condado, o território era dividido entre eles por uma comissão distrital nomeada localmente. Tal providência contribuiu para uma distribuição realmente notável de The Finished Mystery (O Mistério Consumado) em apenas alguns meses em 1917-18. Foi também de grande valor para se efetuar uma distribuição veloz de 10.000.000 de exemplares de uma poderosa exposição da cristandade num tratado que falava sobre “A Queda de Babilônia”.
Pouco depois disto, os membros da junta administrativa da Sociedade foram presos, e em 21 de junho de 1918, foram sentenciados a 20 anos de prisão. A pregação das boas novas ficou a bem dizer paralisada. Chegara finalmente o tempo de se unirem ao Senhor em glória celestial?
Alguns meses depois, terminou a guerra. No ano seguinte, os diretores da Sociedade foram postos em liberdade. Ainda estavam na carne. Não se deu como esperavam, mas concluíram que Deus ainda tinha um trabalho para eles aqui na Terra.
Acabavam de passar por duras provas de sua fé. Todavia, em 1919, The Watch Tower os fortaleceu com emocionantes estudos bíblicos sobre o tema “Benditos os Destemidos”. Em seguida, publicou-se o artigo “Oportunidades de Serviço”. Mas os irmãos não previam os extensivos desenvolvimentos organizacionais que ocorreriam nas décadas seguintes.
Exemplo correto para o rebanho
O irmão Rutherford compreendia realmente que, para a obra continuar a progredir de modo ordeiro e unificado, por mais curto que fosse o tempo, era vital dar o exemplo correto para o rebanho. Jesus havia descrito seus seguidores como ovelhas, e as ovelhas seguem seu pastor. Naturalmente, o próprio Jesus é o Pastor Excelente, mas ele usa também homens mais maduros, ou anciãos, quais subpastores de seu povo. (1 Ped. 5:1-3) Esses anciãos precisam ser homens que participam eles próprios na obra que Jesus comissionou e que incentivam outros a fazê-la. Eles precisam ter genuíno espírito de evangelização. Na época da distribuição de The Finished Mystery, porém, alguns dos anciãos se esquivaram; alguns haviam sido bastante terminantes em desincentivar outros de participar nisso.
Deu-se um passo altamente significativo em 1919 para corrigir essa situação quando começou a ser publicada a revista The Golden Age (A Idade de Ouro). Esta se tornaria um poderoso instrumento na divulgação do Reino de Deus como a única solução permanente para os problemas da humanidade. Toda congregação que desejasse participar nesta atividade foi convidada a pedir à Sociedade que a registrasse como “organização de serviço”. Daí, um diretor, ou diretor de serviço, como veio a ser conhecido, não sujeito à eleição anual, foi designado pela Sociedade.f Como representante local da Sociedade, ele tinha de organizar a obra, designar territórios e incentivar a participação por parte da congregação no serviço de campo. Assim, além dos anciãos e diáconos eleitos democraticamente, começou a funcionar um outro sistema organizacional que reconhecia a autoridade de nomeação fora da congregação local e ressaltava a pregação das boas novas do Reino de Deus.g
Nos anos que se seguiram, deu-se um tremendo impulso à obra de proclamação do Reino, como que por uma força irresistível. Os eventos em 1914 e após tornaram evidente que se cumpria a grande profecia em que o Senhor Jesus Cristo descreveu a terminação do velho sistema. À luz disso, em 1920 The Watch Tower mostrou que, segundo predito em Mateus 24:14, chegara o tempo para a proclamação das boas novas a respeito do “fim da velha ordem de coisas e o estabelecimento do reino do Messias”.h (Mat. 24:3-14) Depois de assistirem ao congresso dos Estudantes da Bíblia em Cedar Point, Ohio, EUA, em 1922, os congressistas partiram levando consigo a frase que lhes tinia nos ouvidos: “Anunciai, anunciai, anunciai o Rei e seu reino.” O papel dos cristãos verdadeiros ficou ainda mais ressaltado em 1931 quando foi adotado o nome Testemunhas de Jeová.
Era evidente que Jeová incumbira seus servos de um serviço do qual todos podiam participar. Houve reação entusiástica. Muitos fizeram grandes ajustes em sua vida para devotarem tempo integral a essa obra. Mesmo entre os que devotaram tempo parcial, um grande número passava dias inteiros no serviço de campo nos fins de semana. Atendendo ao incentivo contido em A Torre de Vigia (hoje A Sentinela) e no Informante, em 1938 e 1939, muitas Testemunhas naquele tempo empenharam-se conscienciosamente em dedicar 60 horas por mês ao serviço de campo.
Entre aquelas zelosas Testemunhas havia diversos servos humildes e devotados de Jeová que eram anciãos nas congregações. Entretanto, em alguns lugares, na década de 20 e em princípios da década de 30, houve bastante resistência à idéia de todos participarem no serviço de campo. Os anciãos eleitos democraticamente não raro expressavam com veemência seu desacordo com o que A Torre de Vigia dizia sobre a responsabilidade de pregar aos de fora da congregação. A recusa de escutar o que o espírito de Deus, por meio das Escrituras Sagradas, tinha a dizer à congregação sobre este assunto impedia o fluxo do espírito de Deus sobre aqueles grupos. — Rev. 2:5, 7.
Tomaram-se medidas em 1932 para corrigir essa situação. A principal preocupação não era se alguns anciãos preeminentes ficariam ofendidos ou se alguns associados com as congregações se afastariam. Antes, o desejo dos irmãos era agradar a Jeová e fazer a Sua vontade. Para esse fim, os números de 15 de agosto e de 1.º de setembro de The Watchtower naquele ano deram atenção especial ao assunto “Organização de Jeová”.
Aqueles artigos mostraram incisivamente que todos os que faziam realmente parte da organização de Jeová deviam estar efetuando o trabalho que Sua Palavra disse que tem de ser feito neste tempo. Os artigos defendiam o ponto de vista de que ser ancião cristão não era um cargo ao qual alguém podia ser eleito, mas uma condição alcançável pelo crescimento espiritual. Deu-se atenção especial à oração de Jesus para que seus seguidores “todos sejam um” — em união com Deus e Cristo, e assim em união uns com os outros em fazer a vontade de Deus. (João 17:21) E com que resultado? O segundo artigo respondia que “cada um dos do restante precisa ser uma testemunha para o nome e o reino de Jeová Deus”. A supervisão não devia ser confiada a quem deixasse de fazer ou recusasse fazer aquilo que razoavelmente podia em dar testemunho público.
Na conclusão do estudo destes artigos, as congregações foram convidadas a passar uma resolução que indicasse seu acordo. Assim, foi eliminada nas congregações a eleição anual de homens quais anciãos e diáconos. Em Belfast, na Irlanda do Norte, como em outros lugares, alguns dos antigos “anciãos eletivos” se afastaram; outras pessoas que tinham o mesmo ponto de vista se afastaram também. Isto abaixou o número dos associados, mas a inteira organização se fortaleceu. Os que permaneceram eram pessoas dispostas a assumir a responsabilidade cristã de dar testemunho. Em vez de votarem para eleger anciãos, as congregações — ainda usando métodos democráticos — escolhiam uma comissão de serviço,i constituída de homens espiritualmente maduros que participavam ativamente em dar testemunho público. Os membros das congregações votavam também para eleger um presidente das sessões para suas reuniões, bem como um secretário e um tesoureiro. Todos esses eram homens que eram testemunhas ativas de Jeová.
Estando a supervisão da congregação agora confiada a homens interessados não em posição pessoal, mas em executar o serviço de Deus — de dar testemunho de seu nome e Reino — e que davam bom exemplo pela sua própria participação nisso, a obra progrediu com mais suavidade. Embora não o soubessem naquela época, havia muito a ser feito, um testemunho mais extenso do que já havia sido dado, um ajuntamento que não esperavam. (Isa. 55:5) Jeová evidentemente os estava preparando para isso.
Uns poucos que tinham esperança de vida eterna na Terra começaram a se associar com eles.j Todavia, a Bíblia predizia o ajuntamento de uma grande multidão que seria preservada durante a vindoura grande tribulação. (Rev. 7:9-14) Em 1935, tornou-se clara a identidade dessa grande multidão. Mudanças na maneira de escolher superintendentes na década de 30 equiparam melhor a organização para cuidar do serviço de ajuntar, ensinar e treinar esses.
Para a maioria das Testemunhas de Jeová, esta ampliação da obra era um emocionante progresso. Seu ministério de campo assumiu novo significado. Entretanto, alguns não tinham zelo pela pregação. Refrearam-se e tentaram justificar sua inatividade argumentando que não haveria ajuntamento de uma grande multidão senão após o Armagedom. Mas a maioria percebeu a oportunidade adicional de demonstrar sua lealdade a Jeová e seu amor ao próximo.
Como se enquadravam na estrutura da organização esses da grande multidão? Mostrou-se-lhes o papel a desempenhar que a Palavra de Deus confiou ao “pequeno rebanho” dos ungidos pelo espírito, e eles trabalharam de bom grado em harmonia com tal providência. (Luc. 12:32-44) Aprenderam também que, como os ungidos pelo espírito, eles tinham a responsabilidade de partilhar as boas novas com outros. (Rev. 22:17) Visto que desejavam ser súditos terrestres do Reino de Deus, esse Reino devia estar em primeiro lugar em sua vida, e deviam ser zelosos em falar a outros sobre isso. Para se enquadrarem na descrição feita pela Bíblia daqueles que seriam preservados através da grande tribulação para o novo mundo de Deus, tinham de ser pessoas que “gritavam com voz alta, dizendo: ‘Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.’” (Rev. 7:10, 14) Em 1937, ao passo que aumentava o número deles e seu zelo pelo Senhor se tornava manifesto, foram também convidados a ajudar a levar a carga de responsabilidade na supervisão congregacional.
Contudo, lembrou-se-lhes que a organização é de Jeová, não de algum homem. Não devia existir divisão entre o restante dos ungidos pelo espírito e os da grande multidão de outras ovelhas. Deviam trabalhar juntos como irmãos e irmãs no serviço de Jeová. Segundo Jesus havia dito: “Tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; a estas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, um só pastor.” (João 10:16) A realidade disto tornava-se evidente.
Surpreendentes desenvolvimentos haviam ocorrido na organização num período relativamente curto. Mas, havia mais coisas que precisavam ser feitas para que os assuntos das congregações fossem dirigidos em plena harmonia com os modos que Jeová indicara na sua inspirada Palavra?
A organização teocrática
“Teocracia” significa “governo de Deus”. Era essa espécie de governo que prevalecia nas congregações? Não só adoravam a Jeová, mas também buscavam a direção dele em assuntos congregacionais? Estavam plenamente em conformidade com o que ele dizia sobre esses assuntos na sua inspirada Palavra? O artigo “Organização”, publicado em duas partes em A Torre de Vigia de junho-julho de 1938, dizia especificamente: “A organização de Jeová não é de modo algum democrática. Jeová é supremo e seu governo ou organização é estritamente teocrático.” Contudo, nas congregações locais das Testemunhas naquela época, empregavam-se ainda métodos democráticos na escolha da maioria dos que estavam encarregados da supervisão das reuniões e do serviço de campo. Convinha fazer mudanças adicionais.
Mas não indicava Atos 14:23 que os anciãos nas congregações deviam ser nomeados ao cargo por ‘levantamento de mãos’, tal como se faz ao se votar? O primeiro desses artigos da Torre de Vigia, intitulados “Organização”, reconhecia que esse texto no passado havia sido entendido erroneamente. Não era com o ‘levantamento de mãos’ da parte de todos os membros da congregação que se faziam as nomeações entre os cristãos do primeiro século. Em vez disso, mostrou-se que os apóstolos e os autorizados por eles eram os que ‘levantavam a mão’. Isto não se dava pela participação em votos na congregação, mas pela imposição das mãos nas pessoas qualificadas. Era um símbolo de confirmação, aprovação ou nomeação.k As congregações dos primitivos cristãos faziam, às vezes, recomendações de homens qualificados, mas a escolha, ou aprovação, final era feita pelos apóstolos que haviam sido diretamente comissionados por Cristo, ou pelos autorizados pelos apóstolos. (Atos 6:1-6) A Torre de Vigia chamava atenção para o fato de que apenas em cartas a superintendentes responsáveis (Timóteo e Tito) é que o apóstolo Paulo, sob a direção do espírito santo, dava instruções para nomear superintendentes. (1 Tim. 3:1-13; 5:22; Tito 1:5) Nenhuma das cartas inspiradas dirigidas às congregações continha essas instruções.
Como, então, deviam ser feitas atualmente as novas designações para serviço na congregação? A análise feita pela Torre de Vigia sobre a organização teocrática mostrava, com base nas Escrituras, que Jeová designou Jesus Cristo “cabeça da . . . congregação”; que, quando Cristo retornasse como o Amo, confiaria a seu “escravo fiel e discreto” a responsabilidade “sobre todos os seus bens”; que este escravo fiel e discreto era constituído de todos os na Terra que foram ungidos com espírito santo para serem co-herdeiros com Cristo e que unidamente serviam sob a sua direção; e que Cristo usaria essa classe do escravo como instrumento para fornecer a necessária supervisão das congregações. (Col. 1:18; Mat. 24:45-47; 28:18) Seria dever da classe do escravo cumprir com oração as instruções claramente expressas na inspirada Palavra de Deus, usando-a para determinar quem se qualificava para os cargos de serviço.
Visto que a agência visível que Cristo usaria é o escravo fiel e discreto (e os fatos da história da atualidade já considerados mostram que este “escravo” emprega a Sociedade Torre de Vigia como instrumento legal), A Torre de Vigia explicou que o método teocrático requereria que as designações de serviço fossem feitas por meio dessa agência. Assim como as congregações do primeiro século reconheciam o corpo governante em Jerusalém, também hoje as congregações não prosperariam em sentido espiritual sem uma supervisão central. — Atos 15:2-30; 16:4, 5.
Para considerar as coisas nas suas devidas relações, porém, mostrou-se que, quando A Torre de Vigia mencionava “A Sociedade”, isto significava não um mero instrumento legal, mas o grupo dos cristãos ungidos que havia formado essa entidade jurídica e a usava. Assim, a expressão representava o escravo fiel e discreto com seu Corpo Governante.
Mesmo antes de serem publicados em 1938 na Torre de Vigia os artigos intitulados “Organização”, as congregações em Londres, Nova Iorque, Chicago e Los Angeles, que haviam aumentado ao ponto em que era aconselhável dividi-las em grupos menores, solicitaram que a Sociedade designasse todos os seus servos. A edição de junho-julho de 1938 de A Torre de Vigia convidou então todas as outras congregações a tomar ação similar. Para esse fim, sugeriu-se a seguinte resolução:
“Nós, a companhia do povo de Deus tirado para seu nome, e agora em . . . . . . . . . . . . . . . . , reconhecemos que o governo de Deus é pura teocracia e que Cristo Jesus está no templo e em pleno cargo e domínio tanto da organização visível de Jeová como da invisível; e que ‘A SOCIEDADE é o representante visível do Senhor na Terra, e, portanto, pedimos à ‘Sociedade’ que organize esta companhia para serviço e que nomeie os diversos servos da mesma, de sorte que todos trabalhemos juntos em paz, justiça, harmonia e unidade completa. Juntamos aqui uma lista de nomes de pessoas desta companhia que nos parecem as mais aptas para preencher as respectivas posições designadas para o serviço.”l
A bem dizer todas as congregações das Testemunhas de Jeová concordaram prontamente. As poucas que não fizeram isso logo cessaram totalmente de participar na proclamação do Reino e assim deixaram de ser Testemunhas de Jeová.
Os benefícios da direção teocrática
É óbvio que, se os ensinamentos, as normas de conduta e os métodos organizacionais ou de dar testemunho fossem decididos localmente, a organização logo perderia sua identidade e unidade. Os irmãos poderiam facilmente ser divididos por diferenças sociais, culturais e nacionais. A direção teocrática, por outro lado, asseguraria que os benefícios decorrentes do progresso espiritual chegassem a todas as congregações no mundo inteiro sem impedimento. Chegaria assim a existir a genuína união que Jesus orou que prevalecesse entre seus verdadeiros seguidores, e a obra de evangelização que ele ordenou seria realizada plenamente. — João 17:20-22.
Contudo, alguns diziam que, com a instituição dessa mudança organizacional, J. F. Rutherford estava simplesmente procurando obter maior controle sobre as Testemunhas e que usava esse meio para consolidar sua própria autoridade. Era esse realmente o caso? Não resta dúvida de que o irmão Rutherford era um homem de fortes convicções. Ele falava francamente e com vigor, e sem abrir mão, em defesa daquilo que ele cria ser a verdade. Ele chegava a ser bastante brusco ao lidar com situações quando percebia que as pessoas estavam mais interessadas em si do que no serviço do Senhor. Mas o irmão Rutherford era genuinamente humilde diante de Deus. Conforme escreveu mais tarde Karl Klein, que se tornou membro do Corpo Governante em 1974: “As orações do irmão Rutherford, na adoração matutina . . . o tornaram muito querido para mim. Embora tivesse uma voz tão forte, quando ele se dirigia a Deus, parecia um garotinho conversando com seu querido pai. Que excelente relacionamento revelava ter ele com Jeová!” O irmão Rutherford estava plenamente convencido da identidade da organização visível de Jeová, e ele procurou assegurar que nenhum homem ou grupo de homens impedisse os irmãos de receber a nível local o pleno benefício do alimento espiritual e a direção que Jeová fornecia para Seus servos.
Embora o irmão Rutherford servisse 25 anos como presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) e devotasse toda a sua energia a promover a obra da organização, ele não era o líder das Testemunhas de Jeová, e não o queria ser. Num congresso em St. Louis, Missouri, EUA, em 1941, pouco antes de sua morte, ele falou sobre o assunto da liderança e disse: “Quero que quaisquer estranhos aqui saibam o que pensais a respeito de um homem ser vosso líder, para que não esqueçam. Toda vez que surge algo e começa a progredir, diz-se que há um líder com muitos seguidores. Se qualquer pessoa nesta assistência pensa que eu, este homem que está aqui de pé, sou o líder das testemunhas de Jeová, diga Sim.” A resposta foi um impressionante silêncio que foi quebrado por um enfático “Não” de diversos na assistência. O orador continuou: “Se os que estão aqui acreditam que eu sou apenas um dos servos do Senhor, e que estamos trabalhando ombro a ombro em união, servindo a Deus e servindo a Cristo, digam Sim.” A assistência clamou em uníssono um decisivo “Sim!” No mês seguinte, uma assistência na Inglaterra respondeu exatamente do mesmo modo.
Em alguns lugares, os benefícios da organização teocrática foram sentidos rapidamente. Em outros, levou mais tempo; os que não revelaram ser servos maduros e humildes foram com o tempo removidos e outros foram designados.
Contudo, ao passo que os métodos teocráticos se estabeleciam mais plenamente, as Testemunhas de Jeová se regozijavam com o cumprimento do que fora predito em Isaías 60:17. Usando termos figurativos para descrever as condições melhoradas que existiriam entre os servos de Deus, Jeová diz ali: “Em lugar de cobre trarei ouro, e em lugar de ferro trarei prata, e em lugar de madeira, cobre, e em lugar de pedras, ferro; e eu vou designar a paz como teus superintendentes e a justiça como teus feitores.” Isto não é uma descrição do que os humanos fariam, mas, antes, o que o próprio Deus faria e os benefícios que seus servos receberiam ao se sujeitarem a isso. Tem de prevalecer a paz entre eles. O amor à justiça deve ser a força motivadora para prestarem serviço.
Do Brasil, Maud Yuille, esposa do superintendente da filial, escreveu para o irmão Rutherford: “O artigo ‘Organização’, nos números de 1.º e 15 de junho [de 1938] da Watchtower, impelem-me a, em poucas palavras, expressar a vós, cujo serviço fiel Jeová está usando, minha gratidão a Jeová pela maravilhosa provisão que ele fez para a Sua organização visível, conforme esboçada nestas duas edições da Watchtower. . . . Que alívio é ver o fim da autonomia, inclusive ‘dos direitos das mulheres’ e de outros métodos não-bíblicos que sujeitavam algumas pessoas a opiniões locais e critérios particulares, em vez de a [Jeová Deus e a Jesus Cristo], trazendo assim vitupério sobre o nome de Jeová. É verdade que só ‘no passado recente a Sociedade chamou a todos na organização de “servos”’, contudo observo que, por muitos anos antes desse tempo, tendes reconhecido em vossa correspondência com os irmãos ser ‘vosso irmão e servo, pela Sua graça’.”
Com respeito a este ajuste organizacional, a filial nas Ilhas Britânicas relatou: “O bom efeito disto foi bastante surpreendente. A descrição poética e profética disto em Isaías, capítulo sessenta, é cheia de beleza, mas não é exagerada. Todos os que estão na verdade falaram sobre isso. Era o principal assunto de conversação. Um sentimento geral de revigoramento prevalecia — uma prontidão para dar vigoroso prosseguimento a uma batalha dirigida. Ao aumentar a tensão mundial, prevalecia grande alegria resultante da direção teocrática.”
Superintendentes viajantes fortalecem as congregações
Os vínculos organizacionais foram fortalecidos ainda mais em resultado do serviço dos superintendentes viajantes. No primeiro século, o apóstolo Paulo se empenhou notavelmente nessa atividade. Às vezes, homens como Barnabé, Timóteo e Tito também participavam nisso. (Atos 15:36; Fil. 2:19, 20; Tito 1:4, 5) Eram todos evangelizadores zelosos. Além disso, encorajavam as congregações com seus discursos. Quando surgiam questões que pudessem afetar a união das congregações, eram submetidas à apreciação do corpo governante central. Depois, “enquanto viajavam através das cidades”, aqueles incumbidos dessa responsabilidade “entregavam aos que estavam ali, para a sua observância, os decretos decididos pelos apóstolos e anciãos, que estavam em Jerusalém”. O resultado? “As congregações continuavam deveras a ser firmadas na fé e a aumentar em número, dia a dia.” — Atos 15:1-16:5; 2 Cor. 11:28.
Já na década de 1870, o irmão Russell visitava grupos de Estudantes da Bíblia — grupos de dois e de três, bem como grupos maiores — com o fim de edificá-los espiritualmente. Alguns outros irmãos também participaram nisso na década de 1880. Depois, em 1894, a Sociedade providenciou despachar mais regularmente oradores bem qualificados para ajudarem os Estudantes da Bíblia a progredir em conhecimento e apreço da verdade e para estreitar mais os vínculos de união.
Quando possível, o orador passava um dia ou talvez vários dias com um grupo, proferia um ou dois discursos e depois visitava grupos menores e algumas pessoas para palestrar sobre alguns pontos mais profundos da Palavra de Deus. Fez-se empenho no sentido de que todos os grupos nos Estados Unidos e no Canadá fossem visitados duas vezes por ano, embora não geralmente pelo mesmo irmão. Na seleção desses oradores viajantes, ressaltava-se a mansidão, a humildade e o entendimento claro da verdade, bem como o leal apego a ela e a habilidade de ensiná-la com clareza. Não era de forma alguma um ministério remunerado. Eles recebiam apenas alimento e abrigo fornecidos pelos irmãos locais, e, conforme a necessidade, a Sociedade os ajudava com as despesas de viagem. Tornaram-se conhecidos por peregrinos.
Muitos desses representantes viajantes da Sociedade eram bem estimados por aqueles a quem serviam. A. H. Macmillan, canadense, é lembrado como um irmão para quem a Palavra de Deus era “como um fogo aceso”. (Jer. 20:9) Ele simplesmente tinha de falar a respeito, e fazia isso para assistências não só no Canadá, mas também em muitas partes dos Estados Unidos e em outras terras. William Hersee, outro peregrino, é lembrado com carinho por causa da atenção especial que dava aos jovens. Suas orações causavam também uma impressão duradoura, porque refletiam profunda espiritualidade que tocava o coração tanto de jovens como de idosos.
As viagens nos primórdios da obra não eram fáceis para os peregrinos. Por exemplo, para servir o grupo perto de Klamath Falls, em Oregon, Edward Brenisen viajou primeiro de trem, depois a noite inteira de carruagem, e finalmente de carroça sem mola, que sacudia o corpo dos pés à cabeça, por regiões montanhosas até o sítio onde se reuniriam. De manhã cedo, no dia seguinte, um irmão providenciou um cavalo para que viajasse uns 100 quilômetros até a mais próxima estação ferroviária para poder ir à sua designação seguinte. Era uma vida árdua, mas os esforços dos peregrinos produziram bons resultados. Os do povo de Jeová foram fortalecidos, unificados no seu entendimento da Palavra de Deus, e foram estreitados os vínculos de união, embora estivessem bastante espalhados geograficamente.
Em 1926, o irmão Rutherford começou a implantar métodos que mudaram o trabalho dos peregrinos, de meros oradores viajantes para supervisores viajantes e promovedores do serviço de campo nas congregações. Para ressaltar suas novas responsabilidades, eles foram chamados, em 1928, de diretores de serviço regionais. Trabalhavam junto com os irmãos locais, dando-lhes instrução pessoal no serviço de campo. Naquele tempo, conseguiam visitar todas as congregações nos Estados Unidos e em algumas outras terras cerca de uma vez por ano, mantendo também contato com pessoas individualmente e com pequenos grupos que ainda não haviam sido organizados para o serviço.
Nos anos seguintes, o serviço dos superintendentes viajantes sofreu várias modificações.a Foi grandemente intensificado em 1938 quando todos os servos nas congregações foram designados teocraticamente. As visitas às congregações, a intervalos regulares, nos anos que se seguiram forneceram oportunidade de treinamento pessoal a todos os servos designados e ajuda adicional no serviço de campo para todos. Em 1942, antes de serem de novo enviados às congregações, os superintendentes viajantes fizeram um curso intensivo; como resultado, o serviço deles passou a ser efetuado com maior uniformidade. Suas visitas eram bastante breves (de um a três dias, dependendo do tamanho da congregação). Durante esse período, verificavam os registros das congregações, reuniam-se com todos os servos para lhes dar quaisquer conselhos necessários, proferiam um ou mais discursos para a congregação e tomavam a liderança no serviço de campo. Em 1946, as visitas foram prolongadas para uma semana em cada congregação.
Essa provisão de visitas às congregações foi complementada em 1938 pelo serviço do servo regional com um novo papel a desempenhar. Ele percorria uma área maior, passando periodicamente uma semana com cada um dos irmãos que viajavam numa zona (circuito) para visitar as congregações. Durante a sua visita, ele servia no programa de uma assembléia à qual todas as congregações naquela zona assistiam.b Tal provisão era um grande estímulo para os irmãos e fornecia oportunidade regular para o batismo de novos discípulos.
“Alguém que ame o serviço”
Um dos que participaram nesse serviço a partir de 1936 foi John Booth, que se tornou em 1974 membro do Corpo Governante. Quando entrevistado como supervisor viajante em potencial, foi-lhe dito: “Necessitamos não de oradores eloqüentes, mas apenas alguém que ame o serviço e tome a dianteira nele e fale sobre serviço nas reuniões.” O irmão Booth tinha tal amor pelo serviço de Jeová, segundo evidenciado pelo seu zeloso serviço de pioneiro desde 1928, e ele inspirava zelo nos outros pelo serviço de evangelização tanto pelo seu exemplo como com palavras encorajadoras.
A primeira congregação que ele visitou, em março de 1936, foi a de Easton, em Pensilvânia. Mais tarde, ele escreveu: “Costumava chegar a tempo para o serviço de campo de manhã, realizava uma reunião com os servos à tardinha e depois uma com toda a companhia. Eu passava geralmente apenas dois dias com uma companhia e apenas um dia com um grupo menor, visitando às vezes seis de tais grupos por semana. Estava sempre viajando.”
Dois anos mais tarde, em 1938, qual servo regional, ele foi designado para cuidar de uma assembléia de zona (hoje conhecida por assembléia de circuito) a cada semana. Isto ajudou a fortalecer os irmãos num tempo em que a perseguição em algumas regiões se tornava intensa. Relembrando aquele tempo e suas variadas responsabilidades, o irmão Booth disse: “Na mesmíssima semana [em que eu era testemunha num caso judicial que envolveu cerca de 60 Testemunhas em Indianápolis, Indiana], fui réu noutro caso em Joliet, Illinois, advogado de defesa para um irmão em outro caso ainda, em Madison, Indiana, e, além disso, tinha a responsabilidade de uma assembléia regional todo fim de semana.”
Dois anos depois de serem reiniciadas essas assembléias de zona em 1946 (agora assembléias de circuito), Carey Barber estava entre os designados para servir como servos de distrito. Ele já havia sido membro da família de Betel em Brooklyn, Nova Iorque, por 25 anos. Seu primeiro distrito abrangia a inteira parte ocidental dos Estados Unidos. No início, as viagens entre assembléias eram de cerca de 1.600 quilômetros por semana. Ao passo que o número e o tamanho das congregações se multiplicavam, essas distâncias se tornaram menores, e numerosas assembléias de circuito eram realizadas não raro dentro de uma única região metropolitana. Depois de 29 anos de experiência como superintendente viajante, o irmão Barber foi convidado a retornar à sede mundial, em 1977, como membro do Corpo Governante.
Durante os períodos de guerra e de intensa perseguição, os superintendentes viajantes punham em perigo muitas vezes sua liberdade e a própria vida para cuidar do bem-estar espiritual de seus irmãos. Durante a ocupação nazista da Bélgica, André Wozniak continuou a visitar as congregações e ajudou a fornecer-lhes publicações. A Gestapo estava freqüentemente no encalço dele, mas nunca conseguiu pegá-lo.
Na Rodésia (hoje conhecida por Zimbábue), em fins da década de 70, as pessoas viviam com medo, e as viagens estavam sujeitas a restrições durante um período de guerra interna. Mas os superintendentes viajantes das Testemunhas de Jeová, quais pastores e superintendentes amorosos, revelaram ser “como abrigo contra o vento” para seus irmãos. (Isa. 32:2) Alguns caminhavam por muitos dias pela mata, subindo e descendo montes, atravessando rios perigosos, dormindo à noite ao relento — tudo para chegarem a isoladas congregações e publicadores, a fim de os encorajarem a permanecer firmes na fé. Entre esses estava Isaiah Makore, que escapou por um triz quando balas zuniam sobre sua cabeça durante um combate entre soldados do governo e “lutadores pela liberdade”.
Outros superintendentes viajantes têm servido por muitos anos a organização em caráter internacional. Os presidentes da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) têm viajado freqüentemente para outras terras, com o fim de cuidarem das necessidades organizacionais e proferir discursos em congressos. Essas visitas têm ajudado muito as Testemunhas de Jeová em toda a parte a estar profundamente apercebidas de sua fraternidade internacional. O irmão Knorr, em especial, empreendia essa atividade regularmente, visitando todas as filiais e lares missionários. Com o crescimento da organização, o mundo foi dividido em dez zonas internacionais, e, a partir de 1.º de janeiro de 1956, irmãos qualificados, sob a direção do presidente, começaram a ajudar neste serviço para se dar assistência regular. Essas visitas zonais, agora realizadas sob a direção da Comissão de Serviço, do Corpo Governante, continuam a contribuir para a união global e o avanço da inteira organização.
Ainda outros desenvolvimentos importantes contribuíram para a atual estrutura da organização.
Ajustes teocráticos adicionais
Durante a Segunda Guerra Mundial, Joseph F. Rutherford faleceu, em 8 de janeiro de 1942, e Nathan H. Knorr se tornou o terceiro presidente da Sociedade Torre de Vigia dos EUA. A organização estava sob grande pressão por causa das proscrições impostas à sua atividade em muitos países, da violência de motins, sob o pretexto de patriotismo, e das detenções de Testemunhas enquanto distribuíam publicações bíblicas em seu ministério público. Resultaria essa mudança de administração na diminuição da obra em tal período crítico? Os irmãos que cuidavam de assuntos administrativos recorreram a Jeová em busca de ajuda para obter orientação e bênção. Em harmonia com o seu desejo de orientação divina, reexaminaram a própria estrutura da organização para ver em que pontos se poderia harmonizá-la mais de perto com os modos de Jeová.
Depois, em 1944, realizou-se uma assembléia de serviço, em Pittsburgh, Pensilvânia, relacionada com a reunião anual da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Em 30 de setembro, antes daquela reunião anual, foi dada uma série de discursos altamente significativos sobre o que as Escrituras dizem a respeito da organização dos servos de Jeová.c A atenção se enfocou no Corpo Governante. Naquela ocasião, frisou-se que os princípios teocráticos têm de ser aplicados a todos os instrumentos usados pela classe do escravo fiel e discreto. Explicou-se que a Sociedade legal não tinha quais membros todos os “consagrados” de Deus. Simplesmente os representava, servindo como instrumento legal em favor deles. Entretanto, já que a Sociedade era a agência publicadora usada para fornecer às Testemunhas de Jeová publicações que continham esclarecimento espiritual, o Corpo Governante estava, pois, lógica e necessariamente associado de perto com os administradores e diretores dessa Sociedade legal. Será que estavam sendo aplicados plenamente os princípios teocráticos a seus assuntos?
Os estatutos da Sociedade estabeleceram uma provisão de direito a votos em que todo associado que contribuísse um total de US$10 tinha direito a voto na escolha dos membros da junta de diretores e administradores da Sociedade. Parecia, talvez, que tais contribuições davam evidência de genuíno interesse na obra da organização. Entretanto, essa provisão criava problemas. O irmão Knorr, presidente da Sociedade, explicou: “Pelas provisões dos estatutos da Sociedade, parecia que fazer parte do corpo governante dependia de contribuições à Sociedade legal. Mas, segundo a vontade de Deus, não podia ser assim entre seu verdadeiro povo escolhido.”
É verdade que Charles Taze Russell, o principal entre os do corpo governante nos primeiros 32 anos da Sociedade, era o maior contribuinte da Sociedade em sentido financeiro, físico e mental. Mas não foi uma contribuição monetária que determinou a maneira como o Senhor o usou. Foi a sua total dedicação, seu incansável zelo, sua posição intransigente a favor do Reino de Deus e sua inquebrantável lealdade e fidelidade que fizeram com que ele fosse apto aos olhos de Deus para o serviço. Com respeito à organização teocrática, aplica-se a regra: “Deus pôs agora os membros no corpo, cada um deles assim como lhe agradou.” (1 Cor. 12:18) “Todavia”, explicou o irmão Knorr, “considerando que os estatutos da Sociedade determinavam que os direitos de voto fossem dados aos contribuintes de fundos para a obra da Sociedade, isso tendia a ofuscar ou violar este princípio teocrático com respeito ao corpo governante; e também tendia a comprometê-lo ou a criar-lhe obstáculos”.
Por conseguinte, na reunião administrativa com todos os membros da Sociedade que tinham direito a voto, em 2 de outubro de 1944, foi unanimemente decidido que os estatutos da Sociedade fossem revisados e harmonizados mais de perto com os princípios teocráticos. A participação como membro não mais seria ilimitada em número, mas se restringiria a entre 300 e 500, devendo todos ser homens escolhidos pela junta de diretores, não com base nas contribuições monetárias, mas por serem Testemunhas de Jeová maduras, ativas e fiéis que estivessem servindo por tempo integral na obra da organização ou que fossem ministros ativos nas congregações das Testemunhas de Jeová. Esses membros votariam para a escolha da junta de diretores, e a junta de diretores por sua vez selecionaria seus componentes. Esse novo sistema entrou em vigor no ano seguinte, em 1.º outubro de 1945. Que proteção tem isto revelado ser numa era em que elementos hostis têm manipulado com freqüência assuntos administrativos para assumir o controle das entidades jurídicas e depois reestruturá-las segundo seus próprios objetivos!
As bênçãos de Jeová sobre esses passos progressivos, em harmonia com os princípios teocráticos, têm sido manifestas. Apesar da extrema pressão sobre a organização durante a Segunda Guerra Mundial, o número de proclamadores do Reino continuou a crescer. Sem cessar, continuaram vigorosamente a dar testemunho a respeito do Reino de Deus. De 1939 a 1946, houve um surpreendente aumento de 157 por cento no número de Testemunhas de Jeová, e elas alcançaram mais seis países com as boas novas. Nos 25 anos que se seguiram, o número de Testemunhas ativas aumentou quase outros 800 por cento, e relataram atividade regular em outras 86 terras.
Treinamento especializado para superintendentes
Alguns observadores de fora achavam inevitável que, quando a organização se tornasse maior, suas normas fossem atenuadas. Mas, pelo contrário, a Bíblia predizia que a justiça e a paz prevaleceriam entre os servos de Jeová. (Isa. 60:17) Isso exigiria uma cuidadosa e contínua educação na Palavra de Deus administrada a superintendentes responsáveis, um claro entendimento das Suas normas judicativas e a aplicação coerente dessas normas. Tal educação foi fornecida. Tem-se proporcionado progressivamente em A Sentinela um estudo cabal sobre os justos requisitos de Deus, e essa matéria tem sido estudada sistematicamente por todas as congregações das Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Além disso, os superintendentes do rebanho têm recebido muita instrução adicional.
Os principais superintendentes das filiais da Sociedade têm sido convocados para treinamento especial por ocasião de congressos internacionais. Entre 1961 e 1965, foram-lhes proporcionados, em Nova Iorque, cursos especialmente destinados a eles, de oito a dez meses de duração. De 1977 a 1980, houve outra série de cursos especiais para eles, de cinco semanas de duração. O treinamento incluía um estudo versículo por versículo de todos os livros da Bíblia, bem como uma consideração de pormenores organizacionais e métodos para a promoção da pregação das boas novas. Não existem divisões nacionalistas entre as Testemunhas de Jeová. Onde quer que vivam, elas se apegam aos mesmos elevados princípios bíblicos e crêem e ensinam as mesmas coisas.
Os superintendentes de circuito e de distrito também têm recebido atenção especial. Muitos deles cursaram a Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia ou uma Extensão da Escola de Gileade. Periodicamente, são também convidados às filiais da Sociedade, ou reúnem-se em outros locais convenientes para seminários por alguns dias ou por uma semana.
Em 1959, outra notável provisão entrou em operação. Trata-se da Escola do Ministério do Reino para superintendentes de circuito e de distrito, bem como para superintendentes de congregação. Começou como um curso de um mês inteiro de estudos. Depois do primeiro ano de cursos nos Estados Unidos, a matéria do curso foi traduzida em outras línguas e foi usada progressivamente ao redor do globo. Visto que não era possível todos os superintendentes programarem ausentar-se de seu serviço secular por um mês inteiro, usou-se, a partir de 1966, uma versão do curso de duas semanas de duração.
Esse curso não era um seminário em que homens estivessem sendo treinados em preparação para ordenação. Os que cursaram já eram ministros ordenados. Muitos deles já eram superintendentes e pastores do rebanho por décadas. O curso dava oportunidade para considerarem em pormenores as instruções da Palavra de Deus sobre seu trabalho. Ressaltou-se muito a importância do ministério de campo e como realizá-lo eficazmente. Por causa da mudança das normas morais no mundo, dispendeu-se também considerável tempo para examinar as normas bíblicas sobre moral. Esse curso tem sido seguido, em tempos recentes, a cada dois ou três anos, de seminários, bem como de reuniões úteis dirigidas por superintendentes viajantes com anciãos locais diversas vezes por ano. Dão ensejo a se dar atenção especial às necessidades do momento. Servem de salvaguarda contra o abandono das normas bíblicas, e contribuem para se cuidar de modo uniforme de situações em todas as congregações.
As Testemunhas de Jeová levam a sério a admoestação contida em 1 Coríntios 1:10: “Exorto-vos agora, irmãos, por intermédio do nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos faleis de acordo, e que não haja entre vós divisões, mas que estejais aptamente unidos na mesma mente e na mesma maneira de pensar.” Não se trata de conformismo forçado; é produto da educação nos caminhos de Deus, segundo indica a Bíblia. As Testemunhas de Jeová se deleitam nos caminhos e propósitos de Deus. Se quaisquer pessoas deixarem de ter satisfação em viver segundo as normas bíblicas, estão livres para abandonar a organização. Mas, se alguém começar a pregar outras crenças ou desconsiderar a moralidade bíblica, os superintendentes tomarão ação para resguardar o rebanho. A organização aplica o conselho bíblico: “[Ficai] de olho nos que causam divisões e motivos para tropeço contra o ensino que aprendestes, e [evitai-os].” — Rom. 16:17; 1 Cor. 5:9-13.
A Bíblia predisse que Deus faria com que existisse exatamente tal clima entre seus servos, em que a justiça prevaleceria e produziria frutos pacíficos. (Isa. 32:1, 2, 17, 18) Essas condições atraem fortemente as pessoas que amam o que é correto.
Quantos desses que amam a justiça serão ajuntados antes do fim do velho sistema? As Testemunhas de Jeová não sabem. Mas Jeová sabe o que sua obra requererá, e, no Seu devido tempo e modo, cuidará de que sua organização esteja equipada para fazer face a isso.
Preparativos para um aumento explosivo
Quando, sob a supervisão do Corpo Governante, se faziam pesquisas para a preparação da obra de referência Ajuda ao Entendimento da Bíblia, voltou-se de novo a atenção para o modo como a congregação cristã do primeiro século estava organizada. Fez-se um estudo cuidadoso sobre termos bíblicos, tais como “ancião”, “superintendente” e “ministro”. Será que havia margem para a organização das Testemunhas de Jeová dos dias atuais harmonizar-se mais plenamente com o padrão que foi preservado nas Escrituras qual guia?
Os servos de Jeová estavam decididos a continuar a se submeter à orientação divina. Numa série de congressos realizados em 1971, dirigiu-se atenção para os métodos administrativos da primitiva congregação cristã. Salientou-se que a expressão pre·sbý·te·ros (homem mais velho, ancião), empregada na Bíblia, não se limitava a pessoas idosas, tampouco se aplicava a todos nas congregações que fossem espiritualmente maduros. Era empregada especialmente num sentido oficial referente aos superintendentes das congregações. (Atos 11:30; 1 Tim. 5:17; 1 Ped. 5:1-3) Esses receberam suas posições por nomeação, em harmonia com os requisitos que se tornaram parte das Escrituras inspiradas. (Atos 14:23; 1 Tim. 3:1-7; Tito 1:5-9) Onde existiam suficientes homens qualificados, havia mais de um ancião na congregação. (Atos 20:17; Fil. 1:1) Esses constituíam “o corpo de anciãos”, todos os quais tinham a mesma condição oficial, e nenhum deles era o membro mais preeminente ou mais poderoso na congregação. (1 Tim. 4:14) Para ajudar os anciãos, explicou-se que existiam também “servos ministeriais”, segundo os requisitos indicados pelo apóstolo Paulo. — 1 Tim. 3:8-10, 12, 13.
Foram prontamente tomadas medidas para harmonizar mais de perto a organização com este padrão bíblico. Começou-se com o próprio Corpo Governante. Aumentou-se o número de seus membros para mais do que os sete que, quais membros da diretoria da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia, EUA, vinham servindo na qualidade de corpo governante para as Testemunhas de Jeová. Não se fixou determinado número de membros do Corpo Governante. Em 1971, havia 11; por alguns anos chegou a haver até 18; em 1992, havia 12. Todos eles são homens ungidos de Deus quais co-herdeiros de Jesus Cristo. Os 12 membros em exercício do Corpo Governante, em 1992, tinham ao todo mais de 728 anos de serviço de tempo integral quais ministros de Jeová Deus.
Foi decidido, em 6 de setembro de 1971, que haveria rodízio anual do presidente das sessões do Corpo Governante, em ordem alfabética do sobrenome de seus membros. Isto entrou realmente em vigor em 1.º de outubro. Os membros do Corpo Governante fizeram também rodízio semanal em presidir à adoração matinal e ao Estudo da Sentinela com os membros do pessoal da sede.d Isto entrou em vigor em 13 de setembro de 1971 quando Frederick W. Franz dirigiu o programa de adoração matinal na sede da Sociedade, em Brooklyn, Nova Iorque.
No decorrer do ano seguinte, foram feitos preparativos para ajustes na supervisão das congregações. Não mais haveria apenas um servo de congregação assistido por um número específico de outros servos. Homens biblicamente qualificados seriam designados para servirem quais anciãos. Outros que cumpriam os requisitos bíblicos seriam designados como servos ministeriais. Isto abriu o caminho para um número maior participar nas posições de responsabilidade e assim obter valiosa experiência. Nenhuma Testemunha de Jeová naquele tempo imaginava que o número de congregações aumentaria 156 por cento nos 21 anos seguintes, atingindo um total de 69.558 em 1992. Mas o Cabeça da congregação, o Senhor Jesus Cristo, estava claramente fazendo preparativos para o que viria.
Em princípios da década de 70, refletiu-se com minúcia sobre reorganizar adicionalmente o Corpo Governante. Desde que foi estatuída a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), em 1884, a produção de publicações, a supervisão da obra global de evangelização e a programação de escolas e congressos tinham ficado a cargo do escritório do presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA). Mas, depois de cuidadosa análise e consideração de pormenores por vários meses, adotaram-se unanimemente novas medidas em 4 de dezembro de 1975. Foram formadas seis comissões do Corpo Governante.
A Comissão do Presidente (constituída do atual presidente do Corpo Governante, do presidente anterior e do próximo a servir como presidente das sessões) recebe relatórios sobre grandes emergências, calamidades e campanhas de perseguição, e cuida de que tais assuntos sejam prontamente tratados com o Corpo Governante. A Comissão de Redação supervisiona o trabalho de assentar por escrito, gravar ou colocar em forma de vídeo o alimento espiritual para as Testemunhas de Jeová e para distribuição ao público, e supervisiona o trabalho de tradução em centenas de línguas. A responsabilidade da Comissão de Ensino é supervisionar as escolas e assembléias, também congressos de distrito e internacionais, para o povo de Jeová, bem como cuidar da instrução para a família de Betel e esquematizar a matéria a ser usada para esses fins. A Comissão de Serviço supervisiona todas as áreas da obra de evangelização, inclusive a atividade das congregações e dos superintendentes viajantes. A impressão, publicação e expedição das publicações, bem como a operação das gráficas, e cuidar de assuntos legais e administrativos são todos supervisionados pela Comissão Editora. E a Comissão do Pessoal supervisiona as provisões de ajuda pessoal e espiritual aos membros das famílias de Betel, e está incumbida de convidar novos membros para servirem nas famílias de Betel em todo o mundo.
Outras comissões úteis são designadas para supervisionarem as gráficas, os lares de Betel e as fazendas associadas com a sede mundial. Nessas comissões o Corpo Governante faz uso liberal das habilidades de membros da “grande multidão”. — Rev. 7:9, 15.
Foram também feitos ajustes na supervisão das filiais da Sociedade. Desde 1.º de fevereiro de 1976, cada filial tem sido supervisionada por uma comissão de três ou mais membros, dependendo das necessidades e do tamanho da filial. Estes trabalham sob a direção do Corpo Governante em cuidar da obra do Reino na sua região.
Em 1992, providenciou-se ajuda adicional para o Corpo Governante quando diversos ajudantes, principalmente de entre os da grande multidão, foram designados para participarem das reuniões e do trabalho das comissões de Redação, de Ensino, de Serviço, Editora e do Pessoal.e
Esta distribuição de responsabilidades revelou ser muito útil. Junto com ajustes já efetuados nas congregações, ajudou a tirar do caminho qualquer obstáculo que pudesse impedir pessoas de reconhecer que Cristo é o Cabeça da congregação. Tem-se mostrado vantajosíssimo que diversos irmãos se consultem sobre assuntos pertinentes à obra do Reino. Além disso, esta reorganização tornou possível fornecer em muitas áreas a devida supervisão urgentemente necessária num período de aumento organizacional em proporções realmente explosivas. Por meio do profeta Isaías, há muito Jeová predisse: “O próprio pequeno tornar-se-á mil e o menor, uma nação forte. Eu mesmo, Jeová, apressarei isso ao seu próprio tempo.” (Isa. 60:22) Não só ele tem acelerado o aumento, mas tem fornecido a necessária orientação para que a sua organização visível possa cuidar disso.
O interesse imediato das Testemunhas de Jeová está na obra que Deus lhes confiou para fazer durante estes dias finais do velho mundo, e estão bem organizadas para realizá-la. As Testemunhas de Jeová vêem evidência inconfundível de que não se trata de uma organização de homem, mas de Deus, e o próprio filho de Deus, Jesus Cristo, é quem a dirige. Na qualidade de Rei empossado, Jesus resguardará seus fiéis súditos através da vindoura grande tribulação e assegurará que estejam eficazmente organizados para o cumprimento da vontade de Deus durante o vindouro milênio.
[Nota(s) de rodapé]
a Em 1894, o irmão Russell providenciou que a Sociedade Torre de Vigia de Tratados de Sião (dos EUA) despachasse irmãos qualificados quais oradores. Estes receberam certificados assinados para uso ao se apresentarem aos grupos locais. Esses certificados não lhes outorgavam autoridade para pregar, tampouco significavam que aquilo que o portador dissesse deveria ser aceito sem a devida investigação à luz da Palavra de Deus. Todavia, em razão de algumas pessoas interpretarem erroneamente o objetivo disso, dentro de um ano o irmão Russell pediu o recolhimento desses certificados. Procurou cautelosamente evitar qualquer coisa que aos observadores pudesse sequer dar a aparência de uma classe clerical.
b Zion’s Watch Tower, de outubro-novembro de 1881, pp. 8-9.
c Às vezes, os grupos locais eram chamados “igrejas”, em harmonia com a linguagem empregada na King James Version. Eram também chamadas de eclésias, de acordo com o termo empregado no texto bíblico grego. A expressão “classes” era também usada, pois eram na realidade um corpo discente que se reunia regularmente para estudar. Mais tarde, quando foram chamados de companhias, isto mostrava que estavam cientes de estarem numa guerra espiritual. (Veja o Salmo 68:11, Imprensa Bíblica Brasileira.) Depois da publicação da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, em 1950, o termo bíblico “congregação”, em linguagem moderna, passou a ser de uso comum na maioria dos países.
d O sentido literal da palavra empregada no texto bíblico grego (khei·ro·to·né·o) é “estender, esticar ou levantar a mão”, e, por extensão, pode significar também “eleger ou escolher para um cargo pelo levantamento de mãos”. — A Greek and English Lexicon to the New Testament, de John Parkhurst, 1845, p. 673.
e Para pormenores, veja o capítulo 25, “Pregação pública e de casa em casa”.
f Por meio do diretor de serviço, o serviço de campo dos associados com a congregação, ou classe, tinha de ser relatado semanalmente à Sociedade a partir de 1919.
g Segundo esboçado na folha Organization Method, toda congregação devia eleger um auxiliar para o diretor e alguém para cuidar dos suprimentos. Estes, junto com o diretor designado pela Sociedade, constituíam a comissão de serviço na localidade.
h The Watch Tower de 1.º de julho de 1920, pp. 195-200.
i A comissão de serviço naquela época incluía não mais do que dez membros. Um destes era o diretor de serviço, não eleito localmente, mas nomeado pela Sociedade. Os outros colaboravam com ele para organizar e executar o trabalho de pregação.
j Por diversos anos, a partir de 1932, esses eram chamados de jonadabes.
k Quando o verbo grego khei·ro·to·né·o é definido como significando apenas ‘eleger pelo levantamento de mãos’, isto deixa de levar em consideração o significado posterior da palavra. Assim, A Greek-English Lexicon, de Liddell e Scott, editado por Jones e McKenzie e reimpresso em 1968, define essa palavra como significando “estender a mão, com o fim de dar um voto numa assembléia . . . II c. acc. pers. [com o acusativo de pessoa], eleger, prop[riamente] pelo levantamento de mãos . . . b. mais tarde, geralmente, nomear, . . . nomear para um cargo na Igreja, [pres·sby·té·rous] At. Ap. [Atos dos Apóstolos] 14.23.” Esse emprego posterior era comum nos dias dos apóstolos; o termo foi empregado nesse sentido pelo historiador judeu Josefo do primeiro século em Jewish Antiquities (Antiguidades Judaicas), Livro 6, capítulo 4, parágrafo 2, e capítulo 13, parágrafo 9. A estrutura gramatical em si só, de Atos 14:23, no grego original, mostra que foram Paulo e Barnabé que fizeram o que se descreveu ali.
l Mais tarde naquele mesmo ano, 1938, foi publicado o folheto de quatro páginas Organization Instructions, que dava pormenores adicionais. Explicava que a congregação local devia designar uma comissão para que agisse em favor dela. Essa comissão devia considerar os irmãos à luz das qualificações indicadas nas Escrituras, e fazer recomendações à Sociedade. Quando representantes viajantes da Sociedade visitavam as congregações, repassavam as qualificações dos irmãos locais e sua fidelidade em executar suas designações. As recomendações deles também eram levadas em consideração pela Sociedade ao fazer designações.
a De 1894 a 1927, os oradores viajantes enviados pela Sociedade eram conhecidos primeiro como representantes da Sociedade Torre de Tratados, depois como peregrinos. De 1928 a 1936, com a incrementada ênfase dada ao serviço de campo, foram chamados de diretores de serviço regionais. A partir de julho de 1936, para ressaltar sua correta relação com os irmãos locais, tornaram-se conhecidos por servos regionais. De 1938 a 1941, os servos de zona foram designados para trabalhar com um número limitado de congregações de modo rotatório, retornando assim aos mesmos grupos a intervalos regulares. Depois de uma interrupção de cerca de um ano, este serviço foi reiniciado em 1942, sendo esses viajantes chamados de servos aos irmãos. Em 1948, foi adotado o termo servo de circuito; hoje, superintendente de circuito.
De 1938 a 1941, os servos regionais, desempenhando um novo papel, serviam regularmente assembléias locais, onde Testemunhas de uma área (região) limitada se reuniam para um programa especial. Quando esse trabalho foi reiniciado em 1946, esses superintendentes viajantes eram conhecidos por servos de distrito; hoje, superintendentes de distrito.
b Essa provisão passou a vigorar a partir de 1.º de outubro de 1938. Eram cada vez mais as dificuldades para a realização de assembléias nos anos de guerra, por isso, em fins de 1941, foram descontinuadas as assembléias de zona. Mas foram reiniciadas em 1946, e as reuniões com várias congregações para instrução especial passaram a ser chamadas de assembléias de circuito.
c A essência desses discursos acha-se nas edições de outubro e novembro de A Sentinela de 1945.
d Mais tarde, foram selecionados outros membros da família de Betel para participarem dessas incumbências.
[Destaque na página 204]
Não havia entre eles uma classe clerical.
[Destaque na página 205]
Não houve tentativa de estabelecer uma “organização terrestre”.
[Destaque na página 206]
Como eram escolhidos os anciãos?
[Destaque na página 212]
Um diretor designado pela Sociedade
[Destaque na página 213]
Alguns anciãos não queriam pregar fora da congregação.
[Destaque na página 214]
Houve um declínio no número dos associados, mas um fortalecimento da organização.
[Destaque na página 218]
Como deviam ser feitas as designações?
[Destaque na página 220]
Estava Rutherford simplesmente procurando obter maior controle?
[Destaque na página 222]
Mantido o contato com grupos de dois e três, bem como com grupos maiores.
[Destaque na página 223]
Novas responsabilidades para superintendentes viajantes
[Destaque na página 234]
Corpo Governante ampliado, com rodízio na presidência das sessões
[Destaque na página 235]
Supervisão necessária numa era de aumentos explosivos
[Foto na página 210]
Para uma supervisão mais de perto, foram estabelecidas filiais. A primeira foi em Londres, Inglaterra, neste prédio.
[Foto na página 221]
J. F. Rutherford em 1941. As Testemunhas sabiam que ele não era seu líder.
[Foto na página 226]
John Booth, superintendente viajante nos EUA de 1936 a 1941
[Foto na página 227]
Carey Barber, cujo distrito incluía uma vasta parte dos Estados Unidos.
[Foto na página 228]
O irmão Knorr visitava regularmente todas as filiais e lares missionários.
[Foto na página 230]
Principais superintendentes das filiais da Sociedade têm sido convocados para treinamento especial (Nova Iorque, 1958).
[Fotos na página 231]
A Escola do Ministério do Reino tem fornecido instrução valiosa a superintendentes ao redor do globo.
Uma Escola do Ministério do Reino num campo de refugiados na Tailândia, em 1978; nas Filipinas, em 1966 (no alto, à esquerda).
[Foto na página 232]
Instruções sobre a organização têm sido progressivamente publicadas (primeiro em inglês, depois em outros idiomas) para se coordenar a atividade das Testemunhas e informar a todos a respeito das provisões feitas para ajudá-los no seu ministério.
[Fotos/Quadro nas páginas 208, 209]
Prédios usados pela Sociedade um século atrás na região de Pittsburgh
A Casa da Bíblia, mostrada aqui, serviu de sede por 19 anos, de 1890 a 1909.f
O gabinete do irmão Russell ficava aqui.
Membros da família da Casa da Bíblia que serviam aqui em 1902.
O prédio incluía este departamento de composição e paginação (acima, à direita), um departamento de expedição (embaixo, à direita), um depósito de publicações, moradia para a equipe e uma capela (salão de reuniões) com capacidade para umas 300 pessoas.
[Nota(s) de rodapé]
f Em 1879, a sede se achava na Quinta Avenida, 101, Pittsburgh, Pensilvânia. Os escritórios foram transferidos para a Rua Federal, 44, Allegheny (zona norte de Pittsburgh), em 1884; e mais tarde, naquele mesmo ano, para a Rua Federal, 40. (Em 1887, o nome mudou para Rua Robinson, 151.) Quando houve necessidade de mais espaço, em 1889, o irmão Russell construiu a Casa da Bíblia, que aparece à esquerda, à Rua Arch, 56-60, Allegheny. (Mais tarde o número mudou e ficou sendo Rua Arch, 610-614.) Por um breve período, em 1918-19, de novo tinham o escritório principal em Pittsburgh, no terceiro pavimento da Rua Federal, 119.
[Fotos/Quadro nas páginas 216, 217]
Prédios usados em Brooklyn nos primórdios da obra
Lar de Betel
Columbia Heights, 122-124
Refeitório no Lar de Betel
Tabernáculo
Escritórios, depósito de publicações, departamento de selagem, equipamento de composição gráfica e auditório, com 800 assentos, estavam todos localizados aqui, à Rua Hicks, 17 (usado de 1909 a 1918).
Auditório
Primeiras gráficas
Membros da família de Betel que trabalharam na gráfica da Avenida Myrtle, em 1920 (à direita).
Avenida Myrtle, 35 (1920-22)
Rua Concord, 18 (1922-27)
Rua Adams, 117 (1927- )
[Fotos/Quadro na página 224, 225]
Superintendentes viajantes
Alguns dos milhares que serviram assim
Canadá, 1905-33
Inglaterra, 1920-32
Finlândia, 1921-26, 1947-70
Estados Unidos, 1907-15
Acomodações itinerantes na Namíbia
Viajando de uma congregação para outra —
Groenlândia
Venezuela
Lesoto
México
Peru
Serra Leoa
Participação com Testemunhas locais no serviço de campo no Japão
Reunião com anciãos locais na Alemanha
Dando conselhos práticos a pioneiros no Havaí.
Dando instrução a uma congregação na França.
[Quadro na página 207]
Por que a mudança?
Quando se lhe perguntou sobre sua mudança de conceito a respeito da escolha de anciãos nos vários grupos do povo do Senhor, C. T. Russell respondeu:
“Primeiro de tudo, asseguro-vos de imediato que nunca pretendi infalibilidade. . . . Não negamos que aumentamos nosso conhecimento, e que vemos agora sob um prisma ligeiramente diferente a vontade do Senhor com respeito a Anciãos ou líderes nos vários grupos pequenos de seu povo. Nosso erro de conceito foi que esperamos demais dos estimados irmãos que, tendo conhecido a Verdade cedo, se tornaram os líderes naturais dessas pequenas companhias. O conceito ideal que nutríamos com otimismo era que o conhecimento da Verdade teria o efeito de produzir neles grande humildade, fazendo com que reconhecessem sua própria insignificância, e que tudo o que sabiam e podiam apresentar aos outros era na qualidade de porta-vozes de Deus, por serem usados por ele. Nossas esperanças ideais eram que esses fossem, no pleno sentido da palavra, exemplos para o rebanho; e que, se a providência do Senhor trouxesse para dentro da pequena companhia um ou mais igualmente ou mais competentes para apresentarem a Verdade, o espírito de amor os levaria a honrosamente estimar uns aos outros, e assim ajudar e instar uns aos outros a participar no serviço da Igreja, o corpo de Cristo.
“Com esse pensamento, concluímos que as maiores medidas de graça e verdade aguardadas agora e apreciadas pelo povo consagrado do Senhor tornariam desnecessário seguir o proceder indicado pelos apóstolos na primitiva Igreja. Nosso erro consistiu em deixar de nos aperceber que as provisões indicadas pelos apóstolos, sob a supervisão divina, são superiores a tudo o que os outros possam formular, e que a Igreja como um todo precisa ter os regulamentos instituídos pelos apóstolos até que, pela nossa mudança na ressurreição, sejamos todos completos e perfeitos e estejamos diretamente associados com o Amo.
“Apercebemo-nos gradualmente de nosso erro ao observarmos entre os estimados irmãos até certo ponto um espírito de rivalidade, e da parte de muitos, o desejo de assumir a liderança das reuniões como um posto, não como um serviço, e de excluir e impedir o desenvolvimento, como líderes, de outros irmãos de igual habilidade natural e igual conhecimento da Verdade e com competência para manejar a espada do Espírito.” — “Zion’s Watch Tower” de 15 de março de 1906, p. 90.
[Quadro na página 211]
É obra de quem?
Perto do fim de sua vida terrestre, Charles Taze Russell escreveu: “Demasiadas vezes o povo de Deus se esquece de que o Senhor está Ele mesmo na dianteira de Sua obra. Muitas vezes, a idéia é: nós efetuaremos uma obra e faremos com que em nossa obra Deus colabore conosco. Tenhamos o conceito correto sobre o assunto, e percebamos que Deus propôs uma grande obra e a está efetuando; e que ela será bem-sucedida, completamente, sem depender de nós e de nossos esforços; e que é um grande privilégio concedido ao povo de Deus colaborar com seu Criador no cumprimento de Seus planos, Seus desígnios, Suas providências, a Seu modo. Considerando as coisas deste ponto de vista, nossa oração e nossa vigilância devem visar conhecer e cumprir a vontade do Senhor, estando contentes com qualquer papel que nos seja dado para desempenharmos, pois é o nosso Deus que nos conduz. Este é o plano que a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados tem procurado seguir.” — “The Watch Tower” de 1.º de maio de 1915.
[Quadro na página 215]
Perguntas V. D. M.
As letras V. D. M. representam as palavras latinas “Verbi Dei Minister”, ou Ministro da Palavra Divina.
Em 1916, foi preparada pela Sociedade uma lista de perguntas sobre assuntos bíblicos. Solicitou-se aos que representariam a Sociedade na qualidade de oradores que respondessem por escrito a cada uma dessas perguntas. Isto habilitou a Sociedade a saber os pensamentos, sentimentos e entendimento desses irmãos com respeito às verdades fundamentais da Bíblia. As respostas por escrito eram verificadas cuidadosamente por uma banca examinadora nos escritórios da Sociedade. Os que eram reconhecidos como oradores qualificados tinham de acertar 85 por cento ou mais.
Mais tarde, muitos dos anciãos, diáconos e outros Estudantes da Bíblia solicitaram a lista das perguntas. Com o tempo, foi dito que seria útil as classes selecionarem como representantes apenas os que estivessem qualificados como V. D. M.
Quando a Sociedade conferia a alguém o grau de Ministro da Palavra Divina, não significava que ele fosse ordenado. Simplesmente significava que a banca examinadora do escritório da Sociedade havia analisado seu desenvolvimento doutrinal, e até um ponto razoável a sua reputação, e concluíra ser ele digno de ser chamado ministro da Palavra divina.
As perguntas para V. D. M. eram as seguintes:
(1) Qual foi o primeiro ato criativo de Deus?
(2) Qual é o significado da palavra “Logos” conforme associada com o Filho de Deus? e o que representam as palavras Pai e Filho?
(3) Quando e como entrou o pecado no mundo?
(4) Qual é a penalidade divina pelo pecado para os pecadores? e quem são os pecadores?
(5) Por que precisava o “Logos” tornar-se carne? Era Ele uma “encarnação”?
(6) Qual era a natureza do Homem Cristo Jesus desde bebê até a morte?
(7) Qual é a natureza de Jesus a partir de sua ressurreição; e qual é a Sua relação oficial com Jeová?
(8) Qual é o trabalho de Jesus durante esta Era do Evangelho — desde o Pentecostes até agora?
(9) O que tem feito Jeová Deus até agora para o mundo da humanidade? e o que tem feito Jesus?
(10) Qual é o propósito divino a respeito da Igreja quando esta estiver completa?
(11) Qual é o propósito divino a respeito do mundo da humanidade?
(12) Qual será o resultado para os que por fim forem incorrigíveis?
(13) Que recompensas ou bênçãos advirão ao mundo da humanidade pela obediência ao Reino messiânico?
(14) Dando que passos pode um pecador chegar a uma relação vital com Cristo e com o Pai Celestial?
(15) Depois de um cristão ser gerado pelo Espírito Santo, qual é seu proceder, segundo orienta a Palavra de Deus?
(16) Já te desviaste do pecado para servir o Deus vivente?
(17) Fizeste plena consagração de tua vida e de todas as tuas faculdades e talentos ao Senhor e seu serviço?
(18) Já simbolizaste esta consagração pela imersão em água?
(19) Já fizeste o Voto da A. I. E. B. [Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia] de santidade de vida?
(20) Já leste cuidadosa e cabalmente todos os seis volumes de STUDIES IN THE SCRIPTURES (Estudos das Escrituras)?
(21) Derivaste deles muito esclarecimento e proveito?
(22) Achas que tens considerável e estável conhecimento da Bíblia que te tornará mais eficiente como servo do Senhor pelo resto da vida?
[Quadro na página 229]
Primeiras sociedades legais
Zion’s Watch Tower Tract Society (Sociedade Torre de Vigia de Tratados de Sião). Fundada em 1881 e registrada legalmente no Estado de Pensilvânia (EUA) em 15 de dezembro de 1884. O nome foi mudado em 1896 para Watch Tower Bible and Tract Society (Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados). Desde 1955, tem sido conhecida por Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania.
Peoples Pulpit Association (Associação Púlpito do Povo). Fundada em 1909 em vista da transferência dos escritórios principais da Sociedade para Brooklyn, Nova Iorque. Em 1939, o nome foi mudado para Watchtower Bible and Tract Society, Inc. Desde 1956 tem sido conhecida por Watchtower Bible and Tract Society of New York, Inc.
International Bible Students Association. Registrada em Londres, Inglaterra, em 30 de junho de 1914.
Para cumprir as exigências legais, outras sociedades têm sido formadas pelas Testemunhas de Jeová em muitas comunidades e terras. Entretanto, as Testemunhas de Jeová não estão divididas em organizações nacionais ou regionais. São uma unida fraternidade global.
[Quadro na página 234]
“Semelhantes à primitiva comunidade cristã”
A publicação religiosa “Interpretation” dizia, em julho de 1956: “Na sua organização e obra de testemunho, elas [as Testemunhas de Jeová] são mais semelhantes à primitiva comunidade cristã do que qualquer outro grupo. . . . Poucos são os outros grupos que fazem uso tão extensivo da Escritura nas suas mensagens, tanto orais como escritas, quanto elas.”
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Reuniões para adoração, instrução e encorajamentoTestemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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Capítulo 16
Reuniões para adoração, instrução e encorajamento
AS REUNIÕES de congregação são uma parte importante da atividade das Testemunhas de Jeová. Mesmo quando as circunstâncias dificultam muito a assistência regular às reuniões, elas procuram fazer isso em harmonia com a exortação bíblica: “Consideremo-nos uns aos outros para nos estimularmos ao amor e a obras excelentes, não deixando de nos ajuntar, como é costume de alguns, mas encorajando-nos uns aos outros, e tanto mais quanto vedes chegar o dia.” (Heb. 10:24, 25) Onde possível, toda congregação realiza reuniões três vezes por semana, num total de 4 horas e 45 minutos. Todavia, a natureza e a freqüência das reuniões têm variado de acordo com a necessidade da época.
No primeiro século, as manifestações dos dons milagrosos do espírito faziam parte preeminente das reuniões cristãs. Por quê? Porque, por meio desses dons, Deus dava testemunho de que não mais usava o sistema religioso judaico, mas que seu espírito estava agora sobre a recém-formada congregação cristã. (Atos 2:1-21; Heb. 2:2-4) Nas reuniões dos primitivos cristãos, faziam-se orações, entoavam-se louvores a Deus e dava-se ênfase a profetizar (isto é, transmitir revelações da vontade e do propósito de Deus) e a dar instrução que edificasse os ouvintes. Aqueles cristãos viviam num tempo em que havia maravilhosos desenvolvimentos relacionados com o propósito de Deus. Eles precisavam entendê-los e saber trabalhar em harmonia com isso. Entretanto, alguns não lidavam com assuntos de modo equilibrado em suas reuniões, e, segundo mostra a Bíblia, havia necessidade de conselhos para que as coisas fossem feitas da maneira mais proveitosa. — 1 Cor. 14:1-40.
Será que os aspectos que caracterizavam as reuniões dos primitivos cristãos estavam evidentes também quando os Estudantes da Bíblia se reuniam na década de 1870 e depois?
Como se cuidava das necessidades espirituais dos antigos Estudantes da Bíblia
Charles Taze Russell e um pequeno grupo de associados em Allegheny, Pensilvânia, e cercanias, formaram, em 1870, uma classe de estudos bíblicos. Em resultado dessas reuniões, aumentaram paulatinamente no seu amor a Deus e à Sua Palavra, e chegaram a saber de modo progressivo o que a própria Bíblia ensina. Nessas reuniões, não figurava o falar milagrosamente em línguas. Por que não? Porque tais dons milagrosos haviam cumprido seu objetivo no primeiro século, e, conforme predizia a Bíblia, tinham cessado. “O próximo passo de progresso”, explicou o irmão Russell, “foi a manifestação dos frutos do Espírito, segundo S. Paulo indica bem claramente”. (1 Cor. 13:4-10) Além disso, como no primeiro século, havia uma urgente obra de evangelização a fazer, e eles precisavam ser incentivados a fazer isso. (Heb. 10:24, 25) Logo passaram a realizar duas reuniões por semana.
O irmão Russell compreendeu que era importante os servos de Jeová serem um povo unido, não importa onde estivessem espalhados ao redor do globo. Portanto, em 1879, pouco depois de começar a ser publicada a Watch Tower (A Sentinela), os leitores foram convidados a solicitar a visita do irmão Russell ou de um de seus associados. Uma explicitamente declarada estipulação era: “Não se cobra nada nem se aceita dinheiro.” Depois de receber diversas solicitações, o irmão Russell empreendeu uma viagem de um mês que o levou até Lynn, Massachusetts, realizando reuniões que duravam de quatro a seis horas por dia em cada escala que fazia. O assunto em pauta era “Coisas Concernentes ao Reino de Deus”.
Em princípios de 1881, o irmão Russell instou com os leitores da Watch Tower que ainda não tinham reuniões regulares em sua região: “Estabelecei uma em vossa própria casa com vossa própria família, ou até mesmo com poucos que estejam interessados. Lede, estudai, louvai e adorai juntos, e onde dois ou três estiverem reunidos em Seu nome, o Senhor estará no vosso meio — será vosso instrutor. Essa era a natureza de algumas das reuniões da igreja nos dias dos Apóstolos. (Vede Filêmon, 2.)”
O programa de reuniões se desenvolveu gradativamente. Ofereciam-se sugestões, mas deixava-se ao critério de cada grupo local decidir o que era melhor em suas circunstâncias. Acontecia às vezes que um orador proferia um discurso, mas dava-se maior ênfase às reuniões em que todos podiam participar livremente. Algumas classes dos Estudantes da Bíblia no início não faziam muito uso das publicações da Sociedade em suas reuniões, mas os ministros viajantes, os peregrinos, os ajudaram a compreender o valor de se fazer isso.
Depois de terem sido publicados alguns dos volumes de Millennial Dawn (Aurora do Milênio), esses começaram a ser usados como base para estudos. Em 1895, os grupos de estudo começaram a ser conhecidos por Círculos da Aurora de Estudos Bíblicos.a Mais tarde, alguns na Noruega os chamaram de “reuniões de leitura e conversação”, acrescentando: “Extratos dos livros do irmão Russell eram lidos em voz alta e, quando pessoas tinham comentários ou perguntas, levantavam a mão.” O irmão Russell recomendou que em tais estudos os participantes fizessem uso de uma variedade de traduções das Escrituras, de referências marginais na Bíblia e de concordâncias da Bíblia. Os estudos eram realizados não raro com grupos de tamanho moderado, em residências, numa noite conveniente para o grupo. Eram precursores do atual Estudo de Livro de Congregação.
O irmão Russell compreendeu que se precisava mais do que apenas estudar assuntos doutrinais. Devia haver também expressões de devoção, a fim de que o coração das pessoas fosse motivado pelo apreço para com o amor de Deus e pelo desejo de honrá-lo e servi-lo. Instou-se com as classes que programassem uma reunião especial para esse fim uma vez por semana. Tais reuniões eram às vezes chamadas de “Reuniões de Chalé”, porque eram realizadas em residências. O programa incluía orações, cânticos de louvor e testemunhos relatados pelos na assistência.b Esses testemunhos eram às vezes experiências encorajadoras; estavam também incluídas as provações, dificuldades e perplexidades enfrentadas dias antes. Em alguns lugares, essas reuniões deixavam consideravelmente de alcançar seu objetivo por se dar excessiva ênfase a pessoas. The Watch Tower trazia bondosas sugestões para melhora.
Recordando essas reuniões, Edith Brenisen, esposa de um dos primeiros peregrinos nos Estados Unidos, disse: “Era uma noite de meditação sobre o cuidado amoroso de Jeová, e de estreita associação com nossos irmãos e irmãs. Ao ouvirmos algumas de suas experiências, chegávamos a conhecê-los melhor. Observar sua fidelidade e ver como venciam suas dificuldades não raro nos ajudava a solucionar algumas de nossas próprias perplexidades.” Com o tempo, porém, tornou-se evidente que eram mais proveitosas as reuniões destinadas a equipar cada um para a obra de evangelização.
O modo como era realizada a reunião aos domingos em alguns lugares causava preocupação aos irmãos. Algumas classes tentavam considerar a Bíblia versículo por versículo. Mas, às vezes, as diferenças de opinião quanto ao sentido não eram nada edificantes. Para melhorar a situação, alguns da congregação de Los Angeles, Califórnia, elaboraram esboços de estudos bíblicos por tópicos, com perguntas e referências a serem examinadas por toda a classe antes de comparecer à reunião. Em 1902, a Sociedade tornou disponível uma Bíblia que continha “Ajudas de Estudos Bíblicos Bereanos”, inclusive um índice de tópicos.c Para simplificar ainda mais as coisas, a partir do número de 1.º de março de 1905 da Watch Tower, começou-se a publicar esboços para consideração na congregação, com perguntas, bem como com referências à Bíblia e às publicações da Sociedade para pesquisas. Esses continuaram até 1914, época em que se publicaram perguntas de estudo para os volumes de Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras), para uso como base dos Estudos Bereanos.
Todas as classes tinham a mesma matéria disponível, mas o número de reuniões semanais variava de um a quatro ou mais, dependendo da programação local. Em Colombo, Ceilão (hoje Sri Lanka), a partir de 1914, as reuniões eram realizadas na verdade sete dias por semana.
Os Estudantes da Bíblia foram incentivados a aprender a fazer pesquisas, a ‘pôr todas as coisas à prova’, a expressar pensamentos em suas próprias palavras. (1 Tes. 5:21, King James) O irmão Russell incentivava uma consideração plena e livre da matéria de estudo. Também, acautelou: “Nunca vos esqueçais que a Bíblia é nosso Padrão e que, não obstante as ajudas dadas a nós por Deus, elas são ‘ajudas’, e não substituem a Bíblia.”
Comemoração da morte do Senhor
A partir de cerca de 1876, os Estudantes da Bíblia providenciaram comemorar a cada ano a morte do Senhor.d De início, o grupo de Pittsburgh, Pensilvânia, e das redondezas reunia-se na casa de um irmão. Em 1883, a assistência aumentara para cerca de cem ali, e usava-se um salão alugado. Para acomodar a grande assistência esperada em Pittsburgh, em 1905, os irmãos decidiram contratar o uso do espaçoso Carnegie Hall.
Os Estudantes da Bíblia reconheciam que se tratava de uma observância anual, não algo que tinha de ser celebrado semanalmente. A data em que faziam a celebração correspondia a 14 de nisã no calendário judaico, data da morte de Jesus. Com o passar dos anos, houve alguns refinamentos no modo de se calcular essa data.e Mas o principal assunto de interesse era o significado em si do próprio evento.
Embora os Estudantes da Bíblia se reunissem para essa comemoração em grupos de tamanhos variados, em muitos lugares, quaisquer deles que pudessem reunir-se com os irmãos em Pittsburgh eram bem acolhidos. De 1886 a 1893, os leitores da Watch Tower foram especialmente convidados a ir a Pittsburgh, se possível, e fizeram isso, indo de várias partes dos Estados Unidos e do Canadá. Isto não só lhes permitiu celebrar a Comemoração juntos, mas também os ajudou a cimentar os laços da união espiritual. Entretanto, com o aumento no número de classes, tanto nos Estados Unidos como em outras partes do mundo, não mais era prático tentar reunir todos num só lugar, e compreenderam que resultaria em maior benefício se se reunissem com concrentes na região onde residiam.
Segundo indicado na Watch Tower, havia muitos que professavam crer no resgate, e a nenhum desses se impedia de comparecer à comemoração anual. Mas a ocasião tinha significado especial para os que realmente pertenciam ao “pequeno rebanho” de Cristo. Estes são os que participariam no Reino celestial. Na noite antes da morte de Jesus, quando ele instituiu a Comemoração, foi a pessoas às quais essa esperança estava sendo oferecida que Cristo disse: “Persisti em fazer isso em memória de mim.” — Luc. 12:32; 22:19, 20, 28-30.
Especialmente a partir da década de 30, os prospectivos membros da “grande multidão” de outras ovelhas começaram a manifestar-se. (Rev. 7:9, 10; João 10:16) Estes eram nessa época chamados de jonadabes. Pela primeira vez, no número de 15 de fevereiro de 1938, The Watchtower os convidou especificamente a estar presentes na Comemoração, dizendo: “Depois das dezoito horas de 15 de abril, que cada companhia dos ungidos se reúna e celebre a Comemoração, com a presença também de seus companheiros, os jonadabes.” Eles assistiram não como participantes, mas como observadores. Sua presença começou a aumentar o número dos que compareciam à Comemoração da morte de Cristo. Em 1938, a assistência total foi de 73.420, ao passo que o número dos que participaram do pão e do vinho emblemáticos foi de 39.225. Nos anos que se seguiram, os que compareciam como observadores passaram a incluir também grandes números de recém-interessados e outros que ainda não se haviam tornado Testemunhas ativas de Jeová. Assim, em 1992, quando o número máximo dos que participavam no ministério de campo era de 4.472.787, a assistência à Comemoração foi de 11.431.171, e o número dos participantes dos emblemas foi de apenas 8.683. Em alguns países, a assistência tem sido cinco ou seis vezes maior do que o número de Testemunhas ativas.
Por causa de sua profunda consideração pelo significado da morte de Cristo, as Testemunhas de Jeová celebram a Comemoração mesmo quando se vêem em circunstâncias muito difíceis. Durante a década de 70, quando os toques de recolher na Rodésia (hoje conhecida por Zimbábue) impossibilitavam sair à noitinha, todos os irmãos em algumas regiões se reuniam na casa de uma Testemunha de Jeová durante o dia e daí celebravam a Comemoração à noitinha. Naturalmente, não podiam retornar para casa depois da reunião, assim pernoitavam ali. As demais horas, à noitinha, eram usadas para entoar cânticos do Reino e relatar experiências, o que era fonte de revigoramento adicional.
Nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, a Comemoração era celebrada, embora isso pudesse ter resultado em severa punição se os guardas descobrissem. Quando isolado na prisão, na China comunista, de 1958 a 1963, por causa de sua fé cristã, Harold King celebrava a Comemoração do melhor modo nas circunstâncias em que se encontrava. Ele disse mais tarde: “Da janela da prisão eu observava a lua tornar-se lua cheia perto do início da primavera. Calculava tão cuidadosamente quanto podia a data da celebração.” Ele improvisava os necessários emblemas, fazendo um pouco de vinho de groselhas pretas e usando arroz, que não é fermentado, para o pão. Ele disse também: “Eu cantava, orava e proferia o discurso costumeiro para a ocasião, assim como se faria numa congregação do povo de Jeová. Assim, eu sentia unir-me todo ano a meus irmãos em todo o mundo nesta ocasião de máxima importância.”
Onde se enquadram os jovens
Durante aqueles primeiros anos, as publicações e as reuniões dos Estudantes da Bíblia não eram especialmente elaboradas para preencher as necessidades dos jovens. Eles podiam assistir às reuniões, e alguns deles faziam isso e escutavam com vivo interesse. Mas não havia esforço especial para incluí-los no que ocorria ali. Por que não?
O entendimento dos irmãos naquele tempo era que restava apenas um período muito curto até que todos os membros da noiva de Cristo fossem unidos com ele em glória celestial. A Watch Tower, em 1883, explicou: “Nós, que estamos sendo treinados para a chamada acima, não podemos desviar-nos da obra especial desta era — a obra de preparar ‘a Noiva, a esposa do Cordeiro’. A Noiva precisa preparar-se; e neste exato momento, quando os últimos toques de adorno estão sendo dados na preparação para as núpcias, o serviço de todos os membros é necessário para esta importantíssima obra atual.”
Os pais foram firmemente instados a arcar com a sua própria responsabilidade conferida por Deus de cuidar da instrução espiritual de seus filhos. Não se incentivavam escolas dominicais separadas para jovens. Era óbvio que o emprego de escolas dominicais da cristandade havia causado muito dano. Os pais que enviavam seus filhos a tais escolas muitas vezes eram da opinião de que essa provisão os eximia da responsabilidade de dar instrução religiosa a seus filhos. As crianças, por sua vez, por não recorrerem a seus pais como a principal fonte de instrução sobre Deus, não foram motivadas a honrar seus pais e a obedecer-lhes como deveriam.
Entretanto, de 1892 a 1927, a Watch Tower reservou espaço para comentários sobre o texto das “Lições da Escola Dominical Internacional”, de uso comum em muitas igrejas protestantes na época. Esses textos foram por muitos anos selecionados por F. N. Peloubet, um clérigo congregacional, e pelos seus assistentes. A Watch Tower considerava esses textos do ponto de vista do entendimento adiantado dos Estudantes da Bíblia, isento dos credos da cristandade. Esperava-se que assim a Watch Tower conseguisse infiltrar-se em algumas igrejas, que a verdade fosse assim apresentada e que alguns membros das igrejas a aceitassem. Naturalmente, era bem evidente a diferença, e isto enfureceu o clero protestante.
Chegou o ano de 1918, e o restante, ou os remanescentes dos ungidos, ainda estava no cenário terrestre. O número de crianças em suas reuniões também havia aumentado grandemente. Com freqüência, simplesmente se permitia que as crianças brincassem enquanto os pais estudavam. Contudo, os jovens também precisavam aprender a ‘buscar a justiça, a buscar a mansidão’, se haviam de ser “escondidos no dia da ira do Senhor”. (Sof. 2:3, Almeida, ed. rev. e corr.) Portanto, em 1918, a Sociedade incentivou as congregações a programar uma classe juvenil para jovens de 8 a 15 anos de idade. Em alguns lugares, havia até mesmo classes primárias para os que eram pequenos demais para a classe juvenil. Ao mesmo tempo, frisou-se de novo a responsabilidade dos pais.
Isto levou a outros desenvolvimentos. The Golden Age (A Idade de Ouro), em 1920, tinha uma parte intitulada “Estudo Bíblico Juvenil”, com perguntas acompanhadas de citações bíblicas nas quais se podiam encontrar as respostas. Naquele mesmo ano, foi publicado The Golden Age ABC; era um folheto ilustrado para ser usado pelos pais para ensinarem verdades bíblicas fundamentais e qualidades cristãs a seus filhos pequenos. Foi seguido, em 1924, de um livro intitulado The Way to Paradise (O Caminho Para o Paraíso), escrito por W. E. Van Amburgh. Era adaptado a “estudantes intermediários da Bíblia”. Por algum tempo, foi usado nas reuniões para jovens. Além disso, na América, as “Testemunhas Jovens” tinham seus próprios programas de serviço de campo. Na Suíça, um grupo de jovens formou uma associação, chamada “Jovens de Jeová”, para os de 13 a 25 anos de idade. Tinham sua própria sede em Berna, e uma revista especial, Jehovas Jugend (Jovens de Jeová), era editada e impressa nas prensas da Sociedade ali. Esses jovens tinham suas próprias reuniões e até mesmo encenavam dramas bíblicos, como fizeram na Volkshaus em Zurique, perante uma assistência de 1.500 pessoas.
O que acontecia, porém, era que uma organização se estava desenvolvendo dentro da organização dos servos de Jeová. Isto não contribuiria para união, e foi descontinuado em 1936. Em abril de 1938, durante uma visita à Austrália, J. F. Rutherford, o presidente da Sociedade, notou que uma classe para crianças estava sendo dirigida à parte do congresso dos adultos. Ele tomou medidas imediatas para que todas as crianças fossem trazidas para o congresso principal, que era de grande proveito para elas.
Naquele mesmo ano, The Watchtower considerou cabalmente a questão sobre classes separadas para jovens na congregação. Esse estudo ressaltava novamente a responsabilidade dos pais de instruir seus próprios filhos. (Efé. 6:4; veja Deuteronômio 4:9, 10; Jeremias 35:6-10.) Mostrava também não haver na Bíblia precedentes para segregar os jovens por meio de classes para jovens. Em vez disso, deviam estar presentes com seus pais para ouvir a Palavra de Deus. (Deut. 31:12, 13; Jos. 8:34, 35) Caso precisassem de explicação adicional da matéria de estudo, tal podia ser dada pelos pais em casa. Além disso, os artigos explicavam que as provisões de tais classes separadas estavam na realidade cerceando a pregação das boas novas de casa em casa. De que modo? Porque os instrutores deixavam de sair no serviço de campo para preparar e dirigir essas classes. Portanto, todas as classes separadas para jovens foram descontinuadas.
Até o presente momento, continua a ser costume entre as Testemunhas de Jeová os membros da inteira família assistir às reuniões de congregação juntos. Os filhos são ajudados pelos pais a se prepararem para participar de maneira apropriada. Adicionalmente, forneceu-se uma excelente coleção de publicações para os pais usarem ao darem instrução a seus filhos jovens em casa. Entre estas estão os livros: Filhos, em 1941; Escute o Grande Instrutor, em 1971; Sua Juventude — O Melhor Modo de Usufruí-la, em 1976; Meu Livro de Histórias Bíblicas, em 1978; e Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas, em 1989.
Equipando todos para serem evangelizadores ativos
Desde que foram publicados os primeiros números da Watch Tower, seus leitores têm sido regularmente lembrados do privilégio e da responsabilidade de todos os verdadeiros cristãos de proclamar as boas novas sobre o propósito de Deus. As reuniões de congregação têm ajudado a preparar seu coração e mente para esta atividade, edificando seu amor a Jeová e seu conhecimento sobre Seus propósitos. Mas, especialmente depois do congresso em Cedar Point, Ohio, em 1922, ressaltou-se grandemente o que se realizava no serviço de campo e como se podia participar nele com eficácia.
O Bulletin,f uma folha que continha informações diretamente relacionadas com o serviço de campo, trazia um breve testemunho para a pregação de casa em casa, que era decorado e usado para dar testemunho às pessoas. Na maior parte do ano de 1923, no começo de cada mês, como estímulo para os esforços unidos de anunciar o Reino, metade do tempo da Reunião de Oração, Louvor e Testemunho, nas quartas-feiras, era reservada a testemunhos sobre o serviço de campo.
Já em 1926, as reuniões mensais em que se considerava o serviço de campo eram chamadas de Reuniões dos Trabalhadores. Os que realmente participavam nesse serviço eram em geral os que compareciam. Nessas reuniões, consideravam-se os métodos usados para dar testemunho a outros, e faziam-se planos para futura atividade. Em 1928, a Sociedade instava com as congregações para que realizassem essas reuniões semanalmente. Quatro anos mais tarde, as congregações começaram a substituir a Reunião de Testemunho (ou de Declaração) por aquilo que veio a ser chamado de Reunião de Serviço, e a Sociedade incentivou todos a assistir a essa reunião. Por mais de 60 anos, essa reunião semanal tem sido realizada pelas congregações. Por meio de discursos, palestras que envolvem a participação da assistência, demonstrações e entrevistas, tem-se fornecido ajuda específica relacionada com todos os aspectos do ministério cristão.
Este tipo de reunião certamente não se originou no século 20. O próprio Jesus deu instruções pormenorizadas a seus discípulos antes de enviá-los a pregar. (Mat. 10:5-11:1; Luc. 10:1-16) Mais tarde, eles edificaram uns aos outros, reunindo-se para relatar suas experiências no ministério. — Atos 4:21-31; 15:3.
Quanto ao treinamento para proferir discursos, nos primeiros anos isto não era feito nas reuniões regulares de congregação. Todavia, pelo menos a partir de 1916, sugeriu-se aos que achavam que tinham algum potencial como oradores que realizassem classes à parte, talvez com um ancião presente como examinador para ouvi-los e oferecer conselhos, a fim de melhorarem o conteúdo e o proferimento de seus discursos. Essas reuniões, às quais compareciam só os varões na congregação, mais tarde chegaram a ser conhecidas por Escolas dos Profetas. Recordando os eventos daquela época, Grant Suiter disse: “A crítica construtiva que me fizeram na escola não foi nada em comparação com a que recebi de meu pai pessoalmente depois de ele ter assistido a uma das sessões para me ouvir tentar proferir um discurso.” Para ajudar os que estavam tentando fazer progresso, os irmãos compilaram e imprimiram em particular um compêndio de instruções sobre proferimento de discursos, junto com esboços para uma variedade de discursos. Com o tempo, porém, essas Escolas dos Profetas foram descontinuadas. Para preencher a necessidade especial que existia naquele tempo, deu-se plena atenção a habilitar todo membro de congregação para uma participação cabal na obra de evangelização de casa em casa.
Seria possível habilitar cada membro desta crescente organização internacional não só para dar um breve testemunho e oferecer publicações bíblicas, mas também para falar eficazmente e ser um instrutor da Palavra de Deus? Esse era o objetivo de uma escola especial estabelecida em cada congregação das Testemunhas de Jeová a partir de 1943. Ela já estava em funcionamento na sede mundial das Testemunhas de Jeová desde fevereiro de 1942. Toda semana, dava-se instrução, e os estudantes proferiam discursos e recebiam conselhos sobre esses. De início, só os varões davam discursos na escola, embora a congregação inteira fosse incentivada a comparecer, a preparar as lições e a participar nas recapitulações. Em 1959, as irmãs também tiveram o privilégio de se matricular, para treinamento em palestras sobre assuntos bíblicos entre uma pessoa e outra.
Quanto ao efeito dessa escola, a filial da Sociedade Torre de Vigia na África do Sul relatou: “Este excelente arranjo teve êxito, em pouco tempo, em ajudar muitos irmãos, que imaginavam que nunca seriam oradores públicos, a se tornarem mui desenvoltos na tribuna e mais eficazes no campo. Em todas as partes da África do Sul, os irmãos acolheram esta nova provisão de Jeová e a puseram em operação com entusiasmo. Isto foi feito apesar de grandes obstáculos da língua e da falta de instrução da parte de alguns.”
A Escola do Ministério Teocrático continua a ser uma reunião importante nas congregações das Testemunhas de Jeová. Quase todos os que podem matriculam-se. Jovens e idosos, Testemunhas novas e as com muita experiência participam. É um programa contínuo de instrução.
O público é convidado a ver e ouvir
As Testemunhas de Jeová em nenhum sentido são uma sociedade secreta. Suas crenças bíblicas são plenamente explicadas em publicações disponíveis a todos. Além disso, fazem esforço especial para convidar o público às suas reuniões para verem e ouvirem pessoalmente o que se faz ali.
Jesus Cristo deu instrução pessoal a seus discípulos, mas ele proferiu também discursos públicos — junto à praia, na encosta de um monte, nas sinagogas, na área do templo em Jerusalém — onde as multidões o podiam ouvir. (Mat. 5:1, 2; 13:1-9; João 18:20) Imitando isso, já na década de 1870, os Estudantes da Bíblia começaram a realizar reuniões onde irmãos, vizinhos e outros que porventura tivessem interesse pudessem ouvir um discurso sobre o propósito de Deus para a humanidade.
Fez-se esforço especial de realizar esses discursos em lugares convenientes para o público. Isto era conhecido por trabalho de extensão das classes. Em 1911, as congregações que tinham suficientes oradores talentosos foram incentivadas a programar que alguns desses fossem a cidades e vilas circunvizinhas para realizarem reuniões em salões municipais. Onde possível, programavam uma série de seis discursos. Depois do último da série, o orador perguntava sobre quantos na assistência tinham suficiente interesse em estudos bíblicos para se reunirem regularmente. Mais de 3.000 desses discursos foram proferidos no primeiro ano.
A partir de 1914, o “Fotodrama da Criação” também foi levado ao público. Os irmãos não cobravam entrada. Desde então, têm feito outras exibições de filmes cinematográficos e de slides. A partir da década de 20, o uso extensivo do rádio pela Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) habilitou as pessoas a ouvir discursos bíblicos em suas próprias casas. Depois, na década de 30, discursos proferidos por J. F. Rutherford foram gravados e tocados em milhares de reuniões públicas.
Em 1945, já havia um grande número de oradores públicos treinados na Escola do Ministério Teocrático. Em janeiro daquele ano, iniciou-se uma campanha bem coordenada de reuniões públicas. A Sociedade forneceu esboços para uma série de oito discursos oportunos. Convites e, às vezes, cartazes eram usados para se fazer publicidade. Além de usarem o costumeiro local de reunião das congregações, os irmãos fizeram esforços especiais para programar essas reuniões públicas em territórios onde não existiam congregações. Todos nas congregações podiam participar — fazendo publicidade das reuniões, assistindo a essas pessoalmente, bem como dando boas-vindas aos novos, e respondendo às suas perguntas. Durante o primeiro ano desta atividade especial, 18.646 reuniões públicas foram realizadas nos Estados Unidos, com uma assistência total de 917.352. No ano seguinte, o número de reuniões públicas aumentou para 28.703 no campo americano. E no Canadá, onde 2.552 dessas reuniões foram realizadas em 1945, houve 4.645 no ano seguinte.
Na maioria das congregações das Testemunhas de Jeová, as Reuniões Públicas fazem agora parte de seu programa regular de reuniões semanais. São em forma de um discurso, durante o qual todos são incentivados a procurar textos bíblicos chaves ao passo que vão sendo lidos e considerados. Essas reuniões são uma rica fonte de instrução espiritual para a congregação e para os recém-chegados.
As pessoas que assistem às reuniões das Testemunhas de Jeová pela primeira vez ficam muitas vezes agradavelmente surpresas. Um proeminente político em Zimbábue foi a um Salão do Reino para ver o que ocorria ali. Tratava-se de um homem de temperamento violento, e ele foi propositadamente sem fazer a barba e com os cabelos despenteados. Ele achava que as Testemunhas o expulsariam de lá. Em vez disso, mostraram genuíno interesse nele e o incentivaram a aceitar um estudo bíblico domiciliar. Hoje ele é uma humilde e pacífica Testemunha cristã.
Há milhões de pessoas que, depois de assistirem a reuniões das Testemunhas de Jeová, se sentiram impelidas a dizer: “Deus está realmente entre vós.” — 1 Cor. 14:25.
Lugares adequados para reuniões
Nos dias dos apóstolos de Jesus Cristo, os cristãos não raro realizavam suas reuniões em residências. Em alguns lugares, podiam falar em sinagogas judaicas. Em Éfeso, o apóstolo Paulo deu discursos por dois anos no auditório de uma escola. (Atos 19:8-10; 1 Cor. 16:19; Filêm. 1, 2) Similarmente, perto do fim do século 19, os Estudantes da Bíblia se reuniam em casas, davam discursos, às vezes, em capelas de igreja e usavam outros salões alugados quando disponíveis. Em alguns casos, adquiriram mais tarde prédios antes usados por outros grupos religiosos e fizeram uso desses em caráter regular. Esse foi o caso do Tabernáculo de Brooklyn e do Tabernáculo de Londres.
Mas não precisavam nem desejavam prédios pomposos para as suas reuniões. Algumas congregações adquiriram e reformaram imóveis adequados; outras construíram salões novos. Depois de 1935, o nome Salão do Reino veio a ser usado gradativamente para designar esses lugares de reuniões de congregação. Esses são geralmente de aspecto atraente, mas não são ostentosos. A arquitetura pode variar de lugar para lugar, mas o propósito da construção é funcional.
Unificado programa de instrução
Na última parte do século 19 e em princípios do século 20, variava consideravelmente de uma congregação para outra o desenvolvimento espiritual e a atividade. Tinham em comum certas crenças básicas que as distinguiam da cristandade. Contudo, ao passo que alguns irmãos apreciavam profundamente o meio empregado por Jeová para alimentar seu povo, outros eram facilmente desviados pelas idéias de pessoas opiniáticas em determinados assuntos.
Antes de morrer, Jesus orou para que seus seguidores ‘fossem todos um’ — em união com Deus e Cristo e uns com os outros. (João 17:20, 21) Não devia ser uma união forçada. Resultaria de um unificado programa de educação que encontrasse aceitação em corações receptivos. Conforme se predissera muito tempo atrás: “Todos os teus filhos serão pessoas ensinadas por Jeová e a paz de teus filhos será abundante.” (Isa. 54:13) Para gozarem dessa paz em plena medida, todos precisavam ter oportunidade de tirar proveito da instrução progressiva que Jeová provia por intermédio de seu canal visível de comunicação.
Por muitos anos, os Estudantes da Bíblia usaram os vários volumes de Studies in the Scriptures, junto com a Bíblia, como base para palestras. Esses continham deveras “alimento [espiritual] no tempo apropriado”. (Mat. 24:45) Entretanto, o exame contínuo das Escrituras, sob a direção do espírito de Deus, tornava evidente que os servos de Jeová tinham muito a aprender e ainda precisavam purificar-se muito em sentido espiritual. (Mal. 3:1-3; Isa. 6:1-8) Além disso, depois do estabelecimento do Reino em 1914, muitas profecias estavam tendo cumprimento em rápida sucessão, e essas apontavam para uma obra urgente em que todos os verdadeiros cristãos deviam empenhar-se. Essas oportunas informações bíblicas foram fornecidas regularmente através das colunas de The Watch Tower.
Percebendo que nem todos nas congregações estavam tirando proveito desses artigos, alguns representantes viajantes da Sociedade recomendavam à sede que, em reuniões semanais regulares, todas as congregações estudassem The Watch Tower. Essa recomendação foi transmitida às congregações, e, a partir da edição de 15 de maio de 1922, figurava na revista a seção “Perguntas Bereanas” para uso no estudo dos principais artigos da Watch Tower. A maioria das congregações tinha esse estudo uma ou mais vezes por semana, mas variava quanto da revista estudavam realmente. Em alguns lugares, em razão de o dirigente ter muito a dizer, esse estudo durava duas horas ou mais.
Na década de 30, porém, a organização teocrática substituiu os métodos democráticos. Isto influiu grandemente sobre como era considerado o estudo de The Watchtower.g Dirigiu-se maior atenção ao entendimento da matéria de estudo fornecida pela Sociedade. Os que tiravam partido das reuniões para expressar conceitos pessoais e relutavam em assumir a responsabilidade de participar no ministério de campo foram paulatinamente se afastando. Com ajuda paciente, os irmãos aprenderam a limitar o estudo a uma hora. Em resultado disso, houve maior participação; as reuniões ficaram mais animadas. Também, passou a permear nas congregações um espírito de genuína união, baseada num programa unificado de alimento espiritual em que a Palavra de Deus era o padrão para a verdade.
Em 1938, The Watchtower era publicada em cerca de 20 línguas. Tudo era publicado primeiro em inglês. Geralmente não se tornava disponível em outras línguas senão vários meses depois, ou talvez um ano mais tarde, por causa do tempo que se precisava para traduzir e imprimir. Entretanto, com a mudança de métodos de impressão, conseguiu-se, na década de 80, a publicação simultânea de A Sentinela em muitas línguas. Em 1992, as congregações que entendiam uma de 66 línguas podiam estudar a mesma matéria ao mesmo tempo. Assim, a vasta maioria das Testemunhas de Jeová mundialmente participa do mesmo alimento espiritual semana após semana. Em toda a América do Norte e do Sul, na maior parte da Europa, em numerosas terras do Oriente, em muitos lugares na África e em diversas ilhas ao redor do globo, os do povo de Jeová usufruem provisão simultânea de alimento espiritual. Juntos eles estão sendo “aptamente unidos na mesma mente e na mesma maneira de pensar”. — 1 Cor. 1:10.
Os números dos que assistem às reuniões congregacionais indicam que as Testemunhas de Jeová levam a sério as suas reuniões. Na Itália, onde havia cerca de 172.000 Testemunhas ativas em 1989, a assistência semanal às reuniões no Salão do Reino foi de 220.458. Em contraste com isso, uma agência de imprensa católica diz que 80 por cento dos italianos dizem que são católicos, mas que apenas cerca de 30 por cento assistem aos ofícios da igreja com certa regularidade. Proporcionalmente, acontece o mesmo no Brasil. Na Dinamarca, em 1989, a Igreja Nacional afirmava que 89,7 por cento dos habitantes eram membros, mas apenas 2 por cento desses freqüentavam a igreja uma vez por semana! Entre as Testemunhas de Jeová na Dinamarca, a assistência semanal, nessa mesma época, era de 94,7 por cento. Na Alemanha, um estudo feito pelo Instituto Allensbach de Pesquisa de Opinião, em 1989, indicava que 5 por cento dos luteranos e 25 por cento dos católicos na República Federal freqüentavam regularmente a igreja. Entretanto, nos Salões do Reino das Testemunhas de Jeová, a assistência semanal foi maior do que o número de Testemunhas.
Os na assistência muitas vezes fazem grandes esforços para estar presentes. Na década de 80, uma senhora de 70 anos, no Quênia, caminhava regularmente dez quilômetros e atravessava um rio vadeando para chegar às reuniões toda semana. Para assistir a reuniões em seu próprio idioma, uma Testemunha coreana nos Estados Unidos viajava regularmente três horas para ir e três para voltar, de ônibus, trem e barco, também caminhando. No Suriname, uma família de pouca renda gastava o salário de um dia em passagens de ônibus semanalmente para chegar às reuniões. Na Argentina, uma família viajava 50 quilômetros e gastava um quarto da renda da família para assistir às reuniões de estudos bíblicos. Nos casos em que a enfermidade impede totalmente alguns de assistir às reuniões da congregação, tomam-se muitas vezes medidas para transmitir-lhes por telefone ou para que ouçam o programa numa fita gravada.
As Testemunhas de Jeová levam a sério o conselho bíblico de não deixarem de se reunir, para a sua edificação espiritual. (Heb. 10:24, 25) E não é só às reuniões em suas congregações locais que comparecem. Assistir aos congressos é também um ponto alto em seu programa anual de eventos.
[Nota(s) de rodapé]
a Mais tarde, estas reuniões foram chamadas de Círculos Bereanos de Estudos Bíblicos, em imitação dos bereanos do primeiro século que foram elogiados porque ‘examinavam cuidadosamente as Escrituras’. — Atos 17:11.
b Por aquilo que englobavam, essas reuniões eram também chamadas de Reuniões de Oração, Louvor e Testemunho. Em vista da importância da oração, com o tempo recomendou-se que uma vez a cada três meses a reunião fosse simplesmente de orações, incluindo cânticos, mas sem experiências.
c Em 1907, as ajudas de estudos bereanos foram revisadas, grandemente ampliadas e atualizadas. Acrescentaram-se umas 300 páginas de matéria útil na edição de 1908.
d Era, às vezes, chamada de Páscoa antitípica, isto é, a comemoração da morte de Jesus Cristo, prefigurado pelo cordeiro pascoal e assim chamado “Cristo, a nossa páscoa”, em 1 Coríntios 5:7. Em harmonia com 1 Coríntios 11:20 (Imprensa Bíblica Brasileira), era também chamada de Ceia do Senhor. Foi às vezes chamada de “Ceia do Aniversário”, chamando assim atenção para o fato de que era uma comemoração anual.
e Veja a Watchtower de março de 1891, páginas 33-4; 15 de março de 1907, página 88; 1.º de fevereiro de 1935, página 46; e A Sentinela de março de 1948, páginas 41-3.
f Mesmo antes de 1900, enviava-se um panfleto intitulado Suggestive Hints to Colporteurs (Idéias Sugestivas Para Colportores) aos que se alistavam neste serviço especial. A partir de 1919, o Bulletin foi publicado para fornecer estímulo no serviço de campo, primeiro em distribuir The Golden Age e mais tarde com relação a vários tipos de atividade evangelizadora.
g O nome Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo) foi mudado em 1.º de janeiro de 1909 para The Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia e Arauto da Presença de Cristo). A partir de 15 de outubro de 1931, o nome passou para The Watchtower and Herald of Christ’s Presence.
[Destaque na página 237]
Reuniões que incentivavam participação pessoal.
[Destaque na página 238]
Não meramente uma filosofia mental, mas expressões que motivassem o coração.
[Destaque na página 246]
Todos na família são incentivados a assistir às reuniões juntos.
[Destaque na página 252]
Unificação do programa de alimentação espiritual
[Destaque na página 253]
As Testemunhas levam a sério as suas reuniões.
[Foto na página 243]
Embora isolado numa prisão chinesa, Harold King continuou a celebrar a Comemoração.
[Foto na página 244]
Classe bíblica juvenil na Alemanha, em princípios da década de 30
Na Suíça, em meados da década de 30, jovens Testemunhas publicavam esta revista (abaixo) e encenavam dramas bíblicos (segundo aparece abaixo, no centro) para grandes assistências.
[Foto na página 247]
O “Bulletin” (1919-35), o “Director” (1935-36), o “Informante” (1936-56), e agora “Nosso Ministério do Reino”, em 100 línguas — todos têm fornecido instruções regulares para o unido ministério de campo das Testemunhas de Jeová.
[Foto na página 248]
Demonstrações nas Reuniões de Serviço ajudam as Testemunhas a melhorar seu próprio ministério de campo (Suécia).
[Foto na página 249]
Jovem Testemunha no Quênia ganha experiência dando discurso a seu pai na Escola do Ministério Teocrático.
[Foto na página 250]
Em 1992, a matéria de estudo bíblico para as congregações das Testemunhas de Jeová era publicada simultaneamente em 66 línguas, e mais línguas continuam a ser acrescentadas.
[Fotos/Quadro na página 239]
Primeiras congregações
Já em 1916 havia uns 1.200 grupos de Estudantes da Bíblia em todo o mundo.
Durban, África do Sul, 1915 (no alto, à direita); Guiana Inglesa (Guiana), 1915 (no meio, à direita); Trondheim, Noruega, 1915 (embaixo, à direita); Hamilton, Ont., Canadá, 1912 (embaixo); Ceilão (Sri Lanka), 1915 (embaixo, à esquerda); Índia, 1915 (no alto, à esquerda).
[Fotos/Quadro nas páginas 240, 241]
Louvor a Jeová com cânticos
Assim como os antigos israelitas e o próprio Jesus usavam cânticos na adoração, as Testemunhas de Jeová fazem isso nos tempos atuais. (Nee. 12:46; Mar. 14:26) Ao mesmo tempo em que expressa louvor a Jeová e apreço pelas suas obras, tal entoar de cânticos tem ajudado a inculcar na mente e no coração as verdades bíblicas.
Karl Klein dirigindo orquestra num congresso em 1947.
Com o passar dos anos, muitas coleções de cânticos têm sido usadas pelas Testemunhas de Jeová. A letra tem sido atualizada em harmonia com o entendimento progressivo da Palavra de Deus.
1879: “Songs of the Bride” (Cânticos da Noiva)
(144 hinos que expressavam os desejos e as esperanças da noiva de Cristo.)
1890: “Poems and Hymns of Millennial Dawn” (Poemas e Hinos da Aurora do Milênio)
(151 poemas e 333 hinos, publicados sem a música. A maioria era obra de escritores bem conhecidos.)
1896: A “Watch Tower” de 1.º de fevereiro foi dedicada a “Zion’s Glad Songs of the Morning” (Alegres Cânticos Matutinos de Sião)
(Letra de 11 cânticos, com música; a letra foi escrita por Estudantes da Bíblia.)
1900: “Zion’s Glad Songs” (Cânticos Alegres de Sião)
(82 cânticos, muitos dos quais foram escritos por um Estudante da Bíblia; para complementar a coleção anterior.)
1905: “Hymns of the Millennial Dawn” (Hinos da Aurora do Milênio)
(Os 333 cânticos publicados em 1890, com a música)
1925: “Kingdom Hymns” (Hinos do Reino)
(80 cânticos, com música, especialmente para crianças)
1928: “Cânticos de Louvor a Jeová”
(337 cânticos, uma mistura de hinos novos, escritos pelos Estudantes da Bíblia, e de outros mais antigos. Na letra, fez-se esforço especial de afastar-se de sentimentos da religião falsa e da adoração de criaturas.)
1944: “Cancioneiro do Serviço do Reino”
(62 cânticos. Adaptados às necessidades do serviço do Reino naquela época. Não trazia nome de autores ou compositores.)
1950: “Cânticos em Louvor a Jeová”
(91 cânticos. Este cancioneiro tinha temas mais atualizados e dispensava a linguagem arcaica. Foi traduzido em 18 línguas.)
1966: “Cantando e Acompanhando-vos com Música nos Vossos Corações”
(119 cânticos que abrangiam todo aspecto da vida e da adoração cristã. Foram omitidas músicas que se sabia serem de origem secular ou de fontes da religião falsa. Foram feitas gravações orquestradas do inteiro cancioneiro e estas eram usadas extensivamente como acompanhamento nas reuniões de congregação. Foram gravados também alguns deles em coro. A partir de 1980, gravações com arranjos orquestrados das “Melodias do Reino” foram produzidas para as pessoas as usufruírem em casa como música edificante.)
1984: “Cantemos Louvores a Jeová”
(225 cânticos do Reino, com letras e melodias compostas inteiramente por servos dedicados de Jeová de todas as partes da Terra. Foram produzidas gravações fonográficas e em cassetes para servirem de acompanhamento.)
Nas suas antigas Reuniões de Chalé, os Estudantes da Bíblia incluíam cânticos de louvor. Os cânticos logo se tornaram um aspecto de seus congressos. Alguns entoavam um cântico antes do café da manhã, em ligação com a adoração matinal, como se fazia por muitos anos na Casa da Bíblia. Embora o entoar de cânticos nas congregações locais fosse em grande parte dispensado por volta de 1938, foi reiniciado em 1944, e continua a ser um aspecto importante das reuniões de congregação e dos congressos das Testemunhas de Jeová.
[Gráfico na página 242]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
Comemoração da morte de Cristo
Testemunhas ativas
Assistência
11.000.000
10.000.000
9.000.000
8.000.000
7.000.000
6.000.000
5.000.000
4.000.000
3.000.000
2.000.000
1.000.000
1935 1945 1955 1965 1975 1985 1992
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Congressos uma prova de nossa fraternidadeTestemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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Capítulo 17
Congressos uma prova de nossa fraternidade
OS CONGRESSOS se tornaram um aspecto regular da organização das Testemunhas de Jeová nos tempos modernos. Mas havia reuniões nacionais e internacionais de adoradores de Jeová muito antes do século 20.
Jeová exigia que todos os varões no Israel antigo se reunissem em Jerusalém para três festividades sazonais todo ano. Alguns desses homens levavam consigo a inteira família. De fato, a Lei mosaica requeria que todos os membros da família — homens, mulheres e crianças — estivessem presentes em certas ocasiões. (Êxo. 23:14-17; Deut. 31:10-13; Luc. 2:41-43) De início, os que compareciam eram pessoas que residiam dentro dos limites de Israel. Mais tarde, quando os judeus se dispersaram amplamente, os que compareciam vinham de muitas nações. (Atos 2:1, 5-11) Eram atraídos a se reunir não simplesmente porque Israel e Abraão fossem seus antepassados, mas porque reconheciam a Jeová como grandioso Pai celestial. (Isa. 63:16) Essas festividades eram ocasiões felizes. Ajudavam também a todos os que estavam presentes a manter a mente na palavra de Deus e a não ficar tão envolvidos nos assuntos cotidianos da vida a ponto de esquecerem os assuntos espirituais mais importantes.
Da mesma forma, os congressos das Testemunhas de Jeová nos tempos atuais têm como ponto central os interesses espirituais. Para os observadores sinceros, esses congressos dão evidência inegável de que as Testemunhas estão unidas por fortes laços de fraternidade cristã.
Antigos congressos dos Estudantes da Bíblia
A programação de ajuntamentos de Estudantes da Bíblia de várias cidades e países se desenvolveu gradativamente. Dessemelhantes dos grupos religiosos tradicionais, os Estudantes da Bíblia, por meio de seus congressos, chegaram a conhecer rapidamente concrentes de outras partes. De início, esses congressos eram realizados em Allegheny, Pensilvânia, EUA, relacionados com a comemoração anual da morte do Senhor. Em 1891, avisou-se especificamente que haveria um “congresso para estudos da Bíblia e para a celebração da Ceia Comemorativa do Senhor”. No ano seguinte, a Watch Tower (A Sentinela) trazia um destacado título que anunciava “CONGRESSO DOS QUE CRÊEM, EM ALLEGHENY, PA, . . . DE 7 A 14 DE ABRIL, INCLUSIVE, DE 1892”.
O público em geral não era convidado a esses primeiros congressos. Mas, em 1892, estavam presentes umas 400 pessoas que haviam dado evidência de fé no resgate e interesse sincero na obra do Senhor. O programa foi de cinco dias de intensivo estudo da Bíblia e mais dois dias de conselhos úteis para colportores.
Disse uma pessoa que foi pela primeira vez a uma dessas reuniões: “Já compareci a muitos Congressos, mas nunca a um como este, em que a vontade e o plano de Deus são o único e incessante tópico, desde manhã até à noite; em casa, na rua, na reunião, no almoço e em toda a parte.” Sobre o espírito demonstrado pelos congressistas, alguém em Wisconsin, EUA, escreveu: “Impressionou-me muito o espírito de amor e bondade fraterna manifestado em todas as ocasiões.”
Em 1893, houve uma mudança na programação de congressos anuais. Para aproveitarem preços favoráveis de passagens de trem, relacionados com a Exposição Colombiana naquele verão, os Estudantes da Bíblia se reuniram em Chicago, Illinois, de 20 a 24 de agosto. Este foi seu primeiro congresso fora da região de Pittsburgh. Entretanto, visando fazer o melhor uso do tempo e do dinheiro na obra do Senhor, não se realizaram outros congressos gerais por alguns anos.
Depois, a partir de 1898, os Estudantes da Bíblia em vários lugares começaram a tomar a iniciativa localmente de programar assembléias, às quais compareceriam pessoas de uma área limitada. Em 1900, a Sociedade organizou 3 congressos gerais; mas houve também 13 assembléias locais nos Estados Unidos e no Canadá, a maioria por apenas um dia e não raro realizada em relação com a visita de um peregrino. O número continuou a aumentar. Em 1909, houve na América do Norte pelo menos 45 assembléias locais, além dos congressos servidos pelo irmão Russell em viagens especiais que o levaram a várias partes do continente. Uma parte destacada do programa de assembléias de um dia visava especialmente incentivar o interesse do público. As assistências podiam variar de uma centena a milhares de pessoas.
Por outro lado, os congressos gerais, aos quais compareciam principalmente os Estudantes da Bíblia, davam ênfase à instrução dos que já estavam um tanto bem firmados no caminho da verdade. A esses congressos, trens especiais lotados traziam congressistas das principais cidades. A assistência chegava às vezes a 4.000, incluindo até mesmo alguns congressistas da Europa. Eram ocasiões de genuíno revigoramento espiritual que resultava em maior zelo e amor da parte do povo de Jeová. Um irmão disse no fim de um desses congressos, em 1903: “Eu não trocaria nem por mil dólares os benefícios que recebi neste Congresso; — embora eu seja pobre.”
Os peregrinos que porventura estivessem na região proferiam discursos nas assembléias. O irmão Russell também procurava estar presente e participar no programa de assembléias locais, bem como em congressos maiores nos Estados Unidos e muitas vezes no Canadá. Isso representava viajar bastante. A maioria dessas viagens era feita em fins de semana. Mas, em 1909, um irmão em Chicago fretou diversos vagões de trem para transportar congressistas que viajavam com o irmão Russell de um congresso a outro numa turnê. Em 1911 e 1913, composições inteiras foram fretadas pelo mesmo irmão para levar centenas de congressistas em turnês de congressos que duravam um mês ou mais, cobrindo o oeste dos Estados Unidos e o Canadá.
Viajar num trem de congresso era uma experiência memorável. Em 1913, Malinda Keefer embarcou num desses trens em Chicago, Illinois. Anos mais tarde, ela disse: “Em pouco tempo compreendemos que éramos uma só grande família . . . e o trem era nosso lar por um mês.” Quando o trem saía da estação, os que se despediam dos que partiam cantavam “Deus Esteja Convosco Até que nos Encontremos de Novo”, e todos acenavam com chapéus e lenços até o trem desaparecer de vista. A irmã Keefer disse mais: “Em cada parada da viagem havia congressos em andamento — a maioria deles era de três dias, e nós ficávamos um dia em cada um. Durante essas escalas, o irmão Russell proferia dois discursos, um para os irmãos, à tarde, e outro para o público, à noite, sobre o tema ‘O Além-Túmulo’.”
Em outros países o número de assembléias também aumentava. Muitas vezes eram bem pequenas. Cerca de 15 pessoas compareceram à primeira dessas na Noruega, em 1905; mas foi um começo. Seis anos mais tarde, quando o irmão Russell visitou a Noruega, fez-se esforço especial para convidar o público, e a assistência naquela ocasião foi estimada em 1.200. Em 1909, quando Russell assistiu a congressos na Escócia, ele falou a cerca de 2.000 pessoas em Glasgow e a mais 2.500 em Edimburgo sobre o intrigante tema “O Ladrão no Paraíso, o Rico no Inferno e Lázaro no Seio de Abraão”.
Na conclusão dos primeiros congressos, os irmãos realizavam o que chamavam de festa de amor, refletindo seu sentimento de fraternidade cristã. Em que consistia essa “festa de amor”? Como exemplo, os oradores se enfileiravam com pratos de pão cortado em pequenos cubos, e daí os presentes passavam em fila, participando do pão, trocavam um aperto de mão e cantavam “Bendito o Vínculo Que Une Nossos Corações em Amor Cristão”. Lágrimas de alegria não raro corriam de suas faces enquanto cantavam. Mais tarde, por causa de seu aumento numérico, eles dispensaram o aperto de mão e o partir do pão, mas concluíam com cântico e oração e, muitas vezes, com prolongados aplausos para expressar seu apreço.
Lançamento de uma campanha global de proclamação do Reino
O primeiro congresso grande depois da Primeira Guerra Mundial realizou-se em Cedar Point, Ohio (junto ao lago Erie, 96 quilômetros ao oeste de Cleveland), de 1.º a 8 de setembro de 1919. Após a morte do irmão Russell, alguns associados de destaque da organização se afastaram. Os irmãos passaram por severas provas. Mais cedo naquele ano, 1919, o presidente da Sociedade e seus associados haviam sido soltos da prisão injusta. De modo que havia vívidas expectativas. Embora a assistência do primeiro dia fosse um tanto baixa, mais congressistas chegaram em trens especiais mais tarde naquele dia. Com isso, os funcionários de hotéis que haviam oferecido acomodar os congressistas ficaram sobrecarregados. R. J. Martin e A. H. Macmillan (ambos estavam entre o grupo recém-libertado da prisão) prontificaram-se para ajudar. Trabalharam designando quartos até depois da meia-noite, e o irmão Rutherford junto com muitos outros tiveram divertidos momentos servindo quais mensageiros de hotel, carregando malas e acompanhando os irmãos até seus quartos. Havia entre todos um contagiante espírito de entusiasmo.
Esperava-se a presença de umas 2.500 pessoas. Entretanto, em todos os sentidos, o congresso superou as expectativas. Já no segundo dia, o auditório estava superlotado, e salões adicionais foram usados. Quando nem isso bastou, as sessões foram transferidas para o ar livre, num agradável arvoredo. Estavam presentes cerca de 6.000 Estudantes da Bíblia dos Estados Unidos e do Canadá.
Para o discurso principal no domingo, pelo menos 1.000 dentre o público também compareceram, elevando a assistência para 7.000 pessoas, às quais o orador falou ao ar livre sem microfone nem sistema de amplificação de som. Naquele discurso, “Esperança Para a Humanidade Angustiada”, J. F. Rutherford esclareceu que o Reino messiânico de Deus é a solução dos problemas da humanidade, e mostrou também que a Liga das Nações (que então estava sendo criada e já havia sido endossada pelo clero) não era de forma alguma a expressão política do Reino de Deus. O Register (jornal local) de Sandusky trazia uma longa reportagem sobre esse discurso público, bem como uma sinopse da atividade dos Estudantes da Bíblia. Exemplares desse jornal foram enviados aos jornais em todos os Estados Unidos e Canadá. Mas a publicidade desse congresso envolvia muito mais.
O verdadeiro clímax do congresso foi o discurso do irmão Rutherford “Comunicado aos Colaboradores”, publicado mais tarde sob o título “Anunciando o Reino”. Foi dirigido aos próprios Estudantes da Bíblia. Durante o discurso, foi esclarecido o significado das letras GA que apareciam no programa e em vários pontos do congresso. Fez-se o anúncio da publicação de uma nova revista, The Golden Age (A Idade de Ouro), como instrumento ao se dirigir a atenção das pessoas para o Reino messiânico. Depois de explicar o trabalho a ser feito, o irmão Rutherford disse à assistência: “Abre-se diante de vós a porta de oportunidade. Entrai por ela rapidamente. Lembrai-vos de que ao empreenderdes este serviço não estareis meramente fazendo promoção como representantes de uma revista, mas sois embaixadores do Rei dos reis e Senhor dos senhores, e de que desta maneira dignificada anunciais às pessoas a vindoura Idade de Ouro, o glorioso reino de nosso Senhor e Amo, pelo qual os cristãos verdadeiros têm esperado e orado por séculos.” (Veja Revelação [Apocalipse] 3:8.) Quando o orador perguntou quantos queriam participar nessa obra, a reação entusiástica foi inspiradora de ver. A assistência de 6.000 à uma pôs-se de pé. No ano seguinte, mais de 10.000 participavam no serviço de campo. O congresso inteiro teve um efeito unificador e revigorante sobre os presentes.
Três anos mais tarde, em 1922, outro congresso memorável foi realizado em Cedar Point. Foi um programa de nove dias, de 5 a 13 de setembro. Além dos congressistas dos Estados Unidos e do Canadá, alguns vieram da Europa. Houve reuniões em dez línguas. A assistência média diária foi de cerca de 10.000; e para o discurso “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão”, o público presente foi tão grande que o total da assistência quase dobrou.
Os Estudantes da Bíblia não se reuniram nesse congresso pensando que estivessem planejando trabalho a ser feito aqui na Terra por décadas à frente. De fato, disseram que aquele bem poderia ser seu último congresso geral antes da “libertação da igreja . . . para o plano celestial do reino de Deus, e deveras na real e própria presença de nosso Senhor e de nosso Deus”. Mas, por mais curto que fosse o tempo, fazer a vontade de Deus era seu principal interesse. Com isso em mente, na sexta-feira, 8 de setembro, o irmão Rutherford proferiu o notável discurso “O Reino”.
Antes disso, haviam sido colocadas em vários pontos do congresso grandes faixas com as letras ADV. Durante o discurso, o significado dessas letras se tornou claro quando o orador instou: “Sede testemunhas fiéis e verdadeiras do Senhor. Avançai na luta até que fique desolado todo vestígio de Babilônia. Proclamai a mensagem em toda a parte. O mundo precisa saber que Jeová é Deus e que Jesus Cristo é Rei dos reis e Senhor dos senhores. Este é o dia dos dias. Eis que o Rei reina! Vós sois os seus agentes de publicidade. Portanto, anunciai, anunciai, anunciai o Rei e seu reino.” Naquele instante, uma grande faixa de 11 metros de comprimento foi desdobrada diante da assistência. Nela estava o estimulante lema: “Anunciai [em inglês Advertise, representado por ADV] o Rei e o Reino.” Foi um momento emocionante. A assistência aplaudiu entusiasticamente. O idoso irmão Pfannebecker, da orquestra da assembléia, acenou com seu violino acima de sua cabeça e disse em voz alta com seu forte sotaque alemão: “Ach, Ya! Und now ve do it, no (Ah! sim. E agora vamos fazer isso, não)?” E fizeram realmente.
Quatro dias mais tarde, com o congresso ainda em andamento, o irmão Rutherford participou pessoalmente com outros congressistas na obra de proclamação do Reino de casa em casa na área num raio de 72 quilômetros do local do congresso. Mas isso não parou aí. A proclamação do Reino recebera um poderoso impulso que se faria sentir ao redor do globo. Naquele ano, mais de 17.000 trabalhadores zelosos, em 58 países, participaram em dar testemunho. Décadas mais tarde, George Gangas, que estava presente naquele congresso e que mais tarde se tornou membro do Corpo Governante, disse a respeito daquele programa em Cedar Point: “Foi algo que ficou indelevelmente escrito na minha mente e no meu coração, que jamais será esquecido enquanto eu viver.”
Marcos no crescimento espiritual
Todos os congressos têm sido ocasiões de revigoramento e instrução na Palavra de Deus. Mas alguns deles têm sido lembrados por décadas como marcos espirituais.
Sete desses ocorreram um ano após outro, de 1922 a 1928, nos Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha. Um motivo da importância desses congressos foram as poderosas resoluções adotadas, sendo que todas as sete estão alistadas no quadro na página seguinte. Embora as Testemunhas fossem relativamente poucas, distribuíram mundialmente nada menos que 45 milhões de cópias de uma resolução e 50 milhões de diversas outras, em muitas línguas. Algumas foram transmitidas por cadeias internacionais de rádio. Assim, deu-se um tremendo testemunho.
Outro congresso histórico foi realizado em Columbus, Ohio, em 1931. No domingo, 26 de julho, depois de ouvirem uma argumentação bíblica, os Estudantes da Bíblia adotaram um novo nome — Testemunhas de Jeová. Quão apropriado! É um nome que dirige atenção primária ao próprio Criador e identifica claramente a responsabilidade dos que o adoram. (Isa. 43:10-12) A adoção desse nome infundiu nos irmãos um zelo sem precedentes quais proclamadores do nome e do Reino de Deus. Conforme expresso numa carta escrita naquele ano por uma Testemunha dinamarquesa: “Oh! que nome magnífico, Testemunhas de Jeová, sim, que todos nós o sejamos.”
Em 1935, outro congresso memorável foi realizado em Washington, DC. No segundo dia desse congresso, na sexta-feira, 31 de maio, o irmão Rutherford discursou sobre a grande multidão mencionada em Revelação 7:9-17. Por mais de meio século, os Estudantes da Bíblia haviam procurado em vão identificar corretamente esse grupo. Agora, no tempo devido de Jeová e à luz dos eventos já em andamento, explicou-se que se trata de pessoas que têm a perspectiva de viver para sempre aqui mesmo na Terra. Este entendimento deu novo significado à obra de evangelização e explicou biblicamente uma importante mudança que mal começava na constituição organizacional das Testemunhas de Jeová dos tempos atuais.
O congresso em St. Louis, Missouri, EUA, em 1941, é lembrado por muitos que estiveram presentes para ouvir o discurso “Integridade”, no dia de abertura, em que o irmão Rutherford focalizou a atenção na grande questão que confronta toda a criação inteligente. Desde que fora proferido o discurso “Governante Para o Povo”, em 1928, as questões levantadas pela rebelião de Satanás haviam recebido repetida atenção. Mas agora se explicava que “a questão primária suscitada pelo desafio insolente de Satanás era e é a DOMINAÇÃO UNIVERSAL”. O reconhecimento dessa questão e a importância de manter integridade a Jeová como Soberano Universal tem sido um poderoso fator de motivação na vida dos servos de Jeová.
Em meio à Segunda Guerra Mundial, em 1942, quando alguns se perguntavam se a obra de pregação estava talvez quase terminada, o discurso público no congresso, proferido por N. H. Knorr, o recém-nomeado presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), foi “Paz — Pode Durar?”. A explicação dada nesse discurso sobre a simbólica “fera cor de escarlate”, de Revelação 17, abriu os olhos das Testemunhas de Jeová para um período após a Segunda Guerra Mundial em que haveria oportunidade de conduzir ainda mais pessoas para o Reino de Deus. Isto deu impulso a uma campanha global que, no decorrer dos anos, alcançou mais de 235 terras, e ainda não terminou.
Outro marco foi alcançado durante um congresso no Estádio Ianque, em Nova Iorque, EUA, em 2 de agosto de 1950. Nessa ocasião, uma assistência surpresa e muitíssimo feliz recebeu em primeira mão a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs (em inglês). O restante da Tradução do Novo Mundo foi lançado em etapas durante a década seguinte. Essa tradução em linguagem moderna das Escrituras Sagradas restaurou o nome pessoal de Deus no seu devido lugar em sua Palavra. Sua fidelidade ao texto nas línguas originais da Bíblia tornou-a de imenso valor para as Testemunhas de Jeová nos seus próprios estudos das Escrituras, bem como para a sua obra de evangelização.
No penúltimo dia desse congresso, F. W. Franz, então vice-presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), falou à assistência sobre “Novos Sistemas de Coisas”. Por muitos anos as Testemunhas de Jeová criam que, mesmo antes do Armagedom, alguns dos servos pré-cristãos de Jeová seriam levantados dentre os mortos para serem príncipes do novo mundo, em cumprimento do Salmo 45:16. Pode-se imaginar, pois, o efeito sobre a vasta assistência quando o orador perguntou: “Ficaria esta assembléia internacional feliz de saber que aqui, esta noite, em nosso meio, estão diversos dos prospectivos príncipes da nova terra?” Houve estrondosos e prolongados aplausos, junto com clamores de alegria. Daí, o orador mostrou que o emprego bíblico do termo traduzido por “príncipe” e o registro de fidelidade de muitos das “outras ovelhas” dos tempos atuais davam margem para crer que alguns que agora vivem poderão ser escolhidos por Jesus Cristo para serviço principesco. Explicou também que não se darão, porém, títulos àqueles a quem se confiar tal serviço. Ao concluir seu discurso, ele instou: “Avante, pois, firmemente, todos nós juntos, como sociedade do Novo Mundo!”
Houve muitos outros discursos altamente significativos nos congressos das Testemunhas de Jeová: Em 1953, “A Sociedade do Novo Mundo Atacada do Extremo Norte” foi uma explicação empolgante do significado do ataque de Gogue de Magogue, conforme descrito em Ezequiel, capítulos 38 e 39. Naquele mesmo ano, o discurso “Enchendo a Casa de Glória” emocionou os ouvintes, ao passo que viam diante de seus próprios olhos uma evidência tangível do cumprimento da promessa de Jeová, em Ageu 2:7, de trazer as coisas preciosas, as coisas desejáveis, de todas as nações para a casa de Jeová.
O mais notável congresso dos tempos modernos, porém, foi realizado em Nova Iorque, em 1958, quando mais de 250.000 pessoas superlotaram os maiores locais disponíveis para ouvir o discurso “O Reino de Deus Já Domina — Está Próximo o Fim do Mundo?”. Havia delegados de 123 países, e seus relatos ao congresso ajudaram a fortalecer os vínculos da fraternidade internacional. A fim de contribuir para o crescimento espiritual dos ali presentes e para seu uso ao ensinarem outros, foram lançadas publicações em 54 línguas naquele extraordinário congresso.
Em 1962, uma série de discursos sobre o tema “Sujeição às Autoridades Superiores” corrigiu o entendimento que as Testemunhas tinham sobre o significado de Romanos 13:1-7. Em 1964, os discursos “Passar da Morte Para a Vida” e “Dos Túmulos Para a Ressurreição” ampliaram seu apreço da grande misericórdia de Jeová manifestada na provisão da ressurreição. E muitos, muitos outros pontos altos de congressos poderiam ser citados.
Cada ano, dezenas de milhares, sim, centenas de milhares de pessoas novas comparecem aos congressos. Embora as informações apresentadas nem sempre sejam novas para a organização como um todo, não raro dão a esses novos um entendimento da vontade divina que realmente os emociona. Talvez vejam oportunidades de serviço e se sintam induzidos a apegar-se a tais, mudando seu inteiro rumo na vida.
Em muitos congressos, tem-se focalizado atenção sobre o significado de certos livros da Bíblia. Por exemplo, em 1958 e de novo em 1977, foram lançados livros encadernados dedicados ao estudo de profecias registradas pelo profeta Daniel a respeito do propósito de Deus de ter um só governo mundial com Cristo como Rei. Em 1971, deu-se atenção ao livro de Ezequiel, com sua ênfase na declaração divina: “As nações terão de saber que eu sou Jeová.” (Eze. 36:23) Em 1972, as profecias registradas por Zacarias e Ageu receberam consideração pormenorizada. Em 1963, 1969 e 1988, houve extensivos estudos sobre as emocionantes profecias de Revelação, que predizem vividamente a queda de Babilônia, a Grande, e a chegada dos gloriosos novos céus e nova terra de Deus.
Os congressos têm destacado variados temas — Aumento da Teocracia, Adoração Pura, Adoradores Unidos, Ministros Corajosos, Frutos do Espírito, Fazer Discípulos, Boas Novas Para Todas as Nações, Nome Divino, Soberania Divina, Serviço Sagrado, Fé Vitoriosa, Lealdade ao Reino, Mantenedores da Integridade, Confiança em Jeová, Devoção Piedosa, Portadores de Luz e muitos mais. Cada um desses tem contribuído para o crescimento espiritual da organização e de seus associados.
Estímulo à evangelização
Congressos grandes, bem como assembléias menores, têm sido fonte de muito encorajamento em relação com a pregação das boas novas. Discursos e demonstrações têm fornecido instrução prática. Sempre constam do programa experiências do ministério de campo, bem como as relatadas por pessoas recentemente ajudadas a aprender a verdade bíblica. Além disso, foi muito proveitoso o próprio serviço de campo que por muitos anos se fazia durante os congressos. Dava um excelente testemunho na cidade do congresso e era uma fonte de grande encorajamento para as próprias Testemunhas.
O serviço de campo fazia parte da programada atividade do congresso em Winnipeg, Manitoba, no Canadá, em janeiro de 1922. Foi também programado para o congresso geral realizado em Cedar Point, Ohio, EUA, mais tarde naquele ano. Depois disso, tornou-se costumeiro reservar um dia, parte de um dia ou partes de vários dias para os congressistas participarem juntos na atividade de pregação na própria cidade do congresso e arredores. Nas grandes áreas metropolitanas, isto dava às pessoas que talvez fossem raras vezes contatadas pelas Testemunhas uma oportunidade de ouvirem as boas novas a respeito do propósito de Deus de dar vida eterna aos que amam a justiça.
Na Dinamarca, o primeiro de tais dias de serviço de campo num congresso foi programado em 1925, quando de 400 a 500 pessoas se reuniram em Nørrevold. Muitos dos 275 que participaram no serviço de campo naquele congresso o faziam pela primeira vez. Alguns estavam apreensivos. Mas, depois de experimentarem, tornaram-se evangelizadores entusiásticos também nos lugares em que moravam. Depois desse congresso e até o fim da Segunda Guerra Mundial, houve na Dinamarca muitas assembléias de um dia com serviço de campo, e os irmãos foram convidados de cidades circunvizinhas. Era evidente o incrementado zelo ao passo que participavam unidamente no ministério e daí se reuniam para ouvir discursos. Similares assembléias de serviço — mas de dois dias de duração — foram realizadas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.
Nos congressos maiores, a atividade de campo dos congressistas não raro era de grandes proporções. A partir de 1936, o discurso público dos congressos era anunciado por ordeiros desfiles de Testemunhas que usavam cartazes e distribuíam convites. (Esses cartazes eram inicialmente chamados de “anúncios-sanduíches”, porque eram usados um na frente e outro nas costas.) Às vezes, mil ou mais Testemunhas participavam nesses desfiles em determinado congresso. Outros faziam as costumeiras visitas de casa em casa, convidando a todos a vir e ouvir o programa. Era muito encorajador para as Testemunhas trabalhar com outros e ver centenas, até mesmo milhares, de outras Testemunhas participar no ministério. Ao mesmo tempo, o público, dentro de um considerável raio, vinha a saber que as Testemunhas de Jeová estavam na cidade; as pessoas tinham a oportunidade de ouvir pessoalmente os ensinamentos das Testemunhas e observar a sua conduta.
Os discursos proferidos nos congressos muitas vezes eram ouvidos por muito mais pessoas do que as na assistência visível. Quando o irmão Rutherford, num congresso em Toronto, Canadá, em 1927, proferiu o discurso “Liberdade dos Povos”, esse foi transmitido por uma histórica cadeia de 53 estações de rádio para uma vasta audiência internacional de radiouvintes. No ano seguinte, de Detroit, Michigan (EUA), o discurso “Governante Para o Povo” foi transmitido pelo dobro do número de estações, e por ondas curtas foi levado ao ar para ouvintes até as distantes Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.
Em 1931, grandes cadeias de rádio recusaram-se a cooperar com os planos de transmissão de um discurso de congresso do irmão Rutherford; portanto, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), operando com a Companhia Telefônica e Telegráfica Americana, formou a sua própria cadeia de 163 estações, incluindo a maior cadeia de transmissão por fio já levada ao ar, para transmitir a mensagem “O Reino, a Esperança do Mundo”. Além disso, mais de 300 outras emissoras em muitas partes do mundo transmitiram o programa por meio de gravações fonográficas.
No congresso em Washington, DC, em 1935, o irmão Rutherford falou sobre o tema “Governo”, chamando vigorosamente atenção para o fato de que o Reino de Jeová sob Cristo logo substituirá todos os governos humanos. Mais de 20.000 no Auditório de Washington o ouviram. O discurso foi também transmitido por rádio e por linhas telefônicas ao redor do globo, chegando à América Central e do Sul, Europa, África do Sul, ilhas do Pacífico e terras do Oriente. Os que ouviram o discurso deste modo bem podem ter sido milhões. Dois destacados jornais de Washington quebraram seus compromissos de publicar o discurso. Mas os irmãos prepararam carros com alto-falantes em 3 pontos da cidade e em 40 outros lugares nas imediações de Washington, e através desses o discurso foi retransmitido a calculadamente mais de 120.000 pessoas.
Depois, em 1938, do Royal Albert Hall, em Londres, Inglaterra, o discurso franco “Encare os Factos” foi transmitido a umas 50 cidades de congresso ao redor do globo, com uma assistência total de cerca de 200.000. Além disso, uma vasta audiência ouviu esse discurso por transmissão radiofônica.
Assim, embora as Testemunhas de Jeová fossem relativamente poucas, seus congressos desempenharam um papel importante na proclamação pública da mensagem do Reino.
Congressos pós-guerra na Europa
Para os que estiveram presentes, alguns congressos se destacaram de todos os demais. Foi assim nos realizados na Europa logo após a Segunda Guerra Mundial.
Um desses congressos foi realizado em Amsterdã, nos Países Baixos (Holanda), em 5 de agosto de 1945, menos de quatro meses depois de as Testemunhas de Jeová terem sido soltas dos campos de concentração alemães. Esperavam-se uns 2.500 congressistas; 2.000 desses precisariam de hospedagem. Para atender a necessidade de lugares para pernoite, as Testemunhas locais espalharam palha no chão de suas casas. Os congressistas afluíram de todas as direções, usando todos os meios possíveis de transporte — navio, caminhão, bicicleta, e alguns pedindo carona.
No congresso, riam e choravam, cantavam e agradeciam a Jeová a sua bondade. Como disse um dos ali presentes: “Tinham a indizível alegria de uma organização teocrática que acabava de ser libertada dos grilhões!” Antes da guerra, havia menos de 500 Testemunhas nos Países Baixos. Ao todo, 426 Testemunhas foram detidas e lançadas na prisão; destas, 117 morreram em resultado direto da perseguição. Que alegria foi quando alguns na assembléia encontraram entes queridos que julgavam estivessem mortos! Outros verteram lágrimas ao procurarem em vão. Naquela noite, 4.000 ouviram com detida atenção o discurso público que explicava por que as Testemunhas de Jeová haviam sido alvo de tão intensa perseguição. Apesar daquilo que haviam sofrido, organizavam-se para prosseguir com a obra que Deus lhes dera para fazer.
No ano seguinte, 1946, os irmãos na Alemanha programaram um congresso em Nurembergue. Foi-lhes concedido o uso do Zeppelinwiese, outrora lugar para os desfiles de Hitler. No segundo dia do congresso, Erich Frost, que havia pessoalmente experimentado a brutalidade da Gestapo e passara muitos anos num campo de concentração nazista, proferiu o discurso público “Cristãos no Crisol”. Às 6.000 Testemunhas presentes na ocasião juntaram-se 3.000 do público de Nurembergue.
O último dia desse congresso era o mesmo em que seriam anunciadas ali em Nurembergue as sentenças dos julgamentos por crimes de guerra. As autoridades militares decretaram toque de recolher para aquele dia, mas, depois de prolongadas negociações, concordaram que, devido à posição que as Testemunhas de Jeová haviam adotado em face da oposição nazista, seria impróprio impedir-lhes de concluir em paz o seu congresso. Assim, naquele último dia, os irmãos se reuniram para ouvir o empolgante discurso “Destemidos Apesar de Conspiração Mundial”.
Eles viram a mão de Jeová naquilo que ocorria. No mesmo instante em que homens que representavam um regime que tentara exterminá-las estavam sendo sentenciados, as Testemunhas de Jeová se reuniam para adorar a Jeová no lugar onde Hitler exibira algumas das mais espetaculares demonstrações do poder nazista. Disse o presidente do congresso: “Só o fato de poder presenciar este dia, que é apenas um antegosto do triunfo do povo de Deus sobre seus inimigos na batalha do Armagedom, valeu a pena eu ter passado nove anos nos campos de concentração.”
Outros congressos memoráveis
Com a expansão da atividade das Testemunhas de Jeová, realizaram-se congressos ao redor da Terra. Todos tiveram aspectos notáveis para os que compareceram.
Em Kitwe, Rodésia do Norte (hoje Zâmbia), no centro do cinturão do cobre, programou-se um congresso que coincidia com a visita do presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) em 1952. Foi realizado numa grande área nas imediações de um campo de mineração, num lugar hoje chamado Chamboli. Um cupinzeiro abandonado foi nivelado e construiu-se ali um abrigo com telhado de colmo para servir de tribuna. Outros abrigos-dormitórios com telhado de colmo, de dois andares, se estendiam por 180 metros da principal área de assentos como os raios de uma roda. Homens e meninos dormiram em alguns; as mulheres e as meninas, em outros. Alguns dos congressistas haviam viajado duas semanas de bicicleta. Outros haviam caminhado durante vários dias e completado a viagem num ônibus antigo.
A assistência ficou muito atenta durante as sessões, embora os assentos fossem duros bancos de bambu e ao ar livre. Eles vieram para ouvir, e não queriam perder nenhuma palavra. O entoar de cânticos daquela assistência de 20.000 pessoas provocou lágrimas — era muito bonito. Não havia acompanhamento de instrumentos musicais, mas era encantadora a harmonia das vozes. Não só no seu cantar, mas de todas as formas, a união era evidente entre essas Testemunhas, apesar de serem de muitas culturas e tribos diferentes.
Pode também imaginar os sentimentos das Testemunhas de Jeová em Portugal quando, depois de lutarem pela liberdade de adoração por quase 50 anos, elas obtiveram reconhecimento legal em 18 de dezembro de 1974. Naquela época somavam apenas cerca de 14.000. Em poucos dias, 7.586 superlotaram um pavilhão de esportes em Porto. No dia seguinte, mais 39.284 superlotaram um estádio de futebol em Lisboa. Os irmãos Knorr e Franz estavam com eles nessa ocasião feliz, que muitos jamais esquecerão.
Organização de reuniões internacionais
Por bem mais de meio século, as Testemunhas de Jeová têm realizado grandes congressos simultaneamente em muitas cidades de muitos países. Sentem mais intensamente sua fraternidade internacional nessas ocasiões quando todos podem ouvir os discursos principais a partir de uma cidade-chave.
Não foi senão em 1946, porém, que um grande congresso internacional reuniu numa só cidade congressistas de muitas partes da Terra. Isto se deu em Cleveland, Ohio. Embora ainda fosse difícil viajar no período pós-guerra, a assistência chegou a 80.000 pessoas, incluindo 302 congressistas de 32 países fora dos Estados Unidos. Foram realizadas sessões em 20 línguas. Deu-se muita instrução prática visando a expansão da obra de evangelização. Um dos pontos altos do congresso foi o discurso do irmão Knorr sobre problemas de reconstrução e expansão. A assistência aplaudiu entusiasticamente ao ouvir sobre planos de ampliação da gráfica e dos escritórios da sede da Sociedade, bem como das instalações de sua emissora de rádio, de abertura de filiais nos principais países do mundo, e de expansão do serviço missionário. Imediatamente depois desse congresso, foram acertados os pormenores para os irmãos Knorr e Henschel partirem numa viagem ao redor do mundo para implantarem o que havia sido considerado.
Nos anos que se seguiram, foram realizados no Estádio Ianque, na cidade de Nova Iorque, congressos que realmente marcaram época. No primeiro desses, de 30 de julho a 6 de agosto de 1950, havia congressistas de 67 países. Estavam incluídos no programa breves relatórios de servos de filial, missionários e outros congressistas. Estes deram ao congresso emocionantes relances da intensa obra de evangelização que se fazia em todas as terras donde vieram. No último dia, a assistência aumentou para 123.707 no discurso “Podeis Viver Para Sempre em Felicidade na Terra?”. O tema do congresso foi “Aumento da Teocracia”. Chamou-se atenção para os grandes aumentos. Contudo, como o presidente do congresso, Grant Suiter, enfaticamente explicou, isto não era em louvor a cérebros brilhantes dentro da organização visível. Antes, declarou ele: “A nova força numérica se dedica à honra de Jeová. É assim que deve ser, e não queremos que seja de outra forma.”
Em 1953, realizou-se outro congresso no Estádio Ianque, em Nova Iorque. A assistência desta vez chegou ao auge de 165.829. Como no caso do primeiro congresso ali, o programa estava repleto de palestras sobre emocionantes profecias bíblicas, conselhos práticos sobre como pregar as boas novas e relatórios de muitos países. Embora as sessões começassem por volta das 9h30, em geral não terminavam senão às 21 horas ou às 21h30. O congresso proporcionou oito dias inteiros de feliz banquete espiritual.
Para o seu maior congresso, em Nova Iorque, em 1958, foi necessário usar não só o Estádio Ianque, mas também o vizinho Campo de Pólo, além de áreas fora dos estádios, para acomodar as multidões. No último dia, quando todos os assentos estavam ocupados, concedeu-se permissão especial para usar até mesmo o campo de jogos do Estádio Ianque, e que vista emocionante foi quando milhares entraram ali, tirando os sapatos e sentando-se no gramado! A contagem indicou 253.922 pessoas presentes para ouvir o discurso público. Uma evidência adicional da bênção de Jeová sobre o ministério de seus servos foi vista quando 7.136 pessoas neste congresso simbolizaram a sua dedicação pela imersão em água — bem mais do dobro do número dos que foram batizados na ocasião histórica do Pentecostes de 33 EC, segundo relatado na Bíblia! — Atos 2:41.
A inteira operação desses congressos deu evidência de muito mais do que organização eficiente. Era uma manifestação do espírito de Deus em operação entre seu povo. O amor fraterno, que tem por base o amor a Deus, estava evidente em toda a parte. Não havia organizadores altamente assalariados. Todos os departamentos funcionavam por meio de voluntários não-remunerados. Irmãos e irmãs cristãos, muitas vezes famílias, atendiam nos balcões de lanches. Preparavam também refeições quentes e, em enormes tendas fora do estádio, serviam os congressistas no ritmo de mil refeições por minuto. Dezenas de milhares — todos eles alegres de terem parte na obra — serviram quais indicadores, cuidaram de toda a construção necessária, prepararam e serviram refeições, fizeram limpeza e muito mais coisas.
Outros voluntários dedicaram centenas de milhares de horas para cuidar das necessidades de hospedagem dos congressistas. Em alguns anos, para acomodar pelo menos parte dos congressistas, foram organizadas cidades de carros-reboque e de tendas. Em 1953, as Testemunhas fizeram a colheita de 16 hectares de cereal gratuitamente para um fazendeiro de Nova Jérsei que cedeu o uso de suas terras para a cidade de carros-reboque das Testemunhas de Jeová. Fizeram-se instalações sanitárias, elétricas, de chuveiros, lavanderias, restaurante e mercearias, tudo isso para uma população de mais de 45.000 pessoas. Ao se mudarem para lá, surgiu uma cidade da noite para o dia. Dezenas de outros milhares foram hospedados em hotéis e em residências em Nova Iorque e arredores. Foi um empreendimento gigantesco. Com a bênção de Jeová, foi efetuado com êxito.
Congressos itinerantes
Os membros desta fraternidade internacional estão profundamente interessados nas suas co-Testemunhas em outros países. Em resultado disso, têm aproveitado as oportunidades de assistir a congressos em outros países.
Quando a primeira da série Assembléias Adoração Pura se reuniu no Estádio Wembley, em Londres, Inglaterra, em 1951, Testemunhas de 40 países estavam presentes. O programa salientava o lado prático da adoração verdadeira e fazer do ministério uma carreira vitalícia. Da Inglaterra, muitas Testemunhas viajaram para o Continente, onde mais nove congressos seriam realizados nos dois meses seguintes. O maior desses foi em Frankfurt am Main, Alemanha, onde 47.432 pessoas compareceram, procedentes de 24 países. A cordialidade dos irmãos foi demonstrada no encerramento do programa quando a orquestra começou a tocar e os irmãos alemães entoaram espontaneamente um cântico de despedida, encomendando a Deus suas co-Testemunhas que tinham vindo do exterior para se reunir com eles. Acenou-se com lenços, e centenas de congressistas afluíram para o outro lado do campo para expressar pessoalmente agradecimentos por este grandioso festival teocrático.
Em 1955, mais Testemunhas programaram visitar seus irmãos cristãos no exterior por ocasião dos congressos. Em dois navios fretados (cada um com 700 passageiros) e em 42 aviões fretados, congressistas dos Estados Unidos e do Canadá foram à Europa. A edição européia do jornal The Stars and Stripes, publicada na Alemanha, descrevia a afluência de Testemunhas como “provavelmente o maior movimento de massas de americanos na Europa desde a invasão dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial”. Outros congressistas vieram da América Central e do Sul, da Ásia, da África e da Austrália. Apesar dos esforços do clero da cristandade de impedir que as Testemunhas realizassem congressos em Roma e em Nurembergue, estes dois e mais seis outros foram realizados na Europa naquele verão. As assistências variavam de 4.351 em Roma a 107.423 em Nurembergue. Outro grupo de 17.729 se reuniu em Waldbühne, na então chamada Berlim Ocidental, aonde os irmãos da zona Leste daquela época podiam ir com menos riscos. Muitos desses haviam estado na prisão por causa de sua fé ou tinham membros de sua família que naquele tempo estavam presos, mas ainda estavam firmes na fé. Quão apropriado foi o tema do congresso — “Reino Triunfante”!
Embora já tivessem sido realizados muitos congressos internacionais, o que aconteceu em 1963 foi algo inédito. Foi um congresso ao redor do mundo. Começando em Milwaukee, Wisconsin, nos Estados Unidos, passou para Nova Iorque; a seguir, para quatro cidades grandes da Europa; para o Oriente Médio; para a Índia, Birmânia (agora Mianmar), Tailândia, Hong Kong, Cingapura, Filipinas, Indonésia, Austrália, Taiwan (Formosa), Japão, Nova Zelândia, Fiji, República da Coréia e Havaí; e, depois, de volta ao continente norte-americano. Ao todo, estiveram presentes congressistas de 161 terras. A assistência total ultrapassou 580.000. Houve 583 pessoas de uns 20 países que viajaram com o congresso, assistindo num país após outro, fazendo uma completa volta no globo. Excursões especiais os habilitaram a ver lugares de interesse religioso, e também participaram com os irmãos e as irmãs locais no ministério de casa em casa. Esses viajantes custearam suas próprias despesas.
Os congressistas latino-americanos foram bem representados na maioria desses congressos internacionais. Mas em 1966-67, foi a sua vez de receber congressistas. Os que compareceram jamais esquecerão o drama que fez viver o relato sobre Jeremias, e isso ajudou todos a apreciar seu significado para os nossos dias.a Foram fortalecidos os vínculos de amor cristão ao passo que os visitantes viam pessoalmente o cenário de uma vasta campanha de educação bíblica que está sendo levada a efeito na América Latina. Ficaram profundamente comovidos pela forte fé demonstrada pelos seus concrentes, muitos dos quais venceram obstáculos aparentemente intransponíveis — oposição da família, enchentes, perda de bens — para estarem presentes. Foram muito encorajados por experiências tais como a de uma franzina pioneira especial uruguaia que foi entrevistada e que tinha consigo na tribuna muitas das 80 pessoas que ela já ajudara a progredir até o batismo cristão! (Em 1992, ela tinha ajudado 105 pessoas até o batismo. Ainda era franzina e ainda pioneira especial!) Quão animador também foi encontrar missionários das primeiras turmas de Gileade ainda ativos em suas designações! Esses congressos foram um excelente estímulo para a obra naquela parte do mundo. Em muitos desses países, há atualmente 10, 15 ou até 20 vezes mais louvadores de Jeová do que naquela época.
Alguns anos mais tarde, em 1970-71, foi possível as Testemunhas de outros países associarem-se com seus irmãos em congressos internacionais na África. O maior desses foi em Lagos, na Nigéria, onde foi preciso construir todas as instalações desde a estaca zero. Para proteger os congressistas contra o sol ardente, construiu-se uma cidade de bambu — áreas para se sentar, dormitórios, restaurante e outros departamentos. Isto requereu 100.000 varas de bambu e 36.000 esteiras grandes — tudo preparado por irmãos e irmãs. O programa foi apresentado simultaneamente em 17 línguas. A assistência chegou a 121.128, e 3.775 novas Testemunhas foram batizadas. Numerosos grupos tribais estavam representados, e muitos dos que estavam presentes costumavam guerrear uns contra os outros. Mas agora, que alegria era vê-los unidos em vínculos de genuína fraternidade cristã!
Depois do congresso, alguns dos congressistas estrangeiros viajaram de ônibus para Ibolândia, a fim de verem a área mais gravemente afetada pela recente guerra civil. Grande foi a sensação causada numa cidade após outra ao passo que os visitantes eram cumprimentados e abraçados pelas Testemunhas locais. As pessoas corriam para as ruas para observar. Tal demonstração de amor e união entre negros e brancos foi algo que nunca antes haviam visto.
Em certos países, o número de Testemunhas de Jeová lhes impossibilita reunir-se num só lugar. Entretanto, ocasionalmente, diversos congressos grandes foram realizados ao mesmo tempo, seguidos por outros, semana após semana. Em 1969, a união sentida nos congressos assim programados ficou em evidência pelo fato de que alguns dos oradores principais viajavam de um congresso a outro de avião, proferindo discursos em todos eles. Em 1983 e 1988, uma união similar foi sentida quando diversos congressos grandes que empregavam o mesmo idioma foram ligados, até internacionalmente, por transmissão telefônica nos discursos-chaves proferidos por membros do Corpo Governante. A verdadeira base de união entre as Testemunhas de Jeová, porém, é que todos adoram a Jeová como o único Deus verdadeiro, todos se apegam à Bíblia como guia, todos se beneficiam do mesmo programa de alimentação espiritual, todos olham para Jesus Cristo como seu Líder, todos procuram manifestar os frutos do espírito de Deus em sua vida, todos confiam no Reino de Deus e todos participam em levar a outros as boas novas desse Reino.
Organizados para louvor internacional a Jeová
As Testemunhas de Jeová têm aumentado em número, a ponto de ultrapassarem a população de dezenas de nações. Para que seus congressos produzam o maior benefício, há necessidade de muito planejamento meticuloso. Entretanto, simples solicitações por escrito quanto a em que lugar Testemunhas de determinadas áreas deverão assistir é geralmente o que basta para assegurar que haja amplo espaço para todos. Quando se planejam congressos internacionais, é agora muitas vezes necessário o Corpo Governante considerar não só o número de Testemunhas de outros países que gostariam de ir e que estão em condições de fazer isso, mas também o tamanho dos locais de congresso disponíveis, o número de Testemunhas locais que estarão presentes e a disponibilidade de acomodações para os congressistas; daí, pode-se estimar um número máximo para cada país. Assim se deu no caso dos três Congressos “Devoção Piedosa” realizados na Polônia em 1989.
Esperavam-se para esses congressos cerca de 90.000 Testemunhas de Jeová da Polônia além de milhares de pessoas recém-interessadas. Muitos foram também convidados da Grã-Bretanha, do Canadá e dos Estados Unidos. Grandes delegações vieram da Itália, França e Japão. Outros vieram da Escandinávia e da Grécia. No mínimo 37 países estavam representados. Em certas partes do programa, foi necessário interpretar discursos proferidos em polonês ou em inglês para 16 outras línguas. A assistência total foi de 166.518.
Grandes grupos de Testemunhas nesses congressos vieram da outrora União Soviética e Tchecoslováquia; também estavam presentes grandes grupos procedentes de outros países do Leste Europeu. Os hotéis e os dormitórios em escolas não podiam acomodar a todos. Hospitaleiramente, as Testemunhas polonesas abriram seu coração e seu lar, partilhando alegremente o que possuíam. Uma congregação de 146 membros forneceu acomodações para mais de 1.200 congressistas. Alguns que assistiram a esses congressos nunca antes haviam estado numa reunião com mais de 15 ou 20 dos do povo de Jeová. Seus corações se encheram de apreço ao verem dezenas de milhares de pessoas à sua volta nos estádios, ao se unirem a elas em oração e unirem suas vozes em cânticos de louvor a Jeová. Quando se misturavam nos intervalos, havia calorosos abraços, mesmo quando a diferença de idioma muitas vezes os impedia de dizer em palavras o que tinham no coração.
Ao terminar o congresso, seus corações transbordavam de gratidão a Jeová, que tornou tudo isso possível. Em Varsóvia, depois dos comentários de despedida do presidente da sessão, a assistência irrompeu em aplausos que duraram por pelo menos dez minutos. Depois do cântico e oração finais, houve novos aplausos, e a assistência permaneceu nas arquibancadas por muito tempo. Eles haviam esperado por muitos anos esta ocasião, e não queriam que terminasse.
No ano seguinte, 1990, menos de cinco meses depois de ter sido sustada uma proscrição de 40 anos contra as Testemunhas de Jeová, no que era então a Alemanha Oriental, outro emocionante congresso internacional foi realizado, desta vez em Berlim. Entre os 44.532 presentes havia congressistas de 65 países. De alguns países, só uns poucos vieram; da Polônia, uns 4.500. Não há palavras para expressar os profundos sentimentos dos que nunca antes tinham tido liberdade de assistir a um congresso assim, e, quando a assistência inteira se unia em cânticos de louvor a Jeová, não conseguiam conter as lágrimas de alegria.
Mais tarde naquele ano, quando um congresso similar foi realizado em São Paulo, Brasil, foi necessário usar dois grandes estádios para acomodar a assistência internacional de 134.406 pessoas. Isto foi seguido de um congresso na Argentina, onde também foram usados dois estádios simultaneamente para acomodar a assistência internacional. Ao começar o ano de 1991, outros congressos internacionais estavam sendo realizados nas Filipinas, em Taiwan e na Tailândia. Grandes assistências, de muitas nações, estavam também presentes naquele ano nos congressos na Europa Oriental — Hungria, antiga Tchecoslováquia e onde agora é a Croácia. E em 1992, congressistas de 28 países consideraram um privilégio especial estar entre os 46.214 em S. Petersburgo por ocasião do primeiro congresso realmente internacional das Testemunhas de Jeová na Rússia.
Oportunidades de revigoramento espiritual regular
Nem todos os congressos realizados pelas Testemunhas de Jeová são reuniões internacionais. Entretanto, o Corpo Governante programa congressos grandes uma vez por ano, e o mesmo programa é apresentado mundialmente em muitos idiomas. Esses congressos podem ser bem grandes, fornecendo oportunidade de companheirismo com outras Testemunhas de muitos lugares, ou podem ser menores e realizados em muitas cidades, tornando mais fácil aos novos assistir a eles e possibilitando ao público em centenas de cidades menores ver de perto o perfil de um grande grupo representativo de Testemunhas de Jeová.
Além disso, uma vez por ano, cada circuito (em geral composto de umas 20 congregações) se reúne para um programa de dois dias de conselhos espirituais e encorajamento.b Também, desde setembro de 1987, uma assembléia especial de um dia, com um programa edificante de um dia, é programada para cada circuito uma vez por ano. Quando possível, um membro da sede da Sociedade ou alguém da filial local é enviado para participar no programa. Esses programas são grandemente apreciados pelas Testemunhas de Jeová. Em muitas áreas, o local da assembléia não fica longe nem é de difícil acesso. Mas nem sempre isso se dá. Um superintendente viajante recorda-se de um casal idoso que caminhou 76 quilômetros, carregando malas e cobertores, para assistir a uma assembléia de circuito em Zimbábue.
O serviço de campo durante o congresso não faz mais parte de todas essas assembléias, mas isso não se dá porque as Testemunhas de alguma forma considerem isso menos importante. Na maioria dos casos, as pessoas que residem perto dos locais de assembléia estão sendo visitadas agora regularmente pelas Testemunhas locais — em alguns casos, a cada poucas semanas. Os congressistas mantêm-se alertas a oportunidades de testemunho informal, e a sua conduta cristã também é um poderoso testemunho.
Evidência de verdadeira fraternidade
A fraternidade demonstrada entre as Testemunhas nos seus congressos é prontamente evidente aos observadores. Podem perceber que não há parcialidade entre elas e que a cordialidade genuína é evidente mesmo entre os que talvez se estejam encontrando pela primeira vez. Por ocasião da Assembléia Internacional da Vontade Divina, em Nova Iorque, em 1958, o Amsterdam News (de 2 de agosto) de Nova Iorque noticiava: “Em toda a parte, negros, brancos e orientais, de todas as camadas sociais e de todas as partes do mundo, misturam-se alegre e livremente. . . . Testemunhas devotas, procedentes de 120 países, têm vivido e adorado unidamente e em paz, mostrando aos americanos quão fácil é fazer isso. . . . A Assembléia é um exemplo brilhante de como pessoas podem trabalhar e viver juntas.”
Mais recentemente, quando as Testemunhas de Jeová realizaram congressos simultâneos em Durban e Johanesburgo, África do Sul, em 1985, as delegações incluíam todos os principais grupos raciais e lingüísticos da África do Sul, bem como representantes de 23 outras terras. O cordial companheirismo entre as 77.830 pessoas na assistência era bem evidente. “É lindo”, disse uma jovem senhora indiana. “Ver mestiços, indianos, brancos e negros, todos se misturando, mudou toda a minha perspectiva da vida.”
Este sentimento de fraternidade vai além dos sorrisos, de um aperto de mão e de chamar uns aos outros de “irmão” e “irmã”. Como exemplo, quando se faziam os preparativos para a realização no mundo inteiro da Assembléia “Boas Novas Eternas”, em 1963, as Testemunhas de Jeová foram informadas de que se desejassem ajudar outros financeiramente a assistir a um congresso a Sociedade teria a satisfação de cuidar de que os fundos beneficiassem irmãos de todas as partes da Terra. Não se fez solicitação, e nada foi descontado para despesas administrativas. Os fundos foram totalmente usados para o fim declarado. Deste modo, 8.179 foram ajudados a assistir ao congresso. Congressistas de todos os países da América Central e do Sul receberam ajuda, bem como milhares da África e muitos do Oriente Médio e do Extremo Oriente. Boa parte dos que receberam ajuda eram irmãos e irmãs que haviam dedicado muitos anos ao ministério de tempo integral.
Em fins de 1978, programou-se um congresso em Auckland, Nova Zelândia. Testemunhas das ilhas Cook sabiam a respeito e ansiavam comparecer. Mas a situação econômica nas ilhas era tal que a viagem teria custado uma pequena fortuna a cada uma delas. Entretanto, amorosos irmãos e irmãs espirituais na Nova Zelândia contribuíram com passagens de ida e volta para uns 60 ilhéus. Quão felizes se sentiram de estar presentes para participar do banquete espiritual com seus irmãos maoris, samoanos, niueanos e caucasianos!
Típico do espírito entre as Testemunhas de Jeová foi o que aconteceu no fim do Congresso de Distrito “Justiça Divina”, em Montreal, Canadá, em 1988. Por quatro dias os congressistas de língua árabe, espanhola, francesa, grega, inglesa, italiana e portuguesa haviam tido o mesmo programa, mas em suas próprias línguas. Entretanto, no fim da sessão concludente, todos os 45.000 se reuniram no Estádio Olímpico, numa comovente demonstração de fraternidade e união de propósito. Cantaram juntos, cada grupo em sua própria língua: “Cantai a Jah . . . Jeová é Rei. Rejubilai.”
[Nota(s) de rodapé]
a Mais setenta desses dramas foram encenados nos congressos nos 25 anos que se seguiram.
b De 1947 a 1987, estas assembléias eram realizadas duas vezes por ano. Até 1972, eram de três dias; depois, instituiu-se um programa de dois dias.
[Destaque na página 255]
“Impressionou-me muito o espírito de amor e bondade fraterna.”
[Destaque na página 256]
Trens para os congressos — todos a bordo!
[Destaque na página 275]
Não eram altamente assalariados organizadores de congressos, mas voluntários não remunerados.
[Destaque na página 278]
União entre negros e brancos
[Foto na página 256]
Congressistas no congresso da IBSA (Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia) em Winnipeg, Manitoba, Canadá, em 1917
[Fotos na página 258]
J. F. Rutherford falando em Cedar Point, Ohio, em 1919. Instou todos a participar zelosamente em anunciar o Reino de Deus, usando a revista “The Golden Age”.
[Foto na página 259]
Congresso em Cedar Point, em 1922. Fez-se a convocação: “Anunciai o Rei e o Reino.”
[Foto na página 260]
George Gangas estava em Cedar Point em 1922. Por cerca de 70 anos desde então, ele tem proclamado zelosamente o Reino de Deus.
[Foto nas páginas 262, 263]
Congressistas no congresso de 1931 em Columbus, Ohio, que entusiasticamente adotaram o nome Testemunhas de Jeová.
[Fotos na página 264]
A “Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs” sendo lançada por N. H. Knorr em 1950.
Discursos de F. W. Franz sobre o cumprimento de profecias bíblicas foram destaques do congresso (Nova Iorque, 1958).
[Fotos na página 265]
Por muitos anos, o serviço de campo era um aspecto destacado de todos os congressos.
Los Angeles, EUA, 1939 (embaixo); Estocolmo, Suécia, 1963 (foto menor)
[Fotos na página 266]
Quando J. F. Rutherford falou em Washington, DC, em 1935, a mensagem foi transmitida por rádio e linhas telefônicas a seis continentes.
[Foto na página 268]
Em Nurembergue, Alemanha, em 1946, Erich Frost proferiu o ardente discurso “Cristãos no Crisol”.
[Foto na página 269]
Congresso ao ar livre em Kitwe, Rodésia do Norte, durante a visita de N. H. Knorr em 1952
[Fotos nas páginas 270, 271]
Em 1958, uma assistência de 253.922, superlotando dois grandes estádios em Nova Iorque, ouviu a mensagem “O Reino de Deus Já Domina — Está Próximo o Fim do Mundo?”
Campo de Pólo
Estádio Ianque
[Fotos na página 274]
Grant Suiter, presidente do congresso no Estádio Ianque, em 1950.
John Groh (sentado), considerando a organização do congresso com George Couch em 1958.
[Fotos na página 277]
Em 1963, realizou-se um congresso em volta ao mundo, com congressistas de uns 20 países que viajaram em volta do globo com o congresso.
Kyoto, Japão (embaixo, à esquerda) foi uma das 27 cidades do congresso. Congressistas na República da Coréia se conheceram (centro). Cumprimento à moda dos maoris na Nova Zelândia (embaixo, à direita)
[Fotos na página 279]
Um congresso que serviu 17 grupos lingüísticos simultaneamente numa ‘cidade’ de bambu, construída para essa ocasião (Lagos, Nigéria, 1970).
[Fotos na página 280]
Três grandes congressos foram realizados na Polônia em 1989, com congressistas de 37 países.
T. Jaracz (à direita) falou aos congressistas em Poznan.
Milhares foram batizados em Chorzów.
A assistência aplaudiu prolongadamente em Varsóvia.
Congressistas da antiga URSS (embaixo)
Partes do programa, em Chorzów, foram traduzidas em 15 línguas.
[Foto/Quadro na página 261]
Sete importantes resoluções em congressos
Em 1922, a resolução intitulada “Um Desafio aos Líderes do Mundo” convidava-os a provar que os humanos têm a sabedoria para governar esta Terra ou então admitir que a paz, a vida, a liberdade e a felicidade eterna só podem vir de Jeová por intermédio de Jesus Cristo.
Em 1923, deu-se o “Aviso a Todos os Cristãos” sobre a urgente necessidade de fugirem das organizações que fraudulosamente afirmam representar a Deus e a Cristo.
Em 1924, “Acusados os Eclesiásticos” expunha as doutrinas e práticas antibíblicas do clero da cristandade.
Em 1925, “Mensagem de Esperança” mostrava por que os que afirmam ser luzes orientadoras do mundo deixaram de satisfazer as maiores necessidades do homem, e como somente o Reino de Deus pode fazer isso.
Em 1926, “Um Testemunho aos Governantes do Mundo” avisou-os de que Jeová é o único Deus verdadeiro e que Jesus Cristo domina agora como legítimo Rei da Terra. Instava os governantes a usar sua influência para voltar a mente das pessoas para o Deus verdadeiro, a fim de que não lhes sobreviesse a calamidade.
Em 1927, a “Resolução aos Povos da Cristandade” expunha a combinação comércio-política-religião que oprime a humanidade. Instava as pessoas a abandonar a cristandade e confiar em Jeová e em seu Reino às mãos de Cristo.
Em 1928, a “Declaração Contra Satanás e a Favor de Jeová” tornava claro que o ungido Rei de Jeová, Jesus Cristo, em breve restringirá a Satanás e destruirá sua organização maligna, e instava todos os amantes da justiça a se colocarem do lado de Jeová.
[Fotos/Quadro nas página 272, 273]
Cenas de alguns dos grandes congressos
Centenas de entusiásticos congressistas vieram de navio, milhares de avião e dezenas de milhares de automóvel e de ônibus.
Precisou-se de boa organização e de muitos trabalhadores dispostos para encontrar e designar suficientes hospedagens.
Durante estes congressos de oito dias, refeições quentes — às dezenas de milhares — foram servidas regularmente aos congressistas.
Em 1953, uma cidade de carros-reboque e de tendas acomodou mais de 45.000 congressistas.
Em Nova Iorque, em 1958, foram batizados 7.136 — mais do que em qualquer outra ocasião desde o Pentecostes de 33 EC.
Havia letreiros com saudações de muitos países, e as sessões foram realizadas em 21 idiomas, em Nova Iorque, 1953.
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“Buscar primeiro o Reino”Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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Capítulo 18
“Buscar primeiro o Reino”
O PRINCIPAL tema da Bíblia é a santificação do nome de Jeová por meio do Reino. Jesus Cristo ensinou seus seguidores a buscar primeiro o Reino, colocando-o acima de outros interesses na vida. Por quê?
A Sentinela muitas vezes tem explicado que, por ser o Criador, Jeová é o Soberano Universal. Ele merece a mais alta estima de suas criaturas. (Rev. 4:11) Entretanto, bem cedo na história humana, um filho espiritual de Deus, que fez de si Satanás, o Diabo, contestou desafiadoramente a soberania de Jeová. (Gên. 3:1-5) Além disso, Satanás atribuiu motivos egoístas a todos os que serviam a Jeová. (Jó 1:9-11; 2:4, 5; Rev. 12:10) Assim, foi tirada a paz do Universo.
Já por décadas as publicações da Torre de Vigia têm explicado que Jeová fez provisão para resolver essas questões dum modo que magnifique não só sua onipotência, mas também a magnitude de sua sabedoria, justiça e amor. O âmago dessa provisão é o Reino messiânico de Deus. Por meio dele, a humanidade recebe ampla oportunidade de aprender os caminhos da justiça. Por meio desse Reino, os iníquos serão destruídos, a soberania de Jeová será vindicada e será cumprido seu propósito de fazer da Terra um paraíso povoado por pessoas que realmente amam a Deus e umas às outras, e que serão abençoadas com vida perfeita.
Por causa da importância do Reino, Jesus aconselhou seus seguidores: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino.” (Mat. 6:10, 33) As Testemunhas de Jeová nos tempos modernos têm dado muita evidência de que procuram seguir esse conselho.
Deixaram tudo por causa do Reino
Bem cedo, os Estudantes da Bíblia atentaram para o que significa buscar primeiro o Reino. Eles consideraram a parábola de Jesus, em que ele comparou o Reino a uma pérola de tão grande valor que um homem “vendeu . . . todas as coisas que tinha e a comprou”. (Mat. 13:45, 46) Ponderaram sobre o significado do conselho de Jesus a um jovem governante rico de vender tudo, distribuir aos pobres e segui-lo. (Mar. 10:17-30)a Compreenderam que, para se mostrarem dignos de participar do Reino de Deus, precisavam fazer dele seu principal interesse, colocando prazerosamente sua vida, suas habilidades e seus recursos a serviço desse Reino. Todas as outras coisas na vida tinham de vir em segundo lugar.
Charles Taze Russell levou a sério esse conselho. Vendeu seu próspero negócio relacionado com lojas de artigos para homem, reduziu gradativamente outros interesses comerciais e depois usou todas as suas posses terrenas para ajudar as pessoas em sentido espiritual. (Veja Mateus 6:19-21.) Não foi algo que fez só por alguns anos. Até a morte, usou todos os seus recursos — suas faculdades mentais, sua saúde física, seus bens materiais — para ensinar a outros a grandiosa mensagem do Reino messiânico. No enterro de Russell, um associado, Joseph F. Rutherford, disse: “Charles Taze Russell foi leal a Deus, leal a Cristo Jesus, leal à causa do Reino messiânico.”
Em abril de 1881 (quando apenas algumas centenas de pessoas assistiam às reuniões dos Estudantes da Bíblia), a Watch Tower publicou um artigo intitulado “Precisa-se de 1.000 Pregadores”. Era um convite para homens e mulheres, sem dependentes, empreenderem a obra como evangelizadores colportores. Empregando a linguagem da parábola de Jesus, em Mateus 20:1-16, a Watch Tower perguntava: “Quem tem desejo ardente de ir trabalhar na Vinha, e tem orado para que o Senhor abra o caminho”? Os que podiam dedicar pelo menos metade de seu tempo exclusivamente à obra do Senhor foram incentivados a se candidatar. Para ajudá-los nas despesas de viagem, alimentação, roupa e abrigo, a Sociedade Torre de Vigia de Tratados de Sião fornecia aos primitivos colportores publicações bíblicas para distribuição, dizia qual a modesta contribuição que podiam pedir pela publicação e convidava os colportores a ficar com uma parte dos fundos assim recebidos. Quem correspondeu a essas iniciativas e assumiu o serviço de colportor?
Por volta de 1885, havia cerca de 300 colportores associados com a Sociedade. Em 1914, o número finalmente passou de 1.000. Não era um trabalho fácil. Depois de visitar as casas em quatro cidades pequenas e encontrar apenas três ou quatro pessoas com certo grau de interesse, um dos colportores escreveu: “Confesso que me senti bastante só viajando tão longe, encontrando tantas pessoas, mas achando tão pouco interesse no plano e na Igreja de Deus. Ajudai-me com vossas orações, para que eu possa apresentar correta e destemidamente a verdade e não me canse de fazer o bem.”
Apresentaram-se voluntariamente
Aqueles colportores foram verdadeiros desbravadores. Penetravam nas regiões mais inacessíveis do país numa época em que os meios de transporte eram muito primitivos e as estradas eram, em grande parte, nada mais do que trilhas de carroça. A irmã Early, na Nova Zelândia, estava entre esses. Tendo começado bem antes da Primeira Guerra Mundial, ela dedicou 34 anos a esse serviço de tempo integral antes de seu falecimento em 1943. Cobriu grande parte do país viajando de bicicleta. Mesmo quando ficou aleijada por sofrer de artrite e não podia mais andar de bicicleta, ela usava a bicicleta para se apoiar nela e para carregar seus livros na zona comercial de Christchurch. Podia subir escadas, mas, para descer, tinha de fazê-lo de costas por causa de sua deficiência debilitante. Entretanto, enquanto lhe restava alguma energia, usava-a no serviço de Jeová.
Essas pessoas não empreenderam essa obra por se sentirem autoconfiantes. Algumas delas eram muito tímidas por natureza, mas amavam a Jeová. Antes de dar testemunho em território comercial, uma irmã pediu a cada Estudante da Bíblia na sua região que orasse por ela. Com o tempo, ao ganhar experiência, tornou-se muito entusiástica nesta atividade.
Quando, em 1907, Malinda Keefer falou com o irmão Russell sobre seu desejo de entrar no serviço de tempo integral, ela disse que achava que precisava primeiro obter mais conhecimento. De fato, fora apenas no ano precedente que ela entrara em contato com as publicações dos Estudantes da Bíblia. O irmão Russell respondeu: “Se quiseres esperar até saber tudo, nunca começarás, mas aprenderás ao passo que prosseguires.” Sem se esquivar, ela iniciou prontamente em Ohio, nos Estados Unidos. Muitas vezes, lembrava-se do Salmo 110:3, que diz: “Teu povo se oferecerá voluntariamente.” Nos 76 anos seguintes, ela continuou a fazer precisamente isso.b Começou ainda solteira. Depois de casada, trabalhou por 15 anos. E depois da morte do marido, ela continuou sem cessar, com a ajuda de Jeová. Relembrando os anos decorridos, ela disse: “Quão grata me sinto por me ter apresentado voluntariamente para ser pioneira quando eu era jovem e por ter sempre colocado em primeiro lugar os interesses do Reino!”
Quando se realizavam congressos gerais em tempos antigos, muitas vezes programavam-se sessões especiais com os colportores. Respondiam-se a perguntas, fornecia-se treinamento para os novos e dava-se encorajamento.
A partir de 1919, houve muito mais servos de Jeová que tinham tanto apreço pelo Reino de Deus que fizeram suas vidas girar em torno dele. Alguns conseguiram deixar de lado os empreendimentos seculares para se dedicarem plenamente ao ministério.
Cuidar das necessidades materiais
Como cuidavam de suas necessidades materiais? Anna Petersen (mais tarde Rømer), evangelizadora por tempo integral na Dinamarca, recordava-se: “Recebíamos ajuda com a distribuição de publicações para as despesas diárias, e não necessitávamos de muita coisa. Quando havia despesas maiores, essas eram sempre cuidadas de uma forma ou de outra. As irmãs costumavam dar-nos algumas roupas, vestidos ou casacos, e nós podíamos usá-los de imediato, assim andávamos bem vestidas. E houve invernos em que eu fazia algum serviço de escritório por uns meses. . . . Comprando em liquidações, eu conseguia adquirir as roupas que precisava para o ano inteiro. Tudo correu bem. Nunca passamos necessidade.” As coisas materiais não eram seu principal interesse. Seu amor a Jeová e a Seus caminhos era como um fogo ardente dentro deles, e simplesmente tinham de expressá-lo.
Para acomodações, às vezes alugavam um cômodo modesto enquanto visitavam o povo na região. Alguns usavam um carro-reboque — nada requintado, apenas um lugar para dormir e para comer. Outros dormiam em tendas ao se mudarem de um lugar para outro. Em alguns lugares, os irmãos preparavam “acampamentos de pioneiros”. As Testemunhas naquela região forneciam talvez uma casa, e alguém era designado para supervisioná-la. Os pioneiros que serviam naquela região podiam usar as acomodações e dividiam as despesas relacionadas.
Esses trabalhadores de tempo integral não permitiam que a falta de dinheiro impedisse as pessoas semelhantes a ovelhas de obter publicações bíblicas. Os pioneiros muitas vezes as trocavam por produtos tais como batatas, manteiga, ovos, frutas frescas e em conserva, galinhas, sabão e quase qualquer outra coisa. Não enriqueciam; antes, este era um meio de ajudar as pessoas sinceras a receber a mensagem do Reino, ao mesmo tempo que os pioneiros obtinham as coisas necessárias para sua subsistência, a fim de poderem continuar no seu ministério. Confiavam na promessa de Jesus de que, se ‘persistissem em buscar primeiro o reino e a justiça de Deus’, então o necessário alimento e cobertura seriam fornecidos. — Mat. 6:33.
Dispostos a servir onde quer que houvesse necessidade
Seu desejo sincero de fazer a obra que Jesus comissionara seus discípulos a fazer conduzia os trabalhadores de tempo integral a novos territórios, até mesmo a novas terras. Quando Frank Rice foi convidado a deixar a Austrália para iniciar a pregação das boas novas em Java (hoje parte da Indonésia), em 1931, ele tinha dez anos de experiência no ministério de tempo integral. Mas havia agora novos costumes, bem como novas línguas, para aprender. Ele podia usar o inglês para dar testemunho a alguns em lojas e em escritórios, mas ele queria dar testemunho também a outros. Estudou com diligência, e em três meses sabia holandês o suficiente para começar a ir de casa em casa. Depois, estudou malaio.
Frank só tinha 26 anos quando foi para Java, e, durante a maior parte dos seis anos em que esteve ali e em Sumatra, trabalhou sozinho. (Em fins de 1931, Clem Deschamp e Bill Hunter chegaram da Austrália para ajudar na obra. Os dois fizeram uma turnê de pregação pelo interior, ao passo que Frank trabalhou dentro e nos arredores de Java, a capital. Mais tarde, Clem e Bill também receberam designações que os levaram a regiões separadas.) Não havia reuniões de congregação que Frank pudesse freqüentar. Às vezes, sentia-se muito só, e mais de uma vez teve de lutar contra pensamentos de desistir e retornar à Austrália. Mas persistiu. Como? O alimento espiritual contido em The Watch Tower ajudava a fortalecê-lo. Em 1937, foi para uma designação na Indochina, onde escapou da morte por um triz durante as violentas convulsões depois da Segunda Guerra Mundial. Esse espírito de prontidão para servir ainda estava vivo nele na década de 70 quando escreveu para expressar sua alegria de que sua inteira família estava servindo a Jeová e para dizer que ele e sua esposa se preparavam novamente para se mudar para um lugar na Austrália onde havia maior necessidade.
‘Confiaram em Jeová de todo o coração’
Claude Goodman estava decidido a ‘confiar em Jeová de todo o coração e não se estribar na sua própria compreensão’, de modo que escolheu o serviço de colportor como evangelizador cristão em vez de uma oportunidade em negócios seculares. (Pro. 3:5, 6) Junto com Ronald Tippin, que o ajudara a aprender a verdade, serviu como colportor na Inglaterra por mais de um ano. Depois, em 1929, os dois se dispuseram a ir para a Índia.c Que desafio isso representava!
Nos anos que se seguiram, eles viajaram não só a pé, de trem de passageiros e de ônibus, mas também de trem de carga, de carro de boi, de camelo, de sampana, de jinriquixá e até de avião e de trem particular. Às vezes, eles estendiam seus colchonetes em salas de espera de ferrovias, em estábulos, sobre o capim na selva, ou no piso de excremento de gado num casebre, mas houve também ocasiões em que dormiram em hotéis de luxo e também no palácio de um rajá. Como o apóstolo Paulo, aprenderam o segredo do contentamento, quer tivessem poucas provisões, quer tivessem abundância. (Fil. 4:12, 13) Em geral, tinham muito pouco de valor material, mas nunca lhes faltou o que realmente necessitavam. Viram pessoalmente o cumprimento da promessa de Jesus de que, se buscassem primeiro o Reino e a justiça de Deus, as necessidades materiais da vida seriam providas.
Tiveram graves crises de febre de dengue, malária e tifo, mas suas co-Testemunhas deram amorosa assistência. Havia serviço a ser feito no meio da imundície de cidades tais como Calcutá, e precisava-se dar testemunho nas plantações de chá, nas montanhas do Ceilão (hoje conhecido por Sri Lanka). Para satisfazerem as necessidades espirituais das pessoas, ofereciam publicações, tocavam gravações nos idiomas locais, e proferiam discursos. Com o aumento da obra, Claude aprendeu também a operar uma impressora e a prestar serviços nas filiais da Sociedade.
Aos 87 anos, ele podia relembrar uma vida cheia de experiências no serviço de Jeová na Inglaterra, Índia, Paquistão, Ceilão, Birmânia (agora Mianmar), Malaia, Tailândia e Austrália. Como rapaz solteiro, depois como marido e pai, manteve o Reino em primeiro lugar em sua vida. Foi menos de dois anos após seu batismo que ele iniciou o serviço de tempo integral, e considerou esse serviço sua carreira pelo resto da vida.
O poder de Deus aperfeiçoado na fraqueza
Ben Brickell foi também uma Testemunha zelosa — era bem igual a outras pessoas, no sentido de que tinha as mesmas necessidades e os mesmos padecimentos físicos. Ele tinha uma fé notável. Em 1930, começou o trabalho como colportor na Nova Zelândia, onde deu testemunho em territórios que não foram cobertos de novo por décadas. Dois anos mais tarde, na Austrália, fez uma viagem de pregação de cinco meses, através do interior deserto, onde não se dera nenhum testemunho antes. Sua bicicleta ia pesadamente carregada de cobertores, roupas, alimentos e livros para distribuir. Embora outros homens tivessem perecido ao tentarem viajar por aquela região, ele foi avante, confiando em Jeová. Depois, serviu na Malaísia, onde teve graves problemas cardíacos. Ele não desistiu. Depois de um período de convalescença, reiniciou a atividade de pregação por tempo integral na Austrália. Uns dez anos depois, ele foi hospitalizado por causa de uma grave enfermidade, e, quando recebeu alta, o médico lhe disse que estava “85 por cento incapacitado para o trabalho”. Nem conseguia caminhar na rua para fazer compras sem descansar a intervalos.
Mas Ben Brickell estava decidido a reiniciar o seu serviço, e isso ele fez, parando para descansar quando necessário. Em pouco tempo, já estava de novo pregando no agreste interior da Austrália. Fazia o que podia para cuidar da saúde, mas seu serviço a Jeová era a coisa principal em sua vida até a sua morte, 30 anos mais tarde, quando tinha cerca de 65 anos.d Ele reconhecia que a sua deficiência resultante de sua fraqueza física podia ser compensada com o poder de Jeová. Num congresso em Melbourne, em 1969, ele serviu no setor do serviço de pioneiros, usando um enorme crachá que dizia: “Se deseja saber sobre o serviço de pioneiro, pergunte a mim.” — Veja 2 Coríntios 12:7-10.
Alcançando as aldeias nas selvas e campos de mineração nas montanhas
O zelo pelo serviço de Jeová induziu não só homens, mas também mulheres a trabalhar em campos virgens. Freida Johnson era ungida, de pequena estatura, nos seus 50 e poucos anos quando trabalhou sozinha em partes da América Central, cobrindo a cavalo regiões como o litoral norte de Honduras. Exigia fé trabalhar sozinha naquela região, visitando dispersas plantações de banana, as cidades de La Ceiba, Tela e Trujillo, e até as distantes vilas isoladas próximas do Caribe. Ela deu testemunho ali em 1930 e 1931, de novo em 1934, e em 1940 e 1941, distribuindo milhares de publicações que continham a verdade bíblica.
Durante aqueles anos, outra trabalhadora zelosa começou sua carreira de ministério de tempo integral. Era Kathe Palm, nascida na Alemanha. O que a motivou a ação foi ter assistido ao congresso em Columbus, Ohio, em 1931, onde os Estudantes da Bíblia adotaram o nome Testemunhas de Jeová. Foi então que ela se decidiu a buscar primeiro o Reino, e em 1992, aos 89 anos de idade, ainda fazia isso.
Seu serviço de pioneiro começou na cidade de Nova Iorque. Mais tarde, em Dakota do Sul, ela teve uma companheira por alguns meses, mas depois continuou sozinha, viajando a cavalo. Quando foi convidada a servir na Colômbia, América do Sul, aceitou prontamente, chegando ali em fins de 1934. De novo tinha uma companheira por algum tempo, mas depois ficou sozinha. Isto não a fez achar que devia desistir.
Um casal a convidou a juntar-se a eles no Chile. Ali havia outro território vasto, que se estendia por 4.265 quilômetros ao longo da costa ocidental do continente sul-americano. Depois de pregar em edifícios de escritórios da capital, ela partiu para o longínquo norte. Em todo campo de mineração, em toda comunidade, grande e pequena, ela dava testemunho de casa em casa. Trabalhadores no alto dos Andes ficavam surpresos de ver uma mulher sozinha visitá-los, mas ela estava decidida a não passar por alto a ninguém na região que lhe fora designada. Mais tarde, ela se mudou para o sul, onde algumas estancias (fazendas de criação de ovelhas) cobriam uma área de até 100.000 hectares. As pessoas ali eram amistosas e hospitaleiras, e convidavam-na para comer na hora das refeições. Deste e de outros modos, Jeová cuidou dela, de modo que tinha as coisas físicas necessárias para a sua subsistência.
A pregação das boas novas do Reino de Deus tornou sua vida plena de realizações.e Fazendo um retrospecto dos anos de serviço, ela disse: “Sinto que tive uma vida muito rica. Cada ano, quando assisto a uma assembléia do povo de Jeová, tenho um sentimento caloroso e satisfatório quando vejo tantas pessoas com quem dirigi estudo bíblico publicar as boas novas, ajudando outros a vir à água da vida.” Ela teve a alegria de ver o número de louvadores de Jeová no Chile aumentar de uns 50 para mais de 44.000.
“Eis-me aqui! Envia-me”
Depois de ouvir um discurso baseado no convite de Jeová para o serviço, registrado em Isaías 6:8, e a positiva resposta do profeta: “Eis-me aqui! Envia-me”, Martin Poetzinger, na Alemanha, foi batizado. Dois anos mais tarde, em 1930, ele iniciou seu ministério de tempo integral na Baviera.f Pouco depois, as autoridades ali proibiram a pregação das Testemunhas, fecharam os locais de reuniões e confiscaram as publicações. A Gestapo ameaçou. Mas aqueles acontecimentos em 1933 não acabaram com o ministério do irmão Poetzinger.
Ele foi convidado a servir na Bulgária. Usavam-se cartões de testemunho em búlgaro para apresentar as publicações bíblicas. Mas muitos eram analfabetos. Portanto, o irmão Poetzinger tomou aulas para aprender o idioma deles que empregava o alfabeto cirílico. Quando se deixava uma publicação com uma família, era muitas vezes necessário que as criancinhas a lessem para os pais.
Na maior parte do primeiro ano, o irmão Poetzinger esteve sozinho, e escreveu: “Na Comemoração, eu mesmo proferi o discurso, orei sozinho e terminei a reunião sozinho.” Em 1934, os estrangeiros foram expulsos, portanto ele foi para a Hungria. Ali tinha de aprender mais um novo idioma para poder compartilhar as boas novas. Da Hungria ele foi para os países então conhecidos como Tchecoslováquia e Iugoslávia.
Ele teve muitas experiências felizes — encontrar pessoas amantes da verdade ao caminhar pelo interior e pelas vilas com um fardo de publicações nas costas; sentir o cuidado de Jeová ao passo que pessoas hospitaleiras lhe ofereciam alimento e até uma cama para passar a noite; falar até tarde da noite com os que vinham à sua hospedagem para ouvir mais a respeito da consoladora mensagem do Reino.
Sofreu também duras provas de fé. Servindo fora de sua terra natal, e sem recursos, ficou gravemente enfermo. Nenhum médico quis consultá-lo. Mas Jeová fez provisão. Como? Finalmente, contatou-se o principal médico consultante do hospital local. Esse homem, que acreditava firmemente na Bíblia, cuidou do irmão Poetzinger como se fosse um filho seu, fazendo isso sem cobrar nada. O médico ficou impressionado com o espírito abnegado desse jovem, evidenciado pelo trabalho que fazia, e aceitou como presente uma coleção de livros da Sociedade.
Outra dura prova veio quatro meses depois de seu casamento. O irmão Poetzinger foi preso em dezembro de 1936 e foi detido primeiro num campo de concentração e depois em outro, ao passo que sua esposa foi retida em outro desses campos. Eles não se viram por nove anos. Jeová não impediu tal perseguição cruel, mas deveras fortaleceu a Martin, a sua esposa Gertrud e a milhares de outros para poderem suportá-la.
Depois de ele e sua esposa serem libertados, o irmão Poetzinger serviu por muitos anos como superintendente viajante na Alemanha. Ele esteve presente em emocionantes congressos realizados na era do pós-guerra no lugar usado outrora para os desfiles de Hitler em Nurembergue. Mas agora o local estava sendo usado por uma vasta multidão de leais apoiadores do Reino de Deus. Ele assistiu a congressos inesquecíveis no Estádio Ianque, em Nova Iorque. Tirou pleno benefício de seu treinamento na Escola Bíblica de Gileade. E em 1977, tornou-se membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. Seu conceito, até terminar sua carreira terrestre em 1988, pode ser melhor expresso nas palavras: ‘Faço uma única coisa — buscar primeiro o Reino.’
Saber o que realmente significa
É óbvio que o espírito de abnegação não é coisa nova entre as Testemunhas de Jeová. Quando foi publicado o primeiro volume do Millennial Dawn (Aurora do Milênio), lá em 1886, o assunto da consagração (ou, como diríamos hoje, dedicação) foi considerado de modo franco. Explicou-se que, à base das Escrituras, os cristãos verdadeiros “consagram” tudo a Deus; isso inclui suas habilidades, suas posses materiais, até mesmo sua vida. Os cristãos se tornam assim mordomos daquilo que foi “consagrado” a Deus, e, como mordomos, têm de prestar contas — não a homens, mas a Deus.
Um crescente número de Estudantes da Bíblia realmente deu de si no serviço de Deus. Usaram plenamente suas habilidades, suas posses, sua vitalidade, para fazer a vontade de Deus. Por outro lado, houve os que achavam que o mais importante era cultivar o que chamavam de caráter cristão, a fim de se qualificarem para participar com Cristo no Reino.
Embora a responsabilidade de todo cristão verdadeiro de dar testemunho a outros sobre o Reino de Deus fosse muitas vezes trazida à atenção pelo irmão Russell, isto recebeu maior ênfase depois da Primeira Guerra Mundial. O artigo “Caráter ou Pacto — Qual?” em The Watch Tower de 1.º de maio de 1926, é um notável exemplo. Considerava francamente os efeitos nocivos do que era chamado de desenvolvimento de caráter, e depois salientava a importância do cumprimento de obrigações para com Deus por meio de ações.
Antes disso, The Watch Tower de 1.º de julho de 1920 já havia examinado a grande profecia de Jesus sobre ‘o sinal de sua presença e o fim do mundo’. (Mat. 24:3, King James) Focalizava a atenção na obra de pregação que precisa ser feita em cumprimento de Mateus 24:14 e identificava a mensagem a ser proclamada, dizendo: “As boas novas referidas aqui são a respeito do fim da velha ordem de coisas e o estabelecimento do reino do Messias.” The Watch Tower explicava que, à base de onde Jesus declarara isto em relação com outros aspectos do sinal, esta obra tinha de ser efetuada “entre o tempo da grande guerra mundial [Primeira Guerra Mundial] e o tempo da ‘grande tribulação’ mencionada pelo Amo em Mateus 24:21, 22.” Esse trabalho era urgente. Quem o faria?
Esta responsabilidade recaía claramente sobre os membros da “igreja”, a verdadeira congregação cristã. Entretanto, em 1932, com a edição de 1.º de agosto de 1932 de The Watchtower, esses foram aconselhados a encorajar a “classe dos jonadabes” a participar com eles na obra, em harmonia com o espírito de Revelação (Apocalipse) 22:17. A classe dos jonadabes — cuja esperança é ter vida eterna na Terra paradísica — atendeu, e muitos deles fizeram isso com zelo.
A importância vital desta obra tem sido fortemente enfatizada: “É tão essencial participar no serviço do Senhor como é assistir a uma reunião”, dizia The Watch Tower em 1921. “Cada um deve ser pregador do evangelho”, explicava em 1922. “Jeová fez da pregação a obra mais importante que qualquer de nós poderia efetuar neste mundo”, dizia em 1949. A declaração do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 9:16 tem sido citada freqüentemente: “Pois me é imposta a necessidade. Realmente, ai de mim se eu não declarasse as boas novas!” Este texto tem sido aplicado a cada uma das Testemunhas de Jeová.
Quantos fazem a pregação? Até que ponto? Por quê?
Foi alguém compelido a participar dessa obra contra sua vontade? “Não”, respondia The Watch Tower, no seu número de 1.º de agosto de 1919, “ninguém é compelido a fazer o que quer que seja. É tudo um serviço puramente voluntário, realizado por amor ao Senhor e à sua causa de justiça. Jeová nunca recruta a ninguém.” Quanto à motivação de tal serviço, The Watch Tower de 1.º de setembro de 1922 dizia também: “Quem realmente está grato no coração e aprecia o que Deus tem feito por ele desejará fazer algo em retribuição; e quanto mais aumentar seu apreço pela bondade de Deus com ele, tanto maior será seu amor; e quanto maior seu amor, tanto maior será seu desejo de servi-lo.” Explicou-se que o amor a Deus é demonstrado mediante guardar seus mandamentos, e um desses mandamentos é pregar as boas notícias do Reino de Deus. — Isa. 61:1, 2; 1 João 5:3.
Os que empreendem essa atividade não são atraídos por ambição mundana. Tem-se-lhes dito francamente que, ao irem de casa em casa ou oferecerem publicações na esquina de uma rua, serão considerados “tolos, fracos, medíocres”, que serão “desprezados, perseguidos” e classificados como “sem muita importância do ponto de vista do mundo”. Mas eles sabem que Jesus e seus primeiros discípulos foram tratados assim. — João 15:18-20; 1 Cor. 1:18-31.
Pensam as Testemunhas de Jeová que de algum modo vão ganhar a salvação pela sua atividade de pregação? De forma alguma! O livro Unidos na Adoração do Único Deus Verdadeiro, usado desde 1983 para ajudar estudantes a progredir à madureza cristã, considera esse assunto. Diz: “O sacrifício de Jesus abriu também para nós a oportunidade de vida eterna . . . Esta não é uma recompensa que merecemos. Não importa quanto fazemos no serviço de Jeová, nunca podemos obter tanto mérito, que Deus nos deva a vida. A vida eterna é ‘o dom dado por Deus . . . por Cristo Jesus, nosso Senhor’. (Rom. 6:23; Efé. 2:8-10) Não obstante, se tivermos fé nesse dom e apreço pela maneira em que foi tornado disponível, manifestaremos isso. Por discernirmos quão maravilhosamente Jeová usou Jesus para realizar a Sua vontade e quão vital é que todos nós sigamos de perto os passos de Jesus, faremos do ministério cristão uma das coisas mais importantes em nossa vida.”
Pode-se dizer que todas as Testemunhas de Jeová são proclamadores do Reino de Deus? Sim! É isso que significa ser Testemunha de Jeová. Há mais de meio século, havia alguns que achavam que não era necessário participar no serviço de campo, pregando publicamente e de casa em casa. Mas hoje nenhuma Testemunha de Jeová reivindica isenção desse serviço por causa de seu cargo na congregação local ou na organização mundial. Jovens e idosos, de ambos os sexos, participam. Encaram-no como precioso privilégio, um serviço sagrado. Não poucos o fazem, apesar de saúde muito precária. E no caso dos que simplesmente não têm condições físicas para ir de casa em casa, eles encontram outros meios de contatar pessoas e lhes dar testemunho pessoal.
No passado, havia, às vezes, a tendência de deixar os mais novos participar no serviço de campo um pouco cedo demais. Mas, nas décadas recentes, dá-se maior ênfase à sua qualificação antes de serem convidados a participar. O que significa isso? Não significa que precisam saber explicar tudo o que está na Bíblia. Mas, como explica o livro Organizados Para Efetuar o Nosso Ministério, precisam conhecer os ensinamentos básicos da Bíblia e crer neles. Precisam também levar vida limpa, em harmonia com as normas da Bíblia. Cada um precisa realmente desejar ser Testemunha de Jeová.
Não se espera que toda Testemunha de Jeová faça a mesma quantidade de serviço de pregação. As circunstâncias das pessoas variam. A idade, a saúde, as responsabilidades familiares e a profundeza de apreço são todos fatores contribuintes. Isto sempre foi reconhecido. Foi salientado pela Watchtower, na sua edição de 1.º de dezembro de 1950, ao considerar o “solo excelente” da parábola de Jesus sobre o semeador, em Lucas 8:4-15. O Curso da Escola do Ministério do Reino, preparado para anciãos em 1972, analisou o requisito de ‘amar a Jeová de toda a alma’ e explicou que “aquilo que é vital não é a quantidade que a pessoa faz em relação com o que outrem faça, mas fazer o que a pessoa pode”. (Mar. 14:6-8) Incentivando fazer uma cuidadosa introspecção, porém, mostrou também que tal amor significa “que cada fibra da existência da pessoa se acha envolvida em servir amorosamente a Deus; nenhuma função, capacidade ou desejo na vida é excetuado”. Todas as nossas faculdades, nossa inteira alma, precisam estar mobilizadas para fazer a vontade de Deus. Esse compêndio enfatizou que “Deus requer não a simples participação, mas o serviço de toda a alma”. — Mar. 12:30.
Infelizmente, a tendência dos humanos imperfeitos é ir a extremos, enfatizar uma coisa e negligenciar outra. Portanto, já em 1906, o irmão Russell achou necessário alertar que a abnegação não significa sacrificar outros. Não significa a pessoa deixar de fazer provisões razoáveis para a esposa, para os filhos dependentes ou para pais idosos, a fim de estar livre para pregar a outros. De tempos a tempos desde então, lembretes similares têm aparecido nas publicações da Torre de Vigia.
Gradativamente, com a ajuda da Palavra de Deus, a organização inteira tem procurado chegar a um equilíbrio cristão — manifestar zelo pelo serviço de Deus, dando ao mesmo tempo a devida atenção a todos os aspectos de se ser verdadeiro cristão. Embora o “desenvolvimento de caráter” se baseasse num entendimento errado, The Watchtower tem mostrado que os frutos do espírito e a conduta cristã não devem ser subestimados. Em 1942, The Watchtower disse claramente: “Alguns têm insensatamente concluído que, conquanto participem na obra de testemunho de casa em casa, podem seguir livremente, sem punição, qualquer proceder que satisfaça seus desejos. A pessoa deve lembrar-se de que a simples participação na obra de testemunho não é tudo o que se requer.” — 1 Cor. 9:27.
Colocar as prioridades no seu devido lugar
As Testemunhas de Jeová vieram a reconhecer que ‘buscar primeiro o Reino e a justiça de Deus’ é uma questão de colocar no devido lugar as prioridades. Inclui dar o devido lugar na vida da pessoa ao estudo pessoal da Palavra de Deus e a assistir regularmente às reuniões de congregação, e não permitir que outros empreendimentos tenham prioridade. Envolve fazer decisões que reflitam genuíno desejo de se harmonizar com os requisitos do Reino de Deus, segundo indicados na Bíblia. Isso inclui usar os princípios bíblicos como base para as decisões que envolvem a vida familiar, recreação, educação secular, emprego, práticas comerciais e o relacionamento com o próximo.
Buscar primeiro o Reino é mais do que apenas ter alguma participação cada mês em falar com outros sobre o propósito de Deus. Significa a pessoa dar aos interesses do Reino o primeiro lugar em toda a sua vida, ao passo que cuida devidamente de outras obrigações bíblicas.
Há muitas maneiras pelas quais as Testemunhas devotadas de Jeová promovem os interesses do Reino.
O privilégio do serviço de Betel
Alguns servem quais membros da família global de Betel. É uma equipe de ministros de tempo integral que se prontificaram a fazer o que quer que lhes fosse designado na preparação e impressão de publicações bíblicas, em cuidar do necessário serviço de escritório e em prestar serviços de apoio a tais operações. Não se trata de trabalho em que ganhem destaque pessoal ou bens materiais. Seu desejo é honrar a Jeová, e estão satisfeitos com as provisões feitas para eles em matéria de alimento, acomodação e um modesto reembolso de despesas pessoais. Por causa do modo de vida da família de Betel, as autoridades seculares nos Estados Unidos, por exemplo, consideram a tais como uma ordem religiosa que fez voto de pobreza. Os que estão em Betel alegram-se de poder usar sua vida plenamente no serviço de Jeová e em fazer um trabalho que beneficia grande número de seus irmãos cristãos e pessoas recém-interessadas, às vezes internacionalmente. Como outras Testemunhas de Jeová, participam também regularmente no ministério de campo.
A primeira família de Betel (ou família da Casa da Bíblia, como era conhecida na época) achava-se em Allegheny, Pensilvânia, nos EUA. Em 1896, a equipe era composta de 12 membros. Em 1992, havia mais de 12.900 membros na família de Betel que serviam em 99 países. Além disso, quando não há suficientes acomodações nos prédios da Sociedade, centenas de outros voluntários se locomovem diariamente de suas casas para lares de Betel e gráficas, a fim de participarem no trabalho. Acham ser um privilégio participar no trabalho que se faz. Conforme a necessidade, milhares de outras Testemunhas se prontificam a deixar seu serviço secular e outras atividades por períodos variados para ajudar na construção de prédios que a Sociedade necessita em relação com a pregação mundial das boas novas do Reino de Deus.
Muitos dos membros da família global de Betel fizeram disso um trabalho vitalício. Frederick W. Franz, que em 1977 se tornou o quarto presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), já era naquela época membro da família de Betel de Nova Iorque por 57 anos, e continuou no serviço de Betel por mais 15 anos até sua morte, em 1992. Heinrich Dwenger começou seu serviço de Betel na Alemanha, em 1911, servindo daí em diante modestamente onde quer que fosse designado; e em 1983, ano de sua morte, ainda derivava satisfação de seu serviço como membro da família de Betel em Thun, na Suíça. George Phillips, da Escócia, aceitou uma designação na filial da África do Sul em 1924 (quando esta supervisionava a atividade de pregação desde a Cidade do Cabo até o Quênia) e continuou a servir na África do Sul até sua morte em 1982 (ocasião em que sete filiais da Sociedade e cerca de 160.000 Testemunhas estavam ativas naquela área). Irmãs cristãs, como Kathryn Bogard, Grace DeCecca, Irma Friend, Alice Berner e Mary Hannan, também dedicaram sua vida adulta ao serviço de Betel, fazendo isso até o fim. Muitos outros membros da família de Betel têm servido da mesma forma 10, 30, 50, 70 e mais anos.g
Abnegados superintendentes viajantes
Em todo o mundo, há uns 3.900 superintendentes de circuito e de distrito que, junto com as respectivas esposas, cuidam também de designações onde quer que sejam necessários, geralmente em seu próprio país. Muitos desses deixaram sua casa e se mudam agora cada semana ou cada poucas semanas para servir as congregações designadas. Não recebem salário, mas são gratos pelo alimento e acomodação onde servem, junto com uma modesta provisão para despesas pessoais. Nos Estados Unidos, onde 499 superintendentes de circuito e de distrito serviam em 1992, a idade, em média, desses anciãos viajantes era de 54 anos, e alguns tinham servido nessa função por 30, 40 ou mais anos. Em diversos países, esses superintendentes viajam de automóvel. O território da área do Pacífico exige muitas vezes o uso de aviões comerciais e navios. Em muitos lugares, os superintendentes de circuito chegam às congregações remotas a cavalo ou a pé.
Os pioneiros preenchem uma necessidade importante
Para se dar início à pregação das boas novas em lugares onde não há Testemunhas, ou para fornecer ajuda especialmente necessitada em determinada região, o Corpo Governante pode providenciar o envio de pioneiros especiais. Estes são evangelizadores de tempo integral que dedicam pelo menos 140 horas todo mês ao ministério de campo. Dispõem-se a servir onde quer que sejam necessários no seu próprio país ou, em alguns casos, em países vizinhos. Visto que seus requisitos de serviço lhes deixam pouco ou nenhum tempo para serviço secular para atender às suas necessidades materiais, eles recebem um modesto reembolso de despesas de habitação e outras necessidades. Em 1992, havia mais de 14.500 pioneiros especiais em várias partes da Terra.
Quando os primeiros pioneiros especiais foram enviados em 1937, eles encabeçaram o serviço de tocar discursos bíblicos gravados para os moradores ouvirem na própria porta de sua casa, e em usar gravações como base de suas palestras nas revisitas. Isto foi feito em cidades grandes onde já havia congregações. Depois de alguns anos, os pioneiros especiais começaram a ser enviados especialmente a regiões onde não existiam congregações ou onde as congregações tinham grande necessidade de ajuda. Em resultado de seu trabalho eficiente, centenas de novas congregações foram formadas.
Em vez de cobrirem um território e passarem para outro, trabalhavam repetidas vezes determinada região, revisitando todos os interessados e dirigindo estudos bíblicos. Realizavam-se reuniões para os interessados. Assim, em Lesoto, na África meridional, um pioneiro especial, na sua primeira semana numa nova designação, convidou toda pessoa que encontrava a vir ver como as Testemunhas de Jeová dirigem a Escola do Ministério Teocrático. Ele com a família apresentaram o programa inteiro. Daí, ele convidou todos para o Estudo da Sentinela. Depois de ter sido satisfeita a curiosidade inicial, 30 continuaram a assistir ao Estudo da Sentinela, e a média de assistência na escola era de 20. Nos países onde missionários treinados em Gileade fizeram muito para dar início à pregação das boas novas, aumentos mais rápidos ocorreram às vezes quando Testemunhas naturais do país começaram a se qualificar para o serviço de pioneiro especial, pois esses podiam muitas vezes trabalhar com ainda mais eficácia entre o povo local.
Além desses zelosos trabalhadores, há centenas de milhares de outras Testemunhas de Jeová que também promovem vigorosamente os interesses do Reino. Estes incluem jovens e idosos, de ambos os sexos, casados e solteiros. Os pioneiros regulares dedicam no mínimo 90 horas por mês ao ministério de campo; os pioneiros auxiliares, pelo menos 60 horas. Eles decidem onde gostariam de pregar. A maioria deles trabalha com congregações estabelecidas; alguns se mudam para lugares isolados. Atendem às suas próprias necessidades materiais fazendo algum serviço secular, ou membros de sua família talvez os ajudem nesse respeito. Em 1992, mais de 914.500 participaram nesse serviço como pioneiros regulares ou auxiliares por pelo menos parte do ano.
Escolas com objetivos especiais
Para equipar voluntários para certos tipos de serviço, há provisão de escolas especiais. Desde 1943, por exemplo, a Escola de Gileade treinou milhares de ministros experientes para a obra missionária, e os formados têm sido enviados a todas as partes da Terra. Em 1987, a Escola de Treinamento Ministerial começou a funcionar para ajudar a preencher necessidades especiais, que incluem cuidar de congregações, bem como de outras responsabilidades. A provisão de haver cursos dessa escola em vários lugares reduz a necessidade de estudantes viajarem a um ponto central, bem como de aprenderem um outro idioma para poderem fazer o curso. Todos os que são convidados a essa escola são anciãos ou servos ministeriais que deram evidência de estarem realmente buscando primeiro o Reino. Muitos se dispuseram a servir em outros países. Eles têm espírito semelhante ao do profeta Isaías, que disse: “Eis-me aqui! Envia-me.” — Isa. 6:8.
Para melhorar a eficiência dos que já servem como pioneiros regulares e especiais, iniciou-se em 1977 a Escola do Serviço de Pioneiro. Onde possível, a realização desse curso foi programada para todo circuito ao redor do mundo. Todos os pioneiros foram convidados a fazer esse curso de duas semanas. Desde então, progressivamente, os pioneiros que completaram seu primeiro ano de serviço receberam o mesmo treinamento. Até 1992, mais de 100.000 pioneiros haviam sido treinados nessa escola só nos Estados Unidos; mais de 10.000 foram treinados anualmente. Outros 55.000 foram treinados no Japão, 38.000 no México, 25.000 no Brasil e 25.000 na Itália. Além deste curso, os pioneiros têm em base regular uma reunião especial com o superintendente de circuito durante suas visitas semi-anuais a cada congregação e uma sessão de treinamento especial com o superintendente de circuito e de distrito por ocasião da anual assembléia de circuito. Assim, o grande exército de proclamadores do Reino que servem quais pioneiros não só são trabalhadores voluntários, mas também ministros bem treinados.
Servir onde a necessidade é maior
Muitos milhares de Testemunhas de Jeová — alguns dos quais são pioneiros e outros não — dispuseram-se a servir não só na própria comunidade, mas também em outras partes onde há grande necessidade de proclamadores das boas novas. Todo ano, milhares delas gastam um período de semanas ou meses, segundo o que podem programar pessoalmente, em regiões muitas vezes bastante distantes de onde moram para dar testemunho a pessoas que não são visitadas regularmente pelas Testemunhas de Jeová. Milhares mais se mudaram para outras regiões, a fim de darem essa ajuda por um período mais prolongado. Muitos desses são casados ou são famílias com filhos. Em muitos casos, mudaram-se para lugares relativamente próximos, mas alguns se mudaram repetidas vezes com o passar dos anos. Muitas dessas zelosas Testemunhas até mesmo passaram a trabalhar no estrangeiro — algumas por poucos anos, outras em caráter permanente. Fazem o necessário serviço secular para a sua subsistência, e a mudança é custeada por elas mesmas. Seu único desejo é participar o mais plenamente possível de acordo com suas circunstâncias em divulgar a mensagem do Reino.
Quando o chefe de família não é Testemunha, talvez ele se mude com a família por causa de emprego. Mas os membros da família que são Testemunhas talvez vejam nisso uma oportunidade de divulgar a mensagem do Reino. Foi assim com duas Testemunhas dos Estados Unidos que foram parar num núcleo de construção nas selvas, no Suriname, em fins de 1970. Duas vezes por semana, levantavam-se às 4 horas da manhã, pegavam um ônibus da companhia e faziam uma dura viagem de uma hora até uma vila, onde passavam o dia pregando. Logo estavam dirigindo 30 estudos bíblicos semanalmente com pessoas famintas da verdade. Hoje, existe uma congregação nessa parte da floresta equatorial, outrora não alcançada.
Aproveitam todas as oportunidades para dar testemunho
Naturalmente, nem todas as Testemunhas de Jeová se mudam para outros países, nem mesmo para outras cidades, a fim de cumprirem seu ministério. As circunstâncias talvez não permitam que sejam pioneiros. Contudo, estão bem apercebidas da admoestação bíblica de fazer “esforço sério” e de ter “bastante para fazer na obra do Senhor”. (2 Ped. 1:5-8; 1 Cor. 15:58) Mostram que buscam primeiro o Reino quando colocam os interesses deste na frente do serviço secular e da recreação. Aqueles cujo coração está cheio de apreço pelo Reino participam regularmente no ministério de campo na medida que suas circunstâncias permitem, e muitos deles ajustam suas circunstâncias para poderem participar mais plenamente. Estão também constantemente alertas para aproveitar oportunidades apropriadas para dar testemunho a outros a respeito do Reino.
Como exemplo, John Frugala, que tinha uma loja de ferragens em Guayaquil, Equador, fez uma atraente exibição de publicações bíblicas na loja. Enquanto seu funcionário atendia os pedidos, John dava testemunho ao freguês.
Na Nigéria, uma zelosa Testemunha, que sustentava a família trabalhando como empreiteiro eletricista, estava também decidido a usar bem seus contatos para dar testemunho. Sendo ele o proprietário da firma, determinava o horário de suas atividades. Toda manhã, antes do trabalho, reunia a esposa, os filhos, os empregados e os aprendizes para uma palestra sobre o texto bíblico diário junto com experiências do Anuário das Testemunhas de Jeová. No início de cada ano, ele dava também aos fregueses um exemplar do calendário da Sociedade Torre de Vigia junto com duas revistas. Em resultado disso, alguns dos empregados e fregueses passaram também a adorar a Jeová.
Há muitas Testemunhas de Jeová que têm esse mesmo espírito. Quaisquer que sejam suas atividades, estão sempre à procura de oportunidades para partilhar com outros as boas novas.
Um grande exército de felizes evangelizadores por tempo integral
Com o passar dos anos, o zelo das Testemunhas de Jeová pela pregação das boas novas não diminuiu. Mesmo que muitos moradores lhes tenham dito bastante firmemente que não estão interessados, há grande número dos que estão gratos de que as Testemunhas os ajudam a entender a Bíblia. A determinação das Testemunhas de Jeová é continuar a pregar até que o próprio Jeová indique claramente que esta obra está terminada.
Em vez de diminuir, a associação mundial das Testemunhas de Jeová realmente tem intensificado a sua atividade de pregação. Em 1982, o anual relatório global mostrava que 384.856.622 horas haviam sido gastas no ministério de campo. Dez anos mais tarde (em 1992), 1.024.910.434 horas foram dedicadas a esta obra. A que se deve esse grande aumento de atividade?
É verdade que o número de Testemunhas de Jeová aumentou. Mas não a esse ponto. Durante esse período, ao passo que o número de Testemunhas aumentou 80 por cento, o número de pioneiros subiu 250 por cento. Em média, cada mês, 1 de cada 7 Testemunhas de Jeová mundialmente estava em alguma modalidade do serviço de pregação por tempo integral.
Quem foram os que participaram em tal serviço de pioneiro? Como exemplo, na República da Coréia, muitas Testemunhas são donas-de-casa. As responsabilidades familiares talvez não permitam que todas sejam pioneiras em base regular, mas muitas delas têm usado as longas férias escolares de inverno como oportunidades para o serviço de pioneiro auxiliar. Assim, 53 por cento do total de Testemunhas na República da Coréia estavam em alguma modalidade do serviço de tempo integral em janeiro de 1990.
Em anos passados, foi um zeloso espírito de pioneiro da parte de Testemunhas filipinas que as habilitou a alcançar com a mensagem do Reino centenas de ilhas habitadas nas Filipinas. Esse zelo tem sido ainda mais evidente desde então. Em 1992, todo mês, em média, 22.205 publicadores participaram no ministério de campo como pioneiros nas Filipinas. Entre eles havia muitos jovens que escolheram ‘lembrar-se do seu Criador’ e usar seu vigor juvenil em Seu serviço. (Ecl. 12:1) Depois de uma década de serviço de pioneiro, um desses jovens disse: “Aprendi a ser paciente, a levar uma vida simples, a confiar em Jeová e a ser humilde. É verdade que também passei por dificuldades e desânimo, mas nada disso se compara com as bênçãos resultantes do serviço de pioneiro.”
Em abril e maio de 1989, A Sentinela fez uma exposição de Babilônia, a Grande, que é a religião falsa em suas muitas formas em todo o mundo. Os artigos foram publicados simultaneamente em 39 idiomas e houve grande distribuição. No Japão, onde o número de Testemunhas que são pioneiros tem sido muitas vezes mais de 40 por cento, um novo auge de 41.055 pioneiros auxiliares se alistou para ajudar na obra naquele mês de abril. Na Congregação Otsuka, na prefeitura de Osaka, na cidade de Takatsuki, 73 dos 77 publicadores batizados participaram em alguma forma do serviço de pioneiro naquele mês. Em 8 de abril, quando todos os publicadores no Japão foram incentivados a participar na divulgação desta mensagem vital, centenas de congregações, como a Congregação Ushioda, na cidade de Yokohama, programaram serviço de um dia inteiro nas ruas e de casa em casa, das 7 da manhã às 8 da noite, para poderem alcançar toda pessoa possível na área.
Como se dá em toda a parte, as Testemunhas de Jeová no México trabalham para sua subsistência. Contudo, cada mês durante 1992, em média, 50.095 Testemunhas de Jeová ali também deram lugar em sua vida ao serviço de pioneiro para ajudar as pessoas famintas da verdade a aprender sobre o Reino de Deus. Em algumas famílias, todos os membros cooperaram para que todos eles, ou pelo menos alguns, fossem pioneiros. Seu ministério é frutífero. Em 1992, as Testemunhas de Jeová no México dirigiam regularmente 502.017 estudos bíblicos domiciliares com pessoas e famílias.
Os anciãos que cuidam das necessidades das congregações das Testemunhas de Jeová têm pesadas responsabilidades. A maioria dos anciãos na Nigéria são chefes de família, assim como anciãos em muitos outros lugares. Contudo, além de se prepararem para dirigir as reuniões congregacionais ou participarem nelas, bem como fazerem o necessário serviço de pastoreio do rebanho de Deus, alguns desses homens são também pioneiros. Como é isso possível? A cuidadosa programação do tempo e a boa cooperação da família são muitas vezes fatores importantes.
É óbvio que, mundialmente, as Testemunhas de Jeová têm levado a sério a admoestação de Jesus de ‘persistir em buscar primeiro o reino’. (Mat. 6:33) O que fazem é uma expressão genuína de seu amor a Jeová e seu apreço pela Sua soberania. Como o salmista Davi, eles dizem: “Vou exaltar-te, ó meu Deus, o Rei, e vou bendizer teu nome por tempo indefinido, para todo o sempre.” — Sal. 145:1.
[Nota(s) de rodapé]
a Watch Tower (A Sentinela) de 15 de agosto de 1906, pp. 267-71.
b Veja The Watchtower de 1.º de fevereiro de 1967, páginas 92-5.
g Veja A Sentinela de 1.º maio de 1987, páginas 22-30; de 1.º de outubro de 1964, páginas 596-9; The Watchtower de 1.º de dezembro de 1956, páginas 712-19; de 15 de agosto de 1970, páginas 507-10; A Sentinela de 15 de junho de 1961, páginas 380-3; de 15 de dezembro de 1968, páginas 744-7; de 1.º de outubro de 1968, páginas 598-603; The Watchtower de 1.º de abril de 1959, páginas 220-3.
[Destaque na página 292]
Aumentada ênfase sobre a responsabilidade de pregar
[Destaque na página 293]
Consideram ser precioso privilégio dar testemunho de casa em casa.
[Destaque na página 294]
Compreenderam o que significa serviço de toda a alma.
[Destaque na página 295]
O que realmente significa “buscar primeiro o reino”.
[Destaque na página 301]
Testemunhas zelosas colocam os interesses do Reino acima do serviço secular e da recreação.
[Foto na página 284]
A irmã Early viajou por grande parte da Nova Zelândia de bicicleta para compartilhar a mensagem do Reino.
[Foto na página 285]
Durante 76 anos — solteira, casada e depois viúva — Malinda Keefer dedicou-se ao ministério por tempo integral.
[Fotos na página 286]
Simples carros-moradia serviam de alojamento para alguns dos primeiros pioneiros ao irem de um lugar para outro.
Canadá
Índia
[Foto na página 287]
Frank Rice (de pé à direita), Clem Deschamp (sentado na frente de Frank, com a esposa de Clem, Jean, ao lado deles), e um grupo de pessoas em Java, incluindo outras Testemunhas e recém-interessados.
[Fotos na página 288]
A vida de Claude Goodman no ministério de tempo integral o levou a servir na Índia e em sete outros países.
[Foto na página 289]
Quando Ben Brickell tinha boa saúde, alegrava-se em usá-la no serviço de Jeová; sérios problemas de saúde nos anos posteriores não o fizeram desistir.
[Foto na página 290]
Kathe Palm deu testemunho em todo tipo de território, desde edifícios de escritórios em grandes cidades até o mais remoto campo de mineração e fazenda de criação de ovelhas no Chile.
[Foto na página 291]
A determinação de Martin e Gertrud Poetzinger está expressa nas palavras: ‘Faço uma única coisa — buscar primeiro o Reino.’
[Foto na página 300]
A Escola do Serviço de Pioneiro (conforme mostrada aqui no Japão) tem dado treinamento especial a dezenas de milhares de trabalhadores zelosos.
[Fotos nas página 296, 297]
Serviço de Betel
O estudo pessoal é importante para os membros da família de Betel.
Em todo Lar de Betel, o dia começa com a consideração de um texto bíblico.
Espanha
Finlândia
O serviço é variado, mas tudo é feito em apoio da proclamação do Reino de Deus.
França
Papua Nova Guiné
Estados Unidos
Alemanha
Filipinas
México
Como no caso das Testemunhas de Jeová em toda a parte, os membros da família de Betel participam no serviço de campo.
Toda segunda-feira à noite a família de Betel estuda “A Sentinela” em conjunto.
Suíça
Itália
Grã-Bretanha
Nigéria
Países Baixos
Brasil
África do Sul
Japão
Em 1992 havia 12.974 que participavam no serviço de Betel em 99 países.
[Fotos na página 298]
Alguns com longo tempo de serviço em Betel
Heinrich Dwenger — Alemanha (cerca de 15 anos de 1911-33), Hungria (1933-35), Tchecoslováquia (1936-39), depois Suíça (1939-83)
George Phillips — África do Sul (1924-66, 1976-82)
F. W. Franz — Estados Unidos (1920-92)
Irmãs carnais (Kathryn Bogard e Grace DeCecca) que dedicaram em conjunto 136 anos ao serviço de Betel. — Estados Unidos
[Foto/Quadro na página 288]
“Onde Estão os Nove?”
Na Comemoração da morte de Cristo, em 1928, um tratado distribuído a todos os presentes intitulava-se “Onde Estão os Nove?”. A sua explicação sobre Lucas 17:11-19 tocou o coração de Claude Goodman e motivou-o a entrar no serviço de colportor, ou pioneiro, e a perseverar nesse serviço.
[Gráfico na página 303
(Para o texto formatado, veja a publicação)
Aumenta o número de pioneiros!
Porcentagem de aumento desde 1982
250%
200%
150%
100%
50%
1982 1984 1986 1988 1990 1992
Pioneiros
Publicadores
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Crescer juntos em amorTestemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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Capítulo 19
Crescer juntos em amor
ESCREVENDO a concristãos, os apóstolos de Jesus Cristo explicaram a necessidade de as pessoas crescerem não só no conhecimento exato, mas também no amor. A base para isso era o amor demonstrado pelo próprio Deus e o amor abnegado de Cristo, cujas pisadas eles se esforçaram a seguir. (João 13:34, 35; Efé. 4:15, 16; 5:1, 2; Fil. 1:9; 1 João 4:7-10) Eram uma irmandade, e, quando ajudavam uns aos outros, os vínculos de amor se tornavam ainda mais fortes.
Quando uma fome causou dificuldades econômicas para os irmãos na Judéia, cristãos na Síria e na Grécia compartilharam seus bens para ajudá-los. (Atos 11:27-30; Rom. 15:26) Quando alguns eram perseguidos, seu sofrimento era profundamente sentido por outros cristãos, e estes procuravam prestar ajuda. — 1 Cor. 12:26; Heb. 13:3.
Naturalmente, todos os humanos têm a capacidade de amar, e outros além dos cristãos praticam ações humanitárias. Mas o povo no mundo romano reconhecia que o amor demonstrado pelos cristãos era diferente. Tertuliano, que havia sido jurista em Roma, citou as observações dos do mundo romano a respeito dos cristãos, dizendo: “‘Observai’, dizem eles, ‘como amam uns aos outros . . . e como se dispõem a morrer uns pelos outros.’” (Apology, XXXIX, 7) John Hurst, em sua History of the Christian Church (História da Igreja Cristã, Volume 1, página 146), relata que as pessoas nas antigas Cartago e Alexandria, durante os surtos de pestes, afugentavam de sua presença os que estavam atacados e arrancavam do corpo dos moribundos qualquer coisa que fosse de valor. Em contraste com isso, conta ele, os cristãos nesses lugares repartiam seus bens, cuidavam dos doentes e enterravam os mortos.
Praticam as Testemunhas de Jeová dos tempos atuais obras que demonstram tal preocupação pelo bem-estar dos outros? Se assim for, são estas apenas por parte de algumas pessoas isoladas, ou incentiva e apóia a organização como um todo os esforços neste sentido?
Ajuda amorosa nas congregações locais
Entre as Testemunhas de Jeová, cuidar dos órfãos e das viúvas na congregação, bem como de quaisquer pessoas fiéis que sofram severa adversidade, é considerado parte da adoração. (Tia. 1:27; 2:15-17; 1 João 3:17, 18) Os governos seculares em geral providenciam hospitais, abrigo para os idosos, e assistência social para os desempregados na comunidade como um todo, e as Testemunhas de Jeová apóiam tais provisões pagando conscienciosamente os impostos. Entretanto, reconhecendo que só o Reino de Deus pode solucionar de modo permanente os problemas da humanidade, as Testemunhas de Jeová dedicam a si próprias e seus recursos principalmente a ensinar outros a respeito disso. Trata-se de um serviço vital que não é prestado por nenhum governo humano.
Nas mais de 69.000 congregações das Testemunhas de Jeová mundialmente, as necessidades especiais que surgem por causa de idade avançada e doença são geralmente cuidadas em caráter individual. Segundo mostra 1 Timóteo 5:4, 8, cabe a cada cristão a responsabilidade primária de cuidar de sua própria família. Os filhos, netos e outros parentes próximos demonstram amor cristão provendo ajuda aos idosos e enfermos segundo o que necessitam. As congregações das Testemunhas de Jeová não enfraquecem esse senso de responsabilidade assumindo as obrigações familiares. Entretanto, quando não existem parentes próximos, ou quando os que têm a responsabilidade simplesmente não conseguem levar a carga sozinhos, outros na congregação amorosamente prestam ajuda. Quando necessário, a congregação como um todo faz provisão para dar certa ajuda a um irmão ou irmã em necessidade que tenha antecedentes de longo tempo de serviço fiel. — 1 Tim. 5:3-10.
A ajuda em tais casos não é deixada ao acaso. Nos cursos da Escola do Ministério do Reino, que os anciãos têm repetidas vezes feito desde 1959, sua obrigação perante Deus neste respeito, como pastores do rebanho, não raro tem recebido atenção especial. (Heb. 13:1, 16) Não que estivessem despercebidos dessa necessidade antes disso. Em 1911, por exemplo, foi fornecida ajuda material pela Congregação Oldham, de Lancashire, Inglaterra, aos que em seu meio tinham graves problemas econômicos. Entretanto, desde então, a organização global cresceu, o número dos que sofrem problemas graves aumentou, e as Testemunhas de Jeová estão cada vez mais cientes daquilo que a Bíblia mostra que devem fazer em tais situações. Especialmente nos anos recentes, as responsabilidades dos cristãos para com os dentre eles que têm necessidades especiais — os idosos, enfermos, famílias em que falta o pai ou a mãe e os que sofrem dificuldades econômicas — têm sido consideradas por todas as congregações em suas reuniões.a
A preocupação das Testemunhas individuais para com outros vai muito além de simplesmente dizer: “Mantende-vos aquecidos e bem alimentados.” Demonstram amoroso interesse pessoal. (Tia. 2:15, 16) Considere alguns exemplos.
Quando uma jovem sueca, Testemunha de Jeová, contraiu meningite enquanto visitava a Grécia em 1986, ela também sentiu o que significa ter irmãos e irmãs cristãos em muitos países. Seu pai na Suécia foi avisado. Imediatamente ele entrou em contato com um ancião da congregação local das Testemunhas de Jeová na Suécia e, através dele, com uma Testemunha na Grécia. Até que ela pôde retornar à Suécia três semanas mais tarde, os novos amigos da jovem Testemunha, na Grécia, em momento algum a deixaram sem assistência.
Da mesma forma, quando uma Testemunha de idade avançada, um viúvo, em Wallaceburg, Ontário, Canadá, precisou de ajuda, uma família a quem ele ajudara espiritualmente mostrou apreço integrando-o na família. Alguns anos mais tarde, quando a família se mudou para Barry’s Bay, ele também foi junto. Morou com essa família e foi cuidado com amor por 19 anos, até a sua morte em 1990.
Na cidade de Nova Iorque, um casal de Testemunhas cuidou de um idoso que assistia às reuniões no seu Salão do Reino, fazendo isso por uns 15 anos, até a morte dele em 1986. Quando ele sofreu um derrame, eles passaram a cuidar de suas necessidades de compras, limpeza, comida e roupa. Trataram-no como se fosse seu próprio pai.
Outras necessidades também são cuidadas com amor. Um casal de Testemunhas nos Estados Unidos havia vendido sua casa e se mudara para Montana para ajudar a congregação ali. Com o tempo, porém, surgiram sérios problemas de saúde, o irmão perdeu o emprego e os recursos financeiros minguaram. Como se sairiam? O irmão orou a Jeová pedindo ajuda. Ao terminar de orar, uma Testemunha bateu à sua porta. Ambos saíram para tomar café. Quando o irmão retornou, encontrou o balcão da cozinha repleto de mantimentos. Junto com os mantimentos havia um envelope com dinheiro e um bilhete que dizia: “De seus irmãos e irmãs que os amam muito.” A congregação notara que estavam necessitados, e todos participaram em preencher essa necessidade. Profundamente comovidos pelo amor demonstrado, ele e sua esposa não conseguiram conter as lágrimas nem deixar de agradecer a Jeová, cujo exemplo de amor motiva seus servos.
É de conhecimento geral o generoso interesse que as Testemunhas de Jeová mostram por aqueles que entre elas padecem necessidades. Às vezes, impostores têm tirado partido disso. Portanto, as Testemunhas tiveram de aprender a ser cautelosas, embora não sufoquem seu desejo de ajudar os merecedores.
Quando a guerra deixa as pessoas na penúria
Em muitas partes da Terra, as pessoas ficaram na penúria em resultado da guerra. Organizações de assistência procuram dar ajuda, mas esse mecanismo não raro funciona devagar. As Testemunhas de Jeová não adotam o conceito de que o trabalho efetuado por essas agências de assistência as exima da responsabilidade para com seus irmãos cristãos nessas áreas. Quando ficam sabendo que seus irmãos sofrem privações, não lhes ‘fecham a porta das suas ternas compaixões’, mas fazem prontamente tudo ao seu alcance para socorrê-los. — 1 João 3:17, 18.
Durante a Segunda Guerra Mundial, mesmo nos países onde havia muita escassez, as Testemunhas do interior que ainda tinham alimentos repartiram estes com os irmãos menos afortunados nas cidades. Nos Países Baixos, isto foi feito com grandes riscos, por causa das severas restrições impostas pelos nazistas. Numa dessas missões de assistência, Gerrit Böhmermann liderava um grupo de irmãos em bicicletas de transporte, carregadas de alimentos cobertos com lonas. De repente, chegaram a um posto de fiscalização na cidade de Alkmaar. “Não havia outra solução senão confiar plenamente em Jeová”, disse Gerrit. Sem diminuir muito a velocidade, ele perguntou bem alto para o guarda: “Wo ist Amsterdam?” (Qual o caminho para Amsterdã?) O guarda saiu do caminho, apontou para a frente e gritou: “Geradeaus!” (Em frente!) “Danke schön!” (Muito obrigado!) foi a resposta de Gerrit ao passo que a frota inteira de bicicletas passava em velocidade máxima e uma multidão surpresa os observava. Em outra ocasião, as Testemunhas conseguiram levar para seus irmãos em Amsterdã um barco com um carregamento inteiro de batatas.
Dentro dos próprios campos de concentração na Europa, este espírito era demonstrado pelas Testemunhas de Jeová. Estando encarcerado num campo perto de Amersfoort, nos Países Baixos, um jovem de 17 anos perdera tanto peso que ficara reduzido a um esqueleto ambulante. Mas, em anos posteriores, jamais esqueceu que, certa vez, depois de terem sido forçados a fazer exercícios debaixo de chuva torrencial até meia-noite e depois disso ficado privados de alimento, uma Testemunha de outra parte do campo conseguiu chegar até ele e pôs-lhe na mão um pedaço de pão. Também, no campo de concentração de Mauthausen, na Áustria, uma Testemunha, cujo serviço requeria que fosse de uma parte do campo a outra, arriscava muitas vezes a sua vida levando alimento, que Testemunhas haviam economizado de suas escassas porções, para outras Testemunhas que sofriam mais privações do que elas.
Após a guerra, as Testemunhas de Jeová que saíram das prisões e dos campos de concentração alemães não tinham nada a não ser a roupa da prisão que traziam no corpo. A propriedade de muitos dos que não estavam presos tinha sido destruída. Havia escassez de alimentos, roupas e de combustíveis em grande parte da Europa. As Testemunhas de Jeová nesses países organizaram rapidamente reuniões de congregação e começaram a ajudar outros espiritualmente, compartilhando as boas novas do Reino de Deus. Mas elas próprias necessitavam de ajuda em outros sentidos. Muitas estavam tão enfraquecidas pela fome que não raro desmaiavam durante as reuniões.
Eis uma situação que as Testemunhas não haviam enfrentado antes em tão grande escala. Entretanto, no próprio mês em que terminou oficialmente a guerra na área do Pacífico, as Testemunhas de Jeová realizaram um congresso especial em Cleveland, Ohio, onde consideraram o que era preciso fazer para prestar socorros a seus irmãos cristãos nos países dilacerados pela guerra e como realizar isso. O animador discurso “Sua Indescritível Dádiva”, proferido por F. W. Franz, apresentava conselho bíblico bem oportuno para aquela situação.b
Em questão de algumas semanas, logo que se permitiu viajar por aquela área, N. H. Knorr, presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), e M. G. Henschel partiram para a Europa com o fim de verem pessoalmente as condições ali. Mesmo antes de empreenderem essa viagem, já estavam sendo tomadas medidas para fornecer ajuda.
De início, foram feitas remessas da Suíça e da Suécia. Em seguida, do Canadá, dos Estados Unidos e de outros países. Embora o número de Testemunhas nos países que tinham condições de fornecer tal ajuda na época fosse só cerca de 85.000, eles incumbiram-se de enviar roupas e alimentos a suas co-Testemunhas na Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, China, Dinamarca, Filipinas, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Inglaterra, Itália, Noruega, Países Baixos, Polônia, Romênia e Tchecoslováquia. Não foi um esforço feito apenas uma vez. Continuou-se a enviar ajuda durante dois anos e meio. Entre janeiro de 1946 e agosto de 1948, eles despacharam 479.114 quilos de roupa, 124.110 pares de sapatos e 326.081 quilos de gêneros alimentícios como dádivas para suas co-Testemunhas. Não se tirou nada desses fundos para despesas administrativas. A separação e o empacotamento foram feitos por voluntários não-remunerados. Os fundos contribuídos foram integralmente usados para ajudar as pessoas às quais se destinavam.
Naturalmente, a necessidade de ajuda a refugiados e a outros destituídos pela guerra não terminou na década de 40. Houve centenas de guerras desde 1945. E a mesma preocupação amorosa tem continuado a ser mostrada pelas Testemunhas de Jeová. Isto foi feito durante e depois da guerra da Biafra, na Nigéria, de 1967 a 1970. Deu-se ajuda similar a Moçambique durante a década de 80.
Também na Libéria houve fome resultante da guerra que começou em 1989. Ao passo que as pessoas fugiam, as dependências da Torre de Vigia em Monróvia ficaram apinhadas de centenas de refugiados. Todo alimento disponível ali, bem como a água do poço, foi compartilhado com Testemunhas e com vizinhos que não eram Testemunhas. Depois, logo que as circunstâncias permitiram, chegaram mais suprimentos enviados por Testemunhas da Serra Leoa e da Côte d’Ivoire (Costa do Marfim), na África Ocidental, dos Países Baixos e da Itália, na Europa, e dos Estados Unidos.
Também, em 1990, depois de a guerra no Líbano ter deixado partes de Beirute como se tivessem sofrido um terremoto, os anciãos entre as Testemunhas de Jeová organizaram uma comissão de socorros de emergência para dar a necessária assistência aos irmãos. Não precisaram convocar voluntários; todo dia muitos ofereciam seus préstimos.
Num período de grande convulsão política e econômica na Europa, as Testemunhas de Jeová da Áustria, Hungria, Iugoslávia e Tchecoslováquia enviaram mais de 70 toneladas de artigos necessários para os irmãos cristãos na Romênia, em 1990.
Isto foi seguido de outras missões de socorro na Europa Oriental. O Corpo Governante pediu para a congênere da Sociedade Torre de Vigia na Dinamarca que organizasse um serviço de assistência para as Testemunhas necessitadas na Ucrânia. As congregações foram notificadas e prontificaram-se entusiasticamente a participar. Em 18 de dezembro de 1991, cinco caminhões e dois furgões dirigidos por Testemunhas voluntárias chegaram a Lvov com 22 toneladas de suprimentos — uma expressão de interesse amoroso pelos seus irmãos cristãos. Continuando em 1992, as Testemunhas na Áustria também enviaram ajuda — mais de 100 toneladas de alimentos e roupas. Suprimentos adicionais foram enviados por Testemunhas nos Países Baixos — primeiro 26 toneladas de alimentos, depois um comboio de 11 caminhões com roupas, daí mais alimentos para as necessidades da ocasião. Os que receberam ficaram gratos a Deus e buscaram a Sua sabedoria ao fazerem uso daquilo que lhes fora provido. Uniram-se em oração antes do descarregamento dos caminhões e de novo quando a tarefa estava terminada. Outros grandes carregamentos de socorros foram enviados pelas Testemunhas da Itália, Finlândia, Suécia e Suíça. Na ocasião em que tudo isso acontecia, as condições turbulentas entre as repúblicas que antes constituíam a Iugoslávia causaram penúria ali. Também para essa área foram enviados mantimentos, roupas e remédios. No ínterim, as Testemunhas nas cidades ali abrigaram em suas casas aqueles cujas moradias haviam sido destruídas.
Às vezes, os que necessitam desesperadamente de ajuda se acham em lugares remotos, e a situação deles não é de conhecimento geral. Isso aconteceu com 35 famílias de Testemunhas de Jeová na Guatemala. Seus povoados haviam sido invadidos por facções em guerra. Quando puderam finalmente retornar em 1989, precisavam de ajuda para reconstruir. Complementando a ajuda fornecida pelo governo aos repatriados, a congênere da Sociedade Torre de Vigia formou uma comissão de emergência para ajudar essas famílias de Testemunhas, e cerca de 500 outras Testemunhas de 50 congregações se prontificaram a ajudar na reconstrução.
Há também outras situações que deixam as pessoas em grande necessidade sem que tenham culpa nisso. Terremotos, furacões e enchentes são ocorrências freqüentes. Em média, diz-se que o mundo é atingido por mais de 25 calamidades grandes por ano.
Quando as forças da natureza assolam
Quando calamidades provocam grandes emergências que atingem as Testemunhas de Jeová, tomam-se medidas imediatas para prestar a ajuda necessária. Os anciãos locais aprenderam que, quando confrontados com situações assim, devem fazer esforço diligente de contatar a cada um na congregação. A congênere da Sociedade Torre de Vigia, que supervisiona a obra do Reino na respectiva área, verifica prontamente a situação e daí faz um relatório à sede mundial. Onde há necessidade de mais ajuda do que se pode providenciar localmente, tomam-se medidas cuidadosamente coordenadas, às vezes até mesmo a nível internacional. O objetivo não é tentar elevar o nível de vida dos assim afetados, mas ajudá-los a ter o essencial para a vida segundo costumavam ter.
Uma simples notícia de calamidade na televisão é o suficiente para fazer com que muitas Testemunhas telefonem aos anciãos responsáveis na área para oferecer seus préstimos, para colocar à disposição dinheiro ou materiais. Outros talvez enviem recursos à filial ou à sede mundial, com o objetivo de serem usados para fins de socorros. Sabem que há necessidade de ajuda, e desejam participar em fornecê-la. Onde há maior necessidade, a Sociedade Torre de Vigia pode até mesmo informar os irmãos numa determinada área, para poderem dar ajuda conforme suas possibilidades. Uma comissão de assistência é formada para coordenar as coisas na área de calamidade.
Assim, quando grande parte de Manágua, na Nicarágua, foi devastada por um forte terremoto em dezembro de 1972, superintendentes de congregações das Testemunhas de Jeová naquela área se reuniram em questão de horas para coordenar os seus empenhos. Fez-se imediatamente uma verificação de como estava cada Testemunha na cidade. Naquele mesmo dia, começaram a chegar suprimentos de socorros enviados pelas congregações vizinhas; pouco depois, chegaram suprimentos da Costa Rica, Honduras e El Salvador. Quatorze pontos de distribuição foram instalados nos arredores de Manágua. Dinheiro e suprimentos doados por Testemunhas em muitas partes do mundo foram canalizados para a Nicarágua através da sede internacional da Sociedade Torre de Vigia. Alimentos e outros suprimentos (inclusive velas, fósforos e sabão) foram distribuídos segundo o tamanho de cada família, dando-se a cada uma o suficiente para sete dias. No auge das operações, umas 5.000 pessoas — Testemunhas, suas famílias e os parentes com os quais estavam hospedadas — foram alimentados. As operações de socorros continuaram por dez meses. Ao verem o que se fazia, as agências do governo e a Cruz Vermelha também tornaram disponíveis alimentos, tendas e outros suprimentos.
Em 1986, quando erupções vulcânicas forçaram a evacuação de 10.000 pessoas da ilha de Izu-Oshima, perto da costa do Japão, os barcos que transportavam refugiados eram esperados pelas Testemunhas de Jeová que buscaram diligentemente localizar seus irmãos espirituais. Disse um dos refugiados: “Quando partimos de Oshima, nós mesmos não sabíamos para onde iríamos.” Tudo aconteceu muito depressa. “Ao desembarcarmos do navio, contudo, vimos um letreiro que dizia: ‘Testemunhas de Jeová.’ . . . Lágrimas rolaram dos olhos de minha esposa, visto que ela ficou muito emocionada e aliviada de ver os irmãos ali para nos receberem no cais.” Depois de observarem como as Testemunhas refugiadas foram assistidas não só ao chegarem, mas também depois, até mesmo pessoas que antes as condenavam ao ostracismo disseram: “Bem fizeram vocês de se apegar a essa religião.”
As Testemunhas fazem todo esforço de levar o mais rápido possível ajuda a áreas de calamidade. Em 1970, quando o Peru foi atingido por um dos mais devastadores terremotos de sua história, imediatamente foram enviados recursos da sede mundial em Nova Iorque, seguidos de 15 toneladas de roupa. Mas, mesmo antes de essa remessa chegar, Testemunhas haviam conduzido uma caravana de veículos com suprimentos de socorros até à área onde as cidades e vilas haviam sido destruídas, fazendo isso em questão de poucas horas depois de serem liberadas as estradas. Progressivamente, nos dias e semanas que se seguiram, forneceram a ajuda necessária, tanto em sentido material como espiritual, aos vários grupos no alto dos Andes. E, em 1980, quando partes da Itália foram sacudidas por um grave terremoto na noite de 23 de novembro, o primeiro caminhão carregado de suprimentos, despachado pelas Testemunhas, chegou à área atingida logo no dia seguinte. Elas instalaram imediatamente sua própria cozinha, donde se distribuiu diariamente comida preparada pelas irmãs. Certa pessoa que observava a prestação de socorros numa das ilhas do Caribe disse: “As Testemunhas trabalharam mais rápido do que o Governo.” Talvez isto às vezes seja verdade, mas as Testemunhas de Jeová definitivamente apreciam a ajuda das autoridades que facilitam seus empenhos de chegar rapidamente a tais áreas de calamidade.
Durante um período de fome em Angola, em 1990, ficou-se sabendo que as Testemunhas ali necessitavam desesperadamente de alimentos e roupas. Ir até elas poderia, porém, causar problemas, porque as Testemunhas de Jeová estavam proscritas naquele país já por muitos anos. Todavia, seus irmãos cristãos da África do Sul carregaram um caminhão com 25 toneladas de suprimentos de socorros. A caminho, visitaram o consulado de Angola e foi-lhes concedida a permissão de atravessar a fronteira. Para chegarem até os irmãos, tinham de passar por 30 barricadas militares de estrada, e, onde uma ponte tinha sido explodida, tiveram de atravessar o rio na época das cheias sobre uma estrutura temporária que havia sido construída em seu lugar. Apesar de tudo isso, o carregamento todo foi entregue com segurança.
Em épocas de calamidade, faz-se mais do que simplesmente enviar suprimentos de socorros para a respectiva área. Quando explosões e incêndio devastaram uma área num subúrbio da Cidade do México, em 1984, as Testemunhas chegaram rapidamente para prestar ajuda. Mas não se sabia onde se achavam muitas das Testemunhas daquela área, portanto os anciãos organizaram uma busca sistemática para localizar a cada uma delas. Algumas se haviam espalhado para outros lugares. Contudo, os anciãos persistiram até encontrar a todas elas. Prestou-se ajuda conforme a necessidade. No caso de uma irmã que perdera o marido e um filho, isso incluía cuidar dos funerais e daí dar pleno apoio tanto material como espiritual à irmã e seus outros filhos.
Muitas vezes, precisa-se muito mais do que remédios, algumas refeições e umas roupas. Em 1989, uma tempestade destruiu as casas de 117 Testemunhas em Guadalupe e danificou seriamente as casas de outras 300. As Testemunhas de Jeová da Martinica logo chegaram para prestar ajuda; depois, as Testemunhas na França despacharam mais de 100 toneladas de materiais de construção como dádiva para ajudá-las. Na ilha de St. Croix, quando uma Testemunha que tinha perdido sua casa disse a colegas de serviço que suas co-Testemunhas iam chegar de Porto Rico para ajudar, disseram: “Eles não vão fazer nada por você. Você é negra, não hispânica como eles.” Que surpresa foi para tais colegas quando ela em pouco tempo já tinha uma casa totalmente nova! Depois de um terremoto em Costa Rica, em 1991, Testemunhas locais e voluntários internacionais trabalharam juntos para ajudar suas co-Testemunhas na área da calamidade. Não esperando nada em retribuição, reconstruíram 31 casas e 5 Salões do Reino, e consertaram ainda outros. Certos observadores disseram: ‘Os outros grupos falam de amor; vocês o demonstram.’
A eficiência com que as medidas de socorro têm sido tomadas pelas Testemunhas de Jeová não raro tem surpreendido os observadores. Na Califórnia, EUA, em 1986, uma barragem no rio Yuba rompeu e as águas inundantes obrigaram dezenas de milhares de pessoas a abandonar suas casas. Os anciãos cristãos na área entraram em contato com a sede da Sociedade em Nova Iorque, e formou-se uma comissão para socorros. Logo que as águas começaram a baixar, centenas de voluntários estavam prontos para entrar em ação. Antes que agências seculares de socorros conseguissem começar a fazer algo, as casas das Testemunhas já estavam sendo renovadas. Por que puderam agir tão rapidamente?
Um fator principal era a prontidão das Testemunhas de se oferecerem imediatamente e sem remuneração, bem como o fato de doarem o material necessário. Outro fator era que tinham experiência em se organizar e trabalhar juntos, visto que fazem isso regularmente na operação de congressos e na construção de Salões do Reino. Ainda outro fator vital é que têm refletido muito sobre o significado daquilo que a Bíblia diz: “Tende intenso amor uns pelos outros.” — 1 Ped. 4:8.
As contribuições para preencher tais necessidades com freqüência são feitas por pessoas que têm elas próprias muito pouco. Conforme dizem muitas vezes as cartas acompanhantes: ‘O donativo é pequeno, mas solidarizamo-nos com nossas irmãs e nossos irmãos.’ ‘Gostaria de poder enviar mais, entretanto o que Jeová me permitiu ter gostaria de partilhar.’ Assim como os cristãos na Macedônia, do primeiro século, elas rogam sinceramente ter o privilégio de participar em prover as coisas essenciais para a vida aos necessitados. (2 Cor. 8:1-4) Quando mais de 200.000 coreanos ficaram ao desabrigo em resultado de uma enchente em 1984, as Testemunhas de Jeová na República da Coréia reagiram tão generosamente que a filial teve de informar que não havia mais necessidade de ajuda.
Os observadores podem ver prontamente que algo mais do que um senso de responsabilidade ou de humanitarismo geral motiva as Testemunhas. Elas amam realmente a seus irmãos e irmãs cristãos.
Além de fornecerem ajuda para as necessidades físicas, as Testemunhas de Jeová dão atenção especial às necessidades espirituais de seus irmãos nas áreas de calamidade. Tomam-se providências o mais rápido possível para o prosseguimento das reuniões congregacionais. Na Grécia, em 1986, isto exigiu armar uma grande tenda fora da cidade de Kalamata para ser usada como Salão do Reino e outras pequenas em vários locais para os Estudos de Livro de Congregação no meio da semana. Similarmente, depois de atendidas as necessidades materiais dos sobreviventes da devastadora avalanche de lama em Armero, na Colômbia, em 1985, os fundos que restaram foram usados para construir novos Salões do Reino para três congregações naquela área.
Mesmo enquanto tais obras de reconstrução estão sendo efetuadas, as Testemunhas de Jeová continuam a consolar outros com respostas satisfatórias que a Palavra de Deus dá a suas perguntas sobre o objetivo da vida, a razão das calamidades e da morte, e a esperança no futuro.
Os esforços das Testemunhas em prover assistência não visam cuidar das necessidades materiais de todas as pessoas na área de calamidade. Em harmonia com Gálatas 6:10, esses são primariamente ‘para com os aparentados com elas na fé’. Ao mesmo tempo, ajudam alegremente outros conforme podem. Fizeram isso, por exemplo, ao fornecerem alimentos para as vítimas de terremoto na Itália. Nos Estados Unidos, ao ajudarem as vítimas de enchentes e de tempestades, limparam e consertaram também as casas dos angustiados vizinhos das Testemunhas. Quando se lhes pergunta por que fazem tais atos de bondade para um estranho, elas respondem simplesmente que amam seu próximo. (Mat. 22:39) Após um devastador furacão no sul da Flórida, EUA, em 1992, o bem organizado programa de prestação de socorros das Testemunhas era tão conhecido que alguns estabelecimentos comerciais e pessoas que não eram Testemunhas e que queriam fazer donativos grandes de suprimentos de socorros confiaram estes às Testemunhas de Jeová. Sabiam que sua dádiva não seria simplesmente deixada num depósito nem seria usada para lucro, mas beneficiaria realmente as vítimas do furacão, tanto as que eram Testemunhas como as que não eram. Sua prontidão em ajudar em tempo de calamidade pessoas que não são Testemunhas foi tão apreciada em Davao del Norte, nas Filipinas, que as autoridades municipais baixaram uma resolução que expressava tal apreço.
Todavia, nem todos amam os verdadeiros cristãos. Com freqüência, são alvos de cruel perseguição. Essa situação também produz generoso apoio amoroso a seus concristãos.
Em face de cruel perseguição
O apóstolo Paulo comparou a congregação cristã ao corpo humano e disse: ‘Seus membros devem ter o mesmo cuidado uns para com os outros. E, se um membro sofre, todos os outros membros sofrem com ele.’ (1 Cor. 12:25, 26) É assim que as Testemunhas de Jeová reagem quando ouvem notícias sobre a perseguição de seus irmãos cristãos.
Na Alemanha, durante a era do nazismo, o governo tomou duras medidas de repressão contra as Testemunhas de Jeová. Havia apenas umas 20.000 Testemunhas na Alemanha naquele tempo, um grupo relativamente pequeno que era desprezado por Hitler. Havia necessidade de ação unida. Em 7 de outubro de 1934, todas as congregações das Testemunhas de Jeová em toda a Alemanha se reuniram secretamente, oraram juntas e enviaram uma carta ao governo em que declaravam sua determinação de continuar a servir a Jeová. Daí, muitos dos presentes saíram a pregar destemidamente a seus vizinhos sobre o nome e o Reino de Jeová. No mesmo dia, as Testemunhas de Jeová em todo o resto da Terra também se reuniram em suas congregações e, depois de orarem em conjunto, enviaram cabogramas ao governo de Hitler em apoio de seus irmãos cristãos.
Em 1948, depois que a perseguição das Testemunhas de Jeová na Grécia, instigada pelo clero, foi exposta, o presidente da Grécia e vários ministros do governo receberam milhares de cartas das Testemunhas de Jeová a favor de seus irmãos cristãos. Essas cartas chegaram das Filipinas, Austrália, América do Norte e do Sul e de outras partes.
Quando a revista Despertai! expôs os métodos inquisitoriais empregados contra as Testemunhas na Espanha em 1961, cartas de protesto inundaram as autoridades ali. As autoridades ficaram chocadas de saber que pessoas no mundo inteiro sabiam exatamente o que estavam fazendo, e em resultado disso, embora a perseguição continuasse, alguns da Polícia começaram a tratar as Testemunhas com mais moderação. Também, em vários países da África, as autoridades receberam cartas de Testemunhas de muitas outras partes do mundo quando estas souberam que seus irmãos e irmãs cristãos estavam sendo tratados cruelmente ali.
Mesmo que não haja reação favorável da parte do governo, as Testemunhas perseguidas não são esquecidas. Por persistirem na perseguição religiosa por muitos anos, alguns governos foram repetidas vezes inundados com cartas de apelo e de protesto. Isso se deu na Argentina. Certa vez, em 1959, o secretário do Ministro dos Assuntos Estrangeiros e de Cultos levou um de nossos irmãos para uma sala onde havia várias estantes cheias de cartas que tinham chegado em grandes quantidades do mundo inteiro. Ele estava surpreso de que alguém de um lugar tão distante como Fiji escrevesse apelando a favor da liberdade de adoração na Argentina.
Em certos casos, concedeu-se maior liberdade quando os governantes ficaram sabendo que pessoas no mundo inteiro sabiam o que eles estavam fazendo e que havia muitos que realmente se importavam. Isso se deu na Libéria, em 1963. Os soldados do governo trataram com atrocidade os congressistas no congresso em Gbarnga. O presidente da Libéria foi inundado com cartas de protesto vindas do mundo inteiro, e o Departamento de Estado dos EUA interveio por causa de um cidadão dos EUA envolvido. Finalmente, o presidente Tubman telegrafou para a sede da Sociedade Torre de Vigia dizendo que estava disposto a receber uma delegação das Testemunhas de Jeová para discutir o assunto. Dois da delegação — Milton Henschel e John Charuk — haviam estado em Gbarnga. O Sr. Tubman reconheceu que o que ocorrera foi “um ultraje” e disse: “Sinto muito que isso tenha acontecido.”
Após a entrevista, foi emitida uma Ordem Executiva que notificava a “toda pessoa no país inteiro que as Testemunhas de Jeová devem ter o direito e o privilégio de livre acesso a qualquer parte do país para efetuarem sua obra missionária e adoração religiosa sem molestação da parte de ninguém. Devem ter a proteção da lei tanto de sua pessoa como de seus bens, e o direito de adorar livremente a Deus segundo os ditames de sua consciência, observando ao mesmo tempo as leis da República por respeitarem a bandeira nacional quando esta é içada ou abaixada em cerimônias e por ficarem de pé, em posição de sentido”. Mas não se exigiu que fizessem saudação violando sua consciência cristã.
Entretanto, até 1992, ainda não havia um pronunciamento oficial assim em Malaui, embora a violência contra as Testemunhas de Jeová ali tivesse diminuído consideravelmente. As Testemunhas de Jeová ali foram vítimas de uma das mais cruéis perseguições religiosas da história da África. Uma onda de tais perseguições varreu o país em 1967; outra começou em princípios da década de 70. De todas as partes do mundo, dezenas de milhares de cartas a favor das Testemunhas de Jeová foram escritas. Foram feitos telefonemas. Enviaram-se cabogramas. Muitas pessoas de projeção no mundo foram movidas por humanitarismo a expressar-se.
Tão extrema foi a brutalidade que umas 19.000 Testemunhas de Jeová e seus filhos fugiram, atravessando a fronteira, para Zâmbia, em 1972. As congregações das Testemunhas na redondeza, em Zâmbia, rapidamente ajuntaram alimentos e cobertores para seus irmãos. Dinheiro e provisões doados pelas Testemunhas de Jeová do mundo inteiro chegaram em grandes quantidades às congêneres da Sociedade Torre de Vigia e foram encaminhados para os refugiados pela sede em Nova Iorque. Recebeu-se mais do que o suficiente para atender às necessidades dos refugiados no campo de Sinda Misale. Quando correu a notícia da chegada de caminhões com alimentos, roupa e lonas para prover abrigo, os irmãos malauianos não conseguiram conter as lágrimas de alegria por causa da evidência do amor de seus irmãos cristãos.
Quando quaisquer delas são mantidas presas, suas co-Testemunhas não se esquecem delas nem mesmo em face de risco pessoal. Durante a proscrição na Argentina, quando um grupo de Testemunhas foi detido por 45 horas, quatro outras Testemunhas lhes levaram alimento e roupa, resultando em elas próprias também serem encarceradas. Em 1989, a esposa de um superintendente de circuito em Burundi, ao saber da situação triste de seus irmãos cristãos, tentou levar-lhes alimento na prisão. Mas ela própria foi detida e mantida como refém por duas semanas, porque a Polícia estava à procura de seu marido.
Além do que elas podiam fazer de todas essas formas, o amor a seus irmãos cristãos move as Testemunhas de Jeová a erguer a voz em oração a Deus a favor deles. Não oram pedindo que Deus ponha fim a guerras e escassez de alimentos, porque Jesus Cristo predisse que essas coisas ocorreriam em nossos dias. (Mat. 24:7) Tampouco oram a Deus para que impeça toda perseguição, porque a Bíblia diz claramente que os verdadeiros cristãos serão perseguidos. (João 15:20; 2 Tim. 3:12) Mas pedem fervorosamente que seus irmãos e irmãs cristãos sejam fortalecidos para se manterem firmes na fé em face de quaisquer dificuldades que lhes sobrevenham. (Veja Colossenses 4:12.) Os fatos que atestam a sua força espiritual são uma grande evidência de que tais orações têm sido atendidas.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja A Sentinela de 1.º de maio de 1981, páginas 21-7; 15 de outubro de 1986, páginas 10-21; 1.º de junho de 1987, páginas 4-18; 15 de julho de 1988, páginas 21-3; 1.º de março de 1990, páginas 20-2.
b Veja The Watchtower, de 1.º de dezembro de 1945, páginas 355-63.
[Destaque na página 305]
O atendimento de casos de necessidade especial não é deixado ao acaso.
[Destaque na página 307]
Ajuda resultante do amoroso interesse pessoal
[Destaque na página 308]
Fazem frente a grandes necessidades de socorro.
[Destaque na página 312]
Uma busca sistemática para encontrar cada uma das Testemunhas na área da calamidade.
[Destaque na página 315]
Faz-se o bem da mesma forma aos que não são Testemunhas.
[Destaque na página 317]
Lágrimas de alegria por causa do amor de seus irmãos cristãos
[Fotos na página 306]
Depois da Segunda Guerra Mundial, despacharam alimentos e roupas a co-Testemunhas necessitadas em 18 países.
Estados Unidos
Suíça
[Foto na página 310]
Em 1990, Testemunhas em países vizinhos uniram seus esforços para ajudar concrentes na Romênia.
[Fotos na página 311]
Testemunhas que sobreviveram a um terremoto no Peru construíram sua própria cidade de refúgio e ajudaram uns aos outros.
Suprimentos de socorros trazidos por outras Testemunhas (abaixo) estavam entre os primeiros a chegar àquela área.
[Fotos na página 313]
As medidas de socorro não raro incluem suprir materiais de construção e voluntários para ajudarem suas co-Testemunhas a reconstruir suas casas.
Panamá
México
Guatemala
[Foto na página 314]
As medidas de socorro das Testemunhas incluem a edificação espiritual. Tanto em Kalamata, Grécia, como fora da cidade, foram erigidas rapidamente tendas para reuniões.
[Quadro na página 309]
“Vocês realmente amam uns aos outros”
No Líbano dilacerado pela guerra, depois de observarem Testemunhas voluntárias restaurar por completo a casa seriamente danificada de uma irmã cristã, os vizinhos desta se sentiram compelidos a perguntar: “De onde vem este amor? Que tipo de pessoas são vocês?” E uma senhora muçulmana, ao observar a casa de uma Testemunha ser limpa e consertada, disse: “Vocês realmente amam uns aos outros. Sua religião é a verdadeira.”
[Quadro na página 316]
Verdadeiros irmãos e irmãs
Sobre Testemunhas cubanas refugiadas em Fort Chaffee, Arkansas, o “Arkansas Gazette” dizia: “Foram os primeiros a serem alojados em novas casas porque seus ‘irmãos e irmãs’ americanos — suas co-Testemunhas de Jeová — os procuraram. . . . Quando as Testemunhas chamam seus pares em sentido espiritual em qualquer terra de ‘irmãos e irmãs’, estão realmente falando sério.” — Edição de 19 de abril de 1981.
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Construindo juntos em escala globalTestemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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Capítulo 20
Construindo juntos em escala global
O SENTIMENTO de genuína fraternidade entre as Testemunhas de Jeová manifesta-se de muitas maneiras. Quem assiste às suas reuniões vê evidências disso. Em seus congressos, isso é demonstrado em escala maior. É também muito evidente quando trabalham juntas para providenciarem lugares adequados de reunião para suas congregações.
No início da década de 90, havia mais de 60.000 congregações das Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Na década anterior, tinham sido acrescentadas anualmente, em média, 1.759 novas congregações. Ao começar a década de 90, esse índice havia aumentado para mais de 3.000 por ano. Providenciar locais adequados para todas elas se reunirem tem sido uma tarefa monumental.
Salões do Reino
Como no caso dos cristãos do primeiro século, muitas congregações das Testemunhas de Jeová inicialmente usavam residências para a maioria das reuniões. Em Estocolmo, Suécia, os poucos que realizaram as primeiras reuniões regulares alugaram uma carpintaria, que eles usavam depois de encerradas as atividades do dia ali. Devido à perseguição, um pequeno grupo na província de La Coruña, Espanha, realizava suas primeiras reuniões num pequeno depósito, ou celeiro.
Quando se precisava de mais espaço, as congregações das Testemunhas de Jeová, em países onde havia liberdade, alugavam um local para reuniões. No entanto, quando se tratava de um salão usado também por outras organizações, era preciso transportar ou instalar o equipamento para cada reunião, e o local muitas vezes cheirava a fumaça de cigarro. Quando possível, os irmãos alugavam uma loja desocupada ou uma sala num sobrado, para uso exclusivo da congregação. Mas, com o tempo, em muitos lugares os aluguéis elevados e a falta de locais adequados tornaram necessário tomar outras providências. Em alguns casos, compravam-se e reformavam-se prédios.
Antes da Segunda Guerra Mundial, algumas congregações construíram locais de reunião especialmente projetados para seu uso. Mesmo já em 1890, um grupo de Estudantes da Bíblia nos Estados Unidos, em Mount Lookout, Virgínia Ocidental, construiu seu próprio local de reuniões.a No entanto, a ampla construção de Salões do Reino só começou a partir da década de 50.
O nome Salão do Reino foi sugerido em 1935 por J. F. Rutherford, que na época era o presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Ele providenciou que os irmãos construíssem um salão anexo ao prédio da filial da Sociedade, em Honolulu, Havaí, para a realização de reuniões. Quando James Harrub perguntou que nome o irmão Rutherford daria a essa construção, ele respondeu: “Não acha que devemos chamá-la de ‘Salão do Reino’, visto que é isso que estamos fazendo, pregando as boas novas do Reino?” Dali em diante, onde possível, os salões regularmente usados pelas Testemunhas de Jeová passaram pouco a pouco a ser identificados por letreiros com os dizeres “Salão do Reino”. Assim, o Tabernáculo de Londres recebeu o novo nome de Salão do Reino ao ser reformado em 1937-38. Com o tempo, em todo o mundo, o principal local em que as congregações realizavam as reuniões passou a ser conhecido como Salão do Reino das Testemunhas de Jeová.
Mais de uma maneira de construir
A decisão de alugar ou construir Salões do Reino é tomada pelas congregações locais. Elas também arcam com as despesas de construção e de manutenção. Para economizar, a grande maioria das congregações procura fazer tanto quanto possível da construção sem recorrer a construtoras.
Os salões podem ser construídos de tijolo, de pedra, de madeira ou de outros materiais, dependendo dos custos e do que está disponível na região. Em Katima Mulilo, Namíbia, usou-se sapé para a cobertura, e as paredes e o piso foram feitos de barro de cupinzeiro (que endurece muito). As Testemunhas de Jeová em Segóvia, Colômbia, fabricaram seus próprios blocos de cimento. Em Colfax, Califórnia, EUA, usou-se lava rudimentar do monte Lassen.
Visto que a assistência às reuniões muitas vezes passava de 200 pessoas, em 1972, a congregação em Maseru, Lesoto, percebeu que era preciso construir um Salão do Reino adequado. Todos ajudaram na construção. Irmãos idosos chegavam a andar uns 30 quilômetros para participar. Crianças rolavam tambores de água até o local. As irmãs forneciam refeições. Elas também usavam os pés para socar o chão, compactando-o em preparação para a concretagem do piso, entoando o tempo todo cânticos do Reino e batendo os pés no ritmo da música. Usou-se arenito nas paredes, que bastava apanhar nas montanhas próximas. O resultado foi um Salão do Reino com cerca de 250 assentos.
Às vezes, Testemunhas de Jeová de congregações próximas ajudavam nas construções. Por exemplo, em 1985, quando as Testemunhas de Jeová de Imbali, uma comunidade negra na África do Sul, construíram um salão para acomodar confortavelmente 400 pessoas, Testemunhas das vizinhas localidades de Pietermaritzburg e de Durban vieram ajudar. Pode imaginar quão surpresos ficaram os vizinhos ao verem, numa época de conturbações raciais na África do Sul, dezenas de Testemunhas de Jeová brancas, mestiças e indianas chegar àquela cidade e trabalhar ombro a ombro com seus irmãos africanos negros? Como disse o prefeito: “Isto só pode ser realizado com amor.”
Não obstante a boa disposição, as congregações observaram que as circunstâncias locais limitavam o que os irmãos podiam fazer. Os homens nas congregações tinham família para sustentar e, em geral, só podiam trabalhar na construção nos fins de semana e talvez um pouquinho à noite durante a semana. Muitas congregações tinham poucos profissionais de construção, se é que os tinham. Todavia, era possível erigir, em alguns dias ou talvez em algumas semanas, estruturas relativamente simples e parcialmente abertas, adequadas para os trópicos. Com a ajuda de Testemunhas de Jeová de congregações vizinhas, dava para construir salões mais resistentes em cinco ou seis meses. Em outros casos, era preciso um ou dois anos.
No entanto, ao adentrarem na década de 70, as Testemunhas de Jeová em todo o mundo aumentavam num índice de duas ou três novas congregações por dia. No início da década de 90, esse crescimento era de até nove congregações por dia. Seria possível suprir a sua urgente necessidade de novos Salões do Reino?
Técnicas de construção rápida
Em princípios da década de 70, nos Estados Unidos, mais de 50 Testemunhas de Jeová de congregações vizinhas uniram seus esforços na construção de um Salão do Reino em Carterville, Missouri, para o grupo que se reunia na Cidade de Webb. Num único fim de semana erigiram a estrutura principal e adiantaram bem o trabalho no telhado. Ainda havia muito a ser feito, e levou meses para terminar o serviço; mas uma parte significativa fora concluída num período bastante curto.
Na década seguinte, à medida que os irmãos trabalhavam em uns 60 salões, superavam-se obstáculos e desenvolviam-se métodos mais eficazes. Com o tempo, perceberam que, uma vez concluído o alicerce, talvez pudessem praticamente terminar um inteiro Salão do Reino num único fim de semana.
Diversos superintendentes de congregação — todos do centro-oeste dos Estados Unidos — passaram a trabalhar visando esse objetivo. Quando as congregações pediam ajuda para a construção de seu Salão do Reino, um ou mais desses irmãos consideravam com elas o projeto e forneciam pormenores sobre os preparativos a serem feitos localmente antes da realização do trabalho. Entre outras coisas, era preciso obter alvarás de construção, concretar o alicerce e o piso, providenciar energia elétrica, instalar o encanamento subterrâneo e tomar providências para a entrega confiável de materiais de construção. Daí, podia-se marcar a data para a construção propriamente dita do Salão do Reino. O prédio não seria pré-fabricado; seria construído no próprio local, do alicerce ao telhado.
Quem realizaria a construção? Na medida do possível, isso seria feito com mão-de-obra voluntária, não remunerada. Muitas vezes, famílias inteiras participavam. Os organizadores do projeto contatavam Testemunhas de Jeová que eram profissionais e haviam expressado desejo de cooperar. Muitas aguardavam ansiosamente cada novo projeto de construção. Outras Testemunhas que ficavam sabendo dos projetos queriam participar; centenas delas das redondezas — e de lugares mais distantes — dirigiam-se aos canteiros de obras, ansiosas por oferecer seus serviços da maneira que lhes fosse possível. Na maioria, não eram profissionais em construção, mas certamente davam evidência de que se enquadravam na descrição daqueles que seriam apoiadores do Rei Messiânico de Jeová, segundo o Salmo 110:3: “Teu povo se oferecerá voluntariamente.”
Na noite da quinta-feira antes da grande arrancada, os supervisores do projeto reuniam-se para elaborar os últimos pormenores. Na noite seguinte, os trabalhadores assistiam a uma apresentação de slides sobre os métodos, para que entendessem como se realizaria o trabalho. Frisava-se a importância de qualidades piedosas. Os irmãos eram incentivados a trabalhar juntos em amor, a ser bondosos, a mostrar paciência e consideração. Todos eram incentivados a trabalhar em ritmo constante, mas sem se afobar nem hesitar em tirar uns minutos para partilhar com alguém uma experiência encorajadora. A construção começava logo cedo na manhã seguinte.
Cedo na manhã de sábado, na hora marcada, todos paravam o que estivessem fazendo para ouvir a consideração do texto bíblico do dia. Fazia-se uma oração, pois reconhecia-se que o êxito do inteiro empreendimento dependia da bênção de Jeová. — Sal. 127:1.
Quando o trabalho começava, seguia rápido. Em uma hora, as vigas das paredes já estavam erguidas. Daí vinham as tesouras do telhado. O revestimento das paredes era pregado. Os eletricistas começavam a fazer a fiação. Instalavam-se os dutos de ar-condicionado e de aquecimento. Os armários eram fabricados e instalados. Às vezes, chovia todo o fim de semana, ou o tempo ficava excessivamente frio ou quente, mas o trabalho prosseguia. Não havia competição nem rivalidade entre os profissionais.
Era comum que antes do pôr-do-sol do segundo dia o Salão do Reino já estivesse terminado — belamente decorado por dentro e talvez até ajardinado por fora. Quando era mais prático, programava-se o serviço para três dias, ou talvez para dois fins de semana. Concluído o projeto, muitos trabalhadores permaneciam ali, cansados, mas muito felizes, para assistir à primeira reunião congregacional regular, o estudo de A Sentinela.
Duvidando de que se pudesse fazer um trabalho de qualidade com tanta rapidez, várias pessoas em Guymon, Oklahoma, EUA, chamaram o inspetor de obras da cidade. “Eu lhes disse que, se quisessem ver algo bem executado, deviam visitar o salão!” disse o inspetor, ao contar depois o incidente às Testemunhas de Jeová. “Vocês fazem muito bem até mesmo o que ficará escondido e não será visto!”
À medida que aumentava a necessidade de Salões do Reino, os irmãos que haviam desenvolvido muitos dos métodos de construção rápida treinavam outros. As notícias do que se fazia chegaram a outros países. Poderiam esses métodos de construção ser usados lá também?
Construção rápida num âmbito internacional
A construção de Salões do Reino no Canadá estava muito longe de suprir as necessidades das congregações. As Testemunhas de Jeová do Canadá convidaram os organizadores de projetos de construção rápida nos Estados Unidos para explicarem como realizavam isso. A princípio, os canadenses duvidavam um pouco que isso pudesse ser feito no Canadá, mas decidiram tentar. O primeiro Salão do Reino construído assim no Canadá foi em Elmira, Ontário, em 1982. Em 1992, 306 Salões do Reino no Canadá já haviam sido construídos dessa maneira.
As Testemunhas de Jeová em Northampton, Inglaterra, acharam que também podiam fazer o mesmo. Seu projeto, em 1983, foi o primeiro da Europa. Irmãos dos Estados Unidos e do Canadá, experientes nesse tipo de construção, foram supervisionar a obra e ajudar as Testemunhas locais a executá-la. Havia outros voluntários, de lugares tão longínquos como o Japão, a Índia, também da França e da Alemanha. Estavam lá como voluntários, não assalariados. Como foi tudo isso possível? O supervisor duma equipe de Testemunhas de Jeová irlandesas que trabalharam num desses projetos disse: ‘É um sucesso porque todos os irmãos e irmãs cooperam sob a influência do espírito de Jeová.’
Mesmo quando os regulamentos locais de construção parecem impossibilitar a realização desses projetos, as Testemunhas de Jeová constatam que as autoridades municipais muitas vezes cooperam de bom grado quando os pormenores lhes são explicados.
Depois da conclusão de um projeto de construção rápida na Noruega, ao norte do Círculo Ártico, o jornal Finnmarken exclamou: “Simplesmente fantástico! Essa é a única expressão que encontramos para descrever o que as Testemunhas de Jeová fizeram no último fim de semana.” De modo similar, quando as Testemunhas de Jeová da ilha do Norte, Nova Zelândia, construíram um atraente Salão do Reino em dois dias e meio, a manchete do jornal local foi: “Construção Quase Milagrosa.” O artigo dizia mais: “Talvez o aspecto mais incrível do trabalho tenha sido a organização e a completa serenidade da operação.”
Ser distante o lugar em que o Salão do Reino se faz necessário não é uma barreira intransponível. Em Belize, executou-se um projeto de construção rápida, embora isso significasse transportar todo o material para uma ilha a quase 60 quilômetros da Cidade de Belize. A construção em um único fim de semana de um Salão do Reino com ar-condicionado em Port Hedland, Austrália Ocidental, foi realizada com materiais e mão-de-obra trazidos quase que totalmente de 1.600 quilômetros de distância ou mais. Os trabalhadores pagaram as despesas de viagem de seus próprios bolsos. A maioria dos que participaram no projeto não conhecia pessoalmente as Testemunhas de Jeová da Congregação Port Hedland, e bem poucos assistiriam a reuniões lá algum dia. Mas isso não os impediu de expressar dessa maneira o seu amor.
Mesmo o número reduzido de Testemunhas de Jeová locais não tem impedido o uso desses métodos de construir salões. Cerca de 800 Testemunhas de Trinidad ofereceram-se para ir a Tobago a fim de ajudarem seus 84 irmãos e irmãs cristãos locais a construir um salão em Scarborough, em 1985. As 17 Testemunhas (na maioria mulheres e crianças) de Goose Bay, Labrador, no Canadá, precisavam mesmo de ajuda se é que um dia haveriam de ter um Salão do Reino próprio. Em 1985, Testemunhas de Jeová de outras partes do Canadá fretaram três aviões para levar 450 delas a Goose Bay para realizar a tarefa. Depois de dois dias de trabalho árduo, já no domingo, à noite, realizaram o programa de dedicação no salão terminado.
Isso não significa que atualmente todos os Salões do Reino sejam construídos com métodos de construção rápida, mas tem sido assim com um sempre crescente número de salões.
Comissões regionais de construção
Em meados de 1986, aumentara muito a demanda de novos Salões do Reino. No ano anterior, formaram-se em todo o mundo 2.461 novas congregações; 207 destas, nos Estados Unidos. Alguns Salões do Reino eram utilizados por três, quatro ou até cinco congregações. Como predito nas Escrituras, Jeová estava realmente apressando a obra de ajuntamento. — Isa. 60:22.
Para garantir o melhor uso possível da mão-de-obra e permitir que todos que estivessem construindo Salões do Reino se beneficiassem da experiência acumulada, a Sociedade passou a coordenar essa atividade. Para começar, em 1987, os Estados Unidos foram divididos entre 60 Comissões Regionais de Construção. Todas tinham muito que fazer; algumas, em pouco tempo já tinham projetos para um ano ou mais. Os designados para servir nessas comissões eram, antes de mais nada, homens espiritualmente qualificados, anciãos congregacionais, exemplares em manifestar os frutos do espírito de Deus. (Gál. 5:22, 23) Muitos também tinham experiência no ramo imobiliário, em engenharia, construção, administração comercial, segurança e campos relacionados.
As congregações foram incentivadas a consultar a Comissão Regional de Construção antes de escolherem um local para um novo Salão do Reino. Nos lugares onde havia mais de uma congregação na cidade, foram também aconselhadas a consultar o(s) superintendente(s) de circuito, o superintendente de cidade e anciãos das congregações vizinhas. As congregações que planejavam fazer reformas grandes ou construir um novo Salão do Reino foram aconselhadas a beneficiar-se da experiência dos irmãos da Comissão Regional de Construção da sua região e das diretrizes fornecidas pela Sociedade a esses irmãos. Mediante essa comissão, coordenavam-se arranjos para reunir o necessário pessoal capacitado dentre irmãos e irmãs, habilitados em umas 65 profissões, que já se haviam oferecido para ajudar nesses projetos.
À medida que os métodos eram aprimorados, foi sendo possível reduzir a quantidade de trabalhadores envolvidos nas construções. Em vez de milhares de pessoas ficarem observando ou oferecendo seus serviços no canteiro de obras, raramente havia mais de 200 no local ao mesmo tempo. Em vez de ficarem todo o fim de semana ali, os trabalhadores compareciam apenas quando suas habilidades específicas eram necessárias. Assim, tinham mais tempo para a família e para atividades nas suas próprias congregações. Quando os irmãos locais conseguiam realizar certos serviços num tempo razoável, muitas vezes se constatava ser mais prático convocar o grupo de construção rápida apenas para os aspectos da obra em que a sua presença era mais urgentemente necessária.
Embora a inteira operação avançasse numa velocidade espantosa, isso não era de importância primária. O mais importante era oferecer uma construção de qualidade de Salões do Reino modestos, projetados para preencherem as necessidades locais. Fazia-se meticuloso planejamento para se atingir esse objetivo e ainda assim manter as despesas reduzidas ao mínimo. Cuidava-se de que a segurança recebesse grande prioridade — a segurança dos trabalhadores, dos vizinhos, dos transeuntes e dos futuros usuários do Salão do Reino.
À medida que as notícias sobre esse arranjo de construção de Salões do Reino chegavam a outros países, as filiais da Sociedade que achavam que isso seria vantajoso em seus respectivos territórios foram informadas dos necessários pormenores. Em 1992, Comissões Regionais de Construção, designadas pela Sociedade, ajudavam na construção de Salões do Reino na África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Canadá, Espanha, França, Grã-Bretanha, Japão e México. Os métodos de construção eram adaptados às circunstâncias locais. Quando surgia a necessidade de ajuda de uma outra filial para a construção de Salões do Reino, providenciava-se tal ajuda por intermédio da sede da Sociedade. Em algumas partes do mundo, construíam-se salões em poucos dias; em outras, em semanas ou talvez em alguns meses. Com meticuloso planejamento e esforço coordenado, o tempo necessário para construir um Salão do Reino ia sendo definitivamente reduzido.
As atividades de construção das Testemunhas de Jeová não se limitam a Salões do Reino. Há necessidade de locais mais amplos, para que grupos de congregações se reúnam em assembléias de circuito, anuais, e em assembléias especiais de um dia.
Suprindo a necessidade de Salões de Assembléias
Ao longo dos anos, as assembléias de circuito têm sido realizadas em locais dos mais variados tipos. As Testemunhas de Jeová têm alugado auditórios cívicos, escolas, teatros, salões militares, ginásios de esportes e recintos de exposição. Em alguns lugares, conseguiam-se locais ótimos por um preço razoável. Na maioria das vezes, era preciso muito tempo e esforço para limpar o local, instalar o equipamento de som, montar o palco e transportar cadeiras. Às vezes, ocorriam cancelamentos de última hora. À medida que aumentava a quantidade de congregações, ficava cada vez mais difícil encontrar suficientes locais adequados. O que poderia ser feito?
Novamente, a solução era as Testemunhas de Jeová terem seus próprios locais de reunião. Isso significava reformar edifícios adequados e construir novos. O primeiro desses Salões de Assembléias nos Estados Unidos foi um teatro na Cidade de Long Island, Nova Iorque, reformado e posto em uso pelas Testemunhas de Jeová em fins de 1965.
Por volta da mesma época, as Testemunhas de Jeová na ilha de Guadalupe, no Caribe, projetavam um Salão de Assembléias que suprisse suas necessidades. Achavam que seria vantajoso se pudessem realizar as assembléias de circuito em muitos lugares diferentes. Mas a maioria das cidades não dispunha de locais com espaço suficiente. Portanto, as Testemunhas construíram uma estrutura portátil, de tubos de aço e telhado de alumínio, com capacidade para 700 pessoas e erigível onde quer que houvesse disponível um terreno relativamente plano. Tiveram de ampliar esse salão vez após vez, até que atingiu a capacidade de 5.000 pessoas. Imagine o que era transportar, montar e desmontar 30 toneladas de material para cada assembléia! Esse Salão de Assembléias foi montado e desmontado várias vezes por ano durante 13 anos, até que ficou difícil achar onde instalar o salão portátil e veio a ser necessário adquirir um terreno e construir um Salão de Assembléias permanente, que agora serve para assembléias de circuito e congressos de distrito.
Em muitos lugares, a construção de Salões de Assembléias se fez aproveitando-se estruturas já existentes. Na Inglaterra, em Hays Bridge, Surrey, uma escola construída há 50 anos foi adquirida e reformada. Situa-se num terreno de 11 hectares, numa bela região rural. Alguns antigos cinemas e um depósito industrial foram reformados e postos em uso na Espanha; uma tecelagem desativada na Austrália; um salão de baile em Quebec, Canadá; uma casa de jogo de boliche no Japão; um depósito na República da Coréia. Todos foram transformados em atraentes Salões de Assembléias que podiam servir como grandes centros de instrução bíblica.
Outros Salões de Assembléias eram inteiramente novos, tendo sido construídos desde o alicerce. O singular formato octogonal do salão de Hellaby, South Yorkshire, na Inglaterra, além de grande parte do trabalho ter sido realizada com mão-de-obra voluntária, deu origem a um artigo na revista do Instituto de Engenheiros Estruturais. O Salão de Assembléias de Saskatoon, Saskatchewan, no Canadá, foi projetado para acomodar 1.200 pessoas; mas, quando as paredes interiores são puxadas, a estrutura pode ser usada como quatro Salões do Reino contíguos. O Salão de Assembléias do Haiti (pré-fabricado e despachado dos Estados Unidos) é aberto de dois lados para que a assistência se beneficie do ar fresco trazido pelos ventos constantes — um agradável alívio do sol quente do Haiti. O salão de Port Moresby, Papua Nova Guiné, foi projetado de tal modo que certas partes das paredes possam ser abertas como portas, a fim de acomodar assistências que ultrapassam a capacidade interna.
A decisão de construir um Salão de Assembléias não é tomada por um pequeno grupo de superintendentes, que depois espera que todos apóiem o projeto. Antes de se construir um Salão de Assembléias, a Sociedade certifica-se de que se faça meticulosa análise da necessidade de um salão e de quão freqüentemente será usado. Leva-se em conta não só o entusiasmo local pelo projeto, mas também as necessidades globais do campo. Considera-se isso com todas as congregações que estarão envolvidas, para avaliar o desejo dos irmãos e as possibilidades de darem seu apoio.
Assim, quando a obra tem início, as Testemunhas de Jeová da região a apóiam de todo o coração. Os projetos são financiados pelas próprias Testemunhas. As necessidades financeiras são apresentadas, mas as contribuições são voluntárias e anônimas. Faz-se criterioso planejamento antecipado, e o projeto se beneficia da experiência já adquirida na construção de Salões do Reino e, muitas vezes, de Salões de Assembléias em outros lugares. Quando necessário, algumas fases da obra são confiadas a construtoras, mas a maior parte em geral é realizada por entusiásticas Testemunhas de Jeová. Isso pode reduzir o custo pela metade.
Com mão-de-obra constituída de profissionais habilitados e de outros que oferecem seu tempo e aptidões, a construção em geral progride rápido. Em alguns casos talvez leve mais de um ano. Mas, na ilha de Vancouver, Canadá, em 1985, uns 4.500 voluntários construíram um Salão de Assembléias de 2.300 metros quadrados em apenas nove dias. A estrutura inclui também um Salão do Reino com 200 lugares, para uso das congregações locais. Na Nova Caledônia, em 1984, o governo impôs um toque de recolher por causa de inquietações políticas, mas, mesmo assim, até 400 voluntários trabalharam por vez no Salão de Assembléias, e a obra foi concluída em apenas quatro meses. Perto de Estocolmo, Suécia, construiu-se em sete meses um belo e prático Salão de Assembléias com 900 poltronas estofadas, de madeira de carvalho.
Às vezes, são necessários esforços persistentes nos tribunais para a obtenção de alvarás para a construção desses Salões de Assembléias. Foi assim no Canadá, em Surrey, Colúmbia Britânica. Quando o terreno foi adquirido, as leis de zoneamento da região permitiam a construção de locais de adoração. Mas, depois de se dar entrada nas plantas, em 1974, o Conselho do Distrito de Surrey baixou um estatuto que estipulava que igrejas e salões de assembléias só podiam ser construídos na Zona P-3 — zona que não existia! No entanto, 79 igrejas já haviam sido construídas no município sem dificuldade alguma. O assunto foi levado ao tribunal. Várias decisões judiciais foram emitidas a favor das Testemunhas de Jeová. Quando finalmente se removeram os obstáculos criados por autoridades preconceituosas, os voluntários trabalharam no projeto com tanto entusiasmo que o concluíram em cerca de sete meses. Como aconteceu com Neemias em seus esforços para reconstruir as muralhas da antiga Jerusalém, eles sentiram que a ‘mão de Deus estava sobre eles’ para a realização da obra. — Nee. 2:18.
Quando as Testemunhas de Jeová nos Estados Unidos adquiriram o Teatro Stanley, na Cidade de Jérsei, Nova Jérsei, o edifício já estava tombado como patrimônio histórico do Estado. Embora estivesse em deplorável estado de abandono, o teatro tinha excelente potencial para ser usado como Salão de Assembléias. No entanto, quando as Testemunhas de Jeová quiseram realizar a necessária restauração, as autoridades da cidade negaram os alvarás. O prefeito não queria as Testemunhas de Jeová naquela área; ele tinha outros planos para a propriedade. Foi preciso mover uma ação judicial para impedir que as autoridades usassem ilicitamente sua autoridade. O tribunal decidiu a favor das Testemunhas de Jeová. Pouco depois, uma eleição local removeu o prefeito do cargo. As obras no salão progrediram rápido. O resultado foi um lindo Salão de Assembléias que acomoda mais de 4.000 pessoas. É um lugar que causa orgulho aos homens de negócios e aos habitantes da cidade.
Nos últimos 27 anos, em muitas partes do globo, as Testemunhas de Jeová construíram Salões de Assembléias atraentes e práticos para servirem como centros de instrução bíblica. Esses salões agora existem em números sempre crescentes nas Américas do Norte e do Sul, na Europa, na África e no Oriente, bem como em muitas ilhas. Em alguns países — por exemplo, Nigéria, Itália e Dinamarca — as Testemunhas de Jeová chegaram a construir locais maiores, permanentes e abertos que podem ser usados para seus congressos de distrito.
Entretanto, Salões de Assembléias e Salões do Reino não são as únicas construções que as Testemunhas de Jeová realizam para promover a proclamação do Reino de Deus.
Escritórios, gráficas e lares de Betel em todo o mundo
Ao redor do globo, em 1992, havia 99 filiais da Sociedade Torre de Vigia dos EUA, sendo que cada qual coordenava as atividades das Testemunhas de Jeová em sua respectiva parte do campo mundial. Mais de metade dessas filiais produziam matéria impressa de algum tipo para promover a obra de instrução bíblica. De modo geral, os que trabalham nas filiais residem como uma grande família em lares chamados Betel, que significa “Casa de Deus”. Devido ao aumento no número de Testemunhas de Jeová e em sua atividade de pregação, tem sido necessário ampliar as filiais já existentes e construir novas.
O crescimento da organização tem sido tão rápido que não raro há de 20 a 40 desses programas de expansão de filial em andamento ao mesmo tempo. Isso requer um imenso programa internacional de construção.
Devido à enorme quantidade de construções em andamento no mundo todo, a Sociedade Torre de Vigia tem seu próprio Departamento de Engenharia e Projetos na sua sede mundial, em Nova Iorque, EUA. Engenheiros, com muitos anos de experiência, deixaram seu serviço secular e se ofereceram para ajudar por tempo integral em projetos de construção relacionados diretamente com a atividade do Reino. Além disso, os experientes treinam homens e mulheres em serviços de engenharia, projeto e desenho. Coordenando-se o trabalho mediante esse departamento, a experiência adquirida na construção de filiais em qualquer parte do mundo pode beneficiar os que trabalham em projetos de construção em outros países.
Com o tempo, o grande volume de trabalho tornou proveitoso abrir no Japão um Escritório Regional de Engenharia para ajudar a produzir plantas de projetos no Oriente. Existem Escritórios Regionais de Engenharia também na Europa e na Austrália, com profissionais procedentes de vários países. Esses escritórios trabalham em estreita ligação com a sede mundial, e seus serviços, junto com o emprego da tecnologia da informática, reduzem o tamanho da equipe de projetistas nos respectivos canteiros de obras.
Algumas construções são de tamanho relativamente modesto. Foi o caso da filial no Taiti, em 1983. Incluía escritórios, depósitos e acomodações para oito voluntários. O mesmo se deu com a filial de três andares construída na ilha de Martinica, no Caribe, de 1982 a 1984. Essas construções talvez não pareçam extraordinárias para quem mora em cidades grandes em outros países, mas chamaram a atenção do público. O jornal France-Antilles dizia que a filial em Martinica era “uma obra-prima de arquitetura” que refletia “grande amor por trabalho bem executado”.
Em contraste, no que diz respeito a tamanho, os prédios terminados no Canadá em 1981 compreendiam uma gráfica com mais de 9.300 metros quadrados de espaço útil e um bloco residencial para 250 voluntários. Em Cesário Lange, no Brasil, um conjunto de prédios da Sociedade Torre de Vigia, concluído naquele mesmo ano, compreendia oito blocos, com aproximadamente 46.000 metros quadrados de espaço útil. Foi preciso 10.000 caminhões de cimento, pedra e areia, bem como estacas de concreto suficientes para atingir duas vezes a altura do monte Everest! Em 1991, quando se concluiu uma grande nova gráfica nas Filipinas, foi também preciso construir um prédio residencial de 11 andares.
Para suprir as necessidades do crescente número de proclamadores do Reino na Nigéria, iniciou-se em Igieduma, em 1984, uma grande construção. Compreenderia uma gráfica, um espaçoso prédio de escritórios, quatro alas residenciais interligadas e outras dependências necessárias. Fizeram-se planos para que a gráfica fosse inteiramente pré-fabricada e despachada dos Estados Unidos. Mas, daí, os irmãos defrontaram-se com prazos de importação aparentemente impossíveis de cumprir. Quando esses prazos foram cumpridos e tudo chegou em segurança ao canteiro de obras, as Testemunhas de Jeová não tomaram para si o mérito, mas deram graças a Jeová pela Sua bênção.
Rápida expansão ao redor do globo
No entanto, o crescimento da obra de proclamação do Reino tem sido tão rápido que, mesmo depois duma grande ampliação na filial de um país, muitas vezes é necessário começar a construir de novo dentro de relativamente pouco tempo. Veja alguns exemplos.
No Peru, concluiu-se em fins de 1984 a construção dum excelente novo prédio da filial — com espaço para escritórios, 22 quartos, bem como outras dependências básicas para os membros da família de Betel, e um Salão do Reino. Mas a aceitação da mensagem do Reino nesse país sul-americano foi bem maior do que se previa. Quatro anos depois, foi necessário duplicar o conjunto de prédios da filial, desta vez com um projeto anti-sísmico.
Concluiu-se na Colômbia, em 1979, a construção dum espaçoso novo conjunto de prédios da filial. Parecia que haveria amplo espaço por muitos anos. Mas, em sete anos, o número de Testemunhas de Jeová na Colômbia já havia quase dobrado e a filial imprimia as revistas La Atalaya e ¡Despertad! não só para a Colômbia, mas também para quatro países vizinhos. Tiveram de começar a construir novamente em 1987 — desta vez onde havia mais terreno para expansão.
Em 1980, as Testemunhas de Jeová no Brasil dedicaram cerca de 14.000.000 de horas à pregação pública da mensagem do Reino. Essa cifra aumentou tremendamente para quase 50.000.000 em 1989. Mais pessoas mostravam desejo de saciar a sua fome espiritual. As amplas instalações dedicadas em 1981 haviam-se tornado pequenas. Já em setembro de 1988 se faziam escavações para uma nova gráfica. Esta forneceria 80 por cento mais espaço útil do que havia na gráfica então existente, e, naturalmente, também haveria necessidade de acomodações para a ampliada família de Betel.
Em Selters/Taunus, Alemanha, dedicou-se em 1984 o segundo maior parque gráfico da Sociedade Torre de Vigia. Cinco anos depois, devido a aumentos na Alemanha e oportunidades de expandir a obra de testemunho em países para os quais essa filial imprime publicações, já se faziam planos para ampliar a gráfica em mais de 85 por cento e para acrescentar outras dependências complementares.
A filial do Japão mudara-se de Tóquio para novos prédios maiores em Numazu, em 1972. Houve outra grande ampliação em 1975. Em 1978 adquiriu-se outro terreno, em Ebina; e logo tiveram início as obras para uma gráfica mais de três vezes maior do que a de Numazu. Esta foi concluída em 1982. Ainda não foi suficiente; construíram-se outros prédios até 1989. Não seria possível construir apenas uma única vez e fazer uma obra suficientemente grande? Não. O número de proclamadores do Reino no Japão dobrou vez após vez duma maneira que nenhum humano poderia ter previsto. De 14.199, em 1972, seu número aumentou para 137.941, em 1989, e grande proporção deles devotava-se por tempo integral ao ministério.
Nota-se um padrão similar em outras partes do globo. Em uma década — e às vezes em apenas alguns anos — após a construção de grandes filiais equipadas para impressão, foi necessário fazer uma ampliação ainda maior. Foi assim no México, no Canadá, na África do Sul e na República da Coréia, entre outros países.
Quem realiza a construção propriamente dita? Como se consegue tudo isso?
Milhares ansiosos de ajudar
Na Suécia, das 17.000 Testemunhas que havia no país na época da construção da filial em Arboga, cerca de 5.000 se ofereceram para ajudar na obra. A maioria eram apenas ajudantes dispostos, mas havia também suficientes profissionais bem habilitados para cuidarem de que o trabalho fosse feito corretamente. Qual a motivação? O amor a Jeová.
Ao ficar sabendo que todo o trabalho de construção da nova filial da Dinamarca, em Holbæk, seria realizado por Testemunhas de Jeová, um funcionário do departamento de inspeção de obras expressou dúvidas. Entretanto, encontrou-se entre as Testemunhas que se ofereceram para ajudar toda a habilitação necessária. Mas, teria sido mais vantajoso contratar os serviços de construtoras? Depois de terminada a construção, técnicos do departamento de edificações da cidade visitaram os prédios e comentaram o primoroso acabamento — algo que eles raramente vêem hoje em dia em obras comerciais. Quanto ao funcionário que expressara dúvidas, ele disse sorrindo: “Bem, naquele tempo eu não conhecia o tipo de organização que os senhores têm.”
Os centros populacionais na Austrália estão muito espalhados; assim, a maioria dos 3.000 que se ofereceram para trabalhar na filial em Ingleburn, entre 1978 e 1983, teve de viajar pelo menos uns 1.500 quilômetros. No entanto, foram fretados ônibus para grupos de voluntários, e as congregações no caminho ofereceram hospitaleiramente refeições e associação com os irmãos em pontos de parada. Alguns irmãos venderam a casa, encerraram negócios, tiraram férias e fizeram outros sacrifícios para participar na construção. Equipes de profissionais experientes se apresentaram — algumas mais de uma vez — para fazer concretagens, instalar forros e construir cercas. Outros doaram materiais de construção.
A maioria dos voluntários nesses empreendimentos não era especializada, mas, com um pouco de treinamento, alguns deles assumiram grandes responsabilidades e fizeram excelente serviço. Aprenderam a fabricar janelas, operar tratores, preparar concreto e assentar tijolos. Eles levavam uma nítida vantagem sobre os trabalhadores não Testemunhas de Jeová que fazem o mesmo tipo de serviço comercialmente. Em que sentido? Os que tinham experiência entre as Testemunhas de Jeová estavam dispostos a ensinar o que sabiam. Ninguém receava que outrem assumisse seu trabalho; todos tinham muito que fazer. E havia forte motivação para se realizar um trabalho de qualidade, porque era feito como expressão de amor a Deus.
Em todos os canteiros de obras, algumas Testemunhas formam o núcleo da “família” da construção. Durante as obras em Selters/Taunus, Alemanha, de 1979 a 1984, em geral centenas de trabalhadores constituíam esse núcleo. Milhares de outros se juntavam a eles por períodos variados, muitos nos fins de semana. Fazia-se meticuloso planejamento para que, ao chegarem os voluntários, houvesse suficiente trabalho para eles.
Enquanto as pessoas forem imperfeitas, surgirão problemas, mas os que trabalham nesses projetos procuram resolvê-los à base de princípios bíblicos. Sabem que fazer as coisas do modo cristão é mais importante do que a eficiência. Como lembrete disso, no canteiro de obras em Ebina, no Japão, havia grandes cartazes com desenhos de trabalhadores que usavam capacetes de segurança, e em cada capacete estava escrito, em caracteres japoneses, um dos frutos do espírito de Deus: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio. (Gál 5:22, 23) Quem visita os canteiros de obras pode ver e ouvir a diferença. Comentando suas próprias impressões, um repórter que visitou a construção da filial no Brasil disse: “Não há desordens nem falta de cooperação . . . Esse ambiente cristão faz com que lá seja diferente desses que se está acostumado a ver nas construções civis brasileiras.”
Crescimento constante na sede mundial
Ao passo que as filiais da Sociedade Torre de Vigia crescem, também é necessário ampliar as dependências da sede mundial. Desde a Segunda Guerra Mundial, mais de dez vezes houve grandes ampliações da gráfica e dos escritórios em Brooklyn e em outros locais no Estado de Nova Iorque. Para alojar o pessoal, tem sido necessário construir ou adquirir e reformar vários edifícios, grandes e pequenos. Em agosto de 1990 e em janeiro de 1991, foram anunciadas outras grandes ampliações em Brooklyn — embora ainda estivesse em andamento, ao norte da cidade de Nova Iorque, a construção do amplo Centro Educacional da Torre de Vigia, iniciada em 1989 e projetada para alojar 1.200 pessoas entre pessoal efetivo e estudantes.
Desde 1972 realizam-se sem cessar obras na sede mundial em Brooklyn e em outros prédios intimamente relacionados em outras partes de Nova Iorque e em Nova Jérsei. Com o tempo, ficou óbvio que, embora o departamento de construção tivesse um efetivo de centenas de trabalhadores, eles não podiam dar conta de todo o trabalho. Portanto, instituiu-se em 1984 um programa permanente de trabalhadores temporários. Enviaram-se cartas às 8.000 congregações que havia nos Estados Unidos, a fim de convidar irmãos qualificados para ajudarem por uma semana ou mais. (Um programa similar funcionara bem em algumas filiais, entre as quais a Austrália, em que aqueles que podiam permanecer duas semanas foram convidados a se oferecer.) Os trabalhadores receberiam acomodações e refeições, mas arcariam com suas próprias despesas de viagem e não receberiam salários. Quem se ofereceria?
Em 1992, bem mais de 24.000 petições já haviam sido recebidas e atendidas! Pelo menos 3.900 eram de pessoas que voltavam pela segunda ou terceira vez, e até pela décima ou vigésima vez. A maioria eram anciãos, servos ministeriais ou pioneiros — pessoas com excelentes qualificações espirituais. Todos se ofereciam para fazer o que fosse necessário, quer isso requeresse utilizar sua profissão, quer não. O trabalho muitas vezes era pesado e sujo. Mas consideravam um privilégio contribuir assim para a promoção dos interesses do Reino. Alguns acharam que isso os ajudou a compreender melhor o espírito de abnegação que caracteriza o trabalho realizado na sede mundial. Todos se sentiam ricamente recompensados em assistir diariamente à adoração matinal da família de Betel e ao estudo semanal de A Sentinela em família.
Voluntários internacionais
Visto que aumentava a necessidade de ampliações rápidas, em 1985 teve início o arranjo de voluntários internacionais. De forma alguma era o começo da cooperação internacional em construção, mas esse arranjo passou então a ser criteriosamente coordenado pela sede mundial. Todos os que participam são Testemunhas de Jeová que se oferecem para ajudar em serviços de construção fora de seu próprio país. São trabalhadores habilitados, e há também mulheres que acompanham o marido para ajudar no que puderem. A maioria deles arca com as suas próprias despesas de viagem; ninguém é assalariado pelo que faz. Alguns vão para períodos curtos, geralmente de duas semanas a três meses. Outros são voluntários por períodos mais longos e permanecem um ano ou mais, talvez até a conclusão da obra. Mais de 3.000 Testemunhas de Jeová de 30 países participaram nisso nos primeiros cinco anos, e mais estavam ansiosas de participar à medida que suas aptidões fossem necessárias. Acham ser um privilégio dar de si mesmas e de seus recursos materiais para promover assim os interesses do Reino de Deus.
Os voluntários internacionais recebem acomodações e refeições. Os confortos em geral são mínimos. As Testemunhas locais apreciam muito o que seus irmãos visitantes fazem e, quando possível, hospedam-nos de bom grado em suas casas, mesmo sendo modestas. As refeições em geral são tomadas no local da construção.
Os irmãos do exterior não estão ali para realizar todo o trabalho. Seu objetivo é cooperar com a equipe local de construção. E centenas, até mesmo milhares, de outras pessoas no país talvez compareçam para ajudar nos fins de semana ou por uma semana ou mais de cada vez. Na Argentina, 259 voluntários de outros países trabalharam com milhares de irmãos locais, alguns dos quais todos os dias, outros por algumas semanas e ainda muitos outros nos fins de semana. Na Colômbia, mais de 830 voluntários internacionais ajudaram por períodos variados. Mais de 200 voluntários locais também participaram na construção por tempo integral e, cada fim de semana, outros 250 ou mais ajudavam. Ao todo, mais de 3.600 diferentes pessoas participaram.
A diferença de idioma pode representar problemas, mas não impede os grupos internacionais de trabalhar juntos. A linguagem de sinais, expressões faciais, um bom senso de humor e vontade de realizar um trabalho que honrará a Jeová ajudam a realizar o serviço.
Às vezes, ocorre um notável crescimento na organização — conseqüentemente a necessidade de filiais maiores — em países em que a quantidade de profissionais de construção é limitada. Mas isso não é um empecilho entre as Testemunhas de Jeová, que de bom grado ajudam umas às outras. Elas trabalham juntas como parte duma família global, não dividida por nacionalidade, cor da pele ou idioma.
Em Papua Nova Guiné, cada voluntário procedente da Austrália e da Nova Zelândia treinou em sua profissão um papuásio, em conformidade com o requisito do Ministério do Trabalho, do governo. Assim, ao passo que davam de si, as Testemunhas locais aprendiam profissões que poderiam ajudá-las a cuidar de suas próprias necessidades e de sua família.
Quando surgiu a necessidade de um novo prédio de filial em El Salvador, os irmãos locais receberam a ajuda de 326 voluntários do exterior. Para o projeto de construção no Equador, 270 Testemunhas de Jeová de 14 países cooperaram com seus irmãos equatorianos. Alguns voluntários internacionais ajudaram em vários projetos simultaneamente em andamento. Eles se revezavam entre construções na Europa e na África, segundo a necessidade de suas aptidões profissionais.
Até 1992, já haviam sido enviados voluntários internacionais a 49 filiais a fim de ajudarem as equipes locais de construção. Em alguns casos, os que receberam ajuda desse programa puderam, por sua vez, ajudar outros. Assim, depois de se beneficiarem do trabalho de uns 60 servos internacionais semipermanentes e que colaboraram na construção da filial nas Filipinas, bem como de mais de 230 voluntários do exterior, que ajudaram por períodos mais curtos, alguns filipinos se puseram à disposição para auxiliar nas construções em outras partes do sudeste asiático.
As Testemunhas de Jeová têm construído por causa das necessidades que agora existem relacionadas com a pregação das boas novas. Com a ajuda do espírito de Jeová, desejam dar o maior testemunho possível durante o tempo que resta antes do Armagedom. Estão convencidas de que o novo mundo de Deus está muito próximo e têm fé que sobreviverão como povo organizado para esse novo mundo, sob o domínio do Reino Messiânico de Deus. Sua esperança também é que talvez muitos dos excelentes prédios por elas construídos e dedicados a Jeová continuem a ser usados após o Armagedom como centros a partir dos quais se possa difundir conhecimento do único Deus verdadeiro até que realmente encha a Terra. — Isa. 11:9.
[Nota(s) de rodapé]
a Era conhecido como Igreja “Nova Luz”, porque os que se reuniam ali achavam que a leitura de publicações da Sociedade Torre de Vigia lhes proporcionava nova luz da Bíblia.
[Destaque na página 322]
Testemunhas de Jeová de congregações vizinhas ajudavam na obra.
[Destaque na página 323]
A construção era feita com mão-de-obra voluntária, não remunerada.
[Destaque na página 324]
Dava-se ênfase às qualidades espirituais.
[Destaque na página 326]
Construções de qualidade, segurança, custo mínimo, rapidez
[Destaque na página 328]
Um Salão de Assembléias portátil!
[Destaque na página 331]
Recorrendo aos tribunais.
[Destaque na página 332]
Grande expansão num âmbito internacional
[Destaque na página 333]
Os trabalhadores atribuíram o êxito da obra não a si próprios, mas a Jeová.
[Destaque na página 334]
Crescimento num ritmo que nenhum humano poderia imaginar.
[Destaque na página 336]
Consideraram um privilégio ajudar na construção na sede mundial.
[Destaque na página 339]
Trabalham como família global, não dividida por nacionalidade, cor da pele ou idioma.
[Foto na página 318]
O primeiro local de reuniões chamado de Salão do Reino, no Havaí.
[Foto na página 319]
Muitos dos primeiros Salões do Reino eram locais alugados ou simplesmente salas em cima de lojas; uns poucos eram construídos por Testemunhas de Jeová.
[Fotos na página 320, 321]
Trabalhando juntos para a construção rápida de Salões do Reino
Milhares de congregações são formadas todo ano. Na maioria dos casos, as próprias Testemunhas de Jeová constroem os novos Salões do Reino. Estas fotos foram tiradas durante a construção de um Salão do Reino em Connecticut, EUA, em 1991.
Sexta-feira, 7h40
Sexta-feira, 12 horas
Pede-se a bênção de Jeová e reserva-se tempo para considerar conselhos de sua Palavra.
Todos são voluntários não-assalariados, felizes de trabalhar lado a lado.
Sábado, 19h41
Grande parte do trabalho está terminada, domingo, 18h10.
[Fotos na página 327]
Salões do Reino em vários países
Os locais de reunião usados pelas Testemunhas de Jeová em geral são despretensiosos. São limpos, confortáveis e com atraente área externa.
Peru
Filipinas
Japão
Colômbia
França
Papua Nova Guiné
Noruega
República da Coréia
Irlanda
Lesoto
[Fotos na página 329]
Dois dos primeiros Salões de Assembléias
Cidade de Nova Iorque
Guadalupe
[Fotos na página 330]
Salões de Assembléias das Testemunhas de Jeová
Para realizar assembléias periódicas, as Testemunhas de Jeová em alguns lugares acham prático construir seu próprio Salão de Assembléias. Boa parte do trabalho de construção é feita por Testemunhas locais. Estes são apenas alguns desses salões em uso em princípios da década de 90.
Grã-Bretanha
Venezuela
Itália
Alemanha
Canadá
Japão
[Fotos na página 337]
Trabalhadores temporários de construção recém-chegados à sede mundial, em Nova Iorque
Cada grupo é lembrado de que ser pessoa espiritual e realizar um trabalho de qualidade têm prioridade sobre a rapidez.
[Fotos na página 338]
O programa de construção internacional supre necessidades urgentes
O rápido crescimento da organização requer a expansão contínua de escritórios, gráficas e lares de Betel ao redor do globo.
Voluntários internacionais ajudam as Testemunhas locais.
Os métodos de construção utilizados tornam possível que muitos voluntários com experiência limitada realizem um trabalho valioso.
A utilização de materiais duráveis ajuda a manter reduzidas as despesas de manutenção a longo prazo.
Trabalhadores habilitados de bom grado põem seus serviços à disposição.
O trabalho de alta qualidade resulta do interesse pessoal dos que o realizam; é uma expressão de seu amor a Jeová.
Esses empreendimentos são ocasiões agradáveis; surgem muitas amizades duradouras.
Cartaz no Japão lembrava aos trabalhadores as medidas de segurança, também a necessidade de demonstrarem os frutos do espírito de Deus.
Grã-Bretanha
Espanha
Canadá
Porto Rico
Nova Zelândia
Grécia
Brasil
Colômbia
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Como se financia a obra?Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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Capítulo 21
Como se financia a obra?
É ÓBVIO que a obra realizada pelas Testemunhas de Jeová requer dinheiro. Para construir Salões do Reino, Salões de Assembléias, escritórios, gráficas e lares de Betel é preciso dinheiro, e a manutenção também requer dinheiro. A impressão e distribuição de publicações para o estudo da Bíblia também representam despesas. Como se financia tudo isso?
Pessoas que se opõem à obra das Testemunhas de Jeová divulgam especulações infundadas a esse respeito. Mas uma consideração das evidências comprova a resposta que as próprias Testemunhas dão. Qual? A maior parte do trabalho é feita por voluntários, que não esperam nem desejam remuneração por seus serviços, e as despesas organizacionais são custeadas por donativos voluntários.
“Entrada franca. Não se faz coleta.”
Já na segunda edição da Watch Tower (A Sentinela), de agosto de 1879, o irmão Russell declarou: “A ‘Zion’s Watch Tower’ tem, cremos, a JEOVÁ como seu apoiador, e, enquanto este for o caso, jamais solicitará nem pedirá aos homens que a custeiem. Quando Aquele que diz: ‘Todo o ouro e a prata das montanhas são meus’, deixar de prover os fundos necessários, entenderemos que é o tempo de suspender a publicação.” Em conformidade com isso, não se faz solicitação de dinheiro nas publicações das Testemunhas de Jeová.
O que se aplica a suas publicações aplica-se também a suas reuniões. Não se fazem apelos emocionais para fundos em suas congregações ou em seus congressos. Não se passam pratos de coleta; não se distribuem envelopes para neles se colocar dinheiro; não se enviam cartas solicitando dinheiro a membros das congregações. As congregações nunca recorrem a bingo ou a rifas para arrecadarem fundos. Já em 1894, quando a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) passou a enviar oradores viajantes, publicou-se esta nota para o benefício de todos: “Seja entendido desde o princípio que coletas ou outras solicitações de dinheiro não são autorizadas nem aprovadas por esta Sociedade.”
Assim, bem desde o começo da história moderna das Testemunhas de Jeová, os impressos que convidam o público para assistir às suas reuniões trazem o lema: “Entrada Franca. Não Se Faz Coleta.”
A partir de princípios de 1914, os Estudantes da Bíblia alugavam teatros e outros auditórios e convidavam o público para assistir ao “Photo-Drama of Creation” (Fotodrama da Criação). Era uma apresentação em quatro partes, de oito horas de duração ao todo, em forma de slides e filmes sincronizados com som. Já no primeiro ano, milhões de pessoas na América do Norte, na Europa, na Austrália e na Nova Zelândia assistiram a essa apresentação. Embora os proprietários de alguns teatros cobrassem os lugares reservados, os Estudantes da Bíblia jamais cobraram ingressos. E não se faziam coletas.
Depois, por mais de 30 anos, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) operou a emissora de rádio WBBR na cidade de Nova Iorque. As Testemunhas de Jeová também usavam os serviços de centenas de outras emissoras para transmitir programas de instrução bíblica. Mas nunca usaram essas transmissões radiofônicas para solicitar dinheiro.
Então, como são obtidos os donativos que financiam sua atividade?
Donativos voluntários
A Bíblia estabelece o padrão. Sob a Lei mosaica, certas contribuições eram voluntárias. Outras eram exigidas do povo. Dar o dízimo, ou décima parte, era uma dessas exigências. (Êxo. 25:2; 30:11-16; Núm. 15:17-21; 18:25-32) Mas a Bíblia também mostra que Cristo cumpriu a Lei, e Deus pôs fim a essa lei; de modo que os cristãos não estão presos a tais regulamentos. Não dão o dízimo nem têm a obrigação de dar alguma contribuição num montante especificado ou em certas ocasiões específicas. — Mat. 5:17; Rom. 7:6; Col. 2:13, 14.
Em vez disso, são incentivados a cultivar o espírito de generosidade e liberalidade, em imitação do exemplo maravilhoso do próprio Jeová e de seu Filho, Jesus Cristo. (2 Cor. 8:7, 9; 9:8-15; 1 João 3:16-18) Assim, com respeito a dar, o apóstolo Paulo escreveu à congregação cristã em Corinto: “Faça cada um conforme tem resolvido no seu coração, não de modo ressentido, nem sob compulsão, pois Deus ama o dador animado.” Serem informados de certa necessidade submeteu-os a ‘uma prova da genuinidade do seu amor’, conforme Paulo explicou. Ele também disse: “Se houver primeiro a prontidão, é especialmente aceitável segundo o que a pessoa tem, não segundo o que a pessoa não tem.” — 2 Cor. 8:8, 12; 9:7.
À luz disso, é interessante o comentário de Tertuliano sobre as reuniões realizadas por pessoas que se esforçavam em praticar o cristianismo nos seus dias (c. 155-depois de 220 EC). Ele escreveu: “Mesmo que haja alguma espécie de fundo, este não é constituído de dinheiro pago como taxas de admissão, como se religião fosse uma questão de contrato. Todo homem, uma vez por mês, traz algumas moedas modestas — ou quando quiser, e só se quiser e puder; pois ninguém é obrigado; é uma oferta voluntária.” (Apology, XXXIX, 5) Nos séculos desde então, porém, as igrejas da cristandade têm-se empenhado em todo plano imaginável de arrecadar fundos para financiar suas atividades.
Charles Taze Russell não quis imitar as igrejas. Ele escreveu: “Nossa opinião é que o dinheiro arrecadado por meio dos vários métodos de solicitação no nome de nosso Senhor é repulsivo e inaceitável para ele, e não traz sua bênção sobre os dadores nem sobre a obra realizada.”
Em vez de procurar bajular os abastados, o irmão Russell dizia claramente, em harmonia com as Escrituras, que a maioria dos do povo do Senhor seria pobre no que diz respeito a bens deste mundo, mas rica na fé. (Mat. 19:23, 24; 1 Cor. 1:26-29; Tia. 2:5) Em vez de frisar a necessidade de dinheiro para a divulgação da verdade da Bíblia, ele focalizava a atenção na importância de cultivar o espírito de amor, o desejo de dar e de ajudar os outros, especialmente por partilhar a verdade com eles. Aos que tinham facilidade em ganhar dinheiro e sugeriam que teriam mais para contribuir em sentido financeiro se se devotassem principalmente aos negócios, ele dizia que seria melhor limitarem essas atividades e darem de si e de seu tempo na divulgação da verdade. Essa ainda é a posição do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.a
Na prática, quanto dão as pessoas? O que fazem é assunto de decisão pessoal. No entanto, no que diz respeito a dar, deve-se notar que as Testemunhas de Jeová não pensam apenas em termos de bens materiais. Nos congressos de distrito de 1985-86, elas consideraram o assunto “Honremos a Jeová com as Nossas Coisas Valiosas”. (Pro. 3:9) Frisou-se que essas coisas valiosas não só incluem bens materiais, mas também recursos físicos, mentais e espirituais.
Em 1904, o irmão Russell salientou que aquele que fez a Deus uma plena consagração (ou dedicação, como dizemos agora) “já deu tudo o que tem ao Senhor”. Assim, deve agora “considerar-se designado pelo Senhor para administrar seu próprio tempo, influência, dinheiro, etc., e cada um deve procurar usar esses talentos segundo o melhor de suas habilidades, para a glória do Amo”. Ele acrescentou que, guiado pela sabedoria de cima, “na medida em que seu amor e seu zelo pelo Senhor crescem dia a dia através do conhecimento da Verdade e da assimilação do espírito da Verdade, ele percebe que dá cada vez mais de seu tempo, cada vez mais de sua influência e cada vez mais dos recursos que possui, em favor do serviço à Verdade”. — Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras), “A Nova Criação”, pp. 344-5.
Naqueles primeiros anos, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tinha o que ela chamava de Fundo de Tratados da Torre. O que era isso? Os pormenores interessantes que se seguem estavam escritos no verso de papel de carta usado às vezes pelo irmão Russell: “Este fundo consiste em ofertas voluntárias daqueles que têm sido sustentados e fortalecidos pelo ‘alimento no tempo certo’ que as publicações acima [tornadas disponíveis pela Sociedade Torre de Vigia], como instrumentos de Deus, agora apresentam aos santos consagrados, no mundo todo.
“Esse fundo é constantemente usado para o envio grátis de milhares de exemplares da ZION’S WATCH TOWER e dos OLD THEOLOGY TRACTS [Tratados da Velha Teologia], dentre os mais apropriados para novos leitores. Auxilia também na divulgação das edições brochadas da série DAWN [Aurora], prestando ajuda aos dispostos a distribuí-las — colportores e outros. Provê também um ‘fundo para pobres’ por meio do qual quaisquer filhos do Senhor que não tenham condições de assinar a WATCH TOWER, devido a idade, ou doença, ou outro motivo, a recebam gratuitamente, desde que enviem uma carta ou cartão no início de cada ano, indicando seu desejo e suas limitações.
“A ninguém jamais se solicita que contribua para esse fundo: todos os donativos têm de ser voluntários. Lembramos aos nossos leitores as palavras do Apóstolo (1 Cor. 16:1, 2) e as corroboramos, dizendo que aqueles que podem dar, e assim o fazem, para a divulgação da verdade, com certeza receberão retribuição na forma de favores espirituais.”
A atividade global das Testemunhas de Jeová na proclamação das boas novas do Reino de Deus continua a ser apoiada por donativos voluntários. Além das próprias Testemunhas, muitas pessoas interessadas e que têm apreço consideram um privilégio apoiar esta obra cristã com contribuições voluntárias.
Como se financiam os locais de reuniões
Todas as congregações das Testemunhas de Jeová têm caixas de contribuição apropriadas, nas quais as pessoas podem depositar quaisquer donativos que desejarem — quando o quiserem e se o puderem. Isso é feito em particular, de modo que em geral os outros não sabem o que a pessoa faz. Fica entre ela e Deus.
Não há salários a pagar, mas a manutenção de um local de reuniões custa dinheiro. Para se suprir essa necessidade, os membros da congregação têm de ser inteirados disso. No entanto, há mais de 70 anos, The Watch Tower deixou claro que, no que tange a contribuições, não se deve implorar nem insistir — devem-se apenas expor clara e francamente os fatos. Em harmonia com esse ponto de vista, as reuniões congregacionais não tratam freqüentemente de assuntos financeiros.
Às vezes, porém, há necessidades especiais. Talvez se planeje reformar ou ampliar um Salão do Reino ou construir um novo. Para avaliar quanto dinheiro estará disponível, os anciãos talvez peçam aos membros da congregação que escrevam num papel quanto crêem poder doar individualmente para o projeto ou, quem sabe, tornar disponível por alguns anos. Além disso, pode ser que os anciãos peçam que pessoas ou famílias escrevam num papel quanto, com a bênção de Jeová, acham que podem contribuir em base semanal ou mensal. Ninguém assina seu nome. Esses papéis não são promissórias, mas dão base para um planejamento racional. — Luc. 14:28-30.
Em Tarma, na Libéria, a congregação conseguiu os fundos necessários de modo um tanto diferente. Alguns membros da congregação cuidaram da plantação de arroz de outra Testemunha enquanto esta ficou um ano inteiro cortando árvores e serrando tábuas manualmente que depois foram vendidas para se conseguir dinheiro para a construção. Em Paramaribo, no Suriname, embora os materiais de construção tivessem de ser comprados, certa congregação não precisou de dinheiro para o terreno, porque uma Testemunha doou seu terreno para o Salão do Reino e pediu apenas que sua casa fosse transferida para os fundos do terreno. Os elevadíssimos preços do mercado imobiliário em Tóquio, no Japão, dificultavam a aquisição de terrenos pelas congregações para construírem Salões do Reino. Para ajudarem a resolver esse problema, várias famílias ofereceram o terreno em que a sua própria casa estava construída. Pediram apenas que, depois de a casa ser substituída por um novo Salão do Reino, se construísse para elas um apartamento em cima.
À medida que as congregações cresciam e se dividiam, as que ficavam dentro de uma determinada região muitas vezes procuravam ajudar umas às outras a conseguir Salões do Reino adequados. Apesar do espírito generoso, precisava-se de algo mais. Os preços de terrenos e os custos de construção subiram vertiginosamente, e as congregações muitas vezes achavam impossível enfrentar sozinhas a situação. O que se poderia fazer?
Nos Congressos de Distrito “Unidade do Reino”, em 1983, o Corpo Governante delineou um arranjo que se baseava na aplicação do princípio estabelecido em 2 Coríntios 8:14, 15, que incentiva que o excedente daqueles que têm muito contrabalance a deficiência dos outros, para que “haja igualdade” (Almeida). Assim, os que tivessem pouco não teriam tão pouco a ponto de sofrerem empecilhos nos seus empenhos de servir a Jeová.
As congregações foram incentivadas a providenciar uma caixa com a identificação “Contribuições Para o Fundo da Sociedade Para Salões do Reino”. O que fosse colocado nessa caixa seria utilizado apenas para esse fim. Assim, o dinheiro contribuído em todo o país ficaria disponível para contrabalançar a carência de congregações que precisavam muito de um Salão do Reino, mas que não podiam arcar com as condições impostas pelos bancos locais. Depois de meticulosa pesquisa para avaliar onde a necessidade era realmente mais urgente, a Sociedade começou a tornar disponível esse dinheiro às congregações que precisavam construir ou de outra maneira adquirir novos Salões do Reino. À medida que se recebiam mais contribuições e os empréstimos (nos países onde se podia fazer isso) eram liquidados, outras congregações podiam ser ajudadas.
Essa provisão entrou em operação primeiro nos Estados Unidos e no Canadá, e desde então chegou a mais de 30 países na Europa, na África, na América Latina e no Extremo Oriente. Em 1992, em apenas oito desses países, já se havia fornecido dinheiro para ajudar a providenciar 2.737 Salões do Reino, o que beneficiou 3.840 congregações.
Mesmo nos países em que não havia tal provisão, mas onde havia urgente necessidade de Salões do Reino, que não podiam ser financiados localmente, o Corpo Governante se empenhou em tomar outras providências para certificar-se de que se desse ajuda. Houve assim uma compensação, de modo que os que tivessem pouco não tivessem pouco demais.
O financiamento da expansão na sede mundial
O funcionamento da sede mundial também requer fundos. Após a Primeira Guerra Mundial, quando a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA) achou vantajoso imprimir e encadernar seus próprios livros, providenciou-se a compra da necessária maquinaria no nome de pessoas físicas — conservos de Jeová. Em vez de pagar os lucros duma empresa pela fabricação dos livros, a Sociedade usou essa quantia para saldar em parcelas mensais a dívida pela compra do equipamento. À medida que os benefícios disso se manifestavam, o custo de grande parte das publicações para o público ficava reduzido a cerca da metade. O que se fazia visava promover a pregação das boas novas, não enriquecer a Sociedade Torre de Vigia.
Em poucos anos, ficou evidente que se precisava de dependências maiores na sede mundial para cuidar da obra global de pregação do Reino. Vez após vez, à medida que a organização cresce e a atividade de pregação se intensifica, é necessário ampliar as dependências. Em vez de recorrer a bancos para a obtenção dos necessários fundos para ampliar e equipar os escritórios e as gráficas da sede, bem como os anexos e áreas em Nova Iorque e redondezas, a Sociedade tem explicado a necessidade aos irmãos. Não se fez isso com freqüência, mas apenas 12 vezes no período de 65 anos.
Nunca se fizeram solicitações. Quem quer que desejasse doar algo era incentivado a fazê-lo. Aqueles que preferiam emprestar fundos recebiam a garantia de que, se surgisse uma necessidade inesperada e urgente, o empréstimo seria restituído ao ser solicitada a devolução. Por dessa forma tratar dos assuntos, a Sociedade procurava evitar causar dificuldades a pessoas e a congregações que bondosamente ofereciam seus recursos. O apoio das Testemunhas de Jeová mediante contribuições sempre possibilitou à Sociedade restituir todos os empréstimos. As contribuições à Sociedade não são recebidas sem reconhecimento. Na medida do possível, seu recebimento é acusado em cartas e com outras expressões de apreço.
A obra da organização não é mantida por donativos de um grupo de doadores abastados. A maior parte das contribuições vem de pessoas de recursos modestos — muitas delas com pouquíssimos bens deste mundo. Entre elas há crianças que desejam participar dessa maneira em apoiar a obra do Reino. O coração de todos esses doadores é motivado pelo profundo apreço da bondade de Jeová e pelo desejo de ajudar outros a aprender sobre Suas benévolas provisões. — Compare com Marcos 12:42-44.
Como se financia a expansão das filiais
À medida que a obra de pregação do Reino assume maiores proporções em várias partes do mundo, é necessário ampliar as filiais da organização. Isto é feito sob a direção do Corpo Governante.
Assim, depois de consideradas as recomendações da filial da Alemanha, deram-se instruções, em 1978, para a procura de um local apropriado e construção de uma filial inteiramente nova. Teriam as Testemunhas alemãs condições de arcar com as despesas? A oportunidade de fazer isso lhes foi oferecida. Terminada a construção, em 1984, em Selters, na borda ocidental dos montes Taunus, a filial relatou: “Dezenas de milhares de Testemunhas de Jeová — ricas e pobres, jovens e idosas — contribuíram milhões de dólares para ajudar a cobrir o custo dos novos prédios. Devido à sua generosidade, o projeto todo foi concluído sem a necessidade de tomarmos empréstimos de organizações seculares ou de termos de ficar endividados.” Além disso, cerca de 1 em cada 7 Testemunhas da República Federal da Alemanha trabalhou na construção propriamente dita em Selters/Taunus.
Em alguns outros países, a economia local ou a situação financeira das Testemunhas de Jeová dificultam muito e até impossibilitam a construção necessária de escritórios para supervisionar a obra ou de gráficas para a impressão de publicações bíblicas nas línguas locais. As Testemunhas desses países recebem a oportunidade de fazer o que está ao seu alcance. (2 Cor. 8:11, 12) Mas não se permite que a falta de fundos num país impeça a divulgação da mensagem do Reino ali quando os necessários recursos financeiros estão disponíveis em outro lugar.
Assim, embora as Testemunhas locais façam o que está ao seu alcance, em grande parte do mundo uma considerável parcela do dinheiro necessário para a construção de filiais vem de donativos de Testemunhas de Jeová de outros países. Foi o que aconteceu na construção das grandes filiais da África do Sul, em 1987; da Nigéria, em 1990; e das Filipinas, em 1991. Foi também o caso de Zâmbia, onde uma futura gráfica ainda estava em construção em 1992. Algo semelhante aconteceu com muitas construções menores, tais como as concluídas na Índia, em 1985; no Chile, em 1986; em Costa Rica, no Equador, na Guiana, no Haiti e em Papua Nova Guiné, em 1987; em Gana, em 1988; e em Honduras, em 1989.
Em alguns países, porém, os irmãos ficam surpresos com o que conseguem realizar localmente com a bênção de Jeová sobre seus esforços unidos. No início da década de 80, por exemplo, a filial da Espanha estava tomando providências para uma grande ampliação das instalações. A filial solicitou ao Corpo Governante os necessários recursos. Mas, devido a pesadas despesas com outras coisas na época, essa ajuda não estava disponível. Se lhes fosse dada a oportunidade, conseguiriam as Testemunhas da Espanha, com seus salários relativamente baixos, fornecer fundos suficientes para esse empreendimento?
A situação lhes foi explicada. De bom grado ofereceram jóias, anéis e pulseiras a fim de que fossem vendidos para levantar fundos. Ao ser indagada se tinha certeza de que realmente desejava doar a pesada pulseira de ouro que havia contribuído, uma Testemunha idosa respondeu: “Irmão, ela será muito mais útil para cobrir as despesas de um novo Betel do que no meu pulso!” Outra irmã idosa tirou do esconderijo uma pilha de bolorentas notas de dinheiro que ela guardara durante anos debaixo do soalho de sua casa. Casais contribuíram o dinheiro poupado para viagens. Crianças enviaram suas economias. Certo jovem que planejava comprar um violão doou o dinheiro para a construção da filial. Como os israelitas na época da construção do tabernáculo no ermo, as Testemunhas na Espanha se mostraram generosas e dispostas de coração a contribuir com o que fosse necessário em sentido material. (Êxo. 35:4-9, 21, 22) Depois, ofereceram a si mesmas — por tempo integral, nas férias, nos fins de semana — para trabalharem na construção propriamente dita. Vieram de toda a Espanha — milhares delas. Testemunhas de outros países, como da Alemanha, Suécia, Grã-Bretanha, Grécia e Estados Unidos, para se mencionarem apenas alguns, juntaram-se a elas para terminar o que a princípio parecia uma tarefa impossível.
Dão lucro as publicações?
Em 1992, imprimiam-se publicações bíblicas na sede mundial e em 32 filiais ao redor do mundo. Grandes quantidades eram produzidas para distribuição pelas Testemunhas de Jeová. Mas nada era feito para ganho comercial. As decisões sobre as línguas em que as publicações seriam impressas e a que países seriam enviadas eram tomadas não visando vantagens comerciais, mas unicamente com o objetivo de realizar a obra que Jesus Cristo incumbira a seus seguidores.
Já em julho de 1879, por ocasião da publicação de sua primeira edição, a Watch Tower anunciou que as pessoas tão sem recursos que não pudessem pagar o valor de uma assinatura (na época apenas 50 centavos de dólar por ano) poderiam recebê-la de graça, bastando para isso que escrevessem solicitando-a. O objetivo principal era ajudar pessoas a aprender sobre o grandioso propósito de Jeová.
Para tanto, desde 1879 já se distribuíram ao público, gratuitamente, enormes quantidades de publicações bíblicas. De 1881 em diante aproximadamente 1.200.000 exemplares de Food for Thinking Christians (Matéria Para Cristãos Refletivos) foram distribuídos grátis. Muitos desses eram em forma de livro de 162 páginas; outros, em formato de jornal. Grande número de tratados de vários tamanhos foi publicado nos anos seguintes. A vasta maioria deles (literalmente centenas de milhões de exemplares) foi distribuída gratuitamente. A quantidade de tratados e de outras publicações distribuídas continuou a aumentar. Só em 1915, o relatório mostrou que 50.000.000 de tratados em uns 30 idiomas foram fornecidos para distribuição mundial sem se cobrar nada. De onde vinha o dinheiro para tudo isso? Principalmente de donativos voluntários para o Fundo de Tratados, da Sociedade.
Algumas publicações também eram oferecidas por uma contribuição durante as primeiras décadas da história da Sociedade, mas a contribuição sugerida era a menor possível. Entre essas publicações havia livros de 350 a 744 páginas. Quando as ofereciam ao público, os colportores da Sociedade (como então se chamavam os pregadores de tempo integral) mencionavam qual era a contribuição sugerida. Seu objetivo, porém, não era ganhar dinheiro, mas levar as verdades vitais da Bíblia às pessoas. Queriam que elas lessem as publicações e tirassem proveito.
Estavam mais do que dispostos a dar publicações (e nesse caso eles mesmos contribuíam) aos moradores sem recursos. Observou-se, porém, que muitos ficavam mais inclinados a ler se tivessem dado algo em troca da publicação, e sua contribuição poderia, é claro, ser usada para imprimir mais publicações. No entanto, frisando que os Estudantes da Bíblia não visavam ganhos financeiros, a folha de instruções de serviço da Sociedade, o Bulletin, de 1.º de outubro de 1920, dizia: “Dez dias depois de deixares o folheto [um que tinha 128 páginas], faze outra visita às pessoas e verifica se o leram. Se não o leram, pede que devolvam o folheto e restitui-lhes o dinheiro. Dize-lhes que não és vendedor de livros, mas que estás interessado em transmitir esta mensagem de consolo e ânimo a todos, e que, se elas não estão suficientemente interessadas num fato que tanto lhes diz respeito . . ., desejas levar o folheto a quem se interesse.” As Testemunhas de Jeová descontinuaram esse método, pois constataram que outros membros da família às vezes pegam a publicação e tiram proveito; mas o que se fazia naquela época destaca realmente o verdadeiro objetivo das Testemunhas.
Por muitos anos elas se referiam à distribuição de suas publicações como “venda”. Mas essa terminologia causava certa confusão, de modo que, a partir de 1929, isso foi aos poucos descontinuado. Esse termo realmente não se ajustava a sua atividade, pois sua obra não era comercial. O objetivo não era ganhar dinheiro. O único motivo era pregar as boas novas do Reino de Deus. Por isso, em 1943 a Suprema Corte dos Estados Unidos decretou que não se podia requerer das Testemunhas de Jeová a obtenção duma licença comercial de venda para distribuírem suas publicações. E, depois disso, o poder judiciário do Canadá citou com aprovação a argumentação apresentada pela Suprema Corte dos EUA nessa decisão.b
Em muitos países, as Testemunhas de Jeová costumeiramente oferecem suas publicações por uma contribuição. A contribuição sugerida é tão pequena, em comparação com outros livros e revistas, que muitos se propõem dar mais. Mas a organização tem feito grande esforço para manter pequena a contribuição sugerida, para que fique dentro das possibilidades de milhões de pessoas de pouquíssimos bens materiais que, contudo, aceitam com gratidão uma Bíblia ou publicações bíblicas. O objetivo de sugerir uma contribuição, porém, não é enriquecer a organização das Testemunhas de Jeová.
Nos lugares em que a lei considera como atividade comercial qualquer distribuição de publicações bíblicas se o distribuidor sugerir uma contribuição por essas publicações, as Testemunhas de Jeová de bom grado as deixam a quem mostre interesse sincero e prometa lê-las. Quem deseja doar algo para promover a obra de instrução bíblica pode dar o que deseja. É o que acontece, por exemplo, no Japão. Na Suíça, até recentemente se aceitavam contribuições, mas até um valor estipulado; assim, quando os moradores desejavam dar mais, as Testemunhas simplesmente devolviam o excedente ou lhes forneciam outras publicações. Seu desejo não era arrecadar dinheiro, mas pregar as boas novas do Reino de Deus.
Em 1990, devido a escândalos financeiros amplamente noticiados que envolviam certas religiões da cristandade, além da crescente tendência dos governos de classificar a atividade religiosa como empreendimento comercial, as Testemunhas de Jeová fizeram alguns ajustes em sua atividade para evitar equívocos. O Corpo Governante orientou que todas as publicações distribuídas pelas Testemunhas de Jeová nos Estados Unidos — Bíblias, tratados, folhetos, revistas e livros que explicam a Bíblia — sejam fornecidas ao público com a única condição de que as leiam, sem que se sugira uma contribuição. A atividade das Testemunhas de Jeová de modo algum é comercial, e esse arranjo serviu para diferençá-las ainda mais de grupos religiosos que comercializam a religião. Naturalmente, a maioria das pessoas sabe que custa dinheiro imprimir essas publicações, e aquelas que apreciam o serviço realizado pelas Testemunhas talvez desejem fazer um donativo para ajudar a obra. Explica-se a essas pessoas que a obra mundial de instrução bíblica dirigida pelas Testemunhas de Jeová é custeada por donativos voluntários. Os donativos são aceitos de bom grado, mas não são solicitados.
Os que participam no ministério de campo não o fazem por ganho financeiro. Doam seu tempo e arcam com as despesas de seu próprio transporte. Quando alguém mostra interesse, providenciam voltar toda semana, sem cobrar nada, para dar-lhe instrução pessoal da Bíblia. Só o amor a Deus e ao próximo poderia motivá-los a continuar empenhados nessa atividade, muitas vezes diante de indiferença e franca oposição.
Os fundos recebidos na sede mundial das Testemunhas de Jeová ou em suas filiais não são utilizados para o enriquecimento da organização ou de alguma pessoa, mas para promover a pregação das boas novas. Em 1922, The Watch Tower relatou que, devido à situação econômica na Europa, os livros que ali se imprimiam para a Sociedade eram custeados primariamente pela filial dos Estados Unidos e muitas vezes eram deixados às pessoas abaixo do custo. Embora as Testemunhas de Jeová operem agora gráficas em muitos países, alguns outros países, para os quais se enviam publicações, não podem enviar fundos para o exterior a fim de cobrir o custo. Os generosos donativos voluntários das Testemunhas de Jeová, em países em que elas têm recursos suficientes, ajudam a contrabalançar a carência de outros países.
A Sociedade Torre de Vigia sempre se tem empenhado em usar todos os recursos à sua disposição para promover a pregação das boas novas. Em 1915, Charles Taze Russell, como presidente da Sociedade, disse: “Nossa Sociedade não procura acumular riquezas terrenas, mas, em vez disso, é uma instituição que gasta integralmente os recursos de que dispõe. O que quer que a providência de Deus nos envie sem solicitação procuramos gastar o mais criteriosamente possível em harmonia com a Palavra e o Espírito do Senhor. Há muito anunciamos que, quando os fundos cessassem, as atividades da Sociedade cessariam proporcionalmente; e que, à medida que os fundos aumentassem, as atividades da Sociedade seriam ampliadas.” A Sociedade continua a fazer exatamente isso.
Até o presente, a organização usa os fundos disponíveis para enviar superintendentes viajantes a fim de fortalecerem as congregações e as incentivarem no ministério público. Continua a enviar missionários e formados da Escola de Treinamento Ministerial a países em que há necessidade especial. Também, usa quaisquer fundos disponíveis para enviar pioneiros especiais a regiões em que se fez pouca ou nenhuma pregação da mensagem do Reino. Como publicado no Anuário das Testemunhas de Jeová de 1993, no ano de serviço anterior foram gastos US$ 45.218.257,56 para esses fins.
Não servem visando ganho pessoal
Nenhum dos membros do Corpo Governante nem os diretores das sociedades jurídicas, tampouco quaisquer outras pessoas de destaque associadas com a organização lucram financeiramente em resultado da obra das Testemunhas de Jeová.
Sobre C. T. Russell, que serviu por mais de 30 anos como presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), um de seus associados escreveu: “Para avaliar se seu proceder se harmonizava com as Escrituras, também para demonstrar sua própria sinceridade, ele decidiu testar a aprovação do Senhor conforme se segue: (1) devotar sua vida à causa; (2) investir sua fortuna na disseminação da obra; (3) proibir coletas em todas as reuniões; (4) depender de contribuições não solicitadas (inteiramente voluntárias) para dar continuidade à obra depois de esgotada sua fortuna.”
Em vez de usar a atividade religiosa para adquirir riquezas materiais, o irmão Russell gastou todos os seus recursos na obra do Senhor. Após sua morte, The Watch Tower noticiou: “Ele dedicou sua fortuna particular inteiramente à causa em favor da qual deu a vida. Recebia a soma nominal de 11 dólares por mês para despesas pessoais. Morreu sem deixar patrimônio algum.”
Concernente aos que dariam continuidade à obra da Sociedade, o irmão Russell estipulou em seu testamento: “Quanto a remuneração, creio ser prudente manter o antigo proceder da Sociedade com respeito a salários — que não se paguem salários; que se concedam apenas módicos reembolsos de despesas aos que servem a Sociedade ou a sua obra duma maneira ou de outra.” Os que serviriam nos lares de Betel, nos escritórios e nas gráficas da Sociedade, bem como seus representantes viajantes, receberiam apenas alimento, abrigo e uma pequena importância para despesas — o suficiente para necessidades imediatas, mas “nenhuma provisão . . . para acumular dinheiro”. O mesmo padrão é adotado hoje.
Todos os que são aceitos para o serviço especial de tempo integral na sede mundial das Testemunhas de Jeová fazem voto de pobreza, assim como fizeram todos os membros do Corpo Governante e todos os demais membros da família de Betel ali. Isto não significa que sua vida seja austera, sem confortos. Significa, sim, que partilham, sem parcialidade, as modestas provisões de alimento, abrigo e reembolso de despesas, fornecidos a todos os que participam nesse serviço.
Assim, a organização dá continuidade a sua obra com plena dependência da ajuda que Deus dá. Sem compulsão, mas como genuína fraternidade espiritual que chega a todas as partes da Terra, as Testemunhas de Jeová usam de bom grado seus recursos para realizar a obra que Jeová, seu grandioso Pai celestial, lhes incumbiu.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja The Watchtower de 1.º setembro de 1944, página 269; A Sentinela de 15 de dezembro de 1987, páginas 19-20.
b Murdock v. Commonwealth of Pennsylvania, 319 U.S. 105 (1943); Odell v. Trepanier, 95 C.C.C. 241 (1949).
[Destaque na página 340]
“Solicitações de dinheiro não são autorizadas nem aprovadas por esta Sociedade.”
[Destaque na página 342]
Dá-se ênfase principalmente ao valor de partilhar a verdade com outros.
[Destaque na página 343]
Uma exposição clara e franca dos fatos.
[Destaque na página 344]
As congregações ajudam umas às outras para conseguirem os necessários Salões do Reino.
[Destaque na página 345]
A maior parte das contribuições vem de pessoas de recursos modestos.
[Destaque na página 348]
Grande parte das publicações é distribuída gratuitamente — quem as custeia?
[Destaque na página 349]
Deixam de bom grado publicações a quem mostre interesse sincero e prometa lê-las.
[Destaque na página 350]
O que se faz com o dinheiro doado?
[Destaque na página 351]
“Ele dedicou sua fortuna particular inteiramente à causa em favor da qual deu a vida.”
[Quadro na página 341]
Deus não faz solicitações
“Aquele que disse: ‘Se eu tivesse fome, não to diria a ti; pois meu é o mundo e a sua plenitude. . . . Não tomarei da tua casa novilhos, nem dos teus apriscos, bodes. Pois meus são todos os animais do bosque, e os gados sobre milhares de outeiros’ (Sal. 50:12, 9, 10), pode dar continuidade a sua grande obra sem fazer solicitação de fundos nem ao mundo nem a seus filhos. Tampouco compelirá ele seus filhos a sacrificar algo em seu serviço, nem aceitará deles alguma coisa, senão uma oferta prazenteira e voluntária.” — “Zion’s Watch Tower”, setembro de 1886, p. 6.
[Quadro na página 347]
Os donativos nem sempre eram em dinheiro
As Testemunhas de Jeová do extremo norte de Queensland prepararam e enviaram ao canteiro de obras da Sociedade Torre de Vigia, em Sídnei, Austrália, quatro caminhões grandes carregados de madeira de primeira, cujo valor foi calculado na época entre 60.000 e 70.000 dólares australianos.
Durante a ampliação da gráfica da Sociedade Torre de Vigia, em Elandsfontein, África do Sul, um irmão das Índias Orientais telefonou e pediu que fossem buscar um donativo de 500 sacos (de 50 quilos cada um) de cimento — numa época em que havia escassez desse produto no país. Outros colocaram seus caminhões à disposição da Sociedade. Uma irmã africana pagou uma empresa para entregar 15 metros cúbicos de areia para construção.
Nos Países Baixos, durante a construção das novas dependências da filial em Emmen, doaram-se enormes quantidades de ferramentas e de roupas de trabalho. Uma irmã, embora muito doente, tricotou um par de meias de lã para cada um que trabalhou no período do inverno.
Para a construção duma nova filial e futura gráfica em Lusaca, Zâmbia, os materiais de construção foram comprados com os fundos fornecidos por Testemunhas de outros países. Os materiais e os equipamentos que não estavam disponíveis localmente foram enviados de caminhão para Zâmbia como donativos para a obra.
Em 1977, uma Testemunha no Equador doou um terreno de 34 hectares. Construiu-se ali um Salão de Assembléias e uma nova filial.
Testemunhas no Panamá ofereceram suas casas para hospedar voluntários; algumas que possuíam ônibus forneceram condução; outras participaram em providenciar as 30.000 refeições servidas no canteiro de obras.
Para os trabalhadores da construção em Arboga, Suécia, certa congregação fez e enviou 4.500 pãezinhos. Outras congregações enviaram mel, frutas e geléias. Um fazendeiro das imediações do local da construção, embora não fosse Testemunha, forneceu duas toneladas de cenoura.
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Sede mundial e principais escritórios das Testemunhas de Jeová — em fotosTestemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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Sede mundial e principais escritórios das Testemunhas de Jeová — em fotos
SEDE MUNDIAL DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ
[Foto na página 352, 353]
A atividade global das Testemunhas de Jeová tem sido dirigida de Brooklyn, Nova Iorque, EUA, desde 1909. Estes prédios abrigam os escritórios da sede mundial desde 1980.
[Foto na página 352]
Centro Educacional da Torre de Vigia em Patterson, Nova Iorque (em construção em 1992)
[Fotos na página 353]
Alguns dos prédios residenciais para os milhares que servem na sede mundial.
[Fotos na página 354]
Antigos hotéis em Brooklyn reformados para acomodarem outros 1.476 trabalhadores voluntários.
[Fotos na página 354]
Alojamentos para a família de Betel em Wallkill, Nova Iorque
[Fotos na página 354, 355]
Nestes prédios da gráfica (em Brooklyn, Nova Iorque) produzem-se Bíblias, livros e brochuras em 180 línguas para distribuição global.
[Fotos na página 356]
Milhões de fitas cassete com matéria bíblica são produzidas anualmente nesta gráfica em Brooklyn. Daqui também se coordena a expedição. Mais de 15.000 toneladas de publicações bíblicas e outros itens são despachados anualmente a todas as partes do mundo.
[Fotos na página 356]
Nesta gráfica nas Fazendas da Torre de Vigia, perto de Wallkill, Nova Iorque, centenas de milhões de exemplares de “A Sentinela” e “Despertai!”, em 14 línguas, são impressas anualmente.
As Testemunhas de Jeová e as entidades jurídicas que elas usam têm escritórios e gráficas em muitas partes do mundo. As fotos nas páginas seguintes mostram muitos desses prédios, embora nem todos. Onde estavam sendo construídos novos prédios em 1992, mostram-se as maquetes. As estatísticas são de 1992.
AMÉRICA DO NORTE E O CARIBE
[Fotos na página 357]
ALASCA
Os que visitam a filial da Sociedade recebem uma calorosa acolhida. Aqui no Alasca, como em outros lugares, as Testemunhas de Jeová pregam de casa em casa, embora a temperatura às vezes chegue a cair para -50°C.
Avião usado para transportar proclamadores do Reino a partes remotas do território.
[Foto na página 357]
BAAMAS
As publicações da Torre de Vigia chegaram a Baamas por volta de 1901. Testemunho regular foi dado pela primeira vez aqui em 1926. Desde então, bem mais de 4,6 milhões de publicações bíblicas foram distribuídas nas ilhas supervisionadas atualmente por este escritório.
[Fotos na página 358]
BARBADOS
Mais de 140 grupos religiosos em Barbados afirmam ser cristãos. Desde 1905, as Testemunhas de Jeová vêm ajudando as pessoas aqui a ver por si mesmas o que a Bíblia diz.
[Fotos na página 358]
BELIZE
Cerca de metade da população de Belize vive em áreas rurais. Para chegarem a certos povoados no interior, as Testemunhas de Jeová fazem viagens anuais a pé, carregando mochilas e pastas.
[Foto na página 358]
COSTA RICA
A Sociedade abriu uma filial em Costa Rica em 1944. Desde a década de 50, os costarriquenhos que participam da adoração verdadeira vieram a ser milhares.
[Fotos na página 359]
REPÚBLICA DOMINICANA
Já em 1932 se fazia distribuição das publicações da Torre de Vigia aqui. Mas a instrução pessoal dos interessados começou em 1945, quando chegaram os missionários que aparecem à esquerda. Em anos recentes, quando dezenas de milhares de pessoas mostraram muito desejo de estudar a Bíblia com as Testemunhas, tornaram-se necessários estes prédios de filial.
[Fotos na página 359]
EL SALVADOR
Deu-se algum testemunho aqui em 1916. Entretanto, foi pela primeira vez em 1945 que pelo menos uma pessoa em El Salvador estava preparada para se submeter à imersão cristã em água (que aparece na foto). Desde então, milhares mais se tornaram servos de Jeová.
[Fotos na página 359]
GUADALUPE
A proporção de publicadores com relação à população no território servido por esta filial é uma das melhores do mundo. Muitas pessoas em Guadalupe ouvem com apreço as boas novas.
[Fotos nas páginas 360, 361]
CANADÁ
A filial da Sociedade no Canadá supervisiona a pregação das boas novas no segundo maior país do mundo. Bem mais de 100.000 proclamadores do Reino estão ativos neste país.
Prédio administrativo (sobre a foto do atual conjunto de prédios da filial)
Territórios do Noroeste
Serrarias de campo na Colúmbia Britânica
Fazendas de criação de gado em Alberta
Quebec francês
Províncias marítimas
[Fotos na página 360]
GUATEMALA
Embora o espanhol seja a língua oficial da Guatemala, uma variedade de complexas línguas indígenas são faladas aqui. A filial da Sociedade empenha-se em cuidar de que todos tenham a oportunidade de ouvir a respeito do Reino de Deus.
[Fotos na página 361]
HAITI
Servir a Jeová traz grande alegria às Testemunhas de Jeová no Haiti, apesar das condições muitas vezes difíceis que as cercam.
[Fotos na página 362]
HONDURAS
Desde 1916, bem mais de 23 milhões de horas foram dedicadas a ensinar a Bíblia aos habitantes deste país. Às vezes, as Testemunhas de Jeová tiveram também de ensinar as pessoas a ler e a escrever (como se vê aqui), a fim de habilitá-las a estudar pessoalmente a Palavra de Deus.
[Fotos na página 362]
JAMAICA
Centenas de pessoas na Jamaica tornaram-se devotados servos de Jeová no período em que prospectivos herdeiros do Reino celestial estavam sendo ajuntados. Desde 1935, milhares mais se uniram na pregação da mensagem do Reino. Esta filial está sendo construída para ajudar a cuidar das suas necessidades espirituais.
[Fotos na página 362]
ILHAS DE SOTAVENTO (ANTÍGUA)
Já em 1914 as boas novas estavam sendo pregadas nas ilhas agora supervisionadas por esta filial. Vez após vez, desde então, as pessoas nesta parte da Terra foram convidadas a ‘tomar de graça a água da vida’. — Rev. 22:17.
[Fotos na página 363]
MÉXICO
Novo centro de educação bíblica que está sendo construído pelas Testemunhas de Jeová no México.
Escritórios em uso em 1992.
Publicações bíblicas produzidas aqui suprem mais de 410.000 zelosas Testemunhas no México e outros países vizinhos de língua espanhola.
De 1986 a 1992, bem mais de 10 por cento dos estudos bíblicos domiciliares dirigidos pelas Testemunhas mundialmente foram dirigidos no México, muitos destes com famílias.
[Gráfico na página 363]
(Para o texto formatado e as fotos, veja a publicação)
Estudos bíblicos no México
500.000
250.000
1950 1960 1970 1980 1992
[Fotos na página 364]
MARTINICA
Sementes da verdade foram lançadas aqui já em 1946. Mas, quando Xavier e Sara Noll (vistos aqui) chegaram da França em 1954, puderam permanecer e cultivar o interesse encontrado. Em 1992, mais de 3.200 pessoas participavam com eles na proclamação da mensagem do Reino.
[Fotos na página 364]
ANTILHAS HOLANDESAS (CURAÇAU)
Vinte e três missionários vieram a servir no território desta filial. Dois do grupo original (vistos aqui) que chegou em 1946 ainda estavam ativos em 1992.
[Fotos na página 364]
NICARÁGUA
Começando em 1945, quando chegaram missionários, as Testemunhas de Jeová na Nicarágua começaram a aumentar. Em 1992, havia mais de 9.700. As pessoas que desejam que as Testemunhas lhes ensinem a Bíblia agora excedem muito em número as Testemunhas locais.
[Fotos na página 365]
PANAMÁ
Desde o fim do século 19, as pessoas no Panamá têm recebido ajuda para aprender os requisitos de Deus para a vida eterna.
[Foto na página 365]
PORTO RICO
Desde 1930, mais de 83 milhões de publicações bíblicas foram distribuídas em Porto Rico, e 25 milhões de revisitas foram feitas para fornecer mais ajuda às pessoas interessadas. O serviço de tradução feito aqui ajuda a tornar disponíveis publicações bíblicas para cerca de 350 milhões de pessoas que falam espanhol em todo o mundo.
[Fotos na página 365]
TRINIDAD
As boas novas já eram intensamente proclamadas em Trinidad em 1912. Muitas Testemunhas, inclusive estas três que foram treinadas na Escola de Gileade, dedicaram tempo integral a esta obra.
AMÉRICA DO SUL
[Fotos na página 366]
ARGENTINA
Foi em 1924 que pela primeira vez um proclamador do Reino foi enviado a este país. Muita ajuda foi dada mais tarde por missionários treinados em Gileade, incluindo Charles Eisenhower (na foto) que chegou com a esposa em 1948. Em 1992, a supervisão geral e as publicações bíblicas eram fornecidas a partir destes prédios a mais de 96.000 Testemunhas de Jeová na Argentina. Publicações eram também enviadas daqui para suprir mais de 44.000 Testemunhas no Chile.
[Fotos na página 367]
BOLÍVIA
Os bolivianos têm ouvido a mensagem do Reino desde 1924. Milhares deles recebem publicações bíblicas com apreço e se beneficiam regularmente de estudos bíblicos domiciliares.
[Fotos na página 367]
CHILE
Já em 1919, publicações da Torre de Vigia haviam chegado ao Chile. A pregação supervisionada por esta filial estende-se agora das fazendas de criação de carneiros, no ventoso sul, aos remotos campos de mineração no norte e da cordilheira dos Andes ao oceano.
[Fotos na página 367]
EQUADOR
Uma grande contribuição para a pregação das boas novas no Equador foi feita por mais de 870 Testemunhas (como as duas que aqui aparecem) que deixaram sua terra natal para servir onde a necessidade era maior. Esta filial fornece agora ajuda para mais de 22.000 zelosos louvadores de Jeová.
[Fotos nas páginas 368, 369]
BRASIL
Em 1992, quando os escritórios, a gráfica e o Lar de Betel da Sociedade estavam sendo ampliados a este tamanho, as Testemunhas de Jeová no Brasil eram mais de 335.000 e batizavam mais de 27.000 discípulos por ano. A gráfica aqui produz também publicações para distribuição na Bolívia, no Paraguai e no Uruguai.
Dois grandes estádios usados para um congresso internacional das Testemunhas de Jeová em São Paulo, em 1990; mais de 100 outros congressos foram também programados.
[Gráfico na página 369]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
Proclamadores do Reino no Brasil
100.000
200.000
300.000
1950 1960 1970 1980 1992
[Fotos na página 368]
GUIANA
A Sociedade tem uma filial na Guiana desde 1914. As Testemunhas penetraram bem no interior e empenharam-se em dar a todos a oportunidade de ouvir as boas novas. Embora a população do país mesmo agora seja de menos de um milhão, as Testemunhas dedicaram mais de 10 milhões de horas à pregação e ao ensino neste país.
[Fotos na página 369]
PARAGUAI
A pregação das boas novas no Paraguai já era feita em meados da década de 20. Desde 1946, 112 missionários treinados em Gileade ajudaram a dar testemunho. Para pregarem a grupos lingüísticos diferentes além dos das línguas locais, o espanhol e o guarani, outras Testemunhas de vários países também ofereceram mudar-se para cá.
Da Alemanha
Da Coréia
Do Japão
[Fotos nas páginas 370, 371]
COLÔMBIA
Em 1915, foi enviada pelo correio uma publicação da Torre de Vigia a um senhor interessado na Colômbia. Em 1992, as publicações bíblicas impressas nesses prédios estavam sendo despachadas para suprir mais de 184.000 evangelizadores na Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela.
[Mapa na página 371]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
COLÔMBIA
PERU
EQUADOR
PANAMÁ
VENEZUELA
[Fotos na página 370]
PERU
Foram distribuídas publicações bíblicas no Peru já em 1924 por um Estudante da Bíblia em visita. A primeira congregação foi formada aqui 21 anos depois. Existem agora no Peru mais de 43.000 ativos proclamadores do Reino de Deus.
Pioneiros pregando no alto dos Andes.
[Fotos na página 371]
SURINAME
Por volta de 1903, formou-se aqui o primeiro grupo de estudos. Hoje são necessários estes prédios de filial para supervisionar congregações espalhadas em todo o país — em regiões primitivas, nos distritos e nas cidades.
[Fotos na página 372]
URUGUAI
Desde 1945, mais de 80 missionários contribuíram para a proclamação do Reino no Uruguai. As que aparecem aqui servem no Uruguai desde a década de 50. Em 1992, mais de 8.600 Testemunhas locais serviam junto com elas.
[Fotos na página 372]
VENEZUELA
Algumas publicações da Torre de Vigia foram distribuídas na Venezuela em meados da década de 20. Uma década depois, duas pioneiras dos Estados Unidos, mãe e filha, começaram aqui um zeloso período de pregação, cobrindo a capital vez após vez, bem como indo a cidades em todo o país. Há agora mais de 60.000 Testemunhas ativas na Venezuela.
Praça de touros, em Valência, com 74.600 pessoas numa assembléia especial em 1988
EUROPA E O MEDITERRÂNEO
[Fotos na página 373]
ÁUSTRIA
Já na década de 1890, algumas pessoas na Áustria receberam a oportunidade de se beneficiar das boas novas. Desde a década de 20, tem havido constante crescimento, embora moderado, no número de louvadores de Jeová neste país.
Mais de 270 congregações se reúnem em Salões do Reino em toda a Áustria.
[Fotos na página 373]
BÉLGICA
A Bélgica tornou-se um dos pontos no mundo onde existe encontro de culturas. Para cuidar da variada população local, esta filial distribui publicações bíblicas em mais de 100 idiomas.
[Fotos na página 374]
GRÃ-BRETANHA
A atividade de mais de 125.000 Testemunhas de Jeová na Grã-Bretanha é supervisionada por esta filial. Testemunhas da Grã-Bretanha também aceitaram designações para difundir a mensagem do Reino em outros países europeus, bem como na África, América do Sul, Austrália, Oriente e ilhas do mar.
Watch Tower House
IBSA House
As publicações bíblicas são impressas aqui em inglês, maltês, guzerate e suaíli.
O Departamento de Serviço cuida de mais de 1.300 congregações na Grã-Bretanha.
Enviam-se publicações a todas as partes da Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda e Malta, bem como a lugares na África e no Caribe.
[Fotos na página 375]
FRANÇA
A tradução e a fotocomposição de todas as publicações da Torre de Vigia impressas mundialmente para as pessoas de língua francesa são feitas na filial da França. (Mais de 120 milhões de pessoas falam o francês.) As publicações são impressas regularmente aqui numa variedade de idiomas e são enviadas a países da Europa, África, Oriente Médio, oceano Índico e oceano Pacífico.
Gráfica/escritório em Louviers
Tradução
Fotocomposição
Escritório/residência em Boulogne-Billancourt
Residência em Incarville para alojar a família de Betel.
[Fotos nas páginas 376, 377]
ALEMANHA
Não obstante os esforços cruéis de exterminá-las na Alemanha durante a era do nazismo, as Testemunhas de Jeová não renunciaram à sua fé. Desde 1946, dedicaram mais de 646 milhões de horas à difusão da verdade bíblica em todo o país.
Dependências ampliadas em Selters/Taunus.
Além de traduzir publicações bíblicas para o alemão, esta filial, em Selters/Taunus, imprime publicações em mais de 40 línguas.
Grandes quantidades de publicações produzidas aqui são despachadas regularmente para mais de 20 terras; revistas são impressas em muitas línguas e enviadas para mais de 30 países.
Caminhões próprios da Sociedade são usados para a entrega de publicações em toda a Alemanha.
[Foto na página 376]
CHIPRE
Pouco depois da morte de Jesus Cristo, as boas novas eram pregadas ao povo em Chipre. (Atos 4:32-37; 11:19; 13:1-12) Nos tempos modernos, essa pregação foi renovada, e um testemunho cabal continua a ser dado sob a direção desta filial.
[Fotos na página 377]
DINAMARCA
Desde a década de 1890, vem sendo dado testemunho intensivo na Dinamarca. Têm-se impresso aqui publicações bíblicas não só em dinamarquês, mas também em feróico, groenlandês e islandês.
Vista aérea da filial (a entrada principal aparece na foto menor)
[Fotos nas páginas 378, 379]
ITÁLIA
As publicações bíblicas em italiano são traduzidas e impressas aqui. Esta filial imprime e encaderna livros para uso especialmente na Itália e em outros países próximos.
Diversas vistas dos prédios da filial perto de Roma
Dezenas de milhares, ao verem o que a Bíblia realmente diz, passaram a se reunir com as Testemunhas de Jeová.
Em face de constante hostilidade da parte da Igreja Católica Romana, as Testemunhas de Jeová na Itália dedicaram mais de 550 milhões de horas desde 1946 a visitas pessoais a seus vizinhos para lhes falar sobre a Bíblia. Em resultado disso, 194.000 pessoas na Itália são agora ativos adoradores de Jeová.
[Foto na página 378]
FINLÂNDIA
A verdade bíblica, procedente da Suécia, chegou à Finlândia em 1906. Desde então, tem sido levada a todos os cantos do país, até mesmo muito além do Círculo Ártico. Dezenas de pessoas daqui cursaram a Escola de Gileade para serem treinadas para o serviço onde quer que fossem necessárias no campo mundial. Outros se mudaram por conta própria para servir em países onde a necessidade era maior.
[Fotos na página 379]
ISLÂNDIA
Na Islândia, com uma população de apenas cerca de 260.000, mais de 1.620.000 publicações bíblicas foram distribuídas para ajudar as pessoas a escolher a vida. Agora mais de 260 aqui servem a Jeová, o Deus verdadeiro.
Georg Lindal, que foi pioneiro aqui entre 1929 e 1953; durante a maior parte desse tempo, ele foi a única Testemunha no país.
[Fotos na página 380]
GRÉCIA
O apóstolo Paulo foi um dos primeiros a declarar as boas novas na Grécia. (Atos 16:9-14; 17:15; 18:1; 20:2) Embora a Igreja Ortodoxa Grega tenha perseguido intensamente as Testemunhas de Jeová por muitos anos, existem agora mais de 24.000 servos fiéis de Jeová neste país. A filial mostrada aqui fica uns 65 quilômetros ao norte de Atenas.
Dando testemunho em Atenas.
Foto tirada em 1990 durante uma manifestação instigada por clérigos contra as Testemunhas.
[Fotos na página 380]
IRLANDA
Por muitos anos a aceitação da mensagem da Bíblia na Irlanda foi lenta. Enfrentou-se muita oposição do clero. Mas, depois de 100 anos de persistente testemunho, a colheita espiritual agora é abundante.
A filial em Dublim
Duas pioneiras veteranas no serviço de campo
[Fotos na página 381]
POLÔNIA
Estes prédios estão sendo usados para se dar ajuda a mais de 100.000 Testemunhas na Polônia. De 1939 a 1945, a adoração praticada por elas estava proscrita, mas seu número aumentou de 1.039 em 1939 para 6.994 em 1946. Quando foi proscrita de novo em 1950, elas somavam 18.116; mas, logo depois de ser revogada a proscrição em 1989, os relatórios mostravam que havia mais de 91.000.
Por muitos anos, realizavam pequenas assembléias nos bosques; agora seus congressos lotam os maiores estádios do país — e mais de um ao mesmo tempo.
Poznan (1985)
[Foto na página 382]
LUXEMBURGO
O Luxemburgo é uma das nações bem pequenas da Europa. Mas, por uns 70 anos, a mensagem do Reino é pregada aqui também. Principalmente antes da Segunda Guerra Mundial, Testemunhas vindas da França, Alemanha e Suíça prestaram ajuda.
[Fotos na página 382]
PAÍSES BAIXOS (HOLANDA)
Desta filial em Emmen supervisiona-se a atividade de mais de 32.000 zelosas Testemunhas nos Países Baixos. A tradução de todas as publicações para o holandês é feita nestes prédios. Grande parte da reprodução de videocassetes bíblicos em idiomas europeus é também feita aqui.
[Fotos na página 383]
NORUEGA
Há cem anos, um norueguês, que se mudara para a América e aprendera as verdades bíblicas ali, levou as boas novas à sua cidade. Desde então, as Testemunhas de Jeová têm visitado todas as regiões da Noruega vez após vez para falar com as pessoas sobre o Reino de Deus.
[Fotos na página 383]
PORTUGAL
Por décadas depois de o governo ter assinado uma concordata com o Vaticano, a polícia prendia as Testemunhas e expulsava os missionários. Mas as Testemunhas remanescentes continuavam a se reunir para adoração, continuavam a pregar e a multiplicar-se. Finalmente, em 1974 foi-lhes concedida a legalização.
Esta filial supervisiona a atividade de mais de 40.000 Testemunhas em Portugal. Tem dado também muita ajuda a terras africanas que tinham fortes ligações com Portugal.
Congresso internacional realizado em Lisboa em 1978.
[Fotos na página 383]
SUÉCIA
Por mais de 100 anos, as Testemunhas de Jeová vêm pregando na Suécia. Nos últimos dez anos, dedicaram mais de 38 milhões de horas a essa atividade. Em muitas congregações na Suécia fala-se qualquer de uma dezena de línguas fora o sueco.
Para ajudar pessoas de toda espécie na Suécia, mantêm-se aqui suprimentos de publicações em 70 línguas.
[Fotos na página 384]
ESPANHA
Esta filial cuida de mais de 92.000 Testemunhas na Espanha. Imprime “A Sentinela” e “Despertai!” tanto para a Espanha como para Portugal. Apesar dos esforços implacáveis do clero católico de usar o Estado para interceptar as Testemunhas de Jeová, elas têm compartilhado as verdades bíblicas com o povo espanhol desde 1916. Por fim, em 1970, quando as Testemunhas de Jeová na Espanha eram mais de 11.000, foi-lhes concedida a legalização. Desde então, seu número aumentou cerca de oito vezes mais.
Mais de 1.100 congregações se reúnem agora livremente em Salões do Reino espalhados por todo o país.
[Foto na página 384]
SUÍÇA
Desde 1903, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tem uma filial na Suíça. Uma das mais antigas gráficas européias da Sociedade achava-se neste país. Por muitos anos a filial aqui em Thun imprimiu revistas para uso em dezenas de outros países.
ÁFRICA
[Fotos na página 385]
BENIN
Benin compõe-se de uns 60 grupos étnicos que falam 50 dialetos. Quando milhares dessas pessoas se libertaram de suas anteriores religiões, isto enfureceu tanto os sacerdotes fetichistas como o clero da cristandade. Mas, repetidas ondas de perseguição não impediram a disseminação da adoração verdadeira neste país.
Congresso realizado em 1990.
[Foto na página 385]
REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA
Já em 1947, a mensagem do Reino começou a alcançar as pessoas aqui. Um homem, que assistira a algumas reuniões das Testemunhas em outra parte, compartilhou com outros o que aprendera. Em pouco tempo, surgiu um grupo de estudo, e os que compareciam começaram logo a dar testemunho, aumentando assim o número dos que adoravam a Jeová.
[Fotos na página 386]
CÔTE D’IVOIRE (COSTA DO MARFIM)
Missionários treinados em Gileade ajudaram a introduzir a adoração verdadeira neste país da África Ocidental em 1949. Mais de cem desses missionários têm servido aqui. Cada ano, bem mais de um milhão de horas são dedicadas agora ao serviço de procurar as pessoas famintas da verdade na área supervisionada por esta filial.
[Fotos nas páginas 386, 387]
GANA
A pregação das boas novas na República de Gana começou em 1924. Agora esta filial em Acra supervisiona mais de 640 congregações nesse país de Gana. Tem também traduzido e impresso publicações bíblicas nas línguas eve, ga e tvi.
Reunião no Salão do Reino adjacente à filial
[Fotos na página 387]
QUÊNIA
Em 1931, duas Testemunhas de Jeová viajaram da África do Sul para pregar no Quênia. Desde 1963, a filial da Sociedade no Quênia forneceu, em várias ocasiões, supervisão da evangelização em muitos outros países da África Oriental (conforme mostrado abaixo). Congressos internacionais no Quênia, em 1973, 1978 e 1985, contribuíram para o testemunho dado.
Congresso em Nairóbi (1973)
[Mapa na página 387]
(Para o texto formatado veja a publicação)
QUÊNIA
UGANDA
SUDÃO
ETIÓPIA
DJIBUTI
SOMÁLIA
IÊMEN
SEICHELES
TANZÂNIA
BURUNDI
RUANDA
[Fotos na página 388]
NIGÉRIA
As boas novas têm sido pregadas neste país desde princípios da década de 20. Foram também enviados evangelizadores da Nigéria para outras partes da África Ocidental, e as publicações bíblicas impressas aqui continuam a preencher as necessidades de países vizinhos. Na própria Nigéria, as Testemunhas de Jeová colocaram nas mãos do povo mais de 28 milhões de publicações como ajuda para o entendimento da Palavra de Deus.
Do Departamento de Serviço, provê-se supervisão a bem mais de 160.000 proclamadores do Reino na Nigéria.
Congresso em Calabar, Nigéria (1990)
[Foto na página 388]
LIBÉRIA
Os que se tornaram Testemunhas de Jeová aqui têm enfrentado muitas provações de sua fé — ao abandonarem as superstições locais, ao deixarem a poligamia, ao serem perseguidos pelas autoridades que haviam sido mal informadas a respeito delas e ao serem cercados por grupos políticos e étnicos em guerra. Contudo, a adoração verdadeira continua a unir pessoas de todo tipo neste país.
[Fotos na página 389]
MAURÍCIO
Já em 1933, zelosas Testemunhas da África do Sul visitaram esta ilha do oceano Índico. Há hoje mais de mil Testemunhas em Maurício que instam seus semelhantes a buscar a Jeová a fim de poderem ser considerados com favor quando Ele destruir o atual sistema iníquo. — Sof. 2:3.
[Fotos nas páginas 390, 391]
ÁFRICA DO SUL
Por mais de 80 anos, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tem uma filial na África do Sul. Zelosos evangelizadores daqui fizeram muito para difundir a mensagem do Reino em outros países da África meridional e oriental. No território que antes era supervisionado por esta filial (onde havia 14.674 proclamadores do Reino em 1945), há atualmente mais de 300.000 Testemunhas de Jeová ativas.
Mais de 110 tradutores trabalham sob a direção desta filial para preparar publicações bíblicas em 16 línguas africanas.
Imprime-se aqui em mais de 40 línguas.
[Fotos na página 390]
SENEGAL
Embora o número de Testemunhas aqui seja reduzido, a filial tem feito empenho para que toda cidade, todo grupo étnico e pessoas de todas as religiões não só no Senegal, mas também nos países ao redor tenham oportunidade de ouvir a animadora mensagem da Bíblia.
[Foto na página 391]
SERRA LEOA
A pregação das boas novas na Serra Leoa começou em 1915. O aumento foi às vezes lento. Mas, quando os que não se apegaram às elevadas normas de Jeová foram excluídos e os que não serviam com bons motivos se retiraram, os que eram leais a Jeová prosperaram espiritualmente.
[Fotos na página 392]
ZÂMBIA
Esta filial supervisiona a atividade de mais de 110.000 Testemunhas na África centro-meridional. O primeiro escritório da Sociedade foi aberto aqui em 1936. Desde então, as Testemunhas de Jeová em Zâmbia fizeram mais de 186 milhões de revisitas para dar ajuda adicional aos interessados. Ensinaram também muitas pessoas a ler, a fim de que pudessem estudar por si mesmas a Bíblia e compartilhá-la com outros.
A uma série de congressos em Zâmbia, em 1992, 289.643 pessoas assistiram.
[Fotos na página 392]
ZIMBÁBUE
As Testemunhas de Jeová têm estado ativas em Zimbábue desde a década de 20. Durante os anos seguintes, enfrentaram proscrições de suas publicações, proibição de realizar assembléias e recusa de permissão para missionários pregarem entre a população africana. Aos poucos, foram vencidos os obstáculos, e esta filial cuida agora de mais de 20.000 Testemunhas.
O ORIENTE
[Fotos na página 393]
HONG KONG
As publicações da Torre de Vigia são traduzidas aqui para o chinês, que, em seus muitos dialetos, é falado por mais de um bilhão de pessoas. Em Hong Kong, a pregação das boas novas começou quando C. T. Russell proferiu um discurso na prefeitura, em 1912.
[Fotos na página 393]
ÍNDIA
Esta filial supervisiona a proclamação da mensagem do Reino a mais de um sexto da população da Terra. Atualmente, esta filial supervisiona a tradução em 18 línguas e a impressão em 19. Entre estas, acha-se o hindi (falado por 367 milhões de pessoas), também assamês, bengali, canarês, guzerate, malaiala, marata, nepali, oriá, punjabi, tâmil, télugo e urdu (cada uma destas é falada por dezenas de milhões de pessoas).
Testemunhas que pregam nos idiomas malaiala,
. . . nepali
. . . e guzerate.
[Fotos na página 394]
JAPÃO
As Testemunhas de Jeová no Japão, como em outros lugares, são zelosos proclamadores do Reino de Deus. Só em 1992, dedicaram mais de 85 milhões de horas à pregação das boas novas. Em média, cerca de 45 por cento das Testemunhas japonesas participam no serviço de pioneiro todo mês.
As publicações bíblicas são produzidas aqui em muitas línguas, inclusive japonês, chinês e línguas das Filipinas.
Um Escritório Regional de Engenharia ajuda no trabalho de construção de prédios de filial em vários países.
[Gŕafico na página 394]
(Para o texto formatado veja a publicação)
Pioneiros no Japão
1975 1980 1985 1992
25.000
50.000
75.000
[Fotos na página 395]
REPÚBLICA DA CORÉIA
Cerca de 16 milhões de publicações bíblicas, além de tratados, são produzidos aqui anualmente para atender a demanda de mais de 70.000 Testemunhas na República da Coréia. Uns 40 por cento das Testemunhas coreanas estão no serviço de pioneiro.
[Fotos na página 395]
MIANMAR
Quando a Sociedade Torre de Vigia abriu um escritório aqui em 1947, havia apenas 24 Testemunhas de Jeová no país. As mais de 2.000 Testemunhas agora ativas em Mianmar procuram alcançar não só os habitantes das cidades, mas também a população rural que é mais numerosa.
[Fotos na página 396]
FILIPINAS
Em 1912, C. T. Russell falou no Grande Teatro Lírico de Manila sobre o tema “Onde Estão os Mortos?”. Desde aquele tempo as Testemunhas de Jeová aqui dedicaram mais de 483 milhões de horas ao serviço de dar testemunho a pessoas que vivem numas 900 ilhas habitadas das Filipinas. Esta filial exerce a supervisão geral de mais de 110.000 Testemunhas em 3.200 congregações. Imprime-se aqui em oito línguas para preencher as necessidades locais.
Testemunhas dentre alguns dos maiores grupos lingüísticos das Filipinas
[Fotos na página 397]
SRI LANKA
Antes da Primeira Guerra Mundial, as boas novas eram pregadas no Ceilão (agora Sri Lanka), ao sul da Índia. Em pouco tempo, formou-se um grupo de estudo. Desde 1953, a Sociedade tem uma filial na capital, para dar aos cingaleses, aos tâmeis e a outros grupos étnicos neste país a oportunidade de ouvirem a mensagem do Reino.
[Fotos na página 397]
TAIWAN (FORMOSA)
Deu-se algum testemunho aqui na década de 20. Mas, em caráter mais contínuo, começou na década de 50. Agora, estes novos prédios da filial estão sendo construídos para servirem de centro de atividades incrementadas nesta parte da Terra.
Congregação em Taipé
[Fotos na página 397]
TAILÂNDIA
Na década de 30, chegaram da Grã-Bretanha, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia Testemunhas que eram pioneiros, a fim de compartilharem a verdade bíblica com o povo da Tailândia (conhecida então por Sião). Congressistas de muitos países assistiram a congressos internacionais aqui realizados em 1963, 1978, 1985 e 1991 para encorajarem Testemunhas locais e estimularem a difusão da mensagem do Reino.
Congresso em 1963
Congressistas do estrangeiro em 1991
ILHAS DO PACÍFICO
[Fotos na página 398]
FIJI
O escritório em Fiji foi aberto em 1958. Por algum tempo supervisionava a obra de proclamação do Reino em 12 países e em 13 idiomas. Hoje a filial de Fiji concentra sua atenção em aproximadamente cem ilhas habitadas do arquipélago de Fiji.
Congressos internacionais aqui, em 1963, 1969, 1973 e 1978, ajudaram a aproximar as Testemunhas locais às de outros países.
[Fotos na página 398]
GUAM
A filial de Guam dirige a pregação das boas novas em ilhas espalhadas sobre uns 8 milhões de quilômetros quadrados do oceano Pacífico. A tradução de literatura bíblica em nove línguas está sob a sua supervisão.
O superintendente de circuito muitas vezes viaja de avião de ilha em ilha.
As Testemunhas locais (segundo se mostra aqui na Micronésia) às vezes usam barcos para chegar até o território.
[Foto na página 399]
HAVAÍ
A Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tem uma filial em Honolulu desde 1934. Alguns irmãos do Havaí têm participado na obra de evangelização não só nas ilhas havaianas, mas também no Japão, Taiwan (Formosa), Guam e nas ilhas da Micronésia.
[Foto na página 399]
NOVA CALEDÔNIA
Apesar de impedimentos por parte de opositores religiosos, as Testemunhas de Jeová levaram a mensagem do Reino de Deus à Nova Caledônia. Muitos ouviram com apreço. Em 1956, formou-se a primeira congregação. Hoje há aqui mais de 1.300 louvadores de Jeová.
[Fotos na página 399]
NOVA ZELÂNDIA
Em 1947, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) abriu uma filial na Nova Zelândia para uma supervisão mais de perto da pregação das boas novas aqui.
A tradução feita nesta filial possibilita aos habitantes de Samoa, Rarotonga e Niue receber regularmente edificação espiritual.
Tradutores e revisores cooperam em suprir publicações de alta qualidade.
[Fotos/Mapa na página 400]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
AUSTRÁLIA
PAPUA NOVA GUINÉ
NOVA CALEDÔNIA
ILHAS SALOMÃO
FIJI
SAMOA OCIDENTAL
TAITI
NOVA ZELÂNDIA
[Fotos]
AUSTRÁLIA
A Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tem filial na Austrália desde 1904. No passado, esta filial supervisionava a obra de proclamação do Reino em quase um quarto da superfície do globo, incluindo a China, o Sudeste Asiático e as ilhas do Pacífico Sul.
Atualmente, esta filial imprime publicações bíblicas em mais de 25 línguas. A gráfica aqui ajuda a fornecer publicações necessárias para cerca de 78.000 Testemunhas que se encontram nas áreas supervisionadas por oito filiais no Pacífico Sul.
Países aos quais a filial da Austrália fornece publicações.
O Escritório Regional de Engenharia ajuda na construção de filiais no Pacífico Sul e no Sudeste Asiático.
[Fotos na página 400]
PAPUA NOVA GUINÉ
As Testemunhas de Jeová nesse país enfrentam um desafio especial — o povo fala umas 700 línguas. Testemunhas de pelo menos dez outros países se mudaram para cá a fim de participarem na obra. Têm-se aplicado muito para aprender as línguas locais. Os interessados servem de intérpretes para os que falam outra língua. Faz-se também uso eficaz de gravuras como ajuda no ensino.
[Fotos na página 401]
ILHAS SALOMÃO
Um estudo bíblico dirigido internacionalmente por correspondência trouxe a mensagem do Reino às ilhas Salomão em princípios da década de 50. Apesar de graves obstáculos, a verdade bíblica se difundiu. Esta filial e o espaçoso Salão de Assembléias são o resultado de inventividade local, cooperação internacional e muito do espírito de Jeová.
[Fotos na página 401]
TAITI
Em princípios da década de 30, as Testemunhas de Jeová já haviam alcançado o Taiti com a mensagem do Reino. Aqui, no meio do oceano Pacífico, está sendo dado um testemunho cabal. Só nos últimos quatro anos, o testemunho dado representa, em média, mais de cinco horas falando-se a todo homem, mulher e criança na ilha.
[Foto na página 401]
SAMOA OCIDENTAL
A Samoa Ocidental é uma das menores nações do mundo, mas as Testemunhas de Jeová têm uma filial aqui também. Este prédio estava sendo construído em 1992 para se cuidar das atividades nestas ilhas e em outras ilhas próximas, incluindo a Samoa Americana.
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